segunda-feira, 7 de julho de 2014

FanFic: "A Pianista" (+18)

Autora: Tatah Jackson



Sinopse.

Fria, sensual e sexy, Mabelle Phechínne é uma famosa pianista francesa que está no final de sua turnê pelos Estados Unidos. Consagrada pela sua arte e maneira sensual ao qual toca seu instrumento preferido, ela ainda não está completamente satisfeita em sua vida. 
Por conta de uma entrevista a uma revista americana, Mabelle conhece Michael Jackson e logo um intenso desejo toma conta deles. 
Porém Michael se apaixona e a última coisa que Mabelle queria era se envolver emocionalmente com alguém. 
Mesmo sabendo de sua personalidade forte, Michael não estava disposto a desistir tão fácil de Mabelle, ele iria lutar por ela e vencer todos os demônios que atormentavam a mulher pela qual se apaixonara, porém...
Até onde um homem pode ir por amor?

Estréia dia 11/07


Capitulo 1 - Mabelle


- Mabelle... Você é completamente louca, garota! - Roger disse, se sentando no sofá de minha suíte e me olhando com a expressão incrédula. 
- Oh, não me diga? - respondi com um tom de risada na voz. 
Roger era meu melhor amigo. Quando fechei minha turnê aqui nos Estados Unidos nem mesmo hesitei a ideia de chamá-lo para me acompanhar. Ele era um ator mal sucedido e sabendo que Hollywood é o universo para qualquer ator iniciante, ele aceitou na hora o meu convite. 
E não, eu não era completamente louca. Na verdade, apenas um pouco. Talvez minha audácia e minha falta de paciência para coisas fúteis fizessem com que eu parecesse estranha aos olhos dos outros, mas eu realmente não me importava.
Sinceramente, eu não era a primeira e muito menos seria a última mulher que não se adapta a ideia de ser romântica. Tenho vinte e quatro anos recém-completados e nem me passa pela cabeça começar a namorar. Isso era ser considerada louca? 
Não. Não era.
- Sério, não quero nem pensar nas manchetes... Te chamarão de tarada. Onde já se viu falar aquilo para todo o mundo saber, Mabelle?
- Ora, a reporter me perguntou qual era o sonho que eu ainda não havia realizado e qual era o meu maior desejo, apenas respondi. - falei, cheia daquele assunto.
Ele estava me atormentando há uma semana por causa do que eu dissera a revista Vogue americana. A repórter estava me fazendo perguntas e eu não evitei responder a nenhuma delas. Minha vida sempre fora um livro aberto para o público interessado a saber sobre ela - pelo menos, parte da minha vida era um livro aberto. Por que eu não iria responder aquelas perguntas simples? 
Não falei nada demais e realmente não me arrependo de nada do que disse. 
- Quer saber, você precisa de uma noite em uma balada de Los Angeles. Assim como eu, então, vá já para o seu quarto e logo mais saíremos daqui. - falei, olhando para ele. 
Ele apenas me olhou de volta, ainda com aquela expressão incrédula. 
- Quer que eu chame os seguranças, baby? - perguntei. 
Ele apenas suspirou e se levantou, deixando meu quarto segundos depois. 
Sorri de lado deixando o cheiro de lavanda adentrar minhas narinas. Sempre gostei do cheiro de lavandas e a única coisa que exigia em meus camarins e quartos de hotéis é que eles tivessem esse cheiro suave e gostoso de sentir. 
Acho que comecei a me apaixonar por esse cheiro simples por causa de minha avó. Abígail tem todo o seu quarto com esse cheiro e quando era criança, me lembro de passar finais de semana em sua casa e dormir em seu quarto com esse cheiro.
Eu amava a França. Amava minha avó e meus pais, eles eram meu mundo. Me salvaram de uma vida solitária e miserável que eu pensei está destinada para mim. Decidindo expulsar esses pensamentos de minha cabeça, me levantei e fui direto para o banheiro.
A única coisa que eu precisava agora era de uma música eletrônica e uma bebida forte, para desgastar toda a energia que estava dentro de mim.
 
***


- Caramba, Mabelle, quantas vezes eu já te disse para não beber no dia em que antecede uma apresentação? Por que é tão difícil pra você seguir uma porra de uma ordem?! - Alfred gritou.
- Tem como parar de gritar? Sua voz não vai ajudar a curar a minha ressaca! Na verdade, eu preciso de um analgésico... 
- Eu vou buscar, mas quando eu voltar, teremos uma conversa, mocinha! - ele disse batendo a porta de meu quarto.
Alfred era meu empresário e amigo. Sempre chato, sempre certinho, sempre querendo que eu fosse como ele, mas isso seria impossível! Eu simplesmente não conseguia seguir ordens e agora...
Bem, agora estava com a cabeça prestes a explodir. 
A noite com Roger foi boa. Dançamos, bebemos e até flertei com alguns carinhas, mas não passei disso. Não queria transar com ninguém e a boate estava com alguns paparazzis. A última coisa que eu precisava era de um boato em jornal falando que eu estava com um suposto namorado.
Antes mesmo que eu pudesse fechar os olhos para tentar dormir novamente, Alfred chegou carregando duas aspirinas e um copo d'água. 
Tomei o remédio e então ele começou a falar:
- Eu espero que você esteja perfeitamente bem hoje a noite, é o seu último show aqui, temos que fechar essa turnê com chave de ouro, Mabelle, você não pode simplesmente se deixar levar pelas festas que existem aqui nos Estados Unidos, precisa se concentrar em sua turnê, tocar divinamente para todos aqueles admiradores...
Eu estava ficando furiosa ao ouvir tudo aquilo. Por que todo mundo tinha a mania de me tratar como uma criança?!
- Você, mais do que ninguém, sabe que eu jamais deixaria que algo atrapalhasse meus shows, Alfred, então eu acho melhor você calar a boca e sair do meu quarto! 
- Mabelle, não vou deixar que sua falta de educação e falta de comprometimento estraguem tudo o que planejamos...
- Porra, Alfred! Eu não vou estragar nada, na verdade, é você quem está estragando! Eu quero ficar sozinha e me recuperar para o concerto de hoje a noite, então, saia já do meu quarto! - gritei olhando pra ele com raiva. 
Ele apenas suspirou e revirou os olhos, saindo de meu quarto em seguida. Eu não precisava que ele me dissesse que eu tinha que ficar inteira e limpa para o show porque eu já sabia disso. Porém, ele tinha que saber que eu jamais deixaria que nada atrapalhasse meus concertos.
Acima de tudo eu tinha respeito por quem estava ali me assistindo e admirando o meu trabalho, jamais deixaria que minha vida pessoal prejudicasse a todos que foram ali para me ouvir tocar. 
Eu era uma profissional. Uma das pianistas mais conceituada que o mundo já havia visto e nada no mundo me faria desperdiçar todos os anos de esforço que eu fiz para crescer naquele ramo que eu tanto amava.

Capitulo 2


- Férias! Oh Deus, eu realmente não acredito que estou de férias! - Michael falou se sentando a mesa onde seu amigo e advogado, John Branca, o esperava.
- Nem eu acredito, Mike... E são férias realmente merecidas, você simplesmente arrasou na turnê HIStory. Acho que ainda não te dei os devidos parabéns. 
Michael riu e balançou a cabeça, terminando de colocar o suco em seu copo.
- Ora, John, você sabe que eu não fiz nada disso sozinho. Se tudo saiu perfeito é porque, além de eu ter uma equipe maravilhosa, Deus nos ajudou do início ao fim. 
Ele deu uma risadinha, sabendo que Michael estava certo. Todos adoravam o parabenizar por algo, porque ele era o centro das atenções e a maioria das coisas eram intituladas pelo seu nome, mas Michael não trabalhava sozinho e por isso mesmo não queria ser o único ganhar parabéns ou receber títulos. 
Se tudo o que ele consiguiu realizar com todo o esmero pelo qual era parabenizado, é porque, por trás das cortinas, tinha um time enorme junto a ele, que o ajudava em tudo. Se não fosse por eles e por Deus, nada daria tão certo do jeito que sempre que dá. 
- Ok, Mike, você está certo. - John disse e então riu maliciosamente enquanto o olhava. 
Michael o observou. John sempre mantinha aquele sorriso no rosto quando estava aprontando ou prestes a aprontar.
- O que foi? - perguntou. 
Ele balançou a cabeça, riu e então o olhou: 
- Advinhe quem está no jornal hoje? Se acertar eu te dou um doce... 
Michael revirou os olhos, entediado de tudo aquilo. Até parece que ele não sabia quem sempre estava em jornais, principalmente tabloides.  
- Eu? - Michael perguntou, vendo John assentir. - O que inventaram sobre mim agora? Pensei que já tinham chegado no limite de suas imaginações... - falou debochado.
- Pior que dessa vez não inventaram nada. Agora, se você acertar o motivo pelo qual você está nos jornais, eu dou a você qualquer coisa que me pedir. 
Michael o olhou de forma curiosa, começando a se interessar pelo assunto.
- Não faço a mínima ideia, com certeza não é algo ruim, porque você tá com esse sorriso idiota na cara. E se não é algo ruim, eu não sei o que pode ser, então, acho melhor você abrir a boca logo e contar o que disseram sobre mim. 
- Veja por si mesmo... 
Ele passou o jornal pra Michael e não foi preciso procurar muito. Não havia uma foto dele e sim de uma mulher muito bonita e sexy, a manchete dizia:
 
"Pianista francesa, Mabelle Phechínne, diz à revista "Vougue" que seu maior sonho e desejo é conhecer o Rei do Pop, Michael Jackson e transar com ele."


Os olhos de Michael se arregalaram e ele pôde ouvir a risada de John enquanto lia e relia aquela pequena manchete. Por um momento pensou que havia lido alguma coisa errada, mas aquelas letras enormes deixavam bem claro pra ele que não havia nada de errado ali. 
- Chocado, Mike? - John perguntou, se recuperando do ataque de risos. 
- O que você acha? - Michael perguntou, colocando o jornal em cima da mesa. - Isso é brincadeira, não é? Quer dizer, com certeza esse tabloide ridículo interpretou mal as palavras da moça... 
John riu mais um pouco e então pegou uma revista que estava na cadeira ao seu lado. Michael pôde vê a revista Vougue, onde uma foto da pianista tomava toda a capa.


Ela era linda e sexy, isso ele não podia negar. 
- Creio que o jornal não interpretou mal, Mike... Leia isso. 
John passou a revista para Michael, indicando onde ele deveria ler. Michael suspirou, desviando o olhar das fotos de Mabelle e se focando apenas na leitura, onde a entrevistadora narrava e citava as perguntas e respostas:


"- Quais são seus planos para o futuro, Mabelle? 
- Bem... Não sou muito de fazer planos, gosto que a vida me leve para onde quer que ela queira, mas eu tenho um objetivo: continuar a tocar e está perto da minha família. Dessas duas coisas eu jamais abrirei mão. 
- Certo... Você tem algum sonho que ainda não foi realizado? - perguntei.
- Bem... Sim, eu tenho um sonho que nunca foi realizado... Esse sonho é conhecer Michael Jackson. Algo comum, eu acho, quem não quer conhecer o Rei do Pop? - ela riu. 
- É bem comum sim e espero que o realize. E desejo? Você tem algum?
Mabelle soltou uma risdinha, colocando a mão na frente da boca, como se tivesse algo bastante secreto para me contar.
- Eu tenho. Meu maior desejo no momento é transar com Michael Jackson. - ela disse com convicção. 
- Uau... - murmurei. - Mas por que? 
- Porque? Ora, ele é muito sexy e lindo. Não sei se acha o mesmo que eu, mas pra mim, ele inspira sexo. Não sou uma fã louca e obssecada, apenas gosto muito de seu trabalho, ele é um gênio da música, mas acima de tudo isso ele é sexy e quente. E meu desejo é de um dia, quem sabe, transar com ele."


Michael sorriu de lado, permitindo que seu ego inflasse bastante depois de tudo aquilo que lera. Depois daquela revelação, ele começou a olhar as fotos de Mabelle. Obviamente já havia ouvido falar da jovem pianista, mas não pensou que ela fosse tão linda e sexy. 
- Hei, cara, acorda! Não vai sonhar só porque a pianista gata quer dar pra você! - John disse chamando a atenção dele. 
Michael olhou pra ele e pigarreou, enquanto se remexia desconfortavelmente na cadeira por conta do início de uma ereção. Bem que ele queria sonhar, mas... Pra que sonhar quando ele poderia tê-la? 
- Que maneira mais feia de se falar, John! - ele disse, querendo se focar em qualquer coisa que não fosse sua excitação.
- Oh, me desculpe, ela quer fazer amor com você, como pude pensar de outra forma a não ser essa? - John revirou os olhos. - Confessa, vai, confessa que seu ego está a ponto de explodir! 
Michael olhou pra ele e então riu. Poderia até mentir, mas pra que iria? Era um homem de quarenta anos, solteiro, sem filhos e bem... Sabia que poderia ter qualquer mulher que quisesse, porém, não era todo o dia que se tinha uma mulher como Mabelle Phechínne dizendo ao mundo todo que queria ir para cama como ele. 
- Ok, eu confesso... Logo mais terei que sair correndo por Neverland para pegá-lo de volta... - ele riu bebericando seu suco.
- Oh Deus... Por que eu fui amostrar isso pra ele? - John perguntou olhando para o alto e ouvindo a risada de Michael. - Certo, quando vai comer a pianista... Digo, quando vai até ela e convidá-la para fazer amor?
- Não vamos fazer amor, John... 
- Como assim? Ah, Mike, fala sério! - John o interrompeu. - Você tem a oportunidade de ir pra cama com uma gostosa como essa mulher e diz que não? Está louco? 
Michael revirou os olhos, ouvindo o discurso de seu amigo.
- Posso terminar de falar? - perguntou. - Eu não vou fazer amor com ela, porque pra esse tipo de coisa precisa de algo chamado sentimento. Eu vou transar com ela. É muito diferente, pode ter certeza. 
John riu, bebendo seu café calmamente. 
- Esse é o meu garoto. Quer dizer, você não é mais um garoto, é... Como é que ela disse mesmo? Ah sim, você é: "um homem sexy e quente, que inspira sexo..." - ele disse imitando a voz e o suspiro de uma mulher.
Michael gargalhou e tacou o guardanapo de pano em cima do amigo. 
- Ok, John, pode parar por aí! - ele disse, se levantando. - Ah e tenho algo pra você: quero um engresso para o concerto de Mabelle Phechínne, que acontecerá hoje a noite. Você sabe... Ela é uma ótima pianista, simplesmente não posso perder a chance de vê-la...
- E de comê-la... - John comentou, rindo. - Você é rápido, mas eu sou ainda mais rápido que você. Já consegui os engressos para hoje a noite e também uma visita ao camarim de Mabelle. Obviamente não disse que era você quem queria falar com ela, confesso que estou curioso para saber como ela ficará em sua presença... Quer dizer, será que ela disse tudo isso na revista por livre e espôntanea vontade ou estava sob o efeito de alguma droga? 
Michael abriu ligeiramente a boca e logo depois riu ao escutar a observação do amigo. Simplesmente não poderia acreditar no que havia escutado. 
- Você é ridículo, John! E outra... Eu vou conhecê-la sozinho, não quero acompanhantes. 
- Mas por que? Ora, Mike, vai transar com ela no camarim? Você é um homem rico, faça isso direito e a leve até um hotel cinco estrelas. A garota é rica e francesa, está acostumada com o bom e o melhor...
- Cala a boca, John, só está saindo besteiras daí... - Michael disse rindo e começando a andar em direção as escadas.
- Mas Mike, eu quero conhecê-la também, poxa, ela é uma gostosa, não seja egoísta, Deus ensinou a compartilhar...
Michael apenas riu e o deixou falando sozinho. Queria escolher a sua melhor roupa para prestigiar a pianista Mabelle Phechínne e, de quebra, fazer com que ela tivesse a melhor noite de sua vida.



                                 Capitulo 3 - Mabelle

Ao terminar de tocar "Somewere Over The Rainbown", me levantei e me virei para o público, reverenciando-os e agradecendo por estarem comigo mais uma vez e assim terminando meu último concerto nos Estados Unidos. 
A ressaca que me atingiu de manhã já havia me deixado, o que me fez dar graças aos Céus. A última coisa que eu precisava era de uma dor de cabeça me perturbando enquanto dedilhava as teclas do piano. Cheguei em meu camarim com Alfred em meu encalço, ele falava algo mas eu não estava prestando atenção, minha cabeça estava no carinha que paquerei ontem a noite... Ele era realmente um gato.
- Mabelle? Por Deus, Mabelle, escuta o que estou falando! 
- Estou escutando, Alfred, agora, se você falar um pouco mais alto eu não serei a única escutar.
Ele revirou os olhos e se sentou no sofá atrás de mim. O olhei pelo espelho do camarim, resolvendo prestar atenção no que quer que ele tinha a me dizer.
- Ok, Alfred... Tem toda a minha atenção agora. - falei me virando na cadeira e olhando pra ele.
- Certo. Primeiramente quero te parabenizar por esse show e por essa turnê, apesar de você ser uma chefe muita chata e inconsequente, eu te amo mesmo assim. 
Olhei pra ele e sorri. Alfred era - acima de tudo - meu amigo, por isso puxava minhas orelhas toda hora e por isso eu o tratava daquela forma. Eramos o tipo de amigos que não demonstravam emoções, mas que entendiam profundamente um ao outro. 
- Oh, baby... E apesar de você ser um resmungão que fica preocupado com qualquer coisa, eu também te amo. - falei, sorrindo pra ele.
- Ok, chega de declarações... - ele riu. - Tem uma pessoa querendo falar com você. 
- Ah não, Alfred... Eu disse que não queria receber ninguém...
- Eu sei que disse, Mabelle, mas o cara disse que queria tratar com você um assunto de suma importância, estava disposto a pagar e tudo por ao menos trinta minutos com você. Obviamente, me esquivei do dinheiro pois não quero de jeito algum que nada prejudique sua imagem, mas disse que você cederia vinte minutos de seu tempo. - ele fez beicinho. - São só vinte minutos, não seja injusta. 
O que eu poderia fazer? Ele já havia dito que eu receberia a pessoa e também estava fazendo beicinho... Ele sabe que eu não resisto a sua cara de "cachorro que caiu do caminhão de mudança", como ele mesmo havia intitulado aquela feição.
- Ok, Alfred! Me dê cinco minutos e pode pedir pro tal cara importante entrar...
Ele riu e bateu palmas, se levantando do sofá. 
- Certo, em cinco minutos ele estará aqui.
Me virei para o espelho a minha frente e vi que está passando pela melhor fase da minha vida estava fazendo muito bem a minha beleza. Passei um pouco de gloss nos lábios e logo a porta do camarim foi aberta. Alfred entrou com a boca semi aberta e os olhos brilhando. Não sabia definir se era de espanto ou de admiração.
- O que houve, Alfred? Viu um fantasma por acaso? - perguntei olhando pra ele com curiosidade.
Alfred não era um homem que se espanta facilmente com alguma coisa, então, para ele está com essa expressão, com certeza era algo grave. 
- Você não vai acreditar em quem quer falar com você... 
- E quem seria? - perguntei.
- Nem eu estou acreditando... - ele balançou a cabeça. - Mas confesso que estou super curioso para vê como você irá se comportar diante dessa visita, quer dizer, quero vê se você tem o mínimo de vergonha na cara, para talvez ficar constrangida na presença dessa pessoa. 
- E de que pessoa estamos falando, Alfred?  
- De Michael Jackson, meu bem. - ele sorriu maliciosamente pra mim. 
Olhei pra ele e simplesmente não conseguir conter o sorrisinho que nasceu no canto de minha boca. Michael Jackson estava querendo conversar comigo. Ou era pra realizar meu desejo ou pra me repreender por usar o nome dele pra falar aquele tipo de coisa em uma revista.
Confesso que estava me agarrando a esperança de ser a primeira opção. 
- E o que você está esperando para mandá-lo entrar, Alfred? 
- Oh... Então vai ceder vinte minutos do seu tempo para o Rei do Pop? - ele perguntou, sarcástico.
- Não, meu bem... Eu cederei a minha noite inteira, se assim ele quiser. 
Ele olhou pra mim sorrindo e então balançou a cabeça. 
- Eu desisto, quer dizer, quando foi que eu pensei que você tinha vergonha na cara? Você nunca teve, Mabelle! - ele riu. 
- Nunca falei que tinha, agora saia daqui e só volte com Michael Jackson ao seu lado! 
- Certo... - ele riu e se aproximou da porta. Antes de sair, ele se virou pra mim e disse: - Devo dizer que você está sem calcinha? 
Me virei pra ele e arqueei uma sobrancelha, logo depois fazendo uma cara de santa. 
- Oh... Mas eu estou usando calcinha. - murmurei em lamento, mas logo depois sorri maliciosamente. - Mas eu adoraria que ele a tirasse de mim. 
Ele riu e revirou os olhos.
- Eu desisto de você, garota! - e então saiu de meu camarim.
Me levantei e me olhei no espelho mais uma vez, apenas para vê se não tinha nada fora do lugar. Agradeci aos céus por está usando um vestido muito bonito. Acima de tudo eu queria causar uma boa impressão, mesmo que não fosse pra cama com ele.


Escutei a porta sendo aberta e Alfred entrou com aquele presunçoso sorriso na ponta de seus lábios. Ele abriu espaço e Michael entrou em meu camarim. Consegui conter um suspiro ao vê o quão lindo era pessoalmente, e quão cheiroso ele estava.


Ele me olhou e mordeu o lábio, me olhando discretamente de cima a baixo. Não sou do tipo de mulher que se derrete por qualquer coisa - muito menos por qualquer um -, mas aquele gesto dele fez com que minha calcinha ficasse umida.
- Você precisa de mais alguma coisa, Mabelle? - Alfred perguntou. 
- Não, Alfred, você pode ir agora. - falei. 
Ele apenas assentiu e pediu licença, logo Michael e eu estávamos sozinhos em meu camarim e a única coisa que passava pela minha cabeça naquele momento, era o quanto eu queria que ele se aproximasse de mim e mostrasse tudo o que poderia fazer, caso me levasse para cama.

Capitulo 4 - Mabelle


- É um prazer conhecê-la, Srta. Pechínne. - ele disse se aproximando de mim.
Michael pegou em minha mão e a levou até seus lábios, beijando-a.
- É um prazer conhecê-lo também, Sr. Jackson e, por favor, me chame apenas de Mabelle. 
- Se me chamar apenas de Michael... - ele sorriu. 
- Certo, sente-se, Michael. - pedi indicando o sofá para ele.
Nos sentamos lado a lado e eu me virei um pouco para pode ficar de frente para ele. Michael apenas me olhou durante um tempo e eu deixei que ele fizesse isso, até porque, fora ele que veio até a mim, nada mais justo que deixasse ele iniciar a conversa. 
- Eu devo admitir que você é uma das melhores pianista que já ouvi. Estou simplesmente encantado com o que faz. 
- Pensou que eu não era boa, Michael? - perguntei sorrindo de lado. 
Ele sorriu também o que me fez vibrar por dentro. Pelo visto ele também tinha um humor um tanto sórdido, o tipo de humor que combinava com o meu. 
- Não. Pra falar a verdade, pela primeira vez, eu não vim até uma artista pra apreciar seu trabalho. Obviamente eu estava curioso para ouví-la toca, mas esse não era o meu principal objetivo quando vim até aqui. 
- E qual era seu principal objetivo? - perguntei olhando pra ele e dobrando minhas pernas. 
Ele não fez questão de esconder seu olhar em meu corpo, o que me fez pensar que era por minha causa que ele estava aqui e não por causa de meu concerto. 
- Conhecer você. - ele disse me olhando. 
- Está conhecendo, Michael... - falei sorrindo de lado.
- E levá-la para minha cama, porque, acima de tudo, isso não é mais um desejo só seu.
Passei a língua pelos lábios, me obrigando a desacelarar a vontade crescente em mim de pular em seu colo. 
- Uma das coisas que eu mais gosto nos homens, é a forma como vocês podem ser objetivos. Mas você, Michael, faz isso de um jeito que me faz ter vontade de transar com você aqui e agora. 
Ele sorriu maliciosamente, arqueando uma sobrancelha. Aproximando-se um pouco de mim, ele passou a ponta dos dedos pela minha perna e parou a centímetros antes de tocar a barra de meu vestido. 
- Eu adoraria fazer isso aqui e agora, Mabelle, mas teríamos de ser rápidos e eu não sou do tipo de homem que transa rapidamente, ainda mais quando o seu maior desejo é transar comigo. Acho que tenho que provar que seu desejo não é em vão, então, sugiro que jantemos juntos e o resto da noite... - ele riu sensualmente. - Eu prefiro mostrar ao invés de falar.

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Ir direto ao ponto do jeito que Michael ia era um tanto arriscado. Muitas mulheres não gostam do tipo de homem que deixam claras suas intenções, mas eu não era esse tipo de mulher. Eu realmente preferia que o cara deixasse claro que apenas queria transar comigo, do que um cara que chegasse com flores e fingisse ser romântico e no final de tudo, me deixasse sozinha.
Então eu realmente estava curtindo o modo com o qual Michael estava lidando comigo. Naquele momento ele estava me provando o quão sexy poderia ser, o que estava me fazendo ir a loucura. 
- Então você é do tipo de homem que atende a desejos femininos? - perguntei bebendo um pouco do vinho que estava em minha taça. 
Estávamos em uma sala reservada de um dos restaurantes mais conceituados de Los Angeles. Havíamos acabado o nosso jantar e aproveitei quando o garçom saiu levando nossos pratos, para fazer aquela pergunta que estava me deixando curiosa.
Ele riu. 
- Não, eu não costumo a fazer isso. Acho que se eu fizesse não teria mais paz. Porém, com você foi diferente. Sei que deve escutar isso todos os dias, mas você é linda, Mabelle e muito, muito sexy. E bem... Eu não sou do tipo de homem que dispensa mulheres tão belas como você.
- E eu não sou do tipo de mulher que perde tempo dando voltas para chegar a algum lugar. Sabia dos riscos que estava correndo ao falar sobre isso naquela revista, mas...
- Você gosta de correr riscos? - ele perguntou, me interrompendo.
- Digamos que sim... - sorri pra ele. - E você é um risco delicioso, Michael. 
Ele sorriu me olhando. 
- Você é completamente diferente de tudo o que eu já conheci. Confesso que eu pensei que você ficaria me elogiando o tempo todo, "puxando o meu saco" - ele fez as aspas com os dedos -, mas não é isso que está acontecendo... 
- Não sou do tipo de mulher que "puxa o saco" de alguém, mesmo esse alguém sendo Michael Jackson. - falei. 
- Isso é ótimo, porque toda essa história de ser paparicado acaba com o tesão. - ele disse, bebendo seu vinho. 
Apoiei meus cotovelos na mesa e me aproximei um pouco, ficando perto dele. 
- E o que te deixa com tesão, Michael? 
Ele pousou a taça na mesa e se aproximou, agora nossos rostos estavam bem próximos e eu podia sentir seu hálito quente em meu rosto. 
- Você. Na verdade, você me deixou com tesão desde o momento em que li aquela revista... 
- E você me deixa com tesão desde o momento em que eu soube o real significado do sexo, Michael. Então eu realmente acho que estamos perdendo muito tempo aqui, conversando em uma sala reservada de um restaurante, quando poderíamos está fazendo algo bem mais interessante. 
Um sorriso despontou no canto de seus lábios e ele se afastou no exato momento em que ouvimos uma batida na porta. O garçom entrou perguntando se aceitávamos sobremesa, mas Michael sacudiu a cabeça, pedindo a conta. 
Depois de tudo pago, Michael se levantou e estendeu a mão para mim. Saímos do restaurante e logo as luzes de Los Angeles borradas, enquanto o carro deslizava pela rua. Michael se aproximou de mim e tirou o cabelo de meus ombros, me fazendo senti o toque macio de seus dedos. Encostando a boca em minha orelha, ele sussurrou:
- Eu estaria sendo muito apressado se te beijasse aqui, dentro do carro? 
- Na verdade... Acho que você está demorando demais pra fazer isso. 
Um arrepio se espalhou em meu corpo quando ele gemeu baixinho e prendeu o lóbulo de minha orelha entre seus lábios, mordiscando e descendo a boca pelo meu pescoço, fazendo um caminho até minha boca. 
Diferente do que eu pensava, ele não atacou minha boca com pressa ou algo do gênero. Ele começou devagar, sugando meu lábio inferior enquanto segurava meu cabelo próximo a nuca e a outra mão rodeava a minha cintura. Sua língua adentrou minha boca com determinação e calor, me fazendo levar as mãos a seus cabelos e o trazer para mais perto de mim. 
O beijo sempre foi o começo de tudo, e se ele estava me fazendo ir a loucura apenas com aquilo... Eu realmente não conseguia imaginar o que viria a seguir.



Capitulo 5 - Mabelle


Quando o fôlego nos faltou, nos afastamos e Michael desceu os lábios pelo meu pescoço, fazendo com que eu me encolhesse. Sentimos quando o carro parou e olhamos ao redor, percebendo que estávamos na garagem de um hotel. Michael saiu do carro e deu a volta rapidamente, abrindo a porta pra mim. Vi seu motorista descer e eles se falaram por alguns instante, antes de ele se virar para mim e me desejar boa noite. 
Se alguém me visse com Michael por ali, com certeza saberia exatamente o que iríamos fazer. Até quem não gosta de jornais sabia sobre a minha entrevista, sabia exatamente o que eu tinha falado, e me vê com Michael Jackson em um hotel geraria comentários enlouquecedores. 
Fomos direto para o elevador e segundos depois estávamos no último andar do hotel, o que me fez pensar que Michael já tinha tudo premeditado, visto que nem se deu trabalho de fazer check-in na recepção. Quando entramos no quarto, as luzes da cidade me chamou atenção, com as janelas de vidro que iam do chão ao teto. Michael fechou a porta e sua risadinha chamou minha atenção. 
- Não sabia que a vista de Los Angeles seria mais interessante do que eu... - ele disse, me olhando com uma sobrancelha arqueada. 
Mordi o lábio e me aproximei dele, tocando os botões de seu terno preto. O corte fino havia o deixado ainda mais sexy, mas eu mal poderia esperar para vê-lo sem toda aquela roupa. 
- Nada é mais interessante que você, Michael. - murmurei, pegando o primeiro botão em minhas mãos. - Posso? 
Ele assentiu e olhou para baixo, observando-me desabotoar seu terno lentamente, botão por botão até chegar ao fim. Passei as mãos por seus ombros e o tirei, tacando-o no chão. Comecei a desabotoar sua camisa branca e quando cheguei no final, a abri lentamente, vendo todo o seu peitoral exposto pra mim. 
Ele era sexy, muito sexy. Sua barriga lisa com alguns músculos esculpidos me fez reprimir um gemido de satisfação. Ele sorriu de lado e tirou a camisa, ficando nu da cintura pra cima e mordeu o lábio, se aproximando de mim. Suas mãos seguraram firmemente minha cintura e com um único puxão ele colou seu corpo ao meu, me fazendo sentir sua ereção dura contra minha barriga. 
Foi apenas questão de segundos até que sua boca tivesse colada a minha e que suas mãos estivessem procurando o zíper de meu vestido. Todo o meu baixo ventre se contorcia em expectativa e o que eu mais queria era que ele estivesse dentro de mim. Ainda com os lábios nos meus, Michael desceu o zíper de meu vestido e então se afastou, passando a mão pelos meus ombros, fazendo meu vestido escorregar até o chão. Um suspirou audível escapou de seus lábios quando ele passou os olhos por meu corpo, tendo somente minha intimidade coberta pela fina calcinha de renda. 
- Mabelle... - ele se aproximou, passando a ponta dos dedos pelo meu pescoço e descendo até chegar ao meu seio. - Você é incrivelmente linda.
Sorri e me afastei, passando por ele e indo até a cama. Subi e fiz questão de engatinhar até chegar aos travesseiros, fazendo com que ele tivesse uma visão total de minhas costas e meu bumbum. Quando cheguei ao topo, me virei e me acomodei, olhando pra ele. Michael tinha o lábio inferior preso nos dentes e me olhava sem o mínimo pudor ou cautela. 
- Eu acho que você está perdendo muito tempo aí parado, Mike... Por que você não vem até aqui? - perguntei, passando a ponta de meus dedos por minha barriga, indicando o lugar onde ele deveria se acomodar. 
Passando a língua pelos lábios, ele suspirou e levou as mãos até sua calça, desabotoando-a e descendo o zíper, fazendo deslizar para baixo junto com suas meias e sapatos. Gemi baixinho ao vê o tecido de sua cueca box totalmente esticada, mal contendo sua ereção. Ele sorriu com meu olhar de cobiça e então subiu na cama, pegando um de meus pés e o beijando. 
Seus beijos foram subindo até parar em meu joelho, onde ele foi para o outro pé, começando tudo novamente, em uma tortura deliciosa. Quando chegou ao meu joelho novamente, ele abriu minhas pernas e passou a língua por toda a parte interna de minhas coxas, parando em minha virilha. Me olhando, ele passou direto por minha intimidade e foi subindo seus beijos em minha barriga, me deixando um pouco frustrada por não ter sido tocada na parte que eu mais queria, mas logo fui recompensada quando senti seus lábios tocando meus seios. 
Ele prendeu meu mamilo na boca e o sugou com força, fazendo um gemido alto escapar de meus lábios. Levei minhas mãos ao seus cabelos e ele passou a língua pelo vão entre meus seios, chegando ao outro e mordiscando, me levando a beira da loucura. 
Eu já havia transando com outros caras, não era nem um pouco inexperiente, mas ele me fazia sentir tudo com ainda mais força. A sensação de prazer estava ainda mais viva com ele e eu realmente estava adorando tudo aquilo. Passei a mão por suas costas e então por sua cintura, chegando a barra de sua cueca. Ele me olhou com meu mamilo ainda preso em seus lábios, mas pude vê o sorriso sacana se formando seus lábios, quando adentrei a mão em sua cueca e peguei seu membro em minha mão. 
Michael franziu o cenho e gemeu, tirando meu mamilo de sua boca e o assoprando. Um arrepio perpassou meu corpo e eu apertei seu membro minhas mãos, descendo por sua longa extensão e chegando a sua glande molhada. Ele se ajoelhou e me levou junto consigo, me fazendo sentar na cama e então abaixou sua cueca, me deixando vê todo o seu pênis. 
Era realmente grande e grosso, de um jeito que fez com que minha boca se enchesse d'água rapidamente e minha intimidade se contorcesse. Continuei a masturbá-lo e ele olhou pra baixo, observando o movimento de minha mão em seu pênis. 
- Foi desse jeito que eu fiquei quando li o que disse sobre mim naquela revista, Mabelle... - ele disse com a voz rouca. - Eu fiquei tão duro que simplesmente não consegui ficar na minha sala de jantar, na presença de meu advogado. Eu tive que me resolver sozinho, pensando em como seria bom realizar seu desejo. 
- Então você se masturbou pensando em mim, Michael? - ele assentiu. - E no que exatamente você pensou naquela hora? - perguntei. 
Ele tirou seu membro de minhas mãos e me empurrou levemente, fazendo com que eu me deitasse sobre a pilha de travesseiros atrás de mim. Me olhando lascivamente, ele pegou seu pênis e começou a se tocar na minha frente, sem pudor algum. 
- Tire sua calcinha. - ele disse com um tom de voz rouco e autoritário. 
Obedeci, tirando minha calcinha e a jogando em qualquer canto do quarto. Ele olhou para todo o meu corpo e empunhou seu membro com mais rapidez, fazendo minha intimidade pulsar. Chegando mais perto, ele subiu em mim e colocou uma perna de cada lado meu corpo, na altura do meu tronco. Se ele se abaixasse um pouco, seu membro encostaria em meus lábios. 
- Eu pensei no quão bom seria tocar em você, sentir seu gosto em minha boca e fazer você gozar várias vezes pra mim. Você me deseja, Mabelle, mas eu te desejo ainda mais... Apenas a menção de seu nome faz com que eu chegue a beira da loucura e foi muito, muito difícil me controlar durante todo o dia de hoje. - ele disse olhando para baixo, ora para o meu rosto, ora para o movimento de sua mão. 
- Eu posso resolver isso pra você, Michael... - murmurei, passando a mão por seus testículos. - Por que você não coloca tudo isso aqui? - perguntei, apontando para minha boca. 
Ele sorriu de lado e se abaixou um pouco, fazendo com que a glande passasse por meus lábios entreabertos. Aproveitando a oportunidade, levantei um pouco minha cabeça, colocando minha língua para fora, lambendo a cabeça de pênis. Ele gemeu e então chegou o quadril para frente, colocando seu membro em minha boca. Eu o chupei rapidamente, ouvindo-o murmurar meu nome e acelerar o movimento de seus quadris. 
- Porra, Mabelle... Você tem uma boca deliciosa. - ele disse olhando pra mim e voltando a passar a cabeça do membro em meus lábios. - Você acha que consegue levá-lo até a garganta? Eu adoraria sentir minha cabeça no começo de sua garganta, baby. 
O empurrei e o fiz se sentar, me colocando ajoelhada no meio de suas pernas. Peguei seu membro em minhas mãos e o empunhei rápido, olhando em seus olhos. 
- 'Ele' é enorme, Michael, de um jeito que está me enlouquecendo. Mas acho que consigo levá-lo até minha garganta. 
Ele passou a mão por meus cabelos, pegando-os próximo a minha nuca.
- Eu adoraria vê-la tentar. 
Deixei minha mão masturbando apenas a base e coloquei a glande em minha boca, descendo e chupando até que encostasse em minha garganta. Eu jamais conseguiria colocar tudo em minha boca, mas o fiz chegar até onde ele queria, mantendo-o lá por vários segundos enquanto minha boca o apertava. Senti seu membro pulsar várias vezes seguidas e então me afastei, respirando fundo e passando a língua pela glande, recolhendo o líquido incolor que ele havia liberado, anunciando que seu orgasmo estava próximo. 
- Você é extremamente boa nisso, garota... - ele murmurou, passando a ponta dos dedos por meu queixo. - Se você continuasse eu iria perder o controle. 
- Pra que o controle? - perguntei, me abaixando e colocando seu membro em minha boca de novo. 
Levei-o até minha garganta de novo e empunhei o resto com mais força, sentindo-o pulsar fortemente em minha boca. Michael moveu os quadris, estocando duas vezes e então seus jatos adentraram minha boca, enquanto ele gozava e gemia. 
- Porra, Mabelle! - ele gemeu, levantando minha cabeça e me beijando. Em um gesto rápido, ele me colocou deitada de bruços e se deitou por cima de mim. - Você está gostando de me pegar de surpresa, não é? - ele passou os dentes por minha nuca, fazendo com que ao invés de uma resposta coerente saísse de minha boca, um alto gemido escapasse. - Mas eu vou te levar a loucura agora, baby... 
Senti seus lábios descerem por minhas costas, deixando um rastro quente por onde passava e então ele chegou ao minha intimidade. Sua língua percorreu desde meu clitóris até minha entrada, recolhendo parte de minha excitação. 
- Uau... Tão molhada... 
Pegando cada uma de minhas nádegas em suas mãos, ele as separou, deixando minha intimidade e meu anus expostos. Senti sua respiração em minha pele e então sua língua desceu desde meu anus até meu clitóris, onde ele chupou com força, me fazendo soltar um grito alto de prazer. Nada nunca foi tão intenso quanto aquilo que ele estava me causando. 
Sua língua deslizou de um lado para o outro, ora prendendo meu clitóris em seus lábios, ora o sugando. Eu remexia meus quadris, sentindo tudo dentro de mim pulsar cada vez mais forte, enquanto ele continuava sem piedade. 
- Pra que o controle, Mabelle? - ele repetiu minha pergunta com os lábios próximos ao meu clitóris. - Goza pra mim, perca o controle, geme bem alto... Quero sentir o doce mel dessa bucetinha na minha boca, garota. 
Quando sua língua circundou meu clitóris, meu mundo desabou e eu gozei intensamente pra ele, sentindo tudo dentro de mim se soltar e se contrair. Minha garganta ardia por conta do gemido alto que eu soltei, e então todo o meu corpo relaxou. 
Michael me virou e sorriu pra mim, enquanto desenrolava a camisinha por seu membro ereto. Colocando seu corpo sobre o meu, seus lábios me tocaram, me beijando e eu o recebi de bom grado, sentindo meu gosto em sua língua. 
- Você é deliciosa... - ele murmurou, enquanto se ajoelhava na cama e puxava minhas pernas, colocando cada um de meus pés em seus ombros. - Está pronta, baby? Eu vou me enterrar bem fundo em você, Mabelle Phechínne. 
Um gemido baixo escapou de meus lábios quando ele disse meu nome todo com o tom de voz sexy e rouco. Entendendo aquilo como um sim, ele beijou meu tornozelo e me penetrou lentamente, indo até o fundo e voltando, para logo depois se enterrar com força dentro de mim, gemendo meu nome em alto e bom som. 
- Porra, tão apertada! - ele disse, olhando pra mim. - Tão apertada e gostosa, Mabelle... Onde você esteve esse tempo todo, hm? 
Deixei minha cabeça pender pra trás e gemi alto, sentindo-o extremamente fundo naquela posição, seu membro grosso ocupando exatamente todos os lugares que me causavam prazer. 
- Estive na França, desejando que esse momento chegasse logo! - falei ofegante. - Você é tão gostoso, Michael, e vai tão fundo... 
Ele sorriu e meteu com mais força e rapidez, me arrancando um gemido alto de satisfação. Minha intimidade o apertava e ele levou a mão ao meio das minhas pernas, esfregando meu clitóris em gestos circulares. Era tudo o que eu precisava para que eu explodisse em um orgasmo intenso, lançando meu quadril em direção ao dele. 
Michael abaixou minhas pernas e se curvou sobre mim, prendendo meu lábio inferior entre seus dentes enquanto aumentava as estocadas. Minhas mãos foram para suas costas e eu o arranhei, sentindo outro orgasmo se construir dentro de mim. Abri mais minhas pernas e ele foi fundo novamente, alcançando o ponto máximo dentro de mim de novo e de novo. 
- Goza comigo, Mabelle... - ele ordenou rouco em meu ouvido. 
Metendo mais duas vezes, um gemido alto escapou de nossas gargantas quando gozamos juntos, enquanto tudo ao nosso redor se apagava, nos fazendo entrar em completo êxtase.




Capitulo 6 - Mabelle


Senti os lábios de Michael deslizando por meu pescoço e então ele se afastou um pouco, me fazendo abrir os olhos. Consegui vê-lo tirando a camisinha e a descartando uma pequena lixeira que estava próximo a cama, logo ele se voltou pra mim. 
- E então... Supri todas as suas fantasias, Srta. Phechínne? - ele perguntou com um sorriso presunçoso preso nos lábios. 
Balancei a cabeça e ri, olhando pra ele. 
- Foi ainda melhor do que eu imaginava, Sr. Jackson. - me aproximei e me apoiei em seu peito, olhando em seus olhos. - Você é muito bom em realizar desejos, eu realmente adorei. Se soubesse que seria tão bom assim, já tinha revelado tudo isso antes. 
- Ah é mesmo? - ele riu. - É muito bom saber que eu superei suas expectativas, baby... 
- Ah, superou sim... Mas creio que eu também não fiquei tão atrás assim. 
Ele olhou pra mim e em um movimento rápido me colocou deitada na cama. Seu rosto ficou pairando sobre o meu, tão próximo, que eu poderia sentir sua respiração se misturar a minha. 
- Oh sim, você não ficou nem um pouco atrás nisso. - ele enterrou a cabeça em meu pescoço e passou a ponta dos dedos em minha barriga, descendo até chegar a minha intimidade. - Essa bucetinha doce me fez ir a loucura... Tão apertada... - um dedo adentrou em mim, me fazendo soltar um suspiro. - E quente, sempre molhada. 
Ele movimentou seu dedo pra dentro e pra fora, fazendo tudo dentro de mim se estremecer com seu ritmo extremamente lento. 
- Eu gosto quando você fala assim... - murmurei em um suspiro, balançando meus quadris pra acompanhar seus movimentos. 
- Assim como, baby? 
- Esse palavreado chulo... Isso me excita. 
- Eu posso perceber... - ele disse, levantando sua cabeça e me olhando com meio sorriso nos lábios. Ele tirou seu dedo de dentro de mim e o levou a boca, chupando-o. - Porra, Mabelle, você é fodidamente doce e está tão pronta... 
Ele pousou os dedos molhados por sua saliva em minha virilha e passeou por meu monte Vênus, me fazendo prender a respiração ao tocar em meu clitóris. 
- Pra você... - murmurei, enfim, soltando minha respiração. 
- Pra mim o que, baby? - ele sussurrou em meu ouvido, prendendo o lóbulo de minha orelha com seus dentes, enquanto aumentava a pressão sobre meu clitóris. 
Foi impossível impedir o gemido que saiu de minha boca.
- Eu estou pronta pra você... De novo... - sussurrei, levando minha mão ao meio de minhas pernas, fazendo com que a pressão de seu dedo aumentasse em cima de meu clitóris. 
Ele sorriu e se afastou, tirando as mãos do meio de minhas pernas e se deitando. 
- Então, venha aqui... - falou, apontando para o seu pênis ereto. 
Não foi preciso pedir duas vezes. Olhando em seus olhos, engatinhei sobre a cama e me sentei em seu quadril, pegando uma camisinha em cima da mesa de cabeceira. Coloquei-a em seu membro fazendo questão de fazer pressão desde a glande até a base, ouvindo-o gemer baixinho pra mim e tocar minha cintura com força. 
Me levantei um pouco apenas para colocar seu membro em minha entrada e sentei lentamente, fechando os olhos ao senti-lo entrar tão grande e grosso, abrindo espaço dentro de mim. 
- Tão apertada, porra... - ele gemeu alto, apertando minha cintura. 
Eu estava tão excitada que torturá-lo fugiu completamente de meus planos. Me ajudando a subir e descer, Michael me olhou nos os olhos, enquanto eu começava a quicar sobre seu colo, seu pênis me atingindo até o fundo. Eu já podia sentir meu orgasmo se formando, rápido demais, quando ele levantou seu quadril, penetrando-me com mais rapidez. 
- Toque-se, Mabelle... Eu quero vê-la se dando prazer enquanto eu te como assim, toda gostosa e entregue a mim. - ele ordenou com a voz rouca. 
Não sou do tipo de mulher que segue ordens, mas aquilo não dava para recusar. Levei meus dedos ao clitóris e comecei a me tocar rápido, enquanto me movia sobre ele. Michael soltou um grunhido do fundo da garganta que fez com que eu o apertasse dentro de mim, o orgasmo cada vez mais perto... 
- Eu vou gozar, Mike, eu vou... - gritei, no intuito de avisar o que ele já sabia. 
Ele sorriu e eu fechei os olhos, jogando a cabeça pra trás enquanto sentia todo o meu interior se contrair e se soltar, me fazendo gozar intensamente de um jeito que só ele me fez até então. Ele continuou metendo com força dentro de mim e chamou meu nome alto quando explodiu.
 

***


O amanhecer na América era lindo. Os raios do sol começando a despontar lá longe, como se tivesse saindo do mar depois de uma ótima noite de sono. Eu revesava meu olhar entre Michael e o nascer do sol, completamente indecisa sobre qual imagem era a mais bonita. 
Mas eu sabia: Michael ganhava mil vezes. 
Ele ressonava tranquilo, deitado de bruços com o lençol branco cobrindo apenas seu bumbum. Deixei um suspiro escapar de meus lábios; eu havia dormido com o maior astro de todos os tempos. Havia realizado o meu maior desejo e tinha valido cada segundo. O que ele me fez sentir, valeu por toda a minha vida. 
Nunca iria me arrepender e se alguém me perguntasse qual foi o melhor momento da minha vida, eu diria: foi quando transei com Michael Jackson. 
Com esse pensamento em mente, terminei de escrever um pequeno bilhete para ele e o coloquei em cima do travesseiro, no lugar onde eu deveria estar deitada. Me olhei no espelho mais uma vez e vi que pequenas olheiras se formavam embaixo de meus olhos, por conta de uma noite mal dormida. Mas não me importava com aquilo. 
Me aproximei dele e dei um beijo em seus lábios, me afastando em seguida. Olhando-o mais uma vez, abri a porta do quarto e sai. 
Pouco mais de dezesseis horas depois, eu estava pousando na França.




Capitulo 7


Frustrado, Michael olhou pela centésima vez para o bilhete que Mabelle havia escrito pra ele. Leu palavra por palavra, como se já não tivesse memorizado cada uma delas. 

"Michael, obrigada pela noite maravilhosa que proporcionou a nós dois. Obrigada por ter realizado o meu maior desejo. Pode ter certeza que essa noite nunca mais saíra de minha memória. 
Estou voltando para França e levarei comigo, cada segundo do que compartilhamos nesse quarto de hotel - e levarei sua cueca box também, desculpa! -, espero que não fique bravo. 
Obrigada por tudo mais uma vez, mon cher. 
Com amor, Mabelle Phechínne."


Tudo bem, tudo bem, ele havia rido ao saber que ela havia levado sua cueca box - e ela levou mesmo! -, mas logo depois de ler, seu sorriso sumiu. 
Mabelle havia ido embora e não teve nem a capacidade de esperar para se despedir, ou de acorda-lo. Ele achava que merecia ao menos isso! A noite deles havia sido... Perfeita. Há muito tempo - realmente muito tempo - Michael não transava de uma forma tão... Intensa. 
Ele se sentiu tão a vontade com ela, que todos os tipos de coisas sujas saíram por sua boca, enquanto ele a fodia com força. Foder... Ele não tinha esses pensamentos sujos desde... Bom, desde sempre. 
Mas com ela, ele teve a necessidade de falar tudo aquilo, falar coisas que ele nunca pensou que falaria um dia. E ela havia gostado... Não havia? Ele estava confuso, mas ela pareceu gostar muito, isso era verdade. 
Agora, quase duas semanas desde sua partida, ele ainda não havia conseguido tirá-la da cabeça. O que aquela pianista havia feito com ele? Desde sempre ele soube que tudo seria apenas sexo casual e nada mais. Ela havia tratado tudo aquilo dessa maneira... Por que ele não conseguia fazer o mesmo? 
Nunca fora um homem machista, mas esse não era o papel da mulher? Quer dizer, ficar com tudo isso na cabeça e querer repetir detalhe por detalhe, arriscando até mesmo ir atrás do cara? 
Ele não sabia, ou melhor, só sabia de uma coisa... Estava fodido, literalmente. 
- Pensando na francesa de novo, Mike? - Branca perguntou, tirando-o de seus devaneios ao entrar na biblioteca. 
Michael soltou um grande suspiro, colocando o pequeno pedaço de papel em cima da mesa. Esfregou os olhos, frustrado. 
- Eu não consigo tirá-la da minha cabeça, John! Não consigo! 
- Percebe-se, cara. Você está aereo desde quando essa mulher foi embora. - Branca balançou a cabeça. Ficou em silêncio alguns minutos e então começou a falar novamente: - Já que está assim, tão desesperado, por quê não vai atrás dela, cara? 
- Porque isso seria ridículo, John! O que eu sou, uma mulherzinha apaixonada? - ele bufou, passando as mãos pelo cabelo. 
- Não... Pelo o que eu saiba, você tem um pinto no meio das pernas! - John disse, rindo de leve no final. - Vamos, cara... O que Mabelle vai fazer? No mínimo, ela vai te arrastar pro quarto dela, porque ela sente desejo por você. E você por ela. O que custa ir até a França pra vê a garota? Uma visita não faz mal a ninguém... 
Michael pousou dois dedos sobre o queixo, pensativo. Até que John tinha razão, afinal. Por que Mabelle negaria uma visita dele? E tinha mais, ele poderia estar apenas de passagem pelo país e resolveu ir vê-la, ela não precisava necessariamente saber que ele tinha ido até lá apenas para... Fode-la, mais uma vez. 
- Okay, John... Vamos aproveitar que você colocou a cabeça para funcionar, e comece a procurar o endereço da minha francesa. Vamos até ela. 
- Sua francesa? - John riu e se levantou. - Vai ser muito bom se a sua francesa bater com a porta na sua cara... - murmurou, saindo da biblioteca. 
Michael riu. Mabelle não faria algo assim, ele tinha certeza.



Capitulo 8 - Mabelle


Foi engraçado chegar a França e encontrar minha mãe e minha vó assustadas com o que eu havia dito a revista americana. Meu pai quase surtou, quase, mas ele me conhecia, sabia sobre o meu jeito. Eu sempre fui meio impulssiva e bem... Eles sempre aceitaram isso, por conta de todo o nosso passado. 
Algo que eu sempre fazia questão esquecer. 
Mas no fundo, mamãe e vovó também acharam engraçado. Quer dizer, não é todo o dia que vemos alguém com uma cara de pau tão grande como a minha. Depois de um discurso básico, elas riram de mim e peguntaram se eu tinha conseguido o que tanto queria. 
Como não temos segredos, eu disse que sim. Mas pedi que não espalhassem isso. Seria realmente um inferno se a mídia descobrisse que Michael e eu transamos, nem quero imaginar. 
Agora eu estou aqui, deitada em minha cama, vestindo um top e a cueca que roubei dele. Olhar pra ela me faz rir; ele estava tão sexy nessa cueca, que eu não pude evitar de pegá-la pra mim. E era bom também, para manter as lembranças vivas na memória - como se um dia eu fosse capaz de me esquecer delas. 
- Mabelle? - escutei a voz de Alfred, entrando em meu quarto depois de bater duas vezez na porta. - Está acordada? 
- Estou. - respondi, me virando na cama para olha-lo. - Entre, Alfred. Aconteceu alguma coisa? 
Ele entrou e fechou a porta, logo se sentando ao meu lado perto, da cama. 
- Aconteceu sim. Sabe quem me ligou há alguns minutos? - balancei a cabeça e ele sorriu de leve. - John Branca. 
- E quem seria John Branca? 
- Advogado de Michael Jackson. - seu sorriso ficou um pouco mais malicioso. - Ele disse que Michael está passando uma temporada aqui na França e deseja lhe ver. Quer te convidar para um jantar ainda esta semana. 
Interessante. Michael na França e nada foi noticiado nos jornais? Realmente intrigante.
- Interessante. - murmurei, voltando a me deitar. - Diga que não estou interessada. 
- Como? - ele perguntou, minutos depois de ficar em silêncio. 
- Ligue para o tal do John Branca e diga que não estou interessada em jantar com o cliente dele, Alfred. Não há muito mistério nisso. 
- Você está maluca? Estamos falando de Michael Jackson, Mabelle! O cara que você escancarou nos jornais que adoraria transar com ele. 
- Sim, eu sei muito bem quem é Michael Jackson, Alfred. E eu já transei com ele. - me virei para encará-lo. - Sabemos muito bem o porquê de ele estar aqui, e você sabe que eu não gosto de transar com alguém que já transei antes. Isso se torna um quase compromisso e eu estou fugindo de compromissos! 
- Mas eu não sabia que essa sua "regra" se estendia a Michael Jackson também. 
- Por que não se estenderia? 
- Porque ele é Michael Jackson? O astro mais gostoso de todos os tempos?! 
Ri de leve. Ás vezes Alfred tinha uns ataques mais gays do que o normal. 
- Ele é uma pessoa como qualquer outra...
- Ah, mas não é mesmo, Mabelle! 
- Ok, ele não é. - falei, me dando por vencida. - Mas isso não quer dizer que eu vou mudar a minha vida porque ele me quer em sua cama novamente. Ligue para John Branca e diga que eu não estou interessada. Ponto final, Alfred. 
Ele soltou um suspiro de resignação e se levantou da minha cama. 
- Eu já sabia que você era louca, mas agora... Você acabou de me provar que é ainda pior do que eu pensava. 
Assim que Alfred me deixou sozinha, eu soltei um suspiro. Sim, talvez eu seja louca, mas o que posso fazer? 
Já tivemos nosso momento de diversão Michael... E acabou.
 

***


- Como é que é? - Michael mandou Branca repetir, pensando não ter escutado direito. 
- Isso mesmo que você ouviu, Michael. O tal do Alfred que é empresário dela, me ligou e disse que Mabelle não está interessada em se encontrar com você. 
- Você disse a ele quem eu era? Disse pausadamente que Michael. Jackson. Está. Querendo. Jantar. Com. Ela? 
- Não tão pausadamente assim, porque eu não sou retardado, mas eu disse sim que você está passando uma temporada na França e queria jantar com ela. Menos de uma hora depois ele me ligou e disse que a resposta de Mabelle era "não". - John se sentou no sofá e soltou um suspiro. - Se um dia eu descobrir o que se passa na cabeça de uma mulher, eu acho que eu morro de loucura. Porra, a garota gritou pro mundo inteiro ouvir que queria transar com você, e agora diz não a um convite seu? Que merda é essa?
- Me pergunto a mesma coisa, que merda é essa?! - ele pergunta frustrado, balançando a cabeça.
Michael olhou a Torre Eiffel ao longe pela janela do hotel onde estava hospedado e suspirou. Mabelle estava mexendo demais com sua cabeça, olha onde ele estava apenas para vê-la... Tinha atravessado o Oceano para ir vê-la e recebe como resposta que ela não estava interessada em jantar com ele? 
Porra nenhuma! Com o maxilar cerrado, ele se virou para Branca e disse: 
- Mande preparar o carro, vamos a casa de Mabelle Phechínne agora mesmo e quero vê ela falar na minha cara que não está interessada em jantar comigo.



Capitulo 9 - Mabelle


- Eu ainda não posso acreditar... - Alfred balançou a cabeça, contrariado, enquanto terminava de almoçar.
- Deixe ela, Alfred. Mabelle não é obrigada a aturar a presença de alguém que ela não queira! - Roger disse, bufando no final.
- Mas a presença de Michael Jackson não é algo que se ature, Roger, é algo que o faz dobrar os joelhos e agradecer aos céus por tamanha benção. 
- Como você é exagerado, por Deus. O que ele tem de tão especial? Só por que é o Rei do Pop? Ele ainda não é Deus, Alfred.
-  Realmente, porque só falta isso pra ele, ser reconhecido como um Deus Grego... E a Mabelle tem que ser jogada aos leões por ter recusado um jantar e uma possível transa com aquele homem!
- Tudo bem, Alfred, já chega. - falei, colocando meus talheres sobre o prato, perdendo a fome. - Para de ser chato, você já ligou pro tal advogado dele, já recusou o convite e fim da história! 
Ele revirou os olhos e bufou.
- Não pode mais ficar revoltado, é isso? 
- Sim, você pode, mas guarde pra você! - Roger disse e se virou pra mim, sorrindo. - Estou tão ansioso por hoje a noite. Tenho certeza que sua mãe esta preparando uma festa maravilhosa, alias, como sempre. Ela e seu pai formam um casal muito bonito, Mabelle.
Aquilo me fez sorrir. Faltava poucas horas para o aniversário de casamento de meus pais. Estavam completando 30 anos de casados.
- Eles formam sim... - murmurei, sorrindo ao pensar em minha mãe e meu pai. 
O amor que eles tinham era o tipo de amor que eu sabia que jamais conseguiria construir com alguém. Podem me chamar de fria ou insensível, mas eu acho que o amor entre um homem e uma mulher é algo que não existe mais nos dias de hoje. Tudo se move à base de interesse ou sexo, ou pelas duas coisas juntas. E eu jamais arriscaria a minha vida em um tipo de lance como esse. 
Por isso, admirava muito meu pai e minha mãe e o casamento sólido que eles conseguiam carregar. Eu via o amor no olhar deles, em seus gestos e conversas e ficava feliz por eles estarem felizes. 
Excusez-moi, Mabelle... - Adeline, minha empregada, me chamou. Ela parecia um pouco constrangida. 
- O que houve, Adeline? Aconteceu algo? 
- É que... Michael Jackson está aqui em frente aos portões e exige falar com você. - ela disse de uma vez só. 
Olhei para Alfred, que tinha a boca ligeiramente aberta e para Roger, que estava com o maxilar cerrado. Uma pequena risada saiu de dentro de minha garganta, enquanto eu deixava minha mente processar a notícia de que Michael estava em meu portão. 
- Mas que cara incoveniente! Chame a polícia, Mabelle, diga que ele está a importunando. - Roger disse, visivelmente irritado. 
- Devo confessar que ele é bem insistente. - falei, me levantando da mesa. - Mande-o entrar, Adeline... Vamos ver o que o astro quer comigo. 
Ela assentiu e saiu da sala de jantar. Roger bufou e se levantou, sendo acompanhado por um Alfred sorridente. Assim que entramos na minha sala de estar, vi pelas janelas, um carro preto sendo estacionado próximo ao jardim. O motorista saiu e abriu a porta traseira do carro. Primeiro um homem alto de cabelos louro escuro saiu do carro, sendo seguido por Michael. A visão dele me fez arfar; aquele desejo se alastrando por cada poro do meu corpo. 
Talvez transar com ele mais uma vez não seja uma tarefa tão difícil, afinal. Minutos depois, Adeline entrou na sala de estar com Michael e o tal homem em seu encalço. Michael tinha uma expressão dura no rosto, e eu não pude conter o sorriso. Acho que minha recusa a seu convite o deixou raivoso. 
- Olá, mon ange... - falei, apontando para o sofá. - Sente-se, Michael, por favor. 
- Nós poderíamos conversar a sós, Mabelle? 
Alfred olhou pra mim com uma sobrancelha arqueada. O safado tinha um sorriso no canto do rosto que era quase indisfarçável. Eu podia ouviu os pensamentos dele gritando: "Anda, suba com ele para o seu quarto e tenha uma tarde sexo incrível! Não é isso que você quer?"
Reprimi uma risada. Até que os "pensamentos" dele eram interessantes. 
- Claro. Vamos até a minha biblioteca, tudo bem? 
Ele assentiu. Pude vê quando Roger revirou os olhos e se sentou no sofá, bufando. Acho que eu tinha que conversar com ele depois, dar a ele as boas maneiras que talvez a mãe dele esqueceu de o ensinar. Seguimos até minha biblioteca e assim que entramos, Michael cruzou os braços e me olhou: 
- Agora eu quero que me diga, olhando nos meus olhos, que não está interessada em jantar comigo. - ele disse, chegando perto de mim. Parou bem na minha frente, nossos rostos quase colados. - Vamos, Mabelle. Me diga! 
- Michael... Eu não estou entendendo o porquê da sua fúria. - falei, me afastando um pouco e indo até o pequeno que tinha perto da minha estante de livros. - Você quer beber alguma coisa? Hm... Eu tenho vodca, uísque... 
Eu ainda estava falando quando senti o meu braço ser puxado quase brutalmente. Michael me virou para si e com rapidez, segurou possessivamente a minha cintura. 
Seus olhos estavam cravados nos meus, seu cheiro quase adocicado penetrando minhas narinas. De repente, ficou difícil respirar. Ele sabia seduzir até mesmo quando tinha raiva naqueles olhos negros... Em que porra eu fui me meter? 
- Mabelle... Eu não sou o tipo de homem que aceita um "não" como resposta. Muito menos um "não" sendo enviado por terceiros. - ele disse, me obrigando a olhar para cima para poder fitá-lo. Sua língua umedeceu seus lábios. Lábios tão perto dos meus... - Então, se você me quer longe, é melhor começar a trabalhar em cima de seus motivos e aprimorá-los mais. Um "não", não irá me convencer. 
Ele me olhou mais uma vez antes de grudar seus lábios nos meus. Um segundo depois, eu já estava rendida. Passei meus braços por seu pescoço, sentindo a necessidade de tê-lo mais perto de mim. Sua língua passeou selvagemente por cada canto da minha boca, me fazendo gemer em seus lábios, enquanto ele me impulsionou para cima e fez com que minhas pernas abraçassem sua cintura. 
Senti a madeira da minha mesa abaixo de mim, quando ele me colocou sentada ali. Eu mesma empurrei as coisas para o chão, sentindo seus beijos em meu pescoço e meu colo. Quando ele mordiscou o bico do meu seio por cima da blusa que eu usava, senti algo dentro de mim florescer. O prazer. A lembrança da nossa primeira e última noite tão vívida em minha memória, que a única coisa que eu queria fazer era reviver aquele momento. 
E eu faria isso. 
Michael voltou a me beijar e eu toquei em sua camisa, desfazendo os botões. Quando cheguei a sua calça, senti o tecido esticado por conta da sua enorme ereção, que implorava para sair dali. Michael me olhou e mordeu o lábio, a ponta de seus dedos subindo pela minha coxa, levantando o leve tecido da saia que eu estava usando. 
- Eu não sei o que você faz comigo, garota... Mas eu não consigo me controlar. - ele dsse em um sussurro rouco. - Eu vim aqui com um propósito, mas a única coisa que passa pela minha cabeça agora, é que eu preciso me enterrar em você. - ele segurou meu queixo, me obrigando a olhar pra ele. - Eu preciso foder você, Mabelle! 
- Então faça isso, mon cher... - falei, no mesmo tom que ele, finalmente desabotoando sua calça e tirando seu membro pra fora. Ele estava incrívelmente grande e molhado pra mim. - Me fode, Michael, com força... Do mesmo jeito que fez naquele quarto de hotel. 
Ele gemeu e abriu minhas pernas. Colocou o tecido da minha calcinha para o lado e tocou minha intimidade, bem em cima do meu clitóris, circulando-o e me fazendo ir a loucura. 
- Essa bucetinha tão molhada pra mim. - ele tirou o membro de minha mão e vestiu uma camisinha rapidamente, logo se posicionando no meio das minhas pernas. A saia enrolada na minha cintura e a calcinha colocada de lado, dava uma total visão de sua penetração em mim. Lentamente, ele esfregou a glande na minha entrada. - Vou fazer o que nós dois queremos, baby. Agora. 
Ele entrou em mim, rápido e forte, indo até o fundo. Um gritou de prazer saiu da minha garganta, ao sentir o quão fundo e apertado ele ia naquela posição. Enrolei minhas pernas em sua cintura e ele começou a mover os quadris pra frente para trás, entrando e saindo. Eu já sentia meu interior pulsar pelo prazer e ele também já ofegava e gemia rouco em meu ouvido, ora falando aquelas safadezas que só ele sabia, ora me beijando para reprimir nossos gemidos. 
- Michael... Eu vou gozar... - murmurei em seus lábios, mexendo meu quadril em sua direção. - Mais rápido, por favor! 
- E você merece isso, baby? - ele perguntou, diminuindo os movimentos. - Depois de ter sido tão mal criada em sua resposta ao meu convite? Eu acho que não... 
- O que? - perguntei, sentindo ele se mover tão devagar, que agonia se prolongava a cada movimento. - Michael, por favor... Eu preciso gozar, por favor! 
Ele sorriu e se retirou de dentro de mim, esfregando o membro em meu clitóris. Eu poderia gozar somente com aquilo, era tão bom... 
- Então você vai jantar comigo, baby? 
- Faço o que você quiser, Michael, só não seja tão malvado comigo! - falei, puxando-o pela camisa. - Mete em mim e me faça gozar, agora! 
Ele sorriu de lado e me penetrou, voltando a meter com toda a agilidade que tinha. Meu interior o apertou e eu gemi seu nome em alto e bom som, deixando o orgasmo dominar cada poro do meu corpo. Ele rugiu alto no meu ouvido e apertou minha cintura, explodindo logo depois de mim.
Ainda ofegante, senti o sorriso dele em meu pescoço. Aquilo até poderia ser loucura, mas nada na minha vida era normal. Obviamente, o que Michael e eu estávamos prestes a ter, certamente não seria. 
- Você me deixa maluco, Mabelle. Totalmente maluco. - ele disse, tirando o rosto do meu pescoço e olhando pra mim. - Virei te buscar ás oito. Tudo bem? 
- Tudo bem, mas não iremos jantar, mon cher
Ele franziu o cenho. 
- Como assim? - soltou uma risadinha. - Já vai querer me arrastar pra cama, Mabelle? Eu sei que é apressada, mas podemos comer antes, mon amour.
Ouví-lo falar em francês me fez sorrir. Seu sotaque era muito fofo. 
- Não é isso. É aniversário de casamento dos meus pais essa noite. Estão fazendo 30 anos e quero que você vá comigo. 
- Mabelle... - ele murmurou, parecendo um pouco atordoado. - Você tem certeza? Eles ao menos me conhecem... E você falou aquilo na revista e repercutiu o mundo inteiro. Caramba! - ele arregalou os olhos e saiu de dentro de mim, de repente. - Eles leram aquilo, Mabelle? 
- Sim, eles leram. - falei, tranquila, enquanto o via jogar a camisinha na pequena lixeira ao lado da minha mesa. Ele se vestiu rapidamente e começou a andar de um lado para o outro. - Michael, o que houve? 
- Como "o que houve"? Mabelle, os seus pais leram que você queria transar comigo! Que vergonha, meu Deus! 
Ah sim... Aí está o Michael Jackson tímido que todos haviam me falado. Era incrível como ele conseguia mudar da água para o vinho em apenas alguns segundos. 
Bébé... Não se preocupe. Meus pais até falaram um pouco no meu ouvido, mas não houve nada demais. - falei, olhando pra ele. - Não precisa ficar nervoso desse jeito.
Ele suspirou e passou as mãos pelos cabelos, olhando pra mim. 
- E... O que você disse a eles? Disse que nós... Transamos? 
- Para minha mãe e para minha avó, sim. 
- Porra, Mabelle! Esse tipo de coisa não se fala assim! Para sua avó? Como você fala uma coisa dessas pra uma senhora de idade?
- Ora, Michael! Se minha mãe está aqui hoje, é porque minha avó fez a mesma coisa que nós fizemos há alguns minutos. Sexo não é algo desconhecido para nenhuma das duas, baby, pode ter certeza. - falei, dando um sorriso no final. - E nós não temos segredos algum. Somos confidentes e eu conto tudo a elas. 
- Oh sim... E como eu vou olhar pra cara delas agora? 
- Com a mesma cara linda que você tem, Mike. - falei, descendo da mesa e abaixando minha saia. Cheguei perto dele e o abracei pelo pescoço. - Não precisa ficar nervoso, Michael. Você vai vê que todos eles são maravilhosos e irão lhe tratar muito bem. Eu prometo isso. 
- Está bem. - ele respondeu, ainda um pouco contrariado. - Então, eu te pego ás oito. 
- Perfeito! - murmurei, dando um beijo em seus lábios.
E sobre o fato de eu nunca ficar com o mesmo homem duas vezes? Bem... Para Michael Jackson, o cara que estava mexendo comigo de um jeito bastante estranho, eu abriria uma exceção.



Capitulo 10 - Mabelle


- Acho que você está um pouco tenso... - murmurei, sentindo o aperto excessivo da mão de Michael na minha.
Ele me olhou e afroxou o aperto, suspirando.
- Há de convir comigo que não será um encontro comum, não é?
Ri de leve. Ele estava mesmo preocupado com aquilo.
- Não precisa se preocupar, mon cher... Meus pais e minha avó irão adorá-los, você vai ver.
- Eles falam inglês? - ele perguntou, voltando o olhar para nossas mãos entrelaçadas.
- Perfeitamente. E a comunicação entre vocês será maravilhosa, eu tenho certeza.
- Assim espero... - virando-se pra mim, ele perguntou: - Por que tinha recusado jantar comigo, Mabelle? Seja sincera.
- É simples: eu não sou do tipo de mulher que sai duas vezes com o mesmo homem.
- Essa é uma regra usada por homens, não? - ele perguntou, soltando uma risadinha.
- Isso soa um pouco machista. - falei, rindo.
- Então... Por que decidiu aceitar o meu convite?
Por que eu tinha aceitado? Bem... Nem mesma eu sabia o porque.
- Não sei... Talvez pelo fato de você ter me convencido muito bem. - sorri maliciosamente.
- Então nós dois tiramos vantagens disso.
- Verdade... - sorri, vendo o carro se aproximar da casa de meus pais. - Bem vindo a mansão Phechínne, Michael.
Ele soltou um suspiro de tensão, que me fez sorrir. O carro adentrou a mansão e assim que estacionou próximo a fileira de carros da minha família, saímos. Michael olhou tudo envolta e disse que o lugar era muito bonito e que minha família tinha bom gosto. Eu concordei com ele.
A mansão de meus pais era toda branca com detalhes dourados, que remetia a uma paisagem vitoriana. Uma área com flores tropicais adornava tudo envolta, e minha mãe gostava de cuida especialmente dessa área. Ela e vovó tinham mãos de fadas para cuidar de todas aquelas flores.
Fomos juntos até o hall, onde uma moça recepcionava os convidados. Assim que ela me viu, me deu passagem e depois de nos dar boas-vindas, disse que meus pais estavam no salão junto com os convidados. Pude ver seu olhar de admiração ao observar Michael ao meu lado, mas foi profissional o suficiente para falar apenas o necessário, o que no fundo eu achei muito bom; a última coisa que precisávamos agora era de uma fã estérica para atacá-lo.
Chegamos ao salão e logo avistei meus pais sentados a uma mesa com minha avó. Assim que me viram, eles se levantaram e minha mãe me olhou com uma expressão assustada ao vê Michael ao meu lado. Minha vó sorriu e meu pai apenas observou tudo em silêncio.
- Mamãe... A decoração está magnífica! - falei em um inglês audível, para que Michael não ficasse mais constrangido do que já estava.
- Obrigada, minha querida... - ela se aproximou e me abraçou, dando um beijo carinhoso em meu rosto.
Quando se afastou, foi a vez de meu pai, que me abraçou com carinho. Logo veio minha vó, que não perdeu a oportunidade de sussurrar em meu ouvido que adorou a minha companhia. Ás vezes eu a achava mais jovem e descontraída do que eu, que estou na casa dos vinte anos.
- Meus queridos, quero apresentar a vocês o meu mais novo e querido amigo... Michael Jackson. - falei, voltando para o lado dele e pegando em sua mão. - Michael, esse é meu pai Jean-François Phechínne.
- É um prazer conhecê-lo, senhor Phechínne. - Michael murmurou, estendendo a mão pra ele.
Sua voz saiu tão baixinha que eu me perguntei se ele era o mesmo homem que me domou com força dentro da minha biblioteca.
- O prazer é todo meu, senhor Jackson. Pode me chamar apenas de François. - meu pai sorriu, apertando sua mão.
- Então, me chame apenas de Michael. - ele sorriu de leve.
- Mike, essa é minha mãe Annemarie Phechínne.
- É um prazer conhecê-la, senhora Phechínne. - Michael murmurou, beijando a mão de minha mãe educadamente.
- O prazer é meu, Michael... Chame-me apenas de Annemarie. - minha mãe disse, sorrindo pra ele.
- E por fim, mas não menos importante, essa é minha avó, Mike. Abígail Tisout, mãe de minha mãe.
Minha vó, ao invés de esperar que Michael a cumprimentasse, foi até ele e o abraçou. Ela era assim, sempre que gostava de alguém, o abraçava. Se você não for abraçado por ela na primeira apresentação, saiba que ela não gostou de você.
- É um prazer conhecê-lo, meu querido. Mabelle me falou muito bem de você.
- O prazer é meu, senhora Tisout. Ela também me falou muito bem de todos vocês. - Michael disse, retribuindo o abraço.
- Ora, senhora está no céu, meu querido. Chame-me apenas de Abígail, me sinto muito mais jovem.
- Mas a senhora é muito jovem, Abígail. Quem ousa dizer o contrário?
- Oh, Mabelle... Seu amigo é encantador, minha querida. - ela sorriu pra mim. - Case-se com ele. - piscou.
Pela primeira vez naquela noite, ouvi Michael rir de verdade, acompanhado por meu pai e minha mãe. Eu não pude conter o sorriso.
- Vovó, a senhora realmente não muda nada. Sempre querendo arrumar pretendentes para mim...
- Mas é isso que uma avó faz, meu bem. Tenho sempre que está de olho por ela, Michael, porque senão... Ela vai acabar ficando pra "titia". Nossa... Quem ainda fala isso? Ficar pra "titia", mon Dieu, nem minha falecida mãe falaria assim. - minha vó riu. - Mas você entende o que quero dizer, não é meu querido?
- Sim, eu entendo muito bem. Mas não precisa se preocupar, Abígail. Tenho certeza que em breve, Mabelle deixará de ser solteira.
- Ah, Deus te ouça, meu filho... - ela sorriu.
- Bem... A conversa sobre minha vida amorosa está realmente muito boa, mas vou amostrar a casa para Michael agora. Logo mais voltamos.
- Está bem, querida. Espero que goste de nossa casa, Michael. - meu pai falou.
- Tenho certeza que adorarei, François.
Pegando em sua mão, sai com Michael de perto de meus pais, sentindo o olhar curioso de alguns convidados em cima de nós. Eu quase podia ouvir os seus pensamentos, seus comentários, por conta do que disse na revista americana. Mas sinceramente, eu não me importava.
Michael estava ao meu lado, minha família havia o adorado. O resto era apenas o resto.



Capitulo 11 - Mabelle


- Finalmente chegamos ao último cômodo do primeiro andar... - falei, abrindo a porta da extensa biblioteca.
Michael indicou com a mão que eu deveria entrar primeiro - como o cavalheiro que era - e entrou logo depois de mim. Ele ficou alguns minutos olhando ao redor, vendo as prateleiras de livros que iam do chão ao teto e algumas obras de artes que meus pais arrebataram em leilões benefícientes.
- Sinceramente, gostei muito da decoração da casa de seus pais, Mabelle. Esse gosto pelos tons da Era Renascentista me agrada muito.
- Sim, é algo muito bom de se observar. - murmurei, me encostando na mesa de madeira. - Minha mãe tem um ótimo gosto para decoração. Ela sempre está mudando algo aqui e ali, mas nada que influencie a mudança dos tons e objetos Renascentistas. Cresci no meio disso tudo e aprendi a apreciar também.
Ele se virou pra mim e se aproximou, me olhando atentamente.
- Você combina muito com essa atmosfera. Se eu fosse um pintor, adoraria fazer um quadro seu.
- Jura? E como seria isso? - perguntei, realmente curiosa.
- Nessa sala, por exemplo. - ele fechou os olhos e sorriu, como se tivesse vendo algo muito bonito. - Eu imagino você nua, deitada naquele sofá, os tons dourados ao seu redor. Seus cabelos ruivos caídos em seu ombro, enquanto você me olha com todo o desejo que sente por mim.
Mordi o lábio evitando um gemido, enquanto o observava ainda de olhos fechados. Lentamente, ele levou a mão até o seu membro e o apertou por cima da calça, me fazendo perceber que ele já estava excitado apenas com aquela imagem em sua cabeça.
Sabendo que eu deveria fazer algo quanto aquilo, me despi rapidamente e me desfiz de meus sapatos de salto alto, me deitando lentamente no sofá. Coloquei parte de meus cabelos por cima de meu ombro e soltei um suspiro audível.
- Assim? - perguntei.
Ele se virou rapidamente e passou a língua pelos lábios secos, me observando. Naquele momento, senti meu ego ir as alturas, vendo seu olhar de desejo e devoção em cima de meu corpo. Se aproximando de mim lentamente, ele mordeu o lábio e suspirou:
- Exatamente assim. - ele murmurou, se ajoelhando ao meu lado. As pontas de seus dedos tocou em minhas coxas e começou a subir lentamente, passando pela minha barriga e me fazendo reprimir a respiração. - Você sabe o quão linda e gostosa você é, não é mesmo? - seus dedos subiram até chegar aos meus seios, onde ele rodeou o mamilo com a palma da mão. - Você é tão gostosa que parece ser o pecado, Mabelle. Você é o meu pecado, mas eu estou adorando me aventurar nisso.
Ele pegou meu mamilo entre os dedos e o apertou, me fazendo soltar um gemido alto pelo choque de prazer, que percorreu todo o meu corpo e chegou ao meu clitóris. Eu já me sentia estupidamente molhada apenas com as coisas que ele estava me falando e ele ainda nem tinha chegado na parte mais suja e depravada de seu vocabulário.
- Você fala de mim, mas sabe que também é um cara enlouquecedor, Michael. - murmurei, sentindo seus beijos em meu pescoço.
- Eu sei que te enlouqueço. - sussurrou.
- Sim, você realmente me enlouquece...
Mesmo se eu quisesse falar mais alguma coisa, não teria como. Michael invadiu minha boca com sua língua quente e perigosa, me dando um beijo de tirar o fôlego, enquanto ainda brincava com o meu mamilo intumescido. Naquele momento, eu já havia me esquecido de onde estava e até mesmo meu nome eu não saberia responder. O prazer de estar quase sendo comida por ele novamente, me fazia esquecer do resto do mundo.
Deixando minha boca, ele se levantou e se despiu de suas roupas rapidamente, deixando sua gloriosa ereção exposta pra mim. Senti minha boca salivar com saudade de ter aquele membro grosso próximo a minha garganta novamente.
- Eu sei o que você quer, mon cher... - ele se tocou, empunhando seu membro com uma expressão impassível. - Mas hoje eu quero dar prazer a você. Única e exclusivamente a você.
Ainda se tocando, ele se aproximou e tirou minha perna do sofá, colocando-a dobrada. Toquei o chão com meu pé e ele se ajoelhou no sofá, no meio das minhas pernas. Vi seu membro pulsar e crescer ainda mais em suas mãos, quando ele viu minha intimidade molhada pra ele.
- Essa bucetinha rápida já está molhada pra mim... - ele gemeu, apertando a glande molhada de seu membro. - Estou louco pra meter até o fundo, Mabelle, mas vou ser cauteloso.
- Não precisa... - murmurei, levando meus dedos até meu clitóris e me tocando rapidamente. - Entre em mim, Michael. Quero te sentir aqui dentro.
Ele grunhiu alto e parou de se tocar, tirando meus dedos de minha intimidade e se curvando até está 'cara a cara' com "ela". Senti sua língua me percorrer de cima a baixo, parando apenas quando estava em cima de meu clitóris pulsante. Ele o rodeou três vezes seguida, me fazendo sentir o prazer de ser tocada por um homem tão experiente. Um gemido alto rompeu de meus lábios quando ele sugou meu nervo pulsante para dentro de seus lábios com toda a rapidez.
- Oh, Mike... - gritei, tocando sua cabeça e me curvando no sofá, queria que o contato ficasse ainda mais intenso.
Ele deu uma pausa e beijou minha virilha. Meu corpo relaxou e eu me deitei, encostando a cabeça no braço acolchoado do sofá.
- Isso, quero que fique assim, Mabelle. - ele tocou minha barriga. - Eu vou te foder com a minha língua agora e se você se levantar, eu vou parar.
Assenti, vendo-o me olhar uma última vez antes de se abaixar. Foi impossível me conter quando sua língua rodeou minha entrada e me penetrou de uma só vez, começando a sair e entrar em uma rapidez impressionante. Meus músculos internos pulsavam, sugando-o para dentro de mim com cada vez mais gana. Michael realmente sabia como fazer aquilo, ele estava me fodendo literalmente com a língua, me deixando enlouquecida por mais.
Eu estava quase arqueando o corpo para que ele entrasse ainda mais fundo, mas parei com o olhar que ele me deu. Meu orgasmo estava se construindo, sentia meu baixo ventre se contrair com o prazer iminente. Ele enfiou a língua ainda mais fundo, e ficou parado lá dentro, começando a massagear meus músculos internos enquanto rodeava a língua lentamente. Gritei seu nome, sentindo seus dedos beliscarem meu clitóris, fazendo um orgasmo tão forte explodir em mim, que meu interior se convulsionou inúmeras vezes, enquanto pequenos jatos saiam de dentro da minha intimidade.
- Oh mon Dieu... Oh mon... Michael! - gemi, querendo fechar minhas pernas por conta do grande pulsar que ainda tomava conta da parte baixa do meu corpo.
Ele se ajoelhou a minha frente novamente, lambendo e limpando o canto dos lábios sujos pelo meu orgasmo, como se fosse a melhor iguaria do mundo.
- O que houve, mon amour? Você parece um pouco... Ofegante. - ele sorriu maliciosamente.
- A culpa é sua. - murmurei. - O que você fez comigo, Michael? Eu nunca gozei desse jeito!
- Eu sou bom em tudo o que faço, Mabelle e não paro até conseguir o que realmente desejo. Eu queria que você gozasse daquele jeito pra mim e fiz isso. - ele levou o dedo médio até a boca, chupando-o, logo depois o passou pelos meus lábios. - Chupa.
Passei a língua por toda a extensão de seu dedo e o enfiei em minha boca, lubrificando com minha saliva. Michael gemeu baixinho e mordeu o lábio, quando mordi de leve a ponta de seu dedo. Tirando-o de minha boca, ele levou o dedo até minha intimidade e a penetrou, indo até o fundo e circulando-o lá dentro, fazendo minha excitação voltar. Minha lubrificação foi tão forte, que a senti descendo por minha coxa.
- Isso mesmo, baby... Se derrete pra mim. - ele murmurou, tirando o dedo dentro de mim o chupando. - Nunca me cansarei de seu gosto, meu doce pecado. - sorrindo sensualmente, ele se curvou sobre mim e sua glande molhada entrou em contato com minha entrada já pulsante. - Eu vou meter forte e fundo e você vai gozar. Depois eu vou continuar metendo até você gozar de novo.
Dito e feito. Ele entrou de uma só vez, me alargando toda para receber todo seu comprimento grosso. Foi até o fundo e eu gozei, sentindo meu interior o sugar ainda mais para dentro, como se fosse possível ele ir ainda mais fundo. Ele saiu e começou a meter, gemendo em meu ouvido.
- Essa bucetinha apertada... Mabelle, eu não quero mais ninguém aqui dentro, apenas eu! - ele se ajoelhou no sofá e levantou minhas pernas, encostando meus pés em seus ombros e voltando a meter em mim. - Só eu posso estar aqui dentro, só eu posso te foder desse jeito, baby. Porra, você me enlouquece, me enlouquece! - ele grunhiu alto. - Goza de novo, quero sentir seu líquido ensopando meu pau, anda!
- Michael, eu... Porra, fala mais! - gemi, sentindo meu orgasmo se construir novamente.
- Eu vou falar e fazer mais, baby... - ele levou o dedo até meu clitóris, tocando-o com agilidade. - Anda, Mabelle, ainda não senti seu gozo no meu pau, mon cher!
- Eu estou indo, estou sentindo, Michael!
Eu implorava, sentindo meu mundo girar enquanto seu membro ia até o fundo e voltava, tocando aquele nervo preciso todas as vezes que ia ao fundo. Ninguém nunca me preencheu como ele, ninguém nunca me deu aquele prazer. Quando ele rodeou meu clitóris inchado, arranhei o estofamento do sofá e gozei pra ele, intensamente.
- Isso mesmo, porra Mabelle, suga meu pau pra dentro de você, assim! - ele disse com a boca mais suja e deliciosa de todo o mundo.
Ainda não tinha me recuperado daquele orgasmo, quando ele abriu minhas pernas e se curvou, metendo rapidamente. Senti seu membro pulsar dentro de mim e ele revirou os olhos, mordendo o lábio inferior.
- Eu vou gozar, Mabelle, vou gozar! - ele avisou, metendo rápido uma e outra vez. Quando senti seu membro pulsar mais uma vez, um grito rompeu minha garganta com um orgasmo me pegando de surpresa, enquanto ele saiu de dentro de mim e empunhou seu membro com agilidade, gozando intensamente sobre minha barriga e meus seios. - Oh, porra, Mabelle! - ele gemeu, enquanto ainda gozava.
Ofegante, nos olhamos e sorrimos. Peguei seu gozo com meus dedos e os levei até minha boca.
- Você também é delicioso, Michael... - murmurei com malícia.
Ele sorriu e balançou a cabeça, sentando-se no sofá e me puxando para cima dele. Me sentei em seu colo e encostei minha cabeça em seu ombro.
- Se você continuasse com aquilo, eu ia ficar duro de novo. - ele disse, puxando meu queixo para cima para poder mirar meus olhos.
- É mesmo? - perguntei, rindo. - Bem, o que posso dizer? Para quem estava com vergonha de vir na casa dos meus pais, até que você ficou bem a vontade.
Ele abriu e fechou a boca duas vezes, enquanto seus olhos se arregalavam. Pensei que ele iria fazer um discurso como havia feito mais cedo na minha biblioteca, mas ao invés disso, ele apenas relaxou e sorriu, dando de ombros.
- É, eu realmente fiquei muito a vontade e a culpa é toda sua! - ele tocou a ponta do meu nariz e logo depois olhou pra mim, intensamente. - O que você está fazendo comigo, Mabelle?
- Eu também pergunto o mesmo a você, Michael: o que é que está fazendo comigo?
Sabendo que não tínhamos resposta para aquela pergunta, me aproximei dele e beijei seus lábios, dando por encerrado aquela aventura na biblioteca da casa dos meus pais.




Capitulo 12 - Mabelle


Quando finalmente voltamos para a festa, constatei que todos os convidados já haviam chegado, inclusive Alfred e Roger, que estavam sentados na mesma mesa que minha vó. Os três sorriam, o que me fez perceber que a conversa entre eles estava agradável.
- Até que enfim vocês voltaram, querida. Por que demoraram?
- A casa é grande, vovó, e eu estava amostrando algumas das fotografias que tinha no meu antigo quarto.
- Que milagre, você não gosta de vê essas antigas fotografias... Ela era uma graça quando criança, não era, Michael?
Michael me olhou e sorriu, sabendo disfarçar muito bem.
- Era sim, Abígail. Uma linda menininha.
- Obrigada, mon cher. - sorri, dando um beijo no rosto dele. - Bem, agora eu acho que poderei apresentar vocês três devidamente... Michael, esse é Alfred, meu empresário, acessor, amigo... Tudo junto.
Alfred se levantou e apertou a mão de Michael.
- É um prazer conhecê-lo, senhor Jackson.
- O prazer é meu, Alfred. Me chame apenas de Michael.
- Esse é Roger, meu melhor amigo.
Roger se levantou, mas ao contrário de Alfred, ele não sorriu. Apenas apertou a mão de Michael.
- Seja mais educado, Roger... O que houve para está com um humor tão carregado? - perguntei, com um tom ameno.
- Nada, querida. Eu estou ótimo. - ele sorriu pra mim e se virou pra Michael. - É um prazer conhecê-lo.
Michael apenas assentiu. Estava claro como água que eles não tinham se gostado nenhum pouco, eu só queria saber o porque.
- Dança comigo, Mabelle? - Michael perguntou, levando minha mão aos seus lábios.
- Ele é tão gentil... - minha vó murmurou, soltando um suspiro que me fez sorrir.
Sempre romântica.
- Claro, mon amour.
Michael pegou me levou até a pista de dança praticamente vazia. Colocou uma mão em minhas costas e com a outra, segurou a minha mão próximo ao seu peito. Começamos a dançar lentamente, acompanhando as notas da música romântica que estava tocando.
- Acho que o seu... Melhor amigo, não gostou de mim. - ele murmurou em meu ouvido.
- E eu pude perceber que você também não gostou dele. Por que tudo isso?
- Não está na cara?
- Não pra mim.
- Pois pra mim está. Ele gosta de você, Mabelle. Gosta como homem e sente ciúmes de mim.
Aquilo me fez rir. Era óbvio que Roger não gostava desse jeito de mim, éramos amigos há anos e ele nunca se aproximou de mim com outra intenção. Michael estava louco.
- Claro que não é isso, Mike. Acho que Roger quer apenas te conhecer melhor. Ele é assim, um pouco reservado quando conhece alguém. Tenho certeza que logo, logo você estarão se dando muito bem.
- Se eu fosse você, não teria tanta certeza assim. - ele me rodopiou e quando voltei, olhou pra mim. - Sabe, Mabelle... Acho que estou gostando de você. Gostando mais do que deveria gostar.
- Quer dizer que está se apaixonando, senhor Jackson? - perguntei, sorrindo maliciosamente pra ele.
- Sim. É exatamente isso que quero dizer. - ele murmurou, sério.
Meu sorriso se desfez. Michael era um cara maravilhoso, ótimo de cama e muito gentil... Mexia comigo de um jeito que homem algum tinha conseguido até então, mas as palavras "paixão" e "compromisso" não existiam no meu vocabulário, e disso eu não estava disposta a abrir mão.
- Acho que você não gostou muito de saber disso. - ele observou, chamando minha atenção.
- Eu não me apaixono, Michael. Nunca me apaixonei e creio que essa não será a primeira vez.
Ele riu e balançou a cabeça, parecendo está um pouco incrédulo.
- Nunca se apaixonou? Mabelle... Você tem apenas vinte anos de idade, mas passou pela adolescência e tenho certeza que teve alguma dessas paixões rápidas que só adolescentes conseguem ter. É impossível você nunca ter se apaixonado por alguém.
- Bem, então eu sou um ser de outro mundo. - falei, olhando pra ele. - Eu falo sério, Michael. Nunca me apaixonei e pretendo nunca me apaixonar.
- Então, o que estamos tendo é o que pra você? Apenas sexo casual e nada mais?
- Sim.
- Sinto muito em te informar, Mabelle, eu não sou do tipo de homem que considera apenas sexo como um compromisso. Quando eu estou com alguém, quando me interesso de verdade por alguém, não quero que essa pessoa se sinta livre pra fazer o que quiser, como se estivesse solteira. Se você quiser ficar comigo, terá que ser apenas minha e tirar da sua cabeça a ideia de que sexo casual é uma forma de relacionamento
- E por que não é uma forma de relacionamento, Michael? Nós estamos nos relacionando, só que apenas na cama e não na frente de todo mundo.
- E onde está o sentimento nisso, Mabelle?
- Não é preciso de sentimento para se ter um relacionamento, Michael. Sentimos muito desejo um pelo outro, isso é o principal aqui. O resto é apenas resto.
- O amor é resto pra você, então?
- O amor entre um homem e uma mulher, que você quer dizer? - perguntei, vendo-o assentir. - Sim, pra mim é.
- Seus pais estão fazendo trinta anos de casado hoje... Acha que se vive ao lado de uma pessoa durante trinta anos, sem sentir amor por ela?
- Meus pais são um caso a parte. Eu acho que um homem e uma mulher podem se relacionar e se amar, mas o problema não é os outros e sim eu. Eu não acho que isso é uma coisa importante, eu fujo literalmente de relacionamentos, Michael, eu tenho pavor a esse tipo de coisa. - falei, expondo mais da minha vida do que eu realmente queria.
- Pavor ao amor? - ele perguntou e balançou a cabeça, parecendo chocado. - Nunca conheci uma mulher como você, Mabelle. Na verdade, acho que nunca conheci ninguém como você!
- Então, seja bem vindo a vida da estranha e fria Mabelle Phechínne. Esse é o apelido que Alfred me deu.
- O apelido dele não poderia estar mais certo... - ele soltou um suspiro resignado e eu ri. - Então... Se eu te pedisse em namoro agora, o que você faria?
- Recusaria, obviamente.
Ele revirou os olhos e sorriu de lado.
- Eu vou fazer você mudar de ideia, Mabelle.
- Vai? - perguntei, sorrindo pra ele. Era óbvio que ele não faria.
- Sim, eu vou fazer. E quando você estiver dizendo "sim" em frente ao Padre, eu vou olhar pra você e dizer um belo e grande "eu disse que você se apaixonaria por mim".
- Bem... Boa sorte então, Michael. Você vai precisar.







Capitulo 13 - Mabelle



Abri os olhos devagar, apenas sentindo uma respiração calma e lenta em meu pescoço. Sorri.
Já havia se passado quase duas semanas desde a festa de aniversário de casamento de meus pais e, bem... Eu já havia transado tantas vezes com Michael nesse meio tempo, que fazer as contas se tornava algo impossível.
Apesar de estar hospedado em um dos melhores hotéis de Paris, ele estava praticamente morando comigo. Isso fez com que eu me lembrasse das palavras de John Branca: "você colocou uma coleira nele, garota. Apenas estale o dedo e ele vai correndo pra você, abanando o rabinho." Era claro que Michael não havia gostado nem um pouco dessa citação de seu fiel amigo e advogado, mas com o passar dos dias, eu percebi que eles eram quase como Alfred e eu: poderiam bater boca, mas nunca, jamais, brigavam de verdade.
E por mais que Michael negasse que eu tivesse colocado uma "coleira" nele, a verdade era que... Ele também havia colocado uma "coleira" em mim. Em menos de uma semana, eu me vi completamente necessitada dele. Eu estava ofegante, cansada e dolorida por ter feito sexo com ele durante quase toda a tarde, mas ainda sim, eu o queria mais durante a noite e durante a madrugada... E, querendo ou não, eu estava descobrindo que não era apenas sexo.
Havia mais entre nós do que apenas todo esse desejo desacerbado, que me faz ficar molhada apenas pelo tom de sua voz. Havia sim, mas eu jamais admitiria. Jamais. Dei uma última olhada nele, seus olhos fechados um pouco iluminados pela lua que brilhava no alto da madrugada e sai de seus braços. Catei do chão, uma de suas cuecas e a vesti, saindo do quarto. Segui pelo corredor e entrei no meu canto favorito, onde meu piano de cauda branco brilhava no centro da sala.
Depois de ligar as luzes, me sentei e comecei a dedilhar algumas notas, encontrando alguma música para tocar, apenas para sentir a noite passar. Quando terminei, abri os olhos e senti a presença dele ali. Eu nem precisava me virar para saber que Michael estava ali, apenas me observando.
- Me desculpe, mon ange... Não queria acordar você. - murmurei, me virando um pouco de lado para poder enxergá-lo.
Ele vestia sua calça preta, com o botão desabotoado. Estava parado no batente da porta, me observando.
- Venha aqui, Mike. - falei, batendo no lugar ao meu lado. - Eu não mordo, a não ser que você queira.
Ele riu e se aproximou, sentando-se ao meu lado. Nos viramos para as teclas do piano e ele passou o braço pelo meu pescoço, me puxando para o seu peito.
- Você estava muito sexy, tocando o piano com seus cabelos ruivos caídos nas costas, e claro, usando a minha cueca. Você realmente gosta delas, não é? - ele perguntou em um tom divertido.
- Sim... Eu gosto de usar o que abriga tão gentilmente a minha maior felicidade. - falei, passando a mão de leve sobre meu membro, que estava semi-ereto.
- Porra, Mabelle. - ele riu, passando a mão pelos cabelos. - Assim parece que você só liga para o que eu carrego no meio das pernas.
- Ah, agora você está comportado? - perguntei, levantando minha cabeça para olhar pra ele. - Há duas atrás, você estava falando de um jeito diferente. Como era mesmo, hm... - fiz uma pequena pausa, como se estivesse tentando me lembrar. Ele arqueou uma sobrancelha e me olhou, com um sorriso no canto dos lábios. - Ah sim, você dizia: "vamos, baby... Eu quero sentir meu pau nessa bucetinha apertada, me suga pra dentro de você, Mabelle, vamos!". Acho que era algo parecido com isso...
Ele riu e balançou a cabeça.
- Quer saber uma coisa? Eu nunca falei essas coisas pra ninguém.
- Nunca?
- Nunca. Só pra você. Na verdade, eu achava esse tipo de palavreado muito... Escroto, para um ato sexual. Mas com você, eu apenas sinto a necessidade falar essas coisas. E você gosta, eu sei que gosta, porque toda vez que eu falo, você suga meu pau pra dentro de você. - ele aproximou seu rosto do meu e passou seu nariz levemente pela minha bochecha. - E quando você goza pra mim, é como se o mundo fosse realmente se abrir abaixo dos meus pés. Eu perco minha cabeça e meto fundo e rápido, querendo te sentir mais, querendo ir até o último suspiro.
- E você faz isso. Ás vezes, quando estou gozando pra você, Michael, eu vou e gozo mais uma vez. - admiti em um tom baixo. - O que você faz comigo, nenhum homem conseguiu até então.
- Isso quer dizer que... Você está se apaixonando por mim? - seus lábios desceram pelo meu pescoço, e sua língua lambeu minha pele sensível.
- Não, Michael. Eu não estou me apaixonando por você e nem irei me apaixonar por você.
Ele riu baixinho e se afastou para me olhar nos olhos.
- Mas isso é só uma questão de tempo, mon cher... - ele disse e se virou pra frente, passando os dedos levemente por cima dos teclados do piano. - Por que piano, Mabelle?
- Que mudança drástica, baby. - falei, sorrindo de leve. - Porque é um instrumento que me conquistou desde quando ouvi sua primeira nota. Eu me lembro muito bem do dia em que meu pai colocou se sentou ao piano e tocou "Ballade pour Adeline". Eu me apaixonei desde então.
- Você tinha quantos anos?
- Tinha sete anos.
- Você só escutou seu pai tocar piano quando tinha sete anos? Por que ele nunca tocou pra você antes?
Campo perigoso, Michael. É melhor não seguirmos por esse caminho.
- Na verdade, ele já tinha tocado antes, mas apenas com essa idade eu entendi o que aquilo significava. Considero a primeira vez, porque foi quando eu prestei realmente a atenção naquilo.
- Entendo. - ele arqueou uma sobrancelha e olhou pra mim. - E sobre o tal do Rei do Pop? Você sabe tocar algo dele?
- Rei do Pop? Hm... Talvez eu saiba tocar algo dele sim... O que quer ouvir dele?
- Deixe-me pensar... - ele colocou dois dedos sobre o queixo e ficou alguns segundos em silêncio. - Quero ouvir The Way You Make Me Feel.
Assenti e me ajeitei sobre o piano. Eu sempre admirei o trabalho de Michael, não era uma fã assídua, mas sabia suas músicas e sabia muito bem como tocá-la. Em uma época onde ele era o centro das atenções, um músico era praticamente obrigado a saber tocar cada música dele e eu sabia. Comecei a dedilhar as notas no piano, sentindo a música fluir entre nós. De soslaio, eu o via mexer a cabeça e estalar os dedos, acompanhando o ritmo. 



 Quando estávamos há alguns segundos para começar o refrão, Michael tirou meu cabelo do meu pescoço e se aproximou, começando a sussurrar em meu ouvido:
The way you make me feel... You really turn me on... You knock me off of my feet... My lonely days are gone.
No final, ele mordeu o lóbulo da minha orelha e a deixou escorregar entre seus dentes. Senti minha respiração falhar e meus mamilos ficarem duros e pesados pela corrente elétrica de excitação que passou pelo meu corpo. Ele continuou a cantarolar a música em meu ouvido, passando as mãos pelo meu corpo. Quando seu dedo passou pela linha da minha coluna, chegando a minha bunda, um arrepio passou por todo o meu corpo, me fazendo errar a nota miseravelmente.
- Você está me desconcentrando... - murmurei, sentindo seus lábios em meu pescoço.
- Desculpa, anjo, mas você está praticamente nua em frente a um piano, tocando uma música minha... Não tem como ficar indiferente a isso.
- Estou percebendo. - falei, sorrindo de leve.
Ele deu mais um beijo no meu pescoço e em um movimento rápido, me pegou pela cintura e me colocou sentada sobre as teclas do piano. O som alto produzido pelo instrumento preencheu toda a sala, enquanto ele abaixava a calça e ficava nu diante de mim. Seu pênis estava grande e ereto, a cabeça molhada chegava em seu umbigo.
- Esse é o jeito que você me faz sentir, baby... Você me queima por dentro e por fora, Mabelle, domina minha mente e eu não consigo responder pelos meus próprios atos.
Tomei seu membro em minhas mãos e o empunhei de leve, sentindo-o ficar ainda mais enrijecido. Ele mordeu o lábio e um grunhido baixo saiu do fundo de sua garganta, enquanto ele puxou sua cueca para baixo, me deixando nua. Eu mal cabia onde ele havia me colocado, mas mesmo assim ele abriu minhas pernas e me segurou ali pela cintura, o som das teclas do piano ecoando pela sala no mínimo movimento que eu fizesse.
- Eu quero você aqui em cima, Mabelle. Toda a vez que você vê esse piano, você vai molhar essa bucetinha, lembrando do que fizemos aqui. - ele disse, passeando com a cabeça do membro pela minha entrada. - Vamos gozar bem gostoso sobre as teclas desse piano, mon ange. E vai ser fantástico.
- Eu sei que vai, tudo o que você faz é fantástico, Mike. - murmurei, sentindo-o colocar a cabeça do membro dentro de mim. - Mais rápido, Mike.
- Por que está com presa, amor?
- Porque você me enlouquece... Não me tortura, por favor!
O som da sua risada se misturou ao som do meu gemido, quando ele meteu rapidamente até o fundo e começou a ir cada vez mais rápido. As teclas do piano liberava suas notas confusas, enquanto eu sentia o prazer rápido tomar conta de todo o meu corpo, como se uma corrente elétrica comandasse a parte baixa do meu corpo.
- Você é tão gostosa, Mabelle... Não quero sair de dentro de você! - ele rugiu no meu ouvido, rebolando dentro de mim. Um gemido alto escapou por meus lábios ao sentir seu membro rodear meu centro apertado. - Você gosta assim?
- Eu gosto de todos os jeitos, Michael!
- Então goza pra mim...
Ele rebolou mais rápido e meteu até o fundo, fazendo meu interior se apertar e explodir em um orgasmo gostoso. Ele mordeu o lóbulo da minha orelha e saiu de dentro de mim, começando a empunhar o membro. Eu tomei seu pênis em minha mão e o toquei rapidamente, fazendo-o gozar em minha perna.
Um sorriso tomou conta de nossos lábios, enquanto nos olhávamos totalmente ofegantes.
- É, garota... Eu realmente estou louco por você. - ele murmurou, tomando meus lábios em um beijo.
É, Mike... Acho que estou começando a ficar louca por você. Admiti em meus pensamentos, enquanto o beijava com mais fervor.




Capitulo 14 - Mabelle


- Que bom que chegaram, meus queridos! O almoço já está quase sendo servido, pensei que iriam se atrasar! - minha mãe saudou Michael e eu, quando chegamos em sua casa.
Minha vó sorriu e se levantou.
- Como é bom vê-la de novo, querida. - ela me abraçou. - E a você também, Michael.
Eles se abraçaram e eu observei aquela cena com uma pontada de felicidade em meu coração. Era bom vê que minha família gostava do cara que estava lutando para fazer com que eu me apaixonasse por ele. Caso algum dia isso venha a acontecer - coisa que acho pouco provável - eu sei que a aprovação deles eu já tenho.
- Mabelle, venha aqui comigo, querida, eu preciso te amostrar o presente lindo que seu pai me deu!
- De casamento, mamãe? Você me falou tantas vezes desse presente, que eu realmente fiquei curiosa.
- Isso mesmo. Você nos da licença, Michael?
- Claro, Annemarie. - ele sorriu de leve.
- Já volto, mon ange. - murmurei, beijando seus lábios com carinho, logo seguindo a minha mãe.

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- Você faz tão bem a ela, Michael. - Abígail disse, quando se viu totalmente sozinha com Michael na sala de visitas.
Michael sorriu de lado e se sentou na poltrona em frente a ela.
- Ela também me faz muito bem, Abígail. Apesar de ás vezes ser rebelde e teimosa... - ele riu baixinho junto a ela.
- Mabelle não é uma pessoa fácil de se lidar, por isso fiquei tão contente por vê que vocês dois estão... Juntos, até hoje. Parece pouco tempo, mas Mabelle jamais ficou com alguém por quase três semanas. - ela disse, fazendo uma pausa quando a empregada entrou com dois copos de suco de laranja. Quando a serviçal saiu, ela tomou um gole de seu suco e olhou com atenção para Michael. - Você gosta dela, não é mesmo?
Michael terminou de bebericar um gole do suco e olhou para a senhora a sua frente, sabendo que ela tinha experiência de sobra para enxergar os sentimentos dele pela neta.
- Sim, eu gosto muito dela. E apesar de Mabelle ter me dito que jamais se apaixonará, eu estou lutando com unhas e dentes para fazer com que ela também goste de mim.
- Ela já gosta, querido, mas peço que tenha paciência com ela. - Abígail colocou o copo em cima da mesa e olhou atentamente para Michael. - Você pode fazer um favor pra mim? Feche aquela porta, tenho um assunto muito sério pra tratar com você.
Michael franziu o cenho e assentiu, se levantando. Foi até o começo da grande sala de visitas e fechou as portas duplas, logo voltando para seu lugar. Aquela altura, o nervosismo já tomava conta dele, juntamente com a curiosidade.
- Michael, eu confio muito em você. Uma velha avó sabe quando sua neta encontra o cara certo e eu sei que você é o homem certo para Mabelle, por isso, o que irei lhe contar aqui é de suma importância. Estou confiando de que você não vai deixar essa história sair dessa sala, tudo bem?
- Claro, Abígail. Mas eu não estou entendo... Por que tanto mistério?
- Você já deve ter percebido que Mabelle não têm quase características físicas nenhuma com a minha, ou a de Annemarie e François, não é mesmo?
Michael assentiu um pouco tímido. Essa foi a primeira coisa que ele percebeu assim que conheceu a família de Mabelle. François tinha os cabelos pretos e olhos azuis. Annemarie e Abígail eram loiras de olhos intensamente verdes. Enquanto Mabelle era totalmente ruiva e tinha olhos castanhos claros. Ele achou estranho tudo isso, mas achou que não seria de bom tom perguntar a Mabelle o porquê de tamanha diferença e apenas deixou o assunto de lado, esquecendo-se dele logo em seguida.
- Sim, eu percebi. - ele murmurou.
- Mabelle não é filha de sangue de Annemarie e François, Michael.
- Eu desconfiei disso quando conheci vocês, mas não me senti a vontade em perguntar isso a Mabelle. Nos conhecemos a pouco tempo para eu perguntar algo tão pessoal assim. Eles a adotaram quando ela ainda era um bebê?
- Quem nos dera, Michael. Infelizmente, não. - ela disse, ficando com o olhar um pouco distante. - Annemarie e eu encontramos Mabelle na beira de uma das estradas daqui de Paris, na parte mais pobre da cidade. Nós duas sempre fizemos doações para pessoas carentes e foi em uma dessas visitas que a encontramos. Eu me lembro que chovia muito e ela estava sentando na beira da estrada, usando apenas um vestidinho surrado. Ela tinha sete anos de idade.
Michael engoliu em seco, sem conseguir impedir sua mente de começar a imaginar uma menininha frágil e sozinha, no meio da chuva.
- Nós paramos o carro e a pegamos. Ela tremia de frio e nós conseguimos aquecê-la um pouco. Ela era muito desconfiada e esperta, olhava tudo, mas não respondia nenhuma de nossas perguntas. Nossa intenção era fazê-la nos contar onde ela morava ou porque de ela está na rua, mas ela não falava uma só palavra. A trouxemos para cá e a secamos, a primeira coisa que ela nos disse é que estava com muita fome. - ela soltou uma risadinha de lamento pela lembrança. - Fizemos uma sopa pra ela, e enquanto ela comia, voltamos a perguntar o porquê de ela estar na rua. Ela nos disse que a mãe dela a havia expulsado de casa.
- Deus... Por causa de que? - ele perguntou, ficando horrorizado com a história.
- Porque... O padastro de Mabelle a violentava sexualmente. Ele começou a fazer isso quando ela tinha cinco anos de idade. - ela falou, vendo a expressão de Michael endurecer. - Ele a ameaçava, falava que se ela contasse aquilo para alguém, ele a mataria e mataria a mãe dela. Mas teve uma hora que ela não aguentou mais e contou para a mãe. Aquela mulher, com certeza ela não pode ser chamada de mãe, não acreditou em Mabelle e bateu nela, falando que, na verdade, era Mabelle quem estava dando em cima do marido safado que ela havia colocado dentro de casa! - ela riu sem humor, com a expressão tão dura quanto a de Michael. - Logo depois, ela mandou Mabelle ir embora.
Michael fechou as mãos em punho, com a imagem de um homem adulto violentando Mabelle, uma menininha ruiva e indefesa. Sua vontade era de acabar com ele, de xingar e extravasar toda aquela ira, mas ele se conteve em respeito a Abígail.
- Eu estou te contando tudo isso, Michael, para que saiba que Mabelle é uma mulher difícil de lidar e de se entender, mas ela é assim por causa de tudo o que passou em sua infância. Nós a adotamos e cuidamos dela, mas ela nunca foi uma garota normal. Ela confia em nós, mas é difícil ela fazer o mesmo com uma pessoa desconhecida. Ela gosta de você, mas ela não quer se apaixonar por medo. Por isso, eu lhe peço uma coisa, meu querido, - ela se aproximou dele e segurou em suas mãos. - não desista da minha neta. Eu sei que você gosta dela de verdade e enxergo em você, a chance de Mabelle ser feliz de verdade.
- Eu não vou desistir dela, Abígail. - ele disse, segurando as mãos dela. - Agora eu entendo o porquê dela ser fria e não falar de sentimentos, é como se fosse uma... Armadura, para tudo o que aconteceu antes. - ele balançou a cabeça. - Muito obrigado por compartilhar isso comigo. Vou lutar até o fim para que Mabelle veja que ela pode ser feliz ao meu lado.
- Eu sei que sim, querido, por isso confio em você. E eu que tenho que agradecer a você por fazer Mabelle sorrir mais. Desde quando você apareceu, ela é só felicidade. - ela sorriu. - Tenho certeza que dará tudo certo para vocês dois.
- Eu espero que sim, Abígail...
Michael murmurou, pensando em apenas uma coisa: como Mabelle iria reagir, quando descobrisse que ele já sabia de tudo aquilo.



Capitulo 15 - Mabelle


O almoço na casa de meus pais fora bom, mas ao mesmo tempo fora estranho. Apesar da conversa na mesa está agradável, Michael por vezes ficava distante, sempre com a cabeça longe, algo bastante estranho, já que ele estava se sentindo bem entre a minha família.
Quando voltamos para casa, ele disse que iria direto para o hotel onde estava hospedado. Outra coisa estranha. Ele estava pagando hotel por bobeira, ficava mais na minha casa do que lá e tinha me dito que iria fechar a conta do hotel e ficar de uma vez por todas na minha casa, morando comigo enquanto ficasse na França.
Tentei convencê-lo de ir para minha casa, mas foi completamente em vão. Ele disse apenas que queria ir para o hotel que viria até a mim no dia seguinte. Eu o deixei ir, mas agora, as duas e meia da manhã, o lado esquerdo da minha cama estava totalmente frio sem a presença dele. Minha casa estava sem cor sem a presença dele.
O sono não vinha, e minha mente já havia pensando em mil e um motivos para Michael colocar aquela distância toda entre nós. Quando fomos para casa de meus pais, ele estava bem, alegre e risonho, mas depois da conversa com a minha vó, ele ficou completamente estranho.
Havia acontecido alguma coisa enquanto eles estavam sozinhos, eu iria descobrir o que era. Com uma determinação estranha, me levantei da cama e peguei um sobretudo e um sapato de salto alto de dentro do meu closet. Estava totalmente sem paciência para me arrumar, então, vesti o sobretudo preto e calcei os sapatos, saindo do quarto logo em seguida.
As estradas estavam calmas naquela madrugada, e cheguei ao hotel meia hora depois. Felizmente, Michael já havia deixado avisado que eu tinha entrada liberada até o seu andar e em menos de poucos minutos eu estava parada na porta do quarto dele, me sentindo um pouco indecisa sobre perturbá-lo àquela hora ou não. Mas uma coisa era certa: eu não poderia continuar com aquela dúvida imensa dentro da minha cabeça.
Respirando fundo, levantei a mão e apertei a campainha duas vezes. Passaram-se apenas alguns segundos, até que ouvi passos se aproximando da porta e a maçaneta girando. Michael estava vestido com uma calça de moletom e uma blusa de meia manga branca. Ele pareceu um pouco surpreso ao me ver, mas antes que ele falasse alguma coisa, entrei em sua suíte e esperei ele trancar a porta e se virar pra olhar pra mim.
- Vamos lá, Michael, seja franco comigo e responda: o que foi que a minha vó falou pra você?
Ele pareceu ficar ainda mais surpreso e franziu o cenho, me olhando.
- Falou pra mim? Como assim, Mabelle, não estou entendendo...
- Não se faça de desentendido, Michael. Eu te fiz uma pergunta e quero que me responda, algo bastante fácil, que não requer uma inteligência rara ou algo do tipo. - falei em tom irônico, cruzando os braços.
Michael suspirou e passou as mãos pela cabeça, parecendo um pouco indeciso sobre o que iria dizer.
- Ela me contou tudo, Mabelle.
- Tudo o que?
- Tudo. Sobre você ser adotada, sobre o modo como você foi encontrada por ela e Annemarie, sobre o que aquele infeliz fez com você... Eu sinto muito, Mabelle.
Naquele momento eu apenas olhei pra ele sem ter o que dizer. Era como se o nosso mundo perfeito tivesse desmoronado. Eu me sentia invadida e exposta diante dele.
- Então foi por isso que você ficou tão distante durante todo o almoço? - perguntei, vendo-o assentir. Engoli em seco e percebi que eu não tinha mais nada para fazer ali. - Eu posso entender você, Michael, o nojo e a repulsa que esta sentindo de mim agora... Eu posso entender. - murmurei, obrigando a minha voz a sair controlada. - Eu vou embora agora, já descobri o que queria e sei que tudo esta terminado entre nós.
Ele me olhou de forma confusa, mas eu apenas obriguei minhas pernas a cooperarem e comecei a andar em direção a porta. Quando toquei a maçaneta, sua mão em meu ombro me deteu.
- Sobre o que está falando, Mabelle? Nós não terminamos. De onde tirou essa ideia de que eu tenho nojo de você?
- É obvio que tem, Michael! Até eu tenho! - falei, me virando pra ele. - Acha que é fácil, crescer sabendo que você sempre vai ser... Suja por dentro, por causa de um idiota nojento? Eu sinto repulsa de mim mesma, você com certeza deve sentir isso por mim agora e eu não o culpo por isso.
- Por Deus, Mabelle, é claro que não! É claro que eu não sinto isso! - ele pegou minha mão e me puxou, fazendo com que eu sentasse no sofá que estava disposto na sala de estar da suíte. Puxando uma cadeira, ele se sentou na minha frente, olhando em meus olhos. - Eu jamais conseguiria sentir nojo de você. Tudo o que aconteceu no passado não foi culpa sua, é dele que eu sinto nojo e não de você.
- Ah é mesmo? Então por quê você não quis me tocar hoje? Nem me beijar? - balancei a cabeça, tentando fazer com que minhas lágrimas não descessem. - Isso sou eu, Michael. Uma mulher que tem um passado negro e nunca vai conseguir dar um passo a frente, sem que dê dois passos para trás. Eu tento impedir toda essa lembrança, tento esquecer de tudo e viver como uma pessoa normal, mas eu nunca vou conseguir. Porque Georgio e Reneé destruíram a minha vida.
Meu coração pulou e as lagrimas desceram quando a lembrança dos dois monstros que sempre me assombram, ressurgiram em minha mente. Michael saiu da cadeira e se sentou ao meu lado, me puxando para o seu peito e me abraçando com força. Eu me senti segura ali, mas sabia que nada em nossa relação seria como antes, porque na minha mente só existia apenas uma explicação para ele está fazendo aquilo: pena.
- Você não precisa me abraçar por solidariedade, Michael. Eu odeio que sintam pena de mim. - murmurei em meio ao choro, me desencostando dele.
- E quem disse que eu estou te abraçando porquê sinto pena, Mabelle? Não é nada disso... - ele murmurou em meu ouvido, dando um beijo em minha testa. - Estou te abraçando porque é isso que nós dois precisamos agora. Eu preciso te proteger e você precisa ser protegida.
Assenti de leve, sentindo toda a merda da minha infância estúpida, disparar como um raio em minha mente.
- Quando ele me tocou pela primeira vez... Eu pensei que ele estava brincando. Georgio era um cara legal no começo, ele me tratava bem, mas depois, quando ele começou a passar a mão pelo meu corpo e colocar a mão dentro da minha calcinha, eu percebi o que ele estava fazendo.
Senti o corpo de Michael ficar rígido e seu braço me prender com um pouco mais de força. Seu maxilar tenso em minha cabeça me mostrou que ele estava sentindo raiva naquele momento.
- Você não precisa contar isso se não quiser, Mabelle.
- Eu quero contar. É melhor jogar a merda no ventilador de uma só vez. - murmurei, soltando um risinho sem humor. - Eu não consigo me lembrar de tudo, mas sei que eu sentia muita, muita dor. Eu pensava que ia morrer. - falei baixinho, sentindo a dor dessas lembranças acabarem com meu muro construído firmemente para não chorar por tudo aquilo. As lágrimas descendo em abundância pelo meu rosto, depois de muito tempo. - Eu queria contar para alguém, queria fazer com que todos soubessem, mas ele nunca deixava.
"Sempre me ameaçava falando que mataria minha... Falando que mataria Reneé. Eu amava tanto aquela vadia! E foi por causa dela que eu sofri tudo isso durante dois anos inteiros, para no final... Ela me bater e me expulsar de casa. Ou seja, toda aquela merda não valeu de nada, só serviu para acabar com a minha vida! - falei, me levantando e começando a andar de um lado para o outro."
Michael apenas me olhava, entendendo que aquele era o momento em que apenas eu tinha que falar. Eu andei mais um pouco a sua frente parei pra ele, me sentindo totalmente exposta e vulnerável depois de ter revelado tudo aquilo.
- Eles acabaram com tudo de bom que havia em mim. Eu tento ser normal, tento me relacionar, mas sempre desconfio. Meus pais e minha avó sabem o quanto foi difícil pra mim confiar neles. Elas sabem o quanto foi difícil para mim, na adolescência, ser sempre o alvo das atenções na escola, por ser bonita e rica, mas não conseguir me divertir de verdade. Eu sei o quanto é difícil ver você se apaixonando por mim e... Não me permitir fazer o mesmo por você. - murmurei baixinho no final, passando os braços ao redor de mim mesma em meio as lágrimas.
Michael se levantou e andou até a mim, me abraçando com força. Eu agarrei a sua cintura, sentindo todo os tipos de sentimentos bons que só ele me fazia sentir. Ele sabia o quanto era doloroso para mim estar dizendo todas essas coisas, até porque, eu nunca me abri para ninguém. Não do jeito que eu acabei de fazer para ele.
- Eu entendo você, meu anjo, eu entendo... - ele falou baixinho no meu ouvido. - Mas eu quero que saiba de uma coisa: você não precisa ter medo. Eu não vou fugir só porque eu sei de tudo o que você passou, também não vou sentir pena de você, eu só vou... Amar você, Mabelle. Porque é isso que eu sinto. Eu amo você.
Senti meu coração falhar uma batida em meio a sua declaração. Provavelmente, essa era hora em que eu fugiria, simplesmente por não querer o amor de homem algum, mas eu jamais faria isso com Michael, eu ao menos sentia vontade de fugir. A Mabelle fria e rude que eu fiz crescer dentro de mim, estava dando lugar a uma Mabelle que necessitava do amor daquele homem, e que precisava amá-lo da mesma forma, mesmo tendo um medo terrível desse sentimento.
Capitulo 16 - Mabelle


Sabendo que eu não poderia responder com um outro "eu te amo", Michael levantou meu queixo gentilmente com a ponta dos dedos e olhou profundamente em meus olhos, antes de começar a beijar meu rosto, limpando minhas lágrimas com seus lábios macios. Quando terminou, ele beijou a ponta do meu nariz e desceu até encontrar minha boca.
Não havia pressa em seu beijo, muito pelo contrário. Explorávamos a boca um do outro com desejo, mas também havia uma calma que nunca tivemos. Sempre fomos ágeis e tenho certeza que se fosse antes, já estaríamos nus, com ele dentro de mim, se movendo rapidamente e de forma totalmente dura.
Com delicadeza, ele puxou o laço do meu sobretudo, passando as mãos pelos meus ombros e o tirando de mim. Eu vestia apenas uma camisola curta e que mal tampava nada, ele sorriu de leve, antes de me pegar no colo e me beijar durante todo o caminho até a cama. Quando senti o colchão em minhas costas e me acomodei, o puxei para cima de mim, sentindo suas mãos levantarem e tirarem totalmente a camisola de seda que me vestia.
Também tirei sua roupa calmamente, e quando estávamos totalmente nus, ele me olhou e se deitou ao meu lado.
- Sente-se aqui. - murmurou, apontando para sua boca.
Aquilo me fez sorrir. Por um momento, eu pensei que ele me trataria como uma boneca de porcelana, mas ele não fez isso. Michael continuava a ser o mesmo devasso, mesmo que a nossa noite exigisse a estranha delicadeza que eu nunca me permiti sentir durante o sexo.
Me acomodei no lugar onde ele pediu, um joelho de cada lado de sua cabeça. Ele beijou o interior de minhas pernas e acariciou minha cintura, me puxando delicadamente para baixo, até que sua boca cobrisse totalmente a minha intimidade molhada por ele. Sua língua ágil se moveu para cima e para baixo, e um gemido de satisfação escapou de minha garganta, quando o prazer que apenas ele sabia me dar, atravessou todo o meu corpo.
Apoiei minhas mãos na cabeceira da cama e me movi de leve, sentindo seus lábios entreabertos passearem por toda a minha intimidade, de cima a baixo. Eu continuaria assim pelo resto da vida, mas ele não permitiu. Segurando firmemente em minha cintura, Michael começou a penetrar sua língua em mim, me impulsionando para cima e para baixo, até que eu peguei o ritmo sozinha. Sua língua estava transando comigo naquele momento, a cada impulso meu, ele entrava e saia, me fazendo gritar pelo prazer.
Mesmo que a penetração não fosse funda, o estímulo interno era gigantesco. Quando ele usou seu dedo para tocar em meu clitóris, eu senti meu interior apertar sua língua, enquanto meu corpo parecia que ia se quebrar em dois. O orgasmo me atingiu de forma totalmente intensa, me fazendo ofegar e gritar o seu nome em alto e bom som, enquanto meu líquido fluía em sua boca.
Ainda me segurando pela cintura, Michael fez com que eu me afastasse minimamente, apenas para ele se sentar na cama e se acomodar abaixo de mim. Agora nossas cinturas estavam bastante próximas, seu pênis totalmente ereto no meio de nós dois.
- Você é a coisa mais gostosa que eu já tive a oportunidade de provar, Mabelle. - ele murmurou com a voz rouca de desejo. Olhando entre nós, ele pegou seu membro e se tocou de leve. - Olha como você me deseja. Eu me senti mais duro a partir do momento em que você gozou pra mim. O seu prazer é o meu prazer, sempre será assim.
- O seu prazer também é o meu prazer, Michael. - falei no mesmo tom que ele, tomando seu membro em minhas mãos e sentindo a glande molhar a palma da minha mão. - E nesse momento eu quero apenas que você entre em mim e me ame do jeito que só você sabe fazer.
Ele sorriu de leve e me puxou pela nuca, para me beijar. Aproveitando a nossa posição, eu me levantei um pouco e posicionei seu membro em minha entrada, sentindo-o entrar até a metade. Eu ainda estava sensível por conta de meu último orgasmo e "ele", sendo grande demais pra mim, me deixava perdida. Michael riu e acariciou minha cintura, beijando meu pescoço.
- Me deixe entrar... Relaxe e me deixe ir até o fundo.
- Eu estou sensível... Deus, você está pulsando dentro de mim. - gemi, sentindo sua glande ficar ainda maior lá dentro.
- Sim, eu sei... - ele gemeu, colocando a mão entre nós e tocando rapidamente a metade do seu membro que estava fora de mim. Seus gemidos entravam em meu ouvido, enquanto eu me segurava em seus ombros e sentia seu pênis pulsar cada vez mais em meu interior, fazendo o prazer se espalhar por toda a parte baixa do meu corpo. - Eu vou gozar, baby... Uma única vez e você vai estar totalmente molhada para que eu possa ir até o fundo. - ele gemeu em uma voz rouca.
Ah... Que homem inteligente eu fui arrumar. Pensei, sentindo um jato quente de sêmen me atingir lá no fundo. Seu líquido me fez escorregar por todo ele e quando eu fui até o fundo, Michael e eu gememos juntos. Agora que estávamos escorregadios, os movimentos ficaram mais intensos.
Michael me ajudou a subir e descer em cima dele, seu membro sempre atingindo aquele nervo dentro de mim, que espalhava o prazer por todo o meu corpo. Estávamos tão concentrados um no outro, em nossos beijos e no prazer que partilhávamos, que meu orgasmo me pegou totalmente de surpresa, me fazendo arranhar o seus ombros e parar de beijá-lo abruptamente, para gemer seu nome em um grito de prazer.
Um minuto depois e eu já estava pronta para me mover novamente sobre ele, sentia a seu pênis ficar ainda maior dentro de mim e pulsar rapidamente, me avisando que agora ele esqueceria de seu autocontrole e gozaria sem pretendentes dentro de mim. Me movi mais rápido, sentindo seus lábios em meus seios, puxando meus bicos um de cada vez, meu orgasmos se formando novamente.
- Isso mesmo, meu anjo... Goze comigo agora, vamos! - ele mandou, puxando minha cintura para baixo e se enterrando lá no fundo.
Gozamos juntos nesse exato momento, nossos líquidos se misturando, enquanto nos beijávamos e gemíamos na boca um do outro. Quando o torpor passou, Michael sorriu para mim e puxou um lenço de papel de dentro da gaveta do criado-mudo que ficava ao lado da cama. Delicadamente, ele saiu de dentro de mim e limpou do excesso de nossos líquidos que começou a escorrer de dentro de mim, me fazendo ter a noção de que, talvez, essa tenha sido a noite mais intensa que já tivemos.
Nos deitamos lado a lado e eu me aproximei mais dele, beijando os seus lábios, antes de esconder meu rosto em seu pescoço. Ele entrelaçou seu corpo no meu e beijou meus cabelos, enquanto eu sentia o sono começar a tomar conta de mim.
- Eu realmente amo você, meu anjo rebelde.
Essa foi a última coisa que eu escutei, antes de cair em sono profundo.



Capitulo 17


Um mês depois.

- Então quer dizer que agora você tem as porras das bolas encolhidas, Michael? - Branca perguntou, dando um gole em seu vinho ao olhar para Michael e vê-lo cair em uma gargalhada. - O que foi? Apenas falei a verdade aqui, senhor Rei do Pop.
- Realmente, foi uma reflexão bem diferente sobre o amor, Branca.
- Foi a verdade, Mike. Faça uma música sobre isso, sinta a melodia: "E então ela pegou minhas bolas, apertou com força e me disse: agora esses seus testículos viraram uma vagina e quem manda nessa porra toda sou eu". - ele cantarolou.
- Porra, John, cala a boca! - Michael riu alto, colocando a mão sobre a barriga.
Estava precisando disso. Um momento sozinho com seu melhor amigo, para conversar sobre tudo o que estava passando com Mabelle. Sua ruiva francesa continuava linda e gostosa pra caralho, como ele mesmo falava em seus pensamentos, mas também continua irredutível. Mesmo agora, quando ele já sabia de todo o seu passado, ela continuava inflexível sobre se apaixonar por ele, enquanto ele... Já estava com as bolas totalmente encolhidas de amor por ela, como Branca mesmo disse.
- Agora é sério, Mike. A ruivinha também já está de quatro por você? - John perguntou, sabendo que tinha chegado a hora de deixar a boca suja de lado.
- Eu realmente não sei. - Michael murmurou, olhando o sol se pôr na sacada do quarto de John. Tinham uma vista maravilhosa da Torre Eiffel, com o sol deixando todo o céu dourado. - Tem horas que ela está totalmente a vontade enquanto falo sobre meus sentimentos, tem horas que ela se fecha totalmente, de um jeito tão estranho que eu sinto até receio de perturbá-la. Eu nunca tive problemas com isso, quer dizer, antes dela, as mulheres vinham até a mim dizendo que me amavam, mas ela? Porra, parece que isso nunca vai acontecer.
- Bem, pelo o que você me contou, tudo o que aconteceu com ela deixou marcas profundas, Michael. Talvez você só tenha que dar tempo ao tempo, você sabe. Esperar um pouco até que ela se acostume com a ideia de que tem um cara abanando o rabinho pra ela, esperando que ela se agache pra acariciar sua barriguinha maldita. - ele ri um pouco, tomando mais um gole de sua bebida.
Michael o acompanha, ficando em silêncio logo em seguida.
- Apesar de que eu querer que ela acaricie em outro lugar... - ele disse, rindo e tomando um gole de seu vinho também.
- O que? Vai me dizer que você está na seca com aquele pedaço de mulher dormindo do seu lado, Michael?
Michael riu alto, descansando sua taça vazia em cima da mesa. Se sentia um pouco alto por já está em sua segunda garrafa de vinho branco, mas estava leve ao lado do amigo.
- Existe algo chamado menstruação, cara. A dela acaba em dois dias. Mal posso esperar... - ele murmurou, sorrindo maliciosamente.
- É, isso é uma fodida boa-vinda para o mundo do relacionamento sério. Um homem tem que passar por isso todo o mês. - John disse, rindo um pouco mais.
Michael assentiu, olhando além do céu dourado da França. Seus pensamentos divagando entre um assunto divertido e outro completamente sério.
- E se ela nunca me amar, John? - ele perguntou em voz alta, seu coração dando um pulo em meio a aflição.
- Porra de pergunta, Mike. É claro que ela vai te amar, isso se ela já não te ama e não quer admitir. Eu não sou nenhum conhecedor da mente feminina, estou bem longe disso pra falar a verdade, mas mesmo que ela tenha tido uma infância fodida, é óbvio que o que vocês sentem um pelo outro vai crescer pra ela também. E ela vai se apaixonar e te amar, cara.
- Eu não tenho certeza... Nós estamos juntos a o que? Três meses? E eu estou aqui, de quatro por ela... E apesar dela demonstrar muito carinho, eu sinto que ela está bem longe de sentir amor por mim.
- E daí? Você vai desistir só porque ela ainda não disse as três palavrinhas mágicas? Não seja um bundão, Michael. Os papéis estão invertidos nesse seu relacionamento, entende a porra disso? Você parece a mulherzinha medrosa e apaixonada, e ela parece o bad boy que tem medo de uma relação séria. Mas, o que podemos fazer? Você é Michael Jackson, e nada na sua vida é normal. - John deu de ombros e riu.
- Eu sei, eu sei... - Michael divagou em voz alta. - Sabe aquele amigo dela, o tal do Roger?
- O filho da puta? - ele perguntou, vendo Michael assentir. - O que tem ele?
- Mabelle e eu brigamos semana passada por causa dele. - ele disse, podendo ouvir a discussão ainda estalando em sua cabeça. - Ele é um imbecil cínico, John e você sabe disso. Sabemos reconhecer quem quer entrar na porra da calcinha da nossa mulher, mas Mabelle não entende isso! Ela cisma que ele é apenas um amigo e que gosta dela como um amigo. - ele passou as mãos pelos cabelos, suspirando. - Eu perguntei a ela se eles já tinham transado.
- E o que ela disse?
- Disse que não. Disse que todos os caras com quem ela já transou, nunca passou apenas de uma noite e que ela jamais transaria com ele. Eu me senti mais aliviado com sua resposta, mas é óbvio que eu ainda sinto uma porra de um enorme ciúme daquele infeliz. E ele sabe disso, porque adora me provocar, mostrando que tem mais intimidade com Mabelle do que eu.
- Ah, isso eu posso apostar que ele não tem! Até porque, você é o dono do que ela tem no meio das pernas e não ele, porra! - John riu de leve. - Não esquenta, Michael. Apenas fique de olho. Uma hora ou outra ele vai falhar e Mabelle vai vê que ele não é o santo que ela pinta.
- Eu realmente espero que sim, John. Não quero brigar com ela, entende isso? Andamos em uma linha muito fina por conta de nossos sentimentos, e não quero afastá-la de mim.
- Você está certo, senhor eu-tenho-a-porra-das-minhas-bolas-encolhidas.
Michael riu, começando a gostar desse seu novo apelido, até porque, quando suas bolas realmente estavam encolhidas, significava que ele estava enterrado no calor molhado de Mabelle. Pôde sentir o membro se mover dentro da calça, o desejo reprimido por dias por conta das regras de sua francesa.
- Faltam apenas quarenta e oito horas, Michael. Não precisa ficar se remoendo aí, cara.
- Quarenta e oito horas, ok. Junte isso a mais quatro dias e você vai entender o que estou falando. - ele balançou a cabeça. - Mas enfim, como eu disse à avó de Mabelle, eu estou mais do que disposto a lutar pela minha francesa. Ela é uma coisa muito... Quente e rebelde para que eu possa me afastar.
- É, você tem uma inclinação para gostar de porras difíceis, Michael.
- Sim, eu tenho. Eu realmente tenho.
Michael encerrou a conversa com um sorriso confiante no rosto, sabendo que mesmo com todo o receio que tinha dentro de si, deixar de lutar pelo amor de Mabelle nem mesmo se tornava uma opção.
Capitulo 18 - Mabelle


Os acordes lentos do piano me tirou de um sono profundo. Por um momento, pensei que estava sonhando, mas logo vi que o som era de verdade, me obrigando a abrir os olhos e apurar mais meus sentidos. Olhei para o lado da minha cama, onde Michael deveria estar deitado, mas estava vázio.
Me levantei e assim que pisei no corredor, vi a sala de piano iluminada, o som ficando cada vez mais alto a cada passo que eu dava. Quando parei na porta, a visão que eu tive me fez arfar baixinho; Michael estava sentado em meu piano, usando apenas uma calça de moletom preta, os cabelos soltos, enquanto ele dedilhava uma canção, até então, desconhecida por mim.
- Speechless, speechless, that's how you make me feel...
Sua voz baixinha, quase um sussurro, adentrou meus ouvidos, fazendo meu coração inchar com um sentimento bom e enorme. Talvez fosse errado ficar ouvindo assim, acho que ele estava no meio de uma criação, mas minhas pernas não queriam se mover. E mesmo se quisessem, eu me obrigaria a ficar. Não era todo o dia que eu podia vê um homem como aquele sentado em meu piano, tocando a melodia mais bonita que eu já tinha ouvido.
-Though I'm with you, I am far away and nothing is for real...
Ele continuou e eu fiquei ali, parada como uma boba, decorando todas as notas em minha mente, para poder tocar essa música quando eu quisesse e me lembrar dele. Quando chegou ao final, eu bati palmas e ele se virou pra mim, um sorriso surpreso tomando conta de seus lábios.
- Eu não tinha te visto... Chegou a muito tempo?
- A tempo o suficiente para vê você tocar e cantar a música mais linda que eu já tive a oportunidade de ouvir. - murmurei, me aproximando dele e me sentando em seu colo. - É tão bonita, Michael. Foi você que fez?
Ele assentiu e entrelaçou sua mão na minha.
- Sim, eu a criei há alguns dias e resolvi tocá-la. - ele ainda olhava para nossas mãos juntas, quando falou: - Eu a escrevi pra você.
Senti meu coração dar um pulo surpreso com a sua revelação. Era realmente a música mais linda do mundo, mais romântica também, e por isso mesmo eu não entendia porque ela era para mim.
- Por que?
- A música não traduziu o suficiente? - ele perguntou, soltando uma risadinha e finalmente olhando pra mim. - Eu te amo tanto, Mabelle, que muitas vezes me sinto sem palavras para expressar isso. Eu sei que esse sentimento te assusta, sei que não está acostumada a estar tão perto de algo assim, porque você não se permiti a acreditar que alguém possa amar você, mas isso não me impede de realmente amar você.
Ele fez uma pausa e tirou sua mão da minha para acariciar meu rosto.
- Eu não quero que você se sinta pressionada a nada, eu não estou te cobrando nada, eu apenas precisava... Colocar tudo isso para fora de algum jeito. A música é o meu jeito de expressar tudo o que sinto.
- Uau... - murmurei, soltando o ar que nem sabia que estava prendendo. - Agora é eu que estou sem palavras, Michael.
- Você não precisa falar nada. - sussurrou, aproximando seu rosto do meu. Seus lábios começando a roçar os meus levemente, como uma pluma. - Não por enquanto, meu anjo rebelde. Só quero que você saiba que eu estou lutando, Mabelle... Estou lutando para que você me ame também. - sua voz vacilou no final, quase sumindo em meio aos meus lábios.
Eu deixei ele me beijar, me mostrar todo o seu amor por mim. Por Deus, eu sou tão impura e então o Senhor vem e coloca um anjo como Michael em minha vida. Um homem que sabe respeitar meus limites, que luta para derrubá-los, mas luta com amor. Onde alguém teria tanta paciência assim?
Eu o beijei com mais força, querendo mostrar a ele que eu também estava lutando. Que eu estava derrubando meus demônios, um a um, para poder falar em voz alta as quatro palavrinhas que ele tanto queria ouvir, que eu tanto queria expressar.
Para poder finalmente falar "eu te amo, Michael".

***


- Michael, você realmente precisa ir a essa tal reunião hoje? - perguntei, vendo-o terminar de abotoar a camisa.
- Preciso, baby. John operou um milagre, fazendo com que o pessoal de design viesse para a França. E eu tive que desembolsar um bom dinheiro para isso, é claro. - ele revirou os olhos. - Ou seja, realmente não da para adiar. Mas não se preocupe, meu anjo... - ele sorriu de lado e e se aproximou de mim, me agarrando pela cintura. - Vai ser uma coisa bem rápida e logo estarei aqui. Você estará naquela cama, nua e molhada embaixo de mim... - ele cheirou meu pescoço, me fazendo tremer em antecipação. - Isso mesmo, vai tremer exatamente desse jeito quando eu estiver dentro de você.
- Michael... - gemi de leve, e iria falar mais, mas sua boca cobriu a minha em um beijo sôfrego e cheio de luxúria.
Quando ele me soltou, uma risadinha safada escapou de seus lábios e ele foi em direção ao banheiro, me deixando tonta de desejo no meio do quarto. Mas assim que fiquei sozinha, um calafrio estranho passou pelo meu corpo. Eu tinha um mal pressentimento, algo dentro de mim falava que não era para Michael ir, me pedia para insistir para que ele ficasse, mas eu sabia que ele não ficaria.
- Estou pronto, me leva lá embaixo? - ele perguntou, saindo do banheiro.
Assenti e saímos juntos do quarto. Seu corpo atrás do meu, me fazendo rir com seus beijos em meu pescoço e seus sussurros em meus ouvidos. Quando chegamos ao pé da escada, ele me virou e me beijou, me encostando no corrimão. Podia sentir sua ereção crescente no ápice das minhas coxas, quando ele mordeu meu lábio inferior e o deixou escorregar pelos seus dentes.
- Hm... Tem mesmo certeza de que quer ir, depois desse beijo? - perguntei, sorrindo pra ele.
- Eu não quero ir, mas estou realmente muito tentado a te levar para o quarto e arrancar essa porra de vestido sexy que você está usando.
- Pena que não vai dar, porque Mabelle tem visitas!
Quando a voz de Roger adentrou por nossos ouvidos, Michael respirou fundo e bufou, antes de ranger os dentes. Me virei e encontrei meu amigo com os braços cruzados a frente do peito e uma sobrancelha arqueada, olhando para nós dois.
- Que falta de educação, Roger! Desde quando faz parte dos bons modos, interromper um casal em um momento intimo? - perguntei, fazendo toda a questão de colocar o desagrado em minha voz.
- Ora, Mabelle. É só dizer para o seu amigo colorido, que lugar de fazer essas coisas é dentro do quarto.
Michael riu e passou por mim, descendo os degraus. Soltei um suspiro e fui atrás dele, sabendo que ele estava com menos de um fio de paciência para com Roger.
- Amigo colorido? - Michael perguntou em meio a risada. - Estou bem longe de ser a porra de apenas um amigo colorido, Roger. E para o seu governo, onde Mabelle e eu transamos não é da sua conta. Ou talvez você queira saber? Bem, além do quarto, já transamos no sofá da sala, na cozinha, na porra da escada, no piano dela... E se eu fosse listar cada canto da casa, não terminaria hoje.
- Michael, está bem, não precisa disso... - murmurei, colocando a mão no ombro dele.
- Realmente não precisaria, Mabelle, se esse seu amiguinho não fosse tão abusado. - Michael disse, olhando para Roger. - Apenas saiba de uma coisa, Roger: eu estou de olho em você. Sei muito bem o que você quer, mas o que você quer já tem dono, e eu sou o dono. Mabelle é minha e ponto final.
Pude ver Roger cerrar os dentes, seu maxilar pulsando e pela primeira vez, comecei a suspeitar de que Michael realmente estivesse certo.
Antes que ele pudesse dizer algo, Michael me puxou e me beijou com devoção e só parou quando o ar faltou a nós. No final, ele sorriu com meu lábio inferior preso em seus dentes.
- Espere por mim, do jeitinho que eu te falei lá em cima. Volto antes das cinco, baby. Amo você.
Ele piscou para mim e passou direto por Roger, saindo de casa para ir para a sua reunião. Roger apenas me olhou e arqueou uma sobrancelha e nesse momento, eu soube: estava na hora de eu ter uma conversa bem séria com aquele homem que eu chamava de meu melhor amigo.
Capitulo 19 - Mabelle


Passei direto por ele e fui em direção a sala, sentindo sua presença atrás de mim. Me sentei no sofá e ele se sentou na poltrona da minha frente, e eu fiquei em silêncio, esperando que ele começasse a falar o motivo de ter vindo até a minha casa.
Mas ele simplesmente não falou nada, ficou apenas olhando para a minha cara como se eu fosse a pessoa que ele mais adorava no mundo. Algo estava errado.
- E então, Roger, eu vou precisar fazer um convite por escrito para que você possa começar a falar o que veio fazer aqui?
- Eu tenho uma simples pergunta... - ele murmurou, olhando diretamente para mim. - Por que ele, Mabelle?
- Como?
- Por que ele? Por que Michael Jackson e não eu?
- Sobre o que você está falando, Roger? - perguntei, sem entender.
Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro, passando a mão pela cabeça.
- Estou falando sobre algo muito simples aqui, Mabelle! Eu sempre fui seu amigo, sempre fui o cara que esteve do seu lado, nos momentos bons e ruins, suportando suas patadas, ficando feliz por cada avanço seu, e então, aparece esse... Cara e tira você de mim!
- Me tira de você? Você está louco, Roger? Eu nunca fui sua e nem de ninguém!
- Mas você ia ser minha! Eu só estava esperando o momento certo de contar tudo a você, sem que eu te assustasse...
- Contar tudo o que?
- Contar que eu amo você, Mabelle! Que eu sempre te amei, porra!
Eu suspirei e passei a mão por meus cabelos, me levantando. Quando Michael disse que me amava, eu me senti extremamente calma, mas Roger... Era algo que não dava para aceitar.
- Me ama? Você me ama? Ok, Roger! - falei, sentindo vontade de rir. - E quando foi que você descobriu isso?
- Eu sempre soube, sempre. Desde quando viramos amigos. Eu pensei que esse seu lance com Michael Jackson seria passageiro, sempre é passageiro com você, mas dessa vez... Você está com ele há três meses, Mabelle! Há três malditos meses!
- Três maravilhosos meses! Os melhores meses da minha vida, Roger. Eu nunca me senti tão livre, tão pura e feliz em toda a minha vida, então, lave a sua boca quando for falar sobre esse tempo, ou sobre Michael, ou sobre o que nós temos.
Ele me olhou por um momento, parecendo extremamente magoado. Ele era meu amigo e, droga, eu realmente gostava muito dele, queria muito abraçá-lo naquele momento, faria isso se eu fosse uma mulher que recorre a contato físico fraternal, mas eu não era.
- Eu sinto muito, realmente sinto muito. O que sinto por Michael, é... - eu fiz uma pausa, engolindo aquela palavra que subiu e se alojou em minha garganta. - É muito mais do que já senti por alguém. Algo que eu nunca mais sentirei por homem nenhum. Você é um homem lindo, realmente maravilhoso, e eu tenho certeza que logo encontrará uma mulher para te fazer feliz. Essa mulher não sou eu, Roger.
Eu pude escutar um gemido de dor sendo sufocado em seus lábios, seu pomo de Adão subindo e descendo em um engulo seco. Pensei que ele iria falar mais alguma coisa, me atacar de alguma forma, mas ele apenas assentiu.
- Eu também sinto muito, Mabelle. - ele murmurou e soltou um longo suspiro. - Eu vou até a cozinha pegar algo para bebermos, precisamos de alguns minutos, certo? Me espere.
Assenti, vendo-o sair da sala como um tufão. Me sentei no sofá, sentindo como se o mundo fosse desmoronar a qualquer momento. Tudo o que ele me falou ainda martelava em minha mente e eu apenas tentava entender como, durante todos esses nossos anos de amizade, eu não tinha percebido que ele sentia algo a mais por mim.
Ele voltou minutos mais tarde, com um dois copos de suco de maracujá, e eu sorri um pouco.
- Para nos acalmar, presumo? - perguntei, pegando o copo que ele me estendia.
- Sim, tenho certeza que irá nos acalmar. - ele murmurou, tomando um gole.
Tomei meu suco quase todo, só quando o líquido tocou em meus lábios que eu percebi que estava com tanta sede. O relógio na sala marcava que ainda eram três e quarenta da tarde, e eu só queria que a hora voasse para que Michael chegasse logo.
Mas logo depois, o horário no relógio sumiu da minha mente. Tudo pareceu girar em câmera lenta, enquanto minha visão embaçava e a conversa entre Roger e eu ficava cada vez mais distante, tudo girou e a única coisa que eu consegui encontrar, fora a escuridão. 

***


Eram exatamente dez para as cinco quando Michael pisou na casa de Mabelle. Ele sorriu ao encontrar o hall e a sala vazios, imaginando onde ela estaria.Deitada e nua na cama, esperando apenas por mim, ele pensou, um sorriso safado se abrindo ainda mais em seus lábios.
Subiu as escadas correndo e atravessou o corredor, sentindo o desejo se alastrar como fogo em seu corpo. Chegando ao fim do corredor, abriu a porta do quarto e passou pela sala de estar da suíte, indo diretamente para a cama.
O sorriso em seu rosto morreu. Seu peito se retorceu e o ar pareceu evaporar de seus pulmões com a cena que preenchia seu campo de visão. Mabelle nua, seus cabelos ruivos cobrindo o travesseiro, o rosto sereno e satisfeito e ao seu lado, Roger também nu, o braço segurando possessivamente o seio dela. O seio que era de Michael, que apenas ele poderia tocar! Os corpos estavam entrelaçados, roupas pelo quarto, lençóis bagunçados e um pacote de camisinha rasgado em cima do criado-mudo ao lado da cama.
A cena perfeita para um filme, mas aquilo não era um filme. Era a vida de Michael, que havia acabado no instante em que pisou naquele quarto.
Capitulo 20


Michael queria apenas fechar os olhos e sair daquele pesadelo, mas não era um pesadelo. Era a realidade nua e crua! Nua literalmente! A raiva o cegou, o amor que ele tanto sentia se despedaçou, junto com o objeto de vidro que ele tacou na parede próximo a cama, os cacos de vidro caindo em cima dos dois, principalmente em cima de Roger, que se sentou com cara de assustado.
- Oh, caralho, não! - ele gritou, olhos arregalados ao vê Michael ali na frente.
- Não? - Michael gritou com raiva.
- Não mesmo! Mabelle, meu amor, acorde... Cherié, acorde, Michael está aqui e nos viu juntos! - Roger disse, balançando Mabelle.
Michael viu a tudo sentindo o sangue correr como lava em suas veias. Mabelle abriu os olhos lentamente, tão lentamente que parecia que estava sob o efeito de alguma droga, mas ele sabia qua não estava. No mínimo, a sessão de sexo durante a tarde a havia deixado como uma retardada.
Ela olhou ao redor, tentando entender o que estava acontecendo ali. 

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Mabelle

Eu queria enxergar a minha frente, mas simplesmente não conseguia focar em nada. Tudo estava extremamente confuso. Sentia meu corpo gelado por conta do vento frio que soprava da janela, mas não me lembrava de estar nua no quarto. Muito menos do ardor no meu anti-braço, como se uma lamina tivesse o cortado cinco centímetros de cima a baixo. Quando finalmente consegui desembaralhar minha mente, a visão de Roger totalmente nu entrou em foco.
Levou apenas um segundo para que eu pulasse da cama e olhasse ao redor, vendo Michael na nossa frente, seu rosto vermelho e olhos dilatados pela raiva. Puta merda, algo está bastante errado aqui!
- O que... O que está acontecendo? - perguntei, com medo de ouvir a resposta.
- O que está acontecendo? Oh meu Deus, o que está acontecendo, Mabelle? - Michael perguntou em um tom de voz alto, rindo sem humor. Quando olhou pra mim, seu maxilar estava totalmente contraído. - Sabe o que está acontecendo, querida? Eu acabei de pegar você e seu amigo deitados na cama, nus, depois de uma tarde alucinante de foda!
- O que? - perguntei, sabendo que eu não me lembrava de nada mais depois da minha conversa com Roger, mas eu fodidamente não transei com ele. Disso eu sabia e tinha certeza! - Michael, é mentira, é... Eu jamais faria isso, você sabe, você me conhece!
- Eu sei? Eu te conheço? - ele se aproximou de mim, raiva e dor dançando em seus olhos. - Eu não te conheço porra nenhuma, Mabelle! Eu pensei que eu conhecia, pensei que você era a mulher certa pra mim, mas estou vendo que não passa de uma vagabunda, que só espera eu virar as costas para se divertir com o melhor amigo!
- Michael, não! Eu não transei com Roger, ele... Eu não sei o que ele fez, mas eu não transei com ele, Michael, acredita em mim! - eu supliquei, me sentindo totalmente impotente pela segunda vez na minha vida. Mas por um momento, a raiva também me tomou. Eu subi na cama sem me importar com os cacos de vidros em cima dela, ou com o meu corpo totalmente despido. Eu apenas queria matar Roger com as minhas próprias mãos. - Seu filho da puta! O que foi que você fez comigo, Roger? Por que você fez isso comigo, por que? Conte a verdade para ele, agora!
Ele me olhou parecendo um pouco perdido e confuso, mas era tudo encenação. Eu sabia que ele era um fodido ator e que agora, estava fazendo nada mais do que representando.
- Você tem certeza de que quer que eu conte a verdade, Mabelle?
- Conte logo o que você fez comigo, Roger, pelo amor de Deus! - pedi, sentindo vontade de chorar. Meu mundo perfeito ao lado do meu homem mais-que-perfeito estava ruindo.
- A verdade é que... - ele fez uma pausa angustiante e eu quase me lancei em cima dele para matá-lo. - Mabelle e eu transamos desde nos conhecemos. Quer dizer, nos conhecemos quando éramos adolescentes, então, começamos alguns anos mais tarde. A verdade é que ela sempre vai pra cama com alguém, mas no final, volta pra mim. Foi isso que aconteceu agora, estávamos matando as saudades, não é, mon ange?
Não consegui impedir que minha boca caísse em meio ao seu discurso. Quando olhei para Michael, ele tinha o mesmo olhar raivoso, mas a dor... Estava mil vezes pior, estava me matando também.
- De que porra de lugar você tirou isso, Roger? - perguntei em um grito, a raiva dentro de mim ficando mil vezes pior.
- Como assim, Mabelle? Foi você que pediu para que eu contasse a verdade... Eu apenas o fiz.
- Chega, já vi e ouvi o suficiente por hoje! - ouvi Michael dizer.
Ele estava se virando para sair do quarto, mas eu pulei da cama e sai correndo, parando na frente dele, coloquei minhas mãos em seu peito, fazendo-o parar e olhar pra mim.
- Por favor, Michael, por favor... Isso tudo que ele falou é mentira, preste atenção: você saiu e nós dois começamos a conversar. Ele disse que me amava e tudo o mais, eu disse que não o queria porque tinha você. Depois ele veio até a mim com um copo de suco e eu bebi e... Não me lembro de nada, eu apenas acordei aqui, agora! Nunca transei com ele, Michael, nem hoje, nem em nenhum dia da minha vida. Eu juro por tudo que é mais sagrado... - minha voz sumiu, enquanto duas lágrimas solitárias molhavam meu rosto.
- E nós estamos em que? No meio de uma porcaria de uma novela, Mabelle, onde o cara te da um suco com um sonífero e você dorme, enquanto ele arma isso tudo? Realmente, sua criatividade é genial! Mas eu não sou idiota, ou melhor, não sou mais idiota! - ele tirou minhas mãos de seu peito em um aperto doloroso. - Eu apenas... Amei você. Eu amo você e pensei que poderia te fazer mudar, poderia fazer com que você me amasse de volta, mas tudo o que eu recebi em troca foi traição. Eu nunca pensei que você fosse fazer isso comigo, eu sempre soube que você era fria, mas me ferir desse jeito? - ele balançou a cabeça, lágrimas caindo e molhando todo o seu rosto. - É demais pra mim. Eu realmente era capaz de tudo por amor, mas isso tudo aqui, não merece nada de mim. Você não merece o meu amor e nem o amor de ninguém.
Suas palavras me feriram mais do que qualquer outra coisa no mundo. Eu engoli um soluço, enquanto ouvia em minha mente, ele dizendo que eu não merecia ser amada. Ele estava certo, eu realmente não merecia, mas eu não podia perdê-lo, não podia perder o único homem que foi capaz de me fazer querer mais.
- Você não pode ir, Michael! - eu gritei para ele, quanto ele tentou passar por mim mais uma vez. - Não pode, não pode fazer isso comigo, não pode acreditar nele! - implorei, me agarrando a sua cintura, seu corpo vestido contra o meu corpo totalmente nu. Minha alma e meu coração totalmente nus para ele. - Por favor, não faça isso conosco, por favor...
- Você fez isso conosco, Mabelle! - ele disse entre dentes, me afastando dele enquanto segurava meu braço em um aperto com força.
O rasgo em meu anti-braço fazendo com que o meu sangue sujasse sua mão. Ele rapidamente tirou suas mãos de mim, vendo somente agora que o caco de vidro tinha me machucado.
Mas eu não o deixei se importar com isso. Nosso coração precisava de toda a nossa atenção agora.
- Michael, eu sei que é difícil de acreditar, sei que todo esse cenário mostra algo completamente diferente do que estou te falando, mas você disse que não ia desistir de mim. - murmurei, sentindo minha garganta embargar pelas lágrimas.
- Sim, eu disse. Mas eu não ia desistir da mulher que pensei que seria capaz de me amar de volta e não de uma... Mulher que aproveita a primeira chance pra me apunhalar pelas costas.
Eu o vi passar por mim, novamente tudo parecendo em câmera lenta. Ele estava indo embora. Estava me deixando e a dor que eu sentia era maior do que qualquer outra coisa no mundo. Me dilacerava e cortava em milhões de pedaços, como nunca senti antes. Ele não poderia ir! Eu não poderia perdê-lo.
Então, eu soube que havia chegado o momento. O momento de sentir novamente, de me permitir novamente... O momento de dizer a verdade a ele.
- Eu te amo, Michael! - gritei, sentindo um soluço me acompanhar no final.
Ele parou. Faltava apenas dois passos para ele sair do meu quarto, mas ele parou e se virou lentamente. Meu coração se encheu de luz e esperança, um sorriso enorme se abriu em meu rosto. Ele iria ficar! Eu sabia que iria ficar, eu sabia que ao falar aquelas quatro palavras, ele ia acreditar em mim.
Aquelas palavras que minha mãe e minha vó sempre me diziam que curava tudo e todo o mal. Ela ia curar a mim e a Michael, ela...
- Eu não quero o seu amor. Esse amor falso, ridículo. Você não conhece o amor, Mabelle! Amar é cuidar, é respeitar, é proteger, é lutar e não trair e magoar. Você jamais será capaz de sentir algo como isso, quando está tão... Podre por dentro.
E então, meu sorriso morreu. Meu mundo ficou frio e cinza novamente, quando ele saiu do meu quarto e, consecutivamente, da minha vida.



Capitulo 21 - Mabelle


- Por que? - perguntei, enquanto sentia a movimentação de Roger atrás de mim.
Mesmo sentada no chão, de costas para ele, podia sentir seu olhar em cima de mim.
- Por que o que?
- Por que você fez tudo isso comigo? E não diga que foi por amor, eu juro que sou capaz de acabar com você se me disser isso!
- Mas foi por amor, Mabelle. O amor que sinto por você, ele...
Eu não escutei uma única palavra a mais. Tampei meus ouvidos, sentindo um enjoo tremendo em apenas escutar a sua voz. Levou apenas alguns segundos para perceber que escutá-lo não adiantava em nada! Michael havia ido embora e eu estava sozinha novamente, só que mil vezes mais fodida do que antes de conhecê-lo.
- Vá embora! - eu gritei, ainda tampando meus ouvidos com força. - Saia daqui, Roger, eu não quero te vê nunca mais!
Eu acho que ele falou mais alguma coisa, mas ouvi-lo não era uma opção e e ele pareceu entender isso. Não sei quanto tempo se passou, até ele sair do meu quarto e bater a porta atrás de si.
Agora que eu estava finalmente sozinha, a dor pareceu me alcançar com mais rapidez. Me deitei no chão, enrolando-me como uma bola, do mesmo jeito que eu fazia quando era apenas uma criança. Eu queria me proteger de tudo; queria esquecer toda aquela briga, queria que Michael entrasse por aquela porta e dissesse que tudo foi um pesadelo muito ruim, mas isso nunca aconteceu e nunca aconteceria.
Roger havia, realmente, acabado com a minha vida e expulsado Michael para fora dela. A única coisa que me restava era aceitar que eu estava machucada e destruída mais uma vez.

***

- Mabelle... Mon ange, acorde...
Escutei a voz de minha mãe adentrar meus ouvidos, me tirando do sono profundo que eu nem me lembro de ter caído. Ela me sacudiu de leve, antes de colocar algo sobre meu corpo e me ajudar a levantar. Eu ainda estava um pouco tonta, quando ela me levou para o quarto de hóspedes e deu ordens para que Adeline arrumasse o meu quarto.
- Vamos, deite-se, querida. - minha vó murmurou, me ajudando a me deitar junto com a minha mãe.
Eu não sabia que estava tão abalada emocionalmente, até as duas se sentarem ao meu lado e me ampararam quando cai em uma crise de choro. Meus soluços eram a única coisa que rompia o silêncio do quarto, enquanto as duas passavam as mãos pelas minhas costas e meu cabelo, tentando de tudo para me manter calma. Mas nada me deixaria calma, quando o cara que fez de tudo para que eu o amasse, havia ido embora.
- Ele não vai mais voltar... - murmurei em um soluço, querendo voltar a minha posição de defesa, mas elas me impediram.
- Ele vai voltar sim, meu bem... Não importa o que tenha acontecido, ele vai voltar. Ele te ama, Mabelle. - minha vó disse baixinho em meu ouvido.
- Não, vó... Ele deixou bem claro que não queria me ver nunca mais.
- E o que foi que aconteceu, meu anjo? Você quer falar sobre isso? - minha mãe perguntou, limpando minhas lágrimas.
- Roger armou para cima de mim. - murmurei, querendo resumir tudo aquilo em uma única palavra, mesmo sabendo que aquilo era impossível. - Ele veio aqui hoje a tarde, quando Michael saiu para uma reunião... Ele se declarou pra mim, disse que me amava e nós quase brigamos, e eu pensei que tudo ficaria bem de novo, mas ele me dopou. Quando Michael chegou, pegou nós dois em minha cama, estávamos nus. Vocês podem imaginar o que aconteceu em seguida... - parei, sentindo um enorme nó se instalar em minha garganta.
Dieu, Mabelle... - minha vó resmungou, endireitando-se na cama. - Eu sempre soube que esse Roger não era confiável. Você nunca me escutou... Céus, eu posso realmente imaginar como tudo se desenrolou.
- Eu também. - minha mãe respondeu. - Mas você não pode desistir, minha filha. Se você realmente gosta dele, tem que ir atrás e fazê-lo acreditar na verdade.
- Eu o amo, mãe. - murmurei, vendo-a olhar para minha vó com um certo espanto. - Eu disse isso a ele antes dele ir embora, mas ele disse que não quer o meu amor. Disse que eu sou podre por dentro e que não sei amar e nem mereço ser amada. - falei, sentindo mais lágrimas molharem meus olhos. - E ele está certo. Eu realmente não mereço o amor dele...
- Não fale uma coisa dessas, Mabelle. - minha vó me repreendeu. - Já disse que não gosto de ouvi-la falando essas coisas. O que aconteceu em sua infância foi terrível, eu sei disso, mas você não está suja por dentro. Você não teve culpa de nada, minha querida, você era apenas uma criança... Michael só disse isso tudo porque estava com a cabeça quente, eu tenho certeza que ele vai repensar em tudo e verá que você jamais seria capaz de magoá-lo dessa forma...
- Ele não vai, vó. Ele realmente estava magoado e com raiva de mim. - murmurei, puxando minhas pernas para cima e me agarrando a elas. - Eu o perdi, para sempre.
- Ah, mon ange... - minha mãe se deitou ao meu lado e me puxou para deitar em seu peito. Ouvir seus batimentos cardíacos me acalmou um pouco, como quando eu era criança. - Eu faria de tudo para mudar essa situação, querida. Eu juro que sim. Mas essa é uma história sua com Michael Jackson e não importa o que eu ou sua vó façamos, só você pode mudar isso. Estaremos aqui para te dar todo o apoio necessário, eu te prometo.
- Sim, minha querida. Você não está sozinha e nunca estará
Capitulo 22 - Mabelle


Uma semana depois.

Cherié... Você precisa se levantar, Mabelle. Não adianta ficar deitada nessa cama, sem se alimentar direito. Se você quer Michael de volta, precisa correr atrás dele, mon ange... - Alfred disse, acariciando meus cabelos.
Senti vontade de rir, mas acho que nem pra isso eu tinha forças. Alfred nunca foi de demonstrar sentimentos, assim como eu, mas ele sabia reconhecer quando a situação pedia um pouco mais de delicadeza.
- Sinto muito te desapontar, querido... Mas eu não tenho forças nem pra falar direito. - murmurei, olhando para o anoitecer que despontava na janela do meu quarto.
- Mabelle... Você pode me responder uma coisa?
Suspirei de leve e me virei pra olha-lo. Alfred estava deitado do meu lado, seu óculos de grau na ponta do nariz, a armação rosa pink despontando em sua pele branca.
- O que quer saber?
- Você e Michael usavam camisinha, não era?
- Bem... Usamos no começo da nossa relação, mas depois... Apenas quando lembrávamos. Por que?
Cherié... Sua menstruação está normal? - ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso despontando em seus lábios.
Parei pra pensar, lembrando-me que a última vez que fiquei menstruada foi a muito mais de um mês atrás. Senti minha pulsação aumentar.
- O que está insinuando, Alfred? - perguntei com medo da resposta.
- Bem... Você e Michael não usavam preservativo. Você nunca usou remédios contraceptivos. Vocês são jovens, saudáveis... E se sua menstruação estiver atrasada, querida, isso significa que você está esperando um lindo bebê. - ele sorriu. - E essa é a explicação perfeita para todos esses enjoos e tonturas que você sentiu durante essa semana.
Ele poderia estar certo. Era óbvio que poderia, mas... Eu sendo mãe? Isso nunca sequer passou pela minha cabeça!
- Não. Quer dizer, Alfred... Eu não quero estar gravida, por Deus, eu não sei cuidar nem de mim! Imagina de uma criança? Como vou dar amor a um... Bebê?
- Querida, você vai aprender. Eu não sou a melhor pessoa do mundo para falar sobre sentimentos, mas eu sei que você será uma ótima mãe, até porque, esse bebê tem um ótimo pai.
Ele falou e falou, mas acho que a minha mente estava bloqueada com todas aquelas suspeitas. Eu realmente poderia estar grávida, e o pavor de ser mãe tomou cada canto dos meus pensamentos.
- Já sei! Vou ligar pedir para Adeline telefonar e pedir um teste de farmácia, certo? Vamos tirar toda essa suspeita a limpo.
- Não! Alfred, eu não quero saber, não quero! - falei, me sentando rápido demais.
O quarto todo rodou, mas eu fechei os olhos e respirei fundo, tentando recuperar o equilíbrio perdido por mim durante aquela semana.
- O que você quer, meu amor, não importa agora. Se você estiver mesmo grávida, Mabelle, a sua responsabilidade se dobrará. Querida, o que você quer? Descobrir quando a sua barriga estiver do tamanho da lua? Nada disso, você vai fazer esse teste sim, ou eu te arrastarei até o hospital. Fim de papo!
Ele se levantou e saiu do quarto, me deixando sentada e confusa. 

****


Michael olhou mais uma vez para a vista da janela de seu escritório, recusando-se - pela milésima vez - a acreditar que estava de volta a Neverland. Nunca pensou que poderia se sentir tão triste em meio ao lugar que criou para redescobrir a sua felicidade.
Quando estava na França, pensou que voltaria a Neverland com Mabelle ao seu lado. Já imaginava mostrar a ela cada canto daquele lugar e fazer de sua casa, a casa dela também. Mas não foi bem isso que aconteceu.
Fechar os olhos se tornou um martírio. Sempre a cena de Mabelle nua deitada ao lado de Roger tomava a sua mente e ele já estava a ponto de enlouquecer! Não aguentava mais todo aquele sofrimento e por um momento, queria ser como Mabelle; ter a capacidade de não amar.
- Mike, eu não aguento mais te ver assim! Ta na hora de esquecer essa garota e seguir em frente, cara. Não haja como se fosse a primeira decepção da sua vida, porque sabemos que não é.
- Você não entende, John. - Michael murmurou, ainda olhando para a janela. - Eu a amo. E é a coisa mais forte que eu já senti por alguém.
- Eu sei que você a ama, Michael. Mas já passou uma semana e você continua nessa foça. Sua vida não acabou, cara.
- Mas uma parte dela ficou com Mabelle. Não é todo dia que você tem uma relação tão intensa e cai do cavalo como aconteceu comigo, John.
- Ora, Mike! Então, se você a ama tanto como diz, vá atrás dela. Já pensou se ela estiver falando a verdade? Você ta aqui, sofrendo atoa.
- Você enlouqueceu, John? - Michael perguntou, se levantando e olhando pra ele. - Eu nunca mais vou atrás dela. Fiz isso uma única vez e olha como estou agora. Eu tenho orgulho, John. Sou homem e jamais perdoaria o que ela fez comigo. Fim de conversa. - ele disse, passando por John e fechando a porta atrás de si em um estrondo.
John soltou um longo suspiro, sem saber o que fazer. Seu melhor amigo estava na merda e mesmo se ele quisesse, aquela situação não mudaria da noite pro dia.
Capitulo 23 - Mabelle


Eu lembro que eu estava com bastante medo de olhar aquele exame de farmácia. Lembro que eu tive pavor quando vi as duas listrinhas rosas, que indicava que as suspeitas de Alfred eram verdadeiras e que um bebê estava crescendo dentro de mim. Mas agora, a caminho de Los Angeles, com o resultado de exame de sangue em mãos, eu não estava mais tão apavorada assim.
Alfred dormia tranquilamente na cadeira ao lado da minha, enquanto eu olhava o amanhecer despontar no horizonte. Faltavam menos de duas horas para pousarmos em solo americano, e o nervosismo que eu sentia quando entrei no avião, desapareceu completamente. Eu estava esperando um bebê. Um bebê meu e de Michael e eu tinha certeza que agora faríamos as pazes. Ele voltaria pra mim quando eu falasse a verdade mais uma vez e contasse que estava esperando um filho.
Eu tinha certeza que sim.
As horas passaram lentamente, mas quando finalmente pousamos, senti uma energia tomar conta de mim. Eu estava prestes a ver Michael novamente.
- Não sei por que você não quer que eu vá direto a casa de Michael. Quer dizer, eu tenho certeza que se fôssemos para lá agora, não gastaríamos dinheiro com hotel, Alfred. Ele vai voltar pra mim e ficaremos hospedados na casa dele. É tão simples! - murmurei, olhando as ruas da Califórnia pela janela do carro.
- Não mesmo, chérie. Primeiro iremos até o hotel e você irá comer, tomar um banho e descansar. Uma mulher grávida não pode ficar para cima e para baixo toda hora, Mabelle. Há uma criança dentro de você.
- Eu sei que há. - murmurei, passando a mão pela minha barriga. A ideia de ser mãe conquistando cada vez mais o meu coração. - É incrível como uma nova vida pode caber aqui dentro, não é?
- É sim. - ele sorriu de lado. - Tenho certeza que Michael amará saber que será pai, Mabelle. Torço muito por vocês.
- Obrigada, Alfred. Você não sabe como está sendo importante para mim, que você esteja aqui comigo. - sorri pra ele, pegando em sua mão. - Você sabe, eu amo você, mon cher.
Ele riu.
- Eu sei disso e eu também amo você. Mas agora chega dessas demonstrações de carinho, porque não somos adeptos a isso. Ser mãe esta te deixando muito sensível.
- É um dos sintomas, não é? Me aguente se quiser, querido.
Rimos mais um pouco e depois fizemos o resto da viagem em um silêncio confortável, enquanto eu começava pensar no que diria a Michael, quando finalmente eu o encontrasse. 

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- Vamos lá, Mabelle. Você consegue. - murmurei para mim mesma, apertando firme o volante, enquanto via os enormes portões da residência de Michael a minha frente.
Neverland era realmente gigante. Pelos portões conseguíamos ter essa noção, apesar de eu não conseguir a casa principal dali. Sai do carro e me aproximei do interfone, pensando que Alfred me mataria quando eu ligasse para ele. Havia fugido assim que soube que ele iria dormir, pois a ansiedade corria cada poro do meu ser. Demorou apenas alguns segundos, para que dois homens de ternos aparecesse.
- O que deseja, senhorita?
- Eu desejo falar com Michael Jackson. - falei, vendo-os me analisarem de cima a baixo.
- Desculpe, mas o senhor Jackson não está recebendo fãs hoje. - um deles falou.
- Não, eu não sou fã. Meu nome é Mabelle Phechínne. Avisem a Michael que eu estou aqui, ele me conhece muito bem.
Eles se entre olharam e logo depois um deles pediu licença. O sol estava escaldante, muito diferente do clima frio da França, e eu me esgueirei para mais perto da sombra. Os portões de ferro estavam próximo a mim e eu os agarrei, olhando tudo o que minha visão conseguia alcançar. Minutos depois o segurança voltou.
- Desculpe, senhorita Phechínne, mas o senhor Jackson disse que não irá recebê-la. - ele parecia um pouco envergonhado.
- Como? Por favor, diga a Michael que eu não vim da França a toa! Eu preciso falar com ele e só sairei daqui quanto tiver feito isso!
- Senhorita, por favor...
- Pega esse seu radinho que está aí na sua cintura, e diga a Michael que eu ficarei aqui e só irei embora depois que tiver conversado com ele. Okay, mon cher? - vociferei, demonstrando o quanto aquela situação estava me deixando irritada.
E realmente estava. E isso não era apenas um sintoma de gravidez.
Fechei os olhos, respirei fundo e tentei me acalmar. O silêncio era tão grande, que foi possível ouvir quando passos se aproximaram. Levou apenas alguns segundos para que eu sentisse o perfume de Michael, o que me fez abrir os olhos e olhar para ele. Ele vestia uma calça preta e um blusão vermelho, usava um de seus chapéus e me observava com atenção. Estava mais lindo do que nunca.
- Não precisa mais fazer escândalo em frente a minha casa, Mabelle. O que quer?
Tomei minha próxima respiração, enquanto obrigava o meu cérebro a trabalhar. O tom frio de Michael me ajudou a recuperar meus sentidos.
- Quero conversar com você, Michael. Se possível dentro da sua casa, porque está um calor infernal. - falei, sentindo minhas mãos úmidas de suor, enquanto segurava a grade de seus portões.
Ele riu, colocando a mão na frente da boca e chamando atenção dos seguranças, que tentavam não prestar atenção em nossa conversa.
- Mas é realmente muito abusada! O que te leva a pensar que eu a deixaria entrar na minha casa, depois de tudo o que me fez, Mabelle?
- Mas essa é uma das coisas que eu quero conversar com você, Michael. Precisamos esclarecer toda essa confusão.
- Confusão? O que eu vi não tinha nada de confuso, Mabelle, muito pelo contrário, estava tão claro feito água para mim!
- Eu não fiz nada daquilo, Michael! Eu não trai você!
- Ótimo, é realmente muito bom que a minha vida particular seja espalhada aos quatro ventos dessa forma. Fale mais alto, porque eu acho que a minha governanta não deve ter escutado você! - ele disse, parecendo ofendido.
- Me desculpe. - murmurei. - Michael... Por favor, me deixei entra. Eu tenho tanta coisa para falar e...
- Apenas vá embora, Mabelle! Eu não quero saber!
- Por favor... - me virei para o segurança, implorando a ele. - Abra o portão pra mim, por favor!
- Senhor Jackson... - um deles murmurou, virando-se para Michael.
Eu ainda olhava para o segurança, mas consegui vê quando Michael assentiu. Um sorriso enorme se espalhou pelo meu rosto, quando o segurança apertou um botão em um pequeno controle remoto e o portão começou a se abrir lentamente. Meu coração pulsava tão forte! Eu dei o primeiro passo e então mais e outro e mais outro, conforme os portões abria espaço para mim. Eu já sentia a esperança crescer em mim, quando ouvi Michael dizer:
- Esquece, feche os portões, Wayne.
Então, tão rápido quanto a esperança veio, ela foi embora, enquanto o portão se fechava rapidamente e batia contra a minha barriga, me jogando no chão.
Eu não sei como aconteceu. Eu seria incapaz de descrever a cena, incapaz de explicar como aquele portão havia batido justamente ali, porque a dor era tão forte que a minha respiração ficou presa em minha garganta, enquanto meus olhos se enchiam d'água. Eu nunca, em toda a minha vida, havia sentido algo como aquilo.
- Mabelle! - ouvi Michael gritar.
"Se acalme, Mabelle... Essa dor vai passar" - pensei, tentando me controlar. Quando consegui abrir os olhos, vi Michael agarrado ao portão, olhando fixamente pra mim. Eu realmente não consigo dizer o que doeu mais; a dor que latejava em meu ventre ou a sua incapacidade de abrir os portões para me socorrer.
- Você está bem? - ele perguntou.
Engoli em seco e me levante com dificuldade, sentindo a dor diminuir aos poucos. Depois daquilo, eu não iria implorar mais para conversar com ele, ou para que ele me ouvisse. Eu não faria mais nada, a não ser ir embora dali.
- Está. Não precisa se preocupar comigo, eu já estou indo embora. - murmurei.
O olhei uma última vez e virei as costas, indo em direção ao carro, jurando a mim mesma que se um dia ele descobrisse a verdade, eu não iria perdoá-lo tão rápido, como estava disposta a fazer no momento em que coloquei meus pés em Los Angeles.
Capitulo 24 - Mabelle


A primeira coisa que fiz quando coloquei os pés em minha suíte, foi tirar toda a minha roupa e abrir minha mala, para vestir uma das cuecas de Michael que eu havia trago para Los Angeles. Coloquei ela e uma blusa de algodão, antes de me jogar na cama e chorar como há muito tempo eu não fazia.
A dor em meu ventre já havia passado, o que me deixava mais tranquila, mas a dor em meu coração era algo que nunca iria passar. Eu estava tão confiante, tão absurdamente feliz com a ideia de que iria voltar para ele, que a rejeição não só me colocou de volta naquela foça maldita, como me mostrou que eu seria mãe solteira. Ótimo!
Não sei por que quanto tempo chorei. Minha mente vagava entre a consciência e a inconsciência e era muito difícil discernir fantasia de realidade, a não ser a dor em meu estômago, que com certeza em nenhuma vida seria apenas um sonho.
Acho que não se passou nenhum minuto, entre minha corrida do quarto para o banheiro. Só deu tempo de levantar a tampa do vaso sanitário, antes de todo o meu café da manhã saísse. Eu vomitava e vomitava, e parecia que aquilo nunca iria acabar. Minha mente girava intensamente, enquanto eu sentia meu estômago ficar em carne viva devido ao meu esforço. Quando finalmente parei de tentar colocar minha alma para fora, me sentei no chão e encostei a cabeça na parede gelada, sentindo um latejar intenso em meu baixo ventre, ainda mais forte do que quando o portão bateu em mim.
Não demorou muito para que eu sentisse algo quente e molhado abaixo de mim e, merda, eu estava fazendo xixi e ao menos conseguia me levantar para ir até o chuveiro. Quando abri os olhos, vi um lindo menininho de olhos negros sorrir pra mim, e correndo em um campo verde... Eu queria ir com ele, mas a dor não deixava, minha mente rodava e o menino continuava a ir cada vez mais longe de mim, me deixando desesperada e sozinha. A dor aumentou, senti mais xixi saindo de mim, até que a escuridão dominou tudo o que eu podia ver.

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Alfred se levantou e olhou em seu relógio de cabeceira. Eram quase três da tarde e ele estranhou que Mabelle ainda não tivesse ido acordá-lo para ir a casa de Michael. Se espreguiçou e seguiu para o banheiro, para tomar um banho rápido. Colocou a roupa que já havia separado e pegou o cartão-chave do quarto de Mabelle. Era ótimo ter essa liberdade ente eles, sempre faziam isso quando viajavam sozinhos.
Sem ao menos bater na porta, ele passou o cartão-chave e abriu, chamando por ela. Passou pela pequena sala de estar e foi para o quarto, vendo a cama bagunçada. No mínimo, ela devia ter acordado agora também, ele pensou enquanto ia em direção ao banheiro, que tinha a porta aberta.
Um grito ficou preso em sua garganta, quando ele visualizou a cena a sua frente. Mabelle estava sentada no chão, a cabeça pendia para o lado encostada na parede, enquanto uma poça enorme de sangue sujava todo o chão. Seu coração bateu tão forte pelo desespero, que em menos de um segundo ele ergueu Mabelle no colo, sem se importar que o sangue estava sujando sua blusa de grife. Ele saiu do quarto e chamou o elevador. Quando chegou a recepção do hotel, gritou por ajuda e logo um carro estava sua disposição para levá-lo ao hospital.
Ele entrou no carro e deu um beijo na testa de sua amiga, rezando para que nada de grave acontecesse a ela e nem ao bebê. Mas ele sabia que havia algo totalmente errado e era justamente com o bebê que ele mais se preocupava agora, mesmo sentindo que... Depois de todo aquele sangue no chão, nada poderia ser feito.
Capitulo 25 - Mabelle


Duas horas já havia se passado desde que Mabelle havia dado entrada a emergência do hospital. Duas horas de angustia para Alfred, que já havia feito a ficha dela e agora estava sentado na sala de espera, olhando o relógio de cinco em cinco minutos. Ninguém havia ido falar com ele até agora e ele estava a ponto de fazer um escândalo, quando um homem alto e loiro saiu pelas portas da emergência e chamou o acompanhante de Mabelle Phechínne.
- Sou eu. - ele respondeu, se levantando. - Meu nome é Alfred e sou o acompanhante de Mabelle. Por favor, doutor, como ela está? - ele disse em um inglês um pouco arranhado.
- Sr. Alfred, eu sou Robert Cavish e sou o responsável pelo caso de Mabelle. - ele disse. - Ela está bem agora, o senhor não precisa se preocupar quanto a isso.
Mercy, Dieu. - ele agradeceu baixinho, mas abriu o olho de repente. - Mas... E o bebê?
- Quando Mabelle chegou aqui, ela tinha perdido bastante sangue e... O bebê já não estava mais vivo. Ela teve um descolamento de placenta, o que é muito incomum no início da gravidez. Isso ocorre, em um estágio como o dela, quando a gestante sofre algum golpe na barriga, ou algo do tipo, fazendo com que a placenta se descole da parede uterina e ocorra a perda do bebê. Eu sinto muito por isso, senhor. - ele lamentou. - Ela já recebeu uma transfusão de sangue e passa bem, mas deverá ficar em repouso durante alguns dias. Ela será liberada amanhã na parte da manhã.
Alfred engoliu em seco.
- Ela já... Sabe?
- Sim. E está chamando pelo senhor.
- Onde ela está?
O médico o levou por um corredor e entraram no elevador, indo até o andar onde ficava o quarto de Mabelle. Quando pararam em frente a porta de número 305, o médico pediu licença e se distanciou, dizendo que voltava daqui a algumas horas para rever Mabelle. Respirando fundo, Alfred bateu de leve na porta e entrou, vendo sua amiga deitada na cama, com o rosto pálido e lavado por lágrimas. 

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Mabelle.

- Oh, chérie...
Senti os braços de Alfred me envolverem leve, enquanto ele também chorava baixinho em meu ombro.
Há momentos na vida, em que você pensa que já sofreu o bastante e que nada do que aconteça no futuro, tirará o seu chão novamente. Eu pensei que nada mais me abalaria, depois de tudo o que sofri quando era criança.
Eu não sabia o quanto estava enganada, até saber que eu havia perdido meu bebê.
- Por que isso aconteceu, Alfred? Eu quero o meu bebê de volta... - sussurrei, porque era só pra isso que eu tinha forças naquele momento.
Ele se separou de mim, os olhos repletos de lágrimas assim como o meu.
- Eu sei que quer, querida. Mas não fique assim... Você é jovem e ainda terá muitos e muitos bebês.
- Será que eu errei tanto assim na minha vida, para ser castigada dessa forma?
- Não, não fale uma coisa dessas, Mabelle. - ele limpou minhas lágrimas com a ponta dos dedos. - Você não errou, meu anjo. As vezes... Só não era a hora certa para que fosse mãe. Sei o quanto está sofrendo, chérie, eu também estou, mas tudo vai ficar bem, você vai ver. Quando formos ver Michael, aí sim tudo vai melhorar... Ele vai ficar ao seu lado, eu tenho certe...
- Eu já fui vê-lo. - murmurei.
Alfred franziu o cenho e me olhou de forma confusa.
- Como?
- Eu fui vê-lo. E ele não quis me escutar.
- Mas... Mabelle, havíamos combinado de que iríamos juntos e... Por que foi sozinha? Eu vim aqui para te acompanhar. - ele disse, ofendido.
- Eu sei. Me perdoe, Alfred, mas eu estava tão... Ansiosa para vê-lo, que não quis esperar. - eu desviei meu olhar do dele, sentindo minha garganta criar um intenso nó. - Talvez, se eu tivesse esperado, meu bebê ainda estaria aqui.
- Por que diz isso, Mabelle?
- Porque... Eu estava em frente aos portões da casa de Michael e ele mandou o segurança os abrir para que eu pudesse entrar. Eu estava tão feliz, Alfred, tão... Radiante! Mas tudo isso foi por terra, quando ele mandou o segurança fechar os portões. Eu já estava entrando, e o portão foi fechado rápido demais. A grade bateu em minha barriga e o médico disse... - eu parei, sentindo as lágrimas banharem todo o meu rosto. Eu não conseguiria formar a aquela frase, nem se eu quisesse.
- Que você teve um descolamento de placenta e isso ocorre quando a gestante sofre um golpe na barriga... - o ouvi completar, como se estivesse falando consigo mesmo.
Acho que agora tudo fazia sentido para ele, assim como fazia para mim. Eu não pude fazer mais nada, além de assentir e voltar a chorar. Eu tive tão pouco tempo com o meu bebê, os dias se passaram rápido demais desde a minha descoberta, recusa e aceitação de que eu seria mãe, e agora... Eu não tinha mais nada. Nem Michael, nem meu bebê e nem a minha felicidade.
Capitulo 26


Alguns dias já haviam se passado desde a visita de Mabelle e Michael começara a pensar que ela realmente havia desistido de conversar com ele.
A imagem dela caindo no chão ainda atormentava a sua mente e até agora ele se perguntava porque não tinha jogado seu orgulho as favas e não tinha ido socorrê-la. Desde quando havia se tornado um homem frio a dor do próximo? Principalmente com ela... E agora, depois de quase uma semana do ocorrido, ele se perguntava se ela estava bem.
Ela estaria, não era? Quer dizer, ele viu a dor na expressão dela, mas nada de grave teria acontecido, não era mesmo?
E mesmo com todas essas perguntas nublando sua mente, ele se sentia incapaz de sair de casa e ir atrás de notícias. Ou de mandar John ir atrás de todas essas respostas. Ele só esperava que ela tivesse bem... Ou jamais iria se perdoar. 

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Mabelle.

Um mês depois.


Não posso dizer que eu estava recuperada de tudo, mas acho que, um dia sempre era menos pior do que o outro. Quando voltei a França, sem Michael, minha mãe e minha vó me abraçaram e me deram força, eu consegui me reerguer durante alguns segundos, até elas me amostrarem as coisas que haviam comprado para o bebê.
Meu mundo caiu e ela se entre olharam sem entender. Eu jamais vou me esquecer dessa cena, quando Alfred disse de uma só vez que... Meu bebê havia morrido. Eu não sabia o quanto elas estavam felizes com a notícia de que seriam avó e bisavó, até vê-las se juntar a mim e chorar baixinho pela nossa perda. Não era apenas eu que estava sofrendo e acho que isso me machucava mais.
Mas, agora, depois de um mês, estávamos melhor. Uma hora ou outra teríamos que passar pela dor e seguir em frente e era isso que eu estava fazendo nesse exato momento, enquanto me prepava para tocar em uma premiação em Las Vegas. Todos foram contra, minha mãe, minha avó e até mesmo meu pai, que não gostava muito de se meter em minha carreira, disseram que eu não precisava voltar a trabalhar agora, mas eu queria.
Era um passo importante para voltar a minha vida, depois de longas semanas de dor e choro pelos cantos. E mesmo sabendo que Michael estaria na festa, saber que eu poderia seguir em frente sem ele, era algo que estava me dando um empurrãozinho a mais.
Abracei Alfred mais uma vez e ele me desejou força e boa sorte, antes de eu acompanhar o assistente de palco e me sentar no piano. Ainda estava tudo escuro e eu passei em minha mente as duas músicas que eu iria tocar naquela noite.
- Senhoras e senhores, recebam com uma salva de palmas a pianista mais talentosa da atualidade, Mabelle Phechínne. - a voz do apresentador ressoou por todo o museu e eu lutei para não revirar os olhos. Odiava toda aquela babação de ovo.
É... Acho que eu estava voltando a ser o que era.
Um holofote pairou sobre mim e ouvi o público bater palmas. Sorri de leve e iniciei as notas de uma das músicas que mais gostava de tocar. "Ballade pour Adeline."
Deixei a música fluir em mim até sua última nota, recebendo do público toda a adoração por uma boa música. Quando a mesma acabou, eu já me preparava para tocar minha próxima canção, quando uma lembrança rápida nublou toda a minha mente.

"- Speechless, speechless, that's how you make me feel...
Sua voz baixinha, quase um sussurro, adentrou meus ouvidos, fazendo meu coração inchar com um sentimento bom e enorme. Talvez fosse errado ficar ouvindo assim, acho que ele estava no meio de uma criação, mas minhas pernas não queriam se mover. E mesmo se quisessem, eu me obrigaria a ficar. Não era todo o dia que eu podia vê um homem como aquele sentado em meu piano, tocando a melodia mais bonita que eu já tinha ouvido.
-Though I'm with you, I am far away and nothing is for real...
Ele continuou e eu fiquei ali, parada como uma boba, decorando todas as notas em minha mente, para poder tocar essa música quando eu quisesse e me lembrar dele.
"

Eu sabia que era errado. Eu não tinha licença alguma para tocar aquela música, mas antes que eu pudesse pensar em algo, meus dedos já estavam seguindo a melodia, enquanto eu sentia aquele mesmo sentimento bom tomar conta de todos os meus sentidos.
Por um momento, eu senti o amor de Michael novamente. Eu senti seu olhar carinhoso sobre mim e toda a mágoa que eu sentia, se esvaia em cada nota que era liberada pelo piano. Não havia mais dor, nem decepção, a perda do meu bebê havia se tornado a única que ainda me abalava, mas eu sabia que essa dor nunca iria passar realmente. O resto... Era apenas resto.
Se eu pudesse cantar, eu cantaria e eu teria certeza que a plateia se comoveria ainda mais com aquela canção tão linda, feita por um homem maravilhoso. Quando cheguei ao final de canção, vi o público se levantar e bater palmas com sorrisos no rostos. Eu sorri também e me levantei, mas minha expressão foi mudando quando encontrei o olhar de Michael sobre o meu.
Ele não sorria. E era o único a estar sentado, junto a uma loira que passava a mão pelo peito dele, deixando-me enjoada. Acho que ele não tinha gostado de eu ter tocado sua música e eu até poderia entender. Mas nada tiraria a sensação de liberdade de mim, depois de ter tocado aquela canção.
Sorri novamente e agradeci ao público, antes de sair e encontrar Alfred na coxia. Ele sorria de orelha a orelha.
- De onde saiu aquela maravilha? Não sabia que estava compondo novamente,chérie.
Sorri e balancei a cabeça, quando entrei no meu camarim.
- Não é de minha autoria, Alfred.
- Claro que não é! Eu quero saber, quem te deu o direito de subir naquele palco e tocar a minha música, Mabelle Phechínne. - Michael falou, entrando em meu camarim de repente.
Ele estava lindo. E foi inevitável que lembrança dele em meu camarim não viesse a minha mente. Quando eu poderia imaginar que estaríamos aqui? Desse jeito?
- Michael, eu sinto muito, eu só... Eu não consegui impedir a vontade de tocar. - murmurei.
- Ah, claro. Eu também não vou impedir a minha vontade de meter um processo em você. Fique avisada.
- Como? - Alfred perguntou, colocando-se do meu lado.
- Isso mesmo. Sua amiga tocou a minha música sem a minha permissão. Não vou deixar isso quieto, Mabelle. Não mesmo! - ele me olhou com os olhos em chamas.
Havia algo muito errado ali. Aquele, nem de longe, se parecia com o Michael que eu conheci.
- Você não disse que a música era pra mim? - perguntei, me aproximando dele. - Me lembro disso claramente, Michael. Você se inspirou em mim, para escrever aquela canção. Sei que isso não me da direito algum de sair tocando-a por aí, mas acho que é injusto da sua parte me meter um processo, quando você usou a mim para escrevê-la.
- Eu não usei você, Mabelle. Eu usei a mulher que eu pensava que você era. Uma coisa bem diferente.
- Chega! - Alfred disse, me puxando de volta para ficar ao seu lado. - Você é lindo como um deus, Jackson, mas isso não te dá o direito de ofender a minha amiga. Você não sabe da missa metade do que ela passou durante todo esse tempo, então você deveria ficar calado!
- E você sabe o que ela me fez passar? Ou ela também disse pra você que foi dopada pelo amiguinho dela? - ele gritou.
- Ela não precisava me dizer nada, porque eu sei que ela jamais faria aquilo com você. Eu confio em Mabelle, ao contrário de você! - Alfred disse e se encaminhou para a porta, abrindo-a. - Saia daqui. Se quiser processar Mabelle, siga em frente, será apenas mais um erro na sua grande lista.
- Mais um erro na minha... Do que você está falando? - ele franziu o cenho.
- Falando a verdade. Mas como você gosta de acreditar em mentiras, jamais entenderá. Saia daqui.
Michael me olhou mais uma vez, mas eu me recusei a retribuir. Já havia passado por muita coisa e a presença dele me mostrou que eu não havia superado nada do que imaginei que havia superado. Com um suspiro, ele saiu do camarim e ouvi a porta ser fechada por Alfred.
- Não se preocupe, chérie... - ele andou até a mim e me abraçou. - Tudo vai se resolver, eu prometo.
Eu queria acreditar, mas era quase impossível, quando sua vida estava totalmente virada de cabeça para baixo.

Capitulo 27


Alfred respirou mais uma vez, antes de tocar o interfone da casa de Michael. Fazia apenas uma hora desde que Mabelle havia decolado de volta para França, e realmente foi muito difícil fazer ela acreditar que ele ficaria por causa de um cara - lindo de morrer, diga-se de passagem - ele tinha conhecido na noite em que ela tinha tocado piano na premiação.
Bem, não foi de todo uma mentira. Ele realmente ficou interessado no tal carinha, mas o real motivo para ficar na América, era porque ele ia fazer Michael acreditar em sua amiga, de uma vez por todas! Nem que tivesse que prendê-lo em uma cadeira e calar sua boca com fita adesiva para que lhe escutasse.
Não demorou muito para que dois seguranças se aproximassem do portão e anunciassem sua presença para Michael. Obviamente, a primeira resposta que ele recebeu foi um não. Mas ele estava obstinado e disse que faria um escândalo se não fosse recebido.
Michael revirou os olhos quando os seguranças transmitiram o recado de Alfred. Aquele amigo de Mabelle era muito abusado, ele pensou, mas... Por que não o receber? Nada do que ele faria mudaria sua forma de pensar, mas ele estava curioso para saber o que Alfred falaria em defesa de sua amiga, por isso, liberou a entrada dele e foi para o escritório.
Minutos depois, sua governanta bateu a porta, anunciando a entrada de Alfred. O mesmo entrou com um olhar astuto, com seus óculos de graus na ponta do nariz. Se fosse em outra ocasião, Michael teria rido. Alfred era engraçado, ele tinha de admitir.
- Alfred... É uma pena que não possa falar que é um prazer recebê-lo. - Michael disse, vendo-o sentar na cadeira em frente a sua mesa. - O que quer?
- Você já foi mais gentil e educado, *Dieu de la beauté. - Alfred disse, sorrindo de lado.
- Obrigado pelo elogio, Alfred. Mas acho que você não veio até a minha casa apenas para dizer que sobre a minha antiga educação e sobre a minha... Beleza. - Michael respondeu. - Diga logo o que quer, antes que eu me arrependa de tê-lo recebido.
- Eu não vou dizer nada. Eu vou amostrar. - ele tirou pequeno gravador da bolsa que carregava consigo e o colocou em cima da mesa, pousando o dedo sobre oplay. - Espero que esteja preparado para saber sobre a verdade. - ele murmurou, antes de apertar o play.
Michael franziu cenho, sem entender nada do que ele estava falando, mas antes de poder perguntar o que era tudo aquilo, a voz de Alfred tomou toda a sala.


"- Eu só queria saber o por quê, Roger. Quer dizer... Mabelle nunca te deu esperanças de nada. Ela ao menos sabia que você tinha essa obsessão por ela, ao contrário de mim. Eu sempre soube, mas nunca pensei que você pudesse ir tão baixo.
- Eu fui baixo sim, Alfred. Mas pelo menos ela não está com Michael agora. Sabe, eu até gostei de vê aquela cara dele de idiota, achando que Mabelle havia mesmo transado comigo. - ele riu. - Eu realmente queria que ela tivesse, mas sei que isso jamais aconteceria.
- E jamais acontecerá. Mabelle te odeia, você acabou com a vida da minha amiga!
- Eu acabei? Pelo amor de Deus, Alfred! Mabelle não vai morrer só porque Michael Jackson acha que ela é uma vadia. - ele disse. - Eu a amo de verdade e foi por isso que a dopei, a deixei totalmente nua pra mim, para que ele chegasse e visse tudo. Eu não a quero com ele e nem com homem algum, ponto final!"


A gravação acabou e Alfred pegou o gravador e o guardou em sua bolsa novamente.
- Não foi tão difícil fazer com que Roger conversasse comigo em inglês, mas mesmo assim, acho que você deve me dar mais do que essa cara de idiota que você está me obrigando a observar, Michael. E então... Precisa de mais alguma coisa para que você acredite na palavra da minha amiga?
Michael continuou parado. A voz de Roger ecoando em sua mente, cada palavra se repetindo. Por um momento, quando Alfred colocou aquele gravador a sua frente, ele pensou que logo depois de ouvir tudo o que estava ali, ele iria rir e mandá-lo embora, mas não era aquilo que estava acontecendo. Ele acabara de ouvir o que Mabelle havia lhe dito o tempo todo: ela não transou com Roger.
- Eu... Eu não sei o que dizer. - ele murmurou, fechando os olhos e passando as mãos pelos cabelos.
- Mas eu sei exatamente o que dizer, Michael. Você resolveu acreditar no circo estupido que Roger armou, ao invés de acreditar na palavra de Mabelle. Passou quase dois meses pensando que ela era uma vagabunda, quando na verdade, ela era a vítima de toda essa história!
- Mas você tem de convir comigo que toda aquela cena... Não tinha como eu pensar nada diferente, Alfred! - ele disse, se levantando e começando a andar de um lado para o outro. - Mas mesmo assim, isso não diminui em nada o meu erro e nem a minha culpa. Eu sei que o que eu fiz e eu vou atrás de Mabelle! Em que hotel ela está? Eu vou até lá agora e me desculpar com ela.
- Nada é tão fácil assim, garotão. Pra começo de conversa, Mabelle já está a caminho da França nesse exato momento. Eu fui com ela até o aeroporto antes de vir pra cá.
- Por que? Se você tinha a prova de tudo, por que a mandou embora? Aliás, desde quando você tem essa gravação?
- Desde quando Mabelle veio para os Estados Unidos atrás de você, há um mês. - ele revelou. - Eu iria vir junto com ela naquele dia em que ela veio na sua casa, mas ela foi apressada demais e veio sozinha. Eu tinha essa gravação na carta da manga, para, caso você não acreditasse nela ou não quisesse escutá-la, eu mostrar a você.
- E por que você não veio depois? Não era preciso vir com ela para mostrar isso para mim, Alfred!
- Eu não vim porque, primeiramente, eu pensei que você tinha que refletir e acreditar nela por si só. Mas logo depois, eu vi que você simplesmente não merecia que eu viesse até aqui apenas para te mostrar essa gravação.
- Por que não? Todo o ser humano erra, Alfred, e eu sou um ser humano, não posso ser perfeito.
- Mabelle estava grávida. - ele murmurou, e Michael olhou pra ele com a atenção redobrada. O verbo no passado não ficando desapercebido por ele. - Ela veio aqui para contar isso a você, mas obviamente, ela não o fez. Ela perdeu o bebê naquele mesmo dia.
- Ela... Perdeu o bebê? - ele perguntou, sentando-se no sofá.
Ficar de pé não parecia uma boa ideia, quando suas pernas tremiam tanto.
- Nós havíamos combinado de vir a sua casa juntos, como falei antes. Por isso, eu fui dormir depois de chegarmos de viagem. Na parte da tarde, quando eu acordei atrasado e estranhei que ela ainda não tivesse ido me chamar para sairmos, visto que ela estava tão ansiosa. Encurtando a história, eu me arrumei e fui ao quarto dela. Quando cheguei lá, a luz do banheiro estava acesa e como a porta estava aberta, eu entrei. Mabelle estava sentada no chão, a cabeça tombada na parede e havia muito, muito sangue. Eu nunca tinha visto tanto sangue em toda a minha vida, Michael. Eu fiquei tão desesperado, que eu nem me lembro direito do que aconteceu, eu só sei que consegui chegar com ela em um hospital.
Ele fez uma pausa para se recompor, enquanto Michael o observava com atenção.
- Quando o médico finalmente apareceu para me dar alguma notícia, ele disse que ela estava bem, mas o bebê já estava morto antes de chegarmos ao hospital. Ela teve um... Descolamento da placenta e o médico disse que isso ocorre quando a gestante sofre algum golpe na barriga e...
Michael não ouviu mais nada. Seu cérebro estacionou ali, enquanto ele revivia a cena dos portões de sua casa batendo na barriga de Mabelle e ela caindo no chão. Não foi preciso muito tempo até ele chegar a conclusão de que foi por causa daquilo que ela havia perdido o bebê.
Ele já se sentia culpado antes, mas agora... A dor era mil vezes maior. Por Deus, por causa de sua teimosia e egoísmo, ele não só tinha magoado a mulher que ele mais amou na vida, como tinha perdido seu filho. Se ele apenas tivesse deixado-a entrar em sua casa, talvez, agora, ele ainda seria pai. O que ele sentia naquele momento não era possível colocar em palavras.
- Michael? Michael, você está me ouvindo? - Alfred perguntou, vendo Michael piscar e assentir. - Por isso eu decidi que não valia a pena vir até você e mostrar essa gravação, mas agora, Michael, agora era a hora certa. Um mês já se passou, Mabelle está conseguindo caminhar com as próprias pernas depois desse baque tão grande e... Está mais do que na hora de você levantar essa sua linda bundinha e ir atrás dela, pedir perdão. Ela te ama, Michael. Ela realmente te ama e talvez demore um pouco, porque ela ainda está magoada e sofrendo com tudo isso, mas ela vai te aceitar de volta. Eu não viria aqui se não tivesse tanta certeza.
- Eu vou atrás dela. - Michael disse, levantando-se do sofá. - Eu vou e... Muito obrigado por tudo isso, Alfred! Muito obrigado, e... Eu vou atrás dela agora!
Michael saiu do escritório gritando por sua governanta e Alfred sorriu satisfeito se levantando e ajeitando o óculos de grau em seu rosto. Agora sim a vida de sua amiga voltaria ao normal e todo o sofrimento ficaria para trás.


Capitulo 28


Michael olhou mais uma vez pela sacada do hotel, observando o tempo nublado que pairava sobre Paris. Não poderia estar mais perfeito, até porque, o tempo contrastava exatamente como ele se sentia por dentro.
Tudo estava cinza e nublado dentro de si, enquanto a conversa com Alfred voltava com força total. Ele queria ter tempo para pensar em tudo aquilo, mas cada segundo revivendo as últimas semanas resultaria apenas em tempo perdido. Então, se levantou e saiu do quarto, encontrando Alfred no corredor, o punho erguido para bater em sua porta.
- Eu ia te chamar agora para irmos a casa de Mabelle... Está pronto?
- Nunca estarei pronto o suficiente. Eu só preciso chegar lá e abrir o meu coração. - ele murmurou.
Alfred apenas assentiu e juntos, foram para a mansão de Mabelle. Michael apenas rezava para que tudo desse certo. 

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Mabelle.

- Senhorita Mabelle, o senhor Alfred chegou e espera pela senhorita na sala de estar. - Adeline me avisou, depois de bater na porta do meu quarto.
- Diga a ele que já estou descendo, Adeline.
Ela assentiu e saiu, enquanto eu voltava a me olhar no espelho, me permitindo sorrir um pouco. Tinha voltado a ser eu mesma, sem emoções ou qualquer tipo de tristeza. Tudo ficou para trás no momento em que o avião decolou, me tirando da América e me livrando de todo aquele tormento resolveu fazer morada dentro de mim nas últimas semanas.
Mabelle Phechínne está de volta. - murmurei para minha imagem no espelho -E não deixarei nada fazer com que a dor apareça novamente. Sentimentos são tolos e devem ser enterrados junto com o passado.
Decidida, me levantei e sai do quarto.
Tudo estava silencioso e eu desci as escadas olhando ao redor, percebendo que o hall estava completamente vázio, mas não precisou muito até que eu sentisse o cheiro dele. Michael estava ali, eu senti seu cheiro e sua presença, o vi de relance sentado no sofá da minha casa, mas passei direto e me joguei nos braços de Alfred. Ele sim merecia minha atenção.
- Chérie, je suis contente que tu sois de retour! Dites-moi, comment était votre jour avec ce gars qui a arraché le cœur?* - perguntei em francês, vendo-o franzir o cenho pra mim.
- Hm... Mabelle, você tem uma visita, mon cher.
Me virei e encarei Michael, que já estava de pé atrás de mim. Ele tinha um olhar arrependido e era óbvio pra mim que ele já sabia a verdade. Até porquê, não havia outro motivo para ele estar em minha casa.
- Completamente sem importância, chérie! - falei para Alfred. - Aliás, eu não acho de bom tom que uma pessoa entre em minha casa sem o meu devido conhecimento, Alfred. Da próxima vez, avise a Adeline que você tem companhia e ela me perguntará se tal pessoa pode entrar. Dessa vez eu te perdoo, querido. - sorri de leve.
- Mabelle, não dificulte as coisas. O que aconteceu? Por que está agindo assim? - Alfred perguntou, cruzando os braços e me olhando com atenção.
- Assim como? Estou agindo como sempre agi, Alfred. Sei que estava acostumado com a minha versão melancólica, mas resolvi seguir o seus conselhos e os conselhos de minha avó: voltar a ser eu mesma e seguir em frente. É só isso que estou fazendo. - dei de ombros.
- Mabelle...
Michael se pronunciou pela primeira e eu tive que disfarçar muito para não demonstrar a pontada que meu coração deu ao ouvir sua voz pronunciar meu nome em um tom tão... Doce e arrependido.
- O que?
- Por favor... Vamos conversar. - ele engoliu em seco. - Eu tenho tanta coisa para falar.
Olhei para ele e arqueei uma sobrancelha, fazendo um sorriso genuíno se abrir em meus lábios.
- Jura? Eu também tinha tanta coisa para falar, Michael, mas você não quis ouvir uma única palavra do que eu tinha a dizer... Então, por que eu tenho que te ouvir? Um tanto contraditório, não? - perguntei, fazendo questão de soar totalmente sarcástica.
Vi seus olhos ficarem ainda mais entristecidos e reprimi a dor que estava querendo voltar. Não voltaria nunca mais, eu não deixaria! Se você me achava fria antes, Michael, vai vê que aquilo fora apenas a ponta do Iceberg.
- Eu sei o quanto eu errei, Mabelle, eu sei. Mas... Eu só preciso de uma chance, uma única chance. - ele se aproximou, e vendo que eu não recuei, continuou a se aproximar até ficar cara a cara comigo. - Eu preciso que você me escute e me perdoe.
Eu dei mais um passo e sua respiração batia no meu rosto. Vi de relance quando Alfred saiu da sala e depois fixei meu olhar no de Michael. Eu vi uma pontinha esperança lá dentro.
- Eu também precisava de uma única chance e você fechou portão na minha cara. - falei, sentindo vontade fazê-lo sentir a mesma dor que eu sentia a pouco tempo atrás. - É uma pena que eu não possa fazer o mesmo, apesar de saber que você não perderia nem um por cento do que eu perdi, quando me expulsou da sua casa daquela maneira tão cavalheiresca.
Ele ofegou e eu me afastei, sabendo que sim, ele já sabia de tudo, até mesmo sobre o meu bebê. Sua reação não negava isso.
- Eu... - ele murmurou mas parou no meio do caminho. Eu apenas ergui minha sobrancelha, esperando-o continuar. - Você não sabe o quanto eu me arrependo de tudo aquilo, Mabelle, principalmente disso. - ele disse, os olhos totalmente marejados. - Você perdeu o nosso bebê por minha causa e...
- Meu bebê. - o cortei, empurrando o nó em minha garganta. - Apenas meu.
- Não, ele era meu também... - as lágrimas desciam por seus olhos, enquanto um soluço audível escapou por seus lábios. - Ele era tanto meu quanto seu e mesmo sem ter sabido da sua existência antes, eu o amo da mesma forma. A dor é muito grande pra mim também.
- Não, ela não é. Você nunca vai entender o que é descobrir sobre um filho, amá-lo desde o princípio e depois perdê-lo da forma que eu perdi. - falei, sentindo meus olhos marejarem também. - Você nunca vai entender porque não estava ao meu lado em nenhum desses momentos. Você poderia estar ao meu lado e se estivesse, eu ainda teria o meu bebê dentro de mim. Mas você preferiu ficar com a mentira, do que acreditar em mim. Você fez a sua escolha quando fechou aquele portão na minha cara e me fez perder o meu filho. Então, apenas saia da minha casa e não volte mais.
Ele abriu e fechou a boca duas vezes, e quando eu pensei que ele falaria mais alguma coisa, ele apenas fechou os olhos e deixou mais algumas lágrimas caírem, antes de virar as costas e ir embora.
E pela primeira vez na minha vida, eu me perguntei se tinha feito a coisa certa, ao mandá-lo embora daquela maneira.

Capitulo 29 - Mabelle


- Acho que você se precipitou... - ouvi a voz de Alfred atrás de mim.
Era óbvio que ele tinha escutado tudo, e eu não iria repreendê-lo, na verdade, até agradeceria se eu tivesse condições de falar alguma sem deixar aquela represa de emoções estourar. Me sentei no sofá e o senti se sentar ao meu lado. Seu olhar pesava em meus ombros.
- Não deveria tê-lo mandado embora daquela forma, Mabelle. Vocês estão magoados, sensíveis e jogar tudo na cara dele daquela forma não foi o certo a se fazer.
- O que você quer que eu diga, Alfred? Eu já o mandei embora, não é mesmo? Fim de papo. - murmurei, recostando-me no sofá e fechando os olhos.
- E vai deixar tudo por isso mesmo? Pensei que o quisesse de volta, Mabelle!
- Eu percebi que não adianta ter ao meu lado, uma pessoa que, se por um acaso armarem para mim novamente, ele irá acreditar na mentira e não na verdade. Não vale a pena, Alfred. E eu também estou muito magoada, só quero pisar nesse sentimento e seguir em frente.
- Essa mágoa sempre estará dentro de você, enquanto você não resolver essa situação, Mabelle. Ele descobriu a verdade, sabe que errou e veio se desculpar... Custava ao menos ouvi-lo?
- Custa você parar de falar como se a culpa fosse minha?! - perguntei, me levantando do sofá e olhando pra ele. - Fui eu quem sofri durante todo esse tempo, Alfred, enquanto ele me chamava de vadia pelas costas. Fui eu quem corri atrás dele, me rastejei para que ele me escutasse! Fui eu quem perdi o meu bebê, enquanto ele achava que eu tinha o traído! Eu disse que o amava e ele falou que eu era podre por dentro e não merecia o amor dele... - meu tom diminuiu, enquanto eu sentia as lágrimas molharem meu rosto. - E agora você está me crucificando porque eu o mandei embora? Eu só fiz o certo.
Limpei minhas lágrimas, não suportando que estava sendo fraca novamente. Alfred se levantou e passou a mão pelo meu rosto, antes de dar um beijo na minha testa.
- Você está certa, me perdoe. - ele murmurou. - Só quero que você volte a ser feliz, chérie e você só conseguiu isso quando estava ao lado dele. Talvez deixar a magoa para trás e perdoá-lo seja o melhor a se fazer, mas eu prometo que não vou me intrometer mais. Vocês irão se entender e mesmo que não fiquem juntos, eu sempre estarei ao seu lado.
Ele sorriu de leve pra mim e foi embora, me deixando sozinha.
- Eu sei que estará... - murmurei para o vazio. 

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O quarto da suíte presidencial de um dos hotéis mais caros de Paris estava completamente as escuras, e não eram mais de duas horas da tarde. A mesma lamuria se repetia pelo terceiro dia consecutivo, enquanto Michael tomava mais um gole do uísque e sentia seu coração se afundar na escuridão que também o habitava por dentro.
Culpa, remorso, dor, amor... Tantos sentimentos misturados, tantas lágrimas, tantos murmuros e pedidos de perdão... Mas nada era o suficiente para fazer com que Michael Jackson saísse daquele estado.
Escutar Mabelle o culpando talvez tenha sido a parte mais difícil de tudo. Ele sabia que tinha culpa; sabia que seu filho havia morrido por sua causa, mas vê que Mabelle também achava o mesmo estava acabando com ele. Quando pensou que toda aquela loucura resultaria nisso?
Ele só queria fazer com que ela o amasse... E quando ela finalmente o amou, ele a magoou.
- Bela ironia do fodido destino! - ele murmurou para o vazio, rompendo em uma risada que foi massacrada por um intenso soluço.
Ele se deitou no chão e abraçou a garrafa - agora vazia - de uísque e fechou os olhos. Dormir faria bem... Mas se tornou algo impossível quando batidas furiosas rompeu o silêncio.
- Michael, abre essa porta agora! Estou falando sério, cara, eu atravessei a porra do maldito oceano para te ver, então eu exijo que você abra essa porta! - John gritou.
- Vá se foder, John... - Michael murmurou, largando a garrafa e tampando os ouvidos.
John Branca revirou os olhos, recebendo apenas o silêncio como resposta. Sabia que Michael poderia ser um burro empacado quando queria e ele estava fazendo isso nesse exato momento. Desistindo de tudo, ele saiu e entrou no elevador.
Só tinha uma pessoa que seria capaz de tirar o seu amigo daquela maldita situação, e ele iria atrás dela e a levaria até aquele hotel, nem que tivesse de arrastá-la.
Ou não se chamava John Branca - advogado de Michael (agora embriagado e depressivo) Jackson!
Capitulo 30 - Mabelle


Quando Adeline me disse que John Branca estava nos portões da minha casa, eu tive vontade de rir. Quer dizer, Michael havia desistido e mandou seu advogado para se desculpar por ele? Primeiramente, eu pensei em dizer não. Mas o que eu poderia perder - além do meu tempo - escutando-o?
Mandei Adeline deixá-lo entrar e fui em direção a sala, sentando-me para esperá-lo. Demorou apenas alguns segundos para que ele aparecesse e se sentasse a minha frente, secando a testa com um lenço branco.
- Nervoso, John? - perguntei, arqueando uma sobrancelha.
- Desesperado, eu diria. - ele me olhou, enquanto colocava o lenço no bolso do paletó. - Mabelle, você precisa me ajudar. Ou melhor... Precisa ajudar Michael!
- Preciso? Ora, John, seu amigo não precisa de ajuda. Ele precisa apenas desistir e voltar para a América. Aliás, você aceita beber alguma coisa? - peguntei, tentando parecer educada, mesmo com a vontade gritante de mandá-lo embora.
- Não, muito obrigado. A única coisa que eu quero é que você venha comigo.
- Ir com você? - franzi o cenho. - Pra onde?
- Mabelle, Michael se trancou no quarto do hotel e não sai de forma alguma! A única coisa que ele pede para o serviço de quarto, são garrafas e mais garrafas de uísque, há três dias ele só vem tomando uísque! Eu estou realmente preocupado, Michael não é de beber, apenas socialmente e agora ele está se afogando... E só você pode tirá-lo dessa maldita situação.
Engoli em seco, sentindo uma súbita preocupação tomar conta de mim. Realmente, Michael não bebia muito e agora estava há três dias tomando uísque, sem sair do quarto de hotel... E eu nunca vira John tão preocupado. Mas, droga, o que eu tinha haver com aquilo? Certo, eu tinha tudo haver com aquilo, mas não era minha obrigação ir cuidar de Michael.
- Pelo amor de Deus, John. Michael é um homem de 40 anos, que sabe muito bem se cuidar sozinho. Ele não precisa de babá e eu, sinceramente, não sirvo pra isso. - falei. - Era só isso que você veio fazer aqui? Se for... - apontei para para o corredor do hall, indicando saída.
- Mabelle, preste atenção: isso não é um caso de orgulho. Eu estou realmente preocupado, e se ele entrar em coma alcoólico lá dentro? Você precisa me ajudar, Mabelle, por favor. É só falar com ele e eu tenho certeza de que ele irá abrir a porta, depois disso você pode ir embora, se quiser.
Respirei fundo, sabendo que ele tinha razão. Michael realmente podia se matar dentro daquele quarto e... De repente, perdê-lo dessa maneira massacrou o meu coração.
Merda, eu realmente o amo.
- Okay, John. Eu só vou pegar minha bolsa. - murmurei, me levantando. 

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- É só chegar na porta e falar com ele. Ele reconhece sua voz de longe, pode apostar. - John murmurou pra mim, enquanto passávamos pelo saguão do hotel.
- Eu não vou ficar que nem uma idiota batendo na porta dele, John. Vou pedir um cartão-chave na recepção.
John me olhou e riu, colocando a mão na boca.
- Não entendi a graça. - falei entre dentes. Esse amigo de Michael sabia ser irritante!
- Você é louca, garota? Até parece que eles vão te dar o cartão-chave do quarto presidencial do hotel... - ele revirou os olhos.
- John, meu querido. Eu sou Mabelle Phechínne, e assim como o seu amigo, eu consigo exatamente tudo o que eu quero. Se eu não conseguisse, você não estaria na França nesse momento, olhando pra mim. - sorri de lado ao olhar pra ele. - Você sabe, eu quis Michael Jackson na minha cama e eu o tive. Tem certeza que não consigo ter um cartão-chave?
Ele me olhou e coçou a cabeça, me fazendo rir.
- Tá certo, garota... Você sabe do que é capaz e sabe, eu gosto de você. Michael fez uma boa escolha. - ele sorriu.
- Eu também fiz uma boa escolha... - murmurei mais para mim do que para ele.
Sim, eu fiz uma boa escolha ao deixar meu coração amolecer para Michael. Mesmo com toda a mágoa, e tudo o que nos aconteceu, ele é o melhor homem que eu já poderia ter tido na minha vida.
Com esse pensamento em mente, fui até a recepção e pedi para falar com o gerente do hotel. Em menos de dez minutos de conversas, eu tinha o cartão-chave em mãos e poderia ter até mesmo o hotel inteiro, se assim eu quisesse. Bem, palavras do gerente e não minhas.
John e eu entramos no elevador e logo estávamos no último andar do hotel. Ele me deixou passar primeiro e me acompanhou até a única porta no extenso corredor.
- Vou entrar sozinha, John. Se ele estiver desmaiado ou algo do tipo, eu peço para chamarem você. - falei.
- Tudo bem, estarei na minha suíte. - ele assentiu e se virou, mas antes de seguir, virou-se pra mim novamente. - Não mate meu amigo, ele é um idiota, mas te ama.
Assenti e ele seguiu em frente, enquanto eu respirava fundo e abria a porta da suíte de Michael.
Capitulo 31 - Mabelle


Um cheiro forte de bebida tomou conta das minhas narinas, me fazendo ofegar baixinho. Dieu, como Michael estava conseguindo ficar ali dentro? Estava tudo escuro e fechado, e eu tateei até encontrar o interruptor do abajur. Michael estava deitado no chão e ressonava baixinho - quer dizer, eu pelo menos esperava muito que ele estivesse apenas dormindo.
Andei pela suíte e fui até as janelas, separando as cortinas e deixando a luz do dia clarear todo o quarto. Abri as janelas de vidro, sentindo o ar puro invadir o quarto, eu tinha uma noção melhor de toda aquela bagunça.
Havia algumas garrafas de uísque vazias no chão e outras cheias em cima da mesinha de centro da sala da suíte. Sapatos e meias de Michael estavam cada um em um canto, enquanto ele estava encolhido próximo a mesa.
Respirei fundo e tirei meus sapatos de salto. Logo depois arregacei as mangas da minha blusa e fui em direção a Michael, decidida a pôr um fim naquela sua situação deprimente. Me abaixei e tirei a garrafa vazia que estava debaixo de seu braço e pensei na melhor forma de acordá-lo.
Se eu o tocasse... Tinha certeza que toda a minha barreira para afastá-lo iria desmoronar. Mas o que eu poderia fazer? Eu tinha de ajudá-lo e, naquele momento, tocá-lo era a única opção viável.
- Michael. - murmurei, tocando em seu rosto. Ele continuou imóvel. - Michael, acorde! - falei com mais firmeza.
Ele resmungou alguma coisa e depois que eu sacudi seus ombros, ele abriu os olhos, demorando para focar em mim.
- Porra, feche essas malditas cortinas... - ele reclamou, tampando os olhos.
- Ah... Ressaca, não é mesmo? Pensasse na dor de cabeça antes de beber desse jeito. Venha, vou te dar um banho pra melhorar esse estado, Michael.
Ele tirou a mão da frente dos olhos e me olhou, franzindo o cenho.
- Mabelle? - ele riu de leve. - Que ótimo, agora estou começando a ter alucinações... - murmurou com a voz totalmente enrolada, voltando a tampar os olhos.
- Não é alucinação, Michael, e eu acho melhor você me ajudar a te levantar. Você é magro, mas pesa, chérie! - murmurei irônica.
- Mabelle! - ele se sentou tão rápido, que eu tive que segurar seus ombros para firmá-lo. - O que... O que você tá fazendo aqui? Como conseguiu entrar?
- Eu tenho meus truques, agora vamos para o banheiro, Michael! - falei firme, pegando em suas mãos.
Ele olhou nossas mãos entrelaçadas e sorriu de leve, começando a se levantar devagar, enquanto eu o ajudava.
- Tudo o que você quiser. - murmurou.
Suspirei de leve e fomos devagar para o banheiro, enquanto ele tropeçava um pouco. Porra, ele estava mesmo muito ruim! Quando chegamos ao banheiro, o coloquei no box e mudei a temperatura da água, abrindo o chuveiro.
- Porra, Mabelle, está gelada pra caralho! - ele gritou, tentando fugir do jato d'água, mas eu o segurei, me molhando junto com ele.
- Sim, mas é o que ajuda a melhorar porres tão malditos como esse, então, para de reclamar! - falei, mantendo-o no lugar.
Ele bufou e fechou os olhos, enquanto eu observava a água molhar todo o seu corpo. Senti minha intimidade se apertar, mas me contive. Não era a hora de ficar excitada! Comecei a desabotoar a blusa dele, sentindo sua pele por debaixo de minhas mãos.
Tudo para ele ficar bem, Mabelle. Sem intenções sexuais aqui! - murmurei mentalmente, seguindo para a calça.
- Hm... Gosto de quando você me despe tão rápido assim, baby. - ele disse, rindo baixinho.
Acho que ainda estava um pouco bêbado.
- Estou apenas cuidando de você, Michael. Mas se quiser, pode tomar banho vestido. - falei, querendo mostrar a convicção que eu não tinha, em cada palavra dita.
- Oh, não... Continue.
Vi seu sorrisinho arrogante nos lábios, enquanto ele abriu os olhos e me olhou. Ele continuava o mesmo, sempre com aquela pitada sexual no olhar. Balancei a cabeça e reprimi um sorriso, enquanto desabotoava sua calça e a via cair ao chão. Ele estava completamente nu e seu pênis estava semi-ereto, o que me fez arfar baixinho.
Desviando o olhar, me abaixei e peguei suas roupas do chão.
- Acho que você pode tomar um banho sozinho, Michael. Eu vou pedir para a camareira vir arru...
Terminar de falar? Impossível quando sua boca colou na minha tão depressa. Eu tentei me desvencilhar, mas a única coisa que consegui fazer foi com que as roupas voltasse para o chão, enquanto Michael colocava a mão em minha nuca e aprofundava o beijo. O gosto de uísque misturado ao seu sabor natural me deixou excitada tão rápido, que meu cérebro se desligou, ligando-se apenas a parte baixa do meu corpo.
Eu não conseguiria resistir a tudo aquilo, ao seu beijo e ao seu toque, então, enfiei minhas mãos em seus cabelos e o puxei mais para mim, soltando um gemido do fundo da garganta quando ele apertou minha bunda e esfregou sua ereção dura em minha barriga.
Em menos de um minuto eu estava nua. Minha roupa se juntou a suas no canto do box, e logo minhas pernas estavam entrelaçadas a sua cintura. Tudo o que eu mais queria era que ele entrasse em mim de vez, mas quando coloquei a mão entre nós e toquei em seu pênis para colocá-lo em minha abertura, ele sorriu de leve e balançou a cabeça.
- Não aqui. Quero você na minha cama. - ele sussurrou, esticando a mão para fechar o chuveiro.
Com passos rápidos, Michael saiu do box e passou pelo banheiro, seguindo em direção ao quarto comigo em seu colo. Nossa boca ainda estava grudada uma na outra quando ele me deitou na cama e se acomodou em cima de mim, começando a passar a mão por todo o meu corpo e esfregar seu membro em minha abertura.
- Tão molhada... Deus, eu senti muita falta disso! - ele grunhiu, descendo os lábios pelo meu pescoço.
Senti sua respiração próximo ao meu mamilo sensível e um palavrão escapou por meus lábios quando ele o prendeu entre seus dentes, em uma mordidinha rápida, que fez um choque elétrico se instalar em meu centro. Sua língua rodeou o meu seio em um circulo perfeito, e quando ele o sugou, senti a Terra mudar de órbita e um mundo de sensações me invadiu.
Era como a primeira vez que eu nunca tive. Tudo era novo e intenso, muito intenso. Ele chupou, lambeu e mordeu um seio e depois o outro, apertando meu corpo com suas mãos, enquanto eu sentia a ponta de sua ereção molhar minha barriga com seu líquido de pré-gozo. Com a necessidade de tocá-lo crescendo em mim, coloquei minha mão entre nós e o toquei, masturbando-o de cima a baixo.
- Oh, baby... Isso mesmo, aperta meu pau assim... - ele gemeu, lambendo meu mamilo mais uma vez. - Estou tão duro por você, Mabelle, porra...
- Eu preciso de você dentro de mim, Michael... - consegui falar, me contorcendo abaixo dele.
Minha intimidade pulsava, implorando por ele.
- Precisa, anjo? - ele perguntou, passando a mão pelo interior da minha coxa até chegar em minha intimidade. Ele circulou meu clitóris com rapidez e logo desceu para minha entrada, me penetrando com rapidez. - Apertada, molhada... Santo Deus, Mabelle, você realmente me enlouquece!
- Michael, por favor... - choraminguei, abrindo mais as minhas pernas para ele.
Senti seu sorriso em minha pele, antes dele levantar a cabeça e me olhar. Retribui o sorriso, vendo-o se acomodar no meio de minhas pernas e tirar seu dedo de dentro de mim, para que seu membro ocupasse o mesmo lugar. Antes de me penetrar, ele entrelaçou nossas mãos e as colocou para o alto, em cima da minha cabeça. Seus olhos estavam dentro dos meus, quando senti a pontinho do seu membro dentro de mim.
- Oh... Isso... - suspirei, sentindo seu pênis me da prazer antes mesmo dele estar todo dentro de mim.
Michael encostou sua testa na minha e mordeu meu lábio inferior de leve, colocando-se mais um pouco dentro de mim e eu me movi para recebê-lo mais, porém, seus movimentos pararam. Menos da metade do seu membro estava dentro de mim, e a agonia estava ficando insuportável.
- Michael...
Ele fechou os olhos com força e balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Eu não posso... - ele sussurrou tão baixinho, como se sentisse dor.
- Não pode o quê? Do que está falando?
- Eu não posso entrar em você, não posso te amar depois de tudo o que fiz. - ele saiu de dentro de mim rapidamente e se deitou ao meu lado na cama, olhando para o teto. Seu pênis ereto estava na altura de seu umbigo, a ponta brilhando por causa de nossa excitação. - Eu não tenho esse direito, Mabelle e você só está aqui em minha cama, desse jeito, porquê eu te encurralei no banheiro. Eu sinto muito.
Olhei para ele, me perguntando se ele realmente estava falando sério. Quer dizer, depois de tudo pelo o que passamos, ele estava me rejeitando? Não mesmo!
Sem dizer uma palavra, eu me levantei e me sentei em cima dele, tomando seu membro em minhas mãos. Antes mesmo de ele fazer qualquer coisa, coloquei seu pênis em minha entrada e sentei de uma só vez, sentindo-o ir até o fundo, do jeito que nós sempre gostamos. Ele gemeu alto e colocou as mãos em minha cintura, tentando me fazer parar, mas eu jamais pararia, não naquele momento.
- Oh, Michael... Seu pau é tão grande pra mim... - gemi alto, descendo meu olhar para o seu. - Eu jamais estaria aqui se eu realmente não quisesse. E se você não quer me amar, não se preocupe, eu vou amar você. - murmurei, me movendo com mais rapidez em cima dele.
Fechei meus olhos, sentindo seu membro crescer dentro de mim e me ocupar em todos os lugares possíveis. Era tão bom, tão excitante tomar conta de toda a situação e finalmente tê-lo de volta para mim, que toda a magoa e decepção se dissiparam em um milésimo de segundo.
Suas mãos passearam pela minha cintura e minha perna, e logo seu dedo anelar estava acariciando meu clitóris com destreza, fazendo meu interior se apertar todo em volta dele.
- Isso mesmo, anjo... Goza pra mim. - ele gemeu com a voz rouca, me incitando e ir cada vez mais rápido.
E foi exatamente isso que fiz. Seus movimentos em meu clitóris aumentaram, assim como o meu rebolado em cima de seu membro. Levei minhas mãos aos meus seios e olhei para Michael, que me olhava fascinado, enquanto eu apertava meus mamilos entre meus dedos. Não demorou muito para que eu sentisse a pressão se formar dentro de mim.
- Eu vou, Michael... - gemi alto, jogando minha cabeça para trás. - Vou gozar,Dieu!
- Goze, meu anjo... Quero sentir. - ele grunhiu.
Senti minha cabeça rodar, enquanto meu orgasmo tomava conta de mim, fazendo pequenos jatos escaparem por minha intimidade. Um gemido alto e rouco rompeu minha garganta, enquanto eu caia deitada no peito de Michael, sentindo meu corpo sensível e minha garganta queimar.
Ele beijou minha testa e acariciou minhas costas com carinho, enquanto eu sentia seu membro pulsar forte dentro de mim, me lembrando que ele ainda não tinha gozado. Bem... Eu estava mais do que disposta a resolver aquele pequeno problema.
- Acho que temos que cuidar de você... - murmurei com um sorriso, ainda deitada em seu peito.
- Não, não temos. - ele disse, segurando uma mexa do meu cabelo em seus dedos. - Tudo o que importa é você.
- É mesmo? Então você vai ficar com as bolas roxas e tudo mais... E depois vai dizer que a culpa é minha.
Ele riu. Pela primeira vez ele riu de verdade e eu senti meu coração se encher de alegria. Não adiantava mais... Eu o amava e o perdão que ele tanto queria, já estava pronto para lhe ser dado.
- Bem, seu prazer sempre veio em primeiro lugar, então, eu fico contente apenas com isso, mon ange... - ele disse, beijando minha testa.
- Eu perdoo você, Michael. - falei de uma só vez.
Senti seu coração pular ainda mais rápido dentro do peito, enquanto ele prendia a respiração. Ergui minha cabela e olhei para ele, vendo-o com os olhos arregalados para mim.
- Hei... Respire. - sorri pra ele, tocando em seu rosto.
- Você... Eu acho que ouvi errado... - ele murmurou, soltando a respiração.
- Não, você não ouviu. - sussurrei, olhando em seus olhos. - Eu amo você, Michael e estou disposta a deixar tudo para trás, toda a dor e a decepção e seguir em frente. Com você ao meu lado.
- Mabelle, eu... Deus, eu não sei o que dizer!
Senti meus olhos ficarem embaçados por conta das lágrimas e os deles também ficaram. Quando suas lágrimas molharam minha mão em seu rosto, senti vontade de sorrir. Assim como eu, ele não estava chorando de tristeza e sim de alívio e felicidade.
- Apenas diga que nunca mais irá me magoar e que sempre acreditará em mim. Porque eu sempre acreditarei em você.
Ele se sentou em um pulo e pegou meu rosto em suas mãos, olhando dentro de meus olhos.
- Eu prometo que nunca mais farei mal a você. Prometo que sempre acreditarei em você, acima de tudo e sempre cuidarei de você. Eu te amo muito e nunca mais vou errar dessa maneira. - ele encostou sua testa na minha e uma de suas mãos desceu até a minha barriga. - E prometo que serei o melhor pai do mundo para os nossos filhos que ainda virão.
- Eu tenho certeza que será. - murmurei, sentindo as lágrimas molharem meu rosto.
- Não, não chore mais... Eu já te fiz chorar muito. - ele murmurou, beijando minhas lágrimas.
Aquilo me fez sorrir.
- É de felicidade. - olhei para ele e me movi em seu colo, vendo-o morder o lábio. Ele ainda estava completamente duro dentro de mim. - E não me esqueci do fato do senhor ainda não ter gozado. Como quer ter filhos sem gozar, mon cher?
Ele gargalhou e se virou, me colocando deitada e se deitando por cima de mim, arremetendo duas vezes seguidas, forte e rápido.
- Não se preocupe, baby. Prometo que você estará grávida em menos de dois meses. - ele piscou, acelerando os movimentos dentro de mim.
- Do jeito que somos, não duvido nada que eu esteja grávida no mês que vem... - gemi, sentindo-o ir até o fundo.
Ele mordeu o lábio e rebolou dentro de mim, me fazendo ofegar alto quando sua pélvis roçou em meu clitóris.
- Hm... Bem, eu tenho muito, muito sêmen aqui. E você sabe que eu fico duro muito rápido, então, se você quiser, podemos ficar nessa cama até você engravidar. - ele murmurou.
Aquilo me fez rir ainda mais. Olhei para ele, sentindo seu olhar queimar meu corpo como brasa. Aquele era o Michael que eu conhecia; amoroso, gostoso, excitado e boca suja. E era o único que eu queria ter ao meu lado.
Arranhei suas costas, sentindo meu interior começar a apertá-lo e ele gemeu alto, me mandando gozar junto com ele. Não foi preciso dizer duas vezes. Explodi junto a ele em um gozo fantástico, que me dizia que estávamos, finalmente, no caminho certo para a felicidade
.


Capitulo 32 - Mabelle


Quatro anos depois.

- Eu ainda não acredito que aceitei fazer isso... - Michael murmurou, rindo de leve para mim e balançando a cabeça. - Só você para me convencer, Mabelle.
- Não reclame, mon cher... É só uma entrevista. - sussurrei para ele, beijando seus lábios de leve.
- Com licença... - escutei uma voz feminina e me separei de Michael. - Vocês estão prontos?
- Estamos. - sorri para ela.
Ela assentiu e saiu da sala para chamar a jornalista. A sala de Neverland havia se transformado em um estúdio fotográfico e agora, depois das sessões de fotos, faltava apenas a entrevista. A jornalista entrou na sala e apertou nossas mãos, antes de se sentar a nossa frente.
- Primeiramente, queremos agradecer por estarem dando essa entrevista. É muito gratificante ter essa oportunidade. - ela disse, simpática.
- Imagina, chérie. Nós é que agradecemos, até porquê, foi por causa dessa revista que nos conhecemos, não é mesmo, mon amour?
Michael sorriu pra mim e beijou minha mão.
- Sim, baby. Agradeço muitíssimo. - Michael disse, voltando o olhar para a jornalista.
- Ficamos muito felizes por participar de todo esse amor. Me digam... Como se sentem completando quatro anos de casados?
- É maravilhoso. São os melhores anos de nossas vidas e tenho certeza que tudo melhorará ainda mais. - Michael respondeu.
- Tenho certeza que sim, principalmente agora, que o segundo bebê está a caminho... Já sabem o sexo?
Passei a mão pela minha barriga de seis meses, sorrindo de leve e Michael olhou para mim com admiração.
- É uma menina. - falei.
- E já tem um nome?
- Temos, mas isso ainda é um segredo... - Michael sorriu.
- E como o pequeno Prince Michael lidou a com a notícia de que terá uma irmãzinha? - ela perguntou.
- Ele ficou super contente. A verdade é que sempre nos pediu um irmão, principalmente porque ele já está com três aninhos e é muito esperto para sua idade. - falei, lembrando de meu filho e seu lindo sorriso.
A pequena entrevista seguiu por mais vinte minutos e logo depois toda a equipe fora embora. Quando ficamos finalmente sozinhos, subimos para o segundo andar apenas para dar um beijo em Prince, que tirava seu sono da tarde tranquilo e fomos para o nosso quarto.
- Viu? Doeu fazer a entrevista, senhor Jackson? - perguntei, me sentando na cama e olhando pra ele.
Ele olhou pra mim e sorriu abertamente, se ajoelhando a minha frente e beijando minha barriga.
- Não doeu. Na verdade, eu gostei... - ele me olhou, enquanto suas mãos subiam minha saia lentamente. - Mas agora, acho que mereço uma recompensa por ter me comportado bem e aceitado a fazer o que me pediu, o que acha, senhora Jackson?
Sorri maliciosamente pra ele e desci a alça da minha blusa, revelando meus seios que agora estavam maiores por conta da gravidez. Ele suspirou baixinho e eu mordi o lábio inferior, sentindo o desejo dominar cada poro do meu corpo.
- Eu acho que você está demorando demais para vir buscar a sua recompensa...
E então, logo o seu corpo estava cobrindo o meu, enquanto ele me amava na mesma intensidade de sempre, com o mesmo dialeto sujo que tanto me excitava, com o mesmo amor que tanto me emocionava.
Quatro anos haviam se passado e mais quatro virão e eu tenho certeza que nada mudará entre Michael e eu, porquê ele me mostrou que amar é o melhor sentimento que podemos que ter e eu agradecia a Deus todos os dias por eu ter tido coragem o suficiente para dizer naquela entrevista que eu o desejava.
Quando eu pensei que teria Michael Jackson apenas na minha cama, por uma noite, eu não imaginava que estaríamos aqui, casados e esperando pelo nosso segundo filho.
Mas no final, eu sabia que eu faria e passaria por tudo de novo, apenas para estar aqui agora e ter toda essa felicidade em minha vida.
Esse tal de Michael Jackson me fez amá-lo... E isso será para sempre. 

Fim.

22 comentários:

  1. *----------* ansiosa aqui,mais uma vez juntas,:3 :3 :3

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  2. Meninas, cheguei com o começo pra vocês.
    Espero que gostem dessa minha nova aventura, rsrs.
    Beijos <3

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  3. Continua muie!!!!

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  4. Posta mais minha linda ta muito bom kkkkkkkkk

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  5. Atualizado amores!
    Obrigada por lerem ^^

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  6. Atualizado garotas ;)
    Obrigada por lerem :*

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  7. omg ;-----; ñ acreditoooo :( pq? mikeeeeeee volta p/ mabelle :( :(

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  8. Por favor posta mais ta muito bom kkkkkk

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  9. Atualizado meninas!
    Obrigada por estarem aqui.
    Beijos <3

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  10. Meninas, cheguei com o final pra vocês...
    Muito, muito obrigada por terem lido.
    Beijos <3 <3

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