segunda-feira, 15 de junho de 2015

FanFic: "Vende-se um coração partido" (+18)

Autoras: Paula e Moysa Jackson




Valerie Birck Agnoletto, passou de uma jovem meiga e sonhadora para uma empresária obstinada e fria num piscar de olhos. Um coração quebrado a fez se fechar para o mundo.

Ser uma Agnoletto nunca fora fácil, quase todos que se aproximavam dela, eram falsos e focavam em sua fortuna. Ela queria diferenciar, viver um grande amor, sem nenhum dinheiro em jogo.
Foi quando ela conheceu-o. Ele parecia um ótimo rapaz, sem falar que era lindo e com o passar do tempo se tornara gentil e romântico. Valerie decidiu esconder dele que era rica... No começo ele pareceu aceitar bem a situação, mas tudo desmoronou feito um castelo de cartas.

Ele apareceu com outra garota, linda, loira e rica e disse que precisava seguir com ela. Que entre ele e Valerie não haveria futuro... E foi embora.

Valerie chorou por dias a fio, mas prometeu a si mesma que jamais entregaria seu coração a outra pessoa. Que no fundo tudo, até o amor, era um jogo de interesses.

10 anos haviam se passado e seu coração continuava partido... Mas o que Valerie não sabe de forma alguma é que seu passado está prestes a bater na sua porta, pronto para entrar para família Agnoletto.

Amor ou ambição, qual desses sentimentos vencerá essa guerra?


Capítulo 1



- Hey, Valerie, olha só que gatinho, e não para de te olhar – Olhei para onde as meninas estavam apontando e encontrei um garoto muito bonito me encarando.




Ele estava sentado, mas ainda assim percebi que era alto, magro, os cabelos longos e cacheados o destacaria em qualquer lugar. Os olhos grandes e negros e o sorriso mais lindo que já vi na vida.

- É mesmo muito bonito – Concordei, voltando minha atenção para o milk-shake a minha frente.

- E você só diz isso? – Sabrine, uma das minhas amigas, perguntou em seu costumeiro dramalhão.

- E o que quer que diga ou faça, garota? – Ri, preparando-me para sugar um pouco do delicioso milk-shake. A dias tenho sonhado com aquele gosto de chocolate e baunilha descendo por minha garganta.

- Se insinue – Disse sabiamente, como se um bando de garota de 17 anos soubesse mesmo se insinuar. Revirei os olhos. 

– Veja só como consigo fisgar o amigo dele rapidinho. – Foi a vez de Vivian se pronunciar.

Ela virou-se e arrumou os seios miúdos, para parecerem maior, Soltou os cabelos loiros e adicionou uma camada de gloss a boca rosada. Um jogada de cabelo, uma piscadela e ela havia ido embora com um dos amigos do carinha bonitão.

- Minha vez – Sabrine seguiu o mesmo ritual de Vivian, e alguns minutos depois estava saindo da sorveteria com o outro amigo do bonitão.

Ótimo, eu saio com essas duas loucas e acabo sozinha.

Ainda bem que estou quase acabando o meu paraíso em forma de líquido e pretendo correr para casa.

Esse negócio de se insinuar para garotos nunca fui muito para mim, ao contrário das demais garotas, vou a sorveteria para matar minha vontade atroz de chocolate, não para paquerar ninguém.

Prefiro ler um bom livro, assistir a um bom filme... Sim, as vezes gosto de sair pra uma festa ou outra, e sim, muito de vez em quando eu paquero também. Não sou tão anormal assim. Só não é muito a minha praia.

É, eu faço a linha romântica... daquelas bem piegas mesmo, que ainda acredita em príncipe, sabe? Mas ninguém precisa saber disso, é claro.

- Fred, estava uma delícia – Murmuro feliz, empurrando a taça enorme de volta para Fred.

- Você e essa sua paixão por milk-shakes – Ele riu – Sai daqui até mais corada. – É minha vez de rir.

- E consequentemente mais bonita – Ouço uma voz suave dizer atrás de mim.

Viro-me, e me deparo com o bonitão parado bem atrás de mim.

- Coloque tudo na minha conta, Fred, inclusive o da senhorita – Ele sorri para mim, e Fred assente, saindo de cena.

-Não precisava se incomodar – Dou de ombros.

- Sem problemas – Ele sorri, e quase me derreto vendo-o fazendo aquilo. – É nova por aqui?

- Vim só passar férias com as meninas – Ele assentiu.

- Logo vi, me lembraria se tivesse te visto antes. Prazer, sou Michael – Ele me estendeu a mão e eu apertei-a. Encantada com a forma que nossas mãos se encaixaram. 

- Sou Valerie Ag... – Me interrompi – Apenas, Valerie.

Eu não ia fazer a idiotice de dizer meu sobrenome. Eu já sabia o que viria a seguir, se eu fizesse. Ele provavelmente diria: “Você é da famosa família Agnoletto? E seu sorriso iria aumentar, sua gentileza, e de repente ele estaria me amando loucamente” Já havia passado por isso antes, e ainda bem que fui esperta o suficiente para cair fora. Então aqui eu seria apenas Valerie e ponto.

- Então, apenas Valerie – Ri – Que tal darmos uma volta pela praia, vi que ficou sozinha, podemos aproveitar e procurar suas amigas e meus amigos.

- Vamos, então – Senti todo meu rosto corar ao respondê-lo.

Não, eu não sou tímida, mas esse garoto em particular me intimida.

Senti seus olhos queimando em minhas costas e virei para encará-lo, peguei-o fitando diretamente meu traseiro... eu chamaria de traseirinho, pois magrela como sou ele não é lá essas coisas. 

- Podemos ir agora? – Chamei sua atenção e ele assentiu, sorrindo de lado.

Passamos quase 2 horas perambulando pela praia. Falamos um monte de bobagem, e Michael me fez rir feito uma retardada. Ele era mesmo um cara legal.

Acabamos não encontrando nem seus amigos nem minhas amigas, então ele me levou de volta para o hotel.

- Nossa, está ficando aqui? – Perguntou, encarando com admiração a faixada do hotel mais caro da cidade.

- É... sabe, sou amiga das meninas a muitos anos – Dei de ombros – Minha mãe é empregada na casa de uma delas, então me convidaram para vir, eu aceitei. Não é todo dia que posso fazer algo assim.

- Entendo – Disse de cenho franzido. Pareceu ligeiramente decepcionado. – Bem, está entregue. Nos veremos amanhã, na praia?

- Depois das 2, certo? – Ele piscou.

- Certo – Michael se aproximou de mim e me deu um leve beijo na bochecha, afastando-se em seguida. – Até mais, princesa.

- Até – Dei mais um tchauzinho antes dele subir em sua moto e sair a toda velocidade.

Eu tinha que admitir, esse garoto mexeu comigo.

Olhei para a fachada do hotel e suspirei. Acabara de inventar que as meninas estavam me bancando quando era exatamente o contrário. Bem, uma mentirinha boba não faria diferença, era só uma garoto bonito, que conheci em minhas férias de verão... Não era?!


Capítulo 2


Entrei no hall do hotel e me dirigi até o balcão para pegar minhas chaves, entrei no elevador e dei graças a Deus ele estar vazio, apertei o número do meu andar, vi as portas fecharem e o silêncio do ambiente sendo quebrado pela aquela típica música de elevador, soltei a respiração e fechei os olhos, percebi então o quanto eu estava nervosa e inquieta, por alguns segundos me deixei entrar em transe e me peguei pensando no rapaz que eu acabara de conhecer. Havia algo nele, os olhos? o cabelo? não sei. O clic das portas se abrindo dissipou meu pequeno pensamento. Pronto cheguei a meu quarto! Mas antes mesmo de se quer virar a chave na porta ouvi uma torrente de perguntas.

- Onde você esteve? E com que? Posso saber? – Vivian perguntou, as mãos na cintura.

- Ah, meninas, agora não, eu estou muito cansada. – Balbuciei jogando a bolsa na cama.

- Beleza que não queira nos contar de suas fugidas – Fez bico – Massss, qual será nossos planos para hoje à noite?

- Bom, meninas, eu não quero desaponta-las mas pretendo tomar um banho e cair na cama.

- Mas nem pensar – Foi a vez de Sabrine dizer, com a cara fechada. - Sei que você está pagando tudo, mas não sou obrigada a ficar em um quarto de hotel dormindo enquanto tem uma super festa rolando.

Dessa vez eu não me segurei e cai em uma gargalhada, eu tinha que admitir que a Sabrine era bem persuasiva e engraçada quando se irritava com algo, parei por um instante e pensei...

- Ok, então vamos para a balada. – Respondi revirando os olhos.

A festa foi maravilhosa, muita gente bonita, bebida e musica alta, mas nada disso fez com que a imagem do rapaz de logo cedo saísse da minha cabeça, e eu novamente me peguei desejando que chegasse logo a tarde só para encontrar com ele novamente.

(...)

Três horas da tarde e lá estava eu sentada na mesma lanchonete tomando meu delicioso milk-shake, dessa vez de morango, e ansiosa para ver novamente aqueles olhos negros e brilhantes.
As meninas estavam do meu lado, tagarelando feito duas matracas.

- Olha só quem está ali! – Vivian sussurrou.

Dessa vez quase quebrei meu pescoço ao virar em direção a porta.

Lá estava ele, lindo, com os cabelos presos em um rabo de cavalo e óculos escuros, meu coração deu um salto que agradeci por as meninas não poderem ouvir.

Ele aproximou-se lentamente, me fitando profundamente.

- Olá Valerie! – Sorriu torto. Um puro sorriso ‘de molhar calcinha’_ como diria Sabrine.

- Oi Michael... Humm, Michael é esse seu nome não é? – Me fingi de esquecida. É claro que eu lembrava do nome dele. Droga por que ele me deixa tão nervosa assim?

- Sim é sim! - Ele deu uma risadinha debochada, respondendo-me.

Minha tática de desdenho foi ridícula, eu admito!

Tão logo Michael se aproximou Sabrine e Vivian logo sumiram para algum lugar que eu nem sei onde, mas agradeci mentalmente por elas não estarem ali para presenciar meu nervosismo.

- Posso me sentar? – Perguntou apontando o assento ao meu lado.

- Nossa, que mal educada eu sou. Claro, por favor. – Sorri amarelo. - Me acompanha? – Perguntei balançando o copo de Milk-shake.

- Não obrigada, me delicio apenas olhando você tomar! – Olhe ele ali de novo, aquele sorriso que estava me deixando doida. Automaticamente senti minha boca salivar. Ele por outro lado parecia perceber minha inquietação.

- E nossa volta na praia, ainda de pé? – Perguntou.

- Claro, vamos – Me levantei em um sobressalto.

- Fred, coloque em minha conta novamente. – Pediu ao garçom, que apenas assentiu, sorrindo marotamente. Dei de ombros, saindo com ele da sorveteria.

- Não precisava ter se incomodado – Disse.

- Faço questão. Afinal suas amigas que estão pagando tudo pra você, não é?

- Hum... sim, mas ainda posso pagar meus milk-shakes.

- Esqueça isso – Ele deu a conversa por encerrada. Antes de deixarmos completamente as dependências da sorveteria, ele segurou minha mão na sua e continuou a caminhada tranquilamente.

O que foi isso, bom Deus?

Ele fazia as coisas assim tão tranquilamente, sem nem pensar. Como se aquilo não tivesse me afetando nem um pouco.

Ele estava me deixando louca com tudo isso...

Passamos quase duas horas andando pela praia, falando amenidades.

Bem, ele não me contou muito de si, disse apenas que trabalhava em um emprego que não gostava, e que sonhava muito alto. Me perguntou bastante sobre mim, mas abreviei minha vida ao máximo, contando apenas que fazia faculdade de administração e ciências contábeis. 

Entramos no assunto ‘relacionamentos’ e ele me confessou nunca ter namorado sério, segundo ele não havia chegado a hora pra isso. Respondi quase da mesma forma, apenas acrescentando que estava focada demais nos estudos para isso.

Rimos um bocado de algumas histórias absurdas de escola, e falamos dos nossos amigos exagerados. Havia sido uma tarde maravilhosa.

- Bom, acho melhor eu ir.

A tarde começara a cair, e as meninas me esperariam para o jantar.

- Se quiser posso te dar uma carona até o hotel? 

- Se não for incomodar – Dei de ombros.

- Você jamais incomoda Valerie – Ele levantou-se, limpando a areia da calça jeans e eu fiz o mesmo.

Subi na moto e logo me agarrei aquele corpo firme, na verdade me agarrei mais que o necessário, mas o que eu mais queria era aproveitar cada momento com ele. E tê-lo assim tão perto era extasiante.

Fiquei um pouco apreensiva no início, mas quando sua moto ganhou velocidade pelas ruas da cidade e o vento começou a soprar forte em meus cabelos, soltei meus braços e comecei a sorrir feito uma boba. Acho que nunca na minha vida me senti assim tão livre, tão sem paradigmas, sem precisar de classe, de dinheiro... de nada.

- Chegamos – Anunciou, desligando a moto e descendo da mesma.

A fachada imponente do hotel me cumprimentava mais uma vez, suspirei ao ver que meu momento “tira casquinha” havia acabado.

- Quando eu vou te ver de novo? – Perguntou, nossos corpos muito perto.

- Eu não sei, tenho que saber quantos dias a mais minhas amigas pretendem ficar.

Ele se aproximou ainda mais, estava me olhando de um jeito tão quente que me senti derreter.

- Bom, então é melhor que eu aproveite! – Uma de suas mãos infiltrou-se por entre os cabelos da minha nuca, aproximando meu rosto do seu.

- Aproveite o q... – Ele interrompeu minha pergunta, juntando nossos lábios.

Sua outra mão se enroscou em minha, sua força exercendo pressão sobre meu quadril me jogou direto para o encontro do seu corpo, suas outa mão continuava prende meus cabelos firmemente. Minhas palavras ficaram na metade pois minha boca havia sido preenchida com um mel quente e doce, sua língua invadiu minha boca com a aptidão de quem sabia o que estava fazendo, eu apenas me deixei amolecer em seus braços e ao abrir os olhos após toda essa torrente de delicia o vi fitando meus olhos com um leve sorriso no rosto.

- Eu não poderia perder a oportunidade de provar dessa boca linda. – Disse segurando meu queixo. Senti-me corar.

Fiquei muda, meu cérebro ainda não havia processado aquela sensação, acho que seria justo dizer que nem os melhores milk-sheiks do mundo não seriam pário para aquele gosto. 

- Vejo você amanhã? - Apenas balancei a cabeça em sinal de positivo. Sorrindo feito uma idiota.
Ele novamente subiu na moto e foi embora, cantando pneu.

Flutuando, essa é a palavra. Foi assim que cheguei ao meu quarto. No chuveiro tocava meus lábios lembrando daquela sensação maravilhosa. Me perguntando o que mais de tão bom assim aquele garoto sabia fazer.

Acordei do meu transe com as batidas da Sabrine na porta.

- Valerie! Valerie! – Gritou.

Me enrolei em um dos roupões e fui abrir a porta, as duas entraram com furacões.

- E ai amiga não vai nos contar como foi com o bonitão? – Sabrine jogou-se na cama e Vivian correu até o mini frigobar para remexer ali.

- Não, não vou, não. Eu ainda não sei o que está rolando entre nó, então prefiro esperar, vocês sabem que tenho dedo podre então...

- Não vou opinar por hora, mas boto fé no Michael. Acho que ele te livrará da enfadonha virgindade. – Sabrine e Vivian caíram na gargalhada.

Deixei as duas sozinhas no quarto, ignorando-as, e fui para o closet me vestir.

- Estamos indo jantar, você não vem?

-Vou sim, esperem um minuto – Gritei.

Vesti uma calça jeans, uma blusinha rosa de seda e um escarpam sem saltos. Um pouco de gloss nos lábios e o cabelo preso em um rabo de cavalo. Nada de frescuras.

Descemos as escada tagarelando sobre até quando iríamos ficar na cidade. Nos sentamos na mesa do luxuoso restaurante do hotel e aguardamos um dos garçons.

- Acho melhor só voltarmos quando as aulas começarem – Opinei.

- Senhoritas – Ouvi aquela voz e reconheci-a prontamente, ao me virar dei de cara com um par de olhos negros me fitando atentamente.

As meninas me encararam caladas.

Então Michael era maitre do restaurante?!




Capítulo 3



- Boa noite, Valerie, meninas – Michael balbuciou parecendo desconfortável.

- Boa noite, bonitão – Disseram em uníssono.

- Boa noite, Michael. 

- Já decidiram o que vão pedir? – Perguntou ansioso, parecia rezar para sair dali.

- Você pode escolher, Val, já que... – Chutei o pé de Vivian por baixo da mesa e olhei-a com a maior cara de ‘cala a boca’. Ela calou-se. Sabrine me olhou de cenho franzido.

- O que pedirem pra mim está bom, meninas – Dei de ombros.

As meninas fizeram o pedido e Michael saiu dali tão depressa que nem deu tempo para me despedir.

- Então, senhorita Valerie Birck de Agnolleto, está mentindo para o bonitão? – Sabrine me acuso, já entendendo tudo.

- Eu não menti, eu omiti. Pelo menos por enquanto é melhor assim. Quero conhece-lo melhor... Sabem o que aconteceu em todos os meus outros relacionamentos...

- Acho que não é a melhor opção, isso pode dar confusão, Val.

- Pois acho que ela está certa – Sabrine discordou – A Val sempre se ferra com os caras, deixe ela ir devagar dessa vez.

Jantamos entre conversas e risadas e não vi mais Michael durante toda a noite.

(...)

Duas semanas depois...

As melhores duas semanas da minha vida, disso eu não tinha dúvidas. Me diverti, ri, namorei, fui feliz em duas semanas o que não fui em todo o resto da minha vida. E tudo isso eu devo a ele, meu Michael.

Foram incontáveis as horas que passamos juntos durante essas semanas. Éramos parceiros, ficávamos por horas a fio conversando, rindo, bebendo ou dando uns bons amassos.

Por esses dias ensinei-o a jogar xadrez e ele me ensinou a andar de moto – Não que eu tenha aprendido em tão pouco tempo, mas conseguia guiar, com ele segurando minhas mãos, é claro.
Aprendi muito sobre ele, sobre sua história e isso mudou muito a percepção que tinha dele. Michael me falara que era o mais velho de três irmãos, que sua mãe era dona de casa e seu pai um metalúrgico aposentado, que hoje em dia passava a maior parte do tempo no bar, torrando o pouco que ganhava. Disse-me que odiava trabalhar no hotel, fazia-o por que precisava ajudar em casa. Falou que começou lá como copeiro, e depois de concluir um brevíssimo e precário curso de gastronomia, havia conseguido uma vaga como ajudante do chefe de cozinha. Ele ralava desde os 18 anos para colocar um pouco mais de comida na sua casa, e para mim, isso já o fazia um cara do bem. Mas ele não parecia se abater, segundo ele, a vida sorriria pra ele, e quando isso acontecesse ele agarraria a oportunidade com unhas e dentes.

Talvez a vida estivesse sorrindo pra ele nesse exato momento e ele nem ao menos sabe. Estava decidida a contar a verdade. Queria levá-lo aos Estados Unidos comigo, lá ele poderia trabalhar em uma das empresas de papai. Ganharia muito mais, e trabalharia muito menos.

Se eu estava apaixonada? Loucamente. Em algum lugar do meu coração eu sabia que ele era o cara certo. Eu queria que ele fosse o primeiro e último daqui em diante... que me fizesse mulher, que passasse anos ao meu lado, que me desse filhos... – Sei que pode parecer precipitado, mas é o que eu sinto, e essa certeza eu posso carregar comigo.

(...)

- Tem certeza que quer mesmo fazer isso, Valerie? – Perguntou sério.

- Tenho, Michael. Ande, vamos me mostrar sua casa – Inclinei-me para dar beijinhos em seu pescoço.

- Você joga baixo, garota – Ri. Ele subiu em sua moto e me ajudou a subir. Agarrei-me a ele, como sempre fazia.

Quando sua moto ganhou velocidade pelas ruas e foi deixando o lado ‘rico e bonito’ de Laguna Beach para trás, fui ficando cada vez mais apreensiva. Michael estava entrando cada vez mais em ruas sem asfalto, onde a pobreza era gritante. Quando sua moto parou em frente a uma casa pequena e simples, fiquei bastante surpresa. Ele desligou-a e desceu.

- Venha, vamos conhecer minha casa – Disse triste, visivelmente irritado por eu tê-lo quase o arrastado pra cá. Ele segurou minha mão e me puxou casa a dentro.

Confesso que fiquei ainda mais surpresa ao entrar na casa. Na sala havia apenas um sofá desgastado e uma cômoda com uma TV, na cozinha, que eu conseguia ver dali mesmo, continha apenas uma mesa e algumas cadeiras, uma geladeira meio enferrujada e uma fogão. Era tudo muito pequeno e simplório.

Não me levem a mal, eu não sou fresca do tipo que ficaria com nojo ou algo assim, é só que tudo isso é distante demais do meu mundo, eu nunca encarei a pobreza assim tão de perto, e isso está me deixando apenas desconfortável. Ainda mais sabendo que Michael vive aqui, nessas condições. Um homem maravilhoso, esforçado, que merecia muito mais que isso. Me partia o coração saber que essa era sua realidade.

- Mãe – Michael chamou e uma mulher baixinha e gorducha surgiu de um corredor, vestida em um avental xadrez.

- O que quer? – Perguntou rude.

- Onde está papai, e meus irmãos?

- Seu pai está no bar, como sempre e seus irmãos estão por aí – Ela me encarou, com cara de poucos amigos –E essa aí, quem é?

- Essa é Valerie, minha namorada.

Oi, ele disse namorada?

- Se forem para o quarto e eu escutar barulho, coloco os dois pra correr – Dizendo isso ela sumiu pelo mesmo corredor de onde veio.

Michael meneou a cabeça, parecendo decepcionado com as atitudes da mãe.

- Está vendo só por que não queria te trazer? – Me equilibrei na ponta dos pés e beijei sua bochecha.

- Não se preocupe, amor – Dei de ombros – Certo que sua mãe não é dotada de uma docilidade nata, mas me acostumo. – Ele riu, puxando-me contra si.

- Você e esse seu jeitinho bonitinho de falar. Vamos – Michael voltou a me puxar pela casa, dessa vez parando em frente a uma porta. Quando entramos no pequeno, quase claustrofóbico espaço, o que vi foi uma cama e um guarda-roupas. Enquanto Michael trancava a porta girei para dar uma olhada melhor, logo senti-o me abraçando por trás espalhando beijos no meu pescoço. – Bem vinda a meu quarto, princesa.

Ele me deitou na cama e deitou-se por cima de mim, atacando meus lábios num beijo muito mais intenso do que os de costume. Correspondi-o com a mesma intensidade. Não precisou de muito tempo para que o quarto, já quente, estivesse em chamas. Michael levantou meu corpo da cama e tirou minha blusa, deixando-me apenas de sutiã. Ele admirou-me um tempo sem fazer nada, mas logo desceu seus lábios sobre meu pescoço e colo, mordiscando e chupando os lugares, fazendo baixos murmúrios escaparem dos meus lábios. Não me fiz de rogada, também livrei-o de sua camisa, e me deliciei mordiscando e chupando seu pescoço e peito, com a mesma fome que ele fizera comigo. Ambos já arfávamos.

Michael voltou a me beijar, parando em seguida e se prostrando de joelhos entre minhas pernas abertas. Ele alisou desde as minhas coxas, passando pelas minhas costas e parando em meus seios, ele os apertou delicadamente e eu gemi. Seus dedos ágeis voaram para o fecho do sutiã e ele me fitou por um segundo, como se me pedisse consentimento, apenas mordi o lábio, então Michael prosseguiu, livrando-me da peça intima. Sem enrolações, ele levou seus lábios até um dos meus seios e sugou-o com força. Meu corpo se arqueou e todo meu baixo ventre tremeu.

Sua língua continuou estimulando meus mamilos, sua boca sugando meu seio, sua mão pressionando o que estava livre do ataque de sua boca. A essa altura já estava louca para tê-lo dentro de mim.

Ele estava tão lindo e sexy assim, ofegante, vermelhinho e com uma fina camada de suor em sua testa.

Corri minhas mãos por suas costas largas e trouxe-o mais para mim, nossas pélvis se tocaram e eu senti sua ereção longa e dura, roçando-me. 

- Michael – Gemi. Infiltrando minhas mãos pelo cós de sua calça e sentindo a pele arrepiada da sua bunda durinha.

Meus quadris começaram a se mover involuntariamente, e sem perceber estava rebolando contra ele.

- Sim, Michael... Oh Deus – Meu gemido soou mais alto quando seus dentes rasparam na pele sensível.

- Shhh – Pediu, colocando os dedos sobre meus lábios. Segurei sua mão e suguei dois de seus dedos. Eu havia visto isso em um filme e tinha achado sexy pra cacete.

A mão livre dele desceu por minha barriga, desabotoou minha calça, desceu o zíper da minha calça...

Espera aí, eu sou virgem caramba!

- Não, Michael – Pedi. Ele me calou com um beijo, parecendo nem ter me ouvido. Sua mão voltou para a minha calça, agora entrando minimamente por dentro da minha calcinha. Travei na hora, me tencionando. Michael parou de me beijar e tirou sua mão, me encarando.

- Você é virgem, Valerie? – Perguntou, chocado.

- Sim, mas... – Ele levantou-se em um pulo, passando as mãos pelos cabelos nervosamente, em seguida vestindo a camisa.

- Por que não me disse, porra? – Me encolhi, Não esperava que ele ficasse tão bravo.

Preferi não responder. Catei do chão minha blusa, meu sutiã e minha dignidade. Já estava prestes a chorar quando ele sentou-se ao meu lado na cama.

- Desculpa, princesa... Não queria falar assim – Ele me abraçou, tentei me soltar, mas ele não deixou. – Só fiquei nervoso por que se tivesse me contado não iria trazê-la a esse pardieiro e tentar nada disso – Fiz um bico gigante. Ele riu um pouco e o beijou. – Deixe-me fazer isso – Michael tirou minhas mãos trêmulas do fecho do sutiã e ele mesmo o fechou, beijou o meu seio esquerdo e também vestiu minha blusa, como se eu fosse um bebê.

- Sei que deveria ter contado, mas estava apreensiva.

- Eu entendo, a culpa é minha, deveria ter perguntado – Ele me deu mais um beijo e levantou-se. Fiz o mesmo, agarrando-o pela camisa em seguida.

- Mas quero que saiba que é você... é com você que quero me tornar mulher – Ele apenas sorriu.

- Vou tomar uma água e ir ao banheiro, preciso me acalmar ou dirigir aquela moto vai ser impossível com essa ereção. E você arrume os cabelos, está parecendo que tomou um choque – Ele fechou a porta e saiu rindo.

Filho da mãe!

20 minutos depois saímos de sua casa, e não vi mais sua mãe depois que andamos um pouco pela casa. Alguns minutos a mais nos despedimos em frente ao hotel, prometendo nos encontrarmos no dia seguinte.

Assim que cheguei no quarto, leve como uma pluma e feliz como pinto no lixo, corri para tomar banho e colocar uma roupa confortável, pedi pipoca pelo serviço de quarto e chamei as meninas para um papo de mulher.

Precisava contar a elas o que havia decidido, ah, e o que acontecera hoje comigo. Ok, elas gritaram no meu ouvido por 5 minutos, mas precisava desabafar com elas. Fazer o que se essas doidas são minhas amigas e eu as amo.

Quando elas saíram, peguei meu celular para mandar uma mensagem de boa noite para o meu bonitão – Como dizem as meninas – e acabei dando de cara com nossa foto. Estávamos felizes, fazendo uma careta para a câmera. Vendo essa imagem meu peito se enchia de algo tão bom, tão único... Michael era o motivo de toda a minha felicidade e não quero perder isso jamais.




Capítulo 4


Dormi lembrando da sensação que Michael me fez sentir, era sempre maravilhoso estar em seus braços, pensando em como seria longo o dia de amanhã, mais um dos poucos que restavam nesse paraíso. Uma pequena tristeza me fez arfar mais uma vez, eu teria que contar a ele quem eu realmente era, isso me preocupava, eu tinha medo que ele não entendesse meus motivos e ficasse chateado. Fechei os olhos e prometi que amanhã contaria tudo a ale.

(...)

-Vamos Valerie, já são oito da manhã.

-Ai! Eu quero ficar, só mais um pouco!

-Olha aqui mocinha é melhor você levantar dessa cama!

- Mas que merda! – Levantei cambaleando e fui até a porta.

Sabrine e Vivian entraram como um tornado em meu quarto.

-Pelo amor de Deus, Valerie, você ainda está assim? –Viviam fala enquanto abre as cortinas.

-Assim nós vamos perder a excursão que levará os hospedes até as dunas, nós tínhamos combinado de irmos juntas esqueceu?

- Droga! Eu tinha me esquecido, é que aconteceu tanta coisa que...

-Como assim aconteceu tantas coisas? _ Sabrine e Vivian sentam na cama e me olham com olhos curiosos. Afinal elas ainda não tinham entendido direito o que estava acontecendo entre Michael e eu.

Sentei na cama e as observei, eu não escaparia das inúmeras perguntas e se bem conheço essas duas elas iriam me interrogar até saberem todos os detalhes, já que elas eram minhas melhores amigas achei por bem abrir de vez o jogo.

-Michael me levou ontem para conhecer a sua família.

-Como assim, então vocês estão namorando mesmo? - Sabrine pergunta, pondo as mãos na cintura.

-Bem, eu ainda não sei, mas foi assim que ele me apresentou para a mãe dele, como namorada.

-Neste caso vocês estão mesmo namorando. _Vivian apressou-se em dizer.

-É, eu acho que sim.

-E como é a família dele? Bom, dá pra ver que ele vem de uma família bem humilde e tal.

-A mãe dele é uma figura, gente, mas o que mais me impressionou foi o lugar onde ele mora, é bem diferente da minha realidade.

-Mas espere você já contou a ele, não contou? - Vivian me pergunta em tom sério.

-Contei o que?

-Como contou o que garota, que é rica, herdeira de uma das maiores empresas de engenharia do pais?

-Bem... Bom... ainda não. Ahhh meninas vocês sabem mais que ninguém o quanto eu já sofri com caras interesseiros, eu não queria estragar tudo desta vez.

-Amiga você está gostando dele né? 

-Eu acho que sim...

Nesse momento fui derrubada por duas maluquinhas histéricas, dando gritos de Huruuu.

-Bom então vamos logo senão vamos perder a excursão...

Levantei e tomei um banho rapidinho, vesti uma roupinha bem leve, peguei meus óculos escuros, bolsa e meu chapéu, dei uma passadinha rápida no café da manhã do hotel, sempre atenta para ver se via o Michael, eu sentia uma urgência absurda de falar com ele.

Passamos o dia inteiro nas tais dunas, Vivian e Sabrine se divertiram como loucas, tentei parar de pensar no Michael, mas tudo que eu fazia era em vão. Eu sabia que por mais que eu tentasse não resistiria aos seu encantos e por mais que me preservasse não iria conseguir resistir a ele.


A tarde passou voando, fomos jantar no restaurante do Hotel e mais uma vez me vi decepcionada, Michael não estava lá.


Assim passaram-se três dias eu já estava impaciente.

Mais uma tarde e mais um programa das duas malucas que tenho como amigas, estou me arrumando quando o telefone do quanto toca.

-Alô!

-Valerie?

-Michael! Nossa, por onde você andou? Você sumiu.

-Desculpe mas eu tive que me ausentar por uns dias, estou precisando te ver.

-Eu também estou precisando muito falar com você.

-Irá ter um luau na praia hoje!

-Bem eu havia marcado de sair com as meninas, mas...

-Por favor gostaria muito que você fosse, estou com muitas saudades sua.

Nossa ele sentiu minha falta! Como negar um pedido desses?

-OK!

-Te espero as sete então?

-Combinado.

Desliguei o telefone com uma sensação estranha, mas nem dei atenção.

As sete lá estava ele lindo como sempre, meu coração quase sai pela boca com tanta sensualidade que ele exalava.

Ele aproximou-se e tocou meu rosto com as costas de sua mão, seus olhos estavam mais escuros que de costume.

-Você está linda Valerie.

Só consegui dizer um obrigado.

Seguimos até a praia a pé, meu coração sabia que deveria logo ir direto ao assunto mas sempre alguma coisa nos interrompia.

Chegamos a praia e tudo estava deslumbrante, as pessoas começaram a se aglomerar e logo um grupo de músicos começaram a tocar músicas bem praianas, as tochas iluminavam um bom pedaço da orla havia umas poucas barracas no lugar, me dirigi a uma e Michael me acompanhou, eu olhava e tentava dentre tantas opções escolher uma bebida mas era impossível além de não entender nada de drinques, as cores e os nomes me deixavam cada vez mais confusas, por fim achei melhor que Michael escolhesse.

O sabor daquele drinque era excepcional, Vodca, leite condensado e morangos, acompanhado de um monte de enfeites nas bordas.

Olhei o céu e a lua estava de uma luz extraordinária, o céu parecia que tinha combinado com os organizadores da festa pois tudo estava lindo, eu olhava como boba tentando deixar marcada na memória aquela imagem nostálgica.

Senti que Michael não parava de me olhar, isso de certa forma me incomodava e ao mesmo tempo me queimava por dentro. Não falei nada apenas continuei a contemplar a bela vista da festa, não aguentei sou mesmo uma matraca ambulante.

-Onde você andou todos esses dias?

Ele olhou para mim e sorriu.

-Tive que resolver uns problemas em outra cidade.

-Algo sério, eu posso ajudar?

-Bom de certo você não poderia me ajudar, mas não se preocupe com isso já resolvi tudo.

Fiquei curiosa, o que será que ele teria de tão grave que eu não possa saber? Dever ser algo relacionado a dinheiro por isso ele deve achar que eu não possa ajuda-lo.

-Bem então você sentiu saudades?

Olho para ele e franzo a testa e penso na resposta não quero que ele se ache o gostosão   então limito-me apenas a sorrir.

Ficamos um bom tempo assim de carinhos para cá e beijos para lá a noite toda, não me segurei e bebi uns quatro ou cinco drinques de vodca com morangos.

A um certo ponto da festa eu já estava tão solta pelo efeito da vodca que arrisquei uns passinhos, nunca fui de beber então os efeitos que o álcool me fazia ainda eram novos para mim, Michael apenas me observava com seus olhos negros e seu sorriso deslumbrante.

-Vamos Michael venha dançar!

O chamei para a roda que as pessoas fizeram em volta de uma grande fogueira.

-Vai me dizer que não sabe dançar?

O provoquei e o vi soltar uma gargalhada gostosa de se ouvir.

-Você não me conhece senhorita Valerie!

-Há... eu agora virei senhorita para você?

Ele agarra minha cintura e encosta seu corpo no meu, agarro seu pescoço e faço menção a beijar sua boca mas ele desvencilha de mim e fala baixinho ao meu ouvido.

 - Você não faz ideia do que eu sou capaz quando sou desafiado minha linda.

Um corrente de eletricidade percorreu todo o meu corpo, ele voltou a me encarar e enfim me beijou mais uma vez.

Estamos na porta do hotel, Michael continua agarrado na minha cintura, mas desta vez me ajuda a me apoiar melhor. Toda aquela bebida havia feito efeito bem rápido mas eu tinha me divertido como louca tanto, que tinha esquecido da conversa que teria que ter tido com ele.

Pelo horário não havia quase ninguém na recepção, passamos tão rápido que quase cai na porta de um dos elevadores.

Michael insistia que queria me deixar segura na porta do meu quarto e garantir que eu chegasse sã e salva.

No elevador não poupamos beijos e amassos, mas ao chegar na porta do meu quarto sinto uma adrenalina percorrer minha espinha.

-Chegamos!

Abri a porta e entramos, Michael observou todo o quarto, notei sua surpresa ao ver como luxuosos ele era.

Fui até o aparelho de som e apertei o Player. Os acordes de Always -  Bon Jovi - começa a ecoar. Adoro essa banda.

-Essas suas amigas são bem legais com você não é? Para pagar por isso tudo! 

-Bem é sobre isso que...- Michael se atirou em mim 

- Shiii, não quero que fale nada eu só quero sentir você.

Michael beijou minha boca prendendo meus lábios entre seus dentes, sua língua era urgente e percorria cada centímetro da minha boca. Retribui o beijo.

-Você me deixa louco sabia?

Minhas pernas bambearam, mas logo fui acolhida por suas mãos que as seguraram.

-Porque você é assim – falei em meio a respiração ofegante.

-Assim como?

-Tão sedutor?

-Você ainda não viu nada.

Suas palavras me fizeram imaginar todas as sensações possíveis, em seus braços.

Meu corpo foi jogado contra a parede sendo acompanhado pelo seu, nossa urgência era clara.

-Quero fazer amor com você, quero que você seja minha. - Ele fala em meu ouvido e isso causa reações lá em baixo.

-Eu já sou sua Michael.

Suas mãos agora tiram meu vestido e eu me atento a tirar sua camisa, seu corpo exala puro desejo. Enrosco minhas pernas em sua cintura e beijo seu pescoço, ele continua me segurando contra a parede, minha calcinha é retirada aos puxões isso machuca um pouco minha pele mas não me importo, também não me incomodo pelo fato de ficar praticamente nua a sua frete ele afasta-se de mim e me examina, seu desejo quase salta aos olhos, uma fome que me excita e me assusta.

-Como você é linda.

Ele então estira uma das mãos e toca meu pescoço desce o indicador até meu seio esquerdo, faz desenhos até chegar ao fecho do sutiã e o aperta.

Pronto agora sim eu estou completamente nua. Ele novamente me analisa de cima a baixo, isso bem devagar, mas para mim é tempo demais, eu o quero logo.

Sinto um vou estremecer quando sinto sua língua quente e úmida tocar o mamilo esquerdo, tão lento que o gemido é inevitável. Minhas mãos se enroscam em seus cabelos, sua língua continua lá pulando de um seio para outro, seus dedos descem pela linha do umbigo e logo encontram minha umidade, minha carne mais sensível se contrai ao receber aquele estimulo. Sinto que vou explodir quando ele praticamente me carrega até a cama.

Me deita e não para de me beijar, seus dedos saem e eu vejo a cena mais erótica da minha vida, ele leva os dedos à boca.

-Você é uma delícia Valerie! Mas eu quero sentir mais.

Apenas fecho os olhos e sinto sua respiração entre minhas pernas.

Sua língua passei sobre meu púbis, não êxito abro–me, quero sentir sua língua em mim. Meu juízo dá voltas quando sinto que brinca com meu clitóris, meu corpo está suado e tenho o cara mais gostoso do mundo em meio as minhas pernas.

Meus gemidos é o único som ouvido agora, sua língua continua a passear por toda a extensão do meu sexo.

Minhas pernas se abrem ainda mais e sinto uma onda de eletricidade percorrer minha espinha, uma sensação tão desconhecida por mim me invade, uma urgência que ele continue e que faça mais rápido, pressiono sua cabeça contra meu corpo, ele logo entende a trabalha mais forte com a língua naquela região, sinto que vou explodir, quando fecho os olhos e levanto os quadris, um choque me deixa em estado de êxtase total. Tenho espasmos e meu corpo treme. Michael me olha e sorri, caio exausta, minha respiração é forte e ritmada.

Não consigo falar, mas quero mais disso, quero mais dessa sensação. Tiro forças da alma e o puxo para mim e lhe beijo com vontade.

-Diga o que você quer minha linda.

-Quero que você me coma! Quero que me faça sua logo!

Eu disse mesmo isso em voz alta? Sem qualquer resquício de vergonha?

Dito isso Michael se livra da calça jeans e se põe de joelho na cama, enrosco logo minhas pernas em seu quadril e apoio as mão no espelho da cama.

Sinto que ele já está mais que pronto.

Suas mãos me seguram a cintura e o sinto me penetrar com cuidado, uma pequena dor me invade, mas nem dou bola para ela, seus olhos procuram os meus, seus cabelos estão presos e sua boca está contraída, demostrando o quão controlado ele está sendo. Seu ritmo começa a se intensificar, agora são seus gemidos que me fazem delirar seu rosto colado ao meu e suas mãos a me apertar só me deixam mais excitada. Quero que isso nunca acabe, quero que ele me faça sua de maneira feroz quero mais, minha cabeça cai para o lado e sua boca toma conta do meu pescoço. Nós não aguentamos mais, estamos no ápice do prazer, mais três estocadas e me contorço novamente em seus braços, sinto sua respiração próximo a minha boca, logo ele me beija com sofreguidão, meu corpo está exausto como nunca esteve na vida, sinto que vou adormecer, e nem me importo por esta toda suada e penas quero dormir, sinto seus braços me apertarem, e sua voz dizer baixinho.

-Obrigada por isso Valerie, obrigado por ter sido o primeiro, foi maravilhoso.

Dei um leve sorriso e adormecei.

Na manhã seguinte senti minhas pernas grudentas e meu corpo doído, eu estava coberta com um dos lençóis que tinham no armário, me enrolei nele e levantei ainda sonolenta.

Fui até o banheiro e me olhei no espelho, estava toda desgrenhada mas com uma pele ótima logo lembrei na noite anterior. Mas onde está o Michael?




Capítulo 5


Cambaleei até o banheiro, na esperança que ele estivesse por lá, mas também não o encontrei. 
Bem, talvez ele tivesse ido trabalhar. Não esqueça Valerie, que ele não é rico como você e precisa acordar cedo e trabalhar – Me reprimi.

Decidi parar de paranoia e ir tomar um banho. Enquanto a água morna molhava meu corpo e tirava de minha pele os resquícios da noite de ontem, me pus a pensar em cada detalhe do que acontecera. No sorriso dele, no cheiro, no desejo, nos nossos corpos grudados, no encaixe perfeito, nos nosso beijos, gemidos, sussurros, até da minha frase altamente depravada... Eu amava aquele garoto, que chegou do dia para a noite e me transformou em uma garota que consegue confiar... Ele me fez mulher, e em breve estaríamos partindo para Chicago.

Sorri com tais pensamentos. E uma ânsia louca de vê-lo novamente me preencheu. Corri para terminar meu banho, me vesti e me aprontei em menos de 10 minutos. Iria procura-lo na cozinha do hotel. Talvez ele nem fosse gostar de me ter por lá, ou isso poderia inclusive atrapalhar no seu emprego, mas estava pouco me lixando, iria tirá-lo dali mesmo.

Estava prestes a sair do quarto quando as meninas apareceram.

- Hey, senhorita Agnolleto, onde pensa que vai sem nos dar os detalhes sórdidos da noite de ontem? – Vivian inquiriu, toda cheia de pose. Eu ri.

- Estava indo à procura do Michael – Dei de ombros.

- OK, vamos permitir que vá em busca do bonitão, mas antes fará um resumo da noite. Ande logo com isso – Foi a vez de Sabrine se pronunciar.

- Tudo bem – Rolei os olhos – Foi a noite mais perfeita de toda minha vida, satisfeitas?

- Oh meu Deus, Vivian, ela transou! – Sabrine gritou, batendo palmas.

- Fale baixo, louca – Puxei as duas pra dentro do meu quarto e fechei a porta. – Vou ser rápida, então não me interrompam.

Elas se sentaram na minha cama e me encararam, como se eu tivesse a notícia do ano.
Relatei parcialmente a noite, elas tentaram se conter, mas ouvi muitos gritinhos e palminhas. Elas transformavam tudo em um circo.

- Não acredito que você usou as palavras “me coma” – Vivian me encarou embasbacada – Se ainda fosse eu, mas você! A virginal e tímida Valerie Birck Agnolleto – Elas caíram na gargalhada. Encarei-as de olhos estreitos.

- Parem de rir de mim! Foi culpa do vinho. – Me defendi.

- Sei... Sempre disse que embaixo desses vestidos rosa-bebê havia uma fogueira – Dessa vez até eu ri.

- Sua idiota – Joguei uma almofada no meio de sua cara – Vão se divertir, por que eu vou procurar meu homem.

Deixei-as em meu quarto e rumei para o restaurante do hotel. Sentei em uma das mesas por alguns minutos, mas não o vi rondando por ali, então decidi logo ir na cozinha.

- Posso ajuda-la com algo, senhorita? – Uma voz chamou minha atenção, antes mesmo de eu conseguir me aproximar das portas que dariam na cozinha.

- Na verdade queria uma informação de um dos ajudantes de cozinha – Sorri amarelo. O homem não me encarou com muita animação. – Me chamo Valerie Agnolleto.

- Claro, senhorita Agnolleto, o que deseja? – Ele sorriu amplamente, mudando completamente sua postura. Típico, era sempre assim quando dizia meu sobrenome.

- Gostaria de falar com Michael... Michael Jackson.

- Sinto muito por não poder ajuda-la, mas o Michael pediu demissão a quase uma semana.

Hã, como ele fez isso e não me disse nada?

- Ok, obrigado pela atenção, senhor.

- Disponha, senhorita.

Girei em meus calcanhares e saí dali as presas. Mas o que diabos estava acontecendo com o Michael?

Pediu demissão do emprego, sumiu por 3 dias seguidos, e ontem depois de toda aquela vodca e pegação, nem sequer o inquiri sobre o sumiço. Isso tudo está muito estranho.

No caminho de volta para meu quarto tentei ligar para ele, mas chamava e caia na caixa postal.
Por que ele saiu do meu quarto as presas, sem nem se despedir?

A porta do elevador se abriu e saiu de lá um belíssimo casal. Uma loura estonteante, porém visivelmente ‘plastificada’, e um lindo jovem de cabelos cacheados... Eles estavam de mãos dadas e ele acabara de dar um beijinho no pescoço dela. O celular que eu segurava escapou das minhas mãos, o barulho tirou-os da ‘bolha’ deles e ele finalmente me olhou.

Eu estava estática, a única coisa que ouvia era as pulsações do meu coração acelerado e minha respiração descompassada. Não desviei meus olhos um segundo, observando com ânsia ele inclinar-se e cochichar algo no ouvido da mulher, ela assentiu e apenas ele saiu do elevador, enquanto ela seguia seu caminho.

Ele parou em minha frente, sério, impassível, sem emoção alguma nos olhos. Onde estava o Michael desejoso e amoroso com quem perdi minha virgindade ontem?

Pisquei meus olhos e grossas lágrimas molharam meu rosto.

- Valerie – Disse, com a voz trêmula.

- Me diga que é mentira! – Falei dois tons mais alto – Que aquilo que vi aqui foi um engano.

- Não, não é mentira.

- Como você pode? – Me desesperei – Você estava o tempo todo comigo e com essa mulher?

- Não – Apressou-se em dizer – Eu conheci Tessália a uma semana...

- Por que continuou me enganando então? Por que transou comigo ontem... Meu Deus, foi minha primeira vez e eu me entreguei a você... Você é nojento, Michael.

- Eu não transei com você – Gritou – Eu fiz amor com você, por que eu te amo porra! – Levantei minha mão e desferi um tapa em seu rosto.

- Como tem a coragem de dizer que me ama, se acabei de vê-lo atracado com outra mulher.

- Tessália é rica. – A afirmação entrou nos meus ouvidos e me atingiu feito uma punhalada. – Olha, Valerie, só estou com ela por que prometeu me levar para Nova York, o pai dela é um magnata lá, então vou me dar bem, meu amor... Não vou perder o contato com você, e assim que estiver bem lá, eu te levo.

- Para ser sua amante. Aquela que você fode quando sua esposa rica não está? Que tipo de monstro é você que tem coragem de oferecer algo sórdido como isso pra uma garota que até ontem era virgem?

- Eu estou desesperado – Murmurou, se aproximando. Sua expressão agora não era mais impassível, estava prestes a chorar – Eu amo você, mas preciso me agarrar a possibilidade que Tessália é.

- Você é igual a todos os outros. Não, você é pior que todos eles – Levei minhas mãos à cabeça, completamente sem rumo.

- Por favor, Valerie – Ele se aproximou, segurando meu rosto com ambas as mãos – Diga que vai me esperar, eu a encontrarei novamente e poderei dar a você uma vida melhor, sem precisar depender de suas amigas pra vir tirar férias em um bom hotel... hã? – Empurrei-o com todas as minhas forças.

- Vá se danar, seu ambicioso desgraçado. – Sua feição mudou para uma fúria instantaneamente.

- Você diz isso e me julga por que não leva a minha vida, não sente na pele o que passo. Você pode até ser pobre, mas nunca passou fome, nunca teve de aguentar um pai bêbado te batendo... Você não pode me julgar - Gritou a plenos pulmões. Agora ele também chorava.

- Nada justifica o que você fez. Você poderia ter me contado e eu te deixaria ir, mas esperou calado, enquanto eu fazia planos e me entregava a você... Você acabou com a minha vida. Eu quero distância de homens como você.

Ele enxugou o rosto e voltou ao seu ar de impassível.

- Estou te dizendo meus planos. Abri meu coração pra você e quero que saiba que tudo que falei aqui foi sincero, mas não vou mudar de opinião. Esse amor que sinto não vai me alimentar, nem me tirar dessa vida de merda. É tudo muito lindo, mas a vida real é bem diferente de um conto de fadas. Não vou passar o resto da minha vida com uma pobretona, vivendo de um salário ridículo... Eu quero mais, sempre quis mais.

- Ótimo – Foi minha vez de limpar o rosto e colocar a máscara de impassível. – Vá em busca do seu mais, mas saiba que assim que entrar naquele elevador e ele se fechar eu não lembrarei mais nem do seu nome. Esqueça que existo, que algum dia eu tive o azar de cruzar seu caminho.

- Se é assim que você quer que seja, assim será.

- Espero que se dê bem como michê e faça fortunas – Ri, sem humor.

- Adeus, Valerie.

Ele simplesmente deu as costas e se foi, sem olhar pra trás, sem hesitar uma vez sequer na sua decisão. Eu não chorei até ver a porta do elevador se fechar, mas quando ele já estava fora do meu campo de visão, eu escorreguei pela parede fria até o chão, abracei meus joelhos e chorei... chorei até meus soluços ecoarem pelo corredor vazio.


Sou Valerie Birck Agnolleto, eu amei uma vez, mas meu coração foi quebrado. Fui deixada de lado por alguns milhares de dólares e estava prestes a vender meu coração para Michael Jackson... Sim, por que ele iria comercializar esse amor.

Meu coração foi quebrado, e entendam isso com todas as literalidades possíveis, não há mais volta. Jaz aqui uma garota que um dia pode amar, mas agora não há espaço em seu coração para isso, tudo por que esse órgão extremamente importante para nosso corpo, fonte de pesquisa para muitos e inspiração para poetas, foi estilhaçado e com ele todo meu verdadeiro eu se foi.



10 anos depois...


Sabrine e Vivian



Valerie



Michael





Capítulo 6


-Senhorita Loes, por favor venha até a minha sala. – Três segundos depois ela estava em minha frente.

- Sim, senhora Agnolleto, o que deseja?

- Desmarque qualquer compromisso meu esta tarde, tenho muitos contratos para serem revisados, sim? – Ela assentiu, mas não se retirou. -Senhorita Loes deseja alguma coisa?

-Sim eu...

-Então diga de uma vez que o meu tempo é curto, ele custa dinheiro e como sei que a senhorita não pode pagar por ele, seja rápida.

-É que hoje eu gostaria de poder sair mais cedo, é que...

-Não! – Nem deixei que ele terminasse.

-Mas senhora é que...

-Loes, por um acaso você já viu a taxa de desemprego do nosso país?

-Sim, senhora.

-Você quer fazer parte dessa taxa?

-Não, senhora.

-Então trate de voltar a sua mesa e terminar o relatório que pedi há dois dias.

Baixei o olhar e ao levantá-lo não vi mais Loes.

Sei que parece maldade o que acabei de fazer, mas desde que assumi a empresa de minha família aprendi que devemos ter pulso firme ou o negócio desanda por completo. Além do mais a Loes já anda abusando mais que o necessário da minha boa vontade, ela pensa que eu não sei que ela vive de esfrega-esfrega com o Marcos do RH.

Essa empresa me desgasta muito, tive que assumir tudo após a morte dos meus pais. Eu já havia terminado a minha faculdade de engenharia, sabia que um dia iria assumir a diretoria da empresa, só não sabia que seria tão cedo.

Reclino em minha cadeira de couro e olho sobre minha mesa as fotos de minha família.
Meu pai e minha mãe, lindos, em seu último réveillon. Quem diria que depois daquela festa o fim seria tão trágico? Ainda hoje espero explicações das autoridades aéreas sobre o acidente com o monomotor da empresa. 

Fecho os olhos e uma única lágrima escapa de meus olhos, sinto tanta falta dos meus pais, eles são os únicos por quem eu ainda choro, os únicos que merecem essa façanha da minha parte, a dureza do meu coração não me deixa chorar por mais ninguém.

Ao lado deles está a foto do meu irmão do meio o Kevin, ele é meu melhor amigo, uma das poucas pessoas a quem eu ainda abro meu coração.

As vezes sinto muita tristeza por ele, meu pai o havia deserdado apenas por não aceitar que Kevin fosse gay. Meu pai podia ser um amor, mas também poderia ser um tirano quando algo não o agradava. Acho que tomei um pouco disso para mim.

Logo depois de aberto o testamento tentei colocar Kevin como também dono e herdeiro como de direito, mas ele mesmo recusou, disse que não levava jeito para esse tipo de negócio e que ficaria muito feliz se eu o representasse na empresa.

Hoje vejo o quanto Kevin é feliz, com seu restaurante e principalmente com minha sobrinha, sua filha, a pequena Zhoé, fruto de uma barriga de aluguel. Ele e Carlos, seu marido, lutaram muito para ter a família feliz que hoje estampa o porta-retratos da minha mesa e eu o invejo por isso.

E lá no fundo está minha Irmã mais velha, Michelly, essa sim tem me dado dor de cabeça. Sempre tão fútil que, se dependesse dela, a AGNUSS ENGENHARIA já havia pedido falência a muito tempo. Essa maluca só sabe gastar e gastar. Já faz um tempo que não ouço notícias dela, mas é só o limite do cartão estourar para ela me ligar exigindo mais dinheiro. Mas é melhor assim, faço questão de pagar por suas viagens, cirurgias plásticas e roupas caras, se esse é o preço para ela se manter longe dos negócios pago com o maior prazer.

Esfrego os olhos, estou exausta! Olho no relógio de parede e vejo que são quatro e meia da tarde. Junto os contratos em minha pasta e saio da sala, dou de cara com uma secretária emburrada. É claro que a ignoro.

Loes é uma boa moça, baixinha, de cabelo comprido e olhos claros, mas eu só a aturo até hoje por que ela é sobrinha da Vivian e também por ser muito confiável, se não fosse isso já estaria na rua a muito tempo.

Sigo para o elevador, desço até o saguão da AGNUSS onde um rapaz aparentando uns 28 anos, de um porte muito bem apessoado e vestindo roupa de motorista se apresenta.

-Senhora Valerie, sou Thales, filho de George, ele me pediu para acompanha-la e servi-la no que a senhora precisar.

-Como está seu pai?

-Melhor senhora, obrigado.

Tenho um apreço muito grande por George, ele serviu meu pai por anos, sempre muito fiel, pena que sua saúde tenha o prejudicado tanto, mas se seu filho for tão fiel como seu pai, é, nós iremos nos dar muito bem.

Entro no carro e peço para Thales seguir para casa. Dentro do veículo meu celular toca, olho no visor e reconheço o nome de imediato.

-Kevin, como está? - Abro um sorriso, mas logo percebo Thales me observar pelo retrovisor e fecho a cara. Não gosto disso! Ignoro-o e continuo a conversa -Meu Deus, como eu pude esquecer? Me perdoe mano, mas você sabe o quanto eu dou duro na AGNUSS.

Escuto seu sermão atenta, mas logo volto a sorrir quando ouço lá no fundo a voz da minha linda Zhoé. Essa menina consegue cada coisa, a única no mundo que me consegue fazer sorrir e esquecer dos problemas.

-Eu prometo que levo sim! – Continuo - Não se preocupe, eu não vou esquecer até porque você não deixaria não é mesmo?! Venha jantar comigo hoje, eu não aceito um não, sabe que eu adoro quando você cozinha, assim falaremos mais sobre o assunto, OK?!

Após 30 minutos estamos entrando no jardim da mansão Agnolleto. Não dou tempo para Thales abrir a porta, salto de uma vez e entro em casa. Sou recebida por Gertrudes, a governanta da casa.

- Senhorita, como foi o seu dia?

-Péssimo, Gertrudes. - Faço uma cara de mal humorada e ela me abraça.

- Acho que você precisa descansar menina, não gosto nada nada dessas suas olheiras.

- Nem eu Gertrudes! Nem eu... - Abro um risinho desanimado – Ah, prepare tudo pois o Kevin virá preparar o jantar. - Falo subindo os degraus da suntuosa escada.

-Menina você tem recado! - Me viro com cara de poucos amigos. - A Vivian disse que virá mais tarde e sua irmã ligou!

-O que será que essa maluca quer agora? – Perguntei retoricamente.

-Não sei menina, mas ela me parecia muito animada ao telefone, disse que logo estará de volta e que tem uma surpresa.

-Qual será a surpresa? Deve ser mais uma de suas loucuras de investimento ou então uma cirurgia nova – Revirei os olhos.

Já no meu quarto, joguei a minha pasta no sofá e fui ao banheiro, abri as torneiras da banheira e enquanto isso me despi de minhas roupas. Fui ao aparelho de som e o liguei, uma música que eu não reconheci tocava no rádio. Entrei em uma banheira cheia de espuma - Eu mereço isso após um dia tão atordoado - Me deixei levar pela água quentinha, relaxei...

Quando estou em meio ao meu presentinho pessoal percebo que a música acabou e que outra começa, os acordes eu conheço bem, é Always, do Bon Jovi. Imediatamente minha mente faz uma viagem no tempo, eu paro e olho...olho... olho o nada a minha frente, sinto que estou escorregando e afundo na banheira, estou sento inundada pelas lembranças que aquela música me traz. Eu ainda sinto o cheiro dele, ainda sinto sua pele roçando na minha, suas mãos me tocando e...

-Mas que merda!!! - Me recrimino. Saio do meu transe e sinto a água morna invadir minhas narinas, ponho as mão na cabeça fujo da banheira, tão rápido que sinto meus pés deslizarem pelo piso liso, corro até o aparelho de som, estou nua e toda molhada, mas isso não me impede de puxar o plugue da tomada com tanta força que acho que quebrei o fio.

Me recrimino mais uma vez, não dou espaço para lembranças, mas sim para a raiva que me consome. Volto ao banheiro e termino meu banho, mas dessa vez de chuveiro e bem frio.

As seis Kevin chega, mas eu não o vejo, ele deve estar fazendo o que mais gosta, cozinhando. Eu estou tentando dormir, coisa impossível com minha sobrinha em casa. Ela tem apenas 3 aninhos, mas consegue fazer uma algazarra que me um protesto no Afeganistão conseguiria.

Ela sobe em minha cama e pula sem parar, não me importo, eu amo seus lindos olhinhos negros e seus cabelinhos cacheados, também negros. Me fazem rir com mais uma de suas brincadeira, até que Gertrudes nos avisa que o jantar está pronto e que temos visitas. Eu e Zhoé nos olhamos como cúmplices!

-Quem será? – Pergunto, já certa da resposta.

-É a Vivian, menina.

Essa Viviam não perde a mania não é mesmo!

A mesa está linda, olho para meu irmão e vejo os olhos azuis do meu pai, ele é muito parecido com o velho. Sorrio e sento na cabeceira da mesa. Vivian já está sentada e jogando conversa fora com Kevin, como sempre.

Contei para meu irmão que a Michelly avisou que estará de volta em poucos dias, ele apenas deu um meio sorriso, mas vejo que fica feliz em ter a doida por perto.

Conversamos sobre o aniversário da Zhoé, que será mês que vem e que faço questão que seja em nossa casa, afinal uma casa tão grade e solitária ficaria muito bonita enfeitada de balões por toda parte.

Kevin relutou mas no fim aceitou afinal ali havia muitos empregados e eu fazia questão que tudo fosse do bom e do melhor para a minha Zhoé.

-Ah, Valerie, eu nem te conto a novidade! Sabe quem eu vi outro dia aqui em Chicago?

-Quem?! Aposto que um dos seus namorados malucos e meio psicopata!

- Não! O Michael!

Meu coração gelou, ela não estaria falando do mesmo Michael.

-Que Michael? – Falei quase gaguejando.

-Michael Jackson, vai me dizer que você esqueceu dele?!

Fechei a cara, meu irmão me olha com cara de desconfiado. Ele não sabe sobre o Michael e nem quero que saiba.

Eu soltei meus talheres e me levantei.

-Para mim o jantar acabou. – Ainda ouvi Vivian murmurar um “me desculpe, Val”, mas ignorei-a ferrenhamente. Ela sabe que odeio falar dele.

Subi direto para meu quarto e me tranquei lá.

-Aquele filho da mãe está em Chicago! Para o bem dele é melhor que ele não me encontre ou eu não respondo por mim.



Capítulo 7


- Posso entrar? – Ouvi alguém balbuciar atrás da porta.

- Entre – Respondi, sem levantar os olhos do relatoria que lia.

- Ainda aqui, Val? – Sabrine inquiriu, sentando-se a minha frente.

- Bem, pelo que estou vendo, milagrosamente, você também ainda está aqui. Então por que a crítica? – Ela revirou os olhos.

- Mas não é o aniversário badalado da minha sobrinha que será amanhã, então você deveria estar em casa cuidando dos últimos preparativos junto com o Kevin. – Suspirei e joguei os papéis sobre a mesa.

- Você tem razão – Livrei-me de meu óculos e peguei minha bolsa – Tenho que descansar um pouco.

- Um pouco não, você tem que descansar muito, no mínimo um ano de férias pra reparar todo tempo que se enfiou aqui. – Sabrine levantou-se e me seguiu pelos corredores, agora desertos, da AGNUSS. – Ainda está brigada com a Vivian, não é?

- Ela sabe o quanto odeio inteiramente ouvir o nome daquele homem sendo mencionado e ela o fez, agora aguente as consequências.

- Valerie, está exagerando, essa sua birra já dura quase um mês. E só pra saber ela está péssima.

- Não estou interessada no estado de espírito da Vivian, Sabrine. – Meu celular vibrou e apanhei-o para atender. Quase desisti de fazê-lo quando vi o nome de Michelly piscando na tela.

- Seja rápida Michelly, não tome meu curtíssimo tempo.

- Aiii irmãzinha, sempre mal humorada.

- Sempre ocupada demais para suas besteiras, mas ande, sua irmã desnaturada, me fale por que está em Chicago a quase um mês e não apareceu?

- Digamos que tenho estado ocupada demais – Ela deu uma risadinha. – E tive de viajar para Barcelona, mas não se preocupe, amanhã mesmo estarei em casa. Sabe que não perco uma festa, e saber que abriu aquela mansão mal assombrada pra uma festinha me animou a ir até lá.

- Michelly tenha mais respeito com a casa em que foi criada, é uma memória de nossos pais – Repreendi-a.

- Você parece o papai falando – Debochou.

- Espere um minuto – Me despedi de Sabrine com um abraço e entrei em meu carro, só assim dando continuidade a conversa – Pode falar.

- Voltando a festa de manhã, quero que saiba que tenho uma surpresa pra vocês.

- Veja lá o que vai aprontar Michelly, é a festa de Zhoé, não traumatize a sua sobrinha. – Ela riu.

- Não se preocupe, irão gostar. Estou louca pra te dar um abraço e no Kevin também. Nos vemos amanhã, sim?

- Claro, Michelly. Se cuida. – Encerramos a ligação, em seguida manobrei o carro para sair da garagem e trafegar pelas ruas de Chicago.

(...)

“Lábios macios pousaram sobre os meus, abrindo-os para acomodar em minha boca aquela língua macia e quente, que eu tanto desejava. Beijamo-nos, enquanto suas mãos hábeis desceram por meu corpo e pararam entre minhas pernas, ele pressionou meu clitóris fazendo-me arfar e erguer os quadris, ansiosa por mais.

- Você continua tão gostosa – A voz sussurrou em seu ouvido, ao passo que os dedos do homem ganhavam rapidez e levavam-na a um orgasmo enlouquecedor

-Michael...”

- Tiaaaaaa – Me sobressaltei, sentando-me na cama de olhos arregalados. Estava suada, ofegante e pegajosa entre as pernas. E só para piorar estava sentindo-me suja por sonhar outra vez com aquele homem. Fazia tanto tempo que isso havia acontecido.

Zhoé estava pulando em minha cama, rindo, e jogando todos os meus travesseiros no chão.

- Zhoé, meu amor, desça da cama. Isso não são formas de se acordar uma pessoa, você me assustou – Ela parou de pular e sentou-se ao meu lado, com um bico enorme no rosto.

- Desculpa, tia.

- Tudo bem, boneca – Sorri, dando-lhe um beijo no rosto – Seus papais estão aí?

- Sim.

- Deixei seu presente lá no seu quarto, vá brincar enquanto a tia toma um banho. – Ela abriu um enorme sorriso e seus bracinhos rodearam meu pescoço. – Feliz aniversário, meu anjo.

- Bligada, tia – Ela me deu um beijinho desajeitado e saiu correndo.

Quando Zhoé fechou a porta meu sorriso morreu. Lembrei do sonho ridículo que acabei de ter e sem querer dar vazão a pensamentos idiotas corri para o banheiro.

(...)

Na hora do almoço nos reunimos na cozinha, pois o resto da casa estava um pandemônio, gente pra lá e para cá, organizando a festa, que aconteceria no jardim. Zhoé havia tomado um banho e foi tirar seu cochilo da tarde.

- Os serviços que contratei são bons Carlos?

Carlos era um homem muito bonito. Com seus 32 anos, porte atlético, olhos castanhos e sorriso de garoto, ele encantava todo mundo. Era um amor de pessoa.

- Maravilhosos, Valerie, tudo que você faz é divino.

- Isso é verdade – Kevin concordou, apertando a mão do marido.

- Dois mentirosos – Revirei os olhos. – Vou subi para me trocar, vocês deveriam fazer o mesmo e tratar de acordar aquela pimenta, daqui a pouco os convidados estarão chegando. – Assentiram.

- A Michelly me ligou ainda a pouco, disse que estaria aqui em algumas horas, e ressaltou sobre essa tal surpresa dela. Só falta aquela doida ter feito uma plástica tão maluca que nem reconheceremos ela – Rimos.

- Surpresa, vindo de Michelly Agnolleto, não pode ser boa – Carlos comentou. Ganhou como reprimenda um tapinha no braço. Ele definitivamente não gostava de Michelly.

(...)

Desci 2 horas depois e encontrei o jardim da casa já tomado de pessoas. A decoração da festa estava realmente belíssima. Em um canto do extenso jardim montaram uma tenda enorme, lá estava espalhado tudo que tinha haver com a Branca de neve, o tema que a Zhoé escolheu para a festa. Havia outra tenda ornamentada ao lado, essa decorada em tons de vermelho, azul e verde, com cerca de 50 mesas e ao lado dessa tenda havia uma variedade enorme de brinquedos montados, ondes as crianças se divertiam, riam e gritavam.



Caminhei até a tenda onde quase todas as mesas estavam ocupadas, mas ali não achei nem Kevin, nem Carlos. Encontrei Zhoé agarrada a um dos 7 anões, que de tão grandes eram maior que ela. Eu ri com a cena.

Avistei algumas pessoas dispersas pelo jardim, conversando e tomando alguma coisa, e dentre elas estava Sabrine. Me encaminhei até ela.

- Coisa feia, Sabrine – Balbuciei, assustando-a – Pensa eu não vi você paquerando aquele garçom? – Ela riu.

- Estava mesmo, e daí?! – Deu de ombros – Sabe que tenho um fraco terrível por homens de smoking – Foi minha vez de rir.

- Meninas – Vivian disse hesitante, ao se aproximar.

- Amiga, me diga você, aquele garçom não é um pão? – Ela olhou para o homem e assentiu.

- Tudo bem, Val?

- Tudo sim, Vivian... e não precisa ficar assim feito uma tartaruga enfiada no casco, não estou mais com raiva de você, então se solte – Ela gritou e me agarrou em um abraço.

- Desculpa, desculpa, desculpa... odeio ficar brigada com você.

- Não faça mais, OK? – Ela assentiu. – Nunca mais fale naquele homem.

- Ownn vocês são simplesmente um encanto juntas – Carlos disse, simpático. Ganhou uma série de abraços apertados.

Iniciamos uma conversa animada, algumas pessoas se juntaram a nós, depois se afastaram... e assim passaram-se alguns minutos.

- Michelly chegou – Kevin apareceu, anunciando – Acompanhada de um homem digno de aplausos. – Daqui a pouco ela disse que vem falar com você. – Assenti.

- Comporte-se, Kevin Birck Agnolleto – Carlos ralhou, todos ao redor riram.

- A conversa está ótima, mas vou lá dentro, preciso ir ao banheiro, volto em um minuto.

Deixei meus amigos pra trás e segui para a casa. Estava abobalhada enquanto caminhava, rindo do grupo de crianças que corria pra lá e pra cá, quando paralisei, todo meu corpo foi acometido por um arrepio ruim, meus olhos se arregalaram e minhas pernas ficaram impossibilitadas de se mover.

O que aquele maldito estava fazendo ali?

Como ele se atrevia a colocar os pés em minha casa?

Comecei a ver tudo vermelho em minha frente. Sumiram todos, as crianças, os risos de alegria, os convidados, eu só via ele... E a única coisa que existia naquele momento era o ódio que engolfava meu coração. Finalmente minhas pernas moveram-se até onde ele estava. Eu não podia estar enganada, nem louca, eu reconheceria aquele perfil, aquele cabelo, aquele sorriso, a mil metros de distância.

Em questão de segundos estava parada em sua frente. Seu cheiro adentrou minhas narinas e fez meu coração acelerar, mas não deixei que nada atrapalhasse o que iria fazer.

- O que pensa que está fazendo aqui? – Rugi, diante de seus olhos arregalados. Tomei a taça de suas mãos e joguei-a longe.

Para a minha sorte, estávamos um tanto quanto longe da aglomeração, então ninguém me ouviu.

- É mesmo você? – Perguntou incrédulo – Valerie? – Ele me olhou de cima a baixo.

- Eu não me importo quem tenha te convidado, você vai sumir daqui agora mesmo, me entendeu? – Lhe empurrei, mas ele não moveu-se um centímetro – Só de pensar que um homem ambicioso, vil, mal caráter, feito você está aqui, tenho vontade de desinfetar minha casa.

- Sua... sua casa? 

Pensei que não fosse possível, mas seus olhos se arregalaram ainda mais e seu rosto adquiriu um tom de branco indescritível.

- Você mentiu... Não era filha da empregada coisa nenhuma. Você é uma Agnolleto! – Murmurou perplexo.

- Bem, eu não fui a única a mentir não é mesmo? – Sorri debochadamente – Vá embora seu michê miserável. Trate de pegar a idiota quem está enganando agora e dê o fora da minha casa, nesse instante. – Rugi, meus punhos estavam fechados, prontos para esbofeteá-lo se ele se opusesse a minha ordem.

Ele não tinha o direito de estar aqui depois de tudo que me fez. Depois de ter me humilhado e me trocado por uns milhares de dólares.

Ele continuou imóvel, os olhos fixos nos meus, a expressão outrora pálida e abalada, agora inescrutável.



- Val – Michelly praticamente correu em minha direção e me enlaçou em um abraço – Deixe-me ver você, está lindíssima. – Elogiou, me soltando em seguida.



Ela caminhou para o lado do homem e enlaçou-o pela cintura, sorrindo enquanto o olhava.

- Vejo que já viu a surpresa de quem tanto falei. – Ela segurou sua mão e beijou-a, mas ele continuou me encarando, também não desviei o olhar. – Esse é Michael Jackson, meu noivo e futuro marido.

Eu fechei os olhos com força e me obriguei a não sair dali correndo. Isso só poderia ser um pesadelo, o pior pesadelo da minha vida. Eu iria acordar dele, não era?!




Capítulo 8


- Seu no... noivo? – Gaguejei miseravelmente. Voltando a abrir os olhos e ver o circo de horrores que estava bem a minha frente.

- Sim – Michelly sorriu – Diga se não é o mais belo e sofisticado exemplar de homem que já viu? – Alisou-o, mostrando-o como se ele fosse um pedaço de carne de primeira. Ele estava mais para carne de pescoço!

- Eu... eu – Procurei em minha mente uma razão plausível para correr dali – Estava indo ao toalete, volto em um instante, Michelly – Girei em meus calcanhares e obriguei as minhas pernas, que pareciam pesar uma tonelada, a caminharem.

Eu poderia muito bem ter feito um escândalo, ter contado a Michelly que aquele homem não passava de maldito caça dotes e que com certeza só estava de olho na fortuna dela. E podem apostar que por um milésimo de segundo eu considerei ambas as opções, assim expurgaria aquela praga de minha vida pra sempre, mas o risinho feliz de Zhoé ecoou em algum lugar do meu cérebro e eu me lembrei que aquela era a festa dela, e não queria que aquele dia ficasse em sua mente marcado como algo ruim.

Por isso respirei fundo, engoli o choro, a torrente de xingamentos que se puseram na ponta da minha língua, e simplesmente corri para o banheiro. Estava com tanto ódio que nem me lembro de como conseguir achar o caminho.

Não era acostumada a me calar, tinha aprendido a sempre dizer o que pensa, ser inflexível e até explosiva e me manter calada diante daquele homem foi a maior prova de autocontrole que já tive.

Encarei a porta branca do banheiro como um escudo que me protegeria do inimigo que estava lá fora, da personificação da decepção. Mas antes mesmo que eu pudesse entrar no banheiro e fechar a porta um pé impediu que eu o fizesse. O homem empurrou a porta com tanta força que me fez cambalear, antes de se virar para mim trancou a porta do banheiro a chave.

Eu só esperei ele se virar, por que assim que ele o fez fechei meu punho e desferi um golpe no seu rosto. Eu e ele gememos de dor. Não estava acostumada a bater em alguém, minha mão machucada que o diga.

- Está se tornando repetitiva, Valerie – Debochou, ainda segurando a lateral do rosto – Me bateu a 10 anos atrás e está fazendo novamente. Inove sua forma de me machucar.

- Seu michê desgraçado – Seu peito encheu com uma lufada de ar e ele fechou os olhos com força – Não pense que te deixarei roubar o dinheiro da minha irmã. Eu que me mato todos os dias naquela empresa, eu aumento a fortuna de Michelly, portanto nunca deixarei que um homem como você dê o golpe nela.

- Você não passa de uma garotinha mimada – Michael se aproximou, segurando em meus braços e aproximando-se ameaçadoramente de mim – Foi assim desde o início, não foi? Me usou feito um brinquedo. Deve ter rido de mim junto com suas amigas. – Eu ri, gargalhei mesmo.

- Não venha querer dar uma de vítima – Empurrei-o e ele me soltou – Até parece que você foi o virgem deflorado da história. Não esqueça que foi você que sumiu e apareceu alguns dias depois com uma loira siliconada a tira colo e ainda esfregou em minha cara que não ficaria comigo por que eu só tinha o meu amor a te oferecer... Onde estava os dólares, não é mesmo? Afinal você só pensava neles.

- Estava pensando em um futuro para nós dois. E se tivesse me contado que era uma Agnolleto...

- Você teria me roubado, seu desgraçado – Avancei nele, estapeando seu peito. Ambos estávamos desgrenhados, suados e ofegantes.

- Eu nunca roubei ninguém – Ele voltou a segurar meus braços, me fazendo parar – Ela só me deu uma oportunidade. Eu fiz minha fortuna, nunca tirei nada de ninguém – Sua voz estava trêmula e seu rosto estava vermelho de raiva. – Se você não tivesse sido tão egoísta...

- Cala a boca, idiota. Pare de me acusar. O único culpado nessa merda de história é você – Tentei empurra-lo novamente, mas ele manteve o aperto ainda mais firme – Você é culpado de minhas frustrações, da mulher amarga e rancorosa que me tornei... você – Minha voz sumiu e as lágrimas que tanto prendi, rolaram por meu rosto, acompanhadas por uma série de soluços. Eu tinha certeza que ficou explicito o tamanho da minha dor naquelas palavras e lágrimas. Parei de lutar contra seu aperto, me sentindo fraca demais.

- Eu te procurei tanto – Ele me envolveu em seus braços e a quentura daquele abraço fez meu coração voltar a pulsar novamente. Eu sei que parece irreal, e que eu precisava que aquele órgão estivesse funcionando durante todo aquele tempo, se não fosse assim não estaria viva, mas esses 10 anos meu coração exercia todas as funções elétricas, ventriculares e atriais, mas ele nunca mais foi um lugar onde eu levasse sentimentos. 

Sendo o mais literal que consigo... Foi como se aqueles cacos que deixei no chão daquele hotel de Laguna Beach, tivessem se reconstruído.

Minhas lágrimas cessaram, meus soluços tornaram-se inaudíveis, no passo que meu coração, antes inexistente, começou a acelerar e meu corpo ganhou um calor que a muito tempo eu não sentia. Era como se meu corpo tivesse esperado por 10 anos por aquele mesmo abraço. Mas eu não podia sentir isso... Eu... Eu odiava-o, do fundo do meu coração. Ele era um ambicioso, sem caráter, e meu coração quebrado não estava sendo negociado, não estava disposta a vende-lo pra ele. Por que amar Michael era exatamente isso, vender seus sentimentos.

- Nunca mais me toque – Gritei, me livrando de seus braços – Não estou à procura de um michê – Proferi, ódio derramando em minhas palavras – E volto a dizer, suma da minha vida e da de Michelly, pois caso contrário vou tornar sua vida em um inferno. Você não tem noção no que me transformou.

- Conforme-se, Valerie – Ele sorriu presunçosamente. E enxugou o rosto, que só agora percebi também estar molhado de lágrimas – Eu gosto da Michelly, gosto das oportunidades que ela me apresentou e sob nenhuma ameaça sua vou embora.

- Pois prepare-se – Levantei o dedo, apontando-o em seu rosto – Por que se é guerra que você quer, é guerra que teremos.

- Não é apenas você que tem motivos para estar magoadinha – Ele baixou meu dedo – Pensei que conversaríamos civilizadamente aqui, e juro, que se tivesse sido menos arrogante eu iria embora, mas agora quem quer guerra sou eu.

- Ótimo – Foi minha vez de sorrir presunçosamente – Volte para seu trabalho – Me pus a centímetros de distância de seu rosto – Garoto de programa.

- Egoísta de merda – Rugiu em resposta. Em seguida a porta se abriu e fechou em um baque.

Eu não ia mais chorar feito uma idiota. Havia acabado de declarar guerra a esse idiota e Valerie Birck Agnolleto nunca foge de uma boa luta. Ele ia ver só como o colocaria pra correr em dois tempos.

Depois de retocar a maquiagem, pedi que um dos empregados chamassem Vivian e Sabrine e contei resumidamente a elas o que acontecera em meu quarto. As duas ficaram perplexas, claro, e Vivian ameaçou de correr até a festa e tirar ele de lá a pontapés, mas proibi-a.

Fiz as duas me prometerem que agiriam normalmente e que elas me ajudariam a colocá-lo para fora da vida de Michelly e consequentemente da minha vida.

Depois disso voltamos para a festa, e agi como se nada estivesse acontecendo. Conversei com todos e ainda tive o desprazer de vê-lo e ouvi-lo mais duas vezes antes da festa finalmente acabar.

Terminei a noite como a garota frágil e ridícula que as vezes me deixo ser. Vestida em um pijama velho, com uma barra de chocolate e assistindo a um programa qualquer na TV.

Não, eu não pensei nele e eu não faria isso até que eu tivesse de lidar com ele novamente.




Capítulo 9


Dormi ali mesmo no divã do meu quarto. Fui assombrada por toda a noite por pesadelos horríveis. Na manhã seguinte meu humor estava péssimo e minha cabeça pesada, tomei um banho e me troquei de forma mecânica, minha mente ainda não havia processado as informações da noite passada. Passo pela sala como um foguete, não vejo a hora de me trancafiar em meu escritório e me afundar no trabalho. Gertrude me detém.

-Valerie. Você não vai tomar café? - Não respondi, continuei a caminhar para fora.

Sem a mínima paciência entrei no carro, não cumprimentei Thalles, apenas acenei com a cabeça. Seguimos para a AGNUS em silêncio. Eu remoía em minha cabeça algo para acabar de uma vez por todas com essa palhaçada da Michelly.

Adentrei minha sala e logo fui seguida por Loes.

-Bom dia senhorita Valerie! - Não respondi novamente.

-Por favor Loes apenas me passe os recados e minha agenda ok?!

-Sim senhora.

Loes me deixou a par de todas as minhas atribuições e pela primeira vez dei graças a Deus por estar cheia de trabalho.

-Ah, só mais uma coisa  – Loes completou. - A senhorita tem uma reunião com o conselho da empresa.

-Como posso ter uma reunião com o conselho se não marquei nada?

Definitivamente aquela menina era mais incompetente do que eu poderia imaginar.

-Foi a Senhorita Michelly, ela ligou hoje cedo e marcou uma reunião de urgência, eu achei que a senhorita soubesse.

Loes fez cara de “acho que fiz algo errado’’

- E a que horas é essa tal reunião? - Loes desconcertada olha no relógio de pulso e sussurra baixinho.

-Agora, Senhorita.

-MAS QUE DIABOS!!! – Bradei.

Fiz sinal para que saísse, não queria que ela visse a cara de fúria que eu estava prestes a fazer. Peguei meu iphone e minha pasta e me dirigi a sala de reunião.

Eu não fazia ideia do que aquela maluca inconsequente estaria planejando dessa vez, mas algo me dizia que eu não iria gostar nada nada.

No caminho tentei ligar para Kevin, ele talvez tivesse algo para me dizer, já que reuniões com o concelho requeriam a presença de todos os irmãos.

Entrei na sala sem ser anunciada e logo meu estomago se revirou em cambalhotas, estavam todos sentados na grande mesa oval: Michelly e Kevin, Thomas e Jhon nossos advogados, Laura e Vicent nossos conselheiros financeiros.

Ao me avistar Kevin me lança um olhar desconcertante, eu por minha vez me sento a cabeceira da mesa onde é meu lugar de direito. Todos estamos sentados exceto Michelly.

- Você poderia ter me avisado sobre essa reunião irmãzinha – Disse mal humorada - Sabe muito bem que eu odeio surpresas, não sabe? - Michelly apenas sorrir e logo começa a falar.

- Reuni todos aqui pois tenho alguns comunicados a fazer e umas mudanças também. - Meu olhar congelou e meu estomago se contraiu. -Como vocês já devem estar sabendo eu irei finalmente me casar. - Garanto que se eu tivesse visão de raio laser nesse momento minha doce irmãzinha estaria toda fatiada - E com isso pretendo ficar mais inteirada sobre os assuntos relacionados a AGNUSS.

- Ora, ora,  Michelly,  não me diga que pretende trabalhar? - Falei em tom debochado, já que Michelly preferiria morrer à trabalhar. 

- Não se faça de boba Valerie, você sabe muito bem que isso não é do meu feitio.- Sorriu, pouco afetada com meu humor negro - Como eu estava dizendo, gostaria de ficar a par de todos os meus negócios.

-Nossos negócios -  Interrompi 

-Pois é, nossos negócios, mas especificamente a parte a que me compete. Por favor Loes peça para que a pessoa entre. – Minha secretária assentiu e rumou para a porta, abrindo-a.

Meus olhos não poderiam acreditar no que eu estava vendo, era ele ali, entrando na sala de reuniões, da minha empresa, da empresa da minha família.

-O que ele faz aqui? - Minha voz demonstrava todo meu ódio e insatisfação e por um segundo vi seus olhos encontrarem com os meus.

Seu deboche era visível. Seu ar de superioridade era palpável, ele estava cumprindo com o que havia falado na noite passada. Ele estava ali apenas para tirar tudo o que pertencia a minha família.

O vi sentar-se na cadeira que era pertencente a Michelly, com uma despreocupação enervante.

-Quero que conheçam Michael Jackson, meu futuro marido e meu mais novo administrador...

-MAS QUE MERDA É ESSA!!! – Gritei novamente.

Minha fúria não tinha tamanho. Quem minha irmã acha que é para vir me afrontar dessa maneira? Nomear esse ai como seu tutor? Isso só poderia ser brincadeira.

- Qual o problema? Ele será meu futuro marido e eu faço questão que ele cuide pessoalmente dos meus interesse aqui na AGNUSS. – Ela segurou o ombro dele e ao se olharem eles sorriram.

-Você não está falando sério. Como pode fazer isso sem me consultar? Eu não irei permitir que um estranho tome parte dos assuntos da empresa da família, Michelly. Eu nunca reclamei de administrar sua parte, por que isso agora?

-Eu lhe agradeço por isso, mas acho que já passei tempo demais afastada das minha obrigações, não acha?

-Você nunca deu a mínima para os negócios, para você o que importava era se havia limite no cartão de crédito!

-Pois agora tudo mudou Valerie, Michael será meus olhos e ouvidos nessa empresa e eu faço questão que ele tenha uma sala junto a presidência.

Não, isso já era demais, eu teria que conviver com ele todos os dias?

-Você está desconfiando de mim, Michelly? - O duelo de olhares foi inevitável entre nós duas. Não duvidava nada que aquele cínico, filho da puta, havia envenenado Michelly contra mim. O desgraçado era tão infeliz que nem pra abrir a boca e se defender. Por certo estava achando o máximo duas irmãs se degladiando por culpa dele.

-Michelly, Valerie, aqui não é o melhor lugar - A voz de Kevin me tirou do meu transe.

-Vamos ver o que os conselheiros acham disso tudo.

Laura se ajeitou na cadeira e Vicent tirou os óculos. 

- Michelly, você tem certeza do que está fazendo? – Vicent perguntou calmamente.- Pois saiba que qualquer decisão errada pode colocar a empresa em situação negativa. Além do mais não creio que esse rapaz tenha experiência para gerir uma empresa, mesmo que poucas ações. - Meu peito aliviou-se ou saber que poderia haver esperança que essa louca voltasse atrás.

-Eu sei exatamente o que estou fazendo Vicent, e se é o que querem, não voltarei atrás em minha decisão, quero o Michael me representando e sei que ele é um homem inteligente, já geriu algumas empresas. Logo aprenderá a administrar tudo o que é meu. Vejam a Valerie tão nova e aprendeu!

-Não me compare, Michelly – Disse entre dentes - Eu não admito isso.

-Então, Michelly, se essa é sua decisão, não há o que contestar.

-Ótimo, então amanhã mesmo o Michael começa. - Sua cara era pura satisfação, mas eu não queria estar ali para vê-lo cantar vitória. Isso seria meu inferno.

Levantei-me e segui à passos firmes até minha sala. Meu ódio estava me consumindo.

-Loes, não quero que ninguém me interrompa. - Bati a porta atrás de mim. 

Senti o fel descer por minha garganta e meu coração acelerar. Soltei meus cabelos e me aproximei da minha mesa, de uma vez joguei tudo no chão, Porta-retratos, notebook e todo o resto foi ao chão, misturado entre vidros estraçalhados.

Eu precisava descarregar essa raiva ou morreria com ela.

-Miserável! Filho da mãe! - Sou surpreendida pelo som da porta batendo a minhas costas. Me virei de supetão. -EU JÁ DISSE QUE NÃO QUERO SER INTERROMPIDA! -  Fiquei muda ao ver quem estava parado em minha frente.

Que ousadia era aquela?

-O que você está fazendo aqui?

-Vim ver como você está – Seu ar de presunção havia sumido. Vejo ele passar os olhos sobre a sala, percebendo meu descontrole.

-Eu vou acabar com você! - Falo enfurecida e de punhos cerrados - Não pense que isso aqui será um parque de diversões, senhor Jackson, o seu inferno está apenas começando.

Ele se aproxima de mim, agora somos só nos dois, sinto que não tenho por onde escapar, a mesa está bem atrás de mim.

-Sabia que você fica linda zangada, Valerie? - Ele chega mais perto, posso sentir sua respiração, eu não consigo mais sentir raiva apenas calor, muito calor. Seus olhos queimam minha pele, o fel em minha garganta já não é tão amargo.

-Como ousa? - Eu o olho, e uma lágrima escorre do meu olho. A mulher forte e decidida parece definhar aos poucos.

Ele chega mais perto, suas mãos estão dentro dos bolsos, agora que eu consigo perceber o quão sexy ele está em um terno preto e gravata vermelha.

Seu cheiro invade minhas narinas e eu me seguro a mesa de mármore atrás de mim.

-Eu não sabia que você me odiava tanto.- Ele fala baixinho, em um tom apaziguador.

Dessa vez eu aproximo um pouco mais ficando a centímetros de sua boca, sustento o olhar.

-Você não faz ideia do quanto.

Por uns poucos segundos ficamos assim, em uma queda de braço de olhares até que somos interrompidos por Loes. Desconcertada pela cena de devastação da minha sala e pela aproximação entre o Michael e eu ela diz:

-A senhorita precisa da algo? - Michael se afasta ainda mais.

- Acompanhe esse senhor até a sala ao lado lhe auxilie no que for necessário. E não quero ser incomodada por quem quer que seja.

Ao ver os dois saírem tranquei a porta à chave e desabei sobre minha cadeira. Me deixei chorar, agarrada ao que sobrou das fotos dos meus pais. Eu precisava me recompor para enfrentar o que estava por vir.



Capítulo 10


Após me recompor pedi a Loes que cancelasse todos os meus compromissos e preparasse meu carro, que estava na garagem da empresa.

- Mas, senhorita, há uma reunião a tarde!

-Cancele tudo. - Sem mais, fui até a porta de saída da AGNUSS. Thales estava à minha espera. – Thales, você está dispensado por hoje.

-A senhorita está me dispensando? 

-Por hoje sim, pode voltar para casa e por favor seja discreto, não quero especulações a respeito da minha vida, OK?

Preciso sair, preciso pensar em como será minha vida de hoje em diante. 

Dirijo meu Porshe 911 até o ‘The Double Seven’, um dos meus lugares favoritos. Sento e peço um uísque com gelo. O lugar é muito elegante e confortável, sempre me faz sentir relaxada. 

Eu já estou no meu terceiro copo quando sinto alguém sentar-se ao meu lado, respiro forte pois não estou afim de falar com ninguém. Sou capturada por um par de olhos azuis muito conhecido, sorrio torto. É Leonard Passos, um advogado muito promissor e também herdeiro de um dos maiores escritórios de advocacia de Chicago, além de ser muito bonito, muito bonito mesmo.

- Deve ter sido algo muito sério. – Comentou, sorrindo.

-O que? – Me fiz de desentendida.

-O que aconteceu com você, deve ter sido algo muito sério ou não estaria bebendo tanto.

-Não aconteceu nada, pelo menos nada que você deva saber. – Cortei-o.

-Posso me sentar? – Perguntou sorrindo, ignorando minha grosseria.

-Vai adiantar se eu disser não?

-Não.

-Então... – Dei de ombros. Ele sentou-se e pediu um uísque duplo.

-Pelo jeito não sou só eu que estou na pior não é? – Comentei amargurada.

-Só alguns casos perdidos, nada mais, e você?

-Problemas de família, só isso.

Bebemos e conversamos por horas, até me esqueci dos problemas que me levaram até ali. Olhei no relógio e vi que já passava das 8 da noite, não vi como o tempo passou tão rápido.

-Tenho que, ir me desculpe – Olhei no relógio, vendo todos os ponteiros turvos.

-Quando podemos nos ver novamente? 

-Sinceramente, eu não sei.

-Valerie você sabe que eu sempre fui um apreciador seu, não sabe? – Encarei-o, de sobrancelhas erguida – Desde o tempo em que nossos pais eram amigos.

-E se não fosse a morte dos meus pais nós dois provavelmente estaríamos noivos ou casados – Completei, sorrindo. Respirei fundo novamente, não estava com cabeça para isso neste momento mas...

-Eu posso te ligar para marcarmos de sair?

-Eu te ligo, Leonard, é melhor. – Ele assentiu.

Saí do bar e me dei conta que havia bebido além da conta e me sentia muito leve, leve até demais. Seria imprudência da minha parte tentar conduzir o carro até em casa. Já estava prestes a chamar um táxi quando sinto alguém puxar de leve o meu braço.

-Você não achou que te deixaria ir para casa nesse estado, achou? - Respirei aliviada, era Leonard. O olhei e sorri, ele sorriu de volta. - Não se preocupe, providencio para que entreguem seu carro em sua casa, deixe que eu te levo.

-Para minha casa! – Falei em ênfase.

-Claro senhorita Agnolleto, para onde você achou que eu iria te levar? – Perguntou galante. Sorri novamente e entrei em seu carro. 

No caminho fui vencida pelo cansaço e deixei minha cabeça descansar em seu ombro. Seu cheiro era bom, muito bom, e em outro momento eu não me faria de rogada se ele me beijasse.

Em mais ou menos uns trinta minutos estávamos entrando na Mansão Agnolleto, Leonard desce do carro e abre a minha porta, desço e me ajeito um pouco meus cabelos. Estavam um pouco desgrenhado e minha roupa amassada, tudo por conta do pequeno cochilo que tirei no ombro de Leonard. 

-Muito obrigada pela carona – Encarei-o achando-o mais interessante do que acharia se não estivesse bêbada.

-Por mim eu te traria para casa todos os dias. – Desviei meus olhos, e desconversei.

-Bem, é isso, te vejo por ai então. – Aproximei-me dele e lhe dei um beijo na bochecha.

Me despeço de Leonard e parto rumo a casa. Gertrudes vem ao meu encontro com cara de poucos amigos.

-Menina, onde você esteve toda a tarde?

-Por ai, Gertrudes. Por ai! – Disse sorrindo abobalhada. Eu fico um pouco idiota quando bebo. -Michelly veio e trouxe as malas. Separei o quarto que era dela, espero que você não se incomode.

-Infelizmente a casa também é da Michelly, Gertrudes, não posso impedi-la de morar aqui.

-Mas menina, ela veio com...

-Sem mais, por favor, eu estou muito cansada e preciso tomar banho e comer alguma coisa, por favor me poupe as notícias de Michelly, sim? Pelo menos por essa noite.

Vou até meu quarto e dou graças ao ver minha cama, tomo um banho rápido e frio, preciso me recompor das doses de uísque. Dizem que a bebida só começa a fazer efeito quando se para de beber, li isso em algum lugar, e agora estou vendo que é verdade, por que me sinto ainda mais tonta.

Saio com os cabelos molhados e de roupão. Tudo o que eu desejo é dormir até amanhã, nem comer quero mais, pois meu estômago está começando a embrulhar.

Apago a luz do meu quarto e acendo o abajur de cabeceira, vou até minha janela e contemplo meu jardim, as luzes que o enfeitam são lindas. Para as pessoas de fora dar-se a impressão que a casa está sempre em festa.

Um baque alto me assusta me viro de supetão, e logo sou tomada por uma fúria descontrolada.

-Que merda você está fazendo aqui? – Pergunto, sentindo meu rosto esquentar de pura raiva.

-Quem era aquele homem que te trouxe? – Diz esbaforido. 

Parei e segurei minha cabeça, acho que foi a bebida, estou tendo alucinações, as piores possíveis.

-Vamos, me responda, quem é aquele homem que vi te deixando em casa?

Não, não era alucinação!

- O que você faz aqui?

- Estou com sua irmã, vamos morar aqui. – Brada. 

Minha cabeça estava girando a 360 graus, e eu não estava acreditando no que eu via e ouvia.

-Você não tem o direito de estar nesta casa, e muito menos de me fazer questionário, senhor Jackson, não sou eu a sua futura esposa e sim a maluca da minha irmã. Portanto, ponha-se do meu quarto para fora, agora mesmo. – Aponto a porta com um dedo trêmulo.

-Mas bem que você gostaria de estar no lugar dela, não é? – Desafia-me.

Me aproximei com toda a petulância que me foi herdada de meu pai e disparei um belo de um tapa contra seu rosto.

-Nunca mais se dirija a mim dessa maneira, eu tenho pena de Michelly que não sabe com quem está se metendo.

-E você sabe não é mesmo? – Continua com seu tom e olhar desafiadores.

Ele se aproxima cada vez mais, seus olhos chegam a faiscarem de tanto ódio, sua boca está próxima demais, meu coração acelera e um medo descomunal começa a me assolar.

-Você está louca para estar no lugar dela, não é? Está louca para poder me tocar e sentir minha mão passear por seu corpo assim como faço com sua irmã, confesse... – Sussurra, parecendo a própria tentação personificada - Confesse que os beijos que dou nela você os deseja.

Ele se aproxima cada vez mais e mais, seu olhar agora arde em chamas, eu estou com muito medo, medo de não resistir a ele, medo de acabar concordando com o que ele diz, medo de me entregar outra vez...

-Não ouse se aproximar mais, Michael, eu estou te avisando, não responderei por mim.

- Eu é que não responderei por minhas ações, Senhorita Agnolleto. - Seus lábios estão perto, muito perto. Sua respiração me desconcerta e seu cheiro me enlouquece. Chego a triste conclusão de que não sou capaz de resistir a ele - Confesse que você me deseja tanto quanto eu desejo você.

Eu nada falo, não consigo. Apenas me jogo em seus braços como uma maluca sedenta de tanto desejo, sua língua invade minha boca e eu sinto sua saliva doce escorrer por minha garganta, arranco sua camisa e me delicio com cada gota de essência do seu corpo, suas mão invadem meus cabelos e me puxam para trás, sua língua percorre cada centímetro do meu pescoço. Meu gemido é baixo e sôfrego.

-Diga que quer ser minha Valerie. – Implora, roçando seus lábios na carne sensível do meu pescoço.

-Eu quero... Eu quero ser sua, Michael...

Ele volta a atacar meus lábio, sua língua novamente passeia por toda minha boca se encontrando com a minha em uma dança perfeita. Ele puxa de leve meus cabelos e com a outra mão desata o nó do meu roupão. 

Pronto! Eu agora estou completamente nua e a mercê de seus caprichos. 

O roupão cai por meus ombros, ele se afasta e me observa por uns poucos segundos, morde os lábios, deixa que a língua passe por eles.

- Você é uma delícia Valerie.

Quase caio de prazer só com suas palavras, suas mãos voltam a me encontrar, dessa vez enquanto beija minha boca seus dedos passeiam livremente por meu ventre.

- Se abre para mim, meu anjo?! – Sussurra sôfrego.

Automaticamente levanto minha perna direita e meu desejo aumenta ainda mais ao sentir seus dedos me invadirem. Já fazia tanto tempo que eu até já havia me esquecido de como era bom ser tocada e acariciada por um homem.

Michael não se contenta e lança mais um dedo dentro de mim. Eu não aguento mais, eu o quero logo.

Minha mãos logo envolvem seus cabelos e eu só falto implorar que me invada de uma vez.

Ele me apoia em seus braços e me leva até a cama, lá me deita com cuidado, mas logo seu zelo dá lugar a uma urgência desenfreada. Em um passe de mágica ele se livra do resto das roupas, agora é ele quem está ali nu, diante de mim. Seu membro já indica o tamanho da vontade de me invadir. Não tenho vergonha, por um momento toda a minha vergonha dá lugar a uma mulher devassa e sedenta por esse homem.

Eu me abro como uma flor desabrochando, isso é meu convite para que ele me invada e acabe logo com essa penúria.

Michael puxa minha pernas e em um único movimento me invade, sinto toda minha carne se abrir, e logo a dor dar espaço ao prazer. Sento em seu colo e começo uma cavalgada alucinante, desejo isso como louca. Sua língua encontra meus seios e ao sentir o atrito em meus mamilos intumescidos, gemo baixo. Ele responde me apertando ainda mais, minha carne o envolve e o aperta mais e mais.

-Isso, isso Minha Valerie!

Continuo os meus movimentos, quero a todo custo me saciar. É inevitável não passar as unhas sobre sua pele branca, seus gemidos ao pé do ouvido estão me deixando louca. Aumento inda mais o ritmo, Michael me aperta mais contra seu corpo, agora é ele que me envolve a cintura e dita o ritmo de nossa dança.

-Não pare por favor! Eu preciso disso. – Imploro, fincando as unhas em suas costas.

-Eu estava morto de saudades do seu corpo minha Val...

Sinto que não vou aguentar, uma onda elétrica começa a se formar dentro de mim, estou prestes a explodir. Me contraio e o aperto ainda mais.

-Vamos, minha delicia, goze pra mim.

Em um único movimento explodo de tanto prazer, meu corpo se contrai e meus nervos convulsionam. Sinto Michel me apertar mais e após um gemido grave, se derrama todo dentro de mim.

Agora estamos assim suados e grudados um no outro.

Deito na cama e tento controlar minha respiração, ele deita ao meu lado e brinca com meu seio esquerdo, sua boca está em minha orelha e é impossível não se arrepiar com sua respiração rápida e quente.

Talvez pelo esforço sinto que o efeito da bebida começa a passar. Eu não consigo acreditar no que eu havia acabado de fazer. Eu acabo de fazer a amor com o futuro marido de minha irmã, meu cunhado, o homem que me fez tanto mau.

Quando de repente eu o olho e então percebo que...

-Meu DEUS!!! – Grito, levantando-me. Estou em minha cama, e sozinha. Tento a todo custo abrir os olhos mas a claridade que invade o ambiente impede tal feito. Meu coração está acelerado e me sinto úmida entre as pernas...absurdamente ridícula!

Percebo que nada do que eu achei que tinha acontecido aconteceu realmente. Assim que tomei banho caí na cama e dormi feito uma pedra e nada mais que aconteceu depois disso foi realmente verdade.

Tinha sido só um sonho, um delicioso, estúpido e pecaminoso sonho.



Capítulo 11


Minha cabeça está doendo tanto que só desejo arrancá-la do meu pescoço. Penso em nem ir para a empresa, mas ontem mesmo deixei meus compromissos de lado para meter o pé na jaca e um dia só já basta, eu não sou assim.

Tomo um banho bem frio, me visto para ir a empresa e antes de descer para tentar tomar café da manhã, engulo duas pílulas de analgésico.

Bloqueei, ou fingi bloquear, toda e qualquer imagem do sonho que tive na noite anterior. Tudo que eu menos queria agora na minha vida era pensar naquele homem.

Desço as escadas e vou direto para a sala de jantar... Meus olhos se arregalam e eu paro abruptamente, em choque.

- Mas o que significa isso? – Consigo balbuciar.

- Bom dia pra você também, Valerie. Não vi a que horas chegou ontem – Ignorei completamente a frase da minha irmã. Mirei no homem que estava sentado ao seu lado na mesa, comendo tranquilamente como se eu nem estivesse ali.

- O que ele faz aqui? – Rugi. O desgraçado levantou os olhos e me encarou fixamente, por alguma razão parecia bravo.

- Caso tenha esquecido vou me casar com a sua irmã, e acho que Michelly gostaria de morar aqui – Respondeu-me.

Naquele instante tive uma vontade louca de arrancar meus sapatos e jogar nele.

- Ainda não sei querido – Michelly se dirigiu a ele, afagando sua mão – Mas por enquanto moraremos aqui sim, Valerie. A casa também é minha.

- Nem fodendo que esse encostado vai morar aqui. Isso é uma falta de respeito comigo, vocês nem estão casados ainda.

- Sei que não deveria me meter, mas vou. Acho que Michelly tem direito de trazer quem ela quiser para cá, já que você também traz seus namorados – Sua sobrancelha se ergueu e vi ainda mais raiva inundar seu olhar.

- Isso mesmo, Valerie. Agora deixe dessa sua implicância boba e venha tomar café.

- A partir de hoje, só faço minhas refeições em meu quarto ou na rua – Girei em meus calcanhares, pronta para sair, mas virei e me dirigi a Michael – E você, pare de se meter onde não é solicitado, gigolô. – Sai dali pisando duro, e com a cabeça doendo dez vezes mais.

Eu teria de aguentar aquele homem em minha empresa, em minha casa... Onde mais?

Na sua cama! – Meu inconsciente gritou.

Não, isso nunca!

(...)

Uma semana se passara e eu mal esbarrei com Michael em todos esses dias. Por sorte tive uma sucessão de reuniões e mal parei na empresa, chegava o mais tarde possível em casa e corria para meu quarto. Eu virei uma prisioneira em minha própria casa, o que era ridículo já que eu sou a dona daquele lugar e eu que trabalho para manter tudo aquilo, mas já que não tem jeito, pelo menos até eu achar um jeito de tirar aquele homem dali, iria levando assim.

O único dia livre que tive aproveitei para fazer compras com Vivian e Sabrine no shopping e passei o resto da tarde e à noite na casa de Kevin, matando a saudades de Zhoé e de Carlos. Depois de pular, cantar e dançar com Zhoé fiquei tão exausta que dormi antes mesmo de me dar conta.

Era domingo e claro que não queria voltar para casa até a hora de me arrumar para ir para o coquetel da empresa. Seria coisa simples, só para os acionistas e os clientes mais importantes. Era um saco eu ter de ir, mas era preciso.

- Ainda não acredito em tudo que tem acontecido – Vivian murmurou, em um misto de tristeza, raiva e choque.

- Eu não suporto ver aquele homem. Ainda bem que estamos em departamentos bem longes e só o esbarrei com ele nos corredores da AGNUSS uma única vez. – Sabrine comentou, enchendo a boca com pipoca.

- Imaginem como estou me sentindo? Eu estou fugindo de todas as formas, o ignoro nas poucas vezes que nos vemos... – Suspirei pesadamente.

- Não pensou em nada ainda para expulsá-lo? – Neguei com a cabeça – Talvez devesse contar a verdade a sua irmã. Eu acho que ela a entenderia e expulsaria ele.

- Talvez sim, mas ela parece estar apaixonada, está adorando exibir seu novo brinquedinho, então não sei se ela irá me levar a sério.

- Val, você ainda ama esse homem, mesmo depois de tanto tempo? – Vivian, se pronunciou, fazendo Sabrine e eu encará-la.

- Cla... cla... claro que não! – Gaguejei – Não junte a palavra amor e esse homem na mesma frase – Me levantei, exasperada, indo para a cozinha.

Como eu poderia amar um homem que só me fez mal? Que me tratou feito uma mercadoria sem valor depois de eu ter lhe entregado meu coração e minha virgindade.

“-Quero fazer amor com você, quero que você seja minha. - Ele fala em meu ouvido e isso causa reações lá em baixo.

-Eu já sou sua Michael.”

Suas palavras de 10 anos atrás ecoam em minha mente, e por um segundo eu fecho os olhos e sorrio.

- Não! Eu odeio ele! – Me faço acreditar.

- Tudo bem? – Vivian pergunta quando volto da cozinha.

- Está sim – Sorrio – Devo ir para me arrumar – É uma pena que não irão ao coquetel.

- Aquilo é a maior chatice, Val, deveria mandar isso ás favas e ir com a gente para a boate.

- Não posso, preciso fazer sala para alguns clientes importantes – Reviro os olhos.

- Que merda! – Sabrine diz e nós rimos.

Meu celular toca e o pego para atendê-lo.

- Olá, Leonard – Reviro os olhos mais uma vez, enquanto escuto-o falar – Me desculpe, estive sem tempo essa semana... Pode me acompanhar ao coquetel da empresa hoje, se quiser, claro... Então está combinado, passe em minha casa as 8... Até breve... – Desliguei o telefone.

Ia dar essa migalha de atenção a Leonard e manda-lo cair fora. Fomos namoradinhos por alguns meses, mas nada que passasse de beijos. Meus pais eram muito amigos dos seus e sempre deixaram claro que amariam nos ver casados.

- Não é quem eu estou pensando, é? – Sabrine comentou sorrindo. Vivian a essa altura já saltitava no sofá, ela nunca deixará de ser adolescente.

- É Leonard Passos – Fechei os olhos ao ouvir os gritos das duas – Parem com isso, suas malucas.

- Ele é um gato, e rico, e gentil e...

- Bom de cama! – Vivian completou.

- Como sabe disso?

- Martha dormiu com ele – Sussurrou, como se alguém pudesse escutar nossa conversa. – Ela disse que a língua daquele homem é uma loucura – Ela se abanou teatralmente, enquanto eu me desfazia em risos.

Depois de um longo e reconfortante abraço das minhas amigas, saí de lá muito mais forte.

Claro que assim que cheguei fui direto para meu quarto, tomei um bom banho, me vesti, maquiei, deu um jeito no cabelo e desci exatamente as 8. Leonard já me esperava.

- Você está linda! – Sorri, observando-o beijar a minha mão.

- Obrigado. Agora vamos ou iremos nos atrasar – Ele abriu a porta para mim e depois de ambos acomodados, saímos para o salão de festas da AGNUSS.

Já havia muitos carros estacionados em frente ao lugar quando chegamos, o que confirmou que estávamos atrasados.

Assim que descemos do carro Leonard ofereceu-me seu braço, e assim entramos no salão... Eu não deveria ter me impressionado com o que vi, esse maldito estava em todos os lugares que eu estava.

Mas não posso negar que estava lindo dentro daquele terno cinza. Sorria, enquanto conversava com dois dos mais importantes clientes da empresa. Seus dedos longos segurava uma taça de champanhe... Eu estava hipnotizada, não conseguia desviar o olhar. Ele pareceu notar que alguém o observava e olhou em minha direção. Seus olhos correram por meu corpo e um sorriso ampliou-se em seu rosto, sorriso este que murchou assim que viu que eu tinha companhia.

- Senhorita Agnolleto, está muito bonita – Um dos acionista entrou em minha frente e puxou assunto comigo e com Leonard.

O coquetel se seguiu assim, entre conversas sobre trabalho, bebidas, petiscos e mais conversas. Procurei me concentrar no homem lindo, gentil, e divertido que estava ao meu lado e me esquecer que olhos insistentes me seguiram para todos os lados.

A essa altura já sorria mais que o normal, e tocava em Leonard mais do que precisava. A bebida fizera seu efeito, e acho que mais uma vez eu havia exagerado.

- Leonard, irei ao toalete – Sussurrei em seu ouvido. Ele assentiu, segurando minha cintura e me dando um selinho antes de eu sair. Eu sorri, por que foi engraçado e por que eu estava bêbada... e quem sabe no final da noite não o deixasse fazer muito mais.

Não se engane, Valerie, você nunca conseguiu deixar um homem tocá-la intimamente depois daquilo. – Aquela vozinha chata me lembrou.

Foda-se! Hoje eu deixaria.

Parti para o banheiro e graças a Deus não encontrei Michael pelo caminho.

Em frente ao espelho, peguei o batom de minha bolsa e estava passando-o quando ouço a porta ser aberta e fechada abruptamente, logo depois a chave girou na fechadura.

- Mas o que você pensa que está fazendo? – Larguei o batom na bancada. – Me dê essa chave e suma daqui.

- Quem é aquele almofadinha? – Michael perguntou. Estava nitidamente embriagado.

- Não é da sua conta. Não deveria estar no coquetel! Volte para a sua nova caderneta de poupança, chamada Michelly.

- Estou cansado dessa palhaçada – Falou, ameaçadoramente, enquanto caminhava em minha direção.

- Me dê essa chave – Pedi, mas minha voz saiu trêmula e sem força.

- Não vou deixar que me faça ciúmes com aquele idiota... Eu sei que esses 10 anos não mudaram nada pra você, assim como não mudaram para mim – A essa altura eu já estava encostada na bancada do banheiro, não tinha para onde escapar. Seu cheiro estava me inebriando, fazendo-me eu me perder...

- Eu te odeio – Sussurrei baixinho, enquanto sentia sua respiração contra meus lábios. Eu queria empurrá-lo e tomar essa maldita chave dele, mas meu corpo me traia e tudo que ele queria fazer ele aproximar ele ainda mais.

- Nunca deixei de pensar em você... Senti tanta saudades – Suas mãos saíram dos bolsos e vagaram devagar por minha cintura. Foi um ínfimo toque, mas me fez perder a cabeça. – Estou ficando louco de não poder beijá-la e fazer amor com você... – Seus lábios roçaram os meus e eu quase implorei para beijá-lo. – Você quer isso, não é, Valerie?

Eu não podia falar... eu não queria falar aquilo em voz alta. Por isso agarrei a sua gravata e finalmente grudei seus lábios nos meus. O beijo foi forte, intenso, carregado de sentimentos bons e ruins, com tanto desejo que me fez fraquejar.

Suas mãos firmes me ergueram, sentando-me na bancada, enquanto nossas bocas se devoravam. Michael apertou meus seios com força, doeu, mas eu gemi, louca por mais. Seus lábios migraram para meu pescoço onde ele beijou, mordiscou e chupou, ao mesmo passo que suas mãos abriam minhas pernas e afastavam a minha calcinha.

- Tão molhada – Sussurrou. Eu permaneci de olhos fechados, não queria ver o que estava prestes a fazer.

Quando dois de seus dedos adentraram meu sexo me controlei para não gritar. Michael mordeu meus mamilos, por cima do vestido. Moveu seus dedos com precisão, me levando à beira do orgasmo. Mas parou assim que percebeu.

Abri os olhos e encarei-os, seus olhos estavam intensos, mas também estavam... cheio de lágrimas não derramadas.

Ele voltou a me beijar enquanto seu membro preenchia-me, devagar, abrindo espaço, colocando-se no lugar que nunca fora de outro, somente dele.

Quando estava totalmente dentro de mim, inclinou-se minimamente na bancada e apoiou as mãos no espelho, passando a se mover com rapidez e força. Doeu no início, pois já fazia muito tempo que não transava, 10 anos para ser mais precisa, mas o prazer substituiu a dor num instante.

Agarrei seus ombros, fincando minhas unhas no tecido do seu terno, enquanto sua boca devorava a minha e seu pau devorava meu sexo. A cada estocada meu corpo sofria um solavanco... Eu estava quase lá.

Nossos corpos chocando-se faziam barulho, a bancada da pia balançava a cada golpe de seus quadris... Michael cheirava a uísque, suor e baunilha...

- Ohh, Michael, sim – Gemi dentro da sua boca, enquanto meu corpo se contraia e tremulava, explodindo em seguida em um orgasmo que me fez contorcer e gritar desavergonhadamente.

- Shhh – A mão pesada de Michael caiu contra minha boca, abafando meus gritos.

Mais algumas estocadas e ele gozou dentro de mim, um urro escapou da sua boca e foi minha vez de tapá-la.

Então tudo parou, o frenesi, o desejo... Tudo voltou ao seu lugar, o ódio em meus olhos, a decepção nos seus. Empurrei-o e desci da bancada, estava com as pernas bambas, mas consegui me erguer.

Sem um pingo de dignidade, baixei meu vestido e enxuguei o suor da testa com o dorso da mão. Eu queria gritar, chorar e apagar o que acabou de acontecer... Mas, como, se eu gostara? Se nesse momento eu sentia seu gozo descer por minhas pernas e não me sentia suja, pelo contrário, me sentia completa.

- Valerie... eu

- Não – Cortei-o – Você e eu estamos bêbados e amanhã nem nos lembraremos disso... só esqueça – Passei por ele e peguei minha bolsa, e as chaves, saí as presas do banheiro.

Não voltei para a festa, saí pelos fundos e peguei um táxi, no caminho mandei uma mensagem para Leonard dizendo que tinha passado mal e estava indo para casa, garanti que estava bem, e que amanhã ligaria para ele. Depois de muito insistir ele acreditou e me deixou em paz.

Assim que cheguei em casa procurei pelo frasco de remédios na prateleira do meu banheiro, tomei 8 pílulas - acho que foi 8 - me joguei na cama e apaguei.



Capítulo 12


Ouvi um estrondo vindo de algum lugar, era cada vez mais longe, alguém gritava por meu nome insistentemente. O som ficou mais grave, mais alto, eu queria levantar, queria dizer algo mas... Mas minha boca não mexia nem um milésimo, meus olhos pesavam com uma tonelada, então o mundo tornou-se breu em um segundo.

Com um esforço descomunal abri aos poucos meus olhos, eles ainda pesavam bastante mas o que mais me incomodava era a ânsia. Não consegui distinguir que lugar era aquele, vi uma pequena luz que iluminava o ambiente, Kevin repousava em uma poltrona em um canto, meu corpo estava imobilizado por mangueira de soro e de oxigênio. Retirei a máscara que cobria minha boca e tossi. Kevin acordou em um sobressalto.

-Val? – Ele aproximou-se e pegou minha mão - Graças a Deus você acordou.

- Onde estou? 

-Você está no hospital, Val.

-Mas... Não entendo...eu...

-Você teve um ataque provocado por remédios – Sua voz estava embargada - Por que você fez isso Val?

Demorei apenas alguns segundos para processar as informações, vi a cara assustada e ao mesmo tempo aliviada de Kevin.

-Espere, você está achando que eu tentei me matar, é isso?

Ele aperta minha mão um pouco e olha bem fundo nos meus olhos.

-Val, você foi encontrada desmaiada no piso da sua suíte com o nariz sangrando, você passou três dias dormindo, os médicos disseram que por muito pouco você não teve uma overdose por medicamentos e álcool. O que você queria que nos pensássemos?

Fechei meus olhos e engoli o nó que formava em minha garganta. Tudo agora estava claro como cristal. Lembrei do que tinha acontecido entre Michael e eu no banheiro e desejei que as sete pragas do Egito caíssem sobre ele.

-Kevin por favor, não era minha intenção... eu apenas queria dormir e esquecer – Suspirei pesadamente antes de continuar. - Eu só queria esquecer de certas coisas, nem me toquei que havia bebido tanto. Por favor me perdoe, eu...

-Shiiii, não se preocupe maninha, eu não sei pelo o que você está passando e atribuo isso ao desgaste na empresa, mas te peço que não faça mais isso ok? Eu não suportaria outra perda em minha vida.

As lágrimas rolaram no rosto de Kevin e mais uma vez amaldiçoei o Michael por aquilo.

-Por favor me leve pra casa, sim? – Pedi, sentindo-me cansada, apesar de ter dormido por três dias, como Kevin dissera.

-Não mocinha, o médico já irá te examinar e se ele disser que você poderá ir para casa, tudo bem, caso o contrário você estará de castigo neste hospital. Sinta isso como parte de seu castigo por me fazer sofrer dessa maneira.

Tentei não rir, mas foi impossível. Vivian como sempre exacerbada entra no quarto com cara de susto.

-Você está maluca?

-Lá vem, senhor!!! – Revirei os olhos.

-Por que você fez isso, hein? – Seus olhos sempre espertos e felizes, estavam cheio de lágrimas não derramadas.

-Não foi minha intenção – Desculpei-me sinceramente - Kevin, você não quer aproveitar que a Vivian está aqui e ir para casa descansar? Sinto te dizer, mas sua cara é péssima. - Ele me olha torto mas concorda com a cabeça.

-Nossa tenho mesmo que ir, esses dias mal tive tempo de cuidar da Zhoé, e aquela casa deve estar um caos.

Dirigi outro sorriso para Kevin sinalizando que está tudo bem.

- Que horas são? 

- Já passa das 8 da noite.

-Quero sair o mais rápido daqui.

-Não quer saber das novidades? 

Demorei em fixar os olhos em Vivian. Eu lá queria saber de fofocas? Mas como sei o quanto aquela maluca era insistente decidi acabar logo com aquilo.

-Não acredito que houve tantas coisas assim em apenas três dias.

- O Leonard ligou e me pareceu muito preocupado, ele até veio aqui mas Michelly insistiu para que ele fosse para casa, não adiantaria nada ele ficar aqui, ela o manteia informado das novidades.

Não consegui não pensar em Michelly e em tudo o que aconteceu. Michelly poderia ter todos os defeitos, mas era minha irmã e eu não tinha o direito de traí-la dessa maneira.

Me obriguei a pensar em Leonard e o quanto a sua visita nesse momento seria desagradável. Eu não queria ter de explicar a ele nem a ninguém o que me levou aquilo. Já bastava a Vivian e a Sabrine, que com certeza iriam querer saber.

-Por favor Vi, não quero receber visitas. - Vivian balançou a cabeça em sinal de concordância. - Vi eu estou com fome, você poderia me trazer algo para comer?

-Claro eu vou descer e ver o que posso fazer por você. Só mais duas coisas antes de eu sair, a Sabrine está resolvendo uns assuntos da empresa, mas disse que viriam ainda hoje, e prepare-se pois irá contar o que te deu pra fazer uma merda dessas. – Assenti, vencida.

Vivian saiu e eu agradeci, respirei fundo e tentei levantar. Com um pouco de dificuldade consegui ir até o banheiro e tomei banho, havia algumas coisas de higiene pessoal, então escovei os dentes, me penteei e vesti outra daquelas roupas   ridículas de hospital.

Ao sair quase cai para trás ao ver o Michael em pé na minha frente.

Um misto de raiva e comoção tomou conta de mim, ele estava com uma cara péssima, seus cabelos amarrotados e suas olheiras indicavam que fazia dias que não dormia. Sua expressão era de alivio ao me ver, já eu não conseguia mover nenhum músculo sequer, tudo estava paralisado, ele tentou aproximar-se, mas eu indiquei que ficasse onde estava.

-Graças a Deus você já está bem, eu... eu... tive tanto medo.

-O que você está fazendo aqui? – Rugi.

-Não importa, eu só queria me certificar de que você estava bem.

-Saia! – Apontei-lhe a porta, desejando me livrar da sua presença o mais rápido possível. 
Ele novamente faz menção a se aproximar.

-Não se aproxime de mim, não quero que encoste essas mãos em mim. Quero esquecer você, esquecer o que houve, quero que vá embora. - Ele dá um passo para trás e passa as mãos sobre o cabelo.

-A culpa não foi só minha e você sabe disso, não tente negar o que você sente.

-Você é pior do que eu imaginava. Qual é o seu novo plano, hein? Já sei, se não der certo com uma eu tenho o plano B, ou melhor, eu caso e roubo uma enquanto como a outra.

-Não é assim Valerie, foi inevitável o que aconteceu.

-Vamos esquecer tudo isso, eu estou cansada e preciso descansar. Por favor, saia daqui.

Michael me encarou por mais alguns segundos, tempo esse bastante para que eu pudesse analisa-los, e o que eu pude ver em seus olhos foi medo. Mas ele baixou a cabeça e saiu.

(...)

Passei mais um dia no hospital em observação. Vivian me disse que Michael não arredou o pé de lá durante os três dias em que fiquei desacordada. Michelly não percebeu nada pois estava ocupada demais panejando o tal casamento. O médico que me atendeu disse que em uns dias eu já poderia voltar ao trabalho e foi isso que fiz. Esses dias em que fiquei no hospital e de repouso em casa me garantiram muitas dores de cabeça, e eu estava prestes a ganhar mais uma, isso por que aquele inútil metido a besta inventou de tomar decisões em meu lugar.

-Senhorita, os clientes já estão à sua espera na sala de reuniões. 

-Eu já estou indo.

Peguei minha pasta e me dirigi à sala de reuniões, já prevendo o caos, os prejuízos seriam incalculáveis e era disso que eu precisava para esfregar na cara da Michelly e exigir que ele saísse da AGNUSS.

Após analisarmos alguns contratos meu queixo caio definitivamente. Tudo estava perfeito, todos os projetos que precisavam da aprovação da diretoria estavam impecáveis e isso fez meu sangue subir à cabeça.

Como isso aconteceu? – Eu pensei.

- Senhorita Valerie, o Michael presidiu tudo muito bem. Tenho que confessar que a AGNUSS tem alguém que realmente sabe fazer negócio.

Minha cara ficou no chão, eu não podia acreditar que ele havia fechado um contrato de milhões de dólares.

A reunião acabou e eu sem demora fui até a sala dele, eu pisava duro eu havia botado minha pior máscara a de ferro.

Entrei sem bater e me arrependi do que tinha feito, eu preferiria furar meus olhos a ter que ver aquilo. Michelly estava de pernas abertas sobre a mesa, seu vestido levantado e Michael a beijava, suas mãos em meio a suas coxas e sua camisa aberta.

- Mas que merda é essa? – Os dois pararam com o show e me encararam, Michelly com ar de riso e Michael com evidente desespero. Ele largou Michelly como se ela tivesse em chamas e arrumou sua roupa.

- Valerie...

- Não – Levantei a mão, parando-o – Não precisa explicar o que estavam fazendo, eu vi. Só peço que tenha decoro, pois estamos em um ambiente de trabalho – Pigarrei para clarear minha voz, que de repente ficou rouca. – E você Michelly, espere até chegar em casa para fazer o que bem quiser com seu michê – Arremessei os papéis que segurava na mesa, e saí batendo a porta.

- Valerie, espere – Ouvi Michael gritar, mas já estava entrando no elevador, pronta para sair correndo daquela empresa.


Aquela empresa antes era sagrada para mim, um refúgio na qual adorava me esconder, mas ele havia destruído isso também... E nem mais ali eu tinha paz.




Capítulo 13


Saí da empresa totalmente atordoada, peguei meu carro e rumei para a minha casa. Como sabia que aquele homem não estava ali, talvez tivesse paz por algumas horas.

- Valerie, a essa hora em casa? – Gertrude perguntou, assim que sai do carro.

- Pois é – Suspirei alto – Pode, por favor, pedir que ninguém me incomode? Quero cair na cama e esquecer até meu próprio nome.

Ela assentiu, mas vi seu rosto expressar preocupação.

- Você anda tão tristinha, menina. Parece sempre cansada e infeliz... Seus pais odiariam vê-la tão sobrecarregada. – Forcei um sorriso para tranquilizar a mulher.

A única pessoa dentro daquela casa que eu ainda deixava opinar em minha vida era Gertrudes. Ela sempre esteve com meus pais, e quando eles se foram ela cuidou de mim com um carinho maternal.

Eu estava mesmo tudo que ela disse: Triste, sobrecarregada, infeliz... Mas não queria que ela se preocupasse.

- Eu estou bem – Ela afagou meu rosto, sorrindo afavelmente.

- Sei que não está. Mas se precisar dividir esse peso que está em você com alguém, conte comigo, certo?

- Certo – Afaguei seu braço e segui para dentro da casa.

Sentia-me tão exausta. Com uma necessidade absurda de dormir e esquecer as cenas que acabei de ver na empresa.

Michael estava beijando-a... Eles estavam quase transando ali mesmo... E aquele desgraçado nem sequer devia sentir remorso de tudo que faz.

Como ele pode trair minha irmã comigo e no dia seguinte transar com ela? Sem ressentimentos, sem culpas... Ele não era humano.

Joguei a bolsa em um canto qualquer, e me livrei dos sapatos. Estava prestes a fazer o mesmo com minha blusa, quando ouvi a porta atrás de mim ser aberta e em seguida fechada. Ao virar para olhar vi um Michael ofegante encostado a ela.

- O que faz aqui? – As palavras saíram ácidas.

Aquele homem me fazia odiá-lo em uma proporção que eu jamais fui capaz... Assim como fazia-me amá-lo na mesma proporção.

Eu queria beijá-lo e bater nele. Sua imagem me alegrava, mas me colocava também em desespero. Eu o desejava, mas o queria longe de mim...

- Por que não me deixa em paz? – Gritei, desmoronando no chão, lágrimas descendo abundantemente por meu rosto.

- Por favor, Valerie – Um segundo depois ele estava ao meu lado no chão, puxando-me para seus braços.

Eu estava frágil demais para afastá-lo, afetada demais por sua presença para recusá-lo. Eu deixei que ele me abraçasse, que me aninhasse em seu corpo aconchegante e quente, que alisasse meus cabelos e me balançasse como se eu fosse uma menina que precisa de cuidados. Só por um minuto, um mísero minuto, eu deixaria de ser a Valerie forte e decidida, e seria a garota que precisa urgentemente de um pouco de atenção. Talvez ele não fosse a pessoa mais apropriada para isso, mas naquele momento meu coração machucado não estava me deixando raciocinar muito bem.

Agarrei seus braços, apertando-os ainda mais em minha volta.

- Está sendo tão difícil pra mim... Ninguém imagina o quanto – Funguei. Sei seus lábios beijarem meus cabelos.

- Eu imagino.

- Não, você não imagina – Um soluço me fez parar brevemente – Quando eu saí daquele hotel há 10 atrás, eu prometi a mim mesma que jamais amaria outro... O que você fez destruiu meu coração, mas eu consegui superar. Me transformei em uma mulher obstinada e forte, fortaleci o império que meus pais me deixaram... Era só isso que queria, para o resto da minha vida. Trabalhar muito e aproveitar ao máximo as pessoas que amo. Eu estava indo bem, estava mesmo, mas você apareceu e bagunçou tudo... Não posso lidar com isso – Passei o dorso da mão em meu rosto, enxugando-o.

- Eu amo você – Ouvi-o sussurrar. E talvez em outra ocasião aquela declaração tivesse me feito feliz, mas agora ela doía – Não sabe o quanto te procurei depois... Tente entender só por um instante meu lado, Valerie. Eu era um garoto ambicioso, que viviam em condições precárias, tudo que eu queria naquela ocasião era uma oportunidade de me livrar daquela vida. De forma fácil ou difícil, isso não importava, só queria que fosse depressa. Então eu te conheci, e desejei ainda mais poder dar a mim e a você o luxo que nenhum de nós dois conhecíamos – Ele deu uma risadinha triste – Bem, apenas eu não conhecia, já que você sempre teve tudo isso. Talvez por isso nunca vá entender minha ambição.

- Eu também tive motivos para mentir – Disse com a voz mais firme agora – Todos que se aproximavam de mim, principalmente os rapazes, era apenas por interesse... Com você eu quis que fosse diferente, que gostasse de mim, apenas de mim, e não do pacote de regalias que acompanhava Valerie Agnoletto.

- No fundo nós dois erramos – Michael concluiu – Talvez fôssemos imaturos demais para lidar com um sentimento tão forte quanto o nosso. – Assenti.

- Eu o amava tanto – Comentei.

- Não ama mais? – Levantei meu olhar, encarando-o. Sim, o amava perdidamente.

10 anos de lágrimas e separação não foram suficientes para tirá-lo do meu coração.

- Não sei – Menti, desviando o olhar.

- Eu ainda amo você – Voltei a fita-lo – Tive muitas mulheres nesses 10 anos, mas nunca nenhuma delas me fez te esquecer por um minuto sequer.

- E a Michelly...

- A Michelly é uma boa pessoa, gosto dela, e no fundo temos coisas em comum, mas nunca amei-a nem poderia amá-la.

- Iria se casar com ela sem amor?

- Sim. Por conveniência. Mas agora acabou, Valerie.

- Acabou? – Franzi o cenho.

- Meu noivado com Michelly acabou. Vou embora da sua casa, da sua empresa, e se quiser, da sua vida.

- Você terminou o noivado com Michelly? – Perguntei perplexa.

- Ainda não, pois saí correndo atrás de você, mas farei isso ainda hoje.

- Você não pode! – Decretei.

- Como? Não estou entendendo nada, Valerie

- Bem, você deve acabar o noivado, já que não a ama. Mas ela gosta de você, prepare-a antes de fazer qualquer coisa. Não quero ver minha irmã sofrer – Ele assentiu.

Pareceu um pedido meio tolo, até para mim mesma que o fiz. Mas eu não queria ser a culpada pelo sofrimento de Michelly. Afinal ela parece feliz com ele.

- Mas te prometo que a partir de hoje não transarei mais com ela – Ele desviou o olhar, parecendo constrangido – Aquilo na empresa foi um erro. Michelly estava me pressionando desde a sua estadia no hospital... então me deixei levar, mas me perdoe, jamais queria que tivesse aquilo. – Assenti.

Nossos olhares se cruzaram novamente e me vi presa naqueles olhos negros e expressivos. Eu amava tanto aquele homem, que fingir sanidade e dignidade já não era algo mais que eu queria fazer.

A aura entre nós mudou de repente. E depois de tantos esclarecimentos e pedidos de perdão, o que restou entre nós foi a vontade de nos amarmos.

Michael encaixou sua mão em minha nuca e puxou-me para perto, roçando seus lábios nos meus.

- Não sabe a saudade que senti dos seus beijos, do sorriso perfeito que esses lábios projetam – Sorri instintivamente. Talvez o sorriso mais sincero que já dei em 10 anos – Nunca duvide que a amo, independentemente de qualquer coisa.

Então seus lábios estavam nos meus, firmes e carinhoso, exigentes e desejosos. E eu me deixei levar, provando de sua língua com fome, com necessidade. Eu precisava dele. 

A mão que segurava minha nuca desceu por meu pescoço, levando no percurso a alça da minha blusa. Ele repetiu o movimento no outro ombro, baixando assim ambas as alças da minha blusa. Seus lábios largaram os meus para rumarem para meu pescoço e colo, onde ele mordiscou e brincou o suficiente para me fazer arfar e contorcer.

- Você conseguiu ficar ainda mais linda – Sorri, passeando as mãos por baixo de sua camisa.

Nos desfizemos dos botões com rapidez, e logo ele estava nu da cintura para cima. Foi minha vez de provar de sua pele, lenta e prazerosamente. Beijei e mordisquei seu pescoço, seu peito, parando apenas ao chegar no cós da sua calça. Desfiz seu cinto, e ele me ajudou na tarefa de livrá-lo do sua calça e cueca. Ele era exuberantemente lindo.

- Adoro quando me olha assim, parece faminta por mim – Comentou sorrindo, enquanto lambia eroticamente meu pescoço.

- E estou – Consegui sussurrar.

Michael grunhiu, fazendo-me arrepiar. Então o amante calmo e controlado sumira, dando lugar a um ansioso. Suas mãos estavam por todo meu corpo, despindo-me com uma rapidez alucinante.
Quando seus lábios capturaram com fome um dos meus seios, me arqueei completamente, louca por mais. Ele lambeu o mamilo intumescido até vê-lo duro o suficiente, então mordiscou finalizou a carícia sugando um ponto abaixo do meu seio, quase nas costelas.

- Michael – Chamei, quase atingindo o clímax com essa simples carícia.

Ele repetiu tudo que fizera em meu outro seio, então seus lábios desceram por minha barriga, parando ao chegar no cós de minha calcinha. Ele livrou-se dela com um único puxão, que me fez gritar.

Sua boca fechou-se sobre minha intimidade, sus língua movendo meu clitóris de uma forma agonizantemente prazerosa. Minhas pernas abriram-se ainda mais para acomodá-lo e ele intensificou tudo que estava fazendo. Ele sugou meu clitóris, perdendo-o sem pressão entre os dentes, e moveu a cabeça de um lado para outro, sem interrupções. Agarrei seus cabelos e fechei minhas pernas em volta de sua cabeça, perdendo-me na loucura de um orgasmo alucinante. Todo meu corpo se retesou e eu gemi pelo que pareceu horas, até que consegui abrir s olhos novamente.

Ele estava me olhando com um sorriso largo no rosto, pairando sobre mim.

- Nunca vi nada tão bonito na minha vida quanto você gozando – Corei, incapaz de proferir uma palavra sequer. 

Seus lábios encontram-se com os meus novamente e trocamos um beijo lânguido. Michael juntou ainda mais seu corpo ao meu, e por Deus, a sensação da sua pele na minha era tudo, mas nada comparada a sensação de tê-lo enterrando-se dentro de mim, tomando-me completamente, tornando-me novamente somente sua.

- Sua – Exteriorizei meus pensamentos – Somente sua.

- Só minha – Michael repeti com sofreguidão.

Quando estava completamente dentro de mim, ele equilibrou-se nos cotovelos e impulsionou para a frente, arrastando meu corpo pelo chão.

- Ohhh, sim – Agarrei-me em seus antebraços e esperei mais uma estocada.

Ele foi firme e certeiro em cada estocada, acertando um ponto que fazia tudo em mim se focar no prazer que se formava em meu núcleo.

- Porra! – Rugiu, enterrando a cabeça no vão do meu pescoço. Afastei um pouco seu cabelo, lambendo seu pescoço levemente suado.

- Não se prenda, me dê tudo de si – Sussurrei em seu ouvido.

Isso pareceu despertá-lo. E o que era um nítido controle se transformou em um desenfreado desejo. Suas estocadas tornarem-se ainda mais fortes e rápidas, fazendo nossos corpos chocarem-se com barulho. Os gemidos tornarem-se gritos mal contidos e o desejo atingira proporções incontroláveis.

- Michael – Gritei seu nome, agarrando-o contra mim, enquanto me desfazia em mais um orgasmo.

- Vale... – Ele pretendia dizer meu nome, mas o desejo emudeceu-o. Senti seus músculos se retesarem contra meus dedos e alguns segundos depois ele desabou sobre mim.

Passamos mais bons minutos assim, entrelaçados no chão do meu quarto. Mas infelizmente não éramos apenas nós no mundo, ele precisava voltar a fazer o papel de noivo de Michelly – Pelo menos por enquanto – E eu precisava voltar ao papel de sempre.

- Vou pedir demissão da empresa amanhã – Comentou, assim que abotoou o último botão se sua camisa.

- Não – Apresei-me em dizer – Você é muito competente no que faz, Michael. E pode me ajudar na empresa. Vi os negócios que fechou em minha ausência, fora excelentes. E embora minha vontade fora de mata-lo quando eu vi, notei o quão bom pode ser lá dentro.

- Sério? – Perguntou incrédulo.

- Claro – Sorri.

Ele caminhou até mim e me deu um beijo longo e suave.

- Prometo não decepcioná-la, patroa – Ri. – Quando poderemos ficar assim juntinhos novamente?

- Amanhã arrumarei um lugar para nos encontrarmos. Não posso ficar sem isso por mais de um dia. – Ele arqueou a sobrancelha.

- Eu criei um monstrinho?

- Com certeza – Seus olhos se estreitaram e ele voltou a se aproximar para me beijar.

- Até amanhã, então querida.

- Até – Suspirei, acenando enquanto ele saia discretamente do quarto.

Talvez o passo que acebei de dar tivesse sido um erro. Talvez o Michael não mudou em nada e continua sendo o cara ambicioso de sempre... Talvez... Bem, eu estou usando essa palavra demais, usei-a demais por muitos anos, e agora preciso viver – Por pelo menos um tempo – Com as incertezas da vida. Quem sabe elas me mostram um final feliz.


Capítulo 14


Meu corpo flutuava a medida que a água caía em minhas costas, era inevitável sentir meu coração mais aliviado. Levei a mão ao peito e percebi que ele havia voltado a bater, meu coração de gelo tinha se quebrado naquela noite, mas minha consciência latejava em revolta pela situação. Me veio em pensamento que eu estava fazendo com minha irmã a mesma canalhice que fizeram comigo a tempos atrás e o pior, com o mesmo homem.

No jantar rezei em silêncio para não encontrar a Michelly, eu estava cheia de fome e não sei se conseguiria comer tendo que olhar para ela e disfarçar toda a minha felicidade. Fiquei aliviada em ver que Kevin estava preparando o jantar e Zoe estava na casa, desde que sai do hospital não havia mais visto minha princesinha.

-Titia!!! – Bradou.

Seus bracinhos miúdos estirados em minha direção só fez aumentar a vontade de agarrá-la e matá-la de tanto beijar suas bochechas gorduchas. Após uma sessão de beijos, cócegas e muitas risadas fui até a cozinha onde estava o Kevin.

-Nossa, você está diferente! – Me encarou de olhos estreitos.

-Está doido?

-Está sim, Val, você está com um enorme sorriso no rosto e sua pele está uma maravilha.

Passei as mãos sobre a pele do rosto e pensei em como as pessoas tinham aquela percepção
.
-Vamos, me conte, quem é ele? - Olhei um pouco desconfiada para Kevin.

-Ele quem? – Disfarcei, desviando o olhar.

-Como assim, quem? Quem está pondo esse sorrisinho nos seus lábios. A muito tempo não te vejo assim, na verdade isso já tem uns dez anos.

-Não seja bobo Kevin, Não tem ninguém é que... Bem, eu só estou um pouco aliviada por alguns negócios terem dado certo na empresa - Ele soltou uma sonora gargalhada e olhou para mim.

-Minha querida se tem uma coisa que eu aprendi na vida é reconhecer uma mulher quando ela está amado e sendo amada, e eu posso apostar que este é o seu caso.

Meu Deus! Como ele fazia quilo? 

Tentei disfarçar o máximo que eu pude.

-Não sei do que você está falando.

-Não tem problema mana, fico feliz em ver que alguém conseguiu derreter esse teu coração de gelo. Só espero que você não demore muito para apresentá-lo, se quiser posso fazer um jantar para a ocasião. Falando na empresa como vai seu novo funcionário?

Me fingi de desentendida.

- O Michael como ele está indo na administração dos negócios? - Dei um longo suspiro antes de responder.

-Está melhor do que eu poderia imaginar, ele fechou um contrato muito importante.

-É, ele está te surpreendendo, não é mesmo?

-Sim, está – Sorri.

Acho que meu sorriso ao falar do Michael foi maior do que eu gostaria de mostrar pois vi um par de olhos me examinarem por segundos, no mesmo instante tentei mudar de assunto.

-E o que vamos ter para o jantar? Estou morta de fome.

No jantar tudo na mais perfeita ordem, Kevin e eu conversamos sobre seu relacionamento, ele contara que Carlos andava meio estranho ultimamente isso está o preocupando. Tentei animá-lo dizendo que poderia ser os negócios ou algo parecido. Nossa conversa continuou, mas sempre tentando não entrar em assuntos que fossem Michael, Kevin era observador e iria perceber que havia algo entre nós, e eu não queria que isso acontecesse, não antes de resolver tudo com Michelly.

(...)

Meus dias na empresa foram de toda certeza os melhores. As pilhas de papeis e contratos não mais me irritavam como antes, tão pouco as reuniões longas e chatas me tiravam o bom humor.

-Srta. Loes, peça para que o senhor Jackson venha até minha sala e por favor eu não quero ser interrompida. 

Passaram-se pouquíssimos segundos até que ele estava entrando em minha sala.

-Você me chamou? – Assenti, com um sorriso matreiro nos lábios.

-Por favor tranque a porta... - Sua testa franziu demostrando não entender o pedido.

Ele estava excepcionalmente lindo aquela tarde. 

Sai de traz da minha mesa como quem desfila, o olhei e sorri ao ver que ainda mantinha o cenho franzido.

-Você esta precisado de alguma coisa? – Perguntou alheio ao que eu pretendia.

Parei e o chamei com o dedo indicador, ele sorriu, finalmente entendendo minhas intenções.

-Não acha que seria arriscado aqui? – Dessa vez ele sorriu em apreciação.

Desabotoei cuidadosamente minha blusa, seus olhos agora vidrados em mim.

-Acho.

Eu poderia sentir seu coração acelerar, e seus olhos escurecerem ainda mais, seus passos eram lentos e cuidadosos, sua mão encosta na pele do meu colo e desliza até o meio dos meus seios. Não havia palavras para aquele momento, eu sentia meu sexo tremer em expectativa pelo que viria.

Suas mãos firmes continuam em seu percurso até chegar as minha coxas. Sou levantada em um só movimento, apoio-me na mesa de mármore bruto, está tão frio e meu corpo pegando fogo, o choque de temperatura faz minha pele arrepiar. Sua boca encosta em minha orelha e sua língua invade minha pele deixando um rastro de beijos por todo meu pescoço, sua voz grave estronda a delicadeza dos meus ouvidos.

-Você não deveria me provocar dessa maneira Senhorita Agnoletto, pode ser muito perigoso sabia?

-Estou pagando para ver, senhor Jackson.

Sua mão apertou meu maxilar delicadamente e sua boca invadiu a minha devagar, era doce, mas eu precisava de mais. Chegava ser agonizante, eu queria mais, eu queria que me invadisse rápido e voraz. Seus beijos foram descendo e deixando um rastro de fogo por onde passava, minhas mão desmanchava seu cabelo e os meus dedos o puxava mais para mim. Sua língua continuava com a pequena tortura até chegar ao fecho da minha saia lápis, ele afastou-se um pouco e contemplou meu corpo seminu em cima da minha mesa.

-Você é tão linda, meu amor. Não sei como pude viver tanto tempo sem você – Nos encaramos por alguns segundos, alimentando-nos do olhar de amor um do outro. 

Ele aproximou-se do meu umbigo, roçou o nariz ali e desceu por minha calcinha rendada, distribuiu longos beijos em meio aos poucos pelos que cobria meu pubes. Fiz menção em tirar a calcinha mas ele deteve minhas mãos.

-Não! Eu quero você assim. – Sorriu maliciosamente - Abra um pouco mais as pernas, querida.

Fiz o que me pediu e a sensação a seguir foi delirante, sua língua passeava devagar por toda a extensão do meu sexo, seus beijos eram profundo como se quisesse extrair minha essência.

Ele continuava a me invadir, a me sugar, a me lamber, a me beijar profundamente. Para minha sorte a sala era a prova de sons e só nós dois conseguíamos ouvir meus gemidos estridentes. Eu ofegava cada vez mais rápido, meu coração se acelerava a cada lambida, a cada mordida, eu não mais aguentaria, era tão delicioso senti-lo de joelhos em meio as minhas pernas me dando tanto prazer quanto eu poderia imaginar sentir. Baixei o olhar e meu corpo se contorceu ainda mais, a imagem dele me lambendo, sua língua deslizando em meu sexo me fez arfar, meus músculos entraram em convulsão e o êxtase me atingia intensamente. O delírio do gozo em sua boca era excitante, eu arfava exausta. Mas eu queria mais, muito mais, após um segundo sinto seu corpo sobre o meu, abro os olhos e vejo que está completamente sem roupas, sorrio e passo a língua em meus lábios... Eu quero mais, muito mais... Eu quero tudo dele.

Ele me invade devagar, meus músculos internos se contraem e o acomodam dentro de mim, seu ritmo agora acelera e meus gemidos também. Ele me aperta, me morde, eu desejo mais disso. Ele sai de mim e eu entristeço.

Paro e o olho sem entender, Michael gira o indicador mandando-me virar de costas para ele, obedeço-o imediatamente e apoio uma perna na mesa, expondo-me pra ele. Ainda estou usando escarpam de salto alto, e tenho certeza que ele aprova a visão, pois solta um longo gemido enquanto suas mãos apertam as bochechas da minha bunda. Ele novamente me invade e eu agradeço por isso. Meus seios estão deslizado sobre a pedra fria e Michael continua com suas investidas, uma, duas, três, quatro... seus gemidos competem com os meus, só mais duas longas estocadas e seu corpo cai sobre o meu no chão da minha sala na AGNUSS.

Ouço batidas incessantes na porta, meus olhos esforçam para abrir.

-Senhora Agnoletto? A senhora está aí? – Ouço a voz do outro lado da porta.

Dou um pulo e me levanto, Michael se assusta e se levanta junto comigo. Olho no relógio na parede, são oito da noite. Rosno por ter deixado isso acontecer, dormir em minha sala não estava no roteiro.

-Sim, estou aqui, o que desejam?

-Só queríamos informar que estamos fechando tudo.

-Ah, sim, já estou acabando, sairei em um minuto - Michael ri zombeteiro enquanto se veste.

-Por que você está rindo? Não vejo graça alguma – Resmungo brava.

-Você fica linda toda desconcertada.

Foi inevitável não rir da situação.

(...)

Os dias se passavam e cada vez mais eu sentia que não poderia viver sem o Michael, os encontros as escondidas eram frequentes e estava ficando cada vez mais difícil esconder que tínhamos um caso. Por outro lado o ciúme me consumia a cada vez que via Michael com a Michelly, era de revirar o estomago ver ela toda melosa e insinuando-se para ele, mas também não me saia da cabeça o quanto eu estava sendo leviana ao manter um romance com o noivo da minha própria irmã.

O natal estava se aproximando e com ele o desejo de acabar logo com toda aquela tortura.

-Michael, isso tem que acabar, não é justo o que estamos fazendo coma Michelly.

-Eu sei, mas toda vez que tento conversar ela simplesmente muda de assunto. Eu sei o quanto te dói, dói em mim também, mas eu prometo que irei resolver tudo Valerie. Não vejo a hora de estar com você definitivamente e ser todo seu.

(...)

Noite de Natal a casa está repleta de luz, Zhoé brinca com os presentes da árvore e corre de um lado para o outro. A casa está cheia. Vivian e Sabrine conversam animadamente com os primos de Carlos, Kevin anda de um lado para o outro na organização da ceia.

Tento a todo custo não olhar para Michael, como sempre Michelly está a tira colo. Vejo que ele tenta ser discreto ao se livrar as investidas dela, mas nem sempre consegue. A algumas semanas tenho notado um tom um pouco mais ríspido da parte dela, olhar acusador e insinuações, tentei não levar em conta visto que vindo de Michelly nada poderia ser levado em conta, por outro lado Michael havia me garantido que ainda não tinha dado um ponto final no seu noivado, e mesmo que ele o tivesse feito havíamos combinado de não revelar que estamos juntos, pelo menos até a poeira abaixar e a Michelly se conformar.

Voltei meu olhar até a janela e contemplei a neve que caia do lado de fora, pensei em tudo que tinha acontecido em apenas um mês, em como minha vida havia mudado dentro de tão pouco tempo, e em como eu a levaria de agora em diante.

Sou tirada de meus devaneios pelo tilintado de uma taça, viro-me e ouço Kevin convocando todos para a mesa.

Todos dirigem-se para a sala de jantar que está completamente ornamentada como uma verdadeira ceia de natal tem de ser. O jantar transcorre perfeitamente bem, as risadas de todos enchem a sala de alegria. Sabrine dá a ordem.

-Bem, todos estamos muito animados para esse momento, então que comecem a troca de presentes.

Olho de relance para Michael e o vejo incomodado. Tento com meu olhar tranquilizá-lo, mas sou impedida pela a voz de Michelly.

-Bem, como sou a Agnolleto mais velha faço questão de ser a primeira. Meu presente vai para uma pessoa muito especial em minha vida e creio que ele terá ainda mais um motivo para me amar mais – Ela sorri, lançando um olhar para Michael.

Meus olhos se estreitam e tento entender o discurso de Michelly, sem perder minha compostura.

-O presente que tenho para essa pessoa. Não só para ele, mas para toda a família Agnoletto – Todos estão a encarando a essa altura. E eu não tenho um bom pressentimento pelo que vem a seguir.

Michael a olha confuso, todos sorriem, mas não entendem o que Michelly diz. Afinal que presente é esse tão grandioso?!

-Michael, o seu presente está guardadinho, mas só virá daqui a exatos 8 meses – Eu acompanho o movimento de sua mão enquanto ela acaricia a barriga inexistente – Parabéns, meu amor, você vai ser papai.

O que? Eu ouvi bem? Ela falou papai?




Capítulo 15


Com os dedos trêmulos alcancei minha taça de vinho e sorvi um generosos gole, enquanto observava atentamente as reações de todos na mesa.

- Vamos querido, diga algo – Michelly incentivou em meio a um sorriso. Michael ainda não havia se pronunciado.

- Eu... É... estou feliz – Pigarreou e levantou-se para abraçar Michelly, porém ela foi mais afoita e agarrou-o, beijando-o. Desviei o olhar, levantando-me da mesa.

- Vou ao toalete, com licença – Joguei o guardanapo em cima da mesa e me afastei.

Ninguém notou o que eu dissera nem minha saída, todos estavam comemorando a chegada do mais novo Agnolleto...

Deus sabe o quanto amo crianças, e que em outras circunstâncias eu também teria ficado feliz, mas não naquele momento. Como Michael e eu continuaríamos juntos depois daquilo?

Assim que me tranquei no banheiro meu telefone tocou. No visor o nome de ‘Leonard’ piscava. Eu poderia ignorá-lo, mas nesse momento precisava falar com alguém, por que se não sufocaria.

Eu já deveria ter contado tudo sobre meu caso com Michael para Vivian e Sabrine, quem sabe assim eu não teria me sentido pelo menos mais leve, mas tive medo que elas me julgassem... Eu mesma me julgava as vezes, e definitivamente não queria o olhar de desaprovação de nenhuma delas.

Poxa, pensei que muito em breve iríamos resolvido essa situação, mas tudo isso agora só piorou.

- Olá, Leonard – Cumprimentei-o.

- Feliz natal, Valerie – Sorri ao notar seu entusiasmo na voz.

- É, feliz natal – Disse desanimada.

- Ih, já vi eu aconteceu alguma coisa. Sabe que se quiser me contar estarei aqui para ouvi-la.

- Só a Michelly e mais uma de suas surpresas.

- O que tem ela? – Perguntou afoito. O que estranhei muitíssimo.

- Podemos falar pessoalmente? Vou me despedir de todos na sala e... se não fosse te atrapalhar muito, poderíamos dar uma volta? Preciso respirar.

- Claro, passo aí em 20 minutos, certo?

- Certo! – Desliguei o celular. Joguei um pouco de água na nuca, recompus o máximo que pude minha expressão e saí do banheiro.

Michael me esperava, andando de um lado pra outro.

- Por favor, agora não – Interrompi-o, assim que abriu a boca.

- Valerie, eu não tive culpa... – Eu ri debochadamente.

- Então ela fez a criança sozinha? – Cruzei meus braços e encarei-o.

- Eu não sei como isso pode acontecer. Michelly garantiu que tomava pílulas e desde que estamos juntos eu e ela não tivemos nada – Ele passou as mãos nos cabelos e apertou o nariz nervosamente.

- O fato aqui é que ela está grávida, e sendo assim nossa relação está acabada. Já me sentia mal o suficiente em trair minha irmã, mas trair minha irmã grávida? É demais pra mim.

- Você não pode acabar Valerie. Eu não sei, não quero e não vou viver sem você. Vamos contar a verdade para Michelly, vou me separar dela e...

- Não – Cortei-o – Olha, estou cheia de tudo isso. E agora eu só quero esquecer por um tempo. Então me deixe sair, conversaremos amanhã – Ergui a cabeça e pisquei os olhos sucessivas vezes para dissipar as lágrimas.

Passei por ele, mas ele me deteve antes que eu chegasse muito longe.

- Eu amo você, e não vou perde-la outra vez – Soltei meu braço do seu aperto e saí dali quase correndo.

Ainda encontrei a família em meio a felicitações.

- E você irmãzinha, é a única que não parece feliz – Michelly soltou – Logo você que ama crianças, rejeitando seu futuro sobrinho? – Disse venenosa.

- Não estou rejeitando ninguém – Encarei-a – Só não acho que você tem responsabilidade suficiente para cuidar de uma criança. Você é mais imatura que Zhoé. – Todos os olhares estavam voltados pra mim.

Vivian e Sabrine provavelmente desconfiavam o porquê da minha reação, mas Kevin parecia chocado, como se tivesse ligado os pontos e descoberto tudo.

Michael nesse instante voltou à sala.

- Continuem a comemoração sem mim – Me virei para sair, mas me detive – Ah, e feliz natal pra todo mundo.

- Onde vai Valerie? – Vivian se pronunciou.

- Vou sair com o Leonard. Amanhã falo com você e com você também Sabrine – Elas assentiram.

Passei os olhos rapidamente por Michael e vi-o tenso, encarando-me de olhos estreitos e mandíbula cerrada, parecia a ponto de explodir, porém nada fez enquanto eu saia da casa. Com meu natal devidamente arruinado.

Assim que alcancei o frio congelante da rua vi o carro de Leonard se aproximando. Nem esperei ele parar direito, entrei, sentindo-me livre agora para chorar. As lágrimas vieram como uma torrente.

- Ohh, Valerie – Leonard soltou o volante do carro, livrou-se do cinto e se aproximou para me abraçar.

Chorei por algum tempos em seus braços até conseguir me recompor e pedir que me tirasse dali.
Paramos no bar de sempre, que estava completamente vazio. Óbvio, era noite de natal, quem, além de mim, pensaria em beber?

- Dois uísques duplos – Leonard pediu ao barman, enquanto nos acomodávamos em uma mesa próxima ao bar. – Agora pode me dizer o que aconteceu? – Assenti. O garçom trouxe as bebidas e antes de começar a falar sorvi um longo gole.

- A Michelly está grávida.

Leonard se engasgou com a bebida que acabara de tomar, atrapalhando o início do meu discurso com uma sessão de tosse.

- De--- de quanto tempo? – Perguntou assim que conseguiu se recuperar.

Estranhei sua pergunta, e estranhei mais ainda sua aparente apreensão. Ele parecia quase em choque.

- Ela disse que de um mês, mas...

- Deus! – Balbuciou, virando todo o líquido da bebida.

- O que há te errado, Leonard?

- Nada... eu só. Desculpe, Valerie, sei que queria conversar, mas lembrei que tenho que resolver uma coisa e tem que ser agora. Ficaria brava se te deixasse em casa?

- Não, claro que não – Ele jogou duas notas de 10 dólares na mesa e levantou-se apressadamente. Eu o segui.

No caminho pedi que me deixasse no prédio onde Vivian e Sabrine moravam. E assim que disse um apressado ‘até logo’ ele arrancou com o carro.

Eu, hein, que estranho! – Dei de ombros e subi para encontrar as meninas. Acho que já estava na hora de falar com elas. 

No fundo pode até ter sido bom Leonard ter de ir embora, ele talvez não fosse a pessoa certa para ouvir meu desabafo.

- Você vai contar tudinho, nos mínimos detalhes. – Vivian atendeu a porta já soltando os cachorros.

- Agora mesmo – Sabrine completou, me puxando para dentro do apartamento.

(...)

20 minutos depois, eu tinha contado tudo que havia me acontecido nesses últimas dias, sem esconder nada delas, mas claro sem entrar em detalhes sórdidos.

- Estou boba – Viviam murmurou com um sorriso – Você foi capaz de esconder isso de nós, sua ingrata?

- Eu... fiquei com medo que me julgassem e...

- Por favor, Val, somos amigas há mais de 20 anos e acha que seríamos capaz disso? Se é ele que você ama, se o perdoou, vá em frente garota. – Sorri, puxando-as para um abraço.

O toque do meu celular tirou-nos do momento.

- É ele – Disse, olhando a tela.

- Atenda, Val, vocês precisam conversar e entrar em um consenso.

- Concordo quando o Michael diz que o melhor é contar a Michelly. Se conheço bem sua irmã, essa gravidez é só um truque pra prender o gostosão. Ela notou que está perdendo ele.

- Será?

- Vai por mim – Sabrine piscou.

- O que, Michael? – Atendi rabugenta.

- Preciso muito falar com você, venha até nosso apartamento – Suspirei audivelmente.

- Chego aí em alguns minutos – Desliguei antes de ouvir resposta – Eu irei até o apartamento que disse que alugamos – Avisei as meninas.

- Vá sim.

- Obrigado mais uma vez – Tornei a abraça-las e poucos minutos depois já estava a caminho do centro de Chicago.

(...)

Assim que cheguei ao apartamento Michael correu em minha direção e me enlaçou em um abraço, me apertando em seus braços.

- Tive tanto medo que não viesse. Por favor, Valerie, não me deixe. – Apertei-o de volta, apreciando a quentura e o conforto de seu corpo contra o meu.

- Vamos enfrentar isso juntos – Ele me soltou para me encarar.

- Nós vamos – Seus lábios cobriram os meus em um beijo.



Capítulo 16


Sentir os braços do homem que amo a me envolver é reconfortante. Minha cabeça estava confusa, mas de uma coisa eu tinha certeza, Michael era o amor da minha vida e eu não deixaria que nada estragasse isso nem mesmo os caprichos de Michelly.

Sua preocupação era visível. Estreitei os olhos e pude observar algumas olheiras em seu rosto acompanhada de vincos em sua testa. Em uma súbita faísca de iluminação me veio a vontade de perguntar algo, mordi o lábio e estreitei os olhos mais uma vez.

Michael afastou-se de mim e me observou atentamente.

-No que você está pensando?

Virei-me e contorci os dedos pensando se faria essa pergunta, e o pior, o que eu acharia da resposta.

-Michael seja totalmente sincero, ok?

- E por que eu não seria? – Sorriu.

-Quando foi a última vez que você transou com a Michelly?

O silencio se fez por alguns segundos, cruzei os braços e arqueei uma das sobrancelhas esperando impaciente pela resposta.

- Bom eu não lembro muito bem, mas acho que foi a mais o menos uns dois meses.  Sinceramente eu não me recordo muito bem. Mas por que da pergunta?

-Estou com algumas suspeitas, mas pretendo investigar a fundo essa gravidez da Michelly.

-Você está me dizendo que tem alguma possibilidade que eu não seja o pai do filho da Michelly?

- Eu não quero que você alimente falsas esperanças, como eu disse são só suspeitas nada mais. Vamos deixar isso para lá por enquanto, quero aproveitar um pouco mais você.

- Hummm isso me deu uma ideia.

Michael me levou até o banheiro, tirou minha roupa lentamente e fez amor comigo.

(...)


Michelly

Como isso pode ser possível?  Minha própria irmã me traindo? 

Dei passos largos e silenciosos até meu quarto entrei e tranquei a porta. Minha cabeça trabalhava a todo vapor, lágrimas escorriam em minha face e a raiva me consumia a cada instante. Eu continuava sem entender quando tudo isso havia acontecido. Em que momento tinha sido traída por minha irmã e meu noivo? Quem mais sabia desse romance?

Agora estava tudo claro como o dia, Michael não me acariciava mais, não me beijava ao acordar nem quando saia para o trabalho, não me chamava de meu amor, tão pouco fazia amor comigo, por mais que eu o provocasse ele mantinha-se sem interesse algum.

Era por ela, era por aquela pirralha que ele tinha me trocado.

Fechei os olhos e me vi outra vez parada ali na porta do quarto da Valerie ouvindo tudo.

Mas isso não iria abalar minhas estruturas, eu amava o Michael como nunca havia amado ninguém em toda a minha vida. A vida já havia tirado de mim meus pais, dessa vez não deixarei que tirem Michel de mim.

(...)



Valerie

Acordei aninhada nos braços de Michael, me esforcei para me livrar de seu abraço. Tinha coisas urgentes para fazer.

Olhei no relógio de cabeceira e me assustei ao ver a hora, já se passava das duas da manhã. Dei um pulo e logo tratei de acordar o Michael.

-Acorda Michael, já são duas da manhã, temos que ir, vamos! – Sacudi-o.

-Não. Me deixa dormir mais um pouco – Resmungou de olhos fechados.

-Vamos, Michael, não podemos dar bandeira, Michelly deve estar preocupada com você e não se esqueça que ela está gravida, não pode ter aborrecimentos.

Peguei minhas roupas que estavam jogadas no chão do banheiro, as vesti rapidamente, passei um água no rosto e penteei os cabelos de qualquer maneira.

-Michael eu vou indo, é melhor que eu vá na frente para que ninguém suspeite que estávamos juntos.

-Tudo bem, assim tenho tempo para tirar mais um cochilo – Sorri, balançando a cabeça – Ei, para onde pensa que vai sem me dar um beijo?

Vire-me e subi na cama em um pulo rápido, mas fui surpreendida com um puxão que me fez deitar na cama. Michael cobriu meu corpo com o seu e por mais que eu tentasse me livrar era impossível.

-Michael, pare com isso! Temos que ir já está muito tarde.

- Dane-se as horas! Quer saber a verdade? Pouco me importa se irão ficar sabendo do nosso romance, na verdade seria um alivio para mim que todos soubessem, assim não teria que viver me encontrando com você as escondidas.

Suas palavras me deixaram em transe. A cada dia eu tinha mais certeza do amor de Michael.

Ele me olhava com seus olhos negros e um desejo ardeu em minha pele, eu não podia mais segurar a vontade de me entregar novamente ao delicioso prazer que ele me proporcionava. Seria louca se o recusasse, então eu mesma tirei minha blusa e me joguei em sua boca extremamente deliciosa. Cravei as unhas em sua pele e mordi seus lábios, surrupiei todo o seu folego em minutos de puro e intenso prazer até que caímos os dois suados e exaustos. Agarramos em um sono profundo, aninhados um ao outro.

Na manhã seguinte sou acordada com um cheiro maravilhoso de café, abro meus olhos e tenho a mais bela visão do mundo, Michael seminu e com os cabelos molhados vindo em minha direção.

-Bom dia dorminhoca, dormiu bem? – Seu sorriso ampliou-se, torando-o tão lindo que chegava a doer.

-Maravilhosamente bem, tão bem que estou cheia de fome – Espelhei seu sorriso.

- Ainda bem que pedi o café da manhã, vamos coma. Nós teremos um logo dia na empresa.

Chegamos juntos a empresa e graças a Deus não encontrei com Michelly quando precisei passar em casa para trocar de roupa.

No caminho para a AGNUSS Michael tentou me persuadir sobre minhas suspeitas, mas eu continuei firme sobre minha decisão de não falar. Era muito cedo e eu teria que ter provas suficientes antes de acusar alguém.

Michael fez questão de me acompanha até minha sala.


-Ora! Ora! – Uma voz sarcástica e carregada de veneno soou assim que entramos sala a dentro -Eu dou um doce para saber onde minha irmã querida e meu noivo passaram a noite.



Capítulo 17


Respirei fundo e disfarcei o máximo que pude a surpresa.

- Eu passei a noite em meu apartamento – Michael respondeu, quando notou-me muda – Já a sua irmão, não sei. Encontrei-a no elevador – Ele colou a pasta sobre a mesa e passou a mexer nela.

Sai do meu estado catatônico e me pronunciei.

-Estava com Leonard – Menti descaradamente.

Foi a vez de Michelly arregalar os olhos e parecer surpresa.

Estranho... muito estranho.

Ela logo reergueu a fachada carregada de ironia.

- Vai me acompanhar na consulta hoje, amor? – Ela aproximou-se de Michael e rodeou sua cintura, beijando seu pescoço. Ele se retesou e afastou-se.

- Já tem consulta hoje? – Franziu o cenho.

- Claro que tem... Bem, eu não sou uma mulher assim tão jovem, então minha gravidez é, até certo ponto, de risco. Preciso que cuide muito bem de mim, amorzinho – Ela beijou-o, e eu virei o rosto para não ver.

Uma veia pulsou em minha têmpora e senti-me zonza de repente. Sentei-me na cadeira mais próxima.

O estresse estava começando a me afetar.

- Eu irei com você. Me deixe apenas acabar de passar esses relatórios para a Valerie e já saímos – Ela assentiu. Pegou a bolsa e saiu rebolando.

Revirei os olhos assim que ela deu as costas. Michelly não parecia uma mulher grávida. Ainda mais encima daqueles saltos 15.

- Desculpe por isso – Michael ajoelhou-se na minha frente e segurou meu rosto entre as mãos – Seja forte por nós, certo? – Assenti. Ele sorriu e beijou rapidamente meus lábios – Volto assim que acabar essa tal consulta da Michelly. Amo você.

- Também te amo – Observei-o sair porta a fora, e meus olhos encheram-se de lágrimas. Algo me dizia que aquela não seria a última vez que Michelly o tiraria de mim.

(...)

2 meses depois...

- Eu estou bem melhor – Sorri, tentando parecer bem, mas não sei se obtive muito sucesso na tentativa. Não era fácil parecer bem quando eu me sentia tão mal.

Vivian sentou-se em um lado da cama e Sabrine do outro, ambas me deram as mãos.

- Val, já faz quase um mês que está colocando tudo que come para fora. Chora assistindo até comercial de absorventes, e está aí toda indisposta. Eu nunca te vi assim.

- A Sabrine tem razão, Val. E por isso vamos de uma vez por todas te arrastar para um hospital – Bufei.

- Já disse que não é necessário, só tenho estado estressada demais. A Michelly vem infernizando o bastante esse mês. Me provoca, solta farpas, mente... E eu não posso fazer nada a respeito. Já me sinto mal o bastante por continuar com o Michael apesar de tudo.

- Sua irmã só está fazendo charme. Duvido que ela esteja mesmo tão mal quanto diz.

- Ela não está nada mal – Vivian disse numa voz irada – Ontem mesmo a vi no shopping, carregada de compras.

- Sabe quem também vi ontem? – Encaramos Sabrine – O Leonard. Onde ele se meteu, Val? Desistiu de você?

- Não sei – Dei de ombros – Ele sumiu desde que saímos no natal. Não tive nenhum sinal dele desde então. O que é super estranho já que ele só vivia em meu pé. Mas, mudando de assunto, o que acham sobre o que eu disse de achar essa gravidez da Michelly estranha? Ela parece saber sobre o Michael e eu. Me alfineta o tempo todo... está tudo tão estranho.

- Você deveria mesmo investigar isso... algo ai não está se encaixando – Assenti.

No segundo seguinte fui tomada por mais uma onda de náusea e saí correndo para o banheiro, com elas em meu pé.

(...)

- Já disse um milhão de vezes que não era pra tanto – Murmurei irritada. Enquanto as duas exageradas me arrastavam hospital a dentro. 

- Como não, Val? Você está verde criatura.

Bem, sim, eu me sentia verde, mas era só um mal-estar.

Uma enfermeira veio apressada e conferiu meus sinal vitais, em seguida disse que a doutra me atenderia, que era para eu entrar.

- Boa tarde, senhorita Agnoletto.

- Boa tarde, doutora – Estreitei meus olhos para ler seu crachá – Emerson – Sorri.

- Você está bastante hipocorada, querida, mas só posso dizer que se trata de anemia depois que fizer um exame de sangue. Mas me diga o que vem sentindo?

- Muito desconforto estomacal, vômitos frequentes, muito sono e uma desestabilidade emocional absurda... Mas creio que se trate apenas de estresse.

- Humm – A doutora murmurou anotando – A quanto tempo vem apresentando esses sintomas?

- Cerca de um mês e meio.

- E sua menstruação está regular? – Arregalei meus olhos.

Eu havia esquecido completamente do meu ciclo menstrual... Quando foi a última vez que...? 

- Jesus! – Silvei. A doutora soltou uma risadinha.

- Acho que tenho meu diagnóstico, senhorita, mas precisamos confirmar, não é? – Ela me entregou um papel, ao qual segurei com as mãos trêmulas – Entregue a enfermeira assim que sair e ela lhe conduzirá até o laboratório do hospital. Prescrevi um soro para que tome enquanto espera o resultado do exame, que sairá em 30 minutos.

- Do--- do—doutora, a senhora acha que estou... grávida?

- Sim, eu acho, senhorita. Mas vamos aguardar para ter certeza. – Assenti – Até daqui a pouco – Entendendo a deixa, saí do consultório.

Pela cara que Vivian e Sabrine me olharam, deveria estar mais pálida do que quando entrei.

- O que foi, mulher, fala? – Me joguei na cadeira.

- Acho que estou grávida.

- Oh meu Deus, vou ser tia – Sabrine gritou afetada e me envolveu em um abraço, seguida por Vivian.

- Como é? – Olhei para cima e um par de olhos negros brilhavam ao me encarar.

- Você vai ser papai, Michael! – Sabrine gritou novamente.

- Meu Deus, Valerie – Ele me abraçou e salpicou um centena de beijos em meu rosto.

Ei, só eu ali que não estava eufórica com essa notícia?

- Como veio parar aqui? – Perguntei de cenho franzido.

- Eu liguei pra ele – Disse Vivian.

- Hã – Respondi apática – Eu tenho que ir fazer o exame pra confirmar, Michael. Ainda não é certeza.

- Você não parece muito bem com isso – Comentou de cenho franzido.

- E não estou! – Disse firme – Apesar de amar crianças e de ter sonhado ser mãe a vida inteira, uma criança agora, em meio a esse caos, não será saudável.

Três pares de olhos me encararam com incredulidade.

- Nunca pensei que reagiria assim diante da possibilidade de termos um filho. Um bebê meu e seu, Valerie, fruto do nosso amor... – Havia uma pontada de acusação na voz dele – Não está feliz?

- Você não entende, não é? Ninguém entende! – Me irritei. Estava prestes a iniciar uma briga quando o celular dele tocou.

Ele foi breve na conversa e pareceu tenso assim que desligou.

- A Michelly está vindo para o hospital – Ele suspirou – Tivemos uma discussão quando eu saí e ela passou mal.

Ri, sem humor algum.

Era sempre assim! O Michel não podia discordar da Michelly, não podia mais dormir no nosso apartamento, não podia mais falar comigo, não podia chegar depois do expediente.... tudo isso era motivo pra Michelly ter uma síncope e ir parrar no hospital.

Como posso ficar feliz e radiante com a possibilidade de estar grávida quando minha vida está um verdadeiro inferno?

- Espere a mãe do seu filho, Michael. Vou entrar – Dei as costas e me encaminhei para o corredor onde vi algumas enfermeiras.

- Valerie – Passos apressados soaram no chão de linóleo, mas ignorei seus chamados – Por favor, amor – Ele segurou meu braço me fazendo parar.

- Me largue, Michael! – Rugi, puxando meu braço – Você tem outra de quem precisa cuidar.

- Valerie, você disse que enfrentaríamos isso juntos.

- É, eu disse, mas não sei se sou tão forte assim – Ele não permitiu que me afastasse, me tomou em seus braços, apertando-me.

- Você é forte, e o nosso amor É mais forte ainda. Vamos enfrentar tudo isso – Fitei seus olhos e me permiti sorrir por um instante – Estou tão feliz por nós.

- Eu também – Suspirei, deixando-me vencer – Estou com saudades de você, faz quase duas semanas que não fomos ao AP.

- Não se preocupe, hoje você não me escapa. Iremos comemorar em grande estilo – Eu ri, beijando-o rapidamente.

- Você nem sabe se estou mesmo grávida.

- Eu sei, eu sinto – Seus lábios desceram sobre os meus mais uma vez – Nos vemos as 8, combinado?

- Certo.

- Eu amo você!

- Também te amo – Ele deu as costas e saiu apressadamente... mais uma vez.

(...)

Saí do hospital 40 minutos depois. Com a confirmação da minha gravidez em mãos. Ah, sim, e com o diagnóstico de uma anemia leve também.

As meninas fizeram uma ceninha mais uma vez. E continuaram com a animação durante odo o caminho, e quando paramos pra comprar os remédios que eu precisava tomar, e quando parei em um restaurante pra comprar comida.

Elas não queriam me deixar sozinha no apartamento, mas prometi a elas que ficaria bem.

Assim que me vi sozinha no apartamento que Michael e eu compramos, arrumei a mesa, ascendi duas velas pra fazer um clima gostoso, coloquei a comida em travessas e fui tomar um banho.

Ainda me sentia assustada com a notícia que tivera, mas tenho certeza de que iria me acostumar logo. Cada vez que olhava para meu ventre e pensava que ali havia um serzinho fruto do meu amor por Michael, a ideia me encantava ainda mais.

Vesti-me em uma lingerie nova, me penteei e perfumei e voltei para a sala para espera-lo.

Já passava das 8 quando me vi impaciente e liguei a TV. 
Já passava das nove quando apaguei as velas, tirei o robe e me servi de um prato.
Já passava de uma da manhã quando desisti de esperar e me entreguei ao sono.
Ele não fora... Mais uma vez.



Capítulo 18


Os gritos eram ensurdecedores, o choro que vinha do final do corredor era de agonia e lamentação. Aproximei-me e o som de um pranto intenso era de cortar o coração. Corri, corri o máximo que pude em busca daquele som e ao fim do corredor pude ver o mar de sangue, o chão estava banhado em vermelho carmim e no centro dele uma mulher chorava e gritava. Um instinto me faz chamar pelo nome de Michelly. Eu chamo... chamo... Ao final eu grito e faço minha voz ser ouvida acima da sua. Ela vira-se e eu constato se tratar realmente de Michelly.

- É tudo culpa sua. Você matou meu bebê, você acabou com a minha família! – la grita, me acusando.

Vejo horrorizada aquela cena, Michelly segurava um bebê em seus braços. Ele não respirava e sangue e mais sangue escorria de seu nariz.

- Mas eu não fiz nada... – Choro em agonia.

- Por que você fez isso Valerie, por que? Por que... por que...

O suor escorria em minha testa, enfim percebi que fora só um pesadelo. Esse já era o terceiro só esta semana. Levei minha mão até meu ventre e ali fiquei acariciando minha barriga, refleti em tudo o que vinha acontecendo entre eu e Michael, e, em como os fatos recentes estavam interferindo em nossa felicidade.

Uma preocupação me veio à mente. Algo que eu ainda não tinha pensado. O que eu direi as pessoas sobre essa gravidez? E quando me perguntarem quem é o pai, o que irei dizer? Uma pessoa que nunca pareceu com um namorado não pode do dia pra noite dar a notícia de que está gravida.

(...)

Estava uma linda manhã de domingo, mas minhas preocupações não deixavam que eu aproveitasse daquele lindo dia. Eu estava atordoada demais, e por mais que sempre tenha sido uma pessoa racional eu não sabia como resolver esse problema, ou talvez soubesse, mas não admitisse para mim mesma como seria esse final.

Liguei para Kevin, ele sempre foi além de irmão meu melhor amigo. Devo conversar com alguém ou irei enlouquecer.

Em poucos minutos Kevin adentra meu quarto com cara de espanto, acho que exagerei quando disse que queria vê-lo com urgência.

- Por favor Kevin se acalme, OK? Eu só preciso conversar algo muito sério com você. – Ele se aproximou, para me tomar em seus braços aconchegantes.

-Você é uma maluca isso sim, mas você está bem? Não estou gostando da sua cara.

- Eu estou bem, não se preocupe. – Mais ou menos - Agora sente-se pois preciso conversar com você.

Eu não sabia por onde começar. Eu o olhava... e olhava... tentando decifrar qual seria sua reação.

-Primeiro quero pedir que essa nossa conversa seja segredo, certo? – Ele revirou os olhos.

-Valerie, vamos diga o que está te perturbando? Você sabe que pode confiar em mim! – Tomei uma lufada de ar e finalmente soltei a bomba.

-Bem, é que eu estou grávida - Foi assim, na lata, sem rodeios. Fiquei aguardando sua reação que foi de um olhar arregalado a uma expressão de espanto.

Esperei por muitas perguntas, mas elas não vieram.

-Você não vai perguntar quem é o pai? – Indaguei de cenho franzido.

-Não vou perguntar o óbvio Valerie – Ele espantosamente, sorriu - Sei que o pai dessa criança é o Michael.

Dessa vez fui eu que fiquei atônita com as palavra do Kevin.

-Co...Com...Como você soube?

-Ora essa irmãzinha, está na cara para quem quiser ver. Quando vocês dois estão juntos o ar muda, ficam de olhares um para o outro, entre várias outras coisas. Uma coisa que eu sei bem é perceber quando as pessoas estão apaixonadas – Foi minha vez de sorrir. Completamente incrédula.

- Bom, eu nem me dei conta de que dava tão na vista assim – Dei de ombros -Ai meu Deus, será que a Michelly também percebeu isso?

-Aquela ali só percebe nome de lojas e etiquetas, meu bem. Não se preocupe, eu acho que ele não percebeu nada.

Um certo alivio tomou conta de mim.

-Mas então, isso está me matando. O que eu faço agora Kevin? Eu não posso, de uma hora pra outra, acabar com o casamento da minha irmã. Por mais que as vezes eu tenha vontade de matá-la, ela ainda é minha irmã e não merece uma traição dessas. - As lágrimas começam a brotar do meu rosto como cascatas é como se toda a minha angustia e medo saíssem em forma de lagrima.

Kevin me abraça no intuito de tentar me consolar. Eu me agarro ainda mais em seus braços e caio em um pranto sem fim. Ele nada diz, não é preciso que diga nada, eu sei exatamente o que fazer e é por isso que eu choro descontroladamente.

Após um tempo entre soluços e lágrimas levanto minha cabeça e Kevin me olha nos olhos.

- Não se martirize tanto minha irmã. Eu mais que ninguém sei o quanto você não escolheu essa situação, é duro amar tanto alguém e ter que esconder a sete chaves esse sentimento. - Eu respirei fundo tentando absorver aquelas palavras

- Eu já superei a morte dos nossos pais Kevin, também superarei isso – Finjo uma força que realmente não possuo.

Ele apenas sorri tristemente e me abraça mais uma vez, aplacando minimamente aquela dor.

(...)

Passei todo o resto do meu domingo enclausurada no quarto, o enjoo e o bile aumentavam cada vez mais. Não vi Michael o dia inteiro. Apesar de morarmos na mesma casa não nos víamos com frequência. Michelly tomava todo seu tempo, e ele tinha se tornado nada mais que um conhecido pra mim.

Eu estava tão depressiva e triste que acabei pedindo licença da empresa e estava fugindo de minhas amigas.

A noite, já passava das duas da manhã, quando adentrei na cozinha em busca de algo para comer, depois de um dia praticamente de cama a fome me invadia. Ao chegar a cozinha me deparo com Michael sentado à mesa, tomando uísque. Sua cara era de cansaço e impaciência.

Ao me ver ele salta da cadeira e vem até mim, com olhos de quem pede desculpas. Um não se forma em minha garganta, e a vontade de chorar volta outra vez.

- Michael, precisamos conversar – É a única coisa que consigo dizer, enquanto curto o calor dos seus braços em minha volta.

Por mim ficaria para sempre assim, mas parece que não fomos mesmo feitos pra estarmos juntos.

- Valerie, eu prometo que não vou mais faltar aos nossos encontros, eu só... estou tentando manter a sua irmã calma, mas está cada dia mais difícil – Se desculpa.

 -Não se preocupe comigo Michael, preocupe-se apenas com a Michelly. Não quero ser o motivo de discórdia entre vocês, eu...

- Mas do que você está falando? – Sua voz sobre dois tons.

Suspiro cansada. Cansada e incapaz de relutar. Michael me pega pelo braço, mas logo me desvencilho e tomo o rumo da geladeira. Não queria ele assim tão perto. Impus essa distância entre nós, por que era preciso.

Com um suspiro cansado ele me deixa ir, e volta a se sentar.

Minha fome era maior do que eu imaginava, vasculhava todos os compartimentos da geladeira atrás de algo especifico quando enfim achei.

Michael me olha com cara de espanto e um certo nojo ao me ver segurando uma coxa de galinha em uma mão e na outra caramelo para sorvete.

-Você vai comer isso ai? – Ele aponta para a comida em minhas mãos.

- Por que, algum problema? Eu estou grávida esqueceu?  - Digo sarcástica.

-Nem por um segundo, Valerie – Sua voz é de pesar.

Aquele olhar me desmontou por dentro, era um olhar de cachorro pidão que cai da mudança e quebra a pata. Mas eu não poderia me deixar vencer, eu já tinha tomado a minha decisão, nada me faria voltar atrás.

Por hora meu desejo estava em primeiro lugar, nunca imaginei que coxa de frango frito com caramelo seria tão gostoso.

Ficamos um bom tempo ali calados, um observando os movimentos do outro, até que que não aguentei mais e corri escada a cima para tirar de mim toda aquele frango. Michael me acompanhou e me ajudou segurando meu cabelo.

Meu Deus como é horrível a sensação de estar botando todo o mundo para fora de você. 

Permiti que Michael ficasse comigo aquela noite. Ele deitou-se ao meu lado e me embalou até que peguei no sono. Talvez seria a última de nossas vidas juntos.

Na manhã seguinte eu não o vi mais. Quando acordei ele já não estava ao meu lado, e mais uma vez reforcei em minha mente todo o plano que engenhei durante todo o domingo. 

Fiz todo o ritual de sempre, acordei, tomei banho, mas não tomei café, meu estomago ainda doía da travessura da noite passada. Dei graças a Deus Michelly não estar na sala. 

Diferentemente dos outros dias, decidi ir a empresa e me certificar que tudo estava bem. Não havia nada de novo, só trabalho e mais trabalho. E pensar que agora eu nem poderia contar com o Michael pois ele mal ia a empresa. No fundo eu achava até melhor, assim eu conseguia trabalhar em paz sem a presença dele ali.

Leonard sempre me ligava e insistia em conversarmos, mas não me sentia no clima para conversas. Além do mais eu estava absorta em meu plano para fugir de toda essa angustia que me assolava, as vezes me pegava pensando como seria minha vida daqui para a frente, Michael tendo que se dividir entre eu e Michelly. Eu nunca iria ter paz, nunca.

Tratei de recusar todos os convites de Leonard, certa de que ele apenas queria me convencer que eu teria que ficar com ele. Os dias se passaram e tudo continuava do mesmo jeito, eu mal via Michael, e quando via estava a tira colo com Michelly. Meu coração estava a cada dia dilacerado, cada vez que eu o encontrava com aquela cara de cansaço, eu tinha mais certeza ainda do que deveria fazer.

Resolvi aceitar o convite de Leonard para jantar, ao chega no restaurante não deixei nem que abrisse a boca.

-Leonard você sabe que o sonho dos nossos pais sempre foi que nos casássemos não é? – Disse de uma só vez.

Leonard me olha com jeito de desentendido e apenas acena com a cabeça, continuo olhando fixo em seus olhos azuis e vou em frente.

- Quer se casar comigo? 

Vejo que franze as sobrancelhas e me olha sem sequer conseguir abrir a boca.

Antes que ele responda algo, meu telefone toca, era Gertrude, decido atender. Peço um minuto a Leonard, e atendo meu celular.

- Sim Gertrude! – Escuto aterrorizada a senhora - Meu Deus, onde ela está? – Aceno -Eu estou indo imediatamente... – Desligo o aparelho e volto a mesa.

-Leonard, me desculpe, mas eu tenho que ir.

- Mas aonde você vai com tanta pressa? – Pergunta já se levantando.

-A Michelly foi para o hospital. Ela e o Michael brigaram e parecem que ela teve um sangramento, só sei que corre o sério risco de perder o bebê.

Seu rosto paralisou de repente, eu vi em seus olhos o medo muito medo, mas medo do que deveria ter.



Capítulo 19


Leonard praticamente voou até o hospital. Achei estranha cada reação dele. Parecia nervoso demais, apressado demais para chegar até o hospital. OK, eu também estava, mas a Michelly é minha irmã, e até onde eu sei eles não tem vínculo nenhum.

- Você está bem, Leonard? – Perguntei de cenho franzido.

Os nós dos seus dedos estavam brancos de tanto que ele apertava o volante.

- Sim – Disfarçou, me lançando um sorriso amarelo. Assenti.

Minutos depois estávamos estacionando em frente ao hospital, desci o mais depressa possível e quase corri até a recepção.

- Gostaria de saber da paciente, Michelly Agnolleto – A recepcionista assentiu.

- Valerie – Ouvi alguém me chamar e assim que me virei deu de cara com um Michael pálido parado atrás de mim.

- O que aconteceu com a Michelly? – Perguntei aflita. Ignorando o estado caótico que aquela situação estava me colocando.

- Eu contei a ela – Michael disse, desviando o olhar.

- Você o que? – Perguntei incrédula.

- Eu disse sobre nós – Suspirou daquela forma cansada que ele fizera tantas vezes nesses últimos dias - Eu não aguento mais essa situação, Valerie. Nós nos amamos, passamos anos separados e agora que tivemos a oportunidade de nos reencontrarmos e vivermos esse amor, tudo dá errado – Ele passou a mão pelo cabelo.

Michael estava em um estado tão deplorável que me senti compadecida. Mas eu não podia, eu só não podia fazer isso com minha irmã, com o Michael, nem comigo mesma.

- Você tem que ficar com a Michelly – Engoli o nó que formou-se em minha garganta. Michael me encarou fixamente.

- O que disse?

- Você tem que ficar com ela. Não vê que não nascemos mesmo para ficarmos juntos? Da primeira vez você acabou com tudo, e agora a coisa toda já começou errado. Eu já apunhalei minha irmã pelas costas demais – Fui incapaz de segurar as lágrimas – Chega disso, Michael. A Michelly precisa dos seus cuidados, meu futuro sobrinho precisa de um pai...

- Pare de falar bobagens – Ele me cortou – E o nosso filho não precisa de um pai?

- Ele terá um pai – Esfreguei o dorso da mãos no rosto, limpando as lágrimas – Eu pedi Leonard em casamento.

A expressão no rosto dele foi de pálida ao choque extremo em um segundo. Um silencio mórbido se instalou entre nós, enquanto Michael parecia digerir as palavras e eu lutava para acreditar nelas.

- Mas eu não vou aceitar, Valerie – Michael e eu encaramos Leonard, que estava parado bem atrás de mim – Sabe que gosto muito de você, mas é esse cara aí quem você ama. Vocês merecem ficar juntos, e eu preciso acabar com essa farsa.

- Farsa? – Balbuciei confusa.

- O filho que a Michelly está esperando não é do Michael, é meu – Foi a minha vez de ficar chocada.

- Mas... mas

- Michelly e eu sempre tivemos um caso – Ele continuou sua explicação – Mas ela sempre disse que não queria compromisso, que preferia manter tudo em segredo. E assim mantivemos, por 3 anos. Dávamos tempo um ao outro quando ela viajava... Eu não esperava que ela voltasse de viagem noiva, foi um choque pra mim. Ela me disse que o Michael era um homem com o qual ela precisava estar, era competente e poderia futuramente ajudar a ‘tirar um dinheiro à mais’ na empresa.

- Mas que filha da mãe! – Xinguei. Michael permanecia calado.

- Eu fiquei com muita raiva dela, por isso reapareci na sua vida e tentei conquista-la. Queria causar ciúmes na Michelly. Sei que isso soa infantil, mas foi exatamente o que aconteceu. – Ele suspirou – Só que eu a amo, sempre foi ela quem eu amei e com quem desejei me casar, por isso, em uma noite nos encontramos em um bar e fomos para a cama novamente. Depois disso continuamos nos encontrando esporadicamente... Eu sei, eu sinto que esse filho é meu.

- Por que não contou isso antes?

- Não queria trair a confiança que a Michelly sempre depositou em mim. Mas agora chega de atender os mimos dela. Não vou deixar que se afastem por pura birra Michelly. Para ela o Michael nada mais é que um brinquedo que a irmã mais nova está querendo roubar. Ela sabe que vocês estão juntos a alguns meses – Meus olhos quase saltaram das órbitas.

Eu aqui me sentindo a pior das mulheres, e era eu quem estava sendo enganada, manipulada e feita de idiota?

Uma raiva descomunal me assolou, e uma tontura me fez cambalear. Michael me amparou em seus braços antes que eu fosse ao chão.

- Vou buscar uma água pra você, Valerie – Leonard se afastou a passos largos.

Michael me ajudou a sentar e se ajoelhou entre minhas pernas, segurando meu rosto entre as mãos.

- Me perdoe por tê-la negligenciado por todos esses dias, meu amor – Seu nariz roçou no meu – Eu deveria ter ficado ao seu lado, ter lhe dado atenção nesse momento tão importante, mas me afundei tanto nos problemas de Michelly que me esqueci de você... Só quero que saiba, Valerie – Nosso olhares se fixaram intensamente – Que você é a coisa mais importante na minha vida. No passado eu te deixei por ambição, mas hoje nada me faria deixa-la, nem todo o dinheiro do mundo – Um sorriso bobo despontou em meus lábios, em meio as lágrimas – Eu voltaria a lavar pratos naquele restaurante de hotel, se esse fosse o preço a pagar para passar o resto da minha vida ao seu lado.

- Eu só queria que tivéssemos um pouco de paz. Não aguento mais toda essa pressão, de me senti culpada de tudo – Michael me puxou de encontro ao seu peito – Estou cansada de ser forte, fui assim por tempo demais – O soluços irromperam de minha garganta.

- Shhh, amor – Suas mãos alisaram meus cabelos, me confortando – Você não precisa ser mais forte, eu vou ser sua fortaleza... vou cuidar de você – Seus lábios pousaram nos meus, em um beijo cálido, mas com a intensidade de sempre.

Senti tanta falta desses lábios. Senti falta dessa certeza de que tudo correria bem, que nosso amor ultrapassaria qualquer coisa.

- Hurum – Leonard pigarreou e só então nos separamos. Estávamos os três sorrindo – A água – Ele me entregou o copo. Bebi a água apressadamente. – Acabei de saber que a Michelly passa bem. A gravidez é de risco, por isso ela vai precisar de cuidados, mas sei que o bebê é forte.

- Tem que ser, com uma mãe daquelas – Michael comentou rabugento. Nos fazendo rir.

- Ela já está acordada?

- Sim. O médico pediu que ela não tivesse fortes emoções, mas assim que ela acordou chamando pelo Michael eu acabei contando a ela que a farsa havia acabado.

- Eu quero falar com ela – Levantei-me.

- É melhor não, Valerie – Disse Michael.

- Eu vou, preciso dessa conversa pra sair daqui de alma lavada. Não se preocupem nem comigo nem com ela, ambas sairemos vivas e bem dessa conversa. Talvez até consiga enfiar na cabeça dela algumas coisas – Michael e Leonard assentiram.

- Vou ficar lhe esperando na porta – Foi minha vez de assentir.

Segui para o quarto que Leonard disse que ela está. Assim que bati na porta Michelly balbuciou um entre, e assim o fiz.

Ela primeiro me encarou de olhos arregalados, depois usou do seu teatro normal para fazer uma cara de coitada.

- Está se sentindo melhor? – Ela assentiu – Fico feliz que meu sobrinho esteja bem – Minha mão pousou em minha barriga – Tenho certeza que seu filho irá brincar e muito com o meu, afinal terão quase a mesma idade.

- Você está grávida? – Perguntou de olhos arregalados.

- Estou – Disse em meio a um sorriso. Sentei-me ao seu lado na cama – Sabe Michelly, quando o Leonard me contou que você estava nos enganando esse tempo todo pensei que ficaria com muito ódio de você, mas não aconteceu. Talvez nossos pais tenha errado em algo na sua educação, te mimado demais, ter posto o mundo aos seus pés, e isso te desviou um pouco do centro do caminho certo, mas eu não acho que você seja uma mulher ruim. Sempre foi fútil e ambiciosa, mas não acredito que seja mal caráter. E espero profundamente que a fé que ainda coloco em você não seja infundada. – Ela me encarou e vi em seus olhos arrependimento e um mar de lágrimas não derramados – Dê uma chance ao Leonard, sei que ele a fará feliz, e cuidará muito bem de você e do seu filho. Mude por essa criança que carrega no ventre, ela terá você como o centro do universo, e sei que pode ser uma mãe maravilhosa – Sem mais nada dizer, me levantei, pronta para sair.

- Valerie – Michelly chamou, assim que girei a maçaneta da porta. Virei-me para olhá-la – Me desculpe por tudo... e... obrigado por não me odiar. Eu vou melhorar, te prometo – Assenti, sorrindo – Seja muito feliz, você merece.

- Eu também te devo um pedido de desculpas. Deveria ter contado minha história com o Michael desde começo – Ela assentiu – Dei as costas e sai do quarto, me sentindo como se um peso de 20 toneladas tivesse saído de minhas costas.

Michael veio ao meu encontro.

- Tudo bem?

- Tudo ótimo – Sorri, enlaçando sua mão na minha. Leonard também se aproximou – Acho que a Michelly tem muito o que falar com você – Ele assentiu – Muito obrigado, Leonard. Se você não tivesse contado talvez nunca viveríamos juntos.

- Só fiz o certo – Ele se aproximou e me deu um abraço e apertou a mão de Michael.

- Obrigado, cara – Leonard acenou e logo após sumiu quarto adentro.

- Finalmente livres – Michael sussurrou em meu ouvido. Sorri – Vamos para nossa casa por que quero te mimar muito, beijar, fazer amor com você – Minha pele se eriçou de plena expectativa.

- Mal posso esperar – Depositei um beijo em seu pescoço – Nossa vida começa agora.


Capítulo 20


Depositei sobre a cômoda ao lado do bercinho a foto dos meus pai, ao lado estava o porta-retratos com uma foto minha e de Michael.

Eu tinha essa impressão boba de que espalhar fotos de quem se ama pela casa te fazia sentir menos sozinho. Por isso tinha uma foto dos meus pais em quase todos os cômodos da casa, gostava de imaginá-los por perto, e queria que minha bebê também sentisse a presença dos avós.

- Tiaaaaa! – A voz estridente de Zhoé me fez sobressaltar. Ela entrou no quarto correndo, gritando e rindo, tudo de uma vez só.

- O que está acontecendo, pimentinha? – Sorri, amparando-a como pude, já que ela se escondia por trás das minhas pernas.

- O tio Michael quer me fazer cócegas – Ela saltitou ansiosa antes de voltar a se esconder.

Nesse momento Michael irrompeu no quarto, suado, ofegante e com o rosto vermelho.

- Michael, se continuar no pique dessa garotinha vai acabar desmaiando – Repreendi sorrindo.

- Você não sabe do que essa pirralha me chamou – Disse de olhos estreitos – De Mestre Louva-a-Deus... – Franzi o cenho.

- Aquele bicho verde e magro do Kung fu Panda, tia – Zhoé respondeu rindo. Foi impossível me segurar e cai na risada também.

- Sua pirralhinha má... – Michael avançou em Zhoé, mas consegui afastá-la, guiando-a rumo a porta.

- Corra para o papai, meu amorzinho – Zhoé saiu corredor a fora gritando.

As mãos de Michael me enlaçaram a cintura, agora de circunferência enorme, e senti seus lábios em meu pescoço.

- Está tudo muito lindo aqui, não acha? – Perguntou, referindo-se ao quarto.

- Tudo perfeito – Murmurei, virando-me para encará-lo.

Nossos olhares se fixaram, e me perdi naqueles olhos negros e expressivos. Sempre que simplesmente parávamos assim eu me perguntava como eu poderia amar tanto esse homem. Era um sentimento tão forte e intenso que me faltava palavras pra definir. Tão forte e persistente que erros do passado, desilusões, 10 anos de separação, ambição, Michelly... nada, absolutamente nada, conseguiu diminuir o que sinto por um segundo sequer. Por mais que eu tenha tentado odiá-lo, e eu tentei muito.

Ele sorriu pra mim e o calor cálido de suas mãos repousaram em minha barriga de 8 meses.

- Sabe, eu nem consigo explicar o quão feliz eu estou nesse momento. Eu tenho a mulher mais linda desse mundo ao meu lado, estou conhecendo e me adaptando a uma família maravilhosa, estamos trabalhando juntos na empresa e em breve ganharei um presente inexplicavelmente perfeito, nossa filha, nosso pedacinho de amor.

Meus olhos encheram-se de lágrimas e um sorriso enorme estampou meu rosto.

- Nunca pensei que seria tão feliz assim algum dia – Seus dedos calejados acariciaram minha bochecha e sua mão infiltrou-se entre meus cabelos, puxando-me para um beijo deliciosamente sexual e invasivo. O que contrastava totalmente com o momento, mas eu amava esses seus rompantes de luxúria extrema.

- Ei, parem de se pegar no meio da tarde e vamos almoçar – A voz rabugenta de Kevin invadiu o quarto.

Nosso beijo terminou com muitos selinhos e um sorriso bobo nos lábios de ambos.

- Venham! – Kevin gritou novamente.

Michael bufou e eu revirei os olhos. De mãos dadas descemos para a mesa.

Estavam todos lá, e a cena me fez sorrir.

Vivian, ladeada por um sueco belíssimo e simpático, que ela conhecera na última viagem a trabalho. Sabrine e sua chihuahua, que ela insiste em dizer que é sua nova companhia, já que Vivian a abandonou. Carlos e Zhoé estavam sentados lado a lado, enquanto Kevin ia e vinha da cozinha com travessas – Ele nunca ficava parado -. E por último, mas não menos importante, estava Michelly e Leonard. Ele estava segurando firmemente a mão dele, e encarava-a com tanto amor e admiração, que só de olhá-los fazia-nos sorrir. Ela ficara muito linda com sua gravidez de quase 9 meses.

Nossa relação ainda não havia se estabelecido completamente, e ela e Michael mal se falavam, mas estávamos trabalhando para melhorar isso. Por isso a ideia do almoço de ação de graças, todos da família juntos.

Michael puxou a cadeira para que eu me sentasse e sentou-se ao me lado, mas antes de se acomodar completamente inclinou-se e beijou minha bochecha.

- Chegou quem faltava! – Sabrine gritou animada – Os pombinhos mais lindos desse mundo – Revirei os olhos.

- Exagerada como sempre – Murmurei.

- E você rabugenta como sempre – Kevin retrucou aparecendo com mais uma bandeja em mãos.

- Não fale assim dela – Michael defendeu, fazendo todos entoar em coro um “ahhhh, que amor”. Nos arrancando risos.

O almoço seguiu assim na loucura de sempre. Todos falando ao mesmo tempo, rindo e se fartando com as comidas.

- Isso é uma calúnia, Michelly – Soltei – Você era a única que roubava os brincos da mamãe e colocava a culpa em mim.

- Isso é a cara dela – Michael murmurou, fazendo-me beliscá-lo. 

- Que nada, você bem que me ajudava a esconder.

- Eu.. e.. Ai meu Deus! – Gritei em meio a frase, fazendo todos os olhos se fixarem em mim – Michael – Chamei de olhos arregalados.

- O que há, querida? – Perguntou, parecendo alheio a minha cara de desconforto.

Ignorei por todo a noite as dores incomodas nas costas e no baixo frente, sem querer fazer alarde, mas o que senti agora foi impossível de mascarar, ainda mais que um liquido acabara de escorrer pela minha perna.

- Sua filha vai nascer – Meu rosto se contorceu mais uma vez quando fui tomada por mais uma onda de dor.

- Senhor – O rosto dele assumiu um tom de branco anormal em questão de segundos. Ele levantou-se as presas, derrubando a cadeira – Façam alguma coisa, porra! – Gritou, tirando todos do aparente choque.

- Mas não está na hora! – Vivian gritou correndo escada acima.

- A bolsa está no meu closet – Disse, tentando manter a calma.

- As chaves do carro, onde estão? – Michael perguntou para si mesmo, enfiando as mãos em todos os bolsos – Perdi as chaves, caralho, como vamos agora?

- O que é cacalho, papai? – Zhoé, que até agora observava toda a confusão calada, se pronunciou.

- Viu o que fez, Michael – Carlos reclamou, virando-se para a menina – Não é nada, amorzinho, só não repita, certo?

- Michael – Gritei quando mais uma forte contração me assolou.

O pobre voltou correndo até mim, ajoelhando-se ao meu lado.

- Vai dar tudo certo, meu amor, fique tranquila... eu estarei com você – Suas mãos repousaram em minha barriga e por um segundo não sentia mais dor, era só amor naqueles olhos, naquele sorriso, naquele toque.

- Eu te amo – Sorri, depositando minha mão sobre a sua.

- Te amo mais que tudo.

Eu estava pronta para dar à luz a minha filha. Estava pronta para todas as noites mal dormidas, para todos os cafés da manhã ao lado de Michael, para as noites na cama, para as brigas, as reconciliações, estava pronta para mais uma dúzia de filhos, para os cabelos brancos, as rugas... nada mais me assustava, eu me sentia pronta para a vida, por que eu tenho ao meu lado o homem que eu amo, e que tenho certeza absoluta que me ama na mesma intensidade.

Epílogo

Três anos depois

O relógio já marcava meio dia em ponto e eu ainda tinha mais duas reuniões. Mas o que eu queria mesmo nesse instante era estar em casa, ao lado do meu marido e minha pequena. Infelizmente havia muito o que fazer agora.

Meu computador emitiu um bipe, piscando na tela uma cartinha. Cliquei, indo para o e-mail. Era uma foto de Michelly, Leonard, Brenda e Lancelot. Estavam todos com os rostos espremidos para caber na foto, sorridentes, e cobertos de tecidos, já eu estavam de férias no Alasca – Michelly e essas suas ideias loucas –

“Muito frio e muita felicidade” – Era a legenda da foto.

Digitei uma resposta rápida, dizendo que estava com saudades de todos e alertando-a para proteger os garotos do frio.

Assim que terminei de enviar foi a vez de meu celular vibrar. Também havia uma mensagem me esperando lá. Dessa vez a foto era de Vivian, How, seu marido, Sabrine, a chihuahua, e seu 4° namorado do ano, Dereck. Elas também estava de férias, no Brasil.

“Quentes, amadas e realizadas! Você deveria ter vindo” – Vivian escreveu. 

Bem, eu adoraria férias, mas como todos resolveram se ausentar na mesma época, alguém tinha que ficar para trabalhar e sobrou para mim e o Michael. Foi o que respondi a elas, mas para não parecer tão rabugenta terminei a mensagem mandando-as se divertirem.

Ouvi batidas na porta e balbuciei um ‘entre’.

Não poderia existir cena mais linda que aquela. Meu marido entrando em minha sala, vestido em um daqueles ternos cinza que o deixavam comestível, segurando a mãozinha de uma princesinha de vestido rosa, cabelos e olhos negros.

Sophie largou a mão do pai e correu em minha direção, jogando-se em meu colo.

- Olá, mamãe – Seus bracinhos pequenos e rechonchudos rodearam meu pescoço e ela me encheu de beijos.

- Que surpresa maravilhosa, princesa – Retribui cada um dos seus beijinhos, e ajeitei-a em meu colo, levantando-me para ir até meu marido.

Sua mão segurou possessivamente minha nuca e ele me puxou para um beijo rápido.

- Estava com saudades, amor, por isso vim sequestrá-la – Sorri.

- Mesmo? Pois acho que isso não vai configurar sequestro por que irei com você de livre e espontânea vontade, pra onde você quiser.

- Desmarque os compromissos da tarde – Seus olhos fizeram nos meus com aquele misto de amor e desejo que me fazia pegar fogo – Depois do almoço, Sophie irá passear com a vovó e os tios, que chegaram de Laguna Beach, então teremos a tarde só para nós.

- Sua família chegou? – Perguntei animada.

Gostava quando Kath e os irmão de Michael vinham nos visitar. Michael me contou pouco depois de Sophie nascer que depois de tantos anos de afastamento reencontrou a mãe. Para a nossa surpresa, a senhora, agora já mais idosa, acolheu-o de braços abertos, dizendo que não poderia morrer sem rever o filho amado. Seus irmãos, agora homens e mulheres feitas também o acolheram muito bem. Depois disse Michael comprou uma boa casa para cada um em Laguna Beach e conseguiu empregar todos. Agora pelo menos quatro vezes por ano eles vinha aqui nos visitar, quando não podíamos ir lá, e era uma festa só. Sophie amava a avó e os tios. E me fazia muito bem ver a paz que entender-se com a família trouxe para o Michael.

- A vovó disse que vai tlazer doce pla mim – Sophie murmurou animada.

- Então vamos logo almoçar meu amor, pra você ver a vovó mais rápido – Sophie bateu as mãozinhas e desceu do meu colo toda hiperativa.

- E nós teremos nossa tarde de amor – Balbuciou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar.

- Mal posso esperar.



Fim.

67 comentários:

  1. Mal começou e eu já estou envolvida com a história, estou amando! Continuaa ♥

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  2. Quando está pegando fogo você para! continua!!!!!!só um capitulo é pouco.

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  3. Uiii o negocio ta pegando fogo continua to muito ansiosa

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  4. Meu Deuuusss o q é isso eu tô louca para a continuação!

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  5. CONTINUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!

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  6. CARA, PRECISA CONTINUAR TÁ MUITO BOM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  7. OMG! Eu estou sentindo uma treta. E das grandes!! Continua meninas. <3

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  8. MISERICORIDA MICHAEL TA COM A IRMÃ DA VAL EU TO MORTA
    CONTINUAAA!!!

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  9. Garoto de programa Kkkkkk ^^ Continuaaaa

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  10. Garoto de programa Kkkkkk ^^ Continuaaaa

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  11. Garoto de programa Kkkkkk ^^ Continuaaaa

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  12. PRECISA CONTINUAR.......................................................................................................................

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  13. ANCIOSA POR MAIS CAPITULOS...

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  14. Que sonho delicioso!!!!!!!!!!!!!!

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  15. Eu quero um sonho desse!!!! continuaaaaa

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  16. OMG!! Nao acredito que era so um sooonho. Continua logoo!!

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  17. CONTINUA AI COM ESSE SONHO DELICIOSO!
    ANCIOSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!

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  18. QUERO MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  19. Em algum dia da semana posta 2 capítulos ao invés de 1. PF *-*

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  20. Nuss , continua !! (novata aqui :p) tô amando já !
    ~ Ianna Rocha

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  21. Que tudo amo cada vez mais essa fic
    (Geane)

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  22. Amores, trouxe um capítulo ontem e um hoje, me adiantando, por que só poderei voltar a postar sexta ou sábado.
    Fico muito feliz que estejam gostando da fic. Muito obrigado por todos os comentários - Não respondo todos, mas leio cada um e os guardo com carinho. São muito importantes para mim - Continuem aproveitando esse casal. Boa leitura :*

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  23. ESSA FIC É SENSACIONAL!!!!!!!!!!!!!!!

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  24. Agora vou comentar com a minha conta kk continuaa , tá demais ! esse Michael tem um poder de levar uma mulher à loucura em 5 segundos :p
    tá muito legal mesmo , continuaaaaa !

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  25. Continua logo, meninas!! Essa fic ta muitoo boa mesmoo!!

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  26. Aii super apaixonada por eles amo amo continua flor

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  27. Leonard e Michelly, quem diria hein rs

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  28. Mas , mas , comassim doido ! kkkkkkkkkk A Michelly e o Leonard .. rapaz .. estou surpresa ! demais !! Continuaa !

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  29. A CASA CAIU DOIDO ! KKKKKKKKKKKK Continuaa mulheeeer !!! u.u

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  30. Ta na cara que se ela tiver grávida mesmo esse filho é do Leonard kkkkk safadenha essa Michelly continua amando muito

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  31. POR FAVOR, CONTINUAAAA!!!!

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  32. só eu senti vontade de socar esse Michael depois desse furo com a Val ? --' Continueeee !

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  33. MICHAEL DEU BOLO! CONTINUA!!!!!!!!!!!!

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  34. Tenho certeza que o filho da Michelly é do Leonard. Tadinha da Val, levou um bolo :'( continua. <3

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  35. Continua!!! espero que a Michelly não perca o bebe,e todos ficam sabendo que o pai é o Leonard.

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  36. Ufa! Ainda bem que eles estao livres para viver o amor deles :')

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  37. Bem, meninas, chegamos a mais um final.
    Espero que tenham gostado de Vende-se um coração partido, tanto quanto eu e a Moysa gostamos de escrevê-la.
    Quero agradecer os comentários, as visualizações, e claro, a minha parceira de escrita, obrigado Moy.
    É isso amores, espero vê-las com mais frequência na próxima fic "Outra vez o pecado", a esperada continuação de FDIAP. rs
    Abrirei o tópico ainda essa semana.
    Bjs amores :*

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  38. Fico impressionada com suas historias elas são tpdas lindas e miais essa parabéns

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  39. Me falam uma coisa. A história é perfeita eu amei.
    Mas me dizem qual o aplicativo que vocês usam pra fazer as fotos?

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  40. Eita Paulinha suas fics são ótimas.
    Espero muito continuar sendo sua leitora de sempre. 😘

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  41. Eita Paulinha suas fics são ótimas.
    Espero muito continuar sendo sua leitora de sempre. 😘

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  42. que história maravilhosa eu amei muito!!!!!

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  43. ola, eu gostaria de saber se vc permite adaptaçao da sua obra para outro famoso? eu adoraria adapta-la se vc me permitice daria todos os devidos creditos

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    1. Olá, Keu. Muito obg por ter entrado em contato e me feito a pergunta, normalmente simplesmente pegam e copiam as fics. Bem, essa história foi escrita por mim e outra amiga, como pode notar lá na capa, então não poderia responder por nós duas. E também não sei se seria legal descaracterizar a fic dando a ela outro personagem principal, entende? Espero que compreenda meu ponto de vista. Bjs :*

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