sábado, 23 de julho de 2016

FanFic: "Pintou um clima" (+18)

Autoras: Paula L. Jackson & Larissa Rabelo




Sinopse:

Nada é um acaso do destino... Às vezes aquilo que julgamos como puro azar na verdade se trata de um sinal  que se acomodar e viver baseado em regras é o mesmo que assinar um atestado de infelicidade. 
Loren Baker aprendeu isso talvez de uma maneira dolorosa, sua vida sustentada por poder, e uma posição distinta no mundo dos negócios não fazia dela uma mulher realizada. Ela era pobre, lhe faltava absolutamente tudo: Amor, principalmente. 
Já Michael faz o tipo de homem sensível e audacioso,  dispensando esse estilo de vida ladeada de luxo e pessoas vazias...Como qualquer  artista sonhador, ele deseja apenas ser feliz com o pouco que possuí, julgando que apenas precisa do estritamente essencial e uma dose de paz...
Os opostos nem sempre se atraem, algumas vezes se repelem até se reencontrarem novamente.No caso de Michael Jackson e Loren Baker o orgulho inicialmente ofuscará o poder mágico do amor, mas é claro, para tudo existem exceções. 
Poderão dois seres humanos que vivem em universos paralelos se enxergarem um no outro? 
Será que a imponente Loren se curvará diante aos encantos de um reles pintor sem grandes ambições? 
A razão pode mesmo interferir até mesmo em sentimentos tão intensos e sólidos,ou nada abala o desejo de dois amantes ardentes? Quem pode prever o fim de uma história fadada ao declínio, não é mesmo?



Capítulo 1 – Michael- 


Desde que adquiri um imóvel modesto, em Londres, localizado no leste de Richmond e Putney um bairro do meu agrado que detém todas as características indispensáveis para mim, sinto que encontrei meu "paraíso verde", afastado do centro movimentado da cidade, livre do caos urbano e da agitação noturna. Muitas pessoas podem acreditar que morar sozinho, especialmente para um homem de quase trinta anos completados, que deveria estar constituindo família, rodeado de crianças barulhentas, minha vida aparenta ser monótona e pacata, mas eles desconhecem os benéficos de usufruir da liberdade sem medo de transitar pela casa sem camisa ou a maravilha que representa comer pizza sem peso na consciência. E o mais importante tudo isso sem levar uma tremenda bronca da esposa por comer gordura trans.  e jogar a toalha na cama.

Não serei hipócrita e dizer que não há momentos que me sinto um solitário e desejo ter uma mulher cheirosa na minha cama para abraçar e partilhar minhas frustrações cotidianas. A questão é que, ainda não me enxergo como um homem casado, ou talvez a mulher ideal, que me tire do sério ainda não tenha cruzado meu caminho para me dissuadir da ideologia de que quem faz minhas regras sou eu. Esse é outro agravante e catalisador dos términos de meus relacionamentos passados, geralmente, as garotas querem lhe moldar, almejam um príncipe encantado que realize todos seus caprichos, para ser mais sucinto algumas delas não querem um companheiro, mas sim um projeto de maricas que se adapte as necessidades fúteis delas. Então, não posso apreciar a companhia feminina sem que dentro de alguns meses mulheres fodam minhas expectativas e consecutivamente minha crença no matrimônio. Elas pedem demais, falam ininterruptamente, são emotivas e irritantes quando se sentem ameaçadas por outras fêmeas, elas compõe a classe das patricinhas de Londres. 

Amaldiçoado aqueles que generalizam seres humanos, todavia quando o assunto são mulheres, há um contingente exorbitante de meninas vazias e dispostas a monopolizar o parceiro no intuito de impor suas vontades aos capachos. Minha última namorada, Jesse com a qual me envolvi emocionalmente e dei-me a chance de sossegar, também não passava de um mimada, obstinada a me transformar em um empresário polido e sorridente. Tanto eu como ela nos ferimos, creio que nossas ideias divergiram de tal forma que tornou-se insustentável manter o respeito. No final das contas tudo transcorreu da melhor forma possível, claro que sonhos foram destruídos, mas os danos acarretados pelo egoísmo dela eram irreversíveis. A confiança é como um cristal delicado e quando ela se quebra mesmo se tentarmos colar ele estará sempre trincado. Hoje, sendo mais maduro do que há dois anos quando me relacionei com Jesse, compreendo que ela errou em tentar mudar minha essência e eu errei em criar falsas esperanças de que ela pudesse ser fiel em relação aos meus sentimentos. 

Não vou mentir, nem justificar o rumo que deixei as coisas tomarem, muito pelo contrário, admito que esperei demais dela, ansiei que ela mudasse para me fazer feliz, às vezes as pessoas só se revelam inteiramente no convívio íntimo. Foi um engano, reconheço que não houveram esforços de ambas as partes para fazer dar certo, tampouco tentativas amigáveis de reconciliação. Infelizmente, não nos tornamos amigos, Jesse somente seguiu em frente, encontrou o cara que julga ser sua outra metade e casou três meses depois de eu romper o namoro, alegando me sentir sufocado e desprovido de bravura para enfrentar as crises patéticas de ciúmes dela. Além de possessiva ela estava determinada a fazer de mim seu "par ideal". Porra! Como eu poderia aceitar a proposta humilhante que Jesse me fez? Definitivamente, me enfiar dentro de um terno e me tornar um exímio executivo da empresa de telecomunição do pai dela nunca compôs o topo da minha lista de prioridades, algo assim nem passa pela minha cabeça. Gosto de ser livre como uma folha ao vento e não existe mulher no mundo capaz de reverter essa conduta. O amor não é possessão, e é ao tentar escravizá-lo que todos pecamos, tornando a magia um peso nos ombros. Evidentemente, não somos muito aptos a enxergar nossos próprios defeitos e não fugindo aos padrões nem compondo a exceção, prefiro pensar que minha volubilidade acrescenta charme a minha personalidade. Baseado em meu trabalho "excêntrico" e visto como um reles passatempo para os defensores dos engravatados de plantão, tento ser mais sensível a natureza que me rodeia. A inspiração não é algo que se possa explicar, ainda soa misteriosa para mim. Se eu me trancar no meu ateliê no porão e exclamar: "Oh, eu preciso pintar um quadro majestoso, que toque profundamente o coração de quem vislumbra-lo” nada acontece.    

O segredo é permitir que a imaginação fale por si só e o resto acontecerá involuntariamente. A arte me curou de muitas feridas, e a considera um mantra para alma e a mais eficiente terapia para combater as tristezas. Porque quando sua mente trabalha por algo que o revigora, tudo ao seu redor ganha cor e um verdadeiro sentindo antes inexistente. 

Todas as moléculas e partículas estão em constante movimento justamente por um motivo: evolução. Nós também somos seres de mudança e é imprescindível renovarmos nossos talentos, e aperfeiçoá-los para acompanhar o ritmo do progresso. A conexão com os animais é outro fator que faz toda a diferença, eles só esperam um carinho, não lhe cobram nada ou reclamam, estão sempre retribuindo do seu jeito desinteressado nosso amor. Eu por exemplo aprecio a amizade deles, inclusive meu gato tem sido um incrível amigo, e eu não o trocaria por muitos seres humanos intragáveis por aí. Skiper é a alegria da casa, sempre que chego cansado da feira artesanal, onde vendo minhas telas ele melhora meu estado agudo de mal humor ao pular no meu colo e clamar por carinho. Desde criança levo jeito com animais, papai costumava me repreender por passar muito tempo com o cachorro que ganhei de presente quando completei 8 anos, isso o irritava sobremaneira, principalmente ao me afundar dos estudos e me esquivar de uma possível graduação. O meu lado acadêmico era limitado, nunca fui um prodígio. Já a arte, o segredo é permitir que a imaginação fale por si só e o resto acontecerá involuntariamente. 

Decerto papai acreditava que eu deveria seguir seus passos, e sua ambição prejudicou os valores morais dele. Não que ele não tenha trabalhado feito um condenado para construir seu patrimônio, admiro o esforço de meu velho, mas acontece que as pessoas superestimam o dinheiro. Por que é tão importante para elas? É pelo poder? Eu tenho ar nos meus pulmões, algumas telas em branco no porão e isso se resume a tudo que necessito para viver intensamente. Portanto, continuarei dispensando uma vida baseada em regalias, e luxos desnecessários. 

A maioria dos ilustres empresários mal tem tempo para desfrutar dos milhões que faturam, vivem com problemas de somatização devido as infinitas responsabilidades que vem no pacote do capital. A impressão que tenho é de que eles possuem "tudo", entretanto não são puramente felizes em seus casamentos. Infelizmente, ainda não tive filhos, tampouco encontrei uma garota para tal tarefa, apenas levanto a questão da seguinte forma, quando eu tiver meus filhos quero participar da criação deles, educá-los, chegar exaurido do trabalho e ensiná-los a lição de casa enquanto minha esposa prepara o jantar, e geralmente os multimilionários estão muito ocupados fazendo crescer suas fortunas inimagináveis e somente tentam suprir o vazio afetivo das crianças com presentes caros. O maior erro que esses pais cometem é tentar comprar com mimos o elo de amor que deveria uni-los  aos seus filhos. Crianças precisam de atenção contínua, elas são sensíveis e carinhosas o suficiente para nos agraciarem com sua inocência, e retribui-las é demasiadamente fácil, basta tirar um tempo do seu dia e levá-las para andar de bicicleta, ou até mesmo iniciar uma guerra de bexiga d'água no conforto de sua residência.

 É exclusivamente pela simplicidade buscar por prazeres em atividades divertidas, que aprecio crianças, elas não me pedem nada ou me usam em prol de seus interesses, assim como os animais. Se eu estou feliz, Skiper reflete meu humor, mas quando fico triste ele pula no colo do dono e tenta de seu modo irracional me consolar, porque também absolve minha dor. Pessoas às vezes ignoram sentimentos, é uma tendência do ser humano o maldito egocentrismo e eu tenho tentando compreender essa filosofia de vida mesmo sem captar o estilo capitalista. Nos dias atuais me sinto uma alma perdida no mundo, e Skiper me alegra com sua vivacidade e afagos, ele é o meu companheiro. Talvez alguém ache excêntrico um homem da minha idade e "posição", desenvolver tanto apreço por um gato. Pode soar estranho para os ignorantes, mas quem dá ibope a esses infelizes? Eu não me incomodo mais com os comentários tendenciosos relacionados ao meu estado civil, e meu gato adorável. Foda-se se a sociedade atingiu um estágio de regressão tão elevado no qual é estranho dedicar um pouco do seu tempo para animais e isso é visto como controverso. Não se pode agradar a todos, então tento ser cordial e me manter longe de confusão, e das imbatíveis fofocas. Dizem as más línguas que eu sou um recluso marrento, introspectivo, solitário, que perdeu a fé na humanidade. Bem, se é o que meus vizinhos querem pensar não serei eu a dissuadi-los de suas maluquices. Muitos deles nunca dirigiram a palavra a mim, a maioria nem me conhece e saem aos quatro ventos me difamando. Para o azar deles não considero relevante a opinião alheia. Faço o que me faz feliz sem olhar para trás, se ninguém concordar com minhas concepções não é um dever meu rebater, assim como ninguém é obrigado a me aceitar, exijo essencialmente o respeito. O silêncio é minha resposta a esses desocupados.  Julgamentos equivocados fazem parte do viver, abordar essas fofocas só contamina mais o mundo e sinceramente todos deveriam se preocupar com os próprios problemas ao invés de invadir minha privacidade.

- Vem aqui, hey, psiu Skiper._Usei minha lábia de mestre para capturar meu fiel amigo. - Isso esse é meu garotão - Conclamei assim que ele se acomodou ao meu lado na cama, alisando o pelo dele e me dispersando dos pensamentos negativos. 

(...)

O luar atravessa as venezianas parcialmente abertas, refletindo suaves pontinhos brilhantes provenientes da lua cheia. Mais uma noite, jogado no sofá da sala, estava assistindo a liga de futebol americano e me despindo de quaisquer preocupações seguindo minha santa rotina. Skiper depois de brincar horas no jardim obviamente não teve energias para me acompanhar, então a cerveja e a galinha frita fazem seu papel de serem meus companheiros. 

Minha alimentação era balanceada, pelo menos quando tinha uma empregada a minha disposição. Só que naturalmente o lucro que tiro com a venda dos quadros reduziu exponencialmente nos últimos meses, o que me obrigou a reduzir gastos supérfluos e algumas despesas. O conforto às vezes faz falta, mas não ao ponto de me fazer desistir da carreira pela qual desbravei uma guerra com minha família. Em Londres há poucos entendedores da arte contemporânea, os ingleses são fascinados pelo clássico e não abrem mão das obras dos antigos pintores leiloadas aos colecionadores a valores exorbitantes.

A princípio com o que restou das economias que juntei, consegui manter um padrão razoável de vida, tanto que fiz um excelente negócio na aquisição dessa casa. Uma aconchegante construção vitoriana em Richmond e Puntey. Decorei ao meu gosto o imóvel, na verdade nada se equiparava ao meu anterior estilo de vida, entretanto podia me dar a certos luxos, que agora foram extintos. Provavelmente soarei complementarmente insano para alguns apreciadores de bens materiais, mas mesmo assim seguirei em frente... Não eu nunca senti compulsão por acumular riquezas, jamais me iludi com a fortuna e o que ela pode proporcionar. Sou feliz, sendo livre para pincelar meus sonhos em telas em branco, vivendo em um universo paralelo, oposto a recepções e jantares estonteantes para membros da classe nobre. Em hipótese nenhuma recuarei ou retornarei para o inferno do qual fugi, quero apenas expor cor na parede das outras pessoas. A versão do Michael humilde, descontraído não se compara ao ser amargurada que já fui. Todo meu inconformismo me transportou a novas oportunidades, abriu caminho para minha libertação e aqui estou. Errando, quebrando a cara, me reerguendo e sorrindo novamente. 

- Sonhando acordado de novo Sr. piegas? - Inesperadamente a voz grave do único amigo que tem me apoiado há 3 anos, desde que cheguei a Londres ressoou na direção do anexo da sala, me despertando do transe no qual me encontrava. Evan não perde o trunfo de me satirizar com suas piadas inofensivas. Agradeço a Deus ter alguém com quem contar. 

- Está aperfeiçoando a sordidez? - Varri meus olhos pela expressão de puro contentamento dele, e solvi mais um pouco de cerveja no gargalo da garrafa.

- Senta aí cara.  - Dissipei o clima satírico e Evan desabou grosseiramente no sofá ao meu lado. - Se quiser tem cerveja no na geladeira. - Acrescentei intercalando o olhar entre ele e finíssima tela de led da minha TV. Como desgrudar os olhos desse objeto do diabo? Diabos! Inconcebível, quando seu time de coração está em campo.

- Não, obrigado, vim para fazer um convite. - Desconversou sustentando um sorriso perverso nos lábios. -Mike, saia da toca e vamos à caça. - Insinuou metaforicamente me fazendo gargalhar estridentemente. Afinal, essa mania dele de querer me levar para o caminho da perdição é um atentado a inteligência e ao ego masculino.

- Estou bem, certo? - Fitei-o com o canto do olho direito, pronto para contra atacar. - Foi um dia cansativo, só quero tomar uma ducha e cair na cama. - Desprendi um suspiro resignado dos pulmões, desanimado para planos baladeiros.

- Não, cara, é sério, basta admitir que está se isolando. Vamos lá, transar levantará seu astral, terá coragem de dizer que não tem energia para sexo? - Desafiou, obstinado a me persuadir a ter sexo casual. Não que a ideia não seja tentadora, porém estou literalmente enjoado de foder uma vadia, saciar meus desejos e pronto. Gostaria de mudar o foco das coisas, talvez compartilhar uma relação mais sólida do que uma noite. Mulheres oferecidas são uma fonte de prazer, mas não servem para desabafos.

- Evan, nada feito, essa noite não é oportuna para sexo selvagem, já estou fora de toda essa loucura a um tempo. _ Relembrei-o a respeito da minha mudança de caráter que visa buscar outras emoções puras na vida, esquecendo promiscuidade e largando a garrafinha de cerveja na mesa de centro da sala .  - Ando empenhado a crescer profissionalmente, e me envolver com garotas decentes e com mais de dois neurônios. _ Atestei orgulhoso da minha resistência. Finalmente não caí em tentação, e torço para que isso perdure ou meus sonhos serão arruinados e substituídos por vadias siliconadas sem um pingo de inteligência.

- Mike, mulheres gostosas devem ser usadas com parcimônia, seguindo esse conselho poderá gozar da companhia feminina sem compromissos ou cobranças. _ Argumentou enquanto eu prosseguia hesitante e preso ao futebol e a cerveja. 

- Evan, não quero usar nenhuma garota, não mais. Se elas gostam de ir para cama por puro tesão não serei eu o falso moralista a condená-las, mas também cansei desse tipo de envolvimento impessoal. _ Enfatizei claramente que não estou mais disposto a transar sem um motivo aquém do prazer. - Não me olhe assim, as pessoas tem o direito de reavaliar seus princípios. _ Defendi-me do olhar irônico do meu amigo.

- Puta que pariu! O que fizeram com o garanhão que habitava seu ser? Gargalhou sordidamente, demonstrando incredulidade ao me ouvir proferir um discurso a favor de relacionamentos tradicionais, e de fato essa filosofia de tomar um rumo nos braços de uma mulher e me aquietar é natural na minha idade.

- Nada meu caro, ele está diante dos seus olhos, só que guardará o fogo e virilidade dele para quem merece. Mordi o lábio inferior imaginando o quanto a mulher que me amarrar será sortuda e saciada na cama. Não serei modesto, conheço meus atributos e o tipo de reação que provoco nas mocinhas virginais.

- Pelo menos a petulância permanece invicta. - Rebateu inconformado com meus novos valores. 

-  Evan, você... _ Articulei as ideias. -Nunca se apaixonou loucamente? Questionei franzindo o cenho pela curiosidade em conhecer o passado intocável dele.

- Essa conversa está ficando intimista demais. - Praguejou desconfortável com uma simplória pergunta. Todo homem que resolve se manter afastado de relações formais teve um caso amoroso mal resolvido, uma puta que fodeu a fé no amor do cara, e deixou o imbecil desenganado. Evan é um candidato forte a ter sido desapontado o rancor da voz dela é um indício, infelizmente meu amigo não foge à regra.

- Sempre fui transparente contigo, e espero que seja comigo - Adverti incisivo, de uma forma que não costumo ser nem quando sinto raiva. Hostilidade não é uma postura que assumo facilmente.
- Antemão já aviso, é uma daquelas histórias clichês nas quais você confia, se deixa ser seduzido por um belo rosto e saí de coração partido. - Dramatizou a um fio de implorar para que eu desista de escutá-lo. 

-  Evan..._Cruzei os braços entediado com a compostura infantil dele.

- Droga... você venceu! - Cedeu me assassinando mentalmente. -Ok, vá buscar pipoca, o romance irá começar... Embora não aparente ser um homem que compra flores e leva garotas para jantar em restaurantes imponentes, já fui um desses idiotas... Literalmente acreditava que Diana seria a mãe dos meus filhos, comprei um anel de diamantes e..._ Ponderou e notei que sua voz oscilou. - A vagabunda me traiu com o chefe, todos os sinais estavam lá bem debaixo do meu nariz, era obvio que que eu era corno, mas a porra do amor me cegava... No final ela se casou com um milionário e vive à custa do fortuna do velho nojento... e... eu... 

- Por favor se não quer concluir eu não vou me opor. _ Solidarizei-me com a decepção dele. Por que o amor tem que ferir? Por que as pessoas traem e fingem amar? São perguntas que nem mesmo os gênios da psicanálise humanos podem responder. O ser humano quando deseja consegue ser sádico e frívolo.

- Sinto muito, por descarregar toda minha desgraça em cima de você. Lamuriou perdendo o choro que tanto precisa pôr para fora.

- Somos parceiros, eu já te importunei muito com minhas frustrações é para isso que servem os amigos. - Decretei oferecendo meu inteiro apoio a ele.

- Só quero ficar sozinho, refletir... Obrigado pela paciência, precisava mesmo me libertar desses fantasmas... Agora, tenho que ir, nos vemos em breve Sr. purificado. Anulou a tristeza e como sempre caímos na risada com os comentários mórbidos dele sobre o Michael regenerado. - Evan me deu um abraço apertado de irmão, esse gesto já virou o símbolo de nossas despedidas e antes que eu pudesse processar todas as revelações ela já havia deixado minha casa... Que o destino permita que ele supere toda essa carga emocional, certas pessoas não tem sorte no amor, ah, o maldito e tão vital amor. Como seríamos mais positivistas de não dependêssemos de outro alguém para nos completar e se nascêssemos completos.



Capítulo 2 – Loren –


O tique e taque do relógio faz minha cabeça pulsar de uma forma horrenda. Levanto-me da minha mesa e caminho pela ampla sala do meu escritório. Batuco a caneta, que fora banhada em ouro e que carrega minhas iniciais LB, nos meus dedos. O ar dentro dessa sala as vezes me parece meio rançoso, difícil de se respirar, preciso comentar isso com minha psicóloga. Acredito que as pressões recentes vêm me deixando ansiosa demais.

Sento-me no sofá de couro branco e espalho minhas pernas sobre a mesinha de centro circular, que ostenta em seu meio um vaso chinês. Acima de mim há um quadro de um artista qualquer, que custou alguns milhares de dólares, à minha frente uma mesa de vidro, com pés e detalhes cromados em um prata reluzente. Minha cadeira combina perfeitamente com o sofá, já que foi confeccionada pelo mesmo designer. Em cima do tampo de vidro da espaçosa mesa, há um computador de última geração e dois porta-retratos, um com uma foto minha nos alpes, e o outro com uma foto dos meus pais na nossa propriedade na Suíça. Mais à frente há um mini bar com algumas diversidades de bebidas e ao lado uma porta que dá para meu espaçoso banheiro. Tudo é um luxo e extremamente confortável. 

Desde que eu era uma adolescente mal formada ansiava pelo dia em que ocuparia a sala que fora do meu pai, e eu consegui, antes mesmo do que pensara. Estudei duro, enfiei a cara nos livros e fiz doutorado quando a maioria das pessoas da minha idade ainda nem haviam se graduado. Agora mereço estar aqui, ter o império dos Baker aos meus pés, e reiná-lo é mais satisfatório do que eu imaginara.

Nunca tive problema com dinheiro, luxo ou conforto. Meus pais são donos de uma rede de hotéis, que tem filiais em 5 países. Por isso sempre fui muito prática e objetiva quanto a meu futuro. Eu poderia escolher entre viver uma vida fútil gastando minha fortuna, ou comandar tudo isso, já que não tenho outros irmãos. Até por que não queria ser mais uma socialite que se casa e entrega nas mãos do marido seu dinheiro. Eu sou capaz, eu faço dinheiro se multiplicar, e tenho verdadeira paixão por comando e poder. Aqui, no topo, é o meu lugar.

Impaciente, e sentindo a onda claustrofóbica me engolfar, levanto do sofá e sigo até a janela envidraçada. Daqui posso ver perfeitamente o movimento das pessoas lá embaixo. Tenho alguns rompantes onde me pergunto como seria viver pelo menos um dia aquela vida simplória que a maioria das pessoas tem. Sem um carro importado, sem roupas caras, sem um milhão de compromissos que requerem minha atenção. Seria sem graça! Definitivamente. O que moveria minha vida se não essas coisas?

Caminho até o mini bar e me sirvo de uma dose de uísque, o mais forte dali e meu preferido. Enquanto beberico minha bebida olho de relance para a foto dos meus pais. Figuras importantes da alta sociedade, com dinheiro suficiente para a próxima geração. Mas fora isso, o que se resume nossa família? Meus pais parecem mais sócios do que qualquer outra coisa. Nunca vi troca de afetos, sorrisos, nem qualquer uma dessas baboseiras românticas. Minha mãe disse que o casamento deles fora um acordo entre duas famílias com fortunas consideráveis, e que foi feito o melhor para ambos. Eu sou a única filha deles, e mamãe fez questão me dizer certo dia que fora um sacrifício engravidar de mim, e que nunca quis outro filho pois não pretendia mais se deitar com meu pai.

“Seja sempre objetiva assim, Loren. Procure um homem inteligente e rico, case-se com ele, e tenha um único herdeiro que perpetuará a família. Triplique o que vocês tiverem, e seja feliz quando chegar em minha idade, usufruindo de tudo que tem. Você é rica, inteligente e linda, tem um futuro brilhante pela frente. Não seja tola envolvendo-se sentimentalmente com nada nem ninguém em sua vida” – O conselho de minha mãe, o qual ela discursou quando eu acabara de completar meus 18 anos, ainda ressoava em minha mente, e eu o levava como um mantra. Mamãe tinha razão.

Três batidas na porta me tiraram de meus pensamentos.

- Entre – Disse, acomodando-me em minha cadeira.

A figura magra e desajeitada da minha secretária adentrou a sala, arrumando os óculos.

- Senhora Baker, a reunião com o grupo de fornecedores foi desmarcada. Pediram para remarcar para segunda. – Encarei a mulher e soltei um suspiro exasperado.

- Esses idiotas acham que eu tenho tempo pra ficar à disposição deles? Ligue para novos fornecedores.

- Mas senhora Bak...

- Não me questione, Ivonne, você quer sair daqui com sua carta de demissão?

- Não senhora – Negou veementemente com a cabeça – O que eu digo aos outros fornecedores?

- Que se eles não quiserem perder a parceria com os Hotéis Baker, les devem estar aqui amanhã, às 07:00 da manhã.

- Mas amanhã é sábado. – Bufei, perdendo a paciência.

- Acha que me formei em Harvard e não sei a porra do dia da semana. Estou mandando que venham ou perderão a parceria, isso é tudo. Entendido?

- Claro, senhora – Ela anotou algo em seu tablet.

- Há algo mais para hoje? 

- A senhora tem um café marcado com Ethan Howard – Franzi meu cenho, odiando me lembrar da figura irritante do meu ‘colega’ de faculdade.

O hippie idiota. Só deixava aquele cara continuar com os projetos dos novos hotéis por que ele é o melhor da atualidade. Apesar de ser um esquisito, que vive doando os rios de dinheiro que ganha para a caridade, e que mora em um bairro chinfrim, do outro lado da cidade. E tem como robe favorito me irritar, me arrastando para a pobreza na qual ele ama viver, apesar de ser riquíssimo.

- Onde aquele Hippie marcou o café?

- Na Camden High Street, em frente a feirinha livre. O nome do café é Camden Café.
Que criativo! – Pensei revirando os olhos.

- A senhora tem que estar lá antes das 14 horas.

- Só aquele idiota para marcar um café no horário de almoço. Homenzinho pobre de espírito! – Me erguida cadeira, reparando que já era quase uma da tarde. Não iria mesmo almoçar, já que estou de regime. Então aproveitaria para ir logo a maldita Camden Street e me livrar da presença de Ethan. – Não retornarei mais ao escritório, pode ir depois que terminar de organizar a agenda de amanhã.

- Sim senhora – Ivonne assentiu – Tenham uma boa tarde.

- Como se isso fosse possível – Argumentei rabugenta, enquanto me encaminhava para fora da sala.

Passei pelos corredores do escritório, ignorando a prole que insiste em me impressionar. Tenho pena deles, já que isso é meio impossível de se fazer. Tenho discernimento de que preciso deles para tocar a empresa, por isso os pago muito bem, não estou aqui para amizades.

O escritório não é grande, ocupa um andar do prédio Viboll. Aqui, na sede, contamos com cerca de 30 funcionários, que ajudam a tocar todos os demais hotéis de nossa rede.
Poderia enviar alguém para ir resolver o problema chamado Ethan, mas gosto de executar certas tarefas pessoalmente. Por isso me enfio no carro e entro naquele transito infernal para chegar a Candem. 

O bairro é mais simplório do que esperava, e praticamente corro para dentro do café assim que estaciono meu carro. Meus saltos de 15 centímetros não ajudam muito, mas ser elegante enquanto troto para dentro do café não é minha intenção. Tenho medo de ser fina aqui e ser assaltada. 

Ignoro os olhares que me seguem enquanto caminho dentro do meu vestido branco, grudado de forma elegante ao meu corpo. Meus cabelos castanhos e ondulados estão soltos e meus olhos extremamente azuis marcados por um lápis e rímel. Mamãe sempre me disse que tenho a aparência de uma rainha, e que isso ainda me garantiria muitos benefícios. Não a desminto, costumo receber olhares e flertes baratos, mas ainda não encontrei com um cara tipo ‘dono do banco central’, por que é exatamente com um homem desse nível que pretendo dar realmente chances.

Não se enganem. Não faço o tipo virginal, pelo contrário. Saio bastante, me divirto nas melhores e mais caras boates de Londres, quase sempre acabo na cama com um bonitão, mas nada mais que promiscuidade, dispenso-os em seguida. Tudo que quero deles é um orgasmo, e depois de consegui-lo – ou não – os dispenso. Simples e prático.

Olho para a faixada decaída do tal café e tenho certo receio de entrar, mas o faço. Tudo pelos hotéis! Um garçom jovem e extremamente solicito se aproxima, peço um café com conhaque apenas para disfarçar, não vou beber.

Poucos minutos depois Ethan aparece, vestido com roupas largas e com dreds nos cabelos. Sorrio falsamente enquanto ele se senta.

- Aposto que você está amando o lugar, acertei? – Lhe lancei um olhar fulminante.

- Você é ridículo. Vamos logo com o que nos trouxe aqui.

Depois de bons 10 minutos de conversa, Ethan e eu já havíamos esquecido de nossas diferenças e mergulhado inteiramente no trabalho. Ele me trouxe um plano de decoração maravilhoso. Claro que não expus o quão maravilhoso achei seu trabalho, e ainda discordei dele em um ou outro ponto, só pra destonar.

- Vou analisar junto com o grupo competente por essa parte do trabalho e te darei o aval de começar os trabalhos.

- O.K, madame – Ele assentiu, enquanto levava à boca aquele sanduíche natural com uma cara terrível. Fiz careta, encarando-o.

- Você é muito fresca – Meneou a cabeça – Nem mesmo bebeu o café que pediu.

- Convenhamos que esse lugar não tem uma cara muito agradável. E sei que só marcou aqui para me irritar – Lancei um olhar para a rua mais à frente, que agora estava tomada por pequenas bancas e alguns feirantes e transeuntes. 

- Um dia ainda te vejo corrigida, senhora-não-me-toque. Sei que lá no fundo, mas bem no fundo mesmo há uma boa pessoa. Quem sabe um amor não pode fazer o milagre de te resgatar.

- Amor? – Ri abertamente – Por favor, Ethan, a droga que você anda consumindo está definitivamente afetando seus neurônios.

- Deve estar mesmo, pra eu estar colocando fé em você. Enfim, eu vou nessa. Me liga quando estiver tudo certo para que eu possa ir em busca de móveis e esse troço todo. – Ele ergueu-se, colocando sobre a mesa uma nota de cinquenta dólares.

Olhei-o de cima a baixo.

- Você deveria tomar um banho, cortar esses cabelos e parar de usar maconha. Está péssimo – Um sorrisinho de escárnio estampou meu rosto.

- E você deveria ir trepar com um homem que te dê um orgasmo e não uma joia ou um carro, iria melhorar seu humor – Ele riu, me deixando boquiaberta – Nos vemos em breve, querida.

- Idiota – Rugi, observando-o se afastar.

Sai do café mais que depressa. Almejava alcançar meu carro importado, que destoava da pobreza dali, em um milésimo de segundo. Me sentia desconfortável em meio aquelas pessoas. Não que eu fosse tão megera assim que não pudesse estar no mesmo ambiente que eles, eu só não sabia como me portar.

Apertei a pasta contra o peito e andei depressa, ignorando as vozes e olhares. Uma parede me interceptou no meio do caminho, logo em seguida minha pasta estava no chão e algo morno molhava minha blusa.

A parede era um homem, um belo de um idiota que trombou em mim, fez o favor de derrubar todos meus papéis e...

- Aiii meu Deus – Dei um grito afetado, que chamou a atenção de todos ao redor – Meu vestido!

Meu Christian Dior estava manchado de tinta verde. Meu imaculado branco, com detalhes em ouro rosa estava arruinado e por aquele energúmeno!

Levantei meus olhos e encarei-o, pronto para soltar um milhão de impropérios com aquele ser lerdo. Mas as palavras ficaram presas em meus lábios quando meus olhos se fixaram em um par de olhos negros, um nariz afilado, uma boca carnuda... UAU!


- Você não olha por onde anda, criatura? – Tão rapidamente quanto começou, o encanto foi quebrado e eu me empertiguei, pronta para uma briga de proporções alarmantes.



Capítulo 3 – Michael –

- Seu desastrado! Por acaso é cego? - Senti duas mãos delicadas me empurrarem e recuei um passo para encarar a garota desequilibrada que se debateu contra mim acidentalmente, a petulante não para de gritar por um reles segundo. 

Porra! Tudo por um vestido, diga-se de passagem tenebroso, que péssimo gosto essa mulher tem, e para completar o pacote, que humor do cão. Obviamente uma lavanderia resolverá a questão do banho de tinta que ela levou me poupando de maiores amolações. Jamais tinha tido o desprazer de esbarrar com uma madame tão soberba, mas dessa vez vejo que o destino se encarregou de me jogar na boca do lobo.

- Prazer, não que lhe interesse, mesmo assim sou Michael Jackson - Saudei constrangido com a agressividade da moça. - Olha aqui "baixinha", diminua o tom, estou em meu ambiente de trabalho e está espantando minha clientela. Acidentes acontecem, lamento pelo seu vestido..._Forcei uma expressão de lamentação, quando na verdade estou rindo por dentro do ódio explícito nos olhos expressivos da moça. Ela praticamente está mortificada com minha impessoalidade ao tratar de suas "nobres vestes".

- Baixinha? Não faz ideia de com quem se meteu! - Cruzou os braços consternada. - Desacredito que ousa me culpar por sua desatenção, seu ogro! Esse é um Dior legítimo de 10.000,00 dólares, e eu exijo um ressarcimento pelo prejuízo - Bradou impassível, suas têmporas tingidas de vermelho demonstram a raiva que a consome. 

Patricinha desocupada. Com certeza não tem responsabilidades além de torrar a fortuna dos pais e vem importunar um trabalhador honesto. 

A beleza dela não me passou desapercebida, apesar da estatura baixa ela sabe se impor e tem argumentos afiados. Definitivamente, não é uma garota que passa incólume a olhares masculinos, talvez calada e na minha cama gemendo, essa riquinha nem seja tão irritante. 

Merda! Michael, respire, vamos pare de pensar em sexo, logo agora que você está tentando abandonar a vida libertina, se concentre em outras coisas, como por exemplo em se livrar da gostosa que está diante de você, disposta a te tirar do sério e foder com seu auto controle. Purifique-se desses pensamentos luxuriantes. 

Camden High Street sempre me pareceu o local ideal para comercializar minha arte, já que a feira na qual vendo é movimentada, entretanto nada enlouquecedor ou semelhante a agitação do centro da cidade. Pessoas mais simples frequentam o lugar e esse foi outro fator que me induziu a vir trabalhar aqui.

- Acha mesmo que irei pagar sozinho por algo que você é tão culpada quanto eu, "baixinha"? - Retraí o cenho perpassando meus olhos pela mancha verde que começa na alça do vestido da garota e ganha vida no decote, descendo até a barra da peça.

- Meu nome é Loren Baker - Enfatizou me corrigindo. - E sim, claro que irá arcar com os danos, ou quer resolver nossas divergências em um tribunal? - Desafiou empinando seu nariz naturalmente arrebitado, lançando-me um olhar de puro desdenho.

- Está bem, deixe-me pensar -  Ponderei por alguns instantes, fitando-a incomodado. - Certo, sei como resolver essa questão... Minha casa fica há poucas quadras daqui, e pode se lavar lá... Quero dizer - Pigarreei. - Podemos tirar essa mancha com uma lavagem decente... Tenho lavanderia e tudo que precisamos para dar um jeito nisso..._ Propus esgotando minha fonte 'inesgotável' de paciência. 

Embora os negócios não transcorram as mil maravilhas e minha remuneração pela venda dos quadros seja ínfima não desistirei no meio do caminho longo que ainda tenho que trilhar. Algumas vezes me deparo com pessoas que me desmotivam e tentam me criticar, mas nunca estive diante de uma madame tão arredia. Não me entristece abdicar que o conforto que o dinheiro propicia, estou feliz sendo um pintor humilde e sonhador.

- Eu não vou a lugar algum com você - Recusou minha proposta. - Mal o conheço, pode querer me aplicar um golpe ou ser um criminoso - Alegou exageradamente, fazendo gestos exibicionistas com as mãos.

- Não admito que julgue minha índole sem sequer se dar ao trabalho de me perguntar o que faço da vida. Desde quando um psicopata comercializa quadros em uma feirinha modesta de Londres? Genial esse sujeito - Exclamei sarcasticamente, obtendo êxito em desconcertar e desarmar a patricinha.

- Não quis ofender, mas tente entender minha precaução - Retratou-se.

- Eu não sou um ignorante mais você foi longe demais... Melhor esquecermos, pelo que consta tem condições de comprar outros vestidos do valor correspondente ao que perderá - Constatei

- Odeio ter que concordar com pobretões da sua laia, mas se não tirar essa mancha perderei meu tesouro da Dior - Bufou sem perder a chance de destilar preconceito em cima de mim. 

Uma típica patricinha que preza pelo luxo e se esquece que os verdadeiros valores estão no caráter, e a beleza na alma.

- Oh, que pena... mas é esse pobretão aqui que irá salvar essa droga de vestido! - Revidei os insultos dela sutilmente. - Virá comigo ou não baixinha?_ Franzi o cenho já me pondo em movimento.

- Imbecil, isso que você é, um suburbano bruto - Bateu os pés contra o chão como uma verdadeira mimada e seguiu meus passos na direção onde estacionei minha caminhonete.

- Cuidado com as palavras, se bem que exigir educação de quem desconhece a virtude é impossível. É pegar ou largar madame.

- Triste destino... que tremendo sacrifício farei em nome do meu Dior – Divagou com gestos exagerados.

- Ficará aí se lamuriando? - Inquiri brandamente, fazendo menção de ligar a ignição, mas antes disso Loren interferiu, batendo a bolsa contra o capô da caminhonete em protesto. Apesar do chilique dela essa atitude não deixa de ser adorável e inocente. - Eu fiz o possível para ser gentil com você, não que mereça, mas tentei...

- Espere, mudei de ideia, leve-me até sua casa e salve meu Dior - Hesitou por alguns instantes mas concluiu a frase.

- Tudo bem, decida o que quiser, por mim tanto faz - Encolhi os ombros ignorando o drama e todo a ladainha teatral da garota. - Vai vir comigo ou não? - Refiz a indagação impaciente e ela aproximou-se da janela do meu carro com, aproveitando que o vidro está integralmente abaixado.

- Decidiu-se? Pronto, preciso ajudar a "Vossa majestade" a entrar no veículo? - Insinuei com um sorriso sacana dançando nos lábios e adentrei a picape que tem sido meu grande quebra galho e esperei um retorno de Loren.

- Vou ter que entrar nesse depósito de sujeira? - Apontou horrorizada para minha caminhonete e algumas latas de cervejas entre os bancos. A repulsa dela é abusiva, já não basta tolerar as ofensas dela, e o desprezo agora terei que engolir essas caras e bocas.

- Sim, "madame", ou terei que lhe carregar nos ombros, o que prefere? - Provoquei dando novamente de ombros e ela revirou os olhos se enfiando dentro da picape bruscamente.

- Eu no seu lugar colocaria o cinto, porque estou com pressa. - Dei uma piscadela charmosa para ela e seus olhos azuis me repreenderam de imediato. Não considerei a ameaça dela como relevante e saí cantando pneu.

(...)

- Então é aqui que você mora? Pelo menos a santa protetora de mulheres requintadas agiu em prol de meu drama, é menos imundo do que pensei, a iluminação tem um designer razoável. Nada que alguns lustres de cristais não solucionem, sabe a importância de uma decoração luxuosa? Ah, desculpe-me você pertence à classe dos pobres coitados que contam trocados no final do mês. - Loren depreciou minha situação financeira pela enésima vez em menos de um par de horas, frisando o quão deve ser enfadonho viver em condições tão precárias sem cometer suicídio. 

Sua feição de nojo é visível e a maneira frívola de me humilhar transparece o oco de sua alma.

- Cale a boca patricinha! Minha casa pode não ser um palácio, mas é organizada e aconchegante, aqui tenho tudo que necessito para viver em paz. E você não tem nada a ver com isso. - Bradei indignado com o ar de superioridade dessa mulher. -Vamos, deixe-me lhe emprestar algo para vestir enquanto removo a mancha do seu precioso vestido de grife - Dei-lhe as costas e caminhei até meu quarto. Ao abrir meu minúsculo closet, fui surpreendido com Loren dentro da minha suíte parada próxima a mim. Notei ela me encarando curiosa e ignorei a presença dela, pegando a primeira camisa que encontrei na bagunça onde guardo minhas vestes.

- Vista isso, creio que ficará como um vestido... já que é pequena - Satirizei mordendo os lábios ao fixar meus olhos no decote indiscreto dela. 

Por que ela tem que ser tão atraente e cruel? De onde provém tamanha arrogância? Nunca subjulgo os outros, entretanto essa garota me intriga.

- Não pode me atingir, estou em um patamar muito elevado, bem superior à sua vida medíocre - Ralhou com a postura detestável de quem só valoriza a conta bancária das pessoas, enojando-me até último fio de cabelo. Faz parte de quem eu me tornei repudiar atitudes imponentes.

- Errado, você é certamente a pessoa mais pobre que já tive o desprazer de conhecer... E para sua pobreza não existe banho de loja e fortuna que dê jeito, pois é uma miserável de espírito - Exaltei-me despejando todo meu desprezo por quem só ostenta bens materiais e desconhece a beleza da humildade.

- Já chega desse assunto piegas sobre os menos favorecidos, honey._ Protestou arrancando a camisa da minha mão abruptamente. 

Estar perto de Loren é como estar diante de uma pedra de gelo. É um pouco assustador.

- Onde tem um toalete? - Rolou os olhos pelo quarto à procura de um banheiro onde possa se trocar.

- A sua esquerda... a porta de correr de madeira, ali fica meu humilde banheiro, sinta-se à vontade madame - Sorri minimamente em sinal de ironia e sem pestanejar Loren encaminhou-se até seu destino, fechando a porta assim que cruzou o banheiro. Sozinho com meus conflitos emocionais é inevitável não retornar inconscientemente àqueles tempos obscuros e relembrar meu passado repleto de regalias, e totalmente carente de amor.


Flash back

- Michael, eu não farei bom uso de meu poder se não honrar nossa família - O pai ameaçou jogando a pilha de contratos que estava em sua mesa de mármore no chão. A voz rígida dele e sua expressão imutável fizeram o filho estremecer e odiá-lo compulsivamente.

- Não, definitivamente assumir os negócios da família jamais agregará meus planos para o futuro. Me nego a seguir seus passos, minha vida, minhas escolhas, meus sonhos - Suscitou o direito a optar pela carreira profissional para qual possuía vocação, sem temer o confronto direto com o pai intransigente.

- Olhe para mim, o que enxerga? Um homem de negócios, poderoso, influente e dono de uma fortuna imensurável. Não existem outros caminhos ou meios de ser bem sucedido como eu no ramo volúvel da arte - Contradisse os argumentos emocionais do filho sonhador. Leonard Jackson não hesitaria ter que tomar providências drásticas para inibir os anseios de Michael, seguir carreira de pintor era uma afronta para não denominar disparate.

- Quando se mudou para a Itália, mamãe revelou que eram somente imigrantes em busca de uma vida digna e depois... Bem, progrediram, sinto orgulho de sua luta e do fato de ter tido intelecto o bastante para desenvolver uma empresa sólida. Acontece que não está em pauta seu talento nato para transformar ideias brilhantes em milhões de dólares, mas sim, os benefícios além de bens materiais que o dinheiro proporciona - Michael contestou totalmente desenganado em se tornar um exímio empresário.

- Já chega dessa conversa. Meu tempo é valioso demais para ser desperdiçado com sua rebeldia Michael. Portanto reflita, e assim que tomar uma decisão sensata me comunique. Tenho uma reunião com alguns acionistas, cuide-se filho, e por favor nada de se inscrever naquele programa imbecil para fracassados que aspiram escolas de arte - Advertiu fadigado de discutir o assunto com seu único herdeiro o qual em sua opinião deveria conduzir seu império e só passá-lo adiante para seus netos.

Fim do flash back
(...)

-  Droga! - Abandonei o transe no qual submergi ao relembrar minhas infindáveis discussões com papai sobre o valor ilusório do dinheiro.

- Skiper. E aí garotão? Está faminto - Ri ao ver meu gato e fiel amigo lamber meu jeans e me agraciar com seus olhos pidões encantadores. - Vou pôr comida para você daqui a pouco - Chacoalhei a cabeça de Skiper, e ele continuou me acarinhando da sua forma pura.

- Oh, meu Deus, isso é um gato! - Loren entrou em curto circuito ao sair do banheiro e me ver brincando com meu gato. - E ele é preto, não acredito que tem um gato horrível como esse de estimação, isso dá azar seu maluco! - Abriu uma careta pavorosa, secando Skiper com seu semblante de superstição. 

Seria mais fácil odiá-la se não fossem os atributos estéticos que a convencida detém. Vestida com minha camisa, eu posso atestar que essa patricinha está um pecado vivo de mulher, gostosa e sexy de uma forma que desperta meus instintos masculinos mais ferozes.

- Sim, ele não morde ou me insulta, garanto que é uma ótima companhia, superior inclusive à mulheres que só servem para cobrar uma aliança no dedo e atenção dia e noite - Alfinetei exatamente como agem cafajestes desenganados com o amor.

- Ai meu Deus tire esse gato de cima de mim - Excedeu-se com as afagos atrevidos do meu gato em suas unhas pintadas de rosa bebê e surtou completamente. Até parece que ele irá esquartejá-la ou transmite algum tipo de vírus letal como o ebola, mal sabe ela que os animais são uma enorme alegria quando sabemos apreciá-los.  - Com certeza seu mau humor é explicado pela falta de mulher, pobre homem solitário... já deve ter se esquecido de como é saudável transar e gozar alucinadamente. - Loren suspirou cinicamente, puxando o ar para dentro de seus pulmões pesadamente.

- Está enganada "baixinha", tenho minhas habilidades sexuais..._Rebati gesticulando para Skiper sair do quarto e ele obediente como de costume acatou ao pedido do dono. - E as mulheres sempre caiem de quatro por mim, ops literalmente ficam de quatro para mim - Mordi lascivamente o canto dos lábios fantasiando Loren em algumas posições eróticas. - Sexo casual é uma questão de opção, não é nem mesmo desafiador para mim - Gabei-me de meu desempenho na cama e percebi que a independente Loren Baker intimidou-se com o comentário. 

Ela deve almejar aulas com um mestre na arte do prazer como eu.

- Oh, poupe-me, não vim até esse muquifo para discutirmos sobre sua vida sexual "inativa", ops, me desculpe, "ativa" - Corrigiu-se debochada. - Estou aqui para resolvermos minha urgência em salvar meu insubstituível Dior - Recapitulou pela milésima vez.

- Então me entregue logo seu "amado" Dior, e deixe-me remover a mancha - Salientei e ela jogou o vestido grosseiramente no meu rosto.

- Pensei que tivesse aprendido etiqueta na escola de boas maneiras - Ironizei voando para a direção da porta, logo em seguida deixando-a praguejando sozinha no meu quarto.

(...)

- Obrigada por lavar meu bebê. - Loren agradeceu assim que saiu do banheiro trajando novamente seu vestido de grife, e me entregando a camisa na qual está impregnada o perfume inebriante dela. Pela primeira vez ela age com educação. 

UAU! Estamos progredindo.

- Não foi nada, por sorte tenho uma secadora - Brinquei rompendo o clima tenso que se instalou entre nós, talvez a primeira impressão possa ser modificada.

- Claro, não faz ideia do valor emocional que tenho por esse ilustre Dior - Enalteceu reassumindo a compostura soberba. 

Pelo visto essa patricinha precisa de mais que um trato para entrar nos eixos. Porra o que estou pensando? Dessa mulher só quero mesmo é distância, sinto pena do namorado dela, deve ser um santo ou um mauricinho engravatado.

- É, tem razão, eu geralmente me apego as pessoas e não a objetos, pois eles são feitos apenas para serem usados - Metaforizei.

- Está na minha hora, compromissos me aguardam... Minha agenda não dá trégua. - Desconversou antipaticamente e eu ri de sua infantilidade. 

Essa garota literalmente se porta como uma adolescente mal resolvida, ela me arranca boas gargalhadas.


- Tenha um excelente dia "madame". Até mais ver "Merci" - Levantei a mão direita até a cabeça utilizando um cumprimento nobre para irritá-la e funcionou perfeitamente. Loren respirou profundamente e saiu batendo o salto agulha contra meu carpete, provavelmente desejando mentalmente minha morte.



Capítulo 4 – Loren –

Uma semana depois...

Três batidas na porta fizeram-me parar a leitura do contrato e erguer meus olhos.

- Pode entrar – Murmurei, retirando os óculos e o colocando em cima da mesa.

Papai adentrou a sala, acompanhado de minha secretária.

O senhor Baker, apesar de seus 50 anos era um homem muito bonito. Vestido em um terno feito sob medida, que contrastava com sua pele bronzeada e os olhos extremamente azuis como os meus.

- Que milagre o senhor aparecer aqui, papai! – Me ergui da cadeira, esperando ansiosamente um abraço do meu pai.

Já fazia dois meses que eu não o via, nem ele nem a minha mãe. Ambos saíram para um cruzeiro nas Ilhas Malvinas. Era sempre assim agora que ambos haviam se aposentado e deixado a empresa da família em minhas competentes mãos.

Papai sentou-se à minha frente, antes mesmo de me dedicar uma saudação mais íntima. Meu sorriso morreu no rosto, mas logo disfarcei, me sentando.

Sempre fora assim, desde que consigo me lembrar. Nunca houve abraços afetuosos, nem afagos, ou beijos de boa noite. Eu fui feita e programada, como um robô, para ser a perpetuadora da fortuna dos Baker, e não uma idiotazinha que preza sentimentalismos. E eu era assim!

- Passei na contabilidade para dar uma olhada nos lucros dos dois meses que passei fora – Papai sorriu amplamente – Vejo que progredimos.

- Sim, pai. Temos duas novas parcerias, que estão nos rendendo bons lucros.

- Gosto de ver assim – Elogiou, já erguendo-se.

- Mamãe chegou bem?

- Sim. Aquela lá só sabe torrar meu dinheiro – Desdenhou com um aceno irritado de mão. – Aprese-se aqui na empresa, pois temos um compromisso ás 8.

- Compromisso? – Me apressei em perguntar.

- Conheci um dos investidores do Banco Central no cruzeiro. Sua mãe e eu ficamos amigos dele e da esposa, e ele nos convidou para um jantar na casa deles hoje. Parece que vão receber o filho que estava acabando um curso sênior em administração e contabilidade em Nova York. Fazem questão da nossa presença. E é claro que não perderemos esse contato por nada.

- Mas vocês acabaram de chegar, estão cansados e...

- E mais nada, Loren, nós vamos e está encerrada a discussão. Não demore a chegar, pois sua mãe está em polvorosa para escolher uma roupa.

- Claro pai – Aquiesci.

Ele deixou minha sala sem olhar para trás. Nem um abraço, nem um “obrigado por se matar aqui, filha”. Nem um “senti saudades de você”... nada.

Era impressionante como meus pais me tratavam como um investimento. Não que eu me importasse muito com isso, acabei me acostumando. Mas no fundo, bem lá no fundo, uma parte de mim gostaria de saber como é ser filha de pais normais, e viver uma vida diferente da que vivi.

Peguei o telefone e disquei para Ivonne.

- Aqui, em dois segundos – Bati o telefone antes de ouvir sua voz.

Ivonne se materializou em minha sala alguns segundos depois.

- Sim senhora! 

-Eu disse dois segundos e você levou quase um minuto – Reclamei, sem olhá-la. – Quero que cancele a reunião da tarde, remarque para amanhã.

- Sim senhora – Balbuciou.

- Está dispensada – Ouvi seus passos e logo após a porta ser fechada.

Me levantei de minha mesa, me apropriando do meu blazer e da bolsa. Desliguei o computador. Estava prestes a sair da sala quando uma bolsa jogada sobre o sofá chamou minha atenção. Ao abrir a sacola me deparei com o Dior, que quase foi derrotado pelo pintor pobretão e gato. Foi impossível não sorrir ao lembrar dele. Nem me lembrava que havia jogado o vestido ali quando voltei da casa do tal Michael.

Coitado! Disse coisas terríveis ao plebeu e ainda o fiz lavar meu Dior. Ué, esse vestido era meu xodó a uma semana atrás, claro que hoje meu mais novo amor é o Chanel exclusivo. – Ri, relembrando a casa simplória e o carro sujo do homem.

Apesar da pobreza que o rodeia, o tal Michael é bem bonito. Claro que não é mesma beleza eu estou acostumada a ver nas baladas da alta sociedade de Londres. Ele é bonito de um jeito simples.

Quem sabe algum dia não fantasio transar com um homem bem chulo, sujo de tinta... posso até bater na porta dele.

- Senhora? – A voz de Ivonne me trouxe de volta do devaneio.

- Não já tinha te mandado ir embora?

- Sim, mas é que o seu motorista está aí embaixo com sua mãe. Ela pediu que viesse chama-la – Revirei os olhos.

- Já disse, pode ir agora.

(...)

O carro me aguardava em frente a empresa. Mamãe estava dentro do veículo e assim que me viu soltou um de seus gritinhos afetados.

Ela não estava tão bronzeada quanto meu pai, mas sua pele estava iluminada o suficiente para fazê-la ainda mais bela.

Também não houve abraço ou qualquer tipo de melosidade. Houve uma razão para que mamãe viesse as presas ao me encontro, e essa razão se chamava Lincon Bonner, filho de um dos investidores do Banco Central, e dono de uma fortuna incalculável.

Segundo relatos entusiasmados de mamãe, Lincon tinham 26 anos, e estava solteiro. Uma presa perfeita. Esse teria de ser o homem da minha vida, foi o que ela me disse.
Passamos as próximas horas no cabeleireiro, e saímos de lá direto para casa. Mal tive tempo de tomar m banho e me colocar em um dos meus vestidos amados, e mamãe já estava batendo à minha porta.

Devidamente produzida, segui ao lado da minha família unida e cheia de amor – Já que éramos assim que aparentávamos para a sociedade – para a casa dos Bonner.

A mansão, uma das muitas que eles tinham – Relato do meu pai – era impressionantemente luxuosa. Eu dificilmente me impressiono com luxo, mas essa era uma casa digna de aplausos. 

Meus olhos brilharam e de repente a festa pareceu realmente interessante. Acho que o tal Lincon é mesmo o homem da minha vida. – Ri de mim mesma.


Michael

Fazer um extra era sempre bem-vindo, e Evan sabia disso perfeitamente. Por isso agora mesmo eu estava em frente a uma mansão assustadoramente luxuosa, vestido em um terno e aguardando os convidados chegarem. Por hoje deixei o Michael pintor de lado, e serei operador de estacionamento – Soltei um risinho me lembrando de Evan falando dessa forma – Pra mim os nomes mais corretos pra esse ‘bico’ é guardador de carro, ou o bom e velho flanelinha. Mas a família ricaça dona da casa, é cheia de frescura e exigiu que fosse colocado em meu crachá ‘operador de estacionamento’.

- E aí, mano – Evan apareceu em meu campo de visão. Por hoje ele era o chefe de segurança da casa. E parecia tão ridículo quanto eu dentro daquele terno.

Eu simplesmente odiava colocar aquela roupa. Aqueles trajes me remetiam ao meu passado, onde eu era praticamente obrigado a me enfurnar em uma roupa dessas toda manhã.

Flash Back

Michael apertou o nó da gravata e se olhou no espelho pela enésima vez. Odiava a figura que via refletida. Aquele homem de cenho franzido e face austera não era ele. Bem, sim, era, mas não era quem ele queria ser. Sua essência era outra. E aquela roupa não estava apenas apertando seu pescoço ficticiamente, aquela roupa estava o submergindo, afogando quem ele realmente era. A roupa, suas escolhas, seu pai, os negócios da família, a noiva que escolheram para ele...

- Desça Michael, seu pai mandou que se apressasse, pois os novos investidores estão esperando na vinícola. – A simples menção do lugar faziam os pelos de Michael se arrepiarem.

Aquela não era sua vida, definitivamente!

Fim do flashback

- Ei, Michael. Tá viajando, cara?

- Desculpe, estava me lembrando – Balbuciei meneando a cabeça.

- Esse trabalho vai ser um saco – Reclamou bufando.

- Qual é – Bati em seu ombro – Sei que você sempre acaba essas festas com o número de alguma gata cheia da grana.

- Isso é verdade – Se gabou, com um sorriso tipicamente cafajeste – Mas você sempre sai com dois números de telefone, ou mais. Seu idiota sortudo – Ri, recebendo com uma careta seu murro em meu braço.

- Isso é talento – Me vangloriei – Mas hoje, nada de telefones.

- Sei... duvido que diga isso olhando para aquela deusa que está descendo do carro agora. – Virei-me a tempo de ver uma mulher lindíssima descendo de um Sedan preto.

- Loren? – Murmurei de cenho franzido.

- Você já conhece essa deusa? – Evan perguntou boquiaberto.

- Depois te conto, é uma longa história. Vou lá fazer meu trabalho. – Me despedi de Evan, caminhando depressa aé onde o carro de Loren.

- Boa noite – Cumprimentei o motorista e os demais me encararam.

- Michael? – Loren perguntou de olhos arregalados.

- Não vou roubar seu carro, senhorita, estou apenas trabalhando – Brinquei, fazendo um floreio exagerado. Como da última vez que nos falamos.

- Que rapazinho insolente – A voz austera de um senhor me fez sobressaltar. Não esperava que ela estivesse com mais alguém.

- Pai! – Loren repreendeu-o.

- De onde conhece esse tipo, Loren – Uma mulher tão bela quanto Loren, porém bem mais velha e dona de uma arrogância tão terrível quanto a da outra, saiu do carro.

- Isso não vem ao caso – Loren desconversou. – Entregue as chaves ao moço, Sidney – O motorista me entregou o molho de chaves.

Loren se afastou sem me lançar mais um olhar. Achei que ela ao menos seria educada. Mas de quem mesmo eu estava esperando educação? Da mulher mais mal educada e arrogante que já conheci!

Sem me deixar abalar pela soberba de Loren, estacionei seu carro e voltei para meu posto. Pelo visto não era apenas Loren que não passava de uma riquinha soberba, seus pais pareciam bem piores que ela. Todo aquele desprezo no olhar parece de berço. E eu que fugi disso há anos atrás, fugirei novamente.


Loren foi um acontecimento abrupto na minha vida. É uma mulher linda, e apesar da má educação é muito interessante, não é incomum que tenha me chamado atenção. Mas isso parou por aqui. Chega de fantasiar com ela. Loren passou a ser para mim uma estranha... Afinal, não trocamos muito mais que uma dúzia de palavras. Ela é realmente estranha para mim, e prefiro que continue sendo.



Capítulo 5 – Michael -

Eu nunca me deixei abater facilmente, definitivamente não será uma garota mimada que irá me abalar. Hoje sou apenas um funcionário de sua nobre família, o cara que precisa descolar uma grana extra para sobreviver e quitar algumas dívidas, e não posso me dar ao luxo de rebelar-me, jogar tudo para o alto. Embora, meus impulsos me induzam a mandar essa patricinha se foder estou engolindo a raiva e cumprindo com meu trabalho. Meu dever por esta noite é somente estacionar carros, nada mais, é estritamente profissional. Loren tem sua vida, eu a minha, claramente nossos caminhos não poderão se cruzar. 

Se eu ousar dizer o que penso dela serei expulso dessa mansão e pôr tudo a perder por não sentir empatia por uma mulher arrogante seria pura imbecilidade na situação na qual estou. Detesto assumir a postura de alguém que só trabalha para manter o próprio sustento, porém tenho que viver de alguma maneira, e a renda das pinturas ainda não decolou como eu esperava. A última coisa que sonho é que os negócios prosperem demasiadamente, e tudo ganhe uma proporção na qual serei escravo do dinheiro. Desejo o bastante para uma vida pacata, ao menos uma estabilidade financeira, para que eu precisaria de mais do que o necessário? Toda essa ambição das pessoas, em possuir mais e cada vez mais não me atrai, eu não creio que algum dia me meta nesse círculo de ganância e futilidades. O Michael que me tornei se recusa a reviver um passado cercado de luxos e vazio de afeto. O simples fato de estar com esse terno me causa asco e péssimas recordações de quando papai me obrigava a entrar nesses trajes formais.


Flash back

- Michael, agora que já fechamos o contrato com os investidores gostaria de lhe colocar a par das novidades. Já está tudo pronto para a festa de noivado. Oficializar seu compromisso com Leila formalmente é muito importante para mim, a imprensa registrará o momento em peso, faremos uma festa tipicamente italiana; conforme manda o figurino. 

- Leonard Jackson informou, entusiasmado com a resignação do filho em aceitar se casar com a filha de seu amigo e claro, um poderoso dono de vinhedos assim como ele.

- Papai, eu estive pensando..._Michael engoliu seco afrouxando a gravata. Toda aquela pressão estava o sufocando.

- Não me venha novamente com suas ideias de garoto rebelde. Leila é uma boa moça, sempre jogou charme para você e além do mais, se ela vir a ser minha nora, a família Hernandez se fundirá aos nossos negócios. - Sorriu serenamente, ornando uma tranquilidade que irritava o filho.

- Isso não é nem de longe o que eu sonhei e...

- Já chega de me contrariar. Leila é a mulher ideal para você, e como sou um pai preocupado com seu filho, adiantei alguns detalhes. Esse é o anel que usará para pedir a mão dela na noite da festa. - Entregou um enorme anel cravejado de diamantes e ouro branco ao filho, que de súbito arregalou os olhos.

- Eu já fiz o pedido naquele jantar, aliás fui quase obrigado a fazê-lo, isso é mesmo necessário papai?

- Não estou reconhecendo-o Michael, aquilo foi apenas uma prévia. Será que não consegue raciocinar? - Leonard semicerrou os olhos encarando o filho - Estamos falando de bilhões Michael, duas famílias que juntas somaram um patrimônio de bilhões de dólares, há muito o que se comemorar. - Gargalhou para suavizar sua vontade de repreender a inocência do filho.

- Eu não sei..._Relutou.

- Você não tem que concordar, apenas sorria e finja que está extasiado em noivar com aquela bela moça, por sinal ela é mesmo muito atraente. -  Insinuou num tom de deboche.

- Sinto muito papai, mas...

- Sei que o que é melhor para o meu filho, e isso inclui se casar com uma mulher digna e de confiança. - Enfatizou despreocupado com o receio do filho ou com sua felicidade.

- Talvez tenha razão, estou me torturando sem motivo. Leila parece ser uma garota de princípios e eu posso aprender a amá-la com o tempo. - Enganou a si mesmo, encolhendo-se dentro do terno de grife que seu pai exigia que ele usasse. Por fora qualquer um poderia jurar que ele era tudo que um homem de pulso e bem sucedido deveria ser, por dentro no entanto, era outra história, Michael estava destruído e sem esperanças de libertar-se das amarras do pai.

Fim de flash back

- Hey, Sr. Jackson? - A voz feminina clamou por minha atenção e eu virei o rosto bruscamente despertando de meus devaneios. Loren. Era só o que faltava, essa garota não deve estar se aguentando de vontade de me humilhar e veio até aqui para me infernizar.

- Sr. Jackson? - Caí na risada de imediato ao me deparar com Loren, que não me acompanhou nas risadas, certo, ela preferiu fechar o semblante. Essa mulher não tem um senso de humor flexível.

- Claro, não temos nenhuma intimidade, tanto faz. Michael, _Frisou - Eu preciso que me leve até o carro de minha família, esqueci a bolsa e tenho uma ligação importante para fazer. - Esclareceu indo direto ao ponto.

- Certo, quer saber aonde eu estacionei o carro? - Desafiei, me fazendo de desentendido. Se ela quer jogar, eu entro no jogo ora. Compreendo que seu caráter derive dos pais prepotentes, mas comigo terá que ser educada. - Por acaso conhece as palavras mágicas? - Cruzei os braços esperando uma resposta, mas tudo que tive foi indiferença e ela praguejando que eu sou um "pobretão".

- Nem pensar, jamais me rebaixarei para um..._Mediu suas palavras pela primeira vez, assustada consigo mesmo. Peraí... Desde quando ela se importa em atropelar os sentimentos dos outros?

- Um pobre coitado, vamos, fale. - Ordenei dessa vez sentindo-me ofendido.

- Eu não quis, não foi minha intenção..._Enroscou-se com as palavras e pude perceber pelo desvio de brusco de seus olhos dos meus que arrependeu-se. Quem sabe o coração dela não seja de gelo? Provavelmente ainda existe salvação.

- Não pretendia me insultar, oh, me desculpe, nunca menosprezaria um manobrista ou seja lá como vocês, a classe superior chamam quem estaciona seus carros de luxo. - Alfinetei.

- Olha, eu já pedi desculpas, só me acompanhe até o carro..._Pediu ansiosa para ter o que quer, afinal todas satisfazem seus caprichos.

- Como quiser "madame” - Assenti respirando profundamente. Loren entendeu que eu agirei como um profissional e eu simplesmente a acompanhei silenciosamente até o carro e ajudei-a a entrar no veículo. Ao sair da BMW com a bolsa já em mãos ela varreu os olhos azuis pelo céu e depois me fitou constrangida. É como se realmente não esteja confortável com sua atitude anterior. Não se deixe levar por um rosto bonito Michael, Loren pode estar blefando, desde quando ela se preocupa em magoar alguém?

- Sabe, eu me excedi e, peço que releve. - Retratou-se de novo, o que me surpreende e fez um sorriso maroto brotar no canto dos meus lábios. Porra! Pare Michael, está enlouquecendo, tem que manter distância dessa mulher.

- Está tudo bem "baixinha”. - Dei de ombros e uma piscadela discreta para ela.

- Baixinha uma ova, e lá vamos nós...

- Não tenho culpa de sua estatura compacta..._Ironizei.

- Ah, aonde estava com a cabeça de perder meu tempo com um ogro como você? - Amaldiçoou e passou por mim feito um furacão, perdendo o equilíbrio e se debatendo contra meu corpo. Pressionei a cintura dela para ajudá-la a ficar de pé e não consegui evitar de observar minuciosamente a beleza estonteante dela. Os olhos azuis acinzentados destacados pela sombra marrom, os lábios carnudos pintados de vinho, a pele alva contrastando com o batom sedutor. A face tão harmoniosa me fascina de tal forma que me controlo para não roubar um beijo de Loren. Porque sim, há algo nela, que me faz querer esquecer o bom senso e me perder em seus braços. 

Fantasia? Seria desejo? Ou meus instintos masculinos fervendo depois de meses de abstinência sexual. Porra! O que está acontecendo comigo? Loren é o oposto de tudo que admiro em um ser humano, nem em sonhos devo fantasiar com ela na minha cama. É isso! Desejo! Todos os homens sentem o corpo estremecer e ferver diante de uma mulher gostosa, eu não fujo a regra.

- Solte-me. - Loren se pronunciou, empurrando-me. 

- Espere. - Levei as mãos aos cabelos atordoado. -Eu..._Desvencilhou-se de mim, e correu pelo estacionamento.

- Uma festa de gala me aguarda... Até... quem sabe um dia Michael. - Acenou já alguns metros à frente de mim. 


Loren

Eu não posso acreditar no vexame que passei. Como permiti que aquele pobretão me tocasse. Oh céus, se ao menos ele não tivesse um sorriso tão contagiante, e seus olhos negros expressivos não me intimidassem. Sou de carne e osso, infelizmente também sucumbo as tentações. Michael é um pedaço de mal caminho, sim, possui um beleza rústica, mas ainda assim só de imaginá-lo me possuindo minha intimidade pulsa. Diria que é um daqueles bad boys que molham as calcinhas das mulheres, esse é o tipo de reação que provocou em mim. Droga! O que está acontecendo com você Loren? 

Olho fixamente a movimentação do ambiente amplo e majestosamente ornamentado para a festa de gala e capturo uma taça de champanhe francesa com um garçom qualquer. Meus pais parecem estar se divertindo bastante em companhia de um casal de magnatas. 
Respiro profundamente e novamente falho na missão de afastar Michael dos meus pensamentos. Talvez esteja precisando de um homem para esquentar meus lençóis e esse problema resolverei urgentemente. Levo a taça de cristal aos lábios e degusto a bebida que tanto aprecio. 

- Loren? - Viro o pescoço para descobrir de quem se trata a voz que exige minha atenção. 

- Lincon, é um prazer revê-lo. - Um sorriso espontâneo brota nos meus lábios ao reconhecer o candidato ao cargo de meu futuro marido e ele gentilmente leva minha mão direita aos seus lábios. O terno Armani é realmente um detalhe indispensável para atribuir sofisticação a um homem. Lincon tem exatamente todos os atributos que me interessam num homem, estou certa de que devo investir nele.

- Igualmente. Loren perdoe minha indiscrição, mas está fabulosa querida! - Enaltece sem desgrudar os olhos do meu decote generoso.

- Não faço questão de discrição, prefiro ir direto ao ponto. - Mordo os lábios ao encarar Lincon que sustenta uma expressão maliciosa no rosto.

- Não acha que aqui está muito abafado? - Sugere erguendo suas sobrancelhas. Tenho uma leve desconfiança de que ele deseja ficar mais íntimo.

- Absolutamente, está quente aqui. - Enceno um abano com as mãos e Lincon dá uma piscadela para mim.

- Então, é melhor darmos uma volta. - Ele arranca a taça de champanhe das minhas mãos e entrega a um garçom que circula pelo salão.

- Seus pais não irão dar por sua falta? _ Questiono. - Afinal é filho dos anfitriões da festa.
- Não se preocupe eles estão muito entretidos. - Reforça enlaçando minha cintura. Deixo-me guiar para fora da mansão por Lincon que não para de me direcionar olhares lascivos. Caminhamos pelo estacionamento já um tanto quanto ansiosos para encontrar um carro ou um espaço privado. Não resisto e enrosco minhas pernas nos quadris de minha presa, devorando-a em um beijo sedento. Os nossos lábios chocam-se vorazmente, sinto-me em brasa e louca para transar com esse homem. O beijo ganha mais vigor a medida que avança e Lincon passa a contornar meus quadris, tocando-me sem pudor. Buscando por ar desfaço o beijo e percebo que Lincon solta um suspiro de satisfação.

- Isso foi... Cacete, você é ótima Loren e muito gostosa. - Sussurra ao pé do meu ouvido, aguçando minha libido. - Eu quero foder você e ouvi-la implorar por mais enquanto goza - Morde o lóbulo de minha orelha.

- Eu quero você Lincon. _Murmuro entre gemidos.

- Eu também querida, mas onde podemos ter mais privacidade?

- No meu carro. - Respondo subitamente, excitada com a possibilidade de fazer sexo selvagem em um BMW.

- Você é surpreendente, e eu gosto disso, que tal no meu carro? - Aponta para um Porsche vermelho a alguns metros de nós, me comendo descaradamente com os olhos. É disso que necessito, um homem viril como ele que me despiu com um olhar.

- Vamos honey, mal posso esperar para tê-lo dentro de mim. - Provoco. 

- Como quiser. - Rende-se a mim sem resistência e ao voltar a caminhar, dessa vez na direção do Porsche, me assusto com uma silhueta esguia que se põe entre mim e Lincon.  Filho da puta! - Praguejo mentalmente ao constatar que Michael está me secando com seu par de órbitas negras e provavelmente escutou minha conversa "particular".

- Onde a baixinha aí pensa que vai com esse playboy? - Michael pergunta furioso e eu tento desviar o olhar dele e de Lincon, que não compreende nada do que está acontecendo.

- Quem é esse cara? Conhece ele Loren? - Lincon indaga confuso enquanto Michael se deleita com meu constrangimento iminente. Perfeito! Se não bastasse eu estar caidinha por esse pobre coitado prepotente agora ele me persegue. Mas se ele pensa que irá tirar minha paz se engana. Michael Jackson é um reles pintor, e nem daqui a mil anos será digno de me ter em sua cama. Bem, na cama eu não sei, mas quem sabe naquele sofá de pobre, ou na mesa da cozinha apertada de sua casa... pare com isso, Loren, pare!

- Sim ele me ajudou uma vez com uma questão, enfim querido isso não tem importância. - Dou de ombros e ouço Michael bufar. A indiferença é uma arma poderosa, e depois, não é seguro demonstrar nenhuma emoção a esse petulante.

- Tem razão, divirtam-se! - Michael rebateu com sarcasmo transparecendo que conhece nossas pretensões de transar, pela primeira vez o noto fitando meu corpo diretamente, como se sentisse atração ou algo semelhante por mim.


- Nós iremos. - Asseguro apertando a mão de Lincon, sabendo que além de prepotente, deselegante e inconveniente Michael Jackson também é sexy, extremamente gostoso.  

Quem sabe um dia não abro uma exceção? Sexo casual não é prejudicial a ninguém, pelo contrário, seria uma experiência exótica transar com Michael. Apesar de estranhar minha reação Lincon ignora a situação e me conduz junto a ele até o caminho de seu carro, será divertido e prazeroso transar nessas condições. Dane-se, relaxar me fará bem, é desse "remédio" milagroso que preciso.


Capítulo 6 – Michael -

Cai com todo o peso do meu corpo no sofá, fazendo o móvel gasto emitir um barulho incômodo, o que só me lembrou que preciso trocar essa velharia. Bem na verdade preciso trocar muita coisa nessa casa, e na minha vida também. Estou começando a me cansar de toda essa baboseira de ‘homem direito’, quando eu era um pegador, adepto do sexo casual, tudo fluía muito melhor. Agora estou aqui puto da vida, imaginando o que a maldita madame arrogante está fazendo com aquele mauricinho idiota... E por mais que não queira assumir, estou morrendo de inveja dele.

Tenho que dizer que é difícil pra cacete brigar com meus instintos. Por que um lado meu abomina aquela mulher, ela tem tudo o que eu não procuro. É soberba, metida, coloca o materialismo acima de tudo e se desfaz das pessoas como se elas não tivessem sentimentos. Por outro lado, esse órgão que carrego entre as pernas, que parece muitas vezes ter vida e decisões próprias, pulsa na minhas calças sempre que estou frente a frente com a rica metida. 

Fala sério, ela estava se esfregando com aquele playboy no estacionamento, chamando, dizendo que queria foder... A lembrança me dá nojo e me deixa excitado na mesma proporção. Aquele branquelo com cara de palhaço não deve nem saber como fazer para uma mulher gozar. Mas lembre-se, Michael, ele tem uma conta bancária absurdamente recheada, o que com certeza o torna, para Loren, um homem lindo e um fodedor nato. Tudo por conta do maldito dinheiro. Sinceramente não consigo entender como as pessoas podiam viver em função disso.

Skiper aproximou-se sorrateiramente e deitou-se ao meu lado, emitiu um de seus miados e me encarou com os olhos verdes, a única coisa que destoava do seu pele preto. Acariciei-o, e um suspiro de frustração me escapou.

- Garotão, acho está difícil para mim – Murmurei, levantando-me.

A campainha soou e eu me encaminhei para atender.

- E aê, cara – Evan entrou, todo arrumado e girando as chaves do carro nos dedos.

- Não gostei da camisa, te deixou muito boiola – Impliquei, rindo.

- Haha, muito engraçadinho – Me mostrou o dedo do meio – Não venha me falar de boiolice quando você é o único aqui que não pega uma mulher há meses. – Fechei a cara, enquanto caminhava para a cozinha.

Enchi o pote de Skiper, em seguida tirei da geladeira a água, enchendo um copo.

- Sabe, Evan estou de saco cheio disso. Cansei dessa ideologia idiota, de qualquer forma eu só me ferro mesmo.

- Tô gostando de ver – Recebi tapinhas animados nas costas – Vá vestir outro dos seus trapos e vamos dar uma volta.

- É, é isso aí – Coloquei o copo na pia e parti para o quarto.

Menos de vinte minutos depois eu estava pronto, e rumo a primeira balada que encontrássemos. Hoje eu iria transar, e que se fodesse tudo.

Evan estacionou em frente a uma boate badalada da cidade. Aqui o negócio era muito selecionado, e não sei por que ele estacionou aqui, já que claramente não temos dinheiro pra frequentar esse lugar.

- Não entendi por que parou – Fiz um gesto de cabeça para a faixada da boate – Onde vamos arrumar grana pra entrar aí?

- Relaxa, irmão – Desdenhou – O segurança de hoje é meu amigo, vamos entrar no gratuito. – Michael riu, meneando a cabeça.

- E como vamos beber, já que cada item do bar daí deve custar o salário que ganhei ontem à noite.

- Guarde o que tem para pagar uma bebida para uma gatinha, e para o motel, claro. Pra que beber, amigão? – Eu ri, acompanhando-o.

O lugar estava lotado, e soube logo de cara que hoje eu sairia dali acompanhado. As mulheres que consegui ver de primeira eram lindas. Claro, estamos na boate mais bem frequentada de Londres, não seria diferente.

- Porra, isso aqui hoje tá do jeitinho que o papai aqui gosta – Evan gritou para se fazer audível, eu ri, ainda com os olhos fixos na pista de dança.

- Hoje eu saio dessa seca desgraçada – Foi a vez de Evan rir.

- E vai sair em grande estilo, amigo – Ele me empurrou – Vá nessa, te vejo amanhã. Boa sorte.

- Pra que sorte, se eu tenho tudo isso – Desdenhei presunçosamente.

Peguei uma bebida, a mais barata do bar e segui para a pista de dança. Bastava alguns passos e já teria uma gata na minha, era sempre assim. Homens que sabem dançar estão em extinção, e quando eu piso em uma pista de dança não tem pra ninguém.

(...)


Loren

Reforcei meu batom vinho, e dei mais uma voltinha, encarando-me no espelho. Sem modéstia alguma, estava belíssima. Estava pronta para ir à caça hoje. Quando minhas amigas ligaram programando uma baladinha, não pensei duas vezes. Precisava transar hoje e com um cara bem gostoso, por que depois de ter transado com o Lincon ontem à noite precisava de um cara para apaga-lo da memória.

Aquele homem não entende nada de mulher, e muito menos de sexo. Depois que subiu em cima de mim, não meteu mais que cinco minutos antes de gozar, roncando feito um porco em meu ouvido. Fiz meu papel de atriz pornô, gemi e me contorci como se estivesse ido ao céu, mas a verdade é que estava torcendo para ele gozar logo e sair de cima de mim.

Mas como diria mamãe, a gente não pode ter tudo na vida. Lincon era até bonito, extremamente rico, se fosse bom de cama seria uma raridade incrível. Depois de ter papeado com ele um pouco, e mais uma vez termos transado, decidi que ele era o homem certo para casar, deveria investir nele.

Ele era bobo o suficiente para casarmos com comunhão de bens, colocaria seus negócios em minhas mãos competentes, e bastava eu lhe entreter com algumas mulheres bonitas e ele nem sequer lembraria de transar comigo. O casamento perfeito. Eu teria dinheiro, liberdade e a ligação direta com uma das maiores fortunas de Londres.

Claro que Lincon saiu daqui ontem prometendo voltar muitas vezes. E em breve será hora de bancar a apaixonada e pescar esse partido maravilhoso de uma vez por todas. Não vai ser difícil.

A empregada bateu na porta, avisando que Kassie, minha amiga, já estava me esperando. Hoje pegaria carona com ela, pois pretendia encher a cara.

- Boa noite, Kassie – Cumprimentei-a com dois beijinhos.

- Você está linda, amiga.

- Você também. – Sorri, entrando em seu conversível – Vamos logo, por que preciso transar – Ela soltou uma gargalhada.

- Mas você não disse que o Lincon dormiu com você ontem?

- Aquilo nem conta como transa. Foram só negócios – Ela meneou a cabeça, pisando fundo no acelerador.

Em poucos minutos estávamos entrando na Night Heat, a boate mais seletiva da cidade. Ali apenas a elite jovem de Londres frequentava.

Kassie e eu nos recostamos no bar e pedimos a bebida mais cara da casa. Eu passeei os olhos pela casa lotada, e logo me detive em um homem que estava no meio da pista, dançando com uma loira plastificada. A forma como ele segurava possessivamente a cintura da moça, e esfregava o quadril na bunda dela, visivelmente excitado, chamou minha atenção de cara.

- Parece que já escolheu a presa da noite – Kassie gritou em meu ouvido.

- Já – Beberiquei mais um gole do meu coquetel.

- Eu também – Ele apontou com um meneio de cabeça o moreno alto do outro lado do bar – Acho que vou me aproximar, como quem não quer nada.

- Vá sim, também vou pra pista – Coloquei o copo vazio sobre a bancada e rumei para a pista.

O homem ainda estava dançando com a loira. Bem, dançar é uma forma bem educada de falar sobre o que eles estavam fazendo. O lugar estava na penumbra, as luzes destacavam apenas silhuetas e gestos, o que me impossibilitou de ver o rosto do homem. Precisava me aproximar e escantear a loira. Queria aquela dança e indecente sendo partilhada comigo, e de preferência em um motel mais próximo.

Continuei dançando, e me livrando dos idiotas que se recostavam, até ver a loira se afastar. Provavelmente deu a dica para o homem ir atrás dela no banheiro, mas ela vai esperar bastante, por que esse é meu. E não há nadinha que Loren Baker queira e não consiga.

Antes que ele pudesse se mover me aproximei, encostando minhas costas na sua, e rebolando no ritmo da música, esfregando-me nele.

- Hummm, morena – O homem sussurrou rente ao meu ouvido. Sua ereção roçou minha bunda, e me senti molhada apenas de imaginar aquilo tudo dentro de mim.

Continuamos dançando assim, provoquei-o até senti-lo cada vez mais duro. O roçar daquele quadril estava me enlouquecendo. Por isso sem poder mais me conter, me virei. Queria saber o nome daquele gostoso, beijar aquela boca, e sair dali com ele. Mas meu sangue gelou quando me virei e dei de cara com o pintor pobretão parado em minha frente, parecendo tão surpreso quanto eu.


- Você? Não acredito – Dissemos em uníssono.



Capítulo 7 – Michael - 

— Desde quando pessoas... Po... — Ponderou as palavras ao notar meu olhar ameaçador.  Porra! Já tinha certeza que me daria bem essa noite, e essa patricinha estraga meus planos. Lá se foi meu bom humor. Não nego que Loren me deixou maluco de tesão ao se esfregar sedutoramente em mim, mas isso obviamente antes de eu poder enxergar claramente o rosto dela, ou seja tudo fluiu muito bem até eu reconhece-la. — Eu quis dizer que pessoas com recursos financeiros limitados não frequentam uma boate sofisticada como essa.— Levantou o pescoço para me encarar diretamente vidrando seus olhos azuis em cima de mim. —Foda-se, você é um pobretão mesmo. — Deu de ombros balançando a cabeça para se livrar de sua quase embriaguez, e eu soltei uma sonora risada alta ao inalar o odor de álcool vindo do hálito dela.

— Peraí, por acaso está bêbada? Mal para você, porque a noite nem começou e sim pobretões como eu raramente torram uma fortuna em uma balada. — Migrei meus olhos espertos para o decote insinuante de Loren e mordi os lábios ao imaginar os seios fartos dela sendo apalpados, massageados pelas minhas mãos e sugados pela minha língua hábil. Eles caberiam perfeitamente na palma das mãos.

— Cala a boca! — Praguejou voltando a dançar e a se esfregar em mim sem pudores. — Bebi somente duas taças de champanhe, e um drink, estou no máximo alta. — Loren tomou algumas respirações procurando se acalmar e girou seu corpo na pista de dança novamente, sacudindo os braços e as pernas graciosamente, sincronizada no embalo da música eletrônica que contagia o ambiente.

— Tanto faz, deve precisar mesmo encher a cara depois de transar com aquele otário. Transas terríveis são geralmente traumatizantes. Sinto pena de você, duvido que ele tenha a feito gozar. Mauricinhos não tem a menor ideia de como satisfazer uma mulher. — Balbuciei irônico, sei ser o mestre do cinismo quando é necessário. Essa mulher indomável precisa de um homem de verdade urgente. Michael o que está fazendo? Deve ser a vodca subindo a cabeça.

— Quem é você para falar de Lincon? — Gesticulou na direção de minhas roupas surradas com desdenho. Que se dane, elas são confortáveis. — Nunca chegará aos pés dele, e pode apostar que sou uma mulher exigente, isso vale para meus parceiros sexuais também! — Fitou-me da cabeça aos pés, e captei uma pontada de lascívia em suas palavras arrastadas.

— Não fuja do assunto. — Enlacei a cintura dela, fazendo nossos corpos se chocarem. O impacto atiçou o lado sensual de Loren  e pude senti-la grunhir delicadamente pelo choque que minha ousadia representa. — Aquele inútil te fez gozar? — Soprei o lóbulo da orelha dela e pressionei sua cintura com vigor, ouvindo um gemido rouco baixinho se desprender dos lábios convidativos dela. Que essa seca tremenda já está incomodando tudo bem, no entanto meus instintos primitivos estão implorando para que eu foda essa riquinha até ela não conseguir se equilibrar nas próprias pernas e é aí que mora o perigo.

—  Não, ele falhou nessa missão, porém eu ainda quero meu orgasmos —Entonou dessa vez num tom malicioso, o timbre de sua voz denota segundas intenções. —, e quero agora. — Murmurou acariciando meu peito com suas pequenas mãos, excitando-me sobremaneira. 

Todo esse tempo sem sentir o calor de uma mulher, sem tocar e beijar a pele nua de uma gostosa, realmente causou sequelas no meu juízo, porque só isso explica meu desespero em me enterrar em Loren e beijar cada pedacinho de seu corpo que se apossou de meu ser. Sim, estou fervendo de vontade de arrastar essa petulante para qualquer canto e provar a ela que sei como conduzir uma mulher ao apogeu do prazer.  Loren jamais foi verdadeiramente fodida, a pobre inocente tem muito o que aprender.

— Eu acho que nisso eu posso lhe oferecer minha ajuda "baixinha" — Sorri torto, mudando minhas mãos para o rosto enrubescido e tomado pela vergonha de Loren.

— Baixinha uma ova, quanto a sua "gentileza" eu aceito. Por que não me ajuda esquecer a horrível experiência com Lincon? — Propôs alisando meus ombros levemente.

 Essa expressão desafiadora dela, explícita de: "me coma" não coopera com a ereção que já ganha volume no meu jeans, brigando com ele. Ela é a última mulher na face da terra pela qual eu deveria me sentir atraído! Eu sei. Loren possui todas as características medíocres que repudio, o que não faz com que eu passe imune diante a sua beleza perturbadora e as curvas que quero moldar.

— Me siga! — Ordenou a figura diminuta que está me impedindo de raciocinar, me puxando pelo colarinho para fora da pista de dança.

— Hey, devo considerar isso como sequestro? — Pus dois de meus dedos debaixo do queixo obrigando Loren a me dar atenção. Analisando essa mulher nessas condições, suscetível ao desejo, confesso, ela nem parece a boneca de porcelana que preza por posição social, somente uma menina travessa ansiosa para ter o que deseja. No caso, prazer momentâneo.

— Onde você quer? — Ergui as sobrancelhas devorando-a mentalmente. Se é sexy vestida, despida... Uau! Será deliciosamente excitante transar com ela.

— No toalete! — Respondeu perversamente, dando uma piscadela sutil. Entrelacei nossas mãos e guiei-a até o banheiro feminino onde é que tudo irá acontecer de verdade. Loren enleou suas pernas em meu quadril e atacou meus lábios com volúpia, correspondendo ao beijo voraz dela cravei as mãos em seus cabelos aumentando o ritmo em que os lábios se conectam. É selvagem, praticamente insano a maneira como nossas línguas duelam e se enroscam.

— Precisamos terminar isso no toalete. — Pediu desgrudando seus lábios dos meus, para me lembrar que estamos ofegantes em um corredor movimentado, de frente a um banheiro feminino.

— Eu vou fazer você gemer no meu ouvido baixinha, vai se contorcer e suplicar para que eu te foda. — Afirmei subindo meus dedos por toda a extensão da coxa dela. Loren parece adorar ouvir essas sacanagens, pois seus olhos flamejam pela expectativa do que está por vir. Ainda tendo-a enganchada a meus quadris não sei como ou de que forma, mas consegui entrar no banheiro e travar a porta para nos garantir privacidade, sem mais delongas acomodei-a em uma pia de mármore que deve custar mais que toda a mobília da minha casa. 

Comecei a beijar demoradamente sua nuca e a procurar pelo zíper de seu vestido. Pelo visto ela aprecia as carícias, porque estremece em meus braços e esmorece a cada contato de meus lábios sob sua pele desnuda. Porra! Eu não costumo prolongar preliminares, mas Loren é tão gostosa, e o perfume que exala me embriaga, não compreendo, a quero tanto, porém tenho mais necessidade de sacia-la do que de suprir meu desejo ardente.

— Veremos se realmente sabe como fazer uma mulher delirar. — Puxou-me para mais perto de si, pousando suas pernas em meus ombros facilmente, tirando-as em seguida. 

Quanta flexibilidade! Pensei apertando voluptuosamente os seios fartos dela por cima do tecido do vestido, vendo-a pender a cabeça para trás para absorver toda a sensação de prazer.

— Eu não falho com promessas, irei lhe dar um orgasmo do qual se lembrará para o resto de seus dias, querida!  — Alcancei o zíper do vestido e me livrei da peça em uma fração de segundos, vislumbrando Loren seminua. 

Cacete! Ela é perfeita! Se não fosse tão soberba poderíamos desenvolver uma relação com envolvimento emocional, e não apenas uma foda inesquecível. Pare Michael. — Policiei meus anseios. Loren não se encaixa em meu mundo e vice-versa.

— Deixe-me lhe ajudar. — Sorriu diabolicamente, desabotoando pelo fecho frontal o sutiã de renda vermelho que contrasta com sua pele alva. —Quem precisa de tanta roupa? — Arquejou terminando de retirar a parte de cima da lingerie, jogando o sutiã a metros de distância da pia, inclinando-se para passar uma perna e depois a outra pela calcinha minúscula que antes cobria sua intimidade. Hipnotizado por suas curvas sinuosas, iniciei a brincadeira, mordiscando e sugando os mamilos intumescidos dela, provocando-a, estimulando-a a se abrir para mim. Loren enfiou as unhas nas minhas costas e olhou-me com um daqueles olhares flamejantes que apenas mulheres encharcadas e desnorteadas para serem possuídas sustentam. Parei um pouco com a tortura nos seios empinados e fartos dela e me libertei da camisa branca e em seguida do meu jeans surrado, claro a cueca também foi jogada no chão.

— Abra as pernas, baby. — Exigi hipoteticamente, dominador como um homem deve se e Loren nem hesitou em obedecer. -Isso! Deixe-me ver se posso fazê-la gozar_Levei dois de meus dedos até o clitóris inchado de Loren para descobrir se está devidamente lubrificada, me deleitar com seus gemidos, e inflar meu ego ao saber que a deixo excitada. — Tão receptiva Loren, vai ser fodidamente maravilhoso meter nessa bocetinha encharcada. —Movi meus dedos no ponto mais sensível dela, e ela remexeu os quadris. — Quero que goze quando eu mandar, mas só quando eu estiver dentro de você. — Intensifiquei o movimento dos meus dedos nela, sentindo-a reverberar de prazer com cada um de meus estímulos. Eu sei que a tenho em minhas mãos.

— Por favor... — Sibilou.

— Me diga o que quer? — Circundei a cintura dela com as mãos roçando minha glande na entrada de seu sexo.

— Enfia logo esse pau enorme em mim! Vamos, me coma! — Urrou impulsionando seu corpo para frente no intuito de aumentar o atrito entre nós, e friccionar minha ereção. 

Puta merda! Ouvir essa mulher clamar para que eu a foda é perturbador, dane-se, a tentação sempre nos leva para o inferno. Estamos sujeitos a cometer erros, e eu literalmente não tenho condições de recuar diante a uma mulher de pernas abertas, pronta para foder com meu bom senso.

— Será um prazer baixinha. — Empurrei meu membro para dentro dela, deslizando por seu sexo sem dificuldade, ou resistência, alargando-a, sentindo-a me acolher em sua quentura. Quente, molhada e apertada. Subitamente Loren enrodilhou minhas costas com as pernas, aprofundamento o contato, bela tática para tornar tudo mais prazeroso e à flor da pele. Ela me surpreende, é incontestavelmente fogosa.

— Meu Deus! — Revirou os olhos, e dessa vez não para me implicar, eu diria que ela está mesmo necessitada de uma foda decente. — Mais, oh, vai, mais forte Michael. — Arranhou meu peitoral com as unhas enquanto me afundo mais dentro dela. Ao contrário da fragilidade e todas as frescuras que aparenta deter, não estou tendo que ser delicado, ou ir com menos sede ao pote. Loren parece estar em chama com minhas estocadas furiosas, como se as investidas até mesmo rudes fossem como combustão para que ela urre e implore para que eu a foda ininterruptamente.

—  Gostosa! Caralho, gosta assim não é? Eu vou fazê-la gozar até perder a voz para me provocar. Quer que eu continue assim, metendo forte? — Indaguei retoricamente me concentrando em acelerar os movimentos de forma a senti-la me acolhendo, pressionado meu pai em seu canal apertado

— Muito, continue ou eu juro que o mato... — Orientou absorta em seu próprio júbilo, essa foi a ameaça mais adorável que já a ouvi pronunciar.

— Eu sei que você é como eu; insaciável. — Apertei as coxas de Loren, aproveitando para observar as feições distorcidas dela, os cabelos em desalinho, a boca entreaberta, todos esses detalhes me deixam mais alucinado em prosseguir arremetendo contra ela. Sou um mestre na arte de bagunçar as mulheres. E eles se rendem, com essa patricinha não poderia ser mais carnal, feroz.

— Mais rápido! — Apoiou as mãos na beirada da pia em um aviso para que eu siga em frente com mais precisão, leve-a as estrelas, em outras palavras lhe faça gozar. Acariciei os cabelos úmidos de Loren devido ao suor e sorrindo feito um idiota voltei a penetrá-la com toda a fome animal que sinto, liberando toda a tensão sexual que reprimi até agora. Maldita seca! Como suportei abdicar de uma vagina quentinha não sei, mas não pretendo me purificar ou me tornar padre, então chega de controlar meus instintos.

— Isso! Eu vou.... — Loren não concluiu a frase e gloriosamente atingiu seu clímax, gemendo, tremendo em meus braços entorpecida. Indescritível a satisfação de fazer essa marrenta se derramar para mim e me apertar em torno de si como se quisesse usufruir do prazer avassalador até a última gota e nada mais nos separasse. Talvez nesse momento sejamos um só, e realmente o mundo lá fora apenas algo inexistente. Atento a ela, esperei que se recuperasse do orgasmo frenético de toda a sensibilidade que proveniente dele e voltei a me mover dentro dela, arrastando-a novamente ao paraíso da luxúria.

— Quero que goze comigo, agora! Goze! — Rugi guturalmente ao sentir o fogo se espalhar em minha corrente sanguínea como um veneno letal. PORRA! É relaxante essa sensação de alívio, sinto que me livrei de uma tonelada de estresse e daquele típico mal humor corriqueiro. Gozar dentro de uma vagina estava se tornando vital para mim.  Enfim realizei a tarefa e supri minhas necessidades com uma mulher à altura das que já tive em minha cama. Decerto até mesmo superior, Loren foi soberana, precisei de muito empenho para deixar a "dama" gozar primeiro, o que nunca aconteceu, é incomum eu ter que me segurar, sempre pareceu absolutamente normal para mim esperar a mulher chegar ao ápice e depois eu terminar o serviço.

—  Nada mal para um pobretão metido a garanhão. — Loren emitiu afável, levando as mãos aos cabelos desengrenados, tentando ajeitá-los. Ainda embasbacado não me dei conta de que estamos em um banheiro feminino com sorrisos suspeitos e um cheiro de sexo que denunciam o que acabamos de fazer. Acordando de meus devaneios e da felicidade excessiva que me assola, afastei-me dela, retirando-me dela bruscamente. E um... Merda o vazio se faz presente de novo. Loren não me dirigiu mais elogios, somente desceu da pia e começou a vestir-se, consternada com a imagem caótica que o espelho reflete.

— Disfarçar o estrago que você fez será difícil. — Resmungou capturando um batom de sua bolsa para retocar, enquanto eu lavo o rosto abundantemente com água fria, tenho que melhorar esse aspecto melado de suor e a cara de quem praticou atividade física até a exaustão.

— Impossível baixinha! — Corrigi segurando o riso. —Está horrível, o que o boboca do seu pretendente pensaria se a visse nesse estado pós foda? — Apontei meu dedo indicador para as pernas avermelhadas dela, e me orgulhei das marcas de meus dedos e dentes em seu colo e em vários outros lugares sugestivos. Esses hematomas são a prova de que mando muito bem nesse assunto.

— Seu..., pervertido, seu..._Fuzilou-me com o olhar e jogou o batom na bolsa. —, ogro! Terei que disfarçar esses pontos vermelhos com maquiagem para ir ao trabalho. — Prosseguiu arrumando os cabelos, chacoalhando-os para driblar a rebeldia das madeixas. Puta que pariu! Adoraria imprensá-la na parede e recomeçar todo o "ritual". Pare Michael! Melhor se comportar ou uma ereção irá latejar a noite toda no meio de suas pernas. Ela é gostosa, a química e o sexo são evidentemente sublimes e só.

— Vamos? — Ganhei fôlego e pigarreei para chamar a atenção dela.

— Ok, eu saio primeiro e você espera alguns minutos. Entendeu? Dê alguns minutos para não dar na cara. — Recapitulou nervosa.

— Sim. Loren, espere... Eu queria dizer que você foi fantástica essa noite, obrigado por tudo linda garota! — Enalteci, não acreditando na gentileza que nunca ostento nessas situações. Porra! O que estou fazendo? Loren é fria, não merece que eu seja romântico ou educado. Não estou me reconhecendo mais, desde quando sou cavalheiro com as mulheres que transo sem nutrir respeito ou afeto.

— Não importa! Essa é a última vez que nos vemos mesmo. Sem mais delongas, acaba aqui... — Salientou indiferente ao meu galanteio. Sabia que ela daria um jeito de me humilhar e quebrar a paz que havíamos conquistado.

— Ótimo, "pequenez", sexo casual. Conhecemos as regras. — Desfiz o sorriso e franzi o cenho, querendo castigar essa soberba por sua grosseria, dar-lhe umas boas palmadas, porém consolado por ter encontrado um apelido irritante para Loren.

—  Pequenez? — Semicerrou os cílios borrados por rímel. — Desgraçado! — Bradou e destrancou a porta, saindo do mesmo ambiente que eu sem olhar para trás, totalmente revoltada com minha "inofensiva" provocação. Bom que ela pague na mesma moeda, se quer ser sórdida eu serei também, ninguém pode sair por ai pisando nos outros, Loren não tem esse direito e se voltar a me importunar, ou cruzar meu caminho novamente que venha preparada para a guerra. Quem ri por último ri melhor. Lei da ação e reação, são as famosas consequências as quais na maioria dos casos não estamos preparados para enfrentar_Abotoei o único botão aberto que faltava da minha camisa me prontificando a sair do banheiro sorrateiramente. 

Sorte ninguém ter nos pego no flagra, quero dizer batido na porta, posso apostar que o lá de cima estava ao meu lado. Ah! Era disso que eu estava falando. Sinto-me revigorado e pronto para a segunda rodada, voltei a ativa. Que se exploda a moralidade e Loren Baker com sua arrogância. Estou de volta!

(...)

Um mês depois...


Loren

Soco a mesa de vidro do meu amplo escritório e me puno por estar tão desconcentrada nos negócios. Definitivamente, essa não sou eu. Estou possessa com aquele pintor! E lá se foram quatro semanas que tive a melhor transa da minha vida. Não que ele seja o melhor parceiro que experimentei, mas sabe exatamente onde me tocar e todos as zonas erógenas. Aquele cheiro doce e másculo impregnou não apenas minhas roupas, como também minha mente. Eu gostaria de esquecer, isso não deve interferir nos meus planos de casar com Lincon e liderar sua fortuna.

— Querida, algum problema? — Lincon me abraça pela cintura trazendo a tona as lembranças do sexo baunilha que compartilhamos no sofá do meu escritório a meia hora atrás. Doce ilusão pensar que trazê-lo para cá, faria a adrenalina ajudaria a fazer o desempenho dele progredir. 

O incompetente desconhece o abc do sexo, e nunca me faz gozar. Que espécie de criatura não conhece os benefícios de preliminares? Lincon tem sérios problemas em satisfazer uma mulher, é veloz demais, diabos! De ejaculação precoce ele entende, porque sinceramente é uma questão de minutos para ele gozar e virar para o lado desmaiado, me deixando a ver navios, irada e frustrada.

— Querida?

— Anm? — Viro o rosto na direção da minha presa, perdida em relação ao que ele está falando.

— O que houve?

— Nada amor, estava refletindo sobre a vida...— Dou de ombros, desvencilhando-me dos braços dele abruptamente

— Tem certeza? — Estreita os olhos desconfiado.

— Claro, o que mais seria?— Corto--o, disposta a não continuar respondendo aos questionamentos dele. Se pelo menos Michael saísse de meus pensamentos e eu não estivesse tão carente. Os dotes sexuais daquele pintor bruto são inegavelmente sensacionais.

— Está pensativa... Me diga, gostou da tarde que passamos juntos? — Sorri encantado com o que para ele foi sexo e diversão, para mim somente tortura....

— Maravilhoso! — Arfo de tédio ao relembrar a lentidão das estocadas dele e sua voz estridente insuportável quando goza dentro de mim.

—  Não tenho dúvidas que meu  desempenho foi aprovado. Fico mais tranquilo, então o que há? — Arqueia as sobrancelhas, formando um vinco profundo na testa. Era só o que me faltava, com o nível ínfimo de esperteza de Lincon terei que treinar minhas cordas vocais para fingir orgasmos, oh god em qual planeta um homem tão ruim de cama é a personificação da presunção? Ele nem reconhece uma mulher que finge gozar.

— Está tudo em seu devido lugar. Como eu estaria apreensiva com qualquer coisa, tendo você ao meu lado. — Mordo os lábios e faço um chamego na curvatura do pescoço dele. — Gosto muito da sua companhia — Levanto o rosto minimamente para sorrir forçadamente no campo de visão dele, os músculos doem devido a pressão que obrigo-os a exercer.

— Eu te amo. — Lincon rodeia seus dedos pelas minhas bochechas. — É tudo tão novo para mim, embora tenha certeza de que é a mulher que sempre procurei para ser a mãe dos meus filhos. — Os olhos azuis acinzentados dele pairam sob mim e um meio sorriso desponta de meus lábios.  Mais fácil do que pensei capturar meu futuro marido, será um sacrifício válido aturar esse imprestável entre quatro paredes. Tudo pela manutenção de minha conta bancária, em prol da vida luxuosa da qual me orgulho levar.

— Eu... Aí meu Deus! Não esperava por isso, ninguém nunca se declarou para mim. — Forjo uma emoção subjacente, espremendo os olhos para induzir as lágrimas. Nenhum homem suporta ver sua garota aos prantos. E sim essa reação de menina romântica agrega mais veracidade as minhas intenções de noivar, casar e gerar herdeiros para dar andamento ao meu império.

— Aceita namorar comigo? — Propõe fitando-me ansioso e sorridente.  — Eu farei de você uma mulher realizada, prometo me esforçar para ser um companheiro fiel e carinhoso. — Vence o espaço que há entre nós e deposita um beijo casto em minha testa.

— Sim é tudo que mais quero. Estou tão exultante! Parece um sonho o que estamos vivendo. — Exclamo num tom incisivo, sou convincente até em encenar empatia.

—  Infelizmente, terei que deixá-la em casa e correr para a empresa querida, não poderemos dormir juntos hoje... Marquei uma reunião de trabalho e já estou atrasado! — Lamenta desanimado em cumprir com seus afazeres e eu comemoro em silêncio minha folga.

— Vá tranquilo, sou uma mulher compreensiva. — Pisco discretamente para Lincon e ajeito o nó amassada gravata dele.

— Sinto muito Loren. — Repete a mesma ladainha de sempre, toda vez que ele tem algum compromisso de trabalho age feito um empresário amador e eu o repreendo.

—  Não se incomode em me dar carona, lembrei que deixei pendente os relatórios da campanha publicitária ... — Invento a primeira mentira aceitável que me sobe a cabeça e Lincon assente resignado, suspirando pesaroso ele ruma a passos duros até a porta, acena para mim gentilmente e sai de meu escritório. É um alívio quando ele desgruda do meu pé, Lincon é extremamente sensível, a dependência emocional dele me desestabiliza e gera compaixão. Gosto de ser livre, e toda essa overdose de cuidado dele para comigo não me agrada. Talvez o fato de eu ser uma mulher jovem e e uma adepta a praticar sexo em função do prazer, e do meu ego esteja colaborando pelo meu asco por Lincon. 

Michael Jackson, outra pedra no meu sapato, aquele grosso sem berço é meu novo tormento, somente ao lembrar de seu perfume inebriante minha intimidade pulsa e meus pelos se arrepiam. Atração admito sentir pelo tal Michael, mas além de pobretão o sujeito é prepotente e canalha. A aura de bad boy maltrapilho dele me causa repulsa e admiração na mesma proporção. Tantos sentimentos opostos Michael desperta em meu íntimo, não que eu esteja envolvida por um reles pintor, tampouco encantada com a personalidade absolutamente sedutora dele. Maldição! Eu estou sim caidinha pelo magnetismo daqueles olhos negros.


— É disso que careço! Um homem nato em dar prazer e experiente na cama o suficiente para me tirar de órbita, me tirar o fôlego com um beijo caloroso e bastante indecências sussurradas no pé do meu ouvido. Sei quem pode me dar o que quero. — Respiro profundamente, movendo-me até meu celular, visível em cima da mesa de tampo de vidro e detalhes cromados. Assim que alcanço o aparelho dourado, digito alguns números no visor de led do dispositivo, chamando por um táxi. 

Não posso me arriscar, alguém pode desconfiar e ir envenenar Lincon. Não é seguro usar meu motorista e perdi a vontade de dirigir, Lincon tem o dom de esgotar minha paciência, mas por sorte um táxi resolve essa questão sem comprometer minha reputação... Me aguarde pintor miserável, não costumo repetir a dose, mas abrirei uma exceção em nome de sua gostosura e do meu deleite. — Pego minha bolsa Chanel e a deslizo pelo braço apressadamente, girando nos calcanhares abandono a belíssima sala onde trabalho e às vezes recebo "visitas".



Capítulo 8 – Loren - 

Confesso que ponderei dar meia volta, e partir rumo a outro lugar, uma dúzia de vezes. Estava começando a me perguntar onde, por Deus, estava indo parar meu juízo?

OK! O homem transou comigo no banheiro da boate, e foi, o que posso chamar de ‘a transa da minha vida’, mas isso não fazia dele muito mais que um fodedor incrível, nem justificava o fato de eu estar indo atrás dele. Ele ainda era um pobretão, sem classe, que vendia quadros em uma feira para sobreviver.

Com certeza eu era a espécime de mulher mais elegante e linda que teria cruzado o caminho dele, e aquele pobretão teria de ficar extremamente agradecido por eu estar lhe dando a oportunidade de me ter em seus braços. Era isso!

Estacionei em frente a casa, me demorando um tempo para descer. Retoquei meu batom, olhei pelo retrovisor pelo retrovisor um par de vezes, por pura precaução, vai que me aparece um ladrão. O bairro, apesar de arrumadinho, não parece muito seguro.

Finalmente desci, me encaminhando para a entrada. Parei em frente a porta dele e bati. Só depois de já tê-lo feito é que notei que havia campainha. Acho que estava meio... nervosa.

Batuquei o pé no chão enquanto aguardava o pintor vir abrir. Mas eu, definitivamente, não estava pronta para a cena que veio a seguir. Michael abriu a porta, trajando unicamente uma cueca box branca, os cabelos ainda molhados, lhe caiam sobre os ombros largos.  Minha boca salivou instantaneamente, e a vontade de apertar as coxas foi quase incontrolável.

- Você? – Ele perguntou em uma expressão que revessava entre olhos arregalados e cenho franzido.

Empertiguei-me, ajeitando minha bolsa sobre o ombro. Tive uma vontade louca de agarrá-lo ali mesmo e implorar que me fizesse gozar.

- Vim te prestar um favor, Jackson – Sorri maliciosamente.

- Um favor? – Perguntou, genuinamente confuso.

- Eu sou o seu favor – Ele me fitou sério, em seguida uma sonora gargalhada lhe escapou.

- Ai, Dio mio. Como você se acha, garota – Uma súbita raiva borbulhou em mim, sem falar no estranhamento de ouvi-lo usando palavras em italiano.

- Não entendi onde está a graça – Desdenhei – Sim por que eu te dar o prazer da minha presença é um favor para alguém como você – Ele meneou a cabeça, com um sorriso de desdém nos lábios.

- Eu dispenso seu favor, pequenez – Grunhi ao ouvi-lo me chamando assim – Posso te garantir que sua presença ilustre não muda nada em meu dia de pintor pobretão.

Antes que eu pudesse lhe dar uma resposta bem escrota, ou chutasse aquele saco, que a cueca deixava mais evidente, um par de mãos magras, com unhas lingas e vermelhar, surgiu, enlaçando-o e parando em seu peito.

- Infelizmente tenho que ir, delícia – Uma morena alta, de cabelos longos e negros, e vestida num Channel, apareceu.

Como assim aquele idiota estava com outra?

A mulher me encarou, logo após voltou-se para Michael.

- É sua namorada?

- Deus me livre de um castigo desse – Apressou-se em dizer – Ela se intitula meu favor – A morena sorriu, aquiescendo. 

Fiquei em dúvida se tinha mais vontade de arrancar os cabelos dela, ou quebrar todos seus dentes.

- Volto assim que me ligar, Mon ange – O sotaque francês me enojou. Brega!

- Ligo sim – Ele sorriu, inclinando-se para dar um selinho na mulher.

A morena saiu rebolando, logo sumindo rua afora.

- Como você é ridículo – Bradei, extremamente irritada. Michael ergueu a sobrancelha, encostando-se no umbral da porta preguiçosamente.

- Com ciúmes?

- HÁ HÁ HÁ – Gargalhei teatralmente – Vê se dá meia volta e vai até o primeiro espelho que você encontrar, e dê uma boa olhada em você. Imagina só uma mulher como eu, com ciúmes de você.

- Uma mulher como você? –Indagou, visivelmente irritado, mudando de postura instantaneamente – Quem você acha que é? Só por que usa um vestido de 10 mil dólares se acha melhor. Você trepa com um mauricinho de merda, só para garantir mais grana para sua conta. Você não tem nada de especial, garota, muito pelo contrário.

Estupefata, abri e fechei minha boca uma dúzia de vezes, mas nada saiu.

- Aprenda isso, pequenez, ou a vida vai te ensinar de uma forma bem filha da puta.

- Foi um erro eu ter vido – Foi tudo que consegui pronunciar.

Normalmente palavras não me atingem ou ferem. Fui criada para não sentir, mas confesso que me senti mal, desconfortável, diante das palavras dele... E isso nunca me aconteceu antes. Estava sem poder ataca-lo, por que sabia perfeitamente que ele me disse apenas verdades. Nunca me importei com a opinião de ninguém, mas estranhamente me fez mal saber que ele pensa horrores de mim... Também, não dei motivos pra que Michael pensasse de outra forma.

Girei em meus calcanhares, e com a dignidade que me restou, rumei para a saída.

- Loren – Ouvi-o chamar, mas não parei.

Passei apressadamente pelo pórtico da frente, louca para me enfiar no carro e ir embora dali. Mas antes de poder concluir o que queria, tropecei em algo, ao olhar para o chão me deparei com um gatinho machucado. O pobrezinho estava magro, debilitado, e ainda parecia ter apenas alguns meses de vida.

Retirei meu blazer e me abaixei para catar o animalzinho do chão.

- Vou te deixa no veterinário – Murmurei, como se o gatinho me entendesse.

- Loren – Ouvi a voz dele novamente, e me surpreendi ao me virar e ver que Michael havia vindo atrás de mim. Inda de pés descalços e vestido agora com uma calça de moletom – Eu fui grosseiro, sinto muito – Apenas aquiesci – Vamos subir um pouco, dar um jeito no gatinho que você encontrou, por favor? – Ele sorriu de uma forma tão afável que não tive como retrucar.

- Você é veterinário agora? – Indaguei, enquanto subíamos para o apartamento. Ele riu.

- Essa é a pequenez que conheço.

- Não me chame assim, pobretão – Ele riu novamente. Abriu a porta para que eu entrasse, fazendo o mesmo em seguida.


Michael

Pensei que me sentiria satisfeito ao rebaixar Loren. Ora, ela sempre fazia isso comigo, me colocava em situação inferior. Querer fazer o mesmo com ela, não poderia configurar má índole. Mas para a minha surpresa, não me senti bem ao vê-la saindo cabisbaixa. Descobri que não queria humilhá-la, afinal não sou como Loren, que gosta de minimizar as pessoas. Nem sequer queria que ela tivesse visto Vanda saindo daqui. É uma situação constrangedora, eu sei.

Mas, porra, o que Loren queria aqui?

Entrei em casa e vesti uma calça, em seguida sai correndo atrás dela.

Se achei uma enorme surpresa vê-la parada em frente à minha casa, nada se compara ao que vi, assim que saí pela rua. Loren estava retirando seu casado caríssimo e abaixando-se para recolher um gatinho na calçada. Foi impossível não sorrir naquele momento.

Afinal Loren Baker tinha um coração? Provavelmente ela escondia a real garota que era por trás daquelas camadas de arrogância e crueldade, quando na verdade era uma mulher doce e carinhosa. Não a conheço tão bem, mas por esse simples gesto pude ver muito de Loren. Por que se ela tivesse um por cento da maldade que deixa transparecer, nunca faria um ato caridoso como aquele.

Depois de convencê-la, entramos finalmente em casa, ladeados. Ela soltou uma de suas farpas quando me ofereci para cuidar do gatinho, mas sua acidez ensaiada não era mais tão eficaz contra mim. Não agora, que vi outro lado dela.

- Entre – Ofereci, abrindo a porta para ela. Ainda meio hesitante ela entrou, e sentou-se no sofá, acomodando o gatinho no colo.

- Quer algo para beber?

- Não – Respondeu – Podemos dar um banho nela? – Olhei de Loren para a gatinha, que nesse instante miou, parecendo concordar com ela.

- Claro. Vamos lá para a varandinha.

- Vamos – Disse empolgada.

Como será que foi a infância de Loren? Essa pergunta surgiu em minha cabeça. Ela parecia tão empolgada por causa do gato. Será que nunca teve um animal de estimação?

Cara, essa mulher é uma contradição ambulante, quando veio ao meu apartamento a primeira vez, fez a maior cara de nojo para Skipper. Bem, talvez tenha sido puro charme da parte dela.

Preparei um balde com água e trouxe alguns utensílios de Skipper. Loren retirou os saltos e se sentou no chão, de frente para mim. O pobre do gato mal miou enquanto dávamos banho nele, parecia fraco demais para isso.

- Temos de dar um nome a ela – Loren comentou, me pegando de surpresa novamente.

- Mesmo? – Meneei a cabeça – Não sou bom com nomes.

- Percebi, seu gato se chama Skipper – Ri, brandamente ofendido – É um nome criativo.

- Talvez – Ela enxugou a gatinha e soltou-a. Logo a gata saiu desajeitada até onde estava a comida de Skipper. Ignorando-nos completamente. E ganhando a atenção agora do meu gato.

Olhei de relance e vi o casaco de Loren no chão, bastante sujo e amassado.

- Acho que seu casaco já era – Ela deu de ombros.

- Tenho dinheiro para comprar outro, não é problema – Estreitei meus olhos, louco para implicar com ela.

- Como me diz isso assim, com essa cara de pau, se quase me processou por eu ter sujado um vestido seu – Foi a vez dela rir. E preciso confessar que fiquei hipnotizado vendo-a fazer aquilo. Não atinha visto sorrir tão genuinamente antes.

- É que não fui com sua cara – Ela levantou-se – E aquilo era um Dior.

Loren se encaminhou para a sala, pegou sua bolsa e colocou-a sobre o ombro.

- Não foi com minha cara? Sei! – Ironizei.

Mas foi bastante com todo o resto – Conclui mentalmente.

- Você pode levar a gatinha ao veterinário? Passo para busca-la e levá-la para a adoção assim que puder – Ela olhou o relógio dourado que adornava seu pulso – Acho que já deu minha hora.

Sua íris azul cintilou enquanto ela me fitava daquela forma intensa, que era só dela.

- Fique – Pedi, deixando de lado meu orgulho.

Apesar de não suportá-la, eu gostava dela. Não tente entender essa contradição, nem eu mesmo entendo.

- Afinal você nem me disse que veio fazer aqui.

- Vim te prestar um favor, eu disse - Ela sorriu de lado – Mas cheguei atrasada – Deu de ombros.

- Nem vem, essa sua banca de mimada nojenta não cola mais. Descobri que você é gente boa, as vezes.

- Não sou nada – Ri, meneando a cabeça.

- Sinto muito pelas coisas que disse... Fui muito grosso. – Ela assentiu.

- Eu sempre sou grossa. Então estamos quites.

- Que acha de ficar por aí e me fazer companhia, me brindando com sua presença – Ela riu, aquiescendo. Colocou a bolsa de volta no sofá.

- O que temos para fazer nesse muquifo?

- Se chamar minha casa assim de novo, te chuto para fora, pequenez.

- Grande coisa, pobretão – Rimos, nos fitando.

- Vamos fazer alguma coisa para o jantar e depois ver um filme?

- É, pode ser... apesar de parecer entediante – Implicou, em meio a um sorriso.

- Que nada, sei que está louca para assistir um filme agarradinha comigo.

- Não me faça rir.

- Vem... – Ela me acompanhou.

Peguei alguns utensílios de cozinha, legumes na geladeira, e macarrão e enlatados no armário.

- O que vai fazer?

- Sou especialista em massas, cara mia – Fitei-a de lado, e a peguei sorrindo.

- Especialista em massas, vez ou outra solta umas palavras italianescas – Ela batucou o dedo no queixo de forma adorável – Por acaso é italiano?

- Sim, sou – Disse apenas.

Enchi a panela com água e coloquei-a no fogo. Migrando para a tábua de cortar.

- Vou ficar só olhando? – Indagou andando pela cozinha. Mexendo aqui e ali.

Aquele belo exemplar de morena, vestida com roupas de grife, parecia deslocada em meio a minha cozinha simples, mas ao mesmo tempo ela parecia no estar lugar exato.

- Abra o vinho que tem na geladeira para nós – Ela assentiu, fazendo o que pedi.

Esse cheirinho de massa, vinho, e essa conversa amena, me lembrava tanto a cozinha de minha antiga casa. Quando estávamos apenas Margherita e eu na cozinha. A senhora, que fora minha babá, e como uma mãe para mim, era a segunda pessoa que mais me fazia falta.

Vez ou outra, quando paro para pensar, me pergunto o que teria acontecido comigo se eu tivesse permanecido na Itália. Se tivesse assumido a empresa e me casado com Leila.
Como seria minha vida hoje se eu não tivesse jogado tudo para o ar naquele dia.


Flashback

Olhei ao meu redor, sentindo o pânico se avolumar em meu interior. Toda minha família estava ali, inclusive meus tios e primos. A família de Leila também estava ali.

Nunca me senti tão deslocado. Era a minha família, a família da minha futura esposa, mas para mim, eram todos meros desconhecidos. Não nasci para viver ali, e estava cada vez mais cansado de permitir que Leonard Jackson me colocasse amarras.

Já havia aceitado me casar com Leila, que apesar de ser uma moça linda, e de coração puro, não conseguiu que eu a amasse, mesmo depois de anos de um namoro quase forçado. Eu era o filho mais velho, provável sucessor de meu pai, tinha sido criado para isso, mas ninguém, além de Rita, conseguia entender que não era aquilo que queria para minha vida.

Tudo girando em torno do dinheiro, todos aprisionados por isso. E eu odiava essa vida.
Papai se levantou de sua cadeira, que ficava no principal lugar da mesa, ergueu uma taça cheia de champanhe, e todos que estavam na mesa imitaram seus passos.

- Fico tão feliz em estar aqui hoje, anunciando oficialmente a união entre as famílias... – As palavras dele me fugiram, enquanto um turbilhão de pensamentos atormentava minha mente.

Mamãe me fitou, sorrindo daquela forma doce e acolhedora. Se eu me decidisse agora por jogar tudo para o auto, eu viveria longe dela, longe do seu amor incondicional, mas não podia deixar de culpa-la também. Ela nunca foi contra nada do que Leonard disse, e se ela ao menos tentasse defende-lo talvez ele não tivesse de ser tão drástico.

Sentiu um aperto em minha mão e olhei para o lado, onde Leila estava. Ela sorriu, fitando-me.

- Não – Sussurrei.

- Não o que, Michael? – Ela perguntou, estranhando.

- Sinto muito, Leila, mas eu não posso – A moça perdeu toda a cor do rosto.

- ... Um brinde aos noivos – Leonard ergueu a taça.

- Não haverá noivado nem casamento, acaba aqui esse circo – Leonard apertou a taça em mãos, quebrando-a.

- Enlouqueceu, moleque – Ele partiria para cima de mim, mais foi contido.

- Está decidido – Deixei a mesa, me encaminhando para meu quarto. Aquela foi a última vez que vi minha família.

Fim do flahback


Capitulo 9 - Michael -


Os devaneios se dissiparam da minha mente como a neblina em um céu nublado. Puxei um pouco do ar nos pulmões e sorrateiramente trilhei meus olhos pela figura descontraída e serena de Loren. Pensei nunca viver para vê-la assim, simplesmente uma moça acanhada e deslocada enquanto eu preparo o jantar. Ao menos ela não notou que eu estava inerte. 

Todas essas lembranças me perseguem desde aquela fatídica noite em que eu deveria ter selado meu noivado com Leila

— Então você nasceu na Itália... Que interessante. — Deu fim ao silêncio ameno que havia se instaurado brevemente entre nós, levando uma taça carregada de vinho até a boca.

— Sim, mas minha alma pertence a América e as bellas ragazzas de todo o mundo. —  Desliguei o fogão, constatando que o ponto do molho está ideal e que o macarrão cozinhou. — Eu sou um apreciador dessa cultura libertina. — Confessei piscando para Loren e ela piscou bruscamente, como em sinal prévio de constrangimento. Consegui intimida-la.

— Eu tive um cachorro, Michael. — Loren disparou abaixando a cabeça logo em seguida.

— Mesmo? — Franzi o cenho perplexo com a informação. Não imagino a prepotente Loren Baker cuidando de um cão e dedicando seu tempo a um mascote. Ela aparenta ser uma daquelas garotas que respiram para frequentar boutiques de grifes famosas, e torrar a fortuna da família. Tem aquele namorado pateta dela também, mas com certeza os dois não compartilham afinidades, e na cama deve ser desastroso.

— Papai relutou muito quando eu pedi um de presente, em meu baile de quinze anos. Era um Golden retriver, uma linda cadela, lembro de correr no jardim com Jade pendurada em mim, foram bons tempos. Foi válido enquanto durou... — Relatou.

—  E o que aconteceu? — Pesquei um pírex de vidro no armário e dei início a última etapa do preparo da massa. Loren desviou suas órbitas azuladas de mim e suas mãos inquietas traduzem uma nostalgia incomum.

— Papai deu para minha prima Amy. Ele não suportava os pelos que Jade soltava quando eu a levava para dentro de casa. Sempre exigiu que a mansão esteja organizada e apta a receber seus distintos amigos. — Elucidou retorcendo os lábios freneticamente. Eu não chamaria isso de pai, no entanto ela teve uma criação que condiz com sua posição social. Sensibilidade não é uma virtude de empresários ocupados, eles nunca arranjam tempo para os filhos.

— Eu sinto muito... Deve ter sido doloroso. — Murmurei me compadecendo de suas magoas, em seguida enrolando um pouco de macarrão no garfo e degustando o alimento. — Nosso jantar está pronto ragazza! — Exclamei ao provar o alimento, caminhando até a mesa de madeira que adorna minha cozinha e depositando o recipiente com a massa sob a mesma. — Os pratos estão no terceiro armário a sua esquerda, pode pegar para nós? — Sugeri gentilmente e ela deu um leve sorriso, levantando-se da cadeira na qual estava sentada e cumprindo com meu pedido.

— Obrigado. — Agradeci recolhendo os talheres em uma gaveta abaixo da pia, e alguns guardanapos também.

— Por nada. — Pôs os pratos na mesa e eu terminei de arrumar os demais objetos, concretizando meus afazeres.

 — Acho que agora podemos comer. — Sentei-me a mesa convidando-a a se juntar a mim e me servi de um pouco de vinho tinto.

— Eu nunca havia feito isso . — Loren riu graciosamente e eu espelhei o gesto dela.

— Eu não creio que seja necessário que você faça serviços domésticos... Devem haver dezenas de empregadas pagas fazer essas tarefas no seu lar. — Argumentei ainda em tom de descontração.

— É verdade. Quando eu era criança, também haviam babás ao meu redor o dia topo, e elas eram muitos gentis e pacientes comigo. Mamãe me ensinava boas maneiras nas horas vagas, mas não gostava de assumir o papel de mãe que comparece a reuniões escolares e ensina lições de casa, talvez porque sempre houve quem fizesse todas essas coisas por ela. — Deduziu se servindo de um pouco de macarrão sem a menor cerimônia.

— Irá cair de amores por meus dotes culinários. — Desconversei tentando evitar um clima melancólico. Inevitavelmente estou tendo um vislumbre da vida regada a luxos de Loren e por outro lado carente de amor. Nesse contexto pobre menina rica é piegas, eu sei, porém permanece sendo verdadeiro em tais circunstâncias.

— Vamos ver pobretão. — Desafiou e levou o garfo a boca. -Oh céus, Michael, está uma delícia, esse molho é realmente muito saboroso. — Limpou o canto dos lábios com o guardanapo e eu dei um gole no vinho, contemplando a beleza dela discretamente, já que não quero demonstrar o quanto estou louco para possui-la novamente e ouvi-la gemer meu nome em desespero enquanto eu a fodo. Desenvolvi uma técnica infalível para observar garotas sem que elas percebam. O magnetismo entre mim e Loren por exemplo exige que eu use minha técnica discreta, ou ela perceberia que não paro de fita-la.

— Eu sei, mando bem em massas! — Sorri dando de ombros.

— Estou convencida disso! — Concordou em meio a um sorriso de canto contagiante e voltou a comer. Vendo-a agir tão naturalmente simples, me esqueci da garota presunçosa e detestável que ela se mostrou da última vez que esteve aqui. Porra! Ela é tão petulante, e me faz sentir emoções contraditórias. Só o que sei é que esse sorriso o qual não quer abandonar meu rosto, e o coração palpitando, definitivamente não são bons indícios para um homem da minha idade.

Loren continua devorando o macarrão e eu persisto perdido em meus pensamentos, me dando o prazer de consumir a última garrafa de vinho decente que tenho. Palavras às vezes são desnecessárias, a troca intensa de olhares e nossos sorrisos já falam por si só.

(...)

Após jantarmos e conversarmos amenidades, lavei a louça e carreguei Loren para a sala. Assistir um filme é a única coisa que segundo as minhas experiências passadas não faremos, a não ser que Loren não me dê passo livre para beijar todo o seu belo corpo e se recuse a ter um orgasmo.

— Bem, eu vou ver filmes de terror, você eu não sei. Se precisar tenho calmantes no banheiro e algo para ataque cardíaco. — Contraí o abdômen jogando-me no meu sofá após colocar um filme sangrento e nojento no aparelho de dvd. Loren denotou ironia ao sentar-se no sofá ao meu lado, mas não está alheia ao meu comportamento deselegante.

— Espere, eu sou uma fã do gênero. — Retrucou. — Era um dos meus passatempos favoritos nos momentos de tédio. Isso e... — Mordiscou os lábios visivelmente envergonhada... — Fazer amor, apesar que eu sempre preferi a segunda opção. — Completou adoravelmente tímida.

— Certamente a metade da população mundial concordaria com sua escolha. Sorte a sua. — Apertei o botão de iniciar filme no controle e disfarcei o riso que o comentário de Loren provocou e os outros efeitos, falo da ereção que já forma um volume considerável no meu moletom. — Sabe eu achava que patricinhas só assistissem comédias românticas, pelo visto me enganei. — Insinuei tomando a liberdade de puxa-la pela cintura para mais perto de mim no sofá.

— Eu abomino aqueles filmes! A mocinha sempre termina casando com seu príncipe, e o humor é terrivelmente deprimente.— Revirou os olhos e repentinamente desfocou-os da tela da TV. — Podemos nos divertir de outra maneira? — Indagou lascivamente, o duplo sentido da pergunta dela me induz a "dar o troco " nessa espertinha.

— Como assim? — Fingi uma inocência inexistente, e circulei as coxas dela com os dedos, para depois desligar a TV. — O que quer fazer? Diga-me! — Provoquei enrouquecendo o timbre de minha voz propositalmente, para deixa-la a ponto de bala, excitada, exatamente como eu gosto.

— Quero que você me faça gozar, foi em busca de prazer que vim até esse fim de mundo.— Admitiu sustentando uma malícia que faz meu pau pulsar na calça.

 — Então está aqui por uma boa causa e eu lhe darei seu orgasmo. — Assegurei e pulei do sofá, me ajoelhando na posição que me dá acesso irrestrito a vagina apertada e rosada que tanto me excita. Sem pronunciar mais sacanagens, amontoei a saia dela até seus quadris e abri suas pernas, Loren sorriu transparece estar receptiva e na expectativa de ser sugada por mim. Trabalhando meus dedos em suas coxas, fui subindo lentamente e ao encontrar a calcinha dela, puxei as laterais do tecido de renda e rasguei-o. 

Loren arquejou e gemeu assim que meus dedos se infiltraram em seu ponto mais sensível. Movi-os na extensão do clitóris inchado dela, sentindo um baita tesão com os gemidos dela. Suas mãos delicadas agarradas aos meus cabelos, me dão fervor para prosseguir dando prazer a uma morena deliciosamente gostosa, e agora uma intrigante lacuna incompreendida na minha vida. Percebendo que ela se aproxima de seu glorioso orgasmo, e pode literalmente se "desmanchar" em meus dedos a qualquer momento não perdi tempo e encaixei minha cabeça ao redor de suas pernas trêmulas, introduzindo minha língua em sua intimidade molhada e quente. Ao senti-la me prender em torno de si com suas pernas, contorcendo-se de prazer antes mesmo de eu leva-la a perder a insanidade meu ego obviamente explode. 

Não vou mentir, ou ocultar que estou amando explorar cada carne dela, e saborear seu gosto, sua feminilidade. Porra! Afastei meu pensamento da racionalidade, continuando a suga-la com destreza. Alternado as carícias entre lambidas, beijos e sutis mordiscadas, tocando com a ponta da minha língua exatamente os locais mágicos que enlouquecem uma garota.

— Eu não aguento mais... Michael, por favor. — Loren choramingou se preparando para se render ao gozo e me recompensar com seu "doce fel". — Vou gozar. —  Avisou em um fio de voz, beirando o descontrole. Obstinada a faze-la derramar -se na minha boca, dei prosseguimento ao sexo oral, desta vez aumentando a pressão no clitóris dela gradualmente. 

Foi assim até ela implorar por mais, se esquecer de quem é ou como chegou até minha casa, explodindo em um impactante orgasmo, gozando furiosamente dentro de minha boca. E mais um fetiche sexual meu eu supri, e em grande estilo. Ainda absorto com o que acaba de transcorrer, passo a língua entre os lábios para sentir mais aguçadamente o sabor singular de Loren. O sorriso cínico atravessado em meu rosto exemplifica meu contentamento em ter propiciado prazer e uma boa dose de adrenalina a uma mulher que nem sequer me considera um partido apropriado para ela. Após se recuperar parcialmente do orgasmo Loren ajeitou os cabelos e arrumou o "desalinho"" de sua saia. Um suspiro pesado preencheu sua garganta e seus olhos se fecharam ao redor de meu maxilar.

— Gosto do formato do seu queixo, é sexy e lhe atribui um ar másculo — Elogiou notoriamente com a respiração desregulada, e uma postura dócil. — , e do seu sorriso cafajeste! — Frisou perturbada pelo resquício do forte orgasmo. Essa é a única explicação humana que encontro para sua gentileza exacerbada. O bom humor de Loren é fruto de meus esforços e meu dom de dar prazer as minhas parceiras com o qual fui abençoado.

— Se eu não pintasse paisagens, você seria minha musa inspiradora. — Debochei sabendo que no fundo há um fundo de verdade em minha inocente brincadeira. Loren é uma deusa da beleza e isso não posso negar, seria uma perfeita inspiração para mim, minha Monalisa dos tempos contemporâneos.

— De onde surgiu essa sua vocação? — Perguntou erguendo as sobrancelhas.

—  Eu não sei, acredito que vem de Deus. — Aleguei aleatoriamente, refletindo mentalmente sobre o questionamento peculiar dela. Loren desperta uma hemorragia de sensações em mim sem ao menos se esforçar. Ela apenas fala o que pensa, é sincera, adoravelmente evasiva.

— Eu nunca tive talento para arte, meu ramo são os negócios, somente me foquei em estudar incessantemente para merecer o cargo máximo na empresa de papai e fim de história. Nasci em berço de ouro, não precisei enfrentar o mercado concorrido de trabalho ou economizar para pagar a faculdade, veio tudo de mão beijada para mim, fácil demais, sem dificuldades, ou sacríficos, todos os privilégios que possuo são concedidos pelo dinheiro, nada mais e eu…bom, aprendi a amar esse estilo sedutor de vida. Seria estritamente obsoleto e egocêntrico da minha parte dizer que isso vem de alguma força divina poderosa...— Disse desprovida de entusiasmo, objetivamente. Estranho! as primeiras impressões que tive dela, me davam a certeza de que ela tem a alma de uma empresária viciada nesse meio.

— Mas é um talento, diferente do que faço, algo mais técnico e prático.... Mesmo assim aposto que deve ter muitos desafios a vencer, e a cada dia trava uma luta diária! — Manifestei minha opinião e Loren balançou a cabeça negativamente.

— Não faz ideia do quão às vezes é entediante! — Riu aparentemente desconfortável com a conversa e abraçou uma das almofadas do sofá. — Michael podemos chamar a gatinha ferida que encontrei de Lolita. Lolita! — Largou a almofada subitamente e sorriu orgulhosa de sua escolha.

Eu a entendo, significa muito para essa patricinha decidir algo movida pela voz do coração, andar com as próprias pernas é algo que Loren nunca fez na vida. Não a culpo por ter nascido rica, apenas acredito que ela se deixou levar pela sede de ambição e perdeu-se no caminho.

— Pequenez, finalmente! — Ergui as mãos para o alto dramaticamente. — Você conseguiu fazer algo sozinha, e olha, ninguém faria escolha melhor que essa! Eu adorei o nome, Lolita! — Enfatizei o nome, comemorando a escolha inteligente e criativa de Loren.

— Hey, seu grosso, não me chame assim. Soa infantil e indelicado ridicularizar alguém pela estatura. — Bradou fazendo um gesto obsceno para mim. — Seu pobretão desclassificado! — Protestou novamente agindo feito uma riquinha inconsequente.

— Pobretão é? — Gargalhei o mais alto que minhas cordas vocais permitiram. Mordi os lábios, lembrando o que acabamos de fazer nesse sofá há alguns minutos, impossível levar a repreensão dela a sério baseado na situação anterior na qual Loren aceitou de bom grado ser dominada por meus lábios e gozou até perder a noção de tempo e espaço. — Não é o que parecia pensar ao meu respeito quando eu estava no meio de suas pernas, sugando-lhe com maestria. Aliás você é deliciosa bella ragazza! — Exclamei.

— Seu italiano de Araque! — Bufou.

— Errado, sou um legítimo italiano, e você uma adorável baixinha, sinto muito.— Ironizei franzindo a testa.

— Tenho que ir agora! Pobretão insuportável! Volto para... — Hesitou por um segundo, a raiva dela é nítida, decerto dar o braço a torcer para Loren deve ser uma verdadeira lamúria. — Para levar Lolita para a adoção. — Destacou levantando-se do sofá abruptamente.

— Que pena, achei que quisesse ficar. — Fitei-a demoradamente, exprimindo um semblante de lamentação. Dormir tendo Loren em meus braços me parece apropriado para a ocasião, é uma oportunidade de darmos uma trégua nas brigas.

— Pois essa sandice não passa de fruto da sua imaginação fértil de pintor. —Desdenhou enfiando sua bolsa de grife nos ombros, pisando duro Loren deixou minha casa, por algum motivo ingrato, assim que ela cruzou a porta e eu percebi isso ao ouvir um rangido meu corpo gelou.

Todo o calor da companhia dela, sua alegria que me cativa partiram junto a ela, dando espaço a esse vazio agoniante, originando aquele famoso sentimento que consome, a saudade.


Loren

Duas semanas depois...

Míseros sete dias se passaram desde que eu e o pintor morto de fome tivemos... intimidade. Depois daquela loucura sexual toda, eu voltei a visitar Michael, cometi esse erro por cerca de mais três vezes. Não que eu planejasse revê-lo, mas prometi levar Lolita para a adoção após o veterinário cuidar dela. O problema é que isso acabou se transformando num tremendo dilema. Tanto eu quanto Michael nos apegamos a Lolita, para encurtar assunto, não tivemos coragem de abrir mão da gatinha. 

Não costumo bancar a garota emotiva, acontece que também sou feita de carne e osso e um coração. Ficou decidido que Lolita ficará na casa de Michael, aliás ele já tem Skipper e está acostumado com a presença felina, quanto a mim, sempre dou um jeito de ir vê-la, aproveitando para apreciar o sorriso torto do pintor sexy. Se o problema fosse exclusivamente esse, provavelmente estaria mais calma, todavia o problema são os efeitos devastadores que uma simples palavra sedutora daquele pobretão acarretam na minha calcinha. 

Michael Jackson fode como um doutor em prazer feminino, e jamais um homem conseguiu me satisfazer como ele, tampouco atingir todos os pontos que aquele filho da mãe alcançou. Aqueles lábios carnudos e convidativos, as mãos enormes, os cachos negros contidos em um rabo de cavalo. Maldição! Michael é a personificação do Adonis rústico e eu não resisto a tamanho charme. Como não lembrar da transa no banheiro? Foi um acontecimento marcante, afinal orgasmos múltiplos são preciosos demais para caírem no esquecimento. 

Agora tenho que mascarar todo esse desejo pelo pintor sem berço e sorrir forçadamente para Lincon e a família dele. Sim, ele me convidou para um jantar com seus pais na mansão deles e garanti que estarei lá. Droga! — Miro minha imagem no espelho e analiso minha expressão de mulher mal comida. Caminho arrastada da suíte até o meu closet e capturo meu belo Ralph Lauren, um ilustre vestido longo azul de seda egípcia e decote frontal insinuante. Já com o look em mãos me obrigo a procurar pela minha maleta de maquiagem. Normalmente telefono para Robert meu maquiador particular, mas hoje não estou com paciência e farei um make mais sutil.  Ótimo! Espero que Deus me ajude! Que a sorte sorria para mim. Porque se Lincon inventar de transar estarei enrascada. Não é um bom dia para fingir orgasmos.

(...)

Forjo meu melhor sorriso e aceno para Lincon assim que atravesso o luxuoso hall da entrada de sua mansão. Como o "príncipe" que ele é, deveria saber o tipo de recepção que me aguarda. Ele imita meu gesto e sorri, mostrando seus dentes reluzentes.

— Querida, você está fabulosa minha rainha. — Lincon solta um galanteio clichê e eu retribuo meneando a cabeça. Detesto esses acessos românticos dele, preciso de orgasmos não de declarações e flores.

— Muito obrigada, você também está incrível nesse terno! — Elogio ainda mantendo o mesmo sorriso mecânico no rosto.

— Venha comigo! — Propõe entrelaçando seu braço ao meu. Sem titubear permito que ele me guie, e rapidamente alcançamos a sala de jantar. Os pais dele já estão acomodados na mesa, bebendo vinho e conversando descontraidamente.

— Loren está aqui. — Lincon anuncia minha presença e eu coro de vergonha. Os pais dele lançam um olhar cordial em nossa direção e Lincon me leva até a mesa, puxando uma cadeira para que eu me sente.

— Seja bem vinda querida, ficamos felizes que estejam se conhecendo. Meu filho merece uma moça digna e de boa família como você. — Saúda a mãe dele, que inclusive está estonteante com um par de brincos de rubi. Vera é elegante de uma forma natural e muito bonita por sinal. O cabelo Chanel repicado ruivo alaranjado contrasta com sua pele alva e realça os olhos verdes dela.

— Eu espero que compreenda a preocupação de minha esposa. Nosso filho é um homem feito, mas tememos que ele se envolva com uma mulher sem escrúpulos. Estou aliviado Loren, ele escolheu uma boa pessoa, vocês tem minha benção. — O pai de Lincon interfere e eu o fito vagamente.

— Sr. e.. eu. — Gaguejo orando para que um raio caia na minha cabeça e eu faleça antes de ter que interagir com meus futuros sogros.

— Já chega de perturbarem minha garota. — Lincon me salva dos discursos desagradáveis dos pais e eu agradeço a ele silenciosamente por me tirar desse fogo cruzado. — Quero fazer isso antes do jantar ser servido, Loren tem sido a luz da minha vida e não vejo porque não oficializar nossa relação. Sinto-me pronto para seguir adiante e quero pedir sua mão em namoro oficialmente querida. Loren Baker, aceita ser minha namorada? Deixe-me fazê-la a mulher mais feliz desse planeta. Eu te amo! — Declara-se, sorrindo de orelha a orelha, engoli a seco, completamente paralisada com o pedido de namoro dele, a única coisa que sinto é a necessidade de correr desse lugar.

Namorar, noivar e consequentemente casar com um sujeito rico e bobo como Lincon sempre fez parte de meus sonhos. Mas agora há outra pessoa rondando meus pensamentos. Michael Jackson! Inferno! É apenas sexo Loren!  — Tento me convencer disso e reassumo a compostura de mulher perdidamente apaixonada, sorrindo abertamente me preparo para responder um cálido sim para Lincon que aguarda ansioso minha resposta. Dane-se o pintor italiano é uma mera distração. Apenas isso é claro.



Capítulo 10 – Michael –

Olhei pela janela e um suspiro me escapou. Normalmente me prostrava em frente a esse lugar, na companhia da minhas tinhas e meu gato, para pintar até meus dedos doerem. Mas especialmente hoje eu não conseguia colocar minha alma em uma daquelas paisagens que amava pintas. Hoje apenas um rosto me vinha a mente, parecia que meus dedos imploravam para segurar aquele pincel e dar vida aquela tela branca.

Um rosto de traços elegantes e intensos, tomaria o papel branco, olhos azuis, de um poder hipnotizante, e um sorriso raro, mas carregado de coisas maravilhosas, tingiria tudo, deixando não só aquela tela em branco perfeita, mas meu dia também. Pois dedicar algum do meu tempo pensando nela, imaginando aquele rosto, já me faria mil vezes melhor.

Lolita emitiu um miado, aproximando-se e esfregando-se em minha perna. Sua aparência agora era outra. Foi tratada e alimentada, e agora não parece mais com medo de tudo. Ela me fitou com seus olhos agateados, como se lesse meus pensamentos e me fizesse um pedido silencioso de dar vasão ao que eu queria naquele momento.

- Vá com o Skipper, Lolita – Mandei, e ela se afastou.

Beberiquei mais um pouco do meu café fumegante e me permiti embarcar nos pensamentos de novo. Não sei por que a ideia de pintá-la me amedrontava tanto. Acho que até sei, mas é difícil admitir. Pintar Loren seria como afirmar para mim mesmo que ela não é apenas sexo, não é apenas diversão. Loren tem se tornado muito mais para mim. Uma companheira de horas improváveis, ela me faz rir com suas implicâncias, me faz desejar tê-la em meus braços sempre e sempre... e isso não é, com certeza, um bom sinal.

Loren e eu somo como água e óleo. É, talvez a analogia tenha sido um pouco fora de contexto, já que nos misturamos muito bem, mas é que simplesmente não fomos feitos um para o outro. Se eu estivesse a procura da minha metade da laranja, Loren seria a metade de uma melancia, não se encaixa. Pensamos absolutamente de formas diferentes, apesar de que agora consigo entender que sua forma arrogante e ambiciosa veio de uma criação baseada nisso, até me admiro que ela tenha conseguido resguardar consigo algumas coisas boas. Ainda assim, apesar de vê-la progredindo nos últimos tempos, se desnudando aos meus olhos uma mulher maravilhosa, tudo que Loren quer, é do que sempre fugi.

Ela quer dinheiro, luxo, uma vida regada a champanhe e caviar, a trabalho árduo com números, lidando sempre com pessoas sem escrúpulos e ambiciosas. Sempre busquei tanto a simplicidade da vida, fugi, inclusive, da minha família por conta disso. Como, por Deus, deixaria que meu coração se enredasse com uma pessoa que órbita em torno de dinheiro? Impossível!

Cansado daquela enchente de pensamentos, e me sentindo subitamente sozinho naquele apartamento, me levante e sai porta afora, levando comigo apenas meu celular e a carteira.

Não, eu não iria pintar Loren, e muito menos deixaria que ela entrasse em meu coração.

(...)

Voltei tarde naquela noite, e trazia comigo, além de umas boas doses de vodca na cabeça, uma loira que encontrei no bar. E foi bastante solicita ao me trazer em casa.
Enquanto tentava acertar a chave na fechadura da porta, a mulher beijava meu pescoço, quase o engolindo. Estava com medo que ele perfurasse minha jugular e me matasse ali mesmo.

- Calminha aê, gracinha – Resmunguei.

Antes que pudesse enfim acertar a fechadura a porta abriu-se subitamente, me fazendo cambalear e ir ao chão, junto com a loira.

- Mas o que? – Enquanto recolhia o que sobrou de minha dignidade e me erguia, ajudando a mulher ao meu lado, me dei conta de quem estava parada a minha frente – Posso saber o que está fazendo aqui, droga?

- Vim visitar minha gatinha. E se bem me lembre foi você que me deu a chave do seu muquifo. 

Minhas têmporas pulsaram. Mulherzinha insuportável!

- Nossa brincadeirinha pelo jeito não vai rolar não é gatinho? – A loira, que até então eu havia esquecido, se pronunciou.

- O único gato que tem aqui é o Skipper, e se ele fosse brincar com você furaria seu silicone com as garras dele, queridinha. Dá o fora!

- Grossa – A mulher girou em seus calcanhares e saiu pisando duro.

- Precisava ter aberto a porta daquela forma? – Resmunguei, entrando e fechando a porta.

- Por que sempre que venho aqui você está com uma mulher pendurado em si. Por acaso você mel no pau? – Disse em um tom de voz extremamente irritado. Foi impossível não rir.

- Isso você que tem que dizer, meu amor, já que quem costuma prova-lo é você.

- Como você é idiota, arghhh – Ela virou-se e saiu andando rumo ao meu quarto, chamando por Lolita.

Passei as mãos nervosamente pelo cabelos. É, eu agi feito um idiota. Mal sabia essa marrenta insuportável que eu estava louco de saudade dela. Que minha vontade, assim que me levantei do chão, foi de abraça-la e beijá-la. Só queria tornar essa situação de merda mais simples.

Me levantei e fui atrás de Loren, encontrei-a saindo do meu quarto. Sabia que estava muito irritada, pois suas bochechas rosadas denunciavam seu tom de irritação.

- Sinto muito, eu fui mesmo idiota – Disse, tomando-a em meus braços.

- Já estou acostumada com sua idiotices, seu mané – Ele se desvencilhou de meus braços.

- Não precisa ficar com ciúmes, querida. Você sabe que tem um lugarzinho cativo em meu coração. – Ela riu, desdenhando.

- Estou pouco me fodendo para as mulheres que você arrasta para sua cama.

- Eu nunca arrasto elas para minha cama. – Loren ergueu as sobrancelhas – Só transo com você naquela cama.

- Me engana que eu gosto – Meneou a cabeça – Me deixe passar.

- Não – Voltei a toma-la em meus braços, levando-a até minha cama, onde a derrubei.

- Pare Michael – Ela disse entre risos, me empurrando.

- Só quero você em minha cama, só você – Disse fitando-a intensamente. Loren parou com sua lutinha, e me fitou com a mesma intensidade. Colei minha boca à sua, beijando-a vorazmente.

Suas mãos voaram para meus cabelos, me puxando mais para si, tornando tudo ainda mais urgente e intenso. Minhas mãos ganharam vida, despindo-a numa rapidez que até mesmo eu achei impossível. Minha boa não tardou em migrar para seu pescoço, colo e logo estava provando de seus seios apetitosos. Brinquei com seus mamilos intumescidos, prendendo-os entre os dentes, enquanto ela gemia e lutava para se esfregar em mim.

Minha boca desceu ávida por seu ventre plano, e mais abaixo, passeei meu nariz pelo seu monte de vênus, inalando o seu cheiro de mulher. Quando meus dedos mergulharam em sua quentura molhada, um longo gemido saiu por entre os lábios dela. Meu nome era quase um clamor em seus lábios.

- Michael...

Suas unhas fincaram-se no colchão da cama, quando retirei meus dedos de dentro dela e espalhei a lubrificação por seu clitóris inchado. O fecho de nervos pulsou em meus dedos, fazendo meu pau ter uma reação bem parecida.

- Tão molhadinha.... Bem que eu queria me enterrar em você agora mesmo, mas não posso deixar de provar essa delícia.

Não esperei um segundo a mais para estar entre suas pernas, sugando-a, provando-a com uma fome animalesca. Minha boca encaixou-se perfeitamente em seu sexo, enquanto eu alternava minha língua entre seu clitóris alterado e sua entrada encharcada. Uma de minhas mãos manteve-se em seu quadril, prendendo-a no lugar, e a outra foi até um dos seus seios, apertando-o. Não foi preciso mais para vê-la se contorcendo e gritando, trêmula em meus braços, gozando alucinadamente em minha boca. Um espetáculo que queria ver para sempre.

Enquanto ela se recuperava da onda de prazer, tirei minhas roupas em um átimo. Peguei uma camisinha no criado mudo e me vesti, ajoelhando-me entre as pernas dela em seguida.

Enterrar-me naquele sexo quente e molhado era como ir ao paraíso. Se é que o paraíso é mesmo bom assim. Mas antes mesmo que eu começasse a me mover, Loren se levantou repentinamente e me empurrou de costas contra a cama.

- Garota selvagem – Disse em meio aos risos.

- Só com você – Seus olhos azuis pareciam ainda maiores, assim dilatados.

As palavras morreram quando ela encaixou meu pau em sua entrada e desceu sobre ele, começando a rebolar deliciosamente. Nossos olhos estavam conectados, enquanto nos perdíamos nas sensações maravilhosas que nos preenchiam quando estávamos juntos.

Ver aquela mulher ali, em cima de mim, proporcionando-nos prazer, encheu meu coração de tantos sentimentos, que nem fui capaz de distingui-los.

Me sentei sobre a cama, trazendo seu corpo para junto do meu, sua boca para a minha, e enquanto beijava-a, engolindo seus gemidos e abafando os meus, senti suas unhas fincarem em meus ombros e ela gozar novamente, dessa vez me levando junto com ela.

(...)


Loren

O cheiro molho flutuava no ar, fazendo minha barriga roncar. Abri os olhos, ainda cheia de preguiça, me levantei, já catando e vestindo minhas roupas e rumei para a cozinha.

Michael estava na beira do fogão, apenas de calça de moletom. Adora vê-lo assim, me dava vontade de transar com ele ali mesmo.

- O cheirinho está ótimo - Disse, já me sentando em uma das banquetas da cozinha.

Não estranhava mais o tamanho desse apartamento, tudo parecia tão familiar, e até aconchegante para mim agora.

- Seu telefone tocou – Ele disse, sem se virar. Instantaneamente me pus tensa – Na tela piscou o nome ‘namorado’ – Ele desligou o fogo, e jogou um talher na pia com força, fazendo barulho.

- Deveria ser o Lincon – Disse, o mais tranquila que consegui.

- E ele é seu namorado desde quando? Pensei que fosse só mais um dos seus ficantes.

- Não me tome por uma vadia. Não ando com uma pensa de ficantes por aí. E Lincon é meu namorado a alguns dias. Ele fez o pedido oficialmente para os pais dele, e eu aceitei. – Michael me fitou pela primeira vez, os olhos estavam estreitos, como se me encarar doesse nele 

– O que? Quando eu acho que alguma coisa em você está mudando, você dá um jeito de provar que foi só mais um engano – Ele meneia a cabeça.

- Não estou entendendo sua irritação. Eu e você somos apenas sexo, você fica com outras garotas, eu tenho direito de namorar, noivar e casar com quem eu quiser – Ele franziu o cenho – Você sabe, não é Michael? Sabe que entre você e eu nunca poderia ser mais que sexo... não foi isso que planejei pra mim.

- Claro – Riu debochado – Você planejou transar com um riquinho idiota, só para garantir que nunca lhe falte seu amado dinheiro. Acho que isso é a única coisa pela qual nutre algum tipo de sentimento – Engoli o nó que formou-se em minha garganta.

- Você me conheceu assim, não estou entendendo seu show.

- Pois é, nem eu – Ele virou-se para o fogão novamente – Você tem razão. Você e eu somos apenas sexo... sexo esse que não me interessa mais. Dê o fora da minha casa.

- O que? – Perguntei, me levantando num salto. Estava atordoada, para não dizer desesperada.

- Você ouviu direitinho. Tô cansado dessa merda... só dá o fora de uma vez.

Acho que nunca chorei em minha vida. Bem, sim, claro que já aconteceu, mais desde que me lembro sempre fui tão forte, destemida e desprovida de sentimentos, que nunca tive vontade de chorar. Fazia tento tempo que nem me lembrava mais como era a sensação, mas arriscaria dizer que esse nó na garganta e esse ardor nos olhos, era o prenuncio de um choro.

- Mas... que bobagem é essa agora... nos... nos damos tão bem, e... nos tornamos até amigos, por que... – Gaguejei de forma ridícula.

- Só me dá um tempo, porra – Ele gritou, me assustando – Sai Loren, agora – Ele foi tão enfático, e os músculos de suas costas estavam tão tensos, que preferi não discutir. 
Peguei minha bolsa e saí dali as presas. Ignorando a vontade infantil de chorar. E aprisionando em mim a adolescente idiota que queria voltar lá e implorar para ela que me deixasse ficar.


Michael Jackson não era vital para mim, eu poderia viver sem ele. Não é?! – Foi a pergunta que me fiz por todos os dias de solidão que se seguiram.



Capítulo 11 – Loren -

Jogo meu peso sob o colchão coberto por lençóis italianos e puxo o ar entre os dentes, sentindo aquele típico seco angustiante se instaurar em minha garganta. Enfim... descanso! – Penso aliviada ao saber que por hoje chega de trabalho. 

Fito o teto do meu quarto e tento conter a vontade miserável de chorar com a qual estou lutando desde que Michael me disse todas aquelas palavras ácidas e fez questão de me expulsar de sua casa sem o mínimo peso na consciência. Dias já se passaram e eu continuo me odiando, abominando minha fraqueza, amaldiçoando meu desejo de ir até aquele muquifo falar umas boas verdades para Michael e despejar minha raiva no único culpado por minha aflição. 

Pobretão sem classe. Droga! Por que sinto saudades dele? Por que o sorriso travesso de Michael Jackson assombra meus sonhos? Sexo, claro, aí está o resultado de ir para cama com um expert no assunto. 

Devo estar enfeitiçada pela forma selvagem e ao mesmo tempo intensa, carinhosa com que ele me possui. Ou talvez seja o rosto demasiadamente exuberante e rústico de Michael os legítimos agravantes da situação. 

Maldição! Ele é um tesão e desperta sensações inusitadas e contraditórias em mim. 
Eu confesso, perto dele posso ser eu mesma, tudo se torna mais espontâneo e confortável. O tal pintor literalmente bagunçou minha vida, parece que ele dedica seu tempo a premeditar como irá estragar tudo, e joga tudo para o alto. Porque sinceramente ainda não compreendo o motivo do chilique repentino dele. 

Estávamos indo tão bem, tecendo uma amizade apesar de divergirmos na maioria das vezes, é palpável que houve um progresso. Desenvolvemos um grau superficial de intimidade e eu obviamente adorava a companhia de Michael. 

Aprecio a franqueza e o senso de humor negro dele. Foge do mundo ao qual estou habituada, mas isso não é de todo mal, ok, jamais entenderei quem vive com míseros trocados por mês, todavia me acostumei com o estilo simplório de vida dele. 

O dinheiro é um artefato natural a mim desde que nasci. Michael nunca poderá entender meu lado. Afinal ele não tem onde cair morto, quando se nasce pobre é fácil julgar meu anseio em aumentar minha fortuno. Agora duvido que caso Michael Jackson tivesse sido criado em berço de ouro e uma herança bilionárias o aguardasse ele conseguiria virar as costas para os bens materiais para viver da saudosíssima arte.  Foi assim que cresci, ladeada por regalias, com a certeza de que cartões de créditos ilimitados são a chave da felicidade, e viagens a solução para espairecer, espantar o estresse. Não imagino outras maneiras de viver, toda a balela de humildade e buscar pelos pequenos prazeres me desagrada. 

Mamãe está certa, e já que não posso ter um homem bom de cama, e que me faça feliz, fico com Lincon, ao menos ganharei diamantes em datas especiais e passarei a lua de mel em Paris. 

Felicidade sem meus perfumes, as bolsas deslumbrantes Chanel e meus vestidos de grife não existe. As viagens, as festas badaladas no iate que papai me presenteou na minha formatura universitária, isso sim é verdadeiramente importante.  – Divago afundando minha cabeça no travesseiro, fechando os olhos lentamente me entregando a sonolência por completo

(...)

– Eu estava morrendo de saudades. Hoje você não me escapa amor. – Lincon contorna minha cintura e eu arregalo os olhos ao decifrar a malícia por trás das carícias inocentes dele. 

Inferno! Há duas semanas tenho me esquivado das investidas dele, mas isso não pode durar para sempre, somos namorados e o sexo faz parte do ritual. Nesse caso o sacrifício é válido, preciso conquistar a confiança desse paspalho definitivamente e me casar logo para arrancar o pintor pobretão da mente. 

– Sinto muito estar tão distante, o trabalho tem tomado aa grande maioria meu tempo e fico tensa quando trabalho muito. – Invento a primeira desculpa esfarrapada que meu cérebro processa, sorrindo forçado em seguida no intuito de ganhar atenção especial de meu namorado.

– Fico mais tranquilo em saber que é apenas esgotamento mental, cansaço físico. Porque ultimamente a impressão que tenho é que você anda entristecida. – Rola os dedos pelo meu cabelo me olhando com um semblante de preocupação.

–  E o que mais poderia me contrariar querido? – Retraio o cenho e massageio os ombros dele. Transar com ele pode ser útil na minha tarefa de esquecer Michael Jackson. Contanto que eu deixe as comparações de fora, pois Michael sabe como satisfazer uma mulher, onde toca-la. Certo, ele é um pé rapado extraordinário na cama.

– Tem razão... – Lincon concorda ainda desconfiado.

– Eu também senti saudades. – Minto e toco a linha da mandíbula dele ousadamente. – Que tal aproveitarmos, estamos sozinhos no seu apartamento? – Proponho. Adquiri esse triplex há alguns anos, foi além de um investimento, uma maneira que encontrei de ter privacidade, aqui posso trazer quem quiser sem ter que dar satisfação.

– Eu adoraria... Você sabe. – Ri vigorosamente.

– Diga o que quer! – Ordeno descendo o zíper lateral do meu vestido branco todo adornado por uma belíssima renda.

– Não deveria me provocar Loren. – Balbucia arrastando as palavras, o que transmite sua excitação.

– É como eu sou, sem limites e insaciável. – Pisco discretamente para ele e deslizo o vestido pelo meu corpo, ficando seminua.

– Eu sei... – Toma meu pescoço em um beijo sedutor, o qual não me provoca a menor onda de prazer ou desejo.

Desesperado por se saciar Lincon me carrega no colo e me acomoda na cama logo depois se despindo, e depositando o peso de seu corpo sobre mim. Forjo uma euforia inexistente e finco minhas unhas nas costas dele, sussurrando algumas indecências no ouvido do meu namorado. 

A verdade é que quanto antes começar mais rápido a tortura cessa. Meu papel é somente fingir orgasmos, milhares de mulheres fazem isso. Lincon segue o instinto e me livra da lingerie abruptamente. Os olhos claros dele flamejam luxúria e nem mesmo esse estímulo me excita. Apoiando os cotovelos na cama, e me analisando Lincon empurra para dentro de mim dando início a penetração, arfo pelo torpor do momento e me concentro em desfrutar do momento. A cada arremetida dele sinto-me gelada, vazia, como se fosse tudo mecânico. Os gemidos dele se mesclam os meus falsos gritos e sei que embora não seja doloroso essa transa, o prazer desponta como uma nuvem passageira no céu límpido. Simplesmente não consigo sentir nada. É uma mera obrigação da qual não posso fugir.

– Loren. Porra. Venha comigo. Eu vou gozar, querida! – Rosna aumentando a velocidade das estocadas, prestes a ejacular e pôr fim a essa transa apática. Lincon goza em minutos, esse cara não tem noção de como explorar o corpo de uma mulher.

– Ohhh, Lincon. – Murmuro estridente e ele solta alguns palavrões gozando dentro de mim, contorcendo-se. Os músculos se retesando e a boca entreaberta comprovam que ele teve seu apogeu.

– Desculpe, estou exausta. A culpa é sua, preciso urgentemente de sono. E... Foi maravilhoso para mim. Só que agora necessito de repor as energias honey. – Choramingo manhosa e Lincon sai de cima de mim delicadamente, desabando ofegante n colchão. O ego dele certamente cresceu com meu comentário mentiroso.

– Claro amor, descanse. – Beija minha testa e eu me enrolo nos lençóis fingindo uma exaustão que de fato infelizmente não estou sentindo. Lincon beija minha testa suavemente e vira para o outro lado, deixando -me presa a uma explosão de lembranças. 

Michael Jackson! Céus eu queria tanto estar acolhida no peito definido dele após o sexo... Provavelmente um sorriso amplo estaria cravado em mim se fosse ele deitado nessa cama ao meu lado.

(...)

Tomo uma lufada de ar e crio coragem para invadir a casa de Michael. Na verdade eu tentei desistir dessa sandice de vir até aqui, mas de repente percebi que precisamos conversar e chegar a um acordo. Por sorte tenho uma chave que ele me passou para visitar Lolita. Giro a chave pela fechadura e adentro a modesta residência do senhor gostosura. 

– Michael! Você está aí? – Clamo em busca dele. Caminho pelos cômodos da casa e me dou conta de que ele não está. – Ótimo. – Bufo e Lolita enfim aparece miando, me ajoelho para afagar os pelos dela me lembro que não explorei o porão da casa. Sorrio esperançosa levanto-me, me pondo na direção ao porão. 

Desço a escadaria de madeira que me levara ao subterrâneo e me deparo com outro empecilho, uma tábua de madeira velha, empurro-a, abrindo passagem para a possível base secreta de Michael. 

Oh meu Deus! Mas isso é.... inacreditável! – Minha boca se abre em 'o' e meus olhos analisam os belíssimos quadros paisagísticos. Michael tem talento de sobra e esse detalhe fica mais evidente a cada pintura que vislumbro. 

Soa como um santuário da arte, deve ser a intenção dele pintar nesse lugar exótico, pelo pouco que já aprendi em leilões nas galerias de arte artistas precisam arrumar um jeito de manter a inspiração para aperfeiçoarem a criatividade. Estranho uma das telas, está coberta por um lençol velho denotando mistério. 

Decerto essa pintura tem um significado singular para Michael. – Constato deslizando o lençol para sanar minha dúvida, jogando-o no chão. 

Embasbacada com a imagem que minhas córneas cruzam, observo encantada uma espécie de retrato meu, pintado delicadamente em tons vivos. Parece que sou a nova musa inspiradora do pintor rústico. – Comemoro sentindo o coração palpitar e um frio estranho no estômago desconhecido me dominar. 

Nada é tão emocionante, ou se compara com um quadro inspirado em seu rosto feito com tamanha dedicação. Nesse momento gostaria de abraçar aquele turrão, de me perder naqueles lábios carnudos. Michael Jackson dessa vez se superou, ao menos sei que ele não nutre repulsa e ódio por mim. Porque se houvesse resquícios desses sentimentos, esse quadro não estaria escondido num porão.

– Loren. Mas o que? – Michael berrou correndo até onde a pintura está. Eu pensei ter escutado um barulho de algo sendo arrastado, entretanto não imaginei que ele houvesse chegado. Os olhos expressivos de Michael se movem desordenadamente a medida que ele toma consciência do que aconteceu e meu corpo gela instantaneamente. Pega no flagra. Diabos!

– Ar... Eu vim visitar Lolita e....

– Resolveu fuxicar... – Cruzou os braços me olhando da cabeça aos pés perversamente. – Vou relevar, até porque a curiosidade faz parte do ser humano, e esse quadro te pertence! Era para ser uma surpresa... – Elucidou já mais estabilizado.

– Como assim? – Indago um pouco confusa com a mudança súbita de comportamento dele desde a última vez que foi extremamente radical e rude comigo.

– Eu o fiz para você, como um presente, um pedido de desculpa pela minha grosseria, agi mal em ter a expulsado daquela forma, espero que possa me perdoar por toda a merda que falei – Tenta redimir-se da besteira que fez. – Não é uma joia ou um vestido de grife como seu namorado deve lhe dar, mas o pintei com muito carinho! – Enaltece sorrindo polidamente e eu não sei porque, e que diabos deu em mim, no entanto me aninhei no peito dele inalando o cheiro másculo do qual senti tanta saudades.

– Sinto muito por não ter lhe contado sobre ... Obrigado pelo quadro!

– Melhor não falarmos daquele mauricinho agora, a última coisa que quero é discutir. Vamos selar um acordo de paz "pequenez"? – Desfaz o abraço para me olhar diretamente e eu me derreto com a proposta dele, embora o termo pequenez seja terrivelmente brega e ofensivo.

– Está bem, só com uma condição. – Mordo os lábios. – Pare de se referir a mim... assim. – Movimento as mãos desajeitadamente.

– Está falando do apelido carinhoso, ah, sim o "pequenez"? Fala sério Loren, qual o problema? Se soubesse o quão sua baixa estatura é sexy, eu estou amando conhecer uma baixinha tão cheia de personalidade. – Insinua divertido, ele não perde a chance de debochar de minha estatura. Mas é adorável vê-lo me elogiando ao seu modo.

 – Eu desisto! – Reviro os olhos.

– É um charme sua altura! Aliás tenho que dizer, aprendi a gostar de absolutamente cada pedacinho seu, incluindo sua mania de me irritar, a prepotência e alguns outros defeitos. – Admite emaranhando suas longas mãos em meus cabelos. – Preciso de você essa noite. Fique, por favor. – Sussurra roucamente no lóbulo de minha orelha fazendo-me arrepiar. Basta ele me tocar para derrubar minha armadura de mulher auto suficiente, e me transformar em uma menina insegura.

– Tem certeza? Quer mesmo que eu...

– Shh. – Interrompe, e cola nossos lábios. Me permito o deleite de saborear o gosto mentolado da língua dele e exploro cada canto da boca deliciosa desse homem. Michael pressiona minhas coxas enquanto eu mantenho as mãos em sua nuca. A mistura de volúpia e delicadeza dão a esse beijo um toque sublime. Se fosse possível eu prosseguiria conectada a esses lábios macios pela eternidade. Nunca fiz o tipo romântica, deve ser o efeito do desejo corroendo-a meu bom senso.

– Então, isso responde minha pergunta... – Desgrudo meus lábios dele e tomo fôlego para concluir. – Está bem, eu fico seu rabugento! – Aceito o convite dele e ganho um caloroso "obrigado" sussurrado no meu ouvido.

– Prometo que não irá se arrepender pequenez. Amanhã a levarei em um lugar que julgo ser o paraíso. É surpresa, portanto nem tente me dissuadir. – Adianta repetindo um gesto que considero a assinatura dele, a mordidinha no lábio inferior. Eu diria a mordida da perdição, uma covardia para com as "mademoiselles".

– Me leve para onde quiser Michael. –Provoco aos suspiros.

– Quero decifrar sua alma, o que há por trás da destemida e soberba Loren Baker. – Enfatiza.

– Sendo assim também terá que me falar mais sobre você e sua paixão por mulheres vulgares e de QI limitado. – Reivindico extasiada com nossa reconciliação, sim eu tinha que alfinetar, mas não nutro ressentimento. 

Toda aquela história de tristeza esqueça, estando ao lado desse homem nada pode ser menos do que uma experiência inesquecível e eu pretendo mergulhar nessa loucura intensamente.



Capítulo 12 – Michael –


Nossa noite foi incrível. Pela primeira vez vi Loren se despir completamente para mim, e não falo de suas roupas de grife não. Estou falando da sua alma. Em momento algum ela foi esnobe comigo ou com minhas condições sociais. Eu vi seu sorriso de menina durante toda nossa conversa, logo após de termos transado enlouquecidamente, até perdermos as forças. Ficamos horas na cama, conversando amenidades, com ela aninhada em meu peito. Ali, por aquelas horas a morena em meus braços não era a Loren Baker que vim conhecendo durante esse tempo. Claro que fazia parte de quem ela era ser aquela mulher imperativa, durona, ambiciosa, mas o que Loren escondia por trás daquela máscara de austeridade, era uma mulher tão maravilhosa e apaixonante, que acabei me perguntando o por que dela não deixa-la aflorar.

Agora, dormindo aqui ao meu lado, ela mais parecia um anjo. Sem resquício daquele furacão que sempre invadia minha casa e fazia da minha vida um pandemônio. 

Pensei tanto sobre tudo durante esse dias que passamos sem nos falar, e cheguei à conclusão que gostava dessa pequena, gostava muito. Fui um ogro com ela, mas é que me dava nos nervos vê-la se entregando a um relacionamento com um cara pelo qual ela não sentia nada, a não ser afeição pelo seu dinheiro. 

Consegui aceitar a atua situação fodida em que me encontro. Estou gostando de uma mulher que só tem interesse em sexo, e talvez, quem sabe, uma amizade. Loren nunca me daria mais que isso. Já que sou um pobre coitado, como ela mesmo diz.

Ainda dormindo, ela se remexe, pousa a mão sobre meu peito e um sorriso se forma em seu rosto quando seguro sua mão ali.

Cheguei a conclusão, enquanto pintava seus traços perfeitos naquela tela, que estava me entregando demais, mas com a plena noção de que poderia sair ferido. Quais eram as chances de Loren Baker deixar seu mauricinho e ficar comigo? Um pintor, que ganha a vida vendendo seus quadros nas ruas. Nenhum!

Ah, mas eu gostaria de conseguir mudar seus pensamentos. Gostaria de aflorar essa Loren que vislumbrei hoje, de tal forma que ela nunca mais conseguiria ser a garota arrogante que brigou comigo por conta de um vestido. Se ela se permitisse ser sempre assim, eu iria querê-la em minha vida, em meu mundo. Acordar do seu lado todos os dias não me parece nada ruim – Sorri, aproximando-me dela e depositando um beijo em seus lábios macios.

Sem conseguir dormir, me levantei. E enquanto preparava um chá e reabastecia o recipiente dos gatos, liguei para meu amigo, dono de um sitio maravilhoso, a alguns quilômetros de distância da cidade.

Eu havia o conhecido enquanto vendia quadros na rua. Richard é louco por pinturas, e é dono de uma rede de galerias famosas pelo mundo. Ele tentou de tudo para me contratar, me ofereceu rios de dinheiro, mas acabou entendo meu ponto, eu não quero dinheiro, fama, nada disso, gosto de como vivo, e estou satisfeito assim. Depois de muita insistência da parte dele, e de muita lamentação também, por eu não ter aceitado sua proposta, acabamos virando amigos. E vez ou outra presenteio sua família com meus quadros. 

Já visitei seu sítio algumas vezes, e considero aquele lugar um paraíso.

- ... Claro que você pode ir, Michael – Disse alegremente – Infelizmente ninguém da família estará lá para te receber, mas talvez eu chegue antes de você ir. Quero cumprimentar você e sua namorada. – Eu ri, meneando a cabeça.

- Ela não é minha namorada – Infelizmente. Meu inconsciente grita. – Muito obrigado por me ceder aquele paraíso por algumas horas. Você é o melhor, cara.

- Ainda vou te lançar seu moleque talentoso – Ri – Aproveite.

- Obrigado, Richard.

Assim que encerrei o telefonema com Richard, liguei para Evan. Queria seu carro emprestado, já que se fôssemos com o meu, só chegaríamos ao sitio três dias depois. Também não queria ir com o carrão de Loren. Poderia até facilitar a viagem, mas eu gostaria de proporcionar tudo para o dia dela ser perfeito amanhã. Por isso até o transporte seria por minha conta. Não podia dar muito mais que isso a ela.

Depois de tudo acertado, me encaminhei para a cozinha para preparar uma cesta com uns sanduiches, sucos e frutas. E só então voltei para a cama. Loren ainda dormia tranquilamente.

Acomodei-me na cama, me aninhando a ela, e enfim me permiti dormir. Sentindo seu cheiro, ouvindo sua respiração, desfrutando do calor de seus corpo.

(...)


Loren

Lábios macios pressionaram em meu rosto uma, duas, três vezes, até eu finalmente abrir os olhos. Foi impossível não sorrir ao ver aquele homem pairando em cima de mim. Ele cheirava a sabonete e perfume masculino. Estava vestido com uma calça jeans, menos surrada do que as que já o vi antes, uma camisa polo azul marinho, e os cabelos, ainda molhados, grudavam em seu rosto.

- Acorde, sua preguiçosa – Disse sorridente, aproveitando meu momento de inércia para beijar meus lábios.

- Que horas são? – Perguntei, escondendo o rosto entre as mãos.

- Hora de você levantar, colocar esse traseiro pra rebolar até o banheiro e sair de lá em dois tempos, pois pegaremos estrada, e quero chegar no lugar antes das 9 da manhã.

- Michael, então ainda é de madrugada!

- Nada disso, já são 6:30. Ande logo.

Assim que ele saiu, fechando a porta, eu me levantei, rumando para o banheiro. Me apressei em me arrumar. Estava curiosa para saber para onde o Michael tanto queria me levar.

- Eis-me aqui, pintor – Gritei, entrando na cozinha.

- Vamos lá, pequenez – Ele se aproximou, enlaçando minha cintura, mas o afastei, empurrando-o.

- Pare de me comparar a uma cadela, seu pobretão.

- Mulher brava – Riu. No mesmo instante meu celular tocou incessantemente em minha bolsa. Assim que capturei-o vi que se tratava do número da minha casa. Dei de ombros, atendendo.

Por um momento pensei que alguém tivesse se preocupado comigo, já que dormir fora e não avisei a ninguém. Não que eles se importassem, eu fazia isso sempre e nunca recebi uma ligação. Mas para minha decepção era meu pai, querendo saber onde eu estava, pois queria que almoçássemos com a família de Lincon, para estudar uma nova parceria.

- Pai, é domingo! – Reclamei. Michael me fitou de cenho franzido.

Ouvi-o resmungar sobre ‘não perder dinheiro’, e sobre ‘estar com seu namorado no final de semana’. 

- Não dá, pai... estou com umas... amigas... e – Michael não deixou que eu terminasse de falar, pegou meu telefone e simplesmente o desligou. Estupefata, observei ele retirar a bateria e coloca-la no bolso.

- Nada de celular, de Lincon, muito menos de pai interesseiro. Somos só você, eu e a natureza... agora vamos – Ele capturou minha mão e saiu praticamente me arrastando.

Sua autoridade por vezes me irritava, mas me encantava na mesma proporção. Sei que estava tentando cuidar de mim, e nunca ninguém se importou comigo a este ponto. Se tudo fosse diferente, se ele fosse rico... nós... nós poderíamos viver juntos. Eu gostava demais dele, de sua companhia, do nosso sexo, do nosso companheirismo. Michael me fazia feliz. Mas infelizmente não podemos ser mais que amigos que fodem. Nossos mundos não se encaixam, nossos sonhos diferem completamente, não tem como existir ‘nós’ entre a gente.

Pegamos a rodovia, logo entrando em uma estrada de terra batida. Odiava a poeira, odiava o calor, mas impressionantemente nada disso estava me incomodando, muito pelo contrário. Estar com as janelas do carro aberta, enquanto o vendo ricocheteava meus cabelos, me dava uma sensação de liberdade. O som country que tocava no rádio, me trazia paz. Mas o melhor de tudo era a companhia de Michael. Seus olhares, nossas conversas bobas sobre o caminho difícil, seu sorriso. Estranhamente me doía saber que só estávamos vivendo momentos.

Não demorou muito para que Michael estivesse estacionando em frente a uma casa simplesmente maravilhosa. O lugar em si era espetacular. Hectares de terras a perder de vista, tudo coberto por uma grama verdinha, árvores frondosas distribuídas pelos cantos. Alguns animais ao longe, e uma casa de campo perfeita bem próximo a gente.

- Michael, por acaso você é milionário e não me contou? – Brinquei, olhando embasbacada ao redor.

Esse lugar era de alguém milionário, no mínimo.

- Não fale bobagens. É de um conhecido. Vamos caminhar um pouco, e tomar café da manhã em baixo de alguma árvore por aí – Ele tirou a sexta de dentro do carro e voltou a estender a mão para mim.

A sensação de ter sua mão na minha, assim unida, foi simplesmente indescritível.

O sol estava ameno, e o chilrear dos pássaros dava uma tranquilidade tácita aquele momento.

- Nunca havia visto nada parecido com isso – Comentei, me aproximando dele, e me aninhando em seu ombro.

- Sei que sou perfeito, Loren, mesmo assim agradeço – Ri, meneando a cabeça.

- Seu bobo, estou falando da fazenda.

- Como dinheiro que você tem. Pensei que sua família tivesse no mínimo umas três casas de campo.

- Eles nunca gostaram desse tipo de coisa. E até tiveram uma casa assim, mas só fui até lá quando era muito criancinha, desde então minha vida tem sido inteiramente urbana. – Ele parou, e me fitou por alguns segundos.

- Não ter contato com a natureza é terrível. Pelo menos vivi minha vida inteira em casas de campo.

- Lá na Itália? – Perguntei curiosa.

- É – Respondeu monossilábico.

- Por que saiu de tão longe, Michael? Como veio parara aqui em Londres?

- Não gostava da vida que estava levando na Itália. Decidi me mudar, só isso – Deu de ombros.

- E sua família? Eles nunca veem te ver? Não tem condições financeira para isso? – Michael soltou um risinho.

- Perdemos contato. Não gosto de falar sobre isso – Levantei minhas mãos em rendição.

- Não está mais aqui quem perguntou.

- E você? Por que também não faz o mesmo? Se liberta de seus pais? Você disse que trabalha, gere as empresas da sua família.

- Não é tão simples assim – Murmurei.

- É mais simples do que você pensa, basta você querer. Você é uma mulher jovem, inteligente, linda, pode conseguir muito sem ter que viver sobre a tirania ambiciosa de seus pais. Por que não tenta ser mais você mesma? – Nossos olhares se conectaram novamente, de uma forma intensa, e um suspiro alto me escapou. – Vamos ficar por aqui.
Michael tirou uma toalha da sexta e a estendeu no chão verdinho. Sentando, e me  puxando para seu lado. Ele tirou de dentro da sexta também algumas guloseimas.

- Coma, ainda não tomamos café da manhã.

De repente eu parei, olhei ao meu redor e me senti tão feliz, que tive vontade de... sei lá... sair pulando. – Ri do meu pensamento bobo.

Havia algo de diferente nesse dia, nesse lugar... nesse homem.

Me estendi sobre a toalha, deitando no colo de Michael. Ele pareceu surpreso com minha atitude. E ainda mais surpreso com meu sorriso.

- Já sei, garotinha mimada, quer que eu te dê comida na boca, não é? – Ri, aquiescendo – Só faço isso por que é pra você.

Ele pegou uma uva e colocou-a na minha boca, inclinando-se e me dando um beijo em seguida. Eu ri.

- Delicia de uva.

- Delicia de homem – Ele estreitou os olhos, um ar brincalhão rodeava-nos.

- Me provoca, Loren Baker, e eu te mostro como ser delicioso bem aqui – Olhei ao redor.

- Se não viesse um empregado bem ali, eu pagaria para ver.

Um homem se aproximou de Michael, falando com ele alegremente, parecia conhecê-lo. E disse que os cavalos estavam prontos.

- Para que cavalos? – Perguntei assim que o empregado se foi.

- Vamos dar uma volta assim que acabarmos aqui.

- Mas eu não sei andar naquele troço não!


- Loren, é um cavalo... não um troço – Disse rindo – Eu vou te ensinar. E qualquer coisa te seguro – Ele piscou o olho, inclinando-se para me beijar novamente.



Capítulo 13 – Loren -

Michael coloca o pé esquerdo no estribo e passa sua perna direita sobre o cavalo, montando-o com uma facilidade absurda. Tentei convencê-lo a me livrar dessa loucura, mas não consegui driblar a insistência dele e aqui estou calçando uma bota, ansiosa, tremendo dos pés a cabeça, disposta a arriscar quebrar um fêmur ou se eu tiver mais azar uma vértebra. O instrutor conversa desinibidamente com Michael e eu o observo me fitando fixamente, ignorando as palavras do pobre homem. Se bem que eu tenho que confessar que esse lugar ambientado por natureza, o ar puro, as arvores frutíferas, cada detalhe é simplesmente revigorante, estou amando cada minuto aqui.

–  Hey pequenez está pronta? – Michael grita ajustando estribo na sela de uma maneira natural. Como ele aprendeu isso? Sorrio amarelo para ele, sentindo meu rosto esquentar pela forma inconveniente como ele se refere a mim, ainda mais na frente de um empregado. Devia estrangular esse pintor atrevido, mas tenho problemas mais sérios agora, montar em um cavalo. Mark o instrutor que já me deu uma aula não muito útil a respeito de cavalos continua falando com Michael.

–  Mas, já? – Questiono engolindo a seco. Obrigo minhas pernas a se moverem para perto de Michael e do animal de pelos amarronzados aparentemente muito bem cuidado. De ímpeto ele sorri travesso, seus olhos negros refletem uma serenidade genuína, como se esse momento fosse um sonho encantado para ele, para mim também seria se não estivesse prestes a subir em um cavalo que certamente dá coice.

–  Vamos sua medrosa! Eu a seguro caso seja necessário. – Morde os lábios e solta uma risadinha adorável. Minha expressão de temor deve denunciar meu estado deplorável. A adrenalina lá em cima não está cooperando, absolutamente não.

–  Michael essa sua cara de deboche não atenua em nada meu nervosismo. – Resmungo batendo as botas contra a grama verdinha. – Moço como eu faço?–  Pergunto timidamente para o empregado que preparou os cavalos e ele explica brevemente sobre a tal sela, o estribo e as rédeas. – Verá que também posso. – Mostro a língua, e Michael franze o cenho desafiador.

–  Esse aqui será seu cavalo Srta., escolhi um manso, e menos arredio, de qualquer forma Michael estará por perto. – Mark o empregado,  se manifesta e eu analiso o cavalo branco reluzente que ele acredita ser o mais indicado para minha primeira vez.

– Não se preocupe Mark. Loren pode montar sozinha e conduzir sem suas instruções. – Michael ironiza fazendo o cavalo andar minimamente.

– Definitivamente, você é um chato Michael. –  Praguejo decidida a me arriscar, enfim ponho o pé esquerdo no estribo e passo o outra perna desajeitadamente sobre
o cavalo sentando-me na sela e por um fio não me desequilibrando. Ok, não fui uma expert como Michael Jackson, mas não decepcionei, poderia ter sido pior e me custado um osso quebrado. O mais seguro seria pedir auxílio ao instrutor experiente, no entanto preciso provar a Michael que não sou uma menininha frágil. Creio que dei uma lição nesse presunçoso

–  Muito bom para uma iniciante. – Ouço a voz suave de Michael clamar.

– Eu achei meio desengonçada na hora de passar a perna direita sobre o cavalo, mas você se manteve no animal, é impressionante  pequenez. – O pintor irritante elogia meu desempenho cinicamente, no fundo está surpreso com meu impulso.

Mark me aplaude e em seguida despede-se de Michael. Agora é que tudo irá ocorrer e quem sabe eu não sobreviva para contar história. Deus tenha misericórdia. Faço uma súplica silenciosa aos poderes divinos.

–  E agora como procedo?  – Arqueio as  sobrancelhas orando aos céus para não despencar de cima desse cavalo. Essa foi uma péssima ideia, não restam dúvidas. Respire Loren.

–  Vejo que sem mim você não sairia do lugar. – Gargalha sordidamente e eu rosno de ódio. –  É o seguinte primeiro tente se manter em cima do cavalo, aperte-o com as suas panturrilhas pequenez, se precisar que ele pare, apenas sente firme na sela e aplique pressão nas rédeas. Cerca de um terço da sua bota deve ficar no estribo, lembre-se sempre de deixar braços, pernas e calcanhares alinhados.

–  Minha nossa. Como sabe todas essas coisas? –  Indago abismada com a aula que ele me deu.

–  Muitas aulas de equitação, você sabe a prática leva a perfeição. –  Fita-me com o canto dos olhos e percebi uma nostalgia toma-lo.

–  Uau! Então... como bancava essas aulas? Equitação é uma atividade caríssima, até onde sei um artigo de luxo. – Argumento confusa com a torrente de informações. Francamente não compreendo..

–  Odeio reviver o passado Loren. É melhor pararmos por aqui com essa conversa. Eu sou esse homem que leva uma vida humilde e de contenta com ela. É quem eu sou. Sem máscaras ou mentiras. Abomino a importância que atribuem ao dinheiro e o fato de eu ter uns poucos dólares no bolso e viver de arte não faz de mim um ser inferior. –  Desabafa e desisto de investigar o passado dele. Michael provavelmente sempre viveu em condições precárias, é possível que tenha sido miserável, do tipo que mal tem o que comer. Talvez vivesse em um casebre de favor cedido pelo patrão de seu pai, um  empregado de grandes produtores de vinho na Itália.

– Certo, eu respeito sua opinião. –  Ergo as mãos em sinal de rendição. –  Prometo não lhe incomodar com essas perguntas. Guardarei minha curiosidade para mim! – Ressalto afável, meu coração dói ao imaginar esse homem maravilhoso passando necessidades.

–  Chega de enrolação, senão não chegaremos hoje ao lugar que quero levá-la. – Desconversa abrandando o tom da voz novamente. – Está pronta mesmo? –  Faz seu cavalo andar e eu espelho a atitude dele, imitando seus gestos. 

A princípio foi desconfortável, o impacto da cavalgada em minha coluna não é agradável, todavia para ver Michael sorrindo cativante para mim, feito um menino sapeca, eu faço qualquer sacrifício e confesso que me sinto livre como nunca me senti antes. O vento bagunçando meus cabelos, o aroma fresco da grama mesclando-se ao perfume das plantações de girassóis, todas essas coisas fazem o sacrifício valer a pena. Danem-se as dores musculares, isso é somente um insignificante ponto, pois a sensação de plenitude de cavalgar já me ganhou. Quem diria? Descobri um novo passatempo predileto.



Michael

De repente esse sentimento que está nascendo aos poucos dentro de mim não é mais tão pesado. Apesar do universo conspirar contra essa "relação", sempre haverão as recordações dos momentos que vivi ao lado da minha pequena. Às vezes eu gostaria de entender porque a vida une duas pessoas que jamais deveriam se envolver emocionalmente. Loren e eu somos a versão humana de fogo e água, que não podem se cruzar, devem se manter em seus respectivos lugares, cada qual  com suas funções antônimas. Não há como mudar os fatos. Eu não nego meu desejo feroz em possui-la, amá-la, essa quentura boa que aquece meu peito, o sorriso bobo cravado em meu rosto cada vez que seus lábios macios pousam sobre os meus, tampouco escondo minha reação de contentamento quando aquela esse patricinha turrona me desmonta com um sorriso. 

Estou perto de gritar para o mundo ouvir que me apaixonei perdidamente pela garota errada. Só que hoje, não pretendo estragar nossa viagem. Loren se revela a mim  a cada segundo que passamos juntos, e eu realmente me encanto cada vez mais pelo senso de humor e doçura espontânea dela. Vendo-a em cima de um cavalo a algumas horas atrás, vestida como uma menina do campo pude enxergar com clareza a essência dessa mulher.Os cabelos esvoaçantes flutuando no ar, o barulho do corpo dela impactando sensualmente contra a sela, graças o impacto da cavalgada... Porra! Eis a visão do verdadeiro paraíso perdido. Ela consegue ficar ainda mais linda, naturalmente, sem saltos altos, maquiagem e vestidos de grife. Não demoramos demasiadamente a chegar no destino que programei para nós. Um cachoeira. Um dos lugares mais deslumbrantes da fazenda do meu amigo. É contagiante a água límpida caindo entre as pedras. Ideal para um passeio mais "intimista", à dois. Loren obviamente se rendeu a beleza das cascatas de água, e desde que nos deitamos perto da cachoeira, debaixo de uma árvore ela não para de falar, divagar o quão está feliz.

–  Ainda não colocamos os pés na água! – Reclamou manhosa, remexendo no meu colo, onde está deitada há um bom tempo.

–  Como quiser garota bonita. –  Murmurei  entrelaçando nossas mãos. É incrível como elas tem o encaixe milimetricamente perfeito. – Venha. – Arrasto-a para a margem da cachoeira, ajudando-a a se sentar nas pedras, realizo seu desejo, vislumbrando-a mergulhar os pés na água morna.

– Eu poderia ficar aqui pela eternidade, e não iria enjoar. – Loren desprende um suspiro profundo de seus pulmões e eu fito seus olhos azuis em busca de verdade nas palavras dela. Pela primeira vez posso dizer que decifrei a alma dessa mulher.  Loren não está sendo menos do que sincera.

–  E eu poderia ficar a vida toda olhando para você nesse momento. –  Toquei os ombros dela delicadamente e notei que seu olhar transita entre mim e a belíssima cachoeira.

–  Sinto a paz me invadindo. Obrigada por isso Michael. – Sussurrou no meu ouvido eu arfo ao sentir o hálito mentolado dela.

–  Não agradeça. Sorria, é o que quero que faça. – Pedi calmamente, observando-a piscar lentamente através de seus longos cílios e sorrir meigamente.

–  Está recompensado!

–  Oh, sim, pode apostar que sim. – Atesto satisfeito. –  Daqui a pouco vai escurecer, precisamos voltar Loren. – Fixo minha atenção no céu, e constato que o tempo voou, o sol está prestes a se esconder. O pôr-do-sol reflete meu estado de espírito.

–  É uma pena, mas o cansaço já está me dominando, necessito de um bom banho, estou imunda. – Loren choramingou divertida. – Vamos Michael? –  Levanta-se subitamente ele estende a mão, conecto nossos dedos e a guio até a árvore onde amarramos os cavalos. 
Finalmente estamos passando um tempo juntos sem trocar farpas.

(...)

– Nem posso acreditar que chegamos. – Loren comemorou assim que cruzamos o hall da porta da opulenta casa de campo que nos hospedará. Acaricio as costas dela e meus olhos migram para um quadro que está centralizado na parede da sala na qual nos encontramos. Suspiro pausadamente ao me lembrar como minha amizade com Richard começou. Loren desaba num sofá de couro e eu permaneço absorto em lembranças.

– Michael, desculpe não ter os recebido. Me atrasei! – Loren e eu viramos o pescoço para descobrir de qual lugar ecoa a voz cálida e receptiva.

– Richard. Meu amigo, sem cerimônias, não me deve desculpas. Eu e Loren compreendemos. – Corro na direção dele e o abraço.

– Essa é sua garota? – Richard aponta para Loren que sorri e levanta-se do sofá, caminhando até nós.

– É um prazer conhecê-lo, Richard. – Loren sauda. – Obrigada pela hospitalidade, tudo por aqui é lindo! – Elogia exultante com a beleza da decoração e claro com a natureza do local.

– Igualmente, vocês são muito bem vindos nesse rancho. Sintam-se a vontade casal.  – Loren cora com o comentário e eu franzo o cenho, meneando a cabeça na sequência.
– Não somos um casal. – Minha baixinha rebateu solícita, ao menos isso foi esclarecido, embora eu tenha apreciado ouvir essa expressão "casal".

– Sinto muito, mas eu deduzi que eram, porque Michael nunca trouxe uma mulher aqui antes e bem... – Mediu as palavras, Richard é extremamente gentil. – Você deve conhecer o trabalho sensacional dele com pinturas. – Muda o rumo da conversa se dirigindo inteiramente a Loren. – Ele é muito talentoso, tanto que nos conhecemos em virtude de meus interesses em convidá-lo a expor alguns de seus quadros em uma de minhas galerias. Apresentei um contrato generoso a ele inclusive, mas não foi o suficiente, então acabei desistindo, passei a admirar a determinação dele, no final das contas ganhei mais que um empreendimento, um amigo. – Richard dá um tapa no meu ombro e Loren não profere nada, apenas pisca freneticamente, ora ou outra sinto o olhar de condenação dela pairar sobre mim.

– Me deem licença, vou me recolher. Boa noite! – Loren evita o contato visual comigo e antes que pudesse piscar ela gira nos calcanhares e saí de minhas vistas se engrenhando casa a dentro. Olho para Richard tristemente e me despeço dele para ir a procura da fera chamada Loren Baker. Só espero que eu esteja enganada e o motivo da frieza dela não seja relacionado a proposta de Richard que rejeitei. Nem em um milhão de anos eu a perdoarei caso volte a posar de garota da alta sociedade.

(...)

Adentro o quarto de hóspedes no qual Loren está hospedada e a encontro escorada na janela, visivelmente pensativa e dispersa. Caminho até ela e assim que nota minha presença arregala os olhos.

–  O que está fazendo aqui seu idiota? – Berrou venenosa. A voz severa dela transmite raiva.

–  Por que está agindo assim? –Tento aninhá-la em meu peito e Loren me empurra bruscamente.

– Você é egoísta e ignorante Michael. – Vocifera transtornada. – Richard lhe ofereceu todas as chances para crescer profissionalmente, progredir, ele te deu a oportunidade de ter uma vida confortável, fazer sucesso como pintor e você jogou tudo pelo ralo por causa desse orgulho ridículo. – Revirou os olhos e seu sermão decaiu sob minha cabeça como um banho de água gelada. Meu coração pulsa desgovernado no peito e um choque de realidade me faz ferver de ódio.

– Eu nunca aceitaria uma proposta que envolve somente dinheiro e status social. Não preciso de tanto para viver e dispenso fama, isso não me atraí. – Sentencio ríspido.
–   É pelo dinheiro que está me insultando? Claro é sempre a porra da sua ganância. – Explodi, verbalizando minha indignação com as futilidades intragáveis de Loren. Novamente ela estraga nosso momento de paz, e eu fico como o iludido fodido no final.

– Se não fosse tão cabeça dura, poderíamos nos acertar, teria dinheiro, o que mudaria tudo. Quer mesmo continuar comercializando quadros em uma feira suja? Vivendo num muquifo, se vestindo como um esfarrapado? Boa sorte! – Solta uma risada sádica que me causa a sensação de estar sendo apunhalado por uma faca. E o mais irônico, apunhalado pela mulher que há poucas horas atrás me fez o homem mais feliz do mundo. Dessa vez não terei piedade ou serei sensível, não permitirei que Loren me humilhe, nem me calarei diante dos desaforos dela. Direi o que ninguém nunca teve coragem de dizer a ela, porque cheguei em meu limite. Tenho tido provas sucintas do quão ela é prepotente e cruel quando deseja me machucar.

– Nunca daremos certo, exatamente pelo fato de você não aceitar quem eu sou e por não permitir que me transforme em um mauricinho detestável. Prefiro mil vezes ser um pobretão de merda que ganha a vida vendendo quadros em uma feira, continuar usando roupas surradas e ter caráter, do que trajar ternos caros e ser uma pessoa mesquinha. Na verdade, a grande diferença entre nós Loren, é que eu encontrei a verdadeira felicidade nas coisas simples da vida. Enquanto a Srta. Baker prossegue se escondendo por trás de seus milhões de dólares para suprir o vazio da alma e manter o coração gelado dela batendo, porque não tem alegria interior. – Satirizei sentindo cada um dos meus músculos enrijecerem, e relaxarem consecutivamente. 


Olhei nos olhos azuis de Loren e enxerguei uma lágrima solitária rolar pela face avermelhada dela, o que não me comove. Ainda não vejo resquícios de sinceridade do olhar vago dela. Fadigado da situação, não pestanejei, cumpri com minha promessa e não me desestabilizei, sem olhar para trás abandonei o quarto. Feri-la não me deixou mais aliviado, mas há verdades que precisam ser ditas e eu cansei de adiar. Loren tem que crescer, aprender a respeitar os outros, e o principal, entender a importância da humildade. Então não me arrependo do que fiz.



Capítulo 14 – Michael –

Saí em disparada pela casa, precisava do ar puro, caminhar, correr se fosse preciso, qualquer coisa que amenizasse era ira descomunal que se apossou de mim. Me lembro de sempre ter sido um homem pacato, acredito que até mesmo quando criança eu fui um ser tranquilo, mas Loren, essa maldita presunçosa, esse poço de ambição, me tira completamente de todos os eixos. 

Quando começo a acreditar que estou conseguindo fazê-la feliz, que apenas ‘quem sabe’, eu posso mudar seus pensamentos e fazê-la viver esse relacionamento, ela me dá uma amostra da mulher que insiste em ser. Sim, por que sei que bem no fundo essa não é a verdadeira Loren, essa é a mulher que a criaram para ser. Odeio que ela cumpra esse papel, que se preste a isso simplesmente para agradar os pais, ou para se manter com a condição financeira que tem. Odeio que ela não consiga pensar como eu, pelo menos por alguns dias. Se assim o fosse eu poderia convencê-la, sei que poderia. Eu iria amar essa mulher com tudo de mim, e mostrar a ela que suas bolsas nada significam perto de um beijo de amor, que suas roupas de grife são insignificantes perto de uma vida regata a amor. 

Poderia dar a ela conforto, até mesmo arrumaria um emprego, sou formado em uma das faculdades de administração mais renomadas da Itália... poderia continuar com a pintura apenas como robe... poderia, não é? Eu chegaria a esse ponto por Loren?

Não! – Essa palavra foi praticamente gritada pelo meu subconsciente. A menção de voltar para os números, ternos e empresas, me nauseava. Eu sou louco por aquela mulher, mas se fosse pra ficarmos juntos, ela teria de me aceitar, o que provavelmente não irá acontecer.

Olhei para o céu, agora escuro e tingido de estrelas, e um suspiro de derrota escapou de minha boca.

Eu precisava aceitar a realidade dessa situação, e encarar o que quer que viesse a acontecer.

Cansado de divagar, caminhei para os estábulos. Uma cavalgada me faria bem a essa altura. 

(...)


Loren

“Na verdade, a grande diferença entre nós Loren, é que eu encontrei a verdadeira felicidade nas coisas simples da vida. Enquanto a Srta. Baker prossegue se escondendo por trás de seus milhões de dólares para suprir o vazio da alma e manter o coração gelado dela batendo, porque não tem alegria interior.”

As palavras de Michael faziam eco em minha cabeça, uma, duas, três... muitas vezes seguidas. Eu havia parado de chorar há alguns minutos, e agora estava ali, parada, repassado o que ele me falara. Tantos anos sem chorar, para ser exata, desde que e era uma garotinha carente que só ganhava a atenção da empregada, nem me lembrava mais o estado reflexivo que as lágrimas deixavam como consequência.

Michael tinha toda razão, é claro. Eu não era feliz, nunca fui, mas era tão acostumada a minha vida de regalias, que apenas me imaginar sem ela me causava arrepios. Ele nunca vai entender, nunca teve as mordomias, as viagens, os carros, Michael nunca vai entender o que é viver uma vida de luxo, para ele é fácil abdicar do dinheiro. Mas como eu farei isso?

Eu queria mesmo me desprender dessa vida mesquinha, da minha família interesseira, da busca árdua pelo poder e dinheiro, mas não sou capaz. 

Hoje, durante todo o dia, eu experimentei um tipo de felicidade da qual nunca antes fui capaz de experimentar. Ela não foi causada por uma roupa nova e exclusiva, não foi causada por uma viagem de primeira classe, nem por um carro importado. Foi uma felicidade cheia de simplicidade, uma felicidade real, eu vou carregar as lembranças desse dia para sempre comigo. Mas foi um momento, por Deus, como no mundo poderei ser feliz sempre vivendo com quase nada?

Eu sou louca por aquele homem que saiu desse quarto magoado comigo, sinto por ele coisas que nunca senti por ninguém antes. Gosto de coisas tão pequenas e insignificantes nele, o jeitinho que ele respira enquanto dorme, até isso consegue me encantar, e queria mesmo viver isso com ele, esse sentimento desconhecido, mas que me traz tanta paz. No entanto como poderemos viver isso?

Digamos que eu seja capaz de jogar tudo para o alto e ir viver com ele, qual a possibilidade de não matarmos as coisas boas que sentimentos em um único mês? Nenhuma!

É por isso que me irritei extremamente, queria viver tudo com ele, e o Michael tem a oportunidade de nos proporcionar isso, apenas não quer. Basta ir até onde está seu amigo e dizer que aceita a proposta. Com o talento que ele tem, em menos de um ano Michael estaria fazendo sucesso, ganhando muito dinheiro. Eu definitivamente não consigo entendê-lo.

Cansada de ficar ali pensando, e já ciente de que nossa noite estava acabada, decidi ir dar uma volta pela fazenda. 

O lugar estava quase deserto, exceto por Richard, que vinha se aproximando da casa.

- Olá, senhorita Baker, está procurando o Michael? – Perguntou sorridente.

- Não precisamente.

- Hum, entendi – O homem ajeitou o chapéu, parecendo constrangido – De qualquer forma, ele está no prado, correndo feito um doido em cima de Storm. Aquele guri é bom com cavalos. – Arregalei meus olhos, medo preenchendo meu sistema.

E se ele caísse e se machucasse? Maldito irresponsável!

- Onde fica isso?

- Suba aquela colina, é logo depois dela – Assenti, mal esperando que ele terminasse para que eu seguisse a passos largos até o lugar.

Estava ofegante quando consegui avistar Michael, andando desabalado em cima de um cavalo negro.

- Michael! – Gritei. Ele assustou-se, puxando a rédea do animal de vez, fazendo-o relinchar e levantar as patas dianteiras, jogando o Michael no chão.

Meu mundo parou por um momento, enquanto o via cair, meu medo se concretizando. Todo o sangue fugiu do meu rosto, meus batimentos cardíacos aceleraram, e o ar ficou preso em meus pulmões. Estava paralisada. 

O Michael morreu, meu Deus!

Enquanto eu murmurava insistentemente ‘não, não’, e sentia lágrimas grossas descendo pelo meu rosto, a poeira que rodeava Michael baixou. Fechei meus olhos, incapaz de encarar o corpo do homem que me faz a mulher mais feliz do mundo.

- Loren? – A voz dele penetrou meus ouvidos – Loren? – Quase cai para trás quando abri os olhos e vi que ele estava parado em minha frente, sorrindo.

- Meu Deus. Você não morreu! – Michael franziu o cenho.

- Você achou que eu morreria por causa desse tombinho? – Ele riu, arqueando a sobrancelha.

- Tombinho, seu irresponsável? Você estava pra cima e para baixo no lombo desse cavalo. Poderia sim ter morrido.

- E é por isso que estava chorando? – Seu tom e olhar presunçosos, me fez querer estapeá-lo.

- Urgh, pena que esse cavalo não te deixou pelo menos manco! – Grunhi, dando as costas a ele, e sai pisando duro.

Ele me alcançou poucos passos depois.

- Ei, ei, ei, nervosinha. Você se assustou, desculpe. Fui mesmo imprudente – Senti-me derreter. Esse homem tinha esse efeito sobre mim.

- Por que estava correndo daquele jeito?

- Estava irritado, precisava fazer algo para aplacar as frustrações. Mas não se preocupe, sei lidar com cavalos. Só acabei com o traseiro doendo – Ele fez uma careta adorável, e foi impossível não rir.

- Bem feito! – Um silêncio momentâneo pairou sobre nós – Desculpe – Disse, quebrando o silêncio – Eu sei que o irritei. Não tenho direito de ficar com raiva das suas escolhas, você é dono do seu destino, sabe o que faz. Não precisava eu ter feito uma cena.

- Também fui grosseiro.

- Não, você foi verdadeiro, mas essa é quem eu sou, Michael. E sei que você também é esse homem simplista, e eu gosto de você assim, da forma que é. Tenho que te agradecer pelo dia maravilhoso. Por isso vamos esquecer aquela briga boba e vamos seguir como estávamos, sem cobranças, tentando nos adaptar, o que acha?

- Você é boa com propostas, senhorita Baker. Por isso gere tão bem as posses de sua família – Ele sorriu amplamente.

- E você é muito bom com sorrisos, senhor Jackson, por isso, e infelizmente, é tão requisitado.

- Aquelas mulheres não me acrescentam. Você é a mais importante delas! – Meu coração falhou uma batida, mas decidi ignorar, não era uma boa seguir por caminhos românticos.

- Você diz isso para todas – Ri. Ele pendeu a cabeça para o lado e me fitou sob os cílios.

- Talvez, mas só beijo assim você – Em um movimento brusco, ele enlaçou as mãos em minha cintura e me colou em seu corpo, beijando minha boca com uma fome indescritível.

E nossa briga ficou para trás, junto com todos os problemas, divagações, e quaisquer coisas que não fossem nossos lábios unidos.

Michael me despiu com um único movimento, me livrando do vestido em um átimo de segundo. Ele me deitou na grama, fazendo com que as folhagens bem aparadas fizessem cócegas em minhas costas, e deitou-se por cima de mim, pesando seu corpo maravilhoso sobre o meu. Sua boca voltou para a minha, urgente, faminta.

- Michael, e se nos virem aqui?

- Bem, eles terão uma bela visão – Michael riu malicioso. Meneei a cabeça, movendo as mãos com rapidez para abrir os botões de sua camisa.

Estávamos em um descampado, ao ar livre, correndo o risco de sermos pegos transando, e quer saber? Não estávamos nem aí.

Enquanto descia minhas mãos e desfazia o botão da calça de Michael, ele se perdia em beijos em meu pescoço, colo, e seios. O que sua língua e boca conseguiam fazer não era nada normal. Ele conseguia me deixar extremamente sensível, a ponto de gozar, apenas brincando com meus seios.

Seis dedos hábeis infiltraram-se entre minhas pernas, movimentando meu clitóris alterado, me fazendo gemer. Minhas mãos adentraram sua cueca e apertei seu pênis, que estava mais que pronto para me preencher. Foi a vez dele de gemer.

- Melhor não nos prolongarmos muito ou é bem capaz que nos peguem mesmo – Disse, em meio a um sorriso enviesado. Ele é absolutamente lindo, e assim, quase fazendo amor comigo a luz da lua, parece ainda mais perfeito.

- Sem delongas, pintor – Sorri, enlaçando minhas pernas em sua cintura e o puxando para mim, sussurrando dentro de sua boca.

- E o que está esperando pra me foder?

Ele não disse mais nada, voltou a atacar minha boca, e um instante depois senti seu membro me encher em uma única estocada. Um grito estrangulado saiu de minha garganta, numa mistura clara entre prazer e dor, uma combinação que só ele sabia me dar perfeitamente. Suas arremetidas não tiveram uma pausa, ele foi forte, continuo, acertando todos os locais certos, me fazendo gemer e me contorcer embaixo dele.

Quando finalmente gozei, minhas costas formaram um arco, e meu rosto se voltou completamente para o céu estrelado. Ele estocou mais algumas vezes, enquanto beijos vorazes eram espalhados em meu pescoço, e finalmente gozou, um som sexy saindo de sua garganta, enquanto o orgasmo retesavam e relaxavam seus músculos.

Michael deitou-se a meu lado, puxando rapidamente meu vestido e cobrindo meu corpo com ele.

- Você realmente sabe fazer uma mulher ver estrelas – Senti que ele me fitava e apontei para o céu. Uma sonora gargalhada lhe escapou. Eu amo esse som.

- Engraçadinha – Ele me deu um beijo na bochecha.

- Obrigado por esse dia, vou me lembrar dele para sempre – Sorri, tendo essa certeza dentro de mim.

Mesmo que não ficássemos juntos, Michael seria o dono das minhas lembranças mais felizes.

- Te ver sorrir vale qualquer esforço.

Voltamos para o quarto minutos depois. Michael foi deixar Storm no estábulo e eu subi para o quarto. Tomamos banho juntos, e depois dormimos agarradinhos. Quando o sol raiou e junto com ele a constatação de que tínhamos de ir embora daquele paraíso, voltar a realidade que tanto nos distancia, senti vontade de chorar, de novo. O que estava acontecendo comigo afinal?

(...)

Dois meses depois...

Os dias para mim antes pareciam se arrastar, agora acho que eles voam, principalmente nos momentos em que estou com Michael.

Sim, nós continuamos nossa relação louca e estranha. Sim, nós nos gostamos cada vez mais. E, sim, continuo levando minha vida fora das paredes do ‘muquifo’.

Aqui, para o mundo, eu ainda sou Loren Baker, a mulher que gerencia a rede de hotéis Baker com mãos de ferro, que faz dinheiro, a mulher poderosa, linda e audaciosa, a namorada do solteiro bonito e cobiçado Lincon, e a filha modelo. Mas tudo que quero, em todos os finais do dia é correr para a casa de Michael e ser simplesmente a Loren. A mulher que sorri com facilidade, que é bem humorada e engraçada, que gosta de gatinhos e de ver filme, que adora estar ao lado de um pintor pobretão, enquanto ele pincela tinta em uma tela e faz arte. 

Olho no meu relógio de pulso e vejo que o expediente está prestes a acabar. Rubrico um último documento e anúncio a minha secretária que estou de saída.

Quero voar até a casa de Michael, mas infelizmente ainda tenho que passar em casa e pegar umas pastas para trabalhar no dia seguinte. Durmo fora quase todos os dias, mas meus pais não perguntam onde, provavelmente acham que durmo com Lincon. Esse, pobre coitado, está cada vez mais caído de amores por mim, enquanto eu tenho cada vez mais pavor de estar em um quarto com ele.

Pensei em desistir desse namoro ridículo, pensei mesmo, mas a alguns dias atrás papai fechou um acordo com o pai de Lincon, o que uniu ainda mais nossas famílias financeiramente, e mamãe quase me impeliu a investir ainda mais em Lincon. Segundo ela o que me garantiria seria um filho. Mal sabe ela que faço questão de usar preservativo com aquele idiota. Sim, também uso de um método contraceptivo chamado DIU, não teria como eu engravidar daquele otário. 

Decidi que seria assim, ainda que viesse a me casar com Lincon, nunca lhe daria um filho. Não permitiria que uma criança crescesse em um lar como o meu, movido por ambição e não amor.

Quanto a Michael, bem... estava pensando em tirá-lo das sombras. Não aguento mais Lincon, quero Michael em minha vida, sem precisar escondê-lo de ninguém, mas para isso preciso muda-lo. Não que não goste dele exatamente como é, mas é que seria inconcebível que eu aparecesse namorando um pintor que vende em feiras livres.

Michael precisa de um banho de loja, conhecer gente influente, por isso posso apresenta-lo inicialmente como um amigo talentoso, posso convencê-lo a mostrar suas obras a algum curador famoso, e tudo estaria resolvido para nós.

Então preciso colocar meus planos em prática. Tentei convencê-lo a ir a duas outras festas comigo, mas ele recusou, mas essa seria em uma galeria, era sua cara. Quero leva-lo a uma festa que acontecerá em uma galeria famosa na cidade. É um pouco arriscado, eu sei, mas estou decidida a atirar no escuro.

Michael abriu a porta de sua casa assim que bati. Ele sabia que eu nunca usava a companhia, sempre batia, era meio que nosso código.

- Boa tarde, meu anjo – Ele me enlaçou pela cintura e me puxou contra seu corpo, me beijando.

- Boa tarde, meu pintor favorito – Entrei, recebendo como boas-vindas a caricia macia dos pelos de Skipper e Lolita, que vieram se esfregar em minhas pernas – Senti cheirinho de comida.

- Estou preparando algo para jantarmos – Ele fechou a porta e se aproximou novamente. Trajava apenas uma calça de moletom esfarrapada, que estava toda suja de tinta, além de seu dorso e seu rosto também terem respingos, ele ficava lindo assim.

- Estava trabalhando naquela paisagem? – Perguntei, me referindo a um quadro que o vi iniciar a pintura a uma semana atrás.

- No momento estou trabalhando em rostos.

- Sério?

- Sim. Depois quero que veja – Ele me abraçou novamente, espalhando beijos em meu rosto.

- Michael – Falei manhosa – Me acompanha em uma festa essa semana? – Ele me soltou no mesmo instante, colocando distância entre nós.

- Não quero frequentar essas festas de grã-fino, Loren, já te disse isso.

- Sim, mas é que essa festa em particular é a sua cara. É um lançamento de uma galeria de arte maravilhosa no centro. – Ele bufou, passando as mãos nervosamente nos cabelos.

- De qualquer forma o que eu faria numa festa dessas. Não gosto das pessoas do seu mundo, vamos pousar de amiguinhos, enquanto alguém vem te perguntar a quantas anda seu namoro com o mauricinho idiota. – Foi a minha vez de ficar irritada. Joguei a bolsa sobre o sofá, com uma vontade atroz de joga bem no rosto dele.

- Estou de saco cheio disso, sabia? Estou tentando nos aproximar de alguma forma. Quero que saia comigo, que convivamos fora dessas quatro paredes e só recebo não!

- Você sabe muito bem que não vou acompanhá-la nessas festas, não sei por que insiste em me convidar.

- Nem eu sei por que insisto – Peguei minha bolsa sobre o sofá e sai pisando duro, sem olhar para trás.

Como eu ia convencer esse turrão a ir comigo em uma dessas festas? Urgh!

Minha noite estava absolutamente estragada, então só me restava ir para casa. Mas se eu já achava a situação ruim, ela poderia piorar bem mais.

Antes mesmo de estacionar vi o carro de Lincon parado em frente a minha casa. E soube que por ai vinha bomba.

Estavam dispostos na sala Lincon, sua mãe e pai, e meus pais, todos sorridentes.
Todos continuaram felizes logo depois dele me fazer o pedido de casamento, e oficializar nosso noivado com um anel cravejado de diamantes. Eu não tive como dizer não. Eu simplesmente tive que colocar um sorriso no rosto e aceitar o beijo de Lincon, que sorria feito o retardado que era.

Sim, eu sou uma mulher ridícula, que se prende a um homem que não suporta pelo simples fato de querer unir fortunas. Também havia meus pais... Eu fora criada para estar justamente aqui, e se não fizesse isso seria a desgraça da família. Eles me abominariam para sempre, e eu que nunca tive o amor deles, também perderia a admiração que sentem por mim.

- ... Vamos dar uma grande festa no domingo – Minha sogra comentou animada – 500 convidados...

Suas divagações ridículas se perderam, por que enquanto aquelas pessoas estavam ali falando do meu futuro, eu estava com o pensamento em Michael, e em como ele reagiria quando soubesse do noivado.

(...)


Michael

Já havia se passado dois dias desde minha discussão com Loren, e depois de pensar bastante, decidi que eu havia errado. Precisava ceder um pouco, ela já havia cedido outras vezes por mim afinal. Odiaria essa festa, mas estaria ao seu lado, não como namorado, mas ainda assim será apenas eu e ela. 

Se quero mesmo que essa confusão se transforme em algo mais, preciso ceder.
Foi com esse pensamento, que nessa noite de domingo chuvosa, decidi procura-la em sua casa. A tal festa só seria na terça, ainda dava tempo de dizer que vamos a essa tortura.
Eu não tinha seu endereço, claro. E nem sei com que cara vou chegar lá e procura-la, mas preciso fazer isso.

Peguei o celular e disquei para Evan. Ele prestava serviço para uma agencia de segurança dessa gente rica, com certeza os Baker estão inclusos na lista e ele pode me passar o endereço. 

Meia hora depois eu estava estacionando minha caminhonete velha em frente a suntuosa mansão. Loren era com certeza mais rica do que eu pensara. A casa não me impressionou, pois morei em uma tão luxuosa quanto, o que só reafirmava o porquê de Loren e eu claramente não darmos certo. Eu fugi de uma casa assim, ela ama morar em um lugar assim.

Havia movimentação na casa, entra e sai constante, o que só tornava a situação pior. O que eu diria a um desses seguranças mal encarados? 

Me aproximei de um deles, da forma mais sucinta que pude, mas ainda assim ganhei um olhar analítico.

- Posso ajudar?

- Eu gostaria de falar com a senhorita Loren Baker, pode chama-la para mim? – Ele soltou uma risadinha de escárnio.

- Duvido que a senhorita Baker tenha assunto com alguém como você, ainda mais no dia do noivado dela. Dê o fora.

- Dia de que? – Perguntei, tendo certeza de que meus ouvidos haviam me enganando.

- Ela e o senhor Lincon estão noivando, nesse exato momento.


Foi como uma bomba desabando ao meu lado, uma explosão completa e total do meu mundo. Loren estava noivando.



Capítulo 15 -  Loren

Sustento o sorriso de mulher extasiada, e mantenho meu olhar pregado ao meu noivo. Noivo. Essa palavra reverbera em minha mente como uma sinuosa tortura. E o mais estranho é que mesmo cercada de tanta gente, ao lado dos meus pais, meus sogros, sinto-me miseravelmente sozinha.

Talvez precise tomar ar puro, dar um tempo dessas pessoas, é isso que farei antes que sufoque dentro dessa mansão. Me certifico de que o imbecil do Lincon está devidamente distraído com meus pais e sorrateiramente corro para longe das risadas e conversas sem conteúdo. Assim que alcanço o portão da entrada, me deparo com a silhueta robusta de um segurança. Cutuco os ombros do homem e uma voz familiar, extremamente trêmula preenche meus ouvidos subitamente. Essa voz.

Não é possível! – Grito mentalmente e giro meu corpo na direção de onde parte a voz. Meu coração para de bater por alguns segundos e o corpo gela pelo susto em rever o pintor que balançou meu mundo. Michael, diabos! Ele tinha que aparecer justamente agora? E por que seus olhos negros estão tão sombrios e opacos?

– Mi... Michael. – Arregalo os olhos ignorando o segurança, e me aproximo dele, estranhamente Michael meneia a cabeça, tomando uma distância de mim de vastos metros.

– A Sra. conhece esse sujeito? – Lennon inquiri desdenhoso, descrente em relação a cena que esta presenciando. Segurança prepotente, depois darei um jeito nele. Mas no momento minha prioridade é Michael Jackson.

– Lennon eu o conhe...

– Não precisa se dar ao trabalho de responder "distinta dama". – Um sorriso perverso se desenha nos lábios de Michael, em companhia de um ódio voraz. – Sei me pôr no meu lugar na sociedade, e voltarei para o outro lado da cidade, onde vivem os trabalhadores honestos. – Fuzila-me com o olhar, e enxergo claramente decepção em seu mar negro.

– Não, por favor fique. – Imploro, consternada com a possibilidade de perdê-lo definitivamente. Michael gargalha asperamente e atravessa o portão indo direto para a rua, imito os passos dele e só ao mirar o céu nublado sinto as gotículas de chuva molharem meu rosto, minhas pernas fraquejam e eu falho na missão de me manter de pé, desabando no chão gélido. Michael que caminhava desgovernadamente para de andar e me analisa meticulosamente. 

Chacoalho os cabelos encharcados, tomando consciência da minha vulnerabilidade, oh céus eu sou perdidamente apaixonada por esse homem, e não consigo parar de me portar feito uma garotinha frágil. O choro copioso que tenho detido se desprende de minha garganta com força total. Apesar dos meus devaneios sinto meu corpo ser erguido do chão úmido e duas mãos quentes equilibrarem minha cintura. Me recuso a erguer o olhar, temo ser Michael, posso sentir o calor dele, sua respiração intensa, droga, já o fiz mal demais, ele não merece uma mulher ociosa.

– Por que você está destruindo tudo? Vai mesmo se vender? Fará essa merda com sua vida a troco de dinheiro? – Inclino o pescoço retificando minhas suspeitas. Michael me levantou da rua e agora lança um olhar de total desapontamento para mim. Seus olhos escuros estão cheios de lágrimas não derramadas.

– Precisamos ter uma conversa séria. – Argumenta ríspido, soltando minha cintura abruptamente e novamente me sinto incompleta.

– Michael eu sinto muito, de verdade, não desconfiava dos planos de Lincon e tive que ser conivente com o noivado. Qual outra saída eu teria? – Crio coragem para justificar meu medo de perder todo o investimento que esse casamento representa para mim. Michael leva as mãos aos seus cachos molhados pela chuva que a cada instante engrossa e eu abaixo a cabeça. Deus... ele está miseravelmente lindo com os cabelos molhados.

– Porra Loren! Claro que havia outro jeito, bastava ter agido como uma mulher digna, ser sincera com aquele mauricinho e dizer a ele que não o ama. Mas você fez sua escolha. Prefere ser infeliz para o resto dos seus dias em sua mansão, trajando seus vestidos caríssimos e para isso há sacrifícios, como por exemplo casar com um riquinho otário que não te satisfaz na cama. – Brada cada sílaba na mais absoluta ira, o sarcasmo dele persiste afiado.

– Você não entende... – Contesto sacudindo a cabeça em negativo.

– Então me explique. – Exige fitando o céu carregado e obscuro.

– Nunca compreenderá meus motivos, simplesmente porque nunca usufruiu das regalias que o dinheiro pode comprar. Eu fui criada para apreciar o luxo, não há como abdicar do meu estilo de vida por alguém que não tem a mínima perspectiva de crescer profissionalmente. – Declaro espelhando o gesto dele e olhando para o céu que despenca uma voraz tempestade sobre nós.

– Pobre de mim. – Teatraliza. – Um esfarrapado pintor que vende quadros em uma feira, como esse reles mortal sobrevive com tão pouco? – Gargalha debochado, o que nessa discussão soa diabolicamente cruel da parte nessa. – Sinto pena de sua percepção disforme da vida. Talvez um dia a vida lhe ensine que o verdadeiro valor das pessoas se encontra na alma delas, o caráter é o que realmente importa. Mas já que a riqueza está no topo de sua lista de prioridades, então volte para seu noivo e assume as consequências de suas escolhas. Antes que eu me esqueça. – Enche os pulmões de ar e prende a respiração por breves segundos. – Esqueça que eu existo e aproveite seus milhões. – Conclui amargamente e vira as costas, recomeçando sua caminhada. A medida que a silhueta dele some de meu campo de visão sinto a chuva lavar minha alma. A questão é que isso não leva minha dor para longe, tudo que eu queria era um abraço caloroso de Michael, um beijo morno em meio a essa tempestade certamente me salvaria desse vazio cravado na minha alma.

Dessa vez meu coração não foi partido, uma cratera se instala no centro em meu peito. Não consigo me levantar, ou chorar, tampouco gritar. Pareço estática, incapaz de lidar com um término já previsto. Michael e eu fomos feitos para dizer adeus. No entanto, aceitar isso é praticamente insuportável. Sou a culpada por ele estar me odiando fervorosamente, não passo de uma mulher patética que manterá um casamento de aparências por conveniência. O alicerce do meu relacionamento com Lincon é absoluta mentira e mesmo amaldiçoando essa união meu desejo e sede por possuir, me instiga a escolher esse tipo de vida. Um infindável desfile de máscaras, um mundo de jogo de interesses, ganância, um universo onde a sede de poder move seres humanos.

Tudo tão calculista, sorrisos falsos esbanjam simpatia e escondem a feiura da alma. Esse é o nicho no qual pertenço, ou ao menos pertencia antes de um pintor carrasco cruzar meu caminho e roubar meu juízo. Em qual dimensão se encontra a verdadeira Loren Baker? Aquela mulher "intocável", que separa a vida amorosa dos negócios e une o útil ao agradável. A filha exemplo. Que comanda a empresa da família a mão de ferro. A mesma mulher que nunca se permitiu criar elos emocionais com o sexo oposto. A Loren que eu sinto saudade e que morreu no dia que vislumbrou um lindo homem disposto a cuidar dela e fazê-la sorrir.


Michael

Eu poderia conhecer as futilidades de Loren minuciosamente, mas nunca cheguei a cogitar que ela desceria tão baixo por dinheiro. Ok, sabia que estava fodido ao me envolver com uma mulher que preza tanto pelo material, acontece que não pude recuar, e agora pago o preço. Jogado aqui nesse sofá e bebendo vodka me sinto um trapo velho sem rumo, aquela patricinha domou o Michael mulherengo, me amansou de uma forma que ninguém fez. E tudo porque permiti que o "furacão" Loren destruísse as barreiras que construí em meu coração. Queria ter dito olhando dentro dos olhos dela o quanto a amo, o quanto sou apaixonado por seu sorriso espontâneo, e teria o feito se minha pequena não tivesse noivado com um mauricinho desprezível.

– Michael, e aí cara? – Evan proferiu um natural cumprimento ao chegar na minha casa e em seguida parou em minha frente, estranhando minha bebedeira incomum. Descontar a culpa no álcool é sempre uma saída para esquecer um amor impossível e é uma besteira que ultrapassa gerações. –Você está péssimo, por acaso brigou com morena? – Deu um tapa no meu ombro e sentou-se no sofá ao meu lado.

– Brigar? – Soltei uma risada mórbida, a qual reflete meu atual estado de espírito. – Acabou Evan e agora é definitivo. Loren decidiu continuar com sua vida medíocre e sua felicidade inventada, ela prefere o dinheiro. Já era de se esperar que isso acabaria mal, pois jamais me transformaria em um projeto de homem ambicioso para suprir os caprichos de uma mulher. –Ralho.

– Mas o que aconteceu de tão grave para vocês romperem? Tudo parecia transcorrer bem, apesar da diferença de classes e pensamentos. – Semicerrou os olhos notoriamente confuso com o término repentino entre mim e Loren. 

Mesmo a contragosto tenho que admitir que acreditei que daríamos certo, bastaria nos esforçarmos, equilibrarmos as discussões desnecessárias. Impossível! Escalar o monte Everest nem se equipara a minha tarefa de fazer Loren enxergar relevância em algo que não seja sua preciosa fortuna.

– Eu errei em tentar mudá-la, por um momento desejei que a Loren humana e sensível aflorasse passamos um tempo juntos, foi tudo maravilhoso, estava exageradamente encantado, otimista. Pensei que aquela mulher arrogante e fútil tinha evaporado, ficado no passado. Fui um tremendo idiota em me apegar a toda aquela falsa docilidade. – Exclamei dando um longo gole na vodka, o álcool queimando minha garganta irá me ajudar a superar essa fossa, eu espero. – Porra! Sou desgraçadamente ingênuo! Loren jamais deixaria seus milhões para trás, assim como não mandou o mauricinho para o inferno, no intuito de aumentar seu patrimônio. Não posso me doar inteiramente a uma pessoa que não faz nada por mim, nenhum sacrifício para me ver feliz. – Determinei relembrando do quão Loren transpareceu alegria no dia que a levei ao sítio de Richard. Ali cercada pela natureza não aparentava ser uma "Barbie".

– Nisso vou ser obrigado a concordar contigo mano. Tenho minha opinião formada. A garota é infantil para cacete, pura encrenca essa mina. – Evan respirou como quem desaprova a atitude de Loren e eu empurrei mais bebida para dentro. – Beba Mike, melhor que pensar nessa mulher problemática. – Sentenciou soltando um conselho inspirador. Ri sonoramente da minha própria desgraça voltando a me concentrar na garrafa de vodka.

Aqui encerro o capítulo de Loren Baker no meu livro. Preciso arrancá-la da minha mente e do coração antes que se torne insustentável estar longe dela. Antes que seja tarde demais.


Loren

Saio do toalete vestindo um moletom confortável e me encolho na cama enxugando as lágrimas que teimam em desabar dos meus olhos, tudo que quero é ficar sozinha nesse momento. Consegui com muita dificuldade me levantar daquele chão e sair da chuva gelada. Obviamente entrei na mansão pela porta dos fundos e me tranquei no meu quarto, correndo direto para uma ducha, pois graças a chuva que tomei durante horas meu corpo não parava de tremer. Meus pais vieram procurar por mim e reivindicar por minha presença, mas aleguei estar morrendo de enxaqueca. Depois de muito esforço de minha parte mamãe aceitou a desculpa e desculpou-se com meu noivo.

Solto mais um suspiro de pesar e lembro da decepção espremida no olhar do meu pintor favorito. As palavras duras de Michael martelam em minha cabeça e fazem uma aflição inexplicável se instaurar entre meu peito. Talvez isso derive do meu peso da consciência, ao contrário do que gostaria de estar, me sinto derrotada. Atingi meu objetivo de firmar compromisso com Lincon e isso agora tornou-se meu pesadelo, já que resultou na perda do pintor carrasco. A relação que julgo como integralmente carnal tomou outra estrada.

Maldição Loren! Por que isso te não impede de simplesmente seguir com seus planos? Porque Lincon representa estabilidade financeira, é claro. Engulo a seco praguejando o nome de Michael, decerto não pegarei no sono e tudo por culpa de um homem que eu deveria desprezar. Amaldiçoado seja esse sentimento que se apossa de mim a cada milésimo de segundo.

– Loren querida, eu posso entrar? – Reconheço a voz de Lincon e pronuncio um mecânico "sim". Transmiti a mamãe meu desejo de não ser incomodada, porém, vejo que foi inútil e ela já mexeu seus "pauzinhos". Ela sempre consegue o que quer.

– Querida, fiquei preocupado com seu sumiço repentino. Está tudo bem?– Ajoelha-se perto de mim na cama e afaga meus cabelos.

– Desculpe, não estava me sentindo bem. Devem ser as fortes emoções. – Forço um sorriso de euforia que no máximo deve entregar meu completo desânimo.

– Está gelada. Quer que eu chame um médico? – Pergunta ainda acariciando meus cabelos. Lincon é muito carinhoso, e embora não me desperte nem mesmo desejo não é um cara ruim.

– Nem pensar. – Rio baixinho. – É apenas um mal estar passageiro, basta eu dormir e amanhã acordarei novinha em folha. – Garanto nutrindo a certeza de que para as dores que estou sentindo não existe remédio ou tempo que cure.

– Se está falando... – Se dá por vencido e levanta do carpete. – Então descanse amor, e se caso não melhorar a acompanharei até um médico, estou de olho em você Loren. – Avisa denotando desconfiança e beijou minha testa. – Boa noite minha linda! Te amo! – Enfatiza sorrindo ternamente e deixa meus aposentos. 


Não era dele que eu queria ouvir essa declaração. Assim que escuto os passos de Lincon se afastarem volto a chorar copiosamente como uma menina desprotegida. Não há uma outra maneira de colocar para fora toda essa tristeza acumulada. Minha vida mudou drasticamente e algo no meu intimo me diz que não conseguirei resgatar a frívola e soberba Loren.


Capítulo 16 – Loren –

Não me lembro em que momento entre o choro, os constantes espirros, e a névoa causada pelo remédio que tomei, eu dormi. Quando finalmente acordei, o sol já estava alto no céu. Me sentia dolorida e febril, mas não dei muita importância, afinal precisava trabalhar.

- Bom dia, senhorita Baker – A empregada apressou-se em se aproximar, assim que desci as escadas.

A mulher parecia afoita, e amedrontada. Percebi apenas hoje que não sabia o nome de quase nenhum dos empregados, apenas o meu motorista. E isso me fez pensar em que tipo de pessoa eu havia me transformado.

Lembro-me de que quando era uma garotinha, apesar dos meus pais ralharem, eu gostava de viver na cozinha, perto das empregadas e seus filhos. Bem na verdade, eu preferia estar com eles. Todos me tratavam bem, e eu me sentia querida. Eu fui em algum dia uma pessoa pura, sem toda essa soberba. Lembro-me inclusive, de olhar para o rosto daquelas crianças e desejar ser uma delas. Elas não tinham dinheiro, não estudavam numa escola tão importante quando a minha, mas eram amadas por seus pais, sorriam e brincavam sem ter que se preocuparem com nada.

Não lembro a partir de que momento da minha vida eu me tornei o que sou hoje. Essa pessoa que eu não queria mais ser, mas era obrigada a encarnar. 

De verdade, eu queria jogar tudo para o alto, entretanto me faltava forças, determinação. Então, como Michael mesmo disse, eu teria que lidar com as consequências de minhas escolhas. Só esperava, de todo coração, que eu suportasse viver sem sua presença.

- Senhorita? – A mulher voltou a me chamar. Fitei-a. – A mesa do café já foi tirada, mas se a senhorita desejar posso recoloca-la agora mesmo – Meneei a cabeça em negativa.

- Qual o seu nome? – Me vi perguntando. E queria me sentir mais humana. Queria levar pelo menos um pouco de tudo que Michael me ensinou. Era isso que eu faria para mantê-lo por perto, agora que nunca mais nos veríamos.

A senhora arregalou os olhos, olhando para os lados, como se procurasse alguém.

- Meu nome, senhorita?

- Sim.

- Me chamo Gayle.

- Não vou querer nada, Gayle, obrigada – Sem mais, saí da casa, me encaminhando para a garagem.

Não precisei olhar para trás para saber a reação de Gayle. Provavelmente ela estava achando que passei por uma lavagem cerebral. Uma pessoa que passa anos de sua vida sem se dirigir aos empregados e agora decide ser educada, só poderia levantar essa questão.

Cheguei a empresa quase meio dia, e pela primeira vez decidi dar bom dia aos meus funcionários. Claro, eles tiveram a mesma reação de Gayle. Mas sabe, ser gentil, espelhar Michael um pouco que fosse, me fez sentir melhor, menos suja.

Trabalhei sem uma pausa, me sentindo pior a cada minuto. Me sentia quente, a cabeça pesada, e o que ontem eram espirros, hoje se formou em uma tosse insuportável.
Recebi uma ligação de Lincon, e lhe garanti que estava bem. Minha secretária insistiu para que eu comece algo, mas nada me descia. 

Não tive tempo de pensar em Michael, nem nos acontecimentos da noite anterior, e dei graças aos céus por estar cheia de trabalho. Se parasse para pensar, com certeza enlouqueceria.

E assim se passaram três dias. Nos últimos dois dias consegui me arrastar até a empresa, consegui me manter forte e não pensar, mas hoje, hoje a recaída havia sido forte demais.
Tomei um pouco do xarope que comprei em uma farmácia e voltei e me jogar na cama. Estava com muito frio, e a maldita tosse me roubava o ar. Me sentia exausta sem nem mesmo ter saído da cama.

E como se não bastasse essa gripe maldita, meus pensamentos resolveram me trair hoje. Não tinha nada com que ocupar minha cabeça, por isso as lembranças vieram com tudo.
Me lembrei de cada momento ao lado de Michael, cada sorriso sincero, cada toque, cada noite de amor. Lembrei das conversas, da cumplicidade, do quanto ele me ensinou. 

Lembrei do gosto de suas massas maravilhosas, do quão bem eu me senti dentro de uma de suas camisas velhas, da maciez dos seus lábios. Eu senti saudade, tanta saudade que foi impossível segurar o choro que me irrompeu. Então permaneci ali, jogada naquela cama, sendo sacudida por soluços e pela tosse, enquanto me deixava ser consumida pela dor.

- Senhorita Baker? – Algumas batidas na porta me tiraram da letargia pós choro. Enxuguei o rosto e me sentei, tentando parecer minimamente digna.

- Entre.

Gayle apareceu, colocando timidamente a cabeça para dentro do meu quarto.

- Posso entrar, senhorita.

- Claro, Gayle.

Ela se aproximou, colocando uma bandeja com suco e um sanduiche em cima do criado mudo.

- A senhora não come quase nada tem uns três dias, e me parece bem adoentada. Se me permite, sugiro que coma um pouco, e também procure um médico – Um sorriso surgiu em meus lábios.

Estava ali uma pessoa, que em três dias, foi a única que se preocupou comigo. Sim, por que Lincon chegou a me ligar duas vezes, mas precisou viajar com os pais, desde então não falo com ele. Mamãe só veio até meu quarto para reclamar por que eu não fui com Lincon, e papai me reprendeu por eu não ter ido trabalhar. Nenhum deles, nenhum mesmo se mostrou realmente preocupado.

Essas pessoas que tanto desejo que me admirem, no fundo não ligam para mim, nem me enxergam. Mas Gayle, essa funcionária, a quem sempre ignorei, se preocupou comigo, isso tudo por que fui gentil com ela umas poucas vezes.

- Obrigado, Gayle – Me levantei, meio cambaleante. Tomada por uma onda quase infantil de felicidade, me aproximei da mulher e lhe salpiquei um beijo na bochecha – Você me fez perceber algo que passei esses três dias sem conseguir assumir para mim mesma.

- Senhorita – Ela riu, me fitando abobalhada.

- Se me der licença, preciso de um banho – Ela aquiesceu.

- Se precisar, é só me chamar – Assenti.

Me sentia péssima fisicamente, mas me forcei a tomar um banho, me colocar dentro da peça de roupa mais simples que encontrei, e antes de sair, tomei o copo de suco que Gayle deixou para mim.

Não dei muita atenção ao espelho antes de sair, por que não queria perder tempo com maquiagem e cabelo, e sabia que estava péssima. Mas isso era o de menos, eu acabei de tomar a decisão da minha vida.

Foi como se meus olhos se descortinassem, e eu finalmente entendi que não posso viver sem o Michael, não posso e não quero, por que...

Estacionei em frente à sua casa, sentindo meu coração acelerar a medida que descia e me aproximava de sua porta. Fui acometida por mais uma crise de tosse, e só quando recobrei meu ar, adentrei a varanda de sua casa e dei duas batidas na porta.

- Já vou – Ouvir sua voz me fez arrepiar. E dessa vez não era frio, causada por essa febre que não ia embora.

Ele abriu a porta, e sua expressão mudou no mesmo instante. 

- O que faz aqui? – Perguntou de cenho franzido, denotando irritação.

- Eu amo você, Michael.

(...)


Michael

Sim, todas as minhas noites desde que expulsei Loren da minha vida tem sido uma merda, mas nenhuma se compara a noite de ontem. Bebi muito além da conta, transei com uma desconhecida, e acordei com uma ressaca infernal. Minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. Mas ainda assim me senti melhor, que a maldita cabeça continuasse doendo, só assim eu não conseguira organizar meus pensamentos e me lembrar dela.
Se minha cabeça já estava a ponto de explodir, a dor só se acentuou ainda mais ao ver quem batia na minha porta. Loren Baker estava ali, dizendo que me amava. Era isso mesmo, ou o efeito do álcool ainda não havia passado?

Tudo em mim respondeu apenas ao vê-la. O coração disparou desenfreado, o ar ficou retido em meus pulmões, minha pele se arrepiou sem nem ao menos sentir seu toque. Odiava e amava o efeito que essa mulher tinha sobre mim. E ouvi-la dizer aquelas palavras quase me levou a loucura... quase... se eu não estivesse extremamente machucado com ela.

Loren foi capaz de noivar com outro. Não foi surpresa que ela me dissesse essas palavras, era nítido que nos amávamos. Essa declaração só torna ainda pior seu delito. Mesmo me amando, ela noivou com outro.

- E só agora você percebeu isso? Agora, depois de ter noivado com o mauricinho idiota? – Cruzei meus braços, deixando claro em minha expressão que ela não me dobraria com palavras bonitas. De Loren eu quero atitude.

- Bem, eu havia percebido antes – Ela retorceu as mãos nervosamente, e só então me permiti fita-la mais demoradamente. Seu rosto estava extremamente pálido, olheiras pendiam sob seus olhos, ela estava mais magra, e uma camada de suor cobria seu rosto – Só não tive coragem de admitir para mim mesma.

- Vá embora, Loren. Você não tem coragem para viver esse amor – Sua expressão configurou-se em dor, e lágrimas lhe escaparam. Não posso negar que estava preocupado com sua aparência, e também impressionado por vê-la chorando.

Sem querer continuar pagando de bobo, me virei, pronto para fechar a porta, mas ela foi mais rápida, segurando meu braço.

- Por favor, me perdoe por minha covardia. Tente entender que pra mim é difícil jogar tudo para o alto. Mas isso não quer dizer que não o amo.

- Você não tem certeza sobre esse amor, sabe por que? – Ela meneou a cabeça. Sua mão, agora trêmula, ainda me segurando. – Porquê se realmente tivesse, você não pensaria duas vezes em me escolher.

- Mas eu escolho você – Sua voz estava alquebrada.

- Você sempre escolhe o dinheiro, Loren – Murmurei, cansado de tudo isso.

- Não dessa vez. Você não tem noção do inferno que vivi esses dias. Não posso viver sem você, Michael. – Uma onda de esperança engolfou meu peito.

Será mesmo que agora ela estava falando a verdade? Será mesmo que largaria tudo? 

- Você sabe em que essa escolha acarreta? – Ela assentiu, os lábios formando uma linha fina e pálida.

- Claro, só peço que me dê um tempo de contar tudo e... – Meneei a cabeça, soltando-me bruscamente de seu braço. 

- Volte aqui quando estiver desligada daquele homem – Dei as costas e entrei em casa, ouvindo seus passos apressados.

- Por favor, Michael, acredite em mim, eu vou deixa-lo! – Virei-me para fitá-la.

- Vá embora! – Gritei.

O que aconteceu na sequência foi muito rápido. Em um momento Loren estava parada ali, me fitando com os olhos suplicantes, e no momento seguinte seu olhar desfocou e ela cambaleou uma vez antes de ir ao chão.

Nunca serei capaz de nominar o tamanho desespero que senti naquele momento. Corri até ela, ajoelhando-me ao seu lado e trazendo seu corpo inerte para junto ao meu.

- Loren, meu amor, fale comigo! – Gritei, desesperado. Abraçando-a e beijando-a.
Evan apareceu no momento exato, ficando estático ao ver a cena.

- Deus, o que aconteceu, cara? – Encarei-o, vendo-o desfocado por conta das lágrimas que nublavam meus olhos.

- Chame uma ambulância, ela está queimando em febre. Rápido, Evan – Ele assentiu, puxando o celular do bolso.



Capítulo 17 – Michael –


Desabei nó sofá da sala de espera no hospital tentando estabilizar os nervos. Loren foi levada para a emergência para ser examinada por um médico experiente que já me comunicou que a febre dela está resistente. Uma enfermeira bastante gentil veio a pouco me informar que minha pequena precisa passar por uma bateria de exames para confirmar seu diagnóstico. 

Quando eu a vi gelada, inconsciente naquele corredor, meu mundo girou e um peso na consciência recaiu sobre meus ombros. A aflição tomou conta do meu ser e eu desejei que tudo não fosse mais que um pesadelo muito realista. Loren me decepcionou, reconheço que ela tem seus defeitos e a pose de riquinha inconsequente não a abandona. Mas hoje no meu apartamento pude captar no olhar dela, um sentimento renovador, que apaziguou a dor no meu peito, amor. Isso mesmo. Agora posso dizer sem medo de me iludir ou bancar o palhaço, que uma morena linda e muito marrenta se importa comigo. E todo o tempo minha intuição gritava que por trás de uma mulher soberba havia uma menina frágil e apaixonada, que eu ajudei a aflorar. 

Talvez, eu tenha sido orgulhoso, idiota o suficiente para não perdoá-la há algumas horas atrás, quando ela me pediu humildemente uma nova chance. 

Se eu tivesse uma nova oportunidade de fazer as coisas de uma forma diferente, abraçaria minha garota e a beijaria até nos faltar o ar. Todavia, nutro a profunda esperança de que Loren irá se recuperar em breve, apesar de realmente estar gravemente doente, aquela mulher é forte, sim ela sairá dessa, tem que sair ou eu... Não...  Suportaria. Engoli pela enésima vez o choro, empurrando-o goela a baixo. Não é momento de se desesperar. Esses pensamentos vão acabar me enlouquecendo.

- Sr. Jackson? - Sobressaltei e me obriguei a ficar de pé ao avistar a presença do médico grisalho que internou Loren. O Dr.Rick Wile.

- Dr. Rick, graças a Deus. - Suspirei aliviado por a espera ter fim. -Como ela está? - Continuei.

- Relativamente estável. A Srta. Baker está com pneumonia, e se não tratada a doença pode vir sim a se tornar algo grave. Por sorte ela foi trazida para o hospital com urgência e estamos tomando todas as medidas necessárias para oferecer o melhor tratamento a sua amiga. - Assegurou com o profissionalismo cabível a um médico desse gabarito.

- Pneumonia. _Exasperei-me. - ELA ficará bem, certo? Não irá morrer? Pelo amor de Deus Dr., quando ela receberá alta? _Indaguei levando as mãos aos cabelos. Deus... não permita que uma tragédia aconteça com Loren.

- Claro que ela ficará bem Sr. Jackson, Repito, com o tratamento correto a Srta. Baker dentre alguns dias, ou no máximo semanas estará totalmente recuperada. - Reforçou convicto e eu finalmente me senti seguro. A serenidade voltou a reinar e a necessidade de segurar a mão de Loren se apossou de mim. 

- Posso vê-la? _Disparei ansioso para estar ao lado de minha baixinha e pedir perdão por minha insensibilidade. Porra! Eu estava irredutível, agi como um ogro e isso não colabora com a culpa que estou carregando.

- Sim. A paciente está consciente, me acompanhe Sr. Jackson._Orientou o médico e eu segui os passos dele como sua própria sombra. 

Andamos alguns minutos até tomarmos o elevador para o terceiro andar, onde se localiza o apartamento no qual Loren está. Dessa vez o destino foi meu parceiro e antes que pudesse refletir chegamos ao quarto de minha pequena. O Dr. Wile resolveu não entrar e nos dar total privacidade. Encarei isso como um gesto de educação da parte dele e com a cara e a coragem adentrei o aposento hospitalar, enfim revendo Loren. Ela permanece inegavelmente bela, mesmo pálida, sem todos aquele produtos na face e cabelo desarrumado não perdeu a beleza estonteante. Assim que me viu grudou seus olhos azuis claros em cima de mim e espelhou um sorriso tranquilo. Meu coração falhou em uma batida e eu me aproximei do leito dela, maluco para tocá-la e me desculpar pelo episódio lastimável da minha casa.

- Você está aqui, e isso me alegra tanto. Obrigada Michael. _Murmurou emocionada e eu afaguei as bochechas dela carinhosamente. - Sabe, eu sinto mui..._Calei-a com meu dedo indicador.

- Shhh, pequenez. - Ela riu do meu jeito peculiar de chamá-la. -Escute. _Fitei-a intensamente antes de seguir com a declaração que pretendo. - Eu deveria ter retribuído o seu "eu te amo" anteriormente, no entanto não é tarde para enfatizar que sou um completo apaixonado. Sei que às vezes sou ríspido e falo besteiras, mas é tudo por medo de te perder para o dinheiro. Loren eu te amo, amo do fundo do meu coração, amo de uma maneira um tanto quanto insana, talvez egoísta. E não quero abrir os olhos de repente e me dar conta que casou-se com um mauricinho de merda. Quando desmaiou, eu temi que algo de ruim lhe acontecesse e percebi que precisava verbalizar meus sentimentos. Eu te amo Loren Baker. _Clamei livre de quaisquer receios. 

Loren a princípio permaneceu estática, em seguida lágrimas preencheram seu par de órbitas azuis, ela está chorando de felicidade.

- Eu também te amo, Michael. E faria tudo novamente, inclusive fazer plantão debaixo de uma tempestade._ambos rimos. 

- Nunca mais me dê um susto como esse._Apertei o nariz dela divertidamente. 

- Eu fui uma estúpida em ficar na chuva por horas._Debochou ainda aos risos. -Só que valeu a pena, porque você cuidará de mim._Insinuou maliciosa, terrivelmente sexy como somente ela consegue ser.

- Não me provoque._Alertei de cenho franzido. 

- Michael meus pais  apareceram para saberem notícias?_Desconversou e notei um tristeza inexplicável possui-la. Droga! Dr. Wile ligou para a família dela assim que encontrei o número do telefone da mansão dos Baker na bolsa que entreguei a ele, foi o que ele me disse. Então isso significa que ninguém veio visitá-la. Como podem não se importarem com a saúde da filha? 

- Bem, é.... Loren...

- Claro que não, com certeza devem estar ocupados aumentando a fortuna._Bradou visivelmente abalada com a ausência de seus pais. 

- Loren, não se exalte, olha, você não está sozinha. Pode não ser grande coisa, mas sempre terá a mim._Consolei-a, afinal eu posso imaginar sua revolta. Inacreditável a negligência desses parentes dela.

-  Quer continuar me atentando? Então é mais seguro que volte a repousar, enquanto falo com o médico a respeito da sua alta. E só mais um aviso. Você passará uma temporada sob meus cuidados, ficará na minha casa sob minha vigilância. Vá atrás de Lincon e acabe com a farsa que é o noivado de vocês. Se você me ama...

- Eu vou fazer, juro que vou deixá-lo._Prometeu sem titubear. Finalmente uma prova de amor dela.

- Trate também de ligar para seus familiares e inventar alguma desculpa, diga que irá viajar ou se preferir contar a verdade sobre nós. _Sugeri despretensiosamente e Loren assentiu. Relutante criei coragem para deixar o quarto e ir à procura do médico dela. 

Definitivamente, conhecer Loren foi uma dádiva da minha vida, aprendi que a brasa que sustenta o amor deve ser reaquecida diariamente através de pequenos gestos e atitudes. 
Compreensão, perseverança salvam um relacionamento da ruína e darei meu sangue para ser um homem paciente com minha garota.

(...)


Loren


Um mês depois...

Abro meus olhos e sinto os primeiros raios solares atravessarem as venezianas escuras. Nem consigo acreditar que dois meses se passaram, o tempo voou na velocidade da luz e eu não poderia prever que essas "férias" na casa do pintor turrão seriam tão maravilhosas. Michael ultimamente anda irreconhecível, eu sempre soube que quando ele quer se porta como um perfeito cavalheiro, mas todo o carinho dele comigo tem feito dos meus dias uma eterna lua de mel. Nossas conversas estão cada vezes mais animadas e íntimas, jamais me abri para alguém como com Michael Jackson. Ele me inspira confiança, transformou-se em minha calmaria nos dias turbulentos e sombrios. Sem contar a preocupação dele até que eu me curei completamente da pneumonia. Às vezes eu me negava a tomar os remédios apenas para ganhar um chamego e ser mimada. Como eu amo quando ele prepara um café da manhã elaborado e comemos na cama. Não porque sou uma criatura carente, eu só preciso ser amada por um homem que me faça sorrir somente ao acordar e me encher de beijos. Um cara simples, porém que cozinha divinamente. Um homem que me enlouquece na cama e me tira o fôlego todas as manhãs. Despertar sendo acolhida pelos braços do pintor que amo. 

Michael se espreguiça e esfrega os olhos em seguida. Lindo. Céus tão bonito fazendo coisas habituais. Fito-o enternecida a visão dele despertando e recebo como prêmio de consolação um sorriso largo. 

- Bom dia princesa. _Saúda ainda sonolento. -Você é especialmente sexy quando acorda._Elogia afastando o lençol das minhas pernas para me presentear com uma carícia gentil.

- Ohh, muito obrigada. Esqueci que já levanta me galanteando._Brinco apreciando a nudez do peitoral de meu homem. -Por que não veste uma camisa para dormir?_Choramingo enfeitiçada, possivelmente embasbacada.


- Porque eu gosto de excita-la, atiçar seu lado perverso._Pisca como um cafajeste para mim e ataca meus lábios voluptuosamente,  criando uma atmosfera de  luxúria enquanto suas mãos espertas trabalham em levantar a blusa do meu pijama de seda e consecutiva o short e a calcinha.  Me entrego aos toques cálidos e beijos ferozes dele em meu colo e o ajudo a se livrar da calça de moletom que nos impede de prosseguir. Arfo ao contemplar a glande rosada exposta dele, as veias saltitantes por toda a extensão do membro duro.

Michael notando minha expressão lasciva, se coloca por cima de mim, e encaixa minhas pernas em seus ombros. Embora, eu saiba o que se sucederá, sinto meu coração acelerar progressivamente a medida que Michael me preenche e me marca como sua. Dessa vez ele está mais cauteloso, indo com calma, tentando aproveitar mais o momento, romantizar. 

- Por favor se mexa -Suplico arquejando devido ao desejo furioso que tê-lo dentro de meu núcleo sensível acarreta. Michael nada responde, simplesmente dá início aos movimentos com destreza. Investindo tão lentamente, afunda-se em minha intimidade tão vagarosamente que o prazer fragmenta-se em bilhões de nervos distintos. Sinto uma necessidade voraz de aprofundar nossa conexão e busco pelos lábios dele, beijando-o desesperadamente. 

Ele corresponde o beijo, mas inesperadamente roça a língua nos meus seios. Sou surpreendida por uma sugada em meu mamilo direito e depois outra no esquerdo, não satisfeito com meus gemidos estridentes Michael crava seu mar negro nos meus olhos e arremete forte contra mim, fazendo ir a inúmeras galáxias ao mesmo tempo. A sensação de êxtase, a sublime explosão de prazer, acontece, o orgasmo mais longo da minha vida, e o mais gratificante Michael também alcança seu apogeu junto comigo, gozando alucinadamente, grunhindo indecências no meu ouvido. E satisfeitos, suados, fadigados nos permitimos relaxar. As respirações normalizam, os espasmos se esvanecem e eu continuo flutuando, inalando o cheiro do meu homem gravado em mim.

- Loren..._Diz ofegante, um sorriso torto esboça o quão foi bom para ele também. -Nunca pensei que as baixinhas fossem tão fogosas, gostosas._Saiu de dentro de mim e puxou um lençol para nos cobrir.  

- E nem eu que um pintor insuportável tivesse tantos talentos._Confesso me sentindo plena. Ora, não sejamos hipócritas, que mulher não se sentiria nas nuvens após fazer amor com um mestre na arte do prazer. 

- E convencido._Completou gargalhando sonoramente. Preciso dizer que sou uma admiradora do som singelo da risada dele.

- Também._Concordo.

- Amor, eu gostaria de entrar em um assunto delicado._Semicerra os olhos denotando incômodo. - Quando foi até sua casa pegar mudas de roupas e objetos pessoais, procurou seu noivo e deu um basta no noivado conforme combinamos? - O questionamento dele faz cada célula do corpo entrar em estado de alerta, o choque de realidade me atingi subitamente. 

Decerto não estou preparada para essa discussão, tampouco cumpri com a promessa de pôr um ponto final no compromisso com Lincon. Isso inclui tantas consequências, e desencadeará a reprovação dos meus pais. Maldição! Eu amo Michael, quero ficar ao lado dele, é minha única certeza. Entretanto, não posso viver na extrema miséria, e se papai me deserdar quando descobrir que dispensei um partido como Lincon por causa de um reles pintor? 

- Loren não vai responder._Michael sacode meus braços estranhando minha reação. 

- Cla... claro._Gaguejo intimidada até a última gota do sangue que corre em minhas veias. -Lincon não me interessa, é você que eu quero._Friso e o olhar dele  transmite puro rancor. 

- Foda-se suas palavras, são as atitudes que eu valorizo._Grita enraivecido com minha quase confissão de que não rompi com  Lincon. -Não serei seu amante Loren, então terá que escolher entre mim e aquele mauricinho. Se tem a menor dignidade e me respeita ligue para seu noivo e conte a verdade agora!_Exigi pegando meu celular na escrivaninha  e o encaixando na minha mão trêmula.

- Eu estou falando a pura verdade, pela primeira vez estou sendo transparente com você. Michael, não me maltrate desse jeito, eu te amo!_A ardência da qual havia me esquecido volta a se manifestar em meus olhos e as lágrimas molham meu rosto. 

- Não Loren. Chega! Já lhe dei tempo demais, ou aprende a enfrentar as consequências de seus atos e vira uma mulher madura ou esqueça que um dia dividimos essa cama. E se caso optar pela sua vida de luxo, nunca mais volte, nem tente se rastejar aos meus pés, porque eu estou esgotado de ser o único a ceder. Desça desse maldito pedestal e poderei perdoá-la por todas as humilhações, é minha condição._Dá seu ultimato fazendo as lágrimas despencarem como torrentes de fraqueza dos meus olhos. Mesmo com a visão turva enxergo o ódio descomunal dele. É provável que Michael nunca me perdoe, mas não sou capaz de abrir mão de tudo que estou acostumada a usufruir, não consigo deixar para trás todas as regalias, os prazeres que o dinheiro me proporciona

- Eu não posso._Balanço a cabeça em negação. -Sinto muito...

- Saia da minha casa imediatamente e não ouse me dar um telefonema sequer, você morreu para mim._Vocifera frívolo como uma rocha e sua afirmação faz uma angústia terrível se esparramar em minha garganta.

- Apenas me dê um tempo._Peço perdida, fragilizada feito uma órfã solitária. Eu não existo sem Michael Jackson.

- Não Loren, eu já tomei minha decisão._Salienta intransigente, a firmeza ecoa na voz dele.

- Está bem. Eu vou._Consinto naturalmente arrasada. Louca para me ajoelhar aos pés dele e fazê-lo voltar a trás. Retroceder nossa estória e escrever um final feliz. Eu acabo de perder o homem que amo incondicionalmente. 

Michael representa minha força quando estou fraca, ele me leva a crer que nenhuma estrela está fora de alcance e ainda que eu seja teimosa orgulhosa, não nego que sou uma dependente desse homem. 


- Arrumarei minhas malas hoje mesmo._Enxugo as lágrimas, enrolo meu corpo num lençol e corro do quarto carregando dentro da alma os efeitos colaterais de minhas incertezas. E a absoluta certeza de que perdi o respeito de Michael Jackson.



Capítulo 18 – Michael –

Uma palavra me definia naquele momento, cansaço. Estava cansado de esperar por algo que não vinha de Loren. Cansado de ouvi-la falar que precisava de um tempo a mais para resolver a situação, quando tudo é tão simples e objetivo. Basta ela chegar para seu noivo e dizer acabou, basta chegar para seus pais e lhes dizer, estou seguindo outra vida. Entretanto ela faz disso um bicho de sete cabeças, e adia a situação sempre que pode, me dando uma desculpa qualquer.

Fui paciente durante todo esse mês, até por que achei que com a convivência cotidiana, com esses dias juntos, nós dois apenas, envoltos nessa bolha de amor, ela fosse finalmente enxergar que isso é tudo que ela precisa para viver. Que não posso lhe dar luxo mas uma vida confortável, e muito amor, isso nunca iria lhe faltar. Mas para Loren Baker isso não basta, e eu tenho que aceitar de uma vez por todas que essa é quem ela é. Somo antagônicos, e infelizmente não estamos dispostos a mudar.

Eu a amo com loucura, e isso só ganhou força nesses últimos dias, mas também tenho amor próprio, estou cansado de promessas vazias, que nunca se cumprem. Está me doendo mais que tudo nesse mundo manda-la embora, mas acredito que com esse ultimato Loren crie coragem e acabe com essa palhaçada. Esperarei de braços abertos pela sua volta, e finalmente, poderemos viver nosso amor.

- Eu acho que peguei tudo – Ouvi sua voz chorosa, e me virei para fita-la. Loren puxava uma mala de rodinhas. O rosto estava vermelho e inchado.

- Certo – Disse apenas. Naquele momento sentia o chão aos meus pés começarem a ruir. Sentia minha garganta travada, e meus olhos ardiam pelas lágrimas. Mas fui forte, e não demostrei fraqueza alguma diante dela.

- Michael, eu não queria que fosse assim – Sussurrou, entregando-se aos prantos – Eu o amo, você sabe disse! Você sentiu esse amor, você viveu ele comigo todos os dias. Não acabe com nossa história assim. Eu te imploro.

Vê-la ali tão indefesa, implorando, quase me fez ceder. Eu estava sendo um estúpido, insensível... provavelmente. Mas Loren precisa disso, só assim ela abrirá os olhos. Nós não podemos viver como dois amantes o resto da vida.

- Eu não estou acabando com nada. Você está! – Acusei, lhe apontando o dedo – Uma palavra sua para sua família e para seu noivo, e nós estaremos livres, no entanto não é o que você quer.

- É o que eu quero sim! – Gritou.

- Então pare de prometer e cumpra, porra! – Gritei de volta, extremamente exaltado.

- É difícil. Mais do que parece para você.

- Não é nada difícil quando estamos juntos, Loren. Não entendo por que você tem tano medo de viver longe do dinheiro, se fez isso durante esses dias, e nunca te vi tão bem e feliz.

- Não é só o dinheiro – Meneou a cabeça – Não quero decepcionar meus pais. Você está me pedindo pra escolher entre eles e você.

- Não, claro que não. Eu pedi para que se libertasse dessa ditadura do dinheiro em que vive, nunca disse para abandonar seus pais.

- Mas eles irão me dar as costas no momento e que descobrirem que acabei o noivado com Lincon.

- Então eu sinto muito por eles, que irão perder uma filha maravilhosa por bobagem. O que só prova que eles não te dão valor algum, só valorizam o que financeiramente você pode trazer a eles.

- Eu sei, mas...

- Pare de inventar desculpas, Loren – Interrompi-a – Fui paciente demais. Se não te amasse como eu te amo, não teria te dado mais que dois dias para resolver essa situação, no entanto faz meses que me promete pôr um fim nesse relacionamento e nada faz. Cansei de esperar.

- Por favor.

- Não adianta. Se você voltar aqui livre das amarras que lhe prendem, pronta para vier comigo, estarei lhe esperando de braços abertos, caso contrário esqueça tudo que vivemos, enterre esse amor junto com seus milhões de dólares.

Ela enxugou as lágrimas e ergueu a cabeça, me fitando intensamente, e assentiu uma vez. Antes que ela passasse por mim, meu bom senso foi para o inferno e a segurei pelo braço, colando minha boca na sua, como um sedento desesperado.

O beijo foi intenso, faminto, cheio de amor, e de uma saudade antecipada. Eu não queria soltá-la nunca mais, mas fui obrigado a me afastar quando o ar nos faltou.

- Espero que você volte – Murmurei, encostando minha testa na dela.

- Também espero voltar – Sem mais uma palavra, ela se afastou e saiu porta a fora, sem olhar para trás.

(...)

Já havia se passado uma semana desde que Loren havia partido. Depois disso não houve nenhum telefone, nenhuma troca de mensagens, nenhum sinal de vida, nada. Eu tive esperanças concretas de que ela voltaria muito em breve, mas pelo rumo que as coisas estão tomando ela não voltará nunca mais.

Achei que Loren estivesse tão louca de amor quanto eu. E apesar de ter me confessado inúmeras vezes seu amor desmedido, agora não conseguia acreditar nele. Se me amasse verdadeiramente não conseguiria ter passado dois dias longe de mim, teria acabado com seu relacionamento e hoje estaríamos juntos e felizes, mas desde sempre não foi isso que ela quis. Me manter como seu amante era muito mais conveniente, e quando lhe dei um ultimato, ela decidiu continuar na sua vida. Provavelmente nem se lembrava mais de mim, e eu estava aqui feito um idiota, enfurnado nesse porão pintando ininterruptamente.

Além da partida de Loren, e da falta de informações, a dois dias atrás tive mais uma surpresa, minha mãe entraram em contato, depois de anos sem falarem comigo. 

Não sei como conseguiram chegar até mim, já que não deixei paradeiro algum, mas eles me encontraram, e mamãe me pediu em meio ao choro de cortar o coração, que fosse visita-la, pois estava doente. Ela me pediu perdão, e implorou para que eu desse uma nova chance a minha família, que as coisas por lá haviam mudado.

Eu nunca quis voltar para a Itália. Claro que sempre senti saudades dos meus pais, dos meus amigos, dos vinhedos e do clima inspirador da fazenda. Mas e se minha mãe só estivesse desesperada, se tivesse mentido para mim e meu ai ainda fosse um tirano? Hoje eu não tinha mais medo dele, e jamais voltaria a me colocar cabresto, mas apenas imaginar discutir com ele me enervava.

Um barulho na porta me fez levantar. Evan entrou em disparada na minha casa, carregando uma revista nas mãos.

- Oi pra você também, Evan.

- Oi é o cacete. Estou de saco cheio de te ver enfurnado nessa casa, como se o mundo tivesse acabado, e tudo isso por causa de uma mulher que nem lembra mais de você.

- Ei, que surto é esse idiota?

- Isso mesmo! – Grunhiu irritado. Ele me entregou a revista, e vi, estampado na primeira página, uma foto de Loren abraçada ao seu noivo Lincon, e em letras garrafais abaixo da foto estava estampado “CASAMENTO DO ANO”.

Se ainda havia alguma espécie de pilar me sustentando, ele caiu naquele instante. Foi como se alguém estivesse segurando meu coração nas mãos e o esmagando. Ela vai se casar. Acabou, definitivamente!

Loren fez sua escolha, e eu, que ainda tinha dúvida, havia acabado de decidir. Iria para a Itália, e lá reconstruiria minha vida.

(...)


Loren

Doía, todos os malditos dias doíam. Estar longe de Michael já era ruim o bastante, mas saber que a culpa daquele afastamento era unicamente minha, me corria por dentro.
Como ele mesmo disse, bastava uma palavra minha, e tudo estaria resolvido. Entretanto, continuei sendo a covarde que sempre fui. Continuei sendo a mulher mesquinha, que fui criada para ser. Mascarei novamente a Loren que Michael aflorou em mim, e fiz minha escolha. A escolha que me poria infeliz pelo resto dos meus dias.

No dia em que deixei a casa de Michael, há uma semana atrás, estava decidida a voltar. Iria mandar tudo para o inferno e voltaria para ficar com o homem da minha vida, com o homem que me ensinou o que é amar. Michael me mostrou que posso ser feliz abrindo mão do meu dinheiro. Será difícil me adaptar, eu sei, mas com ele ao meu lado conseguirei, o que não poderia cogitar era me ver longe dele.

Mas então todos meus planos caíram por terra assim que cheguei em casa. Encontrei mamãe e papai andando de um lado à outro, apenas esperando por mim. Havia acontecido um acidente em um dos nossos hotéis, para ser mais precisa a sede principal, o lugar havia se incendiado e o prejuízo seria enorme. Além dos gastos de reconstrução da obra, havia a indenização para alguns funcionários.

Apesar da tragédia, e pouco se importando com os funcionários feridos, meu pai segurou minhas mãos, sorrindo, e me disse que Rodrick, meu futuro sogro, havia investido na obra de reconstrução, e que só gastaríamos com as indenizações. Minha mãe veio em seguida, comentando com animação o quão orgulhosa estava de mim por eu ter noivado com um homem tão maravilhoso. 

Infelizmente, agora estávamos ainda mais atrelados a essa família, e se acabasse com Lincon naquele momento, meus pais jamais voltariam a falar comigo.

No dia seguinte Rodrick, sua esposa Amabel, e Lincon entraram porta a fora. Os via pela janela do meu quarto, onde eu havia passado toda a noite prostrada, fitando o horizonte, e me perguntando o que Michael estaria fazendo naquele instantes.

Minutos depois mamãe invadiu meu quarto, e foi direto para o closet.

“- Se apresse, querida, estão todos aí, querem marcar a data do casamento – Permaneci estático, o peso da notícia não me atingiu em nada.

- Mãe, e se eu não me casar com Lincon? – Tive coragem de finalmente perguntar. Ela parou abruptamente, jogando um vestido sobre a cama. Me fitou como se eu tivesse criado duas cabeças.

- E por um acaso você tem um partido melhor?

- Não falo disso, Mãe – Me enervei – Eu amo outro homem. Ele não tem dinheiro, mas...

- O que ele faz da vida, Loren? – Seu semblante se tornou sombrio.

- É pintor.

- Deus do céu, querida – Ela dramatizou, aproximando-se – Eu sei que pode parecer meio horrível tudo isso agora, mas vá por mim, é o melhor para você. Eu também já me apaixonei por um homem pobre, era o jardineiro de nossa casa, e no alto da juventude, pensei que pudesse enfrentar a pobreza com ele. Não passamos três meses juntos, todo o amor acabou se transformando em ódio e rancor. Mulheres do nosso nível social não dão certo com homens pobres, é a lei da vida. – Ela eu de ombros – Se acha que ama ele, não estrague esse amor, largando tudo para viver com esse pobre coitado. Isso vai acabar ferindo vocês dois – Passei o dorso da mão pelo rosto molhado. Ela afagou meu braço, como se eu fosse uma colega de quem não se tem muita intimidade – Erga essa cabeça, se apresse e vamos, pois seu futuro lhe espera.”

Naquele dia marcamos a data do casamento para dali a um mês. Afinal todos tinham presa, menos eu!

E agora cá estou eu, uma semana depois, extremamente infeliz, absolutamente angustiada, me corroendo de culpa e saudade, a ponto de explodir de amor.

(...)

- Estou te achando tão caladinha – Lincon chamou minha atenção. Nem havia percebido que ele estava me fitando, acariciando meus cabelos.

- Estou com um pouco de dor de cabeça – Sorri forçadamente.

- Desde que voltou daquela viagem está entristecida, reclamando dessas dores de cabeça. Há algo que possa fazer por você, meu amor? – Neguei com um gesto de cabeça.

Eu tentava olhar aquele homem e ter certeza de que seria feliz com ele. Lincon era um bom homem, nosso casamente, ao contrário do dos meus pais, não seria tão frio e sem emoção, mas eu sempre saberia que ele foi escolhido unicamente pelo dinheiro, nunca conseguiria amá-lo. Venho me forçando a pelo menos parecer mais cordial, carinhosa... mas não consigo expurgar essa sensação terrível que é saber que nunca mais verei o Michael... não posso.

- Não posso – Exteriorizei meus pensamento. Lincon franziu o cenho.

- Não pode o que? – Sorriu.

- Perder mais tempo – Me levantei – Preciso resolver umas coisas no hotel, espero que entenda – Me inclinei, deixando um selinho rápido em sua boca.

- Eu entendo. Também tenho que ir para o banco. Até mais tarde.

- Até – Ele se aproximou e me deu um longo beijo, que lutei para não interromper.

Assim que Lincon saiu, parti com meu carro, o mais rápido possível. Minha mente e meu corpo só me levavam para um único lugar, a casa de Michael. Precisava vê-lo, nem que fosse de longe, nem que fosse por alguns instantes. Quem sabe a visão me desse as forças que precisava para ficar ali e jamais sair. Contanto, assim que estacionei, vi uma placa fincada no jardim da casa, onde lia-se “Aluga-se” – Estranhei.

Desci do carro e me aproximei. Talvez Michael tivesse se mudado, ou estivesse pensando em sair da casa.

- Está interessada em alugar, moça? – Uma senhora se aproximou, me olhando de cima a baixo – A casa é bem bonitinha, e o morador saiu faz pouco tempo. Estou com as chaves e fiquei responsável de repassar.

- O--o Michael? – Fitei a senhora, sentindo como se o chão embaixo dos meus pés estivesse ruindo.

- Ah, o moço pintor? – Assenti, com medo da resposta – Ele foi embora. Voltou para a casa da família na Itália.

Senti como se tivesse levado um golpe de punho no estômago, forte o bastante para me derrubar.


Dei as costas a senhora e voltei para meu carro, me trancando lá dentro. E então aconteceu, enquanto minhas lágrimas desciam em torrente por meu rosto, senti o lugar em meu peito, onde deveria estar meu coração, oco. Eu o havia perdido, Michael e meu coração.



Capítulo 19 –Michael - 
                         
2 Meses depois...

Ultimamente tenho aproveitado ao máximo a estadia na Itália para repensar meus conceitos errôneos relacionados a importância do convívio familiar. Ao contrário do que me preparei para ouvir as infâmias de papai ele me recebeu de braços abertos e tivemos uma longa conversa a respeito da minha partida. Falamos dos meus sonhos, tratamos dos motivos que me levaram a deixar a vida luxuosa da Itália e recusar a me casar com a moça que escolheram para mim, sim eu deixei Loren de lado, ela passou a pertencer ao passado e só. Ele também me garantiu que terei a total liberdade de decidir se trabalharei nos negócios da família e caso isso não me interesse poderei prosseguir tentando a sorte com a arte. 

A única coisa que confesso ter me emocionado ao ponto de ter que colar os cacos do meu coração em seguida foi o sofrimento expresso nos olhos de mamãe. Vê-la me implorar para que eu nunca mais os abandone sem dar notícias fez meu senso de homem "livre" mudar. Apesar de antes não ter parado para pesar os pros e contras de ir para longe daqui sem me preocupar com eles, sinto um leve resquício de arrependimento por ter causado dor a aqueles a quem devo a vida. Mas nunca mais farei ninguém derramar uma lágrima sequer em nome dos meus caprichos. De fato era um egoísta com sede em ganhar o mundo. Um esperançoso rapaz que acreditava necessitar apenas de algumas telas em branco, tinta e ar nos pulmões para ser plenamente feliz. Por ironia do destino retorno para o lugar onde meu martírio teve início. A mesma mansão na qual vivenciei os momentos mais felizes e infelizes da minha existência terrena. Lembro de na infância correr pela fazenda e montar a cavalo na companhia de meu pai, sinto saudades daqueles tempos que subir em uma árvore, colher maçãs era meu paraíso. 

Naquela época eu poderia ser feliz realmente sem depender do dinheiro ou da aprovação de meus pais. Ao menos a estadia em Londres me fez aprender a lição de que as pessoas não mudam, somente se revelam como sempre foram, esmigalhando nossas ilusões. Loren se transformou em minha perdição, e eu me permiti amá-la com tudo que tinha a oferecer, a alma. Acontece que entregar meu coração a uma mulher tão ambiciosa para ela não significou absolutamente nada. A prova de amor que Loren exigiu de mim, eu não fui capaz de lhe dar. E no final das contas ela deixou um imenso buraco dentro do meu peito, um vazio impreenchível. Talvez eu continue a amando loucamente, mas é melhor que Loren permaneça intacta em meu coração, pois lá estará segura habitando minhas lembranças secretas.

— Michael, o jantar está servido. — Mamãe avisou e eu sobressaltei, despertando de meus devaneios. — Venha se juntar a nós meu filho. — Convidou parada na soleira da porta do meu quarto. Suspirei resignado observando a opulência dos meus aposentos, enfim tomando consciência de que todas essas regalias não bastam para me completar. 

As paredes cobertas por um papel de parede desenhado por um arquiteto árabe, o carpete acinzentado pregado no chão, as luzes fabricadas em cristal iluminando cada canto do ambiente, cada detalhe pomposo da decoração transpira pompa. Tudo isso é material, não há valor algum em algo que se reduzirá a pó algum dia. O que realmente é valioso são os momentos de paixão, amizade, até mesmo descontração, um simples sorriso esses são os verdadeiros tesouros.

— Meu querido, pedi a Martha para preparar sua massa favorita. Tenho te achado tão triste. Quer falar sobre isso? — Mamãe se aproxima da minha cama aonde estou encolhido e pensativo. — Sou sua mãe Mike, não minta para mim. O que está escondendo? — Acaricia meus cabelos com a mesma delicadeza de quando eu era um menino de meio metro de altura. No fundo estava precisando de um carinho de minha mãe, quem mais pode me reconfortar como ela o faz?

— Você me conhece tão bem, que não ousaria mentir para a Sra. mamãe, acho que tem uma bola de cristal. — Ri sem a mínima vontade. — Está certo, venceu, lhe contarei o que tanto me atormenta. — Dei-me por vencido. —Por um acaso do destino conheci uma garota da alta sociedade em Londres, nos envolvemos, e sim eu me apaixonei irrefutavelmente por ela, por seu sorriso de menina mulher. Na verdade eu amei Loren, ainda a amo... Não de uma forma que já experimentei esse sentimento, é novo, arrebatador, completamente intenso. Parece que queimo a cada micro segundo longe dela. E meu castigo é saber que nunca voltarei a tocá-la, tampouco voltarei a vislumbrar aqueles olhos azuis cintilarem exclusivamente para mim. Eu segui meu caminho e ecoarei sempre em minhas orações meu desejo de que Loren também encontre seu caminho com o homem que ela escolheu para ela. Acabou, e eu estou decidido a seguir em frente, recomeçar com uma mulher capaz de amar pelo eu sou. — Libertei-me das amarras do passado tirando um peso de uma tonelada das minhas costas.

— Sabe que estarei ao seu lado, embora não conheça a tal moça, imagino que ela trouxe muita decepção para meu menino e o amor tem que vir leve, nos iluminar e não ferir, espero que Loren encontre outro rapaz, alguém que corresponda as expectativas dela. — Desvio o olhar para o teto... Se ela soubesse que não só encontrou esse homem ideal como irá casar com ele. — Conte comigo Michael. Tenho certeza que voltará amar e será uma mulher digna, a altura de seu caráter. — Profetizou sua crença em dias promissores para minha vida amorosa e sorri dessa vez espontaneamente. Não dizem que mãe tem sempre razão.

— Mamãe, está tramando, admita! — Levanto da cama subitamente me prontificando a correr até ao closet.

— Temos uma convidada especial para hoje. — Informa invadindo meu closet e eu deixo passar essa. Melhor não me precipitar.

 — Droga! Só tenho peças sofisticadas, e os trapos que trouxe de Londres me remetem a antiga vida que quero enterrar.  — Constatei em apuros para encontrar uma roupa casual e confortável.

 — Vejo que não está encontrando nada apropriado para o jantar? — A voz branda de mamãe chegou aos meus ouvidos em dupla com um certo alívio. Necessito urgentemente de ajuda.

— Definitivamente, terei que improvisar. — Gargalhei pegando uma camisa social branca versátil e o único jeans de lavagem mais despojada que encontrei.

— Acho que um blazer azul dará um ar jovial a composição. Esse Armani trouxe de Paris para você. Use-o essa noite. — Sugeriu capturando um blazer azul marinho que cheira a roupa de grife entregando o valor que custou a quilômetros de distância. Usarei para agradar minha mãe, e porque quero me sentir apresentável, é provável que hajam convidados para o jantar. Essa é uma tremenda mania irritante que as pessoas tem nessa casa.

— Está bem, Sra Jackson. — Pisquei para mamãe sentindo que a aura dela assim como a carranca de meu pai mudaram. Vida nova... Como é bom estar de volta as origens, e ser tomado por uma gratificante paz de espírito. Até me esqueci momentaneamente que Loren deve estar prestes a subir ao altar e se unir em matrimônio com um mauricinho de seu nível social. Foda-se! Essa noite quero tomar muitas garrafas de vinho e me divertir com minha família. Nada mais me importa.

(...)

Pousei meus olhos na farta mesa de jantar, tentando me acostumar com tamanho luxo, as porcelanas parecem reluzir entre as taças de cristal abarrotadas de vinho, e esse é o meu verdadeiro universo, afina foi daqui que vim. Meu coração falhou em uma batida ao me deparar com Leila e para disfarçar o constrangimento sentei-me a mesa rapidamente. 

Minha ex noiva aparentemente não me odeia ou se opõe com minha presença, pois me recepcionou sorrindo ternamente. Leila é uma grande mulher, pena que estava tão esgotado da vida monótona que levava na Itália e não lhe dei uma oportunidade de me mostrar suas qualidades. É provável que hoje eu estaria casado, cômodo ou não seria menos doloroso estar ao lado de alguém para partilhar minhas angústias do que ter criado expectativas com uma patricinha vazia. Loren nunca assumiria esse papel, por isso não pude contar com a compreensão dela.

— Meu filho, como está hoje? Não vai cumprimentar Leila? — Papai elevou as sobrancelhas me orientando a tomar a iniciativa.

— Animado. Quem sabe descobrirei uma nova vocação me breve. Leila, eu... Quero que saiba que é muito bem vinda nessa casa. Espero um dia obter seu perdão, apesar do meu radicalismo naquela ocasião, minha intenção não foi desiludi-la. Sinto tanto ter lhe desapontado. — Dei um gole no vinho para evitar engolir a seco. O semblante antes suave de Leila se enche de mágoa, no entanto não enxergo raiva nela, somente decepção.

— Eu já o perdoei Michael. Certamente teve seus motivos e notei que na noite da festa de noivado estava perturbado. Me compadeci do seu desespero, embora tenha me sentido humilhada, não guardo rancor. — Enfatizou me acompanhando, ingeriu um pequeno cálice de vinho.

— Então já que estão reconciliados, vamos ao melhor da noite, uma massa, originalmente preparada por nossa chef, Martha._Mamãe cessou a tensão flutuando entre nós e eu a agradeci mentalmente pelo feito. Todos caíram na gargalhada, incorporando a empolgação da matriarca da casa, inclusive o inatingível Leonard, e confesso que estou faminto, sonhando com o deleite chamado comida tipicamente italiana. 

Momentaneamente sinto-me em casa, como se após vagar perdido pelo mundo estivesse finalmente reencontrado sentido em viver.


Loren

Meus passos tremulantes, e imprecisos recaem sob o tapete vermelho da igreja como a previa do destino infeliz que me aguarda. As lágrimas discretas que escorrem grosseiramente pelo meu rosto, para os convidados símbolo da emoção na verdade são como gotas de sangue que nem mesmo servem para lavar a alma e carregar esse aperto no coração para longe do mim. O sepulcro que escolhi está determinado, eis meu castigo por ser covarde. Casar com um homem pelo qual não sinto paixão, tampouco atração. Papai e mamãe estão irradiando orgulho, a imprensa está presente em massa. Irônico pensar que haverão registros desse casamento. Sei que estou enganando a mim mesma, não passa de farsa.

— Cuide bem da minha filha. — Papai dá um tapa nas costas de Lincon e só então volto a encarnar a noiva sorridente, fitando os olhos claros do meu noivo forçadamente. Nem havia percebido que o tapete vermelho ficou para trás e que chegamos ao altar. Lincon está elegante conforme manda a tradição, se não fosse pelo detalhe de ele não me despertar desejo, poderia aprender a amá-lo. Se meu coração não pertencesse a outro homem eu faria uma tentativa.

— Hey amor, o padre pediu para nos ajoelharmos. — Sussurra Lincon no meu ouvido trazendo-me de volta a realidade. Nesse momento mamãe só corre em minha direção e captura das minhas mãos meu buquê de lírios brancos. Aquiesço, e analiso os rostos ansiosos dos familiares e amigos. Ajoelho-me resignada a acabar logo com essa penúria, e Lincon espelha meu gesto. O padre dá prosseguimento a cerimônia e as palavras do sacerdote voam pela minha mente sem agregar nenhum valor. Michael, é ele quem eu quero para me amar e respeitar a cada novo alvorecer. É ao lado daquele pintor sem berço que me vejo envelhecendo e Lincon não pode ocupar o lugar dele em meu coração, ele não pode preencher o vazio que sinto me corroer. Porque não é minha tábua de salvação e principalmente não é Michael Jackson.

— Loren e Lincon, o amor que os move...

— Não!!! — Obrigo meus joelhos a se erguerem e fico de pé interrompendo o padre. — Eu não posso, não consigo! — Grito permitindo que o choro me irrompa violentamente. 

Lincon se levanta subitamente e me sacode pelos ombros, totalmente estupefato com minha atitude. Burburinhos começam a se espalhar pela igreja assim como o fogo se alastra em folhas secas, tão devastador e impiedoso como um incêndio, o escândalo se dá.  Posso ouvir claramente mamãe lamuriar alguma coisa para meu pai.

— Loren o que você está fazendo? Meu amor, eu compreendo o nervosismo... Apenas deixe o padre prosseguir, confie em mim meu anjo. — Suplica em pânico segurando minhas mãos. — Por favor... — Murmura com os olhos lacrimejados.

 — Não posso sustentar essa mentira! Esse casamento é um completo engano, um erro que destruirá nossas vidas. Me perdoe. — Enxugo as lágrimas e abaixo a cabeça, desistindo da pior besteira que eu faria na vida, me casar sem haver sentimento envolvido. Ignorando os comentários e o olhar assombroso de Lincon emaranho a calda do vestido entre as mãos e corro pelo tapete vermelho. Eu imagino que jamais essas pessoas virão uma noiva em fuga novamente e decerto meus pais me deserdarão, e amaldiçoarão minha escolha. E definitivamente não me importo em perder a fortuna pela qual respirei nos últimos anos, para estar ao lado de Michael sou capaz de me adaptar a uma vida modesta, porque o essencial aos olhos não podemos ver. E para mim, o fundamental é me sentir amada. 

Desço as escadarias da catedral, onde pretendia me tornar uma senhora de família e deduzo que preciso de um carro, ou uma boa alma urgente para me ajudar a desaparecer desse lugar. As lágrimas se transformam em um profundo sorriso de alívio. Agora estou livre, posso lutar pelo homem que amo sem conflitos com a consciência.

— Loren mas como ousa me desobedecer?  Está jogando uma excelente partido no lixo! — Mamãe vocifera e no torpor da ira, cega de ambição desfere um tapa em meu rosto. Claro que isso arde, no entanto o que mais machuca é descobrir que sua própria mãe é a personificação do egoísmo em forma humana.

— Não vou me casar com Lincon para suprir sua ganância, a Sra. tem dinheiro o suficiente para viver como uma rainha. Amo outro homem e se ele tiver a compaixão de perdoar é com ele que subirei ao altar. — Rebato tocando minha face ardida.

— Então irá desperdiçar um cavalheiro como Lincon por um pobretão sem classe? — Pragueja.

— Exato, um pobre coitado que me faz sorrir ao sorrir. Um pintor que vende quadros em uma feira e tem o bastante para sua sobrevivência, o homem que quero para ser o pai dos meus filhos e me ofereceu o que eu necessito, sua alma. — Declaro orgulhosa de pela primeira vez em anos colocar a emoção a frente da razão.

— Se cometer essa insanidade e não retornar aquela igreja e pedir desculpas, esqueça que sou sua mãe e faça o mesmo com seu pai. — Sentencia severa como costuma ser quando usa suas chantagens emocionais.

— Pois eu prefiro deixar de ser a filha de vocês do que voltar lá e assinar meu atestado de infelicidade. Adeus mamãe, espero que um dia entenda que o valor das pessoas está no que elas tem por dentro. — Fito-a por longos minutos lamentando que tenha que ser assim e dou-lhe as costas, voltando a correr em busca de uma solução para sair daqui rapidamente. De repente meus olhos cruzam o silhueta de um conhecido.

— Evan, mas o que... — As palavras ficam presas na garganta, e paraliso ao encontrar o melhor amigo de Michael perto da igreja.

— Você não deveria estar casada agora?  — Franzi o cenho e analisa meu vestido amassado, ou melhor dizendo todo o meu estado deplorável. — O que significa isso? — Inquiri confuso, seu tom de voz soa sarcástico, claro, depois do mal que causei e Michael é natural que Evan nutra antipatia por mim.

— Fugindo após deixar meu noivo plantado no altar, porque continuo perdidamente apaixonada por seu melhor amigo. — Disparo desviando o foco da atenção para o céu.

— Sabe eu vim até aqui para ter a certeza que você é uma covarde. Loren. Michael se entregou a você e só ganhou seu desprezo em troca. Ele humilhou-se, tentou ceder, e mesmo assim você não quis largar as regalias do seu amado dinheiro. — Ralha cruzando os braços. — Eu não sei se acredito nesse seu discurso piegas, fez meu amigo sofrer e isso não dá para esquecer!  Mike te deu todas as chances de reconsiderar, é tarde demais para querer consertar seus erros. — Frisa irredutível.

— Por favor Evan me diga onde Michael está, eu faço o que quiser, apenas me leve até ele. — Ajoelho-me aos pés dele, justamente para provar que dessa vez não voltarei atrás e quero reconquistar o amor de Michael.

— Levante-se Loren. É inútil... não sei ao certo o endereço dele na Itália. — Ajuda-me a me equilibrar no chão ereta, embora o chão aparente se abrir debaixo de mim. Não pode ser. Tenho olhar nos olhos de Michael e abrir meu coração para ele e se eu não conseguir fazê-lo tudo foi em vão. Nossa história não passará de lembranças sepultadas com o inevitável sopro do tempo.


— Me ajude... Eu imploro Evan, eu não existo sem Michael. Posso viver sem o dinheiro, sem qualquer bem material, mas não sem ele. — Murmuro sentindo um nó de aflição enforcar meu pescoço. É o fim para mim, eu o perdi, me perdi e não faço ideia de como achar o caminho de volta para a casa, jamais serei a mesma Loren distante do meu outro eu. Michael Jackson.

Capítulo 20 - Michael -

Respirei profundamente o ar para dentro dos pulmões, feitei os vinhedos ao meu redor e sorri. Essa vista era absolutamente linda, e nesse momento meus dedos coçavam para que eu pegasse um pincel e imortalizasse aquela paisagem em uma tela. Entretanto me impedi de pensar em quadros e telas, já havia decidido meu destino. Apesar de meu pai dizer não ser contra minhas escolhas, eu sabia que o que ele realmente queria era que eu seguisse tocando os negócios da família, e se vim disposto a dar um giro em minha vida, precisava rever meu conceito de futuro também, estava na hora de pensar em minha família também. Afinal os quadros poderiam virar robe.

Senti um par de mãos envolverem minha cintura e um corpo pequeno e quente se recostar no meu. Ampliei meu sorriso, obrigando-me a sentir-me mais confortável na presença dela.

- Te procurei por todo lugar - Sussurrou, parando em minha frente. Equilibrou-se na ponta dos pés e me beijou. Circundei sua cintura fina, enquanto aprofundávamos o beijo.

- Estava dando uma volta. Sabe que gosto de respirar o ar puro daqui do vinhedo.

- Sempre teve essa mania - Ela olhou ao redor - Não veio cavalgando?

- Não.

- Acho melhor entrarmos. Sua mãe disse que a mesa pro almoço está pronta.

- Vá na frente, já estou indo - Leila assentiu, caminhando em direção na casa.

Observei-a enquanto ela sumia por entre os vinhedos. Leila é uma mulher linda, sem dúvida alguma, é doce, paciente, e diz ter por mim um amor de infância, essa é a mulher certa para mim, a mulher com quem devo me casar, e com um tempo aprenderei a amá-la.

Essa foi mais numa das decisões que tomei durante minha estadia na Itália. Leilane eu tivemos uma longa conversa a alguns dias atrás, fomos sinceros um com o outro, e agora sem a pressão de nossas famílias decidimos que retomaríamos nosso relacionamento. Na verdade eu pedi a ela para me dar uma nova chance, e também para me ajudar a esquecer alguém que ficou em meu passado.

Sim, decidi deixar Loren definitivamente em meu passado. A essa altura ela deve estar casada, e se lembra de mim, deve apressar-se para se esquecer, gastando os milhões de seu noivo. Evitei ver jornais e revistas durante esses dias, e inclusive proibi Evan de me atualizar sobre o que quer que fosse de Londres. Eu deixei aquela cidade, e tudo que dela faz parte, em meu passado.

Foi extremo o que fiz, sim, com certeza foi, mas era preciso. Eu não conseguiria recomeçar lá. Eu tinha que voltar para a Itália, largar os quadros, trabalhar de verdade, já que Loren me ensinou muito bem que essa filosofia de vida que sempre carreguei, de que é possível abdicar de muitas coisas materiais, não procede. No fim o que vale para as pessoas é sua conta bancária.

Infelizmente ainda não consegui me acostumar com nada disso. Luxo, trabalhar na empresa, ter voltado com Leila, tudo isso ainda me deixa desconfortável, como se eu tivesse voltando para uma pele antiga, pele essa a qual nunca pertenci, mas tem coisas na vida que são necessárias, e essa é uma delas. 

Parece bobo, até para mim mesmo, que eu tenha fugido tanto de tudo isso, e que tenha voltado justamente para cá... Enfim, é hora de ser mais maduro, e saber que minhas atitudes influem na vida de outras pessoas. Feliz plenamente provavelmente nunca mais serei, mas posso me acostumar.

(...)

Analisei pela décima vez um contrato que deveria estar corrigido e assinado, mas eu simplesmente não conseguia me concentrar. As lembranças hora resolveram vir me angustiar, a saudade estava formando um bolo em minha garganta desde o momento em que acordei.

Me ergui da luxuosa cadeira de couro negro, caminhei até a janela, observando os transeuntes lá embaixo. Afrouxei o nó da gravata enquanto me pus a pensar no quão claustrofóbico eu me sentia aqui dentro. De certa forma isso me aterroriza, já decidi que meu lugar agora é aqui, mas não consigo me acostumar com a ideia. 

Não me arrependo da escolha que fiz, até por que está de volta ao meu convívio familiar tem me feito muito bem, entretanto preferia mil vezes abdicar desse luxo toda e ir para uma casinha simples, pintar meus quadros, e viver uma vida pacata com a mulher que eu amo... Mera ilusão, nesse momento, Loren deve estar nos braços de seu marido, em uma lua de mel caríssima. Afinal ela escolheu o dinheiro à mim. Eu não deveria nem me lembrar dela, e caso lembrasse, que fosse com ódio, por que minhas boas lembranças e meu amor aquela mulher não merece.

Cansado de divagar, peguei minha pasta e sai da sala.

- Genna, estou encerrando por hoje, peça para alguém ler o contrato que estava analisando, sim?

- Claro, senhor Jackson – Ela sorriu afavelmente.

Respirar fora daquelas paredes já me deixava brevemente melhor. Rumei sem presa para casa, não estava ansioso para me cercar novamente daquele luxo todo. Mal via a hora do final de semana chegar, rumarei para a fazenda, lá sim, em meio aos vinhedos, consigo ser mais eu mesmo.

- Boa tarde, senhor Michael – O mordomo cumprimentou, abrindo a porta com uma pompa, que me fazia querer rir dele – Há uma visita esperando pelo senhor.

- Mesmo? De quem se trata?

- Sua namorada. Ela está na sala de música, junto com a senhora Jackson.

- Certo. Obrigado, Fred – Fiz uma mensura e me afastei, indo em direção à sala de música.

Encontrei mamãe e Leila junto ao piano de cauda, não sei dizer quem dava dicas a quem, pois ambas eram pianistas maravilhosas, e sempre me encantou vê-las tocar.

- Mas que bela cena – Disse, chamando a atenção das duas.

Mamãe se levantou e veio me dar um beijo.

- Estava fazendo sala para sua namorada, não queria deixa-la sozinha, por isso aproveitei um tempo para pedir dicas a essa pianista maravilhosa – Sorri, fitando Leila.

Ela parecia ainda mais linda sorrindo de volta para mim, os cabelos negros contrastando com o piano branco a sua frente.

- Ela fica linda sentada ali – Comentei.

- Agora vou deixá-los sozinhos, tenho algo a fazer na cozinha. – Mamãe saiu, e aproveitei para trancar a porta.

Quando voltei a fitar Leila ela estava me encarando com um sorrisinho malicioso.

- Quando você tranca a porta é por que tem planos na cabeça – Disse, se erguendo da banqueta, e se recostando no piano.

- Ah, com certeza eu tenho – Me grudei em seu corpo, segurando sua cintura com firmeza – Sempre quis fazer amor bem aqui – Bati com a mão espalmada em cima do piano – E estava pensando se minha linda namorada não gostaria de me ajudar a realizar esse fetiche – Ela riu, contra meus lábios.

- Com toda certeza – Nosso lábios se colaram em um beijo intenso.

Não era a boca da Loren, não era o beijo dela, não surtia o mesmo efeito em mim, mas Leila estava me fazendo bem, e com um tempo Loren seria uma lembrança muito distante.


Loren

Em Londres

Aqueles breves segundos, em que Evan ficou calado, apenas me fitando, parece ter durado anos e anos. Odiava ter alguém me analisando, tinha mais raiva ainda se essa pessoa estava prestes a me julgar, entretanto nesse momento eu não estava muito em condições de exigências, afinal Evan era meu único jeito de chegar em Michael. E ademais esse cara que me fitava agora é um grande amigo de Michael, se me olha com maus olhos é por que quer proteger seu amigo, e tem certa razão em não confiar muito em mim.

- Olha Evan, eu sei que fiz um monte de merda, que por ambição fiz o Michael sofrer, mas eu me arrependi, e a tempo! - Apressei-me em dizer - Eu amo aquele homem com todo meu coração, e deixei tudo para trás para ir ao encontro dele, por que descobri que não é o dinheiro que me completa, mas sim o amor dele. Entendo caso não queira a me ajudar, mas isso não significa que desistirei. Irei para a Itália de qualquer forma, e vou encontrar aquele pintor que eu e amo.

- Pois bem - Evan assentiu - Ainda bem que sabe que fez um monte de merda, assim economiza minhas palavras. Ainda não confio cem por cento em você, mas posso ver que ama mesmo meu amigo, e aquele bocó é louco por você. Se vou te ajudar não é por você, e sim por ele. Agora vamos, por que pelo burburinho, seus convidados já estão saindo igreja, e seu noivo deve estar querendo matá-la.

- Obrigado - Sorri, enxugando as lágrimas teimosas.

Entrei no carro que Evan me apontou e logo saímos dali. Pela janela ainda tive um vislumbre das confusão que se tornara a frente da igreja, mas não quis me detr muito. Não havia arrependimentos pelo que fiz, mas também não estava feliz por ter deixado tantas pessoas machucadas.

- Estou com uma passam comprada para a Itália, meu vôo sai amanhã - Evan disse, assim que pegamos a estrada. - Estou indo passar uma temporada por lá, a convite de Michael.
- Podemos comprar a minha ainda hoje pela internet. Só precisei comprar algumas roupas e uma mala, pois sai com a roupa do corpo, e não posso ir em casa buscar nada.

- Claro, lá em casa tem uma roupa de uma ex namorada, você veste e vamos até o shopping, depois que comprarmos a passagem. - Sorri, aquiescendo.

A casa onde Evan morava ficava na mesma rua da casa de Michael, da casa onde vivi os mais felizes dias das minha vida. Era uma casinha simples, mas muito confortável.

- Não repara na bagunça - Disse assim que entramos. O lugar não estava tão organizado quanto a casa de Michael, mas estava bem organizado. - Vou buscar o notebook, e as roupas que te falei.

Um longo suspiro me escapou, enquanto eu olhava ao redor. Minha vida havia definitivamente mudado, e essa realidade começava a me deixar ansiosa. Quando estivesse nos braços de Michael tudo seria diferente.

- Aqui está uma toalha e as roupas, o banheiro é a segunda a porta do corredor. Vou procurar a passagem aqui na internet.

- Certo. Me empresta uma caneta, para que eu anote o número do meu cartão? - Evan saiu para buscar a caneta, tão logo ele trouxe, anotei nos números e me encaminhei para o banheiro.

Assim que sai, de banho tomado, e me sentindo mais leve, Evan me aborodu com uma má notícia.

- Seu cartão não passou, comprei a passagem com o meu - Bufei.

- Bem, meus pais foram mais rápidos que pensei, já devem ter bloqueado minhas contas também. Como farei agora? - Me indaguei.

- Não se preocupe, vou te ajudar no que precisar - Evan disse apaziguador.

O nó na minha garganta só se acentuou. Aquele homem que mal conheço, com quem nunca fui cortes quando trabalhou para mim, era o único que estava me estendendo a mão agora.

- Muito obrigada, Evan - Dei um aperto em seu ombro - Vou pagar tudo assim que puder.

- Não se preocupe, faça o meu a amigo feliz e estaremos quites - Sorri, assentindo. - Mas vou logo dizendo que não tenho grana pra te compra ar roupa de grife, nem se eu vender essa casa consigo comprar três vestidos para você - Ri, meneando a cabeça.

- Não se preocupe, uma calça jeans e camiseta, estará ótimo para mim. - Foi a vez dele rir.

- E quanto aos seus documentos? 

- Eu havia os prendido na minha cinta liga, por baixo do vestido - Dei de ombros.

- Garota esperta - Rimos.

(...)

No dia seguinte estávamos em solo italiano, para ser mais precisa em Florença. O lugar era espetacular, tenho de admitir, e nas minhas muitas viagens, não havia visitado essa cidade maravilhosa.

Até gostaria de ter me prendido mais nos detalhes, mas estava ansiosa demais para ficar observando uma coisa ou outra. Minhas mãos se retorciam enquanto Evan dizia ao taxista a rota da empresa 'Jackson'.

Tentei arrancar dele porque nós iriamos a uma empresa com o sobrenome do Michael, mas ele foi misterioso quanto a tudo que envolvia ele. Disse que eu teria que ver e conversar com o Michael.

Evan agora era meu mais novo amigo de infância, e aquela desconfiança que nos rondava ficou para trás nas longas horas de voo quem passamos papeando. Ele era um cara incrível, agora entendia por que Michael é tão próximo dele.

- Chegamos - Anunciou, assim que paramos em frente a um luxuossisimo prédio. 

Fiquei feliz por Michael ter arrumado emprego numa empresa evidentemente promissora, só não conseguia entender o que ele poderia fazer ali. Pelo que pude notar tratava-se de uma empresa voltada a exportação de vinhos e derivados de uva.

Evan colocou nossas pequenas malas no chão, pagou ao taxista e nós entramos no prédio.
O lugar era ainda mais bonito e luxuoso por dentro. A opulência estava em cada destalhe, desde o chão ao teto.

- Que lugar lindo, Evan - Comentei, olhando ao redor.

Pela primeira vez na vida me senti deslocada. Estava pada no meio de uma a empresa luxuosa, vestindo uma calça jeans, uma camiseta escrito 'coca-cola' e o cabelo preso em um rabo de cavalo, em nada lembrava a mulher que deixei em Londres, e o intuito é justamente esse.

- Vai ficar boba quando ver o dono disso aqui - Franzi o cenho, sem entender sua colocação.

- Mas por...

- Caralho, ferrou tudo - Os olhos de Evan se arregalaram, e diante de tanta surpresa, fui impelida a olhar para onde ele estava olhando.


Se já estava confusa, meu cérebro deu um nó diante do que vi. Michael vinha saindo de um elevador, vestido em um terno Armani, segurando a cintura de uma morena lindíssima, sorrindo para ela. A mulher se pôs na ponta dos pés e o beijou, ele sorriu para ela assim que o beijo cessou, e eu senti, naquele momento, meu coração espedaçar-se por completo.



Capítulo 21 – Loren –

Pisco meus olhos bruscamente, ainda absorta no baque de presenciar Michael, o meu pintor carrasco tocando calorosamente, sorrindo para outra mulher. Evan também parece tão surpreso como eu com a cena de cinema que estamos presenciando. Aonde foi que nos perdemos no caminho? Talvez eu tenha pedido demais. Michael me ofereceu seu amor e eu desprezei-o, minha covardia e apego ao dinheiro nos trouxeram até aqui. Ao ponto no qual eu perdi a única pessoa no mundo que realmente me importa. 

- Loren eu não sabia._Evan fita-me lamentando-se pelo ocorrido, denotando piedade, é isso que tornei-me uma mulher digna de pena. - Se Michael tivesse me contado pelo telefone que encontrou alguém teria lhe adiantado para não se decepcionar tanto._Repentinamente Michael vira a cabeça na nossa direção e sinto meu coração bater oco entre os pulmões. Certamente a voz do amigo alertou-o. 

A mulher, por sinal muito elegante e vestida em trajes suntuosos, seguindo os olhos do "acompanhante" também nos observa, obviamente sorrateiramente pois é uma lady, mas sinto que está confusa. Deus, como Michael está lindo, seus cabelos mais longos que da última vez que o vi acrescentam charme ao seu rosto afiliado, os lábios ainda inchados graças ao beijo apenas o deixam irremediavelmente belo. As saudades que queimaram meu coração nos últimos meses agora volta a se manifestar, estamos a metros de distância e mesmo assim a sensação terrível continua. Porque sim, persistimos longe. Separados além da fronteira entre dois países. 

- Evan, mas por que?_Michael mede as palavras já que provavelmente sua amada não faz ideia de quem é a maluca apática vestida de jeans surrado e uma camiseta velha que os encara diretamente. - Você disse que viria sozinho._Conclui seco, seus olhos cruzam os meus e perdem o brilho imediatamente. Ele tem o direito de me odiar, porém não estou disposta a desistir de lutar por seu perdão.

- Amor quem são estas pessoas?_A nova conquista dele agarra seus braços e me olha de cima a baixo. 

- Vou apresentar-lhe meu amigo la mia bella._Sorri graciosamente ignorando-me por completo, de fato de estar invisível para ele. - Venha._Estende a mão a mulher e logo após entrelaçaram as mãos caminham sorridentes até nós. 

- Esse é meu grande amigo, aquele que lhe falei que conheci em Londres e me apoiou quando morei lá. Evan, essa é minha namorada, Leila, ela não é linda?_Suspira apaixonadamente e eu abaixo a cabeça, sou mesmo uma estúpida, óbvio que eles estão se comportando como um casal de namorados porque estão juntos e estou sobrando aqui. 

Não que esperasse um recepção cálida de Michael, somente uma bomba explodiu sob mim. E ele soa cínico, quer me enlouquecer de ciúmes, esfregar sua felicidade na minha cara.

- Sim, com certeza é um homem de sorte. É uma honra conhecer a famosa Leila_Evan concorda atento ao meu desconforto em meio a situação.

- Igualmente Evan, Michael me falou muito positivamente ao seu respeito._Leila frisa amistosamente.

- Viu quem eu trouxe comigo, Michael?_ Evan insere-me na conversa e o sorriso largo de Michael se fecha subitamente. 

- Desculpe, não sei ao que se refere. Quem é essa mulher? Nunca a vi na vida Evan._Rebate pacificamente rasgando-me como uma promessa, seu cenho retraído demonstra que pretende me machucar e fingir que jamais fiz parte de sua história.

- Michael..._Evan solta uma risadinha desconte e resolve interferir. Odiaria que eles se atacassem por minha causa. Não sou a vítima injustiçada nisso tudo, errei e terei que responder por minhas escolhas equivocadas, já estou pagando um preço muito alto.

- Tudo bem, eu não quero incomodar. Sou Loren!_Saúdo desviando o olhar para o chão e ao voltar a fita-los noto mágoa expressa no mar negro de Michael.

- Prazer Loren._Leila cumprimenta gentilmente, embora não esteja compreendendo nada. 

- O prazer é meu._Respondo e me limito as apresentações. 

- Então vocês são namorados?_Leila tenta puxar assunto. Pobre Evan, enfrentando tamanho constrangimento. 

- Não! Somos amigos, vim com ele para reencontrar uma pessoa e resolver um mal entendido, mas não sei se ela irá me ouvir._Desabafo sem intenções de colocar lenha na fogueira, só pondo minha angústia para fora.

- É mesmo? Boa sorte! _Michael ironiza enlaçando a cintura de Leila. 

- Desejo que consigam se entender. Leve eu e Michael como exemplo, nos perdemos um do outro no passado e aqui estamos, recomeçando._Solidariza-se de meu desespero, jogando um balde de água fria em cima de mim sem saber. Antigos conhecidos, claro, devem ter se relacionado no passado e se romperam quando Michael mudou-se para Londres.

- Vai me levar para conhecer sua humilde casa e seus pais ou não Michael?_Evan indaga divertido e eu o agradeço ao pôr fim a esse clima insustentável.

- Está vendo Leila? Tenho um amigo muito dramático! Claro que o levarei até minha casa, fiz o convite e cumprirei com ele!_Michael garante irradiando a animação. Ele parece tão feliz sem mim, céus e isso corta feito uma navalha afiada dentro do peito.

- É melhor nos apressarmos il amore mio. Sabe que sua mãe se entristece quando todos não se unem para o jantar e seus amigos devem estar com fome, precisando de um banho._Aconselha o namorado usando de toda sua doçura. 

- Tem razão. O que você quiser bella raggaza!_Michael exclama e deposita um selinho na testa dela. -O motorista deve estar a nossa espera._Elucida despreocupadamente e eu não entendo de onde surgiu esse "motorista"? Será que é de Leila? Ela aparenta ser rica, basta breves minutos perto dela para captar que possui berço. 

- Certo, chega de papo mano._Evan decreta e passamos a seguir os passos de Michael e Leila que está atrelada a ele. Assim que chegamos ao opulento estacionamento avistamos uma belíssima limousine e um homem vestido de terno e gravata negros, que ajuda-nos a adentrar o veículo. 

- Pensei que morreria sem entrar em uma limousine. Valeu por realizar meu sonho de infância Michael!_Evan clama embascado com cada detalhe do carro. 

- Às vezes seu pai exagera amor... É no mínimo estranho usar uma limuosine para vir trabalhar, mas ele quer o melhor para você! _Prossigo sem entender do que Leila está falando. Desde quando o pai de Michael lhe cederia um carro destinado a milionários? Isso não faz sentido! 

- Ele tem essas manias, todavia fico fico contente em proporcionar a Evan esse momento._Michael sorri travesso e desliza as mãos pelas coxas da namorada discretamente. Ele está empenhado a me ferir, e terá êxito. Paira no ar a pergunta? O que mudou entre nós? Resta alguma esperança? Permita o destino que eu possa consertar todo o mal que acarretei a esse homem. Só me resta orar silenciosamente para que meus pecados tenham perdão, porque não existo sem Michael Jackson. Não sei se consigo reaprender a viver sem ele.

(...)

- Enfim doce lar_Michael murmura aliviado e o motorista saí da limousine para abrir a porta para nós. Lana e Michael descem primeiro e logo em seguida Evan e eu espelhamos o gesto deles. No instante que meus pés pisam no gramado verde micro os olhos ao redor de onde estamos constatando que é uma espécie de fazenda. A construção no alto de uma escadaria de marfim imensa me remete a castelos medievais épicos. É tanto luxo que me fascina e acanha na mesma proporção. Na frente da mansão um jardim planejado dá ao ambiente uma aura de sossego absoluto. 

- Prontos para conhecer minha "modesta casa"? _Michael questiona dessa vez me desafiando, seu semblante de triunfo me intriga. Definitivamente não é aqui que ele reside. Não é possível que... Deus não me castigaria dessa forma... É engano, pura mentira.

- E por que não estariam amore mio? _Leila estranha a atitude misteriosa do namorado.

- Foi apenas força do hábito, não quis intimida-los Leila._Esclarece mordendo os lábios.

- Sério que vive nesse palácio Michael?_Evan pergunta e eu sinto um terremoto se formar debaixo dos meus pés e o chão se abrir. 

Por que ele me ocultou que sua família tem posses? Tudo seria diferente se eu soubesse a verdade. Que tipo pessoa larga todo esse luxo para viver uma vida simples vendendo quadros? Michael para mim tinha um segredo, no entanto isso ultrapassa o limite da compreensão humana. Eu merecia saber, não importa se ele decidiu romper laços com seus pais ao mudar-se para Londres, acaba de passar de pobre coitado a um milionário. É tão difícil aceitar que ao lado dele poderia ter amor e usufruir de conforto material, que joguei no lixo minha felicidade. 

- É uma casa como qualquer outra, nada disso tem valor. Um dia se resumirá a pó._Relata me alfinetando indiretamente, meu estado de perturbação ainda está no pico. 

- Bem vindos a Itália._Leila nos felicita conduzindo Michael a escadaria. Ao vê-los subindo as escadas faço o mesmo, e Evan me fita de soslaio. Ele poderia ter tido a decência de me alertar sobre a situação financeira de Michael, seria útil para eu não me comportar feito uma garota assustada, deslumbrada pela opulência do estilo de vida dele.

(...)

Se eu me convenci na entrada da mansão dos Jackson que estou no antro da riqueza, isso agora é fato comprovado. A decoração do local é absurdamente sofisticada, lembra as pirâmides do Egito. Lustres de cristais, maçanetas em ouro cromado, vista privilegiada para a piscina em todas as suítes, uma adega abarrotada de vinhos caríssimos, o pai dele coleciona carros antigos e eu pude vislumbrar a "simplória" coleção... Contei vinte três. 

Jamais me mantivera abismada perante ao luxo como agora. Michael é uma incógnita para mim, absolutamente insano. Deixar todas essas mordomias para trás? Como ele conseguiu se adaptar a aquela vida medíocre tranquilamente? Morando nessas condições, sendo dono de uma empresa daquelas. Não há explicação para a escolha dele.

- Pensando no quão ama o dinheiro?_Michael me fez sobressaltar ao entrar no quarto de hóspedes que sua mãe cedeu a mim. -Como pode vir até aqui? Nem a dignidade de me deixar seguir em frente consegue ter? Porra Loren! Você vai pegar o próximo voo para Londres e sumir da minha vida!_Segura meus braços indelicadamente. 

- Eu sinto muito pelo transtorno, mas não vou embora da Itália sem convence-lo que te amo. Michael eu larguei tudo por você, inclusive a herança que tinha direito. Deixei Lincon arrasado e humilhado em cima daquele altar, e faria de novo para ter a chance de olhar dentro dos seus olhos. Ainda há tempo para nós, basta pôr um ponto final em seu relacionamento com Leila, contar sobre nós a sua família. _Oriento e ele desfaz o aperto no meu braço. 

- Se deu conta de que me amava no dia da cerimônia do seu casamento, diante de um padre?_Afunda as mãos nos cabelos visivelmente desorientando. -Eu te dei infinitas oportunidades de reconsiderar Loren, engoli meu orgulho, fiz o impensável por você e quando lhe pedi uma coisa virou-me as costas! Não acredita em uma única palavra que parta da sua boca, sua ambição continua firme e forte, se está aqui hoje implorando meu perdão é porque sou um capricho. -Acabo de falar com mamãe e ela me apoia a oficializar minha união com Leila. Ela será minha esposa, a mulher que escolhi para ser a mãe dos meus filhos e é melhor que aceite de uma vez que nada do que disser mudará minha decisão.

- Não, meu amor. Tem que haver algo que eu posso fazer. Veja como estou vestida feito uma mendiga, você me mostrou que dinheiro é inútil se não estiver nos seus braços._Toco o rosto dele e ele remove meus dedos  abruptamente do seu queixo. Seu olhar cintila rancor.

- Não Loren, entre mim e seus milhões preferiu se sujeitar as exigências abusivas de seus pais! Não há volta, é tarde demais para nós._Reforça sua rejeição a uma novo recomeço para nosso amor.

- E suas farsa também é algo admirável? Olhe no espelho antes de me apedrejar Michael. Olhe ao seu redor. Nasceu em berço de ouro, é o único herdeiro de uma das famílias mais poderosas da Itália! E simplesmente omitiu esse detalhe de mim. Foi criado em uma mansão, cercado de empregados e luxos, mesmo assim me julga._Ralho áspera. 

- Eu ocultei de você meu passado, porque não tinha pretensões de retornar a prisão que essa vida representava para mim. Todo esse dinheiro nunca fez de mim um homem completo Loren. E se está usando esse argumento para que eu caía em sua armadilha, desista! Por que gostaria de ser informada sobre minha conta bancária?_Inquiri acusatório, sinto que tem alguma desconfiança de minha volta.

- Tudo seria tão diferente se tivesse sido honesto desde o início. Pertencemos ao mesmo mundo, e isso facilitaria as nossas divergências. Não percebe que foi você com suas mentiras que destruiu os sonhos que construímos?_Aperto os lábios nervosamente contra os dentes e me locomovo até o hall particular do quarto aonde tenho a vista de toda a propriedade, até do luxuosíssimo aras. Respiro o ar gelado da noite e o perfume inebriante de Michael invade meu nariz trazendo à tona recordações maravilhosas. Ele está perto de mim novamente e eu desejo loucamente atacar seus lábios. 

- Quer dizer que o verdadeiro culpado da nossa relação falida sou eu? Me diga Loren, por que viveríamos um conto de fadas se soubesse que possuo uma fortuna inestimável?_A rouquidão de sua voz me intimida.

- Porque eu não teria que abdicar de nada para ficarmos juntos. Poderia ser quem sou, sem necessidade de ser a esposa de um pintor morto de fome. Teria amor e..._Um peso na consciência por ter dito o que sinto no momento me assola. 

Eu resgatei do fundo do poço a Loren soberba e egoísta, que só se importa consigo mesma. A idiota que perdeu o homem que amava e está cometendo o mesmo erro pela segunda vez. O que fui dizer? 

- Dinheiro, claro. A vida não ensinou-lhe que tudo isso não passa de ilusão. É lixo, essas roupas que estou usando, joias, carros, a empresa, cada partícula de ouro da decoração dessa casa, isso um dia se converterá em ruínas. E quem sabe a solidão lhe ensine a lição. Aprecio sua franqueza, finalmente reconheço em você a Loren que conheci. O reflexo da ganância e do lado feio do ser humano!_Rola seus olhos pelo céu lindamente estrelado, e ri agudamente. - Sinto nojo de você, portanto não me darei ao trabalho de dar andamento a essa discussão. As cartas foram colocadas na mesa, e nada mudou. Para mim sempre o fundamental é amor, para você, dinheiro._O ultimato dele me dói no fundo da alma. 

Seu desprezo me maltrata demasiadamente, e para completar Michael saí estupefato da suíte, sem me dar seu perdão ou satisfação. Sepultando minhas esperanças de recuperar seu afeto e o mais doloroso, me arrancando de sua vida, dos seus planos para o futuro. E a menina que um dia foi pedra, tornou-se flor.



Capítulo 22 - Loren -

Não me restava muito a fazer, minha primeira conversa com Michael não foi como eu imaginei, ao invés de conversarmos da forma mais civilizada possível, acabamos por nos acusarmos e nos distanciamos ainda mais. Agora já não é mais quilômetros que nos afastam, mas sim muito mágoa e acusações. Talvez nosso amor não tenha mesmo mais a mínima chance, mas não volume permitir amarguras e raiva, muito menos arrependimento. Eu escolhi meu destino no momento em que fugi quela igreja, e o aceito com tudo que ele vier a me trazer. E decidi meu futuro com Michael no dia em que deixei de escolhê-lo, para dar valor ao dinheiro.

Observei mais uma vez a vista dos maravilhosos vinhedos pela janela. Aquele lugar era perfeito, e essa nova Loren que me propus a ser, amaria passar o resto dos seus dias aqui, entretanto, pela forma como tudo tem caminhado, logo terei de partir. 

Eu não queria ir, desistir desse amor parece demais para que eu aguente. Eu faria qualquer coisa para continuar aqui, e simplesmente me manter por perto de Michael, mesmo que seja para vê-lo sendo feliz com outra.

Lágrimas molharam meu rosto, deixando os vinhedos bordados e desfocados, tal qual minha vida nesse instante.

- Loren? - A voz de Evan me tirou do torpor. Enxuguei as lágrimas antes de me virar, para que ele não notasse que eu estava chorando.


- Por que fez isso comigo, Evan? - Inquiri.

- Não era para ter acontecido essa merda toda - Ele bufou, meneando a cabeça - Eu não sabia sobre a volta com a ex noiva, ele disse ainda a pouco que gostaria de fazer uma surpresa, por isso não disse. Só não contei sobre a condição financeira dele por que queria te surpreender, e principalmente te testar.

- Testar? - Encrespei o cenho.

- Se te contasse sobre a fortuna nunca saberia se havia vindo mesmo por amor ou pela grana. Mas acredite, Loren, meu intuiuto nunca foi torturá-la.

- Não se preocupe, Evan, você me ajudou muito. Ademais, eu venho colhendo o que plantei.

- Não concordo com o que o Michael fez. A postura dele foi ridícula - Dei de ombros, tentando fazer parecer com que eu não me importasse.

- Quando iremos embora? - Fiz a pergunta em um tom baixo, afinal nem queria fazê-la.

- Vim passar duas semanas, é o tempo que tem para convencê-lo.

- Vou tentar - Sorri tristemente.

Batidas na porta nos interromperam.

- Sim? - Evan disse.

- A senhora Jackson mandou dizer que servirá o jantar em 20 minutos, e quer muito vocês à mesa.

- Nós iremos, obrigado - Evan agradeceu a empregada, que saiu apressada porta afora.

- Será que é uma boa? - Perguntei receosa.

- Claro que sim, se anime garota.

- Vou tomar um banho e já volto, me espere aqui para descermos juntos - Evan assentiu, jogando-se na cadeira a frente dele.

Menos de 10 minutos depois saí do banheiro, vestida em uma das calças jeans e uma camisa de mangas longas, o cabelo preso num rabo-de-cavalo e um pouco de gloss nos lábios.

- Vamos? - Evan aquiesceu.

(...)

Desci ladeada por Evan, e apesar dele me passar segurança, ainda assim me sentia indo para a forca. Não prestei muita atenção nos detalhes da mansão pelos corredores que passei, estava nervosa demais para isso, mas nem precisaria prestar atenção para saber que a opulência imperava por ali.

Assim que chegamos à mesa de jantar, todos os Jackson se levantaram, Michael o fez por educação, mas não soube disfarçar o desagrado são me ver.

- Já que meu amigo demorou, eu mesmo faço as honras - Evan se adiantou - Sou Evan, melhor amigo desse cara aí, é um prazer - Ele cumprimentou os pais de Michael, que foram muito simpáticos.

- E quem é essa linda jovem? - A mãe de Michael inquiriu, se aproximando.

- Também sou uma amiga de Michael, me chamo Loren, prazer - Recebi um aperto de mão do senhor simpático e bem apessoado, que se apresentou como Leon, e um abraço carinhoso da senhora muito bonita e doce, que se apresentou como Kathe. 

Leila foi simpática, sorrindo e puxando conversa, enquanto nos sentávamos. O jantar começou a ser servido, e logo a conversa começou a fluir. Evan, Michael e Leon se entrosaramem uma conversa sobre a Itália e suas belezas, enquanto Leila, Kathe e eu conversávamos amenidades, elas queriam saber mais sobre mim, e fui o mais sincera que a situação permitia. Disse de onde a, minha idade, o que fazia em Londres, e que me afastei dos meus pais por algumas divergências, desabafei com elas sobre minha proposta de mudança radical de vida, e elas acrescentaram muito me aconselhando. Pensei que seria extremamente difícil manter um diálogo com Leila, já que ela estava atualmente em um lugar que eu queria estar, mas mesmo que eu quisesse r raiva delas, eu não conseguiria. Além de não ter culpa alguma pelos acontecimentos, ela era uma mulher incrível, não via julgamento em seus olhos, não via falsidade em seu sorriso, e isso era uma droga. Como lutaria contra alguém como ela?

-... Realmente, pai, o que dá dinheiro hoje é só o que importa para as pessoas. - Um fragmento de conversa chamou nossa atenção. Todos olharam para Michael.

- Nem para todos, querido - Leila apressou-se - Você é a prova disso, acabou abandonando todo esse luxo pra viver uma vida simples. É admirável, confesso. - Ele sorriu para a mulher e se inclinou para lhe da ar um selinho.

- Você me vê com os melhores olhos - Ele me lançou um olhar de desprezo - Mas digo por experiência própria, as pessoas são podres, enxergam mais contas bancárias do que o coração das outras.

Engoli em seco, sentindo meus olhos arderem.

- Se me derem licença - Me ergui - Gostaria de me recolher, estou com um pouco de dor de cabeça.

- É uma pena, Loren, estava sendo muito satisfatória nossa conversa - Kathe disse sorridente. Venha tomar café comigo amanhã no jardim, os homens da casa fazem isso cedo para não se atrasarem - Ela deu de ombros.

- É uma pena não poder aompanhá-las, irei para casa e só volto a noite.

- Não vai dormir comigo, querida? - Michael perguntou em tom de decepção - Estava contando com isso - Seu tom de malícia me deu náusea.

- Claro, Kathe, será um prazer. Boa noite a todos - Não fiquei ali para ver o desenrolar da cena do casal, estava demais para mim. Simplesmente subi, aos prantos, e me permiti chorar até dormir de cansaço.

(...)


Michael

Doeu cada palavra dita com acidez, cada olhar de desprezo, cada acusação e injúria, ainda assim não me arrependo de nada que fiz desde que Loren apareceu em meu campo de visão. Sim, eu tive vontade de correr para os braços dela, de beijá-la, entretanto as coisas não funcionavam assim, Loren fez sua escolha, e apesar de amá-la com cada pequena célula do meu corpo, eu não posso perdoá-la. Fazendo isso eu magoaria Leila, uma mulher incrível, e trocaria a certeza de uma vida cheia de amor, pela dúvida ambiciosa que se chama Loren. Ainda que não ame Leila, e nunca vá amá-la, eu a admiro e sinto muito carinho por ela. Estava decidido, e nada, absolutamente nada que Loren fizesse me faria mudar.

Pouco me importava que ela havia abandonado tudo. O que me garante que ela não fez isso por que descobriu minha riqueza? Não posso confiar. Se ela me amasse, como sempre enfatizou, teria largado tudo na primeira oportunidade e hoje estaríamos felizes.

Observei a vista espetacular a minha frente e virei mais um gole do uísque.

- Posso entrar? - A voz suave e doce de mamãe invadiu a sala, junto com ela.

- Claro, mãe.

Ela se sentou no sofá, e me convidou para sentar-me ao seu lado, eu assim o fiz.

- Tenho te notado tão triste, angustiado até - Ela alisou meus cabelos - Filho, se for a empresa...

- Não é, mãe - Interrompi-a - Eu me apaixonei - Disse, e um risinho amargo me escapou.

- Hum, desconfiava que fosse mesmo algo mais complexo. A moça ficou em Londres?

- Sim, ela ficou - Menti - Ela era uma mulher muito rica, e eu apenas um pintor, ela não quis abandonar a vida de luxo e dinheiro para ficar comigo. Mas ainda assim a amo, apesar dentre certeza que jamais voltaremos a viver esse amor.

- Isso deve ter te atingido muito, não é filho, logo você que sempre abominou essa adoração pelo material?

- Por isso não consigo perdoá-la, e esses dois sentimentos, mágoa e amor, ficam me consumindo.

- Você tem certeza quando diz sobre a impossibilidade desse amor acontecer? 

- Tenho certeza, mãe. Ela estragou tudo, sem forma de reparo - Mamãe me ou ou para um abraço, e depositou um beijo em minha bochecha.

- O tempo é detentor de tudo filho, e só ele dirá se foi realmente o fim, ou se Deus está guardando um recomeço para vocês, da forma mais improvável possível. Para de tentar lutar e deixe que aconteça o que está no seu coração - Ela se levantou - Agora vou dormir. Ah, e só para que saiba, adorei seus amigos, principalmente a Loren, ela é uma garota incrível - Assento, incapaz de fazer qualquer outra coisa.

Tomei mais um gole do uísque, ajudando ao nó que formou-se em minha garganta, a se dissipar.

(...)

Estava me encaminhando para a garagem, precisava chegar a empresa, já que estava muito atrasado, e ainda a por cima com dor de cabeça, mal humorado e uma ressaca feroz. Costumava sair cedo, mais por obra do desse destino doentio acabei dormindo demais e passando pelo jardim no exato momento em que mamãe e Loren estava tomando café. Fiquei extremamente curioso para saber o porquê de tantas risadas, por isso me aproximei sorrateiramente.

Observei então que Evan também estava com elas, conversavam animadamente, e Loren, com toda sua inteligência conquistava a atenção dos dois, que a observavam com sorriso nos rostos. Não pude ficar imune a sua beleza, ela era simplesmente perfeita, uma musa, ainda que não tivesse com suas roupas caras, ou com maquiagem, ainda assim ela é a coisa mais linda em que pus meus olhos, e observá-la assim tão perto, e ao mesmo tempo tão longe, fazia meu coração martelar no peito de uma forma dolorosa.

Eu a queria por perto, gostava de ter Loren ao alcance das mãos, mesmo que fosse torturante, entretanto ela precisava ir embora, sua presença estava me desgastando, me consumindo, quebrando minhas defesas, e elas não tem o direito de fazer isso comigo. Dei a ela todas as chances possíveis e ela as jogou fora, eu avisei que não teria volta, no entanto ela voltou para me deixar angustiado. Precisava convencê-la a ir embora,conversaria com ela e exigiria isso. Mas enquanto ela não for, a farei sofrer, espero que ela sinta ao menos um por cento da dor que me causou.

Me aproximei, e logo recebi o olhar de todos na mesa. Loren me fitou com ansiedade, medo até.

- Filho, vai tomar café com a gente? - Meneei a cabeça - Pensei que estivesse na empresa.

- Deveria estar, mas um problema enorme me infernizou toda a noite, e fui incapaz de dormir. - Mamãe franziu o cenho, Evan me olhou de cara fechada e Loren desviou o olhar.

- Não há problema que não possa ser resolvido com muita paciência - Dona Kathe interveio.

- Pois é, mãe, espero que possa me livrar desse problema logo - Disse venenoso.

- Enfim, você dará um jeito, querido - Kathe desconversou com um dar de mãos - Loren, Evan e eu falávamos sobre a partida deles.

- Mas já, Evan? - Indaguei com deboche.

- Houve um problema no trabalho, tenho que voltar no próximo final de semana.

- Sinto muito por você. Acabamos nem aproveitando nada por aqui.

- Pois é, mas volto assim que der.

- Convidei a Loren para ficar mais uns dias - Mamãe disse, ganhando meu olhar de surpresa no mesmo instante.

- O que? - Quase gritei.

- Pois é - Mamãe disse sorridente - Me afeiçoei muito a ela, em muito pouco tempo. Tenho poucas amizades aqui em Florença, por isso a convidei, e ela, felizmente, me deu a honra de conhecê-la uns dias mais.

- A honra é minha, Kathe - Loren respondeu em meio a um ínfimo sorriso.

Minha vontade era de pegá-la pelo braço e enfiá-la no primeiro avião. Lhe lancei um olhar mortal, dizendo nele tudo que não pude exteriorizar em palavras.

- Mas fui bem clara - Explicou-se - Só ficarei se me derem um emprego temporário nos vinhedos, não quero ficar como convidada.

- Veja bem, Michael, essa moça trabalhou administrando uma empresa, como a colocarei nos vinhedos - Mamãe sorriu, se dirigindo a Loren - Seu lugar é na empresa.

- Não quero mais lidar com números, Kathe, quero mudar radicalmente, e lidar com natureza vai ser bom pra me dar um choque de realidade.

- Se é assim que quer - Kathe deu de ombros.

- Vou para a empresa - Foi o que disse apenas, antes de sair quase correndo dali.

Como assim ela ficaria, e ainda por cima trabalhando nos vinhedos? O que a Loren queria afinal, me enlouquecer? Me fazer acreditar em sua mudança repentina, acreditar nesse jogo de interesse? Ridícula! Ela não conseguiria isso. Não vou facilitar sua vida aqui.

(...)

Uma semana depois

Nenhuma das minhas investidas adiantou, Loren continua aqui, firme, forte, e cada vez mais infiltrada em minha vida indiretamente. Agora ela vive grudada em minha mãe, já a vi de conversa com Leila e até com meu pai, mais de uma vez, todos a adoram. Essa nova versão teatral de Loren se dá bem com todos, é simpática, esforçada, gentil, trabalhadora. Mal consigo acreditar que ela está se sujeitando a trabalhar na colheita de uvas apenas para me provar algo. Não acredito nele, nunca irei acreditar, não importa o que ela faça. Todos estão deslumbrados por ela por que não a conhecem verdadeiramente. Eu sim fui capaz de amá-la de verdade, com todos seus defeitos, ainda assim ela me colocou de lado.

Eu expulsei-a claramente, quando invadi a casinha de funcionários, onde ela está morando. Fui debochado, venenoso, cruel até, esfreguei minha relação com Leila na carta dela, com beijos, declarações, amassos, mas nada fez Loren vacilar, tudo que consegui dela foram olhares de pena e sorrisos dóceis. Nem medo ou receio ela tinha mais, estava em zona de conforto agora. Tudo que consegui com isso foi permanecer angustiado, e brigar com Evan.

Quase o obriguei a levar Loren consigo, gritei com ele, sem levar eem consideração suas palavras. Eu estou transtornado, e acabei deixando meu amigo de longa data ir embora da Itália muito irritado comigo.

Isso foi tudo que Loren conseguiu impondo sua presença aqui, mas se é guerra que ela quer, é justamente isso que não darei a ela. Vou fingir que Loren nem existe, e então  quando ela ver que em nada mais me afeta, irá embora.


Enchi o copo de uísque novamente e o virei em dois longos goles. Eu havia deixado Leila dormindo no quarto e vim para a varando encher a cara mais uma vez. Absolutamente desestabilizado, agindo infantilmente, e odiava que Loren ainda fosse capaz de me tirar do eixo.



Capítulo 23 - Michael -

Eu não devia ter me embebedado feito um covarde que busca na bebida um escape para seus problemas. Loren voltou para foder com tudo. Logo agora que finalmente estava reconstruindo minha vida ao lado de Leila, criando laços afetivos com papai. 

A vida parecia tão mais certa, e menos incerta. Toda a dor da desilusão que aquela mulher deixou cravada em mim se esvanecia lentamente, não vou dizer que em alguns momentos seu cheiro me vinha a mente. Seus lábios macios me lembravam das noites de amor que partilhamos na esperança de que o haveria um "nós", um "futuro". 

Loren jamais se mostrou mais decidida a encarnar a Madalena arrependida. Trabalhar na colheita de uvas. Porra, isso é uma estratégia para virar o jogo ao seu favor e fazer o babaca aqui cair em seus braços. Talvez, sim, obviamente eu iria perder o controle se não me manterse longe daquela morena estonteante. 

A  irrefutável verdade é que estou louco para ter uma recaída, e a bebida só aguça o desejo miserável que sinto por ela. Seus olhos tão melancólicos ainda reluzem a graça da esperança, podem ter perdido o brilho, mas mesmo assim conseguem iluminar o céu mais obscuro. 

Diabos! Eu me esqueci dela tempo o suficiente para me esquecer o porque precisava esquece-la. E não existe mais conserto, Loren fez sua escolha e não será sua suposta mudança que me fará rever meus conceitos ao seu respeito. Por trás daquela menina assustada e trabalhadora abriga uma mulher impiedosa, fútil e apegada ao dinheiro. 
As pessoas não mudam, apenas usam a máscara que lhes é conveniente. Loren Baker não se transformou em uma batalhadora humilde que colhe uvas para seu próprio sustento. É utópico crer nessa sandice, seria patético abandonar Leila que me oferece total segurança em nome de uma paixão desgovernada. Por causa da garota que entre fortuna e meu amor optou pelo poder aquisitivo.

- Eu preciso falar com ela... Olhar em seus olhos e despejar meu ódio em cima dela!
Detonar sua fé de que irá obter sucesso em me reconquistar._Decreto abandoando no carpete do quarto o litro de whisky escocês. Minha mais nova companhia. Para qual lugar Loren pode ter ido? Aonde ela se sente à vontade? Definitivamente, só há uma resposta para isso, ar puro. O jardim da mansão  devido a brisa suave do outono era meu lugar favorito na infância. Gostava de ver as folhas caindo e encaixando-se como peças de uma quebra cabeças e é para lá que vou imediatamente. Chegou a hora de convencer Loren a pôr fim a esse teatro e retornar as suas raízes burguesas em Londres.

(...)

Fito o céu estrelado e suspiro tão profundamente como se quisesse soprar toda a amargura que tenho guardado para longe do meu peito. Constato que estava certo quando cogitei que ela estaria aqui no jardim. Não é certo, mas tenho observado cada ínfimo movimento seu desde que chegou a essa fazenda, para infernizar minha pacata vida.
Parece que ela foi criada especialmente para isso, para balançar meu mundo sempre que ele estivesse devidamente pacato e monótono. 

Loren está paralisada diante a minha presença, eu não a intimido mais da mesma forma, na verdade eu enxergo tristeza em suas íris azuladas. Dor, sim, até mesmo arrependimento posso ver refletido em seu semblante abatido. Sua pele agora ressecada e os cabelos maltratados me comovem, os lábios entreabertos me cativam, convidam a tentação. 

Por que tão bela? De menina rica a gata borralheira, ela era uma contradição, uma protagonista de conto de fadas ao contrário, da Loren que um dia se sustentava em cima de saltos altos e usava roupas de grife não sobrou nada. Aqui, eu vislumbro uma garota real, sem maquiagem cara ou requinte. 

- Michael, que faz aqui? - Transformo minha expressão, antes abobalhada por sua presença, para a de raiva, que sempre dava lugar quando estava em sua presença.

Sentia tantas e tantas coisas por essa mulher prostrada em minha frente, e obviamente um desses sentimentos é a raiva. Maldigo o dia em que ela me deixou, em que preferiu o dinheiro a nosso amor. Poderíamos estar felizes hoje, e agora aqui estamos, nos evitando.

- Acredito que a propriedade seja minha, e que posso caminhar por onde quiser - Ela engoliu em seco, assentindo.

- Sinto muito estar te atrapalhando. Imagino que veio refrescar a cabeça e a última pessoa no planeta que queria se deparar sou eu. Sei também de sua abominação por minha permanência na Itália..._Impeço-a de prosseguir calando-a com o dedo polegar.

Tive vontade de gritar em sua cara o quão idiota ela é. Eu bem que queria abominá-la, mas não consigo ser forte o suficiente para controlar esse amor descabido. Mas se não mando em meu coração, camuflarei meus sentimentos até meu ultimo dia. Mesmo que eu sofra, morra por dentro, nunca deixarei que ela saiba.

- Dessa vez enganou-se, vim até o jardim com o propósito de lhe dizer tudo que ficou entalado na minha  garganta._Ela dá um passo a frente e abaixa a cabeça negando-se a me encarar diretamente. Ergo seu queixo com a ponta dos dedos. Quero ser rude, cruel até, mas vela assim tão perto me desarma... Esses olhos, esse cheiro, essa boca.

Por um instante me esqueço de todo o mal que essa mulher provocou. Seus olhos enternecidos enfraquecem meu desejo de insulta-la em alto e bom som, e a missão a qual me propus. Puta que pariu! Adeus, eu já fui seduzido o suficiente para não ser capaz de recuar.

Ela me fitou profundamente, entrando em minha alma, em meu sistema.

- Eu só queria dizer que te amo Michael ou não teria abdicado da herança e largado tudo para trás em Londres para viver aqui. Nem tenho para onde ir, meus pais bloquearam meus cartões, então, sim preciso desse emprego e lhe suplico para que me deixe ficar._Novamente seus olhos estão inundados de lágrimas não derramadas e isso me atinge dolorosamente. 

Devo estar sendo terrivelmente cruel com ela, exagerei na dose de vingança. Chega a ser injusto maltrata-la depois de ter tentando mudar, Loren pode jamais voltar a conquistar minha confiança, mas começo a desenvolver uma ligeira admiração por ela. Pelo menos momentaneamente é assim que me sinto, provavelmente quando me afastar desse rosto angelical, dessas palavras dóceis, voltarei a sentir a amargura que ela plantou em mim.

- Loren..._Murmuro, incapaz de dizer algo mais.

Ela se aproxima o suficiente para que nossas respirações se misturem. Merda, estamos mais próximos do que deveríamos. Posso sentir as batidas do coração dela, seu hálito quente se misturando ao vento da noite amena. Sei que o que ela quer porque também anseio faze-la minha de novo como nos velhos tempos. Ardentes e vorazes por nos conectarmos embalamos os corpos em um beijo cheio de volúpia. 

Tomo sua boca em um beijo voraz, faminto. E então tudo se apagou, só existe esse momento, o agora, e nesse instante nada disso parece errado.

Encosto-a na parede de pedras, que ladeia o jardim, e sem perder o menor tempo ou me importar em ser delicado, me livro de minha calça e desabotoo o jeans surrado de Loren. Ela me ajuda a tirar a camisa e tira sua regata branca logo em seguida desabotoando o sutiã de renda preta, revelando-se a mim sem pudores. Meus olhos pairam sob o corpo perfeito dela e queimam em seus seios como brasa. Ela sorri, linda, exatamente como a vejo em meus sonhos. Não nos lembramos 
Demasiadamente bonita, de uma forma que enche meu coração de paz e me tortura na mesma proporção. Movido pelo desejo em possui-la ininterruptamente acabo de me despir e rasgo sua calcinha. Emaranho as mãos em seus cabelos escuros e Loren pende a cabeça para trás sorrindo, ansiosa por pelo que virá. 

Sorrindo largamente e exclusivamente para ela, dou início aos movimentos. Forte, rápido, incansável. Minha boca passei por seu rosto, seu pescoço, seus seios. Minha ânsia de gravar o gosto dessa pele é quase desesperador.

Loren entrelaça as pernas envolta de minha cintura, me convidando para fazê-la minha novamente. Sua boca também me devora. Há urgência em nossos beijos, em nossos movimentos. Nossos gemidos se mesclando ao suor, o desespero nos consumindo. Unidos pelo torpor traiçoeiro do prazer, sabemos que não suportaremos muito tempo. 

Arremeto ainda mais sedento para dentro dela e ouço seu grito de glória. Ela meaperta em torno de si, arranha minhas costas e desfalece nos espasmos de um orgasmo avassalador. Satisfeito em fazê-la gozar loucamente eu continuo estocando-a e enfim derramo-me para ela, alucinado. Os corpos vão esfriando e as lembranças ressurgindo das cinzas. 

Tudo que parecia tão certo a um instante atrás... Agora me sinto terrível por ter me deixado levar, por ter sido fraco... Ela sempre conseguiria isso de mim, afinal?

Empurro-a e me recordo que um dia implorei por seu amor e tudo que obtive foi desprezo. A bebida me subiu a cabeça, claro, nunca, jamais, eu deveria ter tocado em Loren. E Leila? Não, ela não merece minha infidelidade, ademais, já fiz aquela boa mulher sofrer humilhações o bastante no passado para agir feito um canalha desprovido de escrúpulos novamente. Eu não podia, porra! 

Loren se encosta na parede, cobrindo o corpo com os braços. Os olhos estão arregalados, ainda dilatados pelo prazer.

- Esqueça que isso aconteceu._Berro desorientado e me visto o mais rápido que consigo enquanto Loren ainda bamba se cobre com as mãos envergonhada.

- Como assim, Michael? Você me usou? É esse tipo de homem que se transformou?_Inquiri tomando uma atitude, pega suas roupas do chão e as veste depressa.

- Cometi um erro, além do mais não obriguei-a a absolutamente nada._Rebato tranquilamente.

- Um erro? Veio até aqui, fez amor comigo e não admite que significo algo em sua vida?_Satiriza indignada com minha indiferença. 

Ela avança em mim, socando meu peito, furiosa. Seguro seus punhos e a fito cínico. Loren vai ter que me ouvir.

- Somos adultos para saber a diferença entre "fazer amor" e trepar. Você realmente já representou tudo para mim, mas não mais, Loren. Agora, fazemos sexo, e essa transa é a última recordação que terá de mim.

- Filho da puta! Como teve coragem de chegar nesse ponto em nome de me machucar?_Grita com a voz embargada. - Suas palavras não me atingem tanto quanto pensa Michael. Na verdade, eu nem o reconheço mais.

- Suas lágrimas também não me enganam mais Loren. Eu? Coragem de que "baby"? Ora, garotas que transam com qualquer um por dinheiro não são dignas de fazer cobranças, querida._Sorrio cinicamente, e Loren simplesmente desfere um tapa em meu rosto, caindo em um pranto copioso.

- Você se transformou em um monstro, eu te odeio.

- Você me transformou em um, e o sentimento é reciproco - Grito em resposta, observando-a correr na direção da mansão, deixando-me inerte em meus próprios pensamentos. 

Por que eu fiz essa besteira? E principalmente, por que ao feri-la não me senti minimamente melhor? 

(...)

Termino de ajeitar o nó da gravata e checo no relógio de pulso se já está na hora de descer para o jantar. Não um corriqueiro jantar, hoje oficializarei meu compromisso com Leila. Estou certo de que não há nada a se fazer além de aturar Loren, e eu não confio em mim perto dela. Resumo da obra, vou me casar e arrancar aquela feiticeira do coração, preciso disso. De uma esposa decente, que dedique-se a me fazer um homem feliz, e quem sabe uma penca de filhos serelepes correndo por essa fazenda e tomando a parte do meu tempo que o trabalho na empresa de papai não preenche, reduzindo meu mau humor a pó. 

É isso!_Constato sentindo uma angústia se apossar de minhas células nervosas. Eu irei me casar!

(...)

- Bem, o jantar hoje é especial._Interrompo a conversa de mamãe com Loren, que arregala os olhos em virtude da minha indelicadeza. Se não as cortasse continuariam. Loren ter se tornado amiga de mamãe me irrita sobremaneira.

- Ah, sim meu filho._Minha mãe consente enfim me honrando com sua atenção. Levanto da mesa de jantar e conduzo Leila a juntar-se a mim. 

- Finalmente._Papai comemora minha atitude enquanto Loren demonstra confusão.

- Leila, meu amor, durante todos esses meses você tem me encantado de todas as formas possíveis. Tem sido minha força, minha esperança, meu mundo e eu realmente não estou disposto a deixa-la escapar. Dessa vez sou eu que vou me ajoelhar e pedir para que seja a mãe dos meus filhos._Assim que meus joelhos se enterram no chão e tiro o anel do bolso da calça posso ter um vislumbre da palidez de Loren. 

- Vai mesmo me deixar louco de preocupação, Leila?_Brinco e as risadas de meus pais ressoam no ambiente.

- Claro que eu aceito meu amor._Leila responde calidamente e volto a me equilibrar com os dois pés no chão, selando nosso momento com um beijo caloroso.


Eu posso amá-la, disso tenho certeza. E serei feliz, já não acredito em contos de fadas, passei da fase de jovem sonhador e Leila é a escolha mais inteligente. Todo mundo ama e desama, a roda da vida tem que girar.



Capítulo 24 - Loren -

Um mês depois

Eu aprendi a conviver com muita coisa desde que decidi deixar minha vida em Londres para trás. Aprendi a viver com a simplicidade, a considerar as pessoas pelo que elas são e não pelo que elas tem, aprendi a dar importância a coisas corriqueiras, como um bom dia, um sorriso sincero, um agradecimento de coração, aprendi o valor de um trabalho braçal, e que muitas vezes pessoas desconhecidas lhe acolhem melhor que sua própria familia, descobri sentimentos bons e ruins, renasci. Entretanto, uma das coisas com a qual não consegui aprender a conviver foi com a presença de Michael.

Me doía toda maldita vez que o via transitando pela fazenda, altivo, lindo, e absolutamente indiferente a mim. Desde o dia em que transamos no jardim da mansão ele muito mal me dirigiu a palavra. Aquela, sem duvida, foi uma noite de despedida para nós.

Todos os dias quando abro meus olhos me pergunto o que ainda estou fazendo aqui. Evidentemente minhas chances com ele são nulas, e apesar de amá-lo cada dia mais, entendo que ele queira distância, e que tenha escolhido Leila para casar. Ela é uma boa mulher, e sei que fará ele muito feliz. Alguém nessa historia teria que terminar bem, e nada mais justo que essa pessoa fosse Michael. Ninguém entenderia se eu tentasse explicar, nem eu mesma me entendo, o porquê da minha permanência. Pode parecer pura auto-tortura, mas gosto de tê-lo por perto, me faz bem vê-lo feliz, mesmo que eu esteja morrendo por dentro. Eu fui uma vitima de minhas escolhas e sei que estou colhendo tudo que plantei. 

Acho, sem hipocrisia nenhuma, que Deus ainda foi muito bondoso comigo. Michael saiu da minha vida, mas aqui nesse lugar ganhei muitos amigos, muitos valores, muitos ensinamentos e a certeza de que hoje possuo um coração capaz de sentir um amor puro e sem egoismo.

Por isso prefiro permanecer aqui, rodeada de pessoas que gostam de mim, e, ainda que longe, perto de Michael.

Fitei a entrada da fazenda, uma fila de homens entrava, carregando coisas diversas, rosas, mesas, pratos, caixas... Estavam nos últimos preparativos  para a festa de casamento de Michael e Leila. O casório aconteceria na manhã seguinte.

Se estava doendo em mim ver aquilo? Profundamente!

Era como observar alguém se aproximar de mim e sem piedade alguma arrancar meu coração. Mas eu tinha de aguentar, ser forte e sorrir simpaticamente quando alguém me perguntava o que eu estava achando do casamento apressado.

Amanhã o homem que eu amo desesperadamente, o qual me fez feliz por meses, estaria definitivamente se tornando de outra. E eu teria que assistir aquilo, e o pior seria ver a rotina deles juntos, o retrato do que desejei sendo reproduzido por outra. Ainda assim eu não cogitava ir embora. Eu o amo demais para me afastar.

(....)

O dia estava com um sol ameno, a grama parecia mais verde, e as flores ainda mais belas, a decoração era luxuosa, mesclando o branco e o azul royal. Centenas de convidados transitavam pelo lugar, encantados com a beleza da fazenda e com a decoração maravilhosa. Parecia uma cena de filme, tudo perfeito. Foi essa a visão que tive ao vislumbrar a cerimonia do casamento pronta.

Pensei em sair correndo daquele lugar, sumir mundo a fora sozinha. Seria o certo a se fazer, por que nenhum amor no mundo explicaria eu permanecer aqui, enquanto era destroçada por dentro. Mas então Kathe veio até a casinha onde estou morando hoje cedo, e enquanto tomávamos chá, ela me fez desabafar sobre o que tanto me afligia. Contei toda a situação, claro, sem citar o nome de Michael, e recebi dela conselhos, e um pedido efusivo de que eu não fosse embora, que ali era meu lugar, e que ela me considerava da família.

Eu nunca me senti parte de família alguma como naquele momento, e aquela mulher doce e carinhosa estava me acolhendo na sua. Eu não queria vagar por aí sozinha afinal, já estive só por tempo demais. Por isso coloquei um vestido, que comprei em um bazar na cidadezinha mais próxima, engoli toda a frustração, disfarcei a tristeza com um sorriso e vim para o casamento.

- Loren, estava procurando por você, meu anjo - Kathe se aproximou sorridente - Veja só como está linda - A abracei longamente, buscando ali forças para enfrentar essa situação.

- São seus olhos, Kathe - Disse, mal disfarçando o tremor na voz.

- Ainda angustiada com a situação com seu amado? - Assento, ensaiando um sorriso.

- Mãe? - A voz firme me dez sob ressaltar.

Lá estava ele, parado a poucos passos de distância, absolutamente lindo vestindo um smooking negro, uma gravata azul, os cabelos presos. Seu cheiro entrou em minhas narinas, mexeu com meu sistema, me fazendo ofegar. Meu coração disparou no peito e tive vontade de me jogar em seus braços.

- Aproxime-se, filho - Ele o fez, sem desviar o olhar de mim por um instante sequer - Vim aqui chamar a Loren para ficar conosco na mesa - Sua expressão foi de desagrado, e sem querer causar discussões no dia do casamento dele, intervi.

- Agradeço o convite, Kathe, mas sou apenas uma empregada, não fica bem que me junte a vocês.

- Ela tem razão - Ele disse, lhe lançando um olhar frio.

- Mas que bobagem é essa agora? Venha comigo ou ficarei chateada, Loren - Kateh virou-se para o filho - E você, pare de agir feito um moleque arrogante, você não é assim. Agora vá para o altar esperar sua noiva, que logo estará vindo.

Contrariado, ele seguiu o mandado da mãe.

- Não quero que discutam por minha causa, Kathe - Me pronunciei, quando já estávamos a caminho do altar, que fora montado no fundo dos jardins.

- Não foi culpa sua, querida. O Michael tem estado mal humorado ultimamente. - Assenti - Acredito que ele não esteja feliz. Mas ele não tem me escutado, não posso fazer muito - Ela deu de ombros - Vou para me um lugar no altar, nos encontramos daqui a pouco?

- Claro - Assenti.

Quando Kathe se afastou, rumei para um cantinho escondido. O som da marcha nupcial me fez olhar para a minha frente, junto de todos os convidados. Leila caminhava lentamente rumo mão altar, com um vestido branco belíssimo, um buquê de rosas azuis na mãos, e de braços dados com um senhor, que provavelmente é seu pai, já que a beleza é a mesma.

Meus olhos voltaram para Michael, que fitava a mulher que vinha em sua direção. Ele deveria estar sorridente, mas não estava. Eu sei, sinto, que no fundo ele não queria estar ali. Sei que Michael ainda me ama, apesar de tudo, e que esse casamento é uma tentativa de enterrar de vez a nossa história, e provavelmente ele conseguirá.

Eles deram as mãos, e dali pude ver o sorriso no rosto de Leila. Ela viveria essa felicidade que estaria sendo minha, se eu não tivesse estragado tudo. Lágrimas quentes desceram por meu rosto enquanto eu os observava se ajoelharem, colocarem a aliança, se beijarem...

Toda a cerimônia passou em um borrão, como se eu não estivesse mesmo vivendo essa realidade, como se tudo não passa se de um pesadelo, mas infelizmente não era. O ar me faltou, quando um grito de dor ameaçou escapar por minha garganta. Tudo tinha chegado ao fim afinal.

Sem mais poder presenciar aquilo, dei as costas e sai correndo, mal enxergando o caminho, por conta das lágrimas que turvavam minha visão.

Eu não voltei para a festa, nem fui para casa, com medo que Kathe me mandasse chamar lá. Me enviei no meio do vinhedo, deitando meu corpo exausto na terra fria, e deixando que a dor da perda me fizesse companhia.

(...)

Um mês depois 

Já fazia um mês que o casal recém casado havia saído para a lua de mel. Naquele dia não voltei mais para a festa, alegando a Kathe um mal-estar. O que não era de todo uma mentira, já que me sentia muito mal realmente naquele dia.

Por isso não vi o casal comemorando o casamento, nem os vi saindo para a lua de mel, e oi muito melhor assim. Ouvi algumas das funcionárias comentarem que eles estavam em Paris, e que a lua de mel duraria um mês, por isso, provavelmente eles estariam por aqui a qualquer momento.

Era estranho que me sentisse tão ansiosa para revê-lo, estava louca de saudade, de que precisamente, não sei. Já que Michael mal me dirige a palavra, e quando o faz quase sempre é hostil e impessoal. Acredito que apesar desse mundo que hoje nos separa, ter sua presença já tem me bastado.

Passei a mão no rosto molhado de suor, ajeitando melhor em minha cintura a sexta onde jogava as uvas colhidas. A fazenda tinha porte para ter maquinas colhedoras, mas segundo Kathe, seu marido gostava do tradicionalismo, e tinha muito amor pelas uvas para deixar que máquinas a colhessem.

Todos ao meu redor estavam entretidos com seus afazeres, e com esse sol anormalmente quente, acredito que só queriam cumprir suas metas e dar o fora dali, mas eu não via essa enorme plantação assim. Se pudesse passaria todo o dia aqui, pelo menos posso estar em contato com a terra, com a natureza, mais uma das coisas que aprendi a amar.

Uma tontura me fez bambear, e tive que me apoiar em uma colega que ia passando, para não ir ao chão.

- Está se sentindo mal, Loren? – Virginia me encarou com preocupação.

- Estou bem, só mais uma tontura – Dei de ombros, me recompondo.

- Deveria procurar um médico, já faz quase um mês que está assim. Se a senhora Jackson sonhar que está doente e não foi ao médico, ela vai resmungar por um ano inteiro. – Dei um sorrisinho.

- Deve ser esse sol escaldante, mas vai passar – A expressão de Virginia se alterou.

- É, parece que o patrão gato voltou da lua de mel – Cochichou – Moça de sorte aquela Leila, não é? 

Virei-me rapidamente a tempo de vê-lo se aproximar do vinhedo. Estava me olhando fixamente. Com certeza achei-o ainda mais belo. Havia cortado os cabelos, a barba agora sombreava sua pele branca, e os olhos pareciam ainda mais negros e expressivos. 

Meus pés se moveram, como se tivessem vida própria, quase corri para seus braços, então a realidade me bateu e eu me lembrei que ele agora é um homem casado e que a nossa história teve fim. 

Meu coração batia feito um louco no peito, o ar me faltava, e se já estava tonta antes, agora sentia vontade de vomitar. Ele ainda me fitava intensamente, como se conseguisse sentir a mesma coisa que eu naquele instante, como se também estivesse se controlando muito para não me tomar nos braços e me beijar. Deus, como amo esse homem!

Então o momento foi quebrado, seu pai se aproximou e falou algo no ouvido dele. Leonard fitou o filho, e depois me encarou de cenho franzido. Os dois falaram algo por alguns segundos e logo depois saíram sem olhar para trás.

(...)

Não consegui terminar meu dia de trabalho, me sentia mal, tonta, enjoada, e com medo de encarar a verdade, que estava me alarmando a alguns dias. Minhas menstruação estava atrasada, não muito, mas estava. Michael e eu fizemos amor sem proteção... poderia ser mesmo verdade? E se eu estivesse certa, e a gravidez fosse comprovada? O que faria?

Eu tentei por todos esses dias negligenciar a vozinha que gritava em meu inconsciente. Simplesmente não saberia lidar com essa notícia, mas se essa criança existisse mesmo, essa seria a chance que Deus estaria dando para mim e Michael?

Não adiantava mais dizer para mim mesma que era só invenção da minha cabeça, eu precisava ter certeza.

Empurrei o prato de comida para longe e me levantei, fui até o quarto decidida, e sai de lá para o banheiro com o teste de farmácia que havia comprado há dois dias em mãos. Foram os 5 minutos mais longos da minha vida. Quando vi as duas lacunas do teste se pintarem, indicando positivo, quase fui ao chão.

- Grávida! – Murmurei incrédula, lágrimas molhando meu rosto.

Estava extremamente feliz com a notícia, de uma forma que não conseguia explicar. Um filho. Fruto do meu amor com Michael. Essa criança, que tenho certeza, foi mandada para nos unir novamente.

Sim, eu sei, ele está casado agora, mas um filho? Isso muda tudo. 

- Preciso contar, agora – Com as mãos trêmulas, guardei o teste na caixinha e sai de casa.

Uma chuva torrencial caia, foram preciso poucos segundos para que eu estivesse encharcada, mas não me preocupei. Eu estava grávida do Michael!

Sei que não era a melhor forma de contar, todos iriam achar que estou louca, quando entrasse na mansão dizendo estar grávida dele, mas dane-se, não estou pensando direito mesmo. Quero esse homem novamente na minha vida, e ninguém mais vai me impedir de gritar que o amo, e que vamos ter um filho juntos.

Entrei pela porta da cozinha, encontrando o lugar vazio, mas logo escutei as vozes vindo da sala de jantar, estavam todos lá. Com um sorriso no rosto, rumei para a sala, eles levariam um susto, perderiam o jantar, Leila provavelmente me odiaria, mas estava pensando em mim, nesse filho, eu precisava contar.

- Pois é mãe, pai, a Leila e eu iremos lhes dar um netinho – Estaquei ao ouvir a voz eufórica de Michael. Pela fresta da porta, que eu havia aberto, vi ele inclinando-se para beijar Leila. Leonard e Kathe se levantaram, abraçando a nora efusivamente.

O neto que eles queriam, o filho que o Michael queria não era esse que eu carregava, era o daquela mulher, que agora estava recebendo todas as felicitações e mimos que poderiam ser meus.


Uma torrente de lágrimas desceu por meu rosto, enquanto eu fechava a porta e saia da mansão.


Capítulo 25 – Michael -
                    
Eu deveria odiar Loren com todas minhas forças e amar minha esposa loucamente. Por mais que tente tornar esse desejo realidade, Loren permanece assombrando meus pensamentos. Não que Leila não tenha um espaço em meu coração, ela vem me conquistado cada dia mais com sua ternura e agora me concedeu uma dádiva, a de ser pai. Acontece que sou um fraco, luto contra mim mesmo sabendo que arrancar aquela mulher do peito é algo que nem em séculos conseguirei.  Inevitavelmente as lembranças vem a tona, às vezes através de sonhos ou raramente quando a reencontro, nos topamos. 

Loren nos últimos meses apenas trabalha na colheita de uvas, desistiu de se integrar a família e até de mamãe afastou-se. Talvez ela só permaneça na Itália porque realmente não há outro lugar aonde possa se refugiar além daqui. Levando em consideração a família da qual ela veio, é bem provável que seus pais tenham a linchado e deserdado após deixar o noivo no altar.  Aqueles desnaturados abandonaram a única filha porque ela não quis ser vítima da hierarquia que lhe impuseram. 

Em certos momentos de nostalgia, ao recordar da menina rica, porém de olhar opaco que encontrei casualmente em Londres chego a admira-la. Mesmo ornando a postura de uma patricinha fútil e vazia, sempre soube que Loren era um exemplo de força e determinação. Tais virtudes eu reconheço nela, claro, a forma como foi criada para não sentir, ou permitir que as emoções sobrepusessem os sentimentos a tornaram uma mulher dependente do materialismo. Decerto encontrou no luxo uma escapatória para a pressão que a submetiam impiedosamente. Todos antes de experimentar o verdadeiro sofrimento e solidão sustentamos uma parcela de arrogância. Somos cegados pela falsa ilusão que nada poderá nos derrubar, tampouco abater. Faz parte da natureza humana esse egoísmo, queremos estar no topo da montanha, mas é a escalando que nos tornamos seres humanos melhores. 

Loren mudou, agora, a ferida já cicatrizada, enxergo que sua mudança é fato. Ela trilhou um caminho de dor exaustiva até perceber o valor do amor, embora eu tenha a rejeitado, considero seu empenho em mudar drasticamente suas concepções errôneas sobre o dinheiro. Prezo por pessoas corajosas, dispostas a assumir o arrependimento e arcar com as consequências de seus erros. Pena que o destino seguiu seu curso e Loren abriu os olhos tarde demais. Perdoa-la, isso, acho que em breve serei capaz, pretendo selar um acordo de paz. Serei papai dentre alguns meses e cansei de julgar, estou farto de corroer ressentimentos que acarretaram somente amargura. Preciso me libertar dos fantasmas do passado, é um novo ciclo da minha vida e se me prender ao rancor jamais serei plenamente feliz novamente. Mesmo a contragosto aquela morena teimosa roubou meu coração subitamente e deixou cicatrizes profundas na alma. Provavelmente eu a amarei enquanto houver ar entrando em meus pulmões.

- Amor por que está tão disperso?_Leila acaricia meus cabelos e deita-se ao meu lado na cama. Estava tão absorto em meus conflitos íntimos que não percebi que ela entrou na suíte. Se eu pudesse ama-la tudo seria mais fácil.

- Nada princesa, muito trabalho, simplesmente.Descanse agora_Beijo suavemente sua testa e aconchego-a em meu peito, afastando as lembranças momentaneamente, concentrando-me em ser um marido atencioso para minha esposa, a quem devo respeito e lamento trair no meu subconsciente. Loren, eis meu amor proibido, e absolutamente, ela está perdida para mim.


Loren

Tempos depois...

O tempo voou... E eu continuo tentando esquecer do cheiro inebriante de Michael. Ainda posso sentir o calor de suas mãos em meu corpo quando ele me fazia sua. Sei que não há mais nada a fazer, e eu não poderia ter o impedido de seguir adiante com uma mulher nobre, verdadeiramente merecedora do amor dele, seria egoísta estragar seu casamento por causa de uma gravidez indesejada. Leila reúne tantas qualidades que nem creio haver rivais a sua altura. 

Eles vivem andando de mãos dadas por aí, eu apenas me ponho a observá-los usufruindo da felicidade. Apesar das juras de amor e todos os planos que Michael e eu partilhamos em Londres, para ele signifiquei um caso passageiro. Como um namoro de verão no colegial, flamejante e breve. Tenho focado exclusivamente no  trabalho e em esconder a barriga saliente de grávida com roupas absurdamente largas. Evito estar no ambiente o qual o casal feliz está e dona Kathe, bem, fujo dela incessantemente.  Ela é astuta e sensível, se me analisar mais  cuidadosamente, eu der oportunidade para surgirem desconfianças descobrirá toda a verdade e lá se irá a extasia pela chegada do neto oficial dos Jackson. Detesto ter que ser racional, mas meu filho não passaria de um bastardo para Michael, e por mais intenso que seja meu amor aquele homem, permitir que desconte sua raiva em um anjo inocente,  essa desgraça, eu farei o impagável para evitar.

 - Loren, olha só para você... Sei o motivo da sua ausência e fique tranquilo, seu segredo está seguro comigo._Meus olhos que antes perambulavam pelo jardim da mansão avistam Leila. Ela continua linda, a gravidez apenas adicionou charme e feminilidade a ela. Sabia que alguém notaria minha mudança, mas sobre estar grávida, espero que Leila não esteja se referindo a um bebê no meu ventre ou estarei perdida. Se me enxotarem daqui para onde irei?

- Leila a verdade é que o trabalho me deixa completamente fadigada e também tenho minhas preocupações ç...

- Não é necessário que me dê satisfação. Estou aqui como uma amiga, percebi outro dia que estava almoçando com os outros empregados e saiu correndo enjoada para vomitar. Vi seu estado._Sorri discorrendo calmamente a respeito de suas suspeitas. Óbvio que que Leila tem certeza que engravidei. Caso ela pudesse tomar partido que essa criança é fruto de uma recaída de Michael comigo sua gentileza morreria dando lugar a revolta, ódio.

- Eu não gostaria de falar disso! Aconteceu, foi inesperado. Não planejei engravidar nessas circunstâncias._Disparo desnorteada com o maremoto de desafios que venho enfrentando sozinha. Às vezes não podemos engolir a angústia, as palavras saem involuntariamente dos lábios em sinal de desabafo.

 - O instinto maternal me disse que não era a única grávida._Acaricia a barriga ligeiramente arredondada e uma lágrima solitária escapa de meus olhos. Essa mulher é uma santa, imensamente humilde e carinhosa. Dá para entender porque ele a escolheu, e já nem se lembra proclamar aos quatro cantos que me amava.

 - Você está exultante não é? Parece até mais bonita._Enxugo a lágrima com o dorso da mão, me recompondo por fora, por dentro estou destruída. 

Meu consolo é o filho que eternizará o amor que me consome a cada instante. Não haveria razão para eu prosseguir de pé sem esse bebê, ele é minha tábua de salvação e inexplicavelmente já amo esse pequeno ser que cresce em minha barriga.

 - Por que tanta dor Loren? Não me diga que o pai não quer assumir a paternidade e te virou as costas. Por causa desse covarde mudou-se de Londres?

- Leila, o pai não sabe de absolutamente nada, preferi não informá-lo que será pai mediante ao detalhe de que se casou com uma mulher digna de tê-lo ao seu lado. É uma estória longa e complicada. Cometi erros no passado, era egocêntrica e fútil, perdi o homem da minha vida graças a ganância.._Pondero meu desejo de tirar esse peso das minhas costas, afinal Leila não deve se envolver em problemas que eu mesma criei. No intuito de ocultar a gravidez me isolei e afoguei meus medos do futuro.

 - Há algo que eu possa fazer para ajudá-la? Talvez queira entrar em contato com seus pais._Sugere segurando minhas mãos calejadas pelo serviço pesado na colheita.

 - Papai e mamãe me desprezam. As portas  da casa deles estão fechadas para mim, Leila._Suspiro resignada.

 - Sabe, Michael é generoso assim como a dona Kathe, eles farão questão que permaneça na Itália e cuidarão do seu filho. Pode contar com minha amizade também, não está sozinha querida. _Um nó asfixia minha garganta e contenho minha vontade de chorar, gritar que não suporto viver de metades, tampouco consigo conviver com essa saudade devoradora de quando tinha o amor de Michael. Seu perfume perdura impregnado em minha memória mesmo que ele pertença estritamente a sua esposa. Ela é a única que desfruta de seus beijos e o tem a aquecendo em sua cama nas noites de inverno.

 -  Não, por favor, é incrivelmente tenro da sua parte me oferecer amparo, mas não posso me encostar nessa gente. Vou trabalhar o quanto aguentar, e não aceitarei um dólar da família Jackson, eles já me ajudaram demais, permitem que eu tenha um teto, pagam um salario razoável, além de me tratarem respeitosamente._Retruco solicita. Sou grata por cada prato de comida que me deram e todo o carinho de dona Kathe, definitivamente Michael possui uma mãe de ouro.

 - Não é momento para ser orgulhosa, seu filho possivelmente viverá conosco. Aliás já posso imaginar nossos pequenos brincando e correndo pelos arredores da fazenda._Exclama sorridente. Repentinamente sinto-me uma miserável em ter feito amor com um homem comprometido mesmo sabendo que não fui a única culpada por não resistir as tentações.

 - Quantas semanas faltam para o nascimento do seu príncipe? Ouvi comentários de que é um menino.

 - Sim é menino. Acredita que Michael no início se negava a saber o sexo, mas depois eu o convenci com muita paciência, claro. Estou de oito meses e meio, quase dando a luz. Deus, senti uma pontada tão dolorosa... Ai_O grito de dor de Leila me alarma sobremaneira e ao fitar a grama constato um liquido ralo como água escorrendo entre suas pernas. A bolsa estourou.

- Você está bem? Respire, não há o que temer, a acompanharei até a mansão e seu marido te levará a um hospital

- Michael está viajando a negócios, Loren._Responde em um murmúrio arrastado. Céus, terei que ir a procura dona Kathe.

- Quem quer pedir para levá-la até um hospital? Alguém que confia, dona Kathe._Ajudo-a a apoiar-se em meus ombros e ela geme devido a dor lancinante das contrações.

- Kathe e o Sr. Jackson viajaram para Paris, Leonard tirou férias do trabalho. Teremos que ir sozinhas. O motorista. Chame-o!_Um relâmpago estrondoso anuncia que uma tempestade torrencial se aproxima, fito o céu e enfim reparo que irá cair um temporal. Leila entra em trabalho de parto justo quando todos resolveram viajar, e pelo visto o mundo vai acabar em água.

- Venha, enlace a mão ao redor da minha cintura e tente se esforçar para caminhar._Instruo tentando agilizar o processo, embora as dores devam ser terríveis precisamos entrar para a mansão antes que comece a chover, ademais Leila necessita ir urgentemente ao hospital e sou eu que terei que providenciar isso.

- Obrigada Loren._Diz baixinho e começamos a andar vagarosamente. Deus conceda-me força o bastante ou não aguentarei apoiar essa mulher que tem o tesouro mais valioso do universo, amor. Em nome de Michael cuidarei de sua esposa e para que seu filho nasça com saúde.

(...)

As contrações de Leila diminuíram o intervalo de tempo e agora estão intensas. Desde que a deitei em sua cama e aguardamos o motorista preparar o carro não solto sua mão, além de manipular as contrações, pedir-lhe que respire profundamente no intuito de reduzir a dor.

- Srta. a chuva furiosa bloqueou a estrada, algumas árvores caíram e não faço ideia se vão liberar a rota que necessitamos. Sinto muito!

- Como assim?_Grito catatônica com o homem como se tivesse culpa de interditarem a estrada no momento que uma mulher está prestes a ter um bebê. -Jacob, mas não existe outro caminho, eu imploro..._Leila segura minha mão fortemente e após berrar estridentemente perde a consciência. As dores devem ter causado um desmaio.

- Infelizmente não, se houvesse outra estrada eu informaria a Srta._Enfatiza quebrando em mil pedaços minhas esperanças.

- Vá buscar água e um pano!_Ordeno ao motorista. - Traga a governanta e o auxílio que conseguir. Diga que a Sra. Leila está em trabalho de parto e que estamos presos aqui!_Checo o pulso dela e mal o escuto, está fraquíssimo. 

Ela não pode morrer, definitivamente encontrarei meios de salvá-la, nem que essa criança venha ao mundo pelas minhas mãos, darei essa prova de amor a Michael Jackson. Leila é pura demais e merece ver o filho crescendo, de alguma forma vê-la nesse estado me sensibilizou. Até me esqueci que um dia cheguei a invejá-la, considerá-la um empecilho entre o homem que amo e eu. O desprezo de Michael me cegava a tal ponto que não admitia que apenas colho o que plantei.


- Jacob, ouviu o que eu falei?_O pobre homem apático arregala os olhos e aquiesce, em seguida abandonando o quarto. 

Que Deus conceda um milagre a Leila e esse pressentimento nebuloso que me angustia seja apenas um efeito colateral do nervosismo e meus hormônios agitados.



Capítulo 26 – Loren –

Um trovão ressoou com imponência, enquanto as espessas gotas de chuva batiam contra a janela de vidro com uma força assustadora. O vento silvava, balançando as árvores, e a luz começava a piscar insistentemente, junto com os relâmpagos lá fora. Era uma tempestade assustadora, para uma noite mais assustadora ainda.

Loren ainda estava desfalecida em meus braços, tão pálida quanto uma folha de papel, gotas de suor formavam-se em sua testa, e apesar da inconsciência parcial, a expressão de dor estava estampada em seu rosto.

Jacob estava ao meu lado, tão aflito que quase o mandei sair para não me deixar nervosa também. Cecília, a governanta apareceu junto com Mercedes, uma das poucas empregadas que estavam na casa e não em suas casas nos anexos da fazenda. Elas trouxeram água morna, toalhas e uma tesoura que pedi para esterilizar.

Não, eu nunca havia feito nada do tipo, mas um dia ajudei uma cadela de rua a parir. Não tinha veterinário por perto e a pobre estava sofrendo, por isso levei-a para os fundos da mansão e fiz o quw pude, consegui salvar ela e os filhotinhos. Tinha que ser pelo menos parecido, Deus.

- Jacob, conseguiu entrar em contato com alguém? – Perguntei nervosamente, caminhando de um lado a outro do quarto.

O homem meneou a cabeça, continuando a mexer furiosamente no celular.

- Da última vez que falei com ele, o senhor Jackson disse estar pousando em uma fazenda a alguns quilômetros daqui, disse que daria um jeito de vir, mas desde então nada dele.

- Deus – Murmurei agoniada.

Junto com um trovão que balançou as janelas do quarto, um grito estrangulado irrompeu no quarto. Todos correram para perto de Leila.

- Salvem meu filho – Ela sussurrou débil.

Cansada daquela espera infundada, resolvi agir.

- Jacob, continue tentando um contato, caso não consiga saia para procurar Michael. Vá à cavalo, barco, não me interessa. Chame os outros funcionários e vá em busca dele – O homem assentiu, e se retirou do quarto – Lavem as mãos e venham me ajudar – Me dirigi a Cecilia e Mercedes.

Me aproximei mais da cama, erguendo meu vestido folgado, que servia de esconderijo para minha barriga.

- Leila – Bati em seu rosto sem cor – Você precisa acordar. Sei que é forte, que quer salvar a vida do seu filho e a sua, por isso se esforce, abra os olhos e nos ajude.

- Meu filho - Murmurou chorosa, abrindo os olhos com dificuldade, quando conseguiu focar o olhar, me fitou intensamente, pegou minha mão na sua – Salve meu filho, Loren, eu imploro.

- Eu vou salvá-lo, mas preciso da sua ajuda, certo? – Ela assentiu fracamente - Vamos lá – Ergui seu vestido e livrei-a da peça intima, abri bem suas pernas – Mercedes traga as coisas que pedi aqui para perto, e você Cecilia, ajude empurrando a barriga da Leila sempre que vier uma contração e ela fizer força, certo?

- Sim, Loren.

Cada uma se posicionou em seu devido lugar e iniciamos o parto de Leila.

- Quando a contração vier faça força, Leila... muita força.

Ela gritou quando uma contração a tomou, empurrando. Permaneci entre suas pernas, incentivando-a. Cecilia enxugava a testa ensopada de suor de Leila, enquanto a auxiliava empurrando a barriga.

Foram incontáveis minutos assim, entre incentivos, gritos, contrações, gemidos de dor. Via na expressão de Leila que ela estava esgotada e comecei a sentir um medo desesperador. Não me perdoaria se não conseguisse ajudá-la a salvar um filho.

- Eu não aguento mais – Murmurou em um fio de voz. Se ela desmaiasse agora o bebê morreria. A essa altura todas nós já chorávamos.

Me ajoelhei na cama, olhando-a com uma força e certeza que no fundo nem eu mesma sentia.

- Seu filho vai nascer, Leila. Você é forte, consegue. Estamos quase lá. Agora quando a contração vier, use toda a sua força.

Mais um trovão ressoou no céu, e um grito gutural escapou da boca de Leila, e então eu vi a cabecinha do seu bebê. Enquanto ela usava tudo que sobrara de sua força, os ombrinhos apareceram, o corpinho, e por fim as perninhas.

- Deus, nasceu seu menininho, Leila – Gritei, eufórica. Pegando o pequeno pacotinho no colo. Enrolei-o na toalha, tomando cuidado com o cordão umbilical. Só o cortaria se demorassem, e depois de tanto tempo do sumiço de Jacob, e do cessar da chuva, acho que estavam chegando, por isso não iria mexer.

Lágrimas de alivio e felicidade molhavam meu rosto. Ergui o garotinho chorão para que Leila o visse dali, mas quase não fui capaz de segurá-lo quando observei o rosto apagado dela.

Antes que eu pudesse sequer conferir o que havia acontecido com ela. A porta bateu contra a parede, em um baque mudo. Michael irrompeu o quarto, completamente ensopado, ofegante e trêmulo.

- Nasceu – Ele se aproximou, pegando o menino dos meus braços de com cuidado. Os olhos dele se encheram de amor, enquanto balançava o garotinho chorão – E a Leila? – Ele se dirigiu a Cecilia, que estava em um silêncio mórbido, prostrada ao lado de Leila – Ela desmaiou?

Também achei que fosse apenas isso, já que se esforçara demais, deveria ter desmaiado de exaustão.

- Eu... eu... ela – Me ergui da cama, antecipando as palavras de Cecilia. Mercedes saiu do quarto aos prantos. Não podia ser! – Acho que ela está morta.

Michael meneou a cabeça, fitando o rosto da esposa.

- Não... é claro que não – Gritou, fazendo o bebê em seus braços chorar ainda mais.

- Michael, vai assustar o men...

- O que está fazendo aqui? – Gritou, com sua ia direcionada à mim – Veio se certificar que mataria ela, é isso? Saia! – Cambaleei, sentindo suas palavras como golpes certeiros.

No segundo seguinte havia gente subindo as escadas com macas. Tudo foi rápido, em flashes ininterruptos, até eu ouvir duas coisas de dentro do quarto.

- Ela está morta - Possivelmente um dos médicos confirmou. Em seguida um grito desesperado de Michael irrompeu pelos corredores da casa.

(...)

Tudo ficou em silêncio na fazenda desde que levaram Leila, o garotinho, e Michael. Todos foram instruídos a pararem os trabalhos até segunda ordem. Kathe e Leon não voltaram, seguiram direto para a cidade, onde o bebê havia ficado internado e onde Leila seria enterrada.

Havia se passado exatamente dez dias, e nem sinal de nenhum deles. Chorei muito durante os dias que se seguiram. Me senti culpada de certa forma, eu havia conseguido ajudar Leila a salvar seu bebê, mas negligenciei ela. E agora o menininho cresceria sem mãe.

As palavras que Michael gritou para mim naquele dia, ainda ecoavam em meus pensamentos, me impedindo de dormir.

“- O que está fazendo aqui? Veio se certificar que mataria ela, é isso? Saia!”

Que tipo de monstro ele achava que eu era, afinal? Será que ele realmente pensava que eu seria capaz de desejar a morte de Leila, para ter meu caminho livre? Deus, a que ponto chegamos?

Em uma coisa eu errei muito, nunca deveria ter permanecido nessa fazenda. Eu deveria ter ido embora com Evan. Esse tempo que havia passado aqui só havia servido para me machucar, e descobrir definitivamente que Michael me odeia, que seu amor por mim teve fim. A única coisa que faz com que não me sinta completamente frustrada por ter ficado é a minha menina. Se tivesse ido eu não teria gerado essa criaturinha. Esse ser forte que tem resistido a tantas tribulações, esse maravilhoso fruto do amor entre Michael e eu.

Agora não o teria mais, entretanto teria nossa filha, e eu iria amá-la com todo meu coração, iria lutar por nós duas, e a faria feliz. O resto de meus dias seria dedicado a isso.
Depois de tanta negação, agora aceitei que foi assim que acabou. É hora de ir embora dessa fazenda, da vida de Michael. Deixar que ele arrume outra mulher tão bondosa quanto Leila e que forme sua família. Que seja feliz, pois merece. Eu e minha fila também seremos.

Os funcionários da fazenda comentaram que todos estariam de volta ainda hoje, e assim que aqui estivessem, falaria com Kathe e Leon, os agradecendo pela estadia, e em seguida partiria. Não sei ao certo para onde, mas não pretendo sair da Itália. Quero recomeçar aqui.

Assim que a tarde se iniciou, caminhei lentamente para a mansão. Estava me sentindo dolorida e pesada. E todas aquelas roupas para disfarçarem a barriga não ajudavam em nada para diminuir o peso.

Kathe e Leon estavam descendo os degraus da entrada da casa. Ela abriu os braços para me acolher em um daquele seus abraços fraternais.

- Sinto muito, Kathe... Queria ter ajudado a Leila – Funguei, secando as lágrimas com o dorso das mãos.

- Shh – Ela sorriu amistosa – Vamos sentir muito a falta dela, Loren, mas a gente não pode discutir os desígnios de Deus.

- Cecilia e Mercedes nos contaram que nosso neto só está vivo graças a você. Nunca poderei agradecê-la o suficiente, Loren – Leon se pronunciou.

Suas palavras me surpreenderam, já que ele raramente falava comigo. Era um home sério e calado, mas de bom coração, tinha certeza.

- A guerreira dessa história foi a Leila, que deu a vida pelo filho.

- Você é uma mulher maravilhosa. Lutou junto de Leila, prometeu que salvaria o filho dela, e o fez. Nunca vou me esquecer de tudo que fez por essa família, Loren – Um risinho triste me escapou.

Se ela soubesse que no fundo nunca fiz nada de bom para a família, principalmente pelo filho dela. Queria muito saber do Michael, mas estava receosa em perguntar. Se as empregadas haviam contado todos os detalhes do que acontecera no quarto, também disseram do que Michael jogou na minha cara naquele dia.

- E o bebê, está bem? – Um ínfimo sorriso me escapou.

- Sim, é forte como um tourinho – Leon se pronunciou orgulhoso – Se chama Lorenzo. – Assenti, encantada com a empolgação de Leon.

- O avô é muito babão, Loren – Todos rimos.

- E o Michael, está bem? – A pergunta me escapou antes que eu pudesse contê-la.

- Estou ótimo – A voz gélida me fez arrepiar.

Ao olhara para a entrada da casa vi Michael descendo as escadas. O rosto sério e duro, os olhos cobertos por óculos escuros. Ele não parecia nada bem, mas por algum motivo que eu custava a entender não queria demonstrar suas fraquezas para mim.

Kathe e Leon ignoraram a forma como ele falou.

- Estamos indo até a cidade comprar mamadeira, leite, fralda, essas coisinhas de criança. Deveria vir com a gente, Loren – Kathe convidou animada.

Eu queria ir com eles, mas precisava entender que meu lugar não era ali, não mais.

- O quê, agora vão querer que ela se case comigo e fique no lugar da Leila também? – Seu tom de voz era sarcástico e ácido -  A Loren já recusou esse pedido uma vez. Não sou bom o suficiente pra ela.

Meus olhos se arregalaram, e senti mais uma vez suas palavras como golpes certeiros. Estava me cansando de todo aquele rancor e amargura direcionados a mim.

Ergui minha cabeça e engoli seu veneno.

- Se me derem licença – E sai, caminhando depressa pela colheita.

(...)


Michael

Eu a amei enquanto sujava seu vestido, a amei enquanto ela foi arrogante, a amei enquanto fazíamos amor, a amei todas as vezes que ela sorria para mim, a amei quando ela me amou de volta, quando ela me rejeitou, a amei quando a vi novamente, enquanto fui casado, a amava agora, enquanto a perda de Leila me destroçava. Não queria amar Loren, mas amo, e isso me angustia, me desespera, me torna amargo.

Eu quero que ela sinta essa dor também, que se desespere, que vá embora... Deus, não! Quero que ela fique, que voltemos no tempo e sejamos a Loren e o Michael de antes. O clichê princesa e plebeu... transformado em príncipe e plebeia. 

Quero seus beijos, seus toques, seus sorrisos, nossas brigas, quero a intensidade, a paixão, o amor. Serpa que tudo foi mesmo afogado em mágoas?

Vê-la assim tão perto e ao mesmo tempo tão longe me enraivece. Por isso digo coisas impensáveis, ajo de forma ridícula. Deveria estar orgulhoso dela, por suas mudanças, por ter deixado enfim seu bom coração dominar. Deveria beijar suas mãos por ter salvo a vida do meu filho, mas tudo que tenho feito é pisar nela.

Até eu mesmo me indago, qual é meu objetivo afinal? Quero afastá-la?

Sempre que pondero isso meu coração grita um insistente NÃO. Mas meu orgulho ferido fala mais alto e estou deixando-a ir, eu sinto que Loren está partindo, e é assustador.

- É ela, não é filho? – A voz de Leon me tirou do meu transe.

Não era mais segredo que Loren é a mulher do meu passado, a que me fez voltar para a Itália.

- Estou tão confuso – Foi o que respondi.

- Não vai adiantar de nada tratá-la assim. Sei que a ama, sempre esteve na cara que ela não era apenas uma amiga. Estava nos seus olhos, filho, que apesar de sentir muito carinho pela Leila, não a amava. Aquela mulher maravilhosa é a sua chance de ser feliz. Vá atrás dela.

Sem ponderar nada, sai desabalado até a casinha onde Loren morava. Entrei sem bater na porta, e só quando já estava dentro da casa é que chamei seu nome.

- Loren?

Ela saiu de dentro de um dos quartos, arrastando uma pequena mala. Meus olhos iam de seu rosto a maça em sua mão incontáveis vezes.

- O que significa isso?

- Estou indo embora, Michael. Eu já fiz merda demais em sua vida. Já basta, não é? Chegou hora de partir definitivamente.

- Não, Loren – Me apressei – Sei que tenho sido um idiota ultimamente, a trato mal sem motivos. Deus, eu deveria estar beijando suas mãos por ter salvo meu filho, mas é que me desespero... não sei lidar com sua proximidade e eu t...


- Não precisa me agradecer por nada, nem falar mais nada Michael. É tarde demais pra qualquer coisa. É tarde demais para nós dois. Acabou definitivamente. E se você tem qualquer tipo de consideração por mim, se não quer mais me magoar, me deixe ir embora.



Capítulo 27 – Loren - (Penúltimo Capítulo)

- É isso que você quer?_A voz desapontada de Michael ressoa em meus ouvidos desestruturando meus planos. Não! Preciso sair da vida dele urgentemente.

- Eu já decidi Michael. Tantos encontros e desencontros, acho que não nascemos para ficar juntos. Sinais disso foi o que não faltaram. Entre nós nunca haverá nada._Contenho o desejo de esmorecer em seus braços e desabar em um choro compulsivo, isso era tudo que precisava nesse momento de aflição, mas eu tenho que partir e seguir meu caminho sem esse homem que um dia deixei escapar. 

- Sabe de uma coisa? Não quero que nos queimemos mais, parece que realmente fomos feitos para dizer adeus e mesmo tendo consciência de que isso é o certo prossigo te amando loucamente Loren._Confessa suspirando resignado. Capto em seu olhar que também gostaria de voltar no tempo e mudar as coisas. Agora é tarde, nos perdemos no caminho.

- Entenda, Michael por mais que me doa, amor não basta. Chega de sofrimento, das suas desconfianças e insultos. Seu rancor ainda queima na alma._Decreto detendo a vontade de chorar feito uma garotinha indefesa que perdeu-se da mãe no parque.

- Loren eu aceito sua decisão, toda a sucessão de erros não poderia acabar bem. Mas por favor lembre-se que te amo._Implora com os olhos marejados. Posso ouvir a saliva descer bruscamente por sua garganta forçadamente e seu olhar de desapontamento cravado em mim.

 - Eu salvei seu filho e faria de novo sem pensar, pois é o mínimo que se pode fazer pelo próximo nas condições que sua mulher estava. _ Dou uma breve pausa para prosseguir. - Por um momento desejei trocar de lugar com Leila para lhe devolver sua respiração, eu sabia, sabia o quão superior a mim em todos os aspectos ela é, sim, continuará viva dentro dos nossos corações. Eu o fiz porque te amo, e aprendi que amar inclui se sacrificar, o amor puro, real, não parte do principio do egoísmo, tampouco atropela inocentes. _Fito-o intensamente o suficiente para deixar explícito que o amo. - Renegar a você foi a maior prova da veracidade dos meus sentimentos. Eu te amo Michael, mas sabia que Leila era a mulher ideal, ela ao contrário de mim esteve sempre ao seu lado e nunca o abandonaria em troca de alguns milhões, status. Aquele anjo merecia todo seu amor, e mesmo sendo doloroso admitir percebi que o melhor que podia fazer era deixa-lo em paz, livre para construir uma família. Então, posso afirmar que tentei salvar sua esposa, e sim eu a admirava, enxergava nela um diferencial, humildade. Leila era nobre, ela o teve em seus braços graças ao seu merecimento, recolheu os cacos do seu coração que eu deixei em pedaços. Com certeza, Leila sempre teve dignidade, e estaria lá por você mesmo que as paredes ruíssem. Agora? Estou aqui, no chão, feito um papel amassado, faço parte das suas amargas lembranças. Permaneço me punindo de ter o deixado partir por ambição, fui eu que fechou as portas da minha vida para você e entrei em uma igreja prestes a ceder as tentações do dinheiro. Naquela época não tinha compreendido o verdadeiro valor da felicidade e joguei- a pela janela. Eu o perdi, me resigno a aceitar meu destino. Sou a única culpada por termos nos tornamos dois estranhos, agora não passo de uma intrusa. 

- Você abriu mão de toda a fortuna, você cometeu erros e responde por eles sem perder a dignidade e isso me faz crer que estou perdendo uma grande mulher._Suspira e consecutivamente abaixa a cabeça. 

- Eu? O que eu fiz? Você me deu rosas e eu as deixei morrerem. Agora, estou aqui, no chão, como um papel amassado, faça parte das suas amargas lembranças. Permaneço me punindo de ter o deixado partir por ambição, fui eu que fechou az portas da minha vida para você e entrei em uma igreja prestes a ceder as tentações do dinheiro. Naquela época não tinha compreendido o verdadeiro valor da felicidade e joguei- a pela janela. Eu o perdi, me resigno a aceitar meu destino. Sou a única culpada por termos nos tornamos dois estranhos, agora não passo de uma intrusa. Eu o perdi._Um grito estridente irrompe da minha garganta. Sei que se não tivesse abdicado de Michael nada disso estaria acontecendo agora. Provavelmente estaríamos casados e exultantes com a chegada do nosso anjo. Faríamos amor ternamente a noite toda e eu poderia me aconchegar em seus braços. 

- Loren, eu...

- Não diga nada._Argumento correndo levando somente uma pequena bolsa com algumas peças de roupas, documentos, o salário que preservei até recomeçar uma nova vida nova e o dinheiro que Leon me deu. Corri até quanto meus pulmões aguentaram, corri sem rumo na beira de uma estrada escura, desesperada e estarrecida de suplicar a uma boa alma que parassem para uma mulher grávida.  Os olhos de menino arrependido de Michael não saem da minha mente, riso isso poderia acabar em um lindo romance, mas eu estraguei tudo. 

(...)



Flash back

- Fique minha querida, por favor eu lhe peço._A senhora muito gentil segurou as mãos gélidas da moça apática.

- Eu não posso dona Kathe, e por favor não me peça explicações...

-  Está escrito nos seus olhos que ama meu filho e por mais que que ele se negue a aceitar também morre de amores por você._Discorreu brandamente e de fato ela sabia quem Loren era, sua intuição de mãe lhe dizia. 

- Fazemos questão que permaneça conosco, não faça cerimônia._Leon apareceu como relâmpago na sala e se integra as duas mulheres. Kathe sorriu orgulhosa da nobreza da mulher enquanto empalideceu imediatamente. Ela queria ficar, mas sabia que não havia lugar para ela ali, Michael a depreciava a cada minuto, ele a alfinetava de todas formas possíveis, estava claro para Loren que ele a odiava, não a queria vivendo debaixo do mesmo teto que ela e seu filho. Ademais, dar a luz longe de um local que só trouxe desengano lhe faria bem.

- E o que está esperando para ir?_Michael satiriza acreditando que ela não teria coragem de abandona-lo. Sua voz dura e desafiadora esmagou Loren. 

- Por mais que eu o ame irei, Michael, sei que as lembranças ainda queimam no fundo da sua mente. Estou farta de tolerar suas humilhações, eu voltaria no tempo e mudaria tudo, mas eu não posso. Espero que consiga ser um bom pai para seu filho e encontre uma mulher de bom coração._Loren rebateu e ignorando os presentes na sala, desejando sair correndo dali, angustiada e prioritariamente determinada a retornar a Londres. Michael enfim estava sem reação, perturbado com as palavras de Loren, ela o abalava ao alegar que mataria a história de amor dos dois.

- Agradeço a hospitalidade Sr. Jackson e Kathe, mas eu realmente pretendo retornar as minhas origens e quem sabe reconquistar meus pais._Engoliu a seco, sentindo que fugia da realidade, obter o perdão de sua família fazia parte da utopia que criou
- Fique querida, por favor não dê ouvidos a Michael._Leon insistia pela permanência de Loren. -Bem, já que não posso interferir em sua decisão, pegue isso, pelos seus serviços prestados e para que recomece._Entregou-lhe um maço de dinheiro e Loren sorriu em agradecimento pela generosidade do homem. Precisava engolir o orgulho e o fez, resignada com o desprezo de Michael correu para seu quarto e adormeceu pensando que só lhe restava retornar a Londres e ser pai e mãe do seu pequeno. Michael perdera o direito a exercer seu dever, e tinha outros planos, um em especial, a infernizar. Ele a despedaçava em mil estilhaços a cada calunia, aquilo tinha que ter um fim. Loren sentia que não havia mais lugar naquela casa.

Fim de flash back


Michael

- Eu sempre soube que era ela?_Papai me faz sobressaltar com sua observação estranha, meus devaneios dissipam-se subitamente. Pigarreio para encara-lo e dou mais um gole de whisky. Decerto já sabe quem é Loren, a mulher que roubou meu coração e agora partiu da minha vida deixando uma enorme cicatriz dentro do meu peito._Murmuro empurrando mais bebida goela a baixo.

- Eu falhei em disfarçar._Dou de ombros certo de que deveria ter feito qualquer loucura para não deixa-la ir.

- Vá atrás dela._Ordena.

- Eu? Onde papai? Não faço ideia de onde aquela teimosa se meteu._Solto o copo e exaspero-me ao me dar conta que deixei-a desamparada. Se uma desgraça acontecer eu morro junto com Loren.

- Ela não deve estar muito longe e nada é impossível para um homem apaixonado._Reforça e eu capturo no bolso do blazer as chaves do meu carro. Loren, meu amor, por que eu não lhe impedi de cometer essa loucura? Preciso tanto de você, mais do que o ar que percorrem meus pulmões. 

- Viu Joana? Sei que ela e Loren são inseparáveis.  _De relapso me recobro de um episódio que Leila relatou. Ela me disse que Loren estava adoentada, fraca, e que era uma mulher de fibra o suficiente para não nos incomodar com isso. 

- Ela está na cozinha mas...

- Papai eu a amo._Clamo. -Sinto que me ocultou algo por muito tempo e errei ao lutar contra esse sentimento que me transformou nesse ser amargurado, mas chega._Meu desabafo soa como uma confissão do erro que cometi e sem pensar ou aguardar algum tipo de manifestação de papai me encaminho a passos firmes até a cozinha, lá encontro Joana e me preparo para interroga-la.

- Michael...

- Não há tempo a perder. Quero saber sobre Loren._Exijo cambaleando de frente a mulher.

- Deseja alguma coisa Sr. Jackson?_A solicita empregada questiona profissionalmente.

- Apenas que me diga o que Loren tinha? Qual era o segredo dela? Sei que ela me escondeu algo... Por favor me conte tudo._Arrependido peço-lhe que me dê as respostas que anseio. 

- Loren espera um filho do Sr. mas temia que rejeitasse o bebê e preferiu deixa-lo ser feliz com sua esposa. Foi por amor, tudo por amor._Joana despeja toda a verdade em cima de mim e me faz enxergar que ao tentar fugir de meus sentimentos criei um muro alto entre Loren e eu aonde ambos nos ferimos. 

- Eu a amo, mesmo que não aceite o fato de ela ter escolhido o dinheiro eu amo aquela mulher. Aquela patricinha que um dia possui meu coração nas mãos e estilhaçou-o._Sem esperar por mais respostas de Joana perambulo até o estacionamento mentalizando todos os sorrisos e beijos que compartilhamos em uma humilde casa no subúrbio de Los Angeles. 

Loren espera meu filho, meu fruto da breve noite que não me contive e a fiz minha como nos velhos tempos. Não acreditei em sua mudança, o desejo de vingança, de faze-la sentir o mesmo que senti me cegou. Eu poderia estar casado com a mulher que amo a qual corresponde ao meu sentimento e ao invés disso enxotei -a grávida daqui, sem rumo ou a quem recorrer. Meu Deus! Não faço ideia de a qual pessoa ela recorreu, nem pistas ela deixou, algum rastro. Apenas preciso ir ao inferno e e encontra-la, já estou nele, no entanto chegarei até minha princesa, se necessário me arrastarei aos seus pés para obter seu perdão. Serei um pai para essa criança, um homem de verdade e de Loren farei a rainha do meu coração, a fiz sofrer, mas daqui em diante tratarei de recompensá-la.

(...)

Horas tortuosas transcorreram até o momento que encontrei Loren inconsciente e ferida na beira da estrada próxima da fazenda. O sangue jorrava do corte profundo em sua cabeça e ela estava pálida como um cadáver. 

Meus gritos ecoavam em contraponto com a sirene da ambulância. Os paramédicos me arrancaram de perto dela a contragosto e eu mentalizei todas suas palavras, os infindáveis pedidos de perdão, o dia que fizemos amor e eu a menosprezei para fazê-la sentir na pele minha dor. Pude lembrar de cada olhar e sorriso enquanto permanecíamos abraçado na cama planejando o futuro. De quando nos conhecemos vítimas do acaso. 

Porra! Durante todo esse tempo eu castiguei-a por me amar. Não fui capaz de enxergar seus esforços para manter nosso amor vivo, mesmo ela abrindo mão da fortuna dos pais desacreditava que havia mudado. Eu a abandonei grávida e sozinha no mundo.

- Como ela está?_Sigo a maca que os paramédicos locomovem cautelosamente e acaricio seus cabelos ensanguentados. 

- Sr. não pode ir com ela.

- Eu imploro eu sou tudo que ela tem e o pai do filho que espera. Deixe-me ir com ela._Arrasto a voz tomado pelo mais profundo desespero. 

- Está bem! _O homem compadecido de minha dor permite que eu entre na ambulância com eles e meu mundo rui ao vê-los tomando todas as medidas médicas de praxe. Os tubos, uma máquina demarcando os batimentos cardíacos dela. 

- Estamos perdendo a paciente._Ouço um médico gritar.

- Loren, resista._Seguro suas mãos gélidas e sinto que estou a perdendo. 

- Afaste-o daqui!_É a última frase que meus ouvidos captam antes de me arrastarem para longe dela. 

- Não! Loren. Salvem-na..._Um sussurro fraco escapa e sinto que estou conectado a essa mulher espiritualmente. Eu amo a amo.


Capitulo 28 - Michael -

Parado em meio a estrada, fitando a ambulância, que balança devido ao movimento constante lá dentro, me sinto dentro de um pesadelo sufocante. E s única coisa que consigo me perguntar é porquê.

Por que tudo teve de seguir um caminho tão tortuoso? Por que Loren e eu fomos infringidos a tanta dor? Por que tive de ser tão orgulhoso e imaturo e não a perdoei antes?
Loren havia mudado, ela me mostrou isso a cada dia, todos me diziam a mesma coisa, mas eu me recusava a ver, a acreditar, por puro orgulho ferido. E agora estava aqui prestes a perder ela e meu filho, sem nem ao menos ter a oportunidade de viver uma temporada feliz e plena ao lado deles.

Não era justo.

- Filho - A voz doce e acalentadora de mamãe não me deixou melhor. Eu inclusive desejei me jogar em seus braços, mas estava letárgico demais PA mover um músculo sequer.

Kate caminhou em minha direção e me envolveu em seus braços. Meus soluços escaparam, misturas dos com os soins de dor que brotava de minha garganta. Me sentia tão ligado a Loren naquele momento, que podia jurar que sua dor também era a minha. Talvez o amor explicasse, talvez o arrependimento que me corroía feito solda cáustica.

- Meu anjo, a Loren vai se salvar. Ela é forte, uma mulher de fibra.

- A culpa e minha, mãe, desde o começo fui culpado de tudo. Eu a pressionei, subjuguei, ignorei... Não mereço o amor dela - Mamãe segurou meu rosto, fazendo-me fitá-la.

- Você sabia dessa gravidez, Michael? - Neguei.

- Só descobri hoje - Passei o dorso da mão em meu rosto molhado - Por que escondeu tal coisa de mim?

- A Loren deve ter ficado com medo de te atrapalhar - Negou com a cabeça.

- Eu não posso perder ela e o nosso filho, mãe. Preciso que ela abra aqueles olhos maravilhosamente azuis novamente, que escute tudo que eu tenho para dizer, que possa me perdoar, e que me permita fazê-la feliz.

- Ela vai, querido.

Uma movimentação vinda da ambulância me trouxe de volta o desespero. Praticamente corri até o paramédico. Papai estava do se lado, ouvindo-o e as sentindo.

- A Loren? - Me ouvi dizendo em um fio de voz.

Nunca em minha vida senti tanto medo. Minha vida estava suspensa pelas palavras que aquele homem iria proferir.

- Conseguimos estabilizá-la, mas ela e o bebê ainda correm sérios riscos. Estamos levando-os parta o hospital. Faremos o parto imediatamente.

As próximas palavras foram um turbilhão confuso, entrei em um nível de desespero claustrofóbico. Tinha noção que estava entrando em um carro, de que o veículo estava em movimento, e de que em seguida paramos em um hospital. Mamãe e papai falaram comigo todo o tempo, mas eu apenas consegui assentir.

Minha mente reproduzia ininterruptamente imagens de tudo que vivi com Loren. Seu olhar, seu sorriso, seu jeito decidido e perspicaz, sua arrogância, que ela soube transformar com maestria em humildade. Eu julguei-a tantas vezes, mas não consegui enxergar que Loren com aquele jeito torto sempre teve uma alma mais nobre que a minha. Ela soube mudar, perdoar, fazer escolhas. Enquanto eu sempre quis afastá-la, humilhá-la.

- Deus, não a tire de mim - Sussurrei, encostando minha testa na parede fria do hospital.
Não sabia o quanto havia se passado, mas julgava estar ali a bastante tempo. Tempo suficiente para eu me recuperar e voltar a ficar louco de preocupação pela falta de informação.

Caminhei para a saída, sendo acompanhado por papai, que me impediu de entrar com tudo em uma área restrita.

- Michael, acalme-se - Ele me segurou firme.

- Preciso saber, pai. Preciso - Implorei.

Deus ouviu meus apelos desesperados, e nesse instante um médico se aproximou.

- Graças a Deus - Me apressei até ele - Então Dr., como a Loren está?

- Seu filho nasceu - Um suspiro de alivio me escapou. Mas ainda faltava saber da mãe dele.

- E a Loren? - Reforcei a pergunta, ansioso.

- Sua esposa sofreu uma pré-eclâmpsia, seguida de uma hemorragia grave. Perdeu muito sangue, mas estamos buscando recursos para estabilizá-la.

- O que precisam?

- Ela fará uma transfusão. Precisa de sangue A Possitivo.

- É meu tipo sanguíneo - Sorri, em meio a angustia - Vou doar agora mesmo.

(...)

Após alguns exames, consegui fazer a doação, e agora já havia se passado mais alguns longos minutos sem noticia alguma. Uma enfermeira veio nos convidar para ver minha filha, mamãe e papai foram, mas eu estava angustiado demais para isso. Não queria que meu primeiro contato com ela fosse tão tenso.

Aparentemente a menina era saudável, e segundo meus pais era linda, dona de um monte cabelinhos negros e olhos tão azuis quanto os da mãe. Eu queria vela, mas só queria fazê-lo quando sua mamãe estivesse bem, e pronta para compartilhar esse momento comigo.

Sentei-me em uma das cadeiras do corredor, os músculos quase que implorando por relaxamento, havia andado de um lado a outro por aquele lugar desde que cheguei ali.

- Que horas são? - Indaguei, quebrando o silêncio. 

A alguns instantes atrás mamãe saiu para ir buscar alguma coisa para comer, ficando apenas papai e eu. Ele me fitou com um ar cansado.

- Sempre soube que Loren era muito mais que uma amiga do passado. Seus olhos brilhavam quando olhava para ela - Olhei-o de soslaio, assentindo.

- Deixei de viver tanta coisa nesses meses em que ela esteve aqui na Itália. Mais de um ano deixando que a amargura dominasse meus sentimentos, e agora veja só, posso perdê-la - Papai balançou a cabeça em negativa.

- Conheço gente de coragem, e a Loren é definitivamente uma mulher forte, vai sair dessa e vocês poderão se acertar.

Eu tinha esperanças que sim, ainda assim o medo era maior.

- Senhor Jackson? - Me ergui assim que a enfermeira sorridente se aproximou.

- A Loren? - Perguntei.

- Sua esposa acordou, já pode vê-la - Um sorriso enorme despontou em meu rosto, e meu coração aqueceu - Me acompanhe, por favor.

Obriguei minhas pernas a seguirem os passos lentos da enfermeira, o que foi um custo já que eu queria correr.

Paramos em frente a uma porta, a enfermeira sorridente me observou em silencio por um instante. Aquele sorriso me lembrou o sorriso de... De Leila.

- Sua esposa é uma guerreira, e sua filha também, cuide bem delas - Assenti - Ah, e cuide bem do seu filhinho também - Ela abriu a porta, permitindo minha entrada.

Mas como ela sabia do meu filho? - Quando me virei para perguntar a ela, a enfermeira já havia sumido. Dei de ombros, entrando rapidamente no quarto.

Loren estava segurando um pequeno embrulho no colo. Ainda estava abatida pálida, com um curativo na testa, e a expressão mais cansada que já vi em seu rosto, ainda assim sorria amplamente, olhando o embrulhinho rosa.

Me aproximei hesitante, não sabia se reagiria bem a minha presença, e não queria deixá-la nervosa.

- Venha, Michael, venha ver como é linda nossa princesinha - Sentei-me ao seu lado na cama e me inclinei para fitar um rostinho rechonchudo, um monte de cabelinho negro, e os olhos mais azuis que já vi me encararam.

Uma explosão de amor tomou conta do meu coração. Há poucos dias havia sentido o mesmo quando segurei meu filho nos braços, era meu garotão, o presente que Leila havia me deixado, mas agora era diferente, não que eu amasse mais essa garotinha, mas uma sensação de acalente me dominou quando a olhei. Me sentia completo.

Passeei o dedo pelo seu rostinho e ela agarrou meu dedo. Lágrimas escorriam por meu roso, e eu enfim olhei para Loren, que também chorava.

- Ela é tão linda - Comentei em um fio de voz.

- Tive tanto medo de não vê-la... De não te ver mais. Por que perdemos tanto tempo desperdiçando nosso amor?

- Porque somos bobos, inconsequentes, e por que eu sou um grande babaca orgulhoso. Nunca senti tanto medo em minha vida quanto hoje. E não vou mais deixar que desperdicemos um segundo de nossas vidas por bobagens. Me perdoa Loren, me deixa seguir o resto dos meus dias ao seu lado?

- Eu... Eu

- Sei que fiz coisas demais para contornar com um simples perdão, mas te imploro por uma chance, uma única chance e te mostrarei que será diferente... Tudo... Eu a amo.

- Shhhh - Me interrompeu - Vamos começar hoje uma nova história, e o que foi mágoa no passado ficará lá. Você também tem muito que me perdoar, meu amor... Eu te amo.
Então os lábios se encostaram, e um beijo foi trocado, com uma promessa silenciosa de um recomeço, de um amor que se fortalecera diante de tantos obstáculos e que enfim estava pronto para ser vivido até o ultimo dia da vida deles.

Epílogo

3 anos depois...

A grama verdinha do jardim quase reluzia qual os raios de sol tocavam-na. Depois de um longo inverno, fico feliz de ver o sol assim tão majestoso. Por isso hoje era definitivamente dia de piquenique com as crianças.

Ando meio assoberbada com alguns assuntos da empresa nesses últimos dias, o que tem me tomado muito tempo, e consequentemente me afastado dos meus filhos. Sim, faz dois anos que administro a vinícola ao lado de Michael. Não foi uma decisão fácil, relutei em voltar ao mundo dos negócios, mas depois de meus sogros maravilhoso muito insistirem, decidi aceitar.

O processo foi longo e cansativo, mas com um jeitinho eles conseguiram me dobrar. Até por que é difícil negar um pedido de pessoas tão maravilhosas quanto Kathe e Leon. Pelo que Michael me relatava do pai antes, pude constatar que ele mudou muito, não exerce qualquer tipo de pressão com o filho, o deixa livre em suas escolhas, e apesar do jeito sério, é claramente um confidente do meu marido. Já Kathe não é uma surpresa, desenvolvemos uma grande ligação quando ela ainda nem sabia da história, e nossa amizade só cresceu desde então.

Não sei se notaram mas eu falei marido ali em cima. Pois é, Michael e eu nos casamos um ano depois de eu vir morar na mansão. O pedido foi cheio de romantismo e me pegou de surpresa, mas nada se sobrepôs à nossa cerimônia, tudo ao ar livre, nesse jardim maravilhoso, e Michael apareceu na entrada da casa, em um cavalo branco, e foi assim que ele me guiou até o altar, e que fugiu comigo para o meio dos vinhedos depois da cerimônia, e ali fizemos amor.

- Mãe – A garotinha de cabelos negros e olhos azuis veio correndo em minha direção, segura demais para seus três aninhos. Ela se jogou em meus braços, me enchendo de beijos.

- Então Floribela, pediu para a vovó vir lanchar com a gente? – Ela assentiu, balançando os cabelinhos.

- Só que a vovó disse que não ia poder vir – Balançou os ombrinhos.

- Ela não disse o porquê? 

- Ela disse que era um momento nosso, estávamos precisando – Estreitei o cenho estranhando a frase, ela nunca se negava a um piquenique.

- E a mamãe tem razão – A voz doce me fez erguer os olhos rapidamente.

- Amor – Sorri, me levantando para lhe dar um caloroso beijo – Pensei que estivesse na empresa.

Lorenzo veio correndo em nossa direção, pendurou-se nos braços do pai, mas não sem antes se esticar para beijar meu rosto e o da irmã.

- Vovó Kathe disse que tem bolo de lalanja – Lambeu os lábios. O que nos fez rir.

- Não gosto desse bolo, vou te dar meu pedaço, Enzo – Lorenzo assentiu empolgado.

Michael e eu os colocamos no chão, e eles imediatamente começaram a correr pelo jardim, soltando suas risadinhas infantis, que alegrava qualquer dia.

- Estávamos precisando desse momento em família – Sorriu, abraçando-me – Também estou precisando de uma pausa artística.

- Inspiração?

- Quero eternizar em uma tela o que já se enraizou em meu coração a muito tempo. Nossos filhos e você – Seus lábios pousaram sob os meus novamente – Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo.

- Te amo.


Fim.


Comunicado: Meninas, quero muito agradecer o carinho, os comentários, as leituras, vocês são incríveis, muito obg por tudo. Quero agradecer a Larissa pela parceria, foi um prazer trabalhar com ela. Também quero deixar pra vocês a notícia de que minha escrita nas fanfics está pausada por um tempo. A faculdade, o trabalho e meus livros andam me consumindo muito e estou sem tempo algum de me dedicar ao blog, e acho até falta de respeito com vocês esse meu deficit em estar aposto para postar novidades, escrever fics novas, divulgar, acaba não sendo justo para vocês. Com as fanfics aprendi tudo que sei hoje e sou MUITO grata a todas as leitoras que me acompanham desde a comunidade no orkut, nos fóruns e aqui no blog,  vocês são simplesmente fantásticas, agradeço cada incentivo, cada comentário, cada critica construtiva que recebi ao longe desses sete (quase oito) anos de jornada. Por vocês me senti acolhida, amada, ensinei e aprendi muito, e nunca agradecerei o suficiente. Muito também devo ao Michael, esse anjo maravilhoso que Deus colocou a minha vida, e que foi minha fonte de inspiração mais perfeita (Ainda é). Eu nunca chegaria a lugar algum sem esse começo maravilhoso, sem o Michael, sem vocês. O blog não será desativado, as histórias continuarão aqui para vocês apreciarem as maravilhas que essas autoras incríveis construíram com o nome do nosso amado ídolo, entretanto, pelo menos por um tempo, não teremos novas histórias postadas. Até porque as autoras estão cada vez mais escassas, e as que aparecem para postar, acabam por começar as histórias e abandoná-las. É triste ver que esse mundo maravilhoso das fics do Michael está sumindo aos poucos, mas como tudo na vida temos que buscar o lado positivo, coisas fantásticas foram vivenciadas aqui, autoras maravilhosas ganharam caminhos, e hoje carregam o nome do Michael, assim como eu, que acabei por adotar o nome Jackson como nome artístico. Em breve deixarei um comunicado no blog, e por enquanto é isso. Espero que tenham gostado da fic. Um beijão em todas :* 













142 comentários:

  1. Aaaah eu entro no blog e me deparo com isso *-----* Minhas duas escritoras favoritas juntas? E isso mesmo ? #Pirando
    Pena que vai demorar um pouquinho pra vcs postarem, mas eu vou estar aqui aguardando ansiosamente ❤

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  2. Gostei de cara do primeiro capítulo. Muito bom!
    Continua, por favor.

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  3. Muito boa a fic! Quais são os dias de postagem?

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    1. Olá flor. Não tenho um dia de postagem fixo, pois estou numa correria danada, mas os dias mais prováveis de postagens serão nas segundas e quintas. Mas quando não der nesses dias, eu ou a Larissa postaremos pelo menos uma vez por semana. Bjs :*

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  4. Michael e a patricinha! Estou amando!
    Continua,por favor.

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  5. "Quem desdenha quer comprar"
    Esses dois, hein?! Não sei, não! Rs

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  6. Legal gostei é impossível não gostar de estórias que já começaram nos envolvendo parabéns Nani Jackson.

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  7. É,acho que alguém está se apaixonando.Adoro quando MJ encontra uma mulher difícil e poderosa!😁
    Continua, por favor!😘

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  8. É,acho que alguém está se apaixonando.Adoro quando MJ encontra uma mulher difícil e poderosa!😁
    Continua, por favor!😘

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  9. Tomara que ela não consiga transar com esse playboy. Estou amando essa história. continua, por favor!

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  10. Já estou amando...tomara mesmo que ela não consiga,especialmente com o Michael ali do lado,continua não demora.

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  11. kkkkk...essa foi boa! Só quero saber se vai rolar alguma coisa entre os dois. Continua que está ficando cada capítulo mais interessante. parabéns!!

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  12. Hahahaha isso Vai ser interessante ! Continua!

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  13. Que delícia esse Michael!

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  14. Que MJ é esse? Excesso de gostosura! Essa Loren está brincando com fogo! Rs

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  15. Uau, que capítulo! Estou ansiosa e torcendo por esses dois. Estou imaginando quando Loren descobrir que MJ é rico!!
    Continua, por favor!!

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  16. Está ótima a fanfic!! Estou amando! Continua...

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  17. Que história maravilhosa! viciante! Acho que eles estão apaixonados! Só ainda não perceberam. Rs

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  18. Ma ra vi lho Sá é pouco pra descrever está fic.bjs Nani Jackson.

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  19. Acho que alguém está apaixonado e não sabe !😜
    Continua...

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  20. Olá meninas infelizmente eu não estou postando a fic por motivos de saúde, e como algumas de vocês já sabem a minha outra fanfic também está com atrasos. Gostaria de agradecer a cada uma de vocês e dizer que me sinto lisonjeada com os elogios, eu e a Paulinha escrevemos essa fic ansiosas para saber se seria do agrado de vocês, ambas nos empenhamos sobremaneira para construir os personagens. E ela caridosamente levará as atualizações adiante. Obrigada por estarem aqui! Fico feliz em saber que eu e a Paulinha concluímos juntas uma história que encanta e traz alegria a quem lê.

    L.O.V.E,

    Larissa

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  21. Ela não irá resistir ao Michael.Penso que estão apaixonados.Esta muito boa essa história ! Continua...

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  22. Ela não irá resistir ao Michael.Penso que estão apaixonados.Esta muito boa essa história ! Continua...

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  23. Michael pegou pesado, mas ela mereceu. Falou o que ela precisava ouvir.Tomara que ela reflita, sobre o que ele disse, é a pura verdade.Acredito que no fundo ela já sabia e só não quer assumir. Infelizmente, existem muitas "Loren" por aí. Acham que o dinheiro e o poder dele são os mais importantes. É lógico que ele tem sua função, mas daí nos tornarmos seus "escravos" tem muita diferença. Continua...

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  24. Eu estou adorando ♡ continuaaaaa 😘😘

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  25. Eu estou adorando ♡ continuaaaaa 😘😘

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  26. Olá, bem eu amo sua historia, mas eu queria pedir uma coisa, Vc poderia colocar ft dos personagens, só para ajudar mais ainda na imaginação ! Bjs ����

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    1. Olá, amore. Não coloco muitas fotos (ou quase nenhuma) pq fica difícil para configurar a postagem no blogger, mas entendo perfeitamente seu pedido, e no próximo capítulo vou colocar a foto dos personagens proncipais (Michael, Loren, Evan, Lincon e uma ex de Michael que ainda aparecerá na história) rsrs

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  27. Pá ra bens, vc é uma escritora maravilhosa estou adorando está estória você tem o dom de envolver suas leitoras boa sorte Nani Jackson.

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  28. Continua! venho aqui todo dia e nada!estou adorando,não deixa agente tão ansiosas.

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    1. Estou do mesmo jeito... Não estou morta de curiosidade 💔

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  29. Estou adorando essa fic !!!! Continua :-*

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  30. E agora o que MJ irá fazer? Tadinho!
    Estou amando!! Continua, please!

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  31. Caraambaaaa cada vez melhor continuaaaa

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  32. Michael tomou um choque, foi bom assim quem sabe ele muda... ou Lauren muda...xiii,muitas águas vão rolar...estou amando continiuuuuuuaaaaaaa

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  33. Michael tomou um choque, foi bom assim quem sabe ele muda... ou Lauren muda...xiii,muitas águas vão rolar...estou amando continiuuuuuuaaaaaaa

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  34. Ah o Michael bem que podia ceder um pouco né, dinheiro não é tudo na vida , mas ter um pouco p viver com um pouco de conforto não faz mal!

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  35. Coooontinuuuuaaa!!!! Meu Deus... Ta perfeito

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  39. Quais são os dias de postagem? Estou morta de curiosidade

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  40. Não vai postar hj(segunda-feira) ?

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  41. Quais são os dias de postagem? Estou morta de curiosidade

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  42. Se não vai postar mais fala, pra gente parar de ficar esperando ué...

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  43. Tão enrolada quanto a outra.

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  44. Nada, sem problema. Pelo o menos você postou. Adorando a fic!!! Bjs :-*

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  45. Amo essa fic 👏👏👏

    - sem problemas entendemos seu lado, entendemos que vc tbm tem suas coisas p fazer!

    Continuaaaaaa

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  46. Continuaaaa, as vezes demora muito pra postar :(

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  47. MJ está certo!Ela tem que escolher. Ela é a patricinha! E agora?
    Continua, por favor!Estou adorando.

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  49. Michael ta certo ela tem que tomar uma decisão!

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  50. Eita! E agora? Será que ela vai casar sem amor? E MJ irá assumir seu lugar, na empresa do pai? E eles se encontrarão? Ai,my god! Que pena só nos próximos capítulos!

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  51. Ahhh continuaaa q fic maravilhosaaa......

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  52. Ai meu Deus!o Michael não vai querer saber mais dela,espero que ele volte a ser o pintor gostoso de antes...continua logo ansiosa.

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  53. Caramba! E agora?Acho que MJ vai se vingar.
    Pelo amor de Deus, continua!! 😭

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  54. Nossa, estou achando é bom para Loren pagar pelo que fez Mike sofrer...
    Está perfeita sua Fiiic ♡♡♡♡

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  55. Linnnnnddddaaaa continua está perfeita estta fic. Bjs Nani Jackson.

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  56. *O* q capítulos perfeitos... Continua flor... Nossa...

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  57. Caralho fudeu! Agora que vai da merda mesmo, continua...

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  58. Não acredito!Ele vai fazer a besteira de se casar com a ex- noiva.E agora? A Loren não poderá voltar para seu país. Tomara que ela consiga um emprego modelo, sei lá!
    Continua, por favor.

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  59. To amando tudo isso ❤ sua FIC ta maravilhosa, adoreii continua

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  60. Continua flor.. To amandooo... Apaixonada por esse casal!!

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  61. Loren vai sofrer, mas Prevejo o Michael fazer uma burrada e amargar mais ainda no arrependimento, pq Loren errou mas não se casou já o Michael né.... Vamos aguardar os próximos cap!

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  62. Por favor não case o Michael com a ex,ele também está errando criticando a loren mas vivendo no luxo né!faz eles se entenderem por favor.

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  63. Genteeee!!! Amandooooooooooo, o Michael não pode casar!! E a Loren já está tendo oq merece por tê-lo deixado... Continuaaa

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  64. Esse Michael é um babaca! Tomara que Leila seja estéril e Loren fique grávida dele. Só para ele parar de ser idiota! Que raiva!! A garota larga tudo para ficar com ele e o que ele faz? Vai casar com uma songa-monga!

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  65. AFF Michael como vc está sendo imbecil, de vdd a hora q vc se arrepender queria muitoooooo que Loren te desprezasse, vc tem q sofrer mto, depois de ter feito amor com ela vc foi muito ogro! Tomara que Loren engravide, e que ela encontre um cara legal só pro Michael sofrer! 😠

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  66. continua!!!! está demorando muito!espero que com essa ´´ transa`` como o Michael falou ela fique gravida,mais não deixa ele casar com a ex e passar 10 anos para se reencontrarem.

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  67. vc demora muito pra postar vou morrer de ansiedade!!

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  68. Quanta demora! Vocês querem é judiar,estou ansiosa e morrendo medo que Michael case com essa aguada só por birra.continua

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  69. Nãooooo...Own God

    Bem.. vamos la...Desculpe ser uma leitora fantasma Rss...
    é q sempre quando eu ia comentar meu Cllar dava "piti"
    Em Fim... Pelo o que vejo...Michael está humilhando Loren..cheguei até me emocionar com a cena...achei Michael um pouquinho "cruel" rs...
    Mas... é..já que ele tá fazendo isso... Eu queria que Loren o humilhasse em Dobro...tipo Michael sofrer um pouquinho..ficar com bastante ciúmes ou outra coisa dó tipo rs.. quem sabe...Bem..só um comentário
    E meninas estou Amando..

    Continueee...pois está demorando

    Mega ansiosa
    :Lary Jackson

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  70. Cadê o resto da ficha? Já não tenho nem mais unha por favor posta logo

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  71. Caramba, Michael está possuído! Só pode.Ele está maltratado muito a Loren.E agora ele embuchou duas?Que homem, my god!
    Eu até senti pena da esposa dele.Parece ser boazinha.Loren agora terá que fazer o parto do filho de Michael.Isso é que eu chamo de castigo! Que sofrencia!
    Vamos ver o que acontecerá.
    Continua.

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  72. Era só o que faltava, a amante fazer o parto da outra. Para ficar melhor só falta a esposa morrer no parto, se não for assim, o final não vai ser bom.

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  73. Só não demora pra postar o resto ansiosa juuuus

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  74. Ela é masoquista?tem limite pra tudo,que amor é esse que o Michael tem por ela e faz ela sofre tanto,ela sim ama ele,largou tudo enquanto ele vive no luxo, porque ele condena ela se faz a mesma coisa.ele é um machão imbecil,tomara que ela volte pra Londres e deixe ele amargando a vida.

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  75. Fica,Loren. Não precisa ficar com ele agora. Deixa ele sofrer só um pouquinho.Tomara que ela fique por causa do filho.

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  76. Ansiosa , quais são os dias de postagem ?

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  77. Ansiosa , quais são os dias de postagem ?

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  78. Geeeeeeeeeeeeente Cooooooooooontinuaaaaaaaaaaaa Pelooo Amooor De Deus

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  79. Ah para, q agora que ele vai atrás dela, ela o rejeita ? Não pode isso!!! Quero saber logo a reação do Michael quando descobrir q ela está grávida... Continuaaa

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  80. Michael chegou a hora de colher tudo q vc plantou !

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  81. Ahhhhhhhhhh.... Não demora pra postar...

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  82. Adorei esse final,mais fiquei triste com essa noticia que vai dar um tempo,e não vai ter novas fics, adoro vir aqui todos os dias e ver novos capítulos ou ver que vai ter novas fics que pena vai fazer falta vou sentir muita saudade,obrigada por esses anos,por fazer o Michael estar tão perto e em nossos coraçôes.beijão

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  83. Sensacional!
    Obrigada vc por tudo. Boa sorte e que Deus te abençoe!

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  84. Embora não tenha acompanhado as postagens da fic, nem ter participado delas, porque a Paulinha se dispôs gentilmente a postar, já que eu estava e continuo incapacitada de faze-lo, fiquei muito feliz em escrever essa Fanfic. Eu e Paulinha nos divertimos muito escrevendo "Pintou um clima", foi delicioso escrever essa história. Gostaria de agradecer cada uma que comentou e embarcou nesse romance maluco, vocês são o motivo pelo qual concretizamos o projeto. Não poderia esquecer de deixar esse simplório recadinho, mas é de coração. Também agradeço a Paula a generosidade de atualizar sozinha a fic, extremamente nobre da parte dela.

    Obrigada pelo carinho meninas, foi um prazer escrever essa fic. Uma honra a parceria. <3
    Deus abençoe vocês!!!

    Abraço,

    Larissa Rabelo

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