sexta-feira, 4 de março de 2016

FanFic: "Como não se apaixonar? - O preço - Parte ll " (+18)

Autora: Maricia Jackson 




Autora: Marícia Jackson

Sinopse:


   
    Quanto tempo é necessário para apagar as marcas do passado? Quanto tempo é preciso para arrancar do peito uma paixão tão avassaladora, um sentimento, definitivamente, destrutivo? 
  Para Michael, doze anos foram suficientes para expurgar de sua mente as lembranças da juventude, assumindo a postura de inabalável, mas trazendo no coração o medo dos fantasmas do passado.
  Entretanto, esse "fantasma" parece ser mais real do que ele imagina. O ódio alimentado por Mercedes durante doze anos está mais vivo do que nunca, e ela não medirá esforços para ver seu minucioso plano de vingança sendo executado com maestria.
 Mas o que tanto Michael quanto Mercedes não contavam era com os resquícios do passado. Um amor que parece só ter aumentado juntamente com a saudade, a mágoa e o arrependimento. E esse amor seria suficiente para perdoar os erros, fechar os olhos e ouvir o coração?

Personagens Principais:

Mercedes Elizabeth Navarro


   Mercedes não imaginava quantas mudanças teriam em sua vida desde o dia em que Michael apareceu até o reencontro com seu pai. Agora aos trinta anos, ela se vê capaz de entrar no jogo novamente. 
 Após uma reforma íntima e pessoal, se tornando uma mulher elegante, inteligente e ainda mais esperta, Mercedes, como Elizabeth,  assumiu as empresas do pai, o que lhe deu em definitivo o poder que tanto queria. 
  E agora com a morte de Gregory, ela sente que a velha Mercedes está pronta pra voltar a ativa, decidida a entrar na vida dos Jacksons para por em prática todos os planos feitos durante os últimos doze anos.

Michael Jackson






   A dor de perder a mulher da sua vida, somada ao arrependimento o transformaram em um homem insensível, amargurado e desprezível. Michael decidiu focar no trabalho, na tentativa de arrancar da memória as lembranças do passado. 
 Os sonhos de se tornar um músico de sucesso, de ter a liberdade de ser quem realmente é foram substituídos por um conformismo depreciativo e por uma ambição sem limites, como se aquele jovem Michael nunca tivesse existido.
  Casado com Dominique, a personificação de Leon Jackson se vê em um verdadeiro inferno em seu casamento, mas seu único fio de esperança é a pequena Agnes, de sete anos, a razão de não se tornar um verdadeiro canalha.
 Agora, ele se vê obrigado a voltar para Nova York e assumir a presidência da Construtora Jackson. E mesmo tendo se transformado no que jurou nunca ser, Michael não está preparado para voltar ao passado, principalmente quando um conhecido "furacão" está de volta em sua vida.

 
   

  Mesmo com todos os terríveis acontecimentos e tantas decepções, eles ainda carregam os mesmos corações, embora ainda estejam revestidos de feridas não cicatrizadas. 
  Ambos pagaram o preço por se apaixonarem e vão provar que nem mesmo o ódio é suficiente para apagar o amor que ainda sentem um pelo outro.

*OBS: 

    Voltei, amores!!! Como estão? Finalmente o dia 23 chegou, então vamos à estreia!
Mas antes disso, quero deixar aqui algumas observações
   
    Vocês me conhecem já faz um tempo e conhecem também a minha forma de escrever, assim como eu conheço o gosto literário de muitas meninas que me acompanham. Por isso, darei alguns avisos de antemão. Essa Fic é digamos... um pouco tensa kkkk Michael e Mercedes não fazem o gênero romântico, pelo menos por enquanto.
  
     A fanfic é +18, vocês verão muitas cenas fortes - violência,  conflitos, sexo -  Além disso, conterá xingamentos, palavreado obsceno, etc. Sei que muitas não gostam, por isso já deixo em aviso kkk Não quer dizer que a Fic inteira será assim, mas as circunstancias iniciais pedem...

  Enfim, estou escrevendo com muito amor e dedicação e espero do fundo do meu core que vocês gostem! Prometo fortes emoções!! Obrigada por já estarem aqui, conto muito com o apoio e a opinião de vocês!

  Ah! Com a rotina atarefada, tentarei manter o ritmo de postar duas vezes por semana com possível bônus no fim de semana.
   Bom, é isso aê! Agora bora ler o primeiro capítulo!
   Beeeeeijos!!!

Capítulo 1

Mercedes








       Encerro a reunião através da videoconferência, obstinada a seguir logo pra casa. Os últimos dias têm sido desgastantes em decorrência do estado de saúde do meu pai, que decai mais a cada dia. Seu médico particular se encontra desacreditado em relação às chances de sobrevivência. 
     Para explicar resumidamente, há pouco mais de cinco anos meu pai fora diagnosticado com câncer no intestino. A doença ora expurgava-se, ora voltava e nos últimos meses descobriu-se que o câncer havia se espalhado para os outros órgãos. Foi um baque para nós dois, apesar de sempre termos ciência de que era um risco a se correr. 
       Nos proibimos de lamuriar pelos cantos e de tratá-lo como moribundo. Desenvolvemos uma força paranormal para lidar com os problemas da vida, inclusive a morte. Não me julguem como insensível, minha postura se criou com minha formação nesses últimos doze anos.  
    Recapitulando, após irmos para Londres, tratamos de consertar meus documentos, o que me fez tornar oficialmente Mercedes Elizabeth Navarro. Me dediquei a estudar com afinco. Me formei em direito na Oxford e me especializei em direito empresarial no intuito de comandar as empresas do meu pai. 
     Gregory fez fortuna com suas redes de hotéis e a pouco mais de um ano iniciamos juntos um projeto de construção de cassinos em Las Vegas e em outras cidades aqui na Europa. Não tenho do que me queixar, pois o lucro é absurdamente grande. 
     Enfim, esses doze anos foram um verdadeiro renascimento para mim. Quando instintivamente olho para trás, me lembro da jovem ignorante que eu era. Sórdidas gargalhadas saem da minha boca ao lembrar do ser humano ridículo que eu fui, mas felizmente apaguei essa mancha. Hoje sou Elizabeth. Uma mulher madura, bem sucedida, sedutora e perspicaz. Tudo que eu almejei quando coloquei meus pés neste país.

-Dorothy, como meu pai está? - retiro meus óculos escuros e caminho apressadamente para o seu quarto

-Hoje ele acordou melhor. Estava perguntando por você. - lhe devolvo um sorriso fraco e subo para os seus aposentos

  Me dói vê-lo neste estado. Desde que o conheci, minha vida ganhou um novo sentido. Gregory me deu tudo o que tiraram de mim e eu não digo só pelo nome ou pelo lar e sim pelo amor e apoio incondicional que recebi por todo esse tempo. Não será fácil viver sem ele.

-Posso entrar? - abro minimamente a porta, recebendo um amplo sorriso de meu pai

-Claro, princesa.. Estava louco para vê-la! - ele tira a máscara de oxigênio para que eu pudesse ouvi-lo melhor. Beijo carinhosamente sua bochecha

-Já estava com saudades de mim? - ele sorriu

-A cada minuto. Quero aproveitar ao máximo sua companhia.. - apertou forte minha mão

-Pai, pra quê pensar nisso agora? O senhor mesmo cansou de me dizer que temos que viver o momento e esquecer o futuro.

-É que eu tenho medo, Eliza. Não posso deixá-la sozinha.

-Pai, eu cresci. Sou uma mulher de trinta anos, ora! - ri - Além do mais eu sou inteligente, esperta.. Sei me virar. - garanti

-Mas ainda não desistiu dos seus planos.. - rolo meus olhos para a parede do quarto. Toda vez que entramos neste assunto iniciamos uma discussão

-Não e nem irei. Acho que me conhece o bastante para saber que não sou mulher de desistir ou fraquejar.

-Eliza, como vai ser feliz se traz ódio em seu coração? Ouça meu conselho, filha..

-Lamento, papai, mas esse é o único pedido que não poderei atender. E eu te garanto que serei muito feliz quando pegar de volta a vida que me roubaram. Por favor, não vamos voltar a falar disso. O senhor precisa descansar e não se preocupar com meus problemas.

-Me preocupo porque te amo. - apesar de ser irredutível, eu não aguento encarar seu suplicante par de olhos azuis

-Eu também o amo muito. Agora descanse, papai. Sua respiração está descompassada.

-Tudo bem, enfermeira.. - brincou - Você vai sair?

-Sim. Tenho coisas para resolver, mas voltarei para jantar com você. Se cuida! - depositei um beijo em sua testa e saí do quarto

-Ah, senhorita Elizabeth, seu namorado telefonou.

-Hum.. -reviro os olhos - O que ele queria, Dorothy?

-Ele disse que não conseguiu ligar pra você no celular e deixou um recado. Quer saber se a senhora irá vê-lo hoje.

-Ok.. Obrigada. Fique de olho no meu pai, me ligue se necessário.

-Sim, senhora. Com licença. - Dorothy se afastou e eu me senti livre para soltar um palavrão. Detesto ser pressionada, só aturo essa condição por demais interesses

      Bem, desde que vim pra cá e comecei minha reforma, passei também a monitorar os passos da família Jackson. Sei exatamente o que ocorre com eles e principalmente com a Construtora Jackson, meu maior alvo. 
     Para estar ainda mais por dentro do assunto, há três anos me aproximei de Louis. Ele é um dos acionistas da construtora e ao saber que ele passa longas temporadas em Londres, decidi que ele seria uma espécie de bode expiatório. 
     Para isso tive que encarar um relacionamento e aceitar seu pedido de namoro. Ficar ao seu lado definitivamente é um tédio, já que eu jurei nunca mais amar novamente. A única razão de suportar sua companhia é explorar ao máximo seu conhecimento em relação aos Jacksons e aí sim quando meu primeiro plano for executado, estarei livre para dispensá-lo.

-Minha loira.. - Louis apareceu sorridente ao abrir a porta




                                              


-Amor.. - me joguei em seus braços, beijando-lhe vagarosamente - Senti sua falta! - minto - Dessa vez você ficou tempo demais em Nova York.

-Se soubesse o que está rolando por lá.. Não sei nem como consegui voltar.

-É mesmo? - retiro a jaqueta para ficar mais a vontade - Problemas na Construtora? - ele assente







-Eu te contei que o Leon se afastou da empresa, né? Parece que está com a saúde bem debilitada..

Que morra, velho nojento!

-Sim, você comentou.. Coitado..

-E por conta disso, Michael Jackson está voltando para Nova York.

Cada vez que mencionam o nome de Michael, sinto todo meu corpo acender em resposta. Calafrios, tremores e a fervura do meu sangue que não me deixam esquecer do ódio visceral que está enraizado dentro de mim.

-Então quer dizer que ele voltará.. A família também?

-Parece que sim. Michael deve assumir o comando da empresa, que anda muito mal das pernas pra dizer a verdade.. Acredito que não vai demorar muito para colocarem à venda parte das ações..

Tentei esconder o sorriso que estava mais que estampado no meu rosto. Finalmente esse momento está chegando. Há meses rola o boato de que a Construtora Jackson está pedindo falência e é claro que eu não permitirei que isso aconteça..

-Parece que é a única saída..

-Graças a Deus minhas ações estão praticamente vendidas. A mulher com quem estou negociando ofereceu praticamente uma fortuna por elas..

É claro que ofereci, só assim para te tirar do meu caminho.

-E você pretende mesmo ir para o Japão, certo?

-Mas é claro, porque a senhorita vai comigo.. - Louis me encaixou em seu colo, distribuindo beijos na minha pele - Sabe, vamos parar de falar sobre trabalho.. Agora eu quero matar a saudade..

-Claro, não sabe como senti falta dos seus beijos, do seu corpo..


   Não demorou muito para chegarmos no seu quarto. Enquanto cumpria meu papel de namorada perfeita, sentia meu corpo vibrar por dentro com as últimas notícias.
Está chegando o momento que tanto desejei.. Os rumos que escolhi estão saindo perfeitamente na forma que planejei e essa sensação me faz sentir viva novamente.


Capítulo 2

Michael




                         


          Pela última vez rolo meus olhos pelo cômodo principal do lugar que me serviu de lar nos últimos doze anos. Não digo com extrema convicção que fui feliz. Acredito que os únicos momentos de paz e felicidade foram quando minha Agnes veio ao mundo. Minha filha é exclusivamente a única razão para eu não ter desistido de toda o circo que é minha vida. 
    Em partes, viver em Madri serviu como uma escape. Estar longe de Nova York e de todo o tormento que vivi me ajudou a reerguer. E agora, para o meu infortúnio sou obrigado a voltar para o meu país de origem e para o clã infernal chamada "Família Jackson".

-Papai, o que o senhor está fazendo? - a voz da minha pequena princesa ressoa como um miado, desmontando-me por inteiro




                     

-Minha gatinha linda! Venha me dar um beijo. - peço. Ela sorri, e saltitante vem me abraçar - Estou terminando aqui com as malas. As suas já estão prontas?




                       

-Claro que sim! - adianta-se a responder, balançando os rebeldes cachos ruivos - Mamãe falou por looongas horas!! - bufou

-Mas se a mamãe não tivesse insistido, a "senhorita sardas" não teria obedecido, não é mesmo? - Agnes esconde o rosto por trás do meu paletó

-Eu posso te ajudar, papai?

-Pode sim, meu amor. Já estou ficando farto desse bagunça! - resmungo, despertando graça em Agnes

-O senhor não vai levar essas roupas não? - indaga ao se aproximar do meu closet

-Por agora não. Já estou levando coisas demais. Na próxima vez que voltarmos eu levo. - ela assente, satisfeita com a minha resposta

-Mas e essa caixa?

    Um arrepio perpassa pelo meu corpo ao lembrar da caixa que mantenho escondida por tantos anos. Mas conhecendo a esperteza de Agnes, não posso repreendê-la por uma curiosidade infantil. 
   Ela vem até mim trazendo nos bracinhos curtos a caixa de madeira. Faz uma careta devido ao peso e livra-se dela, jogando-a na cama. Ela se senta de frente a caixa e eu acompanho seu gesto.

-O que tem dentro dela? - suspiro demoradamente e lhe respondo

-Meu passado. - Agnes abre a boca em um O, fascinada com a revelação que compartilhei

-Eu posso ver, papai? - pede, inocentemente

-Pode sim, querida. Me deixe abrir

    Trago a caixa para o meu colo, destravo a tranca e finalmente está aberta. Repito esse gesto pelo menos uma ou duas vezes por ano, quando a saudade aperta tanto que interfere minha sanidade. 
    As fotografias, cartas e papéis estão amarelados, mas ainda assim conservadas. Agnes se diverte ao ver minhas fotos de quando criança ao lado dos meus irmãos.

-Essa aqui é a tia Maysa? - aponta para a jovem sentada ao meu lado

-É sim. - sorrio - Olha o cabelo dela, é parecido com o seu.

-Mas ela é loira! - retruca - Por que só eu tenho o cabelo vermelho? - aperto o lábio inferior, procurando uma resposta. Afinal, nem mesmo eu sei como Agnes foi sair ruiva

-Provavelmente algum parente distante. - tranquilizo - Veja aqui sua avó!

-Ela é tão linda.. Você sente falta dela?

Suspiro pesadamente ao relembrar a trágica tarde em que recebi um telefonema de Maysa relatando o falecimento de nossa mãe, provocado por um acidente de carro. Naquele dia, há exatos dez anos, aprendi a ser forte na marra, como em todos os momentos da minha vida.

-Sinto muita. - enfatizo - Sua avó era uma mulher maravilhosa, e para mim, a mãe mais perfeita de todas!

-Não fica triste não, papai. Você disse que eu sou um presente que ela mandou, lembra? - sorrio

-Lembro sim, querida. E é por isso que eu não vou ficar triste. - ela sorri e se ajoelha na cama, me surpreendendo com um estalado beijo na bochecha

    Agnes volta sua atenção à minha caixa, levando as mãozinhas até o bolo de fotografias. Aleatoriamente ela retira uma foto, que até então eu não tinha percebido do que se tratava.

-Papai, quem é essa moça? - pergunta, estendendo a foto dela..

    Meu coração falha em uma única batida ao bater os olhos na imagem à minha frente. Como eu poderia me esquecer dela? Como poderia ter me esquecido dos seus olhos azuis, dos traços jovens e angelicais da minha... Mercedes.
     Um terrível tremor assolou meus nervos ao recordar o misto de paraíso e inferno que vivi ao lado dessa mulher.
   

    Mercedes é do tipo de tornado furioso que abalou minha vida como um vendaval e foi embora deixando destroços e danos irreparáveis.

-Papai..? - Agnes me cutuca, trazendo-me de volta à realidade

-Ah, ela.. ela era uma, uma grande amiga minha..




                

     Novamente me vi enfeitiçado pelas simples fotografia de Mercedes. Me lembrei com perfeita exatidão do dia que tirei essa foto. Havíamos acabado de chegar em Long Island, local da nossa lua de mel. A paisagem maravilhosa combinava perfeitamente com ela..
     Jamais esqueci ou me esquecerei da beleza dessa mulher; dos seus olhos azuis; da sua pele bronzeada; dos cabelos cor de mel e do rosto natural, que mesmo sem um toque de maquiagem, conseguia ser o rosto mais lindo e perfeito do universo.

-Como sua amiga chama? - pergunta novamente. Respiro fundo, raspo a garganta e faço uma árdua tentativa de balbuciar

-Mercedes. - murmurei, pronunciando pela primeira vez depois de doze anos, seu nome

-Ela é muito bonita! - comenta, olhando com admiração a foto de Merche - Eu nunca vi você e a mamãe falando dela. Não são mais amigos? - suspiro para prosseguir

-Não temos mais contato. Ela era uma amiga da adolescência.. Você nem era nascida! Tem muitos, muitos anos que não a vejo.

-Entendi.. Você sente falta dela?

-O que? - me sobressalto diante de sua pergunta

-Perguntei se sente falta dela, papai. Se tem uma foto da Mercedes é porque sente saudades da sua amiga.

-É, eu sinto sim.. - antes que me aprofundasse nas recordações enterradas entre as veias do meu coração, trato de mudar o rumo da nossa conversa - Que tal terminarmos de fazer a mala? Daqui a pouco sua mãe chega e ela ficará brava comigo!

-Mas eu não vou deixar ela zangar com você! - afirma com ímpeto, me lembrando claramente da altivez de Mercedes

-Hm.. Parece que teremos uma futura advogada por aqui.. - comento, levando meus dedos inquietos à sua barriga, provocando cócegas em Agnes

-Para, papai.. - pede com dificuldade por conta das gargalhadas - Tá fazendo cócegas!

-Está mesmo? - provoco. Agnes tenta fugir de mim, mas eu a puxo, aninhando-a em meus braços - Eu te amo muito, viu?

-Também te amo, papai! - responde, enlaçando os bracinhos em torno do meu pescoço

    Deus sabe como me sinto confortável e aquecido quando ela me abraça tão forte e carinhosamente. Não sei que fim teria levado minha vida se não fosse a existência dessa garotinha que amo com toda minha alma.
    Enquanto continuávamos a organizar a mala, não pude deixar de elevar meus pensamentos à Mercedes. Não tem uma noite em que antes de dormir eu não me pergunto o que pode ter acontecido com ela. Me pergunto onde possa estar nesse momento, para qual rumo ela seguiu.. 
    Mas logo ouço a razão, que ordena para que eu não remexa nessa ferida, que deixa lá trás o passado. Como se nossa história fosse um montante de cartas empilhadas, e que com um único movimento possam desmoronar-se, trazendo a tona os fantasmas que tanto lutei para me livrar.



Capítulo 3

Mercedes



    Nos últimos dias tomei a infeliz decisão de internar meu pai. Ele estava cada vez mais debilitado, principalmente após contrair embolia pulmonar. Seu organismo está fraco e o médico garantiu que meu pai está em fase terminal.
    Apesar de eu demonstrar força, estou desabando por dentro. Gregory foi muito mais que uma luz no fim do túnel, ele foi e é meu pai. O homem que aprendi a amar, admirar e valorizar. Um presente que Deus me deu, mas agora ele está o tirando de mim, assim como tudo em minha vida.

-Senhorita Elizabeth. - Dr. Rulli senta-se no banco ao meu lado - Seu pai quer vê-la.

-Está na hora, não é? - pergunto retoricamente. Rulli fecha os olhos, respondendo silenciosamente - Certo. - suspiro ao me levantar

   Desde o momento que soubemos da doença, prometemos não nos abalar ou desesperar diante das aflições. Mas quando a hora decisiva chega, descobrimos que não estamos preparados para absolutamente nada.

-Meu amor.. - elucidou ao me ver entrar no quarto. Sua situação é tão crítica que até mesmo a máscara de oxigênio perdeu a nescessidade

-Pai.. Seja sincero comigo. Como se sente neste momento? - Gregory suspirou, entendo o real sentido da minha pergunta

-Me sinto plenamente feliz, agraciado e satisfeito. - sorri, apertando minha mão

-Não vá me fazer chorar.. - brinco

-Você precisa saber, Mercedes. - frisa ao pronunciar meu nome - Eu te conheci como Mercedes. Frágil, destroçada e descrente de tudo. Você era como um pássaro de asa quebrada.

-E graças a você, eu me recuperei e aprendi a voar. - sorri, negando com a cabeça

-Tudo que eu fiz foi amá-la. Amá-la com todo o meu coração. Foi a sua força que fez a diferença. E não sabe como agradeço a Deus por ter me presenteado com uma filha forte, de fibra, linda e com um coração tão puro.

-Como pode enxergar essas qualidades em mim, sendo que tudo que me restou foram mágoas, rancor e ódio?

-Nada mais que uma máscara. - afirma convicto - E não sabe como me preocupa saber que vou deixá-la nessas circunstâncias..

-Já conversamos sobre isso, pai. Ninguém nunca saberá o que eu vivi, senti e sofri. Julgar e aconselhar é muito fácil quando está do outro lado. A única coisa que posso te dizer é que eu vou me cuidar. Vou lhe dar orgulho, eu prometo! - proferi, permitindo finalmente a libertação das minhas lágrimas

-Eu sei que vai.. E mesmo que eu não possa estar aqui ao seu lado em vida, meu espírito irá te acompanhar onde quer que você vá.. - foi interrompido por uma crise de tosse, devido ao esforço que fizera

-Pai, não se esforce, por favor!

-Não, está tudo bem.. - sorri no intuito de me tranquilizar - Eu preciso abrir meu coração antes que.. Bem, você sabe. Filha, eu só quero te agradecer por ter me proporcionado os melhores anos da minha vida. Eu juro que estou muito feliz por ter tido a oportunidade de te encontrar e poder conviver tanto tempo ao seu lado. Eu te amo, minha filha. Te amo com todo meu coração..

-Pai, por favor não me deixe! - confessei, abraçando-me à ele. O desespero é grande demais para ficar guardado dentro do meu peito - Eu te amo, papai. Eu preciso muito de você, muito!

-Querida, não chore.. Você está pronta para viver sua vida. É por isso que estou partindo..

-Mas não é justo! - rebati - Por que só as pessoas boas me deixam? Por que? Papai, eu não posso viver sozinha.. - balbuciei, sendo impedida de falar claramente por conta do choro desmedido

-Eliza, olhe para mim! - pede, grudando as mãos em meu rosto - Confie em si mesma! Lute e faça valer todo seu esforço! Me mostre a mulher determinada que você é. Mas tenha sempre em mente o que vou lhe dizer. No final das contas você vai ver que o amor será o único sentimento capaz de reconstruir seu coração..

   Permanecemos abraçados, em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. Seu carinho gostoso no meu cabelo me fez criança novamente, e nesse momento não senti medo, desespero ou temor. Meu pai está indo embora lentamente, seu fluido vital pouco a pouco se apagou e ele por fim faleceu. 
Me afasto do seu leito, me levanto e inclino o corpo para lhe dar um último beijo em sua testa.

-Vá em paz, papai.. - pela primeira vez, depois de muito tempo, fiz o sinal da cruz, pedindo a Deus para cuidar do meu eterno anjo da guarda

(...)

    Decidi não prolongar o martírio por tanto tempo. Depois de 48 horas meu pai foi cremado, em seguida joguei suas cinzas no pequeno lago do jardim da nossa casa. Ele amava passar horas e horas sentado na grama, me relatando a história de amor entre ele e mamãe. Tenho certeza que ele está muito feliz com a decisão que tomei.
    

    Retiro o salto agulha, jogando-o em um canto qualquer da sala. Precisava me libertar do perfume fúnebre que está impregnado em meu corpo. 
Me sento confortavelmente na minha banheira, fecho os olhos e levo a taça de vinho à minha boca. O momento agora é de intensa meditação. Preciso mais do que nunca ter foco e centralização. É hora de colocar em prática todos os planos que acumulei dentro de mim, e por mais que eu esteja de luto, não posso perder mais tempo.

(...)

    Acordo um pouco mais disposta no dia seguinte. É claro que não é a mesma coisa acordar e não escutar um bom dia do meu pai, de receber uma abraço tão protetor. Mas sei também que neste momento ele está ao meu lado, intuindo-me de que tudo se apaziguará.

-Eliza, não vai tomar café? - Dorothy perguntou, preocupada como de costume








-Não posso. Tenho assuntos importantes para tratar. Meu advogado chegará daqui a pouco, estarei o esperando na biblioteca. - assentiu, concordando

-Certo. Querida, você está realmente pronta pra encarar tanta responsabilidade? Afinal você vai administrar toda a fortuna que herdou.

-Dorothy, não se preocupe.. - tranquilizo, em um gesto formidável - Não vou mentir, ainda estou abalada com a morte do meu pai, mas eu prometi à ele que serei forte.

-Tenho certeza absoluta que será! - sorri,  depositando confiança em mim

    Tenho um carinho muito especial e um respeito nobre por Dorothy. Ela fez companhia ao meu pai durante todos os anos em que estivemos separados, e quando eu cheguei aqui ela me recebeu muito bem. Criamos um forte laço de amizade. Dorothy é minha conselheira, uma das únicas pessoas que aceito palpitar sobre minha vida.

-Posso te fazer uma pergunta, Eliza?

-Claro. Conheço suas feições, o que está te preocupando?

-Bom, você e Gregory faziam muitos planos, precavendo-se de uma eventualidade.. Bem, você sabe..

-Vá ao ponto, Dorothy.. - ela suspirou e prosseguiu

-Você sempre disse que uma hora seu passado voltaria a tona. Eliza, você realmente tem pretensões de voltar para os Estados Unidos, de assumir sua..

-Minha verdadeira identidade? - completei sua pergunta - Já está mais do que na hora, Dorothy. Um passado mal resolvido cobra sua dívida. Chegou a hora do acerto de contas..

    Suspiro, não me contendo de ansiedade. O momento que tanto esperei finalmente chegou. Deus sabe o quanto esperei por esse dia. Minha ideia era ter dado prosseguimento antes, mas não achei justo fazer isso quando meu pai precisava de mim. Mas agora estou sozinha novamente e preciso manter minha mente ocupada infernizando a vida do meu ex marido e da sua família maldita.



Capítulo 4 

Michael




    Depois de quase dez horas de voo, finalmente aterrizamos em Nova York. Uma sensação de nostalgia me invadiu, afinal são doze anos sem pôr os pés nessa cidade. E mesmo tantos anos longe daqui não foram capazes de me causar estranheza. O clima dessa cidade é o mesmo de quando eu era um jovem garoto. Mas no fundo eu sei que tudo mudou, inclusive eu. 

-Já chegamos, papai? - Agnes pergunta pela décima vez. Sua ansiedade chega a ser engraçada

-Sim, meu anjo. Pode se levantar! - respondo após destravar o cinto da sua poltrona

-Agnes se controle! - Dominique a repreende - Não é nada elegante uma mocinha correr feito uma louca!

-Mas mamãe, estou sentada faz um tempão... - resmunga, tentando amolecer a mãe

-Sem desculpas! E pare de usar esse vocabulário. Não sei onde aprende a falar assim!

-Dominique, deixe a menina. Ela é criança. - tento apaziguar, antes que eu chegue no meu limite e perca a pouca paciência que costumo ter

-É por isso que ela não me respeita. Você sempre passa a mão na cabeça dessa menina. Está cada vez mais minada e a culpa é sua! - acusa, sem me permitir uma réplica

     Dominique encaixa os óculos escuros no rosto e a passos largos caminha para o carro que está à nossa espera. Reviro os olhos diante de mais uma birra da minha esposa. É impressionante como Dominique consegue ser ainda mais amarga com o passar dos anos. Nosso casamento sempre esteve fadado ao fracasso e se eu não a mandei para o inferno é unicamente em respeito à nossa filha.

(...)

-Essa casa não mudou nada... - Dominique comenta assim que o nosso carro cruza os portões da mansão

    De fato a arquitetura é a mesma. Alguns pontos foram redecorados para sua própria conservação. Por mais que eu tente, não consigo sentir um pingo de emoção em estar nesse lugar. Não tenho uma única lembrança agradável, tampouco bons momentos. Na verdade, por mim eu nem estaria aqui.

-Papai sua casa é enorme! - Agnes aponta os dedinhos para cada lugar que chama sua atenção. Pelo menos ela é a única que está empolgada com nosso retorno

-Vem, vamos entrar. Depois vou te mostrar todos os cômodos. - acomodo Agnes em meu colo para podermos descer do carro

    De longe avistei Corine ao lado dos demais empregados, que provavelmente são novatos. E este foi o único momento que me senti feliz em estar ali. Cori é uma das poucas pessoas que ainda tenho consideração.
    Foi impossível não segurar as lágrimas no momento em que nos aproximamos. A última vez que vi Corine foi no aniversário de dois anos de Agnes, quando ela e Maysa vieram me visitar.

-Meu menino... - ela desaba em meu peito, envolvendo os braços enfraquecidos ao redor do meu pescoço

   Apesar da sua fisionomia desgastada, preenchida com rugas e marcas de expressão, ainda consigo enxergar a minha babá de toda a vida. É como se o tempo tivesse retroagido e eu esteja me vendo com seis anos novamente.

-Cori, que saudade... - murmuro baixinho em seu ouvido. Esse momento é único para nós dois e ninguém aqui presente entenderia essa conexão

-Você está tão mudado, tão lindo... - afirma, admirada enquanto passeia  os dedos nos meus cabelos, um pouco mais curtos agora

-Imagina, eu só envelheci! Você que está linda, uma verdadeira rainha! Veja só como está grande a minha garotinha! - gesticulo para que Agnes se aproximasse

-Agnes? Oh meu Deus, como você cresceu! - Cori abra os braços, sendo recebida em um carinhoso abraço de Agnes - Está tão linda, princesinha...

-Você é a babá do papai?

-Sempre serei! - ri- Mesmo que ele tenha se transformado em um homem tão bonito!

As duas prosseguem em um diálogo animado, o que me ajudou a recuperar do baque emocional que sofri. Dominique estava prostrada em uma pilastra, demonstrando nitidamente estar farta da cena melosa. Pigarreei, chamando sua atenção.

-Venha cumprimentar a Cori, Dominique. - a mesma me lança um sorriso falso, aproximando-se de nós








-É sempre bom revê-la. - Corine lhe cumprimenta brevemente - Como está, Dominique?

-Muitíssimo bem! - responde com um sorriso amplo nos lábios - Tenho uma família perfeita, o que mais posso querer?









-Ainda bem que sabe disso. Bom, vamos entrar. Seu pai pediu para ir vê-lo assim que chegasse.

-Claro. - suspiro desanimado. Apesar de tantos anos afastados, parece que foi ontem que tudo aquilo aconteceu - Ele está tão mal assim?

-Não vou mentir pra você, filho. A última esquemia o deixou mais debilitado. Ele precisa de você...

-Sim, ele precisa de um empregado.

-Michael, não começa. - Dominique interfere - Não acha que já passou tempo demais para continuar com essa mágoa idiota?

-Dominique, entre com Agnes, por favor. - revira os olhos, acatando minha ordem

- Sua esposa está certa. Seu pai está sofrendo, Michael. E eu sei que seu coração é nobre.

-Que coração? Esqueceu que ele mesmo fez questão de destruí-lo?

-Nunca superou o passado, não é mesmo? - Cori finalmente tocou na ferida

-É por isso que eu não queria voltar pra cá. Eu já estava conformado com a desordem da minha vida em Madri e a última coisa que eu queria era voltar para esse inferno! - confesso, sentindo meu sangue borbulhar nas veias

-Mas ninguém pode fugir de um passado mal resolvido. Você sabe muito bem disso. Sei que ainda sente mágoa do seu pai e do seu irmão...

-Não me fale desse infeliz! - corto - Nem sei que estômago vou ter para olhar na cara dele.

-Se ainda sente tanta raiva do seu irmão é porque não conseguiu esquecer a Mercedes.

Meu coração bombeou com mais força ao escutar a simples pronúncia do seu nome. Não sei que sensação é essa. É como se essa mulher estivesse sempre próxima de mim no meu subconsciente, ou é o fato de eu estar de volta à essa cidade, que aflora tantas lembranças em minha mente.

-Corine, por favor. Não me sufoque com tantas perguntas. Mercedes, Edgar e meu pai estão enterrados para mim. Ela mais ainda, já que simplesmente evaporou.

-Nunca soubemos o paradeiro dela. Maysa até investigou, mas é como você disse, parece que essa moça sumiu do mapa.

-Então o melhor que podemos fazer é deixar as coisas como estão. Já tenho problemas demais para resolver, não adicione mais um na minha conta. - Cori assente, acatando meu pedido - Agora eu vou ver o Leon. Ajude Dominique e Agnes a se instalarem, ok?

-Claro! Falando nisso, Michael sua filha é linda! Um amor de pessoa... Só queria entender à quem ela puxou!

-Engraçado... - ri - Dominique se cansa de repetir que ela é a minha cara. Acho que nós dois precisamos rever nosso oculista! Deixe eu subir, querida. Nos vemos logo! - lhe dou um terno beijo na testa, elucidando minha felicidade em revê-la

   Não é questão de ser pessimista, mas algo me diz que a última coisa que terei nessa cidade é paz. Pra começar serei obrigado a conviver com as duas pessoas que mais desprezo nessa vida, e depois, tenho certeza que serei atormentado com as malditas lembranças do passado. 
    Só que eu não sou mais o garoto medroso que eu fui, o mesmo que abaixava a cabeça para tudo e todos. Eu cresci e aprendi da pior forma a ser imparcial e firme. Não vou permitir que ninguém mais opine na minha vida. Agora sou eu quem dita as regras.



Capítulo 5

Michael


  Antes de poder me instalar e tentar descansar, tive que encarar meu pai. As únicas vezes em que o vi durantes esses anos foram em reuniões da empresa em Madri. Depois que ele adoeceu, passamos a trocar meia dúzia de palavras pelo telefone, unicamente sobre trabalho.
  Nós nunca tivemos uma boa relação antes do meu casamento, mas ainda assim podíamos nos suportar. Mas depois dele conseguir me afastar de Mercedes e me mandar para fora do país, eu passei a odiá-lo. Nem mesmo sua doença me penaliza.

-Posso entrar? - pergunto, sem rodeios. Ele está sentado na cadeira de rodas, frente à janela

-Michael... - sorri em deboche - Achei que o veria apenas no meu velório.

-Pode ter a certeza absoluta que eu não me daria ao trabalho de ir. Corine disse que você quer me ver. Pode agilizar o assunto?

-Não vai ao menos perguntar se estou bem? Você já foi mais educado, Michael.

-Sim, eu fui. - sorrio - Mas você fez questão de destruir até mesmo essa qualidade. Ande logo, Leon. Se me mandou de volta pra cá é porque está desesperado demais com os rumos da empresa. Creio que Edgar não deve ter gostado nada de saber que eu vou assumir a presidência. Seu filho querido não conseguiu dar conta? - ironizo

-Edgar não tem sua ousadia. Você me quer aos seus pés, não é? Já não é bastante colocar a empresa nas suas mãos?

-Sua situação já é humilhante por si só. Além disso, só de vê-lo implorando pela minha ajuda já me deixa satisfeito. - não sei por qual motivo Leon ri

-Você é igualzinho a mim. Estou admirado...

-Nunca me compare à um merda feito você! - grito, apontando meu dedo - Escuta uma coisa, eu só voltei pra essa porcaria de país para defender a fortuna que minha irmã e minha filha têm direito. Quero que você e Edgar se fodam mais do que já estão! Passar bem. - me retiro do seu quarto antes que perdesse de vez meu controle emocional

Tenho nojo só de pensar que o sangue desse desgraçado corre nas minhas veias.

    Felizmente chegamos ao entardecer, então logo depois de me acomodar no meu novo quarto, preferi o recolhimento. Amanhã o dia será longo e o reencontro com Edgar será inevitável. Pelo menos terei o prazer de me encontrar com Maysa. Ela não mora mais na mansão. Assim como eu, ela não suporta nossa família. Preferiu seguir sua vida longe de tanta loucura.

(...)

 Na manhã seguinte, acordo mais cedo que o resto da casa. Não sei se Edgar dormiu em casa, mas para me prevenir, prefiro não arriscar. Já basta ter que olhar pra sua cara daqui a algumas horas. 
  Como ainda é cedo, decido dar umas voltas pela cidade. Revejo lugares até então esquecidos por mim e em meio à nostalgia, sinto vontade de ir ao Brooklyn, mais especificamente à área periférica deste distrito. O lugar que durante um breve período de tempo também foi o meu lar. 
  Enquanto sigo o caminho, uma enxurrada de lembranças vem à mente. Lembro-me perfeitamente do dia que pisei os pés naquele bairro; da forma como fui tratado por Mercedes e em como me tornei assíduo daquele ambiente.

Flash Back

-Posso ajudar? - pergunta, direta. Confesso que me assustei com sua reação, o que parece ter lhe irritado - Te fiz uma pergunta, rapaz!

-Eu..eu quero ver os discos. - respondo tranquilamente

-Acontece que a loja já está fechando,então cai fora!

-Isso é jeito de falar com o cliente? - Dereck interfere

-Meu assunto não é com você e sim com o Jackson!

-Como sabe quem sou eu? - pergunto desconfiado

-Não te interessa! Cara,devo dar parabéns para o seu pai. Rondar nossa galeria até em horário noturno! - ri

-Qual o seu problema,moça? E outra, o que meu pai tem a ver com o fato de eu querer comprar uns discos?

-Meu querido,eu não sou trouxa. O que é que um garotinho todo fofinho,bem vestido e elegante estaria fazendo aqui? É turismo agora?

-Isso aqui é um estabelecimento público,não tem direito nenhum de expulsar um cliente!

-Querido,eu estou me fodendo pro seu blá blá blá. Essa loja é minha e eu faço a porra que eu quiser! Agora volta lá pro seu paizinho e diga que mandar o filho no lugar dele é a atitude mais ridícula que ele já teve!




  De forma alguma isso fará bem à mim. Faço o contorno e desisto da ideia absurda de revirar o passado. Se só de pensar sinto meu estômago contrair, imagino a reação do meu organismo ao estar de frente aos fantasmas do passado.

(...)

-Seja bem vindo, Sr. Jackson! Estamos felizes em recebê-lo na Construtora Jackson! - sou saudado por Carmen, secretária de longa data do meu pai

-Obrigado. - sorrio minimamente, deixando claro que não quero prolongar o assunto - Estou indo para minha sala. Me comunique quando a reunião der início.

-Sim senhor. - ajeito o nó da gravata e me afasto, seguindo para minha mais nova sala

 Suspiro com satisfação ao adentrar à sala da presidência. Durante anos reneguei este posto. Aguentei humilhações, fui chamado de covarde pelo simples fato de afirmar que eu não pertencia à esse lugar.
 Mas anos dedicados ao trabalho, dinheiro e poder me tornaram obcecado por esses três pilares. E agora, presidente da Construtora, provo para todos os que duvidaram de mim, que sou invencível. Vou levantar essa empresa e torná-la novamente uma potência com minhas próprias mãos.

(...)

-Estamos aqui reunidos pela primeira vez na presença do nosso novo presidente. Michael Jackson. - Henry me apresenta aos demais acionistas

-Como iniciam a reunião sem me esperar? - Edgar alfineta, estampando um sorriso cínico nos lábios



                                                       

Eu vejo nos seus olhos o quanto está possesso com a minha presença, mas ele não dará o braço a torcer. Pelo menos não em público.

-Que bom que está aqui para acompanhar de perto a minha posse ao cargo de presidente, irmãozinho. - digo, provocando-lhe - Agora sim nossa reunião está completa!




                                        

-Jamais perderia a honra de assistir essa cena. Michael Jackson intercedendo por nós. O salvador da pátria! - zomba. Os acionistas se entreolham, sem entender as provocações sutis entre nós dois

-Pode ter certeza que farei o que estiver ao meu alcance para tirar a Jackson do quadro que se encontra. - sorrio, me levantando da poltrona - Como todos aqui sabem, Leon Jackson está com a saúde precária, impossibilitando-o de comandar a empresa, ainda mais neste momento tão complicado. Por isso estou aqui para nos organizarmos e juntos aniquilarmos nossas pendências.

-Acho nobre seu discurso perseverante, irmão. - interrompe mais uma vez - Mas não sei se andou estudando a fundo nossa situação. Estamos falidos. Essa é a verdade!

-Infelizmente Edgar está certo, Michael. - Henry completa - As dívidas estão se acumulando e mal temos capital para cobrir as despesas.

-Mas como permitiram que as coisas chegassem à esse ponto? Que porra de trabalho você faz aqui, Edgar?

-Não queira jogar a culpa para cima de mim! Você nunca deu a mínima para essa empresa, não banque o preocupado!

-Se acalmem os dois! - pede Henry - Esse não é o momento de lavar roupa suja. Vamos focar exclusivamente na Jackson!

-Você está certo. - me sento novamente, buscando me recompor

-Nossa única saída é vender parte das ações. - diz Edgar

-Não me venha com essa solução ridícula, Edgar! Estamos passando apenas por uma fase ruim. Se crescermos produtivamente 40% dos lucros, atrairemos de volta os investidores.

-Quem vai investir numa empresa falida? Não seja tão egoísta, irmão. Aceite que estamos caminhando para o fundo do poço.Caia na realidade!

-Infelizmente Edgar está certo. O melhor que temos a fazer é vender essas ações enquanto a imagem da Jackson está intacta. Podemos vender por um preço elevado. E o melhor, já temos interessados.

-Não vou permitir um estranho ditar ordens aqui dentro. Não vou me associar com ninguém!

-Michael, não é momento de usar o orgulho. Ou vendemos agora por um preço justo ou tempos mais tarde por um preço de banana. Você escolhe. - Henry intima

Me sinto acuado e sem saída. Não há outra solução que não seja vender parte das ações. Mesmo extremamente contrariado, sou obrigado a concordar com a ideia estúpida de vender ações da Construtora.

-Quem é e quanto quer das ações? - vou direto ao ponto

-Gregory Navarro, bilionário bem sucedido conhecido mundialmente. Ele sempre foi extremamente retraído, faz o gênero misterioso, mas você o conhece, certo?

-Claro que conheço. Sei que é um empresário de sucesso e um excelente investidor. Agora o que eu não entendo é porque se interessou por uma empresa americana. Todos nós sabemos que suas empresas são direcionadas ao continente europeu.

-Michael, você vem feito fortuna em Madri. Pode ter chamado sua atenção. Bom, o que realmente importa é que ele está sedento pela Construtora.

-A ambição é mesmo surpreendente... Enfim, quais são suas propostas?

-Ele quer 50% das ações.

-Isso é um absurdo! - esbravejo, inconformado com a audácia desse homem - Eu não vou dar metade da minha empresa para este sujeito!

-Não se esqueça que a empresa também é minha! - Edgar se manifesta - Você pode ser o presidente interino, - friza - mas não significa que pode decidir por nós!

-Olha aqui...

-Michael, ouça! - Henry me corta - Ele está oferecendo duzentos milhões de dólares!

-Como? - gaguejo, apático com o valor cantado por Henry

-É isso mesmo que ouviu. Só essa quantia já cobre as dívidas. Na minha opinião baseada em anos de experiência, o melhor que você pode fazer é aceitar a oferta.

-Tudo bem, eu aceito. Mas vocês verão que em pouco tempo terei o bastante para comprar de volta o que é meu!

 Saio da sala antes de Edgar preparar suas alfinetas. Estou irritado, frustrado e com uma terrível sensação de estar tomando a pior decisão da minha vida, ou melhor, mais uma pior decisão.



Capítulo 6

Mercedes


      Verifico em meu closet quais peças levarei comigo para Nova York. Sinto que o momento de regressar está próximo e quero deixar tudo pronto para o meu retorno. A única coisa que falta é a compra definitiva dos 50% das ações da Construtora Jackson. Meu lance inicial está em torno de 200 milhões de dólares. Para uma empresa desse porte, é um valor mais que justo, ainda mais no momento crítico que se encontram. Só falta o inútil do meu ex-marido assinar os papéis.

-Eliza, o Dr. Clinton está lhe esperando no escritório. - Dorothy vem me informar






-Aposto que são notícias de Nova York. - sorrio esperançosa. Deixo as roupas em cima da cama e vou de encontro ao meu advogado

(...)

-Dr. Clinton! Prazer em revê-lo. - aperto sua mão cordialmente, ansiosa pelas novidades

-Prazer é todo meu, Senhorita Navarro. Mais uma vez ofereço meus pêsames por Gregory... Sinto muito pelo ocorrido.

-Todos nós sentimos. Mas me diga, o que lhe traz aqui em minha casa? - Clinton se senta na poltrona, abrindo sua pasta empresarial

-Trago excelentes notícias! Michael Jackson aceitou sua oferta. Em poucas horas você se tornará sócia da Construtora Jackson!

A sensação de vitória é tão excitante que não encontro palavras para esboçar minha reação. Finalmente meu maior desejo está se concretizando. Serei dona do império da Família Jackson.

-Elizabeth, está tudo bem?

-Cla-claro! Me desculpe, é que eu... Nossa, você não imagina como estou feliz com essa notícia.

-Compreendo. Ele aceitou os 200 milhões depois de muita insistência...

-Eu sabia! - sorrio, apertando o botão da caneta ininterruptamente - Michael sempre foi um covarde metido a orgulhoso. Ele pode até mostrar as garrinhas, mas no final sempre arrega... E então, o que falta para eu me tornar oficialmente a sócia?

-Você só tem que assinar esses papéis. Eles estavam originalmente em nome do seu pai, mas com seu falecimento, você se tornou a única herdeira, portanto, a empresa estará em seu nome.

-Ótimo! Onde devo assinar? - Clinton indica as linhas que devo deixar minha assinatura e com a maior satisfação, deixo minha rubrica

-O último documento será assinado diante do outro sócio majoritário.

-Michael. - concluo

-Exato. Assim que todos os papéis tiverem firma reconhecida, o dinheiro cairá direto na conta dos herdeiros.

-Perfeito! Clinton, você fez um trabalho magnífico. Agora vejo que papai tinha toda razão em venerá-lo.

-Imagina, Elizabeth. Seu pai além de ser um homem humilde e honesto, também um visionário nato. E você parece ter herdado suas qualidades. Tenho certeza que acaba de fechar um ótimo negócio!

-Pode ter certeza que sim. Bom, agora se me der licença, preciso resolver um assunto muito importante.

-Oh, claro! Vou agora mesmo levar esses documentos para o cartório. Em breve volto com notícias. Boa tarde, Elizabeth!

-Boa tarde, doutor...

Espero Clinton deixar a sala e solto um grito que estava preso na minha garganta. Um grito de vitória, de satisfação; de prazer em ver que a vida começou a sorrir para mim novamente. Mas se para mim ela está sorrindo, será o contrário para Michael Jackson.

-Mas que cara de felicidade é essa? - Dorothy comenta ao me ver subir a escada - Acho que nunca vi esse brilho em seus olhos.

-Sim, eu estou muito feliz. Feliz e plena! - suspiro demoradamente

-Aposto que tem a ver com a visita do advogado. E ainda arrisco dizer que é sobre aquela tal empresa que você tanto falava para Gregory.

-Exatamente, Dorothy! Finalmente aquela porcaria de construtora é minha. Pelo menos parte dela.

-Ah Elizabeth... - sinto uma certa lamúria em seu tom de voz - Tem certeza que está feliz por isso?

-Absoluta. Onde quer chegar, Dorothy? - cruzo os braços, esperando sua explicação

-Filha, pra que mexer com isso? Você está tão bem aqui... Algo me diz que vai se machucar com toda essa estória.

-Mas do que já estou? Você não entende, não é? Sabe quanto tempo espero por esse momento? Doze anos! Não sabe como desejei por esse dia e finalmente ele chegou!

-Querida, eu não tiro sua razão. Se eu digo isso é pelo seu bem. Só eu sei o estado que você chegou aqui...

-Então deve saber também que foi por culpa dos Jacksons. Dorothy, eu passei todos esses anos me preparando para esse dia. Esse é o momento!

-E qual é o plano?

-Primeiro, rever meu digníssimo ex-marido. Depois revelarei a surpresa! E por fim, infernizarei a vida de cada um deles, tomarei a empresa toda para mim. Os deixarei na miséria!

-E quando a vingança acabar? O que será da sua vida? - confesso que sua pergunta me pegou de surpresa

     Eu sei que me tornei uma mulher vazia e mesmo sendo rica, estudada e elegante, continuo seca por dentro. Durante mais de uma década me alimentei com sentimentos de ódio, amargura, rancor e principalmente, vingança.
     Eu sei que nunca serei feliz, nem mesmo depois de castigar Michael e companhia. Mas o que me consola é saber que eu posso até viver infeliz, mas eles também estarão na mesma, ou melhor, estarão piores do que eu.

Capítulo 7

Mercedes


     Os últimos trâmites da compra das ações finalmente foram acertados, não só com as de Michael, mas também as poucas porcentagens de Louis. Apesar de eu entrar agora em vantagem, é inútil comemorar, pois Michael também pode comprar pacotes de outros investidores. O que importa é que finalmente me verei livre de Louis.
      Decido marcar um encontro com ele esta noite, já que amanhã ele estará embarcando para o Japão. Sinto muito em estragar seus planos de ir embora comigo, mas tenho minhas prioridades.

-Lindíssima como sempre... - elogia dramaticamente ao abrir a porta para mim



-Obrigada, querido. - limito-me a beijá-lo no rosto. Louis estranha, mas nada diz sobre isso. Rolo meus olhos pela sala e vejo algumas malas empilhadas





-Me desculpe o transtorno, mas assim como na sua casa, a minha está uma bagunça com tantas malas! - ri, inocentemente

-Não se importe com isso. - amenizo com um breve sorriso

-Querida, essa é a nossa última noite neste país. A partir de amanhã é vida nova para nós dois! Está tão empolgada quanto eu? - pergunta, apertando forte minhas mãos. Sinto que é hora de entrar no assunto que me trouxe aqui

-Não, eu não estou. - respondo, soltando suas mãos das minhas - Porque eu não vou à lugar algum com você. - ele pisca os olhos e ri, acreditando ter escutado errado

-O que disse? Pera aí, que tipo de brincadeira é essa, Eliza? - não mudo minha postura, e seu semblante se endurece - Eu estou falando com você!

-E eu já respondi! Não vou embora com você porque a partir deste momento estou colocando um ponto final no nosso relacionamento!

-Elizabeth, pelo amor de Deus, me diga que isso é uma piada!

-E por que eu perderia meu tempo com isso? Tente cooperar, Louis. Não torne as coisas ainda mais difíceis do que estão!

-Meu amor, me diga. Eu fiz algo de errado? Porque não há outra explicação! Até ontem estava tudo certo para nossa viagem, e agora você chega aqui dizendo que está tudo acabado entre nós?

-As coisas mudam em um piscar de olhos. Eu sempre fui assim, deveria estar acostumado. - suspiro, já me sentindo entediada com toda essa ladainha

-Eu exijo uma explicação! - grita em pleno desespero

-Hmm eu cansei! Entendeu agora? Cansei de você, do nosso namoro... É algum crime isso?

-Não pode ser verdade. Você disse que me amava, que queria construir uma vida ao meu lado!

-Eu devo ter me enganado, foi mal. Achei que estava apaixonada, mas de repente... Bum! Era coisa da minha cabeça.

-Como pode ser tão cruel assim? - grita, sacudindo meus ombros

-Eu não quero te fazer mal, por isso estou terminando esse namoro! Eu já sofri muito por amor e te garanto, você vai sobreviver. Dê graças à Deus que estou saindo da sua vida, tenho certeza que iria se destruir ainda mais.

-Eu não importo! Eu te amo, Eliza. Como nunca amei ninguém! Vamos esquecer o que aconteceu, ok?

-Louis, não! Eu já disse que está tudo acabado entre nós. Eu tenho planos e infelizmente você não faz parte deles. Desejo que seja feliz e com toda certeza você será. Adeus.

       Viro as costas, deixando para trás um homem derrotado e de coração partido. Não era minha intenção magoá-lo e nem pisar nos seus sentimentos. Mas se eu não fosse firme, não conseguiria me desvincular da vida que estou deixando para trás. Louis vai se recuperar.

(...)

      Durante toda a noite fui despertada com as ligações e mensagens dele. Imaginei que isso aconteceria, como também sei que ele terá que se conformar com a minha decisão. Para acabar de vez com esse tormento, jogo meu celular pela janela do quarto. Lá se vai um pedaço da Elizabeth, assim como agora estou prestes a fazer.

-Bom dia, Eliza! Não sabia que ia acordar tão cedo. - Dorothy se justifica. Beberico a xícara de café e sorrio

-Não se preocupe, minha querida. Um excelente dia para nós duas!

-Nossa... Faz tempo que não te vejo tão animada. O encontro ontem deve ter sido ótimo!

-Foi complicado, mas por fim cumpri minha missão. Louis vai acabar se conformando.

-Não me diga que terminou com esse rapaz? - Pergunta, perplexa com a notícia

-Uma hora eu teria que fazer isso, certo? E nem adianta se penalizar, Louis não é nenhum santo. Sei muito bem que ele tinha seus casinhos em Nova York.

-Sabe que está fazendo o mesmo que aquele homem lhe fez, certo?

-Ah com toda certeza não! - rio - Jamais chegarei aos pés do meu ex-marido... Agora por favor, vamos encerrar este assunto. Meu dia está atarefado, começando por agora.

-Você quem manda! Precisa de alguma coisa?

-Sim. Chame o Tony, por favor. - peço, ao me levantar da mesa

-Claro. Mas pra quê precisa do seu cabeleireiro? Está pensando em mudar seu visual?

-Exatamente. Está na hora da Mercedes acordar deste sono profundo, Dorothy.

-Eu não estou entendendo...

-Deixa, você verá. Assim que ele chegar me comunique.

(...)

-E então, minha Rainha. Quer olhar as revistas? Tenho aqui os cortes que estão na moda! - Tony está empolgado com a minha decisão de mudar visual

     Me lembro exatamente do dia que meu pai o trouxe para me conhecer. Na época, eu acabara de entrar na escola para concluir o ensino médio, e como eu já estava cansada da minha aparência, decidi mudar radicalmente. Não queria estampar nenhum traço que remetesse à jovem Mercedes que eu era. 
     Lembro-me também como foi difícil convencê-lo a me deixar loira, mas por fim ele aceitou e até mesmo adorou o resultado. Só não sei se agora ele vai concordar em me transformar novamente.

-Não quero necessariamente mudar o corte, e sim a cor e penteado.

-Ah não! Não me diga que quer voltar a ser morena? Amor, você é tão linda assim... Loira de olhos azuis... Belíssima!

-Por mais que eu adore seu trabalho em meu cabelo, já está mais do que na hora de voltar às raízes. Mas também não quero meu cabelo como antes.

-Então seja específica, gata...

-Preto. Quero meus fios tingidos com um preto bem forte e vivo.

-Uau... Essa decisão é bem radical! Nem adianta eu tentar persuadi-la, não é mesmo? - suspira conformado, pois sabe que consigo tudo o que quero

-Isso. Agora ande logo, por favor. Tenho muitas coisas para fazer e não quero perder tempo.

(...)

-Magnífica! - Tony afirma, encantado com o resultado - Pode se virar para o espelho e divirta-se com a minha obra de arte! 




                   

       Depois de horas, finalmente estou repaginada. Acabo de dar adeus à "doce" Elizabeth, e coloco em ação a velha Mercedes. Sim, ela voltou. Mas essa mudança toda é para mostrar que ela está sim de volta, porém não é mais a jovem ignorante e inocente que deixei para trás. 
      Agora sim o jogo vai começar. Em questão de poucos dias estarei de frente ao meu passado. De frente à vida que me roubaram. É agora ou nunca.




Capítulo 8

Michael


     Eu sabia que assumir a porcaria desta empresa ainda mais em Nova York me traria dor de cabeça. Detesto ser contrariado e só Deus sabe o ódio que estou sentindo de Edgar. Graças à sua covardia e falta de cérebro, fui obrigado a concordar com a venda da metade das ações. Mas mesmo diante desta aparente derrota não irei me resignar. Só preciso de tempo para me reerguer e tomar de volta tudo que é meu.

-Já estou farta! - Dominique resmunga, chocando o salto agulha contra assoalho de madeira

-O que foi dessa vez? - pergunto, indiferente enquanto finalizo meu penteado diante do espelho

-Você. Sempre você! Desde que chegamos eu não faço outra coisa que não seja ficar trancafiada nesta casa por culpa sua!

-E eu tenho culpa do quê exatamente? - rio em deboche - Você é adulta e tem duas pernas. Pode se locomover para qualquer canto. - ela me fuzila com o olhar

-Você sabe muito bem que detesto essa cidade!

-E por qual motivo? Até antes de nos casarmos você gostava daqui até demais.

-Você sabe muito bem porque odeio essa cidade. Ou esqueceu que aqui mora aquela marginal? - refere-se à Mercedes

Sinto meu sangue ferver a cada vez que iniciamos uma discussão desencadeada por este ciúme incabível.

-Não seja estúpida, Dominique! Toda vez é a mesma ladainha! - esmurro a penteadeira, assustando-a de imediato - Se quer saber, eu não sei em que buraco essa mulher está enterrada e não me interessa nenhum pouco saber se ela está aqui ou no inferno. Isso te responde? - ela se cala, visivelmente desconsertada

-Onde... Onde você vai à essa hora? - muda de assunto ao perceber que estou pronto para sair

-Meu dia foi terrível e a última coisa que quero é jantar ao lado de Edgar e Leon.

-Vai se encontrar com a Maysa? Ela chegou de viagem? - inicia um irritante interrogatório

-Não, ela não vou voltou da África. Quero esfriar a cabeça, será que ao menos isso eu tenho direito?

-Você não me engana mesmo. - ri - Aposto o que quiser que está indo procurar alguma vadia pra te satisfazer! - joga na cara a mais pura verdade

-Você chega ser patética! E é melhor falar baixo. Ninguém tem obrigação de ouvir seus chiliques.

-Não é chilique nenhum e você sabe disso! A verdade é que você nunca esqueceu aquela puta desgraçada e sai trepando com qualquer uma que te lembre dela!

-Já chega, Dominique! - grito, sacudindo seus braços - Se você fosse um pouco menos narcisista talvez eu não precisasse arrumar consolo na rua! - sentencio, soltando seus braços, prestes a sair do quarto

     De forma alguma alugarei meus ouvidos com suas futilidades. A verdade é que Dominique e eu nunca nos demos bem. Me casei por pura covardia com uma mulher fútil, vazia e egoísta. Mas é claro que também tenho minha parcela de culpa. Nunca deveria ter aceito essa condição ridícula que meu pai propôs, e mesmo sendo empurrado para esse precipício, eu tentei amá-la, tentei ser um marido perfeito.
     Porém, apesar das minhas tentativas frustradas, eu nunca consegui sentir nada além de atração sexual, afinal sou um homem que possui certas necessidades. Acreditei que com o nascimento de Agnes as coisas melhorariam, pois durante a gestação nunca vi uma Dominique tão amável e solícita.
     Mas então tudo piorou. Ela se tornou ainda mais amarga, não só comigo como também com a própria filha. A forma como ela trata Agnes consegue me deixar enojado. Essas atitudes somadas a tantas outras tornam nossa relação insuportável a cada dia, a cada ano.

(...)

      Meu refúgio em Madri sempre foram os bares sofisticados, casas noturnas e cassinos. Na minha adolescência eu abominava esse tipo de lugar. Gostava mesmo é de um bom show de rock onde eu podia me soltar e curtir pra valer. Vez ou outra me lembro da época em que passava horas e mais horas tocando violão e cantando músicas que eu mesmo compunha. Eu me sentia tão leve, tão liberto...
     Mas os rumos que segui me afastaram desse Michael que um dia fui. Hoje, essas "horas vagas" são substituídas por bebidas caras e mulheres. Sim, não vou negar que mantenho relacionamentos extraconjugais. Já perdi a conta de quanto tempo faz que não transo com Dominique. Não temos absolutamente nada em comum e muito menos clima para sexo. Mas o fator mais importante é que ela não é Mercedes. 
      Quando me lembro de nossos beijos, dos amassos e das tórridas noites que fazíamos  amor incansavelmente, sinto todo meu corpo vibrar em resposta e automaticamente seu cheiro parece me inebriar. Relembro a textura da sua pele, a doçura dos seus lábios, seus gemidos e murmúrios.
      E quando esses pensamentos impertinentes me invadem, a única coisa que minha mente ordena é que eu sacie esse desejo que tanto me tortura. Me transformo em um ser irracional, levando pra cama a primeira que aparece na minha frente; a primeira sósia de Mercedes que cruza meu caminho.

-Tequila, por favor. - peço ao garçom, sem tirar os olhos da bela morena sentada próxima à mim

    Analiso-a minuciosamente, procurando nela alguma característica, algum traço físico que me lembre Mercedes. Algo nela me remete à essa lembrança. É óbvio que nenhuma mulher nunca vai se equiparar à ela, mas para um cérebro tomado pelo álcool, esse detalhe não faz diferença.
A bela morena percebe meu olhar quase que devorador sob seu corpo, e não demora muito para se achegar. Sucinta e direta, facilitando meu trabalho.

-Pode parecer a cantada mais manjada conhecida pelo homem, mas eu realmente nunca o vi por aqui... - sussurra sensualmente no meu ouvido, arrepiando os pêlos da minha nuca

-E você está certa, baby. Estou vendo o quão tolo fui de não ter vindo aqui antes. - incito, entrando nesse excitante jogo de sedução. Ela beberica sua bebida e lança um olhar para mim

-Aqui sempre foi bem frequentado. Agora tenho certeza absoluta. - enfatiza, deixando clara suas intenções

-Por que não fazemos o seguinte? - opino, colocando uma mecha do seu cabelo para atrás da orelha - Vamos para um lugar mais tranquilo, íntimo... E quanto ao meu nome, pode me chamar do que você quiser. - ela sorri, empolgada com os rumos do nosso jogo de sedução

-Misterioso... Isso me excita muito, sabia? Bom, eu adorei sua ideia, Sr. Mistério... - me apelida, arrancando um sorriso safado de mim - E quanto a você? Como deseja me chamar?

-Mercedes. Hoje esse será seu nome. - afirmo, em seguida puxo-a pelo braço, levando-a diretamente para o meu carro em direção ao motel mais próximo que eu encontrar



Capítulo 9

Mercedes



      Sinto o clima ambiental se modificar drasticamente ao pisar no John F. Kennedy International Airport, o mesmo aeroporto no qual, há doze anos atrás, embarquei para Londres. Não sei se é a mudança climática ou minha ansiedade que me causa esse abafamento e inquietude. Há uma verdadeira confusão mental na minha cabeça. É certo que eu já imaginava que essa seria minha reação, mas ainda sim me sinto extremamente desconfortável.

-Essa cidade é realmente linda! - Dorothy exclama, encantada com a modernidade de Nova York

Ainda permaneço quieta, imóvel ao dirigir o carro, sem ao menos retirar os óculos escuros e mantendo os olhos vidrados na direção.

-Não tão bonita quanto o Brooklyn! - sorrio, me lembrando do bairro que nunca deixei de amar

-É lá que você morava, não é? Podia me levar para conhecer...

-Não. Me desculpe, Dorothy, mas eu preciso organizar minha vida. Você entende, não é? - ela sorri, acarinhando meu ombro

-É claro que eu entendo, meu amor. Esse momento é difícil pra você, ainda mais voltando pra essa cidade. 

-Realmente é só uma fase. Você vai ver como conseguirei dominar meus sentimentos. - profetizo, reunindo dentro de mim a força e coragem que preciso

(...)

     Antes mesmo de fazer qualquer coisa, decidimos ir diretamente para o hotel nos instalarmos. Ainda não decidi onde vou morar, fora que o hotel é muito mais prático. 
Tomo um banho relaxante, descanso por algumas horas e na parte da tarde marco um encontro com uma agente imobiliária. 
     Estaciono meu carro recém-comprado na porta da mansão que visitarei daqui a alguns minutos. Contratei a melhor imobiliária da cidade a fim de encontrar o imóvel ideal de que necessito. Apesar de morar sozinha, quero uma casa grande e espaçosa. Infelizmente Dorothy vai ficar comigo apenas por uns dias. Eu entendo, ela tem sua vida e família em Londres, e não pode largar tudo por mim.

-Boa tarde, meu nome é Susan. Um prazer conhecê-la, Sra. Navarro! - me felicita, apertando minha mão

-Boa tarde. Espero que seja o imóvel ideal. Quantos menos tempo perdido, melhor.

-Entendo perfeitamente! Bom, eu fiz exatamente o que me pediu. A localidade é excelente, assim como o condomínio. E o melhor de tudo, fica bem perto do centro da cidade. Por que não entramos para conhecer?

-Claro, por que não? - sorrio, concordando com sua sugestão

A casa realmente é maravilhosa, enorme e muito sofisticada, mas apesar de tantas qualidades, não me senti tão confortável como imaginei. Sei lá... Sempre gostei de algo mais singelo, mais simples... Aqui dentro prevejo que me sentirei mais solitária do que nunca.

-E então, o que achou da casa? - Susan pergunta, já com a pasta em mãos




-É lindíssima, mas não é o que procuro. Quero um ambiente mais acolhedor...

-Sem problemas! Ainda temos muitos imóveis para visitar. Sugiro então que opte por um apartamento.

-É uma ótima ideia! - Dorothy opina - Além de ser muito mais seguro para uma mulher que vai morar sozinha.

-Aqui bem perto tem um excelente triplex completamente reformado e mobiliado à venda, só não sei se está dentro do orçamento estipulado. Se quiser podemos ir agora mesmo.

-Não se preocupe com preço, é o de menos. Bom, podemos ir agora mesmo.

(...)

-Incrível! - arfo satisfeita ao ver toda a vista de NY pela enorme varanda da sala - É esse que eu quero! Confortável, fino e reservado. Exatamente como eu procurava.

-Tenho certeza que não irá se arrepender da escolha! - Susan diz empolgada - Não deseja visitar outros imóveis?

-Não. Eu quero este aqui independente do valor. Prepare tudo, por favor. Quero me mudar o mais rápido possível!

-Claro, como a senhorita quiser! Vou deixar a chave com vocês para conhecerem melhor o apartamento. Com licença!

-Obrigada, Susan! - aperto sua mão, agradecida pelo seu empenho em me ajudar

-Você fez uma ótima escolha! - Dorothy afirma, encantada com meu novo lar - Deveria estar animada também, Eliza.

-Como quer eu me anime, Dorothy? Voltar para cá está sendo mais difícil do que eu previ.

-Sabe o que é isso, menina? É seu coração se manifestando. Sempre soube que uma hora essa máscara de durona e implacável iria cair.

-Não é nada disso, Dorothy! Só estou um pouco mexida, é normal. Já aprendi arduamente que se eu quero prosseguir com meus planos, devo domar meus sentimentos.

-Acha que vai conseguir? - insiste - Ainda mais quando estiver perto do Michael Jackson? - meu coração novamente oscila dentro do peito

-Não quero falar sobre isso, por favor. - me levanto do sofá e subo para o segunda andar

Pela primeira vez em tantos anos estou sentindo medo. Medo por não ter força para encarar meu passado, de estar de frente ao homem que me esforço tanto para repudiar. Sinceramente não sei qual será minha reação ao vê-lo. Aí sim saberei se meu único sentimento perante à ele é ódio.



Capítulo 10

Michael


     No dia seguinte eu não tinha dúvidas de para onde eu iria. Realmente cheguei a me arrepender de agir como um canalha ao trair Dominique. Prometi a mim mesmo que não voltaria a agir de tal forma, mas depois de um dia repleto de estresses tanto em casa quanto na empresa, decidi terminar meu dia no mesmo bar de ontem à noite. . 
     Minha ideia era beber como de costume e voltar pra casa, porém a mesma moça da noite anterior estava por lá. Não sei se o álcool novamente afetou meu cérebro, pois por vezes vi Mercedes ali na minha frente e eu não pensei em mais nada que não fosse transar com essa mulher, a qual o nome não faço questão de saber. Pelo menos não cometi a burrice de transar sem camisinha, me evitando mais problemas que já tenho.

-Droga! - resmungo ao me dar conta de que já havia amanhecido

     A garota ainda dormia serenamente ao meu lado. Decido não acordá-la, quanto menos contato, melhor. Visto minha roupa, lavo o rosto e saio do quarto, deixando pago a noite que passamos no motel. 
     Neste momento estou na garagem da mansão, sem a mínima vontade de sair do carro. Provavelmente Edgar já está na empresa espalhando aos quatro ventos que o Presidente perdeu a hora. Mas a pior encrenca será quando cruzar com Dominique. Já posso até imaginar a longa discussão que enfrentarei.
     Abro a porta do nosso quarto e a encontro terminando de se vestir. Está mais elegante do que de costume e não me parece nenhum pouco abatida. Ela nota minha presença pelo reflexo do espelho e abre um largo sorriso.

-Bom dia, amor! - exclama, surpreendentemente animada - Como foi sua noite?

-Dominique, sente aqui. - indico, apontando para a cama

-Algum problema? - ela se senta ao meu lado e eu uno nossas mãos. Está mais do que na hora de termos uma conversa definitiva

-Você sabe muito bem que problema é o que não falta no nosso casamento. E não, não estou nem um pouco disposto a brigar. Somos adultos e pelo nosso bem e o de Agnes, temos que encontrar uma solução.

-Aonde você quer chegar com essa conversa?

-O que eu quero é, pela última vez, salvar nosso casamento. Não podemos continuar com essas brigas intermináveis e nem com essas atitudes que tanto nos machucam. Antes que isso aqui acabe em divórcio. - Dominique se espanta, levantando imediatamente

-Divórcio? Não pode estar falando sério... Michael, você não pode fazer isso comigo! - praticamente implora aos meus pés

-É justamente o que eu não quero. Pelo bem da nossa filha, acho melhor resolvermos essa questão ou nossa única saída será a separação. Estou disposto a mudar, Dominique. E se uma reconciliação não for possível, que ao menos possamos conviver respeitavelmente.

-Você está certo. - concorda aparentando-se maleável - Não quero mais brigar. Eu sou sua esposa e ninguém vai me tirar esse posto! - afirma, em seguida colando seus lábios nos meus

    Sinceramente estou cansado de tantas brigas entre nós dois. Dominique é minha esposa e eu não vou permitir que demonstre para os outros, estar insatisfeita ao meu lado. Mesmo não existindo sentimentos por minha parte, deixei o ego e o meu pênis falarem por mim e mais uma vez levei Dominique pra cama.

(...)

    Felizmente um problema foi dizimado em minha vida, mas não quer dizer que ele não vá ressurgir. O que importa é que realmente quero paz em minha vida. Se voltei pra essa cidade, não foi para ser infernizado por quem quer que seja. 

      Olho para o relógio que marca 12:00 em ponto. Estou na porta da escola de Agnes. Hoje é seu primeiro dia na nova escola e quero estar presente nesta nova etapa em sua vida. Agnes é uma menina maravilhosa e não há quem não se encante por sua doçura.

-Papai!!- grita, empolgada ao me ver parado na porta do carro. Ela tira a mochila das costas e corre para os meus braços

-Princesinha, que saudade! - deposito um beijo estalado em sua bochecha - Gostou da escola? Quero que me conte tudo!

-Eu adorei! Os meninos da turma me trataram super bem! Até me convidaram pra jogar bola no recreio!

-Os meninos, é? - Ok. O meu lado "pai coruja ciumento" sempre fala mais alto

-Aham! O George, Ben, Vicent e o Bryan! Eles são bem legais, papai!

-Hm... Vou querer conhecer todos eles, senhorita! - brinco, apertando seu nariz - Agora entre no carro para irmos pra casa!

Ajudo Agnes a entrar no carro e passo o cinto de segurança em seu corpo. Estamos prestes a ir pra casa, mas não sei porque Diabos o carro não liga. Tento mais duas vezes e nada de funcionar.

-Não acredito nisso! - inclino a cabeça para trás, fechando os olhos

-O que aconteceu, pai?

-A bateria morreu. Estamos sem carro, pequena...

-Vamos a pé então! Nossa casa não fica tão longe daqui.

-Querida, você não vai aguentar andar daqui até o condomínio. - rio de sua ingenuidade

-Mas aí você me leva no colo... - ela faz uma adorável carinha de sapeca, me arrancando risadas

-Espertinha! Vamos...

     Já que estamos na rua mesmo, decido tirar este tempo para ficar a sós com Agnes. Só de estar perto dela me sinto calmo, em paz... Perto dela posso ser o Michael que sempre fui. Doce, carinhoso e até mesmo divertido. 
Passamos boa parte da tarde no parque de diversões, nos esbaldamos em todos os brinquedos, e nosso almoço foi nada menos que um hot dog com refrigerante.

-Se sua mãe souber que você almoçou cachorro-quente ela vai me matar! - Agnes ri

-Ela não precisa saber, papai. É segredo nosso!

-É por isso que te amo! Vem, vamos chamar um táxi. Não tenho mais pique pra andar a pé depois de todos esses brinquedos! - percebo que Agnes puxa o ar com dificuldade - Meu amor, o que houve?

-Papai, não consigo respirar... - responde com dificuldade

-Querida, você trouxe a bombinha de ar? - reviro sua mochila e para o meu desespero não a encontro. Agnes está iniciando uma crise de asma neste momento

-Papai! - sua respiração está cada vez mais ofegante e ela não demora para amolecer em meus braços

-Agnes, fala comigo!! Meu Deus, me ajude... - acomodo Agnes eu meu colo e começo a correr feito um louco, gritando por socorro

   Viro a esquina e procuro com os olhos qualquer um que possa me ajudar. Me deparo com uma morena, elegante, virada de costas para mim prestes a entrar eu seu carro. Não penso nem duas vezes para implorar por sua ajuda.

-Moça, pelo amor de Deus, salve a minha filha! Ela vai acabar morrendo!





A mulher se vira assustada, e eu me petrifico dos pés à cabeça ao cruzar meu olhar com o seu. Neste exato momento me vejo cego e surdo para tudo à minha volta. Se não fosse Agnes em meu colo eu teria desfalecido ao chão. Forço minha voz a sair e pronunciar o seguinte nome....






-Mercedes?



Capítulo 11

Mercedes


    Senti o chão ruir ao meu redor. É ele. Michael Jackson bem diante dos meus olhos à poucos centímetros de distância. Meu corpo está trêmulo, a ponto de ebulir. Meu coração parece ter paralisado, pois não consigo nem mesmo respirar. Pisco os olhos para sair do transe e então "acordo" pra realidade. Michael parece ainda mais aflito com a menina desacordada em seus braços.

-Entre no carro! - é a única coisa que consigo dizer. Não sei nem mesmo como estou conseguindo raciocinar

Michael se acomoda com a filha no banco de trás, fazendo uma desesperada tentativa de reanimá-la.

-Nos leve para o hospital, por favor! Ela vai acabar sofrendo uma parada cardíaca... -balbucia entre lágrimas

-Ela sofre de alguma doença? - ouso perguntar enquanto encaixo a chave na ignição

-Ela tem asma e justamente hoje não trouxe o inalador!

Agradeço à Deus mentalmente por ter adquirido essa doença ao longo dos anos. Desligo o carro, reviro minha bolsa e por sorte, ou encargo do destino, encontro meu nebulímetro. A garota parece estar acordada, mas muito, muito fraca.

-Tente fazê-la inalar. - estendo a bombinha para Michael, que sem retrucar, a aceita prontamente

    De fato, ele não conseguirá fazer isso sozinho. Rapidamente saio do carro para entrar pela porta de trás. Enquanto Michael agita o nebulímetro, seguro a menina com firmeza, ajudando-a a se sentar e manter a cabeça ereta. Michael lhe ajuda na primeira inalação, mas com a minha experiência, sei que uma só não dará resultado.

-Espere alguns segundos e repita o processo. - instruo. Neste momento, estou de óculos escuros, o que torna inútil sua tentativa de me decifrar

Aos poucos, a respiração da criança parece se normalizar. Confiro sua pulsação, e apesar de ter melhorado, os batimentos estão muito fracos.

-Você vai ficar bem, tá meu amor? - afirma, tentando tranquilizar a menina

     Volto a assumir a direção do carro, dirigindo o mais depressa possível para o hospital mais próximo do centro da cidade. Pelo retrovisor consigo enxergá-los no banco de trás. Michael está abraçado à filha e o que mais me surpreende é o fato de eu estar totalmente sensibilizada com seu sofrimento.
     Ainda não me conformo com essa maldita ironia do destino. Meu maior inimigo está dentro do meu carro e eu, salvando a vida da sua própria filha. Em todos esses anos eu sempre me senti pronta e preparada para o nosso reencontro e nunca, nunca passou pela minha cabeça que seria nessas circunstâncias. 
      Durante todo o caminho, não trocamos uma palavra. Felizmente ele estava atento à menina, mas vez ou outra, eu o flagrava tentando me fitar pelo retrovisor. Para o fim do meu tormento, chegamos no hospital. 
      Michael a acomoda em seu colo e corre com a menina até a recepção. Permaneço observando a cena de longe, escondida atrás de uma estátua de cera. Logo a menina é colocada em uma maca, sendo assistida por enfermeiros. Pelas expressões faciais dos mesmos, concluo que a situação, felizmente, não é tão grave. E por mais preocupada que eu esteja, não será nada prudente continuar aqui. Decido então voltar para o carro e sair dali antes que Michael possa se dar conta do que aconteceu.

(...)

-Eliza, a senhorita Susan trouxe os documentos da compra do imóvel. Ele já é seu! - Dorothy informa, animada em me dar a novidade

Ainda estou apática. Totalmente apática. Deixo minha bolsa em um canto qualquer e me jogo no sofá, vendo o teto girar sob meus olhos. Parece que agora a minha ficha está realmente caindo.

-Eliza, o que aconteceu? Está pálida, parece que viu um fantasma!

-O que eu vi é pior que dar de cara com um demônio na minha frente...






-Virgem Santíssima, você está me assustando! Beba essa água, sim? - oferece, encaixando na minha mão trêmula - Agora me conte com calma o que aconteceu.

-Acabo de cruzar com ele, Dorothy... - murmuro tão baixo que poderia ter soado inaudível

-Com o Michael Jackson? Você já foi na empresa? Mas, eu não entendo. Você sabia que isso ia acontecer...

-Não, Dorothy! - corto-lhe, respirando fundo para me levantar - Não foi nada como eu planejara! Ele estava bem ali na minha frente com a filha nos braços... - digo, fechando os olhos e relembrando os últimos acontecimentos

-Espera, querida. Estou confusa! Como assim ele estava na sua frente com a filha?

-Eu também não sei! Só me lembro de estar entrando no meu carro e de repente ouço sua voz aflita, implorando-me à salvar sua filha. Foi tudo tão rápido, tão estranho... Sabe o que senti em revê-lo depois de tantos anos? Eu não estava preparada, que droga! - esmurro minha mão na parede, me amaldiçoando por sentir um certo descontrole em mim

-É impressionante, não é? - semicerro meus olhos, tentando entender o sentido do seu comentário

-O que é impressionante, Dorothy?

-O destino, a vida... Veja bem, você esperou metade da sua vida para esse reencontro. Queria que seguisse exatamente  a sua cartilha, mas hoje você viu que não é bem assim.

-O que você quer dizer com isso?

-Quero dizer que você tem que parar com essa ideia de mandar no destino. É ele que está encarregado de unir vocês dois, entende?

-Não diga besteiras! - rio, tentando ignorar sua teoria infundada - O que aconteceu foi apenas para testar meus nervos. Pouco me importam ele e essa menina! - minto, tratando de me recompor

-Não pode estar falando sério... É só uma criança, Elizabeth!

-Se eu não tive dó do meu próprio filho, você acha que terei pena ainda mais da filha dele? Com licença!

-Eliza... - recolho minha bolsa e lhe ignoro mais uma vez

(...)

Tomo um banho bem gelado afim de esfriar minha cabeça e por em ordem meus pensamentos. Até que ajudou um pouco, mas ainda assim não foi capaz de acalmar meu coração, principalmente em relação à menina.

-A quem quero enganar? - digo após discar o número do hospital. 

Sim estou preocupada com a menina, mas é claro! Não sou tão insensível assim. Até me surpreendo, pois não imaginei que essa garotinha ficaria na minha cabeça.

-Hospital Central, boa tarde. No que posso ajudar? - ouço a voz da recepcionista me atender

Droga, eu nem sei o nome da menina! - penso

Não há outra solução. Se eu quero saber do estado de saúde da garota, eu terei que calçar a cara e ir até esse maldito hospital.



Capítulo 12

Michael



      Foi necessário tomar um calmante para que eu pudesse me controlar. Minha ficha ainda não caiu diante de tudo que aconteceu. Felizmente, Agnes está bem, mas o médico acha melhor ela passar a noite sob observação. Tentei ligar para Dominique, mas como sempre cai na caixa postal.
      Por um lado é até melhor estar sozinho nesse hospital. Não sai da minha cabeça a imagem daquela mulher. Com a correria para levar Agnes ao pronto-socorro, acabei perdendo-a de vista. Ela simplesmente evaporou, me deixando completamente obcecado por ela. Quando a vi de imediato tive certeza absoluta que era Mercedes.
       Mas agora, um pouco mais calmo, tento raciocinar o que foi exatamente que eu vi naquele momento. Apesar dela ter o olhar e o corpo extremamente iguais aos de Mercedes, muitos detalhes em sua aparência me confundem. Pra falar a verdade, nunca vi uma mulher tão marcante quanto essa desconhecida. 
     Cabelos longos e negros, vestido justo, salto alto e muita elegância afastam todas as possibilidades de ser ela. Acho que me tornei tão fissurado nesta mulher que a enxergo em qualquer uma que aparece na minha frente.

-Sr. Jackson, me parece muito abatido. - o pediatra de Agnes comenta ao me ver desmontado na cadeira de espera - Não acha melhor ir pra casa, comunicar aos seus familiares...?

-Você está certo, Dr. Sanches. Mas eu tenho medo de algo acontecer com a minha menina ou que ela acorde e não me encontre aqui.

-Não se preocupe, ela está fora de perigo. Felizmente o socorro veio a tempo!

-Graças à ela... - penso em voz alta

-Por isso digo que não há com o que se preocupar. Ela está dormindo e tão cedo não deve acordar.

-Certo. Eu vou em casa e volto logo. Por favor, qualquer coisa me ligue.

-Pode deixar, Sr. Jackson! - aperto sua mão em agradecimento

Mesmo inseguro, decido ir pra casa. Preciso tomar um banho, descansar um pouco e tentar informar à mãe desnaturada de Agnes o ocorrido nesta tarde.

Mercedes


   Ainda não acredito que estou dentro do meu carro, na frente do hospital. Passei quase uma hora relutando sobre a ideia irresponsável de vir aqui, mas não há outra forma de saber notícias da garota. Mesmo correndo o risco de dar de cara com Michael, respirei fundo e me enchi de coragem.

-Boa noite, posso ajudar? - pergunta a recepcionista. Varro meus olhos pelo local e felizmente, nem sinal dele ou de algum familiar

-Boa noite, querida. Não sei se pode me ajudar, mas por favor tente. No início da tarde, uma criança deu entrada neste hospital com uma crise de asma. Você se lembra?

-Me desculpe, nesse horário quem fica aqui é a outra recepcionista... - lamentou - Mas se me der o nome, poss conferir pra senhora.

-Ótimo. É... ela é filha de um... de um grande amigo meu. Michael Jackson. Pode conferir o sobrenome?

-Claro. Me dê um minuto! Hm... Achei. Agnes Jackson.

-Isso, Agnes Jackson! Ela está internada ainda?

-Sim, senhora. Vai passar a noite em observação.

-Mas o estado dela é grave?

-Segundo o prontuário, não. Ela vai ficar apenas em observação. A senhora pretende fazer uma visita?

-É melhor não... Creio que a família deva estar no quarto.

-Hmm não tem ninguém no momento. - ignorando a razão, decido ir vê-la para desencargo de consciência

-Tudo bem, eu vou vê-la. - ela sorri, pegando um crachá de visitante para mim

-Sexto andar, quarto 605. Pode ficar até vinte minutos.

-Obrigada. - olho novamente para os lados e depois de muito pensar, aperto o bendito botão do elevador

     Procuro com os olhos o tal quarto e não demoro muito para encontrá-lo. Continuo indecisa se devo ou não prosseguir, mas já estou aqui mesmo, não fará diferença continuar ou recuar. 
     Abro a porta cuidadosamente e a fecho devagar para não fazer barulho. Meu olhar paira na menina que dorme serenamente na cama. Há uma tela que monitora seus batimentos e uma bolsa de soro ao seu lado para nutri-la. Me aproximo da sua cama e agradeço à Deus por ela estar dormindo. Certifico de que ela está bem e me viro, pronta para sair do quarto.

-Quem é você? - me estaco ao ouvir a voz fina e baixinha da garotinha. Ainda estou virada de costas e não sei o que fazer - Moça...?

-Ah, eu... - me viro novamente e me deparo com ela me encarando com um olhar curioso - Como se sente?








-Bem, mas não gosto daqui... Queria estar em casa.

-Hospital é um saco mesmo, não é? Evito ao máximo vir pra essa jaula! - me surpreendo ao vê-la caindo na risada - Do que está rindo?

-É que é engraçado você ser adulta e ter medo de hospital. - me aproximo da cama e me sento ao seu lado

-Eu não tenho medo de hospital, só... não gosto de vir aqui, pois sempre levo injeção. Oh me desculpe, eu estou te apavorando!

-Relaxa, eu já me acostumei! Sempre tenho que vir aqui por conta da asma.

-Sei bem como é... A bombinha é minha companheira de todas as horas!

-Você também tem asma? - ela parece se empolgar e até se senta na cama

-Aham... As vezes também tenho essas crises.

-Como você se chama?

-É... Pode me chamar de Eliza. E você é Agnes, certo?

-Isso! De onde me conhece? - certo, não estou acostumada com a curiosidade infantil

-Eu estava... estava visitando uma amiga e... Bom, eu reparei que tinha uma menina muito bonita dormindo aqui e eu vim conferir de perto. - respondo, involuntariamente apertando de leve seu queixo. Ela novamente solta uma risada gostosa

-Obrigada! Você também é muito bonita! Acho que te conheço de algum lugar...

-Eu? Deve ser impressão sua! - sorrio, disfarçando meu incômodo

-Papai diz eu que eu tenho memória fotográfica. Espere ele chegar e eu pergunto!

-Ah, me desculpe. Eu, eu preciso ir embora. Mas você está bem, certo?

-Estou... Mas fica até meu pai chegar, por favor. Ele não vai demorar...

-Acho que seu pai não vai gostar de ver você conversando com uma estranha. Geralmente os pais são cheios de regrinhas, né? - ela ri

-É verdade! Mas o meu pai não vai se irritar... E também eu te achei muito legal! - confesso que é bem difícil resistir à essa menina. Ela é simplesmente adorável!

-Será? Vamos fazer um trato. Eu vou dar meu número pra você, assim nós podemos conversar mais vezes. Mas é nosso segredinho, ok? - escrevo meu número no papel e lhe entrego - Guarde bem!

-Pode deixar, vai ser nosso segredo! Obrigada, Eliza!

-De nada, meu bem. E melhoras! - ouso em lhe dar um beijo em sua bochecha e mais que depressa saio do quarto

      Não imaginei que me sentiria tão confortável ao lado dela. Confesso que eu tinha uma certa birra por ela ser filha do Michael e daquela vadia da mulher dele, mas foi justamente o contrário. Além do mais ela não tem culpa de ter nascido justamente como filha deles. 
     Já na recepção, procuro a chave do carro dentro da minha bolsa, que como sempre está uma bagunça. Quando finalmente encontro, trombo em alguma pessoa, e já ensaio um pedido de desculpas assim que levanto minha cabeça.





Deixo o aparelho celular cair no chão ao me deparar com Michael,que me deixa totalmente paralisada com um simples olhar.







Capítulo 13

Michael


  Eu sabia! Algo me dizia que eu ainda trombaria com essa mulher novamente. Mas eu não esperava que fosse tão rápido e justamente aqui nesse hospital. Mesmo me sentindo apático e desarmado como nesta tarde, dessa vez não a deixarei ir embora sem ao menos cobrar explicações.

-Será que pode me dar licença? - ouvir sua voz me causa um estranho arrepio e uma sensação de nostalgia

  Apesar de remeter à voz de Mercedes, não há doçura ou delicadeza em seu tom. Essa mulher parece ser firme, impetuosa e afiada como uma lança.

-Eu estava justamente procurando por você... - balbucio, sem tirar meus olhos dela. É impressionante a semelhança com Mercedes

-Estou atrasada. Será que pode me dar licença? - à essa altura ela demonstra irritação, o que novamente me faz lembrar Merche

-Não. Preciso saber porque foi embora hoje sem nem avisar! Mas antes de tudo, quero saber quem é você!

-Eu só te ajudei a levar sua filha para o hospital, me deixe em paz!

-Então o que faz aqui? - tento lhe intimidar

-O hospital é público, senhor. Não lhe devo satisfações. Agora se afaste de mim antes que eu chame os seguranças! - ameaça. Seu olhar tem fúria, o que me faz perceber que não conseguirei tirar nada dessa mulher nesse momento

 Ela aproveita meu estado de choque e se afasta, rumando apressada pelo corredor a fora. Novamente necessito de água para me equilibrar. Cada vez que a imagem dessa mulher vem à minha cabeça, meu estômago se contrai, o coração aperta e a bile vem à minha garganta. Não sei se o fato de ser tão parecida com Mercedes tem me deixado tão atordoado como estou.

(...)

-Papai, que bom que você chegou! - Agnes exclama, animada ao me ver abrir a porta. Estar ao lado dela me ajuda a acalmar o coração e esquecer os tormentos

-Como você está, minha linda? Não sabe como preocupou o papai...

-Estou bem, não precisa ficar triste! - me tranquiliza ao dar um abraço apertado - Cadê a mamãe? -

 Raspo a garganta, tentando encontrar uma desculpa plausível para explicar que inacreditavelmente, ainda não faço ideia de onde Dominique está, nem mesmo o celular essa maldita atende.

-A mamãe... Ela veio te ver, mas você estava dormindo. Ela ficou cansada e foi pra casa, mas daqui a pouco a Cori vem te ver! - tento animá-la - Me desculpe por deixá-la sozinha...

-Tudo bem, eu não fiquei sozinha. - ela ri, demonstrando estar animada

-Não? Quem estava aqui com você? - Agnes desvia o olhar de mim e eu a conheço muito bem para saber que está tentando me esconder alguma coisa

Algo dentro de mim me faz ter a vaga ideia de que aquela mulher tem a ver com isso. Afinal, é muita coincidência eu esbarrar com ela justo quando Agnes está internada. Decido então mudar de tática

-Não precisa mentir pra mim, querida. Eu sei que tinha uma moça aqui com você.

-Como sabe? - sorrio ao constatar que eu certo

-Eu a vi agora pouco e nós até conversamos. O que ela veio fazer aqui?

-Nada, ela só veio ver uma amiga e passou aqui.

-Tem certeza que é só isso? Não conversaram sobre nada?

-Não, senhor. - responde de imediato

-E seu nome, ela disse?

-Também não. Eu já disse, pai. Ela só deu um oi e foi embora!

-Tudo bem, não vou mais insistir... - suspiro - Trouxe alguns livros, você quer que eu leia pra você?

-Quero sim!! - responde animada, sorrindo novamente

(...)

 

Dois dias depois


  Agnes já está totalmente recuperada, mas claro, continuo de olho nela. E mesmo tendo ela melhorado gradativamente, não deixei passar em branco a negligência de Dominique. Segundo o que disse, ela estava na casa de uma amiga que ficava fora da cidade. Para evitar mais confusão, preferi não dar andamento a mais uma discussão. 
   E desde o dia que cruzei meu caminho com o "clone" de Mercedes, eu não consigo dormir ou me concentrar em nada que não seja no desejo de reencontrá-la. Preciso saber quem é essa mulher, só assim para ela sair dos meus pensamentos.   
 Para o meu alívio, Maysa está de volta à cidade. Marcamos de nos encontrar em um Café, pois provavelmente seria impossível falar certos assuntos em minha casa.


-Maninho! - exclama emocionada ao me ver. Ela joga a bolsa em cima da mesa e corre para me abraçar


-Maysa... É impressionante como o tempo não passa pra você! Está ainda mais linda desde a última vez que nos vimos.

-Exagerado... Estava com tanta saudade de você, da Agnes... Me diga, ela está melhor? Corine me disse ao telefone que ela esteve hospitalizada...

-Sim, foi mais uma crise de asma, mas já está tudo bem. Pelo menos com ela... - ressalto

-O que está te incomodando, meu irmão? É toda essa pressão por ter voltado, não é?

-Pode ter certeza! Não sabe o inferno que é viver sob o mesmo teto que Edgar e Leon. Minha vontade é de procurar outro lugar para morar futuramente.

-Michael, eu sei que é difícil, mas pense bem. Já se passaram tantos anos... Pra quê continuar remoendo o passado? Papai está doente, ele merece ao menos nossa compaixão. E se te serve de apoio, também estou voltando pra mansão.

-É sério, mana?

-Sim, nem que seja por um tempo... Quero ficar ao lado do nosso pai. Eu sou médica e devo cuidar dele. Além disso, também quero ficar perto de você e da minha sobrinha. Quem sabe assim você não se alivia um pouco?

-Pode ter certeza que vai me ajudar muito! - suspiro pesadamente - Mas não é só isso. É a crise na construtora, a venda das ações e...

-E...? O que mais está acontecendo? Vamos, Mike. Não há segredos entre nós.

-É que aconteceu uma coisa tão estranha esses dias... Acha que há alguma probabilidade da... da Mercedes estar por aqui?

-A Mercedes? - franzi o cenho - É impossível! Durante anos procurei por ela e nenhum sinal! Não me diga que voltar pra cá está reacendendo...

-Claro que não! - corto-lhe - Mercedes é passado, Maysa. Só perguntei porque esses dias eu vi e conversei com uma mulher exatamente igual a ela!

-De novo isso? - ri - Michael, quantas vezes você me disse isso? E digo mais, quantas mulheres você não levou pra cama por simplesmente ser a cara da Mercedes? Depois diz que já a esqueceu...

-Isso não tem nada a ver com o assunto! Sim, já conheci muitas mulheres que se assemelham à  Mercedes, mas dessa vez... Maysa, eu nunca senti nada parecido! O olhar duro e frívolo que ela me encarava, a forma de falar... E não sei, de uns dias pra cá tenho sentido a presença dela, entende?

-Entendi. Entendi que você ainda é completamente apaixonado por essa mulher. Você sempre a amou e sempre a amará. E não adianta dizer o contrário.

-Olha aqui, eu tenho uma reunião importante hoje e não vou me desgastar com você.

-Já está inventando desculpa para ir embora... Não aguenta a verdade! - implica

-Quem me dera que fosse apenas uma desculpa para me ver livre da sua chatice! - brinco, jogando uma migalha de bolo na sua direção - Mas é sério. Hoje vamos conhecer o novo sócio da Construtora Jackson.

-O tal que comprou a metade da empresa? Como ele chama mesmo?

-Gregory Navarro. O pior não é isso. Recebemos ontem a informação de que ele faleceu recentemente.

-Meu Deus, que azar o dele. E agora, o que vocês vão fazer?

-Aí é que está. Segundo seu advogado, parece que o herdeiro dele está vindo em seu lugar. Ele não especificou se é um filho, esposa, irmão... Bem, é melhor eu ir. Estou ansioso para essa reunião.

-Ok... Boa sorte, maninho. Nos vemos à noite. Temos muito papo para por em dia!

-Pode ter certeza que sim! - nos abraçamos demoradamente e finalizo beijando sua testa

 Algo me diz que o dia tende a ser tenso. Se eu já não estava gostando da ideia de Gregory Navarro ser meu sócio, agora sabendo do seu falecimento, tenho total certeza de que vou me meter em uma grande confusão. Não tenho ideia de quem vou me associar e muito menos, do futuro da Jackson.



Capítulo 14

Mercedes


    Daqui a menos de uma hora serei apresentada como a mais nova sócia da Construtora Jackson. Já tem duas noites que não durmo tamanha ansiedade que sinto somada ao meu reencontro com Michael. Por mais que tenha sido superficial, eu não estava preparada para vê-lo antes da hora planejada. Mas hoje é o meu tão esperado dia de dar a volta por cima.
  Termino meu banho e demoro quase uma hora para escolher o que vou vestir. Quero que seja um retorno triunfal, que todos vejam a mulher que me tornei e pagar na mesma moeda toda a humilhação que sofri. 
 Satisfeita com meu visual, deixo minha suíte e desço até a sala, pronta para seguir para a empresa.

-Você está maravilhosa, Eliza!! - Dorothy me elogia

-Obrigada, Dorothy... Mas por favor, me chame de Mercedes. A partir de hoje começa um novo ciclo em minha vida.

-Entendo... Como quiser. Sei que nada que eu disser vai mudar seus planos, então só o que desejo é que seja muito feliz. Você sabe que eu te amo e tudo que peço à Deus é que cuide de você. - seco uma tímida lágrima que rola em meu rosto

-Dorothy... - lhe abraço - Muito obrigada por tudo. Sei que é difícil apoiar os meus planos, mas você sabe que eu só quero fazer justiça. Por mim, pela Gina e até mesmo pelo filho que eu perdi...

-Eu sei, anjo. Você tem um coração maravilhoso, Mercedes. Não esqueça disso, ok? Agora vá! Não estarei aqui quando voltar, pois como sabe, meu voo é daqui a algumas horas. 

-Eu sei... Te desejo uma boa viagem e por favor, me ligue assim que chegar em Londres. - beijo o dorso da sua mão e me despeço

(...)

  O caminho até a Construtora Jackson foi mais rápido que imaginei. Agora prestes a sair do carro, sinto um terrível frio na espinha. Não estou insegura, é que tantos anos esperando esse dia, encenando os diálogos na minha cabeça, me dá um certo medo. Será que conseguirei encarar todos eles da forma como sempre imaginei?

-A senhora vai descer agora? - meu mais novo motorista pergunta, estranhando minha demora

-Me dê alguns segundos. - fecho os olhos, respiro fundo e me me abasteço de coragem e determinação

  Saio do carro e me deparo com o opulento prédio, ostentando com maestria as palavras " Construtora Jackson".

-Em breve veremos sua ruína... - profetizo

-É para esperar, Senhorita Navarro?

-Não, Theo. Vá para o meu apartamento. Preciso que leve a senhorita Dorothy para o aeroporto. Mais tarde eu te ligo.

-Sim, senhora. Até mais tarde! - ele assente, e volta para o carro

-Bom, é agora... - encho o peito de ar; arqueio o busto; ergo a cabeça e adentro ao hall, onde já me deparo com Dr. Clinton à minha espera

 Logo de início percebo os olhares ao meu redor. Olhares curiosos, intrigantes e desconfiados. Não esboço nenhuma reação, muito menos correspondo à esses olhares.

-Bom dia, Dr. Clinton. Está tudo pronto para a reunião?

-Bom dia, Eliza... Ou como prefere, Mercedes. - concordo, assentindo positivamente - Estão todos à sua espera.

-Inclusive o Michael?

-Sim. Ele acaba de chegar e pelo que ouvi, está impaciente e curioso para lhe conhecer. - sorrio, imaginando a cara de desgosto que ele fará ao me ver

-Bom, não vamos mais contrariá-lo!

-Não quer conhecer a empresa primeiro? Sua sala, funcionários...?

-Pouco me importa esse lugar! O mais importante agora é a minha apresentação.

-Certo, então vamos subir. - seguimos juntos para o elevador com destino à sala da presidência

  A secretária, ao nos ver, anuncia nossa entrada. Ela me olha impressionada, provavelmente não acreditando que uma mulher jovem, cheia de pose, é a nova dona da empresa.

-Está pronta, Mercedes? - pergunta, levando sua mão à maçaneta

-Totalmente pronta! - Clinton abre a porta e entra. Continuo do lado de fora, esperando ser chamada

-Bom dia a todos! Como sabem, eu sou o advogado do Sr. Navarro e venho lhes apresentar a nova sócia da Construtora Jackson. Conheçam a Senhora Navarro. Mercedes Navarro. - após ouvir meu nome, adentro à sala

 Um silêncio se instala neste momento. Rolo meus olhos por todos que se encontram de pé, mas meu foco é nele. Michael Jackson. Este por sinal, parece não estar ali. Está pálido como uma cera, imóvel e inerte. Parece não acreditar no que vê e eu adoro isso.

-Seja bem vinda, Sra. Navarro. É uma honra conhecê-la! - um dos diretores se levanta para me cumprimentar

 Tirando Michael e Edgar, o restante dos acionistas e diretores me tratam com naturalidade. Edgar, apesar de estar chocado, me olha com uma certa admiração, deixando claro o quão idiota consegue ser perto de uma mulher. Após todos me cumprimentarem, direciono meu olhar à Michael novamente, que agora demonstra um semblante de incredulidade e revolta.

-E quanto à você? Não vai me desejar boas vindas, Senhor Jackson? - entorto minha boca, tentando esconder um sorriso que insiste em dançar nos meus lábios






 Michael afrouxa o nó da gravata e se apoia na mesa de granito, adquirindo um tom de pele ainda mais branco. Ele toma uma golada de água, raspa a garganta e ergue a cabeça.






-O que essa mulher faz aqui? - indaga aumentando o tom de voz, deixando claro para mim que consegui afetá-lo com sucesso




Capítulo 15

Mercedes


Após o grito que deu, todos da sala se viraram para encará-lo. Em seguida, os olhares curiosos foram direcionados para mim. Permaneci na mesma postura de quando entrei na sala.

-É assim que costuma felicitar os companheiros de trabalho, Sr. Jackson? - perguntei da forma mais sarcástica que consegui


-Alguém pode me explicar que merda está acontecendo aqui? - berrou, possesso

-Michael, o que é isso? - reconheci de imediato o rapaz que veio apaziguar. É Dereck, o mesmo amigo da época em que conheci Michael

-Sugiro que controle seu amigo. - aconselho - Não estamos na feira e sim em um ambiente de trabalho. Onde está sua classe?

-Que se foda! - vocifera. A minha vontade é de rir do seu escândalo - Quero essa mulher fora daqui enquanto não tiver uma boa explicação!

-Vai ficar esperando, Sr. Jackson. - respondo, caminhando pela sala e me sentando em uma das poltronas - Não estamos aqui para satisfazê-lo e sim tirar essa empresa do buraco. Podemos começar? - o ignoro por completo, dirigindo a palavra para os outros acionistas. Michael continua em pé, totalmente avulso

-Isso é loucura... - Edgar sorri - Não dá pra acreditar que é você, Mercedes.

-Por que? Por acaso sou alguma divindade?

-Oh não... É que...

-Me desculpe, mas esse não é momento para conversas paralelas. Não vai se sentar à mesa, Sr. Jackson?

-Me recuso a fazer parte dessa palhaçada!

-Michael, para! - ouço o amigo lhe dizer - Se quer entender o que ela faz aqui, sente e a escute. Deixe as explicações pra depois!

-Ouça seu amigo, Sr. Michael Jackson. - cruzo as mãos e apoio meu queixo, sorrindo amplamente

Michael bufa, provavelmente me xingando em pensamento. Ele afirma a postura de inabalável e a contra gosto, se senta se frente para mim.

-Bom, agora que os ânimos se acalmaram, posso me apresentar. Aos que não me conhecem e aos que pensam que me conhecem, meu nome é Mercedes Navarro e, consequentemente, herdeira de Gregory Navarro.

-Herdeira? - Michael ri - Como conseguiu esse feito? Deu um golpe em um velho bilionário?

-Não admito que ofenda minha cliente!

-Clinton, deixa... - peço, afável - Eu não dou a mínima para a opinião desse homem ou de qualquer outra pessoa.

-Mas você tem que dizer...

-Não tenho que dizer nada. - corto - Continuando, a partir de agora sou dona da metade desta empresa e...

-Qual o seu intuito? - Michael me interrompe, rindo em seguida - Ah claro, agora tudo faz sentido. Bem que eu estava mesmo achando muito estranho esse interesse inusitado em comprar as ações.

-Eu não quero saber o que o senhor pensa. O fato é, eu paguei por essas ações e agora elas são minhas. Não quero mais prolongar essa reunião. Em breve convocarei outra para discutirmos sobre a construtora. Tenham todos um bom dia! - sorrio, me levanto e sou seguida por Clinton

-Mercedes, tem certeza que não precisa que eu fique aqui hoje? - Dr. Clinton pergunta ao entrarmos na minha nova sala

-Está tudo sob controle. Antes de conhecer a empresa e meus funcionários, quero ficar sozinha. Qualquer coisa eu te ligo.

-Certo. Até mais, Mercedes. - Clinton fecha a porta e eu finalmente posso respirar aliviada

    Não serei hipócrita de dizer que não me senti abalada. Ainda que sua primeira reação tenha sido branda, não foi nada fácil encarar o homem que um dia amei, que cheguei a imaginar que seria meu marido para o resto da vida.
   Sou atraída de volta à realidade ao ouvir um estrondo na minha porta. Em seguida vejo Michael entrar feito um louco, atropelando tudo pela frente.

-Uau... Onde estão os seus modos, Sr. Jackson? Não sabe bater na porta?

-Chega desse teatro. Estamos só nós dois aqui, não precisa ser tão dissimulada! - suspiro, reviro os olhos e cruzo meus braços

-Ótimo. Era tudo que eu queria! Mas... antes de me chamar de dissimulada, pondere suas palavras. Tenho um vocabulário rico de insultos ao seu respeito. - sorrio, cutucando sua ira

Ele anda de um lado para o outro. Está pálido, trêmulo e o suor escorre pelo seu rosto. Não há dúvidas quanto à sua perturbação diante de mim.

-Como pode voltar assim depois de doze anos como se nada tivesse acontecido? - desabafa finalmente a pergunta que deseja fazer desde a hora em que me viu

-O que, pensou que eu estava morta? - rio - Agora sabe que não. Estou viva, de carne e osso, para sua tristeza.

-O que você quer? Vingança por eu ter terminado nosso casamento? Como pode ser tão doente a ponto de cultivar essa mágoa por toda sua vida?

-Você é um cretino! - esbravejo, me levantando irritada - Acha mesmo que eu perderia anos e anos sofrendo por despeito? Eu quero que você se ferre, Michael Jackson! Você e a sua maldita família! - praguejo, apontando o dedo indicador contra ele

-Por que sente tanto ódio? Não temos culpa alguma de você ter se tornado tão ácida, e muito menos da vida miserável que você levava!

Nesse momento toda a calma, paciência e controle que lutei para ter desceram por água abaixo. Parto para cima de Michael, o estapeando tão forte que a palma da minha mão ardeu como uma queimadura.

-Você é um monstro! - vocifero - Eu vou destruir a vida de cada um de vocês assim como fizeram comigo!

-Por que está dizendo isso? Anda! Vamos abrir o jogo de uma vez!

-Não se faça de idiota porque isso você não é! Agora saia da minha sala antes que eu chame os seguranças para te enxotarem daqui. Não acha que já passou vergonha demais por hoje? - Michael leva a mão até a bochecha avermelhada. Assente e ri

-Tudo bem, Sra. Navarro... Use e abuse do seu poder. Mais cuidado, quanto maior o degrau, mais forte será o tombo.

-Está me ameaçando?

-Entenda como quiser. - Michael abre a porta, mas antes se vira para mim - Não pense que terminamos essa conversa. Não vou deixar que me insulte como um marinheiro bêbado, porque pelo que vejo, continua a mesma barraqueira de sempre! - ele bate a porta com força e eu me controlo para não derrubar tudo que vejo ao chão

Não vou me abater, não vou perder a razão - mentalizo - . Michael fará de tudo para me tirar do sério e eu preciso domar meus sentimentos, sejam eles bons ou ruins.


Capítulo 16

Michael


"Não, isso não pode ser real. Não é real! Na verdade isso é um pesadelo e eu acordarei agora mesmo!" - Forço minha mente a acreditar que toda essa confusão não passa de uma ilusão.

-Michael, precisa se acalmar! - Dereck repete, vindo logo atrás de mim

Me jogo na minha poltrona, levando ao chão os enfeites postos na minha mesa.

-Tranque essa porta. Não quero que ninguém me importune! - ordeno

-Tudo bem, mas se aquiete. Porra, Michael, vai perder a cabeça por causa de uma mulher?

-Você sabe muito bem que ela não é uma simples mulher. É um demônio que retornou especialmente para me infernizar! Você viu muito bem a cara de dissimulada que ela ostentou naquela sala!

-Ok, mas é isso que ela quer. Te irritar. - Dereck arrasta a cadeira e senta de frente para mim. Seu olhar também é de incredulidade - Uma coisa eu não posso negar, isso realmente é uma loucura! Quem diria que sua namoradinha de adolescência fosse virar esse mulherão... Está ainda mais afiada do que era... - ri. Me irrito profundamente com seu comentário, mas não posso deixar de concordar com Dereck

      Mercedes está tão mudada que se não tivesse se apresentado hoje, eu continuaria achando que ela era apenas uma sósia. Agora, com a mente mais calma, concluo que ela e a mulher que me ajudou a salvar Agnes são as mesmas pessoas. Só não entendo o porquê de termos trombado um com o outro naquela ocasião, já que ela também parecia bem chocada em me ver.
      De fato sua mudança foi drástica. Jamais imaginei vê-la vestida em trajes justos e elegantes, com o rosto modificado, tomado por maquiagem forte e marcante, como se fosse uma máscara ocultando sua beleza natural. O cabelo também não é mais o mesmo. O castanho cor de mel que eu tanto amava fora substituído por um preto cor de chumbo, sombrio, assim como seu olhar, sua forma de falar, sua personalidade. 
       Mas apesar de todas essas mudanças, Mercedes conseguiu se superar. Acho que nem todos os adjetivos são suficientes para elucidar a beleza dessa mulher, dessa bruxa que consegue me enfeitiçar até mesmo nessas circunstâncias em que nos encontramos.

-Michael... Acorda, cara! Tá pensando nela, não é? - ri, maliciosamente para me provocar

-Não seja estúpido! Mas se responde sua pergunta, sim, estou pensando, ou melhor, tentando entender como ela chegou aqui, como conseguiu se tornar rica e tão poderosa.

-Você acha que ela era esposa desse tal de Gregory?

-Não há outra explicação. Só que me recuso a acreditar que ela tenha se prestado à esse papel com o intuito de enriquecer-se e consequentemente, ficar páreo a páreo com minha família.

-Bom, isso você só vai saber perguntando à ela.

-E você acha que eu não tentei? Ela acaba de me expulsar da sala dela! - tento me defender

-Ah sim, e você foi muito educado, né? Conta outra, Mike! Está completamente perturbado e eu entendo perfeitamente. Tente digerir todas essas informações e a procure.

-De forma alguma! - rebato - Esperei doze anos para ter uma única notícia dessa mulher e agora eu quero saber exatamente seus planos.

-Como assim? Do que você desconfia?

-Ela deixou bem claro que quer e vai destruir eu e minha família. Ela tem um ódio mortal por nós e eu duvido muito que seja motivado pelo simples motivo de nosso casamento ter acabado...

-Pois é, você chegou a morar com ela... Sabe, eu nunca entendi exatamente porque vocês romperam.

-Éramos muito diferentes e nada conspirou ao nosso favor.

-Ainda a ama? - engasgo com o gole de Whisky e o encaro

-Enlouqueceu? Não fala merda, Dereck! Nossa relação foi há doze anos atrás!

-Mas parece que foi ontem! Sério, cara, olha pra você. Desde o dia que romperam e toda aquela confusão aconteceu você mudou radicalmente, nunca mais foi o mesmo. Se trancou no seu mundinho de trabalho, dinheiro e amantes. Estou falando alguma mentira? - viro-me para a sacada da varanda, evitando contato visual com Dereck

Por mais que eu tenha passado todos esses anos evitando encarar a realidade, agora ela vem atropelando tudo. Maldita hora para essa mulher retornar à minha vida!

-Dereck, como seu amigo eu te peço. Não volte a tocar nesse assunto. Você sabe que não estou bom para responder suas provocações. Tenho muito trabalho hoje.

-Tudo bem, se quer fugir da verdade o problema é seu. Vou pra minha sala, ok?

-Espera. Quero que me faça um favor.

-Pode falar, Mike.

-Vigie a Mercedes. Assim que ela for embora, me avise.

-O que pretende fazer?

-Cobrar explicações. Quero saber exatamente com que fera estou lidando...




Capítulo 17

Mercedes


     É estranho me ver sentada nesta cadeira de couro em uma das salas mais importantes da Construtora Jackson, empresa que sempre odiei, que lutei tanto para destruir, e agora ela é minha. Ou parte dela. Minha cabeça está um turbilhão. Eu cheguei aqui não tem nem uma semana e já sinto na pele o desgaste emocional que estou sofrendo. Ainda tem muitas coisas que devo fazer, muitos lugares que tenho que rever, aprofundar nessa ferida chamada "passado".
      De certo, não tenho cabeça e nem vontade de conhecer a construtora e ou os colegas de trabalho. O dia tem está pesado, não quero prolongar minha estadia aqui. Preciso recuperar minhas energias para aí sim mostrar para Michael minha outra faceta.





-Posso entrar? - ouço dois toques na porta e logo uma voz conhecida soa na sala






-Edgar... - suspiro - Entre. O que deseja? - ele sorri, satisfeito. Entra na sala e se senta à minha frente

-Primeiramente, quero lhe parabenizar. - ele leva os dedos ao queixo, me analisando minuciosamente

-A que devo sua felicitação?

-Bom, antes de qualquer coisa, parabéns por conseguir me surpreender. Deve convir que sua aparição é um tanto quanto... inusitada.

-Assim como o seu irmão, acha que eu sou um fantasma? Mas que mania a de vocês! - rio - Por acaso acham que eu morri?

-Muitos acreditaram depois do... incêndio no galpão. - meu corpo reage negativamente ao ouvir esse assunto sair de sua boca

-De fato eu morri ali... Olha, me desculpe, mas eu não estou mesmo afim de fazer uma retrospectiva. Como vê já se passaram doze anos e definitivamente não somos mais os mesmos.

-Ótimo tocar nesse assunto! - ri - Devo dizer que sigo a mesma linha de raciocínio que você. Não gosto de pensar no passado. Sou um visionário, penso no agora e no amanhã. - enaltece - Creio que deve ter esquecido nossos pequenos atritos do passado e finalmente percebido que na época meu desejo era apenas de alertá-la.

    Edgar é um maldito filho da puta. Tão asqueroso quanto Michael e Leon, mas o que os difere é a sua imbecilidade. É mais que óbvio que ele continua o mesmo garoto imaturo, vaidoso e egocêntrico, o que servirá de isca perfeita para eu executar meu segundo plano, que é adentrar à família Jackson. Preciso ter estômago e sangue frio para suportar minhas futuras atitudes.

-É claro que sim, Edgar. - sorrio genuinamente - Eu não sou uma mulher rancorosa. Não com pessoas como você. - ele se recosta na cadeira, empolgado

-Então... Posso me atrever em almejar uma relação harmônica entre nós? - pergunta, estendendo a mão

-Ainda tem dúvidas? - estendo minha mão em resposta. Edgar a beija, me causando uma leve náusea

-Será uma honra trabalhar com você, mas... Sei que está aqui para se vingar.

-É esperto... - sorrio - Sabe, Edgar, eu sou muito franca. Não tenho pra quê mentir, então deixarei tudo em pratos limpos. Estou aqui sim para destruir Michael e Leon Jackson e não medirei esforços para alcançar minha meta. Alguma objeção?

-Não, nenhuma. - ri - Nunca foi novidade para mim seu ódio pelo meu pai, e agora pelo que vejo, por Michael também.

-Exatamente.

-Então devo informá-la que temos algo em comum. Odeio meu irmão com todas as minhas forças e te garanto, você tem todo meu apoio para fazer o que quiser!

-Seremos bons aliados... - trocamos um olhar confidente e eu tento transmitir confiança

-Com toda certeza... - afirma, convicto

-Edgar, adoraria continuar nossa conversa, mas já está entardecendo e preciso ir pra casa.

-Sei que ainda é cedo, mas poderíamos terminar essa conversa em um local mais apropriado.

-Concordo plenamente com você.

-Ótimo! Bom, nos vemos amanhã?

-Claro! - Edgar se aproxima de mim e encosta seus lábios na minha bochecha

-Até amanhã, Mercedes.

-Até amanhã, Edgar.

O espero sair da sala e rapidamente retiro da bolsa um lenço umedecido e minha garrafinha de álcool gel. Esfrego o lenço na minha mão e rosto, desimpregnando o cheiro desse verme.

-Isso mesmo Edgar... Se mostre bastante solícito comigo. Já estou encomendando seu castigo, querido...

(...)

    Depois de um dia exaustivo, cercada de tanta falsidade, somente um banho demorado para me sentir limpa. Agora, devo me acostumar a ser sozinha novamente. Não tenho mais meu pai ou Dorothy para conversar, desabafar ou distrair minha cabeça. De certo modo essa reclusão me fará bem. Viver sozinha me ajudará domar qualquer indício de sentimentos afáveis que possam aparecer.

    Com o passar dos anos minha apetite vem diminuindo gradativamente. Decido então ao invés de jantar, beber uma taça de vinho e meditar. Quando passei por todas aquelas atribulações, desenvolvi transtornos psicológicos. Boa parte deles foram curados com meditações e yoga. 

   Sempre achei uma besteira esse tipo de coisa, mas eles me ajudaram muito a melhorar. Ainda continuo sistemática, preservo o maldito TOC, tenho mania de ver os objetos, quadros e enfeites minuciosamente alinhados, assim como meu closet, minha roupa. Sim, me tornei uma chata antipática e nem toda meditação desse mundo vai mudar meu jeito.

   Me sento no chão da sala, dou uma boa golada no vinho e fecho os olhos, entrando em sintonia com o mantra que coloquei para executar. Em menos de um minuto ouço a campainha tocar, me tirando do transe em que eu me encontrava. Me levanto do chão, caminho pela sala e abro a porta. Sinto-me tremer dos pés à cabeça ao ver Michael bem na minha frente.

-É muita cara de pau a sua! - rio - Por acaso me seguiu?

-Sim, eu segui. Sua covardia no escritório foi tão grande que me vi obrigado a terminar nossa conversa aqui na sua residência.

-Dê o fora!

-O que, vai me expulsar novamente? Não se esqueça que agora você é uma mulher elegante, não cai nada bem gritar feito uma louca pelo corredor.

-Os anos lhe deixaram mais estúpido ou é impressão minha? - alfineto, sendo obrigada a lhe dar passagem para entrar. Fecho a porta e lanço meu olhar à ele - Dá pra dizer o que quer aqui?

-Não se faça de boba, Mercedes. Sabe muito bem que temos muito o que conversar.

-Hmm não sei por que. Como você disse hoje cedo nós apenas nos separamos, ou melhor, você decidiu se acovardar e voltou como um cachorrinho pra casa do seu pai. Não é isso, Michael?

-Nunca vai entender, não é? Sim, eu errei Mercedes, mas Deus sabe como te procurei depois que soube daquele trágico incêndio no galpão.

-Como pode ter coragem de continuar fingindo? Não precisa dessa porcaria de encenação! - à essa altura deixo as lágrimas rolarem furiosas pelo meu rosto


    A ferida está aberta novamente e a dor é simplesmente insuportável. Estou de frente para o homem que destruiu minha vida, a do próprio filho, da Gina e de todos os inocentes que se prejudicaram naquele maldito incêndio.

Michael me encara assustado com a minha reação.

-Mercedes, por Deus, me ajude a entender! Não tem sentido me tratar assim! O que foi que eu te fiz para ter tanto ódio gratuito?




-Ainda pergunta? - seco as lágrimas e lhe encaro - Tudo bem, vamos jogar as cartas na mesa! Você e aquele velho maldito me mataram no dia em que tiveram a brilhante ideia de incendiar meu galpão! - grito, disparando as acusações que estavam entaladas na minha garganta por mais de uma década





Michael empalidece. Seu olhar se torna vazio, inerte. Ele parece desfalecer, se apoia no braço do sofá e tosse algumas vezes.

-Mercedes... - murmura

-É ruim ouvir a verdade, não é? Não sabe como esperei arduamente para que esse dia chegasse. - Michael puxa o ar com dificuldade, mas obviamente isso não me penaliza - E trate de ficar bem consciente! Você veio cutucar a onça e agora vou jogar na sua cara todo o ódio que sinto pelo monstro desgraçado que você é!!



Continua..


117 comentários:

  1. Vai ser demais, pelo que li. Estou ansiosa para conhecer essa nova Mercedes.

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    1. Mercedes vai voltar com tudo, para o desespero de Michael kkk
      Beijos, amore!!

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    2. Espero com ansiedade o dia 23/05.
      Bjs.

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  2. Ai mdsss,espero que não demore muito,já to super ansiosa.

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    1. Próximo dia 23, amore!
      Já já chega!!
      Beeijos <3

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  3. Que pena vc parar mais respeito sua decisão é se mudar de idéia estaremos te esperando cm novas fic ansiosa

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    1. Obrigada pelo apoio, amore!
      "Nunca" é uma palavra forte, né? Quem sabe uma hora eu volto? kkk
      Beeijos!!

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  4. Estava eu lendo tranquilamente "Uma luz em meu caminho" quando dirrepente me deparo com a segunda parte de " Como não se apaixonar" meu coração gelou kkkkkkkkkk estou super ansiosa pra que comece logo e pena que vai parar suas histórias são muito boas mais como a colega falou respeitamos sua decisão e se decidir voltar estaremos aqui bjoo e que chegue logo o dia da postagem

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    1. Dia 23 começa cheia de emoções! Espero do fundo do meu coração que vocês gostem do desfecho!
      Muito obrigada pelo apoio!
      Beeeijos

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  5. Estava eu lendo tranquilamente "Uma luz em meu caminho" quando dirrepente me deparo com a segunda parte de " Como não se apaixonar" meu coração gelou kkkkkkkkkk estou super ansiosa pra que comece logo e pena que vai parar suas histórias são muito boas mais como a colega falou respeitamos sua decisão e se decidir voltar estaremos aqui bjoo e que chegue logo o dia da postagem

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  6. Muito muito ansiosa, tenho certeza que vão ser muitas emoções nessa nova temporada! Michael&Mercedes, um perigo esse casal♡

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    1. Perigo vai ser agora lkkkkkk
      Obrigada pela presença, viu? Espero que goste!
      Beijão

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  7. Oh meu Deus!não demore já estou ansiosa por demais.

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  8. Oh meu Deus!não demore já estou ansiosa por demais.

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  9. SERÁ QUE A GINA VAI VOLTAR

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  10. Ana Luzia Jackson20 de abril de 2016 20:42

    Gente tô morrendo de ansiedade
    Amei a primeira temporada e tenho certeza que não vai ser diferente com essa

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    1. Obrigada, amore!!
      Espero que goste da segunda parte tb!
      Beeijão!!

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  11. Eu chorei tanto com essa fic kkkkkkkkk. Quero muito a continuação ❤

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    1. Dia 23 de maio, amore!
      Tá chegando.. beeijos

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  12. Poxa que pena que vai parar."Como não se apaixonar" é uma das fics mais lindas que eu já li. Mas respeito sua decisão! Saiba que é muito talentosa e nos fez sentir todas as emoções de Mercedes e Michael. Te desejo muito sucesso

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    1. Muito obrigada, de coração!! Espero que também goste da segunda parte <3
      Agradeço muito o seu carinho!
      Beijos

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  13. Mds to super ansiosa ,posta logooooo

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  14. Vai demorar muito para postar?ansiosa

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  15. Vai demorar muito para postar?ansiosa

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  16. Qnd vc postar terei que ler como não se apaixonar 1 para poder entender como não se apaixonar 2

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    1. Espero que goste, Luciana!
      Obrigada pela presença! beeijos <3

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  17. Olá, meninas!!!
    Nossa, não pude deixar de vir aqui e agradecer ao apoio de todas vocês!
    A Fic vai estrear no dia 23 de maio e já garanto pra vocês que teremos muitas tretas pela frente kkkkk
    Aguardo todas vocês em breve!
    Beeijos!!!

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  18. Bom, meninas,trouxe o primeiro capítulo.
    Como podem ver Mercedes está bem mudada e ainda mais sedenta por vingança.
    Espero poder repetir o feito da Parte 1 e que vcs gostem dessa continuação.
    Um beijo enorme e até a próxima!!

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  19. Marícia, minha filha, vc me deixou tão curiosa e com gosto de "quero mais" , neste capítulo.Parabéns!!
    Continua, por fvor!

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  20. Ai mds que tudo esperei super ansiosa por esse dia
    E vejo que a Mercedes vem com tudo se cuida Mike por a chapa vau esquentar kkkkkkk continua logo♥

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  21. O primeiro capítulo já dá pra ter uma ideia de como vai ser maravilhosa está fic. Vc voltou muito bem inspirada bjs Nani Jackson.

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  22. Ana Luzia Jackson23 de maio de 2016 19:48

    Ti amando mas quando posta?????denovo??????

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  23. Boa Tarde, meninas!!
    Antes de mais nada, muito obrigada pela presença de todas vocês. Estou muito feliz!!
    Segundo capítulo no ar. Agora vamos saber um pouco mais da nova vida do Michael.
    Espero que gostem! Tentarei postar sábado, beeijos!

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  24. Nossa senti um nó na garganta ao ler esse capítulo sobre a vida do Michael. Você escreve muito bem , Marícia. Passa toda a dor que ele está sentindo.Tenho uma desconfiança em relação a Agnes. Mas, continua por favor.
    Continua, por favor.

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  25. Ana Luzia Jackson25 de maio de 2016 19:59

    Desde já ansiosa

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  26. Ai senhor! Esse capítulo apertou meu coração, fico me perguntando porquê Michael fez tudo isso com Mercedes, estou muito ansiosa para saber mais da vida deles depois desses 12 anos, tanto tempo, e nem imagino como vai ser quando eles se reecontrarem!! Fico louca só de pensaaaaaar kkkk esperando ansiosamente o próximo capítulo!! Bjs

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  27. amei essa nova temporada da fanfic Como Não Se Apaixonar. Quero muito ver essa batalha de vingança entre Michael e Mercedes

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  28. Continua...
    fic entrando pra minha lista favorita
    Amando

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  29. Bom dia, meninas!! Terceiro capítulo no ar!
    Esse seria o bônus de amanhã, mas não terei tempo de postar.
    Agora Mercedes está na ativa novamente e prontinha para seguir com seus planos.
    Até breve!
    Beijão e muito obrigada pela presença, meninas!!

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  30. Por isso que essa fanfic é uma das minhas favoritas. Eu chorei quando o pai da Mercedes/Elizabeth morreu. Nossa, foi triste!
    continua, por favor!

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  31. poxa adorei esse capítulo, Maricia. Agora Mercedes parte para o ataque, sem volta. Nada de recuar.

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  32. Bom dia, amores!!
    Mais dois capítulos no ar! Agora já sabemos um pouco sobre os planos de Mercedes... Já já ela chega...
    Muito obrigada pelos comentários e até quarta!
    Beeijos!!

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  33. Gente, que ansiedade! Essa Dominique é esnobe e chata.Só quero ver a reação do MJ quando souber que foi Mercedes que comprou as ações. Continua e chega logo, quarta-feira!!

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  34. Tomou mesmo Michael, a pior decisão, porque agora a Mercedes vai ferrar com você kkkkkkkk

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  35. Sim , mais mj e irresistível e logo ela cairá em seus incantos

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  36. Garota que acabar comigo ? Q capítulo maravilhoso foi esse?! Muito bom mesmo... A escrita ta ótima.
    Michael meu lindo agora vc vai se fuder com Mercedes kkkkkk.

    Que dia vc posta msm???

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    1. Oii amore!! Muito obrigada pela sua presença, fico muito feliz em ler isso!
      Posto segunda e quarta, as vezes bônus no sábado.
      Beeeijos

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  37. Boa tarde, meninas!!
    Como o capítulo sexto é bem pequeno, postei um a mais para dar seguimento aos capítulos.
    Espero que gostem!
    Muito obrigada e até mais!!
    Beeijos

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  38. Uau! Essa Mercedes é nitroglicerina! Estou com "peninha" do MJ, mas eu sei que no fundo ela o ama. Está demais essa fanfic!
    Continua , pelo amor de Deus

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  39. Boa tarde, meninas!!
    Cheguei com os capítulos bônus, espero que gostem!
    No próximo capítulo já adianto muitas emoções...
    Até breve, amores!
    Beeijos!

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  40. Estou contando os dias para saber a reação de MJ e Mercedes, quando se verem frente a frente.Já percebi que se amam, isso é nítido.Só estão machucados.Agora é só esperar os próximos capítulos.
    Continua por favor!

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    1. Eu também kkkk estou desde o primeiro capítulo doida para saber as reações que eles terão!

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    2. Finalmente o momento chegou, meninas!!!
      Agora sim o "jogo" vai começar kkkkk
      Beijão e mto obrigada por acompanhar!!

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  41. Vai barbear as pernas quando ver mj de novo

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  42. Vai barbear as pernas quando ver mj de novo

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  43. Nossa quero outro capítulo pra ontem!!!
    Estou muito curiosa...muito mesmo.
    Meu Deus quando MJ e Mercedes vão se encontrar.
    Estou ansiosíssima.

    Parabéns esta cada vez mais linda a sua fanfic vc merece todos os elogios do Mundo.

    Bjus e até a próxima postagem.

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    1. Muito obrigada, Fabby!! Estou muito feliz com seu comentário!
      Pois é, finalmente o momento mais esperado chegou! E agora? kkk
      Beeijão, amore!!

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  44. Ai senhor! Não vejo a hora do reencontro kkkkk segura as emoções Mercedes, seja forte mesmo, Michael destruiu a vida dela. Amore reparei que você curte a Angelique, que lindaaa, porque eu amo essa Boyer também, vi Teresa, o que a vida me roubou e agora estou vendo tres veces Ana, ela é muito linda e talentosissima!

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    1. Oi amore!! Sim, adoro a Angelique desde os tempos de Rebelde kkkkkk
      Acho ela uma excelente atriz! Estou louca para ver tres veces Ana *-*
      Agora tem Angelique aqui tb kkkk
      Beijão e muito obrigada pela sua presença aqui!! <3

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    2. Tres veces Ana, está de mais mesmo! Gente, Angelique ta trabalhando muito e bem, interpretando três personagens ao mesmo tempo, e muito diferentes uma da outra! De nada amore, amo todas as suas fics♡

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    3. Ela arrasa!!!
      Obrigada, amore!! <3

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  45. Muito bom estes novos capítulos, já estou ansiosa por mais bjs Nani Jackson.

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    1. Obrigada, Nani!! Já tem mais capítulos pra hj!
      Beijão!!!!

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  46. Bom dia, meninas!
    Capítulos atualizados! Finalmente o reencontro.... mas não saiu como planejado por Mercedes. E agora?
    Até mais, amores. E muito obrigada por estarem aqui. Beeijos!!

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  47. 😢😢😢😢😢😢😅😅😅😅😅
    Meu Deus eu quero mais... Esse capítulo com certeza foi uns dos melhores.

    Menina do céu que criatividAde maravilhosa e essa? E essa escrita perfeita como se faz?

    Não tenho palavras para te elogiar.

    E impressionante como essa fanfic me cativou... Como eu quero ler e acompanhar cada ver mais.

    Atualiza o mais rápido possível quero ver o desenrolar dessa maravilha.


    E Mercedes não amolece agora não...MJ tem que sofre um poucinho...Tem que enlouquecer com essa morena kkkkkkm.


    Bjus e abraços Marí e até o próximo.

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    1. Fabby, eu que não tenho palavras para te agradecer! Pode ter certeza que minha criatividade vem do apoio que recebo de vocês!! Muito obrigada!

      É ruim da Mercedes amolecer, viu? kkk Ela será um verdadeiro encosto na vida dele! Vai aprontar muitooo! hahah
      Até mais, amore! Bjos!!!

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  48. Fiquei babando a foto de MJ no capítulo 10 . Que gato!!
    Ele vai ficar doido agora! kkkk
    Continua, por favor.

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    1. lkkkkkk maravilhoso, né? Por isso estou lotando de fotos pra atiçar nossa imaginação kkk
      Beijão, amore!

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  49. Bom dia, amores!!! Chegando com mais capítulos!
    Está cada vez mais difícil de Mercedes realizar seus planos, mas o momento vai chegar.
    Muito obrigada pelas mensagens e até breve!
    Beeijos!

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  50. Linda foto do MJ nesse capítulo. Ruim e ler apenas partes da história. Não tem como postar tudo de uma vez? afinal esse fic já deve esta escrito a tempos. É muito chato ficar lendo um, dois, capítulos por vez. haja paciência.

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    1. Oii, muito obrigada pela sua presença aqui!
      Então, desde a criação desse fórum sempre adotamos o método de postar capítulos semanalmente. Não tenho condições de postar tudo de uma só vez, até porque todas as leitoras estão acostumadas com essa rotina.
      Mas claro, respeito e muito sua opinião! O que posso fazer é sugerir que você espere eu finalizar a estória, assim você poderá ler sem interrupções. Espero ter te ajudado! Beijão!! :*

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  51. MJ já está sentido que alguma coisa vem por aí. É lógico que MJ nunca esqueceu Mercedes. Agora só quero ver quando ela chegar na reunião em que MJ e Edgar estiverem. O bicho vai pegar. E essa Dominique!?Estranho seu relacionamento com a própria filha ou será que é realmente filha de MJ. Eu tenho minhas dúvidas. Essa mulher não me engana. Tem algo podre nela.

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    1. Agora vem guerra lkkkkkkk
      Sim, mais pra frente você entenderá essa relação. Dominique não é capaz de amar a própria filha! Em breve descobrirão...
      Obrigada por estar aqui, Maria! Beijão!!

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  52. Maravilha é o mínimo que posso dizer desta fic você é uma escritora maravilhosa continua você é uma querida bjs Nani Jackson.

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    1. Muito obrigada, Nani!! Estou muito feliz por ler sua mensagem!
      Beeijos!!

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  53. Boa tarde, meninas!!
    Chegando com mais. Finalmente o reencontro! kk
    Obrigada pelos comentários e até mais!! :*

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  54. Kkkk...essa Mercedes é uma bomba nuclear! Poderosa e vai deixar MJ louco!!
    Estou viciada nessa história!
    Continua, por favor!!

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    1. KKKKKKKKK ela voltou com tudo! Mas Michael tb a deixará louquinha... kkk
      Muito obrigada, Maria! Já adianto que cada capítulo é uma confusão diferente kkkkk
      Beijão!!

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  55. Este comentário foi removido pelo autor.

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  56. Amei esse reencontro! Kkk Mercedes triunfou na cara da sociedade, principalmente na do Michael!

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    1. kkkkkk E vai lacrar muito mais kk
      Obrigada por estar aqui, amore!

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  57. Parabéns pelo capítulo postado com o reencontro do MJ e Mercedes vale a pena esperar sempre pelo próximo bjs Nani Jackson

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    1. Muito obrigada, Nani!
      Cada capítulo uma surpresa...
      Beijos!

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  58. O.M.G QUE CAPÍTULO FANTÁSTICO FOI ESSE FLOR?! QUERO MAIS...QUERO OUTRO PRA ONTEM. ESSA COM CERTEZA E UMAS DAS FANFICS MAIS ENCANTADORA QUE EU JÁ LI.

    E VC MARY DESEJO QUE CONTINUE ASSIM... CRIATIVA E EXPRESSIVA E QUE NUNCA SE ESQUECE DE NOSSO MJ RSRSRS. PQ E COMO PESSOAS COMO VC QUE ELE CONTÍNUA VIVO EM NOSSOS CORAÇÕES...E PESSOAS COMO VC QUE FAZ NÓS FANS IMAGINAR COMO SÉRIA VIVER COM ELE, DE COMO ELE SÉRIA COMO HOMEM...APESAR QUE ISSO E FICÇÃO KKKKKKK.

    Amei a Mercedes. Ela ta ótima. Coitado do Mj kkkkkk


    Bjus e até o próximo capítulo

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    1. Fabby!!! Mais uma vez, obrigada!!
      É muito bom entrar aqui e ler uma mensagem tão linda como essa!
      É esse amor imenso que tenho pelo MJ que tanto me inspira. Como eu havia dito, essa é minha última fanfic ou pelo menos fanfic longa. Por isso estou me dedicando muito para torná-la merecedora da presença de vocês. Muito obrigada, de verdade!

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  59. Boa noite, meninas!! Chegando com mais! Como amanhã não terei tempo de postar, adiantei hoje.
    Mercedes finalmente revelou o motivo de querer vingança. Será que Michael vai entender??
    Até mais, amores! Beeijos!!

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  60. A história e boa, mas não concordo que poste 2 capítulos somente. Fica muito chata a história. O ideal é postar tudo de uma vez. É muito mais interessante ler do começo ao fim.

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  61. Uau! Quase que MJ desmaia com a revelação de Merche. Tadinho não sabe de nada. Se sentia raiva do pai, quando descobrir que foi ele, terá ódio.Amo quando eles se encontram!
    Continua, por favor!

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  62. Lindo o capítulo mary... Se não fosse pedir muito gostaria que a senhorinha postasse com mais frequência kkkkk. Todos os dias entro aqui pra ver se tem uma nova postagem.

    Acredite e muito frustrante uma pessoa tão dependente de uma fanfic como esse ter poucos cap pra se contentar.
    E serio estou viciada nessa maravilha e preciso de mais urgentemente

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  63. Eita o Mike tá ferradaço!!! Haha continua amore ta mega top <3 <3 <3

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  64. Bom dia, meninas!!
    o Tópico como sempre deu problema e eu tive que fazer outro kkk
    aqui está o link, capítulo 18 em diante. Vejo vcs por lá! Beeijos!!

    http://mjjfanfictions.blogspot.com.br/2016/06/fanfic-como-nao-se-apaixonar-o-preco.html

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  65. Esse endereço fala que a pagina não existe. Ela até abre mas não tem nada escrito.

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    1. entra na página inicial do blog. Acho que será mais fácil. Beijos!!

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  66. Marícia essa fic esta tendo o msm impacto da primeira fic, é emocionante to adorando e com muita dó do Michael ele não teve muitas escolhas.

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