quinta-feira, 1 de agosto de 2013

FanFic: "Reféns do Acaso" (+18)



PRÓLOGO

Sempre pensei que a frase: "Não mandamos no coração", fosse um clichê completamente absurdo. Sempre pensei que nós humanos, pudéssemos escrever o nosso próprio destino, traçando os nossos próprios caminhos, fazendo as nossas próprias escolhas. Sempre pensei que fôssemos capazes de decidir racionalmente e sem sentimentalismo o melhor e o pior para nossas vidas. 

Sempre pensei... um milhão de coisas que perderam absolutamente o sentido depois que um homem balançou o meu mundo e me fez enxergar o que antes eu não conseguia ver. 
Homem este, que despertou em mim algo novo e completamente inesperado. Algo arrebatador. Algo que não deveríamos ter permitido que acontecesse. 
Mostrou-me, por capricho do acaso, que realmente não temos forças para pensar racionalmente quando o amor se apossa do nosso peito. 

Desde o início, eu sabia que a nossa escolha poderia ferir sentimentos alheios. Sabia que se resolvêssemos ouvir os nossos corações; a nossa felicidade poderia ser incompleta e o nosso futuro cheio de incertezas.
E definitivamente, sabíamos que nunca iríamos descobrir; se não ousássemos seguir em frente.

Em Breve...






Capítulo 1



Abri os olhos devagar, tentando adaptá-los à claridade que atravessava a fina cortina da janela. Minha cabeça latejava e por mais que eu me esforçasse, não conseguia relembrar o que acontecera na noite anterior. Levantei-me apressadamente e fui aos tropeços para o banheiro. Fiquei alguns segundos me olhando no espelho, analisando minhas feições. Vi a figura de uma mulher linda, dona de um físico esbelto e traços delicados, com os 25 anos recém completados. Nenhuma novidade. Abri a torneira e pude sentir a água fria e cristalina tocar minhas mãos; aquilo era purificador. Lavei o rosto enquanto me perguntava: Que diabos eu aprontei desta vez?

Inseri-me no mundo da música quando ainda não passava de uma garotinha. Assim que os meus pais perceberam que eu tinha uma voz suave e melodiosa acompanhada por um carisma estonteante, resolveram que tínhamos de sair da pequena e pacata cidade na Flórida e nos mudarmos para Los Angeles; onde as chances de que uma gravadora me contratasse seriam maiores.

E foi isso mesmo que aconteceu.

Lancei meu primeiro disco aos 9 anos de idade, todos ficaram encantados comigo. Com o tempo, fiz fortuna, ganhei fama, tornei-me uma grande e conceituada estrela da música pop americana. Assim que conquistei minha estabilidade financeira, deixei a casa dos meus pais. Acabamos nos afastando de tal modo que nos limitamos a apenas trocar cartões nas dadas festivas. Intimamente; sinto-me culpada por isso.

Fama não é sinônimo de glamour, como muitas pessoas fantasiam. Ter todos os refletores direcionados a você é tortuoso e angustiante. Sinto-me completamente nua. A falta de privacidade é irritante e revoltante.

Talvez esse pensamento tenha sido um dos maiores causadores do período de completa turbulência pelo qual passei. Sempre tive a concepção de que as regras são feitas para serem quebradas, e não respeitadas.

Preciso ter mais controle sobre mim mesma, pensei, enquanto voltava para a cama. Enfiei a cabeça debaixo do travesseiro e fechei os olhos, tentando pegar no sono novamente.

Escutei a porta do quarto sendo aberta e, logo em seguida, passos firmes vindo em direção à cama. Fiquei imóvel, sem a mínima vontade de levantar o rosto para ver quem era.

- Acorde, Sienna – disse uma voz extremamente familiar.
Eu a ignorei. Sabia que ela era a minha melhor amiga, mas não estava com a mínima paciência para escutar um sermão matinal.
- Levante desta cama – ordenou, ameaçando puxar o edredom.

Respirei fundo e me sentei na cama, a encarando.

- O que você está fazendo aqui, Lisa?! – perguntei de imediato. – São apenas 7 da manhã – reclamei, olhando para o relógio na mesa de cabeceira.

- Reclame com a Margareth – retrucou. – Foi ela quem me deixou entrar.

- Eu poderia demiti-la por isso – afirmei, abrindo um pequeno sorriso.

Lisa sentou-se ao meu lado e jogou um jornal recém comprado em cima do meu colo. Eu o recolhi, com um sorriso amarelo. Analisei a primeira página do caderno de esportes.

- Os Lakers venceram mais uma vez?! – perguntei, tentando desfocar a assunto que realmente importava. – Esses caras são imbatíveis!

Ela me olhou torto e tomou o jornal das minhas mãos. Procurou a página certa e o esticou para mim, em silêncio.

Havia uma enorme foto minha; com cara de bêbada e as sandálias nas mãos, estampada no centro da página, em destaque. Na legenda lia-se:“Sienna McCallister tenta agredir paparazzi na saída de uma boate”.

- Não me lembro de ter feito isso – murmurei amassando a folha e jogando-a no chão. – E se fiz, é porque ele deve ter merecido.

- O que está acontecendo com você? – ela perguntou, encarando-me firmemente. - Já está na hora de você mudar de postura.

Abaixei os olhos, absorvendo o que parecia ser um conselho. Lisa havia mudado muito depois que se casara. Tornara-se mais madura e abandonou a vida desregrada que antes possuía. Agora insistia em levar-me para o mesmo caminho.

- Oh, Sienna... - Ela puxou minha cabeça e deitou-me em seu colo. – Não somos mais duas adolescentes.

Eu só queria encerrar aquele assunto de uma vez.

- Lisa, você não deveria estar aqui, perdendo o seu tempo comigo. Onde está o Michael? – perguntei, um pouco hesitante.

Sinceramente, eu acreditava que a Lisa havia feito uma péssima escolha para o matrimônio. Michael Jackson; o homem mais excêntrico das Américas, cheio de manias e esquisitices, que resolvera excluir-se da sociedade ao trancar-se atrás dos portões do Rancho Neverland; tentando criar um mundo particular, cheio de irrealidades e fantasias, desperdiçando dinheiro aos montes. A Lisa merecia coisa melhor.
- Está no rancho. Ótimo e cada vez mais insaciável – respondeu-me, sorrindo e bagunçando meus cabelos. – Você deveria ir comigo até Neverland – sugeriu.- Apenas uma tarde lá e eu conseguiria fazer você se sentir melhor. A aura daquele lugar é contagiante.
Estremeci só em pensar. Eu fazia raras visitas a Lisa, desde que ela se casara, quatro meses antes. Michael sempre foi amistoso e simpático todas as vezes que nos encontramos, mas eu não conseguia tirar as más impressões que tinha dele. Nós trabalhávamos na mesma gravadora; a Sony, mas nunca havíamos nos envolvido profissionalmente. Na verdade eu achava o seu ego demasiadamente inflado.
Lembrei-me de quando a Lisa contou-me do seu envolvimento com ele. Mas ele é um completo louco de mocassins pretos e luvas brancas, eu disse, repetidas vezes. Ela sempre ria e retrucava: Você só diz isto porque não o conhece direito, Sienna.
E não tinha a intenção de conhecer.
- Por favor, prometa-me que vai parar de promover escândalos?! – ela murmurou, recobrando minha atenção, insistindo em voltar ao assunto inicial. – A imprensa não perdoa.
Eu sorri e apertei suas bochechas.
- Tudo bem. Eu prometo.

Capítulo 2

Lisa e eu conversamos pelo resto da manhã. Quando eu a convidei para almoçar, ela despediu-se apressadamente alegando que Michael já deveria estar sentindo sua falta no rancho. Mania dos recém-casados, pensei, achando aquilo um completo exagero.
Quando ela foi embora, levantei-me da cama, entrei no banheiro e fui tomar um banho. Por um longo tempo, deixei que a água quente batesse contra o meu corpo; esperançosa de que aquilo me fizesse sentir melhor. E realmente fez. Assim que terminei, vesti a primeira peça de roupa que encontrei pela frente e gritei por Margaret: minha preferida e mais fiel empregada. Havia sido minha babá e quando me mudei da casa dos meus pais fiz questão de levá-la comigo. Tínhamos um forte laço afetivo. Eu a considerava uma segunda mãe.
- Muitas pessoas já ligaram procurando por mim? – perguntei, tendo a certeza de que o meu comportamento da noite anterior seria o assunto do dia.
- Muitas – ela respondeu, com um risinho. – Eu disse que você havia embarcado hoje cedo para a Martinica.
Ela está ficando cada vez mais criativa nas respostas, pensei, caindo na gargalhada. Já está se acostumando.
- O Emmet está a sua espera – ela avisou, rompendo minha súbita euforia. – Para ele eu não pude mentir.
Minha cabeça voltará a doer.
- Mande-o subir até aqui.
Poucos minutos depois, Emmet entrou no quarto. Quando me virei para observá-lo, percebi que seus dois olhos azuis estavam fixos em mim. Sua expressão era séria e acusadora.
Nosso namoro não andava muito bem. Volta e meia ele estava tentando me controlar; e eu me recusava a permitir tal feito. Nunca existira amor, a paixão havia se acabado, a cumplicidade desaparecido e o desejo virado pó. Mas mesmo assim insistíamos na insensatez de continuamos juntos.
Até aquele momento.
- Tudo bem? – Aproximei-me dele e lhe dei um leve beijo nos lábios, ignorando sua expressão fechada.
Ele me puxou pelo braço e afastou-se de mim rapidamente.
- O que é isto?! - perguntou, lançando em minha direção um jornal igual ao que Lisa me mostrara.
- Já vi – resmunguei, atirando-o de volta.
Emmet me encarou.
- O que você pensa que está fazendo da sua vida?
Eu abaixei os olhos. Em silêncio.
- Você prometeu que isso nunca mais se repetiria – ele continuou.
Pude notar um tom autoritário em sua voz.
Quem diabos ele pensa que é? Meu pai?
- Sienna, a única coisa que você sabe fazer bem é decepcionar as pessoas que lhe dão um voto de confiança... – acusou, transtornado.
Isso já está passando dos limites. Tentei me controlar. Um dois...
- Não percebe que está se tornando uma fracassada?!
Tres, quatro, cinco...
- Agora todos estão sentindo pena de você...
Seis, sete... Chega!
- Saia daqui! – gritei, com toda a força que meu pulmão suportaria. – Vá embora!
Ele ficou por mais alguns segundos me encarando, mas desta vez sem dizer nada. Assentiu com a cabeça e saiu do quarto, batendo a porta com força.
Deslizei as costas pela parede e sentei-me no chão, completamente atordoada. Não consegui conter as lágrimas que chegaram rapidamente, antes que eu pudesse evitá-las. As palavras de Emmet me feriram mais do que uma navalha afiada poderia.
E se ele estiver certo? E se eu estiver mesmo me tornando uma fracassada? E se eu estiver despertando pena nas pessoas...?  A possibilidade de fazer o papel de coitada me causava repúdio.
Estiquei a mão, peguei o telefone na mesa de cabeceira e, com as mãos trêmulas, digitei o número do celular de Lisa.
- Sienna? – ela perguntou prontamente, assim que atendeu.
Respirei um pouco mais aliviada. A voz dela tinha o enorme poder de me tranqüilizar.
- O Emmet acabou de sair daqui. Lisa, ele me disse coisas horríveis...
- Oh, acalme-se. Irá ficar tudo bem...
- Liguei para saber se o convite para ir a Neverland ainda está de pé. Estou precisando ocupar minha cabeça com algo.
Pude sentir o tom de surpresa em sua voz. Eu sempre inventava desculpas para não ir ao rancho e agora estava praticamente me auto-convidando a ir.
- Está! É claro que está!


Capítulo 3


Depois de me despedir, desliguei o telefone rapidamente e sequei as lágrimas que ainda insistiam em brotar dos meus olhos. Levantei-me, prendi meus cabelos em um desajeitado rabo-de-cavalo e desci as escadas apressadamente, ansiando o momento em que poderia encontrar conforto nas tranqüilizadoras palavras que Lisa sempre me dizia.
Apesar dos apelos de Margareth, dispensei o motorista e recolhi as chaves do carro. Pude perceber que um pequeno grupo de paparazzis encontrava-se do outro lado da rua, esperando a hora em que eu fosse sair. Todos os dias era o mesmo inferno. Fechei o vidro da janela e passei por eles; cantando os pneus.
Vinte minutos depois e eu estava saindo da cidade, rumo a Neverland. Esperançosa de que uma tarde lá realmente pudesse desanuviar os meus pensamentos.


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Michael estava no escritório, sentado em uma confortável poltrona localizada atrás de uma mesa repleta de papeis. Quando viu Lisa se aproximar, abriu um pequeno sorriso, tentando desfazer o vinco de preocupação que marcava sua testa.
- A Sienna está vindo para cá – ela disse, sentando-se em uma de suas pernas e enlaçando os braços em seu pescoço. – Ela está passando por um momento tão difícil...
- Posso imaginar. – Ele deu-lhe um suave beijo nos lábios. – Os escândalos dela são um prato cheio para a imprensa.
Lisa assentiu.
- E parece que desta vez o Emmet piorou ainda mais as coisas. É um grosso. – Deu um longo suspiro. – Ela não teve no amor a mesma sorte que eu tive – disse, aninhando a cabeça no ombro de Michael.
- Aos olhos da maioria, casar comigo foi a maior insanidade que você poderia cometer – murmurou, sorrindo. – Aos olhos da própria Sienna, inclusive.
- A Sienna às vezes constrói opiniões erradas sobre as pessoas. Ela diz que não entende como nós dois nos envolvemos, somos tão diferentes. Mas tenho certeza de que um dia ela caírá em si e mudará de idéia ao seu respeito...
Foram interrompidos por Susan, que surgiu na porta de repente.
- A Sra. Priscilla está ao telefone – avisou a empregada. – Pediu que eu avisasse que o assunto é urgente e inadiável.
- Aposto que o assunto urgente é opinar entre qual dos brincos combina melhor com o vestido novo – disse, sorrindo e levantando-se. – Susan, quando a Sienna chegar, peça para que me espere na sala de visitas.
Quando Lisa saiu, Michael voltou a analisar os papéis.

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Em Neverland, os portões abriram-se automaticamente assim que o meu carro parou diante deles. Lisa já avisou que eu viria, pensei, perguntando-me se Michael não iria se importar com a minha visita fora de hora.
Abaixei os vidros da janela para observar a maior quantidade de coisas possíveis. Não posso negar que aquele lugar causava-me curiosidade.  Lisa já havia me dito que lá havia um zoológico, um parque de diversões, uma pista de Kart, duas linhas férreas, um anfiteatro, uma minialdeia indígena, e mais uma porção de coisas que fazia daquele rancho um paraíso particular para Michael.
Poucos minutos depois, eu me encontrava em frente à residência principal. Susan estava a minha espera, eficiente como sempre.
- A Sra. Lisa está conversando com a mãe ao telefone – ela disse. – Pediu que eu a conduzisse até a sala de visitas.
- Tudo bem.
Assim que colocamos os pés na sala principal, minha curiosidade ficou ainda mais acentuada, como sempre acontecia. Aquele rancho era um enigma para mim. O que poderia fazer um homem de 36 anos, refugiar-se em uma realidade tão estranha? Eu não conseguia entender.
Apertei o passo atrás de Susan, que me conduzia por um enorme corredor, decorado com lustres de cristais e armaduras medievais. Ao olhar para os lados, uma porta aberta chamou minha atenção.
- Susan, – eu disse, parando de caminhar -, aquele é o escritório?
- É a biblioteca – respondeu-me, virando para trás.
Esperar na biblioteca será menos tedioso.
- Alguém se incomodaria se eu esperasse lá? – perguntei, temendo estar sendo inconveniente.
Ela sorriu.
- Fique a vontade.
Entrei na biblioteca e Susan voltou aos seus afazeres. Sentei-me em uma poltrona, enquanto olhava para todos os lados, completamente admirada. Levantei-me poucos segundos depois, sem conseguir conter o desejo de analisar as enormes estantes. Meus olhos brilhavam diante das prateleiras repletas de livros, de todas as cores, formatos e assuntos que se pudesse imaginar. Estiquei a mão, peguei um que possuía uma capa amarronzada e comecei a folheá-lo.
- “A pequena Dorrit” – disse uma voz, atrás de mim. – Charles Dickens, uma ótima escolha. 
Eu me virei em um sobressalto e percebi que Michael estava a poucos passos de distância, encarando-me.
Coloquei o livro de volta na estante rapidamente. Ele deve detestar que mecham em suas coisas, concluí, aflita.


Capítulo 4


- Desculpe-me – murmurei, completamente desconcertada. – Eu não deveria ter tirado nada do lugar.
Ele abriu um cativante sorriso.
- Não se preocupe; eu não me importo.
Saí de perto da estante e voltei à poltrona rapidamente. Não conseguia sentir-me à vontade na presença daquele homem. Havia algo diferente nele; algo intrigante situado na profundeza do seu olhar. Ele causava-me arrepios.
- Eu... eu estou esperando pela Lisa – expliquei, enquanto o via aproximar-se da estante e pegar um dos livros.
- Ela disse que você viria – respondeu, voltando e sentando-se na poltrona ao lado.  – Está ao telefone conversando com a mãe, mas não deve demorar.
Pela primeira vez tive a oportunidade de analisar suas feições calmamente. Seus olhos eram de um tom castanho escuro e a sua pele de um tom claro e delicado. Os cabelos estavam na altura do ombro, sob um chapéu fedora. Ele era lindo, eu tinha de admitir.
Assim que os meus olhos correram pela alinhada camisa branca que ele vestia, lembrei-me de que eu havia saído de casa com uma roupa completamente desproporcional para visitas. Olhei para minhas pernas e senti-me completamente envergonhada pelo vestido curtíssimo que eu estava usando.
- Tenho que lhe parabenizar pelo Grammy - ele disse, tentando romper o silêncio.
- Você já fez isso – afirmei, com um pequeno sorriso.
- Mas quando a artista é tão talentosa quanto você, vale a pena repetir
Fiquei sem palavras. De que forma se agradece a um elogio sincero?, perguntei-me, divertindo-me. Estava começando a me convencer de que ele realmente era simpático.
- Eu...
Fui interrompida por Lisa, que surgiu na biblioteca rapidamente e me apertou em um esfuziante abraço; como se não nos víssemos há anos.
- O que o ordinário do Emmet fez com você? – ela perguntou, deslizando as mãos pelos meus cabelos. – Você estava tão perturbada ao telefone.
Dei um longo suspiro.
- Ele pensa que é o meu dono - respondi, revirando os olhos.
- Que bom que você resolveu vir! – Ela sorriu e olhou para Michael. – Neverland é um ótimo lugar para esquecer um pouco dos problemas.
Susan surgiu na porta.
- A Sra. Priscilla está ao telefone novamente – avisou, voltando-se para Lisa.
- Ela está preparando uma surpresa para o Marco – Lisa disse, levantando-se. – Mas como posso ajudar pelo telefone?
Eu abri um sorriso. Lisa e a mãe tinham uma enorme ligação afetiva. Uma sempre estava disposta a ajudar a outra, em todas as ocasiões.
- Deixe-me tentar resolver isso de uma vez. Já volto – ela murmurou, saindo da biblioteca.
Eu e Michael ficamos sozinhos novamente.
- E... e o seu novo álbum? – perguntei, tentando dispersar o desagradável silêncio que havia se instalado.
- Só será lançado em meados do ano que vem – ele respondeu-me. – Ainda estou trabalhando nas composições.
- Tenho certeza de que será um sucesso. A Sony está apostando alto nesse novo projeto - afirmei, retirando um cigarro e um isqueiro de dentro da bolsa.
- Será um disco duplo – explicou-me. - Mas estou tendo algumas divergências com o Tommy Mottola. Estou pensando seriamente em não renovar o meu contrato com a gravadora.
- Também não ando muito satisfeita com a gravadora. Não me dão liberdade de criação. – Acendi o cigarro e deu uma longa tratada, sem a menor cerimônia. - E O Mottola vive dizendo que minha vida pessoal está atrapalhando na venda dos discos.
Michael ficou sério de repente. Percebi que estava procurando as palavras certas para me dizer algo.
- Sienna, eu... eu sinto muito por tudo que está acontecendo. A sua foto no jornal e...
Senti-me paralisada. Lembrei-me das palavras de Emmet: Agora todos estão sentindo pena de você... A raiva me atingiu em cheio. Fiquei transtornada por Michael ter tocado em um assunto tão desagradável para mim.
- Você não tem que sentir muito por nada – disparei, ficando séria de repente.
- Mas... – ele tentou se explicar.
- Guarde sua piedade para quem realmente precise dela.
- Você não...
- Até mais, Michael. – Levantei-me e saí pela porta com passadas firmes e determinadas, deixando-o sem entender minha súbita explosão de fúria.
Encontrei Lisa no corredor.
- Para onde você está indo? – ela perguntou.
- Estou voltando para casa – respondi firmemente.
- O que houve?
Balancei a cabeça negativamente.
- Não aconteceu nada.
Quem ele pensa que é?!, perguntei baixinho, sem parar de caminhar.


Capítulo 5


- Você mente muito mal - ela analisou, arqueando as sobrancelhas.
Revirei os olhos.
- Você demorou a voltar – disparei, tentando ser convincente na explicação. – Vim até aqui para vê-la e não para ficar de conversa com o seu marido.
Lisa me encarou e esforçou-se para conter um risinho.
- O Michael implicou com você? Sienna, ele gosta de...
- Não! – Minha voz saiu mais firme do que seria necessário. – Ele apenas quis fazer com que eu me sentisse inferior – acusei, sorrindo ironicamente.
- O Michael jamais faria isso. – A expressão do seu rosto era de completa incredulidade. – Ele admira muito o seu trabalho, acredite. – Hesitou por um momento. – Você está com os nervos à flor da pele – disse, provando mais uma vez o quanto me conhecia bem.
Respirei fundo e tentei reorganizar os meus pensamentos. Ele só estava querendo ajudar, pensei, voltando ao meu estado normal. O que aconteceu comigo?
Quis voltar à biblioteca e me desculpar, mas as minhas pernas vacilaram. O meu orgulho jamais permitiria que eu fizesse isso.
- Quero voltar para a minha casa – murmurei, temendo continuar naquele lugar. Ficou comprovado que Michael me causava uma certa confusão mental acompanhada por uma irritabilidade sem fundamento. Era difícil entender, impossível controlar.
- Mas você acabou de chegar. Quero que você fique para o jantar; e nem pense em recusar o convite.
Minhas visitas a Neverland eram tão raras que quando eu estava lá Lisa fazia de tudo para prender-me ao máximo.
- Está certo – respondi, dando-me por vencida.

Lisa levou-me para conhecer o zoológico, onde ficamos pelo resto da tarde. Encantei-me com os tigres, as girafas, os orangotangos e alimentei o macaquinho que Michael tratava como se fosse um membro da família.
No início da noite, Susan foi nos avisar que o jantar já iria ser servido.
Lisa e eu seguimos para a sala de jantar, onde Michael nos esperava, já sentado à mesa. O seu rosto estava sereno e tranqüilo, como se o meu descontrole de poucas horas antes nunca houvesse acontecido.
- A Sienna adorou o Bubbles – Lisa disse, dando-lhe um suave beijo nos lábios e sentando-se ao seu lado.
- Ele é uma gracinha – murmurei, sentando-me no lado esquerdo da mesa, em frente para os dois. Eu queria sumir dali, esta é a verdade. Estava envergonhada pela forma como o havia tratado.
Michael voltou-se para mim.
- Vocês visitaram o serpentário?
- Não. Fica para uma próxima vez – respondi, esforçando-me para ser amistosa.
- O MTV Video Music Awards acontecerá em pouco mais de uma semana... – lembrou-nos Lisa.– Estou uma pilha de nervos.
- Lisa e eu iremos fazer a abertura do evento – Michael disse; como se eu ainda não soubesse.
Eu havia sido indicada a uma das categorias: Melhor Vídeo Feminino. Uma concorrência direta com Sheryl Crow e Janet Jackson. Sabia que o páreo seria duro, mas na verdade, estava muito confiante. 
- A Dunk está concorrendo com você, não é mesmo? – Michael perguntou.
- Está – respondi, sem tirar os olhos de Susan, que começava a nos servir. A quantidade de comida que ela colocou para Michael daria para alimentar um passarinho. De onde vem a energia que vemos no palco?, perguntei-me curiosa. Certamente das guloseimas cheias de açúcar que ele adora, concluí por fim.


Permaneci no rancho por apenas mais algum tempo. Quando fui me despedir de Michael, ele encarou-me firmemente.
- Sienna, você é a melhor amiga da minha esposa.
- Sim, e qual é a novidade? – perguntei, sem saber onde ele queria chegar com aquela afirmação tão óbvia.
- Isso significa que ainda nos esbarraremos muito por aí – murmurou, com um risinho.
Balancei a cabeça afirmativamente e continuei ouvindo-o.
- Hoje você passou um bom tempo no rancho e não me viu acompanhado por ETs ou coisa do tipo. – Hesitou e acrescentou: - Sou um homem normal.
Abri um sorriso e fitei os seus olhos. Ele queria mostrar-me que a opinião que eu e a mídia havíamos construído sobre ele estava completamente errada. Realmente, após aquela tarde em Neverland, pude perceber que Michael Jackson não era o que sempre imaginei. Estranho, recluso... De repente aqueles adjetivos já não faziam tanto sentido quanto antes.
- Posso saber o que você tem contra mim, Srta. McCallister? – perguntou, recobrando minha atenção e abrindo um reluzente sorriso.
O encarei com a mesma intensidade do olhar que ele lançara a mim. Levantarei a bandeira branca, mas me recuso a deixar a implicância totalmente de lado, pensei comigo mesma.
- Sr. Jackson, acho que podemos ser amigos – eu disse, sorrindo e esticando a mão para ele.
- Eu sempre soube que poderíamos – murmurou, beijando o dorso da minha mão.

Capítulo 6

Cheguei em casa sentindo-me completamente renovada. Lisa tinha razão; a aura de Neverland realmente fazia milagres. Esqueci-me de Emmet, dos meus problemas com a gravadora, da minha foto no jornal e de todos os outros fatos desagradáveis que antes se recusavam a sair da minha mente.
Fiquei impressionada com o cavalheirismo de Michael. Ele era um homem diferente dos outros, completamente diferente. 
Ele era uma boa pessoa, eu tinha que admitir, por mais que eu detestasse assumir que cometi um grande erro fazendo julgamentos precipitados.

No dia seguinte fui acordada por Margareth.
- Minha menina, flores para você – avisou-me, abrindo as cortinas e aproximando-se da cama com um exuberante buquê de rosas brancas nas mãos.
Sentei-me na cama e com os olhos injetados a fitei.
- Leve-as de volta- murmurei, com desprezo. – E quando o Emmet ligar, diga que não esquecerei o que ele me disse nem por um jardim inteiro.
Margareth esforçou-se para conter um risinho.
- Eu acho que não foi o Sr. Emmet quem mandou.
- Não? – perguntei, surpresa. Quem mais teria motivos para mandar-me um buquê arrumado com tanta elegância e capricho?
Ela entregou-me as flores e saiu do quarto, sorrindo e palpitando a forma que aquilo terminaria.
Deslizei as mãos até o cartão, o abri e o analisei calmamente. A seguinte frase estava escrita em uma caligrafia delicada e perfeita: Sienna, espero que este seja o início de uma amizade sólida e duradoura. Logo abaixo o remetente: Michael.
Após ler, percebi que o ar havia fugido dos meus pulmões. Minhas mãos estavam trêmulas e minha boca estava seca. Meu coração parecia querer pular do peito. Não entendi o porquê daquela reação. 
Peguei rapidamente o telefone na mesa de cabeceira e teclei os números de Neverland, ainda sem saber direito o que estava fazendo.
- Residência do Sr. E Sra. Jackson – murmurou Susan do outro lado da linha.
- Bom dia, Susan. Eu quero...
Ela interrompeu-me ao reconhecer minha voz.
- Srta. Sienna, a Sra. Lisa está no...
Apressei-me eu dizer:
- Não liguei para falar com a Lisa. O Michael está ocupado? – perguntei, um pouco sem jeito.
- Vou ver se ele pode atendê-la. – A voz de Susan se elevou ao último grau de surpresa.
Fiquei por alguns minutos esperando, ansiosa, já arrependida por ter ligado, sem saber o que diria quando ele atendesse. De repente sua voz surgiu; alterando a minha respiração e todos os meus sentidos.
- Alô, Sienna?
Respirei fundo.
- Michael, liguei para agradecer pelas flores; são lindas e eu adorei.
- Fico feliz que tenha gostado.
Eu sorri.
- Eu adoro rosas, mas as minhas preferidas são tulipas – impliquei, só para não perder o hábito.
- Lembrarei disso nas próximas vezes – respondeu, também sorrindo.
O que ele quis dizer com próximas vezes? Tentei introduzir um outro assunto rapidamente.
- Quando você e a Lisa embarcam para Nova York? – perguntei, tendo em vista o evento da MTV que aconteceria lá.
- Na quarta-feira, à tarde. Você não quer nos acompanhar?
- Eu... eu estava pensando em ir na terça.
- Sienna, pense bem. A lisa iria adorar. – Hesitou. – E eu também.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, analisando as possibilidades.
- Está certo – eu disse por fim. - Vamos todos na quarta.
Ele riu, satisfeito.
- Irá ser ótimo.
- Michael, eu preciso desligar. Tenho algumas coisas para resolver agora – menti, tendo a certeza de que eu o estava atrapalhando. - Até mais; e o obrigada pelas flores mais uma vez.
- Até mais.
Desliguei o telefone e sentei-me na beira da cama, sorrindo. Estiquei uma das mãos e peguei o cartão novamente. O reli por diversas vezes, completamente encantada pela atenção que Michael não tinha a mínima obrigação de me conceder. De fato, aquele homem não parava de surpreender-me.

Capítulo 7

Guardei o cartão na primeira gaveta da mesa-de-cabeceira, acompanhado por uma das rosas que retirei delicadamente do buquê. Levantei-me e me espreguicei, imaginando o longo dia que eu teria pela frente. Fui até a janela, fechei os olhos e permiti que os tímidos raios de sol tocassem a minha pele, enquanto sentia o aroma do café recém-preparado por Margareth
Minha tranqüilidade foi rompida de repente pelo estridente toque do telefone.
Corri para atendê-lo, perguntando-me por que diabos a ligação havia sido transferida para o quarto sem o meu consentimento.
- Alô - eu disse, prontamente.
A voz do Tommy Mottola surgiu furiosa do outro lado da linha.
- Desde ontem estou tentando falar com você!
- Fui fazer uma visita à Lisa, só cheguei à noite - expliquei.
- Sienna, da próxima vez convide alguns palhaços e acrobatas, assim o circo ficará ainda maior - murmurou ironicamente.
Respirei fundo e levei a mão à cabeça, tentando expulsar a dor de cabeça que começava a se aproximar. Ele deveria estar espumando de raiva por conta do meu último comportamento diante das câmeras.
- Mottola, logo isso será esquecido - tranquilizei-o. - Basta que algum outro artista cometa um deslize, o que provavelmente não demorará a acontecer.
- Você nunca está ciente da gravidade dos fatos! - ele bradou. - Sienna McCallister, o seu nome sempre será relacionado com a gravadora. Aprenda a ser profissional! Os seus escândalos estão sendo prejudiciais à Sony.
Tentei manter a calma enquanto o ouvia dizer aquilo. Talvez ele tivesse sido mais dócil se eu houvesse cedido em alguma, das inúmeras vezes, que ele tentou levar-me para a cama. Hipócrita maldito.
- Dane-se - respondi.
- Ter você conosco tornou-se um tormento - disparou. - Sua carreira virará pó se você não começar a encarar os fatos de maneira realista.
- O meu talento é muito maior do que...
Ele riu e interrompeu-me.
- Você não sabe o que está dizendo.
- Não permitirei que você me trate como uma aspirante a estrela. Sou uma grande artista, uma das melhores já contratadas pela sua gravadora de merda. Mottola, sou eu quem decide o que fazer da minha vida - retruquei.
- Não ignore os meus conselhos, sou a voz da experiência.
- Pegue a sua experiência e vá com ela para o inferno! - bradei, desligando o telefone furiosamente.

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- Petulante - Mottola murmurou, revirando-se na cadeira do escritório. Ergueu os olhos e viu Gina, sua secretária, surgir com uma enorme pasta de papéis a serem assinados.
- Agora só faltam estes - ela disse, entregando-lhe a pasta.
Ele arqueou as sobrancelhas enquanto procurava uma caneta.
- Gina, desmarque todos os meus compromissos de hoje - ordenou.
- O Sr. John Branca já está a sua espera, o que devo dizer?
Mottola bateu a mão na mesa com força.
- Ainda mais essa! O Michael insiste nessa loucura de nos abandonar. Não podemos nos dar ao luxo de perder o Michael Jackson! - Hesitou. - Mande o Branca voltar depois, preciso ganhar tempo.
Gina encolheu os ombros.
- Ganhar tempo?
- Conversar com os nossos advogados. Sair daqui não será tão fácil quanto o Michael imagina.

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Michael caminhava de um lado para o outro no escritório de Neverland.
- Adiou a reunião? - ele perguntou, visivelmente frustrado. - Tudo bem, Branca. Deixe-me a par de tudo - ordenou, desligando o telefone.
Lisa aproximou-se e deu-lhe um beijo.
- Problemas?
- O Mottola... - Ele balançou a cabeça e interrompeu-se. - Não vamos falar disso agora. Lisa, a Sienna irá conosco para Nova York - avisou, sorrindo.
- A Sienna? - Lisa não conseguiu disfarçar a surpresa que aquela notícia lhe causou. - Isso é... é ótimo!
- Não pude deixar de fazer o convite.
- Eu iria convidá-la, mas... pensei que ela não aceitaria nos acompanhar. Eu... eu nunca imaginei que ela aceitaria um convite vindo de você.
- Creio que ela está começando a mudar de idéia ao meu respeito.
- Espero que sim - Lisa disse, sorrindo
Michael acariciou sua face e deu um longo suspiro.
- Lisa, receberemos um grupo de crianças aqui em Neverland no final de semana .
Ela afastou-se dele e desfez o sorriso que marcava seus lábios poucos minutos antes.
- Crianças? - perguntou, balançando a cabeça negativamente.
- Sim, crianças.
- Michael, você sabe o que penso sobre isso. Já não basta todo o tormento que tivemos por conta dessa sua maldita mania de encher esse rancho de crianças?
- Vou fingir que não escutei isso, Lisa.- Michael a encarou. - Não deixarei de trazê-las pra cá por conta de comentários maldosos e sem o mínimo fundamento.
Quando ela ia retrucar, Michael a interrompeu.
- Você já sabia que eu era assim, antes de nos casarmos. Por tanto, este assunto está encerrado.
- Eu... eu sinto muito, meu amor - ela desculpou-se, afagando seus cabelos.

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Capítulo 8

Durante aquela semana, combinei com Lisa todos os detalhes da viajem. Ficaríamos hospedados no mesmo hotel, permaneceríamos em Nova York o mesmo número de dias, e por fim, voltaríamos todos juntos para Los Angeles.
Não posso negar, eu estava cheia de expectativas. Eu e Lisa não viajávamos juntas desde que éramos adolescentes; quando pegávamos a estrada completamente sem destino e compromisso com datas. Desta vez seria diferente, eu sabia disso, mas não me importava. Lisa havia se tornado uma mulher responsável e cheia de obrigações, nem de longe lembrava a louca rebelde que fora um dia.  Eu não havia mudado, continuava sendo a mesma Sienna de anos atrás. Instável, dona de um temperamento explosivo, cheia de defeitos e complicações.  Este era o meu jeito de ser, e se eu mudasse, perderia a minha essência.
- Acho que o Emmet também estará lá - eu disse para Margareth, enquanto tentava fechar o zíper da mala abarrotada de coisas que muito possivelmente eu nem iria usar.  - Ele nunca perde eventos importantes.
- Vocês não vão tentar conversar, resolver o problema? - Margareth fitou meus olhos com firmeza. - Um relacionamento de mais de dois anos não pode terminar dessa forma.
- Não terminamos. Apenas demos um tempo - afirmei. - E é claro que iremos conversar. Após essa conversa, decidiremos se continuaremos, ou não, juntos.
Levantei os olhos e vi David, o motorista, entrar no quarto.
- Srta. McCallister, podemos ir?
- Podemos. - Dei uma última olhada no espelho para certificar-me de que a roupa e a maquiagem estavam em harmonia e abracei Margareth.
- Boa sorte, minha menina - desejou, sorrindo.
Era tudo o que eu precisava. Sorte.


Ao chegar ao aeroporto, me dirigi para uma confortável saleta onde Michael e Lisa estavam aguardando por mim. A viajem duraria cerca de cinco horas, em um vôo particular. 
Ao me deparar com o casal mais comentado do showbiz arregalei os olhos, boquiaberta: Lisa estava levando praticamente o dobro da minha bagagem. Exagerada como sempre. Desviei os olhos para Michael, que trajava um suntuoso sobretudo azul-escuro, um óculos rayban e o seu inseparável chapéu fedora. Os dois abriram um enorme sorriso quando eu cruzei a porta.
- Sienna! - Lisa disse, aproximando-se de mim. - Você está atrasada!
Olhei para o meu relógio de pulso e percebi que ela estava certa.
- A pontualidade não é uma virtude das mulheres, Lisa - Michael defendeu.
Ela sorriu.
- Principalmente quando esta mulher se chama Sienna.
Fiz uma careta e também abri um sorriso.
- Agora estou aqui. Já podemos ir?
- Só estávamos esperando por você - Michael disse, apontando para mim a porta de saída.
Lisa agarrou o braço do marido.
- Irei ver os meus dois fofinhos - ela disse, visivelmente animada. - O Danny está passando uma pequena temporada com eles em Nova York.
Na época, não era do conhecimento de todos, mas Lisa se referia aos seus dois filhos, frutos do seu primeiro casamento: Danielle e Benjamim, que ficaram sob a guarda do pai após o divórcio.
- Quando encontrá-los, diga que eu lhes mandei um beijo do tamanho do mundo, e que eu estou com muitas saudades - recomendei, sorrindo.
Ela sorriu.
- Direi.


Alguns minutos depois, o avião decolou, levando apenas nós três, um dos seguranças particulares de Michael, uma aeromoça, um piloto e um co-piloto. Lisa e Michael sentaram-se lado a lado em uma poltrona, enquanto eu me acomodei sozinha, na poltrona logo atrás. Enfiei um fone nos ouvidos e estiquei as pernas, tendo em vista o longo percurso de viagem.
Fiquei em silêncio, mascando um chiclete, a maior parte do tempo. Volta e meia, a aeromoça se aproximava de nós, oferecendo algo ou perguntando se estávamos satisfeitos com o atendimento.
Quando já estávamos sobrevoando Harrisburg, levantei os olhos e vi Michael se concentrar na leitura de um enorme, e pouco convidativo, livro de filosofia greco-romana, enquanto Lisa parecia dormir. A viagem já estava chegando ao fim.
- Hey, acorde essa louca - eu disse, sacudindo o ombro de Michael. - Todos vão pensar que ela está bêbada - brinquei, soltando um risinho.
Ele fechou o livro, bocejou e sorriu para mim.
- Ela sempre dorme enquanto estamos viajando - sussurrou.
- Sempre foi assim - relembrei, retirando um cigarro da bolsa.
- Não é permitido fumar enquanto estamos no avião - Michael avisou.
- Que droga é essa?! - perguntei, arregalando os olhos.
Ele projetou o seu corpo para trás e puxou o cigarro da minha mão, sem a menor cerimônia.
- Isso faz muito mal para a saúde - disse, amassando-o e jogando no corredor. - Você não deveria usar essas porcarias.
Revirei os olhos.
- Não acredito no que estou ouvindo. Michael Jackson agora faz consultas médicas?
- Você é tão inteligente! Por que se deixa levar por algo tão prejudicial? Enquanto estivermos em Nova York, ou até quando eu puder evitar, você não ira usar isto.
- Mas... eu... eu... - procurei as palavras para protestar. Quem ele pensa que é?
- Acalme-se Sienna, você ainda irá me agradecer.
- Agradecer por você se intrometer dessa forma na minha vida? - questionei com ironia, visivelmente irritada.
Ele me encarou, e abriu um reluzente e persuasivo sorriso, parecendo se divertir com a situação.
- Sienna, você é a mulher mais instável que já conheci - murmurou, fitando meus olhos com firmeza.
Dei um leve tapa nas costas dele e fiz uma careta, tentando segurar o riso. Aquilo não pareceu ser uma crítica.



Capítulo 9

- Michael, é melhor acordar a Lisa - sugeri, falando sério desta vez. - O avião está prestes a pousar e talvez ela queira trocar de roupa ou arrumar os cabelos.
Ele virou o rosto para olhá-la e soltou um bocejo.
- Deixe-a dormir, ela está cansada.
Depois que ela se casou, sempre estava com sono ou cansada, analisei, querendo sorrir. E parece que com Michael, acontecia o mesmo.
- Hummm...
Peguei minha nécessaire e levantei-me, indo em direção ao corredor. Ao chegar ao banheiro, encostei a porta e parei diante do enorme espelho preso a parede. Abri a torneira e lavei o rosto, enquanto tentava desfazer o sorriso bobo que havia se formado em meus lábios. Michael é uma ótima companhia, admiti para mim mesma, enquanto refazia a maquiagem. É gentil, educado, muito simpático... - comecei a enumerar, involuntariamente. Um pouco intrometido, - frisei, mas isso só o torna mais atraente.
Balancei a cabeça freneticamente, tentando expulsar aqueles pensamentos. Encarei minha imagem no espelho e de repente percebi que não estava mais me reconhecendo. O que está acontecendo?, perguntei, em busca de uma explicação.
Passei a mão pelo vestido para ajustá-lo melhor ao corpo e saí pelo corredor afora.  Ao reaproximar-me, percebi que Lisa ainda dormia, mas Michael não estava ao seu lado. Sentei em minha poltrona novamente e fiquei observando as nuvens pelo vidro da janela.
- Posso me sentar aqui? - alguém perguntou, tocando o meu braço.
Virei o rosto e vi Michael, com um enorme pacote de balas coloridas nas mãos.
- Açúcar em excesso também é prejudicial à saúde - murmurei, dando espaço para que ele pudesse se acomodar ao meu lado.
Ele esticou o pacote para mim.
- Não seja estraga prazeres - suplicou, sorrindo.
- Eu não como uma destas desde que tinha nove anos de idade - afirmei, retirando várias do pacote e levando-as à boca. - Até tinha me esquecido do quanto elas são gostosas - eu disse, assim que terminei de mastigar.
- Você tinha nove anos quando iniciou sua carreira, não é mesmo? - indagou, interessado.
- É... eu tinha. - Abaixei os olhos e fiquei séria de repente. Boa parte da minha infância havia sido perdida e só me dei conta disso quando já era tarde demais.
- Comecei a minha com cinco.
Esforcei-me para abrir um sorriso.
- Crianças trabalhando como adultos.
- É - ele concordou. - Por isso que hoje tento compensar isso de alguma forma.
Fitei seus olhos e pude perceber que aquele assunto era doloroso para ambos. Balancei a cabeça e tentei reanimá-lo.
- Michael, já que agora somos amigos... - comecei, sem a mínima relutância - posso lhe fazer um pedido?
Ele me encarou, incrédulo.
- Sienna McCallister quer me fazer um pedido? - perguntou, sorrindo. - Onde estão os paparazzis, precisamos registrar este momento histórico.
Estiquei uma das mãos e baguncei seus cabelos.
- Quero ser convidada para a próxima guerra de bexigas d'água em Neverland - sussurrei baixinho, com um enorme sorriso.
- Você será minha convidada de honra - afirmou. 
- Ótimo!
 Ele sorriu e pegou uma das minhas mãos delicadamente. Pensei em puxá-la, mas os meus reflexos estavam bloqueados. Nossos olhos se encontraram e permaneceram fixos um no outro por longos e intermináveis segundos.
Tentei emitir algum som, mas as palavras haviam desaparecido da minha mente. O que aquele homem causava em mim? Por que eu sempre ficava daquela forma quando estávamos próximos demais um do outro?
Pigarreei e levantei-me apressadamente quando percebi que Lisa estava se espreguiçando na poltrona ao lado.
- Que horas são? - ela perguntou, esforçando-se para abrir os olhos.
- Eu... eu... eu acho que... - notei que minhas mãos estavam trêmulas e o ar havia fugido dos meus pulmões.
- Sienna, está tudo bem? - Ela levantou a cabeça e fixou seus olhos em mim.
- Está - apressei-me em dizer.
Sentei-me novamente e desviei os olhos para Michael, que também tentava se recompor daquela reação inesperada. Fosse o que fosse, aquilo precisava urgentemente ser controlado.

Capítulo 10

Já era noite quando o avião pousou no aeroporto Newark, um dos maiores, e conseqüentemente mais movimentados, dos Estados Unidos. Não sei de que forma descobriram o horário que chegaríamos, mas alguns paparazzis e um aglomerado de fãs, meus e de Michael, estavam lá para nos recepcionar.
Michael desceu do avião de mãos dadas com Lisa, acenando para todos.
 Enquanto eu tentava me desviar dos flashes e também acenar para as inúmeras pessoas que gritavam o meu nome. Foi um momento muito emocionante para mim. Após todos os escândalos envolvendo a minha vida pessoal, eles continuavam lá, firmes e fiéis, pessoas que não conviviam comigo diariamente, mas me conheciam e me amavam da forma mais intensa e verdadeira que o ser humano é capaz. As lágrimas surgiram nos meus olhos e fiz questão de não escondê-las. Amo muito vocês!,  gritei, o mais alto que pude.
Entramos no carro, que já estava esperando por nós, e seguimos para o The New York Palace, um luxuoso hotel localizado no centro de Manhattan, em frente a Catedral de São Francisco.

Ao chegarmos ao hotel, subi direto para o quarto, uma suíte espaçosa e confortável localizada ao lado da suíte que Lisa e Michael iriam ficar. O evento promovido pela MTV aconteceria no dia seguinte e eu ainda nem havia escolhido qual roupa usar. Tudo o que eu precisava era tomar um bom banho, me jogar na cama e dormir um pouco, para aliviar o cansaço da viagem. 
Assim que tirei as sandálias e soltei os cabelos, ouvi leves batidas na porta.
- Entre - eu disse, sentando-me na cama.
A maçaneta girou, a porta se abriu e a figura de Michael surgiu adentrando no quarto.
- A Lisa quer que você venha jantar conosco - avisou, voltando-se para mim.
Dei um longo suspiro.
- Eu não vou, estou muito cansada e morrendo de sono.
O encarei firmemente, procurando em sua expressão um sinal de que ele também havia percebido que algo estranho estava acontecendo entre nós dois.
Havíamos decidido que nos tornaríamos amigos. E absolutamente, amizade era tudo o que eu queria dele. Mas por que meu coração acelerava todas as vezes que seus olhos fixavam-se em mim? Por que a minha garganta ficava seca todas as vezes que trocávamos as mais inocentes palavras? Por que as minhas mãos ficavam trêmulas e as minhas pernas ficavam bambas todas as vezes que ele se aproximava? Eu precisava encontrar as respostas.
Enquanto eu continuava imersa em pensamentos, ele sentou-se ao meu lado e fitou os meus olhos, sem dizer uma única palavra.
Recuperei a atenção de repente, sem entender por que ele estava me olhando daquela maneira. Passei a mão nos cabelos e virei o rosto procurando um espelho. O que há de errado comigo?
- A minha maquiagem está borrada? - perguntei, sem jeito.
Ele sorriu.
- Não. É que... - ele deslizou o dorso de uma das mãos pela minha face, e me arrepiei instantaneamente.  - Você é tão... tão linda.
- Eu... eu... - notei que mais uma vez as palavras haviam desaparecido da minha mente e o meu coração batia tão forte que parecia querer saltar do peito.
Michael deslizou uma das mãos até minha cintura e puxou o meu corpo para mais próximo do seu. Percebi que o seu coração também pulsava rápido, em um ritmo crescente. Tudo parecia acontecer automaticamente, como se nenhum de nós dois tivéssemos controle sobre nossos próprios atos.
Com a outra mão, ele afagou os meus cabelos delicadamente, fazendo-me perder a noção do que estávamos prestes a fazer. Ele aproximou seu rosto ao meu e só o que pude fazer foi fechar os olhos e esperar que os nossos lábios se tocassem.
Mas, de repente, pensei em Lisa e no quanto eu seria desleal se permitisse que aquilo acontecesse. Michael era seu marido. Michael é casado com minha melhor amiga!, - forcei-me a lembrar.
Também pensei em Emmet e no pouco de respeito que eu ainda tinha por ele.
Virei o rosto e tentei nivelar minha respiração já falha.
- Michael, por favor...  nós não devemos...
Meu lado racional queria empurrá-lo para longe, mandá-lo sair do quarto, deixar-me sozinha. Mas percebi que eu não tinha forças para fazer isso.
Seus dedos tocaram o meu queixo suavemente, e ele empurrou minha cabeça levemente para trás, obrigando-me a olhá-lo nos olhos.
Eu precisava encontrar forças para acabar com aquilo, ou não responderia mais pelos meus atos.
- Por favor, saia daqui - consegui dizer, reunindo um grande nível de esforço.
Mas ele não obedeceu ao meu comando. Continuou olhando-me fixamente, com seu rosto próximo ao meu.
- Droga, Michael! - murmurei, levantando bruscamente. - Você não está me escutando?!
Ele levantou-se rapidamente, tão assustado quanto eu.
- Sienna, me descupe... eu...
Balancei a cabeça negativamente; eu não queria ouvir nenhuma explicação dele.
- Saia daqui - repeti. - Por favor.
- Tudo bem, eu vou. - Hesitou. - Mas,você fica ainda mais bonita quando está nervosa - disparou, mostrando mais uma vez o seu cavalheirismo e o seu bom senso de humor.
Conti um inevitável sorriso, fui em direção à porta e a abri.
- Tchau, Michael.
- Tenha uma boa noite - desejou ao sair.
Fechei a porta e voltei para a cama, dizendo para mim mesma que aquilo não estava acontecendo comigo. Lisa e eu éramos amigas há anos, praticamente irmãs. Uma amizade sólida e inabalada. Sobretudo; uma amizade que eu não pretendia colocar em risco.

Capítulo 11

No dia seguinte, amanheci com olheiras enormes, que denunciavam a minha péssima noite de sono. Virei-me e revirei-me na cama por toda a madrugada, jogando o meu corpo para lá e para cá, buscando respostas para as inúmeras perguntas que circundavam a minha mente. A voz de Michael ecoava involuntariamente pela minha cabeça, me fazendo relembrar a sensação de ter os seus lábios a poucos centímetros dos meus. Nunca, homem algum, havia me feito sentir algo parecido. Ao fechar os olhos, senti novamente o seu cheiro e o suave toque das suas mãos. E quando finalmente consegui adormecer, ele surgiu em um sonho desconexo, que parecia durar uma eternidade.
Assim que acordei, olhei para o relógio, que marcava 7 horas da manhã. O grande dia havia chegado. Esperava ganhar mais um troféu para a minha coleção, e sabia que isso provavelmente aconteceria.
Levantei-me, vesti um robe, aproximei-me da janela e fiquei ali por alguns minutos, observando Nova York do alto.
Decidi que não desceria para tomar o café-da-manhã no restaurante do hotel. Eu nunca tinha apetite matinal.  Peguei o telefone e liguei para a recepção, pedindo um exemplar do New York Times. Pouquíssimos minutos depois, escutei frenéticas batidas na porta, e fui abri-la, alegando que aquele era o serviço de quarto mais rápido de toda costa leste dos Estados Unidos.
Mas ao abrir, deparei-me com Lisa e não com um dos empregados do hotel.
- Pensei que você ainda estivesse dormindo - eu disse, desviando o meu corpo e dando espaço para ela entrar. - O que você está fazendo aqui tão cedo?
Ela sorriu.
- Eu, o Danny e as crianças iremos fazer um passeio pelo Central Park.
- O Michael também vai?  - perguntei, automaticamente.
- Você sabe que o Danny e o Michael não são muito amigos - ela murmurou, se jogando na cama. - Passei aqui para pedir que você me espere para fazer o cabelo e a maquiagem. Vamos juntas para o Music Hall, não vamos?
- Vamos sim - confirmei. De repente, lembrei-me que eu não havia guardado o colar de pérolas que pretendia usar. Fui correndo abrir a minha caixa de jóias, rezando para que Margareth o tivesse guardado lá dentro.
- O que houve? - Lisa perguntou ao me ver revirar todo o conteúdo da pequena caixinha.
- Droga!!! - Notei que ele não estava lá. - Esqueci o meu colar de pérolas em Los Angeles!!!
Ela revirou os olhos, sem se importar muito.
- Use o meu - sugeriu.
- Qual deles? - perguntei, levando em conta os inúmeros colares de pérolas que Lisa possuía. Pérolas pequenas, grandes, com feixes de ouro e prata...
- O que você quiser. É só escolher.
- Você pode me ajudar?
Ela olhou para o relógio e balançou a cabeça negativamente.
- O Danny já deve estar me esperando. - Ela dirigiu-se para a porta rapidamente. - Vá no meu quarto e peça ajuda ao Michael, ele sempre sabe qual peça fica bem em uma mulher.
Pigarreei forte, afirmando para mim mesma que não iria seguir o conselho dela.
- Não! Eu acho que... vou ... procurar aqui uma gargantilha que combine com o vestido.
- Faça o que achar melhor. Beijos, até mais tarde - disse, saindo do quarto.
Levei a mão à cabeça e fui fechar a porta.
Lisa passaria o dia fora e eu faria o possível para não me aproximar de Michael durante aquele período. Iria ficar trancada no quarto, lendo, dormindo ou bebendo. Enfim, qualquer coisa que ocupasse o meu tempo.

Capítulo 12

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Michael estava inquieto, andando de um lado para o outro do quarto, angustiado, sem saber o que fazer. Na verdade, vinha se sentindo assim desde que conversara com Sienna, no escritório de Neverland. Naquela ocasião, ela levantou-se apressadamente e o deixara falando sozinho, perguntando-se o que havia acontecido. Pouco depois, ela sentou-se com ele e Lisa na mesa, completamente tranqüila, após um agradável passeio pelo zoológico. Instável. Michael percebeu que esta era a palavra que melhor a definia.
Estava convivendo com ela há poucos dias, mas este curto período já fora suficiente para notar que ela era também uma mulher forte e determinada.  Uma mulher que carregava uma enorme delicadeza dentro de si. Delicadeza esta, que na maioria das vezes ela fazia o possível para não demonstrar, talvez com medo de parecer fraca.
E sim, ela estava causando em Michael algo que ele não conseguia compreender. Seu coração também disparava quando ela estava perto, e apenas um sorriso dela era suficiente para fazê-lo perder a capacidade de distinguir o certo do errado.
Talvez a melhor forma de lidar com isso fosse se afastar dela. Mas não, ele não queria fazer isso. Ficar perto dela, conhecê-la cada vez mais... eram propostas muito mais tentadoras. Michael sabia que aquele poderia ser um caminho perigoso, íngreme, e no final de tudo ele poderia levar a um abismo. Mas ele sabia que correr o risco de descobrir; poderia valer a pena.

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Poucos minutos após Lisa sair, comecei a revirar o armário a procura de uma roupa. Retirei a parte de cima do baby doll e vesti um sutiã cor de violeta, enquanto revirava as gavetas tentando encontrar uma saia e uma camiseta; praguejando por só encontrar vestidos e blusas de manga comprida.
De repente, bateram à porta novamente.
- Já tô indo! - gritei, sem parar de procurar as peças que eu queria vestir.
Bateram mais uma vez.
- Já disse que tô indo, não está ouvindo?! - bradei, desta vez mais alto.
 Imaginei que seria um dos empregados do hotel com o meu jornal. Só então percebi que provavelmente ele não estava mesmo escutando. A porta estava fechada e a parede era grossa demais para permitir que algum som atravessasse.
Saltei a pequena pilha de vestidos que eu havia jogado no chão e fui abrir a porta, despreocupadamente. Um empregado do hotel não iria se importar em me ver com a parte de baixo da roupa de dormir e um sutiã de rendas, iria? Quem trabalha na área de hotelaria é acostumado a ver todo o tipo de coisa e sabe perfeitamente como lidar neste tipo de situação.  Profissionalmente; ele iria apenas entregar o jornal, perguntar se eu precisava de mais alguma coisa, e se retirar, sem reparar em mais nada.
Mas ao girar a maçaneta e projetar o meu corpo para fora, tive uma grande... surpresa.
Não um empregado do hotel, e sim Michael, estava do lado de fora, com um exemplar do New York Times nas mãos.
Arregalei os olhos, sentindo-me completamente envergonhada. Michael olhou para o meu rosto e depois desceu o olhar, inevitavelmente.
- O que você está fazendo aqui? - perguntei, entrando no quarto apressadamente e pegando no chão a primeira blusa que encontrei pela frente.
Ele esticou o jornal em minha direção, desconcertado.
- Encontrei no corredor... o rapaz que vinha trazer o jornal... e disse a ele que eu mesmo poderia vir entregá-lo à você.
Por que diabos ele sempre tem que ser tão gentil?, perguntei, irritada.
- Você não deveria ter feito isso. Você deveria estar cuidando da sua vida e não da minha - murmurei, pegando o jornal das mãos dele.
- Eu queria ver você - ele disparou. - E esta era a desculpa perfeita.
Engoli em seco e acabei de vestir a blusa.
- E viu. Viu até mais do que deveria - eu disse, sorrindo.
Ele sorriu também.
- Desculpe... eu não deveria ter olhado.
- A culpa não foi sua. Eu é que não deveria ter me arriscado em ir abrir a porta... seminua.
Nós dois rimos alto.
Depois, ficamos em silêncio.
- O que você acha de nós dois irmos ao Rockefeller Center? - ele disse, erguendo os olhos. - Poderíamos nos divertir no rink de patinação de inverno - ele sugeriu.
- Imagine se algum paparazzi consegue flagrar Sienna McCallister e Michael Jackson em um passeio.  Juntos - frisei. - Amanhã isto estaria estampado em todos os tablóides e os rumores não seriam nem um pouco piedosos.
- Podemos nos disfarçar - ele sorriu. - Eu já lhe contei que sou o mestre dos disfarces?
- Isso não daria muito certo - presumi.
- Poderíamos ao menos tentar.
Estremeci com essas palavras. De repente não tinha mais certeza sobre o que estávamos falando. Poderíamos ao menos tentar, repeti para mim mesma. Não, não poderíamos.
- Michael, hoje eu resolvi tirar o dia para mim. Apenas para mim - avisei. - Outro dia combinamos um passeio e eu deixo você escolher o meu disfarce - brinquei. - Eu preciso ficar um pouco sozinha. Um pouco comigo mesma - acrescentei, abrindo um pequeno sorriso.
Ele assentiu com a cabeça.
- Tudo bem. A noite de hoje será longa e também preciso resolver algumas coisas.
Fiquei o observando, enquanto ele caminhava até a porta. Ele se virou e abriu um pequeno sorriso para mim antes de se retirar.
Sentei-me na poltrona ao lado da cama e abri o jornal, para conferir as notícias do dia.

Capítulo 13

Passei o resto do dia no quarto, longe de Michael. No final da tarde, Lisa chegou com dois cabeleireiros e cinco maquiadores, contratados por ela.
Todos estavam em polvorosa.  Eu participaria do VMA pela segunda vez, e estava muito animada. Já imaginava os flashes, as limusines, o tapete vermelho... e o troféu que eu iria receber. Já tinha até decorado o pequeno discurso que eu faria quando subisse ao palco. Agradeceria aos meus fãs, aos meus colaboradores, aos diretores do vídeo, e não faria nenhuma menção à Sony ou ao Tommy Mottola. Eu sabia que ele ficaria furioso com isso; mas não me importava.
Seria uma noite inesquecível.
Impliquei com Lisa quando ela terminou de se vestir. Ela trajava um vestido preto, com um minúsculo decote e uma fenda na lateral. Elegante; muito elegante. E muito sem graça também. Eu escolhi um exuberante vestido azul-escuro, que deixava o meu colo à mostra. O tecido não era muito pesado e ele combinou perfeitamente com a gargantilha de safiras que ganhei de presente de Emmet, quando completamos um ano de namoro.
Prendi meu cabelo em um coque no alto da cabeça e mandei capricharem no lápis preto e no delineador.
Michael chegou ao quarto pouco depois, perguntando se já estávamos prontas. Escolhi uma carteira de veludo da cor do meu vestido, coloquei uma garrafinha portátil de uísque dentro dela e fui em direção à porta, onde Lisa e ele estavam esperando por mim.
- Você não vai levar esta merda pra lá - Lisa disse, arregalando os olhos -, vai?
- Vou sim - murmurei tranquilamente. - Isso me ajuda a conter o nervosismo.
Ela balançou a cabeça, em sinal de desaprovação. Michael não escutou o que estávamos conversando. Se ele visse que eu estava levando uma garrafinha de uísque para o VMA, provavelmente a tomaria de mim, como fez com o cigarro dentro do avião. E eu, certamente permitiria que ele fizesse isso, por mais que o seu jeito autoritário me deixasse irritada.
- Como foi o passeio com as crianças? - perguntei, quando entramos no elevador.
- O Ben teve uma crise alérgica.  - Notei um tom preocupado em sua voz. - O Danny disse que ele ainda não se adaptou com o ar seco e frio desta cidade.
- Ele já está melhor?
- Sim, está - Michael respondeu.
Desviei o olhar, temendo encará-lo. Sentia-me perturbada em olhá-lo nos olhos quando Lisa estava por perto. Um turbilhão de pensamentos envolvia minha mente, eu me sentia tão... suja.


Quando chegamos ao saguão, percebemos que inúmeras limusines estavam estacionadas em frente ao hotel e o movimento era muito grande. Além de nós, várias outras celebridades estavam hospedadas no New York Palace e parece que muitas delas iriam prestigiar ao evento.
Lisa e Michael seguiram para uma limusine e eu segui para outra. Havíamos decidido que chegaríamos lá em carros separados, o que seria mais correto a fazer.
Assim que o motorista cruzou a Lexingon Avenue e entrou na Avenue of the Americas, pude enxergar a entrada do City Music Hall entupida de gente. Paparazzis, repórteres que faziam a cobertura, alguns atores e cantores, que mesmo de longe consegui reconhecer, e muitos fãs e curiosos.
A Limusine de Lisa e Michael estacionou primeiro, Quando eles desceram, de mãos dadas, os cliques se intensificaram e os gritos também. Eles atravessaram o tapete vermelho vagarosamente, sorrindo e acenando para todos. Esbanjando carisma e simpatia.
E então foi a minha vez. Desci do carro e pousei para as fotos, com um enorme sorriso no rosto. Muitas vozes desejaram-me boa sorte do meio da multidão. Acenei, atravessei o tapete e entrei no Music Hall.
Muitas das cadeiras da platéia ainda estavam vazias.  Os homens conversavam entre si com copos de champagne nas mãos, rindo e exibindo entre si suas luxuosas acompanhantes vestidas de grife.
Michael e Lisa foram conversar com os organizadores do evento e Janet Jackson veio me cumprimentar. Ela era tão simpática quanto o irmão, pude constatar. Desejou-me boa sorte e disse que se sentia lisonjeada em concorrer na mesma categoria que eu. Quando todos começaram a se acomodar, também nos sentamos, uma ao lado da outra.
Aos poucos, todos se silenciaram e desviaram seus olhares para frente.
Lisa e Michael entraram de mãos dadas no palco, desencadeando uma calorosa e interminável onda de aplausos. Eles sorriam, satisfeitos com a reação. Lisa parecia estar envergonhada e sem saber ao certo o que fazer. Era a primeira vez que ela participava de um grande evento como a Sra. Jackson. Uma enorme responsabilidade.
E eu, olhava fixamente para os dois, enquanto sentia algo completamente inédito. Seria ciúmes? Não fazia sentido. Sei apenas que ficou ainda mais intenso quando os dois se beijaram lá em cima, na frente de todos.
 Olhei para o lado, Janet sorria, alegando que Michael finalmente havia conseguido driblar a timidez. Peguei a minha carteira, pedi licença e me levantei, completamente perturbada.
Saí pelo lado esquerdo, andando apressadamente e sem rumo, com passos firmes e determinados.
De repente alguém tocou o meu braço e eu olhei para trás, parando de caminhar.




Capítulo 14

Era Emmet.
Não nos víamos desde o dia que eu o expulsei do meu quarto, depois de ser insultada.
Eu não sabia se o nosso namoro havia ou não terminado. Não conversamos, não tentamos resolver, mas também não terminamos de vez. Estávamos dando um tempo. Ou assim eu pensei.
- Para onde você está indo? - ele perguntou.
E eu não soube o que responder. Eu não sabia para onde estava indo. Eu não tinha mais controle sobre os meus sentimentos. Eu estava sentindo um enorme vazio dentro do peito e uma enorme vontade de chorar. Mas não permiti que nenhuma lágrima escorresse dos meus olhos.
Olhei para Emmet e enxerguei dentro dele o Emmet de antigamente, de quando começamos a namorar. Enxerguei o que fiz esforço para enxergar, o que eu queria que fosse verdadeiro, e não a realidade. Muito provavelmente por conta da solidão e da carência que gritavam dentro de mim.
- Que bom que você está aqui - eu disse, o abraçando o mais forte que pude.
E permanecemos abraçados, enquanto Rosanne Bar subia no palco e cumprimentava a platéia.
Então, quando ele afastou o seu corpo do meu, havia uma mulher parada ao seu lado.
Ela trajava um belíssimo e decotado vestido rosa-claro, e alguns cachos ruivos do seu cabelo estavam soltos e pendiam até o ombro. Ela não aparentava ter mais do que vinte anos.
- Vamos nos sentar, já irá começar a homenagem ao Kurt Cobain - ela disse com uma voz manhosa, acariciando o seu braço.
Ele olhou para mim.
- Sienna, está é Alice - apresentou.
Eu os fitei, me sentindo a maior idiota do planeta Terra.
- Eu e a Alice estamos... saindo - Emmet explicou.
- Namorando - ela o corrigiu, lançando um olhar petulante para mim.
Balancei a cabeça, recusando-me a acreditar. Enquanto eu nutria uma enorme consideração por ele, ele me trocou por outra sem ao menos avisar-me que estava tudo acabado entre nós. Não sei ao certo por quantos minutos permaneci paralisada, apenas os observando, sentindo o meu sangue pulsar rapidamente dentro das veias.
Um outro casal passou e parou ao nosso lado, conversando baixinho com Emmet. Alice curvou-se até mim e reparou no meu colar.
- O Emmet me deu um colar muito parecido com este - comentou. Abriu um sorrisinho. - E ele fez isto quando vocês dois ainda estavam juntos.
Então os dois começaram a se encontrar antes mesmo do que eu imaginava, afirmei para mim mesma, surpresa.
O casal se distanciou e Emmet se virou novamente para nós.
- A Alice é filha do vice-presidente de uma multinacional canadense - vangloriou-se.
Então era isso. Uma relação por conveniência. Ele queria lucrar com isso, ficou evidente.
Forcei-me a abrir um sorriso e fingir que não estava dando a mínima.
- Então, Emmet, por que você não pega a multinacional do pai dela e enfia no...
- Não seja tão grosseira - ele censurou, interrompendo-me.
- Vá para o inferno, Emmet - praguejei. - E leve esta aprendiz de vadia junto com você.
Ele disse mais algumas palavras, que não fiz questão de entender, e os dois deram de ombros, voltando para os seus lugares.
Em poucos minutos seria anunciada a vencedora da categoria que eu estava concorrendo, e eu precisava me recompor. Abri a carteira, retirei a garrafinha de uísque que eu havia guardado dentro dela e virei na boca, tomando um demorado gole. Um turbilhão de emoções tomava conta do meu peito, eu precisava me acalmar. Mas o recipiente era pequeno e eu estava nervosa demais para contentar-me com pouco.
Dei meia volta e caminhei apressadamente até o camarim atrás do palco, onde os apresentadores e todos que fariam alguma performance estavam se preparando. Entrei e fui direto para a mesa de bebidas.
Peguei uma garrafa de uísque e quebrei o selo, retirando a tampa. Quando estava colocando um pouco no copo, David Letterman aproximou-se de mim.
- Está tudo bem? - perguntou, erguendo as sobrancelhas.
- Está tudo ótimo - menti, forçando um sorriso.
Ele afastou-se, mesmo parecendo não ter se convencido.
Eu sabia que enquanto me vissem com um copo de bebida na mão não me deixariam em paz. Peguei a garrafa e fui para o banheiro, onde poderia ficar sozinha.
Fechei a porta, sentei-me no chão e comecei a chorar, mesmo sabendo que aquilo iria destruir a minha maquiagem. Eu queria esquecer o que havia acabado de acontecer. Sentia-me decepcionada, com raiva de Emmet e do que ele fez comigo. Virei a garrafa na boca, e em pouco tempo comecei a ficar relaxada.
Relaxada demais.
Foi quando um homem vestido de terno empurrou a porta do banheiro e me ajudou a levantar. Eu mal conseguia me manter em pé e via tudo girando em torno de mim.
- Você venceu, Srta. Sienna - ele dizia, enquanto me carregava por um enorme corredor. - Você precisa subir no palco, receber o troféu e dizer algumas palavras.
Mas eu sabia que não estava em condições.
- Eu... eu não vou - consegui murmurar.
Mas já era tarde. Fui praticamente empurrada para cima do palco. Vi Tom Jones segurando o troféu, pronto para entregá-lo a mim. Respirei fundo e caminhei até ele, enquanto ouvia o som interminável dos aplausos.
Quando todos se silenciaram, Tom entregou-me o troféu e alguém me deu um microfone.
Fui até a frente do palco, lutando contra as minhas próprias pernas. Todos arregalaram os olhos e um enorme burburinho tomou conta do ambiente.

Capítulo 15

Eu não estava conseguindo me equilibrar direito e o salto alto e fino da sandália estava tornando qualquer tentativa ainda mais difícil. Curvei meu corpo para baixo e a retirei, jogando-a em um canto qualquer do palco.
Os burburinhos se intensificaram e todos estavam atentos, observando aquele que seria um dos momentos mais vergonhosos da minha vida.
- Eu... eu quero agradecer a... - Fui na direção de Tom Jones e o puxei para perto de mim -, quero agradecer a este cara! Você fez aniversário na semana passada, não é mesmo, Tom? Então, vamos cantar parabéns para você! - eu disse, e quase todos da platéia gargalharam.
Enxerguei Emmet e Alice sentados na segunda fileira e senti a raiva tomar conta de mim novamente.
- Desculpe, Tom, mas a sua canção de aniversário irá ficar para depois. - Levei às mãos até o colar e o puxei com força, o arrancando do meu pescoço.
O joguei na direção de Emmet, com toda a força que consegui reunir. Só não sei se acertei a mira.
- Fique com isto, ordinário - eu gritei. - Embrulhe com um laço cor de rosa e dê de presente para a sua Alice. - Meu cabelo desprendeu-se, enquanto eu lutava para não me embaraçar na cauda do vestido.
E quem achou que não poderia ficar pior, estava enganado.
- E não comprem os cd's da merda da Sony - aconselhei. - Eu adoraria ver o Mottola cair na falência.
E então, eu escutei uma voz desesperada vinda de trás do palco.
- ... tirem ela de lá! - alguém bradava. - Façam alguma coisa!
Não demonstrei resistência quando dois homens subiram no palco e me retiraram educadamente de lá, levando-me para o camarim, onde pediram para eu me sentar e me acalmar.
Poucos minutos depois, Lisa e Michael surgiram, em desespero.
- Você enlouqueceu! - Lisa constatou, voltando-se para mim. - Desta vez você passou de todos os limites!
Michael pegou minha mão, olhou em meus olhos e sentou-se ao meu lado.
- Você já está melhor? - perguntou, educadamente.
- Ela está bêbada demais pra responder a sua pergunta, Michael - escutei ela dizer.
- Precisamos levá-la para o hotel.
Lisa passou a mão pela cabeça e puxou o ar com dificuldade.
- Merda, Sienna!  O que você tem no lugar do cérebro?
Lembro-me de ter resmungado algo como resposta.
- Não a trate assim, Lisa - Michael murmurou. - Ela não está em condições de se defender das suas ofensas.
Senti que alguém estava me pegando no colo e ao abrir os olhos vi a figura de Bruce, um dos seguranças de Michael.
E naquele instante, o toque de um celular inundou a camarim.
- ... O quê? - Lisa perguntou, poucos segundos após atender o aparelho, visivelmente preocupada. - Tudo bem... eu vou... não se preocupe...
- O que houve? - Michael perguntou.
- A crise alérgica do Benjamim piorou e a babá não está sabendo se virar sozinha... - ela disse. - O Danny não está em casa... e perguntou se eu posso passar esta noite com o nosso filho, já que estou na cidade.
- Entendo - ele disse, dando um suave beijo nos lábios dela. - Espero que o Ben fique melhor.
- E ela? - Lisa perguntou apontando para mim. - Droga, e ela?!
- Não se preocupe. Eu cuido dela.
A vi dar um pequeno sorriso e trocar mais algumas palavras antes de sair.
A essa altura eu já estava cansada demais para continuar com os olhos abertos. Adormeci no colo de Bruce, enquanto ele me levava para algum lugar, obedecendo à ordem de Michael.

Capítulo 16

Não sei por quanto tempo permaneci inconsciente. Quando abri os olhos e observei o ambiente ao meu redor, percebi que eu estava novamente no quarto do hotel, cuidadosamente repousada sobre a cama. Minha cabeça latejava e eu ainda estava meio tonta. Estiquei uma das mãos e peguei um pequeno espelho na mesa-de-cabeceira. Analisei minha imagem refletida nele.
Eu estava péssima.
Meu cabelo estava completamente desgrenhado e o hímel havia desenhado caminhos pretos por toda a minha face. Joguei o espelho em cima do travesseiro e tentei me levantar.
Senti alguém tocar o meu ombro e me puxar novamente para trás.
Era Michael.
- Como você se sente? - ele perguntou, sentando-se ao meu lado e acariciando o meu rosto.
Forcei um sorriso e abaixei a cabeça.
- Acho que não preciso responder.
- Por que você fez aquilo?
- Porque o Emmet... - me interrompi, recusando-me a terminar a frase.
- Vocês ainda são namorados?
- Eu achei que éramos... Mas não, não somos mais. - Respirei fundo. - Onde está a Lisa?
- Foi passar a noite com o Ben - ele respondeu e lembrei-me do telefonema que ela havia recebido.
- Eu fiz muita merda? - indaguei, com medo de ouvir a resposta.
- Você disse que adoraria ver o Motolla cair na falência - Michael disse, sorrindo.
Levei às mãos à cabeça, imaginando a dor de cabeça que aquilo me traria. Mas eu tentaria esquecer, pelo menos por aquele resto de noite.
- E que roupa é esta? - perguntei, notando que eu não estava mais com o vestido da festa.
- Eu encontrei em uma das suas gavetas.
Ergui as sobrancelhas.
- Foi você quem vestiu ela em mim?
Ele sorriu e balançou a cabeça negativamente.
- Não. Pedi isso para uma das camareiras do hotel.
- Que horas são?
Ele curvou-se para frente e olhou no relógio.
- Quase uma da manhã.
- E o que você ainda está fazendo aqui?
- Cuidando de você.
- Por que a luz do banheiro está acesa? - indaguei, olhando para o lado. Percebi que minha enxurrada de perguntas estava se assemelhando a um interrogatório policial, mas eu precisava fazê-las.
- Porque você está indo tomar banho. - Hesitou e acrescentou: - Banho de água gelada.
Balancei a cabeça e estiquei as pernas na cama. Ele não poderia estar falando sério.
- Vamos - ordenou, puxando o meu braço.
- Eu não vou - recusei.
E então ele me agarrou por trás.
- Vai sim.
Lembro-me de ter me debatido o máximo que consegui.
Mas Michael acabou me dominando e me arrastando para o banheiro, enquanto eu praguejava e tentava voltar para a cama.
Talvez eu precisasse mesmo daquilo. Mas um banho de água gelada em plena madrugada não era nenhum pouco convidativo.
- Confie em mim, depois do banho você se sentirá renovada - ele disse, me conduzindo até o box.
- Eu já estou bem... eu já estou bem!
- Não seja teimosa, Sienna.
E então ele abriu o chuveiro e segurou os meus braços firmemente, mantendo-me em baixo da água. Eu continuava me debatendo e a água estava muito abaixo da temperatura ideal. Michael sorria, parecendo se divertir.
Definitivamente, aquilo não estava certo. Ele precisava se molhar também, para ter noção do quanto aquilo era ruim. Consegui me desvencilhar dos seus braços e o empurrei para debaixo da água, irritada.
Michael desligou o chuveiro e voltou-se para mim. Minha roupa estava encharcada, e isso fez com que os meus seios ficassem à mostra abaixo do tecido colado no meu corpo.
Ele observou-me, em silêncio.
A água fria que escorria pelo ralo levou consigo todo o efeito da minha embriaguez. Eu já estava sóbria. Sóbria e consciente dos meus atos. Ainda me sentia profundamente magoada com tudo o que havia acontecido, mas a presença de Michael servia para aliviar a minha dor. Eu estava contente por ele estar ali comigo, cuidando de mim.
Eu não conseguiria mais fugir.
Naquele instante, desisti de lutar contra os meus sentimentos, pois sabia que não tinha a mínima chance de vencer. O certo, o errado, tudo se confundia, e eu não sabia o que fazer.
Michael curvou-se até mim e enlaçou uma das mãos na minha cintura, arrastando-me para mais perto.  Aproximou seu rosto ao meu e nossos corpos molhados também se aproximaram.
- Por que você faz isso comigo? - ele sussurrou, ao meu ouvido.
Nossos corações batiam apressadamente e respirávamos com certa dificuldade.
Quando ele deslizou uma das mãos pelos meus cabelos, a sensação de frio foi preenchida por outra, completamente diferente.
Eu fechei os olhos e senti o roçar suave dos nossos corpos.
- Michael... eu... preciso... de... você.
Após alguns instantes fitando firmemente os meus olhos, ele aproximou os seus lábios dos meus e nos beijamos, sem nos importarmos com o resto do mundo. Senti a sua língua invadindo a minha boca em uma mistura de ternura e desejo... delicadeza e ardor.
Nem todas as palavras do mundo seriam suficientes para explicar o que senti naquele momento. Algo indescritível. Completamente mágico.
Desviei uma das mãos para as suas costas e comecei a arranhá-la delicadamente sob o tecido úmido, enquanto ele emaranhava os dedos na alça do meu vestido.
Eu sabia que poderia me arrepender. Mas eu queria viver aquele momento, intensamente. Despreocupadamente. Sem resistência. Sem esconder que eu estava completamente apaixonada.
- Faça amor comigo, Michael... - pedi, sem relutância, assim que nossos lábios se separaram.

Capítulo 17

Ele me fitou, acariciando o meu rosto.
- I don't need no dreams when I'm by your side. Every moment takes me to paradise. Darlin', let me hold you. Warm you in my arms and melt your fears away.
Nem preciso dizer que estremeci dos pés a cabeça quando ele terminou essa estrofe da música. Dei um suspiro, absorvendo ao máximo o sentido de cada palavra.
Ele puxou o meu rosto para mais perto do seu, fechando os olhos e deslizando suavemente seus lábios contra os meus.
- E se eu disser que estou completamente apaixonado por você?
- Eu direi que também partilho deste sentimento. Direi que também estou apaixonada por você. Direi que eu fiz o máximo que pude para arrancar isso do peito, mas todas as tentativas foram vãs.
Ele sorriu e beijou-me novamente.
Um beijo suave, que se intensificou em poucos minutos, à medida que permitimos que apenas nossos corações falassem por nós.
Senti Michael projetar-se para frente, empurrando-me contra a parede úmida do box,  enquanto sua mão migrava para a barra do meu vestido.
Eu o desejava da forma mais intensa que uma mulher é capaz de desejar um homem. E ele sentia o mesmo por mim, eu tinha certeza.
Seus lábios percorreram o meu pescoço, chegando logo após ao lóbulo da minha orelha, onde ele distribuiu leves mordidas, fazendo-me revirar os olhos e gemer o seu nome baixinho.
Sua intimidade já ereta pulsava sobre o meu ventre, e eu ansiava o momento em que a teria dentro de mim.
A aquela altura, já havíamos nos esquecido completamente do mundo exterior. VMA, Lisa, Mottola... tudo desapareceu das nossas mentes, e nos tornamos os únicos habitantes do Planeta Terra. Apenas eu e ele. Ninguém mais.
Sem interromper o beijo, ele girou nossos corpos em direção à porta, nos conduzindo para fora do banheiro, recusando-se a permitir qualquer distância entre nós. Empurramos com o pé todos os obstáculos que encontramos pelo chão no pequeno caminho até a cama.
Ele deitou-me e enlaçou um dos braços na minha cintura, enquanto, com o outro, aninhou minha cabeça suavemente, mantendo-me da forma mais confortável possível.
Com as mãos trêmulas, desabotoei os botões da sua camisa e a retirei, deixando o seu troco a mostra. Abri o zíper da sua calça e a empurrei para baixo, fazendo-a deslizar pela perna e cair no tapete, levando os sapatos consigo.
Michael possuía músculos delicados e bem torneados, e eu reparei em todos, principalmente nos dos braços e do bumbum. O observei atentamente, afirmando para mim mesma que jamais me permitia esquecer algum detalhe do seu corpo.
Ele era lindo. Definitivamente, extrapolava os limites da perfeição.
Senti uma das suas mãos deslizarem para a parte da frente do meu vestido molhado, enquanto dois de seus dedos massageavam suavemente minha intimidade sobre o fino tecido da calcinha. Ele retirou o vestido e desabotoou o meu sutiã, atirando-o para longe, em algum lugar do quarto. Levantou a cabeça para observar os meus seios; deu um sorriso pervertido e mordeu o lábio inferior ao vê-los expostos, completamente entregues a todos os seus caprichos. Fechei os olhos e agarrei seus cabelos ao sentir sua língua molhada envolver o bico de um deles; mordiscando devagar, beijando e sugando, levando-me ao paraíso.
Estiquei uma das mãos e toquei a parte interna da sua coxa; subindo e descendo, deixando-o na expectativa de onde ela chegaria. Pouco depois, a mergulhei dentro da boxer preta que ele usava e arrastei o seu membro para fora, tendo a certeza de que ele queria se libertar dali de dentro. Ele beijou-me novamente, com urgência, e eu acariciei toda a extensão do seu sexo lentamente, enquanto o via revirar os olhos e jogar a cabeça para trás, satisfeito com as minhas carícias.
Mas eu tinha pressa. Percebi que acabaria enlouquecendo se não o tivesse logo dentro de mim. Nossas peles queimavam como brasa, denunciando a excitação descontrolada que ambos sentíamos. Arfei quando ele puxou minha calcinha para baixo, me devorando com os olhos, como se fosse um predador, e eu, a sua presa.
Então para saciar nossas vontades, Michael deslizou suas mãos para meus joelhos e abriu as minhas pernas, colocando-se entre elas.
Penetrou-me de uma só vez, arrancando de mim o mais agudo grito de dor e prazer. Quando fui completamente preenchida, senti que aquele era o meu encaixe perfeito.
Gememos juntos enquanto ele movia-se vigorosamente contra mim, diminuindo e aumentando a velocidade, movendo freneticamente seus dedos em meu clitóris, tentando me proporcionar o máximo de prazer possível.
Até que não pude mais segurar. Senti uma onda de calor percorrer avassaladoramente o meu corpo, arrastando-me para a completa insanidade. Todos os meus músculos se contraíram, em uma corrente elétrica de prazer, fazendo-me apertar Michael contra o meu corpo, chamando o seu nome, me revirando sobre a cama, completamente entregue.
Ele se moveu conta mim mais algumas vezes, enquanto eu não conseguia nem lembrar mais quem era, e também se rendeu ao clímax, tombando o seu corpo sobre a cama, suado e ofegante.
Beijou minha nuca suavemente e puxou o lençol sobre nós, deitando-se ao meu lado e acomodando minha cabeça sobre o seu ombro.
- Mike... o que vamos fazer agora? - perguntei quando consegui recuperar o fôlego, completamente confusa e desnorteada.
Ele sorriu, beijou minha testa e murmurou outra estrofe da sua música.
- Won't you stay with me until the mornin' sun? I promise you now that the dawn will be different. Lady can't you see that heaven's just begun. It's livin' here inside our hearts.
O envolvi com um dos braços e também sorri, enquanto o sono começava a chamar por mim.

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Trecho da música Baby Be Mine: Eu não preciso de sonhos quando estou ao seu lado. Todos os momentos me levam ao paraíso. Querida, deixe-me abraçá-la... Aquecê-la em meus braços e tirar todos os seus medos.

Você não ficará comigo até o sol da manhã? Eu te prometo agora que tudo será diferente. Você não pode ver que o paraíso apenas começou. Está aqui, em nossos corações.
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Capítulo 18

Ainda era cedo quando abri os olhos lentamente, nua e enrolada no fino tecido do lençol. Percebi que eu estava com um sorrisinho no canto dos lábios, ainda sob o efeito da noite anterior. Estiquei o braço e tateei a cama a procura de Michael, levantando a cabeça apressadamente, quando percebi que ele não estava mais deitado. Ele já foi embora, pensei comigo mesma, enquanto sentia uma pontinha de decepção tomar conta de mim.
Levantei-me e fui para o banheiro, imaginando o dia difícil que eu teria pela frente. Meu rosto estaria estampado em todos os jornais e revistas, o Mottola estaria furioso comigo, o meu empresário ameaçaria pedir demissão; como sempre fazia após os escândalos, e Lisa me aconselharia a passar alguns dias em uma clinica de reabilitação para viciados em álcool. O que seria uma perda de tempo. Porque eu não sou viciada em nada, afirmei, sem nenhuma sombra de dúvida.
Lisa.
Escutar um sermão dela não seria o meu maior problema. Como eu iria ter coragem para encará-la, após tudo o que havia acontecido entre eu e Michael? Balancei a cabeça na tentativa de expulsar aquele pensamento para longe.
Entrei no box e abri o chuveiro, lembrando-me que aquele fora o cenário de uma loucura. Loucura que eu teria coragem de repetir por mais mil vezes, admiti, abrindo um pequeno sorriso. Sorriso que se desfez poucos segundos depois, quando a culpa fez surgir um nó na minha garganta.


Após o banho, vesti um roupão e voltei para o quarto, preparada para arrumar minhas malas. Eu não permaneceria nem mais um dia naquela cidade. Precisava voltar para a minha casa, onde encontraria conforto nas palavras de Margareth. Não sabia o que iria acontecer comigo após ter estragado o VMA, envergonhando o evento, e o pior tudo, chamado a maior empresa fonográfica dos Estados Unidos de merda na frente de todos.
Ao colocar os pés no tapete, vi uma enorme e bem arrumada bandeja de café-da-manhã sobre a cama. Olhei para o lado e vi Michael sorrindo, encostado na parede.
- Eu... pensei que você já tivesse ido - murmurei, sem conseguir esconder o quanto a presença dele ali me deixava contente.
Ele aproximou-se de mim e me beijou delicadamente.
- Que horas são? - perguntei, sentando-me na cama e avançando sobre as frutas da bandeja.
- Oito da manha - ele respondeu, acomodando-se ao meu lado.
Sorri e peguei um morango. Mordi um pedaço e dividi o resto com ele, notando pouco depois que parecíamos um casal em lua-de-mel. Esforcei-me para esquecer aquela impressão e voltar para a realidade.
- Michael... a Lisa ainda não chegou?
Percebi que os seus olhos ficaram distantes. Talvez por efeito da culpa que ambos sentíamos.  Era inevitável.
- Não.
Deslizei uma das mãos pelos seus cabelos, observando o seu rosto atentamente. Eu não poderia lhe cobrar nada, tinha plena consciência disso.
- Como você acha que ela irá reagir quando souber? - ele perguntou.
Estremeci só em pensar na possibilidade. Ela iria sentir ódio de mim, alegaria que nossa amizade nunca fora verdadeira. Pediria o divórcio, e eu seria o pivô da separação do casal mais apaixonado dos Estados Unidos. Para ter a minha felicidade eu precisaria destruir a felicidade da minha melhor amiga. Não sabia se teria forças para seguir em frente.
- Michael... ela irá pedir o divórcio - respondi, com um fio de voz.
- E nós dois poderemos assumir o nosso romance.
Respirei fundo.
- Você tem certeza de que é isso mesmo que você quer?
- Sienna... o que aconteceu entre nós esta noite... foi mágico! Eu não tenho dúvidas de que você é a mulher que eu quero ao meu lado. - Fitou meus olhos firmemente. - Eu estou completamente apaixonado por você.
Abri um pequeno sorriso.
- Também estou completamente apaixonada por você, Michael.
Ele pegou minha mão.
- Eu adoro a Lisa. Ela é muito especial e sempre a respeitei. Mas você despertou em mim algo inexplicável, algo que nunca senti por ninguém.
Abaixei os olhos.
Eu estava com medo. Medo do que estávamos sentindo. Medo das conseqüências irreversíveis que aquilo poderia nos trazer.
- Nossa vida irá virar uma bagunça ainda maior - eu disse. - A mídia irá nos massacrar.
- Há muito tempo eu deixei de me importar com o que a mídia diz sobre mim. - Hesitou. - Você se importa?
- Não - respondi. - Também não me importo mais.
- Com os meus fãs - ele acrescentou. - Com eles sim, eu me importo. Mas tenho certeza de que eles apoiarão a minha escolha, se isso me fizer feliz.
Balancei a cabeça afirmativamente, concordando com o que ele acabara de dizer.
- E então, quando...  falaremos... com a Lisa? - perguntei, um pouco hesitante.
- Eu conversarei com ela primeiro - frisou. - Sinto que devo isso a ela, em respeito à transparência que sempre existiu na nossa relação.
Assenti com a cabeça e o beijei delicadamente.
Pouco depois, suas mãos encontraram a corda do meu roupão e eu não tive forças para censurá-lo.


Capítulo 19

Seus lábios deslizaram pelo meu pescoço, contornando o meu ombro, fazendo-me fechar os olhos e abrir um pequeno sorriso. Desviei minhas mãos para dentro da sua camisa e usei as unhas para arranhar seu peitoral e abdômen delicadamente, soltando um risinho quando ouvi Michael gemer baixinho, em resposta ao meu toque.
Entrelacei os dedos pelos fios de cabelo próximos a sua nuca, enquanto sentia seu membro, rígido e já ereto, pressionado contra a minha intimidade sobre o grosso algodão do roupão. Seus lábios chegaram à curva inicial dos meus seios e ele arrancou o meu roupão apressadamente, deixando-me completamente nua.
Segurou firmemente minha cintura e me empurrou na cama, acomodando-se em cima de mim.
Suas mãos massagearam minha coxa, enquanto ele desviava os lábios para os meus seios, sugando-os devagar, causando em mim uma tortuosa e angustiante sensação de prazer.
Respirei fundo e abri um pequeno sorriso quando entendi onde ele queria chegar.
Arqueei o meu corpo para trás, soltando um longo gemido, quando ele abriu minhas pernas e desceu os lábios para a minha barriga, chegando logo após a minha intimidade já úmida. Cravei as unhas em seu braço e me contorci sobre a cama, sentindo sua língua se movimentar rapidamente em mim, enquanto ele me fitava firmemente, atento a todas as minhas reações.
Pouco depois, puxei o ar com dificuldade ao perceber que eu não suportaria aquilo por muito mais tempo.
- Michael...- eu murmurei, com um fio de voz, reunindo o máximo de esforço que consegui.
- Deixe vir - ele aconselhou ao notar o que eu estava tentando dizer. Sua voz nunca havia soado tão sexy antes. Apertou um dos meus seios e intensificou os movimentos da sua língua.
Soltei um agudo e excitante gemido ao sentir o orgasmo me atingir violentamente, fazendo-me estremecer completamente, balbuciando palavras incompreensíveis, em uma onda indescritível de prazer.
Quando consegui me acalmar, ele voltou a me beijar, sugando minha língua e mordendo o meu lábio inferior.
Projetei meu corpo para a frente e agarrei Michael pelos braços, forçando-o a se levantar. O empurrei na poltrona ao lado da cama e o vi sorrir, com o olhar mais pervertido que já vi em um homem.
Deslizei minhas mãos pela sua barriga e as desci, agarrando o botão da sua calça com força.
- Sr. Jackson - eu disse. - Acabei de me lembrar da sua música Bad.
Ele sorriu, na certa se perguntado onde eu queria chegar.
- Você é mesmo muito mau, agora pude comprovar. - Abri o botão da calça e abaixei o zíper. - Mas eu também posso ser má, sabia?
Quando ele ia responder, eu coloquei os dedos sobre os seus lábios, o impedindo de pronunciar qualquer palavra. Retirei sua camisa e os seus sapatos, enquanto ele me observava com atenção.
- Ah, e também há uma música que se chama Dangerous - relembrei, colocando uma das mãos dentro da boxer e puxando o seu membro para fora. Dei um sorriso malicioso. - Eu posso ser muito mais perigosa do que você imagina.
Ao dizer isto, me inclinei e aproximei minha boca do seu sexo, apertando-o com força, enquanto minha língua deslizava por toda a sua extensão. A expressão em seu rosto me deixava ainda mais excitada, com ainda mais vontade de retribuir toda a sua dedicação em me dar prazer.
Dei uma atenção especial à glande, sugando e beijando, ora rápido, ora devagar. Michael puxava o ar entre os dentes, gemendo o meu nome baixinho, emaranhando os dedos nos meus fios de cabelo para guiar-me na intensidade dos movimentos.
Era delicioso tê-lo ali, completamente meu, refém de tudo o que eu quisesse fazer.
Afastei-me dele, enquanto ele reclamava, me chamando para perto novamente. Abri um sorriso e beijei sua boca, masturbando-o devagar com uma das mãos.
- Sim, você pode mesmo ser má - ele murmurou com a voz rouca, ao pé do meu ouvido.
Deslizei meu corpo para cima do seu, sentando-me no seu colo. Suas mãos seguraram firmemente minha cintura, puxando-me para baixo, fazendo com que nos encaixássemos de uma única vez. Gememos alto, enquanto nos movíamos voluptuosamente, carregados de desejo e luxúria.
Desta vez, alcançamos o clímax juntos, em plena sintonia. Michael me apertou em seus braços e eu joguei o meu corpo para trás, sentindo seus lábios repousarem no meu pescoço.
Permaneci alguns minutos em seu colo, com ele ainda dentro de mim, acariciando o seu rosto letamente, me esforçando para recuperar o fôlego. Estávamos suados, cansados e ofegantes; mas completamente satisfeitos.
Abri um sorriso e ele me pegou no colo, acomodando-me sobre a cama. Depositou um beijo em minha testa e levantou-se, recolhendo nossas roupas do chão.
- Mike... eu vou voltar para Los Angeles ainda hoje.
- Não iríamos passar duas semanas em Nova York? - ele perguntou, sentando-se na cama e me abraçando por trás.
- Mas estragar o VMA não estava nos meus planos - retruquei.
- Não vá. As pessoas irão comentar de qualquer forma, você estando aqui ou em Los Angeles - ele disse, me olhando da forma mais persuasiva possível.
- Lá eu me sinto mais segura.
- Não tente fugir, você terá que encarar os comentários maldosos de frente, com a cabeça erguida.
Dei um suave beijo em seus lábios.
- Sou eu quem decide o que fazer da minha vida.
- Sienna, por que você é tão teimosa?
Eu sorri.
- Michael, por que você é tão intrometido?
Nos encaramos e gargalhamos juntos, notando que encontrar um consenso entre nossas opiniões era uma tarefa praticamente impossível.


Capítulo 20

Eu e Michael permanecemos no quarto pelo resto da manhã, jogando conversa fora. Enquanto eu estava na sua presença, os problemas pareciam ser menores do que realmente eram e a vida parecia ser bem menos complicada. Era impressionante a capacidade que ele tinha de me fazer sorrir e ver o lado bom das coisas; como se tudo pudesse se resolver em um simples estralar de dedos.
E eu, estava embarcando com ele em uma loucura, a maior que já ousei cometer. E o pior, é que eu estava cada vez mais envolvida, cada vez mais apaixonada e cada vez menos disposta a voltar a trás.
Quase na hora do almoço, escutei batidas na porta. Provavelmente seria Lisa. Michael estava conversando com John Branca ao telefone e eu estava deitada na cama, folheando um livro despreocupadamente.  Levantei-me e fui atendê-la, com um nó na garganta.
- Bom dia - eu disse, com um sorriso amarelo.
Ela entrou no quarto apressadamente e apontou para a sacada.
- Você já olhou lá pra fora? - perguntou, secamente.
- Não.
Corri para a sacada e abri a cortina com cuidado, tentando observar o que estava acontecendo. Inúmeros paparazzis estavam lá em baixo, com suas câmeras em punho, certamente aguardando a minha saída do hotel.
- Adivinhe, você é o assunto do dia! - afirmou, fingindo estar surpresa.
- Não me importo com esses urubus.
- Deveria se importar. Sua imagem nunca esteve tão arranhada como agora.
- Eu...
- Desta vez você passou dos limites!
- Eu...
- Você está acabada!
Sentei-me na cama.
- Você não sabe o que está dizendo.
- A assessoria do Mottola enviou uma nota à imprensa nesta manhã. Você ainda não viu?
Senti um grande desconforto ao lembrar que passei a manhã inteira ocupada demais para ligar a TV ou pedir um jornal.
- Não... eu não vi.
- Ele disse que a Sony irá pedir a rescisão do seu contrato.
- Dane-se a Sony! Ela não é a única gravadora do país.
- Sienna, o seu sobrenome é PROBLEMA! Qual gravadora irá querer lhe contratar?
Abaixei os olhos, sentindo os meus olhos marejarem. Lisa estava certa; eu não tinha argumentos para discordar.
- Ao subir naquele palco e dizer aquele turbilhão de asneiras, você comprou uma briga com o Mottola - ela continuou. - Ele é um homem muito poderoso. As portas irão se fechar pra você, tenha certeza disso.
Michael desligou o telefone e aproximou-se de nós.
- Lisa! Tente se controlar!
- Desta vez a carreira da Sienna está acabada! - Virou-se para mim. - E não foi por falta de aviso.
- Uma carreira não acaba por um simples deslize - Michael defendeu.
Lisa o encarou.
- Deslize? Ela apareceu bêbada no palco do VMA! Você acha isso pouco?
- Ela teve os seus motivos.
- Como ela pôde ser tão irresponsável?!
- A Sienna errou. Mas você não pode tratá-la desta forma.
Ela puxou o ar com dificuldade.
- Você quer que eu diga que ela fez bem?! Quer que eu diga que ela está certa?! - Lisa perguntou.
Eu não podia acreditar no que estava presenciando. Os dois estavam engatando uma discussão por minha causa? Não, eu não poderia permitir.
- Chega! - eu bradei, o mais alto que consegui.
Os dois olharam para mim, em silêncio.
- Saiam daqui! - ordenei, indo na direção da porta e a abrindo. - Eu quero ficar sozinha.
Michael tentou protestar.
- Mas...
- Saiam - repeti. - Por favor.
Os dois assentiram e saíram do quarto, enquanto eu ainda absorvia as palavras de Lisa. O Mottola é um homem poderoso... repeti para mim mesma. Dane-se o poder do Mottola!, praguejei, enquanto pensava no que eu iria fazer.


Capítulo 21

Caminhei até a sacada novamente e permaneci alguns minutos parada atrás da cortina, indecisa. Eu posso descer até lá, pensei, franzindo o cenho. Não, eu não posso. Se eu quiser me explicar, terei que fazer isso por meio da minha assessoria.
Voltei e me deitei na cama, sem saber o que fazer.
Dane-se a minha assessoria!, murmurei, levantando-me depressa.


*************************************************

Michael e Lisa andavam de um lado para o outro, na suíte ao lado.
- A Sienna estragou tudo - ela dizia, transtornada. - Ela está doente, deveria estar internada!
- Não exagere, Lisa. - Michael defendeu. - A Sienna não precisa de uma clínica. Ela precisa apenas de apoio e compreensão.
- Michael, por que você está a defendendo?
- Porque eu entendo como ela se sente. Ela está perdida... passando por um período turbulento... sendo julgada pela mídia... sem ter liberdade para andar com as próprias pernas. Você nunca passou por isso, Lisa. Por tanto, não pode compreendê-la.
Lisa abaixou os olhos e aproximou-se de Michael, em silêncio.
- É que me dói ver o que ela está fazendo com a própria vida.
- E é desta forma que você pretende ajudá-la?
Ela sentou-se na cama e puxou Michael para perto se si.
- Lisa, como está o Ben? - ele perguntou, tentando dispersar a atmosfera ruim que tomava conta do quarto.
- Ele ainda não está bem. Terei de ficar mais alguns dias em Nova York - ela avisou. - Eu quero cuidar dele, estar perto dele, ajudar o Danny no que eu puder.
 Michael assentiu.
- Eu entendo.
- Sei que você tem os seus compromissos em Los Angeles. Então volte, eu vou ficar.
Michael pegou sua mão.
- Eu também posso ficar, se você quiser.
- Não, não precisa.
De repente, um enorme barulho vindo do lado de fora chamou a atenção dos dois.
Lisa correu até a sacada e voltou para perto da cama poucos minutos depois, com as mãos na cabeça.
- Ela vai fazer mais merda! Não acredito!

****************************************************

Assim que me levantei, saí do quarto e peguei o elevador para o térreo. Atravessei o saguão apressadamente, indo em direção aos paparazzis e repórteres que esperavam por mim.
 Eu estava sozinha, sem nenhum segurança, sem ninguém para responder por mim. Eu sabia que teria de encará-los mais cedo ou mais tarde, por isso tomei aquela decisão.
Eu iria me pronunciar. Estava disposta a entregar de mão beijada a maldita matéria que eles tanto desejavam.
Acabarei de uma vez com esse circo, eles terão de me deixar em paz, afirmei, determinada.
Quando parei em frente ao hotel, fui cercada por uma pequena multidão. Todos começaram a fazer perguntas de uma única vez, causando um enorme e desnecessário tumulto.
- Sienna McCallister você estava sob o efeito de drogas ontem à noite?
- Você continuará trabalhando para a Sony?
- A afirmação de que pedirão a rescisão do seu contrato é verdadeira?
- Você será encaminhada para uma clínica de reabilitação?
- Há histórico de viciados em álcool na sua família?
- E o que você deseja dizer para os seus fãs?
Olhei para cima e vi Michael em uma das sacadas, sorrindo. A situação era mesmo um pouco cômica, afinal de contas eu estava prestes a meter os pés pelas mãos mais uma vez. Michael parecia gostar desse meu jeito torto de resolver as coisas. Ele divertia-se como uma criança.
Olhei para ele discretamente e retribui o sorriso.                       
Respirei fundo e levantei uma das mãos, pedindo ordem e silêncio.
Quando todos se calaram, eu comecei a falar.
- Eu não estou aqui para justificar o que fiz. Até por que, não há justificativa. Sei que o que fiz foi errado e estou profundamente ressentida com tudo o que aconteceu. Devo desculpas aos meus fãs, pois sei que os decepcionei profundamente.
Um repórter aproximou-se e esticou um gravador em minha direção.
- Sienna, você faz isto para ganhar visibilidade? - perguntou, erguendo as sobrancelhas.
- Ganhar visibilidade?
- Para virar notícia - ele explicou.
Eu não acreditei no que estava ouvindo. Percebi que eles eram incapazes de entender o que realmente se passava comigo.
Comecei minha carreira quando ainda era uma menina e desde cedo fui obrigada a ser responsável e madura, sob forte cobrança.
Quando entrei na fase adulta, acabei me dando conta de que existia um buraco na minha vida. Um buraco que não poderia ser preenchido com dinheiro, fama ou glamour.
Sempre adorei cantar; sempre tive o palco como uma segunda casa. Mas passei a ter uma enorme necessidade de ser contraditória aos padrões de boa conduta, talvez para mostrar que eu era muito mais do que uma simples máquina de fazer dinheiro para gravadoras.
E então, um maldito repórter pergunta se eu promovo escândalos para virar notícia.
Olhei firmemente para ele.
- Vá se danar! - murmurei.
Ele abriu um sorriso.
- Na minha matéria, eu irei citar que fui verbalmente agredido por você - ele disse.
E transformar a minha vida em um inferno não é agressão?, pensei comigo mesma. - Bando de hipócritas.
Voltei para dentro do NY Palace, enquanto eles recomeçavam a fazer perguntas, tentando me acompanhar. Foram barrados pelos seguranças do hotel, que conseguiram impedi-los de entrar, sem muita dificuldade.
Michael estava no saguão, esperando por mim.
- Você não deveria tentar se defender por meio da sua assessoria de imprensa? - ele perguntou, entrando comigo no elevador.
- Você sabe que não dou a mínima para protocolos - respondi, revirando os olhos. - Onde está a Lisa?
- Está na sua suíte, esperando por você.
Senti um aperto no peito.
- Eu... vou arrumar minhas malas.
Ele sorriu e enlaçou uma das mãos em minha cintura.
- Também voltarei hoje para Los Angeles. Podemos voltar juntos, o que você acha?
- Eu, você... e a Lisa? - indaguei, determinada a recusar o convite.
- A Lisa irá permanecer mais alguns dias aqui em Nova York. Para ajudar o Danny a cuidar do Ben.
Segurei sua mão firmemente.
- E quando você irá conversar com ela?
- Assim que ela voltar pra casa - respondeu, soltando um longo suspiro.


Capítulo 22

Michael seguiu para o seu quarto, para pedir que arrumassem suas malas para a viagem.
E eu, respirei fundo e voltei para a minha suíte, sabendo que encarar Lisa seria uma tarefa emocionalmente complicada.
Ao atravessar a porta, vi que ela estava sentada na poltrona ao lado da cama, folheando uma revista qualquer. Aproximei-me dela e evitei ao máximo olhá-la nos olhos.
- Como está o Benjamim? - perguntei tranquilamente, tentando esconder o que realmente se passava dentro do meu peito.
- A alergia não é grave - ela disse. - Mas ele precisa de constante atenção médica.
- O Michael me disse que você vai ficar aqui para ajudar o Danny a cuidar dele.
- É... eu vou.
Sentei-me ao seu lado.
- Lisa... desculpe-me por ter decepcionado você, mais uma vez.
- Adianta eu dizer que lhe desculpo? - ela indagou. - Você sempre repete os mesmos erros. Sienna, você tem uma enorme dívida. E essa dívida não é comigo, com a Sony, com os seus fãs ou com o Mottola. É uma dívida com você mesma.
Continuei a escutando, sabendo que mais uma vez; ela estava certa.
- O que você está fazendo da sua vida? - Hesitou e acrescentou: - Confesso que estou profundamente preocupada com você.
- Eu não posso dizer que vou tentar dar um jeito nisso - murmurei. - Você sabe que eu sou assim. Sempre fui. E sinceramente... não conseguiria me transformar em outra pessoa.
Ela ergueu a sobrancelha e franziu o cenho.
- Você conseguiria. Se tentasse.
Respirei fundo e me levantei, abrindo a gaveta e retirando minhas roupas de dentro dela. Aquela conversa com Lisa não nos levaria a lugar algum. Não haveria um consenso entre nós duas.
- Eu quero apenas voltar para a minha casa - afirmei, pegando uma mala. 
Ela forçou um sorriso.
- O Michael também embarcará hoje.
- Ele perguntou se nós podemos voltar juntos - murmurei, com um nó na garganta. - E eu disse que sim.
Ela levantou-se e reaproximou-se de mim.
- Então, boa viajem para vocês. Até breve - ela disse, pegando minha mão.
- Espero que o Ben fique bom logo - desejei. - Aquele menininho sempre teve uma saúde de ferro.
- E você, muita calma quando for conversar com o Mottola. Não vá piorar ainda mais as coisas.
Dei uma piscadela.
- Pode deixar.


No fim da tarde, Lisa nos acompanhou até o aeroporto, em uma atitude completamente desnecessária. Alguns paparazzis conseguiram registrar aquele momento, causando um pequeno tumulto.


No início da noite, Michael e eu pegamos um voô particular para Los Angeles. Mais uma vez, estávamos acompanhados apenas por uma aeromoça, um piloto, um co-piloto e Bruce, um dos seguranças.
Lisa ficaria em Nova York por mais duas semanas, hospedada na casa do Danny. Eu e Michael conversaríamos com ela assim que ela voltasse para a Califórnia.
Eu sei que será difícil. Mas esse é o preço que eu terei de pagar para viver o único e verdadeiro amor que já tive na vida, pensei, quando nos despedimos dela e entramos no avião.Michael e eu nos acomodamos sentados lado a lado, em uma das poltronas no final do corredor. Bruce sentou-se logo mais a frente, mantendo uma certa distância de nós, para mantermos a nossa privacidade. 
Passamos a maior parte do vôo juntos, abraçados, sorrindo e jogando conversa fora. Percebemos que a aeromoça só se aproximava de nós quando chamávamos por ela. Isso possibilitou que Michael deslizasse as mãos pelas minhas pernas, com um sorriso malicioso nos lábios.
- O que você acha de nos divertirmos um pouco? - ele sussurrou ao meu ouvido.
Segurei um sorriso, já entendendo o que ele queria propor.
- Você só pode ser louco, Michael.
Ele desviou uma das mãos para debaixo da minha blusa e brincou com o fecho do meu sutiã.
- Fazer amor nas alturas seria uma experiência completamente nova para mim - ele disse, roçando o nariz no meu pescoço.
Para ambos.Definitivamente, a proposta era tentadora demais para ser recusada.
- Então, me acompanhe - murmurei, sorrindo e dando um suave beijo em seus lábios.
Levantei-me e segui pelo pequeno corredor, em direção ao banheiro, enquanto a adrenalina fazia o meu coração pulsar rapidamente.


Capítulo 23

Entrei no banheiro e olhei-me no espelho, enquanto esperava por Michael.
Poucos minutos depois ele abriu a porta e sorriu para mim, sabendo que aquilo seria muito perigoso, porém, muito excitante.
Fechou a porta rapidamente e aproximou-se de mim, tomando-me em um beijo urgente e intenso. Sua língua invadiu minha boca com luxúria; e eu enlacei os braços seu pescoço, na tentativa de trazê-lo para mais perto de mim.
Minhas mãos deslizaram para a parte da frente da sua camisa e, com as mãos trêmulas e descontroladas, precisei empregar o máximo de esforço para desabotoá-la. Os lábios de Michael migraram para a minha orelha, e eu me arrepiei inteira quando suas mãos se desviaram para dentro da minha blusa; massageando os meus seios sob o tecido sutiã.
Abri o zíper da sua calça e a arranquei apressadamente, sabendo que qualquer espera seria tortuosa demais para ser suportada.
Suas mãos ágeis percorreram a barra da minha blusa e curvei o meu corpo para ajudá-lo a retirá-la. Pouco tempo depois o meu sutiã e o a minha saia também estavam no chão, fazendo companhia para todas as outras peças de roupa de já havíamos descartado.
Michael voltou a me beijar, levando uma das mãos até minha intimidade e acariciando-a devagar. Fechei os olhos e joguei a cabeça para trás ao senti-lo me penetrando com um dos dedos, em movimentos lentos, arrancando de mim um abafado gemido de prazer.
Olhei firmemente em seus olhos e percebi que ele estava corado. Mas não de vergonha, e sim de desejo. Sorri quando ele apertou meu quadril e levantou-me, derrubando tudo que estava em cima da pia e me colocando em cima dela. Suas mãos se enroscaram nas minhas pernas e ele as levantou, deixando-me completamente exposta, enquanto me devorava com os olhos.
Roçou lentamente o seu membro rígido e pulsante na minha entrada, enquanto todas as fibras do meu corpo imploravam para que ele me penetrasse de uma vez. Nossos corpos queimavam de desejo e pelo que parecia, ele estava querendo prolongar aquela angustiante e deliciosa sensação de expectativa.
- Por favor, Michael, seja bonzinho - supliquei, com a respiração completamente descompassada.
Ele sorriu, satisfeito; sem parar de me encarar.
- O que você quer que eu faça? - ele sussurrou ao meu ouvido, com a voz rouca, talvez embargada pelo desejo avassalador que vi em seus olhos.
- Quero você... dentro de mim... agora - consegui murmurar.
E então após alguns segundos, ele penetrou-me lentamente, atendendo a minha súplica.
Soltei um gemido alto ao senti-lo me invadir, aumentando a velocidade, encaixando-se completamente em mim.
Agarrei seu quadril com minhas pernas e levantei à cabeça a procura de ar, enquanto ele exercia em mim movimentos fortes e ritmados, fazendo-me perder a razão.
Tentávamos fazer o mínimo de barulho, mas pensar em autocontrole naquele instante era uma tarefa muito, muito difícil.
Quando Michael começou a aumentar a velocidade de suas investidas em mim, soltei um agudo grito de prazer, explodindo em uma deliciosa onda de calor que fez o meu corpo tremer, chamando o seu nome e agarrando o seu corpo contra o meu com ainda mais voracidade.
Pouco depois ele também se rendeu ao clímax, mordendo o lábio inferior e jogando a cabeça para trás, suado e ofegante.
Diminuiu a velocidade gradualmente, até que os movimentos cessaram por completo.
- Somos loucos - eu disse dando-lhe um suave beijo, com um pequeno sorriso.
Ele acariciou minha face delicadamente e me olhou em um misto de cansaço e carinho.
- Eu amo você, Sienna - ele disse, segurando o meu queixo.
Estremeci com a veracidade que ele conseguiu transmitir aquelas palavras.
- Eu também amo você, Michael - murmurei, cheia de certeza e convicção.


Capítulo 24

Já era tarde da noite quando chegamos em Los Angeles. Michael seguiu para Neverland e eu fui para a minha casa, meu ninho, meu refúgio, o lugar onde eu poderia colocar os meus pensamentos em ordem.
Ao chegar, Margareth esperava por mim, com um enorme sorriso no rosto, mas um ar evidente de preocupação. Beijou-me e afagou meus cabelos, oferecendo-me o carinho maternal com o qual eu não podia contar. Ela era magnífica e eu sempre me sentia protegida ao seu lado.
- Minha menina! - ela disse, abraçando-me calorosamente. - É muito bom tê-la de volta.
Eu sorri e me joguei no sofá.
- É muito bom estar de volta.
Ela sentou-se ao meu lado e pegou minhas mãos.
- O que houve naquela festa? Não se fala em outra coisa na TV e o telefone não parou de tocar o dia inteiro.
Repousei minha cabeça em seu colo e olhei em seus olhos.
- Eu estava tão confusa... Sem entender o que se passava dentro de mim. - Respirei fundo. - E ainda vi o desgraçado do Emmet... acompanhado por outra mulher. Perdi completamente o controle.
Seu rosto foi tomado pela surpresa.
- Outra mulher?
- Sim. - Dei uma piscadela: - Mas isso não interessa mais. O Emmet é uma página completamente virada.
Ela me analisou calmamente e arqueou as sobrancelhas.
- Sienna, há algo diferente acontecendo. Estou vendo um brilho ofuscante em seu olhar.
Eu sorri e enfiei o rosto em uma almofada. Ela me conhecia bem, nada passaria despercebido.
- Eu estou amando, Margareth - murmurei, sorrindo.
Sua face iluminou-se. Era a primeira vez que ela me escutava dizer aquela frase.
- Isso é ótimo! - vibrou. - E quem é o felizardo?! - perguntou de imediato.
Puxei o ar.
- O Michael.
- Qual Michael?!  - perguntou, sem perder a empolgação.
- O Michael... Jackson.
O choque atravessou seu rosto rapidamente e sua expressão se fechou.
- O marido... da... Lisa Marie?!
Senti o impacto daquela frase. Seria muito mais fácil se ela houvesse perguntado: " O filho da D. Kate?" , "O irmão da Janet Jackson?"
- Sim, Margareth - respondi, firmemente.
Ela balançou a cabeça, frustrada. Certamente prevendo que aquilo não poderia dar certo.
- Minha menina, não quero que você se machuque. Sobretudo, não quero que você machuque a Lisa. A amizade de vocês é tão bonita... tão duradoura.
Engoli em seco.
- Eu sei. - Hesitei. - Mas não é você mesma quem diz que não mandamos no coração?
Ela assentiu, contrariada.
- E o que você pretende fazer?
- Eu e o Michael vamos conversar com ela.
Estremeci ao perceber que aquilo já estava planejado e determinado. Não era apenas um distante objetivo ou uma mera possibilidade.
Conversaremos com ela, tentaremos explicar..., pensei comigo mesma, pedindo aos céus que ela conseguisse nos compreender.


Capítulo 25


*******************************************************
Mottola havia acabado de chegar à sala de reuniões, onde conversaria com os advogados da Sony. Taylor Singer e Henry Murphy, dois veteranos que já defendiam a empresa há anos, estavam sentados, esperando por ele.
- Bom dia, Mottola - disse, Singer, levantando-se para cumprimentá-lo. Murphy fez o mesmo.
- Não, não estamos tendo um bom dia - Mottola comentou. - E não teremos, enquanto Sienna McCallister ainda estiver trabalhando para nós.
Todos se acomodaram, em silêncio.
- Vocês viram o que aquela perturbada fez?! - Mottola perguntou, transtornado.
Os dois assentiram, pesarosos.
- Quais providências nós devemos tomar? - indagou Singer.
- Eu quero essa mulher longe daqui! Pediremos a rescisão do contrato!
- Quebra de contrato? - Singer balançou a cabeça. - A Sony terá que desembolsar uma vantajosa quantia se fizer isso. - Analisou alguns papéis. - Sienna McCallister terá o direito de ser ressarcida.
Mottola arregalou os olhos, incrédulo.
- Ela armou um circo no VMA! Chamou a nossa gravadora de merda diante de todos!
- Eu sei. E poderemos processá-la por danos morais, se você quiser. Mas quebra de contrato requer o pagamento de uma multa, você sabe bem disso. - Ergueu as sobrancelhas. - E parece que os advogados dela fizeram um bom trabalho... A quantia citada aqui é exorbitante.
- Se não houver outra saída, nós pagamos! Pagamos o que for!
Murphy franziu o cenho.
- Definitivamente, não é o recomendável.
- E o que vocês recomendam? - perguntou, contrariado.
- A Sienna é uma artista muito talentosa - começou Murphy. - A Sony pode lucrar muito se ela permanecer aqui. Os advogados dela ainda não se pronunciaram... Então, vocês poderiam conversar amigavelmente, sem processo ou rescisão.
Mottola continuou ouvindo.
- Tente entender o que se passa com essa moça - aconselhou Singer. - Ofereça um tratamento em uma clínica... Escute o que ela tem a dizer.
- Ela é uma petulante! - Mottola murmurou.
- Sienna McCallister é sinônimo de lucro - corrigiu Singer. - Ajude-a a voltar a ser aquela artista produtiva que vimos no início da sua carreira.
Mottola revirou-se na poltrona, analisando as possibilidades.

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Às nove da manhã do dia seguinte, fui acordada por Margareth. Tive uma ótima noite de sono, apesar da inevitável preocupação que rondava minha cabeça. Esperava que as três próximas semanas passassem o mais rápido possível e Lisa voltasse logo para Los Angeles. Precisamos resolver isso de uma vez.
- São para você - Margareth disse, aproximando-se na cama e estendendo um enorme e belíssimo buquê de tulipas para mim.
Sorri e imaginei que elas seriam de Michael. Lembrei-me de quando recebi um buquê de rosas brancas, acompanhado por um cartão onde ele desejava que a nossa amizade fosse sólida e duradoura. Quando liguei para agradecer, por pura implicância, disparei que minhas flores preferidas eram tulipas. Ele disse que não se esqueceria.
E realmente, não se esqueceu.
- Deixe-me ver - pedi, empolgadíssima, sentando-me na cama e cruzando as pernas.
Margareth entregou-me o buquê e ficou parada, enquanto eu retirava e abria o cartão apressadamente.
Nele estava escrito:

        ""You know how I feel. This thing can't go wrong. I'm so proud to say I love you
         Your love's got me high... I long to get by. This time is forever... "Love is the answer."
                                                                                      Tenha um bom dia, minha querida.
                                                                                                                           Amo você...
                                                                                                                             Michael.

Li e reli por diversas vezes, com um sorriso bobo estampado na face. Pedi para Margareth colocar as flores em um vaso e depois ligar para Neverland, para perguntar se Michael poderia me receber. Guardei o cartão na primeira gaveta da mesa-de-cabeceira e fui tomar um banho.


Quando desci para tomar o café-da-manhã, Margareth estava ajudando Judith a pôr a mesa.
- Ligou para Neverland? - perguntei, sentando-me e enchendo um copo com suco de laranja.
- Liguei - ela disse, de cara feia. Certamente ela não estava nem um pouco confortável com aquela situação.  - Ele disse que estaria esperando por você.
Eu sorri e assenti; ela teria que se acostumar.
- Por favor, chame o David. Ele irá me levar até lá. - Eu não pretendia continuar dispensando os serviços do meu motorista. Nos últimos meses eu dirigia com muita mais freqüência do que ele.
Margareth e Judith retiraram-se.
Judith retornou poucos minutos depois.
- A secretária do Sr. Tommy Mottola está ao telefone - avisou.
Levantei-me apressadamente e segui para o escritório.
- Alô, Gina? - perguntei, assim que atendi.
- O Sr. Mottola quer convidá-la para um jantar - murmurou.
Franzi a testa, incrédula.
- Ele deseja ter uma conversa informal com a srta., sobre o seu futuro na gravadora.
- Tudo bem - eu disse, por fim. - Onde e quando?
- Onde e quando a srta. preferir.
Balancei a cabeça, desconfiada. Havia algo errado ali, era evidente.
- Diga para ele escolher, não tenho preferências. Depois você liga novamente pra avisar.
- Está certo - respondeu, interrompendo a ligação.
Fiquei alguns instantes fitando o telefone. Que diabos ele está querendo?, pensei, enquanto saía do transe e caminhava para a porta, rumo a Neverland.

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Trecho da música I Just Can’t Stop Loving You: Você sabe como me sinto. Isso não pode dar errado. Estou tão orgulhoso de dizer eu te amo. Seu amor me elevou... Eu só quero vivê-lo. Desta vez é para sempre. O amor é a resposta.”

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Capítulo 26


Quando cheguei ao rancho, disse para David que ele poderia tirar o resto do dia de folga. À noite, quando eu resolvesse ir embora, ligaria para avisá-lo, e ele iria me buscar.
Susan estava esperando por mim em frente a casa residencial, obedecendo à ordem de Michael. A surpresa em seu rosto era evidente, mas ela tentou disfarçar. Certamente estava se perguntando que diabos eu estava indo fazer no rancho se Lisa estava viajando. Confesso que fiquei um pouco envergonhada e desconcertada; mas lembrei-me que Michael sempre repetia que os seus empregados eram discretos e da máxima confiança. 
Sorri ao olhar em volta. Da última vez que havia ido visitar Neverland, nem imaginava que mudaria todas as impressões que tinha construído sobre o seu dono. Mudanças incríveis e inesperadas, pensei, enquanto Susan me conduzia por um pequeno corredor, até a sala de visitas. Observei atentamente todos os detalhes possíveis, como sempre fazia. Aquele era um lugar incrível, realmente carregado de magia e encantamento. Um paraíso criado pelas mãos do homem, onde tudo parecia ser possível.
Quando atravessei a porta, vi Michael, sentado em uma das poltronas; com um enorme sorriso no rosto. Susan retirou-se e eu me aproximei dele.
- Adorei as flores - eu disse, beijando-lhe suavemente. - As flores e o cartão.
Ele levantou-se e me abraçou por trás, entrelaçando nossas mãos.
- Seja bem-vinda a Neverland - sussurrou em meu ouvido.
Eu sorri.
- Obrigada pela gentil receptividade. Mas eu só vim porque estava morrendo de saudade do Bubbles - brinquei. - Podemos ir vê-lo?
- Claro que sim - respondeu, sorrindo.
- Também quero que você me leve ao parque de diversões - avisei.
- Tudo bem. Mas sinto informá-la que na montanha russa; eu sou imbatível.
- Ah, Mike! Eu estou planejando dar apenas algumas voltas no carrossel - admiti. - Nada de brinquedos que possam me causar náuseas ou vertigem.
Ele me encarou e caiu na gargalhada.
- Não precisa ter medo.
- Não é medo - disparei, e a minha frase não soou nem um pouco convincente.
- Oh, Deus! Sienna McCallister tem medo de altura - provocou.
- Isso não é verdade! - tentei explicar, enquanto sorríamos e saíamos da sala, seguindo para o zoológico.


Passei o dia inteiro no rancho, e me diverti como não fazia há anos. Alimentamos os animais do zoológico e permanecemos horas no parque de diversões. Dei algumas voltas no carrossel, enquanto Michael sorria e fazia provocações sobre a minha fobia recém-descoberta.
Depois fizemos um piquenique ao ar livre, assistimos a dois filmes da Walt Disney e competimos em uma corrida de Kart.
Definitivamente, consegui compreender porque aquele lugar era tão especial para Michael. Em Neverland, realmente voltávamos a ser crianças, brincando inocentemente enquanto todas as preocupações permaneciam do lado de fora, atrás dos portões.
No início da noite, resolvemos fazer um passeio pelo jardim. 
O cenário era extremamente belo. As árvores estavam preparando-se para desfolhar, caracterizando o início do outono. Uma tímida lua crescente exibia-se no céu pouco estrelado, escondendo-se atrás de nuvens ligeiramente nubladas. A brisa fria nos abraçava serenamente, enquanto o silêncio nos dava um aspecto de tranqüilidade.
Sentamos na grama e olhamos em volta.
- Foi um dia maravilhoso - comentei, acomodando minha cabeça em seu ombro. - Mas já está na hora de ligar para o David, preciso voltar pra casa.
Ele balançou a cabeça e projetou seu corpo para frente, derrubando-me sobre a grama e rolando lentamente, até pairar em cima de mim. Sustentou-se com cuidado para eu não sentir seu peso e fechou seus braços em torno do meu corpo.
- Não, você não precisa - murmurou, inclinando-se para que sua boca chegasse em meu pescoço.
- Michael, alguém pode nos ver - arfei, com a respiração já falha.
- Não há ninguém além de nós neste jardim - argumentou. Puxou o meu rosto e meus lábios moldaram-se aos dele.
De repente uma chuva fina começou a cair do céu. Os pingos pousavam sobre nossos corpos; e nos olhávamos fixamente, sorrindo e tendo a certeza de que não teríamos forças para levantar e sair dali.



Capítulo 27

Ele acariciou minha face e beijou-me novamente, com delicadeza e ternura. Sua mão envolveu meu cotovelo, movendo-se lentamente por meu braço e em volta da minha cintura, acompanhando meu quadril e descendo por minha perna, onde agarrou a barra do meu vestido. 
Enrosquei meus braços em seu pescoço e aprofundei o nosso beijo, percebendo que seu membro já estava rígido sob a calça que ele usava. Suas mãos desviaram-se para minhas coxas e ele levantou o meu vestido vagarosamente, afastando minha calcinha e acariciando minha intimidade com os dedos. Minha respiração já estava completamente irregular e o meu coração martelava rapidamente, rompendo o profundo silêncio que dominava o ambiente poucos minutos antes. Desabotoei sua calça apressadamente e a empurrei para baixo, retirando também a camisa e a boxer poucos minutos depois. 
Gemi ao ver o seu membro completamente ereto, e saber que eu era o motivo daquilo tudo me deixava ainda mais excitada. Sorri maliciosamente e projetei o meu corpo para baixo, dando uma seqüência de beijos molhados em seu pescoço, ombro, peitoral, abdômen, até chegar ao seu sexo. O acariciei devagar com as mãos, e aproximei minha boca, sugando-o e envolvendo-o com a língua. Michael suspirou; o rosto contorcido de prazer, enquanto suas mãos seguravam meus cabelos, auxiliando-me na intensidade dos movimentos. Eu sabia que ele não suportaria aquilo por muito mais tempo, então mudei o percurso da minha boca, voltando para o abdômen e peitoral, decidida a provocá-lo o máximo que pudesse. 
Ele sorriu e puxou-me para cima, acomodando meu corpo sobre a grama e abrindo o fecho do meu vestido. Fechei os olhos ao senti-lo retomar com as mãos o caminho para a minha intimidade, subindo e descendo a minha calcinha lentamente. Certamente ele também queria me provocar; e deixei claro que ele estava conseguindo. Inclinou o corpo para frente e brincou com o bico dos meus seios usando a ponta da língua, fazendo-me respirar apressadamente; como se o ar estivesse pesado demais para escapar corretamente dos meus pulmões. 
A garoa intensificou-se, mas permanecemos lá, sem nos preocuparmos com ela. Talvez estivesse frio, mas o calor do corpo de Michael era suficiente para me aquecer e me fazer esquecer de todo o resto. 
Quando sua mão indecisa finalmente segurou minha calcinha e puxou-a para baixo, tive a certeza de que não suportaríamos mais esperar. Precisávamos um do outro urgentemente. Completamente. Sem demora.
Michael abriu minhas pernas e roçou seu membro em minha intimidade, encaixando-se em mim pouco depois, movendo-se rapidamente, enquanto suas mãos continuavam a passear pelo meu corpo, fazendo-me gemer alto e puxar o ar com força, contorcendo-me e deslizando meus lábios para o seu pescoço, em um turbilhão de sensações. 
Ele movia-se com vigor, para enlouquecer-me, e diminuía a velocidade, para provocar-me. O suor escorria dos nossos corpos, misturando-se à umidade provocada pelos pingos da chuva. Agarrei suas costas e soltei um profundo suspiro ao chegar ao clímax, sendo acompanhada por ele, que também se rendeu ao ápice do prazer pouco depois. Tombamos ofegantes sobre a grama e nos olhamos fixamente, com um sorriso desenhado nos lábios.
Ficamos alguns segundos deitados, observando o céu, enquanto a chuva parava lentamente de cair. Ele me acolheu em seus braços e fechei os olhos, desejando que aquela sensação de proteção durasse para sempre.
- Já está na hora de voltarmos - murmurei relutante, acariciando sua face. - Daqui a pouco a Susan entrará em pânico e chamará a polícia, alegando que saímos para dar uma voltinha no jardim e não voltamos mais - brinquei, sorrindo. - E eu preciso ligar para o David... tenho que voltar pra casa.
Ele beijou meus lábios suavemente.
- Você pode dormir aqui - murmurou, deslizando as mãos pelos meus cabelos molhados. 
Balancei a cabeça negativamente.
- Não, eu não posso.- Não me permitiria sequer entrar no quarto de Michael e Lisa. Não teria coragem de olhar para a cama dos dois, deitar na cama dos dois... - Tentei afastar aqueles pensamentos horrorosos e perturbadores da minha cabeça.
Ele deve ter percebido o motivo pelo qual recusei o convite.
- Sienna, você... poderia dormir no quarto de hóspedes - sugeriu. - Como uma visita. Estou oferecendo porque já está tarde para pegar a estrada, juro que não há segundas intenções - afirmou, com um enorme sorriso.
- Você promete se comportar? - perguntei, erguendo as sobrancelhas.
Ele assentiu.
- Prometo.
Eu sorri.
- Então, está bem.
Ele recolheu meu vestido no chão e ajudou-me a vesti-lo.
- Fique tranqüila, meu amor - ele disse ao meu ouvido. - Logo conversaremos com a Lisa e não precisaremos mais esconder o que sentimos um pelo outro.
Estremeci diante das suas palavras. Eu estava prestes a perder minha melhor amiga, como poderia ficar tranqüila? 
- Michael, ela não irá nos perdoar - eu disse, e percebi que havia lágrimas em meus olhos.
Ele pegou meu rosto em suas mãos.
- Nos apaixonamos. Não foi planejado, não tivemos culpa.
Respirei fundo e o abracei o mais forte que pude. Não tivemos culpa, repeti, na tentativa de convencer-me disso uma vez por todas.



Capítulo 28


Quando voltamos para a casa residencial, Michael levou-me até o quarto de hóspedes, onde eu passaria a noite. Percebi que havia fiapos de grama em nossas roupas e cabelos, e estávamos completamente encharcados pela água da chuva. O que a Susan e os outros empregados irão pensar?, perguntei-me, aflita. Aquela situação não me deixava nenhum pouco confortável.
- Vou tomar um banho - eu disse para Michael quando chegamos na porta do quarto. 
- A Susan já arrumou uma roupa limpa pra você vestir, está em cima da cama - avisou.
Abri um pequeno sorriso.
- Obrigada. 
Ele me encarou.
- Você precisa de ajuda? - perguntou, sorrindo maliciosamente.
- Não, eu não preciso - murmurei, dando um leve tapa em seu ombro.
- Tem certeza? - insistiu.
Eu sorri.
- Sr. Jackson, o que você disse sobre se comportar? - perguntei, entrando no quarto.
Ele também entrou e encostou a porta.
- Só estou querendo ser prestativo. Não há segundas intenções.
Aproximei-me dele e dei um leve beijo em seus lábios.
- Você pode me esperar - eu disse, sorrindo - aqui! - frisei, apontando para a poltrona ao lado da cama. 
- Tudo bem. Eu prometo que não chegarei nem perto do banheiro.
- Promete mesmo?
Ele assentiu.
- Prometo. 
Quando ele sentou-se, abri o fecho do vestido e o retirei, ficando apenas de calcinha e sutiã. Michael me olhava, e em sua expressão havia algo que eu não consegui definir.
- O que houve? - perguntei.
- Tirar a roupa na minha frente não ajuda muito nos meus planos de bom comportamento - disparou, rindo.
- Ah, Mike! Vá para o seu quarto - eu disse, puxando-o até ele ficar de pé.
Ele enlaçou as mãos na minha cintura e apertou-me em seus braços. 
- Deixe-me ficar? - sussurrou ao meu ouvido.
- Boa noite, Michael - murmurei, rindo e empurrando-o até a porta. 

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Assim que Margareth escutou o toque estridente do telefone, correu para atendê-lo.
- Residência da Srta. McCallister - disse, educadamente.
- Margareth, onde está a Sienna? - Alguém perguntou do outro lado da linha. - O celular dela toca mas ninguém atende.
Margareth puxou o ar com dificuldade ao reconhecer a voz de Lisa Marie.
- A Sienna? Ela... Ela saiu hoje cedo e não avisou pra onde iria - mentiu, desconcertada. - Quer deixar algum recado?
- Não. Eu só queria saber como vão as coisas. Ela não me liga mais... Há algo acontecendo?
- Creio que apenas ela poderia lhe dar essa resposta - Margareth disse.
- Tudo bem. Eu tento ligar depois. Até mais .
- Até mais. 
Margareth desligou o telefone e levou as mãos à cabeça; tendo a certeza de que aquilo não terminaria bem.

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Capítulo 29


Tive uma ótima noite de sono, apesar de saber que Michael estava dormindo no quarto ao lado; a poucos metros do meu. Escutei por diversas vezes algumas passadas no corredor, e provavelmente era ele, mas não tive coragem de levantar para conferir. Sabia que se ele abrisse aquele sorriso persuasivo e me envolvesse em seus braços, eu não teria como resistir. 
Ao acordar no dia seguinte, olhei para o relógio, que marcava 7:30. Levantei-me e após a higiene matinal, desci para tomar café-da-manhã. 
Michael já estava sentado à mesa, lendo um jornal. Quando me aproximei, ele abriu um reluzente sorriso. 
- Bom dia, meu amor - disse, levantando-se e dando um suave beijo em meus lábios.
Rodeou a mesa e puxou uma cadeira para que eu pudesse me acomodar. Não posso negar que aquela ação pegou-me completamente de surpresa. Ele era um perfeito cavalheiro. Muito diferente de todos os homens que já haviam passado pela minha vida. 
- Como passou a noite? - perguntou, quando me sentei, retornando ao seu lugar.
- Maravilhosamente bem - respondi. - Minha primeira noite em Neverland - destaquei, com um pequeno sorriso.
- Primeira de muitas.
Sorri e observei a mesa repleta de pães, bolos, frutas e sucos. Estiquei a mão e peguei uma fatia de melão, percebendo que Michael ainda não havia tocado em nada.
- Michael, você não vai comer? - perguntei, intrigada.
- Eu não tenho apetite matinal - respondeu. 
Eu sorri. Nunca havia visto Michael se alimentar com algo que não fosse cheio de açúcar. 
- Quando você vai falar com o Motolla? 
- Hmmm, a Gina me ligou - murmurei, lembrando-me que eu não havia comentado. - O Mottola convidou-me para um jantar. Isso é um pouco estranho, você não acha?
- Muito estranho - concordou. 
- De qualquer forma, eu aceitei o convite. Vamos ver qual será o meu futura naquela gravadora - Arqueei as sobrancelhas. - E você, desistiu de sair da Sony?
- Estou tentando. Mas o Mottola encontrou algumas cláusuras no contrato e isso está atrasando o andamento.
Respirei fundo.
- Isso é péssimo! Você continuará insistindo nisso?
Ele sorriu.
- Srta. McCallister, você ainda não percebeu que nunca desisto de nada?
Correspondi ao sorriso e joguei um beijo pra ele. Realmente, Michael Jackson não era um homem de desistências.


Assim que terminei o café-da-manhã, avisei para Michael que voltaria para casa. Ele disponibilizou-me o seu Motorista, após perceber que eu não atenderia ao seu pedido de continuar em Neverland pelo resto do dia. Quando retornei para o quarto de hóspedes para pegar a minha bolsa, ele me acompanhou.
- Obrigada pela hospitalidade, Mike - eu disse, aproximando-me da cama e pegando a bolsa na mesa-de-cabeceira.
- Volte sempre - murmurou, enlaçando a mão na minha cintura e me dando um suave beijo.
Quando suas mãos brincaram com o botão da saia que Susan havia separado para mim, o vi dar um pequeno sorriso. 
- O que você está fazendo? - perguntei.
- Estou me despedindo de você - ele disse, desviando os lábios para o lóbulo da minha orelha.
- Um "Até mais" não é suficiente? - indaguei, fechando os olhos ao sentir o roçar dos nossos corpos.
- É muito menos do que eu posso lhe dar - respondeu, pegando minha bolsa e a colocando na mesa-de-cabeceira novamente. 
Ele reaproximou-se de mim e beijou-me, antes que eu pudesse retrucar. 
Naquele instante, perdi completamente a resistência.
A minha volta para casa teria de esperar.



Capítulo 30


O abracei o mais forte que pude, enquanto sentia seus lábios se moverem no mesmo compasse dos meus, em completa sintonia. Desta vez, o beijo não adquiriu um ar intenso e urgente logo no início, pelo contrário. Foi um beijo delicado e sem pressa. Sabíamos que teríamos o resto da manhã pela frente; por tanto, prolongaríamos aquele momento o máximo que pudéssemos. 
- Eu lhe amo tanto... - ele disse ao meu ouvido.
- Também amo você, Michael - balbuciei, retirando uma mechinha de cabelo que havia caído sobre os seus olhos. Acariciei sua face e permaneci alguns segundos fitando-o firmemente, contemplando a sua beleza. Olhos escuros e profundos, traços sutis e delicados, um sorriso completamente arrebatador... enumerei em silêncio. Tudo nele era perfeito. 
Ele segurou minhas mãos e me conduziu até a cama. Sentei-me e apoiei as costas na cabeceira, enquanto ele sentava-se ao meu lado e deslizava os lábios para o meu pescoço, fazendo-me abrir um pequeno sorriso. 
- Quero decorar cada curva do seu corpo... Cada marquinha... Cada detalhe... - ele disse desviando os lábios para o meu ombro. 
Sorri quando suas mãos percorreram minha cintura e encontraram a barra da minha camiseta, retirando-a lentamente. 
Fechei os olhos e soltei um gemido ao sentir sua língua envolver o bico de um dos meus seios devagar. Sua ereção roçava contra a minha perna, e era completamente indisfarçável que eu estava tão excitada quando ele. Estiquei uma das mãos e abri os botões da sua camisa, enquanto ele descia os beijos para a minha barriga. Puxou a minha saia e arrastou minha calcinha junto com ela, deixando-me completamente nua.
Eu sabia onde ele queria chegar. 
E ansiava como louca por aquele momento. 
Apoiei minha cabeça no travesseiro e permiti que seus braços contornassem a minha perna. Seu corpo projetou-se ainda mais para baixo e senti seus lábios aproximarem-se da minha intimidade delicadamente. Soltei um gemido e percebi que ele fitava os meus olhos enquanto me acariciava, usando a língua e também os dedos. Eu estava completamente entregue, e sabia que o clímax não demoraria muito a ser alcançado. 
Explodi pouco depois, apertando-o contra o meu corpo e balbuciando palavras incompreensíveis e desconexas. Puxei o ar com força, enquanto ele fazia o caminho de volta, encarando-me de forma travessa, completamente satisfeito. 
- Você me leva ao paraíso, Mike - consegui murmurar, com a respiração desnivelada.
Ele abriu um enorme sorriso, sabendo que aquilo era a mais pura verdade. Creio que ele tinha plena consciência dos efeitos que causava em uma mulher. 
Mesmo quando nem o conhecia direito, sabia que Michael era um homem perfeccionista. Suas músicas eram impecáveis. Seus clipes eram impecáveis. Suas turnês eram impecáveis. Ele era o melhor em tudo que fazia. 
Na cama não era diferente. 
Ele sabia exatamente o que fazer, como fazer e quando fazer. Onde tocar, como tocar e quando tocar. Eu me sentia uma completa inexperiente quando estava ao seu lado. Adorava as novas descobertas, as novas sensações. Sempre parecia ser a primeira vez.
Desviei os lábios para o seu pescoço e desabotoei sua calça, empurrando-a pra baixo, acompanhada pela boxer. Deslizei o meu corpo para cima do seu e me debrucei sobre ele, comprimindo meus seios em seu peitoral. Ele arqueou as costas e apertou-se mais contra mim, soltando um gemido abafado. Seu sexo estava em contato com minha intimidade, mas ele ainda não havia me penetrado. Quando percebi que ele estava tentando, me esquivei e sorri baixinho, disposta a provocá-lo.
- Vou lhe mostrar como é doce o sabor da vingança - murmurei, desviando minhas mãos para baixo e agarrando o seu membro.
Ele fechou os olhos e agarrou os meus cabelos suavemente, com um sorriso no rosto.
Aproximei-me e passei a língua por toda a sua extensão do seu sexo, masturbando-o devagar. Ele puxou o ar pelos dentes e guiou-me na intensidade dos movimentos, gemendo o meu nome baixinho.
Pouco depois, subi os beijos para a sua barriga e peitoral. 
- Você está me provocando - ele disse, com uma voz rouca e completamente excitante.
Eu sorri e fitei seus olhos.
- Estou? – perguntei, fingindo estar suspresa.
- Você sabe o que acontece quando sou provocado? - sussurrou ao meu ouvido.
Antes que eu pudesse responder, ele girou o meu corpo para frente, e em questão de milésimos de segundos, estávamos sentados na beira da cama. Ele abraçou-me por trás e acariciou os meios seios, segurando um em cada mão. Levantou uma das minhas pernas e penetrou-me rapidamente, arrancando um agudo e despreocupado grito da minha garganta.
Seus lábios percorriam o meu pescoço, enquanto nos movimentávamos freneticamente, para frente e para trás. Michael pressionava-me contra o seu corpo, entrando em mim com avidez e determinação. 
A insanidade mental estava a um passo de distância. Nossos corpos estavam molhados de suor. Nossa respiração estava descontrolada e descompassada. 
Estávamos dividindo um prazer mútuo. 
Movemos-nos ainda mais rapidamente e senti Michael explodir dentro de mim, arrastando-me para o clímax junto com ele. 
- Amo você - sussurrou pouco depois, ainda dentro de mim, afagando os meus cabelos.
Nossos corpos eram apenas um. Nossas almas também eram. E eu sabia que o amor que sentíamos um pelo outro era completamente verdadeiro.
Pertencíamos um ao outro. E isso, ninguém, nunca, poderia mudar.


Capítulo 31


Já era quase uma da tarde quando eu e o motorista de Michael pegamos a estrada de volta para Los Angeles. Almocei em Neverland; e confesso que senti muita vontade de permanecer lá pelo resto do dia. Mas eu tinha muitos problemas para resolver. Tommy Mottola era o maior deles.
Ao chegar em casa, Margareth disse que Gina já havia ligado e avisado o local do meu jantar com o Mottola. Seria naquele mesmo dia, às 18 horas, em um restaurante localizado no centro de Los Angeles.
Avisou-me também que Lisa ligara, procurando por mim. Abri a bolsa apressadamente e olhei o celular, que continha várias chamadas perdidas. Maldita mania de deixar essa porcaria no silencioso, praguejei, jogando-o em cima do sofá.
Decidi que não retornaria a ligação. Eu sabia que ouvir a voz de Lisa, completamente alheia aos últimos acontecimentos, não me faria nem um pouco bem. Mas se ela ligar de novo, terei de atender, disse para mim mesma. Ela pode estar precisando de mim.


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Em Neverland, Michael atendeu ao telefone com um vinco de preocupação na testa.
- Saudades de você, querido - Lisa disse, do outro lado da linha.
Ele engoliu em seco, sem saber o que dizer.
- Como... está... o Ben? - perguntou, evitando as costumeiras demonstrações de afeto.
- Melhor! Logo poderei voltar.
Sua expressão contraiu-se e relaxou-se.
- Isso é... ótimo... - respondeu.
- Michael, você tem visto a Sienna?
- A Sienna?
- Sim, a Sienna.
- Ela esteve aqui no rancho - Michael murmurou, esforçando-se para expulsar o nó que se formara em sua garganta.
- Não consigo falar com ela... - Hesitou. - Você está dizendo que a Sienna esteve em Neverland? - indagou, surpresa. - O que ela foi fazer ai?
- Ela veio... fazer uma... visita.
Lisa balançou a cabeça, sem entender.
- Uma visita. Então vocês se tornaram mesmo amigos. Inacreditável!
- Ela é uma ótima pessoa.
- Eu sei.
Um desagradável silêncio instalou-se entre os dois.
- O Danny acabou de chegar, Michael. Tenho que desligar - Lisa murmurou.
- Boa noite, Lisa.
Ela sorriu.
- Mike, eu te amo.
- Eu... também te adoro.
Após desligar, Lisa revirou-se na poltrona, com os olhos semicerrados. Havia algo diferente e muito estranho em Michael, percebeu prontamente.

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Passei a tarde inteira esperando um novo telefonema de lisa, mas a espera foi completamente vã. Ela deve estar muito ocupada cuidando do Ben, conclui por fim.
Sai de casa no início da noite e às 7 em ponto cheguei ao restaurante escolhido pelo Mottola. Vamos acabar de uma vez com essa curiosidade maldita.
Fui conduzida até a mesa onde ele esperava por mim.
O sorriso estampado em seu rosto deixou-me completamente surpresa e desconfiada.
- Boa noite, Sienna - disse assim que me aproximei, beijando o dorso da minha mão.
Sentei-me e cruzei as pernas.
- Creio que o seu tempo custa dinheiro, Mottola - murmurei. - Então, vamos direto ao assunto.
Ele sorriu.
- Faça o seu pedido, minha cara - aconselhou. - Não estou com pressa.
Peguei o menu e ergui as sobrancelhas, perguntando-me onde diabos aquele homem queria chegar.


Capítulo 32


Fiz o meu pedido e Mottola me acompanhou, fazendo o mesmo pedido que eu. Enquanto esperávamos, engatamos uma conversa; mas ele desviou o assunto por diversas vezes, evitando responder às minhas perguntas antecipadas.
Jantamos em completo silêncio, enquanto a curiosidade me privava até mesmo de sentir o gosto da comida. Esse cara não costuma tratar os seus desafetos com simpatia e jantares de cortesia, analisei, imaginando o verdadeiro motivo de estarmos ali, como se fôssemos amigos.
Após o jantar, comecei a encontrar as respostas.
- Sienna, imagino que você esteja se perguntando o motivo desse jantar - ele começou a dizer.
Balancei a cabeça afirmativamente e continuei o ouvindo.
- Quero propor um acordo com você. Sem advogados, sem processo... Algo que não manche a imagem de ninguém, no fim das contas.
Ergui as sobrancelhas e abri um pequeno sorriso. Era evidente que com aquela proposta de acordo ele estava visando economizar dinheiro.
- Sei que temos nossas diferenças... - continuou. - E você sabe que está longe de ser a artista que traz glórias e alegrias para a Sony.
- Eu levo dinheiro para a Sony - frisei. - Além dos refletores, é claro.
Ele me encarou.
- O que você fez no VMA... - Hesitou. - Sienna McCallister, você passou de todos os limites! Colocou a imagem da gravadora em risco, e o pior, nos deixou em maus lençóis com os organizadores do evento.
- Eu sei que errei - admiti. - E sinto muito por tudo isso.
Ele fitou meus olhos com ainda mais firmeza.
- Você sente muito? - Abriu um sorriso irônico e detestável. - Sinto em informá-la que o seu arrependimento não é suficiente.
- E o que você quer que eu faça? Para me redimir eu terei que me jogar do alto da Ponte do Broklin?!
- Você terá que crescer e parar de se portar como uma criança! - bradou, chamando a atenção de algumas pessoas das mesas vizinhas.
- Foi para isso que você me chamou aqui? - perguntei, levantando-me bruscamente. - Estou sem paciência para sermões.
Ele segurou em meu braço, obrigando-me a sentar novamente.
- Espere. - Após alguns segundos me fitando, murmurou: - Estou aqui para dizer que lhe daremos mais uma chance.
Ergui as sobrancelhas, completamente surpresa.
- O quê?
- Queremos que você permaneça conosco.
- Por quê? - perguntei, tentando entender.
- Porque temos planos para você.
- Eu não aceito - respondi, presumindo que haveria algo a mais por trás daquele súbito desejo em me ter na gravadora.
Ele me encarou.
- Por favor, pelo menos escute.
Respirei fundo.
- Está bem. Pode dizer.
Fomos interrompidos por uma mulher, que aproximou-se de nós acompanhada por uma linda garotinha.
- Desculpem interrompê-los, mas a Trish pediu que eu viesse até aqui para lhe pedir um autógrafo - ela disse, com um pequeno sorriso.
Eu sorri e peguei nas mãos da garotinha, que aparentava estar um pouco envergonhada.
- Trish, como você é linda! 
Ela esticou-me um caderninho e uma caneta.
- Obrigada. Eu adoro as suas músicas, Sienna - ela disse.
- Oh, fico muito feliz em saber - respondi, fazendo o autógrafo e a entregando.
- Muito obrigada - a mulher disse, sorrindo.
Quando as duas se distanciaram, Mottola descruzou os braços e voltou a me fitar, com um ar de impaciência.
- Bem... Como eu ia dizendo... Daremos para você uma segunda chance. Mas você terá que mudar de postura. Terá que amadurecer. Terá que deixar de ser um problema.
- Terei que deixar de ser eu mesma - conclui, revirando os olhos.
- Sim, de certa forma. Sienna, a sua imagem está completamente arranhada. Precisamos dar um jeito nisso. - Hesitou e continuou: - Proponho que você fique três meses longe da mídia. Nesse período, começaremos a produzir o seu novo disco, e preparar a sua volta. A sua volta! Terá que ser triunfal. Uma nova Sienna McCallister. Uma versão revisada e melhorada de você mesma.
Estalei os dedos na frente do seu rosto.
- Mottola, Planeta Terra chamando. - Dei uma gargalhada. - Isso nunca daria certo.
- Por que não?
- Porque eu nunca aceitaria me transformar em algo que não sou. Não quero ser um simples fantoche nas mãos da sua gravadora.
- Você seria a nossa fênix! Faríamos você renascer das cinzas!
Revirei os olhos.
- Suponhamos que eu aceite. Como eu faria pra ficar longe da mídia?
- Você ficaria em uma clínica...
- Uma clínica de reabilitação?! - perguntei, arregalando os olhos.
- Sienna, não seria tão ruim... essas clínicas mais se assemelham a um spa. São confortáveis, são aconchegantes...
- São para viciados! - interrompi.
- E o que você pensa que é?! - indagou, me fuzilando com os olhos.
- Vá se danar! - murmurei, levantando-me apressadamente. – Vá para o inferno, você e a sua proposta absurda.
Ele ignorou minhas palavras pouco cordiais.
- Darei alguns dias para você pensar - murmurou.
- Eu não preciso pensar. A minha resposta é NÂO! - bradei, saindo em direção a porta.


Capítulo 33


Levantei-me apressadamente e me distanciei da mesa, caminhando até a porta, enquanto a voz do Mottola, cada vez mais distante, ordenava que eu voltasse. Eu tentava, completamente atordoada, absorver as palavras que ele me disse à mesa. Você seria a nossa fênix! Faríamos você renascer das cinzas ... Senti a ráiva me atingir em cheio. Minha carreira passava por um momento turbulento, mas não acabara, não virara pó. Como aquele casa poderia dizer que me faria renascer das cinzas? Não , eu não estou acabada, afirmei para mim mesma. E provarei isso, saindo da porcaria da Sony e assinando um contrato com outra gravadora.
Ao sair do restaurante, encontrei David, que esperava por mim no estacionamento primativo. Entrei no carro e pedi que ele me levasse de volta pra casa. Sentei no banco traseiro e coloquei o cinto de segurança, enquanto ele dava à partida.  Minutos depois, meu celular tocou.
- Alô... – eu disse ao atender o aparelho.
Uma voz suave e melodiosa murmurou:
- *My life will never be the same… Cause girl you came and change, the way I walk, the way I talk… I can not explain. The things I feel for you, but girl, you know it's true. Stay with me, fulfill my dreams. And I'll be all you'll need…
Meu coração acelerou-se.
- Michael… é tão linda! – Arqueei as sobrancelhas: - Mas esta eu ainda não conhecia.
Ele sorriu.
- Acabei de compor. Fiz pensando em você.
Senti minhas bochechas ruborizarem.
- Own, Mike... é completamente perfeita. Tenho certeza de que se resolver gravá-la fará um enorme sucesso.
- Pensarei nisso – murmurou.
Abri um pequeno sorriso.
- Estou morrendo de saudades – admiti. – Parece que não nos vemos há meses.
- Podemos resolver isso – sugeriu rapidamente. – Venha para Neverland.
Dei um longo suspiro.
- Não posso. Está muito tarde para pegar a estrada e estou exausta. Tô voltando pra casa, o jantar com o Mottola foi uma merda. Aquele cara me dá nos nervos!!!
- Afinal, o que ele queria?
- Me internar em uma clínica de reabilitação – disparei. – Em troca, eu poderia permanecer na Sony e produzir um novo disco. Michael, você tem um advogado para me indicar? Sei que você só trabalha com os melhores – frisei. – Precisarei de um que seja extremamente competente, para cuidar dos meus novos interesses.
- Novos interesses? – perguntou, interessado.
- Sim. Eu quero sair da Sony e assinar um novo contrato.
Michael pensou por um breve instante.
- Há o Branca. Ele trabalha para mim há anos... e é muito bom no que faz.
Ótimo!
- Pode convidá-lo para um jantar em meu nome?
- Claro que sim.
- E você pode estar presente nesse jantar? – perguntei, suplicante. – Para nos apresentar um ao outro.
Ele sorriu afetuosamente.
- Claro que sim, meu amor. Falarei com ele agora mesmo, e se ele estiver disponível, marcamos o jantar para amanhã.
- Maravilha.
- Posso escolher o restaurante?
- Hum... fique à vontade, sr Jackson.
Após alguns segundos de silêncio do outro lado da linha, Michael murmurou, relutante:
- Meu bem, eu adoraria ficar horas conversando com você, mas o dever me chama. Teddy Riley acaba de chegar aqui.
- Ah, eu tinha outros planos para nós dois – afirmei, fazendo biquinho. – Sexo pelo telefone. È uma experiência muito excitante, que eu adoraria provar. – Sorri. – Mas tudo bem... vamos deixar para uma próxima vez. A produção do seu novo disco tem que ser impecável, sei que isso exige um trabalho duro. Boa noite, amo você.
 - Pensando bem... posso mandar o Teddy voltar depois... – murmurou sorrindo, completamente interessado.
- Até breve, Michael. Nem pense em dispensar o Teddy, teremos tempo suficiente depois.
- Tudo bem – disse, contendo o riso. – Boa noite, meu anjo, tenha lindos sonhos.
- Bom trabalho. Mal vejo a hora de estar nos seus braços novamente... – E desliguei.
Revirei-me no banco, com um enorme sorriso no rosto. Levantei a cabeça e abri a janela do carro, para observar melhor as luzes da cidade. Só então percebi que já havíamos entrado no  condomínio e David manobrava o carro em direção ao portão de casa. A rua estava sienciosa e vazia.
Quando o portão se abriu, ouvi um ligeiro farfalhar de folhas em uma das árvores próximas ao muro. Pedi que David parasse o carro e desci, guiada por um instinto infalível.
- Que diabos é isso? – perguntei, indo em direção à arvore.
Mirei o olhar em um dos galhos e percebi que lá estava um maldito cara segurando uma câmera fotográfica, equilibrando-se com cuidado.
- Desça já daí! – ordenei, furiosa.
Houve uma ligeira hesitação, mas quando ameacei chamar os seguranças, ele obedeceu, cauteloso.
- O que você quer?! – bradei firmemente. – Esta é a minha casa, tenho o direito a ter um pouco de paz e privacidade!
- Srta. McCallister, não é nada pessoal, acredite. É apenas o meu trabalho – tentou explicar. – É assim que ganho a vida.
Fui para cima dele e tomei a câmera de suas mãos.
- È assim que você ganha a vida? – perguntei com ironia. Joguei a câmera no chão e pisei em cima da lente com o salto da sandália. Poucos minutos depois, ela era apenas um amontoado de plástico e vidro, dividido em dezenas de pedacinhos.
- Você ficou maluca?! – indagou perplexo, com os olhos arregalados.
- Cara, é melhor você se sentir feliz e muito agradecido – murmurei com firmeza. – Porque da próxima vez, eu juro que farei você engolir pedaço por pedaço. Agora saia daqui!
Com raiva nos olhos, ele distanciou-se, praguejando.
Ao reaproximar-me de David, ele perguntou:
- Algum problema, srta. McCallister?
- Precisamos mandar podar essas árvores – eu disse, entrando no carro novamente. – Elas estão altas demais. Ah, e me lembre de pedir ao Hanks para reforçar a segurança deste lado da propriedade – pedi. – Precisamos impor limites a esse bando de delinquentes.

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Trecho da música You Rock My World: Minha vida nunca será a mesma... Porque você, garota, veio e mudou a forma que ando, a forma que falo... Eu não consigo explicar. Essas coisas que sinto por você, você sabe que são verdadeiras. Fique comigo, realize meus sonhos... E eu serei tudo que você precisa...
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Capítulo 34


No dia seguinte, Margareth avisou-me que Susan ligara e avisara que John Branca havia aceitado o meu convite para jantar. Preciso convencê-lo a pegar o meu caso, afirmei para mim mesma, sabendo que provavelmente Branca não demonstraria o mínimo interesse em representar judicialmente a maior garota-problema da indústria fonográfica.


Pontualmente às 7 da noite, cheguei ao restaurante escolhido por Michael. Era um lugar de aparência simples e aconchegante, situado na zona oeste da cidade. Assim que entrei, um jovem rapaz conduziu-me a uma das mesas ao fundo, em um espaço reservado, onde Michael e Branca esperavam por mim.  Quando me aproximei, os dois se levantaram.
- Boa noite, Michael – cumprimentei, dando-lhe um beijo no rosto. – Prazer, Branca – murmurei, esticando o braço para um aperto de mãos.
Michael puxou uma cadeira para que eu me sentasse; ao lado dele, defronte para o advogado.
Primeiro jantamos, em meio a assuntos leves e descontraídos. A comida era de ótima qualidade, mas Michael deu apenas algumas garfadas e largou-a para lá. Ao contrário da sobremesa, que ele devorou em menos de cinco minutos, comprovando mais uma vez a sua preferência desenfrada por açúcar. Quantos anos ele  tem? – perguntei para mim mesma, querendo sorrir. – 37 ou apenas 7?
Quando terminamos, Branca começou a falar:
- Srta. McCallister... diga-me: em que posso lhe ser últil?
- Eu preciso de um bom advogado, e o Michael me indicou você – respondi. – Eu... eu tenho planos de sair da Sony e assinar contrato com outra gravadora.
Ele franziu o cenho.
- E os seus advogados? Eles não podem cuidar disso?
- Eles não são os melhores – disparei. – E já que você está cuidando da saída do Michael da gravadora, poderia cuidar da minha também.
Michael interrompeu:
- São situações diferentes, Sienna – Michael disse. – São por motivos completamente distintos...
- Eu sei. Mas isso não importa. O que interessa é que você quer sair e eu também quero.
Michael sorriu.
- Essa mulher é pesuasiva o suficiente para convencê-lo do que quiser, Branca – murmurou. – Dê logo a sua resposta.
- Eu não vejo problema algum em lhe representar, srta. McCallister – Branca disse. – Aceito pegar o caso.
- Isso é maravilhoso! – vibrei, feliz por ter sido mais fácil do que eu esperava.
Nos minutos seguintes, discutimos por auto o assunto.
Tédio. Essa é a palavra que melhor define o que alguém sente quando um advogado se empolga em uma conversa. Branca começou a apresentar sua estratégia e falar sobre as leis que poderiam nos prejudicar ou beneficiar.
Eu estava quase caindo de sono quando percebi que poderia encontrar uma diversão.
- ... e o Mottola não poderia sequer recorrer. Dessa forma, você poderia sair da Sony sem ser multada por quebra de contrato... – Branca dizia.
Fixei meu olhos nele e fingi estar prestando o máximo de atenção possível. Enquanto isso, estiquei um dos braços por baixo da mesa e tateei as coxas de Michael delicadamente.
Michael olhou para mim, e notei uma enorme expressão de incredulidade atravessar o seu rosto. Mas ele não me censurou, então suspeitei que ele não queria que eu parasse.
Deslizei meus dedos para o zíper e o abri com cuidado. Empurrei minha mão para dentro da sua boxer e percebi que seu membro já estava ereto, respondendo ao meu toque.
- ... isso poderia ser bom para os dois lados... – Branca continuava a dizer.
Discretamente, fitei os olhos de Michael. Seus lábios estavam retraídos em um pequeno sorriso. Era muito excitante saber que ninguém ali além de nós sabia o que estava acontecendo. Envolvi meus dedos em seu sexo e comecei a masturbá-lo devagar.
Ele mordeu o lábio inferior, e continuou olhando para mim, suplicando em silêncio que eu continuasse.
- O que você acha, Michael? – Branca perguntou, tomando um gole do vinho esquecido na sua taça.
Os olhos de Michael desviaram-se para Branca rapidamente e senti uma enorme vontade de sorrir.
- O que você acha, hein, Michael? – reforcei com firmeza e ironia, sem cessar os movimentos por baixo da mesa.
- Eu... eu acho uma delícia – respondeu.
Branca uniu as sobrancelhas, sem nada entender.
- Michael, eu pergunto se você quer que a carreira da Sienna acabe... e você diz que seria uma delícia?
Segurei o riso mais uma vez.
- Eu... eu não disse que seria uma delícia – defendeu-se, fingindo indgnação. – Caro Branca, acho que você não está prestando atenção – acusou. – Eu disse que seria uma péssima... notícia!
Branca balançou a cabeça.
 - Claro que estou prestando atenção! E ouvi muito bem o que você disse. Você também escutou, srta. McCallister? – perguntou, virando-se para mim.
Arregalei os olhos.
- Eu?! Eu acho que você realmente se enganou, Branca. – Retirei a mão da boxer de Michael e levantei o zíper. – Cavalheiros, eu... eu preciso retocar a maquiagem – murmurei, levantando-me.  – Volto em um instante.
Distanciei-me da mesa e fui em direção ao banheiro, esperançosa de que Michael desse uma desculpa qualquer para Branca e viesse a minha procura. Fiquei parada no lobby, entre o banheiro feminino e masculino. Constatei que, pela falta de movimento, aquele deveria ser o restaurante mais pacato de Los Angeles.
Poucos minutos depois, senti alguém se aproximar e me abraçar por trás.
- Por que você me provoca dessa forma? – Michael perguntou, beijando meus lábios com urgência.
- Porque adoro vê-lo excitado dessa maneira – respondi, sorrindo.
Ele segurou minhas mãos e, sem interromper o beijo, guiou nossos corpos em direção a primeira porta aberta que encontramos pela frente. Olhei em volta e notei que estávamos dentro do banheiro masculino.
- Alguém pode nos pegar... e amanhã estará estampado... em todos os jornais... que... – Fui perdendo a voz à medida que seus lábios contornavam o meu pescoço. 
- Eu adoro correr riscos – murmurou, segurando minha cintura e prensando meu corpo entre o seu e a porta já fechada. – Sou um bad boy, esqueceu-se?
Suas mãos deslizaram pelo meu quadril e ele levantou o meu vestido, enquanto mordiscava o lóbulo da minha orelha.
Minha respiração já estava completamente falha e meu coração pulsava apressadamente, em uma mistura de reações que apenas Michael conseguia causar em mim.
Os dedos dele encontraram a barra lateral da minha calcinha e ele puxou-a para baixo. Abri o zíper da sua calça e deslizei os dedos pelo seu membro delicadamente.
- *The way you make me feel, you really turn me on sussurrou baixinho ao meu ouvido, roçando seu sexo lentamente em minha entrada.
Fechei os olhos e o puxei mais pra perto, levantando uma das pernas e enlaçando-a em seu quadril.
E então, Michael me penetrou, encaixando-se em mim de forma lenta e gradual, arrancando um agudo grito da minha garganta.
- Shiiiii... baixinho, baixinho...  - murmurou sem cessar os movimentos, tentando evitar que alguém nos escutasse.
Segurei seus braços com força.
- Michael... – sussurrei em seu ouvido, enquanto ele aumentava a intensidade das investidas.
Gememos alto durante a maior parte do tempo, sem conseguir manter o controle que deveríamos. Se alguém escutou, para nossa sorte, não ousou bater na porta para perguntar o que estava acontecendo. Chegamos ao clímax juntos, completamente molhados de suor. Depois, nos recompomos e voltamos para a mesa, com a maior normalidade do mundo. Branca nos esperava impaciente, mas apesar da nossa demora e dos cabelos um pouco desgrenhados, não quis perguntar onde estávamos ou o que estávamos fazendo.
Conversamos por mais alguns minutos e discutimos alguns detalhes do processo.
Na hora de ir embora, Michael me convidou para dormir em Neverland.
Aceitei o convite prontamente.

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Trecho da música The Way You Make Me Feel: A forma que você me faz sentir, você me excita pra valer.

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Capítulo 35


Durante os sete dias seguintes, permaneci... hospedada em Neverland, sem pisar em Los Angeles nem mesmo para ver as luzes da cidade.
Michael demonstrou-se uma ótima companhia; com quem adorei dividir todas as manhãs, tardes, noites e madrugadas. Era mágico estar ao seu lado, partilhando da sua vida, conhecendo-o cada vez mais de perto. A cada dia eu recebia demostrações de quão incrível aquele homem poderia ser. Como no fim de semana, quando ele recebeu no rancho a visita de inúmeras crianças vindas do Children Hospital of Los Angeles. Participei da guerra coletiva de bexigas d’agua e me diverti à beça no pequeno show de ilusionismo, honrrada por Michael ter me proporcionado aquela fantástica experiência. Quando as crianças foram embora, deixaram uma enorme lição de vida e perceverança, com a qual Michael já estava adptado, mas para mim foi completamente nova. Prometi para mim mesma que iria rever todos os meus conceitos de carinho e generosidade. Michael e as crianças possuiam uma sitonia completamente inexplicável. Ao lado delas, ele parecia voltar na linha do tempo, brincando despreocupadamente, como se possuíssem a mesma idade.
Assim, em meio a muita diversão, a semana passou rapidamente, fazendo-me esquecer que em breve Lisa voltaria e me arrastaria para a vida real.
Na minha última tarde hospedada em Neverland, Michael recebeu um telefonema, onde ela avisava que voltaria em quatro dias.
Eu não estava preparada para a reação dela quando soubesse de tudo. Sabia que ela me odiaria para sempre e alegaria que a nossa amizade nunca fora verdadeira.
A verdade é que sempre amei Lisa como uma irmã. Sempre estive presente em sua vida, sempre a respeitei e sempre nutri por ela sentimentos verdadeiros. Mas o destido prega peças. Apaixonei-me pelo seu marido e fui incapaz de vencer a vontade de tê-lo ao meu lado. Traí a minha melhor amiga da forma mais suja e torpe que poderia.
E o pior é que eu não conseguia me arrepender. Todas as vezes que Michael me enlaçava em seus braços, eu tinha plena certeza de que faria tudo novamente. Por mil vezes, se fosse necessário.
Imersa nesses pensamentos, olhei pela janela do quarto e vi David parar o carro diante da fachada da casa residencial, esperando por mim.
- O David acabou de chegar – eu disse, voltando para perto da cama e envolvendo Michael em um apertado abraço. – Está na minha hora de ir.
Ele me fitou e fez um biquinho.
- Mas... já?
Eu sorri.
- Preciso voltar para o mundo real. Aquele, onde os adultos trabalham – brinquei.
Michael me deu um delicado beijo.
- Eu adorei ter você aqui.
Dei um suspiro.
- Poderei voltar mais vezes, quando resolvermos a nossa situação de clandestinidade.
Ele abriu um reluzente sorriso.
- Estou gostando de viver um amor clandestino – disse. – Mas será maravilhoso quando não tivermos mais que esconder o que sentimos um pelo outro.
Quando puxei minha bolsa da mesa de cabeceira, não percebi que o zíper estava aberto, fazendo com que todo conteúdo caísse e se esparramasse pelo chão.
- Droga! – praguejei, abaixando-me para recolher o celular, meia dúzia de papéis, maquiagem...
Michael também se abaixou e começou a me ajudar.
- Acho que o David terá que esperar mais alguns minutos – murmurou, rindo. Depois, ao recolher uma cartelinha de comprimidos, balançou-a em minha direção: - O que é isso?
Peguei a cartela de suas mãos e a enfiei na bolsa novamente.
- Você não reconhece? – perguntei, surpresa. – São 21 comprimidos... não parece familiar? – Levantei-me.
- São anticoncepcionais? – indagou, levantando-se também.
- São. – Percebi algo estranho em sua expressão. – Algum... problema?
- Não. – Um tom de decepção escapou na sua voz. – É que... eu não sabia que você os usava.
Franzi o cenho.
- Michael... se eu não os usasse, muito provavelmente, teríamos um pequeno Jackson a caminho.
Ergueu as sobrancelhas.
- E qual seria o problema?
Senti o ar fugir dos meus pulmões. Estávamos entrando em um território não desbravado da nossa relação.
- O problema... é que filhos precisam ser planejados... E obviamente não temos a mínima condição de pensar nisso agora.
- Filhos são presentes de Deus – murmurou. – Ele é quem decide a hora de mandá-los.
- O quê?! – perguntei, surpresa. – Essa linda filosofia nunca funcionaria na prática. Em que século você vive?
- Tenho o direito de ter minhas próprias convicções, não tenho?
- Não acredito que estamos discutindo isso, Michael – afirmei, aturdida.
- Sienna, eu simplesmente não concordo com o seu ponto de vista.
Fixei meus olhos no dele, perplexa. Não estava o reconhecendo. Por um instante, percebi um toque de arrogância em sua expressão. Puxei o ar e tomei coragem para fazer uma pergunta que minutos antes poderia parecer absurda, mas naquele momento, para mim, fazia completo sentido.
- Responda-me com o máximo de sinceridade, Michael; O que você quer de mim: uma mulher para estar ao seu lado, ou apenas uma barriga para gerar os seus filhos?!
Ele me fitou, sem nada dizer. Não sei se o silêncio foi ocasionado pelo choque que a pergunta causara... ou se ele se calara para que sua resposta não me fizesse sofrer.
- Ótimo – murmurei, sentindo meus olhos marejarem.
Saí do quarto, e o deixei lá, parado, fitando firmemente o vazio, sem pronunciar uma única palavra. Desci os degraus da escada apressadamente, esperançosa de que sua voz ecoasse pelo corredor, me chamando de volta.
Silêncio.
Silêncio.
E silêncio.
Desta vez, ele não me pediria para ficar.


Capítulo 36

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Na biblioteca de Neverland, Michael andava de um lado para o outro, relembrando as palavras ditas por Sienna. Como ela teve coragem de perguntar-lhe tamanho absurdo?! Céus, ele a amava! Como ela poderia duvidar? E nem ele mesmo entendeu o motivo por ter ficado calado, sem nada dizer a ela. Indignação, talvez. Choque. Surpresa.
O pior é que aos olhos de muitas pessoas... quem cala concente.
Ele precisava desfazer aquele mal entendido o mais rápido possível.
Correu para o escritório, pegou o telefone e digitou o número do celular de Sienna, mas ela não atendia. Tentou o telefone residencial. Nenhuma resposta.
Aflito, subiu para o quarto, abriu a primeira gaveta do armário de roupas e retirou de dentro dela um  enorme sobretudo preto, um falso bigode, uma peruca de cabelos ondulados e um chapéu. Desceu a escada apressadamente e olhou o relógio, que marcava 11:30 da noite.
Susan estava em um dos corredores.
- Por favor, Susan, avise ao Roger que estamos indo para Los Angeles – ordenou, vestindo o sobretudo às pressas.


Menos de uma hora e meia depois, Michael e o motorista encontravam-se dentro do carro, ao lado de  uma suntuosa propriedade. Não foi difícil entrar no condomínio, afinal de contas, um pedido de Michael Jackson dificilmente não seria acatado.
- Acho que a Sienna já está dormindo – ele disse, apontando para a mansão.
- O sr. quer que eu chame? – perguntou Roger.
Michael lembrou-se das inúmeras chamadas não atendidas.
- Não! – censurou, temendo a possibilidade de Sienna não querer recebê-lo.
- Ficaremos aqui? – indagou, desligando o motor do carro.
Michael abriu a porta e desceu.
- Preciso dar um jeito para entrar.
Roger também desceu do carro e postou-se ao seu lado. Os dois observaram o enorme muro que circundava a propriedade.
- Você pode voltar, Roger – Michael disse, indo em direção a uma das árvores próximas ao muro.
- Sr. Jackson... isso parece muito... muito perigoso – presumiu, vendo o patrão completamente disfarçado, esticando-se para escalar o primeiro galho.
- É sério, pode voltar, eu vou ficar bem – afirmou, equilibrando-se com cuidado..
- O senhor pode cair  e se machucar... – murmurou, arregalando os olhos.
Michael sorriu.
- Cara, é apenas uma árvore! Esqueceu-se de que temos centenas delas em Neverland?!
Roger sentou-se na calçada.
- Sr. Jackson, eu vou ficar aqui. O sr. pode precisar de ajuda e o Bruce não veio conosco... Não é prudente deixá-lo aqui sozinho... Esqueceu-se de que é o Rei do Pop? – perguntou, com olhos inquisitores.
- Agora, sou apenas um homem apaixonado tentando consertar um erro – disparou com firmeza. – Pode ir, eu vou ficar bem.
Após alguns segundos de resistência, Roger voltou para o carro e deu a partida, obedecendo, relutante, a ordem que recebera.

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Era tarde da noite quando levantei-me da cama em um pulo, acordada bruscamente pelo ensurdecedor barulho do alarme de segurança. O que está acontecendo aqui?!, perguntei para mim mesma, completamente assustada, vestindo o robe depressa.
Ao sair do quarto e atravessar o corredor, encontrei Margareth, com os olhos injetados de sono, visivelmente preocupada.
- Minha menina, o que houve? – perguntou.
Afaguei suas mãos.
- Não sei ainda. Mas é melhor você volltar para o quarto – aconselhei.
Desci as escadas apressadamente, e vi Hanks, o chefe de segurança, aproximar-se de mim.
- Srta. McCallister, pegamos um homem tentando invadir a casa – explicou.
Arregalei os olhos, atônita.
- Algum paparazzi?
- Talvez. Ladrões não costumam ser tão imprudentes. O pegamos tentando escalar uma das árvores próximas ao muro. Mas não estava com nenhuma câmera... e é um sujeito muito estranho. Pelos trajes, parece ter descendência espanhola.
Será que algum paparazzi teve a audácia de voltar aqui?!
- Hanks, leve-o para o escritório – ordenei.
Hanks olhou para mim e balançou a cabeça afirmativamente, retirando-se poucos segundos depois.
Segui para o escritório e os aguardei; andando de um lado para o outro e dizendo para mim mesma que precisava fazer algo para que aquilo nunca mais se repetisse.
Após alguns minutos de espera, Hanks abriu a porta e entrou, trazendo consigo um homem alto e magro, vestido de preto dos pés á cabeça.
- Aqui está, srta McCallister – Hanks disse, segurando-o firmemente pelo braço.
Semicerrei os olhos e aproximei-me dos dois, analisando o homem misterioso mais de perto. Estranhamente, havia nele algo extremamente familiar. Mas não pude ver claramente os seus traços, pois o rosto estava escondido sob as enormes abas do chapéu.
- O que você veio fazer aqui?! – perguntei, aproximando-me com cautela. Segurei a aba do chapéu e o levantei rapidamente, revelando algo completamente inesperado. Quando os olhos do tal homem encontraram os meus, fiquei paralisada pelo choque.
- Er... mas... quê? – balbuciei, completamente atordoada.
- Precisamos chamar a polícia – disse Hanks.
- Não! – apressei-me em dizer. – Não... não será necessário.
Hanks olhou para mim.
- Não?! Ele pode ser perigoso... E...
- Eu posso resolver isso, Hanks – interrompi. – Por favor, apenas solte-o e... retire-se.
- Srta. McCallister é completamente imprudente... – murmurou, em tom de reprovação.
- Solte-o, reúna todos os seus homens e explique que tudo não passou de um mal entendido. Ah, e acalme a Margareth, ela está muito preocupada.
Hanks olhou para Michael e o soltou devagar, relutante. O encarou com o olhar mais intimidador que já vi em alguém, avisando por meio da linguagem corporal que ele iria se arrepender se fizesse aquilo novamente. Depois foi em direção à porta e saiu, sem nada entender.
Quando Hanks fechou a porta atrás de si, eu e Michael caímos na gargalhada.
- Pensei que ele iria bater em mim – Michael, disse. – Nunca vi um olhar tão ameaçador.
Aproximei-me dele e tentei ficar séria. Aquela havia sido uma brincadeira de péssimo gosto. O que dera em Michael para entrar na minha casa daquela forma, quando simplesmente poderia ter pedido para ser anunciado?! 
- Acho que você me deve algumas explicações, Michael – afirmei firmemente. – O que deu em você?!  Queria desfrutar de um pouco de adrenalina? Poderia ter sido preso!
Ele tirou o falso bigode e a peruca e segurou minhas mãos.
- Eu... eu precisava muito vê-la. Você não atendeu a nenhuma das minhas ligações, então...
- Oh, eu não vi. – Arqueei as sobrancelhas, e continuei séria, esforçando-me para disfarçar a enorme alegria que senti em vê-lo ali.
Ele me fitou.
- Eu... eu precisava dizer o quanto lhe amo, e o quanto você é importante para mim. Fui completamente intolerante hoje à tarde. Mas é que...
Abri um sorriso aliviado e pressionei os dedos contra os seus lábios suavemente.
- Tudo bem. Eu é que não deveria ter dito o que disse. Também o amo muito, Michael. Não poderia sequer pensar em perdê-lo.
Ele sorriu e me abraçou calorosamente. Era muito, muito bom estar novamente em seus braços. Qual mulher seria capaz de continuar magoada após isso tudo?
- Você sabia que invasão de propriedade é um sério ato criminoso? – perguntei, formando novos planos para nós dois.
- É? – perguntou, deslizando seus lábios sob os meus.
- Claro que é. E não permitirei que você saia daqui impune.
- Não? – perguntou, mordendo o lóbulo da minha orelha.
- Não.
- E qual será a minha sentença?
Respirei fundo.
- Vou fazer com você tudo o que eu quiser. – Sorri. - E você nem poderá reclamar.
Tive tempo apenas de vê-lo sorrir sufocar-me com um intenso beijo.


Capítulo 37


Suas mãos percorreram minhas costas, envolvendo-me em um apertado e aconchegante abraço. Retraí meus lábios em um pequeno sorriso, desfrutando aquela inexplicável sensação que ele costumava me causar. Perto dele eu me sentia tão... protegida! Como se o calor do seu corpo fizesse surgir um inabalável escudo, capaz de manter distante todos os meus medos e preocupações. Deslizei minhas maõs para dentro do seu sobretudo e levantei sua camisa suavemente, acariciando seu abdômem com a ponta das unhas. Seus lábios desceram até o meu pescoço, alternando beijos e delicadas mordidas, causando em mim arrepios que percorriam o corpo inteiro.
Céus, como era bom estar ao seu lado novamente! Como era bom poder tocá-lo, bejá-lo, sentir o seu cheiro, o seu sabor. Emaranhei meus dedos em seus cabelos e o puxei para mais perto de mim, recusando-me a permitir qualquer espaço entre nós dois. Senti sua ereção roçar contra o meu ventre, enquanto suas mãos passeavam pela minha cintura, tentando encontrar o laço do babydoll. Dei um gemido abafado e separei nossos lábios, encarando-o de forma travessa.
- Vamos lá pra cima – sussurrei ao seu ouvido.
Ele me fitou e entrelaçou nossas mãos, fazendo um biquinho de reprovação. O caminho até o quarto parecia ser longo e interminável, distante demais para que pudéssmos suportar. Mas lá não correríamos o risco de sermos pegos por Magareth ou Hanks, em uma de suas vigílias noturnas.
Abri um sorriso e segurei a gola da sua camisa, guiando-o pelo corredor, pela escada, até chegarmos ao quarto. Entramos e encostamos a porta.
- Seja bem vindo – murmurei, lembrando-me de que Michael nunca havia pisado no meu quarto antes.
Ele olhou em volta e retraiu os lábios em um pequeno sorriso, observando tudo em volta. Não havia nenhum urso de pelúcia, nenhuma boneca, nenhum poster de filme infantil... Enfim, nada que lembra-se Neverland. A decoração da minha casa e do seu rancho não tinham quase nada em comum.
- Precisamos mandar trazer alguns objetos de Neverland para cá – brinquei. – Assim você não se sentirá como um estranho por aqui. Que tal uma réplica do Mickey em tamanho real? Ficaria muito bem ali, do lado esquerdo da parede.
Ele gargalhou, aproximando-se de mim.
- Eu adorei o seu quarto – disse, e parecia estar sendo sincero.
- Sério?
- Sério. – Beijou suavemente meus lábios. - E a cama parece ser bem confortável.
- Parece? – perguntei, retribuindo o beijo. – Precisamos ter certeza – sugeri.
Michael enlaçou suas mãos no meu corpo e beijou-me novamente, com urgência dessa vez. Aproximei-me da cama e me joguei sobre ela, arrastando-o comigo. Soltei um gemido abafado e arranhei suas costas, arrancando seu sobretudo e levantando sua camisa, deixando seu tronco à mostra.
Michael rolou seu corpo para cima do meu, equilibrando-se com cuidado para que eu não sentisse o seu peso, e tirou a parte de cima do meu babydoll, acariciando meus seios com as mãos. Em questão de segundos, todas as peças de roupa estavam espalhadas pelo tapete, e nós, completamente nus sobre a cama. Michael beijou meu pescoço, fazendo-me gemer e suspirar em seu ouvido, e desceu seus lábios até minha barriga, fitando com firmeza meus olhos.
Abriu minhas pernas cuidadosamente e inclinou-se, ficando em frente à minha intimidade. Revirei os olhos e mordi o lábio inferior ao senti-lo me tocar com a língua, enquanto me masturbava com os dedos. Gemi alto, entregando-me completamente, sentindo-o aumentar a velocidade dos movimentos, levando-me ao primeiro êxtase. Puxei-o pelo nunca, relaxando levemente e lhe dando um longo beijo.
Ainda com os lábios nos seus, me pus em cima dele. Eu havia dito que faria com ele tudo o que quisesse, mas na verdade, era ele quem estava fazendo tudo que queria comigo. Eu precisava retribuir tanta dedicação em me dar prazer. Desviei minhas mãos para o seu membro e o acariciei devagar, sem a mínima cerimônia. Michael relaxou a cabeça para trás, fechando os olhos e gemendo baixinho, ao sentir meus lábios envolvendo seu sexo delicadamente, fazendo movimentos ritmados.
Sim, eu adorava tê-lo completamente entregue a mim. Cada suspiro que ele dava, excitava-me ainda mais. Fui de encontro aos seus lábios novamente, e ele inverteu nossas posições, colocando-se em cima de mim mais uma vez. Deslizou suas mãos para as minhas coxas e abriu minhas pernas, encaixando-se entre elas. Ao sentir seu membro dentro de mim, fechei os olhos, gemendo alto. Destribuí beijos em seus lábios, sua nuca, seu peitoral, fazendo-o suspirar e gemer junto a mim.
O clímax nos atingiu sem demora, avassalador como sempre. Nos contorcemos sobre a cama, e o escutei sussurrar baixinho em meu ouvido: - garota, eu amo você.


Minutos depois, quando finalmente conseguimos nivelar a respiração, olhei dentro dos seus olhos, forcei um pequeno sorriso e murmurei:
- Michael.... acho que... que você seria um ótimo... pai.
Respirei fundo, com medo de entrar naquele assunto novamente, mas era necessário. Eu sabia da enorme vontade que Michael tinha de ser pai. Talvez esse fosse o seu maior sonho. Me senti muito culpada pelas palavras que havia dito à tarde, em Neverland.
Ele acariciou minha face e deslizou seus lábios sobre os meus.
- E você uma ótima mãe – disparou. - Mas voce estava certa. Não podemos pensar nisso agora.
Fechei os olhos e encostei a cabeça em seu ombro, entrelaçando nossas mãos por baixo do lençol. Senti meus olhos marejarem.
- Mas... poderíamos pensar daqui a algum tempo, quando tudo já estiver resolvido. Nunca pensei em ser mãe, nem sei se tenho a competência necessária para isso, mas...
Michael me deu um delicado beijo e colocou os dedos sobre os meus lábios, impedindo-me de continuar. Ele não queria me pressionar a nada.
- Está tudo bem, meu amor. Está tudo bem.


Na manhã seguinte, abri os olhos devagar, ao sentir os dedos de Michael deslizarem suavemente pelos meus cabelos. Minha cabeça estava cuidadosamente aninhada em seus braços, e ele me fitava, com os lábios retraídos em um pequeno sorriso.
- Bom dia, meu amor – murmurou, dando um suave beijo em meus lábios. – Veja só, acho que o dia está lindo lá fora.
Da cama, podíamos ouvir os pássaros cantando no jardim, e os finos raios de sol atravessando a persiana da janela. O dia poderia estar lindo lá fora, mas eu preferia ficar o dia inteiro no quarto, desde que Michael estivesse me fazendo companhia.
Espreguicei-me e lhe dei outro beijo, desfrutando a maravilhosa sensação de acordar os seu lado.
- Adoro dormir com você – eu disse, sorrindo. – Poderia ficar dias sem ao menos levantar da cama.
Ele sorriu e desviou os lábios para o meu pescoço, beijando-o devagar.
- Acho que nós poderíamos...
De repente, Michael foi interrompido por algo completamente inesperado.
- Não precisa, Margareth, eu mesma posso acordá-la!!! – uma voz extremamente familiar pronunciou do lado de fora da porta.
Eu e Michael olhamos um para o outro, completamente atordoados, sem saber o que fazer.
- É a voz... a voz da Lisa?! – murmurei baixinho, com a voz embargada pela surpresa.
- Parece que... sim – Michael respondeu.
A chegada de Lisa estava prevista para os dias seguintes, e nem imaginávamos o que ela estava fazendo ali, a poucos metros de nós, prestes a descobrir da pior forma possível o que estava acontecendo.
Nos entreolhamos e não dizemos mais nada.
Não havia mais o que fazer.


Capítulo 38

- Ela está de péssimo humor! – Margareth disse rapidamente. – Pediu para não ser incomodada.
- O que é isso, Margareth?! – Lisa perguntou, sentindo-se ofendida. – Saia da frente dessa porta e me deixe passar!
Levantei-me da cama rapidamente e comecei a me vestir, enquanto Margareth tantava impedi-la de entrar no quarto. Corri de um lado para o outro, completamente desnorteada, recolhendo todas as peças que estavam espalhadas pelo chão.
- Vá para o banheiro, Michael! – eu disse, enquanto ele se vestia rapidamente, tão confuso quanto eu.
- Isso é rídiculo! – ele murmurou, calçando os sapatos. – Podemos acabar com isso tudo aqui e agora.
- Você ficou maluco?! – esbravejei, tentando controlar o tom de voz. – Não pode ser desse jeito!
Quando ele ia retrucar, vimos a maçaneta da porta girar. Em uma atitude completamente automática, o empurrei para trás da cortina e me virei, com um sorriso amarelo no rosto.
- Bom dia! – murmurei, com a voz trêmula e desregulada, quando vi Lisa entrar no quarto com as sobrancelhas arqueadas.
- Que cara é essa, mulher? – indagou, sorrindo. – Parece até que não gostou de me ver.
Engoli em seco.
- Gostei... claro que gostei. Mas... estou um pouco suspresa. Por que você não disse que chegaria hoje? Eu poderia ter mandado o David pegá-la no aeroporto.
- Eu decidi de última hora – explicou tranquilamente, colocando a bolsa em cima da minha mesa de cabeceira.
Margareth estava no batente da porta, com o olhar preocupado e inquieto, aproximei-me dela, e sussurei ao seu ouvido:
- Como você sabia que ele dormiu aqui?
- Vi quando vocês dois passaram pelo corredor, ontem à noite. Onde... onde ele está? – perguntou arregalando os olhos.
- Não posso explicar agora. Encontre uma forma de tirar a Lisa daqui, e depressa – supliquei.
Lisa postou-se ao nosso lado, visivelmente desconfiada.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou firmemente. – Primeiro a Margareth não queria me deixar entrar... e agora vocês ficam de segredinhos pelos cantos...
Pigarreei forte e tentei abrir um sorriso.
- Não há nada acontecendo – expliquei. – Eu só não estava esperando uma visita sua, ainda mais tão cedo.
Ele me fitou com olhos inquisidores.
- Já sei! Você pensa que me engana?
Arregalei os olhos, sentindo o coração pulsar rapidamente.
- Sabe... sabe do quê?
- Você voltou a beber! – respondeu com firmeza.
Senti um enorme alívio tomar conta de mim.
- Beber?! – Estava prestes a dizer que não, mas os olhos de Margareth me censuraram. – Caramba, você é muito... perceptiva – afirmei, tentando soar convincente. – Mas foram apenas alguns goles, ontem à noite... – Revirei os olhos. -  Pode começar a falar, sei que você vai me encher o saco agora que sabe.
Ele relaxou a expressão e se jogou na minha cama.
- Não irei lhe dar sermão algum, Sienna. – Levou as mãos à cabeça. - Hoje eu até lhe ajudaria a secar uma garrafa de uísque. Estou precisando acalmar os ânimos.
Fechei os olhos e pedi aos céus que Lisa não sentisse o perfume de Michael no meu travesseiro.
- O que aconteceu? – indaguei, vendo Margareth se retirar.
- Segui do aeroporto direto para Neverland – ela disse. – Depois de passar a madrugada inteira dentro de um avião, eu estava exausta e morrendo de saudades do meu marido. Mas ao chegar lá... Não encontrei o Michael. – Cerrou os punhos. – A cama não havia sequer sido desfeita, o que quer dizer que ele não dormiu em casa – murmurou, franzindo a testa. – E quando fui perguntar para a Susie onde ele estava, ela quase se engasgou com o golé de café.
Engoli em seco, sentindo-me péssima com aquela situação.
- Talvez ele tenha dormido em algum...
- Ele dormiu com alguma vagabunda por aí! – bradou, esforçando-se para manter a voz nivelada. –  Não sou nenhuma idiota!  Você precisava ver a forma que ele me tratou pelo telefone. Tão frio... tão distante – Hesitou. - E eu, completamente preocupada, achando que ele estava estranho comigo por ciúmes do Danny.
Alguma vagabunda por aí, repeti em silêncio, sentindo-me completamente tentada a resolver aquela situação de uma vez.
- Lisa, não tire conclusões precipitadas. Vocês dois precisam conversar, só assim ele poderá lhe dizer se há algo acontecendo.
Ela suspirou.
- Quer saber?! Eu nem sei se quero explicações. Eu... eu estou cansada! Cansada de ter que dividí-lo com aquelas crianças idiotas o tempo inteiro. Cansada de ter que fingir que suas atitudes ridículas são completamente normais. – Sentou-se e me fitou. - Nesses dias que passei em Nova York, longe dessa loucura toda, lembrei-me do quanto eu era diferente antes de me casar com ele. Eu o amo... mas abri mão de muitas coisas para estar ao seu lado.
Fechei os olhos, sem saber o que fazer. Eu não sabia que Lisa se sentia daquela maneira. Levei às mãos à cabeça ao notar que suas palavras não haviam sido nenhum pouco condolescentes. Crianças idiotas, repeti para mim mesma, em reprovação. Pude imaginar Michael semicerrar os olhos atrás da cortina, completamente magoado e surpreso com o que ela dissera.
- Lisa... você está enganada. Como tem coragem de dizer tamanho absurdo? Aquelas crianças são... – Lembrei-me rapidamente da tarde que passei em Neverland, ao lado delas, e do quanto me senti bem – fantásticas! Elas são tudo para o Michael. - Sentei-me ao seu lado. - E o jeito dele é completamente encantador. Pensei que você também achasse isso.
- Eu achei – respondeu depressa. – Se não achasse, não teria me casado. Mas... eu me cansei. E diante dessa situação, tudo ficou muito claro para mim. Ele tem outra! Ele é um mentiroso, um articulador maldito. Como eu pude me enganar tanto?! Se ele fosse tão correto como se diz, jamais teria feito isso comigo.
Balancei a cabeça, atônita.
- As coisas não são assim.
Ela semicerrou os olhos.
- Se as minhas suspeitas estiverem certas, ele irá se arrepender, Sienna. Eu poderia suportar tudo, menos ser traída. Jamais suportaria ser humilhada dessa maneira.
Margareth surgiu na porta novamente, e aproximou-se de nós.
- Venha experimentar um pouco de doce de pêssego – ela disse, puxando Lisa pelo braço. – Sei que é o seu predileto, e está uma delícia! Depois vocês conversam, terão tempo suficiente mais tarde.
Lisa sorriu diante da proposta, sem nem desconfiar dos verdadeiros motivos que tinhamos para tirá-la do quarto.
- Acabamos nossa conversa quando você descer – Lisa murmurou, acompanhando Margareth. Senti uma onda de alívio istantânea tomar conta do meu corpo.
Quando ela desceu as escadas, Michael saiu de trás da cortina, com uma expressão triste e fria.
- Ela está nervosa, não sabe o que diz – murmurei, abraçando-o.
Ele deslizou os dedos pelo meu rosto.
- Eu irei voltar para Neverland, e quando ela chegar lá, resolveremos isso de uma vez. Como permaneci tanto tempo vivendo uma mentira? A Lisa nunca foi feliz ao meu lado. Ela nunca me aceitou da forma que realmente sou, agora pude ver.
Respirei fundo.
- Ela está magoada, Michael. Nós dois sabemos que ela não é má pessoa; só é um pouco inclinada a dizer asneiras quando está nervosa. – Fitei seus olhos. – Ela realmente o ama, tenho certeza disso. Por isso essa situação é tão complicada. A Lisa irá sofrer. Sei que irá.
- Não podemos fazer nada quanto a isso – ele afirmou.
- Vou pedir para o David levá-lo até o rancho. Irei manter a Lisa aqui por mais algum tempo... Afinal, talvez esta seja a nossa última manhã juntas – murmurei, com uma pontada de tristeza na voz.
Ele me deu um suave beijo nos labios e segurou minhas mãos.
- Prometo para você que antes do anoitecer, tudo já estará esclarecido.
Meus olhos marejaram antes que eu pudesse evitar. Eu me sentia completamente feliz, mas desesperadamente entristecida.
Um verdadeiro amor ou uma grande amizade.
Eu já havia feito a minha escolha, e não pretendia voltar atrás.


Capítulo 39


Assim que Michael foi embora, desci e segui para a cozinha, onde Lisa estava sentada à mesa, se entupindo de doce de pêssego. Margareth estava dando algumas ordens aos outros empregados, tentando manter tudo em ordem e perfeito andamento. Sentei-me ao seu lado, esforçando-me para disfarçar a melancolia que começava a se aproximar.
- Por que você está tão triste? – ela perguntou, limpando a boca com um guardanapo. – Ainda está assim por conta do Emmet  e do VMA?
Suspirei ao ouvir suas palavras, completamente desconfortável. Eu nem me lembrava mais do Emmet, e a confusão no VMA já havia sido esquecida pela mídia, não importava mais. Ver Lisa daquela forma, tão alheia aos verdadeiros motivos da minha angústia, fazia eu me sentir ainda mais culpada.
- Não é nada. – Levantei os olhos e fitei seu rosto. Lembrei-me da época em que tudo costumava ser simples e descomplicado. Tentei sorrir: - Vamos até o meu quarto, quero que você veja algo.
Ela levantou-se e me acompanhou, provavelmente muito curiosa. Ao chegarmos no quarto, peguei uma enorme caixa no armário de roupas, e jogei sobre a cama.
- O que é isso? – ela perguntou, arregalando os olhos.
- Nossas recordações da adolescência – eu disse, tirando a tampa. Senti uma enorme vontade de mostrar para ela o quanto as mínimas coisas que fizemos juntas significaram para mim.
Ela remexeu todo o conteúdo da caixa e me fitou, incrédula.
- Caramba! Eu não sabia que você tinha guardado tudo isso – murmurou, a voz carregada de espanto.
O conteúdo da caixa consistia em um monte de tralhas velhas e fora de moda, que tiveram grande importância para nós um dia.
- Você guarda isso há o quê, 9, 11 anos? – indagou, recolhendo a fantasia que uma de nós havia vestido no último baile de Halloween do colégio. – Lembra-se de como nos divertimos nesse dia? Os garotos desesperados para dançar conosco, e tirar algum proveito disso.
Soltei uma gargalhada, divertindo-me com a lembrança.
- Claro que me lembro! E me lembro de como você terminou a noite; com a maquiagem toda borrada de tanto chorar, porque o cara que você tava querendo dar uns amassos foi embora sem nem se despedir.
Ela também sorriu, se jogando na cama.
- Dei um enorme ataque de nervos.
Pegou um albúm de fotos e começou a folhear.
A primeira foto mostrava nós duas, despreocupadas e sorridentes, fazendo pose diante do espelho.
- Sempre fomos muito unidas – murmurei, segurando suas mãos.
- Sempre – repetiu, com um sorriso no rosto.
Respirei fundo, o coração dilacerado pela dor.
- Quero apenas que você saiba... que sempre a amei.
Ela me fitou, os olhos molhados com lágrimas repentinas.
- Por que isso agora? Perece até uma despedida.
Fechei os olhos, a abracei e balancei a cabeça. Pedindo a Deus que não fosse.


**********************************************************

Passava das 2 da tarde quando Lisa chegou em Neverland. Michael estava no quarto, olhando pela janela, com uma expressão distante e difícil de interpretar. Ela colocou a bolsa sobre a cama e pigarreou, chamando sua atenção.
- A Susie disse que você saiu daqui muito nervosa, hoje cedo – ele murmurou, aproximando-se dela.
Ela enrugou a testa, visivelmente irritada.
- E eu não tinha motivos para isso? Chego de viagem e descubro que o meu marido não havia sequer dormido em casa – frisou, com a voz desregulada. - Posso perguntar onde você estava?
Ele respirou fundo.
- Isso não importa.
Lisa balançou a cabeça afirmativamente, batendo descontroladamente o salto da sandália no assoalha de madeira.
- Não importa? –Forçou um sorriso. - É assim que você me trata agora?
- Lisa, precisamos ter uma séria conversa. Há algo que preciso lhe dizer, e isto não pode mais ser adiado. Por favor, sente-se e vamos conversar como duas pessoas adultas – murmurou, impaciente.
- Não preciso me sentar. Eu estou bem aqui – recusou.
Michael puxou o ar com dificuldade. Não sabia por onde começar.
- Lisa, percebo que o nosso casamento foi um enorme erro. – Balançou a cabeça negativamente: -Nunca fomos verdadeiramente felizes. Eu pensei que havia sido capaz de transformá-la em uma pessoa melhor e menos mesquinha. Uma pessoa que não se  importa apenas consigo mesma. – Hesitou. – Mas eu me enganei completamente.
Ela abriu um sorriso forçado.
– Não está satisfeito? Peça o divórcio! – murmurou, em tom de brincadeira. Sabia que Michael não faria aquilo.
Michael respirou fundo.
 - É isso mesmo que pretendo fazer. – Olhou firmemente para ela. - Eu quero o divórcio.
Seu corpo foi tomado pela fúria, pela surpresa, por um turbilhão de sensações que nunca sentira antes. Engoliu em seco. Ele não poderia estar falando sério.
- O quê? – perguntou, tentando comprovar a insanidade das palavras de Michael. Se alguém ali tinha motivos para pedir o divórcio, esse alguém era ela.
- O divórcio – repetiu. – Eu me envolvi com outra pessoa. Nós estamos completamente apaixonados e pretendemos ficar juntos.
Após alguns segundos de silêncio, absorvendo aquela frase, Lisa bradou firmemente:
-  Então eu estava certa, você tem mesmo uma amante! Desde quando?! Quem é a vagabunda?!
- Lisa...
- Quem é?! Responda!
- Eu e a Sienna...
- Não meta a Sienna nessa história, seu ordinário! – bradou, transtornada. – A Sienna...!– calou-se de repente, atônita, entendendo o que ele pretendia dizer. As últimas horas em Los Angeles, o quanto Sienna estava estranha, a aproximação repentina dos dois enquanto ela estava viajando... Tudo começou a fazer sentido. – Você e a... Sienna?! – perguntou, sentindo o chão se abrir aos seus pés.
- Sim – Michael respondeu, fitando-a firmemente.
- Traidores malditos! – gritou, indo para cima de Michael e desferindo golpes frenéticos em seu peito. – Desgraçados! Como vocês tiveram coragem de...???
- Por favor, me escute...
- Escutar?! Já escutei o suficiente! Vocês dois me fizeram de idiota essa tempo inteiro! Se divertiram às minhas custas, não foi?! E aquela desgraçada ainda se dizia minha... amiga – Cerrou os punhos, transtornada - Vadia ordinária!
- Nada foi planejado, Lisa. Não tivemos culpa alguma de...
- De se enroscarem enquanto eu estava longe?! De terem me enganado?! De terem me traído de uma forma tão... suja?!
Ele segurou seus pulsos e obrigou-a a se controlar.
- Se acalme, Lisa! Vamos conversar como duas pessoas civilizadas!
Ela puxou seus braços com força, fitando firmemente seus olhos.
- Quem é você para falar em civilidade?! Eu nunca mais quero olhar para a sua cara! Você é um sínico mentiroso, um manipulador ordinário! Acabou, Michael! O nosso casamento... – Respirou fundo -  e o respeito que eu tinha por você. Eu quero que vocês dois morram! Só assim vocês conseguirão ficar juntos: se encontrando no inferno.
Lisa saiu do quarto tentando conter as lágrimas; completamente desnorteada, pedindo a Deus que aquilo fosse apenas um pesadelo. Não poderia suportar uma traição como aquela. Trôpega, com lágrimas nos olhos e vazia pro dentro; afirmou para si mesma que aquilo não ficaria assim.


Capítulo 40


Quando o toque estridente do telefone inundou o quarto, eu estava de cabeça baixa, tamborilando freneticamente os dedos sobre a mesa de cabeceira, esperando ansiosa por alguma notícia. Atendi a chamada rapidamente, sentindo meu estômago se contorcer em nós, ciente de que Michael já deveria ter contado tudo para Lisa.
- Alô? – murmurei, cheia de nervosismo e expectativa.
- Sienna, a Lisa acabou de sair daqui – Michael disse, e sua voz soou tão nervosa quanto a minha.
Apertei os olhos com força, esforçando-me a acreditar que aquele momento, pelo qual eu tanto temi e ansiei, finalmente havia chegado.
- Qual foi a reação dela? – perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
Ele respirou fundo.
- A pior possível - afirmou, pesaroso. - Saiu daqui completamente descontrolada... Tenho medo de que faça alguma besteira.
- Como você deixou ela sair?! – perguntei arregalando os olhos, verdadeiramente preocupada.
- Você queria que eu a prendesse em Neverland? – murmurou, a voz carregada de descrença.
Balancei a cabeça, tentando reordenar os pensamentos.
- Você tem razão... Mas Michael, eu... eu preciso vê-la. Preciso conversar com ela...
Ele me interrompeu.
- Não creio que isso seja o mais correto. Precisamos esperar até que ela se acalme, e... esteja pronta para uma conversa. Acredite, neste momento, ela não iria lhe escutar.
- Eu... eu preciso tentar. Você faz alguma ideia de onde ela pode ter ido?
Michael pensou por alguns segundos, e por fim disse:
- Talvez tenha voltado para casa. – Hesitou. – Você vai mesmo procurá-la? Sienna, você a trata como se fosse uma criança indefesa! E todo esse desespero... Você está agindo como se... tivéssemos cometido um assassinato. Eu e a Lisa iremos nos divorciar. Não somos os primeiros, e não seremos os últimos. Nosso casamento já não ia nada bem, seria inevitável. Se eu e você nos envolvemos... não foi planejado, não tivemos culpa. Então, por favor, pare de se culpar o tempo inteiro. Deixe a Lisa encontrar um novo caminho, e não tente interferir nisso. Vamos começar um novo capítulo da nossa vida. Não acha que merecemos um pouco de tranquilidade? Ela irá ficar bem.
Escutei as palavras de Michael, em silêncio, enquanto minha razão afirmava veementemente que ele estava certo. A vida teria que continuar. Lisa era uma mulher forte, que não se deixaria abalar. Mas minha emoção... dizia o contrário. Eu precisava vê-la, tentar explicar o que acontecera, amenizar de alguma forma as consequências que aquela descoberta poderia trazer. Estava quase me esquecendo de que, naquele contexto, eu seria a última pessoa capaz de ajudar a amenizar alguma coisa.
Respirei fundo e, relutante, constatei que deveria seguir o conselho de Michael. Uma interferência da minha parte serviria apenas para piorar a situação. Talvez Lisa realmente precisasse de algum tempo sozinha, para digerir aquela história inteira. Ela não me receberia, não me escutaria e não acreditaria em nada do que eu dissesse.
- Você está coberto de razão, Mike – murmurei, tentando encontrar conforto nas palavras dele. – Eu preciso tanto de você. Dos seus beijos. Dos seus abraços. Dos seus carinhos...  – desabafei abrindo um tímido sorriso. - Vou tomar um banho e... seguirei para Neverland. O que você acha?
- Acho uma ótima ideia. - Ele sorriu. - Estarei esperando por você, meu amor.
Desliguei o telefone e passei as mãos pelo rosto, esforçando-me para mandar toda aquela melancolia para longe. Quando me envolvi com Michael, eu me dispus a arcar com todas as conscequências dos meus atos, eu disse levantando-me da cama.
Afirmei para mim mesma que apesar de tudo, faria o possível para me manter feliz, visando o lado positivo da situação. Eu e Michael já não éramos mais amantes.
Èramos namorados. E me sinto como uma adolescente, murmurei, indo em direção ao banheiro.


Após o banho, já conseguia me sentir melhor, na medida do possível. Tentei me animar, encher minha cabeça com bons pensamentos, e esquecer um pouco da confusão que se instalara em minha vida. Desci às escadas apressadamente, disposta a seguir para Neverland e encontrar carinho e conforto nos braços do homem que despertou aquela paixão tão forte e avassaladora em mim.
Quando passei pela sala de estar, Margareth aproximou-se de mim rapidamente, prevendo que algo muito desagradável estava prestes a acontecer.
- A Lisa acabou de chegar aqui – murmurou, formando um vinco na testa. – Os seguranças a deixaram passar... pois não havia nenhuma ordem de que a impedissem. Fizeram mal?
Engoli em seco, afirmando em pensamento que aquilo não era uma coisa ruim. Eu mesma estava, poucos minutos antes, disposta a procurá-la. Mais dia menos dia teríamos de resolver aquele impasse frente à frente.
Em uma conversa de mulher para mulher.



Capítulo 41


Antes que eu pudesse abrir a boca para dizer algo, vi Lisa empurrar a porta com força, e postar-se diante de nós, com os olhos faiscando de raiva, em uma expressão que eu nunca havia visto em seu rosto antes.
Respirei fundo e tentei manter a voz nivelada:
- Por favor Margareth, nos deixe a sós.
Margareth olhou para mim e balançou a cabeça afirmativamente, acatando o meu pedido. Eu a conhecia o suficiente para saber que ela preferia ficar ali e evitar que a situação saísse de controle. Mas aquela conversa pertencia a apenas eu e Lisa. A traída e a... traidora, pensei comigo mesma, sentindo a culpa se aproximar novamente.
Quando Margareth se retirou, permaneci por alguns segundos tentando decifrar a expressão de Lisa. Ela estava parada diante de mim, com um olhar duro e impenetrável, os lábios franzidos, e parecia pedir em silêncio que eu dissesse que aquela história não passara de um louco mal entendido. 
Também fiquei em completo silêncio, enquanto a encarava dolorosamente, esperando que o chão se abrisse sob os meus pés e me arrancasse daquele momento tão difícil de lidar.
- Lisa... – comecei a dizer, na tentativa de quebrar aquele estranho silêncio.
Seus olhos se endureceram ainda mais e ela balançou a cabeça, como se estivesse se libertando de um transe profundo.
- Cala a boca! – bradou, cerrando os punhos. – Cala a boca! 
Aproximou-se de mim, e colocou o dedo indicador diante do meu rosto.
- Você é uma vagabunda ordinária! Uma cadela traidora! Uma mentirosa desgraçada! – bradou, me fuzilando com os olhos.
Passei as mãos pelas têmporas, que já anunciavam uma leve dor de cabeça, e apertei os olhos com força, pedindo a Deus que Lisa não se estendesse por muito tempo.
Puxei o ar com dificuldade.
O que eu poderia falar? De certa forma, aqueles adjetivos que ela dissera descreviam perfeitamente a atitude que eu e Michael tomamos. Eu deveria me sentir ofendida? Minha consciência não permitia. Eu sabia que havia errado com ela, e que não poderia exigir respeito de Lisa. Poderia exigir de qualquer outro. Menos dela.
Então, o que eu poderia fazer? 
Decidi que não revidaria suas ofensas, pois eu sabia reconhecer um erro. Mas não tinha a mínima obrigação de escutar aquilo debaixo do meu teto, com ela apontando o dedo para mim e desferindo uma infinidade de acusações, como se eu fosse Maria Madalena.
Eu poderia chamar os seguranças e ordenar que eles a arrancassem da minha frente e nunca mais permitissem que ela entrasse na minha casa novamente. Poderia dizer para ela que o seu casamento com Michael não fora baseado em principios básicos e fundamentais; e que na verdade ela nunca o aceitara da forma que ele realmente era. Poderia mandá-la calar a boca e deixar de ser hipócrita, afinal de contas, ela já havia traído o Danny infinitas vezes enquanto os dois eram casados. Mas engoli em seco e preferi evitar uma confusão ainda maior.
- Vá embora, Lisa – murmurei, com a expressão fechada e séria. Eu sabia que nossas feridas nunca iriam se cicatrizar e que a nossa amizade acabara no instante em que me envolvi com Michael. – Por favor, vá embora.
Ela continuou me fitando firmemente, sem se abalar com o meu pedido.
- Me responda, Sienna. Como você teve a coragem de fazer isso?! – indagou, aumentando descontroladamente o tom de voz. – Eu confiei em você!
Balancei a cabeça negativamente, ciente de que não poderia explicar como tudo acontecera. O fato de que eu e Michael nos apaixonamos seria para ela um mero detalhe, e não explicaria nem justificaria nada.
- Vá embora, Lisa – repeti firmemente.
- Já pensou como será quando essa merda estiver estampada em todos os jornais?! – murmurou, soltando uma risada nervosa. – O casal de pombinhos já sabe como lidará com isso?!
Senti meu estômago se contorcer e o ar fugir dos meus pulmões. Se Lisa jogasse aquela história na imprensa, viveríamos dias infernais. 
Balancei a cabeça negativamente, incrédula.
- Você não faria isso, Lisa. Não iria expor essa situação desta maneira – eu disse, mantendo a firmeza na voz.
- O que eu tenho a perder? – ela perguntou, revirando os olhos, fazendo aquela frase soar com um estranho toque de tranquilidade. Para ela, aquela seria a vingança perfeita. Eu e Michael seríamos os vilões e ela a mocinha daquela conturbada história de amor. Aquilo não fazia o perfil de Lisa, e eu sabia que ela detestava ser vista como a vítima ingênua de algo, mas uma mulher que foi enganada certamente se agarraria com unhas e dentes na única forma de sair por cima da situação. 
- Não faça isso – pedi, suplicante. - Não é dessa forma que resolvemos as coisas. Você está sendo completamente infantil!
- Eu resolvo as coisas do meu jeito. – Hesitou e acrescentou: - Você sabe disso.
- Esse assunto não diz respeito apenas a você – murmurei. – Por favor, deixe a imprensa longe disso, Lisa.
Ela abriu um sorriso forçado, arqueou as sobrancelhas e saiu tranquilamente pela porta, sem dar a mínima importância para o meu pedido.




Capítulo 42


Não pude impedir Lisa de ir embora, e não consegui remover aquela ideia absurda da sua mente. Eu simplesmente não possuía argumentos para fazê-la mudar de planos. Saber que ela pretendia jogar aquele assunto na impressa deixou-me completamente preocupada e com uma insistente sensação de impotência, pois não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso. Segui para Neverland apressadamente; precisava contar para Michael o que acabara de acontecer. Precisava olhar em seus olhos, sentir o toque suave das suas mãos, ouvir sua suave voz me dizer que tudo ficaria bem. Eu estava me tornando dependente dele da mesma forma que alguém precisa de ar para viver. A verdade é que eu nunca consegui lidar muito bem com os meus problemas. E Michael me transmitia uma inexplicável sensação de tranquilidade. Poderia suportar tudo, contanto que ele estivesse ao meu lado.
Ao chegar ao rancho, corri para a biblioteca, onde Susan disse que ele estava esperando por mim. Enquanto seguia pelo corredor, fui repassando na mente todas as coisas que eu precisava lhe dizer. Mas quando cheguei à porta, perdi completamente o linha de raciocínio, e não consegui enxergar nada além dos seus olhos e do seu encantador sorriso. Ele estava sentado em uma das poltronas, olhando em minha direção, com uma inacreditável expressão de tranquilidade no rosto. Era incrível, mas a perfeição dos seus traços ainda me surpreendia. Fiquei completamente sem ar, esforçando-me para ordenar que minhas pernas bambas dessem um passo à frente.
- Você demorou! – ele murmurou, levantando-se e vindo em minha direção. Enlaçou as mãos em minha cintura e acariciou minha face delicadamente. – Acho que acabamos de encerrar uma etapa das nossas vidas. – Sorriu novamente. – Não precisamos mais esconder nada de ninguém.
Puxei o ar e também abri um sorriso, tentando reordenar os pensamentos.
- Nem acredito que esse dia finalmente chegou.
Ele deslizou delicadamente seus lábios sobre os meus, afagando suavemente meus cabelos com uma das mãos.
- Eu amo você – afirmou, fitando firmemente meus olhos. – Você é a razão do meu viver.
Senti minhas pernas fraquejarem novamente ao absorver aquela frase. 
- Eu também o amo, Mike. 
Ele beijou-me suavemente e sussurrou ao meu ouvido:
- *Y cuando no estas... No hay felicidad. Mi vida no es vida.
Seus lábios desceram para o meu pescoço, enquanto suas mãos moviam-se pelo meu quadril. Eu sabia para onde aquilo iria nos levar. Sorri e me afastei, puxando-o pela mão.
- Michael, precisamos aprender a nos controlar – eu disse, soltando uma gargalhada. 
Ela ruborizou a face, encantadoramente envergonhado, e também sorriu.
- É que não consigo sequer pensar em autocontrole quando você está por perto – murmurou, fazendo um biquinho provocador. – Mas você está certa. Temos uma infinidade de coisas para fazer aqui em Neverland. Vamos até o parque de diversões?
Assenti com a cabeça, ainda sorrindo.
- Vamos!


Minutos depois, estávamos no parque de diversões, nos entretendo como se fôssemos crianças, em um clima tão tranquilo e sereno, que preferi não falar nada sobre a visita inesperada de Lisa. Michael conseguiu me convencer a subir na montanha russa, e eu, que sempre fui completamente adversa a esse tipo de adrenalina, mudei completamente meus conceitos sobre brinquedos radicais. Eles são, e muito!, divertidos. Michael segurou minha mão o tempo inteiro, sorrindo da minha cara de espanto todas as vezes que eu olhava para baixo e tentava calcular a quantos metros estávamos do chão. 
Depois, demos algumas voltas na roda gigante e, por fim, no carrossel; o brinquedo mais encantador de todos. Nos beijamos enquanto os cavalinhos rodopiavam devagar, escutando a música que ecoava pela ar, em um delicioso clima de romance.
No fim da tarde, demos uma rápida passada pelo zoológico para ver o Bubbles, o macaquinho que parecia ser um membro da família Jackson. Ele era muito inteligente e vestia roupas de criança, o que o tornava diferente de todos os animais que já vi na vida. A conexão entre ele e Michael era enorme, e eles conseguiam se entender tão bem que eu não conseguia deixar de me surpreender.

Após o anoitecer, eu e Michael voltamos para a casa residencial do rancho, onde, surpreendentemente, não havia ninguém além de nós. Susan, seguranças, arrumadeiras, cozinheiras... Nenhum deles estava lá. Um ponto de interrogação se formou em minha expressão, e quando abri a boca para pedir alguma explicação, Michael segurou minha mão e me conduziu até a sala de jantar, com um sorriso sapeca e satisfeito nos lábios . 
Quase caí para trás ao ver a mesa posta de uma forma impecavelmente elegante, iluminada a luz de velas, e inúmeros buquês de tulipas vermelhas espalhadas por todos os lados, tornando a decoração magnífica.
Arregalei os olhos, completamente admirada, sem saber o que dizer. Olhei para Michael, e percebi que ele me fitava firmemente, ainda sorrindo.
- E então, o que acha? – perguntou, curvando-se diante de mim, em forma de reverência.
- Oh, Michael, é tudo tão... lindo– murmurei, com os olhos marejados, sem conseguir acreditar que aquilo tudo era para mim. Como ele conseguia ser tão... incrivelmente perfeito?
Ele puxou a cadeira para que eu me sentasse, e depois se acomodou diante de mim.
- Quero que esta seja uma noite inesquecível – murmurou, preenchendo nossas taças com vinho branco. 
Abri um pequeno sorriso e constatei que todos os momentos passados ao seu lado, eram, sem dúvida alguma, impossíveis de esquecer.


Capítulo 43


A atmosfera ao nosso redor era tranquila e completamente romântica. Michael sentou-se diante de mim e um sorriso satisfeito formou-se no canto dos seus lábios. Tínhamos Neverland apenas para nós dois e a expressão em seu rosto me fez desconfiar que aquele jantar, preparado com tanto zelo e capricho, era apenas a primeira etapa de uma noite repleta de mimos direcionados a mim.
Enquanto jantávamos, sob o encantamento da luz fraca e tremeluzente das velas, conversamos e fizemos planos para o futuro.
O nosso futuro.
O futuro que teríamos um ao lado do outro.
Discutimos sobre os lugares que poderíamos conhecer, infinitas coisas que queríamos fazer e, à certa altura, Michael falou sobre um pequeno Jackson correndo pelo gramado do jardim, nos contemplando com a maior benção que Deus poderia nos dar. Estremeci de leve ao perceber que ele estava mesmo falando sério. Isso significava nos casarmos e constituirmos uma família, e, por mais que isso fosse maravilhoso e excitante, a simples ideia me causava borboletas no estômago.
Em breve nosso relacionamento estaria estampado em todos os jornais. Lisa apontaria o dedo para nós e nos acusaria de tê-la traído... E as pessoas tirariam suas próprias conclusões. Eu não sabia se estava preparada para enfrentar os efeitos colaterais que aquilo poderia nos trazer. Acariciei o rosto de Michael e soltei um longo suspiro.
- Você sabe o quanto o amo, não sabe? – perguntei, olhando em seus olhos. – Mas temos que dar uma passo de cada vez. Precisamos nos lembrar de que somos Michael Jackson e Sienna McCallister, e que esse pequeno detalhe pode transformar algo simples em algo extremamente complicado. – Respirei fundo e tentei afastar a sensação ruim que começava a se aproximar. – A Lisa esteve na minha casa hoje à tarde. Ela disse que irá informar à imprensa os últimos acontecimentos.
Michael balançou a cabeça afirmativamente, não tão surpreso quanto pensei que ficaria, e repousou suas mãos sobre as minhas.
- Desde o início nós sabíamos que isso poderia acontecer. – Abriu um tranquilo sorriso. – Sienna, eu a amo. Se esse for o preço a pagar... Enfrentaremos de cabeça erguida.
Olhei no fundo dos seus olhos e, diante da sua confiança, me senti uma tola pessimista. Afastei todos os maus pensamentos e aproximei meu rosto ao seu, convidando-o para um beijo. Seus lábios tomaram os meus com delicadeza e nossas línguas dançaram na mesma sintonia, compartilhando o sabor adocicado do vinho que ainda estávamos bebendo. 
- Quero que você veja algo – ele disse quando nossos lábios se separaram, deslizando um dos dedos pelo meu queixo. 
Antes que eu pudesse perguntar o quê, ele já estava me puxando pela mão, guiando-me apressadamente em direção à escada que dava acesso ao segundo andar. Continuamos subindo, e, quando chegamos ao terraço, Michael colocou as mãos sobre os meus olhos e pediu que eu desse alguns passos à frente.
- Um, dois... – murmurou sorrindo baixinho e tirou as mãos para que eu pudesse observar.
Fiquei paralisada diante da beleza que se estendia diante de nós. Do alto, podíamos observar toda a extensão do rancho; o lago, as árvores, as áreas montanhosas, o parque de diversões com suas luzes vibrantes e, para coroar o momento, uma imponente lua cheia em um céu repleto de estrelas cintilantes. Era absolutamente fascinante. Um pedaço do paraíso perdido no planeta Terra.
- Uau! – murmurei, com os olhos arregalados de descrença. – Isso é... – Balancei a cabeça para os dois lados, perguntando para mim mesma se aquilo era mesmo real.
Michael entrelaçou seus dedos nos meus.
- Eu sabia que você ficaria assim – afirmou, rindo. – Gosto de vir aqui para olhar o céu, escrever músicas, ou simplesmente me desligar um pouco do mundo. 
- É incrível! – balbuciei, olhando em volta. – Completamente fantástico.
Michael deslizou os dedos pelo meu queixo e levou os meus lábios até os seus, enquanto a brisa nos acolhia em um aconchegante abraço. Uma de duas mãos rodeou a minha cintura e me puxou para mais perto do seu corpo, fazendo-me soltar um suspiro arrastado. 
- Quero amar você aqui – ele murmurou, dando uma leve mordida na minha nuca. Olhou dentro dos meus olhos: – Tendo a lua e as estrelas como testemunha.
Eu abri um pequeno sorriso e analisei a irrecusável proposta.
- Sou sua, Michael – murmurei, iniciando uma seqüência de beijos pelo seu pescoço. – Faça de mim o que quiser – sussurrei ao seu ouvido.
Ele sorriu e mordeu o lábio inferior, encarando-me com uma mistura de amor, ternura, malícia e determinação.


Capítulo 44


Os lábios de Michael procuraram os meus novamente, enquanto suas mãos se moviam delicadamente pelo meu quadril, levantando devagar o tecido da blusa que eu estava vestida; até passá-la pelos meus ombros e deixá-la pousar sobre o chão, revelando meus seios com os mamilos enrijecidos, denunciando os efeitos que o seu toque causara em mim. Michael afastou-se por um breve instante e me observou sutilmente, mordendo o lábio e abrindo um sedutor e indecifrável sorriso. Suas bochechas ruborizaram-se, tingindo de vermelho a pele clara e delicada, fazendo-me rir baixinho. 

Ele era mesmo completo. 
Meu menino-homem; gentil, tímido e extremamente atraente.
Soltei um suspiro abafado quando ele se reaproximou, acomodando-me em cima de uma pequena mesa de chá rodeada por confortáveis poltronas acinzentadas, de onde ele muito provavelmente costumava observar a magnífica vista da vasta propriedade. Distribuiu leves mordidelas na minha orelha, pescoço, ombros... deixando um agonizante rastro de calor por onde percorria.
- Gosta disso? – perguntou com a voz embargada, dando um beijo molhado e provocante na minha nuca.
Puxei o ar com dificuldade e balancei a cabeça afirmativamente, disposta a entrar naquela deliciosa e tortuosa brincadeira.
- Sim, eu gosto – respondi, desviando os dedos para a parte frontal da sua camisa e abrindo os botões, retirando-a lentamente.
Ele sorriu em aprovação e desceu os lábios para os meus seios, tocando o bico de um deles com a ponta da língua.
- E disso? – indagou, mordiscando-o e sugando-o devagar, enquanto suas mãos se livravam da minha saia e acariciavam minha intimidade sobre o fino tecido da calcinha.
- Você está sendo mau – balbuciei, com a voz irregular e completamente falha.
Ele ergueu as sobrancelhas e fitou fixamente meus olhos, ainda com os lábios retraídos em um sorriso.
Whos’s bad*, garota? – sussurrou, deslizando a calcinha pelas minhas pernas e jogando-a ao lado das outras peças já descartadas. - Whos’s bad?* – perguntou e observou meu corpo nu com atenção, explorando cada centímetro com os olhos, sem se esforçar em esconder o desejo que queimava dentro de si.
Seus lábios voltaram para o lóbulo da minha orelha e ele desviou os dedos para a minha intimidade, movendo um deles de forma circular em meu clitóris enquanto me penetrava com outros dois, fitando-me firmemente , fazendo com que gemidos despreocupados escapassem pelos meus lábios.
- Oh, Mike, é você... só você... – ainda consegui murmurar antes que todas as palavras desaparecessem da minha mente e meu corpo fosse arrastado por uma indescritível sensação de prazer.
Ele continuou a mover seus dedos em mim, fazendo movimentos rápidos e precisos, conduzindo-me ao primeiro clímax em poucos instantes. Arqueei o corpo para frente e desabotoei sua calça rapidamente, consumida pelo devastador desejo de tê-lo dentro de mim, fundindo nossos corpos e nossas almas, como se fôssemos apenas um. 
Michael arfou quando toquei seu membro rígido sob a boxer e o arrastei para fora, dando um sorriso malicioso e arqueando as sobrancelhas ao constatar que ele estava completamente entregue a mim e eu poderia fazer o que quisesse.
O olhei dentro dos olhos e me curvei diante do seu corpo, envolvendo seu sexo com a língua e usando a boca para masturbá-lo devagar. O vi fechar os olhos e puxar o ar entre os dentes, enquanto inclinava a cabeça levemente para trás e emaranhava os dedos nos meus fios de cabelo. Sentir o seu sabor era excitante e ouvi-lo sussurrar o meu nome baixinho, com o rosto contorcido de prazer, me motivava a continuar, mais e mais, até que ele reuniu o máximo de esforço para dizer que não suportaria aquilo por muito mais tempo. Sorri satisfeita e assenti, sem cessar os movimentos, até que ele explodiu entre os meus lábios, deixando-me desesperadamente excitada.
Não havia controle e o ritmo fora ditado pela urgência das nossas ações. Eu o desejava de uma forma completamente ávida e intensa, e sabia que ele partilhava do mesmo sentimento por mim. Apenas um beijo e ele já estava pronto para mim mais uma vez. Soltei um longo suspiro quando ele abriu minhas pernas e roçou seu membro em minha entrada, provocando-me da maneira mais tortuosa e angustiante que poderia. Fechei os olhos enlacei minhas pernas em seu quadril, puxando-o para mais perto de mim, até senti-lo me penetrar lentamente, encaixando-se por completo segundos depois , enquanto prendia meu lábio inferior sob os seus. 
Não demorou muito para que o clímax se apossasse de nós, tão devastador e impetuoso quanto ondas em dia de tempestade, tomando todos os nossos sentidos, intensificando os gemidos e suspiros que escapavam sem pedir permissão.
Com os corpos molhados de suor, permanecemos abraçados sob a luz da lua, o meu rosto enterrado em seu pescoço e a respiração de ambos completamente descompassada e irregular, enquanto absorvíamos em silêncio a sensação de leveza que quase nos fazia flutuar; emaranhados numa nuvem de tranquilidade ocasionada pelo doce amor que havíamos acabado de fazer.

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****Trecho da música Bad: Quem é mau?
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 Capítulo 45


Permanecemos horas e horas observando Neverland do alto, olhando as estrelas e jogando conversa fora, absorvendo a atmosfera daquele mundo particular que pertencia a apenas nós dois. Ali, no completo silêncio, diante de tanta calmaria, os problemas pareciam não existir e as preocupações tornavam-se praticamente nulas. Já era madrugada quando despertamos do transe e voltamos para dentro de casa. 
Quando finalmente decidimos dormir, Michael me conduziu ao seu quarto, que, após algumas ligeiras mudanças, inclusive a troca da cama, já não possuía tantas lembranças de Lisa. As roupas dela continuavam a ocupar um enorme espaço no closet e a caixa de jóias e outros pertences ainda estavam em cima da luxuosa penteadeira, mas Michael me garantiu que no dia seguinte Susan recolheria tudo e guardaria em outro lugar, até que Lisa mandasse alguém buscá-los. 
- Já podemos recomeçar? – Michael perguntou, abraçando-me por trás e abrindo um sapeca sorriso.
Conti uma gargalhada e beijei suavemente seus lábios.
- Sabe, Michael... Vou mandar estamparem em todos os jornais que o rei do pop é um homem insaciável - murmurei, bagunçando levemente seus cabelos.
- Sou?! – perguntou, olhando-me de forma travessa e desviando os lábios para o lóbulo da minha orelha.
Sorri e senti um calafrio percorrer a espinha por consequência da sua provocante carícia. Sim, ele é, pensei comigo mesma, fechando os olhos. E eu sou completamente refém dos seus desejos


Acordei com a cabeça aninhada no ombro de Michael e seus dedos deslizando suavemente pelos meus cabelos. Levantei os olhos e o fitei, enlaçando minhas mãos em torno do seu pescoço e puxando seu rosto para mais perto do meu.
- Bom dia, meu anjo – ele murmurou, depositando um delicado beijo em meus lábios. – Dormiu bem?
Arqueei as sobrancelhas e abri um pequeno e inevitável sorriso.
- Quem aqui dormiu?! – indaguei, relembrando a noite anterior e do quando ficamos, e muito!, acordados.
Ele levou as mãos até o rosto, repentinamente envergonhado, e deslizou seu corpo para a beirada da cama, pondo-se de pé rapidamente.
- Tenho um presente para você – disse, recolhendo uma caixa aveludada de dentro da primeira gaveta da mesa-de-cabeceira. – O que acha? – perguntou, abrindo a tampa e esticando a caixa em minha direção.
Meus olhos brilharam diante do delicado colar de ouro, que ostentava um pingente de esmeralda cravejado com delicadas pedrinhas de diamante, em forma de coração. Era uma peça belíssima. Luxuosa e de extremo bom gosto.
- É... completamente magnífico – murmurei, com os olhos arregalados.
Michael sorriu e conduziu-me até o enorme espelho da penteadeira. Suas mãos envolveram meus cabelos e os colocou de lado, deixando meu pescoço à mostra. Distribuiu leves beijos na minha nuca e roçou o colar sobre o meu pescoço, abotoando-o em seguida.
- Fica ainda mais bonito em você – afirmou, olhando-me através do reflexo do espelho.
Girei o rosto de repousei meus lábios sobre os seus.
- Own, Mike... Muito obrigada! Eu... eu adorei!
Quando ele afastou-se para abrir as cortinas da janela, percebi que a caixa de jóias de Lisa estava aberta, e um dos colares de pérola que ela me ofereceu para usar no VMA estava lá, fazendo-me relembrar de como tudo aquilo tinha começado. Não aceitei o empréstimo do colar para não ter que esbarrar com Michael na suíte do hotel, lembrei a mim mesma, percebendo que minhas tentativas de manter distância de Michael não haviam funcionado. Comecei a remexer a caixa por acaso, imersa em pensamentos, quando um colar de safiras chamou minha atenção. Ele era lindo, e muito parecido com o colar que Emmet me dera quando fizemos um ano de namoro. Também era muito semelhante ao colar que vi no pescoço da tal de Alice no VMA, a vadia pela qual Emmet me trocou sem a mínima consideração. O mais estranho de tudo é que eu nunca vira Lisa o usando, e ela nunca havia me dito uma palavra sequer sobre ter um colar de safiras praticamente idêntico ao meu.
- Michael... – chamei, recolhendo a peça nas mãos. – Nunca vi a Lisa usar esse colar – argumentei, esticando-o em sua direção. – Sabe onde ela o comprou?
Michael balançou a cabeça afirmativamente, reconhecendo o colar e torcendo levemente o nariz.
- Sienna, é aquele que você é o seu ex-namorado mandaram para ela no seu último aniversário.
Um ponto de interrogação formou-se em minha expressão e analisei a peça novamente.
- Deve haver algum mal entendido aqui. O último presente que dei para a Lisa foi um par de brincos, e fiz isso sozinha. O Emmet e a Lisa nunca se deram bem, lembra-se? Ele nem se importou em pedir que eu mandasse o presente em nome de nós dois.
Michael me encarou, sem nada entender.
- Eu tenho certeza de que não estou enganado. A Lisa realmente me falou que vocês dois haviam a presenteado com esse colar. Tenho certeza de que era esse – afirmou, olhando de mais perto. – Veio até acompanhado por um buquê de flores e um cartão desejando feliz aniversário e muitos anos de vida. 
Balancei a cabeça, esforçando-me para manter a linha de raciocínio.
- Você sabe onde está esse cartão?
Ele pensou por alguns minutos e depois lamentou-se:
- Não, não sei. Confesso que não prestei muita atenção quando ela me mostrou.
Intrigada, olhei o colar mais uma vez, enquanto afirmava para mim mesma que havia algo muito errado ali. Emmet era o tipo de cara mais previsível quando se tratava em dar presentes. Era apaixonado por safiras, e, não sei se por falta de tempo ou de criatividade, sempre escolhia peças muito semelhantes. Por qual motivo Lisa teria mentido para Michael sobre a origem do colar? E por que diabos ela nunca o havia me mostrado? 
Com a cabeça cheia de perguntas, decidi que já era hora de reencontrar Emmet, e descobrir se ele tinha mesmo algo haver com aquilo.



Capítulo 46


Saí apressada de Neverland, alegando para Michael que precisava tratar de um assunto urgente e inadiável. Apesar da sua insistência em saber mais detalhes, não dei muitas explicações; pedi apenas que ele confiasse em mim e não me esperasse para o almoço. Uma nuvem de desconfiança pairava sobre minha cabeça, e por mais que fosse tentador contar para Michael das minhas suspeitas, eu não poderia dizer nada antes que os fatos se tornassem concretos.
No caminho até a casa de Emmet, formulei infinitas teorias sobre o que poderia ter acontecido. 
Devo confessar que sempre fui paranóica. Meu lado sensato tentou afirmar que talvez aquela história de Emmet, Lisa, cartão e colar de safiras fosse um grande mal entendido, e que eu com certeza estava exagerando e interpretando as coisas de maneira incorreta. Mas não consegui me convencer. 
Ao chegar ao prédio onde Emmet morava, tentei controlar o nervosismo que começava a se intensificar e segui para a recepção, onde pedi para ser anunciada. A moça atrás do balcão era a mesma de quando eu costumava freqüentar constantemente aquele lugar, e pareceu bastante surpresa em me ver ali... depois de tanto tempo. Certa vez, quando eu e Emmet ainda éramos namorados, ela presenciou uma briga horrível entre nós no meio do saguão, e lembro-me de que se não fosse pela sua ajuda, eu teria ficado no meio da rua, sem táxi, sem as chaves de casa, e debaixo da chuva. 
- Ele autorizou a sua subida – ela disse educadamente, após alguns segundos no telefone. 
- Obrigada, Annie – murmurei, afirmando para mim mesma que iria manter o controle quando chegasse lá em cima. 
Segui em direção ao elevador e apenas alguns minutos depois estava diante do apartamento de Emmet, enquanto mil recordações invadiam a minha mente. Se dependesse de mim e da minha vontade, eu jamais retornaria àquele lugar. Ainda me sentia profundamente magoada com a forma que o nosso relacionamento terminara e, desde o VMA, eu não tinha mantido nenhum contato com ele. Respirei fundo e contei até três; batendo suavemente na porta.
- Você é a última pessoa que eu esperava ver por aqui – uma voz grave e extremamente familiar murmurou, fazendo-me retrair o estômago. – Tem certeza de que não errou de endereço?
Engoli em seco e levantei a cabeça, percebendo que seus dois perturbadores olhos azuis estavam fixos em mim, e seus lábios retraídos em um torto sorriso. Controlei a enorme vontade de dizer a ele tudo que estava entalado em minha garganta, e perguntei:
- Posso entrar?
Ele desviou o corpo da porta para que eu pudesse passar e balançou a cabeça afirmativamente.
- Claro. – Sorriu. - Fique à vontade.
Depois que nos acomodamos, e recusei algo para beber, ele cruzou as mãos atrás da cabeça e me fitou com curiosidade.
– Você teve sorte em me encontrar aqui; estou de malas prontas para viajar para o Canadá. – Ajeitou-se confortavelmente na poltrona. - Lembra-se da Alice? – Quando meus olhos faiscaram de raiva ele continuou, sem se abalar: - Eu e ela decidimos passar uma temporada por lá. Ela já foi, está me esperando. E... a quê devo a honra da sua visita? – indagou, da forma mais simples e irritante do mundo, como se fôssemos apenas distantes conhecidos.
- Emmet... tenho uma pergunta para lhe fazer e preciso que seja verdadeiro em sua resposta – murmurei, achando-me uma idiota por exigir sinceridade de um cara como ele. A vontade que eu tinha era de deixá-lo falando sozinho e nunca mais procurá-lo novamente. Mas esforcei-me para manter a calma.
Ele levantou os olhos e soltou um pesado suspiro.
- Se eu tiver a resposta... – murmurou, balançando a cabeça – eu a darei.
Respirei fundo, disposta a ir direto ao assunto.
- Descobri que a Lisa tem um colar muito semelhante a um que você me deu de presente. – Arqueei as sobrancelhas. - Ela nunca havia me falado sobre ele, e o Michael me contou que ela o recebeu acompanhado por flores e um cartão, e alegou que nós dois havíamos enviado. – Puxei o ar. – Mas você sabe que isso não é possível, pois nunca enviamos porcaria nenhuma em nosso nome. – Olhei dentro de seus olhos: - Você sabe alguma coisa sobre isso?
Ele remexeu-se na poltrona, visivelmente perturbado, e forçou um sorriso.
- Sienna... Por que isso iria importar agora? 
- Claro que importa!!! – esbravejei, levantando-me rapidamente. – Você não sabe o quanto essa resposta é importante para mim. Nós já não temos mais nada um com o outro, portanto você não precisa formular nenhuma mentira. Tenha um pingo de dignidade, Emmet. Conte tudo que sabe – pedi, quase suplicante.
Ele suspirou e assentiu.
- Tudo bem. – Ficou em silêncio por alguns instantes – Se você se refere a um colar de safiras, ele foi um presente meu.
Atônita, e com o coração pulsando rapidamente, esforcei-me para continuar de pé. No fundo, eu tinha esperanças de que realmente estivesse enganada, sendo paranóica, ou qualquer outra coisa que não doesse tanto quanto descobrir que a idiota havia sido eu o tempo inteiro.
- Eu e a Lisa... nós... tivemos um envolvimento, mas não foi nada sério... Não teve importância... Foi só diversão... – ele tentava explicar. 
Paralisada e perplexa, tentei digerir a informação recém descoberta. Desde o primeiro dia que passei ao lado de Michael, senti uma impiedosa culpa se apossar de mim, fazendo-me acreditar que eu era a pior das criaturas. Carreguei aquele sentimento durante muito tempo dentro de mim... e quando Lisa entrou na minha própria casa para me acusar, engoli suas ofensas em silêncio, afirmando para mim mesma que eu merecia tudo aquilo. Descobrir que, na verdade, ela também havia traído a minha confiança, e só por diversão, como o próprio Emmet acabara de explicar, gerou em mim um turbilhão de sensações até então desconhecidas. 
Eu não estava mais em dívida com Lisa Marie. Nossa amizade fora maculada antes mesmo que eu conhecesse Michael. Ela havia mentido para mim, me enganado o tempo inteiro, e nunca fora digna de me contar o que acontecera. E eu, nunca vira nenhum resquício de culpa em seu olhar.
- Sienna, você precisa me escutar – Emmet disse, quando segui apressadamente em direção à porta.
- Você é um canalha, Emmet – murmurei, cuspindo as palavras. – Mas agora... tenho algo muito mais importante para resolver – afirmei, dizendo para mim mesma que a hora do verdadeiro acerto de contas com Lisa finalmente havia chegado.



Capítulo 47


No caminho até a casa de Lisa, tentei ao máximo controlar o turbilhão de sensações que impedia que meus pensamentos de organizassem corretamente. Pensei e repensei sobre o que deveria fazer, como deveria agir, e mais algumas dezenas de coisas que muito provavelmente eu não iria sequer lembrar quando finalmente estivéssemos frente a frente. Mantenha a calma, mantenha a calma, mantenha a calmaNão coloque tudo a perder... repeti para mim mesma insistentemente.
Ao chegar, os seguranças não me impediram de entrar, provavelmente porque Lisa ainda não tinha tido tempo de ordenar que me mantessem à distância. Meti a mão na porta de entrada e caminhei olhando para todos os lados, pedindo a Deus que não me faltasse controle e sensatez quando eu conseguisse encontrá-la. Nem se eu usasse todas as palavras do mundo conseguiria explicar como eu estava me sentindo. As palavras de Emmet ecoavam em minha cabeça, trazendo consigo dor e sofrimento. Por instinto, gritei o nome dela descontroladamente enquanto subia as escadas em direção ao seu quarto, para avisá-la que eu estava ali. E quando cheguei à porta, ela surgiu assustada no corredor, parecendo perguntar o que diabos eu estava fazendo berrando seu nome feito uma louca.
- Está ficando maluca?! – indagou, aproximando-se de mim. – Invadir a minha casa é o cúmulo do absurdo! O que você faz aqui?! Não temos mais nada para falar uma com a outra!
Olhei dentro dos seus olhos, e por um momento esperei que aquilo fosse apenas um pesadelo. Eu não podia suportar o fato de que uma relação de tanto tempo acabaria mesmo daquela maneira, com tantas acusaçõs, uma apontando o dedo para a cara da outra, como se nunca tivéssemos vivido nada juntas. Procurei em sua expressão algum sinal de que ela me contaria tudo o que houve entre ela e Emmet; mas nada encontrei.
Após alguns segundos de completo silêncio, encarei-a firmemente.
- Você também entrou na minha casa, e eu ouvi calada tudo o que você me disse – murmurei. – Eu... Eu sentia tanta culpa! Não conseguia me perdoar pelo que havia feito. – Respirei fundo e olhei fixamente para ela. – Mas diga-me: o que a torna melhor que eu, Lisa?! Quem é você para vir me falar sobre traição e desrespeito?! 
Ao ouvir minhas palavras, sua expressão mudou completamente. Era como se ela finalmente tivesse caído em si e percebido que não havia ninguém com vantagem ali. As palavras que ela me dissera, todas as acusações que havia feito, também serviam perfeitamente para descrever o que ela fizera comigo.
Mas mesmo assim, ela continuou me fitando com olhos de quem não sabe o que está acontecendo, o que me irritou e enfureceu ainda mais.
- Você e o Emmet riram muito às minhas costas?! - perguntei, cerrando os punhos.
- Eu não sei...
- Não venha me dizer que não sabe sobre o que estou falando! – bradei. – Seja digna e assuma tudo o que fez! Não seja tão covarde!!! Não diga que estou imaginando coisas!
Ela balançou a cabeça negativamente.
- Mas eu realmente não...
- Mentirosa! – esbravejei, indo em sua direção e apertando seus braços com força, pressionando-a contra a parede. – Vi o colar que ele lhe deu! O procurei e ele me disse tudo o que houve entre vocês!
Eu também havia errado com ela, e conseguiria entendê-la se o envolvimento dela com Emmet tivesse sido movido por amor, ou algum daqueles sentimentos que nos fazem perder completamente a razão. Se ela tivesse se apaixonado por ele as coisas seriam diferentes. Mas não consegui esquecer de Emmet dizendo que tudo não passara de diversão. Por simples diversão, ela jogara fora tudo o que havíamos levado anos e anos para construir. Saber disso machucava mais do que uma navalha afiada poderia. 
- Não teve nenhuma importância! – ela bradou. 
- Isso é o pior! – afirmei,encarando-a com firmeza. 
Lisa debateu-se freneticamente e conseguiu se desvencilhar de mim. Seus olhos, agora arregalados, pareciam cheios de medo e espanto. 
- Vá embora daqui!!! – ordenou, passando a mão na cabeça para ajeitar os cabelos. – Agora! Antes que eu mande os seguranças enxotá-la daqui.
Olhei para ela e afirmei para mim mesma que continuar aquela discussão seria uma enorme perda de tempo. Minhas mãos tremiam, minha respiração estava acelerada, e o controle, que tão meticulosamente construí, havia sido completamente esfacelado.
Respirei fundo e tentei manter o foco. 
- Antes quero lhe dizer algo – comecei, esforçando-me para parecer despreocupada. – Ao ir na minha casa, você me contou que informaria à imprensa sobre os acontecimentos. Faça isso! – murmurei, dando uma piscadela. – Faça isso, mas não pense que irá posar de boa moça e se tornar a inocente da história. 
Ela ficou ainda mais séria.
- O que eu e o Emmet vivemos não teve a mínima importância – disse, como se aquilo fosse um ponto positivo na interpretação de alguém. – Não houve nenhuma seriedade naquilo. Será a sua palavra contra a minha. E não se esqueça de que sua palavra já não vale mais nada. Você é a maior garota-problema da América, lembra-se? É a bêbada que ninguém mais quer ouvir.
Cerrei os punhos e fitei firmemente seus olhos.
- Você é a maior decepção que já tive na vida, Lisa – murmurei, surpresa com a naturalidade que aquelas palavras saíram da sua boca. Segui para a escada e apontei em sua direção, como se lhe desse um último aviso: - Desista de promover um escândalo. Se você quiser ter alguma tranqüilidade; pense bem no que irá fazer. Pense bem, ou eu mesma farei com que você se arrependa.



Capítulo 48


Ninguém poderia garantir que Lisa iria ficar de boca fechada e deixar aquela história longe da mídia. E saber disso era completamente perturbador para mim. Desde o primeiro dia que eu e Michael começamos o nosso romance, almejávamos paz e tranquilidade. 
Mas a cada dia que se passava, a paz e a tranquilidade pareciam se afastar mais e mais.
A mim, só restava pedir a Deus que minhas palavras tivessem sidos convincentes o suficiente para assustar Lisa e fazê-la pensar duas vezes antes de tomar uma decisão. A última coisa que eu poderia querer era ter o meu relacionamento com Michael estampado em todos os jornais, com Lisa nos acusando, eu revelando o que tinha descobrido através de um simples colar, e todas as informações que fariam aquela situação se tornar um verdadeiro circo público dos horrores.
Segui para Neverland, e percebi que o rancho já estava se tornando uma casa para mim. Enquanto subia as escadas até o quarto de Michael, onde Susan me avisou que ele estava, procurei as palavras certas para contar a ele sobre a incrível reviravolta que acontecera em menos de 24 horas. 
- Você voltou! – ele disse quando apareci na porta, aproximando-se de mim. – Eu estava preocupado. Você saiu tão depressa, e nem sequer disse para onde iria. 
Dei um suave beijo em seus lábios e peguei suas mãos.
- Fui na casa do Emmet.
Vi surgir em seu rosto uma expressão de surpresa e reprovação.
- Do Emmet?! Seu ex-namorado?! O que você poderia ter a tratar com aquele sujeito?
Sentei-me na cama e o convidei a se acomodar do meu lado. Seus olhos me fitavam como quem exige logo uma resposta, e por um segundo enxerguei ali uma pontada de ciúmes.
- Michael, quando vi aquele colar de safiras na caixa de jóias da Lisa, percebi que havia algo muito, muito errado. 
Ele arqueou as sobracelhas.
- Continue.

- Ele era muito parecido com as jóias que o Emmet costumava me presentear, e a Lisa nunca me dissera absolutamente nada sobre a existência de uma peça quase idêntica à que ganhei quando eu e ele fizemos um ano de namoro. Fui até a casa dele, e descobri que... – Balancei a cabeça negativamente, recusando-me a terminar a frase.
- Que...?
Respirei fundo.
- Que ele e a Lisa tiveram um envolvimento. Não sei por quanto tempo, e pela minha cronologia, tudo aconteceu depois que ela já havia se casado com você.
Michael fitou meus olhos, atônito.
- Eu não poderia imaginar. Nunca notei nada de diferente. 
Deslizei um dedo sobre a sua face.
- Talvez agora... ela desista de causar um escândalo na mídia. Ela já sabe que estamos a par de todos os acontecimentos.
Ele deu um longo suspiro.
- Sienna, precisamos esquecê-la. O Branca irá cuidar o mais rápido possível dos papéis do divórcio. O que ela, o Emmet, ou o raio que os parta fizeram... já não importa mais. Se não deixarmos isso para trás nunca conseguiremos ser verdadeiramente felizes. – Abriu um pequeno e despreocupado sorriso. – Deixe-a fazer o que quiser! Não podemos perder tempo com chantagens e ameaças... – Desviou os lábios para o meu pescoço. – Há tantas coisas melhores para nos preocuparmos... Coisas tão mais importantes... Que nos fazem tão mais felizes... 
Abri um pequeno sorriso e tive que admitir pela enésima vez que viver no mundo de Michael Jackson era completamente fantástico e fascinante. Ele não era tão preocupado quanto eu, e parecia ter uma solução rápida e eficaz para todos os problemas. Ao seu lado, eu encontrava a proteção necessária para me blindar de tudo que não fosse alegre, excitante e divertido. 
- Você não leva nada à sério? – perguntei, fechando os olhos aos sentir seus lábios roçarem delicadamente a minha nuca.
- Não quando estou com saudades de você – disparou.
Eu ri baixinho com a sua resposta.
- Mas eu estava aqui pela manhã! 
- Quando você está longe, os segundos se tonam horas, os minutos se tornam dias e as horas se tornam meses – sussurrou no meu ouvido. 
Suas mãos migraram para minhas costas e ele me puxou para mais perto, pressionando meu corpo contra o seu. Nos livramos rapidamente dos sapatos, e ele retirou a minha blusa, mordendo suavemente meios seios ainda sobre o tecido do sutiã, fazendo pequenas marquinhas vermelhas surgirem pelo caminho que sua boca percorria. Desabotoei sua camisa e a joguei em cima da mesa-de-cabeceira, observando com atenção os leves e delicados músculos de seus braços e peitoral; o que fez com que uma pontada de desejo queimasse ainda mais forte dentro de mim. 
- Hoje, quem dita as regras desse jogo sou eu – murmurei, afirmando para mim mesma que o comando seria completamente meu daquela vez. Devo confessar que vê-lo completamente entregue aos meus desejos daquela maneira me deixava ainda mais excitada.
O empurrei até que suas costas repousassem por inteiro no colchão e subi em cima dele, fitando-o de forma atrevida e travessa. Beijei seus lábios, sua nuca, seu pescoço, e deslizei minha língua pelo seu peito, barriga, no contorno do umbigo, até chegar ao zíper da sua calça. Desviei os dedos para o botão e brinquei despreocupadamente com ele por alguns segundos, enquanto Michael me observava atentamente, com a respiração falha e entrecortada, ansiando o passo seguinte. 
Sorri, passei a boca pelo volume que havia se formado ali e, com os dentes, desabotoei a calça, puxando-a para baixo e fazendo com que ela levasse a cueca boxer consigo. Massageei seu membro devagar, enquanto ele desabotoava meu sutiã e brincava com o elástico da minha calcinha, movendo-a para cima e para baixo, me encarando de forma travessa. Pisquei um dos olhos para ele e me inclinei sobre o seu corpo, repousando um suave e provocante beijo na ponta superior do seu pênis, vendo-o sorrir e gemer baixinho em resposta à minha intima carícia. 
Quando suas mãos passearam pela minha cintura e chegaram até a curva dos meus seios, pude notar que seu corpo estava quente como brasa, denunciando que o sangue começara a correr rápida e descontroladamente pelas suas veias, demonstrando a mesma pressa e o mesmo descontrole que eu começava a sentir. Puxei-o pelos braços até que ele se sentasse na cama e enlacei minhas pernas atrás das suas costas, prendendo seu corpo ao meu. Deslizei para frente e permiti que ele me penetrasse de forma lenta e gradual, saciando a nossa mútua vontade. 
Arqueei meu corpo para trás ao senti-lo completamente dentro de mim, e notei que naquela posição ele me alcançava ainda mais profundamente, o que arrancou de mim incessantes suspiros e gemidos de aprovação. Seus lábios procuraram os meus para que pudéssemos partilhar mais um beijo, e, enquanto ele me explorava com as mãos, movi meu quadril para acompanhar o seu cada vez mais intenso ritmo. 
Não demorou muito até que o orgasmo nos atingisse com a voracidade e a violência que já conhecíamos tão bem. Michael enterrou o rosto em meus cabelos e por um instante nada consegui enxergar além dos nossos corpos colados um ao outro, molhados de suor. A respiração descontrolada e descompassada foi se acalmando lenta e tranquilamente, enquanto ele continuava a me acolher em seus braços, acariciando o meu rosto.
E aquele delicioso silêncio, dizia mais do que mil palavras.



Capítulo 49


No iníco da noite, Michael deixou o rancho para encontrar-se com os produtores do seu novo disco, em LA. Pelo que ele já havia me dito sobre o projeto, seria um álbum incrível, que reuniria sucessos antigos e faixas inéditas. Vê-lo tão empenhado naquele trabalho me fez perceber o quanto eu me distanciara da carreira artísica depois do escândalo no VMA. Eu não tinha planos de gravar discos, fazer turnê; esse tipo de coisa que os artistas normais e responsáveis costumam fazer. E eu nunca havia me sentido tão feliz! Sem cobranças comigo mesma, vivendo um dia de cada vez... E principalmente, sem me preocupar em superar as expectativas da gravadora. Era apenas uma fase, eu sabia disso. Mais dia menos dia eu iria ter que voltar para a vida real. Mas eu não tinha a mínima pressa.
Fiquei em Neverland esperando Michael voltar. Eu estava ciente de que reuniões de negócios costumam se estender por horas, mas a simples idéia de voltar para casa me deixou um tanto perturbada. No rancho eu me sentia tão protegida e acolhida que acabava me esquecendo que havia um mundo inteiro além daqueles portões. Permaneci na biblioteca a noite inteira, totalmente encantada com a diversidade de livros que podíamos encontrar ali. Vez ou outra a Susan passava por lá e perguntava se eu precisava de alguma coisa, e devo confessar que me senti um pouco desconfortável com aquela situação. Ela sempre era muito educada comigo, mas eu ainda ficava envergonhada pelas vezes que freqüentei o rancho enquanto Michael e Lisa ainda estavam juntos. Quando a madrugada começou a se aproximar, fui para a cama, após ter me convencido de que Neverland sem o seu dono não possuía a mesmo fascínio. Michael completava aquele lugar. E quando estava longe, a magia não era a mesma.
Lá pelas tantas, escutei a porta do quarto sendo aberta e, em seguida, passos se aproximando da cama. Levantei a cabeça, sonolenta, e com olhos injetados vi a figura de Michael surgir ao meu lado, com um enorme e despreocupado sorriso nos lábios.
- Desculpe por tê-la acordado – ele disse, quase sussurrando, repousando delicadamente seus lábios sobre os meus. 
- Como foi a reunião? – perguntei, vendo-o se deitar e aninhar seu corpo ao meu.
Ele sorriu, visivelmente animado. Seus problemas com a Sony ainda não haviam sido resolvidos, mas as duas partes estavam se empenhando para que o cd HIStory fosse um sucesso. Mottola não era bobo, e não queria começar a perder dinheiro antes do tempo. Um acordo havia sido feito e nele ficara determinado que após o lançamento do cd, uma turnê, e um próximo álbum, Michael poderia deixá-los. 
Eu tinha mil motivos para desconfiar que Mottola ainda iria fazer alguma merda em relação a esse acordo, pois ele não aceitaria perder seu maior artista de uma forma tão fácil. Mas Branca estava à frente de tudo, e já havia prometido ficar com os dois olhos bem abertos.
- Estou completamente satisfeito com o que temos até agora – Michael respondeu. 
- Isso é ótimo! – vibrei, entrelaçando nossas mãos.
- Me desculpe por ter demorado tanto – murmurou, olhando-me nos olhos.
- Não precisa se preocupar. Os seus livros me fizeram companhia.
Ele riu e beijou meus lábios novamente, acolhendo-me carinhosamente enquanto o sono começava a se reaproximar de mim.


Ao acordar na manhã seguinte, tateei a cama a procura de Michael mas não o encontrei. Levantei-me, tomei um banho e desci para tomar o café da manhã, acreditando que ele estaria lá embaixo esperanto por mim.
Ao chegar lá, percebi que a mesa estava posta e o jornal estava em cima da cadeira de Michael, mas ainda não havia sido aberto. Quando me sentei, Susan aproximou-se de mim.
- Os Jacksons estão aí – ela disse, respondendo a pergunta que eu estava prestes a fazer. – Chegaram logo cedo, e estão no escritório. Por isso o Sr. Jackson ainda não veio para a mesa. 
- Quais deles estão aí? – perguntei, notando que o único membro da família que eu conhecia era Janet. 
- O Sr. Joe, o Jermaine e a La Toya – respondeu educadamente. – Eles não costumam vir em Neverland... – comentou. – É uma pena que a Dona Kate não tenha vindo. Ela iria adorar conhecê-la.
Engoli em seco, sentindo-me subitamente nervosa com a frase que ela dissera. Conquistar a mãe do namorado é a primeira etapa para um bom relacionamento. E se ela não gostar de mim?E se não aprovar a escolha do Michael?, perguntei para mim mesma, totalmente insegura. Depois fui me acalmando devagar, afinal de contas, a hora de ser apresentada à matriarca da família Jackson ainda não havia chegado.
Quando Susan se retirou, me servi de um copo de suco, mas notei que o apetite ainda não havia aparecido. Levantei-me e decidi ir para a biblioteca, onde eu permaneceria até que a pequena reunião familiar terminasse no escritório. Mas ao seguir pelo corredor, uma voz alterada chamou minha atenção. Aproximei-me na ponta dos pés e olhei pela fresta da porta entreaberta, enquanto minha consciência começava a pesar. Sienna, sua mãe não lhe ensinou que é feio escutar a conversa dos outros?, perguntei insistentemente para mim mesma. Ah, dane-se!, concluí por fim, prestando o máximo de atenção possível.
- Não podemos permitir que você faça isso! – Joe Jackson murmurou, encarando Michael. – A Lisa contou para a Janet o que anda se passando por aqui. É um absurdo!
Sua expressão era arrogante e intimidadora, e ele falava com total autoridade. Jermaine e La Toya estavam sentados, assistindo ao pai. 
- Não sou mais nenhuma criança! - Michael bradou. – Não admito que você entre na minha casa e diga o que posso e o que não posso fazer com a minha própria vida!
La Toya se levantou. 
- Use a sua sensatez! Acha que fez certo em trocar a Lisa por uma bêbada em fim de carreira? 
Cerrei os punhos e tive vontade de entrar lá e puxar aquela antipática pelos cabelos. Mas tentei manter o controle e continuar a ouvir o que eles tinham a dizer.



Capítulo 50


Michael encarou a irmã.
- Cale a boca – ordenou, com toda aquela seriedade de quem não gosta de ser contrariado.
Eu sabia que Michael amava o pai e os irmãos, mas a relação entre eles sempre foi um pouco conturbada. Eles se aproveitavam dele como parasitas e pareciam querer tirar proveito de qualquer forma, não importando a situação. Há muito tempo Michael havia se libertado das vontades da família e construído sua própria vida, mas pelo visto, os Jacksons continuavam a se intrometer nos assuntos para os quais não haviam sido convidados a participar.
Jermaine levantou-se e olhou para o irmão.
- Michael, só estamos tentando ajudá-lo – murmurou, e por mais incrível que pudesse ser, parecia estar falando com sinceridade. – Sienna McCallister é sinônimo de problema e encrenca. Você viu o que ela fez no VMA. Ela já mostrou que não tem nenhuma responsabilidade, nem com seu trabalho e nem consigo mesma. 
- Você não a conhece – Michael respondeu. – Por tanto, não fale sobre o que não sabe.
La Toya riu.
- Não precisamos conhecê-la para saber que o que o Jermaine disse é a mais pura verdade. Está estampado em todos os jornais.
Michael balançou a cabeça negativamente, completamente sério.
- Os jornais também especulam muito sobre mim. Sabemos que a grande maioria daquilo é invenção e babaquice.
- O mundo inteiro tem acompanhado a vida que aquela moça leva – disse Joe. – Ela é uma descompromissada! Não serve para você.
- Não serve para mim? – Michael perguntou, com os olhos carregados de descrença pela afirmação que o pai acabara de fazer. – Isso quem deve avaliar sou eu, e ninguém mais. 
- Nós não iremos compactuar com esse absurdo – disse La Toya. – Não concordamos com o que você está fazendo.
- Eu não preciso da aprovação de ninguém – murmurou Michael. 
Jermaine o fitou firmemente.
- Cara, você não consegue ver que essa mulher usará a sua imagem para conseguir notoriedade? Você é o rei do pop! A carreira dela vai de mal a pior a cada dia que passa. Ela precisa de você para voltar a faturar. É tudo por interesse!
Michael sorriu com uma pontada de sarcasmo.
- Então é isso? Vocês acham que a Sienna está interessada no meu dinheiro? 
- Parece óbvio – afirmou Joe. 
La Toya suspirou.
- Michael... se esse romance vier a público será ótimo para a imagem dela. Mas para a sua... será péssimo! Haverá um escândalo se a Lisa resolver falar sobre a traição. A Sienna não tem nada a perder. Mas você... tem uma reputação a zelar! 
- Ter seu nome envolvido com o dela irá ser prejudicial para a sua carreira – disse Jermaine. – Ela é uma bêbada descompromissada, uma maluca que aparece em destaque todos os fins de semana nas revistas de fofoca. Artistas como ela... são mais notados pelos escândalos do que pela própria arte!!! 
- Não jogue seu nome na lama com uma bobeira dessas – Joe murmurou. – Não vale a pena.
Michael os encarou, sem perder a firmeza.
- Eu a amo. Ficarei com ela, não importa o que aconteça.
Puxei o ar e percebi que meus olhos estavam completamente marejados. Afastei-me dali, sabendo que não suportaria escutar o resto da conversa, e segui pelo corredor, desejando ser mais forte do que realmente era. Fui até o quarto e chorei como uma criança, com o rosto enterrado no travesseiro. Antes de ouvir aquelas palavras, eu não conseguia enxergar a situação pelo ângulo que os Jacksons apresentaram. Claro que eu não estava interessada no dinheiro de Michael, muito menos na sua notoriedade. Nunca me importei em tirar algum proveito do nome e da imagem dele. 
Mas eu sabia que quando tudo viesse a público, um escândalo iria se formar. Mesmo que Lisa não se intrometesse, as pessoas iriam nos julgar pelo que fizemos. Para mim, isso pouco importava; seria apenas um escândalo entre tantos outros. Mas para Michael... seria uma mancha na sua reputação tão bem construída. Ele era responsável, correto, dedicado... Não seria justo que eu estragasse tudo.
Eu era mesmo a bêbada.
A maluca.
A descompromissada.
A irresponsável.
A que não levava a vida à sério.
A mulher que ofuscaria o brilho da carreira do rei do pop... E estragaria anos e anos de trabalho duro da sua parte.
Permaneci por alguns minutos com o rosto enterrado nas mãos, sentindo todas as minhas convicções se desfazerem e afirmando para mim mesma que estava na hora de deixar de olhar para o meu próprio umbigo e ser tão egoísta.
Os Jacksons estavam certos. 
Michael merecia coisa melhor.
Antes de Michael, eu nunca havia amado ninguém. Ao seu lado, descobri novas sensações, compartilhei sentimentos verdadeiros, amei e me senti amada. 
E naquele momento, diante de tantas dúvidas, refletindo comigo mesma, descobri que o amor é um sentimento tão sublime, que nos faz abdicar dos nossos próprios interesses, nossas próprias vontades, em benefício do outro. Muitas vezes, se distanciar é uma prova de amor, por mais maluco que essa afirmação possa soar. 
Sabendo que Michael poderia se prejudicar, eu nunca encontraria uma satisfação plena, nunca conseguiria ser feliz.
Imersa nesses pensamentos, peguei minha bolsa e decidi voltar para casa. 
Olhei em volta daquele mágico mundo particular ao qual eu não mais pertenceria e, ao deixar Neverland, tive a certeza de que me apaixonar por Michael fora a melhor coisa que me acontecera. Os momentos que passei ao seu lado foram os mais fascinantes que já vivi. 
Ele estaria para sempre em meu coração. 
Mas definitivamente, eu não era a mulher certa para estar ao seu lado.



Capítulo 51


Assim que cheguei em casa, Margareth avisou-me que Michael havia ligado insistentemente por diversas vezes, perguntando sobre mim, e a fez prometer que retornaria a ligação assim que eu aparecesse, ou assim que tivesse alguma notícia.
Subi para o quarto e pedi que ela não cumprisse a promessa que havia feito. As palavras ditas pelos Jacksons ainda ecoavam na minha cabeça, e as conclusões que tirei a partir delas estavam mais claras do que nunca. Eu sabia o que deveria ser feito. Sabia o que seria melhor para todos nós.
Sentei-me na cama e peguei o telefone, preparando-me para tomar uma atitude definitiva. Seria a única forma de me afastar e deixar Michael seguir sua vida em paz, sem se prejudicar por minha conta. 
Respirei fundo e tentei conter as lágrimas que começavam a molhar os meus olhos. Por um instante, esforcei-me para me convencer de que ele iria sofrer, eu também iria, mas depois, com o passar do tempo, ele iria encontrar uma mulher capaz de fazê-lo verdadeiramente feliz, e o que vivemos juntos estaria sempre conosco, guardado em ternas lembranças. 
Passei a mão pelo rosto e disquei os números.
- Você? – a voz do outro lado da linha murmurou, visivelmente surpresa. 
Era a hora de engolir todo o meu orgulho e voltar atrás em uma palavra dada. Quando o Mottola me fez aquela proposta pela primeira vez, a achei absurda, e de forma alguma a aceitaria. Mas diante da nova situação, ela pareceu ser a forma perfeita de me distanciar de tudo e todos.
- Eu aceito, Mottola – murmurei devagar. – Quero produzir um novo disco. Aceito que você me enfie em uma clínica de reabilitação pelo tempo que achar necessário.
Ele riu.
- Oh, isso é ótimo! Eu sabia que você iria acabar mudando de idéia. Que bom que você resolveu assumir que é mesmo viciada e que precisa da minha ajuda para voltar a produzir alguma coisa decente.
Revirei os olhos, impaciente, mas sem a mínima condição emocional de revidar suas provocações. Eu não era viciada em nada, e sabia disso. Também não tinha vontade nenhuma de produzir um novo disco. A única coisa que realmente me importava era o fato de que em uma clínica, eu estaria afastada o suficiente para deixar que as coisas se acalmassem. 
- Escolha a clínica, faça o que achar preciso... E por favor, faça isso o mais rápido que puder, está bem? – perguntei, sentindo meu coração se dilacerar mais e mais a cada segundo.
- Está certo – ele disse, e acrescentou: – Pela primeira vez na vida, você está fazendo a coisa certa.
Desliguei o telefone e desabei o rosto no travesseiro, desejando que aquele súbito vazio no peito desaparecesse com o tempo. Ouvi a porta do quarto sendo aberta e, segundo depois, Margareth surgiu em pé ao meu lado.
- O que há com você, minha menina? – perguntou ao notar meus olhos vermelhos, com toda aquela preocupação maternal que nutria por mim.
Levantei-me e a abracei, recostando o rosto em seu ombro, enquanto as lágrimas se recusavam a cessar. Fechei os olhos e segurei suas mãos.
- Faça as minhas malas, Margareth. Passarei uma temporada longe de casa – murmurei, pedindo em silêncio que ela não cobrasse de mim mais explicações. Não naquele momento.
Ela me fitou, em uma mistura de surpresa, dúvida e compaixão. 
- Sienna, você... e o Michael brigaram? – perguntou, acariciando meus cabelos suavemente.
Balancei a cabeça negativamente. 
- Não. Mas... 
- Ele está lá embaixo esperando por você. E parece muito preocupado e inquieto.
Arregalei os olhos, sem conseguir acreditar que ele tinha saído de Neverland às pressas e vindo até a minha casa. Provavelmente a conversa com os Jacksons não tinha se estendido por muito mais tempo, e ele ficara confuso quando me procurou e percebeu que eu tinha saído do rancho sem ao menos me despedir. Como eu conseguiria encará-lo e explicar o que eu estava prestes a fazer? Eu sabia que com apenas uma palavra ele conseguiria me fazer mudar de idéia, e me convencer de que aquela seria a maior besteira que eu poderia cometer. 
Mas eu estava decidida. Eu não poderia voltar a atrás.
Respirei fundo e percebi que estava prestes a ter com Michael a conversa mais difícil da minha vida.
- Mande-o subir – pedi devagar, secando os olhos com a manga a blusa. 



Capítulo 52


Minutos depois, Michael apareceu na porta e nos encaramos de longe, sem nada dizer um ao outro. 
Permanecemos por algum tempo em completo silêncio; eu criando coragem, e ele parecendo tentar entender o que estava acontecendo comigo. 
Como eu continuei sentada na cama, estática, sem pronunciar um mínimo “oi”, ele aproximou-se cautelosamente e sentou-se ao meu lado.
- Por que você foi embora de Neverland daquela forma? – perguntou, tentando me olhar nos olhos, enquando eu fazia de tudo para não olhar nos seus.
- Estou indo viajar – avisei rapidamente, esforçando-me ao máximo para parecer calma e despreocupada.
Um vinco se formou em sua testa, e seu rosto foi tomado por uma expressão de surpresa.
- Viajar? Você não disse nada sobre isso.
- Porque não preciso dar satisfações pra ninguém – murmurei, e instantaneamente senti meu coração se partir ao meio.
Ele segurou minhas mãos. 
- O que há com você? – perguntou, de uma forma tão doce e educada que quase me joguei em seus braços e pedi que ele me abraçasse o mais forte que pudesse. 
- Estou tentando ser profissional pela primeira vez na minha vida.
Michael arqueou as sobrancelhas.
- Então essa repentina viagem tem a ver com trabalho? – indagou, incentivando-me a dar mais informações.
Balancei a cabeça afirmativamente.
- Tem. Aceitei aquela proposta que o Mottola me fez há algum tempo atrás. Vou ficar fora por dias, semanas... – Olhei em seus olhos e acrescentei: - Ou muitos meses.
- O quê?! – perguntou, tão surpreso quando imaginei que ficaria. – E para onde você vai? Como iremos nos ver?
- Não iremos nos ver – respondi.
- Do que você está falando, Sienna?
- Estou falando que estou quase de malas prontas pra ir para uma clínica de reabilitação. Mas não precisa se preocupar em saber qual é o nome dela ou onde ela fica. Não quero receber visitas. – Puxei levemente minha mão que ainda estava presa a sua. – De ninguém.
Ele balançou a cabeça negativamente. 
- Sabemos que você não precisa disso!
- O Mottola acha que é preciso, e para gravar um novo disco eu preciso seguir as recomendações da Sony. 
- Você está começando a ouvir o Mottola agora? – A expressão em seu rosto mostrava que eu realmente o deixara confuso. Fiquei em silêncio, sem conseguir responder, e ele acrescentou: - E... e nós? 
- Não haverá mais “nós” – apressei-me em dizer.
Ele arregalou os olhos, finalmente entendendo onde eu queria chegar.
- Você não pode estar falando sério! É uma brincadeira, não é? – Sua voz beirava o desespero. - Tudo estava tão bem! Não aceito que você vá embora dessa forma!
Puxei o ar.
- Eu preciso de um tempo, Michael. 
- Sienna, eu a amo! Nâo há fundamento algum nessa sua decisão de seguir ordens da gravadora. E mesmo se você for... não faz sentido ficarmos longe um do outro! Por que você está fazendo isso conosco?!
Suas palavras fizeram meu coração se contorcer de dor.
O fitei firmemente.
- Preciso de um tempo pra viver a minha própria vida, Michael! Você percebeu que nos últimos tempos minha vida tem se movido apenas em função da sua? 
Ele me encarou, e me senti a pior e mais covarde das criaturas.
- É assim que você se sente? – perguntou, triste e magoado.
Desejei que o chão se abrisse sob os meus pés e me arrancasse daquele quarto. A cada palavra que saía da minha boca eu me sentia mais desesperada e mais tentada a voltar atrás. Mas me convenci de que seguir em frente seria o melhor para ambas as partes.
- É, Michael. É como eu me sinto. – pronunciei, sabendo que aquela frase seria a única coisa que eu precisaria dizer antes que ele desistisse daquela conversa.
Ele se levantou e me olhou por uma última vez, com os olhos marejados.
- Sienna, eu sinto muito se a fiz se sentir dessa maneira. Nunca pedi que você se anulasse por mim. Sempre quis que você fizesse parte da minha vida, mas nunca pedi que abrisse mão da sua para isso.
Abaixei a cabeça para esconder as lágrimas que começavam a se aproximar e fiquei em silêncio, pedindo a Deus que ele gritasse comigo até que eu contasse a verdade. 
Mas ele acreditou em mim. 
Acreditou nas minhas justificativas. 
Acreditou em tudo. 
Palavra por palavra. 
– Espero que você escontre alguém que seja capaz de amá-la sem exigir tanto em troca – ele disse fitando os meus olhos. - Tenha uma boa sorte – desejou, saindo do quarto com passadas firmes, deixando-me muito pior do que pensei que ficaria.



Capítulo 53


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A caminho de Neverland, Michael relembrava as palavras ditas por Sienna. Ainda não conseguia acreditar que, de repente, tudo havia se desfeito daquela forma, como um castelo de cartas se desmoronando pela força do vento. 
Sentia-se vazio, desesperadamente entristecido. Era como se o seu coração tivesse sido arrancado do peito, sem a mínima piedade. A dor era lacinante, cruel. Nunca sentira algo sequer parecido.
Sempre soubera que ela era a mulher mais instável que já conhecera. Mas nos últimos tempos ela aparentava estar mais calma, com alguma estabilidade. Talvez fosse disso que ela estivesse sentindo falta – pensou, consigo mesmo. Talvez ele não fosse o homem certo para estar ao seu lado, pois não era capaz de entender o que se passava em uma mente tão dada a rompantes. Talvez ela não o amasse tanto da forma que ele imaginara, e que ele não significara para ela tudo que ele pensou que havia significado. Talvez ela tivesse se cansado... O namoro poderia ter caido na rotina. Talvez ela estivesse usando desculpas para se afastar... Porque percebeu que poderia encontrar um homem melhor e menos ocupado.
Com o coração dilacerado, Michael reunia as teorias sobre o que poderia ter acontecido. Prometeu para si mesmo que iria enfiar a cara no trabalho e se dedicar a ele o máximo que pudesse, dia e noite, noite e dia.
Isso evitaria que sua cabeça e seu coração chamassem por Sienna.
 


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Na noite daquele mesmo dia, eu já estava com todas as malas prontas para a partida. Mottola fora mesmo muito rápido, e decidiu me mandar para a mesma clínica onde todos os artistas problemáticos da sua gravadora faziam “visitas” regularmente para se desintoxicar. Ela ficava situada em Long Beach, arredores de Los Angeles, e me garantiram que lá eu receberia todos os cuidados necessários para me “curar”, o que, na verdade, não me interessava nenhum pouco.
- O David quer saber se você já está pronta – Margareth disse entrando no quarto e me fitando com uma expressão carregada de reprovação. Eu sabia que ela era contra tudo o que eu havia decidido fazer, mas nunca se intrometera nos meus assuntos e, apesar de dar conselhos, sempre preferira que eu me resolvesse sozinha. 
Passei a mão pelo vestido para ajustá-lo melhor ao corpo.
- Diga que ele pode ir levando as malas pro carro. Eu já estou quase terminando.
- Sienna, você tem certeza do que esta fazendo?
Olhei para ela, sem saber a resposta.
- Eu não tenho escolha, Margarteth! – murmurei, e lágrimas escorreram dos meus olhos. – Eu não quero estragar a vida do Michael da mesma forma que estraguei a minha. Ele não merece isso.
Ela me abraçou e acariciou minha face.
- Por que você está dizendo que irá estragar a vida dele, minha menina? Vocês dois se amam! 
- Esse é o problema! – bradei. - Se eu não o amasse tanto... as coisas estariam sendo mais fáceis. – Apertei os olhos com força, numa tentativa frustrada de expulsar a dor para longe. – E se ele não me amasse tanto... isso tudo não estaria gerando tanto sofrimento.
- O que você está fazendo é loucura!
Puxei o ar com força.
- Nunca irei me esquecer da forma que ele me olhou quando foi embora, Margareth. Seu eu pudesse tê-lo abraçado e dito que minhas justificativas não eram verdadeiras, eu o teria feito.
- Ainda há tempo para voltar atrás – ela disse, os olhos esperançosos.
- Não. Não há.
David entrou no quarto e começou a retirar as primeiras malas.
- Acho que já está na hora de ir – eu disse para Margareth.
Ela balançou a cabeça.
- Cuidarei de tudo até que você volte – murmurou, abraçando-me apertado. – Cuide-se, minha menina.
Dei a volta na cama e me ajoelhei diante da mesa-de-cabeceira. Abri a primeira gaveta e encontrei uma rosa branca, desgastada pelo tempo, que fez meu estômago se retorcer com as lembranças que invadiram minha mente. 
A recolhi nas mãos e lembrei-me do dia em que Michael me mandara um buquê com dezenas delas, desejando que a nossa amizade fosse sólida e duradoura. Naquela ocasião, eu a guardei por acaso, ou porque no fundo eu sabia o quanto ela iria significar para mim. Agora eu a levaria comigo, como uma lembrança do nosso amor, e de tudo que vivemos juntos.


Três horas depois eu já estava na clínica, rodeada por sorridentes enfermeiros vestidos de branco e azul. Ao contrário do que sempre imaginei, o lugar era muito agradável, e me trasmitia confiança. Fui muito bem recebida e fiquei sabendo que lá havia inúmeras atividades para passar o tempo e nos ajudar a controlar a ansiedade. A clínica era provida de espaço para canto, dança e pintura, uma enorme biblioteca, e possuia também um estábulo com cavalos treinados, à disposição dos pacientes que quisessem se aventurar. E eu não sou um deles, pensei comigo mesma, considerando que eu nunca havia sequer montado em uma cela durante toda a minha vida. Nenhum atrativo da clínica fazia alguma diferença para mim. Eu só queria ficar no meu canto, acompanhada pela minha dor, em silêncio e sem ser incomodada.
- Iremos levá-la até o seu quarto – uma das enfermeiras anunciou. – Você já poderá se recolher, se quiser. Amanhã você será apresentada ao Dr. Vincent Carter, o diretor, e ele lhe explicará todas as regras.
Esforcei-me para não revirar os olhos.
- Regras?
Ela sorriu.
- Sim. Todos nós precisamos de regras para uma boa convivência com os demais.
Balancei a cabeça positivamente, dizendo para mim mesma que, se eu não morresse pela dor que se instalara no meu coração, morreria de tédio, com certeza.



Capítulo 54


Não foi fácil conseguir pegar no sono aquela noite
Michael não saía da minha cabeça.
Lembrei-me dos nossos momentos juntos, das palavras carinhosas que dizemos um ao outro... das vezes que fizemos amor. Enxerguei seus olhos a me fitar enquanto eu me aninhava em seus braços, procurando seus lábios para mais um beijo. Tentei imaginar como ele estava lidando com tudo aquilo... e se no fundo ele desconfiava que havia algo de muito errado naquela história. Meu peito parecia estar vazio. Eu me sentia desprotegida e incompleta, dilacerada por dentro.
Não consegui conter as lágrimas que se aproximaram de repente. Sentei-me na cama, enterrei a cabeça entre as mãos e chorei em desespero. 
Eu preciso voltar, afirmei para mim mesma, com uma coragem súbita e genuína. Não posso suportar ficar longe dele.
Levantei-me e olhei ao redor do quarto, disposta a realmente voltar atrás. De repente, uma voz ecoou na minha cabeça, fazendo-me relembrar como tudo aquilo havia começado. “Michael... se esse romance vier a público será ótimo para a imagem dela. Mas para a sua... será péssimo! A Sienna não tem nada a perder. Mas você... tem uma reputação a zelar! Ter seu nome envolvido com o dela irá ser prejudicial para a sua carreira. Ela é uma bêbada descompromissada, uma maluca que aparece em destaque todos os fins de semana nas revistas de fofoca. Artistas como ela... são mais notados pelos escândalos do que pela própria arte!!! Não jogue seu nome na lama com uma bobeira dessas. Não vale a pena
Não vale a pena
Não vale a pena
Não vale a pena”

Sentei-me na cama novamente, tentando em vão me acalmar, e dizendo para mim mesma que seria melhor deixar tudo como estava.
O que está feito; está feito.


Ao acordar na manhã seguinte nem precisei me olhar no espelho para saber que minha aparência estava péssima. Olheiras enormes denunciavam minha horrível e turbulenta noite de sono e eu não tinha a mínima vontade de levantar para ver a luz do dia. Fechei os olhos novamente e enfiei a cabeça em baixo do cobertor, pedindo a Deus que ninguém me incomodasse pelos próximos 100 anos.
- O Dr. Vincent Carter está a sua espera – ouvi uma voz feminina murmurar, aproximando-se da cama, poucos instantes depois.
Ignorei o aviso e permaneci em silêncio, sem me mover.
- O Dr. Vincent pediu que eu viesse lhe chamar para que ele possa lhe explicar as regras da clínica.
Revirei os olhos e me virei em sua direção.
- Não está vendo que ainda não me levantei? – perguntei, olhando a enfermeira ruiva e pouco simpática ao lado da cama. – O doutor não poderia deixar para me dizer as mald... – hesitei e respirei fundo: as benditas regras mais tarde?
Ela me encarou.
- Ordens são ordens – limitou-se a explicar. – Vista uma roupa, irei levá-la até a sala da direção.


Minutos depois, eu estava sentada diante do Dr. Vincent Carter, numa sala ampla e bem iluminada. Ele era um homem alto, muito bonito, que parecia ter quarenta e poucos anos. Sua expressão era cordial, e ele parecia ser um homem simples e amistoso.
- Nos sentimos muito felizes em ter você como nossa paciente – ele disse, apertando a minha mão. – Quero que você se sinta à vontade. Faça desta clínica um lar. Assim o tempo passará mais depressa, e você logo poderá voltar para a sua casa.
Suspirei e abaixei os olhos.
- Não estou preocupada com o tempo, Dr. Carter. Não tenho a mínima pressa de ir embora daqui – murmurei, sentindo um aperto no peito.
Ele sorriu, surpreso.
- Isso é algo bastante fora do comum. – Hesitou. – Você não precisa me chamar de Dr. Carter . Pode me chamar apenas de Vincent, está bem? Quero que sejamos amigos. Todos aqui são amigos. Quando um paciente se relaciona bem como todos... o tratamento se torna muito mais eficaz.
Acomodei-me melhor na cadeira.
- Dr. Carter ... – Ele me fitou e balançou a cabeça em sinal de desaprovação, esperando que eu me corrigisse. Olhei para ele: – Dr. Vincent... Não há necessidade nenhuma de se preocupar com o meu tratamento. Eu não sou viciada em nada. 
- É o que todos dizem quando chegam aqui.
Revirei os olhos, irritada.
- Estou falando sério.
- Então o que você está fazendo aqui? – perguntou, com uma pontada de ironia. - Se você estava pensando em tirar férias... Madagascar é uma ótima opção. 
Levantei-me apressadamente da cadeira. “Estou tentando ficar longe do meu namorado”, tive vontade de dizer. Senti um grande aperto no peito ao me corrigir: “Do meu ex-namorado.” Não, eu não poderia ser tão sincera. Ele nunca iria entender, e me mandaria dali direto para outra clínica. Uma clínica psiquiátrica.
- Eu só quero ficar aqui... Longe do mundo lá fora.
Ele sorriu, na certa pensando que eu tinha dado a primeira desculpa que surgiu na minha mente.
- Sei que você tem problemas com bebidas alcoólicas – murmurou, amigavelmente. – Mas não se preocupe... aqui você aprenderá a ficar longe delas.
Balancei a cabeça afirmativamente, querendo que aquela conversa terminasse de uma vez. Eu não tinha problema nenhum com bebidas alcoólicas e sabia disso. Sempre gostei de beber, mas nada que eu não pudesse ter pleno controle. Exceto pela noite do VMA, eu sempre consegui encontrar, na medida do possível, o equilíbrio. Mas as pessoas pareciam não enxergar isso, e não tiveram piedade em me taxar “a bêbada maluca do showbizz”.
- Temos um grupo de pacientes que se encontram duas vezes por semana, para dividirem suas experiências, falarem sobre o assunto... um tentando ajudar o outro. É um grupo de apoio. Quero que você participe de todas as reuniões, está bem? Procure se manter ocupada, temos várias atividades recreativas aqui. E qualquer coisa que precise... diga para uma das nossas enfermeiras e ela poderá lhe ajudar.
- Tudo bem, Dr. Vincent. Mais alguma coisa? – perguntei, batendo o pé no assoalho de madeira.
- Não iremos ser amigos? – indagou, com um simpático sorriso. – Nenhum paciente daqui me chama de doutor, Sienna – murmurou, dando ênfase no meu nome, para mostrar que ele também não se prenderia a nenhuma formalidade. - Preciso que você se sinta bem em estar aqui. Que goste e se relacione com todos.
Balancei a cabeça afirmativamente, disposta a não dificultar as coisas. Quando ele estendeu a mão para um último aperto, pude ver uma enorme aliança de ouro reluzir em sua mão esquerda.
- Está certo. – Olhei para ele: - Vincent. 



Capítulo 55


Eu estava convencida de que minha estadia na clínica seria, na medida do possível, tranquila. Prometi para mim mesma que iria seguir à risca todas as recomendações do dr. Vincent e procuraria me relacionar da melhor forma com todas as enfermeiras e os outros pacientes. 
Voltei para o quarto e me deitei novamente, sem ânimo demais para fazer qualquer outra coisa. As lembranças persistiam em me acompanhar onde quer que eu fosse, e eu sabia que iria acabar ficando maluca se não conseguisse aprender a lidar logo com aquilo. 
Sozinha no quarto, percebi que o silêncio me deixava ainda mais vulnerável e deprimida. Eu precisava me mover, me ocupar, encontrar algum método para evitar que o nome Michael surgisse a todo momento em meus pensamentos.
Segui para a biblioteca e escolhi o maior livro que encontrei. Vários pacientes caminhavam para lá e para cá, e pareciam ser pessoas sem qualquer tipo de problema envolvendo álcool e drogas. Eram calmos, sempre sorridentes, conversando entre si de forma amigável e cordial. Alguns se aproximaram de mim, se apresentaram, disseram que apreciavam a minha música, mas eu estava tão mal que preferi me afastar educadamente, para evitar que meu péssimo estado de espírito prejudicasse o ânimo de alguém.
Fui para o enorme e bem cuidado jardim que circundava a propriedade principal e me sentei em um banco de madeira, ao lado de um canteiro com pequenos e encantadores lírios cor-de-rosa. Abri a primeira página e comecei a ler, quando senti alguém tocar o meu ombro.
- Eles precisam tomar o sol fraco da manhã – uma voz suave murmurou. – Você... está fazendo sombra e impedindo que o sol chegue até eles.
Levantei-me rapidamente e fitei a linda garotinha que olhava em minha direção, apontando para os lírios do canteiro. Ela tinha os cabelos negros envolvidos em uma trança, e os lábios retraídos em um pequeno sorriso. Parecia ter uns 11 anos, e seus traços se assemelhavam aos de alguém que eu conhecia... Mas não consegui me lembrar quem.
- Oh, me desculpe! – eu disse, fechando o livro rapidamente. – Eu não sabia.
Ela balançou a cabeça.
- Não precisa se preocupar. Acho que os plantei no lugar errado – murmurou, esticando um pequeno regador na direção das flores. - Aqui quase não pega sol à tarde, o que é essencial para o bom crescimento, mas pela manhã muitos pacientes desavisados sentam aqui nesse convidativo banco e impedem o sol de atravessar – disse, com um risinho. – Preciso pedir para o papai trocá-lo de lugar.
Quando notou que minha expressão ficara curiosa e confusa, ela tratou de explicar:
- O Dr. Vincent Carter, diretor e um dos proprietários da clínica. Ele é o meu pai.
Lembrei-me rapidamente de com quem ela se parecia.
- Ah, sim... Você se parece muito com ele – murmurei, balançando a cabeça afirmativamente.
Ela esticou a mão em minha direção.
- Eu me chamo Samantha. - Sorriu. - Mas todos me chamam de Sam. 
- Prazer Sam. Você é uma garotinha muito bonita – eu disse, retribuindo o sorriso. – Meu nome é Sienna.
Ela revirou os olhos.
- E quem não sabe? – perguntou, começando a cantarolar o trecho de uma das minhas músicas. – Todos sabem que é você. Papai me disse que você viria passar um tempo conosco. Minhas amigas do colégio não vão acreditar que você veio mesmo!
Continuamos conversando, enquanto caminhávamos pelo jardim. 
- Nossa casa é aqui perto, do outro lado da rua. Não gastamos nem sequer cinco minutos para chegar aqui – contou, enquanto brincava com a ponta solta do cabelo. – Como papai passa a maior parte do tempo aqui, eu também venho depois que chego do colégio. Ajudo a cuidarem do jardim, leio na biblioteca... Há muitas coisas para se fazer aqui e todos são muito legais. 
- Sua mãe não se importa? – indaguei, levando em consideração que todos ali eram mesmo muito simpáticos, mas aquela não deixava de ser uma clínica de reabilitação, um lugar pouco convidativo para crianças.
Ela abaixou os enormes olhos negros.
- Eu nunca conheci minha mãe. Ela... morreu quando eu ainda era bebê, em um acidente. Papai que cuidou de mim por todo esse tempo.
Senti minhas bochechas ruborizarem pela pergunta indelicada que fiz.
- Oh, Sam, eu... sinto muito.
- Não precisa – ela respondeu, levantando os olhos e iluminando o rosto. – Sei que ela está em lugar melhor. É o que papai sempre diz. 
Balancei a cabeça.
-Seu pai está coberto de razão.
Após alguns instantes de silêncio ela disse:
- Sabe... ele ainda é muito apaixonado por ela. Continua a usar a aliança de casamento... Parece que no fundo acha que ela ainda vai voltar. – A voz de Sam era pesarosa. – Seria bom para ele construir uma nova vida. Já disse isso pra ele, mas ele não me escuta. – Ela olhou no relógio. – Ai Sienna, eu preciso ir. O Arthur está me esperando no estábulo. Eu disse que iria passar por lá hoje – murmurou, com um enorme e repentino sorriso. – Temos lindos cavalos aqui! Não quer ir comigo? É muito divertido.
- Tenho certeza que é mesmo. Mas vamos deixar para uma próxima vez – eu disse, fazendo um certo esforço para que meu medo de lidar com cavalos não transparecesse. 
Ela assentiu.
- Tudo bem, mas tenha a certeza de que irei cobrar: ainda nos veremos muito por aí. Até mais, Sienna, adorei conhecer você. É ainda mais bonita do que pela televisão – disse com um sorriso, e saiu saltitando pelo jardim.
Acho que acabei de ganhar uma amiga, pensei comigo mesma, sorrindo. Sam era uma criança adorável, cheia de energia. Michael adoraria conhecê-la, afirmei, sentindo meus olhos marejarem mais uma vez.


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Em Neverland, Michael estava sentado em seu escritório quando John Branca chegou. Levantou os olhos para observar o advogado entrar e voltou a remexer inquietamente alguns papéis.
- Deu tempo de anotar a placa, Michael? – Branca perguntou com os olhos arregalados, aproximando-se da poltrona.
Michael o fitou seriamente.
- Que placa, Branca? Está ficando maluco?
- A placa do caminhão que passou por cima de você – murmurou, balançando a cabeça. – Você está péssimo, meu amigo! Que diabos a Sienna anda fazendo com você? – perguntou, com um risinho insinuativo.
Michael continuou sério e frio como uma pedra de mármore.
- Não há mais Sienna.
Um vinco se formou na testa do advogado.
- Como assim?
- Ela me deixou – Michael respondeu secamente.
Branca balançou a cabeça negativamente.
- Mas não é possível! Vocês dois não estavam desfrutando de uma grande lua-de-mel antecipada? O quê deu errado?
- Pergunte a ela. 
Branca acomodou-se confortavelmente.
- Ela é mesmo uma desequilibrada, não é? – perguntou encarando Michael. - Você deveria saber disso desde o início. Lembra-se de como ela era quando você e a Lisa se casaram? Costumava evitar todos por aqui. 
Michael soltou um longo e angustiado suspiro.
- Ela é um enigma, Branca. Estava tudo muito bem entre nós. Ela simplesmente se enfiou em uma clínica de reabilitação seguindo ordens do Mottola, e disse que estava tudo acabado.
Branca analisou o amigo.
- Mas você a ama.
Michael passou as mãos pelo rosto, desesperado.
- Amo, Branca. Amo mais do que qualquer outra coisa nesse mundo. Tenho vontade de ir atrás dela e trazê-la de volta.
O advogado abriu um pequeno sorriso.
- Então faça isso, cara! Lute pelo seu amor! Lembre-se de que você é Michael Jackson, o homem que nunca desiste de nada. Vai deixar essa história morrer assim?
Michael pendeu a cabeça para trás, desanimado.
- Eu não posso. Na nossa última conversa... ela deu a entender que não é feliz ao meu lado. Minha vida ofusca a dela. Isso não é justo! Não tenho esse direito.
Branca abriu a sua pasta e retirou uma enorme quantidade de papéis.
- Parece não ser um bom momento, mas preciso que assine todos esses papéis – Branca murmurou, estendendo-os na direção de Michael. – São do seu divórcio com a Lisa.
Michael fechou os olhos, tentando censurar as lágrimas que ameaçaram se aproximar. Ele e Sienna esperaram tanto por aquele momento... E agora que ele finalmente havia chegado, já não era mais uma prioridade.
- Ela aceitou os termos? – perguntou desconfiado, pegando uma caneta.
Branca assentiu.
- Ela parecia estar acuada – murmurou. – Disse que quer que tudo se resolva logo. Está planejando passar uma temporada na Europa. Juro que pensei que ela iria fazer um escândalo na mídia.
- E ela ia mesmo – disse Michael. – Mas a Sienna descobriu que ela mantinha um caso extra-conjugal com um ordinário chamado Emmet e se isso viesse a público seria horrível para ambos os lados.
Branca arregalou os olhos de descrença.
- A Lisa?!O mesmo Emmet que era namorado da Sienna?! - Observou Michael assentir. - Que maldita confusão! – Balançou a cabeça em sinal de desaprovação. - Oh, céus... as mulheres são mesmo falsas e engenhosas.
- Por favor, não vamos generalizar, Branca – censurou Michael.
Michael acabou de assinar os papéis e os entregou ao advogado.
- Por enquanto é só isso – Branca murmurou. Hesitou por um instante. – Mike... posso lhe dar um conselho, cara?
Michael assentiu.
- Quantos você quiser.
- Promete que irá me ouvir?
- Prometo.
Branca deu um suspiro.
- Não deixe sua felicidade escapar tão facilmente. Converse novamente com a Sienna, tenho certeza de que vocês encontrarão uma solução para isso tudo.
Michael ficou em silêncio por um tempo depois, disse:
- Eu não posso bancar o tolo, Branca. Ela disse olhando nos meus olhos que estava vivendo apenas em função da minha vida e esquecendo a vida dela. Tenho certeza de que ela ficará muito melhor sem mim.
- Mas você disse que iria ouvir o meu conselho – disse Branca, indignado.
Michael forçou um sorriso.
- Eu disse que iria ouvir. Não disse que iria segui-lo.
Branca levou as mãos à cabeça, dando-se por vencido e afirmando que Michael era o homem mais teimoso que já conhecera em toda sua vida.


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Capítulo 56


Passei as sete semanas seguintes procurando me ocupar com as coisas que tínhamos disponíveis na clínica. Descobri que minha teoria de ocupação estava completamente errada: meus pensamentos não se desviavam de Michael nem por um segundo. Tudo me fazia lembrar o seu jeito, seu sorriso, sua voz, seus lábios sobre os meus, suas mãos explorando com cuidado cada parte do meu corpo...

Apesar de ter a companhia constante de Sam, de Vincent e dos outros pacientes, eu me sentia sozinha.
Completamente
Desesperadamente
Sozinha.
No início de uma linda noite de lua-cheia, voltei pro quarto e sentei-me na cama, pegando na primeira gaveta da mesa-de-cabeceira a rosa desgastada pelo tempo que ganhei de Michael certa vez e levei para a clínica comigo. Era uma forma de trazê-lo para mais perto de mim.
Mais uma vez, não consegui conter as lágrimas. Uma dor insuportável se apossara do meu peito e estava me dilacerando por dentro. Nunca pensei que os assuntos do coração poderiam mesmo nos machucar de forma tão intensa.
Ouvi leves batidas na porta e tornei a guardar a flor, secando os olhos depressa com a manga da blusa.
- Entre – murmurei, tentando manter a voz tranqüila e nivelada.
A figura de Sam surgiu diante de mim, com um papel e uma caneta em mãos.
- Você poderia dar mais um autógrafo aqui? – perguntou, sorrindo e aproximando-se da cama. – É para um amigo do colégio. Todos ficam animadíssimos quando descobrem que você está mesmo aqui. O nome dele é Laurence.
Tentei sorrir.
- Mas é claro que sim – murmurei pegando o papel, a caneta e assinando o meu nome, acompanhado por uma dedicatória.
Ela me analisou cautelosamente.
- O que você tem? – indagou, olhando-me nos olhos. – Prometi para mim mesma que não iria me intrometer; mas você está cabisbaixa desde o primeiro dia que pisou aqui. Eu não agüento mais te ver desse jeito.
Balancei a cabeça negativamente.
- Eu? Deve ser impressão sua, nada mais.
- Mas é claro que é. Você sempre costuma ser tão desanimada dessa forma? Eu sempre pensei que Sienna McCallister era uma mulher cheia de energia. Acho que andam fazendo uma propaganda enganosa ao seu respeito, sabia? 
Ruborizei a face ao perceber que meu péssimo estado estava tão visível que não dava mesmo pra esconder.
- Você não queria vir pra cá? – ela perguntou, sentando-se ao meu lado na cama.
- Eu... eu estou com muita saudade de uma pessoa – confidenciei, muito tentada a desabafar com alguém.
Um vinco se formou em sua testa.
- E por que essa pessoa nunca apareceu aqui para ver você?
- Não é tão simples assim, Sam. 
Ela me encarou.
- E quem é ele? Ele é seu namorado, não é? Só pode ser esse o motivo de tanta tristeza.
Arregalei os olhos, surpresa por ela ter sido tão rápida na linha de raciocínio. Sam parecia ser uma garota extremamente inteligente.
- Mas... como você sabe? – gaguejei, sem saber o que dizer.
Ela suspirou, séria.
- Tenho neurônios dentro da cabeça. – Me encarou, os olhinhos brilhando: - E... como é o nome dele?
Puxei o ar com uma repentina dificuldade.
- Mich... – calei-me depressa. – Ah, Sam, isso não faz diferença.
- Você gosta muito dele, não é mesmo?
Assenti.
- Eu o amo. 
Sam revirou os olhos.
- Então qual é o problema? Por que ele ainda não veio lhe visitar?
- Não estamos mais juntos – respondi.
Um ponto de interrogação se formou em sua expressão.
- Ele a ama?
Fiz um grande esforço para abrir um pequeno sorriso.
- Ama – murmurei, com plena certeza e convicção.
Ela sorriu.
- Se você o ama... e ele a ama... Por que vocês não estão mais juntos? – perguntou confusa, como se aquela fosse uma questão extremamente simples.
Soltei um longo suspiro e permaneci calada, sem querer perturbar a pobre criança com meus problemas.
Ouvimos leves batidas na porta e, instantes depois, o dr. Vincent surgiu diante de nós.
- Você está perturbando a Sienna de novo, não está? – perguntou, olhando para Sam. – Já está tarde, vamos para casa.
Eu abri um pequeno sorriso.
- Ela é uma garota adorável, Vincent – murmurei, brincando com a ponta do cabelo de Sam. – Nunca incomoda.
Ele também riu.
- A conheço o suficiente para saber que pode ser curiosa e impertinente às vezes – ele murmurou.
Sam saltou da cama e se colocou de pé rapidamente.
- Papai, sejamos francos, a Sienna não está nada bem – ela disse fitando meus olhos. – O senhor ainda não percebeu? 
Os encarei sem graça.
- Ora, Sam... eu estou ótima.
Ela negou com a cabeça.
- Você está triste, Sienna. Até um cego pode ver isso. – Virou-se para o pai. – Ela pode ir jantar conosco amanhã? – perguntou, com aqueles olhinhos de quem não aceita um “não” como resposta. - Quero mostrar o meu quarto e as minhas bonecas para ela. Talvez ela consiga se animar.
Vincent não conseguiu disfarçar sua surpresa.
- Mas... ela não pode sair daqui, Sam – explicou rapidamente. 
Ela revirou os olhos.
- Nossa casa é quase aqui na frente, pai. E por que ela não pode sair?
- Porque isso é contra as normas. Ela está internada aqui... sob nossa responsabilidade.
- Até parece que queremos levá-la para a Guerra do Vietnã! – Olhou para o pai novamente. – Ainn... pai, por favor? 
Levantei-me da cama.
- Por favor digo eu, Sam. Isso é absurdo – murmurei. – Vamos deixar para uma próxima oportunidade. Sabemos que isso é completamente contra as regras.
Sam sorriu, sem desanimar.
- E quem é que cria as regras aqui? – perguntou, olhando firmemente para o pai. – O senhor é o diretor. Se der permissão para que ela saia, ela pode sair. 
Vincent a encarou por alguns segundos e depois abriu um sorriso.
- Onde você aprende a ser tão persuasiva, Samantha? – indagou, encarando a filha. – Tudo bem, tudo bem. Você aceita jantar conosco amanhã, Sienna?
Assenti devagar. Depois do enorme empenho de Sam, eu não poderia recusar.
- Eu iria adorar.
- Yes! – comemorou Sam, com um enorme sorriso no rosto.


Capítulo 57



No dia seguinte, às 7 da noite, recebi autorização para sair da clinica e ir até a casa de Sam e do dr. Vincent. Tentei me animar, afinal de contas o clima estava ameno, a residência ficava a apenas alguns metros de distância da clínica... e um jantar iria realmente me fazer esquecer um pouco dos problemas.
Fui recebida por uma simpática governanta chamada Bertha e conduzida até a sala de visitas, onde Vincent esperava por mim. Prontamente perguntei por Sam, e ele me disse que ela havia se enrolado com os deveres do colégio, mas não demoraria muito para descer. Falou-me de como procurava ser rígido com a educação da filha, pois esse era o primeiro passo para que ela alcançasse seus objetivos quando estivesse adulta. 
Enquanto esperávamos por Sam, Vincent fez de tudo para que eu me sentisse tranqüila e confortável em sua casa. Engatamos uma agradável conversa e percebi que era como se nos conhecêssemos a muito tempo. Inevitavelmente, notei que havia diversas fotos de uma linda e jovem mulher espalhadas por todos os lugares da sala, e lembrei-me sobre o que Sam me dissera sobre a morte da sua mãe e a dificuldade do seu pai em superar os acontecimentos.
Depois que Sam desceu, antes que eu pudesse dizer um simples “olá”, ela me puxou pelo braço e arrastou-me escada acima para que eu pudesse finalmente conhecer o seu quarto. Apresentou-me à bonecas de pano, de plástico, de porcelana, e mais uma infinidade de outros brinquedos que pareciam ser muito legais e divertidos. Mostrou-me também as duas enormes pilhas de CDs que ficavam em uma prateleira perto do aparelho de som, e quase caí para traz quando me deparei com os discos Thriller, Bad e Dangerous. A menina tem um ótimo gosto musical, afirmei para mim mesma no mesmo instante. 
Jantamos pouco depois, e a noite estava se mostrando mais agradável do que imaginei. Eu me sentia bem ali, quase alegre, menos depressiva. Sam não parava de falar sobre o colégio e sobre as amigas, disparando as palavras com aquela mesma energia e empolgação que conheci nas semanas anteriores. Tudo aquilo me impediu de pensar em Michael e no que havia nos acontecido. Consegui, finalmente, focalizar minha mente em outras coisas e em outras pessoas.
Quando a noite já estava avançada, Vincent pediu que Sam se despedisse de mim e subisse para o quarto, pois já estava passando da sua hora de dormir. Ela questionou, fez biquinho, e por fim concordou, admitindo que o pai estava certo. Ela abraçou-me e disse que havia adorado aquela noite que passamos juntos. “Juntos como se fôssemos uma família” – frisou, com inocência. Fiquei meio sem graça com o seu comentário e sei que Vincent sentiu o mesmo, mas procuramos fingir que não havíamos escutado o que ela dissera. 
Quando eu me preparava para voltar para a clínica, Vincent me convenceu a ficar mais um pouco, para que pudéssemos beber uma taça de... suco de uva. Vinho estava fora de questão, o que me fez voltar a lembrar que ele era o homem responsável por me manter longe de toda e qualquer bebida alcoólica. O convite não era muito tentador, mas mesmo assim resolvi aceitar. O que eu tinha a perder?
A conversa entre nós fluía de forma natural e sem esforço, e gostei de me sentir daquela forma: leve e despreocupada. Evitei falar sobre mim, desconversando todas as vezes que ele perguntava sobre a minha vida pessoal. Os fantasmas que me perseguiam não podiam, não deviam, ser compartilhados com outra pessoa. Preferi escutá-lo, e ele não demonstrou nenhum receio em me dizer sobre a sua vida. Contou-me que se casou ainda jovem, viveu um casamento completamente feliz, que sua esposa lhe dera Sam – o maior presente que já recebera -, mas o destino pregara peças; tirando sua felicidade de forma rápida e inesperada. Ele conseguira reconstruir sua vida, criara Sam, e sabia que fizera um bom trabalho, pois ela era a garotinha mais adorável da face da Terra. Mas sentia falta da sua mulher, lamentava por Sam nunca ter tido uma figura materna em sua vida, o que seria essencial para o seu desenvolvimento.
Por fim, ele falou que havia adorado me conhecer. Disse que ficara impressionado com a forma que Sam se simpatizou comigo, e como eu retribuíra todo o carinho da menina durante os últimos dias. Falou que algo em mim o fazia se lembrar da sua esposa, e que eu realmente o havia proporcionado uma ótima noite.
Senti suas mãos, em um gesto que pareceu ser por acaso, tocarem delicadamente as minhas. Fiquei assustada com a forma que tudo aquilo estava se precipitando. Eu solitária e de coração partido. Ele um homem extremamente amável, que nunca conseguira superar a ausência da esposa. 
Tínhamos algo em comum: duas solitárias almas perturbadas. 
Havíamos nos aproximado muito durante as últimas semanas, e a cada dia sua presença me ajudava a amenizar a dor que a falta de Michael me causava.
Mas a amizade não poderia ser confundida. Por nenhum de nós dois.


Voltei para a clínica e passei a noite inteira tentando entender o que estava acontecendo. No dia seguinte, evitei esbarrar com Vincent nos corredores, com medo do rumo que aquela situação estava tomando. À tarde, Sam finalmente conseguiu me arrastar para o estábulo, lugar este que eu sempre havia procurado manter distância. Afirmei para mim mesma que seria ótimo me afastar um pouco para evitar os olhares de Vincent após a conversa que tivemos na noite anterior. 
- Que bom que você aceitou vir!!! – Sam disse empolgada, me puxando pela mão. – Tenho certeza de que você irá adorar montar no Honey – murmurou, apontando para um enorme cavalo preto que estava sendo selado por um homem que eu nunca havia visto antes.
Balancei a cabeça negativamente, quase muda pelo susto que suas palavras me provocaram.
- Eu? Montar? Tire essa idéia da cabeça, Samantha. Está fora de cogitação.
Ela me encarou.
- O Honey é o cavalo mais dócil que temos aqui. Não precisa ter medo. É fácil!
O homem aproximou-se de nós e assentiu com a cabeça.
- A menina está certa – afirmou, sorrindo. – Ele é o mais manso daqui.
Sam riu.
- Eu irei montar na Imperatriz. Vamos, Sienna! Deixe de ser tão medrosa!
Fitei os olhos de Sam, tentando disfarçar o repentino tremor de minhas mãos.
- Nâo é questão de medo... É só... – observei Sam e o homem me encararem, duvidando das minhas explicações. – Está bem!!! – bradei, sem pensar duas vezes. Eu nunca tinha tentado montar antes, mas não suportaria parecer uma covarde. – Eu topo!!! Tragam o Honey para cá.
O homem se distanciou e reaproximou-se poucos minutos depois, trazendo o cavalo e uma linda égua amarronzada consigo. Sam montou na égua rapidamente, com uma incrível habilidade, e saiu trotando pelo gramado, sorrindo para mim.
- Venha!
Puxei o ar e tentei subir em Honey, frustrando-me ao perceber que nem mesmo isso eu conseguia fazer. Quando ficou nítido que se dependesse da minha habilidade eu nunca conseguiria sair do chão, o homem me segurou pela cintura e colocou-me em cima da sela, arrancando uma gargalhada de Samantha. O cavalo começou a se mover, enquanto eu, de olhos arregalados, rezava para descer o mais depressa possível dali.
- Está vendo como é fácil? – Sam perguntou, me acompanhando. O cavalo e a égua se moviam no mesmo passo, um ao lado do outro. – Não precisa ter medo.
Relaxei e comecei a me sentir mais tranqüila.
- E quem te disse que tenho medo de uma coisa tão simples? – indaguei, tentando parecer convincente.
Ela riu.
- Sienna... preciso perguntar algo para você.
- Diga – murmurei, com o máximo de atenção possível.
- Ontem depois que eu fui dormir você e o papai continuaram a conversar, não foi?
Assenti.
- Sim. Ainda demorei um pouco para voltar para a clínica.
Ela me analisou cautelosamente.
- É que... hoje de manhã o papai pediu para a Bertha retirar todas as fotos da mamãe que estavam espalhadas pela casa e guardar em uma caixa. Em todos esses anos ele nunca permitiu que ninguém sequer tocasse naquelas fotos. 
- E o que eu tenho a ver com isso? – perguntei, fitando Sam com firmeza.
Ela revirou os olhos.
- Tudo! O papai mudou muito desde que você chegou aqui. De todas as pessoas que estão internadas aqui, você é a que ele mais cuida, mais se preocupa, mais dá atenção. Ele sempre me pergunta se gosto de você, se acho você uma boa pessoa... – Riu e acrescentou: – Começo a achar que um grande milagre aconteceu, Sienna. 
Pigarreei forte, balançando a cabeça negativamente.
- Pare de fantasiar as coisas, Sam. Não diga bobagem.
- Falo sério! – retrucou rapidamente. – Hoje de manhã quando perguntei para ele por que ele mandou a Bertha retirar as fotos, ele disse apenas que finalmente se sentia pronto para encerrar um ciclo em sua vida e iniciar outro. Ele está muito diferente. – Fitou meus olhos: - Com cara de quem está a-p-a-i-x-o-n-a-d-o.
Enquanto minha mente tentava, a todo custo, processar os últimos acontecimentos, a égua de Sam se assustou com algo e começou a relinchar insistentemente. Vimos algo rastejar em ziguezague pelo gramado e desaparecer mais adiante logo depois. Honey também ficou agitado e ao contrário de Sam, eu não tinha a mínima idéia do que deveria fazer para controlá-lo. O cavalo se debatia e relinchava, enquanto o pânico se apossava de mim rapidamente.
- Puxe a rédea! – Sam gritou, assustada. – Puxe a rédea!
Com as mãos trêmulas, tentei obedecer ao seu comando. Mas ao me projetar para traz, o cavalo saltou abruptamente tirando o meu equilíbrio. Senti meu corpo escorregar para baixo e minhas mãos perderam completamente o apoio. 
- CUIDADO! – ouvi uma voz de menina murmurar, e por fim, nada enxerguei além da escuridão.



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Em Neverland, Michael atendeu ao telefonema de John Branca.
- Eu estou tentando trabalhar, Branca – Michael disse ríspido.
Por um instante, a voz de Branca pareceu vacilar do outro lado da linha.
- Você ainda não viu, cara? – perguntou, esbaforido. Antes que Michael dissesse algo, emendou: - Acabo de ver na TV que a Sienna deu entrada em um hospital de Long Beach. 
Michael balançou a cabeça negativamente, atordoado.
- O que houve com ela???!!! – disparou, em desespero. – Isso é mesmo verdade???!!! Pode ser apenas um boato... – murmurou, esperançoso.
- Parece que é mesmo uma informação verídica – Branca disse, pesaroso. – É melhor você parar com essa teimosia maldita e ir lá para ver o que está acontecendo. Não deram nenhuma informação precisa: disseram apenas que Sienna McCallister havia sido levada às pressas para o St. Mary Medical Center.
Michael sentiu um aperto no peito. Se algo de mal acontecesse, ele nunca iria se perdoar. Jamais deveria ter permitido que Sienna fosse embora daquele jeito... Jamais deveria ter desistido do seu amor tão facilmente.
- ROGER!!! – gritou, descendo as escadas com pressa, pulando dois degraus de cada vez. – Roger tire o carro! Estamos indo para Long Beach!



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Capítulo 58



Abri os olhos devagar e prontamente senti uma enorme dor na cabeça e nas costas, fazendo-me recordar do que havia acontecido. Em um momento Honey relinchava sem parar, em outro eu me desesperava para puxar a rédea e, em seguida, tudo fora tomado pela escuridão. Eu não deveria ter montado naquele cavalo, não deveria, afirmei para mim mesma, completamente frustrada. 
- Como você se sente? – ouvi uma voz masculina perguntar e fiz um imenso esforço para encarar o homem de jaleco branco que se postara ao lado da cama.
Virei o pescoço para frente e arregalei os olhos ao perceber que eu estava deitada em uma cama de hospital.
- Eu... sinto um pouco de dor na cabeça e nas costelas – respondi, meio grogue. – Onde eu estou? Quem me trouxe para cá? Eu... eu irei ficar bem?
O médico sorriu, aliviado.
- Esse é o St. Mary Medical Center – respondeu. - Mas fique calma, não há motivos para se preocupar, parece que tudo não passou de um grande susto. Você sente as suas pernas? – indagou, aproximando-se e tocando na ponta do meu pé.
Assenti ao sentir o incômodo e a dor que o seu toque me provocou.
- Ai! Sinto, sim.
- Iremos providenciar algo para aplacar a dor, está bem?
Respirei fundo.
- Traga quantos sedativos puder, doutor. Quero simplesmente apagar novamente – eu disse, tendo a certeza de que inconsciente tudo pareceria ser mais fácil.
Ele fitou meus olhos.
- Tenho certeza de que você irá preferir ficar acordada para receber uma ilustre visita. – Sorriu: - Tivemos um grande trabalho para acalmá-lo. Ele parecia verdadeiramente desesperado.
Senti meu coração pulsar rapidamente dentro do peito. Puxei o ar e consegui perguntar, com os olhos arregalados:
- Quem está aí? É... é o...
- O Michael Jackson! – respondeu o médico, e pude notar que ele parecia mais empolgado do que eu. 
Não, não poder ser, afirmei para mim mesma, subitamente feliz e arrebatada pela euforia. 
O simpático médico deu uma piscadela e retirou-se, deixando-me ali deitada com um enorme sorriso no rosto. Depois de sentir tão intensamente os efeitos devastadores da saudade e da solidão, a possibilidade de ver Michael novamente causava borboletas em meu estômago.
- Posso entrar? – perguntou uma voz doce e aliviada vinda do lado de fora da porta. Senti minha cabeça girar e o meu coração disparar rapidamente.
- Claro – murmurei, abrindo um pequeno sorriso.
Vi Michael entrar e se dirigir para dentro do quarto. Céus, ele era tão perfeito quanto antes! Era o mesmo Michael de sempre. Era o meu Michael.
- Como você se sente? – perguntou, parecendo aliviado.
Forcei meu cérebro a dar uma resposta.
- Eu... eu acho que estou bem.
Ele sentou-se ao meu lado na cama e pegou minhas mãos. O seu toque gerou uma sensação mágica em mim, como se todas as células do meu corpo estivessem sendo invadidas por uma substância milagrosa.
- Você não sabe o quanto tive medo, Sienna. – Olhou em meus olhos: - Medo de perder você para sempre. 
Forcei-me a abrir um sorriso.
- Acho que vaso ruim não quebra assim tão fácil, Michael – murmurei, procurando descontrair o tenso ambiente.
Ele também sorriu.
- Sienna, você é o que há de mais importante na minha vida. Eu a amo... e não consigo mais suportar a idéia de ficar longe de você. 
Com os olhos marejados tive a certeza de que meu coração para sempre seria seu; nunca deixara de ser. A distância não modificara nem diminuíra o nosso amor, apenas tornara mais sólido. Percebi que o tempo nunca seria suficiente para apagar ou destruir o que sentíamos um pelo outro. Fui burra e tola ao tentar fugir. Amar é correr riscos, é se jogar em um abismo e torcer para cair de pé, mesmo que isso pareça impossível. É errar e acertar, é ser irracional a todo instante, pois não devemos pensar com a cabeça, e sim como o coração. Parte da família Jackson me detestava e achava que eu iria prejudicar o Michael. Como eu poderia saber quem estava certo ou errado? Eu tinha mesmo o direito de me privar de viver aquele amor por conta de meras hipóteses?
Respirei fundo, decidida a voltar atrás em tudo que tinha feito. 
Michael me amava.
Eu amava o Michael.
Apenas isso deveria bastar para termos uma segunda chance.
- Eu o amo tanto, Michael – murmurei, caindo em lágrimas. 
Ele apertou minhas mãos com ainda mais força.
- Então por que foi embora daquela forma? Por que você fez isso conosco?
Puxei o ar com dificuldade, disposta a contar tudo o que havia me perturbado e me levado a tomar aquela insana decisão.
- Eu...
Quando abri a boca para começar a falar, fomos interrompidos por apressadas e impacientes batidas na porta. 
- Como você está?! – perguntou Vincent, entrando no quarto com um enorme buquê de rosas amarelas nas mãos. – Oh, Sienna, eu e a Sam ficamos muito preocupados com você! Me diga, como você está se sentindo?
Michael levantou-se e notei prontamente uma expressão de desgosto se formar em sua face.
Pigarreei, sem graça. Vincent agia como se não estivesse vendo mais ninguém ali além de mim. 
- Vincent, esse é o Michael – eu disse, como se ele não soubesse. Quem poderia não saber quem era Michael Jackson?! – Michael, esse é o Vincent; diretor da clínica onde eu passei as últimas semanas.
Vincent o encarou, com os olhos arregalados.
- Oh, perdão! Uau, Michael Jackson! É um prazer conhecê-lo pessoalmente – murmurou, estendendo a mão para um cumprimento. – Minha filha adora aquela sua música... Remember The Life.
Senti Michael ranger os dentes.
- Remember The Time – corrigiu Michael, apertando a mão de Vincent sem o mínimo entusiasmo. 
Vincent virou-se para mim novamente, aparentando uma enorme preocupação.
- Você está bem? Não precisa de nada?
Michael balançou a cabeça negativamente. Sua expressão mostrava uma mistura de irritação, indignação, ciúmes e incredulidade.
- Acho que já está na minha hora – ele disse, de má vontade. 
Notei o tom ríspido e mal educado da sua voz.
- Michael... não é o que você está pensando, não – expliquei rapidamente, sem conseguir acreditar que tudo estava se desandando daquela forma estúpida.
- Fui um tolo em vir até aqui, Sienna. Você já tem quem se preocupe com você. Vejo que está em ótimas mãos – disparou, ironicamente.
Balancei a cabeça negativamente.
- Você está entendendo TUDO errado!
- Até mais – murmurou, cuspindo as palavras. – Tenham uma ótima tarde.
- Michael... Michael... Volte aqui! – supliquei, enquanto ele saía feito um furacão pela porta. – Michael!
Vincent me encarou, com um jeito de quem não entendera absolutamente nada do que acabara de acontecer. 
- Eu... eu acho que cheguei em uma má hora. Eu... atrapalhei... algumas coisa, não foi? – indagou, como os olhos arregalados.
Enterrei a cabeça entre as mãos. Porque ele não deixou eu me explicar?! Por que preferiu acreditar nessa idiota aparência?!, perguntei para mim mesma.
- O problema não é a sua preocupação, Vincent – respondi, desolada. – O problema é a intolerância do Michael – afirmei, quase sem voz.



Capítulo 59


Eu sabia que não poderia culpar Vincent, apesar de ter achado sua reação exagerada. Ele não sabia do meu envolvimento com Michael; e muito provavelmente achou que o Rei do Pop estava ali apenas para fazer uma visita de cortesia para uma parceira de profissão. 
- Como você está, Sienna? – perguntou Sam, entrando no quarto e recostando a porta atrás de si.
Forcei-me a abrir um sorriso.
- O médico disse que não quebrei nada. – Suspirei. - Foi apenas um susto.
Vincent colocou o buquê de rosas amarelas que ainda segurava em cima da mesa de cabeceira e sentou-se na poltrona para os visitantes.
- Ela poderia até estar bem: se Michael Jackson não tivesse criado uma cena ridícula e sem sentido agora a pouco – murmurou, com um tom sarcástico. Acho que finalmente Vincent havia entendido tudo que acontecera.
Sam arregalou os olhos.
- MI... Michael quem?!
Vincent suspirou, descontente.
- Michael Jackson. O cara dos mocassins pretos e luvas brancas.
Sam levou as mãos à cabeça, quase em desespero.
- Por que vocês n]ao me chamaram?! – perguntou, nos encarando com uma expressão de incredulidade no rosto. - Michael Jackson esteve aqui?!
Recostei minha cabeça no travesseiro, deprimida e decepcionada demais para responder a sua pergunta.
Vincent aproximou-se da filha.
- Você não o viu passar como um furacão pelo corredor? 
Ela balançou a cabeça negativamente.
- Eu não estava no corredor. 
- E onde você estava? – perguntou, em tom de censura.
- Conversando com a mulher que está aí para ver a Sienna. – Pensou por alguns instantes. – O nome dela é... Margareth.
Senti meu coração disparar. Finalmente uma notícia boa entre tantas ruins. Eu estava com tanta saudade de Margareth! Mal podia esperar para vê-la.
- Por que ainda não a mandaram entrar? – indaguei, fazendo um vão esforço para me levantar.
- Talvez porque esse quarto esteja parecendo A Casa Da Mãe Joana – respondeu Sam. – O médico disse que só permitirá a entrada de um de cada vez.
Vincent levantou-se.
- Acho que já está na hora de irmos lá para fora, Sam.
Sam revirou os olhos.
- Pai... Nem posso acreditar que Michael Jackson esteve aqui e ninguém me chamou para vê-lo. – Abaixou a cabeça. – Como vocês podem ter sido tão egoístas???
Chamei Sam para perto de mim. Ela aproximou-se e sentou-se ao meu lado na cama. Fiz um sinal para Vincent se retirar e deixar que eu conversasse com ela.
- Sam... Não era um bom momento – expliquei, quando ele saiu. – O Michael foi embora sem ao menos se despedir. Ele está muito chateado comigo.
Ela acariciou meus cabelos, enquanto meus olhos começavam a marejar.
- O que houve, hein? – perguntou, preocupada.
Abaixei os olhos.
- Ele veio aqui para me visitar e acabou pensando que há algo entre o seu pai e eu.
Sam segurou minhas mãos.
- Então é ele, não é? – indagou, com aquela expressão de quem diz: “Bingo!” - O seu namorado é o Michael Jackson.
Assenti devagar.
- É, Sam. Quer dizer, era. O Michael é o homem que mencionei para você certa vez. Eu o amo, mas não estamos mais juntos.
Ela recostou a cabeça no meu ombro, me acolhendo em um abraço.
- Ai Sienna... eu sinto tanto por vocês. – Hesitou: - Mas... vocês precisam resolver isso! 
Balancei a cabeça negativamente.
- Acabou, Sam. 
Enterrei a cabeça entre as mãos. Desta vez está tudo, definitivamente, acabado. 





Como você se sente quando não tem um caminho para seguir? Quando tudo parece fora de lugar, fora de controle? Quando percebe que deixou a maior chance da sua vida escapar? Quando nota que nunca mais encontrará a felicidade... porque a única pessoa capaz de lhe fazer feliz já não faz mais parte da sua vida?
Encontrei a resposta para todas essas questões:
Você se sente perdida.
Fria por dentro. 
Como se mais nada no mundo pudesse lhe importar.
Durante os quatro meses que permaneci longe de Michael, entendi que quando você ama se torna completamente dependente da outra pessoa. E quando essa pessoa vai embora, leva consigo um pedaço do seu coração. 


Fiquei sabendo pelo jornal que Lisa Marie havia se separado oficialmente de Michael e viajado para a Europa, onde tentaria produzir um disco. Torci para que ela obtivesse sucesso nessa empreitada. Nunca desejei o seu mal, apesar de todas as circunstâncias.


Também pelos jornais fiquei sabendo que o disco HIStory estava prestes a ser lançado. Michael parecia melhor do que nunca, pelo menos profissionalmente. Eu sabia que seria um sucesso; como sempre.
Ele não havia mais me procurado... Talvez porque tivesse entendido, assim como eu, que nunca poderíamos dar certo juntos. Éramos diferentes demais. Como água e fogo. A junção dos dois parece ser impossível de ser fazer. 


Eu estava quase recebendo alta da clínica. Mottola já havia me dito para começar a produzir um novo disco, e meus muitos momentos de solidão haviam rendido boas composições musicais, que eu pretendia usar em breve. 
Em meu último disco. 
Decidi que depois dele eu iria sumir de vez do showbizz. Sumir de vez dos Estados Unidos. Sumir de vez do convívio social com as pessoas que pudessem me fazer lembrar de Michael. Nem que para isso eu precisasse me refugiar em uma tribo africana. 


Aproximei-me ainda mais de Vincent e Sam no período que permaneci internada. Eles me tratavam como se eu fosse um membro da família; e eu sentiria muita saudade quando finalmente fosse embora. 


Vincent. Pude comprovar que ele era um homem maravilhoso. Se preocupava e se importava verdadeiramente comigo.
Na minha última manhã na clínica, ele me chamou em sua sala.
Recebeu-me com um sorriso no rosto.
- O tempo voa, não é mesmo? – perguntou, dando um delicado beijo em minha mão.
Assenti.
- Eu... eu sentirei muita saudade... – murmurei, caindo em lágrimas. – Nem tenho como agradecer tudo que você e a Sam fizeram por mim... – O Abracei o mais forte que pude. – Eu...
Ele colocou um dedo sobre os meus lábios e me impediu de continuar.
- Sienna... há muito tempo venho pensando em uma forma de lhe pedir isso. – Pude notar que suas mãos estavam trêmulas e ele estava muito nervoso. - Acho que esse momento finalmente chegou.
Olhei para ele, confusa.
- Momento?
Ele tirou uma pequena caixinha do bolso e a abriu, encarando-me com seriedade.
- Você... – Respirou fundo. - Você aceitaria se casar comigo??? – perguntou, quase sem jeito. 
Olhei dentro dos seus olhos: sem conseguir acreditar no que ele acabara de perguntar.


Capítulo 60


- Vincent... Essa é a proposta mais absurda que já ouvi em toda minha vida – eu disse, ainda tentando me recompor do susto.
Ele segurou minhas mãos.
- Não, não é – murmurou, certo do que estava dizendo. – Você é uma mulher maravilhosa. Sei que precisa reconstruir a sua vida; da mesma forma que preciso reconstruir a minha. – Olhou em meus olhos. - A Sam te adora... e tenho certeza que poderíamos construir uma família juntos. 
Balancei a cabeça negativamente.
- As coisas não são tão simples assim, Vincent. Esse é um assunto muito sério. As pessoas não casam dessa forma... Sem mais nem menos.
Ele suspirou.
- Eu sei que você é apaixonada por outro homem. – Hesitou. - Mas me dê uma chance para mostrar para você que posso ser melhor do que ele – pediu, confiante. – Depois de anos na solidão, você foi a primeira mulher pela qual me interessei. Você me faz bem, Sienna. Não vou deixá-la ir embora.
Senti um súbito frio percorrer a espinha. “Não vou deixá-la ir embora”. Era exatamente o contrário do que Michael havia feito.
- Case-se comigo e darei o tempo que você precisar. Não encostarei em sequer um fio de cabelo seu, até que você mesma me peça para fazer isso – continuou a dizer. - Tenho certeza de que posso fazer você esquecê-lo. 
Estremeci diante da sua autoconfiança. Eu não teria tanta certeza.
- Você não pode viver do passado, Sienna. Fiz isso certa vez, e me arrependo a amargamente. Não deixe que a sua vida passe diante dos seus olhos sem ter o controle sobre ela. Pense no futuro. No seu futuro... ao meu lado – concluiu, e pude perceber o quanto ele estava sendo sincero.
Enterrei a cabeça entre as mãos, analisando suas palavras. Talvez eu tivesse mesmo o direito de tentar outra vez. Minha felicidade ainda poderia ser reencontrada de alguma forma.
- E então, o que me diz? – perguntou, aflito.
Olhei firmemente em seus olhos.
- Digo... Digo que podemos tentar – murmurei, frisando a última palavra. Ninguém poderia garantir que aquela loucura daria certo.
Ele abriu um enorme e entusiasmado sorriso, acolhendo-me em um esfuziante abraço. Estendeu a aliança em minha direção, mas fiz um sinal negativo com a cabeça.
- Guarde-a. Preciso falar com a Sam primeiro.
Ele assentiu.
- Você está certa. – Sorriu novamente e aproximou seus lábios dos meus, movido pela empolgação que sentia.
Virei o rosto para o outro lado e fechei os olhos, sentindo uma pontada no peito.
- Vincent... eu não posso.
Ele afastou-se, sem graça, mas continuou firme.
- Tudo bem. Eu disse para você que não iria fazer nada que você não quisesse. Teremos tempo suficiente depois – murmurou, com um sorriso.
Forcei-me a rir também, sem me arrepender de ter aceitado sua proposta.


Meia hora depois, eu estava acabando de arrumar minhas malas para voltar para casa, quando Sam entrou no quarto.
- Você precisa mesmo ir? – perguntou, com os olhos cheios de lágrimas. – Não quero que você vá.
Abracei-a o mais forte que pude.
- Sam... eu preciso conversar com você.
Ela me encarou com aqueles dois enormes olhos castanhos e assentiu com a cabeça. Sentou-se na cama e acomodei-me ao seu lado.
- Tenho que lhe contar uma coisa – murmurei, pegando suas mãos.
Ela me encarou, confusa.
- Contar uma coisa?
Respirei fundo.
- O... o seu pai me pediu em casamento hoje pela manhã. – Abri um pequeno sorriso, certa de que ela iria amar a notícia. – E... e eu aceitei.
Ela levantou-se rapidamente, com os olhos arregalados.
- O que?!
- Eu e o seu pai iremos nos casar – repeti, agora em outras palavras.
- Mas você não pode! – disparou, indignada.
Encarei-a completamente surpresa diante da sua negação.
- Mas... mas eu pensei que... você iria gostar.
Ela sentou-se novamente, procurando manter a calma.
- Você sabe que eu iria amar se você se casasse com o meu pai – ela disse. - É tudo que eu mais quero; que nós possamos ser uma família de verdade. – Olhou em meus olhos e hesitou. – Mas... não é justo. Não é justo com você. Não é justo com o meu pai. Sei que você não o ama. Vocês irão acabar se arrependendo. 
Fiquei surpresa com suas palavras. Definitivamente, Sam era madura demais para uma garota de apenas 12 anos.
- Sam... eu e o seu pai pretendemos colocar um ponto final em nossas frustrações do passado – murmurei, com o máximo de cautela que poderia. – Acho que temos o direito de tentar reconstruir nossas vidas. – Acariciei sua face. – Juntos.
A porta se abriu e vimos Vincent se aproximar de nós, com um pequeno sorriso no rosto.
- Isso mesmo, Samantha – afirmou, olhando para a filha. – E você deveria ficar contente por termos tomado essa decisão.
Sam suspirou, sem se deixar convencer.
- Mas... Mas e o Micha...? – Calou-se quando Vincent a fitou com os olhos endurecidos, impedindo-a de terminar a frase. 
Senti meu coração se apertar mais uma vez.
- Não precisa se preocupar com ele, Sam. Tenho certeza de que ele está muito melhor sem mim – eu disse, sem nem desconfiar que aquela afirmação passava longe da verdade.
Vincent pigarreou, na tentativa de dissipar a tensão.
- Acho que diante dos novos acontecimentos, você não precisará mais voltar agora para Los Angeles – ele disse, apontando parar as malas em cima da cama. – Quero que você fique comigo e Sam em nossa casa. – Sorriu. – Na casa que em breve também será sua.
Analisei a proposta por alguns instantes. Minha casa em Los Angeles não facilitaria meus planos em esquecer Michael de vez. 
- Não me parece ser uma má idéia – eu disse, disposta a deixar que o destino me levasse para onde ele próprio escolhesse. – Eu irei ligar para o meu motorista e pedir que ele traga Margareth até aqui. Quero que ela seja umas das primeiras pessoas a saber de tudo que está acontecendo.
Sam arqueou as sobrancelhas e abriu um pequeno sorriso.
- Isso é ótimo! – Semicerrou os olhos. – Acho que preciso conversar com ela – murmurou, com a voz mais leve que o habitual.
Um vinco se formou em minha testa.
- O que você poderia ter para conversar com a Margareth, Sam? – indaguei confusa, notando sua expressão.
Sam deu de ombros.
- Não é nada de importante. Apenas gostei de ter conhecido ela no hospital aquele dia – respondeu, deixando-me com uma pulga atrás da orelha. 


Capítulo 61


No início da noite, Margareth encontrava-se diante de mim na sala de estar da casa de Vincent, esforçando-se para entender todas as informações que eu havia acabado de lhe dar. Pude perceber, pela expressão de espanto em seu rosto, que ela não aprovara muitas das decisões que escolhi tomar, mas eu a conhecia o suficiente para saber que seu amor por mim era incondicional, e ela me apoiaria em qualquer circunstância. 
Eu havia lhe dito sobre o pedido de casamento, sobre minha tentativa de reconstruir minha vida e, apesar de duvidar, ela desejou que eu conseguisse mesmo superar todas as minhas frustrações do passado. Em certo momento, ela me disse que um amor como o que ela viu surgir entre Michael e eu não terminava de uma forma tão simples, e que isso ainda traria muitos arrependimentos para todos nós. Torci para que ela não estivesse certa; apesar de reconhecer que ela poderia mesmo ter razão em seus argumentos. 
Quando a convidei para ser a uma das madrinhas do casamento, ela tentou se esquivar, mas aceitou por fim. Contei a ela que deixaria Vincent escolher todos os outros, pois eu não tinha mais ninguém para indicar, mas fazia questão que ela estivesse ao meu lado em cima do altar. Consegui convencê-la também a permanecer comigo em Long Beach, para me ajudar em todos os preparativos necessários. Vincent fazia questão de que eu usasse um vestido de noiva com véu e grinalda, que tivéssemos uma grande festa depois da cerimônia, que convidássemos Deus e o mundo para comemorar conosco, e eu não fazia a mínima idéia de como lidar com aquilo tudo e me tornar, de uma vez por todas, uma mulher que cumpria suas responsabilidades.



Fiquei bastante entristecida quando, dois meses depois, Vincent enviou um comunicado à imprensa, anunciando a nossa futura união. O casamento aconteceria em pouco mais de duas semanas, e já estava quase tudo pronto. Pude imaginar Michael recebendo a notícia e acreditando que eu o havia esquecido de vez. 
Mas ele já não se importa mais comigo, forcei-me a acreditar. Também não se importará com o meu casamento



************************************************************

Margareth estava terminando de conferir os pedidos das rosas da ornamentação do jardim, onde a cerimônia de casamento aconteceria, quando Sam aproximou-se. A garota passara os últimos dias tentando, sem sucesso, convencer Margareth a ajudá-la a impedir que Sienna e seu pai cometessem o erro que estavam pretendendo. Ela acreditava que aquilo era birra de criança, e que nenhuma das duas tinha o direito de interferir em uma decisão já tomada.
- Agora você precisa me escutar – Sam disse, revirando os olhos. 
Margareth balançou a cabeça negativamente.
- Minha resposta é não, Sam. Eu já lhe disso isso antes, e repetirei quantas vezes for necessário.
Sam bateu o pé no chão, impaciente.
- Tudo bem, então. Farei tudo sozinha. Trancarei a Sienna no quarto e jogarei a chave fora.
Margareth sorriu. A garota era mesmo persistente.
- Fique à vontade. Mas eu não queria estar na sua pele quando seu pai descobrir.
A menina revirou os olhos mais uma vez, suspirando.
- Por favor, Margareth. Você precisa me levar até o Michael.
Margareth encarou Sam, analisando o que ela acabara de dizer.
- Preciso o quê? – indagou, arregalando os olhos. – Você acha que é simples assim?
- Olha, só preciso que você encontre uma forma de me levar até Neverland. Sei que você pode fazer isso se tentar; o Michael lhe conhece. Depois deixe tudo comigo. Ele precisa escutar o que tenho a dizer.
Margareth arqueou as sobrancelhas, sensibilizada pela preocupação e pelo empenho de Samantha. 
- Se eu NÂO concordar, você me deixará em paz? – perguntou, com um suspiro arrastado.
Sam balançou a cabeça negativamente, determinada.
- Sem chance. Se você NÂO concordar, eu irei continuar lhe perturbando.
Margareth sorriu.
- Já que não tenho escolha... – Deu uma piscadela – irei ver o que posso fazer.



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Após mais de uma semana de insistência, Michael finalmente aceitou receber Margareth e Samantha no rancho. Ele havia se mostrado grosseiro na primeira ligação, ríspido na segunda, irritado na terceira, indiferente na quarta, até finalmente ficar curioso na quinta. Já havia afirmado para si mesmo que Sienna não lhe importava mais. Precisava esquecê-la, arrancá-la do peito, seguir com a sua vida da mesma forma que ela estava seguindo com a sua. Ela estava prestes a se casar! Iria se unir àquele doutorzinho intrometido, o mesmo que lhe dedicara extrema atenção e cuidados quando ela estava no hospital. Sienna era mesmo incapaz de levar qualquer coisa à sério na vida. Ele fora apenas uma diversão, alvo de uma disputa entre amigas, onde nenhuma das duas queria dar o braço a torcer. Oh, Deus, por que não conseguia lidar com seus próprios sentimentos? Por que não conseguia mandar no próprio coração? Por que sua vida havia se tornado desesperadamente vazia desde o instante em que ela se foi?
Agora Margareth e uma tal de Samantha estavam tentando ter com ele uma conversa. Fora vencido pelo cansaço; esquivou-se o quanto pôde, mas elas se mostraram bastante persistentes. Afirmou para si mesmo que seria claro e direto com as duas quando finalmente as encontrasse, mostrando que Sienna, e qualquer assunto relativo a ela, não mais lhe interessava. 


Na véspera do casamento, a casa de Vincent fervilhava em atividade. Dezenas de pessoas responsáveis pela ornamentação e iluminação carregavam objetos para o jardim, entre tapetes, flores, cabos e lâmpadas, gerando um enorme frenesi. Os instrumentos musicais estavam prestes a ser colocados em seus devidos lugares, e o clima era de completa expectativa. Vincent estava na clínica e Sienna fora em uma loja de Los Angeles para fazer os últimos ajustes no vestido de noiva. Sam e Margareth sabiam que aquela era a oportunidade perfeita para conseguirem escapar sem dar satisfações. Pediram a David que as levasse até Neverland, e rezaram para que conseguissem voltar antes do fim da manhã. 
Ao chegarem ao rancho, Sam arregalou os olhos, tentando se convencer de que aquilo tudo fazia mesmo parte do mundo real. O jardim de entrada era enorme e bem cuidado, com inúmeras esculturas espalhadas por toda a parte. Foi caminhando a passadas lentas, esforçando-se para não gritar de alegria. Mal podia acreditar que estava na casa de Michael Jackson! “Mas preciso me lembrar que estou aqui para tratar de um assunto sério” – censurou-se, disposta a não colocar tudo a perder.
As duas foram guiadas por Susan até a biblioteca, onde Michael as esperava. A expressão em seu rosto era fria e distante, mas quando viu Sam se aproximar, perdeu completamente a resistência. A linda garotinha estava de mãos dadas com Margareth, vestida com um vestido azul de algodão, e tinha duas fitas de cetim da mesma cor na ponta da trança do cabelo. Ele não sabia, sequer imaginara, que Sam era uma criança. 
- Oi, Michael – ela disse, estendendo a mão para ele. 
Michael balançou a cabeça para voltar a raciocinar e apertou aquela delicada mão estendida em sua direção.
- Você... é... uma garota – murmurou, surpreso.
Sam revirou os olhos, indignada.
- Claro que sou uma garota – disse, olhando para Margareth. – Eu por um acaso tenho cara de menino? – perguntou, passando a mão pelo vestido.
Michael riu.
- Não. É só... – Riu mais uma vez, não era importante explicar. – Por favor, sentem-se... – disse cordialmente.
Quando os três se acomodaram, Margareth começou a falar.
- Michael, obrigada por ter nos recebido – ela disse, ignorando o fato de Michael não ter se interessado nas primeiras vezes que ligou para tentar marcar uma conversa. – Sei que você é um homem muito ocupado. Ficamos gratas por ter nos dado alguns minutos do seu precioso tempo.
Agora ele parecia extremamente curioso.
- Estou feliz por terem vindo. – Sorriu. - Ela é uma linda garotinha – murmurou, desviando os olhos para Sam. – Hey, você sabia que aqui há um parque de diversões? – perguntou para a menina, subitamente empolgado com a visita que resolveram lhe fazer. – Aposto que você iria gostar.
Sam sorriu, achando-o um cara extremamente simpático. Iria mesmo adorar. Mas não naquelas circunstâncias.
- Michael... eu pedi que a Margareth me trouxesse aqui porque tenho que lhe pedir algo.
Ele arqueou as sobrancelhas. 
- Pedir algo? – perguntou, ainda sem conseguir entender.
Sam balançou a cabeça afirmativamente e puxou o ar com rapidez.
- Você não pode permitir que a Sienna se case com o meu pai – ela murmurou, sem rodeios. – Você precisa fazer algo para impedir aquele casamento.
Michael a encarou, mais surpreso do que antes. O que aquela menina achava que estava pedindo? Ele não tinha mais nada a ver com aquilo. E ela era apenas uma criança! O que poderia entender sobre um assunto tão sério?
- Ah... então é isso?? – perguntou, e Sam notou um tom de irritação em sua voz. - Eu não posso acreditar – disparou rapidamente. – Por que veio pedir isso justamente para mim? 
Sam se pôs de pé, mais firme do que antes.
- Porque você é a única pessoa capaz de fazer isso. – Hesitou. – Michael, o casamento está prestes a acontecer. Eu sei que você e a Sienna se amam. Vá atrás dela! 
Michael balançou a cabeça negativamente, com um vinco na testa.
- Não irei fazer papel de tolo mais uma vez. Ela quer se casar. Pois então, que se case e seja muito feliz.
Sam revirou os olhos, irritada com a teimosia ali presente. Ele precisava conhecer os verdadeiros fatos; talvez, enfim, mudasse de idéia.
- Vocês estão gerando uma enorme confusão - afirmou, com um suspiro. - Sou testemunha dos dias que a Sienna passou trancada no quarto chorando sem parar. Quando ela chegou na clínica, sempre estava triste, nunca se animava com nada. Eu e o papai tentamos ajudá-la, e demorou muito até que ela conseguisse se restabelecer. Sei que a separação de vocês era o grande motivo dessa tristeza. – O fitou firmemente. - Michael, ela nunca deixou de te amar. Ela nunca se esqueceu de você. Sei que ela só aceitou se casar porque acha que dessa forma conseguirá tirar você da cabeça.
Michael escutava tudo, sem se abalar. Estava disposto a não se deixar enganar mais uma vez.
- Vi com meus próprios olhos o quanto ela e o seu pai ficaram íntimos – ele disse, praticamente cuspindo as palavras. – Espero que vocês formem uma linda família.
Sam bateu o pé no chão, irritada.
- Por que os adultos precisam ser tão burros, Margareth? – perguntou, torcendo a ponta da trança. – Eu simplesmente não acredito que vocês consigam complicar tanto coisas tão simples.
Michael a fitou.
- Isso não é nada simples.
- Você precisa ir atrás dela – afirmou Margareth. – Você e a minha menina precisam conversar. 
Michael abaixou a cabeça, incapaz de dizer algo. Não poderia se deixar convencer.
Sam suspirou diante do silêncio.
- Parece que você não está muito a fim de papo – ela lamentou. - Espero que você pense em tudo que acabamos de lhe dizer, Michael. – A menina depositou um convite em cima da mesa. - O casamento será em nossa casa, amanhã, às três da tarde. – Deu uma piscadela. – Espero, com todo o meu coração, que você compareça.
Michael levantou a cabeça e as fitou por um instante.
- Vou pedir que a Susan as acompanhe até a porta – murmurou, levantando-se da poltrona.


Capítulo 62


Seria muito mais fácil para Michael fingir que a visita de Sam e Margareth nunca havia acontecido. Precisava esquecer Sienna de vez, deixá-la se casar com o doutorzinho intrometido e construir uma família com ele, afinal de contas, ela mesma fizera essa escolha.
Tentou se convencer de que conseguiria retomar a sua vida, colocar seu emocional nos eixos e, muito em breve, tudo estaria plenamente resolvido. 
Estava mentindo para si mesmo.
Nunca conseguiria se esquecer dela e dos momentos que viveram juntos. Jamais se sentiria completo, porque no dia que ela se foi, levou uma parte dele consigo.
À noite, Michael não conseguiu dormir um minuto sequer. As palavras de Sam ecoavam em sua cabeça, trazendo à tona coisas que ele preferia não acreditar. Nada fazia sentido. Se Sienna realmente o amava, por que havia ido embora de uma forma tão estúpida? Por que se afastara, quando finalmente poderiam ficar juntos? Por que aceitara se casar com outro homem?
Essas perguntas permaneceram em sua mente; e elas precisavam de uma resposta. No início da tarde, no dia seguinte, percebeu que estava se entregando fácil demais. Nunca fora um homem de se render tão facilmente as dificuldades. Por que diabos estava deixando a mulher da sua vida escapar daquela forma??? Sejam quais fossem as dúvidas, precisava de Sienna para esclarecê-las. Precisava de Sienna para trazer de volta aquela felicidade pura e genuína que só encontrara ao seu lado. Precisava de Sienna para se sentir completo novamente.
Ele a estava perdendo!!! Talvez fosse em definitivo dessa vez.
Ficaria ali, de braços cruzados, esperando o amor da sua vida escapar de uma forma tão simples???
Não, não ficaria.
Ele era Michael Jackson.
E Michael Jackson nunca foi um homem de desistências.


******************************************************************** 


A ordem era de que Roger dirigisse o mais rápido possível para Long Beach. Michael olhou novamente o convite que Sam lhe deixara no dia anterior, e voltou a conferir o horário. A cerimônia já estava prestes a começar. Precisava chegar a tempo! Se perdesse aquela chance, nunca conseguiria se perdoar.
Impaciente, a todo momento perguntava se já haviam chegado. Roger também parecia tenso, sabia de suas responsabilidades. Fazia de tudo para que o patrão conseguisse chegar ao seu destino final com rapidez e, principalmente, segurança. 
Ao entrarem no suntuoso condomínio e seguirem para o endereço marcado no convite, Michael parecia ainda mais nervoso, apressado e inquieto. Centenas de carros formavam uma fileira bem organizada dos dois lados da rua e o silêncio era total e perturbador. Muitos seguranças rondavam a propriedade, certificando-se de que paparazzis não tivessem acesso ao local. Sienna e Vincent haviam permitido que apenas meia dúzia de jornalistas registrassem o momento, e todos já estavam lá dentro, em seus devidos lugares. A cerimônia já havia começado. 
Quando Roger estacionou o carro, Michael colocou-se para fora em um salto. Correu em direção ao enorme portão de ferro onde dois grandalhões homens de terno escuro observavam o movimento. Viu uma garotinha de vestido branco se aproximar e, antes que pudesse dizer algo, ela se jogou em seus braços.
- MICHAELl!!! – ela gritou, com um sorriso enorme e aliviado no rosto. – Pensei que não iria mais aparecer!!! Você demorou – murmurou, parecendo aborrecida.
Michael riu, esforçando-se para nivelar a respiração.
- Mas eu nem lhe disse que viria.
Sam colocou as mãos na cintura.
- Eu sempre soube que você não iria desistir tão fácil – afirmou, revirando os olhos. – Agora vamos!!! Todos já estão lá!!! O padre já começou a falar.
Michael sentiu o coração bater ainda mais rápido. Estava prestes a tomar a decisão mais importante da sua vida. Puxou o ar com força e sorriu, feliz consigo mesmo.
- Vamos.

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As coisas não estavam sendo da forma que sempre planejei. Em todas as raras vezes que pensei em casamento, era Michael que estava ao meu lado. 
Eu sabia que tudo aquilo poderia ser insano e sem sentindo. Mas me convenci de que Vincent poderia me oferecer um futuro menos melancólico do que aquele que eu teria se continuasse sozinha. Eu me sentia morta por dentro, e esperava que ele pudesse, de alguma forma, me trazer de volta à vida.
Estávamos em cima do altar construído no jardim, com dezenas de pessoas sentadas atrás de nós, observando tudo com atenção. Meu vestido de noiva era branco e tinha uma cauda enorme, como em meus sonhos de menina; Margareth me ajudara a escolher.



Enquanto o padre falava sobre o amor e seu sagrado significado, senti meus olhos se encherem de lágrimas. Vincent apertou minha mão, oferecendo um consolo silencioso e mostrando que tudo ficaria bem. Ele ainda não havia, assim como prometera, encostado um dedo sequer em mim. Eu sabia que ele não faria nada enquanto eu não estivesse pronta. Eu passava a admirá-lo cada vez mais. Ele era um dos homens mais fantásticos que já conheci em toda minha vida. 
O padre pigarreou suavemente para atrair minha atenção e assentiu quando olhei para ele. Todos deveriam ter percebido que a cerimônia já estava quase no fim e passei a maior parte dela fitando o vazio. 
- Vincent Carter Raymond, você aceita Sienna McCallister como sua esposa, para amá-la e respeitá-la em todos os dias da sua vida? – indagou, voltando-se para Vincent.
Ele assentiu, com um pequeno sorriso.
- Sim, eu aceito.
Voltou-se para mim.
- Sienna Rawle McCallister, você aceita Vincent Raymond como seu marido, para amá-lo e respeitá-lo em todos os dias da sua vida?
Senti minha cabeça girar. Não seria justo afirmar que eu iria amá-lo pelo resto da vida. Eu estaria mentindo se dissesse isso.
Após alguns segundos no completo silêncio, percebi que todos estavam surpresos, de olhos arregalados, esperando a minha resposta.
O padre pigarreou mais uma vez.
- Irei repetir a pergunta – anunciou. - Sienna Rawle McCallister, você aceita Vincent Raymond como seu marido, para amá-lo e respeitá-lo em todos os dias da sua vida?
Minhas mãos tremiam. Seria infantilidade desistir naquele momento. Fechei os olhos e me preparei para dizer: sim, eu aceito.
Foi quando tudo mudou de perspectiva. Diante do silêncio, alguns passos foram dados no enorme tapete vermelho que se estendia por todo o jardim.
Virei o rosto e lá estava ELE. Fechei os olhos e abri novamente, tentando me certificar de que o nervosismo não estava me fazendo ver coisas. Todos os convidados viraram o rosto em sua direção, tão absortos quanto eu. 
Não, não poderia ser real.
Aquele rosto que eu conhecia tão bem, agora moldado por um novo corte de cabelo. Ele estava vestido com um terno preto e camisa branca, e me observava, sorrindo. Senti minhas pernas fraquejarem e toda a defesa se esvair do meu corpo. Ele estava mesmo ali!




Alguns cliques foram dados rapidamente, mas ninguém ousou quebrar o silêncio. Todos permaneciam de olhos bem abertos, surpresos e curiosos. 
Ele deu mais alguns passos a frente, completamente confiante de si, enquanto eu o fitava firmemente, tentando encontrar em sua expressão alguma explicação para o que estava acontecendo. 
Puxei o ar com força, e sua melodiosa e suave voz inundou o ambiente.
“Your love is magical
That’s how I feel… 
But I have not the words here to explain.
Gone is the grace for expressions of the passion.
But there words and words of ways to explain…
To tell you how I feel…”

Todos nós o ouvíamos, encantados com tanta sensibilidade. Ele cantava enquanto se aproximava do altar, sem se importar com os olhos arregalados em sua direção. Pude notar que, do outro lado, Sam sorria, dando pulinhos de satisfação. 
“Speechless, speechless, that's how you make me feel.
Though I'm with you I am far away and nothing is for real.
I'll go anywhere and do anything… just to touch your face”.

Aproximou-se de mim e pegou minhas mãos. 
- “There's no mountain high I cannot climb.
I'm humbled in your grace.”

Nem todas as palavras do mundo seriam suficientes para explicar como me senti naquele momento. Meu coração parecia querer saltar do peito. Ele estava ali!!! Para mim. Mais uma vez.
- Não, ela não aceita – ele disse, olhando para o padre. – Se ela irá se casar com alguém, esse alguém sou eu.
Todos os convidados se permitiram sorrir, ainda surpresos, mas em êxtase por estarem presenciando um momento tão verdadeiro e cheio de amor. Lágrimas se apróximaram dos meus olhos, enquanto Michael se ajoelhava e estendia um delicado anel de diamantes em minha direção.
Ele sorriu mais uma vez.
- Sienna McCallister, você aceita se casar com esse tolo apaixonado que não sabe viver sem o seu amor? – perguntou, com os lábios retraídos em um sorriso.
Arregalei os olhos, com um nó na garganta. Era mágico, surreal e inacreditável.
Olhei para Vincent, devastada por tudo ter acontecido daquela forma. Pensei que quando os meus olhos encontrassem os dele, eu veria tristeza, indganação, raiva até. Mas me surpreendi ao vê-lo tão fascinado quanto os outros, assentindo a cabeça devagar. 
Algumas coisas ninguém tem o poder de mudar. Vincent parecia ter, finalmente, entendido isso. Qualquer um poderia enchergar o amor que existia entre Michael e eu. Não havia, nunca haveria, espaço para mais ninguém.
- Siga em frente – Vincent disse, e nunca ouvi sua voz soar tão sincera. Ele aproximou-se de mim e deu um beijo na minha testa, selando a amizade que nunca deixaria de existir entre nós. – Vamos, responda a pergunta que ele lhe fez.
Fitei Michael, ainda ajoelhado, me encarando daquela forma que fazia meu corpo querer flutuar. Abri um pequeno sorriso e balancei a cabeça afirmativamente.
- Oh Michael... Claro que aceito – eu disse, e todos os convidados suspiraram.
Ele deslizou o anel pelo meu dedo e colocou-se de pé, depositando um apaixonado beijo em meus lábios. Como era bom beijá-lo novamente!!! Sua boca tinha um doce sabor de reencontro. 
Nem acreditei quando fomos aplaudidos de pé. Todos estavam encantados, contentes por nós!!!
Michael virou-se para Vincent e estendeu a mão para um aperto. Vi que em seus olhos não havia nenhum tipo de ressentimento, e sim, de gratidão.
- Você é um homem admirável – Michael disse, com sinceridade. – Obrigada por ter cuidado da Sienna enquanto eu não pude fazê-lo.
Vincent acentiu devagar.
- Cuide bem dela, está me ouvindo? – perguntou, cerrando os punhos levemente. - Cuide bem dela, ou terá que se ver comigo.
Michael riu.
- Não precisa se preocupar – respondeu. - O lugar da Sienna é ao meu lado, e sempre farei por merecer o seu amor.
Sam e Margareth juntaram-se a nós, completamente sorridentes.
- Não foi uma disputa muito justa, pai – a garota consolou, abraçando-o. – O senhor nunca teria como vencer. Michael Jackson é Michael Jackson.
Eu e Michael nos abraçamos e gargalhamos, tendo a certeza de que Samantha estava mesmo coberta de razão.


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Trecho da música Speechless: Seu amor é mágico. 
É como eu me sinto
Mas eu não tenho aqui palavras para explicar.
Essa é a graça das expressões da paixão.
Mas existem milhares de jeitos para explicar
Para dizer a você como eu me sinto.

Sem palavras, sem palavras, é como você me faz sentir.
Enquanto eu estou com você
eu estou distante e nada é real
Eu irei para qualquer lugar e farei qualquer coisa... apenas para tocar seu rosto

Não há montanha alta que eu não possa escalar.
Eu estou humilhado diante de sua graça.
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Capítulo 63


Um ciclo se fechara em minha vida.
Outro estava apenas começando.
Depois de tantos meses de angústia e incertezas, pude finalmente voltar a me sentir completa outra vez. Eu estava ciente de que no dia seguinte todos os jornais estampariam os últimos acontecimentos e minha relação com Michael seria completamente exposta. Mas eu não permitiria que nada, ninguém, nos separasse outra vez. 
Com uma felicidade contagiante, mas um enorme aperto no peito,deixei Long Beach e voltei para Los Angeles. Sentiria muita saudade de Vincent e Sam, apesar de ter prometido que estaríamos sempre juntos; na minha casa, na deles, ou em Neverland. Sam empolgou-se muito mais com a última opção, como já era de se esperar. Michael garantiu que mandaria um motorista buscá-la todos os fins de semana; e Vincent poderia acompanhá-la sempre que quisesse.
Margareth ficaria hospedada na casa de Vincent por mais uma semana, para que pudesse colocar tudo em ordem após a festa de casamento que não aconteceu. Desconfio que nem só por isso. Tive a impressão de que algo a mais estava a incentivando a ficar. Mas eu não deveria me intrometer. Ela sempre soube muito bem como cuidar da sua vida, e eu tinha certeza de que o que fosse bom para ela, também seria para mim. Eu precisava de um tempo para colocar tudo nos eixos. Um tempo à sós com Michael, longe de tudo e todos. Um tempo de paz e tranquilidade.
Hospedada no rancho Neverland. 


Voltar para Neverland era como retornar a um mundo de sonhos.
Tudo continuava a ser exatamente da forma que era antes. Enquanto entrava na residência principal, de mãos dadas com Michael, senti como se não houvesse se passado um dia sequer. Respirei aliviada, feliz pelo destino ter nos concedido uma segunda chance.
- Bem vinda de volta... – Michael disse, encostando-me na parede próxima a escada. Roçou seus lábios delicadamente sobre os meus, com os olhos fechados. – Nem acredito que você está mesmo aqui.
Estiquei uma das mãos e acariciei o seu rosto. Era muito bom estar ao seu lado outra vez.
- Eu o amo, Michael – murmurei, com os olhos marejados. – Nunca mais duvide disso, está bem? 
Ele segurou minhas mãos.
- Eu fui um completo idiota – afirmou, desaprovando a si mesmo. – Sei que não deveria ter sido tão estúpido. – Olhou em meus olhos: - Mas ainda não consigo entender por qual motivo você foi embora.
Abri um desajeitado sorriso.
- Eu... eu tive medo de estragar a sua vida e a sua carreira com esse meu jeito... – Procurei a palavra certa - problemático de ser.
Ele me encarou, surpreso.
- Você é uma mulher fascinante, Sienna – murmurou, deslizando os dedos pelos meus cabelos. – Nunca coloque isso em dúvida. – Sorriu. – É um pouco teimosa, bastante dada a complicações... – disse, e alargou ainda mais o sorriso quando lhe fuzilei com os olhos. – Mas isso só a torna mais linda e sexy. 
Separei nossos corpos e comecei a subir a escada, simulando aborrecimento, mas sem conseguir esconder o riso.
- Aham.. Sei...
Michael gargalhou e me puxou pelo braço..
- Estou falando sério – sussurrou ao meu ouvido, e parecia estar mesmo sendo sincero. Aproximou sua boca da minha. – Você me deixa louco, sabia? – perguntou, sugando delicadamente meu lábio inferior.
Arfei ao sentir um calafrio percorrer o meu corpo. Eu quase havia me esquecido do quão rápido ele era capaz de me excitar. 
- Vamos logo pro quarto – implorei, sorrindo. – Estou morrendo de vontade de fazer amor com você.
Ele corou de repente, daquele jeito encantador que sempre me fazia rir. Enlaçou minha cintura com uma das mãos e me beijou novamente, com mais urgência dessa vez. Subimos a escada e seguimos por um espaçoso corredor, até entrarmos cambaleando no quarto. Suas mãos seguraram meu quadril firmemente e ele me empurrou na cama, com um sorriso malicioso e satisfeito nos lábios.
Fechei os olhos e soltei um gemido abafado quando ele puxou minha saia e minha blusa, deixando-me apenas com as peças debaixo. Suspirei, sentindo uma enorme dificuldade em levar o ar até os pulmões; uma tarefa completamente fácil, mas que naquele momento exigia um imenso esfoço. Arranquei sua camisa e empurrei a calça, o sapato e as meias para o tapete, excitando-me ainda mais ao ver o enorme volume que se formara sob sua cueca boxer branca.
- Isso é uma grande provocação, Michael – murmurei, mordendo os lábios. – Definitivamente, eu amo ver você assim... 
Coloquei-me por cima dele e distribuí uma sequência de beijos em seu pescoço, fazendo-o se contorcer suavemente.
Cada centímetro percorrido me fazia redescobrir o seu corpo. Permaneci atenta a todas as suas reações, enquanto descia meus lábios pelo seu ombro, seu peitoral, sua barriga... Até chegar no local que mais desejava.
- Amo poder tocar você... – murmurei, retirando a boxer e masturbando seu membro devagar. Tão devagar que pude ver em sua expressão a súplica para que eu fizesse mais rápido. Mas não, eu não estava disposta a ceder de uma forma tão fácil. Precisava provocá-lo da mesma forma que ele costumava fazer comigo. O fitei com firmeza e continuei a mover minhas mãos para baixo e para cima, mais lentamente do que antes. Quando ele puxou o ar pelos dentes, percebi que aquilo era como música para os meus ouvidos. 
- Isso é tortura, amor – ele conseguiu murmurar, com a respiração completamente falha.
Sorri satisfeita.
- É? – indaguei, me fazendo de desentendida. – Mas pense bem, você merece ser castigado por ter sido um cara tão teimoso – argumentei, curvando-me diante do seu corpo.
Passei a língua por toda a extensão do seu sexo e suguei a glande devagar, arrancando dele um intenso gemido. 
Michael relaxou a cabeça para trás e enrolou uma das mãos em meus cabelos, arfando sem o mínimo controle. Usei a boca para masturbá-lo, alternando o ritmo dos movimentos. Ele retirou meu sutiã e começou a massagear os meus seios, que àquela altura tinham os mamilos completamente enrijecidos. Nossos corpos quentes e excitados desfrutavam juntos da mesma sintonia. Ao ver os olhos de Michael levemente fechados, sua voz chamando pelo meu nome, afirmei para mim mesma que nunca haveria no mundo algo tão cheio de intensidade. 
Ao chegar ao primeiro climax, estremeceu e apertou meus braços com força, aproximando-me ainda mais de si. Cessei os movimentos e fitei seus olhos, deslizando a língua pelos meus próprios lábios.
- Eu adoro sentir o seu gosto, Mike – sussurrei ao seu ouvido, usando as unhas para acariciar suas costas.
Ele mordeu os lábios e abriu um pequeno sorriso, empurrando delicadamente meu corpo para debaixo do seu. Deu um beijo na minha nuca e encarou-me da forma mais sexy que poderia, como quem diz “Vou lhe mostrar do que sou capaz, querida”.
Começou a beijar o meu pescoço e, pouco depois, desceu os lábios até os meus seios; envolvendo o bico de um deles com a boca, fazendo-me gemer baixinho em aprovação. 
Desceu pela barriga, deslizou os lábios pelo meu umbigo e, ao chegar na minha intimidade, passou a língua molhada sobre o tecido fino da calcinha. Soltei um gemido alto e agarrei o lençol da cama, tendo a certeza de que ficaria louca se ele continuasse a me provocar daquela forma. Definitivamete, ele conhecia todos os meus pontos fracos, e nunca desistia de usá-los para me torturar.
Fechei os olhos quando ele puxou a calcinha para baixo e inclinou-se mais um pouco, tocando minha intimidade, agora já nua, com a ponta da língua. Revirei os olhos e fiz cafuné em seus cabelos, sentindo-me tão leve que seria capaz de levitar até o teto. Ele beijava, sugava, me masturbava com os lábios e com os dedos, obrigando-me a cravar as unhas em seu ombro, completamente atordoada e enlouquecida de prazer. 
Dessa forma o orgasmo me atingiu como um raio, levando-me às alturas, fazendo o meu corpo se dissolver em pedaçinhos e depois se reintregrar com leveza. Puxei Michael pela nuca, relaxando suavemente e partilhamos um longo beijo. 
Senti suas mãos firmes contornarem minha cintura, e ele virou-me de costas, deixando-me de bruços sobre a cama. Depositou um beijo em minha nuca, acariciou os meus cabelos, e ajoelhou-se atrás de mim, puxando meu corpo para perto do seu. Roçou o rígido membro na entrada da minha intimidade e mordi o travesseiro com força, desfrutando aquela angustiante, porém deliciosa, sensação de expectativa.
Lentamente, Michael começou a entrar em mim, permitindo que um alto gemido escapasse do seus lábios. Ele movia seu quadril para frente e para trás, fazia movimentos circulares, diminuía e aumentava o ritmo, levando-me ao limite da insanidade.
Gememos juntos, partilhando um prazer mútuo e intenso. Eu já havia chegado ao clímax duas vezes quando o senti explodir dentro de mim, arrastando-me para o terceiro junto com ele. Nossos corpos se contraíram enquanto ele segurava os meus seios com força, molhado de suor pelo esforço, sussurrando o meu nome baixinho. 
Alguns instantes depois, ele saiu de dentro de mim e me segurou pelo quadril, apoiando-me suavemente na cama. Deitou-se ao meu lado, puxou o lençol sobre nós e guiou minha cabeça para o seu peito, aninhando-me em um abraço.
- Senti tanta saudade de você, meu amor – murmurou, ainda tentando nivelar a respiração. – Dos seus beijos, do seu corpo... De poder amá-la, sentir o seu cheiro, o seu sabor.
Beijei seu pescoço e fechei os olhos.
- Eu também, Mike. Você nem imagina o quanto – eu disse, esforçando-me para esquecer as más lembranças que voltaram a rondar meus pensamentos.
- Precisaremos recuperar o tempo perdido – avisou, com um sorriso travesso nos lábios. Virou a cabeça para fitar meus olhos – Eu a amo. Quero me casar com você o mais rápido possível.
Senti o peso da aliança em minha mão direita, fazendo-me relembrar que ela estava mesmo lá. Casamento. Depois de quase ter perdido Michael, essa palavra não mais me assustava. 
- Podemos fugir e casar amanhã mesmo se você quiser – disparei, acariciando seus cabelos.
Ele me encarou.
- Você está falando sério?
Assenti.
- Claro que estou.
Michael riu, empolgado.
- Eu iria amar fugir para me casar com você. – Deslizou um dos dedos pela minha face. - Mas dessa vez faremos tudo direito; não devemos nada a ninguém. Quero uma grande festa. A maior que o showbizz já viu. 
Mordi o lábio inferior, analisando suas palavras. 
- É completamente justo. Um casamento digno de um rei, não é mesmo? – murmurei, sorrindo. – Tem certeza de que quer mesmo se juntar a uma plebéia?
Ele gargalhou alto, divertindo-se.
- Se eu disser que não, quais são as minhas outras opções?
Semicerrei os olhos, simulando concentração.
- Deixe-me ver... O que acha da Madonna? Ela faz parte da realeza.
Michael balançou a cabeça negativamente e curvou seu corpo sobre o meu.
- Sem chance – respondeu, rindo. – Eu só tenho olhos para uma linda e selvagem gata que costuma ser o terror dos paparazzis. – Fingiu estar refletindo. – Pelo que já ouvi falar, eles morrem de medo de serem pegos por ela. Geralmente ela arranca a câmera deles e pisa em cima com o salto da sandália.
Gargalhei.
- Posso saber quem é essa maluca?
Ele beijou meu pescoço, embaralhando minha linha de raciocínio.
- Minha futura esposa – respondeu sorrindo, mostrando a aliança no dedo anelar da mão direita.




Capítulo 64


Já era de se esperar que o Mottola não ficaria nenhum pouco satisfeito com os novos e inesperados acontecimentos. No dia seguinte ao casamento que não acontecera, ele ligou para mim; furioso pela forma como eu havia quebrado o acordo que firmei com a sua gravadora. Gritando ao telefone, ele disse que estava ciente de que eu havia passado na clínica de reabilitação tantos meses quanto combinara, mas definitivamente, anunciar um relacionamento com Michael Jackson sem sequer avisar antecipadamente a ele ou aos executivos da Sony, havia sido uma total falta de responsabilidade e profissionalismo. Sinceramente, não consegui entender onde diabos aquele maluco filho da mãe queria chegar. A minha vida pessoal deveria estar completamente separada da profissional. Eu não devia nada a ele ou aos executivos da Sony, muito menos satisfações. Sempre detestei a forma que ele costumava me tratar, sempre aos gritos e berros, como se eu não possuísse o mínimo valor, a mínima competência. Já estava passando da hora de acabar com aquilo e mandar o arrogante do Tommy Mottola para o inferno.
Já que eu estava dando uma nova chance a mim mesma, decidida a começar uma nova fase na minha vida, era completamente aconselhável e coerente desistir daquela gravadora maldita. Sair da Sony seria uma grande prioridade para mim, pois esta se tornara uma questão de honra. Eu pediria para John Branca resolver todas as questões legais, porque sabia que ele tinha competência mais do que suficiente para me conseguir um acordo espetacular e cheio de benefícios.
Mas todas essas preocupações precisavam esperar. Eu tinha outra coisa muito mais importante para planejar no momento.
O meu casamento com Michael.



Quando Michael disse que estava disposto a realizar o maior casamento do showbizz, ele não estava apenas de brincadeira. Passamos dois meses organizando tudo e, ao final desse prazo, uma festa de arromba fora preparada no Rancho Neverland. Lá aconteceria a cerimônia religiosa, assinaríamos os papéis da união civil, e – nas palavras do próprio Michael - festejaríamos como se não houvesse amanhã. Nem preciso dizer que ele estava se mostrando tão animado quanto eu. Era impressionante a forma como tudo havia entrado nos eixos, e como o período que passamos separados serviu para solidificar ainda mais a nossa relação. O rei do pop estava disposto a mostrar para o mundo inteiro que iria se casar. Pelo que parecia, ele realmente acreditava ter feito a escolha certa. E eu estava completamente empenhada em não decepcioná-lo mais uma vez.



Quanto a família Jackson, tive uma grande e maravilhosa surpresa. Eu tinha a certeza de que Joseph, LaToya e Jermaine me detestavam; mas fiquei imensamente feliz ao descobrir que o resto da família não partilhava desse mesmo sentimento. Dona Kate mostrou-se uma pessoa extremamente amorosa e atenciosa, ajudando-me com todos os preparativos para o casamento. Jackie, Tito, Marlon e Randy me trataram com a maior simpatia quando fomos apresentados um ao outro, dizendo que Michael era um homem de sorte por ter conseguido fisgar uma mulher tão bonita e cheia de talento. Rebbie e Janet me ajudaram a escolher o vestido de noiva, mostrando-se tão entusiasmadas quanto eu e realmente felizes pelo rumo que as coisas estavam tomando. 
Janet seria uma das madrinhas, acompanhada por John Branca: ambos escolhidos por Michael. Os outros dois seriam Margareth e Vincent; que aceitaram prontamente o meu convite. A nossa dama de honra seria uma linda e esperta garotinha que fora a grande responsável pela minha reconciliação com o amor da minha vida: Samantha. “Diga ao Michael para não se desesperar se você se atrasar para chegar ao altar” – ela aconselhou, curvando-se de rir. “Teimoso do jeito que é, é bem capaz de ir correndo atrás de você mesmo com todos dizendo que é completamente normal a noiva chegar atrasada.”

E em meio a tantos preparativos, não pude deixar de me lembrar de uma pessoa que eu não via a bastante tempo. 
Lisa Marie.
A última vez que eu havia ouvido notícias sobre ela foi quando um jornal estampara uma foto sua; dizendo em letras pequenas que a filha de Elvis Presley estava na Europa preparando seu primeiro disco. Desejei que ela tivesse sorte nessa empreitada e que suas músicas fizessem sucesso. Apesar de tanta confusão, tantas mágoas de ambos os lados, eu jamais desejei o seu mal. Esperava, do fundo do coração, que ela conseguisse reconstruir sua vida e encontrar a sua felicidade.
Da mesma forma que eu reencontrara a minha. 


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Na imprensa, circulava a informação de que aquele seria o casamento do século. Todos estavam interessados na união de Michael Jackson e Sienna McCallister. Ao ver a notícia nos jornais europeus, dois meses antes, Lisa Marie esforçou-se para acreditar que aquilo não era verdade. Eles não mereciam terminar tão bem após a terem feito de boba. Iria ser tão fácil assim???!!! 
Indignada, pegou um vôo para os Estados Unidos às vésperas da cerimônia. Estava disposta a dizer, na frente de todos, que aqueles dois não mereciam o respeito de ninguém. Haviam-na traído!!! Michael com aquela pose de bom moço, na verdade se mostrara infiel e descompromissado com os votos que havia feito no dia que se casara com ela. Tudo bem, ela, por um deslize bobo, o havia traído com Emmet. Mas não era ela quem dizia “cure o mundo” aos quatro ventos. Michael e Sienna iriam ser envergonhados diante de todos, prometeu a si mesma. O que ela tinha a perder?! Absolutamente nada! Aquele casamento não poderia transcorrer tão bem quanto em um estúpido conto de fadas, com direito a um “felizes para sempre”.
Seu orgulho ferido a impedia de permitir.


Ainda era cedo quando ela dirigiu até o Rancho Neverland. Inúmeros repórteres apinhavam-se do lado de fora da propriedade, esperando ansiosos pela melhor fotografia. Os seguranças de Michael faziam de tudo para mantê-los afastados, mas esta parecia ser uma tarefa bastante difícil devido ao frenesi que tomava conta do ambiente. Cautelosa, Lisa sabia que não poderia simplesmente descer do carro e seguir em direção ao portão. Correu os olhos pelos seguranças e notou que muitos deles ela nunca havia sequer visto na vida. Precisava encontrar uma forma de entrar na propriedade; mas não tinha absolutamente ninguém para ajudá-la.
Ela não tinha sequer a certeza do que iria fazer. Só sabia que o brilho do casamento daqueles dois malditos seria ofuscado por uma enorme confusão. Letras garrafais anunciariam, em todos os jornais, que Sienna começara a se envolver com Michael quando ele ainda era casado. Seria um prato cheio para a imprensa e isso a deixaria feliz e plenamente satisfeita.
Deu a volta com o carro e analisou a entrada lateral, menos movimentada. Alguns seguranças postavam-se atrás das enormes grades de ferro, e entre os conhecidos estava Bruce. Este sempre a acompanhara na maioria dos lugares que fora quando estava casada com Michael. Ele não seria capaz de negar-lhe nada; sempre obedecera prontamente a suas ordens.
Desceu do carro e caminhou apressadamente até o portão.
- Olá Bruce – murmurou, com uma naturalidade que o espantou. – Estou de volta – disse, abrindo um sorriso. 
Bruce olhou calmamente para ela.
- Seja bem vinda de volta a América, srta. Presley.
Lisa estremeceu diante do “srta. Presley”. Estava adaptada ao ouvi-lo chamá-la de “sra. Jackson”.
- Eu preciso entrar – avisou. - Algumas jóias minhas continuam aqui no rancho e elas custam mais do que o seu salário em 20 anos. O Michael não mandou entregá-las a mim, por isso vim aqui para buscá-las.
O segurança arqueou as sobrancelhas.
- Hum... a srta. veio buscar suas jóias. Hoje? – perguntou, comum certo tom de ironia.
Ela arregalou os olhos, simulando indignação.
- Não posso esperar, Bruce. Se eu não pegá-las agora, só poderei vir aqui depois que os pombinhos chegarem de viajem – argumentou, irritada só de pensar na lua-de-mel dos dois traidores. - Você sabe que o Michael não costuma permitir que os empregados recebam visitas quando ele está fora e não estou nenhum pouco disposta a esperar. 
Bruce balançou a cabeça negativamente.
- Desculpe, eu não posso autorizar a sua entrada. Preciso que o sr. Jackson esteja completamente de acordo. Vou avisá-lo de que a srta. está aqui – disse, pegando o Walkie Talkie e o aproximando da boca.
Lisa tentou pensar em algo antes que aquele segurança estúpido estragasse os seus planos. Obviamente Michael o mandaria dispensá-la quando soubesse que ela estava ali.
- O que está acontecendo, Bruce? – uma voz de menina perguntou, do outro lado da grade. 
Lisa aproximou-se um pouco mais e pôde ver uma garota esticando-se na ponta dos pés entre dois enormes homens vestidos de terno preto.
- Irei perguntar ao sr. Jackson se posso deixar a srta. Presley entrar para recolher algumas jóias suas que ainda estão aqui.
A garota arregalou os olhos.
- Uau! – murmurou, empolgada. – Meu pai tem todos os vinis do Elvis – disse, sorrindo para Lisa.
- Sério? – Lisa perguntou, querendo saber quem diabos era aquela garotinha que se intrometera em sua conversa com o segurança.
- Aham – respondeu, balançando a cabeça afirmativamente. – Prazer, meu nome é Samantha, mas pode me chamar de Sam – ela disse sorrindo, como se pudesse ler os pensamentos de Lisa Marie. – Sou filha de um dos padrinhos da Sienna.
- Bem... e eu sou Lisa Marie, a ex-mulher do patrão desse mal educado... – rosnou, olhando para Bruce. – Desde quando preciso ser anunciada para entrar nesse rancho? Vou encarar isso como uma ofensa, está me entendendo?
Um vinco se formou na testa de Sam.
- Você foi convidada para o casamento? Por que chegou tão cedo?
Lisa revirou os olhos.
- Meu bem, não estou interessada no casamento. Quero apenas pegar o que é meu – respondeu, visivelmente irritada. – Sei que o Michael e a Sienna devem estar completamente ocupados e não tenho a intenção de incomodá-los. Quero apenas que me deixem entrar.
Sam analisou suas palavras e olhou para Bruce.
- Deixe a srta. Presley entrar, está bem? Eu a levarei para dentro e avisarei ao Michael que ela está aqui. 
Bruce balançou a cabeça negativamente.
- Não posso fazer isso. Ordens são ordens. O sr. Jackson precisa ser informado pela segurança sobre todos que entram e saem de Neverland, e é isso que irei fazer.
- Essa regra não é válida para o dia de hoje. Ele está lá dentro do quarto, fazendo a última prova do terno – disse Sam, inocentemente. – Isso sim é importante.
- Tente incomodá-lo com uma besteira e ele irá pedir a sua cabeça – Lisa disse, em tom de ameaça. – Vamos cara, abra logo essa merda de portão - disparou, afirmando para si mesma que a menina chegara na hora certa e estava se mostrando melhor que a encomenda.
- Eu garanto que ele não irá se importar – argumentou Sam. – Lisa Marie não é nenhuma estranha. O Michael não teria coragem de impedir que a mulher com quem já foi casado entrasse em Neverland – disse firmemente. Franziu a testa. - Teria?
- Claro que não – completou Lisa. – Ele jamais faria algo para me impedir de entrar nesse rancho.
Bruce olhou para o segurança que estava ao seu lado, trocou algumas palavras com ele e, em poucos segundos, o portão se abriu.
- É melhor que a srta. seja rápida – murmurou. – Daqui a pouco os convidados começam a chegar e se não tiver um convite, sinto muito, mas será colocada para fora.
Sam puxou Lisa pelo braço, completamente empolgada por estar ao lado da filha de Elvis Presley, e as duas caminharam pela trilha de pedras que a levariam até a residência principal.
- Por que você não me fala um pouco sobre Graceland? – incentivou Sam. – Eu sempre ouvi dizer que os fãs do seu pai lotam a cidade para homenageá-lo.
Lisa assentiu, esforçando-se para parecer interessada.
- Aham... é verdade. Bem... Minha mãe transformou nossa antiga casa em um museu... – murmurou, organizando os fatos em sua mente. Afirmava para si mesma, cautelosamente, que precisava encontrar uma forma de se livrar daquela garota tagarela e permanecer no rancho, sem ser vista, até a hora que achasse conveniente. 




Capítulo 65


- Meu pai sempre quis ir até lá – confessou Sam, sorrindo. – A adolescência dele foi embalada pelas músicas do seu pai. 
Lisa abriu um sorriso.
- Fico feliz ao ver as demonstrações de afeto que ainda hoje, muitas pessoas; dos quatro cantos do mundo, direcionam a ele. – Puxou o ar e tentou se concentrar no que realmente havia planejado fazer ali. Não poderia ficar perdendo tempo com recordações cheias de melancolia. Levou as mãos à cabeça, praguejando consigo mesma. – Caramba, acho que esqueci a bolsa dentro do carro.
Sam virou-se para olhá-la.
- Não tem problema. Você disse que não vai demorar... 
Lisa fitou-a com determinação.
- Mas o meu celular está lá dentro e eu estou esperando uma ligação muito importante – murmurou, achando-se ridícula por ter que inventar desculpas para se livrar de uma estúpida pré-adolescente.
Sam revirou os olhos.
- Eu queria muito acompanhar você de volta, mas a Sienna me mataria se descobrisse que ainda estou por aqui. – Colocou as mãos na cintura impacientemente. – Sou uma das damas de honra e já deveria estar me arrumando. 
Lisa controlou-se para não rir.
- Você não está grandinha demais para ser dama de honra?
Sam estreitou os olhos, notando o tom de deboche na sua voz.
- Não, na opinião dos noivos. E a opinião deles, é a única que interessa – respondeu, dando de ombros. – Procure a Susan quando chegar lá dentro, está bem? Ela avisará ao Michael que você está aqui.
Lisa balançou a cabeça.
- Farei isso – ela disse. – Mas sinceramente, eu não quero monopolizar a atenção do Michael ou da Sienna em um dia tão cheio de ocupações. Acho que a Susan poderá me ajudar em tudo que preciso.
- Boa sorte, então – murmurou Sam, olhando ansiosa para o relógio. – Espero que o Bruce não lhe cause problemas lá fora.
Lisa deu uma piscadela.
- Não se preocupe. – Sorriu.- Ele não irá causar. 



Quando Sam desapareceu ao longe da trilha, Lisa deu a volta no jardim e observou o grande movimento de pessoas na entrada frontal da residência principal. Jamais conseguiria entrar por ali sem ser vista, e para completar, teria que torcer para que a garotinha tagarela se ocupasse tanto com algo que não tivesse tempo para mencionar o seu nome para quem quer que fosse. Certamente não teria muito tempo pela frente, já que Bruce sabia que ela havia entrado e contaria os minutos para vê-la sair. Tivera tanto trabalho para entrar no rancho, e agora que estava ali, sentia-se estupidamente de mãos atadas.
Pensara em esperar a hora da cerimônia e envergonhar os pombinhos na frente dos convidados; mas não conseguiria se esconder já que os seguranças sabiam da sua presença. E no fim das contas, aquilo não parecia ser muito inteligente. Ela seria arrastada para fora, taxada de louca e, por fim, de nada adiantaria o seu esforço. Michael e Sienna se irritariam, teriam uma leve dor de cabeça, mas no final nem se lembrariam de que ela esteve ali. 
A ridicularizada seria ela. Seria vista como aquela que não consegue se conformar em ter perdido o marido, a barraqueira, aquela que é incapaz de aceitar a felicidade dos outros e blá, blá, blá. 
E se a própria noiva colocasse tudo a perder??? Sienna era desequilibrada o suficiente para cair em qualquer tipo de provocação. Ela mesma poderia meter os pés pelas mãos, como tantas vezes já fizera, e transformar seu próprio casamento em um grande circo público. Lembrou-se do VMA, quando após uma decepção e alguns goles de bebida, Sienna passou a maior vergonha da sua vida. Bingo, bingo, bingo!!! Isso sim, seria perfeito. Sienna já havia aberto mão de Michael uma vez, e se fizera isso é porque algo a perturbava. Talvez não se achasse boa o suficiente. Ela sempre se mostrou uma mulher insegura. Lisa deveria plantar a semente da discórdia e encher sua cabeça de duvidas, mostrando que ela nunca seria capaz de fazer Michael feliz. Por fim, deixaria Sienna tão abalada que ela seria incapaz de subir ao altar saltitando de felicidade, com aquele ar inadmissível de vitória. Os casamentos são empreitadas fadadas ao fracasso. Um dia, Michael trairia Sienna da mesma forma que a traiu. Com esse discurso, simples e verdadeiro, não seria muito difícil tirar a noiva dos eixos. Sienna não deveria ser tão otimista - afirmou para si mesma, enquanto caminhava em direção a entrada da casa. – Casamento nem sempre é sinônimo de felicidade.


O rancho estava repleto de pessoas que ela não conhecia, todas caminhando freneticamente de um lado para outro, trabalhando para que tudo transcorresse da forma planejada. Michael e Sienna deveriam estar no andar de cima, arrumando-se para a hora tão esperada. Subiu a escada cautelosamente, calculando o que faria para encontrar Sienna sozinha. Certamente ela estava cercada de empregados e puxa-sacos que correriam para chamar a segurança assim que a avistassem. Chegara longe demais para ser colocada para fora. Precisava ter uma última conversa com a vadia traidora. Tinha a obrigação de proporcioná-la um último momento de irritação e desagrado; mostrando que ela não deveria sentir-se vitoriosa. O mundo gira muitas vezes. E na próxima esquina, Sienna é que poderia estar por baixo.
O primeiro passo seria seguir para um lugar onde pudesse permanecer sem ser vista até encontrar uma forma de se aproximar da noiva. Deu alguns passos pelo enorme corredor onde o quarto principal e os quartos de hóspede se situavam, até encontrar uma porta entreaberta. O silêncio dominava o cômodo, deixando claro que não havia ninguém ali. Não havia absolutamente nada de importante no quarto. Nada em especial.
Exceto pelo enorme e luxuoso vestido de noiva que repousava sobre a cama.
Cerrou os punhos, praguejando de raiva. Quando se casara com Michael, não houve festa, não houve vestido, não houve nada daquilo que ele estava proporcionando a Sienna. Era completamente injusto. 
Entrou no quarto e aproximou-se da cama, observando o vestido branco com atenção. Era deslumbrante. Detalhes em pedraria contornavam e preenchiam a parte superior, da cintura até o busto. Uma longa cauda estendia-se na parte inferior, abaixo das três camadas que davam-lhe enchimento. Logo ao seu lado repousavam o véu e a grinalda, não menos exuberantes. Certamente Sienna ficaria linda dentro dele - refletiu, cerrando os punhos novamente.
Não, não ficaria. Uma cadela ordinária não merecia usar um vestido de noiva como aquele.
Se ela quisesse se casar, deveria tratar de encontrar uma coisa a sua altura para vestir - disse para si mesma, recolhendo o vestido da cama.
Fitou o vestido por mais alguns segundos e o colocou sobre a cama novamente, achando -se uma estúpida por estar se importando com algo que não deveria fazer a mínima diferença. Destruir aquele vestido não impediria Sienna de se casar com Michael. 
Estava quase convencida a seguir adiante com seu plano inicial, quando lembrou-se do dia em que ela, Michael e Sienna viajaram juntos para Nova York. Provavelmente eles já deviam ter um caso, e usaram a viajem como desculpa para ficarem ainda mais próximos debaixo do seu nariz. Como ela pôde ter sido tão cega? Eles a haviam feito de boba. 
Em um impulso, pegou o vestido novamente e sorriu ao puxar o zíper para baixo até conseguir quebrá-lo. Sentou-se na cama e rasgou a camada de baixo, a do meio e a de cima, destruindo o tecido delicado com um simples puxão para os dois lados. Rasgou o véu e a grinalda com a mesma facilidade, transformando-os em um tosco amontoado de pano que poderia servir, talvez, para os empregados limparem as janelas do rancho. Respirou fundo e abriu um sorriso nervoso, sentindo-se completamente satisfeita por estar destruindo algo que Sienna planejara com tanto carinho, para um dia tão especial. Ela deveria agradecer de joelhos por Lisa estar sendo tão generosa. Sienna certamente merecia coisa muito pior. Podia imaginar a cara dela quando visse os retoques finais do seu lindo vestido de noiva. “Espero que ela goste bastante”, murmurou com um sorriso nos lábios. “Espero que ela saiba reconhecer o meu trabalho de mestre”.


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Após tantas idas e vindas, tantos encontros e desencontros, o dia da minha união oficial com Michael finalmente havia chegado. Percebi que minha vida mudara drasticamente nos últimos meses, de uma forma completamente inesperada. Antes a palavra ‘casamento’ estava entre aquelas que eu não pretendia de forma alguma levar à sério. Mas após conhecer Michael e me apaixonar perdidamente por ele, percebi que o matrimônio é uma forma de dizer ao outro que você quer estar ao seu lado incondicionalmente, sob as bênçãos de Deus. É uma prova de amor.
Agora que faltava tão pouco, meu estômago insistia em se contorcer de nervosismo. Tudo já estava pronto, os convidados já haviam começado a chegar, e em um quarto a poucos metros de distância Michael acabava de se arrumar, tão empolgado quanto eu. 
Isso significa que eu já deveria estar vestida, maquiada, penteada e pronta para seguir para o jardim de Neverland assim que Rebbie me chamasse. Mas nunca fui pontual, e aquele dia ninguém poderia se queixar por isso. “As noivas tem o direito de chegarem atrasadas”, eu disse para Janet, quando ela perguntou se eu precisava de ajuda. “Estou bem, Jan. E por favor, não me apresse” – supliquei, pedindo que ela fosse ajudar Sam a se trocar.
Meus pais, que eu não via a tanto tempo, prometeram que iriam comparecer a cerimônia, e pareceram felizes quando souberam de tudo que estava acontecendo. Nos distanciamos muito ao longo dos anos, mas aquela parecia ser uma ótima oportunidade de nos encontrarmos novamente e tentarmos, juntos, reconstruir o laço familiar que a tanto tempo havíamos perdido. Prometi a mim mesma que depois que eu e Michael chegássemos de lua-de-mel eu iria convidá-los para nos visitar em Neverland sempre que desejassem. Eu só não fazia a mínima idéia de quando a lua-de-mel iria terminar. Michael escolhera Paris como destino; e avisara que não precisávamos nos preocupar com o tempo: não teríamos a mínima pressa para voltar.
Depois de receber meus pais e pedir a Margareth que os acompanhasse até o jardim, notei que eu tinha menos de meia hora para me arrumar. Agradeci aos céus pela habilidade que eu havia adquirido ao longo da minha carreira; de me trocar na velocidade da luz. O tempo, não seria um problema. 
Segui para o quarto onde haviam colocado os meus pertences e, ao abrir a porta, não pude acreditar no que vi. 
O vestido, que escolhi com tanto cuidado e apresso, estava caído no chão, dividido em inúmeros pedaços de tecido retorcido. Diante dele, estava Lisa Marie, sentada na cama, com um sorriso nos lábios. 
Em um primeiro momento, fui tomada pelo susto de encontrá-la ali. Da última vez que soube dela, ela estava do outro lado do Oceano Atlântico produzindo um disco. Que diabos agora ela fazia em Neverland? Ela destruíra o meu vestido de noiva?! Não, aquilo não poderia estar acontecendo. Nem uma adolescente de 15 anos de idade seria capaz de algo tão infantil.
- Finalmente chegou quem faltava – ela disse, batendo palmas. – Há quanto tempo, não é mesmo?
A encarei, ainda sem saber como reagir. Susto, raiva, pena por aquela criatura achar que estava conseguindo estragar os meus planos... tudo se misturava dentro de mim, impossibilitando-me até mesmo de abrir a boca para pronunciar algo.
- Fiquei um pouco entediada enquanto a esperava e tive que me ocupar com algo. Veja só... – murmurou, apontando para o vestido no chão. – Agora ele está digno de você.
Balancei a cabeça negativamente, arqueando as sobrancelhas.
- Não posso acreditar que você cruzou o Atlântico para se portar como uma criança diante de mim – eu disse, estupefata.
Ela levantou-se.
- Na verdade, Sienna, eu estou aqui para ter uma conversa franca com você. – Sorriu. – Onde você pensa que esse seu casamento com o Michael irá chegar? 
Hum... então era isso. Orgulho ferido, mais uma vez.
- Lisa, você está bem psicologicamente? – Olhei para o vestido mais uma vez. - Nem quando éramos duas crianças você se mostrava tão imatura. 
Ela suspirou, sem se abalar com a minha observação.
– Sabe... é melhor você se preparar, porque daqui a pouco tempo o Michael irá começar a lhe trocar pelos amiguinhos que freqüentam esse rancho. – Caminhou em minha direção, com uma calma impressionante. – Posso lhe garantir que é deprimente se sentir trocada por um bando de pirralhos.
Continuei parada ao lado da porta, analisando suas palavras. 
Céus, ela continuava a ser a mesma insensível de sempre. 
- Ah... sim, e não posso me esquecer de que você deixará de ser Sienna McCallister para se tornar a “esposa do rei do pop”. Você viverá a sombra dele e nunca mais conseguirá ganhar notoriedade por conta própria. 
Dei dois passos a frente.
- Engano seu. E se isso acontecer, estou plenamente disposta a lidar com a situação.
Ela riu.
- E quando ele começar a lhe trair da mesma forma que fez comigo? – Fitou meus olhos e irritou-se ao perceber que suas palavras não estavam causando o mínimo efeito em mim. - Olhe-se no espelho. Por que pensa que com você será diferente? 
Uau! A que ponto ela havia chegado. Definitivamente, eu ainda não conseguia acreditar.
Puxei o ar e me aproximei ainda mais dela.
- Lisa, EU e o MICHAEL iremos nos CASAR. É da nossa inteira responsabilidade arcar com todos os riscos e conseqüências que esse relacionamento poderá nos trazer. Não interessa a ninguém além de nós – murmurei com firmeza. – Eu simplesmente sei que o meu casamento não irá terminar da mesma forma que o seu.
Ela cerrou os punhos. Estava começando a perder a calma irritante que demonstrara no início da conversa.
- O que diabos lhe dá tanta certeza?! – bradou, colocando o dedo indicador diante do meu rosto.
Respirei fundo.
- Eu sei que possuo milhares de defeitos, Lisa. Mas ainda assim, sei que sou uma mulher muito melhor do que você – murmurei, fitando seus olhos. – Eu nunca seria capaz de ser tão mesquinha, tão egoísta. Isso é o que me dá a certeza de que eu e o Michael seremos felizes. Antes de sermos noivos, somos amigos, parceiros. Na nossa relação, além de amor e afeto, existe cumplicidade. Você sabe o que é isso?
Senti os músculos da sua face se retesarem. 
- Uau, você está mesmo se achando melhor do que eu – murmurou, forçando um sorriso. – Então, para sermos honestas e encerrar essa história, todos lá fora precisarão saber da verdade por trás desse lindo casamento. Aí, todos poderão tirar suas conclusões sobre quem é melhor do que quem – disse ameaçadoramente, indo na direção da porta.
Entendi que ela queria um escândalo. Continuava a guardar ressentimentos que, eu e Michael, já havíamos esquecido. Só queríamos paz e tranqüilidade. Será que ela era incapaz de reconstruir sua vida e passar uma borracha em todo o passado?
Quando ela tocou a maçaneta, a porta abriu-se abruptamente e Bruce surgiu esbaforido diante de nós, acompanhado por mais dois seguranças, Janet e Sam.
- Jóias, é? – Sam perguntou, fuzilando-a com os olhos. – Agora sei por qual motivo o Michael não queria você circulando por Neverland. 
Bruce aproximou-se dela e a agarrou pelo braço.
- Vamos lá para fora, srta. Presley. - Voltou-se em minha direção: – Srta. McCallister, todos nós sentimos muito por essa falha – disse, desconcertado. - Garanto que isso não irá se repetir.
Assenti devagar.
- Tudo bem, Bruce. Mas, por favor, não a coloque para fora.
Todos no quarto viraram-se para mim, de olhos arregalados.
- Leve-a para a sala da segurança e deixe-a sob seus cuidados até o fim da festa – completei. – Depois conversamos com o Michael e decidimos o que iremos fazer.
Lisa me encarou, com os lábios retraídos em um sínico sorriso. Provavelmente ela achou que eu não estava falando sério.
- Quê? – perguntou, com desdém.
- É isso mesmo – murmurei firmemente. – Ou você achou que iria entrar aqui, acabar com o meu vestido de noiva, encher meus ouvidos com essa sua merda de discurso e sair tranquilamente? Não sou nenhuma idiota, Lisa.
- Sério? – indagou, olhando para as unhas, parecendo não se importar. – Eu irei perder muitas noites de sono por conta disso – disse, ironicamente.
Suspirei.
- Eu preciso lhe lembrar de que invasão de propriedade é crime? Talvez isso lhe renda um belo processo nas costas.
Sua expressão se fechou de repente. Certamente a palavra ‘processo’ não lhe agradou muito.
- Foda-se você e as suas ameaças estúpidas. Com quem você pensa que está falando?
Olhei para ela, satisfeita. Finalmente ela entendera onde eu queria chegar.
- Com uma maluca delinqüente que não mede as conseqüências dos próprios atos. – Abri um sorriso. – Leve-a, Bruce. Todos já devem ter chegado e eu preciso me arrumar depressa. Não pretendo deixar o meu noivo plantado no altar.
Bruce a segurou novamente.
- Tire as mãos de mim, seu imbecil – Lisa disparou, puxando o braço com força. – Como ousa dar ouvidos a essa ordinária e me tratar assim? Você irá se arrepender, está me ouvindo? Solte-me!
Ainda conseguimos ouvir seus protestos por mais alguns segundos, até que tudo se tornou silencioso novamente. Prometi para mim mesma que ela iria aprender a não se meter onde não fora chamada. Sam postou-se ao meu lado, arregalando os olhos ao ver o que sobrara do vestido de noiva caído no chão.
- ELA FEZ ISSO? – perguntou, transtornada. 
Janet também arregalou os olhos.
- Eu... eu não posso acreditar no que acabei de ver. O que deu nela para entrar aqui e fazer isso??? 
Joguei-me na cama e pus as mãos na cabeça.
- Acho que ela está precisando urgentemente de uma camisa de força.
Sam revirou os lindos olhinhos maquiados de sombra pérola.
- Mas e agora, o que você fará sem vestido? – perguntou, com um vinco na testa.
- Precisamos conseguir outro – disse Janet. - E rápido.
Analisei as possibilidades. Tínhamos que ir até Los Angeles para encontrar outro vestido de noiva, e não conseguiríamos levar menos do que duas horas para ir e voltar. Não tínhamos tempo suficiente, e eu não permitiria, de maneira alguma, que um simples detalhe atrapalhasse aquele casamento.
- Eu acho que está tudo sob controle, garotas – tranqüilizei-as sorrindo, indo em direção a pilha de malas que eu e Michael levaríamos na viajem. – Sam, traga as maquiadoras até aqui. Não temos mais tempo a perder.
Sam me encarou, aparentemente tão curiosa quanto Janet.
- O que você está pensando em fazer? – perguntou, certamente duvidando da minha capacidade de improviso. – Irá subir ao altar de regata e calça jeans?
- Não – respondi, colocando a mala em cima da cama e tirando de dentro dela uma longa camisola branca de seda e renda que eu comprara para levar na lua-de-mel. Analisei o tecido e as aberturas, constatando que ela era extremamente sexy, mas nada vulgar. Apenas alguns criativos ajustes e eu estaria perfeitamente adequada dentro dela.
- Não me diga que... – Janet levou as mãos à boca, esforçando-se para não soltar um grito de descrença e empolgação. – Você está ficando maluca?
- Sempre disseram que eu era – brinquei com um sorriso, olhando meu reflexo diante do espelho.
E apenas alguns minutos depois, eu já estava pronta para descer e encontrar o meu príncipe encantado. 
Ou melhor...
O meu magnífico rei encantado.




Capítulo 66


Não tenho palavras para explicar o que senti no instante que Rebbie e D. Kate apareceram no quarto para avisar que todos já estavam esperando por mim. Meu pai, sorrindo, esperava-me no corredor, orgulhoso por me conduzir até o altar. Enquanto descíamos a escada da residência principal, todos puderam constatar o quanto eu estava nervosa e empolgada; tropeçando na ponta da camisola que virara vestido e pedindo baixinho que nada mais desse errado. Rebbie segurou minha mão e me tranqüilizou, dizendo que eu não precisava me preocupar. Tudo estava correndo tão bem quanto o planejado.
A medida que nos aproximávamos do jardim, pudemos ouvir o burburinho extasiado que tomava conta do ambiente. O sol começara a se pôr atrás das colinas verdejantes e o vento soprava com leveza, tornando o clima ameno e agradável. Dezenas de pessoas já estavam sentadas em seus devidos lugares, na certa ainda se questionando sobre a procedência daquele casamento. “Michael Jackson e Sienna McCallister teriam alguma chance de fazer aquela união improvável dar certo?” Eu poderia apostar que todos estavam fazendo essa óbvia pergunta. Eu e Michael éramos tão diferentes aos olhos do público que muitos poderiam duvidar que tivéssemos muitas coisas em comum. Mas éramos sim, muito parecidos, em vários aspectos. Nossos temperamentos se assemelhavam de uma forma impressionante. Nossa teimosia, por exemplo, foi uma das responsáveis por termos passado tanto tempo longe um do outro. E o mais importante: o amor. Partilhávamos desse sentimento e desejávamos vivê-lo da forma mais intensa que pudéssemos. Isso deveria bastar para calar a boca de todos que insistiam em duvidar que o nosso casamento pudesse dar certo.

Poucos dias antes do casamento, Sam havia proposto, sorrindo, que eu subisse ao altar ao som de uma das músicas de Michael. Analisei suas palavras rapidamente e não pensei duas vezes antes de trocar a marcha nupcial pela versão instrumental da música Human Nature. Sempre achei essa canção tão doce e delicada... Cheia de uma terna inocência, capaz de tocar o coração de uma maneira mágica. Ela se encaixaria perfeitamente na ocasião.
Eis que o momento havia chegado. Puxei o ar e contei até três quando pisei no enorme tapete vermelho, equilibrando em uma das mãos o buquê de tulipas rosas, enquanto segurava firmemente com a outra o braço de um sorridente Harry McCallister. A única vez que eu vira meu pai sorrindo daquela forma foi quando eu, com apenas 9 anos de idade, subi ao palco de um programa de TV local pela primeira vez, para cantar minha primeira música que chegou ao topo das paradas de sucesso. Pude ver de longe minha mãe limpando os olhos com um lencinho de tecido azul, provavelmente afirmando para si mesma que eu criara juízo e havia feito uma ótima escolha para o matrimônio. Eles estavam orgulhosos de mim. Saber disso me deixou, mais do que nunca, muito contente. 
Vincent e Margareth, meus magníficos padrinhos, sorriam no altar, ao lado de Janet e Branca, os espetaculares padrinhos do noivo. Acenei discretamente para eles, e quando meus olhos encontraram Michael, precisei redobrar a atenção em não me desequilibrar por conta do nervosismo. Ele estava vestido com um terno preto, camisa branca e gravata vermelha, e pude notar uma pequena tulipa cuidadosamente posicionada na lapela. Respirei fundo, tentando me recompor: olhar para ele certamente me deixara com uma grande cara de boba. Meu coração acelerou-se ainda mais, enquanto eu me forçava a controlar as lágrimas para não destruir a maquiagem - prometendo para mim mesma que faria tudo para merecê-lo.


Assim que a música começou a tocar, todos levantaram-se e voltaram-se em minha direção. Sam deu os primeiros passos pelo tapete, segurando uma pequena cestinha com pétalas de rosas, enquanto eu me aproximava lentamente do altar. Não tenho palavras para explicar como me senti naquele instante. Era como se eu estivesse sonhando e tivesse medo de ser acordada por alguém. Michael me fitava, sorrindo daquele jeito encantador, fazendo meu plano de não chorar ir para o espaço. Não consegui conter as lágrimas teimosas e insistentes que se aproximaram antes que eu tivesse tempo de impedi-las.
- Espero que você saiba honrar o amor que a minha filha sente por você – meu pai disse, quando me entregou para Michael. Eu sorri, olhando para ele. Fiquei contente em ver que, apesar de tanto tempo, ele ainda me considerava a sua garotinha. Não estávamos tão distantes o quanto pensei. Relações entre pais e filhos são mais sólidas do que eu imaginava.
Michael riu e assentiu.
- Não precisa se preocupar, sr. McCallister – respondeu. – Tenha a certeza de que farei da sua filha a mulher mais feliz do mundo – murmurou, fitando meus olhos.
Já está fazendo, Mike - pensei comigo mesma, com os olhos cheios d’água.
Meu pai me deu um leve beijo na testa e sentou-se na primeira fileira de bancos, enquanto Rebbie estendia a mão para recolher o meu buquê.
- O que você está querendo causar em mim? – Michael perguntou baixinho ao meu ouvido, de uma forma extremamente travessa. – Estou começando a ficar animado antes do tempo... e a culpa é completamente sua e desse vestido. – Riu. - Você está linda. E sexy demais para uma noiva que quer que o casamento transcorra sem nenhum incidente.
Controlei-me para não cair na gargalhada. Acho que entendi o que ele quis dizer com ‘animado’ e ‘incidente’.
- Guarde a sua animação para mais tarde, amor – respondi, abrindo um pequeno sorriso. – E por favor, tente manter o foco. 
Seus olhos desceram para o meu decote e ele mordeu o lábio inferior.
- O foco na cerimônia – eu disse, rindo da sua reação. 
- Ah sim, claro – murmurou, sorrindo e erguendo a cabeça. Hesitou por um instante, olhando-me nos olhos. – Eu amo você – sussurrou, acariciando minha face.
Minhas pernas ficaram ainda mais bambas.
- Eu também amo você – respondi, com plena convicção.
Nos viramos para o padre e esperamos que todos se sentassem novamente.
- Estamos aqui para celebrar a união... – ouvimos ele começar a dizer.
Segurei firmemente a mão de Michael e senti nossos dedos se entrelaçarem. 
Lembrei-me de todos os caminhos que tivemos de percorrer antes de chegar até ali.
Após tantas idas e vindas, havíamos encontrado o lugar perfeito para nós dois. 
Um lugar onde nos encaixávamos com total exatidão, onde nos sentíamos verdadeiramente completos.
Um lugar de onde jamais sairíamos outra vez.
Um ao lado do outro. 


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Após a cerimônia religiosa, sob o som dos aplausos, assinamos todos os papeis e tornei-me oficialmente uma Jackson. Joseph, Jermaine e LaToya, apesar de aparentemente não estarem satisfeitos com aquele casamento, fizeram-se presentes, sentados um ao lado do outro na segunda fileira de bancos. Talvez eles estivessem dispostos a recomeçar do zero e me aceitar como um membro da família. E se não estivessem... de que me importaria? Aquilo, para mim, não era uma prioridade.
No salão de festas, para manter a tradição, eu e Michael dançamos uma valsa. Deslizamos no salão ao som de uma das mais belas peças de Chopin, tão leves que parecíamos flutuar. Michael sempre teve uma fascinação pelo clássico. Ali, enquanto segurava-me delicadamente pela cintura, fitando firmemente meus olhos, ele parecia um genuíno cavalheiro saído do século XIII.
Na hora de cortar o bolo, tive sob minha responsabilidade a tarefa de escolher quem receberia o primeiro pedaço. Como não consegui decidir, dividi o pedaço em dois. Uma metade, dediquei a Margareth – minha querida segunda mãe, e a outra a D. Katherine – a mulher responsável por ter feito Michael se tornar o homem maravilhoso que é. 
Perto da meia-noite, eu e Michael saímos escondidos da festa e seguimos para o quarto que agora era nosso. Viajaríamos para a Europa dois dias depois, portanto, passaríamos a nossa primeira noite de casados em Neverland. Enquanto ele me tirava apressadamente do salão, me senti como Cinderela tentando fugir do baile antes que o encanto se acabasse. Muito provavelmente os convidados notariam a nossa ausência; e nem precisariam se esforçar para saber onde havíamos ido. Tive a certeza de que, no quarto, eu e Michael estaríamos nos divertindo muito mais do que jogando conversa fora com os nossos convidados.

Ao chegarmos diante da porta do quarto, completamos mais um ritual dos recém-casados. Michael ergueu-me nos braços e colocou-me para dentro, sorrindo. Beijei seus lábios delicadamente e duvidei de que poderia haver no mundo duas pessoas mais felizes do que nós
- Enfim sós – ele murmurou, colocando-me no chão e enlaçando as mãos na minha cintura. – Como se sente agora que é oficialmente minha mulher? – perguntou, beijando meu pescoço.
Arrepiei-me instantaneamente.
- Hum... me sinto maravilhosamente bem – respondi, fechando os olhos ao sentir sua língua brincar com o lóbulo da minha orelha. – Agora tenho direito a tudo que é seu – eu disse firmemente. Sorri com malícia e deslizei as mãos para dentro da sua calça. – TUDO mesmo
Meus dedos contornaram seu membro sob a cueca. Soltei um gemido abafado ao senti-lo responder imediatamente ao meu toque. Michael abriu um sorriso sapeca e encolheu os ombros.
- Isso já lhe pertence há muito tempo – sussurrou, mordendo o lábio inferior. 
Sorrindo, girei o pescoço e olhei ao redor do quarto. Notei que tudo havia sido cuidadosamente arrumado para a ocasião. Meia luz, pétalas de rosas vermelhas sobre a cama, uma convidativa garrafa de champagne imersa no gelo... e para completar a decoração, pequenas taças em formato de coração repletas de morango espalhadas por todos os lados. Morangos com chantilly, notei rapidamente, adorando esse excitante detalhe. 
- Uau! – exclamei, com um sorriso. – É tudo tão... lindo.
Michael me abraçou por trás e depositou um beijo na minha nuca. Tirou o champagne do gelo, quebrou o selo e, poucos segundos depois, brindamos a nossa união. 
- Tenho a sorte de ter o marido mais carinhoso do mundo – murmurei, afagando seus cabelos. – O mais atenciosos, amoroso... – sorri – e sexy de todos.
Ele semicerrou os olhos e desviou as mãos para a curva dos meus seios. Afastei-me com um sorriso nos lábios, arrancando dele um biquinho de reprovação.
- Volta aqui, garota – chamou, com um sorriso. – Isso é provocação.
- Você ainda não viu nada, Mike – eu disse, puxando-o pela gravata. O arrastei até perto da cama, encarando-o com o olhar mais tarado que consegui encontrar, e o joguei em cima dela.
Ele deu um suspiro abafado e jogou a cabeça para trás, enquanto o volume que se formara sob a sua calça denunciava o quanto ele já estava excitado com aquela simples troca de carícias.
- Fique aí, sr. Jackson – ordenei, saltando da cama. 
- Vou denunciá-la por tortura, Sienna – ameaçou, sorrindo.
Acomodou-se confortavelmente com as mãos atrás da cabeça e fixou os olhos em mim, completamente atento aos meus passos. Puxei o ar, atordoada pela forma provocante que ele me encarou, e forcei-me a prosseguir. Fui até o aparelho de som e procurei o que eu desejava na enorme e organizada prateleira de cd’s anexada à parede. Encontrei, entre tantos outros, o álbum Dangerous. Selecionei a música e ajustei o volume, enquanto ele continuava a olhar em minha direção. Abri um sorriso quando a melodia inundou o ambiente. Eu estava decidida a fazê-lo provar do seu próprio veneno. 
- O que acha disso? – perguntei, colocando-me em pé ao lado da cama. Deslizei as mãos pelas pernas e retirei os sapatos. 
- Own... – ele gemeu de aprovação, recostando-se na cabeceira. – Acho que não vou conseguir ficar aqui... tão longe de você... – murmurou, fazendo menção de se levantar.
- Epa! – censurei, balançando a cabeça negativamente. – Não ouse sair do seu lugar.
Seus lábios de retraíram em um biquinho extremamente sexy e esforcei-me para não cair na risada. Michael me encarava da mesma forma que uma criança observa um intocável pirulito trancado dentro do armário de doces. Seria muito difícil não ceder às suas tentativas de aproximação.
Concentrei-me nas batidas da música e desfiz o penteado do cabelo, permitindo que os fios caíssem ondulados na altura dos meus seios. Tirei as luvas, em um movimento extremamente lento, fitando-o dentro dos olhos.
- Uuuuuhhh.... – ouvi Michael murmurar, mordendo os lábios e cerrando os punhos: uma visível tática para manter o controle.
Virei-me de costas e comecei a descer a alça do vestido lentamente, revelando vagarosamente cada parte do meu corpo. Arqueei as costas e permiti que ele escorregasse até o chão, ficando apenas com a calcinha de renda transparente que estava por baixo; e que, propositalmente, não escondia muita coisa. Michael provavelmente teve uma claríssima visão do meu bumbum.
- Ownnnn... – Puxou o ar pelos dentes. - Você quer acabar comigo, baby – exclamou, soltando a respiração devagar. 
Abri um sorriso satisfeito e voltei a me virar, encarando-o de frente mais uma vez. Seus olhos desceram para os meus seios, que àquela altura já estavam com os bicos totalmente enrijecidos por conta da crescente excitação que tomava conta do meu corpo. Desejei muito que a boca de Michael estivesse por perto; envolvendo-os daquele jeito que só ele sabia fazer. O simples pensamento me deixou ainda mais molhada de desejo.
Fitei seus olhos firmemente e deslizei a calcinha pelas pernas, revelando minha intimidade. Michael gemeu novamente, recostando-se no travesseiro. 
- Vem cá, vem... – chamou, tirando os sapatos e desfazendo o nó da gravata. 
Curvei meu corpo para frente e engatinhei na cama, indo em sua direção. Abri as pernas e me sentei em cima dele, soltando um longo suspiro quando seus dedos apertaram minhas nádegas com força, fazendo-me ter a certeza de que o local estaria cheio de marcas vermelhas no dia seguinte. 
Movi meu quadril para frente ao vê-lo projetar o tronco para cima e massagear os meus seios com as mãos, enquanto me tomava em um urgente beijo. O delicioso choque da sua língua na minha me fez gemer baixinho em aprovação. Senti seu membro, ainda sob a calça, pressionar suavemente minha intimidade; e aquilo foi o suficiente para me levar à beira de um orgasmo. Respirei fundo e juntei suas mãos, colocando-as para cima. Contornei seus lábios com a língua e sorri ao amarrá-lo pelos pulsos na cabeceira, usando a calcinha que eu tirara poucos minutos antes.
- Agora... posso fazer tudo o que eu quiser... – murmurei, satisfeita em tê-lo entregue à mim daquela forma. Desabotoei a sua camisa e dei um beijo molhado no seu peito. Ele fechou os olhos, puxando o ar entre os dentes. 
Estiquei as mãos e peguei uma das taças decorativas da mesa de cabeceira. Tirei um morango de dentro dela e o analisei com um sorriso nos lábios. Tirei um pedaço e ofereci a Michael. Ele deu uma mordida, enlaçando as pernas nas minhas. 
- Uma delícia, não é? – comentei, enrolando despreocupadamente uma mecha de cabelo nos dedos. – Mas eu sei de um jeito que o tornaria ainda melhor.
Ele mordeu o lábio.
- Por que você não me mostra? – desafiou, cheio de malícia.
Eu abri um sorriso safado.
- Já que você quer... – sussurrei baixinho, sem conseguir disfarçar que, na verdade, eu ansiava por aquilo tanto quanto ele. Passei o dedo no chantilly e o deslizei pelo seu pescoço. Comprimi meus seios em seu peitoral e dei uma lambidela onde o doce se espalhara, arrancando dele um intenso gemido. – Está vendo, Mike? Eu sabia que assim ele ficaria muito mais gostoso... – murmurei, olhando-o dentro dos olhos enquanto limpava com a língua o excesso do creme no canto dos lábios
Espalhei mais chantilly pelo seu ombro, seu peito, sua barriga... Lambendo cada pedacinho com extrema atenção e cautela. 
- Humm........ – murmurou, contorcendo-se na cama. – Ohhhh... Você é maravilhosa nisso, garota – arfou, de olhos fechados. 
Desci mais a boca, até chegar no botão da calça. Abaixei o zíper e a empurrei para baixo, acompanhada pelas meias. Michael usava uma cueca boxer azul-escuro, e não pude deixar de notar o quanto ela se tornara apertada devido à constante pressão do seu membro rígido no tecido. Desviei minhas mãos para dentro dela e puxei seu membro para fora, arrepiando-me inteira diante daquela visão. Michael me observava com atenção, ofegante e corado, na certa desejando que eu prosseguisse logo com aquilo. Envolvi seu membro com os dedos, fazendo lentos movimentos de vai-e-vem. O tamanho generoso do seu sexo o tornava ainda mais fácil e gostoso de masturbar. Mordisquei sua virilha, a parte interna das suas coxas, e cobri sua glande com o que restara do chantilly. 
Michael se contorceu quando minha língua deslizou pelo seu membro. Suguei a glande devagar, limpando a bagunça que eu mesma havia feito. 
Ele revirou os olhos, gemendo meu nome. Se estivesse com as mãos livres, certamente teria agarrado meu cabelo com força. Moveu o quadril para frente, procurando uma forma de entrar na minha boca mais depressa. Sorri ao perceber que aqueles meus movimentos em câmera lenta estavam mesmo o deixando à beira da loucura. 
- Ahh...... Hmm... – ouvi ele murmurar, e aquilo era como música para os meus ouvidos.
Apenas mais alguns minutos e já estava na hora de aliviar a provocação. Deslizei meus lábios para baixo, colocando seu membro todo na boca. Seu corpo tremeu abaixo do meu, mostrando-me o quanto ele gostara daquilo. 
Um agudo suspiro escapou dos seus lábios quando o conduzi ao primeiro orgasmo. Seu gosto de tornara doce dessa vez, muito provavelmente por conta do chantilly que havíamos usado pouco antes. Quando levantei a cabeça para olhá-lo nos olhos, tive a visão do paraíso. Seus cabelos estavam molhados, suas bochechas vermelhas, e seus lábios retraídos em um pequeno sorriso. Ainda em cima dele, estiquei os braços e o desprendi da cabeceira. Ele fechara as mãos com tanta força durante a minha sessão de tortura que as palmas estavam avermelhadas e com leves marquinhas de unha. 
- Agora você não me escapa – ameaçou, fechando os braços ao redor das minhas costas. Moveu-se tão rapidamente que em uma fração de segundos eu estava debaixo dele, completamente dominada.
Segurou-me com força enquanto chupava a minha pele com urgência, deixando marcas bem visíveis por onde passava. Desviou a boca para os meus seios e envolveu o bico de um deles com a língua, fazendo-me arfar depressa em aprovação. 
- Awn....... Mike... – balbuciei, mordendo os lábios com tanta força que provavelmente eles ficariam roxos.
Sua boca desceu pela minha barriga e contornou o umbigo, enquanto suas mãos se aproximaram da minha intimidade. Encarou-me de um jeito safado quando esfregou o dedo lentamente em meu clitóris, fazendo-me gritar e agarrar o lençol com força. 
- Que... covardia – esforcei-me a dizer, e notei que meus pensamentos estavam completamente embaralhados.
Suas sobrancelhas de arquearam.
- Covardia? – perguntou, fazendo-se de desentendido. - Covardia seria fazer isso... : - Ele sorriu e me penetrou com o dedo médio. Meu corpo se contorceu quando notei o quão fundo ele conseguiu alcançar.
-Ahh...hnnn...n...n...n........... – foi a única coisa que consegui pronunciar.
Ele colocou mais um dedo, movendo-os de forma circular lá dentro. 
- Você não sabe o quanto fica sexy gemendo assim, baby – comentou, tirando e colocando os dedos em mim com força e precisão. 
Sua língua fez o mesmo percurso pouco depois, levando-me ao limite da sanidade. Arranhei suas costas com força, arfando e gemendo tão alto que minha garganta começou a formigar. Dessa forma ele me conduziu aos dois primeiros orgasmos, sem me dar tempo nem mesmo para respirar. Quando o terceiro se aproximou, sua língua estava se movendo rapidamente dentro de mim.
- Ownn...... Mike... Eu, não agüento mais....... – consegui sussurrar, abrindo os olhos e percebendo que o teto estava girando. Eu queria, mais desesperadamente do que nunca, tê-lo dentro de mim. 
- Diz o que você quer, amor... – provocou, dando uma leve mordida na minha virinha.
- Quero que você entre em mim... ahhnn... agora – murmurei, puxando o ar.
Ele riu.
- Eu não escutei.
- Eu quero você dentro de mim, Michael! Agora!
Sua expressão era de pura satisfação.
- Agora, sim – murmurou, ajoelhando-se na cama. Roçou o membro na minha entrada, penetrando-me só com a pontinha. Enlacei as pernas atrás das suas costas e pendi o pescoço para trás, deixando-me completamente exposta a ele. Senti suas mãos agarrarem meu quadril enquanto ele se forçava para dentro de mim lentamente.
Gemi alto quando ele me penetrou por completo, alcançando-me o mais fundo que poderia. Nossos corpos se chocavam com força, tão apressadamente que nossa vida parecia depender daquilo. Ele aumentou ainda mais a velocidade das estocadas, enquanto minha boca procurava desesperadamente pela sua. Ao nos beijarmos, meu corpo inteiro se contraiu, levando-me a um lugar onde nada mais parecia importar. Estávamos completamente molhados de suor, arfando e gemendo alto, os rostos colados um ao outro. O orgasmo me atingiu tão em cheio que precisei me equilibrar para não despencar pela beira da cama. Fechei os olhos e chamei seu nome baixinho, com a respiração completamente alterada. Seu membro pulsou dentro de mim mais uma vez, pouco antes que ele me preenchesse com o seu prazer. 
Tentamos nivelar a respiração, partilhando um lento e delicado beijo. Ele acariciou os meus cabelos, acomodando minha cabeça em seu peito nu. Fechamos os olhos e entrelaçamos nossos dedos, com um pequeno sorriso nos lábios.
Poucos minutos depois, ele sentou-se ao meu lado, puxando-me até que eu caísse em seu colo.
- Vamos tomar um banho? – perguntou, dando um beijo na minha nuca. Sorriu e me encarou. – Quando estivermos na banheira, eu irei fazer uma deliciosa massagem nas suas costas.
Eu o fitei, sorrindo.
- Massagem, é? – indaguei, fazendo uma cara desconfiada.
- Isso mesmo, garota – murmurou com um sorriso, beijando meus lábios e me guiando para fora da cama. – E eu não aceito um “não” como resposta.
Enlacei meus braços atrás do seu pescoço, com os lábios retraídos em um divertido sorriso. Como se eu conseguisse dizer não para ele.


Capítulo 67


Quando eu pensei que nada no mundo poderia me fazer mais feliz, a minha lua-de-mel com Michael mostrou-me o quanto eu estava enganada. Passamos três semanas em Paris, desfrutando de tudo que aquela maravilhosa cidade tinha a nos oferecer. O cd HIStory era um sucesso de vendas, os novos clipes estavam sendo criativamente produzidos, e uma turnê mundial já começava a ser planejada. Viajaríamos para o Brasil em breve, para que Michael pudesse gravar as cenas do clipe They Don’t Care about Us, e estávamos completamente animados com isso. Eu teria a chance de conhecer aquele país tropical que tanto me encantava, e que segundo as próprias palavras de Michael, que já estivera lá outras 2 vezes: aquele era um dos lugares mais fascinantes que ele já conhecera, formado por uma gente simpática e muito acolhedora. E que eu bem saiba... um dos países onde as fãs mais são entusiasmadas e fervorosas.
A invasão de Lisa Marie ao rancho Neverland no dia do casamento iria mesmo lhe render um processo nas costas. Quando Michael ficou sabendo de tudo que acontecera, não hesitou em mandar John Branca entrar com uma ação judicial para puni-la pela sua falta de sensatez. Sabíamos que isso poderia não chegar muito longe, que os advogados dela eram tão bons quanto os nossos, mas não entregaríamos os pontos com tanta facilidade. Ela precisava aprender de uma vez por todas a não atravessar o nosso caminho com suas as imaturas maluquices.

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Três meses após o casamento... recebi a notícia pela qual eu e Michael esperávamos. Após a discussão em Neverland sobre os meus anticoncepcionais, não tocamos mais no assunto “filhos”. Eu sabia o quando Michael desejava ser pai, mas, naquela ocasião, ainda não me sentia preparada para ser mãe. Na verdade, a simples idéia me deixava desesperada. Michael não me pressionou de nenhuma maneira, e na certa, nem imaginava que eu tinha interrompido o uso dos métodos anticoncepcionais antes mesmo do nosso casamento. Eu estava, finalmente disposta, e completamente entusiasmada com a possibilidade de termos um pequeno Jackson correndo pela casa e fazendo conosco guerra de bexigas d’água no jardim. Michael seria um pai maravilhoso, e me ensinaria a ser uma mãe maravilhosa também. Quando descobri que isso estava a poucos meses de se tornar realidade, planejei uma forma de contar a notícia para o futuro papai. 
Organizei cuidadosamente o jantar, e esperei que ele retornasse de uma reunião com a Sony. Quando ele chegou, eu já estava sentada à mesa, tentando disfarçar o nervosismo e esforçando-me para que minha expressão não estragasse a surpresa. Como o habitual, ele curvou-se diante de mim, deu um beijo nos meus lábios, sentou-se no seu lugar e abriu um lindo sorriso.
- Como foi a reunião, Mike? – perguntei, sorrindo. – Conseguiu resolver tudo o que desejava?
Ele assentiu, animado.
- Parece que sim. – Olhou desconfiado em minha direção e apontou para a caixinha que estava ao lado dos talheres. – O que é isso, amor?
Encolhi os ombros e balancei a cabeça negativamente.
- Não faço a mínima idéia. – Sorri. – Por que você não olha e mata a nossa curiosidade?
Ele pegou a caixa e desviou os olhos para mim novamente, provavelmente se perguntando o que eu estava aprontando daquela vez. Desfez o laço rapidamente a abriu a tampa, encontrando dentro dela um amarelo e delicado sapatinho de bebê e um cartão que dizia: “Dentro de mim agora batem dois corações por você. Parabéns, papai!”
Meus olhos se encheram de lágrimas. Segurei o choro e murmurei:
- Escolhi amarelo porque ainda não sei se será um pequeno ou uma pequena Jackson.
Michael arregalou os olhos e um radiante sorriso surgiu no seu rosto. Ele levantou-se rapidamente e me segurou pela cintura, erguendo-me nos braços. Seu coração batia apressadamente, e eu jamais o vira tão feliz.
- Meu amor................ eu... eu... – respirou fundo e deu uma seqüência de beijos nos meus lábios – isso é..... maravilhoso!!! Você acaba de me fazer o homem mais feliz do mundo! Uau!!! – Abaixou-se e levantou o tecido da minha blusa, massageando a minha barriga delicadamente, com um sorriso bobo marcando a face. – Será... que ele já pode nos ouvir?
Eu gargalhei e acariciei seus cabelos.
- Amor, ele ainda é muito pequeno.
Ele me fitou, completamente encantado, os olhos brilhando.
- Eu irei cantar e contar histórias para ele todas as noites. – Beijou a região próxima ao umbigo. – Se for uma menina e puxar à mãe, ela será uma garotinha muito brava – murmurou, curvando-se de tanto rir.
Arqueei as sobrancelhas.
- E se for um menino e puxar ao pai, será um garotinho muito teimoso e inquieto – devolvi, sorrindo.
Ele levantou-se e beijou meus lábios mais uma vez, acariciando meu rosto.
- Amo vocês – sussurrou ao meu ouvido, abraçando-me apertado.
- Também amamos você, Michael – respondi, fechando os olhos e agradecendo a Deus em silêncio.

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Lisa pensara que seus competentes advogados seriam o suficiente para livrá-la de qualquer punição pela invasão de Neverland. Não conseguia aceitar o fato de Sienna e Michael terem levado aquele episódio tão à sério, ao ponto de envolver a justiça em um assunto tão pessoal. 
Após semanas e semanas tentando entrar em um acordo, o veredicto final finalmente foi dado: 
Ela teria que prestar serviços à comunidade por sete meses, quatro vezes por semana. O local escolhido foi uma creche situada em um dos bairros periféricos de Los Angeles. 
John Branca ficou plenamente satisfeito com a decisão judicial. Michael e Sienna tinham a esperança de que Lisa Marie, finalmente, aprendesse a lidar com crianças. No período que foi casada com Michael, ela havia preferido ficar bem longe das “crianças idiotas” que freqüentavam Neverland. Agora estava tendo a chance de rever os seus conceitos.


No primeiro dia na creche, Lisa Marie tentou se convencer de que aquela experiência não seria tão ruim quanto estava imaginando. Crianças são seres insignificantes e inofensivos. Ela manteria o controle absoluto da situação.
- Quero todos sentados em seus lugares – murmurou firmemente ao entrar na sala de brinquedos, disposta a impor respeito aos meninos e meninas que corriam de um lado para o outro.
- Você é nossa tia nova?! - gritou uma garotinha de 4 anos de idade, vindo na direção dela.
Outra garotinha se aproximou e agarrou a ponta da sua saia.
- Tia, tia, tia, o Johnny tá passando meleca na parede!
Mais crianças se aproximaram.
- Tia Lisa, a Mandy tá tentando arrancar a cabeça da minha boneca!
- Tiaaaaaaaaa, o Steve tá COMENDO O GIZ DE CERA!
- Tia, a Alice acabou de fazer a maior bagunça no banheiro!
- Tiaaaa.... a Sofia tá me cutucando com o palito do pirulito!
Lisa olhou ao redor, de olhos arregalados, subitamente tonta.
- Quem de vocês grudou chiclete no meu cabelo?! – ela bradou, tentando desembaraçar os fios embolados próximos à nuca. – Desce daí moleque!!! – gritou, censurando um dos garotos que subira na mesa. – Eu quero todos sentados! AGORA!
Nenhum deles se abalou com suas ordens.
- Tiaaaa.... O que acontece se eu enfiar o dedo na tomada?!
Lisa caiu sentada na cadeira, atônita, tendo a certeza de que ficaria louca se continuasse ali.
“Não suportarei sete meses nesse antro de pestes” – disse para si mesma, com os olhos arregalados de desespero.

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Epílogo






Vincent aproximou-se muito de Margareth durante a estadia dela em Long Beach, logo após o casamento que não acontecera. Os dois descobriram infinitas coisas em comum e tornaram-se grandes amigos. Essa grande amizade tornou-se um pedido de namoro, e pouco depois, de casamento. Ela o ajuda a cuidar de Sam, constituindo a família feliz que a garota tanto desejava. Eles sempre nos visitam aqui em Neverland, e eu e Michael vamos até Long Beach com a mesma freqüência. 
O destino realmente prega peças. E sinto-me imensamente feliz com a improvável união dos dois. Eles foram, são, e para sempre serão, duas das pessoas mais importantes da minha vida.




Sam tornou-se uma das mais assíduas freqüentadoras do Rancho Neverland. Sempre está por aqui; divertindo-se no parque, montando nos cavalos ou participando das guerras de bexiga d’água promovidas por Michael. Continua a ser extremamente inteligente e afiada nas respostas. Sempre a agradeço por isso, pois se não fosse por esse seu jeito talvez eu e Michael nunca tivéssemos nos reconciliado. “Sienna, o Michael nunca me deixa superá-lo na montanha russa” – ela diz para mim com os olhos semicerrados sempre que o Michael a vence mais uma vez. “Fale para ele que irá ter revanche. Na próxima ele irá ver do que sou capaz”.



A Sony continua a ser uma grande e lucrativa gravadora, mas Tommy Mottola não é mais o seu presidente. Após a minha saída os executivos o acusaram de não ter o mínimo tato com os artistas, e após a saída de Michael, sua reputação tornou-se ainda pior. Hoje ele trabalha tentando encontrar e apresentar novos artistas, mas não está tendo o mínimo de sucesso nessa empreitada, pois absolutamente ninguém do mundo da música confia nele. 



Emmet casou-se com Alice e mudou-se para o Canadá. Ganhou um alto cargo na sede da multinacional do sogro, mas não se sente nem um pouco satisfeito profissionalmente. Pelo que ouvi falar, a família de Alice não mede esforços para deixá-lo ciente da sua incompetência, jogando constantemente na sua cara o fato de ter conseguido um emprego às custas da influência da esposa. 





Após os sete meses cumprindo serviços comunitários em uma creche de Los Angeles, Lisa Marie mudou-se para a Europa, completamente traumatizada. Casou-se mais três vezes, produziu um disco – que não obteve o mínimo de visibilidade -, e nunca conseguiu ser mais do que a filha de Elvis Presley. Não tivemos mais nenhum contato após sua viagem, mas sei que os jornais levaram até ela todas as boas novas. De onde quer que esteja, ela está ciente da minha felicidade com Michael. Lembro-me de suas palavras: “Onde vocês pensam que esse casamento irá chegar?” Ela está tendo a chance de descobrir essa resposta - e comprovar que todas as suas previsões estavam erradas




Michael e eu estamos completamente realizados, ao lado de Prince, Paris e Blanket, nossos queridos filhos. Descobri que a maternidade é a mais profunda e maravilhosa das experiências. Prince já sabe fazer o Moonwalk, e adora dançar como o pai. Paris é a garota mais delicada e afetuosa da face da Terra... e Blanket, já começou a pronunciar suas primeiras palavras. Agradeço todos os dias pela família feliz e unida que Deus nos concedeu. 
Michael continua a ser o artista mais criativo e completo que já conheci. Suas novas músicas são um estrondoso sucesso, encantando milhares de pessoas ao redor do mundo. Desde o casamento, lancei mais dois discos, que foram muito bem recebidos pelo público. Eu e Michael estamos preparando um dueto juntos e estou completamente animada com isso. 

Sim, tenho a grande sorte de ter o melhor marido do mundo. Michael entrou na minha vida, modificou tudo que eu achava ser o certo; e mostrou-me que a felicidade estava as alcance das minhas mãos. Entre erros e acertos, descobrimos que a vida é feita de muitos obstáculos. Obstáculos a serem superados. Evoluímos juntos... e construímos uma relação sólida e verdadeira. Sou grata por ter tido a chance de conhecer um sentimento tão mágico ao seu lado. 

Desejo que o nosso amor se perpetue por muitos e muitos anos. 
Nos apaixonaremos novamente um pelo outro a cada amanhecer - vivendo intensamente cada dia como se fosse o primeiro.
E assim estaremos o conduzindo, passo a passo, ao caminho da eternidade.


“Maybe the walls will tumble…And sun may refuse to shine, When I say, I love you… Baby, you've gotta know That's for all time.



FIM*


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Trecho da música For All Time: Mesmo que as paredes desmoronem... E que o sol pare de brilhar, Quando eu digo que te amo... Você deve saber Que isso é pra sempre.
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