terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FanFic: "O caminho até você" (+18)

Autora: Paulinha Jackson




Eu sempre fui uma criança deslumbrada por conto de fadas, aqueles bem ao estilo “Príncipe, princesa e Felizes para sempre”. Se eu achava que encontraria um cara para ser o meu príncipe? Com certeza! Na verdade eu achei-o á alguns anos atrás... Bem, ele não tinha lá o estereótipo de um príncipe, nem chegaria em um cavalo branco, mas para mim era exatamente tudo que eu queria...

Homem de sorriso fácil, gentil, cavalheiro, generoso, amoroso.

A primeira vez que o vi na TV, ele estava dançando ao lado de um bando de zumbi... Estranho, né? Mas foi amor à primeira vista.

Ele se movia tão perfeitamente, a voz tão aveludada... e ele era só um zumbi, mas eu amei-o instantaneamente.

Passaram-se 10 anos desde então. Eu me tornei uma atriz de renome, tinha uma ótima vida, era cercada de luxos, mas ainda faltava ele. Não, eu não deixei de admirá-lo e amá-lo por todo esse tempo, pelo contrário eu passei a almejá-lo como uma parte que precisava ser posta em minha vida.

Eu me casaria com ele hoje mesmo se pudesse, mas simplesmente nunca nem nos vimos. O que é uma droga, já que tentei fazer isso 2 vezes e foi a maior confusão.

Mas não se preocupe meu príncipe, aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar eu ei de encontrar o caminho que me leve até você e finalmente teremos nosso felizes para sempre.


Capítulo 1

Penny


Eu estava entediada! Seriamente e inexplicavelmente entediada. Fazia quase duas horas que eu estava aqui sentada, em frente a um espelho, com uma pessoa puxando meus cabelos e outras duas cuidando de minhas unhas... Tudo por que eu deveria parecer perfeita.

Eu, perfeita?! – Ri – Nem com muita maquiagem.

- Vocês vão demorar com isso, o programa entra em 10 minutos? – Mamãe perguntou rude, dirigindo-se as mulheres que me embonecavam. As mulheres balançaram suas cabeças e se afastaram.

- Precisava ser assim tão antipática – Reclamei.

- Não comece, Penélope – Ela limpou alguma poeira que só ela viu em meu ombro e me fez levantar – Já sabe perfeitamente o que fazer quando estiver de frente para aquela repórter...

- Eu sei – Interrompi-a.

- Estarei na plateia – Ela virou-se e sumiu porta a fora. Nem um beijo, nem um abraço, nem ao menos um “Tenho orgulho de você filha”

Foi assim a vida inteira, isso não mudaria agora. Mesmo que eu tenha me esforçado e me tornado a atriz que mamãe sempre quis ser, ela nunca estava satisfeita. Eu estava sempre um pouco gorda demais, maquiada demais, sem roupa demais, sorridente demais, feliz demais, sonhadora demais... Era um saco, mas fazer o que?!

- Penny, precisamos nos posicionar – Uma moça com fones de ouvidos e uma prancheta nas mãos apareceu.

Eu assenti e segui-a.

O caminho até o palco não foi longo, mas foi o suficiente para encontrar bajuladores. Eles estão sempre tão sorridentes e solícitos, mas basta uma oportunidade para ferrar você.

Levei mais de 10 minutos para conseguir chegar até o set do programa. A repórter chata e carrancuda já estava lá, sentada em um dos sofás, que deveriam ter custado em torno de 50 mil dólares.

Acenei para a pequena plateia, na sua maioria mulheres, e logo me sentei.

- Começamos em 2 minutos – Foi a única coisa que a ‘simpática’ repórter disse.

Quando as câmeras estavam posicionadas e o diretor deu seu OK, a mulher desatou a falar e sorrir.

Foram 30 minutos de perguntas chatas e repetitivas: “Qual seu próximo filme?” “Como se sente sobre todo o assédio dos fãs?” e blá, blá, blá...

- E sua vida amorosa, Penny? Ao que sabemos namorou uma única vez, o guitarrista roqueiro da banda “Deception”, desde então nada de relacionamentos...

- Bem, minha vida amorosa faz parte do lado privado do qual não gosto de falar... Mas se lhe servir como resposta, não penso em namorar por hora. Bem, não é segredo para ninguém que pretendo casar-me com o príncipe dos meus sonhos – Olhei de relance para mamãe e ela estava com os olhos arregalado e aquela cara de “Não faça isso Penélope” Ainn, era ótimo contrariá-la.

- Seu príncipe? – A jornalista perguntou de cenho franzido.

- Ohh, não me diga que nunca me viu falar em outras entrevistas. Hey de me casar um dia com ele... Meu príncipe, meu amor – Encarei-a – Michael Jackson – A plateia, os câmeras, assistentes e até a repórter estavam rindo, menos mamãe.

- Desculpe, Penny, é que chega a ser hilário.

- Não sei por que, desde quando o amor é motivo de graça.

- Desde quando você fala com tanta naturalidade que se casará com Michael Jackson.

- Eu vou – Dei de ombros – Um dia ele me dará bola – Outra onda de risos estourou pelo pequeno set.

Deixem que riam, todos vão ver como tenho razão.

(...)


Michael

- Desligue isso Crys, sabe que odeio quando coloca nesses canais sensacionalistas – Reclamei.


- Estavam falando de você – Crys disse, parecendo mal-humorada.



- Grande novidade – Revirei os olhos e caminhei para o closet.

Escolhi um pijama qualquer e vesti-o, sentando em seguida ao lado de Crys. Ela tomou a toalha das minhas mãos e começou a secar meu cabelo. Ter seus dedos massageando meu couro cabeludo era tão bom que simplesmente fechei os olhos e relaxei.

- Era aquela ratinha de novo – Ela disse, realmente brava dessa vez.

- Hum? – Perguntei desinteressado.

- Que estava falando de você. Aquela tal de Penny Ortega.

- Bem, e o que ela disse? 

“Quem era mesmo Penny Ortega?”

- Que se casaria com você – Eu ri, por que não havia nada mais para fazer. – E você acha engraçado – Crystal bufou e afastou-se.

- Por favor, Crys, você está com ciúmes de uma fã que anda dizendo que se casará comigo? Pare de ser infantil, eu nem sei quem é. – Crystal ainda estava emburrada.

- Ela é a ratinha – Crys apontou o dedo para a TV e eu virei para ver de quem ela tanto falava.



- Por favor, Crys, é só uma menina – Revirei os olhos. – Você é tão absurda amor – Inclinei-me para beijá-la e ela fez beicinho. – Agora me dê aqui esse controle – Ela me entregou e eu desliguei a TV. – Vamos fazer algo melhor do que assistir a vida das celebridades.


(...)


Penny

- Está me machucando, mãe – Reclamei.

- Você não se cansa de ser ridicularizada, garota? – Ela vociferou, logo em seguida me jogou no banco de trás do carro e bateu a porta.

- Eu falo o que eu bem entender, tenha 22 anos, trabalho, pago minhas contas e as suas, então não me trate como uma criança. – Gritei irada.

Eu dificilmente, muito dificilmente me irritava, mas quando isso acontecia...

- Isso, joga na cara da sua mãe frustrada que é você que banca a família – Ela choramingou.

- Não vou discutir mais com você – Com as mãos trêmulas alcancei meu Iphone e meus fones, e cliquei na primeira música do meu playlist “Human Nature” e me desliguei do mundo.


Capítulo 2

Penny


- Boa tarde dona Inês – Callie cumprimentou sorridente.

- A tarde não está boa – Mamãe respondeu sem olhar para Callie.

Neguei com a cabeça, voltando minha atenção para o livro que lia.

- O que deu nela? – Minha melhor amiga sentou-se ao meu lado no sofá.

- Está brava desde sábado, por que disse na entre vista que me casaria com Michael – Revirei os olhos – Ficou mais brava ainda por que disse que faço o que quero da minha vida, por que eu pago as contas. – Callie riu.

- Isso é verdade – Ela arrancou o livro das minhas mãos, para obter minha atenção – Mas... como anda o plano ‘conhecer Michael Jackson’?

- Nem sei, as vezes acho que assim que nasci me rogaram uma praga bem grande pra que eu nunca, jamais fosse feliz no amor – Bufei.

- Ohh claro, e você também acha que se espetará com uma agulha e dormirá até o príncipe vir beijá-la? – Debochou. – Você é tãoooo infantil, Penny. – Arranquei meu livro de suas mãos, brava.

- Falou o poço de maturidade.

- Meu anjo, falo pro seu bem, desça dessa nuvem em que vive, o mundo real não é como nesses romances melosos que vive lendo, muito menos um conto de fadas.

- Mais uma pra me dizer as mesmas coisas. Pois fique você sabendo que atino perfeitamente da realidade, que sei que não vivo em um conto de fadas... Mas, ao contrário de você e da maioria das meninas, eu acredito em amor verdadeiro, amor eterno... Se estou iludida?! Problema meu. – Voltei a atenção para meu livro.

- Calma, senhorita Ortega – Ergue as mãos em defesa – Não falo mais assim, desculpe. Mas mudando de assunto, irá no próximo show do Michael? – Sorri com a simples menção de tal nome.

- Consegui uma folga nas gravações do filme e irei para o show – Ela gritou animada. Também era uma fã nata de Michael. – Fretei um jatinho e iremos ter lugar exclusivo na área que ladeia o palco.

- Cala a boca! – Deu pulinhos e eu acompanhei-a, tão eufórica que nem cabia em mim. – Quando será?

- No próximo domingo.

- Você tem de me deixar levar o Luke.

- Ainn, Callie, ele é um pé no saco. Fica mendigando um beijo meu.

- Ahh, como eu queria que ele mendigasse um meu... Nem precisava mendigar, eu o beijaria de graça. – Cai na risada. – Me deixe leva-lo, preciso conquistar o gato e ademais vai estar tão ligada no show, que nem vai lembrar da nossa existência.

- Está bem, o que não faço por você.

- Agora precisamos sair. Ande, mande preparar os seguranças.

- E para onde vamos, sua doida? – Perguntei aos risos.

- Ao shopping, precisamos de roupas lindas. Afinal eu quero conquistar o gato da escola e você quer conquistar seu príncipe e blá, blá, blá...


(...)


Michael


- Eu não quero saber disso, Frank – Disse irritado.

Aquela conversa, àquela hora da manhã era um calvário.

- Mas precisa, Michael. As vezes tem de parar e ouvir. Cara a situação está muito difícil, as vendas do último álbum não foram boas e nada do que estamos fazendo para divulgar Dangerous parece surtir efeito. Esse monte de lixo que divulgam a seu respeito está começando a fazer efeito e, sinto lhe dizer, mas daqui pra frente, se não fizermos nada, vai ser ladeira a baixo.

- Fico impressionado com o seu modo de ser otimista. – Me levantei exasperado.

- Como seu assessor, sou realista, coisa que você não é. Precisamos achar uma solução para isso.

- E o que sugere, porque eu não consigo imaginar mais nada! Já fiz tudo que poderia, até um show de divulgação farei no próximo final de semana.

- Eu ainda não sei... Mas terá de ser uma coisa que limpe sua barra na mídia, que mostre outro lado seu... Eu preciso pensar.

- E... enquanto pensa, me deixe em paz – Abri a porta do quarto para ele – Sem querer ser mal-educado, mas já sendo, pode sair? Preciso me arrumar, tenho uma visita a um orfanato marcado para daqui a uma hora. – Frank pegou sua maleta e levantou-se.

- E ainda mais essa... Não quer se valer de sua caridade – Frank balançou a cabeça em negativa.

- Como meu assessor a anos, deveria saber que jamais usaria isso para limpar minha imagem ou para me fazer vender mais discos. Ajudo por que amo fazer isso, ponto, agora vá, Frank, está começando a me irritar de verdade.

- Cuide-se, garoto, nos vemos no show do sábado.

- Até lá, seu velho chato – Ele sorriu e eu também – Mande um beijo para seus cabeças de maçã.

- Claro – Ele assentiu e se retirou.

Assim que fechei a porta, Crys surgiu do banheiro.

- As coisas estão realmente ruins não é? – Perguntou enlaçando-me pelo pescoço.

- Parece que sim, mas não vou ficar me preocupando com isso, preciso me aprontar.

- Por que não desiste dessas criancinhas remelentas e fica aqui comigo aproveitando a tarde, te faço esquecer os problemas em dois tempos. – Me irritei, tirando seus braços dos meus ombros.

- Já disse que odeio quando fala assim. Por favor vista-se e saia, não vou desmarcar meu compromisso. – Ela bufou e me encarou.

- Você às vezes é tão idiota.

- E você é sempre egoísta, agora me dê licença – Ela empinou-se e saiu porta a fora.

Enquanto o carro rumava par o orfanato, lugar que com certeza faria meu dia mais feliz, eu me perguntava o que poderia fazer para recuperar minha imagem, para que isso não afetasse mais nas vendas dos meus discos. Eu tinha um problema pela frente, e o pior era aquela falta de solução.

Capítulo 3

Penny


- Penny, a próxima cena será a romântica, tudo certo? – O diretor gritou. Eu apenas assenti – Voltamos em 20 minutos para gravar.
Me afastei dos demais, indo até um canto me refrescar com uma água.

- Ei, Penny – Tony, meu colega de profissão e atual par romântico no filme, parou ao meu lado.

- Algum problema Tony? – Perguntei, dando total atenção para minha água.

- Estava pensando se poderíamos sair hoje à noite – Ele deu de ombros – Pediram que te chamasse, já que quase todo o elenco do filme irá, será um tipo de comemoração, já que teremos uma pausa e depois vamos gravar o final.

- Claro – Sorri – Onde iremos?

- Clube Break of dawn, alugamos um espaço vip só para nós.

- Eu irei sim, levarei Callie comigo, ok? – Ele assentiu.

- Te vejo lá... Ás 10 horas – Tony beijou meu rosto e afastou-se sorridente.

Tony era o tipo exato de cara por quem eu me apaixonaria - se eu já não fosse apaixonada – Ele era doce, gentil, cavalheiro, divertido, generoso, lindo.... E gay... Claro que pouquíssimas pessoas sabem disso, já que ele é um ‘galã pegador’ para a mídia.

Logo voltamos a gravação e trabalhamos por todo o dia, parando apenas para um almoço rápido. No final do dia estava morta de cansaço, mas muito a fim de ir a essa festa, o que era estranho já que não era muito sociável. Mas estranhamente alguma coisa buzinava em meu ouvido para que eu fosse.

(...)

Michael


- Não sei o que tinha na cabeça quando deixei que me trouxesse aqui, Crys – Resmunguei, encolhendo-me em um canto.

- Relaxe, querido, ninguém vai te descobrir, está disfarçado – Olhei em volta hesitante. – Agora vamos aproveitar a noite, você precisa esquecer os problemas, venha – Crys puxou-me pela mão até o meio da pista de dança.

Em poucos minutos estávamos envolvidos no ritmo, dançando grudados. Crys se esfregava em mim, indecentemente.

- Crys – Sussurrei em seu ouvido, agarrando em seus cabelos com força – Pare de me provocar, ou acabarei até me esquecendo que estamos em público. – Ela sorriu, daquele jeito lascivo que só ela sabia sorrir e esfregou o traseiro com ainda mais afinco.

Agarrei sua cintura, movendo-me em seu ritmo, beijando e mordiscando seu pescoço. As pessoas começaram a se aglomerar ainda mais ao nosso redor e o medo de ser descoberto me engolfou, mas isso não me fez querer recuar, aquele perigo estava me deixando mais excitado.

- Michael – Crys gemeu e virou para me beijar, correspondi-a sem pensar duas vezes.

- Crys – Disse ofegante – Tenhamos bom senso, é melhor parar um pouco. – Ela balbuciou um muxoxo – Vou buscar uma bebida pra gente.

- Não, é melhor eu ir, você já está aí todo tenso com medo de ser descoberto, volte pra mesa, sim – Ela me deu um selinho e saiu se rebolando.

Uma nova música começou a tocar, como já havia bebido duas taças de vinho, e não estava em meu juízo perfeito, continuei lá, me remexendo, não demais, para não chamar atenção.

Estava absorto na música, absorvendo o ritmo de olhos fechados, quando senti um corpo quente encostar-se no meu, de primeiro achei que fosse Crys, mas ao abrir os olhos me deparei com uma garota, remexendo-se ao ritmo da música, estava tão envolvida que nem deve ter notado que se esfregava em mim, ou talvez notara e fazia de propósito, afinal esses jovens são todos muito modernos. De todo modo não me pareceu de propósito.

Ela era pequena, talvez 1 metro e 58 centímetros, cabelos castanhos, que caíam até o meio de suas costas, parecia magra, mas o traseiro empinado remexia-se com perfeição. Apesar do clima sensual que havia ali, ela não trajava nada com tal tema, como as demais mulheres. Estava com uma saia comportada, até o meio dos joelhos, um top e.... Um chapéu, um fedora, que lembrava até mesmo um dos meus. Eu ri suavemente pela sua escolha, usar um fedora em uma balada era meio incomum.

Estava tentado a agarrar em sua cintura fina e dançar com ela. O que era mais estranho ainda já que, de forma alguma, eu era de fazer esse tipo de coisa.

Acabando completamente com o clima uma amiga dela se aproximou e puxou-a, cochichando algo em seu ouvido. Acho que ela provavelmente disse que havia um ‘tarado’ e aproveitando dela enquanto dançava, por que a garota do chapéu virou-se de olhos arregalados.

- Você não tem vergonha... seu tarado – A menina gritou descontrolada - Estava se... se... – Suas feições mudaram e ela se calou de repente, me encarou tão profundamente que senti como se pudesse ver além de meus olhos.

E, caramba, ela era linda. Os olhos claros, a pele alva... Não dava pra ver mais do que isso, por causa da penumbra do lugar. Espera, eu conhecia aquela menina...

- Você - Ela disse trêmula – Seus olhos... eu conheço seus olhos...

- Vem – Crys apareceu de algum lugar e me puxou dali. A garota continuou paralisada enquanto eu era arrastado para fora, pelos fundos da boate, até o carro.

- O que deu em você Crys? – Perguntei irritado – Pareceu uma louca me arrastando da boate.

- Argghhh, aquela rata, ela ia te reconhecer – Disse tão irritada quanto eu.

- Que rata, mulher, de quem está falando?

- Da moleca que estava te encarando, te chamando de tarado, aquela era a ratinha, a da TV, que vive dizendo que vai se casar com você.

- Era ela? – Me surpreendi – Estava diferente.

- Era ela sim. Afinal o que porra você fez para ela estar te chamando de tarado? – Crys me encarou.

- Não comece com esses seus palavrões, é ridículo. E eu não fiz nada demais, a garota é louca, estava dançando, esfregando-se em mim e depois veio dizer que estava me aproveitando.

- Seu idiota – Crys me empurrou.

- Olhe aqui, Crys, sabe que odeio ser grosso, mas acho que preciso te lembrar que pra todos os efeitos você é apenas a minha assessora particular, nos damos bem na cama e fora dela, mas você não pode me cobrar nada, não temos um relacionamento. – Crys calou-se por um momento, mas logo cuspiu as palavras.

- Pois bem, você que sabe – Ela deu de ombros e afastou-se o máximo de mim no banco.

Acabei dormindo sozinho, frustrado e o pior de tudo com a imagem daquela garota na mente.

Capítulo 4

Penny


- O que deu em você, garota? – Callie me sacudiu, só então tirando-me do torpor.

- Callie, aqueles olhos... Eu conheço aqueles olhos, só podia ser ele.

- Amiga, você tem certeza que não estava perto demais do grupo de garotas que cheirava crack, por que estou achando que de alguma forma entrou um pouco de pó em suas narinas – Ela riu de sua piada boba.

- Eu falo sério, Callie – Disse séria – Era... era o Michael, precisamos ir atrás dele – Segurei a mão de Callie e antes mesmo dela me responder já estava arrastando-a comigo.

Me esgueirei entre as pessoas o mais depressa possível, mas ao chegar na frente da boate não havia nem sinal dele.

- Droga! - Bati o pé.

- Pare de loucura, Penélope, agora deu pra ver o Michael nos outro é?! Você não acha realmente que o Michael, o nosso Michael...

- O meu – Cortei-a.

- Que seja, o seu Michael, todo tímido e introspectivo estaria em meio a uma balada se esfregando com uma siliconada e depois tarando garotas sonhadoras, acha?

- Ele estava se atracando? – perguntei preocupada.

- Praticamente em um sexo explícito – Callie confirmou de olhos arregalados.

- É... Talvez não fosse ele mesmo – Suspirei.

- Obrigado, senhor, o efeito do crack está passando.

- Aiii, Callie, pare de coisa – Me afastei emburrada, voltando para a festa.

(...)

Depois daquele noite na boate não consegui mais tirar da minha mente a imagem daquele homem. Claro que não se parecia em nada com o Michael, tinha os cabelos curtos, era mais escuro e tinha uma barba rala... Mas aqueles olhos ainda me atormentavam, o modo como ele me olhou. Deus, eu provavelmente estou ficando louca.

- Penny, ligaram para dizer que o jatinho está pronto – Rose, uma das empregadas da casa, me disse.

- E Callie, viu se ela já chegou?

- A louquinha? – Ri de seu jeito de falar – Mandou avisar que lhe espera no aeroporto, e os seguranças também estão apostos.

- Obrigada, Rose – Levantei mais que depressa, catando minha bolsa e jogando-a no ombro. Antes de descer dei um beijo na bochecha gorducha de Rose – Diga a mamãe que mandei um beijo também.

- Eu digo. Se cuide boneca – Assenti e me afastei.

(...)

O voo até Londres, durou mais de 7 horas, o que com certeza me faria chegar atrasada ao show, tivemos que parar em uma cidade, onde o piloto me explicou todo sorridente, que havia um pequeno problema com o jatinho e que seria resolvido brevemente... Resultado? Passamos 4 horas, 4 malditas horas presas em uma saleta no aeroporto de Calverton.

Callie sorriu e jogou charme para Luke durante todo o tempo. Pelo menos ela havia monopolizado a atenção dele e o idiota pretencioso havia esquecido de minha existência. Ela nem notou minha apreensão.

Só para constar, a Callie é uma amiga maravilhosa, mas quando vê um possível conquista ela se esquece dos demais seres humanos.
O fato era que eu estava estressada, angustiada, louca com a possibilidade de perder o show.

“Ohh deuses das fãs apaixonadas, colabore comigo” – Pedi mentalmente.

Quando o avião voltou a levantar voo eu já estava prestes a chorar.

(...)

Michael


- Você não pode mesmo estar falando sério, Frank – Balbuciei chocado – Quem te deu essa ideia estapafúrdia? – Apertei meu nariz, nervosamente.

- É a solução dos nossos problemas, Michael. Você se casa, forma uma família e pronto, sua barra está limpa... Mas esse casamento tem de acontecer com alguém com a imagem limpa, alguém querido pela mídia.

- Você está louco – Alterei a voz – É obvio que não! Sabe quando faria algo como isso? Nunca. Até parece que não me conhece – Passei a andar pelo camarim de um lado a outro – Hey de me casar um dia quando conhecer alguém que eu ame, não por status.

- Continue com seu romantismo, vamos ver se ele salva sua carreira.

- Olha, não quero xingar e muito menos brigar com você, então me dê licença pois preciso acabar de me aprontar para o show. – Frank assentiu.

- Sabe que tudo que faço é pelo seu bem, apenas pra isso – Ele bateu em minhas costas – Arrase naquele palco – E saiu, batendo a porta.

E mais essa agora, onde já se viu!

Ignorei Frank e continuei minha preparação para o show.

(...)

Penny


- Vamos, Callie, pelo amor de Deus – Puxei Callie com mais afinco pela estreito corredor que daria até o palco onde Michael já se apresentava.

Minha vontade era de correr, gritando, feito uma louca, mas precisava me conter.

Eu já podia ouvir sua voz suave interagindo com o público e isso estava me deixando arrepiada da cabeça aos pés. Pelo que me disseram o show começara a 20 minutos atrás, era uma droga eu ter perdido o início, mas o importante era que o veria se apresentar e o mais importante, poderia ir até seu camarim depois do show.

É claro que não era o primeiro show em que eu fui. Na verdade é o 5°, mas nunca tive a oportunidade de vê-lo tão de perto, até por que depois que comecei a atuar em Hollywood, emendei um filme no outro, desde meus 18 anos, e não tive oportunidade de ir a show algum.

Então era isso, era a hora, a realização do meu sonho.

Parei ao lado do palco, exatamente onde me mandaram e lá estava ele... Meu príncipe, em seus mocasins e meias brancas, com o rosto suado, a voz de menino e o jeito de homem...

Lágrimas grosas e quentes desceram por meu rosto e eu sorri... Como eu amava-o, muito além do amor que uma fã sente por seu ídolo. Ele era meu sonho personificado.

Capítulo 5 

Penny


E eu fiquei ali, bebendo da beleza dele, da forma única como cantava, como dançava. Eu havia me esquecido de tudo a minha volta, não notei se haviam mais pessoas perto do mim... Era apenas Michael e eu, no mundo romanesco que eu sempre idealizei.

Ele apresentou 2 músicas sem pausa, ‘Human nature’ e ‘Smooth criminal’. Claro que cantei, dancei e babei com cada movimento milimétrico dele, mas a música que se seguiu me deixou cheia de uma mistura de orgulho e ciúmes, Siedah entrou no palco para cantar ao lado dele, e toda aquela encenação e toques me deixaram uma pilha de nervos. Talvez fosse uma inveja atroz dela estar fazendo tudo aquilo com ele, dela estar recebendo aquelas mãos em seu corpo, dele estar sorrindo daquele jeito pra ela... Era bobo e infantil eu sentir ciúmes, mas sentia.

Depois de I just can’t stop loving you, foi a vez de She’s out of my life. Bem, e se eu achava que senti ciúmes da Siedah nem poderia nominar o que senti ao ver aquela fã agarradinha com ele, dançando, sussurrando em seu ouvido... Mais uma fã, será que era apenas isso que eu seria na vida dele?! Não, algo em meu íntimo sempre me disse que ela seria mais que isso.

Michael deu uma pausa, uma grande cortina negra se fechou em frente ao palco. 

Eu passei os olhos rapidamente ao meu redor e vi que Callie estava de mãos entrelaçadas com Luke em um canto mais afastado. Havia mais umas 10 pessoas ao meu lado, todas elas parecendo importantes e ricas, em seus trajes sofisticados demais para um show, eu deveria parecer uma rip perto deles. Tenho certeza que só não seria destratada por que todos me conheciam e de jeito nenhum fariam isso com e ‘queridinha de Hollywood’ ... Título mais besta.

Quando voltei a olhar para o palco Michael estava com uma garrafa de água em mãos, bebericando, enquanto uma mulher lindíssima e lhe parecendo íntima, lhe enxugava o rosto e sorria de volta pra ele. Meu estomago se apertou em um nó com a cena... Por algum motivo, que eu não sabia denominar aquilo me machucou muito mais do que as cenas com Siedah e com a fã no palco.

Antes da mulher se afastar ele segurou a mãos dela e puxou-a para cochichar algo em seu ouvido, ela riu e finalmente deixou-o sozinho. Era a minha grande chance, eu tinha pouco tempo até as cortinas se erguerem novamente, mas eu precisava falar com ele, e teria de ser agora.

Me desviei da horda de seguranças que havia por perto, disfarçadamente, e consegui me aproximar, mais alguns passos.... Pouquíssimos passos e estaria de frente a ele, já podia sentir eu cheiro, o calor da sua pele, a maciez de seus cabelos... Duas mãos fortes me seguraram no lugar.

- Onde vai, senhorita? – O homenzarrão perguntou, me encarando muito sério.

- Ia... Falar com o Michael – Dei de ombros, tentando parecer tranquila. O homem arqueou a sobrancelha.

- Não pode ir até lá, sinto muito...

- Mas, mas é que.... – Enquanto eu buscava uma boa desculpa para dar aquele brutamontes, ouvi alguém balbuciar.

- Qual o problema aqui, Ravier? – Meu Deus, era aquela voz suave, aquela voz que escutei durante toda vida, aquela voz que me acalmou em momentos difíceis, que me alegrou em momentos tristes.

O brutamontes finalmente me soltou e saiu da minha frente e só assim pude vê-lo. Os cachos grudavam em seu rosto suado, sua roupa parecia perigosamente grudada demais ao copo, seus olhos brilhavam e seu sorriso se alargou ao me encarar.

- Nenhum, senhor, apenas a moça queria ir até o palco, mas expliquei-lhe que é contra as regras.

- Tudo bem, eu falo com ela, Ravier – O grandalhão assentiu.

- Sim, senhor.




- Michael – Disse, e sorri, por que era humanamente impossível não sorrir com Michael olhando pra você – Me... me desculpe o transtorno é que sou sua fã... Bem, acho que isso já deu pra notar – Ele cruzou os braços e riu, prestando a atenção em mim – Eu só... queria falar com você antes de dar continuidade ao show... e... Bem, meu nome é... Ahh, meu Deus, como é mesmo meu nome? – Sussurrei pra mim mesma. Michael franziu o cenho e comprimiu os lábios, provavelmente segurando uma risada.

- Para dar tempo que lembre seu nome, deixa que me apresente primeiro, se bem que acho que já sabe que sou o Michael – Ele me estendeu a mão e eu mais que depressa apertei-a.

Foi a melhor sensação que já tive em 20 anos de vida, ter algo meu ligado a ele era simplesmente a plenitude.

- Eu sou a...

- Penny Ortega, a queridinha de Hollywood. – A mulher completou.

Era a mesma que até poucos minutos atrás estava cochichando com Michael, agora estava parada bem atrás dele, de alguma forma parecendo sua dona.

- Isso, Penny Ortega – Sorri para Michael.

- É um prazer, Penny – Michael levou minha mão até os lábios e beijou-a – O show recomeçará agora – Ele fez um gesto de cabeça para o centro do palco – Mas nos falaremos mais em breve, espero-a no meu camarim.

- Cla... Claro – Ele se afastou, ladeado pela mulher, e eu voltei para meu lugar.

Eu não sei como consegui caminhar até o lugar onde estava antes, minhas pernas estavam tão bambas que pensei que fosse cair a qualquer momento, o coração tão acelerado que a medida que ele batia meu peito doía.

- Meu, Deusinho do céu, o que foi aquilo, Penélope Ortega? – Callie perguntou aos gritos, finalmente ela pareceu ter deixado Luke respirar.

- Eu... sei lá, só sei que precisava falar com ele e fui – Dei de ombros. Ainda podia sentir os efeitos colaterais que meu contato com ele me causou. Minha pele estava quente, quer dizer, eu estava quente em lugares bemmm estranhos.

- E ele? O que falou? Como é tão de perto? Cheira bem? – Ela me sacudiu pelos ombros para que eu saísse da minha letargia, mas eu estava afundada demais em meu mundo dos sonhos para voltar a realidade.

- É perfeito – Foi a única palavra que achei para defini-lo. Luke, que pairava atrás de Callie revirou os olhos, enquanto minha amiga dava pulinhos afetados.

- E então? O que mais?

- Vou vê-lo no camarim – Responde, sorrindo.

- Sua sortuda de merda – Ela me deu um tapa – Concelho da Callie, tente não quebrar nada no camarim, nem parecer uma adolescente com retardo mental e, número um, haja como uma mulher e não como uma garota, ele não vai olhá-la se for assim.

- O Michael não é assim, Callie, agora cale-se, o show vai recomeçar.

Eu passei os próximos minutos completamente fixada em cada movimento que Michael fazia, em cada nota que sua voz atingia, em cada mínima coisa que sua habilidade de dançarino executava.

Ele olhou para a lateral, onde estávamos eu e mais algumas pessoas e sorriu... Eu quase me derreti com tal cena, mas não poderia dizer que aquele sorriso era unicamente pra mim, ele estava apenas sendo simpático.

Porém algo dentro de mim inflou, uma necessidade absurda de fazê-lo sorrir daquele jeito, para mim, só para mim.

Quando o show terminou, Michael foi ovacionado pelos milhares de fãs que o assistiam e depois que as cortinas baixaram ele foi cercado por uma dúzia de pessoas e levado para o camarim.

Umas duas senhoras e duas jovens enfim me reconheceram e me alugaram por algum tempo.

Eu falava com elas simpaticamente, mas meus pensamentos estavam em Michael, na oportunidade que eu teria de ficar com ele alguns minutos a mais.

30 minutos depois eu havia me livrado das mulheres, de Callie, Luke e da minha timidez e rumei para o camarim.



Capítulo 6

Penny

Havia uma quantidade notável de gente indo e vindo pelos corredores, algumas das pessoas que estavam ao meu lado no palco, pessoas que trabalhavam nos bastidores dos shows, e um número considerável de seguranças. Passei timidamente por todos, parando apenas uma vez para me indicarem o caminho. Ao chegar em frente a porta onde, provavelmente, ficava o camarim dele, haviam 3 seguranças, que me olharam feio imediatamente.

- Boa noite, rapazes, aqui é o camarim do Michael certo?

- Certo, senhorita e por um acaso a senhorita acha que entrará aqui?

- Eu não acho, eu vou entrar – Disse já me irritando.

Eu era um poço de paciência, mas quando eu a perdia, sai de baixo!

Os homens riram da minha cara.

- Olha aqui – Me preparei para dizer, mas fui interrompida por um homem que deixava o camarim.

- Qual o problema aqui? – Um dos seguranças apressou-se em responder.

- Essa senhorita quer entrar no camarim do senhor Jackson – O homem finalmente me olhou, analisando-me da cabeça aos pés.

- Sou Penny Ortega – Estendi a mão para ele.

- Claro, a mais nova queridinha de Hollywood, a que vive espalhando que vai casar-se com Michael – Assenti, enquanto nossas mão se uniam. – Michael lhe espera, senhorita. – Ele me olhou estranhamente mais uma vez – Espero que se entendam – E a propósito, meu nome é Frank.

- Prazer Frank – Sorri e logo ele estava me dando passagem ao camarim de Michael.

- Fique à vontade, o Michael está acabando de se trocar e já volta – Assenti e o homem saiu, fechando a porta.

Fiquei muito tentada a correr até o banheiro e dar uma espiada em Michael enquanto ele se trocava, mas decidi agir, pelo menos uma vez, de acordo com os concelhos de Callie, nada de ataques de meninice por ali.

Vaguei pelo saleta mediana, admirando cada pequena coisa, deslumbrada com o cheiro maravilhoso de baunilha que se expandia por ali – Era o mesmo cheiro que eu sentira ao estar perto de Michael no palco – Caminhei até uma mesa, que ficava em frente a um grande espelho e comecei a fuçar nos pertences que estavam ali... Alguns itens de maquiagem, uns dois frascos de perfumes, alguns ursos de pelúcia, flores e cartas – Que provavelmente foram jogadas por fãs no palco – Três porta-retratos com fotos de crianças e um porta-retratos com uma foto dele, esse agarrei em mãos e passei a observar, foi impossível não sorri vendo-o tão lindo naquela foto, correndo por um gramado verde, feito uma criança.

- Gosta da foto? – O porta-retratos quase voou das minhas mãos tamanho o susto, mas conseguir colocá-lo em cima da mesinha sem derrubá-lo, me virei e vi Michael parado no meio da sala, vestido em uma calça preta, camisa vermelha e seus cachos molhados estavam soltos.

Tudo em mim era sensações. Eu era uma espectadora admirando sua obra de arte preferida, entorpecida pelos traços que, em conjunto, formavam aquela perfeição. Metaforicamente falando ele era para mim uma obra de arte ambulante.

- Mas então – Ele franziu o cenho, provavelmente puxando da memória meu nome.

- Penélope, mas pode me chamar de Penny.

- Claro, Penny, a queridinha de Hollywood – Disse sorrindo.

- Odeio esse rótulo, me faz sentir como um vidro de Nutella – Michael riu. E isso me tirou o ar, verdadeiramente.

- Daria uma ótima comediante.

- E você um ótimo espectador, ri de tudo que falo – Disse divertida.

- Não me leve a mal, sou meio bobo as vezes.

- Então é dos meus –Sorri.

Ficamos uns poucos segundos calados, nos olhando.

- Então – Michael pigarreou – Gostou do show?

- Você é sempre maravilhoso. Estava louca por não ter conseguido ir a um dos seus shows antes.

- É o primeiro?

- Ohh, não, já fui a 4 outros shows, mas faz um bom tempo. O que pensa, minha história ‘correndo atrás de você’ é bem longa. – Ele cruzou os braços e ergueu a sobrancelha – Faz mais de 10 anos que corro atrás de você.

- Então deve estar bem cansada – Foi minha vez de rir.

- Você também tem um lado comediante, não é?! – Ele assentiu.

- Algo em comum. – Me peguei encarando um fedora, que estava sobra a cadeira.

- Se quiser, é seu – Michael deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.

CARA, ERA O CHAPÉU DO MICHAEL JACKSON, DO CARINHA QUE ANDA PRA TRÁS!

Quase corri até lá para pegar o chapéu, logo me desfiz da tiara que usava e o coloquei em minha cabeça.

-Tenho uma espécie de fetiches por chapéu, não ligue – Ele assentiu.

- Mas então soube que é uma jovem atriz de Hollywood, muito talentosa por sinal, já que já foi indicada inclusive para o Oscar, atriz revelação, certo?

- Certo, mas não levei, quem sabe até os 70 anos não consiga algum.

- É, quem sabe – Ele riu – Preciso assistir um filme seu, tenho de prestigiar uma fã assim tão talentosa.

Essa era uma frase simples, certo? Então fale isso para meu cérebro que simplesmente bugou depois disso.

Fiquei tão loucamente desconcertada e excitada que tropecei para trás e esbarrei na mesinha, derrubando um dos vidros do perfume, que espatifou-se no chão.

- Ohh meu Deus – Apressei-me em abaixar para catar a coisa toda.

- Não precisa, Penny, é bobagem – Antes que ele pudesse me parar eu já estava com um corte no dedo.

- Auu – Gemi, largando o vidro.

- Viu, se machucou – Ele parecia ligeiramente bravo. Sem se tocar no que fazia ele agarrou minha mão e levou-a aos lábios, sugando o machucado.

Santa mãe das periquitas molhadas, o que foi aquilo?!

Quando seus lábios fecharam-se sobre meu dedo tudo começou a ficar em câmera lenta, vi perfeitamente quando suas bochechas ficaram côncavas quando ele sugou o lugar, seus dentes roçando muito levemente ali, vi como seus olhos fecharam-se e 2 segundos depois ele havia notado o que fazia e soltado minha mão.

A essa altura eu tinha 3 reações colaterais, estava completamente ofegante, minha garganta estava seca, e posso dizer perfeitamente que toda a umidade do meu corpo estava concentrada entre minhas pernas.

- Desculpe – Ele disse, parecendo desconcertado – Parece que tenho fetiche por sangue – Brincou e eu ri, feito uma idiota.

- Oh droga eu fiz as três coisas – Exteriorizei meus pensamentos. Logo tapando minha própria boca.

- Que coisas? – Perguntou de cenho franzido.

- Coisas da Callie, ela me disse para não agir como uma adolescente com retardo mental, eu agi, me disse para não quebrar nada, eu quebrei, e me disse para não agir como uma garota, eu agi.

- Eu gosto do seu jeito – Disse. E fiquei com medo danado do meu cérebro ‘bulgar’ de novo.

- Michael... – Frank entrou no camarim feito um furacão, mas parou assim que me viu – Desculpe, eu não sabia que a queridinha de Hollywood ainda estava aqui.

- Não a chame assim, faz ela se sentir como um vidro de Nutella – Eu e Michael rimos. Frank assentiu parecendo desconcertado.
- Precisamos falar – Ele disse.

- Acho que isso é um ‘saia Penélope’ – Sorri. Michael deu de ombros.

- Gostei muito de falar com você, Penny, espero vê-la em meus próximos shows.

- Farei de tudo para ir, mesmo. Errrr, posso te dar um abraço? – Michael sorriu.

- Mas é claro que sim – Ele abriu os braços e eu joguei-me neles feito uma garotinha de 5 anos. Abracei-o forte, inalando seu cheiro tão profundamente que pensei que jamais sentiria outro cheiro sem me afetar com aquele aroma de baunilha. Finalmente soltei-o e me afastei.

Frank abriu a porta para mim e eu caminhei para sair.

Porra, dar as costas para um sonho era difícil.

Me virei e encarei-o.

- Michael?!

- Sim?

- Obrigado!

- Pelo que especificamente, Penny?

- Por existir – Eu me virei e sai dali.

Estava com um nó na garganta, uma mistura de felicidade por finalmente tê-lo conhecido, de tristeza por ter de deixa-lo para trás, de incerteza por não saber quando o verei novamente, e amor, tanto amor que parecia que meu peito iria explodir, conhece-lo me levou a um nível de amor inimaginável até para mim que acredito em contos de fadas.

- Penny – Ouvi alguém gritar e me virei.

O homem gordo e barrigudo vinha quase correndo em vinha direção.

- Hum, oi Frank!

- Bem, pode me dar seu número de telefone, Michael pediu que o pegasse já que quer guardar seu lugar no próximo show.

- Cla... claro – Passei quase 5 minutos para conseguir lhe dizer todos os números, mas foi.

- Obrigado, nos veremos em breve.

- Com certeza – Assenti e sai dali.

(...)


Frank encarou a menina até ela sumir de suas vistas. Ele olhou para o número dela e seu celular e sorriu.

- É ela!


Capítulo 7

Penny


A volta pra casa foi letárgica, mas estava tão nas nuvens que nem sequer prestei a atenção em Luke, Callie e no que eles faziam, é claro que ela tentou arrancar de mim o que aconteceu no camarim e eu contei a ela resumidamente. Algumas horas de voo depois eu caí no sono e só acordei quando já estava de volta a Hollywood. Para minha desgraça os paparazzi e boa parte da imprensa descobriram a minha estada no show de Michael e acamparam no aeroporto, resultado?! Levei quase 2 horas pra conseguir sair dali sem ser atropelada por aquele bando.

Finalmente estava em casa depois de horas de vai e vem – Que, a proposito valeram muitoooo a pena.

Mamãe recebeu-me na porta, com uma carranca que me fez querer voltar para o aeroporto e pegar o primeiro voo.

- Satisfeita? – Disse assim que atravessei as primeiras escadas da casa.

- Mãe, estou muito cansada, a senhora pode esperar pra encher meu saco amanhã, depois das 10, por favor – Revirei meus olhos.

- Você fica agindo feito uma idiota nas entrevistas, uma retardada, larga as gravações do seu filme e some atrás daquele esquisito, ao invés de aproveitar a pausa e ler o texto, estudar... Sabe o que aconteceu? – Ela gritou e só assim eu parei e encarei-a – Cancelaram o próximo filme. Você tem noção? Perdemos milhares de dólares sua idiota – Ela segurou meu braço com força.

Engoli o choro e encarei sua mão.

- Primeiro me solte – Relutante, ela o fez – Segundo não tenho obrigação alguma de sustentar você, seus luxos e seus namorados. Eu perdi milhares de dólares, foda-se, trabalho se eu quiser, está achando ruim, trabalhe você! – O tapa que ela me deu fez meu rosto arder instantaneamente.

- Sua insolente, está de castigo até que diga o contrário.

- Não me faça rir – Ignorei-a e subi as escadas correndo.

Como um dia que começara tão maravilhoso terminava assim?

Cai sobre a cama, agarrada em meus travesseiros e chorei, não pelo tapa, não pelas palavras de minha mãe... Eu chorei de pura carência, falta de amor, de carinho... Um abraço, um simples abraço de Michael, como aquele que dera a algumas horas atrás e isso me bastaria. Sorri em meio as lágrimas ao lembrar-me de nossa conversa, de como ele riu de minhas bobagens, do jeito que ele sugou meu dedo... do seu chapéu... Deus, o chapéu... Tirei o fedora da minha cabeça e encarei-o, aquele foi o pedacinho dele que trouxe comigo.

SENHOR, AGORA ELE TINHA MEU NÚMERO! MICHAEL JACKSON PEDIU MEU NÚMERO!

Bem, tecnicamente não foi ele, mas não interessa. Eu iria fantasiar com sua ligação até que estivéssemos frente a frente novamente.
Como boa fã eu já sabia onde seria seu próximo show de divulgação de Dangerous e eu iria atrás, o diretor do filme que me esperasse, minha mãe que arrancasse os cabelos, mas estava na hora de correr atrás dos meus sonhos, quer dizer, meu sonho, e eu ia tê-lo pra mim.

(...)


Michael


Já estava voltando para o hotel, a rotina de sempre. Daqui iríamos para o próximo país e isso aconteceria mais 5 vezes. Não era bem uma turnê, por isso tão poucos shows, era apenas uma divulgação tardia de Bad e um pré-lançamento de Dangerous.

Eu esperava que aqueles shows dessem resultado nas vendas, caso não eu estaria sem saída. A Sony, provavelmente me demitiria e daí pra frente seria ladeira abaixo – Como sempre disse o Frank – E apesar de odiar esse pensamento era a realidade que bate a minha porta.

Parece que Michael Jackson, dos sucessos dos Jackson Five, do recordista Thrillher, fora afogado pela enchente de fofocas dos tabloides, todas elas denegrindo minha imagem.

Balancei a cabeça, tentando dissipar tais pensamentos, era melhor não ficar me martirizando com isso.

Quando meus olhos voltaram para o meu colo vi ali a tiara que Penélope havia deixado. Eu sorri ao me lembrar dela, era uma garota muito simpática, com certeza seria uma amiga ótima para se ter.

- De quem é isso? – Crys perguntou, só agora me lembrando que ela estava ao meu lado no carro.

- De uma fã – Menti, evitando uma briga exponencial.

Levei o aro de rosas até o nariz e inalei o perfume, as rosas ainda cheiravam muito forte e eu pensei em quão delicado era alguém usar algo assim, parecia combinar com Penny.

- Parece estar tão longe, querido – Crys acariciou meu rosto, aproximando o nariz do meu pescoço.

- Apenas problemas, meu anjo – Ela sorriu e me deu um suave beijo.

- Sei como te livrar deles, pelo menos por um tempo. Já estamos chegando no hotel.

E ela sabia mesmo!

Assim que atravessamos as portas do meu quarto ela já foi me despindo e jogando-me na cama.

Primeiro ela chupou-me com tanta volúpia que achei que não fosse aguentar, depois ela montou-me como uma perfeita amazonas e acabei a noite encostando-a na parede e levando-nos ao êxtase.

Depois de mais essa torrente de esforços estava morto, caímos na cama e logo dormíamos.



Capítulo 8

Penny


Uma semana depois...

“- Mas, Jhonny, se você for, talvez jamais voltaremos a nos ver – Balbuciei desesperada.

- Neném, eu te prometo que volto assim que puder – Ele acariciou meu rosto e sorriu”

-CORTA! – O diretor gritou. – Pausa de 20 minutos.

Me afastei dos meus colegas de cena e fui buscar uma água, assim que me sentei em uma das banquetas que ficavam largadas por ali, Callie apareceu ao meu lado saltitante.

- Como está minha amiga mais sonhadora? – Ela estalou um beijo em minha bochecha, antes de sentar-se ao meu lado.

- Não muito bem – Dei de ombros.

- Ainda a sua mãe?

- É, ela fez o favor de trocar de namorado pela enésima vez e o pior, agora colocou-o dentro de casa. É um folgado, fica me olhando de uma forma estranha.

- Tenha cuidado com esse cara, Penny, não tenho um bom pressentimento sobre ele. Não sei o que passa na cabeça de sua mãe, arruma um cara que tem idade para ser seu filho e ainda o aboleta dentro de casa.

- Vivem todos as minhas custas e ela ainda se recusa a falar comigo por que perdi o filme.

- Mande aquela velha pentear macacos – Callie disse brava – Por que não vem dormir em minha casa esse final de semana? – Assenti.
- Obrigado, Callie – Sorri.

- Sabe que amo você, Penny, sou capaz até de ceder meu quarto só para não vê-la assim tristinha. – Ela agarrou meus ombros abraçando-me.

- Vou melhorar, afinal o show do Michael é nesse final de semana. – Sorri.

- Nada de ligações?

- Não – Fiz uma careta.

- Infelizmente não poderei ir nesse, mas vou ficar torcendo por você. Hum... e o filme e sua mãe?

- O diretor me liberou e enquanto a mamãe, estou pouco me lixando, eu vou e ponto.

(...)

Frank encarou o nome gravado em seu celular pela décima vez e finalmente resolveu ligar. Três chamadas depois e uma voz beirando a infantil, atendeu-o.

- Alô?

- Penélope Ortega?

- Sim, sou eu, quem fala?

- Aqui é o Frank, trabalho para o Michael, lembra-se de mim?

- Ohh, é claro. A que devo a honra Frank?

- Liguei para saber se sua vinda ao show está de pé? E para dizer que seu lugar vip está mais que reservado.

- I... Issss.. Isso é sério? 

- Claro que é, o próprio Michael lembrou-me de chama-la.

Mentira! Mas ela não precisava saber disso.

- Mesmo?

- Sim! Virá?

- Mas é claro que vou – Ela quase gritou do outro lado.

- Então o Michael a espera...

(...)

“Então o Michael a espera...”

Aquela frase ficou rodando em círculos em minha mente por umas 5 horas ininterruptas. Ele estava me esperando. E eu precisava, já, arrumar minha passagem e uma roupa linda para ir ao seu encontro.

(...)

O final de semana chegou tão rápido quanto eu pedi que chegasse. No sábado pela manhã sai da casa de Callie carregando uma pequena bolsa e sendo escoltada por quase 10 seguranças. Para a minha infelicidade matinal havia mais de 20 repórteres e paparazzis em frente à casa dela.

Ignorei meu celular que tocava estridentemente, pois já sabia que era mamãe, que a essas alturas havia descoberto minha ia á Toronto, para prestigiar mais um show do meu príncipe.

Callie me deu um abraçou amoroso e me desejou sorte antes de eu finalmente estrar no carro e passar pelo mar de gente que se aglomerava em sua porta.

Finalmente no aeroporto, mas ainda sem me livrar de alguns repórteres, consegui sentir-me mais tranquila.

- Penny, como se sente sabendo que tudo que faz é um sucesso, que é adorada pelas jovens do mundo todo?

- Muito honrada, mas não faço nada demais para merecer endeusamentos, gosto que apreciem meu trabalho, só. – Disse, tentando me livrar da última repórter, que conseguiu me seguir até o portão de embarque.

- Você está indo a mais um show do Michael Jackson, tudo que fala sobre ele nas entrevistas é verdade? Não o acha esquisito por tudo que dizem na mídia? – Parei e encarei-a.

- Vocês da mídia só escrevem o que vende, não importa se isso vai ou não ferrar com a vida da pessoa, eu jamais me basearia em algo que digam para julgar qualquer pessoa. Eu amo o Michael desde meus 10 anos de idade e confio no que vejo em seus olhos e no que aprendi com ele. E a respeito do que digo em minhas entrevistas? Tudo verdade! Ainda ei de me casar com ele. Fui clara? – A repórter assentiu.

- Mas não acha-o um gay enrustido? – Respirei fundo.

- Deveria se preocupar com a virilidade do seu marido. Michael é um artista e deve ser admirado por sua arte e não se possivelmente gosta de homem ou mulher. E só para não te deixar sem reposta, NÃO, EU NÃO O ACHO GAY! – Pedi para que os seguranças impedisse da mulher me segui e sai bufando pela parte mais vazia do saguão do aeroporto.

Em mais algumas horas eu estaria novamente de frente a ele, e tudo que eu mais queria era abraça-lo como fiz da última vez, sentir seu cheiro, seu calor e pensar que algum dia eu ainda terei aqueles braços ao meu redor, aquele corpo junto ao meu e aquela boca beijando-me.


Capítulo 9

Penny

Dessa vez eu não cheguei atrasada ao meu destino, deu tempo de fazer tudo que eu queria antes de ir para o show. Tomei um banho demoradíssimo, me arrumei cuidadosamente, me maquiei do jeito que queria e finalmente saí para o lugar do show.

Não, eu não estava menos ansiosa dessa vez, era sempre como se fosse a primeira vez que eu fosse vê-lo performar... Só de pensar nisso meu corpo inteiro já se arrepiava... E depois? Será que ele me receberia no camarim outra vez? Será que eu voltaria a senti o calor daquele corpo, será que eu veria aquele sorriso de perto?

Deus, como eu queria tudo isso, queria tanto que doía.

Estava com os olhos fixos no palco quando ele apareceu, concentrado, lindo, simplesmente Michael.

O show deu-se início e fui inundada por aquele mar de emoções que era vê-lo de perto. Senti amor, ciúmes, paixão, cumplicidade, felicidade e bem... excitação, aquele homem instigava todos os meus instintos. Para resumir foram 2 horas de êxtase vendo-o ali.

Infelizmente ele não me notou ali, de alguma forma parecia preocupado, e então nos momentos de pausa não ficava no palco, como no outro show em que vim.

Gastei cerca de 20 minutos conversando com algumas pessoas famosas que estavam por ali, louca para que alguém viesse me resgatar, dizer que ele estava me esperando. Como isso não aconteceu me resignei a me despedir dos demais e me preparar para ir embora.

- Penélope – Ouvi alguém chamar-me e me virei, notando Frank parado a alguns metros de mim. – Já ia embora? – Me aproximei sorrindo.

- Prazer revê-lo, Frank, está bem? 

- Muito bem, garota. Não ia dar uma passada no camarim do Michael?

- Eu? Er... bem, achei que se ele não me chamou eu.. er não deveria ir.

- Deixe de bobagens, pode ir até lá. – Assenti e um largo sorriso iluminou meu rosto.

Quase corri quando alcancei o corredor que daria no camarim, quando finalmente cheguei na porta estava ofegante e provavelmente um caos. Tomei algumas respirações, passei os dedos pelos cabelos e finalmente bati na porta, ainda impressionada por não ter visto seguranças por perto.

- Entre – Sua voz suave disse-me.

Eu hesitei, mas entrei no camarim. Ele estava esparramado em um grande sofá, de óculos escuros e cabeça baixa... Meu menino parecia tão triste.



- Tem certeza que não atrapalho? – Perguntei, parada a alguns metros de distância.

Ele levantou a cabeça e encarou-me.



- Me desculpe recebê-la assim, Penny – Ele levantou-se rapidamente e me estendeu a mão – Como tem passado?

- Bem – Dei de ombros, agarrando sua mão e apertando-a, sentindo prazer em apenas ter sua pele contra a minha. – Não quero atrapalhar, mas o Frank disse que podia entrar e bem... eu queria agradecer pelo convite.

- Convite? – Perguntou parecendo confuso.

- É, por ter me chamado para o show e ter reservado um ótimo lugar na área vip para mim – Michael franziu o cenho e me encarou como se não soubesse do que eu falava, mas logo se recompôs.

- É claro, é sempre um prazer – Ele pigarreou – Sente-se, aceita tomar alguma coisa?

- Oh, não, estou bem – Me sentei ao seu lado no sofá e antes de se recompor totalmente ele agarrou os sapatos para calçá-los. – Belas meias – Comentei. – Ele me encarou um ínfimo sorriso despontou e seus lábios.

- Belo chapéu – Respondeu, foi minha vez de sorrir.

- Vou levar como um elogio, já que estava sendo sarcástica a respeito de suas meias – Ele se endireitou totalmente e me encarou.

- Talvez foi, talvez não – Minha boca formou um perfeito ‘o’.

- Então você sabe ser implicante, não é? – Ri, estreitando meus olhos.

- Isso foi para te irritar, você, seu chapéu e seu fetiche por eles estão lindos – Ele disse isso assim, como quem diz “bom dia”, mas não tem noção do que causou em mim.

Me senti toda quente, tanto que poderia jurar que minhas bochechas estavam rosadas.

- Posso fazer uma pergunta intrometida?

- Posso dizer que te acho intrometida. – Eu ri, vi que estava brincando.

- Leve-me a sério. – Empurrei-o levemente e ele riu.

Orgulho inchou meu peito por fazê-lo sorrir assim, quando me parecia tão triste.

 - Pergunte.

- Por que parece preocupado?

- São as vendas dos álbuns, não tem melhorado com esforço algum – Ele suspirou.

- Ora, pois não deve ficar triste com isso, não é culpa sua que 80% da população mundial tem uma séria tendência para fazerem seus ouvidos de pinico. – Disse brava. O que ouvi a seguir foi uma sonora gargalhada, que me deixou até assustada.

- Você é uma peça, Penny. 

Eu fixei meus olhos nele, na expressão deliciosa que ele fazia quando ria, e eu tive uma vontade louca de jogar-me em seus braços, de beijar aqueles lábios, de provar tudo dele.

- Não deveria rir, estava falando sério – Completei, me deixando contagiar pelo seu riso.

Ele me encarou por breves segundos.

- Sabe, deveria me visitar em Neverland quando eu estiver por lá – Arregalei meus olhos e senti meu coração acelerar.

- Nunca mais chame uma fã para ir à Neverland assim, como quem diz ‘vamos a esquina’ ou terá algumas dúzias de garotas mortas.

- Você é o exagero em pessoa – Ele meneou a cabeça.

- Isso é realidade, Michael Jackson.

Ele esfregou os olhos e tentou disfarçar o bocejo.

Ohh meu Deus, ele parecia um garotinho assim! 

EU QUERIA COLOCÁ-LO NO COLO. 

NÃO! EU QUERIA QUE ELE ME COLOCASSE NO COLO.

- Entendi o recado e estou de saída – Levantei-me e ele me acompanhou.

- É, sério, quero você em Neverland.

Por favor, ele pode parar de falar assim, ou eu juro que vou agarrá-lo.

- Eu irei – Segurei minha vontade de gritar – Me ligue quando estiver lá.

- Ligar?! Como?!

- Michael, com o aparelho de telefone, é claro. Já tem meu número então é meio caminho andado.

- Claro – Ele riu, sem jeito – Eu tenho seu número.

Antes que eu abrisse a porta Frank entrou no camarim, segurando um charuto nos lábios.

- Hora de voltarmos ao hotel, Mike. – Michael assentiu.

- Já estava mesmo de saída – Sorri triste. Essa sempre era a pior parte, deixa-lo para trás.

- Penélope, amanhã teremos um almoço em um parque aqui em Toronto. Por que não nos acompanha? – Engoli em seco.

- Como? 

Meus ouvidos só podiam estar me enganando.

- Isso mesmo, venha com a equipe – Frank disse sorridente – Tenho certeza que sua presença tornará tudo mais divertido, não é Michael? – Michael olhou de Frank para mim uma dúzia de vezes antes de responder.

- É claro, venha conosco, Penny. Esteja aqui ás 12 horas, por favor.

- Eu... er... Meu Deus – Sibilei – Eu virei. Obrigado pelo convite e.. Até amanhã.

- Até – Michael assentiu e eu finalmente sai, batendo a porta.

Fiquei tão aturdida que nem lembrei-me de lhe pedir um abraço.

Eu não iria deixa-lo para trás, simplesmente almoçaria com ele amanhã...

E que dane-se o filme e todo o resto, eu iria ficar.

(...)


Michael

- Desembuche, Frank, o que anda maquinando? Pegou o número dessa menina sem que eu soubesse, chamou-a para o show em meu nome e agora convida ela para nosso almoço em equipe. O que pretende com isso?

- Vai dizer que não gosta da companhia dela? Vejo-o sempre aos risos quando conversam.

- Sim, eu gosto. Mas isso não vem ao caso. Você não dá ponto sem nó, me diga agora pra que todo esse fuzuê com a menina.

- Simplesmente por que essa menina é a solução dos seus problemas.

- Como? – Perguntei incrédulo.

- Será que não vê? Penélope é queridinha de Hollywood, uma princesinha amada por milhões. A garota é louca por você, vive te defendo, dizendo que você é o príncipe encantado que ela sempre sonhou... É perfeito! – Frank disse eufórico – Você casa-se com ela e concretiza esse conto de fadas hollywoodiano, forma uma família e recupera seu respeito, sua imagem, e as vendas dos seus álbuns de volta. Penélope Ortega é a salvação dois seus problemas.

- Você enlouqueceu, Frank? Não pode mesmo estar falando sério – Disse possesso – Se seu intuito é esse, desista. Jamais faria algo assim com aquela garota. Ela é só uma menina.

- Ela tem 20 anos e sabe muito bem o que quer, caso contrário não estaria correndo atrás de você.

- Olhe, sabe que odeio ser grosseiro, então para isso não acontecer saia daqui, por favor.

- Pense no que disse. Vai ver que é a única solução.

- Saia Frank – Gritei e finalmente ele deixou minha sala.

Isso estava fora de cogitação.

Eu gostava de Penélope, ela era divertida, comunicativa, me fazia bem, mas nunca teria ela mais do que como uma amiga. Ela não me atraia de outra forma. Para mim era só uma garota, que eu mal conhecia, mas que queria muito como amiga e só.


Eu iria deixar as coisas mais claras para ela e cortaria de uma vez por todas o barato de Frank.



Capítulo 10

Penny

Como eu consegui chegar no hotel sem ter um ataque de pelanca ainda é um mistério, mas o fato é que consegui me manter sóbria até entrar no quarto e fechar a porta, só então eu pulei, gritei, fiz uma dancinha estranha – A qual eu e Callie chamávamos de ‘dança da felicidade’ – chorei, ri, gritei mais um pouco e finalmente cai na cama, exausta. 

Almoçar com ele seria um grande passo, eu tinha certeza disso. Agora era preparar-se e tentar não agir debilmente.

A noite que se sucedeu foi difícil, eu não consegui pregar meu olho durante toda ela, maquinando como seria no dia a seguir. O que conversar? Como agir? O que vestir?

Só quando o sol já raiava foi que consegui pegar no sono. O meu despertador soou, acho que 3 horas depois do meu sono. Me obriguei a arrastar-me até o banheiro e dei um grito quando vi minha figura no espelho – olheiras, cabelos bagunçados, babada e UMA ESPINHA, bem no meio da minha testa -.

- Valeu ai – Balbuciei olhando para cima.

Entrei no chuveiro e passei um bom tempo lá, ao sair escolhi uma roupa leve e simples e passei as 2 horas seguintes lutando para controlar o meu cabelo e para esconder a espinha. O resultado final até que ficou bom!
Pedi que trouxessem um copo de suco para mim e logo em seguida pedi os seguranças para se organizarem, pois iríamos sair.

Incrivelmente não havia muitos repórteres em meu pé, provavelmente por que haveria uma première e a cidade estava cheia de famosos. Graças aos céus!

Cheguei ao parque 10 minutos atrasada, tivemos que desviar de uma dúzia de fotógrafos que estavam alojados na porta. Claro que eles sabiam que Michael fechara o parque.

Ao descer do carro avistei Frank ao longe. Caminhei depressa até ele.

- Frank – Ele virou-se e me encarou... parecia irritado. – Algum problema?

- Nada demais, Penélope – Disfarçou, sorrindo – Fico feliz que tenha vindo, por que não dá uma volta por aí, visita os animais e na hora de almoçarmos eu a chamo?

O que? Claro que não! Eu vim aqui para passear com o Michael, conversar com ele.

- Mais e o M... Mi... – As palavras morreram quando o vi saindo, do que parecia ser o restaurante do parque, ladeado por uma mulher... quer dizer, uma mulher muito linda e... espera aí, eu conhecia ela! – Acabei de encontra-lo, com licença, Frank – Desviei de Frank e segui até onde Michael estava.

O ciúmes me consumia feito fogo, mas eu não ia deixar que ele percebesse, ia fingir que nada estava acontecendo e ver qual era a daquela mulher. Por que se por algum motivo ela estava achando que ia acabar com meus planos, ela estava enganada.

- Michael – Cumprimentei sorridente e ambos viraram-se para me olhar.

Michael me olhou com a mesma expressão de ontem, parecia triste. Já a mulher me analisou da cabeça aos pés, me fuzilando.

- Que bom que veio, Penny – Disse simpático. Ele ia me estender a mão para mim, mas fui mais rápida o abraçando e por um segundo me esqueci de que tínhamos plateia.

- Não ia perder a oportunidade de vê-lo comendo – Ele riu.

- Como se fosse diferente de você.

- Eu só acredito vendo – Pisquei para ele. – Não me apresenta? – Perguntei apontando para a mulher ao seu lado.

- Claro, essa daqui é Crystina, minha assistente pessoal e amiga. Crys essa é....

 - Penélope Ortega, a queridinha de Hollywood - Ela interrompeu-o, sibilando meu nome ironicamente – Conheço-a dos jornais e da TV.

- Então não me conhece de verdade, por que lá quase nunca falam verdades – Disse. Ela deu um risinho falso e continuou me encarando.

- Por que não dá uma volta, Penny, acompanhe a equipe, logo estarei com vocês.

- Claro – Assenti sorrindo e saí.

 Minha vontade era de voltar lá e arrastar aquela galinha pelos cabelos e trazer Michael comigo, mas como não podia, o jeito era fazer o que ele pediu.

As próximas horas foram um saco! Ficamos dando voltas pelo parque feito um bando zumbis. Bem, o pessoal era legal, puxaram assunto, falaram dos filmes que fiz, me entrosei bem com todos, mas meus olhos não saíram um minuto de Michael e a tal Crys, que caminhavam lado a lado, uns metros à frente do grupo. Não que ele parecesse feliz nem nada disso, aprecia que estava ali por obrigação, mal interagia, mas a maldita mulher não desgrudou dele um segundo sequer.

No almoço nos sentamos longe, até puxamos papo umas duas vezes, mas foi só! Ou Michael estava tentando deixar bem claro para mim que eu não tinha chance ou ele estava preocupado demais com outra coisa para me dar a mínima atenção que fosse.

Eu não sabia quais das opções era a verdadeira, mas o fato é que eu não iria desistir do que planejei.

Tinha pego uma briga horrível com o diretor do filme, minha mãe provavelmente estava a ponto de se matar... Então aquela viagem teria que render frutos, e ela renderia, ou não me chamo Penélope Ortega.

- Frank – Chamei-o de lado, assim que o almoço foi dado por encerrado e os demais se levantavam para apreciar mais um pouco do parque.

Ele se aproximou ainda com aquela cara de irritação.

- Diga, Penélope.

- Não sou boba, posso parecer, mas não sou! Sei que está do meu lado, por algum motivo desconhecido por mim, mas isso não importa. Então se quer me ver ao lado do seu patrão preciso que distraia essa gata no cio, tire-a de perto dele pelo menos por uns segundos, prometo que faço valer seu esforço. – Frank sorriu.

- Garota esperta! Conte comigo, espere o meio da tarde e farei com que ela desapareça. – Assenti.

(...)

As horas se arrastaram desde então, mas como prometido, no meio da tarde avistei Frank afastar-se com a Crys e finalmente Michael estava sozinho, sentado em baixo de uma árvore, cabeça e ombros baixos enquanto brincava com a grama.

- Isso é um sequestro, moço – Disse e ele levantou a cabeça para me olhar.

- Penny, sente-se aqui – Neguei com a cabeça – Sei que nem te dei atenção hoje, mas é que não estou em um bom dia.

- Eu sei, te conheço. – Ele sorriu torto.

- Conhece é?

- Muito mais do que imagina. Conheço tanto que sei exatamente o que fazer para te animar.

- Duvido.

- Ah é, então venha comigo e te mostro. – Arqueei a sobrancelha.

- Mas veja só uma baixinha dessas querendo me mostrar algo.

- Não implique comigo grandão, venha – Lhe estendi a mão. Ele olhou para ela alguns segundos, pensei que não fosse segurar, mas finalmente ele uniu sua mão a minha e senti uma emoção diferente surgir entre nós naquele momento. Da minha parte era o amor crescendo, da dele era a confiança nascendo, eu tinha certeza.

Quase corremos até o carro e assim que entramos pedi ao motorista que desse partida e fosse ‘para o local combinado’.

- Ahh então você tinha tudo premeditado? – Perguntou de cenho franzido.

- Sou completamente inocente – Disse. 

Capturei uma bolsa do banco e tirei de lá alguns itens, Michael me olhava curioso.

- O que pretende aprontar?

- Tire os óculos, o chapéu, sapatos, meias e ponha a camisa para fora – Michael me fitou de olhos arregalados e eu ri, depois que notei a forma como havia falado – Não é nada disso, homem! Confie em mim, por favor.

Muitíssimo a contra gosto ele fez o que pedi, então tirei de dentro da sacola uma peruca e um par de barba e bigodes falsos.

- Com licença – Me inclinei e colei a barba e o bigode nele. Sentir meus dedos roçando na pele macia de seu rosto foi para mim o êxtase, mas eu não poderia transparecer isso agora. Ele estava confiando em mim e eu ia dar a ele algumas horas inesquecíveis. – Coloque isso – Lhe entreguei uma peruca e ele me encarou em misto de confusão e diversão.

- Para onde está me levando que não posso ser reconhecido?

- Vamos ser normais, pelo menos por um dia.

- Penny... – Advertiu.

- Shh, relaxe.

Me virei e também coloquei uma peruca, um bigode e uma barba.

- Vire-se, vou me trocar.

- Hã? – Michael me encarou.

- Isso mesmo, preciso me disfarçar também, ande logo – Ele virou-se e eu me apressei em colocar uma calça de moletom e vestir um casaco e fechá-lo. – Pode se virar.

Ele riu da minha cara, assim que viu no que eu havia me transformado.

O que não se faz por amor!

- Você está hilária, lembre-se de tirar uma foto – Disse entre risos.

- Ora, você também não está lá essas coisas com esse cabelo rastafári e essa barba ridícula – Me enfezei.

- Mas não estou pior que você.

O motorista bateu no vidro da janela, anunciando nossa chegada.

- Vamos? – Chamei. Ele finalmente parou de rir e me olhou seriamente.

- Já sabe que se formos descobertos estaremos em uma enrascada, certo?

- Adoro correr riscos, baby – Pisquei.

- Então, vamos – Ele desceu antes de mim, parecendo animadíssimo com a nossa fugida.

Antes de me afastar do carro deu instruções para o motorista nos seguir de longe e não se afastar do celular, caso precisássemos.

- Por onde começamos? Não conheço nada aqui – Me perguntou.

- Sei lá, vamos só ser livres – Abri meus braços e corri feito uma doida pelo meio da praça. Michael riu, mas não ficou atrás, me seguindo.

Fizemos cena assim por um bom tempo, as pessoas nos olhavam como se fossemos extraterrestres, mas não estávamos dando a mínima.

Andamos por cerca de duas horas, olhando cada pequena coisa, entrando nas lojas, padarias e livrarias, apenas para mexer nas coisas e ganharmos olhares feios dos donos. Conversamos, gritamos, discutimos trivialidades, rimos, rimos muito e quando dei por mim a noite já estava alta.

Cai, sentada em um banco qualquer, completamente exausta, Michael sentou-se ao meu lado e sem timidez alguma encostei minha cabeça em seu ombro. Vi ele ficar tenso um instante, mas logo relaxou.

- Não faço a mínima ideia de onde estamos – Balbuciei entre um bocejo e outro.

- Está cansada, não é? – Perguntou doce, eu assenti. – Quer que eu ligue para alguém nos encontrar?

- Não precisa, o motorista tem nos seguido por todo caminho.

- Garota esperta – Ele sorriu – Então vamos embora?

Eu não queria ir, por mim viveria com ele ali mesmo naquela praça, montaria uma casinha de lona em baixo do viaduto, e todos os dias iria pedir comida para alimentá-lo... seria apenas eu e ele! – Credo, essa não era uma cena romântica. Ri de meus pensamentos toscos;

- Falta fazermos duas coisas de gente livre que ainda não fizemos – Me desencostei de seu ombro para olhá-lo. Nem de longe me lembrava o homem triste de hoje cedo. Estava corado, os olhos brilhando, sorriso nos lábios. Não parecia meu Michael em baixo de todas aquelas coisas, mas sua alma de menino não se escondia nem com todo disfarce do mundo.

- E o que é?

- Comer pipoca e hot dog – Me levantei em um pulo. – Vamos, lembro de ter visto carrocinhas do outro lado da praça – Ele me deu a mão e seguimos assim.

Logo achamos uma barraca de pipocas, quase saltitei ao ver que havia pipoca doce. Michael ria de tudo, deveria me achar uma completa palhaça.

Comemos a metade do saquinho, e com a outra metade fizemos uma guerrinha boba.

- Falta o hot dog, vi uma barraca a alguns metros, vamos – Voltei a puxá-lo pelas mãos.

Sentamos em um banco da praça para dividirmos um cachorro quente vegetariano.

 Eu olhei para o pão cheio de verduras e apenas com o molho e fiz cara feia.

- Por que você tinha de ser vegetariano, hein?

- E por que você tinha de querer comer logo algo que se chama ‘cachorro quente’, tadinho dos animais – Achei-o tão lindo dizendo aquilo, simplesmente adorável.

- O melhor foi a cara do vendedor dizendo ‘Filha como vou fazer um hot dog vegetariano’ – Caímos na gargalhada. - Para completar tudo ainda só tinha dinheiro para um.

- Estou sendo muito pouco cavalheiro, mas prometo que da próxima eu pago o jantar.

PRÓXIMA? OUVI DIREITO?

Para não falar bobagens e acabar com aquele clima gostoso, tratei de morder o cachorro quente. Michael ficou me olhando... de uma forma que não sei explicar, mas gostei do seu olhar.

- Anda, coma, até que não está tão ruim. – Lhe estendi o pão cheio de verdura e molho e ele deu uma mordida com vontade.

Me hipnotizei com sua expressão. O jeito que seu cenho franziu, que seus olhos se fecharam e que seus lábios se comprimiram enquanto um ‘Hummm’ escapava de sua garganta.

Foi erótico, e jamais pensei que ver um homem mastigando um hot dog vegetariano seria erótico.

Mordi mais um pedaço do pão para parar de babar e então ele abriu os olhos e foi sua vez de me encarar.

- Está sujo aqui – Ele levou seu dedo até o canto da minha boca e esfregou-o ali.

Eu queria fechar os olhos e gemer por aquele toque, mas tive que me manter indiferente. Eu já havia entendido como fazer para realizar meus sonhos e eu não estragaria as coisas.

- Veja Marali, no meu tempo não podia uma safadeza dessas – Olhamos em direção da voz e vimos duas velhinhas corcundas nos encarando.

- Dois homões barbudos desses, de romance em uma praça, é o fim dos tempos! – A outra disse brava.
Elas saíram tão abruptamente quanto chegaram e então Michael e eu olhamos um para o outro e simplesmente desatamos a rir.

Nem nos lembrávamos que estávamos vestidos os dois de homens, e andamos pelas ruas de mãos dadas sem nem ao menos nos dar conta disso.

- Ohh meu Deus, nunca achei que receberia um resmungo por estar ‘de romance’ com outro homem em uma praça – Michael disse rindo.

- Somos loucos.

Acabamos de comer nosso hot dog, que apelidamos carinhosamente de nada dog, e nos enfiamos no carro.
Quando o motorista parou em frente ao hotel que estava tive vontade de chorar. Eu não queria deixa-lo, depois de ter passado com ele as horas mais incríveis da minha vida.

- É isso – Dei de ombros. – Pelo jeito vamos demorar a nos ver, certo?

- Acho que sim. Daqui sigo para outro show na Coreia e finalizo no Brasil. Então deve levar quase dois meses até que esteja em casa de novo – Suspirei – Não vai aos meus próximos shows?

- Eu queria, mas não posso. Estou gravando um filme, para falar a verdade era em Hollywood que deveria estar agora cumprindo meu contrato.

- Eu entendo, mas faço questão que vá a Neverland quando eu estiver lá.

- Eu irei com certeza, até lá já terei acabado as gravações.

- Certo... então... humm se quiser posso te dar meu número, podemos conversar de vez em quando.

- Claro.

Ele ditou os números e eu adicionei a minha lista de contatos.

- Melhor não colocar Michael Jackson. – Eu ri.

- Verdade... hummm, deixe-me ver um codinome. Já sei! G-R-A-N-D-Ã-O – Digitei e dei ok.

- Baixinha. – Ele inesperadamente segurou minha mão e levou-a até os lábios, beijando meus dedos – Obrigado por hoje, por tudo que fez para deixar meu dia melhor, obrigado por ter cuidado de mim sem nem ao menos eu pedir e obrigado por me amar...

Meu Deus, era agora! Só faltava o beijo para selar essa cena linda.

- ...Com certeza seremos grandes amigos – Completou.

Sabe um balde água fria? Melhor, um caminhão de água fria? Foi isso que ele acabou de jogar em mim.

Pigarreei para disfarçar o nó que se formava em minha garganta.

- Faço o que for preciso para te ver bem. Te desejo muita sorte nos próximos shows, espero mesmo que possamos nos ver em breve.

- Nós vamos – Disse sorridente – Eu te ligo – Assenti e me virei para deixar o carro, mas ele me impediu, puxando-me para um abraço apertado, abraço de AMIGO, com direito a afago gentil nas costas. – Boa noite e mais uma vez obrigado.

- Boa noite – Meu amor – Até logo. – Desci do carro as presas, louca para chegar ao meu quarto.

Precisava chorar de alegria, de tristeza, de frustração e de alegria mais uma vez.

Compartilhei com ele hoje muitas coisas boas, e sem dúvida, formamos um vínculo, mas ele havia deixado bem claro que me queria como amiga. E eu não sei se isso me deixava feliz ou triste, ou as duas coisas juntas.

A única certeza que eu tinha era de que não iria desistir, e depois de termos passado essas horas maravilhosas juntos, meu amor por ele tornou-se mais forte e determinado.



Capítulo 11

Penny

- Você só pode estar louca – A voz estridente e histérica de mamãe bradou. – Como larga 2 dias de gravações do seu filme e sai por aí, sem destino. – Revirei os olhos.

- Errado, não saí sem destino, fui assistir á mais um show do Michael.

- Oh, claro, como não lembrei que criei uma filha débil mental que fica correndo atrás de um cantor estranho. – Ela se aproximou e agarrou meus braços – Acorde Penélope, você é uma atriz de renome, não uma pé rapada que tem tempo para tietar um cantor.

- Você não entende! – Gritei – Pare de tentar me controlar. Quem deveria ter vergonha de algo é você. Desde que meu pai morreu se tornou essa mulher fria e amarga, que troca de namorado a cada semana e que é incapaz de elogiar a filha que se esforça, que trabalha e que sustenta seus luxos. Me deixa em paz! – Subi as escadas correndo, ainda ouvindo seus estridentes gritos.

Assim que cheguei em meu quarto tranquei a porta e cai sobre a cama, agarrada com um travesseiro. Eu não iria chorar! Eu não sou assim, e não vou deixar que minha mãe consiga algo com sua amargura. Como se não bastasse a bronca que levei hoje do diretor e toda a enchente de matérias relatando minha falta aos dois dias de gravação.

(...)


Michael

- Você não tem noção do quão irada estou com você – Berrou.

- Docinho, vamos conversar civilizadamente – Me aproximei dela, Crys me empurrou.

- Você me deixou feito uma idiota naquele parque e saiu pra dar uma volta com aquela rata, AQUELA MALDITA RATA! Minha vontade é de estapear e depois jogar aquele desnutrida em algum bueiro. – Crys fez seu teatro, batendo no colchão da cama e jogando as almofadas no chão.

- Meu bem, a Penny é só uma amiga pra mim, apenas isso... – Murmurei, conseguindo finalmente me sentar ao seu lado – Não há cabimento para tanto ciúme, hum?! – Coloquei alguns fios de seus cabelos atrás da orelha e depositei um leve beijo em seus lábios – Você sabe muito bem quem me deixa louco, não é? – Derrubei-a na cama e prendi-a com meu corpo – Já sei como melhorar esse humor, gostosa. – Roubei-lhe um beijo e logo fui correspondido.

Antes que eu pudesse me dar conta estávamos nus, Penny montando-me com a destreza de sempre, me deixando maluco e me fazendo esquecer de tudo ao redor.

Minha relação com Crys era muito boa, principalmente na cama. Éramos bons amigos e ela era uma ótima profissional fora dela. Crys não me cobrava um namoro, nem nada do tipo, aceitava o que tínhamos e sempre estava disponível para mim. Era cômodo, tranquilo e gostoso. Crys nem mesmo era do tipo ciumenta, a única com quem ela implicava era Penny, o por que eu não sei, já que deixei bem claro para ela que entre nós seria apenas amizade.

Bem, e deixar Crys nem mesmo era uma opção, não enquanto nossa química sexual fosse tão boa.
- Baby, vou tomar uma chuveirada, vem? – Crys disse mordiscando minha orelha.

Havia passado quase uma hora desde que tiramos nossas roupas e nos agarramos nessa cama e agora, depois de um orgasmo maravilhoso, estava lânguido e tranquilo deitado na cama, enquanto Crys me acariciava.
- Não, Docinho, irei depois – Ela sorriu e antes de descer da cama saltitante, me beijou.

Quando Crys fechou a porta do banheiro, me enrolei no lençol e fui em busca do meu celular. Assim que encontrei-o procurei o nome recentemente gravado ali e escrevi uma mensagem rápida.

“Bons sonhos, Baixinha, até breve” – Apertei ‘enviar’ e voltei para o conforto da minha cama.

(...)


Penny

2 Meses se passaram desde a última vez que vi Michael e eu definitivamente, estava me corroendo de saudades. Havíamos nos falado rapidamente 2 vezes pelo telefone e trocamos uma dúzia de mensagens, mas nada demais, apenas causalidades como; ‘Você está bem? “Bom-dia”, eu bem que queria mais, queria alongar nossas conversas, brincar com ele pelo telefone... brincar EM TODOS OS ASPECTOS pelo telefone – OK, estou me tornando cada vez mais tarada – Porém eu sabia muito bem que isso ia acabar afastando-o ainda mais, e eu precisava da tática ‘Vamos ser amigos, irmãos” – Só que não!

Finalmente estou no meu último dia de gravação. Assim colocarei alguns milhões na conta de mamãe e me livrarei dela e do seu namorado estranho por alguns dias. Daí sim, terei tempo de correr atrás do meu sonho, sem olhar para trás.

(...)


Michael

- Não acredito nisso, Frank – Disse exasperado. Caí sobre o sofá e bufei. – Meses de trabalho e não adiantou de nada?

- Sinto muito, Michael, mas eu te avisei. Te disse que o que precisa para voltar a vender no mercado fonográfico é limpar sua imagem. – Ignorei-o.

- Meu Deus, estou começando a ficar endividado, o lançamento de Dangerous está ai e nada dessas vendas deslancharem. O que vou fazer, Frank? – Perguntei desesperado.

Frank sentou ao meu lado, parecendo tão cansado e triste quanto eu. Ele suspirou uma centena de vezes antes de me encarar e ter coragem de prosseguir seu diálogo.

- Você quer salvar sua carreira, não é?

- Mas é claro que sim – Respondi, exasperado.

- Case-se com Penélope Ortega, aquela garota é a sua salvação. Pense bem, Michael.

- Sem chance, nem me venha com essa conversa de novo. – Me levantei, irritado.

- Veja bem, você gosta da menina, me disse que ela se tronou uma ótima amiga desde Toronto, por que não dá uma chance dela tentar. Se abra pra ela, veja no que vai dar. Não estou te dizendo para pedir ela em casamento logo assim de cara. Conheça-a, quem sabe não rola algo a mais entre vocês e as coisas fluam naturalmente. Hum? – Ele me encarou e eu desviei o olhar, incapaz de admitir que toparia aquilo – Chame-a para Neverland esse final de semana, mas antes faça o favor de mandar Crys em umas férias, por que caso contrário não terão paz. – Frank levantou-se e antes de sair bateu em meu ombro amigavelmente – Pense bem, Michael, você casa-se com uma menina linda, que te ama e que pode de fazer muito feliz e ainda de quebra limpa sua imagem, ou vê sua carreira se afundar cada vez mais – Ele me deu um sorriso triste e saiu batendo a porta.


O que eu iria fazer agora?!



Capítulo 12

Penny


- Pare de olhar esse telefone a cada 5 minutos, está me dando nos nervos – Callie disse irritada.

- Você não entende! – Suspirei – Estou frustrada, mega-frustrada, hiperfrustrada... Achei que depois daquele dia maravilhoso que tivemos em Toronto ele fosse me ligar assim que a turnê acabasse.

- Você tem de relaxar, amiga. Só faz alguns dias que a turnê acabou, ele deve estar descansando toda aquela beleza. – Eu ri. Callie enfiou a mão cheia de pipoca na boca.

- Eu posso ajudá-lo no quesito ‘descansar’ – Falei sacana.

- Puta que pariu – Ela riu de boca cheia – Coitado do Michael, cara, depois que ele te deflorar vai ter um grande problema, sua tarada – Eu gargalhei.

Meu celular tocou e quase corri para alcança-lo. O número que piscava na tela era desconhecido.

- Alô?

- Boneca – Revirei os olhos. Só uma pessoa me chamava assim.

- Seu motoqueiro idiota, o que deu em você para sumir assim? – Xinguei-o divertida.

- Estava com saudades da voz da garota mais linda, charmosa, divertida e estranha que já conheci.

- Quantas lisonjas, Daniel.

- Para você sempre o melhor dos tratamentos – Eu ri e senti meu rosto esquentar.

- Mas então, quando pretende aparecer? – Mudei de assunto.

- Com saudades da garupa da minha moto? – Pergunto sedutor.

- Não seja ousado e me responda. – Ri.

- No próximo mês estarei fazendo show aí. Você me deve um jantar.

- Ah, eu não esqueci, jantaremos sim.

- Humm, tudo bem com você?

- Claro – Disse vaga.

- Eu soube que tem ido nos shows do seu ídolo, isso deu o que falar na mídia essa semana.

- A mídia é oportunista, você sabe.

- Vocês estão juntos? – Disse em um tom quase ríspido.

- Não, o que é uma pena – Irritei-me – Agora preciso desligar.

Callie fez um gesto todo exagerado para mim.

- Oh, a Callie está mandando um beijo.

- Outro nela e em você também boneca.

- Beijo, Daniel – Desliguei o telefone e voltei para a cama.

- Penny, você é uma garota muito sortuda, de um lado Michael Jackson do outro Daniel... O que você tem, garota? – Eu lhe empurrei rindo.

- O Daniel é meu amigo, só isso, apesar de ter sido um namorado maravilhoso... e o Michael...

- É seu príncipe, já sei – Foi a vez dela revirar os olhos. – Agora vamos voltar para o filme e deixar seus homens de lado.

(...)


Michael

Eu precisava ligar, adiar não era mais nem uma opção. Já havia tomado minha decisão, já havia despachado Crys, agora bastava ligar.

Tudo poderia mudar depois daquele final de semana, mas seria por uma boa causa. Afinal eu também estaria fazendo um bem para Penny, não é?!

Não seja hipócrita, Michael – Ralhei comigo mesmo – Não poderia ser bom para essa menina, iludi-la, casar-se com ela só para salvar sua carreira. Sem um pingo de amor, sem um pingo de atração. Era amizade que sentia por ela, pura amizade...

- Não vou fazer isso – Joguei o telefone na cama pela centésima vez. Andei de um lado a outro no quarto, apertei o nariz nervosamente, me sentei, levantei, voltei a pegar o celular e disquei o número dela. – Eu preciso fazer isso!

Chamou uma, duas, três vezes... estava quase desistindo quando uma voz sonolenta atendeu-me em meio a um bocejo.

- Hum?! – Eu ri de seu jeitinho. Podia até imaginar ela nesse momento esparramada na cama, toda desgrenhada, borrada e graciosa.

- Essa não é uma saudação comum ao se atender ao telefone, mas vou considerar por que tenho certeza que te acordei – Percebi que ela se mexeu do outro lado da linha e foi audível o barulho de algo quebrando.

Santo desastre!

- Michael? É você, mesmo... Callie se estiver me passando um trote juro por Deus que saio do jeito que estou e vou aí de dar uma surra.

- Sou mesmo eu, Baixinha – Ela acalmou-se instantaneamente – Desculpe ter te acordado. Ouvi barulho de vidro quebrando, você está bem?

- Tu... tu... tudo ótimo, apenas caí da cama e levei comigo o abajur da mesinha. Mas que surpresa, nossa!

- Pois é, estava um pouco atarefado por isso não te liguei antes... Hum... queria saber se a visita a Neverland está de pé?

- Mas é claro que sim.

- Já acabou as gravações do filme certo? É que pretendo de roubar por uns dias, então não queria ninguém te perturbando por isso.

- A... acabou semana passada.

- Que ótimo! Posso mandar te buscar amanhã?

- Buscar? Á mim? Amanhã? – Repetiu parecendo incrédula.

- É, já que sou eu a convidar, faço questão de mandar um helicóptero pegá-la amanhã. Há algum vasto gramado por perto?

- Sim, há um heliporto aqui em casa.

- Ótimo. Algum problema com helicópteros?

- Nenhum, e se tivesse algum, eu mesmo me amarraria dentro desse aí que vai me levar até você. Mas veja bem se perderei essa oportunidade. – Eu ri.

- Você sempre me faz rir, baixinha – Ouvi-a suspirar do outro lado da linha.

Hora de encerrar a ligação!

- Agora volte a dormir, sim?! Esteja pronta ás 2 da tarde.

- Certo.

- Ah, e só mais uma coisa, Penny, queria te pedir segredo quanto a isso, sabe como a mídia é e...

- Não precisa nem pedir, Michael, fique tranquilo.

- Obrigado. Hey, baby, tenha uma boa noite, beijo.

- Beijos – Respondeu em meio a um arquejo.

Droga, essa menina é mesmo apaixonada por mim! – Divaguei enquanto guardava o aparelho.

Agora não tinha mais volta, era ver o que acontece daqui para frente.



Capítulo 13

Penny


Dormir? Como é que ele me mandar dormir depois de ter me convidado para Neverland?

Cristinho, eu estava em choque! Não sabia se levantava da cama, se permanecia nela, se ligava para Ca... Isso, ligar para Callie.

- Espero que seja algo realmente importante – Ela disse sonolenta.

- Callieeeeee – Gritei, eufórica – Estou indo para Neverland hoje, 2 da tarde.

- Hã? – Perguntou ainda desorientada.

- O Michael acabou de me ligar, me perguntando se a ida até Neverland estava de pé.

- Oh meu Deus, e você?

- Eu quase tenho uma síncope – Ri – Mas consegui responder um sim. Resultado?

- Fala logo desgraçada!

- Amanhã, as 2 horas, ele manda me buscar de h.e.l.i.c.ó.p.t.e.r.o, para ir até ele.

- Cala a boca!

- Eu te avisei, Callie Morgan... Eu te avisei.

- Estou boba, mas... espera aí – Fez uma pausa dramática – Precisamos comprar roupas – Gritou e eu revirei os olhos. Para Callie tudo era motivo para comprar roupas.

- Não dá tempo, e as que eu tenho está de bom tamanho. Agora vou desligar, apareça aqui assim que o sou raiar – Desliguei antes que ela me fizesse mais uma dúzia de perguntas, e me persuadisse a ir fazer compras.

Além de estar satisfeitíssima com minhas roupas eu não queria ter que sair de casa, ladeada por meia dúzia de seguranças e assim chamar a atenção da mídia pra mim.

Saltei da cama e fui catar os restos do meu abajur, logo em seguida tomaria um banho e ia tratar de arrumar minha mala. 

Certo, são apenas 3 da manhã, mas estou ansiosa demais para simplesmente ficar parada.

(...)

O helicóptero pousa no heliporto, que fica a uns 500 metros da minha casa, para chegar até lá eu tive de ir em um desses ridículos carrinhos de golfe, que minha mãe insistiu em comprar quando construímos a casa. Poxa, é tudo tão lindo nos arredores que não custa nada caminhar, é muito mais prazeroso. Mas como hoje estou sem tempo, e não posso me desgrenhar, foi utilizável.

Ao meu lado está Callie, como sempre, tagarelando uma enchente de palavras que nem se quer presto atenção. Deixei mamãe para trás, com a cara mais feia do mundo e seu namorado me olhando estranho como de 
costume. Tanto faz, estou feliz demais para que algo me desestabilize. Estou indo passar dias – Quantos? Não sei, já que ele não especificou – Vou conhecer mais profundamente o homem que amei a vida toda, vou ter a chance de conversar, rir, passear... e fazer tudo que sempre quis ao seu lado. É minha chance, eu sei, eu sinto. Eu preciso conquista-lo nesse meio tempo, e vou, pode apostar.

- Sei que nem preciso te desejar sorte – Callie disse séria, segurando minhas mãos – Você é a garota mais incrível que eu conheço, é linda, divertida, companheira, Michael seria um tolo se não se apaixonasse por você – Ela me puxou para um abraço apertado.

- Obrigado Callie... Não o que seria da minha vida sem você – Encarei-a – Prometa que vai se cuidar e que vai filtrar melhor os homens com que sai?

- Vou me cuidar, sua boba. Amo você – Me puxou para mais um abraço apertado.

- Também te amo – Finalmente nos afastamos e mais que depressa entrei no barulhento helicóptero. Acenei para Callie assim que começamos a içar e ela acenou de volta, gritando um efusivo ‘Aproveite-se daquele gostoso’. – Eu ri, Callie era incrível.

Estávamos agindo como se eu fosse para o outro lado do mundo, quando eu mudaria apenas de distrito.
Quando o helicóptero estava definitivamente no céu, fechei os olhos e deixei um sorriso bobo brincar em meus lábios.

(...)

Se eu já conhecia Neverland? Claro! Ok, vi apenas os portões, até onde os fãs podem ver, mas já me sentia de alguma forma, em casa.

Por isso, por incrível que pareça, não me senti nervosa quando o helicóptero pousou.

Inspirei uma dúzia de vezes para me manter mais sóbria. Certo, eu não estava apreensiva quanto á Neverland, mas quanto á seu dono eu estava.

Quando desci do helicóptero, avistei Michael me esperando a alguns metros de distância. Lindo, nem poderia começar a descrevê-lo.

Agradeci ao piloto e ao funcionário que veio recolher minha mala e finalmente segui até Michael.

Entoe o mantra que Callie lhe ensinou – Meu inconsciente ordenou - Tente não quebrar nada, nem parecer uma adolescente com retardo mental e haja como uma mulher e não como uma garota.

Michael sorriu assim que me viu chegar, ele fez questão de dar alguns passos para encurtar o caminho.

- Bem vinda a Neverland, Penny – Disse alto, o helicóptero ainda fazia barulho a alguns metros de distância.

- Michael – Joguei-me nos seus braços e ele me envolveu-me em um abraço caloroso, sincero, forte.

Senti mais uma vez seu cheirinho maravilhoso, a maciez de seus cachos e a quentura da sua pele.

Eu o amo, Michael, amo!

- Foi tudo tranquilo no voo? – Perguntou amistoso. – Se me permite – Ele inclinou-se para tirar minha bolsa do ombro e carrega-la.

ELE É UM CAVALHEIRO, PORRA! NÃO SE FAZEM MAIS HOMENS ASSIM!

- Foi... é... humm, bem – Dei de ombros.

- E como tem passado?

- Não tão bem quanto gostaria, mas nada que não posa curar com uma boa dose de loucura e uma pitada de sorrisos. – Michael assentiu e sorriu.

- Essa frase é sua cara. Lembre-se de colocá-la na traseira de algum de seus carros. – Michael disse sério, eu ri.

- Mal cheguei e você já está ai cheio de gracinhas, não é? – Estreitei meus olhos para ele. Foi sua vez de rir – Mas me fale você como tem passado? 

- Não tão bem quanto gostaria, mas nada que não posa curar com uma boa dose de loucura e uma pitada de sorrisos. – Disse, imitando minha frase anterior.

- Ora, você não faz loucuras e acho que precisa sorrir mais.

- Você acha que não faço loucuras é? – Arqueou a sobrancelha – Já vi que não lê revistas.

- Tudo mentira, eu sei. Te acho um cara super pacato, que gosta de apreciar coisas simples, tipo, a família, a natureza, os animais... Gosta de fazer sua música, danças para descarregar as pressões do dia... Hummm, no final da tarde ler um bom livro ou ver um bom filme e depois voltar ao seu mundo musical...

- E eu não durmo? – Perguntou brincalhão.

- Talvez, mas não consigo imaginar como seria o sono de um anjo – Disse distraída. Michael pareceu desconcertado, mas não tanto quanto eu – Desculpa... Eu.... é... falo um monte de asneira, desculpe.

- Não – Ele me cortou – Foi lindo tudo que disse, Penny – Ele colocou uma mexa de meu cabelo atrás da orelha – Logo se vê que é uma menina doce e pura, não aprendeu ainda que todo mundo tem um lado ruim, inclusive eu.

- Se tem, não quero enxergar – Disse rouca. Ainda estava entorpecida pelo seu toque, tão sutil, mas tão forte para mim.

- Bem, vamos conhecer minha casa? – Suas sobrancelhas estavam erguidas ligeiramente.

- O que está esperando, ‘leve-me por Neverland, Grandão’ – Ele riu e puxou-me pela mão até um carrinho que estava estacionado ali.

- Madame – Com um floreio exagerado, me ajudou a subir no carrinho.

- Não poderia me passar pela cabeça, que tão jovem e gentil cavalheiro dirigisse um carrinho de golfe e não uma carruagem á cavalos – Brinquei – Você acaba de destruir minhas ilusões romanescas. – Michael riu, enquanto se prostrava atrás do volante do carrinho.

- Jovem e linda moça, o que faz de mim um perfeito cavalheiro não é o veículo que dirijo. – Bati palmas, empolgada. – Agora, segure-se, por que posso ser um ótimo cavalheiro, mas sou um péssimo motorista.


- Ahhh – Gritei, agarrando-me desesperada ao carrinho, quando ele arrancou em toda velocidade, quase atropelando o rapaz que seguia com minha mala.



Capítulo 14

Penny


Aquele passeio logo na chegada levou alguns bons minutos. Claro que não deu para ele me mostrar tudo, apenas deixou-me a par das duas casas mais próximas e rapidamente me mostrou o zoológico. Eu, a essa altura, já estava mais que encantada.

- Acho melhor pararmos por aqui, temos muito tempo para que te mostre todos os arredores de Neverland. – Disse-me, enquanto dirigia de volta para a casa principal.

- Vou ficar ansiosa para ver mais – Disse empolgada, olhando tudo a minha volta.

Os jardins, o céu, os animais... tudo visto dentro de Neverland parecia mais bonito... mais mágico.

- Não se preocupe, tenho planos para amanhã. Vamos nos divertir no parque, depois te levo par conhecer as montanhas e os chalés. Tem gostado até agora?

- É tudo perfeito – Divaguei, longe – Háh, mas uma coisa não me agradou por aqui.

- O que? – Perguntou de cenho franzido, sem desviar a atenção da estradinha por onde seguíamos.

- Aquele bando de bonecos que há na casa principal – Encarei-o – Não me leve a mal, mas tenho medo que aqueles manequins ganhem vida e me devorem. – Disse séria. Eu realmente tinha esse medo infantil. Michael desatou a rir.

- Não acredito nisso, Penny – Balbuciou, em meio as risadas – É impossível que uma moça tenha medos tão infantis.

- Pois eu tenho, e daí? – Disse ofendida. – Você também não é muito desenvolvido para sua idade. – Michael parou o carro bruscamente, fazendo-me soltar um pequeno grito.

- Está me chamando de infantil, senhorita Ortega? – Me encarou de cenho franzido. Não achei que ele fosse se ofender.

- Estou – Dei de ombros.

Um fato sobre mim, eu sou muito sincera, não importa com quem.

- Então se eu fosse a senhorita, começaria a correr agora mesmo, por que se eu lhe pegar nunca mais irei parar de tortura-la – Arregalei meus olhos quando ele levantou-se para descer do carrinho.

- Michael?! – Me levantei e logo comecei a correr. – Nem pense nisso – Gritei, meio sem fôlego – Sem cócegas, Michael Jackson, sem cócegas... – Não consegui ir muito longe de onde estávamos. Era desengonçada demais para correr sem tropeçar, caí de joelhos na grama. Michael alcançou-me tão depressa, que me perguntei se ele sabia voar.

- Você está bem? – Perguntou ofegante.

Me deitei na grama e desatei a rir feito uma doida.

- Ora, isso é trapaça – Disse divertido – Caiu apenas para me distrair da minha caçada... Mas... – Começou em tom ameaçador – Não vou ter pena de você. – De repente suas mãos grandes atacaram minha barriga com cócegas. Me contorcia e ria, desesperada.

- Pare! Pare, por favor – Lágrimas já saltavam dos meus olhos.

- Peça desculpa por ter me chamado de infantil. – Ele continuava sem dó nem piedade.

- Eu peço – Gritei – Desculpa, você é muito crescido – Disse. Estava ofegante.

Ele parou, logo sentando-se ao meu lado. Levei algum tempo para conseguir me recompor e me sentar também.

- Isso não se faz – O repreendi, divertida.

- Sou um homem de castigos duros.

Oi?! Que frase foi essa rapaz?! Tomara que ele não tenha percebido, por que instantaneamente me senti corar e uma onda de excitação me tomou.

- Melhor entrarmos, deve estar cansada, precisando de um bom banho e uma comida quentinha.

- Por acaso está me chamando de fedorenta?

- Fedorenta não, mas bastante despenteada – Arregalei meus olhos, arrumando meus cabelos depressa.

- Não sei onde foi parar seu cavalheirismo – Lhe empurrei e ele, em meio as risadas, me puxou pelos ombros para um abraço.

- Você é linda de qualquer jeito. – Me equilibrei na ponta dos pés e dei-lhe um leve beijo na bochecha.

E você é o homem mais lindo desse mundo.

Andamos assim até a porta do quarto, que ele disse que eu ocuparia.

- Vou deixa-la descansar um pouco, volto para chama-la por volta das 6 horas, tudo bem?

- Claro – Respondi – Hummm.... sem querer parecer intrometida, mas... Seu quarto fica longe? É que realmente a casa é grande e, nunca se sabe...

- Meu quarto é o último do corredor, à direita. Se, por acaso, um dos meus manequins te atacar é só gritar. – Disse, já afastando-se.

- Besta – Lhe mostrei a língua, entrando no quarto em seguida.

Deus, era um sonho! E, de forma alguma, eu queria ser acordada.

O quarto onde estava era confortabilíssimo. Tudo decorado em tons de creme e marrom. Uma enorme cama estava centralizada ali, ladeada por dois criados-mudos. Havia uma penteadeira a moda antiga, toda trabalhada em um madeira nobre, um espelho enorme ficava acima da mesinha. Das janelas, com vistas panorâmicas, pendiam cortinas de uma seda leve, que tremulava de acordo com um vento. E para completar, duas portas se dispunham do lado esquerdo do quarto, uma dava para um closet gigantesco e uma para um banheiro luxuosíssimo. Um quarto de princesa... e era exatamente assim que me sentia nesse momento.

Corri par o banheiro, precisava de um bom banho, vestir uma bonita roupa e me parecer menos com uma garotinha, quando descêssemos para jantar... Bem, eu teria um grande trabalho.

Ás exatas 6 horas e 5 minutos ele bateu em minha porta. Corri para abri-la, feito uma menina à espera do papai-noel.

Michael não era exatamente um papai-noel e o saco de presentes que eu queria era bem outro. – Ri de meus pensamentos ridículos.

- Está... a... tra... sa... do – Gaguejei diante da sua figura. Pretendia brincar com ele, pelos seus 5 minutos de atraso, mas falhei vergonhosamente diante dele. Estava absolutamente lindo, vestido em uma calça preta, camisa vermelha e um blazer também preto. Seus cachos estavam presos atrás de sua cabeça e seu cheiro de baunilha parecia ainda mais aguçado que antes.

- Desculpe, meu bem – Sorriu, pegando minha mão, para deixar ali um elegante beijo – Está linda. Agora vamos jantar.

Eu o segui escada a baixo, como um perfeito zumbi. Não me perguntem como não cai das escadas, por que juro que não enxerguei nenhum degrau enquanto descia.

Estava louca, de amor, de tesão... louca por aquele homem e pelas coisas que ele me fazia sentir.

Ele puxou a cadeira para que eu me sentasse, e assim que também estava acomodado apareceu uma jovem senhora para começar a nos servir.

Jantamos em silêncio, parando apenas entre um prato e outro para falarmos algumas amenidades.

E enquanto olhava-o ali, comendo, comecei a pensar se eu o merecia... Que eu o queria, era fato, mas será que eu, uma simples e apaixonada mulher merecia aquele ser em minha vida. Ele era simplesmente lindo demais, bondoso demais, talentoso demais... Eu perto dele não me sentia muita coisa.

Talvez devesse me contentar em ser sua amiga, já era um grande negócio. E se eu tentasse algo a mais e ele risse de mim, e com isso o pouco que já construímos fosse destruído?

- Penny – Sai do meu torpor ao ouvir o som de sua voz – Estava longe.

- É, desculpe – Sorri, meio entristecida.

- Algum problema? Parece meio triste.

- Nada demais, bobeiras femininas – Beberiquei mais um gole do meu vinho – O jantar estava ótimo.

- Estava sim... Que tal conhecermos o parque agora, lá é ainda mais bonito de noite.

- Claro – Levantei-me – Me leve, senhor Jackson – Brinquei.

Dessa vez ele não riu, me encarou de um jeito que me deixou constrangida.

- Eu te guiarei e vou tentar ser bom – Não entendi sua frase, mas não seria agora que ia tentar.

Seguimos lado a lado pelo iluminado e bonito jardim. E de alguma forma senti que algo havia mudado entre nós.



Capítulo 15

Penny


- Então, Penny, me fale de sua família – Michael quebrou o silêncio – Apesar de ser uma figura pública, não acho que já vi muitas vezes histórias sobre você.

Eu suspirei, apreciando seu perfil.

- Procuro me manter isolada de fofocas. Hummm... Já minha família, bem, somos só eu, minha mãe e a cada semana seu novo namorado. – Ri, sem humor.

- Seu pai?

- Ele morreu quando eu tinha 9 anos. Acho que o dia da sua morte foi o mais triste da minha vida. Papai era meu herói, meu melhor amigo, nunca nos desgrudávamos.

- Não tem a mesma relação com sua mãe, não é?

- Não mesmo. Às vezes acho que mamãe nem mesmo gosta de mim. Sempre tento fazer tudo para agradá-la, mas ela nunca deixa de me criticar, me depreciar. Nem mesmo ser atriz era meu grande sonho. Entrei nessa carreira por que cresci ouvindo-a dizer que eu nascera para aquilo, que estava no sangue.

- Desculpe, mas sua mãe deve ser uma frustrada, que desconta as coisas em você. – Encarei-o, um pouco boquiaberta. Ele parecia ligeiramente bravo. – Você parece tão frágil. O tipo de garota que merece o melhor tratamento, não ser rebaixada por alguém que deveria lhe amar e cuidar.

Por favor, santo Antônio, Oh santo dos matrimônios, case esse homem comigo!

- Já me acostumei com ela. O que a irrita mais é saber que não me controla, como fazia há alguns anos atrás. Agora eu bato de frente, faço o que quero... É uma pena que isso tenha gerado ainda mais conflitos entre nós – Suspirei resignada – Mas e você? Sempre ouço falar isso e aquilo da sua relação com os seus familiares, mas nunca consigo acreditar em muitas coisas.

- Nem deveria, como digo, quase tudo é mentira. Bem, tenho uma relação maravilhosa com minha mãe. Sempre que posso vou visita-la ou nos falamos por telefone. Meus irmãos e meu pai vejo mais raramente. Mas anualmente a família inteira se reúne para comemorar o dia da Kathe ou do Joseph.

- Às vezes te acho tão solitário, sabe?! – Ele parou, me encarou alguns segundos e simplesmente assentiu.

- Veja, chegamos! – Mudou de assunto propositalmente.

Michael praticamente me arrastou pelo resto do caminho que faltava.

Aquele lugar era maravilhoso. Me senti uma criança de 10 anos novamente. Bem, tanto eu como Michael parecíamos duas crianças, correndo, rindo e disputando ‘partidinhas’ nos brinquedos.

Fomos 2 vezes na montanha russa e 5 vezes no ‘balde de vômito’. Claro que passamos em todos os demais, mas esses dois últimos citados foram os mais marcantes.

- Não aguento mais! – Gritei, esbaforida, sentando-me no primeiro pedaço de grama que vi. – Juro que se eu for mais uma vez nesse troço que roda eu vomito em você.

- Que droga, Penny, achei que você aguentaria a pressão – Disse em um tom... acho eu, sacana.

Além de suada, ofegante, enjoada, ele estava me deixando excitada.

- Você não tem um estômago, é impossível.

- Venha, levante-se daí – Ele segurou-me pelo braço, com firmeza, levantando-me com facilidade.

- Ohhh, não, Mike, estou exausta – Falei, me apoiando em seu ombro. Seu cheiro me tomou inteira e eu tremi em seus braços.

- Está com frio? – Sua voz era um sussurro quente.

- Nã...na... não – Me soltei dele, com um sorriso amarelo no rosto.

- Vamos apenas no carrossel e prometo que te levarei de volta para casa.

- Promessa, hein? – Ele sorriu.

O carrossel era, sem dúvida, o brinquedo mais lúdico e tranquilo dali. Michael me deixou um pouco e foi falar com um rapaz, que estava operando os brinquedos durante todo tempo que estivemos ali. Provavelmente ele fora pedir que ele trocasse a música que o brinquedo tocava, por que a melodia mudou assim que ele voltou.


Ele caminhou de volta pra mim, sorrindo. Juro por Deus, que aquela foi a cena mais linda que já vi na minha vida. Atrás dele um céu cheio de estrelas brilhava e a lua parecia que sorria na sua fase minguante.



- Forever Young... – Cantarolei, me movendo ao ritmo da música. – Essa música tem tudo a ver com você.

- Também acho – Pensei que ele fosse me ajudar a subir no brinquedo, mas para minha surpresa ele virou-se de volta para o rapaz. – Bob, desligue tudo, deixe apenas a música no repeat e pode sair.

O homem assentiu e em poucos segundos via-se apenas sua silhueta na semipenumbra do extenso lugar.

- Achei que fossemos brincar no carrossel – Minha voz estava trêmula.

Eu havia entendido tudo errado, ou Michael quis ficar sozinho comigo, no escuro.

- Acontece que não acho que essa é uma hora para brincar – Seus dedos longos e macios passearam como uma pluma pela minha bochecha, me inclinei para seu toque, tão necessitada dele, que me parecia vital.
Fechei meus olhos e inalei mais uma vez seu cheiro, misturado com o cheiro das flores, orvalho... cheirinho de noite.

Então eu senti, sua mão com uma timidez hesitante circulou minha cintura, trazendo meu corpo de encontro ao seu, nos encaixamos tão perfeitamente, que naquele momento não tive dúvidas de que havíamos sido feitos um para o outro.

Sua outra mão afastou meu cabelo e ele inclinou-se para encostar seu rosto ali, sua respiração quente fazendo cócegas em meu pescoço.

- Vamos dançar – Sussurrou.

Minhas mãos trêmulas, ergueram-se para apoiar-se em seus bíceps e minha cabeça se aconchegou em seu peito. E começamos a balançar no ritmo daquela música, sincronizados, como dois perfeitos amantes da dança... Como se nossa vida inteira tivesse sido construída para vivermos exatamente aquele momento, debaixo daquele seu estrelado, daquela lua sorridente e dançando ao ritmo daquela música perfeita.

Senti um beijo casto em meu pescoço, mais um na linha do meu maxilar, mais um na minha bochecha e uma no canto da minha boca. Abri os olhos e vi-o me encarando, seus olhos negros pareciam confusos, mas também decididos.

Eu iria acabar com qualquer indecisão, eu iria mostrar o quanto o amo. E não havia dúvidas que aquele era o momento certo para isso. Era hora do conto de fadas começar... Eu esperara a vida inteira por meu príncipe e aqui estava ele, me olhando com os lábios entre abertos, a ponto de me beijar.

Seu rosto aproximou-se do meu com lentidão, talvez como uma forma de pedir-me permissão. Fechei meus olhos e finalmente seus lábios encontraram nos meus, primeiro num roçar tímido, abri meus lábios para ele.

Me beije, meu amor, você não precisa de permissão para isso!

Sua língua molhou meus lábios sem presa, para só então adentrar minha boca e se encontrar com a minha. Ele estava me beijando, doce, mas intensamente, segurando com firmeza a minha nuca e encostando nossos corpos de forma a quase fundi-los em um só. Me agarrei aos seus braços com mais força e seu beijo aprofundou ainda mais.

Tudo em mim queimava, de amor, paixão, luxúria. Eu queria tudo dele. Os beijos, o corpo, o amor... Por que de mim ele já tinha tudo.

Não sei por quanto tempo nos beijamos, mas quando ele finalmente me soltou e encostou sua testa na minha, estava com os lábios formigando, o coração acelerado e completamente emocionada.

A música, que havia se repetido 2 vezes – Não que que estivesse contando, mas acho que foi isso – Estava agora em seus acordes finais.

Michael abriu os olhos, e ficamos assim, nos olhando tão de perto, que pensei podermos ver a alma um do outro.

- Penny... 

- Shhhh – Calei-o com um leve beijo. Agarrei-me a lapela do seu blazer – Amo você e te prometo que o farei me amar da mesma forma... Me deixe tentar? – Ele assentiu.

- Vamos tentar.


Voltamos a nos beijar. A música acabou mais uma vez e a nossa história estava apenas começando.



Capítulo 16

Penny


Você já teve aquela sensação de estar flutuando? Aquela sensação boa, que te deixa leve, de coração palpitante e com uma vontade enorme de rir, chorar, gritar e depois rir de novo?

Ahh minha cara, se não teve, você a terá, pelo menos uma vez na sua vida. Isso é o amor agindo, é ele se infiltrando em cada célula do seu corpo, é ele, o amor, tão belo e complexo, se misturando a sua corrente sanguínea... e depois disso, não há saída!

- OK, talvez não aconteça tão literalmente assim, mas você vai saber quando acontecer – 
Os lábios dele se separaram dos meus, e eu senti o frio atingir-me. Ao abrir meus olhos o vi me olhando, um sorriso amplo nos lábios e um prenuncio de uma risadinha.

- O que? – Perguntei.

- Você está vermelhinha, meu bem – Ele afagou minha bochecha e só então senti que estava quente, muito quente.

- Ohh, que vergonha – Escondi meu rosto em seu peito e senti o mesmo estremecer quando ele riu.

- Isso é lindo, Penny – Ele fez eu levantar meu rosto e encará-lo – Minha pimentinha.

- Pare de me deixar encabulada – Lhe dei um pequeno tapa.

- OK – Disse, levantando as mãos em rendição - Alguma de ideia do que fazer para eu calar a minha boca?

Obrigado Santo Antônio, o senhor me guardou o mais fofo dos homens!

- Uma ótima ideia – Sorri, enlaçando o seu pescoço.

Segundos após estávamos nos beijando novamente, dessa vez com mais intensidade, as mãos já menos tímidas, permitindo-se percorrer o corpo um do outro.

Michael não passou de nenhum ‘limite’ – Não que ele tivesse algum. Minha vontade mesmo era de gritar HEY MJ EU SOU SUA PISCININHA, MERGULHE EM MIM – Mas eu não fiz, é claro.

Quando suas mãos firmes apertaram minha cintura, com uma pressão maravilhosa, eu gemi. Sim, eu gemi! Senhor, 20 anos sem sexo me deixaram um pouco retardada. Quem geme com um aperto na cintura?

Senti seus lábios formarem um sorriso em meio ao beijo e abri meus olhos novamente.

Estávamos de testas coladas, respiração ofegante e sorrindo feito bobos.

- Desculpe – Pedi.

Vou me lembrar de pesquisar no google quem é o santo protetor das retardadas. Vou virar devota.

- Shhh, deixe de bobagens – Ele sussurrou, seu hálito quente chocando-se com a minha pele – Não sabe como me deixa louco sabendo que tão pouco de mim te deixa assim. – Ele me apertou mais uma vez, e eu gemi novamente.

OK, essa deve ser uma área erógena minha.

- Você é bom em tudo que faz – Sussurrei de volta. Foi a vez dele de abrir os olhos e me encarar.

Voltamos a nos beijar. Michael me apertou contra seu corpo com firmeza e eu pude sentir o quão excitado ele estava. Eu não estava diferente dele. Nunca desejei tanto algo como agora.

- Penny... é melhor pararmos – Me afastou alguns centímetros.

- Por que? Hmm? – Voltei a agarrá-lo e dessa vez fui mais ousada, beijando seu pescoço e passeando meu nariz pela parte posterior de sua orelha.

Ele agarrou-me mais uma vez, também espalhando beijos e também mordiscadas em meu pescoço.

- Não, Penny – Ele se afastou bruscamente. Fiz bico. – Vamos com calma, princesa... É melhor assim, certo? 

Sim, ohh cavalheiro da armadura reluzente, onde está seu cavalo branco?

- Certo – Sorri, enlaçando minha mão a dele.

- Acho que é hora da senhorita ir para a cama. - CONCORDO!

Ele riu da minha cara de ‘diabinha’ 

– Você entendeu, garota apimentada. – Foi minha vez de rir.

Caminhamos de mãos dadas até a casa, e como prometido, ele me deixou na porta do meu quarto.

- Boa noite – Ele me deu mais um beijo e se afastou.

- Michael? – Virou para me encarar.

- Sim? 

- Bem, se... um de seus manequins quiserem me devorar a noite, o que eu faço? – Perguntei com a cara mais inocente que consegui.

Ele riu e em segundos eu estava encostada na parede do corredor, com ele beijando-me novamente.

- Agora vá dormir. Trate de se comportar – Disse me apontando o dedo.

- Tudooo bem – Dei de ombros, mas quando ele se virou dei um pequeno beliscão na sua bunda e corri para o quarto, me trancando lá.

Ainda o escutei resmungando “vai ter troco, Penélope”

Ohh sim, que os anjos te ouçam.

(...)

Acordei com o barulho insistente do meu celular. Tateei até acha-lo na mesinha e sem olhar quem era, atendi.

- Penélope Ortega, vou matá-la – Revirei os olhos, assim que identifiquei a voz.

- Callie, está ciente que me acordou?

- Foda-se. Você não ligou para me dizer se tinha chegado bem. Eu devo matá-la e ponto.

Me sentei na cama. Ela não me deixaria em paz mesmo.

- Desculpe, nem me lembrei da sua existência, criatura.

- Ótimo, amiga ingrata – Disse brava. Eu ri.

- Estava brincando. Callie, você está sentada?

- Ohh meu Deus... Você transou com ele? Puta que pariu, Penny, me conte todos os detalhes sórdidos, as medidas e os....

- Shhh – Estava me contorcendo de rir – Não foi isso, sua doida – Ouvi seu muxoxo – Não que eu não quisesse, mas ele disse que comigo queria ir devagar. Trocamos uma dúzia de beijos, uns bons amassos e para fechar com chave de ouro, belisquei a bunda dele – Foi a vez de Callie gargalhar.

- Você é terrível, garota. Tem essa pinta aí de santinha, mas não engana ninguém. Tá doida pra liberar geral para o gostosão do pop.

- Callie! – A repreendi, em meio as risadas.

- Então, quais os planos para hoje?

- Como assim, planos?

- Não seja idiota Penny. Você está na casa dele, lembra? Precisa de um plano, qualquer um, tipo ‘dance com ele ao som de 50Cent, Candy shop’.

- Só você mesmo para falar uma besteira dessas, Callie. Não há planos desse tipo, mas é óbvio que não vou perder minha única chance. Escreva isso, vou sair daqui noiva ou mulher de Michael Jackson, ou não me chamo Penny.

(...)


Michael


- Claro, querida – Olhei mais uma vez para a porta, temendo Penny entrar. – Fico feliz que esteja curtindo as férias, Crys... – Não, fique tranquila e aproveite, não estou precisando de nada por aqui... Preciso desligar agora. Divirta-se e te ligo assim que der, beijo.

Joguei o telefone na mesinha e voltei para a cama. 

Crys iria ser um grande, enorme, gigantesco, problema. Não fazia a mínima ideia de como convence-la que casar-me com Penny é a minha tábua de salvação.

Penny... Pensar nela me faz sorrir. Ela é mesmo uma ótima garota. E espero conseguir administrar tudo sem machuca-la.

Duas batidas na porta me tiraram de meus devaneios.

- Senhor Jackson?

- Sim?

- O senhor Dileo está o esperando na biblioteca, diz que precisa lhe falar urgentemente.

- Diga que já vou – Bufei irritado.

(...)

- Fale baixo, Frank, quer que Penny ouça? – Pedi, possesso – Meu Deus, quando esse martírio vai acabar? Só falamos nisso agora.

- Eu sinto muito, Michael, mas vai ser assim até que se decida.

- O que quer que eu faça, que entre naquele quarto agora e peça a garota em casamento?

- Era o certo a se fazer, mas sei que não pode ser assim. O fato aqui é, que você tem uma semana para estar casado com Penny, ouviu? Você sabe que o que está em jogo aqui não é só o seu trabalho, há muitas famílias que dependem disso, e você sempre me pediu para nunca te deixar esquecer disso.

- Eu sei Frank – Suspirei, casado.

- Irei dar um jeito nisso, ainda essa semana, prometo. – Frank assentiu.




Capítulo 17

Penny


Acordei com batidas insistentes na porta. Só poderia ser uma das funcionárias daqui me chamando para o café. 
Me levantei do jeito que estava e fui abrir a porta.

- Ahhhh- Gritei assim que vi a figura de Michael parado a minha frente. Cheiroso, arrumado e penteado. Ele me encarou de cenho franzido.

- Não sabia que assustava tanto assim – Disse divertido.

- Como me aparece assim? Devo estar assustadora! – Passei as mãos pelos cabelos, tentado controlá-los.

- Já te disse pra parar com essas bobagens, você está linda! – Ele me deu um selinho e voltou para sua posição.

Eu ainda não estava acostumada a ser beijada por ele, por isso fiquei uns segundos em choque.

- Vim te chamar para irmos fazer um piquenique nas montanhas – Assenti. Olhei no relógio da mesinha de cabeceira e vi que não passava das 6 horas.

- Vou adorar, mas por que tão cedo? – Disse em meio a um bocejo.

- Por que quero pegar o início da manhã por lá, é mais bonito. Agora se aprese, te espero lá em baixo – Ele me deu mais um selinho e saiu.

Levei apenas 20 minutos, entre tomar banho, me pentear, me vestir e me perfumar. É um novo recorde para mim.

Encontrei-o sentado em um dos degraus da escada.

Assim que me viu Michael veio até mim e me abraçou. Eu me derreti em seus braços, agarrando-me a ele e inalando seu cheiro. Ele me deu um casto beijo na testa e segurou meu rosto para que eu o olhasse nos olhos.

- Está pronta? 

Achei sua pergunta estranha, parecia carregada de motivos ocultos, mas me resignei apenas a responde-la.

- Com você sempre estou pronta – Sorri e ele retribuiu o sorriso.

Saímos de mãos dadas até o carinho que nos esperava.

Ele dirigiu sem presa até o lugar onde queria. Parou aqui e ali, me explicou sobre vários lugares por onde passamos... Mas o melhor de tudo foi quando, assim de repente, ele parou e me deu um profundo beijo.

Deus, ele conseguia me deixar ainda mais apaixonada!

- Chegamos! – Ele parou o carrinho em um canto qualquer e seguimos até o topo de uma montanha, lá jazia uma enorme e frondosa árvore. E a vista era maravilhosa, dava pra ver toda Neverland dali.

- Que lugar mais lindo, Michael – Disse boquiaberta.

- Amo vir aqui para relaxar – Responde e ao me virar vejo ele estendendo no chão uma toalha quadriculada. 

Volto minha atenção para a vista a minha frente e alguns segundos depois sinto um par de mãos grandes cingindo minha cintura. Sorrio e me viro para olhá-lo.

- Obrigado por me trazer aqui... Isso mais parece um sonho – Suspiro de contentamento.

- Mas não é – Dizendo isso, ele me puxa contra seu corpo e me beija de língua. Dessa vez muito diferente de todas as outras. É tudo mais intenso, forte, sua língua provando a minha, seus dentes me mordiscando, suas mãos apertando as carnes um pouco acima das minhas nádegas.

Ei, eu namorei por 2 anos com um cara e, apesar de ser virgem, eu sei exatamente quando ele querem mais que uns beijinhos, e posso afirmar que nesse momento o Michael quer mais. E também é o que eu quero, claro, é meu sonho, a realização dele, mas de repente me sinto nervosa, com medo de não saber o que fazer...

- Michael – Afasto-o suavemente. – Eu... er...

- Você nunca fez isso, certo? – Perguntou com um sorriso grande nos lábios. Apenas assenti, corando furiosamente. – Eu desconfiava, meu anjo.

- Tenho medo de não saber o que fazer na hora – Dei de ombros. Ele acariciou meu rosto e me deu um leve beijo nos lábios.

- Estou aqui para te guiar, te ensinar... Eu sei que pode parecer um pouco precipitado, e Deus ajude para que não esteja fazendo algo assim tão ruim para nós, mas é o que preciso no momento, Penny. Você confia em mim?

- Claro... Eu posso estar parecendo uma boba insegura agora, mas quero que saiba que vivi toda a minha vida sonhando com esse exato momento. Eu quero que me guie, que me ensine, que me faça mulher, quero tudo que possa me oferecer, mesmo que não seja a mesma coisa que eu quero... Estou nas suas mãos, sempre estive.

Voltamos a nos beijar, e enquanto o fazíamos Michael me guiou até onde a toalha estava disposta, ele me ajudou a deitar sobre ela e fez o mesmo, logo em seguida trazendo seus lábios aos meus novamente. Minhas mãos trêmulas migraram para seus cabelos, e os apertei contra meus dedos, extasiada com a maciez deles. Ele agarrou minhas mãos e levou-as até o primeiro botão de sua camisa.

- Relaxe, princesa – Sussurrou contra meus lábios, e eu sorri apaixonada.

Enquanto me livrava, sem presa, da sua camisa, ele também começou a se livrar da minha. Ele me despiu primeiro, deixando à mostra meu sutiã lilás. Seus dedos roçaram na pele do meu colo e barriga, e tudo em mim tremeu.

Joguei sua camisa na grama e contemplei seu peito nu. Era exatamente como nos meus sonhos, as marquinhas da doença não o deixaram um milímetro menos belo. Quando minhas mãos passearam por seu peito e pararam no botão da sua calça, seu beijo se intensificou e ele segurou com força um dos meus seios.

- Michael – Gemi, me empinando para ele.

- Shhh, vamos com calma, linda – Um segundo depois ele havia me livrado do sutiã. Ele estava olhando fixamente para meus seios e não senti o mínimo de desconforto por isso. Me senti admirada por ele me deixava louca.

- Prove-os – Instiguei – Sempre os guardei só para você provar – Sorri de lado.

Ele não pensou duas vezes, levando as mãos até eles e apertando-os com precisão. Meus mamilos se intumesceram diante de seu toque e instigado com a visão Michael levou a boca até eles, sugando um e depois o outro.

- Sim... – Murmurei, perdida em sensações.

Seus lábios continuaram provando meus seios, enquanto uma de suas mãos arrastou-se da minha barriga até o cós da minha saia. Ele ergueu-a e apertou minhas coxas. Gemi alto, e ele engoliu meu gemido com um beijo.
Michael se levantou e se livrou da calça. E, senhor, aquele homem era a perfeição. Tudo nele era harmônico, o torso magro, as coxas definidas...

- Você é tão lindo – Disse encantada. Ele me olhou e sorriu.

- Você é que é, sua beleza transcende de dentro de você Penny – Hipnotizada pelas suas palavras e seu olhar, inclinei-me e puxei-o para mais um beijo. Ele desconectou nossas bocas e voltou a se ajoelhar, dessa vez entre minhas pernas. Com lentidão ele tirou minha saia e delicadamente abriu minhas pernas. – Você tem certeza?

- A maior certeza da minha vida – Ele assentiu e, tão lentamente quando tirou a saia, ele tirou minha calcinha. 
Minhas pernas se afastaram mais, eu queria que ele me visse inteira, visse tudo que guardei só pra ele e nenhum outro mais.

Seus dedos passearam delicadamente sobre meu monte de Vênus e desceram até minha intimidade, passeando pela minha entrada e voltando para meu clitóris, que a essa altura pulsava tanto, chegando a causar um dorzinha incômoda.

Instintivamente rebolei contra seus dedos e joguei a cabeça para trás.

- Preciso tanto de você – Disse em um fio de voz.

- Você me terá – Respondeu-me.

Me equilibrei em meus cotovelos a tempo de vê-lo se inclinando sobre mim para voltar a beijar meus seios, o que ele fez sem presa. Seus lábios desceram por minhas barriga e quando finalmente chegaram a minha intimidade, eu gritei, em alto e bom som, deixando meu corpo cair novamente contra a grama.

Michael espalhou mais minhas pernas e soprou levemente meu clitóris. Meus quadris ergueram-se e apertei a toalha em meus dedos. Eu precisava vê-lo fazer aquilo, para gravar na memória essa cena. Voltei a me apoiar nos cotovelos e jurei a mim mesma que não importasse o que ele fizesse eu lutaria até o final para não sair mais dessa posição.

Seus lábios roçaram minha intimidade, e uma tensão gostosa começou a se formar em meu baixo ventre. 
Quando sua língua quente e molhada me lambeu pela primeira vez, minha vontade foi de prendê-lo ali entre minhas pernas e jamais soltá-lo. Sua língua me instigou com maestria, entrando e saindo de mim, por oras se pondo firme e pressionando meu clitóris em círculos.

Eu estava trêmula, ofegante e gemendo agarrada aos seus cabelos e quando ele sugou meu clitóris mais uma vez foi impossível me segurar, minhas pernas fecharam em torno de sua cabeça e meus quadris levantaram, enquanto eu gozava e gritava seu nome repetidas vezes. Meus olhos se fecharam e eu me contorci e tremi pelo que pareceu uma eternidade. 

Quando voltei do meu mundo de sensações maravilhosas, Michael já havia se livrado da boxer e estava entre minhas pernas, me encarando com um sorriso enorme no rosto.

- Nunca vi alguém gozar tão bonita assim – Eu ri e puxei-o para um beijo, sentindo meu próprio gosto em seus lábios. – Se quiser parar, a hora que for, me avise... e se eu te ma...

- Shhh – Foi a minha vez de calá-lo – Você vai me fazer a mulher mais feliz desse mundo. - Ele sorriu e se ajeitou para encaixar-se em mim. Minha intimidade alargou-se para acolhe-lo e um gemido rouco escapou de ambos os lábios. 

Suas mãos se entrelaçaram as minhas e ele me penetrou mais um pouco. Meus olhos fecharam-se e gemi mais uma vez.

- Olhe para mim, meu bem – Fiz o que ele pediu, encarando seus expressivos olhos negros.

Ele enterrou-se mais um pouco em meu corpo e uma dor desconfortável começou a me assolar. Michael mudou de posição, apoiando-se nos cotovelos, e assim ficando ainda mais próximo de mim. Enrolei minhas pernas e braços ao seu redor... e agora estávamos completamente unidos. Ele me deu mais uma estocada e senti quando rompeu meu hímen. Uma lágrima de felicidade me escapou e ele recolheu-a com os lábios.

- Tudo bem? – Perguntou salpicando beijos em minhas bochechas.

- Sim – Sussurrei. – Vá em frente – Sorri.

Finalmente ele passou a se movimentar mais forte, indo e vindo em um ritmo contínuo e preciso. Voltei a gemer, sentindo mais uma vez aquela sensação se construir em mim. Michael colocou sua boca a minha, tomando meus gemidos para si e aumentou ainda mais suas estocadas.

- Ohh, Michael – Minhas unhas fincaram em sua pele enquanto meu corpo absorvia as ondas de sensações. Senti Michael estremecer sobre mim e gemer meu nome, em seguida jogando-se ao meu lado.

Me aninhei em seu peito e entrelacei nossas pernas. Podia ouvir seu coração batendo forte, sua respiração descompassada e me senti a mulher mais sortuda e feliz desse mundo.


- Eu amo você – Balbuciei, me agarrando ainda mais a ele.



Capítulo 18

Penny

Eu estava nas nuvens, literalmente, por que dali de onde estávamos elas pareciam bem mais perto.

Já havia se passado mais 5 dias desde em que Michael e eu nos amamos aqui, nesse mesmo lugar, e se houvesse uma forma de pôr o que tenho sentido nesses dias em palavras, eu resumiria tudo em perfeição.

Michael foi perfeito por todos esses dias. Nós brincamos incontáveis vezes no parque, feito duas crianças bobas, e parece que éramos mesmo! Passeamos pelo zoológico, de trenzinho, sem falar nos quilômetros e quilômetros que andamos dentro desses carrinho de golfe. Só para frisar, Michael é um péssimo motorista, mas um namorado maravilhoso.

Namoramos um par de vezes no cinema, demos uns amassos na cozinha, quase transamos em cima de ‘sua árvore da sorte’, e quase não saímos do quarto por dois dias seguidos. Hoje ele finalmente me tirou do seu ‘cárcere’ e me trouxe de volta ao topo da montanha onde aconteceu nossa primeira vez. E agora estava aqui, relembrando tudo que tem me acontecido esses dias e o quão imensuravelmente feliz eu estou.

- Venha, Penny, acabei de tirar tudo da cesta – Suspirei aquele ar puro maravilhoso, e deixei minha vista espetacular para trás, voltando para onde ele estava.

- Tem certeza que não está quente demais para ficar aqui? – Perguntei preocupada. Ele sorriu, mordendo um morango.

- Relaxe, princesa, as coisas por aqui ainda nem esquentaram tanto assim – Michael piscou, e me ofereceu um pedaço do seu morango.

- Safado! – Comentei rindo, logo me aproximando para beijá-lo.

Degustamos mais um pouco da comida em silêncio. Em um dado momento Michael tirou seu chapéu e colocou-o em minha cabeça.

- Eles ficam lindo em você, sabia?

- Sabia que eu te amo? – Disse, me deitando em seu colo e olhando-o. Ele inclinou-se e me deu um leve beijo nos lábios.

- Penny, se por um acaso eu te pedisse em casamento, o que me diria? – Meus olhos se arregalaram e me levantei tão depressa que bati minha cabeça no seu nariz.

- Ohh meu Deus – Michael gemeu, agarrado ao rosto.

- Senhor, está sangrando – Tirei sua mão para analisar o estrago que eu tinha feito, o que só serviu para me deixar em pânico. – Eu quebrei seu nariz. Deus, vou ligar para uma ambulância agora mesmo. – Afoita, derrubei tudo da cesta para procurar meu celular – Eu não trouxe! – Constatei, em desespero. – Fique ai, amor, eu vou buscar ajuda e...

- Ei, calma! – Michael segurou meu braço e me fez sentar. Ele estava rindo agora, gargalhando.

- Como você ri assim do meu desespero? Não vê que quebrei seu nariz? – Lhe dei um tapa no ombro.

- Você não quebrou ele, sua boba, ele é só sensível... Chamar uma ambulância, Penny? – Ele gargalhou mais uma vez – Só você mesmo!

- Isso, divirta-se – Resmunguei – Você vem todo serelepe dizendo “O que diria se eu te pedisse pra... ca... sar...” – Meus olhos se arregalaram mais uma vez e minha mão voou para minha boca, tapando-a.

Fiquei tão desesperada que nem lembrei a pergunta que ele acabara de fazer.

- Ainda bem que seu surto não te fez esquecer da pergunta – Deu de ombros. Enquanto eu permanecia em choque, ele apanhou um lenço no bolso e molhou com um pouco de água, limpando o nariz em seguida. – Penny, ficou catatônica agora?

- Essa foi uma brincadeira de mal gosto, Michael Jackson, e é bem feito que eu quase tenha quebrado seu nariz por isso! – Disse brava.

- Eu não estava brincando – Deu de ombros.

- Isso é sério? Tipo, sério mesmo? – Ele sorriu de lado e me puxou para mais perto.

- É sério minha destrambelhadinha – Beijou a ponta do meu nariz e prosseguiu – Acho que estou ficando um pouco velho, talvez nunca mais faça sucesso como antes, então pensei que está na hora de ter minha família... E, bem, acho que você seria perfeita pra isso... – Ele suspirou e desviou o olhar – Sei que é bem mais nova que eu e... que faz pouco tempo que nos conhecemos... Mas me sinto bem com você, muito bem – Voltou a me encarar – Você me faz sorrir, esquecer dos problemas e sei que posso te amar como merece. Então sim, a pergunta era séria, se eu te pedir agora pra casar comigo no próximo mês, o que me responderia?

OK, O BAGULHO AGORA FICOU SÉRIO!

Michael Joseph Jackson, aquele cara que amei desde a primeira vez que vi, mesmo vestido de zumbi, estava agora, depois de 10 anos, me pedindo em casamento?

Eu sei que repeti um milhão de vezes para quem quisesse ouvir que me casaria com ele, e sim, uma parte de mim acreditava veementemente nisso, mas a voz da razão, aquela que sempre te desilude das loucuras sempre gritou pra mim “TE MANCA MENINA, VOCÊ ACHA QUE ELE VAI TE DAR MORAL?”

A voz da razão estava errada, Callie, minha mãe e todas as outras pessoas que já riram de mim estavam erradas. Eu ia viver meu conto de fadas, com o príncipe que sempre sonhei para mim... Eu só esperava ter realmente um ‘felizes para sempre’.

- Penny? – Michael chamou, enxugando minhas lágrimas, que só agora notei que molhavam meu rosto.

- Eu diria que caso amanhã, se for o que você quer – Consegui dizer. Rapidamente estava em seus braços, sendo beijada e acariciada.

Se mil vidas eu viver, por mil vidas lembrarei desse momento!

(...)

- CALA A BOCA – Callie gritou do outro lado do telefone, tão estridentemente que tive de afastar o aparelho do meu ouvido.

- Eu vou casar, Callie. Casar com o Michael! – Gritei empolgada, dando pulinhos infantis.

- Isso é o que eu chamo de ter a bunda virada para a lua, o sol, e toda a galáxia – Eu ri – Só faz uma semana que está aí, tem noção disso?

- Claro, e por que acha que estou tão impressionada. Ok, eu sempre disse que esse momento chegaria, mas nunca imaginei que fosse assim tão depressa. – Me joguei na cama – Aiii, Callie, ele é mesmo um príncipe!

- Penny, agora é sério, você não achou esse pedido estranho. Porra, é o Michael Jackson, vocês não se conhecem a mais de três meses, e não se comem nem a uma semana! Isso está estranho!

- Não venha tentar implantar suas caraminholas em minha cabeça. Aconteceu, oras! E ele me explicou tudo, disse que quer uma família, que tem se sentido mais velho, e que acha que eu posso fazê-lo feliz! 

- Que você pode fazê-lo feliz não tenho dúvidas, mas e você, quem vai fazê-la feliz?

- Ele, é claro. Como já está fazendo – Revirei os olhos – Olha, Callie, não liguei para ficar ouvindo sermões. Apenas eu e o Michael sabemos o quão forte foi o que nos aconteceu nessa semana, então apenas nós podemos entender o porquê das coisas terem caminhado assim.

- Tá bem, não vou mais te encher. Sabe que é só preocupação. Mas tenha cuidado, tá? O amor as vezes nos faz ver coisas onde não existem, ou oculta o que parece estar óbvio.

- Tá, tá bom – Revirei os olhos mais uma vez – Você já sabe que será a madrinha, não é?

- Mas é claro, e acha mesmo que deixaria você casar se não fosse assim? – Rimos. – Onde será a cerimônia?

- Bem, de início combinamos de casar apenas no civil, tá vendo só que não estamos com tanta presa assim – Disse lhe mostrando a língua, mesmo que não pudesse ver – E vai ser aqui em Neverland mesmo.

- E você não virá até sua casa, contar a sua mãe?

- Vou até Hollywood amanhã à tarde, se bem que até lá acho que ela já estará sabendo. Mas preciso conversar com ela pessoalmente.

- E por que ela já saberá, pretende ligar?

- Não, mas Michael quer que anunciemos o casamento para a mídia, perguntou o que eu achava e bem, por mim está ótimo. – Dei de ombros – Amanhã estará em todos os jornais, revistas e TV’s.

- Está preparada para o bombardeio que vai ser? – Callie perguntou com uma voz estranha.

- Não estou nem mesmo preocupada com isso. – Ouvi batidas na porta – Callie vou desligar agora, tem alguém me chamando, vá me esperar lá em casa, acho que chego umas 3 horas da tarde. Te mato se não estiver lá. Estou morrendo de saudades.

- Eu também, meu anjo. Estarei lá. Beijo.

- Beijo – Desliguei o telefone e corri para atender a porta.

(...)


Michael


Minha cabeça estava fervilhando.

Estava me sentindo péssimo por tudo que tenho feito esses dias. Claro que nem tudo que disse e fiz com Penny foram mentiras. Eu gosto dela, muito, adoro sua companhia, adoro nossos momentos íntimos, ela é linda, meiga, amorosa, ela realmente me faz rir, me faz feliz, me faz sentir amado e admirado. Mas em qualquer outra circunstância eu jamais casaria com ela. Ainda mais assim tão depressa. Talvez ainda namorasse mesmo com ela e aí só o destino saberia o que seria de nós.

A única coisa que me consola é saber que pelo menos nunca disse para ela que amava, ela sabe que vai entrar nesse casamento sem eu amá-la verdadeiramente. E apesar de ter um afeto enorme por ela e de querer sempre sua companhia, duvido muito que algum dia eu vá amá-la como mulher.

Bebi mais um longo gole do meu vinho.

Meu celular tocou e atendi-o, sem nem mesmo olhar de quem se tratava.

- Michael, a notícia foi plantada na mídia. Estão todos em polvorosa... – Desliguei o celular e joguei-o no outro sofá. Eu sabia que era Frank e sabia o que ele iria me dizer, mas eu não queria ouvir. Era como desnudar para mim mesmo o quão horrível eu venho sendo. Brincando e me aproveitando dos sentimentos de uma garota boa e pura, para salvar minha carreira, quando minha música era quem deveria estar fazendo isso.

Meu celular tocou insistentemente uma dúzia de vezes até parar, dessa vez foi o telefone da biblioteca que começou a tocar.

- Alô – Atendi-o, sem a mínima paciência.

- Eu vou mata-lo, Michael Jackson, amanhã a tarde estarei em Neverland e iremos acertar nossas contas. Quero ver o que sua noivinha rata vai dizer quando souber que o príncipe dela tem uma amante! – Crys desligou sem me deixar dizer nenhuma palavra mais.

E agora mais essa!

Ainda tenho que lidar com a fúria de Crys, e convencê-la que essa era a única forma. Por que não quero que ela se afaste de mim.

Estou perdido!


Capítulo 19

Penny


Foi difícil deixar Neverland para trás. Certo que seria apenas por alguns dias, mas antes mesmo do helicóptero decolar eu já estava com saudades daquele paraíso, e do Michael, principalmente dele.

Tivemos uma noite maravilhosa ontem. Nossos olhares, nossa entrega, nossos gemidos, nossa forma de fazer amor... tudo parecia mais intenso ontem. Acredito que estávamos matando as saudades antecipadamente.

Michael me repetiu uma dúzia de vezes que não me preocupasse com nada. Que me ligaria todas as noites e que iria até Hollywood alguns dias antes do nosso casamento para me buscar. Pois é, marcamos a data para dali a duas semanas... E bem, eu ainda estava um pouco incrédula com tudo.

Meu celular tocou umas mil vezes ontem, provavelmente minha mãe, me empresário e meus assessores, todos querendo saber se era verdade a notícia do casamento. Eu até quis atender e gritar um grande SIM na cara deles, mas Michael não me deixou atender, e me fez ficar entretida durante toda a noite, de uma forma bem gostosa.

Assim que coloquei meus pés no gramado de casa e vi minha mãe me esperando com uma carranca tão assustadora, tive certeza que teria muitas chateações pela frente.

- Obrigada, Sam – Agradeci ao nosso copeiro, que veio pegar minha mala assim que desci e segui até onde mamãe estava.

- Espero que tenha se divertido – Ela disse, debochadamente, é claro.

- Boa tarde para a senhora também, e sim, me diverti muitíssimo. – Sorri e passei por ela. Obviamente ela me seguiu.

- Penélope Ortega me diga que aquela palhaçada que está estampando tudo quanto é capa de revista hoje é mentira. Você não vai mesmo se casar com aquele estranho falido, não é? – Me virei para encará-la.

- É a mais pura verdade. Nos casaremos em duas semanas. – Virei-me e voltei a andar.

- Você só pode estar louca! – Gritou, voltando a me seguir – O aquele homem pode querer com você? Isso é ridículo! Ele nem mesmo deve gostar de mulher... Isso é combinado, não é? Fará isso para salvar a carreira falida dele!

- Sinceramente não vou me dar ao trabalho de discutir com você. Só o que tenho a te dizer é que é a mais pura verdade. E que nos casaremos por amor... Está convidada a ir, a cerimônia acontecerá em Neverland, no dia 26, ás 10h. – Disse irritada, não me dando o trabalho de parar para falar com ela.

- Escute aqui garota – Ela segurou em meu braço e me fez olhá-la – Eu a proíbo de fazer essa idiotice. – Forçou mais seu aperto e me sacudiu – Você vai acabar com sua carreira e salvar a dele... e posso te garantir que no final disso ele nem vai olhar pra você.

Uma coisa ruim, muito ruim, fez meu coração se apertar diante de suas palavras. Meus olhos se encheram de lágrimas.

- Você sabe que o amo, que sempre o amei... e se eu tiver de passar por muitas coisas, eu passarei, por ele, só por ele – Ergui minha cabeça – E não se preocupe, faço questão de abrir uma conta com seu nome para deixa-la bem financeiramente, e claro que a casa é sua. Não precisa me ver nunca mais se não quiser.

- E não irei querer mesmo – Disse inabalável – Não pense você que bancarei a mamãe feliz, que farei declarações positivas sobre esse absurdo e muito menos participarei desse circo que vão chamar de casamento. 

- Eu não esperava outra atitude de sua parte, mãe – Disse amarga.

- Amigaaaaaa – Ouvi o grito exagerado de Callie e ao me virar a vi correndo desabalada em minha direção, só parando quando me tinha presa em um abraço. – Senti tanto a sua falta garota. – Abracei-a tão forte quanto pude, curando com seu carinho e amor o que a aura pesada de minha mãe havia implantado em mim.

- E eu então! – Ela finalmente me largou e olhou para mim um par de vezes, analisando-me. – O que foi, Callie? – Perguntei rindo.

- Você já parece outra. Nada de moleca em si, já visualizo a respeitada e compenetrada senhora Jackson – Eu gargalhei.

- Você fala cada coisa! – Meneei a cabeça.

- Então me fale agora pra quando é o casamento? 

- Nos casaremos dia 26, numa cerimônia simples, só para amigos. – Sorri, só de pensar nesse dia era isso que eu fazia.

- Ainnn – Ela bateu palmas – Mas vamos entrar, quero que me conte TUDO – Callie praticamente me arrastou casa a dentro e nos trancamos no quarto. Não vi nem sombra da minha mãe quando passamos pela casa.

(...)


Michael


Quando pensei que poderia respirar aliviado por um minuto. Pensar na vida e tentar esquecer tudo que estou prestes a fazer, uma Crys furiosa aparece, quase arrebentando as portas da biblioteca.

- Boa tarde, Michael, espero não estar atrapalhando – Disse sarcástica. Ela analisou a biblioteca, provavelmente procurando por Penny, quando não encontrou-a jogou a bolsa em um quanto qualquer e fechou a porta atrás de si, em um baque.

- Crys – Murmurei sorrindo. Quem sabe ela não esquece toda essa idiotice, eu a carrego pro quarto e ela me ajuda a esquecer meus problemas.

- Me diga que essa maldita matéria é coisa de tabloide – Ela jogou aos meus pés um exemplar de uma revista. 
Estampados na capa estávamos eu e Penny e o título era “Um conto de fadas particular”.

Encarei Crys e sorri amarelo.

- É a mais pura verdade – Suspirei pesadamente.

- Você só pode estar brincando – Gritou, seu rosto ganhando um tom a mais de vermelho.

- Crys, isso foi preciso...

- Preciso? – Vociferou – Eu sabia que aquela rata ia dar um jeito de te agarrar, eu tinha certeza, mas nunca imaginei que seria tão depressa e que você seria tão idiota que iria cair na dela. – Revirei os olhos – Você arrastou aquela ninfeta pra cá e engravidou-a foi isso? Por isso o casamento as presas?

- Não seja absurda, Crys... Esse casamento não passa de uma fachada.

- Como assim? – Perguntou, visivelmente menos alterada.

- Se é o que quer saber, eu não amo Penny, não do jeito que está pensando. Eu não a engravidei e nem pretendo. E não arrastei-a para cá... Estava tudo planejado.

- Quem diria que o certinho Michael Jackson está prestes a fazer algo assim – Crys riu, gargalhou alto. O que me incomodou.

- Pare com isso, Crys! – A sacudi, fazendo-a parar. Ela me encarou, sorrindo maliciosamente.

- Estava com saudades dessa pegada – Crys beijou o canto dos meus lábios, meu queixo e meu pescoço. Tudo em mim arrepiou-se. 

- Estava com saudades de você também – A trouxe para mais junto de mim e repeti seu ato, beijando o canto de seus lábios, seu queixo e seu pescoço.

- Prometo que serei boazinha, mas antes quero saber detalhadamente o que pretende – Larguei-a, indo me sentar no sofá.

- Frank acha que preciso limpar meu nome na mídia para que minha carreira decole outra vez. Ele não vê outra explicação a não ser essa para que não faça mais sucesso. Então depois de ver Penny e suas entrevistas dizendo que se casaria comigo, e que eu sou um príncipe... ele acha que vai ser perfeito, que casar com a queridinha de Hollywood resolverá todos os meus problemas. Eu achei tudo isso uma babaquice, mas é uma chance e vou me agarrar a ela. – Levantei a cabeça e encarei Crys, que estava sorrindo – Por isso a trouxe para Neverland essa semana e bem, pedi-a em namoro e em seguida em casamento, alegando que precisava formar uma família. Mas pretendo me separar da Penny assim que der... gosto dela, mas como uma amiga, jamais como uma mulher com quem quero dividir o resto da minha vida.

A risada assombrosa de Crys voltou a ecoar pelo espaço. Ela riu tanto que teve de se sentar.

As vezes ela me dava medo!

- Como pode achar uma situação assim engraçada? – Perguntei incrédulo.

- Aiinnn, é que... que aquela rata está se achando – Ela se ajeitou no sofá e enxugou as lágrimas – E só vai servir de mola para sua carreira.

- Não gosto que fale assim! – Disse sério. Ela ergueu as mãos em rendição.

- Calma amor – Crys montou-me, me encarando de frente – Vou usar melhor as palavras, concordo com o Frank, acho que é disso que precisa e ela é a pessoa perfeita pra isso. Sou a favor desse casamento, é por uma boa causa... Ademais será um bom marido pra ela, realizará o sonho da garota e depois você dará um jeito de se separar dela, sem mágoas... Não se martirize por isso... – Ela rebolou em meu colo, puxando meu lábio inferior entre os dentes. – Agora vamos esquecer isso e matar as saudades.

- Crys – Chamei, segurando sua cintura para pará-la – E nós?

- Vamos continuar como sempre, meu amor... Sei que a ratinha não dará conta do recado, pra isso você tem a mim... agora relaxe...

Poucos minutos depois estávamos transando ali, no sofá da biblioteca... e Crys fez exatamente o que ela sempre fazia para mim, me fazia esquecer de todos os problemas.



Capítulo 20

Penny


As duas semanas passaram em um borrão para mim. Mal parei em casa, resolvendo todos os trametes do casamento e cuidando para que a decoração, as comidas, meu vestido, enfim, para que tudo saísse perfeito. Callie não desgrudou de mim um minuto sequer, foi meu braço direito em tudo.

Voltei para Neverland a 5 dias atrás, dessa vez com Callie em meu encalço. Preciso dizer que ela gritou uns 5 minutos seguidos quando viu o Michael, e ficou repetindo “Meu Deus, estou em um helicóptero com o Michael Jackson”. Passado esse choque fanático inicial ela voltou ao seu normal, que já não é nem tão normal assim.

Não sei se é a ansiedade pelo meu casamento, mas Callie tem agido diferente nesses últimos 4 dias. Faz perguntas estranhas ao Michael, e as vezes pego ela o olhando de cenho franzido. Isso não é algo que ela costuma fazer, a menos que esteja desconfiando da pessoa. Já perguntei se havia algo errado a ela um milhão de vezes, mas fui ignorada.

Minha mãe não vem ao casamento. Ela nem sequer veio se despedir de mim quando o helicóptero que trazia Michael veio buscar a mim e a Callie. Na verdade só a vi umas duas vezes durante toda a semana e quando tentei puxar assunto com ela fui cortada e ela me repetiu o que me dissera outro dia, ainda acrescentando que eu me arrependeria por essa loucura. Por isso não foi difícil deixar tudo para trás, mas fiz questão de deixa-la amparada, mandei que meus advogados transferissem uma quantia de dinheiro para ela e passasse a casa para seu nome. Eu não pretendia voltar e nem acho que algum dia ela me procuraria, mas não custa ter esperança. Sinto saudades da minha mãe de antes, que me contava histórias e me dava um beijo de boa noite. Mas a vida é assim, as pessoas mudam e nem sempre pra melhor. E nem tudo é do jeito que queremos.

Deixando todos os demais assuntos de lado, voltemos para meu noivo e eu. Bem, nós estamos muito bem, obrigado! Tirando o fato da empresa estar nos perseguindo, e de ter um helicóptero a cada 10 minutos sobrevoando Neverland, o que nos fez prisioneiro na casa... Se eles estão tentando criar caso está dando muito errado, por que Michael e eu aproveitamos esse ‘cárcere’ para nos trancarmos no quarto e fazer amor por horas. O que deixa Callie e Frank irritadíssimos.

Nem acredito que já é amanhã! Que meu sonho de uma vida inteira se realizará dentro de algumas horas... Que serei a senhora Jackson, que viverei meu conto de fadas particular. 

Eu queria sair lá fora e gritar para a imprensa, repórteres, para meus fãs, os fãs do Michael, para o mundo que eu sou a garota mais feliz desse universo.

(...)

Não sei a que horas finalmente consegui dormir ontem, mas foi bem tarde. Já estava até quase desistindo da ideia estúpida de ter ido dormir sozinha no quarto de hóspedes. Disse a Michael que era para dar mais emoção para o dia seguinte. Ele riu de mim, é óbvio, mas não me questionou.

- Acordaaaaa, noivinha – Callie pulou em minha cama.

- Não – Resmunguei, puxando o lençol até minha cabeça.

Ela levantou-se, segurou meus pés e me puxou até que quase despencar da cama.

- Está louca?

- Eu sou louca – Disse, parecendo elétrica. – Levante-se ou vai se atrasar muitíssimo. Já estão acabando a decoração lá em baixo, o chefe do buffet já chegou para finalizar as comidas e já expulsei seu noivo para a casa de hospedes. – Disse, sem parar nem para respirar – Ahh, e o maquiador e o cabeleireiro já chegaram. Vaza pro banheiro, enquanto mando eles subirem. Seu café da manhã também já foi providenciado, você come enquanto te penteiam. – Ela parecia uma general, dando ordens. Fiquei boba, olhando para ela. – O que há, criatura?

- Obrigado por tudo – Disse, já emocionada.

- Ohhh Deus esqueci que hoje ficaria uma manteiga derretida – Nos abraçamos longamente. Depois ela me empurrou até o banheiro e saiu pelos corredores gritando ordens pra todo lado.

Quando saí do banheiro já havia um verdadeiro exército me esperando. Uma manicure, uma pedicuro, um maquiador, um cabeleireiro e um fotógrafo, todos em cima de mim. Callie apareceu uma única vez, dizendo que precisava ir se arrumar, mas que voltaria quando estivesse pronta. Pediu que não me preocupasse que estava tudo certo e agora era só ‘casar, foder e ser feliz’ – Foi essas palavras que ela usou.

Não via a hora daquele bando de gente me deixar sozinha, para que eu finalmente pudesse colocar meu vestido e descer para encontrar meu príncipe. Estava morrendo de saudades dele. Até tentei inventar uma desculpa e ir até a casa de hospedes, mas Callie me proibiu, dizendo que o noivo não pode ver a noiva antes do casamento. Ela estava viajado... Era um casamento apenas no civil.


1 hora depois todo mundo havia saído e eu havia acabado de colocar o vestido. Estava parada em frente ao espelho, me examinando e tentando não chorar feito um bebê.




- Nossa, você está linda – Ouvi Callie dizer, em um fio de voz. Virei-me e encarei-a sorrindo. Não sabia ao certo se ria ou chorava.

- Estou tão feliz, amiga – Ela me abraçou, me encarando mais um pouco.

- Sabe, sempre dissemos que você seria a maior sortuda se conseguisse se casar com esse tal de Michael Jackson, mas ele é que é o sortudo... Vai ter ao seu lado a pessoa mais maravilhosa desse mundo.

- Vai me fazer chorar – Disse com a voz trêmula – Não sei o que teria sido de mim sem você. – Ela sorriu, segurando minhas mãos.

- Pode sempre, sempre, contar comigo – Ela enxugou uma lágrima que lhe escapou. – Agora vamos, seu noivo já está todo apressado lá em baixo. E só pra constar, está um gato. – Ri, seguindo-a.

Callie foi na minha frente, para avisar a todos que eu estava chegando.

Antes de finalmente empurrar a porta do salão, onde decidimos montar a festa, pois se tivéssemos optado pelo jardim não teríamos paz, tive que parar umas duas vezes. Estava trêmula e muito nervosa. Mas ao abrir a porta tudo que eu sentia, qualquer outro sentimento foi ofuscado pelo amor... Nunca esquecerei aquela cena! Ver meu amor, meu príncipe me esperando para nos casarmos, para nos tornamos marido e mulher foi a coisa mais emocionante da minha vida.



Ele pareceu surpreso ao me ver. Com certeza não esperava um vestido tão elaborado. Bem que achei que havia exagerado.

Mais uma vez ele curou todo o meu nervosismo quando sorriu para mim e caminhou em minha direção. Quando sua mão tocou a minha, senti-me em plenitude.

- Você está lindíssima, senhora Jackson – Comprimi os lábios, para me impedir de soluçar, e apenas assenti, inclinando-me para beijá-lo.

Eu queria muito dizer ‘Você também está lindo, meu amor, eu te amo’, mas se fosse falar qualquer coisa iria chorar vergonhosamente.

Não olhei tudo em detalhes, mas do pouco em que prestei atenção, a decoração estava linda.

Ainda olhando por alto acho que vi cerca de 25 pessoas na sala, todos sorridentes, simpáticos e desconhecidos. As únicas que reconheci foram Callie, a mãe de Michael, Frank e Elizabeth Taylor.

Deus, eu não estava mesmo sonhando?

Michael e eu estávamos sorridentes, parados em frente ao juiz de paz, ouvindo-o atentamente, nossas mãos entrelaçadas, nossos corpos quase colados.

Eu olhei-o mais uma vez e ele me encarou por segundos, sorrindo... Céus, eu amava tudo naquele homem, tudo!

- Penélope Ortega, é de livre e espontânea vontade que deseja se unir, perante as leis, com o Michael Joe Jackson? – Olhei para o juiz, em seguida para Michael.

- Claro, sim – Disse ansiosa e alguns dos convidados deram risadas.

- Michael Joe Jackson, é de livre e espontânea vontade que deseja se unir, perante as leis, com Penélope Ortega? – Michael me fitou e sorriu.

- Sim.

- De acordo com a vontade de ambos, que acabais de pronunciar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher. Eu , em nome da lei, vos declaro casados. 

Michael me puxou para seus braços e beijou-me apaixonadamente, enquanto ouvíamos os aplausos dos demais.
As testemunhas, Callie e Kathe, assinaram o livro, depois foi a minha vez e a de Michael. E pronto, estávamos casados, eu era definitivamente Penélope Jackson Ortega.

Preferi não me desfazer do meu sobrenome, carregava-o com orgulho, como uma lembrança de meu pai.

Todos vieram me cumprimentar. A mãe de Michael foi um amor, e prometi que a visitaria em breve para nos conhecermos. Frank nos desejou muitas felicidades, mas ele não parecia bem, parecia estranhamente nervoso. Callie gritou um par de vezes e se agarrou a mim e ao Michael, dizendo que se ele não cuidasse de mim iria chutar o traseiro dele. Elizabeth nos abraçou forte e inclusive me elogiou como atriz... Os outros convidados eram produtores que estavam trabalhando com Michael atualmente, alguns advogados e uma família de quem ele era amigo. Todos muito simpáticos.

Mas, como nem tudo é perfeito, antes de decidirmos ir embora a assessora de Michael chegou na festa. Trajando preto da cabeça aos pés e com um sorriso falso nos lábios. Ela imediatamente caminhou até nós, abraçando primeiro Michael e me estendendo a mão em seguida.



- Desejo felicidades ao casal, muito bonito, diga-se de passagem – Apertei sua mão, a contra gosto.

- Obrigado.

- Já estávamos de saída, com licença Crys – Michael me pegou pelo braço, parecendo subitamente nervoso, e carregou-nos para o outro lado da sala.

Abracei mais uma vez Callie e Kathe e finalmente deixamos a festa.

Michael me abraçou apertado, enquanto um dos carrinhos de golfe nos levava até o helicóptero.

- Vamos ser muito felizes, não é? – Perguntei, encarando-o.

- Vamos, sim, princesa – Me fitou sorrindo.

- Eu amo você, Michael, amo – Segurei seu rosto, beijando-o com paixão.



Capítulo 21

Penny


O carro nos levou até o heliporto do rancho e de lá Michael me disse que iríamos para uma caso de campo de um amigo dele. Um lugar totalmente deserto, onde poderíamos aproveitar tranquilamente nossa curtíssima lua de mel – Que duraria apenas um final de semana – Foi o que deu pra combinarmos, já que ele precisaria estar em Los Angeles para resolver assuntos na segunda ainda pela tarde. Aceitei de bom grado, lógico que adoraria ter uma lua de mel mais extensa, mas entendia perfeitamente que ele não poderia naquele momento.

Quando o helicóptero alçou voo e alcançou certa altura, me perdi vendo Neverland de cima. Aquele lugar era sem dúvida um pedacinho de um paraíso... Um paraíso construído pelo Michael, meu marido. Sorri, orgulhosa, buscando sua mão e enlaçando-a na minha, ele correspondeu meu sorriso e inclinou-se para me beijar.


A viagem até a casa de campo não foi longa, cerca de 30 minutos. E assim que o helicóptero pousou naquele lugar lindo, me senti à parte do mundo, ou melhor me expressando, me senti em um mundo novo, onde existia apenas Michael e eu.



- Michael, isso aqui é lindo! – Murmurei maravilhada. Olhando para todos os lados.

- É sim – Michael sorriu – Fico feliz que tenha gostado, pequena – Ele me puxou para seus braços e me beijou castamente.

- Eu nem acredito que isso está acontecendo – Espalmei minhas mãos em seu peito, sentindo as batidas do seu coração – Às vezes acho que quando menos esperar, irei me acordar e ver que tudo não passou de um sonho. – Michael inclinou-se pra sussurrar em meu ouvido.

- Vamos entrar e te mostrarei que tudo é bem real – Minha pele inteira se arrepiou diante de suas palavras.
Estava louca para andar pela propriedade, mas tudo ao meu redor sumiu quando olhei para os olhos negros de Michael, e minha única vontade passou a ser a de entrar no primeiro quarto que visse com ele e não sair de lá nunca mais.

Tudo dentro da casa era absolutamente rústico e luxuoso, uma combinação que achei perfeita. Não tive mais tempo de observar os detalhes, pois estava sendo arrastada para o quarto. Não encontrei ninguém pela casa e me perguntei se estávamos absolutamente sozinhos ali.

Antes de entrarmos em uma das portas do extenso corredor, que provavelmente seriam os quartos, Michael me imprensou contra a parede e atacou meus lábios em um beijo faminto. Agarrei-me ao seus cabelos, também me entregando a toda aquela urgência.

- Você está a coisa mais linda e sexy que já vi, dentro desse vestido – Sussurrou, enquanto seus lábios passeavam por meu pescoço, causando-me espasmos enlouquecedores.

Suas mãos apalparam meus seios, sua boca atacou com mais ênfase meu pescoço – Que tenho certeza que ficaria marcado – Gemi, perdida em sensações. Michael passou a desabotoar lentamente meu vestido, sem parar um minuto sequer de me beijar. Com pressa, baixou as alças, deixando um mar de cetim cair sobre meus pés. Meus seio ficaram à mostra, a única coisa que me cobria era uma minúscula calcinha branca. Ele me devorou com os olhos, mãos firmes agarraram minha cintura e me puxaram para si.

Seus lábios desceram por meu pescoço, colo, e pararam em um dos meus seios, ele segurou-o com firmeza, para em seguida sugar o mamilo intumescido com uma forma que me fez gritar. Abri os olhos e vi-o me encarando e sorrindo.

- Alguém pode nos ver? – Perguntei ofegante, quando uma linha de raciocínio se fez presente em meu cérebro.
Michael olhou para os lados, só então parecendo perceber onde estávamos e o que estávamos fazendo.

- Vamos para o quarto – Sem que eu esperasse, ele pegou-me no colo, enterrei meu rosto em seu pescoço, inalando seu cheiro maravilhoso.

Só voltei a abrir os olhos quando senti minhas costas se chocarem contra o macio colchão.

- Linda! – Disse, encarando-me nos olhos. Segundos depois nossas bocas estava novamente unidas em um beijo.
Juntos, nos livramos de sua camisa, calça e boxer. E ele sozinho livrou-se da minha minúscula calcinha. Claro que fiquei babando por ele, feito uma retardada. Michael puxou-se, para que meu me sentasse e permaneceu ajoelhado entre minhas pernas. Entendi perfeitamente o que ele queria, até por que eu queria o mesmo.

Segurei seu membro, semi ereto, afastando a pele que cobria sua intimidade, para espalhar beijinho ali. Michael gemeu, segurando delicadamente minha cabeça. Sorri diante de sua presa. Sem querer deixa-lo sofrer, fiz o que meu desejo gritava para que fizesse, coloquei-o na boca, sentindo a rigidez, estranhamente macia, daquela maravilhosa parte do corpo do meu marido, sentindo seu gosto em minha língua... perdendo-me no som gutural do seu gemido.

Alternei os movimentos de minha língua, sugadas ora fortes, ora fracas, e contemplei com orgulho ele gemer, se contorcer e crescer em minha boca cada vez mais e mais.

Minhas unhas arranharam a pele arrepiada de suas costas, e migraram para sua bunda, agarrei-o por ali, trazendo seus quadris para a frente, até seu membro alcançar a minha garganta. Michael estremeceu, apertando meus cabelos firmemente e projetando seus quadril contra mim... Ele estava quase lá, e observá-lo assim quase me leva ao êxtase também. Porém ele parou, e como se eu fosse uma marionete, me virou de bruços na cama, seu braço circulou minha cintura, puxando-a para cima, fazendo-me ficar com o rosto apoiado contra o travesseiro da cama e a bunda completamente empinada para ele.

No instante seguinte senti-o me penetrando, me alargando, conectando nossos corpos em um só. E a partir eu sabia que era só sensações.

Michael não começou lentamente, como sempre fazia. Assim que estava dentro de mim foi forte e rápido, jamais cessando seus movimentos por um segundo sequer. Nossos corpos chocavam-se tão abruptamente que emitiam um barulho alto e altamente erótico. Agarrei-me com força nos lençóis e abafei meus gritos no travesseiro, enquanto Michael continuava em seu ritmo constante, ele estava gemendo e me apertando em locais que faziam tudo em mim tremer. A cama começou a fazer barulho a cada impulso de seus quadris, e as coisas ao meu redor começaram a sumir, tudo resumindo-se a pressão absurdamente deliciosa que formava-se em meu ventre. Percebendo que eu estava quase lá, Michael pressionou meu clitóris com a mesma força e rapidez com que me penetrava e eu finalmente explodi, em um êxtase enlouquecedor, com direito a tudo que se possa imaginar, gritos, tremulações, espasmos...

Ainda imersa no torpor do êxtase, senti Michael chamar meu nome e estapear duas vezes minha bunda, antes de seu líquido encher-me.

Cedi de minha posição e Michael descansou seu corpo quente e suado em cima do meu. Sua respiração irregular, igual a minha, estava provocando arrepios em meu pescoço. Passamos pouco tempo assim, até Michael deitar-se e me puxar para seu peito.

- Será que fui muito bruto? – Perguntou, alisando meus cabelos. Sorri. – Às vezes e esqueço que é só uma garota e...

- Shhh – Ergui-me, calando-o com um beijo – Você foi perfeito, sempre é... e eu amei essa coisa selvagem que nem sabia que tinha aí – Ele riu, inclinando-se para puxar meu lábio inferior entre seus dentes.

- Garota, não brinca com fogo. – Foi minha vez de rir.

- Vale a pena sair queimada desse fogo – Ele tentou me alcançar, mas me levantei em um sobressalto. – Venha, marido, apagar o fogo da sua esposa – Balancei o traseiro em sua direção e corri para o banheiro, ouvindo os seus passos apressados e o som de nossas risadas se misturando.

(...)

Michael


Acordei com o barulho insistente do meu celular. Muito a contra gosto, levantei-me.

Quem no mundo estaria atrapalhando a lua de mel de recém casados, a 8 horas da manhã de um domingo?

- Sim – Murmurei irritado. Caminhando para a varanda, para não acordar Penny.

- Oi, meu gostoso... aproveitando a lua de mel, ou está apenas jogando cartas com a ratinha?

- Crys – Revirei os olhos – Só podia ser você. Saiba que me acordou, e isso me deixa mal humorado.

- Adoro quando fica assim. Costuma me foder muito forte quando está mal humorado ou quando contrariado. Aposto que, se fodeu a ratinha ontem, foi bem rápido e forte... diria até selvagem, por que sei que está aí com muita má vontade. – Eu ri um pouco.

- Não te interessa como foi minha noite, Crys – Cortei-a – Você não deveria estar fazendo algo de útil a essa hora? Por exemplo, dormindo.

- Não consegui dormir. Estou puta de raiva demais pra isso. Saber que vou ter que aguentar essa moleca pagando de esposinha, me deixa nos cascos.

- Pare de bobagem, Crys, sabe que fiz por que foi necessário.

- É, eu sei – Suspirou – Também não dormi, por que fiquei com tesão absurdo, e meus dedos não resolveram o problema, apenas seu ***** faria isso...

- Droga, Crys! – Praticamente gemi, sentindo-me excitado – Pare com isso...

Antes que eu pudesse concluir minha frase, duas mãos pequenas afagaram minhas costas.

- Bom dia! – Penny sussurrou, beijando meu pescoço.

- Bom dia! – Sorri, completamente envergonhado.

Droga, será que ela havia escutado?!

- Tudo bem? – Sorri, ela correspondeu meu sorriso.

Ainda bem que não havia ouvido!

- Sim – Me deu mais um beijo – Vou tomar banho, não quero atrapalhar seu telefonema. Te espero na mesa para tomarmos café. – Assenti, observando-a se afastar.

É nessas horas que me sinto um idiota. Eu vou magoar a Penny, sei que vou, sei que ela não merece, mas continuo insistindo nisso.

- Mulherzinha enjoada – Crys reclamou, assim que voltei a colocar o telefone no ouvido.

- Terei de desligar.

- Mas já? – Ronronou feito uma gata no cio.

- É, Crys, já. E não me ligue mais, é perigoso. Nos vemos assim que chegar em Los Angeles – Desliguei antes que ela prolongasse a conversa.



Capítulo 22

Penny


Voltamos para Neverland na segunda muito cedo, porém uma pequena parte do meu coração ficou naquela casa, e nem que se passasse uma eternidade eu iria me esquecer dos momentos mágicos que vivi ali. Jamais esqueceria do emaranhado de corpos que Michael e eu nos tornamos, da camada fina de suor que formava-se em sua testa, dos nossos gemidos, do barulho de nossos corpos impactando, do cheiro de baunilha, homem e sexo que sempre ficava impregnado em seu corpo.

Infelizmente os dias por lá não se arrastaram como pedi, mas foram mais inesquecíveis do que esperei.

(...)

O barulho estridente do meu telefone me despertou na manhã de terça. Resmunguei uma dúzia de vezes antes de finalmente atende-lo.

- Sim – Murmurei de olhos fechados.

- Acorde, queridinha de Hollywood – Callie gritou, fazendo-me afastar o telefone do ouvido.

- Callie, algum dia você dorme mais que 3 horas por noite?

- Só quando transo enlouquecidamente – Ela riu – Apenas liguei para saber se está bem, não vou tomar seu tempo de recém-casada.

- Estou bem... muito bem – Olhei para o lado e vi que Michael havia se acordado, e agora estava me olhando. – Tenho o marido mais lindo e perfeito desse mundo, poderia estar de outra forma? – Ele sorriu e sentou-se atrás de mim. Suspirei audivelmente quando seu corpo quente encostou-se ao meu, e sua ereção roçou minhas costas. – A viagem foi boa? – Consegui perguntar.

- Maravilhosa, o piloto dessa vez era um gato... – Callie continuou a falar, mas não escutei mais nada, pois Michael havia envolvido um dos meus seios em sua mão e a outra desceu, até parar entre as minhas pernas e roçar meu clitóris. Mordi meu lábio para não gemer. Suas mãos começaram a trabalhar avidamente, apertando meu seio, friccionando meu clitóris, e agora sua boca também mordia meu pescoço... Estava à beira do êxtase.

- Ca...Callie, vou ter de desligar agora – Sem esperar resposta, desliguei e joguei o telefone no criado-mudo.

- Não me canso de você – Ele sussurrou contra a pele do meu pescoço, e tudo em mim tremeu de expectativa. Minha pernas abriram-se ainda mais e movi a pélvis de encontro aos seus dedos. Ele enterrou os dentro de mim e mais um gemido me escapou – Tão apertada, molhada... tão minha. – Michael passou a língua pelo ligamento do meu pescoço e em seguida mordeu-o sem força, mas com uma pressão que fez meu sexo apertar seus dedos. – Saber que só eu estive aqui me deixa louco.

- Por favor, Michael – Choraminguei, lançando minha cabeça para trás, até encostá-la em seu ombro.

Ele tirou seus dedos de mim e observei completamente extasiada ele suga-los, fechando os olhos enquanto sentia o gosto da minha excitação. Suas mãos agarraram as minhas ancas, erguendo-me o suficiente para posicionar seu membro em minha entrada. Quando já estava parcialmente dentro de mim, ele segurou minha cintura, empurrando-me de encontro a sua pélvis, assim enterrando-se completamente em mim.

Eu estava de costas para ele, com as pernas muito abertas, tendo a visão privilegiada de vê-lo entrando e saindo de mim. E ele fez isso com a intensidade de sempre. Levando-me sempre a uma espiral crescente de prazer. Seus lábios continuavam a me beijar e sugar por todo pescoço e costas, enquanto suas mãos alternavam-se em beliscar meus seios e clitóris.

Estava cavalgando-o, rebolando, totalmente preenchida por ele... Meus gemidos ecoavam pelo quarto, enquanto ele balbuciava palavras incompreensíveis e me apertava com cada vez mais força.

- Goze, Penny, comigo... – Seus dedos pressionaram com ainda mais força meu clitóris e isso foi o suficiente para meu sexo apertá-lo com força, enquanto eu quicava irregularmente em seu colo e gritava seu nome. – Penny – Ele gemeu mais alto, enterrando-se uma última vez em mim, enquanto seu sêmen me enchia.

Ele caiu contra a cama, levando-me consigo. Soltei um gritinho pelo movimento brusco, e ambos rimos.

- Bom dia, querida – Murmurou, roçando seus lábios nos meus.

- Bom dia, amor.

(...)

Havia se passado 2 meses desde o nosso casamento e vivo em felicidade constante desde então. Michael não é o marido que eu pensava que ele fosse, ele é mil vezes melhor. Me trata como uma rainha, sempre lembra-se de mandar um buquê de flores quando está fora, acompanhado de um bilhetinho – O que tem acontecido frequentemente, já que sua carreira finalmente tem voltado ao normal. Ele me disse que as vendas do novo álbum aumentaram e ele mal para em casa por conta de entrevistas e participações em programas de TV – Quando chega em casa á tempo do jantar, faz questão de falar sobre seu dia e perguntar sobre o meu, e o final de nossos dias quase sempre é regado a muito sexo. E confesso que ele me tem refém, completamente viciada em tudo que fazemos entre 4 paredes. E posso lhes dizer que para apenas 2 meses de casamento, foi muito e de diversas formas.

Bem, sim, eu até tenho me sentido bastante solitária na última semana, já que ele tem saído de casa pela manhã e só volta no meio da noite, eu não tenho feito nada além de ler, falar com Callie pelo telefone e assistir TV. Preciso urgentemente me ocupar de algo, e até pensei em aceitar a última oferta de filme que me foi feita, mas Michael, junto com sua equipe, achou melhor que isso não fosse feito agora. Já que poderia parecer que não estou me dedicando ao meu marido.

E acho que toda essa falta do que fazer tem me posto doente, pois a quase uma semana nada me para no estômago, tenho estado excessivamente sonolenta e em um nível de irritabilidade que nunca me vi antes.

E ontem quando falei com Callie, o que ela me disse tem me deixado louca. Uma parte de mim está eufórica com a possibilidade e a outra está amedrontada.

Impaciente, desliguei a TV e peguei o teste em cima da mesinha. Eu precisava fazer isso!

Talvez eu devesse esperar Michael chegar e conversar com ele, para que ele me apoiasse quando eu finalmente tomasse coragem de fazer aquele teste.

Meu celular tocou, assustando-me. Vi que no visor piscava o número de Michael.

- Olá querido – Disse em um misto de saudade e contentamento. Estava com saudades, já que não o via a quase dois dias, e contentamento por estar pelo menos ouvindo sua voz.

- Tudo bem, pequena? – Perguntou preocupado – Você continua com aquele mal estar, Penny?

- Estou ótima – Menti – E não sinto mais nada... Quer dizer, só uma saudade imensa do meu marido. – Pude ver perfeitamente seu sorriso, do outro lado da linha.

- Também sinto sua falta, chego amanhã pela manhã. Liguei só para desejar boa noite, querida, sonhe comigo.

- Eu amo você, Michael – Sussurrei, lutando para não chorar. Estava tão angustiada que era uma massa de sentimentos. Ele suspirou e enfim respondeu.

- Cuide-se, baixinha. Um beijo.

- Outro – Respondi, e logo em seguida desligamos o telefone.

Deus, eu teria um filho de um homem que nem me amava ainda. Estou certa de que ele me amaria, era uma questão de tempo, mas isso ainda não tinha acontecido. Claro que tenho amor suficiente para nós dois, mas tudo se complicaria quando eu tivesse de dividir esse amor para três.

E se Michael não gostasse de uma criança assim tão cedo? Afinal só tínhamos 2 meses de casamento. E agora sua carreira estava voltando ao normal... e eu era jovem demais para ser mãe... e... Deus, eram tantos os “e” (s) dessa situação que acabaria ficando louca se pensasse em todos.

“É melhor saber logo, do que ficar com apenas suposições, Penny” – A voz de Callie invadiu meus pensamentos.
É melhor mesmo! – Me decidi, pegando o teste e rumando para o banheiro. Segui todas as instruções e esperei ansiosamente se passarem os 5 minutos que o teste pedia para surtir efeito.


Abafei um grito quando vi a cor rosa tingir a canaleta do teste e afirmar o que eu desconfiara durante toda a semana. Eu estava grávida!



Capítulo 23

Penny


Deus do céu, o que eu faria agora?

Meus olhos encheram-se de lágrimas, ainda tomada por uma confusão de sentimentos. Instintivamente espalmei a mão em meu ventre e sorri, em meio as lágrimas. Não havia mais dúvida, eu já era mãe, e já estava apaixonada pela aquela criança. Como não estaria? Era meu filho, fruto do amor que sempre nutri por Michael. Estava casada e muito feliz.

OK, talvez ainda fosse muito recente para isso, mas não havia motivos para tanto pânico. Essa criança seria muito amada por mim e pelo seu pai.

Eu precisava contar isso ao Michael, mas teria de esperar até a manhã seguinte. Não ia atrapalhar seus compromissos e fazer ele vir correndo até mim. Mas eu não ia conseguir dormir, e precisava dividir a novidade com alguém, então joguei-me na cama e liguei para a Callie.

- Ande, qual o resultado do teste?

- Hey, olá pra você também Callie Morgan – Sorri – Aprenda a ser um pouco mais educada, afinal como quer educar o seu sobrinho no futuro com modos tão ruins?

- Cala a boca! – Callie sussurrou, quase inaudível – Você tá muito fodida, Penélope Ortega. – Eu ri, por que não me restava muito a fazer.

- Eu sei, mas estou feliz – Suspirei – Imagine só, Callie, que daqui a nove meses teremos um bebê com a carinha do Michael... Consegue imaginar o quão lindo será?

- Porra! – Xingou.

- Pare com isso, já disse! Afinal nem é pra tanto. Ora, sou casada com o pai do meu filho, somos felizes, por que essa gravidez não haveria de ser motivo de felicidade?

- Qual será a reação do Michael?!

- Não sei – Dei de ombros – Acho que ficará assustado no início, assim como eu fiquei, mas vai amar a ideia depois...

- Não sei não, Penny. O casamento de vocês só tem 2 meses, ele pode pensar que foi uma artimanha sua ou coisa do tipo e...

- Claro que não – Interrompia-a - O Michael nunca levantaria uma hipótese dessa, Callie. Você tem estado paranoica ultimamente – Franzi o cenho.

- Bem, desculpe – Suspirou – Eu... eu estou muito feliz por você, mesmo.

- Eu sei – Voltei a sorrir – Entendo que precisa assimilar um pouco a notícia. Vou desligar pois preciso comer alguma coisa e me preparar para a chegada do meu maridinho.

- Sua danada – Ela riu – É por isso que engravidou em tempo recorde – Ri – Amanhã te ligo para saber como foi a conversa com seu marido e prepare-se, pois em breve estarei indo aí te visitar.

- Espero que consiga vir em breve, já estou morrendo de saudades.

- Se cuida, meu anjo, e cuide do meu sobrinho. Te amo, beijo.

- Também te amo, beijo – Desliguei o telefone e voltei a me jogar na cama.

Ainda 11 horas da noite, e essa seria uma noite muito, muito longa e insone.

(...)

Eu achei que não conseguiria dormir ontem à noite, mas depois de um banho demorado, um jantar reforçado – Que coloquei todo pra fora logo em seguida – A sonolência exagerada que vem me assolando esses dias me venceu.

Acordei com mãos firmes e macias acariciando minhas costas. Antes mesmo de abrir os olhos eu senti aquele cheirinho maravilhoso e já sabia de quem se tratava.

- Bom dia, baixinha – Abri um sorriso enorme ao ouvir aquela voz sussurrando em meu ouvido.

- Bom dia! – Encarei-o, ele estava sorrindo pra mim. Lindo!

Seus lábios pousaram nos meus, em um selinho molhado.

- Precisamos conversar – Ele me encarou de cenho franzido, provavelmente estranhando minha súbita seriedade.
Antes mesmo que eu pudesse dar início a conversa uma náusea absurda me tomou e tive que sair correndo para o banheiro.

- Penny – Michael me seguiu – Você me disse que tinha melhorado – Ralhou, inclinando-se para segurar meus cabelos.

OK, isso não havia começado como eu queria. Não poderia me sentir mais envergonhada do que agora, com a cara enfiada no vaso sanitário, enquanto meu marido, que acabou de chegar de viagem, segura meus cabelos para que eu não vomite neles.

Coloquei o resto do jantar de ontem para fora – Se é que havia sobrado algo em meu estômago –.
Michael ajudou-me a ficar de pé, e não soltou minha cintura enquanto eu escovava os dentes e me recuperava minimamente.

- Duvido que tenha ido a um hospital – Continuou seu discurso enquanto voltávamos para o quarto – Isso é irresponsabilidade, Penny. Estou mais bravo ainda por você está mentindo pra mim.

- Não preciso de hospital – Anuí.

- Pare de ser teimosa, criatura! Olha só para você, está pálida e acabou de colocar o que ainda nem comeu para fora.

- Eu sei a causa desses problemas Michael – Foi impossível não sorrir.

- Sabe? – Perguntou confuso – Então já foi a um médico?

- Eu estou esperando um filho seu, meu amor – Meu sorriso se alargou, mas ao contrário do que pensei, Michael não sorriu.

- Você só pode estar de brincadeira – Apertou o nariz nervosamente.

- Fiz o teste ontem e deu positivo – Ele arregalou os olhos e continuou em sua expressão nula, agora com um toque de choque.

- Isso não pode estar acontecendo, Penny – Brandiu, mais alto do que eu esperava – Acabamos de nos casar... Essa criança não deveria chegar agora.

- Eu sei – Me levantei. Mais nervosa a cada segundo – Mas aconteceu, querido e...

- Você quis que acontecesse – Manteve o tom de voz elevado – Poderia ter se prevenido, no entanto deixou acontecer.

- Michael, que espécie de reação é essa? – Perguntei com a voz trêmula – Você está me assustando. – Me aproximei, mas ele recuou – Entendo que esteja preocupado, mas vamos nos acostumar com a ideia.

- Você vai – Me encarou friamente – Eu não! Não suporto ser enganado, ser feito de fantoche. Acredite, essa não foi uma boa forma de tentar me prender a você.

- Vou desconsiderar as palavras que acaba de dizer, por que está alterado – Enxuguei meu rosto – E pare de me acusar, pois você é tão culpado quanto eu, poderia pelo menos ter me perguntado se eu estava me prevenindo.

- Eu confiei em você! – Disse entredentes – Mas foi bom pra que eu aprendesse.

- Não fale assim – Implorei – Não foi de caso pensado, eu juro.

- O problema é eu não acredito em você – Ele me deu as costas e se encaminhou para a porta.

- Michael – Gritei – Para onde vai?

- Para um lugar longe de você – Ele saiu batendo a porta.

Pensei em correr atrás dele, mas estava fraca demais para isso, então me sentei no chão e chorei, chorei como não fazia desde a morte do meu pai.

Eu não estava esperando uma reação boa, mas aquilo havia sido demais. Vê-lo me acusando daqueles coisas foi como receber uma punhalada em meu coração. E meu maior medo naquele momento era que ele não voltasse pra mim, e sinceramente, eu não sabia viver sem aquele homem.

(...)


Michael


Deus, eu estava louco de raiva.

Como Penny fora capaz de bolar tudo aquilo?! Nunca deveria haver uma criança, se nem mesmo amor de homem para mulher havia.

Eu volto a dizer, gosto de Penny, sinto um enorme afeto por ela, mas nada parecido com amor de homem e mulher. Aquele casamento deveria ser feliz e bem sucedido até minha carreira voltar completamente ao normal e eu pudesse me divorciar de Penny. Seríamos amigo eternamente, se assim ela quisesse. Mas um filho muda tudo, todo o rumo da história. E não sei se sinto mais raiva dela por, provavelmente, ter bolado aquela gravidez, ou de mim, por deixado isso acontecer.

Fui extremamente grosso com ela, e no fundo Penny não merece ser tratada assim. Afinal ela só fez o que uma mulher louca de paixão faria. A culpa de tudo isso é mim, por ter entrado nessa casamento.

- Chegamos, senhor – A voz de Bill, meu motorista, me tirou do torpor.

- Viu se posso descer, Bill?

- Sim, senhor, não há ninguém no estacionamento e sua entrada pelo elevador de serviço já foi autorizada – Assenti, descendo do carro.

Pouco tempo depois estava parado em frente a porta de Cris.

- Ei, garotão, não esperava te ver tão cedo – Cumprimentou-me sorrindo – Seu poder de recuperação é algo a ser estudado, hein – Me enlaçou o pescoço e me deu um beijo no canto da boca.

- Estou irado – Bradei.

- Já disse que adoro quando fica assim – Ela se esfregou sugestivamente em mim.

- Agora não, Crys – Afastei-a – Penny está grávida.

- Oi? – Sua expressão foi de completo choque.

- Você ouviu.

- Eu te disse que aquela rata era esperta, Michael, ela conseguiu te prender exatamente como queria.

- Não mesmo. Penso da mesmo forma, me divorciarei de Penny assim que tudo na minha vida se normalizar.



Capítulo 24

Penny


Já havia se passado dois meses desde aquele briga terrível com o Michael, e as coisas desde então mudaram drasticamente. Em dois meses eu quase não o vi, ele esteve em casa não mais do que 4 vezes durante todo esse tempo e apesar de ter sido cordial e educado, não fez menção em me beijar e tocar mais intimamente. Sempre perguntava se o bebê e eu estávamos bem, e me aconselhava a sair de casa o mínimo possível, já que a imprensa já sabia da gravidez e sair de casa agora era quase uma operação de guerra. Para amenizar minha solidão extrema ele mandou trazer Callie, e ela ficou comigo por duas semanas, enquanto estava de férias da faculdade.

Ela não sabe que nós brigamos, ninguém sabe. Não vou dividir esse fardo com ninguém. Disse-lhe apenas que Michael tem estado muitíssimo ocupado e por isso passara os últimos dias longe. Ela não engoliu muito minha desculpa, mas disse que não ia me importunar com isso.

Se chorei por todos esses dias? Se me desesperei? Se me senti um lixo? Sim, sim e sim, mas minha força e amor eram muito maiores que todos os outros sentimentos, e eu esperaria o suficiente. Michael iria voltar e nós retomaríamos nosso casamento de onde paramos. E eu ia aguentar firme, não ia questioná-lo, muito menos fazer uma cena e acusa-lo nas raras vezes que viesse em casa.
Estava com tanta saudade do seu beijo, do seu toque, do seu corpo... Todas as vezes que me lembrava de nosso momentos perfeitos um misto de saudade, desejo e amor, tomava meu peito e expurgava qualquer resquício de desespero dali.

(...)

Como não me sobrou muito a fazer naquela casa imensa, decidi que hoje tomaria um banho de piscina e depois caminharia até o zoológico. Gostava da companhia dos animais.

Desci as escadas vestida em meu biquíni banco, canga e chapéu.

- Senhora Jackson – Ana correu em minha direção assim que desci as escadas.

- Sim, querida?

- Telefone para o Senhor Jackson – Ela revirou os olhos e eu ri – Já disse para a pessoa que ele não está, mas ela insiste.

- Dê-me isso – Pedi o telefone e levei-o ao ouvido – Pois não?

- Quero falar com o Michael – Franzo o cenho, diante das palavras intimas e autoritárias da mulher.

- Quem está falando?

- A assessora dele, Crystina – A mulher bufou.

- Bem, se você é a assessora dela deveria muito bem saber que ele não se encontra em Neverland. – Disse já irritada.

- E você que é a esposa dele, deveria saber que ele se encaminhou para o rancho a cerca de 2 horas atrás.

Mas... Mas que desaforada!

- Pois ele não chegou aqui. E quem está caçando ele é você, então coloque um chip nele da próxima vez – Desliguei o telefone e sem me abalar nem um pouco, continuei minha caminhada para a piscina.

Depois de dois mergulhos e de espalhar protetor solar, me deitei na espreguiçadeira e me permiti relaxar.

- Não acha que todo esse sol pode fazer mal? – Sobressaltei-me. Mas não abri os olhos.

- Você me assustou! – Bufei – Acabei de chegar aqui, não levei nem tanto sol ainda. – Continuei ignorando-o. Mesmo que isso estivesse me matando por dentro.

- Acabei de vir da cozinha, Ana disse que o almoço está servido. Vamos – Ele tocou me ombro para que eu abrisse os olhos, eu o fiz, e me arrependi, pois quando vi seus olhos negros me encarando com desejo tive vontade de agarrá-lo.

Me levantei, seguindo para a casa. Michael quase correu para acompanhar meus passos.

- Vai ficar quantas horas? – Perguntei com sarcasmo.

- Não pretendo viajar por um bom tempo – Assenti – Você e o bebê estão bem? – Assenti novamente. Ficamos em silêncio até estarmos em frente a escada que nos leva para o andar de cima da casa.

- Bom almoço pra você, só não esqueça antes de ligar para a sua assessora, ela exigiu que fizesse isso – Sem esperar sua resposta, nem olhar para trás, subi para o quarto.

Me amaldiçoei por ser tão fraca, por estar chorando feito uma idiota, mas era mais forte do que eu. Antes mesmo de eu chegar no quarto já estava soluçando.

- Penny – Michael sussurrou, entrando no quarto. Me encontrou jogada na cama.

- Por favor, Michael, não estou procurando briga, juro. Só me deixe quietinha, sim? - Enxuguei o rosto e abracei a almofada, que tinha seu cheio, com força.

- Desculpe – Sussurrou em meu ouvido, e me arrepiei instintivamente. O lado que sempre fora seu na cama, foi ocupado pelo seu corpo e ele abraçou-me. Um simples e puro abraço, mas que fez tudo em mim derrete-se e de repente transformar a tristeza em sorriso. – Eu sei que fui um idiota aquele dia. Bem, tenho sido idiota até hoje, mas é só que me sinto acuado, completamente perdido. E, caramba! Você quem deveria estar se sentindo assim e não eu. Nós dois somos culpados, eu mais que você, eu sei... E no fundo eu fui o único a agir feito um idiota... Só espero que me perdoe – Virei-me de frente para ele e segurei seu rosto em minhas mãos.

- Senti tanto a sua falta, meu amor – Olhei-os nos olhos – Foi só uma fase ruim... Eu sabia que ia passar – Meus lábios roçaram os deles e segundos após estávamos nos beijando avidamente.

Em um movimento rápido, Michael se pôs em cima de mim, uma de suas mãos acariciou com delicadeza meu rosto, meus lábios, e em seguida desceram para minha barriga um pouco saliente.

- Você está linda. Consegue ficar cada dia mais e mais bonita, baixinha – Meu coração dançou rumba em meu peito e lágrimas encheram meus olhos, mas essas eram de felicidade – Senti tanta falta dos seus beijos, do seu corpo, da sua doçura – Sem mais poder esperar, enfiei minhas mãos em meio aos seus cachos e trouxe sua boca para a minha. Minha perna enlaçou sua cintura, trazendo-o para ainda mais perto de mim.

- Michael – Gemi. Minha vontade era de gritar para ele arrancar minhas roupas, mas o nome dele era a única palavra que saia dos meus lábios.

Um sorriso glorioso formou-se em seus lábios quando ele largou meus lábios mais uma vez e afastou o top do meu biquíni para sugar meu mamilo intumescido. Voltei a segurar seus cabelos com força, arqueando minhas costas em um nítido oferece.

Sua outra mão desceu pelo meu corpo, adentrando a calcinha do biquíni e constatando o quão quente e receptiva eu estava. Ele gemeu ainda com meu seio em sua boa e me olhou, sorrindo maliciosamente.

Uma urgência nos tomou de tal forma naquele instante que não pensamos mais em nada. Eu queria ele dentro de mim, naquele instante. Minha intimidade quase desenvolveu o poder de falar só para gritar que ele estivesse dentro dela já.

Nossas bocas se colaram em um beijo intenso, enquanto minhas mãos desfaziam-no do cinto e baixava sua calça, apenas o suficiente para que seu membro estivesse livre. Ele estava tão duro em minhas mãos, que foi impossível não gemer de satisfação enquanto o masturbava.

Voltei a me esparramar na cama, arrastei a canga, enrolando-a na cintura, abri as pernas e afastei a calcinha para o lado.

- Eu não posso mais esperar por isso, venha marido, me coma do jeito que só você sabe fazer.

Daí vocês me perguntam onde foi parar a Penny virginal e doce que habitara em mim? Meus caros, ela deu no pé diante de tanto desespero.

Michael rugiu, enterrando-se em mim em uma única estocada. Minhas unhas fincaram-se na sua nuca, quando ele inclinou-se para sugar meus seios.

- Gostosa – Murmurou, entre gemidos entrecortados e respirações arfantes – Como fiquei tanto tempo sem você?! – Perguntou retoricamente.

Levantei as costas da cama, angulando meus quadris nos dele, tornando a penetração ainda mais prazerosa. Michael segurou minhas nádegas, mantendo-me imóvel, fechou os olhos e pendeu sua cabeça para trás, enquanto aumentava ainda o ritmo das estocadas. Não foi preciso mais nada para que eu gritasse seu nome, me contorcesse, e minha intimidade apertasse-o, enquanto um êxtase avassalador me atingia. Michael continuou a me estocar sem pausa, até outro êxtase se formar e eu gritar seu nome mais uma vez, me remexendo enlouquecidamente para sair do seu aperto, quando a pressão em meu ventre se tornou demais. Agarrei seus antebraços fincando minhas unhas ali dessa vez, enquanto estremecia em meio a espasmos. Ele beijou-me com fúria um gemido gutural saiu dos seus lábios quando ele gozou dentro de mim.

Ele deitou-se ao meu lado, levando-me para descansar em seu peito arfante.

- Fui muito rude, não é? – Perguntou ainda ofegante – Desculpe, princesa, eu só não me controlo com você.

- Não quero que se controle nunca – Sussurrei, completamente plena de felicidade.

- Vamos tomar banho – Ele levantou-se, levando-me consigo, enganchada em sua cintura – Quero lavar cada pedacinho do seu corpo e lá prometo que faremos amor com mais calma.

Oi? Ele disse fazer amor?


Oh, Nossa senhora das casadas com maridos fofos, me dá forças e uma periquita nova, por favor, por que essa vai ser pouca para o que pretendo fazer durante a noite.



Capítulo 25

Penny


Mais dois meses haviam se passado, e minha barriga agora já era bem notável. Agora com 4 meses o pequeno serzinho que habitava meu frente já começara a dar os primeiros sinais de vida e na próxima ultrassonografia já saberíamos o sexo, isto é, se ele colaborar conosco. Michael tem teimado comigo de que será um garoto, já eu acho que será uma menininha. Na verdade pouco importa o sexo, vou amá-lo da mesma forma.

Michael tem encarado a gravidez com mais sutileza, ainda o percebo com o pé atrás muitas vezes, mas ele está tentando se acostumar. Sua carreira continua deslanchando e seu tempo está cada vez mais escasso, mas pelo menos ele tem aparecido em casa a tempo de jantar e namorarmos muito. Nem preciso dizer que nossas noites são perfeitas não é?!

Á quase 1 mês estamos em um apartamento no centro de Encino. Havia helicópteros sobrevoando Neverland, e um bando de paparazzi subindo nas árvores e nos muros... Enfim, estavam tirando nossa paz, então Michael achou melhor que saíssemos de lá, pelo menos por enquanto. Agora estamos em seu apartamento lindíssimo.

- Penny – Ouvi-o me chamar. Desliguei o chuveiro, me enrolei em uma toalha e saí do banheiro.

- Aqui, amor – Ele me encarou daquele jeitinho cheio de malicia que eu amava. Ele se aproximou de mim, enlaçando minha cintura e me puxando para um beijo.

- Que trajes mais indecentes são esses, baixinha? – Sussurrou em meu ouvido, enquanto sua mão descia pelas minhas costas, até parar em minha bunda.

- Trajes específicos pra quem sai do banho, garotão – Brinquei. Ele riu.

- Você e essa sua boca esperta – Seu dedo escorregou por meus lábios, entreabrindo-os. Louca para incitá-lo, coloquei a pontinha da língua para fora e passei-a em seu dedo, mordiscando-o em seguida. – Nada de sedução mocinha – Repreendeu, afastando-se. Quase choraminguei pelo seu afastamento. – Arrume-se, vamos jantar na casa dos meus pais.

- Hã? – Gaguejei.

- Vamos, em exatos – Ele olhou para o relógio no pulso – 30 minutos.

- Michael, deveria ter me avisado antes! – Resmunguei – Nem me preparei para conhecer sua família. Nem sei o que vestir ou o que dizer...

- Relaxe, querida. Minha mãe você já conhece, e ela te adora. Não acho que vá estar todo mundo lá. – Assenti, relutante. – Vou tomar banho, pode se apresar? – Pediu docemente.

- Pode deixar.

Michael saiu do banheiro 20 minutos depois já pronto.

- Vamos? – Me abraçou por trás e beijou meu pescoço.


- Como estou? – Perguntei virando-me para ele – Não achei nada melhor pra vestir já que estou gorda e...




- Shhh – Calou-me – Você não está gorda, está grávida e é, sem dúvida, a grávida mais linda que já vi – Um sorriso amplo tomou meu rosto.

- Obrigado, meu anjo – Me mantive na ponta dos pés para lhe dar um beijo.

(...)

Chegamos a casa dos pais de Michael poucos minutos depois, já que o apartamento ficava relativamente perto. Michael dissera que comprou aquele apartamento assim que saiu da casa dos pais, me relatou que escolheu aquele apartamento para não se senti tão longe da mãe, mas que raramente ia lá hoje em dia. O que era uma pena, por que o lugar é realmente muito lindo e muito discreto. Tanto é que até agora a imprensa não conseguiu nos descobrir.

Kathe nos esperava na porta de entrada da casa, sempre sorrindo gentilmente e com seu costumeiro ar doce.

- Boa noite, mãe – Michael abraçou-a e beijou-a carinhosamente. Eu admirava muito a forma carinhosa como eles se tratavam, e sentia muito por minha mãe não fazer nem questão de ser minimamente afetiva comigo. Tanto é que depois que fui embora nunca me ligou.

- Boa noite meu filho. – Ela soltou-se dos braços dele e me prendeu em um abraço imensamente reconfortante – Estou tão feliz pelo bebê, Penny. Você está linda.

- Obrigada – Sorri, um pouco encabulada.

- Vi a notícia nos jornais á alguns dias, mas nem levei em consideração. Só quando Michael me ligou que soube que era verdade, por isso exigi que a trouxesse para jantar conosco. Vamos entrando.

Antes mesmo de chegarmos a sala ouvimos diversas vozes, apertei a mão do Michael com mais força e ele me sorriu acalentador.

Quando as portas se abriram lá estavam mais de dez pessoas. Entre elas as moças simpáticas que se apresentaram como Rebbie e Janet – Bem, Janet já conhecia musicalmente – Os irmãos vieram se apresentar em seguida, Marlon, Tito, Jermaine, e a mulher de cada um deles. Joseph também veio me cumprimentar, em seguida veio Frank e por último e infinitamente inconveniente, veio a assessora Crystina.

Sério, eu não sabia por que essa mulherzinha mal encarada tinha de estar em todos os lugares em que o Michael estava.

- Então, Penny, está de quantos meses? – Rebbie perguntou.

- No quarto mês, mal vejo a hora de pegar meu filho nos braços.

- Nem pense que é moleza, Penny, espere só até o pestinha conseguir correr pela casa – Marlon se pronunciou, levando todos a rir.

Entramos em diversas conversas paralelas, onde as mulheres, exceto Crystina, juntaram-se em um grupinho para falar de roupas, cabelos, marido e crianças. E os homens juntaram-se para falar seja lá do que eles falam – Lembrando que a Crystina estava no meio deles, rindo, e tocando no Michael sem necessidade alguma. - Ela era linda, e parecia se dar muito bem com os homens por que estava interagindo perfeitamente bem com eles.

- Não sei o que essa fulana veio fazer aqui – Janet resmungou – Eu não gosto dela, ninguém gosta, mas Michael disse que ela pediu para vir... Veja só como é inconveniente – Assenti, sentindo uma raiva absurda começar a se apoderar de mim.

Michael estava tão entretido com ela que nos últimos 20 minutos nem me dirigiu um olhar.

- Se quiser daremos um jeito dela sair, Penny. Ela sabe que não é bem vinda e não há o que ela fazer aqui – Rebbie interveio.

- Obrigado, meninas, mas não acho que o Michael ia gostar se pedisse pra fazer isso – Suspirei. Elas se entreolharam estranhamente e depois me olharam.

- Não tem que ligar para o que o Michael pensa, Penny. Oras, essa mulher está sendo inconveniente e pronto, você é da família e ela não, por isso tem direito de não querer presenciar certas coisas.

- Obrigada mesmo, meninas, mas não precisa, estou bem.

O jantar seguiu a mesma linha anterior. Ela estava falando de negócios e com a atenção dos homens para ela, principalmente a do Michael, que mesmo sentado ao meu lado parece nem ter me notado. Não comi nada, não desceu. E só me pronunciei nas vezes que fui chamada na conversa.

Raiva é muito pouco pra definir o que estava sentindo, mas me mantive firme, sorrindo falsamente.

Quando o martírio pareceu perto do fim, Michael deixou a assessora um pouco de lado e veio sentar-se ao meu lado no sofá.

- Tudo bem? Está sentindo alguma coisa? – Perguntou, acariciando meu rosto.

- Lembrou de mim? – Sorri debochadamente – Antes de voltar para a sua assessora, me responda uma simples coisa, por que essa mulher tem de estar em todos os lugares onde você está? – Michael me encarou seriamente.

- Não vá começar com ataques de ciúmes aqui, Penny. A Crys precisou vir pois tínhamos alguns assuntos pra resolver.

- E não podia deixar para amanhã?

- Não, não podia.

- Queridos, vamos moderar o tom, pois Jermaine está percebendo a briga – Ela se aproximou, parando a centímetros de nós, e sorrindo como se nada estivesse acontecendo – Você sabe como ele é Michael, adora vender fofocas sua para a imprensa. – Ela me lançou um olhar de desprezo – Não prejudique a imagem de seu marido, garota.

- Olha aqui sua – Michael me interrompeu, segurando-me no lugar e me calando com um selinho. A mulher havia se afastado quando me soltei dele.

- Sem cenas, Penny.

- Vá se danar! – Rugi, levantando-me – Vou me despedir das pessoas, estou indo embora agora mesmo.

Me despedi de todos, alegando uma dor de cabeça e cansaço para minha retirada. Kathe só me deixou ir diante da promessa que voltaria assim que pudesse.

Michael me acompanhou no carro, mas enquanto Bill dirigia pelas ruas do distrito, nenhum de nós falou nada. Fomos o mais afastados um do outro possível.

Assim que chegamos em casa, subi para o quarto e Michael me acompanhou.

- Penny, precisamos conversar – Ignorei-o, indo até a cama e voltando de lá com um travesseiro.

- Não quero conversar hoje. – Lhe entreguei a almofada – Me deixe dormir sozinha.

- Mas...

- Não, Michael, hoje não – Ele suspirou, hesitou, mas fez o que pedi e saiu do quarto. Assim que fechei a porta deixei escapar as lágrimas que estava prendendo. Estava com raiva de ter me deixado abalar por aquela mulher, não queria brigar com ele por causa dela, mas aquilo fora demais.

Era impressionante como nosso casamento andava em uma corda bamba, onde um mísero problema fazia-nos desequilibrar... e estava começando a temer que algum dia caíssemos.



Capítulo 26

Penny


Mas uma vez o que achei que seria uma noite insone não aconteceu. Antes mesmo que eu me desse conta já estava dormindo profundamente.

Fui acordada na manhã seguinte por um maravilhoso cheiro de café. Ainda estava com sono, mas agora que comia por dois, o cheiro da comida venceu o cansaço e me vi obrigada a abrir os olhos. Havia uma enorme bandeja de café da manhã ao meu lado na cama e Michael estava sentado bem próxima a ela.

- Bom dia – Sorriu hesitante – Pensei que você e o bebê fossem gostar da surpresa – Ele acariciou levemente minha barriga. – Eu fiz tudo. – Apenas assenti. Estava louca para aguara-lo e lhe beijar, mas seria forte para lhe dar um pouco mais de indiferença. – Se importa se usar o banheiro daqui para tomar banho? – Neguei com a cabeça – Bom apetite mamãe – Ele se inclinou e me deu um beijo na testa – Bom apetite filhão – Beijou em seguida minha barriga e se afastou.

Expulsei todo o ar que mantive acumulado em meu peito enquanto ele estava por perto e me concentrei em toda aquela comida. Comi de tudo um pouco, torrada, bolo, fruta, iogurte, cereais, queijo... enfim. 

Michael saiu do banheiro apenas enrolado em uma toalha e cheirando tão bem, que imediatamente meus olhos fixaram-se nele. Minha fome transformando-se em outra no mesmo instante.

Ele parou em frente ao espelho, enxugou os cabelos e caminhou em direção à cama, tirando a bandeja de lá e colocando-a na mesinha de cabeceira. Quando ele se aproximou seu cheiro abaunilhado adentrou em minhas narinas, me fazendo suspirar de puro desejo.

- Acordaram mesmo com fome – Comentou sorrindo.

- Muita – Rebati, ainda olhando-o pecaminosamente. Michael parecia alheio ao meu desejo.
Ele sentou-se ao meu lado na cama, e afagou carinhosamente meu rosto.

- Sinto muito por ontem, mesmo – Sua expressão séria me mostrava toda sua sinceridade – Prometo que farei de tudo para você e Crys não estarem no mesmo lugar. Agora sei o quanto te incomoda e não quero causar desconforto para você.

Sim, Nossa Senhora dos maridos fofos e infinitamente sexys, a senhora me enviou o mais perfeito de todos eles.

Dane-se se eu estava querendo fazer birra, eu precisava da minha sobremesa matinal – Michael Jackson com Nutella – Sem pensar duas vezes, me inclinei até a bandeja e enfiei o dedo dentro do pote de Nutella. Sem que Michael esperasse me sentei em seu colo e lambuzei seus lábios com o creme, beijando-o em seguida. Suas mãos apertaram minha cintura e um gemido de satisfação saiu de nossos lábios.

- Minha sobremesa matinal – Sorri, assim como ele estava fazendo. – Michael Jackson com Nutella – Ele riu, me fazendo derreter ao som daquele riso tão característico.

- Sobremesa matinal? Michael com Nutella? – Negou com a cabeça – Só você mesmo pra inventar essas coisas Penny – Ele me beijou mais uma vez, enquanto eu me remexia em seu colo, já sentindo sua enorme ereção fazer pressão contra meu núcleo – Estou perdoado, certo?

- Parcialmente – Ergui a sobrancelha.

- E o que falta fazer para ganhar seu total perdão, senhorita?

- Me foder – Sussurrei em seu ouvido, erguendo meus quadris ligeiramente para puxar a toalha, que era a única coisa que o cobria.

- Você está ficando insaciável, Penélope – Divagou entre beijos molhados em meu pescoço e colo. Suas mãos apertaram firmemente meus seios e eu gemi alto, agarrando seus cabelos e puxando seu rosto para mim.

Michael afastou minha calcinha e penetrou-me. Era muito fogo, muita paixão para simplesmente pararmos e tirar minha calcinha.

- Sim, Michael – Gemi mais uma vez. Espalmei a mão em seu peito e o fiz deitar, no momento seguinte começando a me movimentar contra ele e rebolar em seu membro. Totalmente preenchida, alargada e com um prazer incomensurável se construindo em meu baixo ventre.

Eu gritei quando atingi meu ápice, arranhando seu peito. Michael voltou a sentar-se, arrastou-nos até a lateral da cama, assim que seus pés apoiaram-se no chão ele retomou os movimentos de seus quadris, com ainda mais rapidez e força, chegando ao seu clímax poucas estocadas depois, gemendo guturalmente e me beijando com fome.

(...)


Michael


- Veja isso, Michael – Frank comentou sorrindo – É sua carreira de volta, você tem noção? – Peguei o relatório que ele me entregava e sorri.

- Tudo está voltando ao seu normal – Frank assentiu.

- E graças a esse casamento milagroso. Santa Penny! – Disse eufórico.

- Não me lembre disso, Frank – Murmurei, desfazendo o sorriso por um instante – Pode não parecer, mas me martirizo todos os dias por ter usado Penny para isso... e o pior é que de toda essa confusão gerou-se um filho...

- Não veja pelo lado ruim das coisas. Você será pai daqui a alguns poucos meses, a Penny é uma garota maravilhosa – Ele bateu em meu ombro – Veja só – Ele me entregou uma revista.

“... Ele é simplesmente perfeito. Em tudo. E não tenho muito a acrescentar... só que eu o amo, muito e sou a mulher mais feliz do mundo” - Li o pequeno trecho da revista em voz alta. Foi impossível não sorrir diante de tanto amor e lealdade.

Penny era simplesmente maravilhosa. E devo confessar que tenho aprendido muito com ela ao longo desses meses de casamento. Pois é, quem diria que uma garota de 20 anos estaria me ensinando?!

Mas ela me ensina cada vez mais e talvez nem ela mesma se dê conta do quão maravilhosa ela é. Tenho tanto medo de magoá-la. Ferir Penny, minimamente que seja, dói em mim mesmo. Me divorciar dela é uma possibilidade cada vez mais distante pra mim, pois consigo visualizar o tamanho do seu sofrimento se eu levantar essa possibilidade algum dia, e não quero causar isso a ela.
Afinal além de uma pessoa incrivelmente bem humorada, quente, lindíssima, mãe do meu filho, Penny é minha amiga – OK, na maioria das vezes não nos comportamos bem como amigos – ela é minha companheira, alguém a quem eu aprendi a amar a cada dia mais e mais e quem eu quero ao meu lado para sempre.

Infelizmente eu ainda não consegui transformar todo esse afeto e esse excesso de zelo em amor, em paixão. Mas me imaginar sem ela por perto, sem nossas noites de sexo, sem seus beijos, sem suas gracinhas, não me apetece mais.

- Sabe que amo a Penny... e – Suspirei – Gosto de ser casado com ela! – Frank arregalou os olhos.

- Não acredito. Se apaixonou pela garota?

- Não, não desse jeito que está pensando, mas gosto muito dela e me separar não é mais uma opção, ainda mais agora que temos um filho. Bem, possa ser que mude de ideia, mas é assim que penso por hora.

- Mesmo, Michael? – Fechei os olhos ao escutar a voz. – Bom saber.

- Não aprendeu a bater na porta antes de entrar, Crystina? – Frank ralhou.

- A conversa não é com você, Frank, então se nos dê licença. – Ele negou com a cabeça, numa nítida expressão de desconforto. Era impressionante como Crys causava isso em quase todo mundo.

- Vou sair, Michael. Com licença – Ele levantou-se e saiu.

- Então não vai mais se separar da ratinha? – Falou dois tons mais alto.

- Primeiro maneire o tom de voz, Crys. Segundo, já mandei que parasse de chama-la assim e terceiro sim, não pretendo mais me separar, pelo menos não por enquanto.

- Você é ridículo – Ela riu debochadamente – Vai lá brincar de maridinho. A ratinha está te colocando exatamente onde ela queria, nas mãos delas. Quando você menos perceber não será mais esse homem livre que é hoje, por que ela vai mandar e desmandar em você. Mas nem pense que quando aquela ninfeta colocar aquele fedelho para fora e ficar gorda e cheia de estria, e daí você perder o tesão de brincar de sexo Tenn com ela, eu vou chupar seu ***** pra te deixar mais relaxado. E só não me demito agora e sumo da sua vida, por que amo você e não sou capaz de me manter longe – Assim que terminou o relato ela me deu as costas e saiu batendo a porta. Me deixando completamente consternado.

Crys me amava? E desde quando essa mulher sabe amar alguém?



Capítulo 27

Penny


- Michael, tem certeza que quer ir. Acabei de falar com o Bill e ele me disse que há uma dezena de repórteres no portão. – Me aproximei dele, enlaçando seu pescoço – Não quero que se estresse com isso. – Ele sorriu. Roçando seu nariz no meu.

- Só você mesmo para estar preocupada comigo. Penny, você que carece de cuidados aqui, não eu.

- Mas é que eles não me intimidam, nem me estressam. Já você sim!

- Pois vou com você – Disse firme – Podemos finalmente ver o sexo do bebê hoje, e não quero perder isso. Nunca tive oportunidade de te acompanhar nas outras consultas. Agora faço questão de ir.

- Certo – Dei de ombros – Então vamos, ou nos atrasaremos.

Depois de quase 10 minutos conseguimos finalmente sair do lugar. Graças a um bando de repórteres e paparazzi que entraram na frente do carro uma dúzia de vezes. Berraram, imploraram por uma declaração nossa, que não demos, claro.

Só chegamos ao consultório quase 1 hora depois. Nos seguiram e foi difícil de despistar os carros. Michael ficou exatamente como disse a ele que ficaria, estressado, mas também irritado e mal humorado.

- Desfaça essa carinha, amor – Pedi, beijando-lhe – É a primeira vez que verá seu filho – Ele sorriu minimamente e puxou-me para perto de si, enquanto caminhávamos para o interior do consultório.

- Desculpe. Você tinha razão em dizer que iria me estressar. É que fico louco de medo, sabendo que no meio daquela confusão poderia acontecer algo com você – Foi minha vez de sorrir amplamente.

Bem, se ele se preocupava é por que sentia algo!

- Não se preocupe tanto assim, tá? – Ele assentiu, inclinando-se para beijar minha testa.

Entramos no consultório quase vazio. Assim que me viu a enfermeira veio até nós, mas pude notar seus olhos arregalados ao ver Michael ao meu lado.

- Boa tarde senhor e senhora Jackson – Ela sorriu.

- Boa tarde, Lívia.

- Boa tarde – Michael cumprimentou-a.

- A doutora Emma acabou de me ligar, disse que está chegando. Enquanto isso podemos ir preparando-a, certo? – Assenti. – Senhor Jackson, pode nos seguir e aguardar na sala da doutora.

- Claro.

Michael ficou na sala da doutora enquanto eu segui para uma saleta anexada para vestir a camisola e responder a algumas perguntas de Lívia. Ela me levou até uma maca, onde ajudou a me deitar e logo em seguida Michael e a doutora entraram.

- Boa tarde, Penélope – Cumprimentou-me alegremente. – Será que esse pequeno Jackson deixará que vejam seu sexo hoje?

- Boa tarde doutora... e espero que sim – Sorri ansiosamente.

Michael sentou-se ao meu lado e seu mão buscou a minha. Sorrimos.

A doutora começou a espalhar aquele líquido frio e pegajoso em minha barriga, enquanto fazia algumas perguntas costumeiras. Michael não desgrudava os olhos da tela.

- Vamos ouvir primeiro o coraçãozinho e vou dizer pra vocês o sexo – A doutora apertou em um botão qualquer e o som dos batimentos cardíacos do meu bebê ecoaram pela sala.

Já havia ouvido antes, mas era sempre uma emoção renovada fazer isso. A mão de Michael apertou a minha com mais firmeza e vi seus olhos encherem-se de lágrimas, enquanto o maior sorriso que já o vi sorrir, estampou seu rosto.

- Bate muito forte – Comentou abobalhado.

- É normal, senhor Jackson. Não se preocupe – Emma interveio – Está tudo ótimo, tanto com você, Penny, quanto com o meninão que está esperando... É um menino.

Uma onda de emoção apertou meu peito e quando me apercebi estava com o rosto molhado de lágrimas. Michael enxugou-as com carinho, distribuindo beijos em meu rosto.

- Um menino, Michael – Ri, abobalhada.

- Nosso filho – Sussurrou, beijando meu rosto mais uma vez.

(...)

- Ahhhhh, nem acredito – Callie me abraçou pela enésima, apertando-me tanto quanto podia – Senti tanto a sua falta... Você está linda... e barriguda... e, Deus, terei um sobrinho. – Me abraçou novamente, ensaiando pulinhos comigo atada aos seus braços.

- Callie – Murmurei em meio aos risos – Estou pesando uma tonelada, não consigo pular – Ela parou com seu ataque histérico e me soltou.

- Ohhh, é verdade! Desculpa amiga, é muita saudade reprimida, dá nisso. – Ri.

- Também estava com muita saudades de você, amiga – Foi minha vez de puxá-la para o abraço de número 101.

- Onde está seu marido gato? Preciso dar um beijo nele por ter enviado um helicóptero para que eu viesse aqui te buscar.

- Mais respeito com meu marido – Estreitei meus olhos.

- Não enche, Penny – Rimos.

- Michael está no escritório. Alguém da equipe apareceu para falar com ele. Vamos até lá, pois preciso me despedir do meu maridinho.

- Voltaram para Neverland no domingo mesmo?

- Sim. O apartamento era ótimo, mas acabou ficando acessível demais, então tivemos que voltar.

-Tenho tantos babados pra te contar amiga – Callie gritou, numa empolgação absurda – Mas faremos isso quando estivermos em Hollywoody. Nem acredito que compraremos o enxoval desse bebê juntas... Vamos levar Michael Jackson à falência! – Gargalhei.

- Não exagere, Callie. Até por que só faltam algumas poucas coisas – Chegamos em frente ao escritório. Bati na porta levemente.

- Depois de quase 1 ano terei minha amiga sonhadora só pra mim, mesmo que seja só por dois dias.

- Tal.... – Minha voz ficou presa quando vi a figura que veio abrir a porta. Christina estava parada a minha frente, com um vestido verde, absolutamente colado no corpo, evidenciando suas curvas perfeitas. Os cabelos soltos e levemente desgrenhados e um batom vermelho nos lábios, parcialmente borrado.

- O que está fazendo aqui? – Perguntei ríspida.

- Tratando de negócios com seu marido – Sorriu debochada – Nossa, Penny, está cada vez mais fortinha – O tom de deboche em sua voz, me fez querer estapeá-la.

- Ei, olha lá como fala – Callie se intrometeu.

- Já estava de saída – Ela lançou seu característico olhar de desprezo para mim, ignorando totalmente Callie e saiu.

- Quem é essa vaca?

- Assessora particular do Michael – Dei de ombros.

- Tem certeza que ela é só isso, Penny? 

- Olha aqui, Callie, não quero falar dessa mulher. Ela já conseguiu me tirar do sério uma vez, me levou a brigar com o Michael, mas não vou deixar novamente. Ponto final, entendido? – Callie assentiu, relutantemente.

O fato aqui é bem claro e nítido. Eu não sou idiota, eu sei que entre Michael e essa mulher existe muito mais do que uma relação estritamente profissional. E me rasga o coração toda vez que o vejo falando com ela, ou quando simplesmente ele sai para trabalhar e volta tarde. Sei que ela está com ele em todas as entrevistas, em todas as viagens, nas apresentações, mas o caso aqui é que não quero, não posso e não vou deixar que essa mulher estrague o meu casamento. Digam o que quiser de mim, que tenho sangue de barata por saber o que sei e não fazer nada, mas o caso é que amo demais aquele homem para deixa-lo... e duvido que algum dia terei forças de fazer isso. Então o assunto Crystina vive enterrado em mim.

- Penny – Michael se levantou e caminhou até mim. Estava sério e ligeiramente constrangido. – Tudo certo para a viagem, querida?

- Claro.

- Olá, Callie – Cumprimentaram-se com um abraço.

- Sua assessora é uma completa vaca! – Callie soltou, assim que saiu do abraço – Diga a ela que se eu ouvir ou pelo menos sonhar ela ofendendo a Penny outra vez, eu furo os peitos siliconados dela – Michael arregalou os olhos.

- Callie! – Repreendi-a – Esqueça o que essa maluca disse. Sabe que eu e sua assessora não nos damos bem, é só isso. – Sorri. Michael assentiu e puxou-me para seus braços, beijando-me langorosamente.

- Tem certeza de que quer ir até Hollywoody, não acha perigoso?

- Não se preocupe, querido, é só por 2 dias. Preciso tentar ver a minha mãe. Também estou com saudades de lá. Eu me cuidarei, prometo.

- Não tire os olhos dela, Callie. Vou confiar em você.

- Sou muito mais confiável do que possa imaginar, Michael – Callie sorriu venenosamente. Precisava tirar aquela louca dali ou ela arrumaria confusão.

- Vamos, Callie. O helicóptero está nos esperando. – Empurrei-a.

- Vou leva-las até lá – Michael segui-nos, segurando possessivamente minha cintura.

(...)

Deixar Michael para trás foi uma merda. Mesmo que seja apenas por dois dias, estou acostumada demais com aquela casa, com seu cheiro e seu jeito estampado em cada imóvel de lá, por mais que ele viaje, sempre me sinto perto dele quando estou em Neverland. Mas agora estarei realmente longe e isso me aflige.

Assim que o helicóptero pousou na casa de Callie, fui recebida por uma chuva de abraços, dos empregados, de seus pais, que me impressionei por estarem ali e não viajando como sempre faziam, e recebi mais uma dúzia de abraços de Callie.

- Vamos entrar querida, mandei que fizessem bolo de chocolate pra você. – A mãe de Callie se pronunciou.

- Obrigado, Marrie, mas terei de ir em um lugar antes – Callie me olhou de cenho franzido.
- Onde pensa que vai? Não vou deixa-la sozinha.

- Posso ir com seu motorista. E prefiro ir mesmo sozinha... Vou até minha antiga casa. Quero muito falar com minha mãe. – Callie suspirou.

- Não acho que é uma boa ideia, Penny.

- Me deixe tentar, por favor – Ela assentiu.

- Tudo bem, mas deixe o celular ligado e vou mandar dois seguranças com você.

- Está bem – Revirei os olhos – Não vou demorar.

Empolgada, entrei no carro e pedi que o motorista me levasse até minha antiga casa.

Nem fazia tento tempo assim que tinha saído de lá, mas parecia uma eternidade. Achei tudo tão diferente no percurso. Mas tudo continuava lindo.

A verdade era que sentia muita saudade daquela casa... Não me entendam mal, não quero dizer que queria voltar pra lá, mas iria adorar trazer meu filho aqui no futuro. Sentia muita saudade de minha mãe também... só Deus sabe o quanto eu queria que estivéssemos juntas nessa fase da minha vida. Ela só precisava abrir a porta pra mim e eu me esqueceria de tudo que ela me disse, de tudo que ela me fez e me jogaria em seus braços. OK, ela nunca foi uma mãe carinhosa e exemplar, mas era a que eu tinha e eu amava-a com todos os defeitos, e queria muito seu colo.

O carro parou em frente ao grandioso portão e eu tomei uma grande lufada de ar antes de descer. Grosas lágrimas desceram por minhas bochechas e um sorriso saudoso curvou meus lábios. 

Me encostei no engradado do portão e observei que tudo lá dentro continuava do mesmo jeito, os jardins, a cor da casa, os carros na garagem.

- Senhorita Ortega – Ben, o segurança da casa, veio até mim – A quanto tempo. A senhora está muito bonita... se me permite dizer.

- Obrigado, Ben – Sorri – Você também está ótimo... Será que pode...me anunciar pra minha mãe?

- Sim senhora – Ele pegou o telefone e ligou para a casa. Sua expressão ficou séria de repente e levou alguns segundos antes que ele guardasse o aparelho no bolso e voltasse a me encarar.

- E então? – Perguntei esperançosa.

- Desculpe, Senhorita, mas sua mãe me proibiu de abrir o portão...e – O homem parecia muito constrangido.

- Tudo certo, Ben – Sorri falsamente – Já estou de saída. Mande um beijo para todos, sim?

- Sim senhora. Vá com Deus – Assenti.

Assim que virei minhas costas deixei que o choro que estava prendendo viesse à tona. As lágrimas turvaram minha visão, enquanto eu cambaleava de volta para o carro.

Eu soube definitivamente que minha mãe jamais me dirigiria a palavra novamente, e que agora eu era órfã... Tudo isso por que fui em busca de minha felicidade... e Droga! Isso não era justo.

Eu não era uma garota ruim, nunca fui. Então por que tinha uma mãe que me rejeitava? Por que não conseguia fazer com que meu marido me amasse? Por que tinha que engolir uma assessora que era amante dele? Onde porra eu errei?

Bati em uma parede de músculos, que imediatamente me segurou contra seu peito. Como primeira reação o afastei e ao olhar para cima me deparei com quase 2 metros de homem, músculos, tatuagens e piercings.


- Daniel! – Balbuciei incrédula. – O que faz aqui?


- Estava te seguindo, baby – Ele piscou e seu sorriso de bad boy apareceu em seus lábios – Venha cá me dá um abraço, minha pequena.

Joguei-me em seus braços por que precisava daquele abraço reconfortante.



Capítulo 28



Penny





- Acha que esse é um bom lugar para conversarmos? – Perguntei, olhando ao redor.


A pequena praça, nos arredores do subúrbio de Hollywood, estava quase vazia, e ninguém pareceu nos reconhecer.

- Relaxe, minha pequena – Ele sorriu, segurando minhas mãos – Nem posso acreditar no quão bonita você está. Aquele Jackson é um filho da puta sortudo! – Ri.

- Pare de seus exageros – Rolei os olhos – Mas me diga, como está? Depois daquele telefonema você simplesmente sumiu.

- Estava ocupado pra cacete. Tivemos duas turnês praticamente seguidas. E também soube do seu casamento, depois da sua gravidez, não queria atrapalhar – Deu de ombros – Então ontem soube que estaria por aqui e não quis perder a oportunidade.

- Volta para os palcos logo? – Inspirei o ar puro da região arborizada, me sentindo muito melhor.

- Não. Pretendo tirar umas férias em Los Angeles.

- Sério? – Gritei – Que maravilha!

- Bem, tenho alguns trabalhos para resolver por lá... e também queria estar por perto quando seu bebê nascesse. Sério, vai ser foda ver um serzinho que saiu de você – Ele sorriu e seus olhos intensamente cor de avelã fixaram-se nos meus – Podia ser nosso filho.

- Não, Daniel – Cortei a aura sonhadora que se formava em seus olhos – Sabe que nunca seria de mas ninguém que não fosse o Michael – Ele bufou, batendo sua bota de motoqueiro no chão.

- Esse homem é um grande pé no saco – Ri, incapaz de repreende-lo.

- Podemos mudar de assunto?

- Claro – Foi a vez dele de revirar os olhos – Você não parece bem. A velha bruxa não quis te receber, não é? – Apenas assenti. Com medo de falar e voltar a chorar – Falou com ela depois que foi embora?

- Ela nunca me ligou nem atendeu meus telefonemas.

- Penny, pare de se humilhar para essa mulher. Não mendigue mais seu amor, ela não merece ter uma filha como você. A vida vai ensinar a ela, amargamente. – Ele me encarou de olhos estreitos – Mas tem mais alguma coisa acontecendo...

- Pare, não comece a bancar o vidente – Ameacei. Sabia o quão esperto Daniel era e a capacidade que ele tinha de me arrancar respostas sem nem eu ao menos perceber era incrível, então era melhor cortar esse papo – Estou ótima, a única coisa que tem me deixado triste é mesmo minha mãe, mas vou melhorar, prometo. – Ele se aproximou e puxou-me para seus braços, recostando minha cabeça em seu peito.

- Respeito o fato de não querer me falar agora, mas saiba que se precisar, basta gritar por mim e irei correndo – Assenti – E agora ainda tenho de tomar de conta de mais um Ortega.

- Prince... Esse é o nome dele.

- Digno, já que ele sairá de uma princesa. – Me afastei do seu peito para encarar sua cara de pau, e simplesmente caímos na gargalhada.

(...)

O resto do dia passou-se em um borrão. Quando voltei para casa Callie me fez um milhão de perguntas, e quase me bateu quando lhe disse que estava com Daniel. Ela queria que eu a tivesse chamado. Aquela louca simplesmente adorava implicar com o motoqueiro fajuto – Era assim que Callie o chamava – A mãe de Callie me encheu de comida e depois disso subi para tomar um banho e ligar para o Michael. Nos falamos rapidamente e ele me disse mais de uma vez que já estava com saudades. Depois do jantar Callie e eu subimos para o quarto onde ela me contou todos os “babados” que acumulou. Ela também insistiu para que eu contasse o que estava acontecendo em LA, segundo ela eu estava estranha e com certeza escondia algo. Tranquilizei-a dizendo que não, mas ela não pareceu engolir minha desculpa de “é cansaço por conta da gravidez”.

Assim que o sol raiou no dia seguinte Callie me arrastou para um shopping. Claro que fui disfarçada e consegui fazer as tão sonhadas compras sem ser reconhecida e causar tumulto. Voltamos pra casa carregadas de sacolas.

Tentei falar com Michael durante todo o dia, mas ele não atendeu nenhuma de minhas ligações. 
Daniel me ligou, para confirmar sua ida para Los Angeles e me passar seu endereço lá.

Antes do helicóptero chegar para me buscar, eu e Callie ainda entramos em uma conversa mais que agradável, e acabamos rindo em meio as lágrimas, feito duas doidas. Também foi difícil deixa-la para trás e saber que só a veria em alguns meses. Ela me fez prometer mais de uma vez que ligaria todos os dias e que quando Prince nascesse eu lhe enviaria uma foto no primeiro segundo.

(...)

Quando o helicóptero pousou em Neverland, quase saí correndo até a casa – Bem, se eu pudesse correr -. Estranhei muitíssimo Michael não estar me esperando no heliporto, apenas um dos funcionários estavam lá para carregar minhas malas e dirigir o carrinho de golfe até a casa principal. Ainda perguntei ao homem por Michael, mas ele disse não saber exatamente onde ele estava, mas provavelmente estava em casa. Dei de ombros, Michael deveria estar ocupado com algo, era só isso.

A primeira coisa que fiz assim que coloquei meus pés na casa foi perguntar a Remy onde Michael estava.

- O Senhor Jackson está no escritório desde cedo, senhora Jackson – A mulher respondeu, aparentemente apreensiva.

- Muito obrigada, Remy – Mas uma vez saí quase correndo até o escritório.

Meu sorriso se alargou assim que o vi atrás da imponente mesa de madeira.

- Meu amor – Murmurei feliz, caminhando em sua direção. Michael levantou-se da cadeira onde estava sentado e antes que eu pudesse chegar perto o suficiente para abraça-lo ele jogou uma revista em meus pés.

- Me explique o que significa isso – Seu tom de voz foi frio.

Sem entender absolutamente nada, abaixei com dificuldade para pegar a revista onde li em letras garrafais o seguinte título da matéria “O conto de fadas tem mais um príncipe?”. Na foto logo abaixo estava eu e Daniel, na praça onde estivemos conversando.

Larguei a revista no chão como se ela tivesse queimando minhas mãos e voltei a encarar Michael. Ele estava sério, impassível. Nunca em minha vida achei que o veria assim, nem sequer cogitei a possibilidade de um Michael aparentemente tão cruel existir.

- Foi pra isso que viajou para Hollywoody? – Perguntou, quebrando o silêncio mórbido que se instalara no escritório.

- Ele é só meu amigo, Michael... Você não pode ter levado isso em consideração – Ri, sem humor.

- Oh, não era para ter levado? – Riu, debochadamente – Quero que pegue essa maldita revista e leia quem está sendo ridicularizado nelas... Sou eu, não você – Gritou o último conjunto de palavras. Eu me encolhi.

- Por favor querido, você sabe que a imprensa distorce tudo. Encontrei Daniel por acaso, fazia muito tempo que não conversávamos, e foi apenas isso que fizemos.

- A conversa devia estar agradabilíssima, pois você não parava de sorrir.

- Por favor, não! – Implorei – Não vamos brigar, eu não quero ficar mal com você... Estava com tanta saudades – Tentei me aproximar, mas ele me impediu, levantando as mãos.

- Acontece que eu quero brigar. E você não parece nem um pouco saudosa. – Ele suspirou alto, e apertou o nariz nervosamente – Tentei de tudo para que não brigássemos, para não causar transtornos pra você, mas isso foi você quem procurou Penny – Ele me lançou um olhar de ira e passou por mim, mas antes de ele sair pela porta consegui alcança-lo.

- Me perdoe por isso, por favor – Abracei-o, mas não fui correspondida – Eu não fiz por mal. Não vá embora! – Continuei me humilhando.

Minhas suplicas não o afetaram. Ele simplesmente me afastou do seu corpo.

- Preciso de um tempo – Michael abaixou a cabeça e saiu batendo a porta.

Michael não voltou naquele dia, nem tampouco atendeu minhas ligações. Também não voltou no dia seguinte e dessa vez seu celular permaneceu desligado.

Estava desesperada, completamente. E só fiquei minimamente mais calma quando Remy conseguiu falar com ele e disse que ele estava bem.

Nos dois dias que se seguiram esse martírio eu não me alimentei bem, e nem o cansaço físico de estar carregando muitos quilos a mais me fez dormir. Estava sentindo dores muito incômodas nas costas, mas não queria preocupar ninguém com isso e nem passar de vítima pro Michael, para fazê-lo voltar pra mim correndo, então me calei.

No terceiro dia desde seu sumiço a dor piorou consideravelmente, não me deixando nem ficar sentada, além de ter passado a noite em claro.

- A senhora está bem? – Remy perguntou, encarando-me de cenho franzido.

- Apenas uma dor nas costas, Remy... Não dormi bem – Tentei sorrir, mas parece que se fizesse até isso doeria.

- Deseja tomar café da manhã agora?

- Estou sem fome – Fui até a geladeira e me servi de um copo d’água – Soube alguma notícia do Michael?

- Não senhora – Remy negou. Antes de fechar a geladeira uma dor ainda mais lancinante do que a das costas atingiu meu baixo frente, e eu gemi encolhendo-me. – Meu Deus, senhora – Ouvi Remy gritar e correr até mim, porém essa é uma das últimas coisas que me lembro. Depois disso a dor se tornou tão forte que a escuridão me tomou.

Eu sentia parcialmente que estava em movimento, que havia pessoas falando comigo e alguém segurava minha mão, porém eu não conseguia abrir os olhos, eles pareciam pesar uma tonelada.

- Vai ficar tudo bem – Ouvi uma voz trêmula sussurrar... e depois disso caí na inconsciência novamente.

Não sei por quanto tempo ao certo eu dormi, mas quando minha consciência retomou eu estava em um quarto pintado em um verde muito claro. Apesar de minha visão ainda estar um pouco turva, vi alguns ramalhetes de flores numa mesa ao meu lado e a enorme TV acoplada à parede estava ligada.

- Finalmente você acordou – Virei meu rosto para o lugar de onde o som vinha e vi Michael entrando na sala, sorrindo hesitantemente – Como se sente?

- Bem – Sorri. Ainda estava um pouco letárgica e desorientada, mas não sentia mais a dor aguda de antes... Deus, a dor... – Meu bebê – Perguntei alarmada.

- Ele é lindo – O sorriso de Michael se ampliou – E você foi uma guerreira. O parto foi muito difícil – Ele sentou-se ao meu lado e segurou minha mão. Ele levou-a aos seus lábios, beijando-as. E só então notei a expressão cansada e culpada em seu rosto – Sua pressão subiu, causando pré-eclâmpsia... A culpa foi minha – Disse em uma voz esganiçada.

- Não se culpe por isso – Pedi, apertando sua mão – Eu deveria ter me cuidado.

- Não, Penny! – Michael falou dois tons mais alto – Pare você de se culpar. Eu nunca deveria ter brigado daquela forma com você, ainda mais por uma fofoca de uma maldita revista... Logo eu que sempre digo para não acreditar na imprensa, te julguei acreditando em uma delas... Eu fui um idiota e isso poderia ter custado tão caro – Ele suspirou, inclinando-se para encostar sua testa na minha – Me perdoe por mais essa.

- Não se preocupe, meu amor. Nunca fiquei com raiva de você – Sorri, roçando meus lábios nos dele – Amo você – Ele também sorriu e aprofundou o beijo – Agora vá buscar nosso filho, estou louca para vê-lo.

- Eu não demoro – Ele levantou-se, e saiu empolgado pela porta.

Estava quase levantando para eu mesma ir atrás do meu filho, quando finalmente Michael entrou carregando um pequeno embrulho. Instantaneamente meus olhos encheram-se de lágrimas e espelhei o sorriso de Michael.

Ele colocou aquela coisinha pequenina em meus braços e sentou-se ao meu lado.

- Olá Prince, eu sou a mamãe – Ele abriu os olhinhos negros. Eu e Michael rimos. – Ele é tão lindo.

- Muito – Michael passeou os dedos pelo cabelinho sedoso do nosso filho e eu inclinei-me para beijar as bochechinhas redondas. – Obrigado por esse presente. – Ele beijou meus lábios mais uma vez. 

Prince reclamou iniciando um chorinho e suas mãozinhas minúsculas agarraram meus seios.

- Acho que alguém está com fome – Comentei rindo.

- Acho que terei um forte concorrente para dividi-los – Michael apontou para meus seios então caímos na gargalhada feito dois bobos, enquanto eu ajeitava Prince em meus braços e lhe oferecia meu seio, que ele aceitou faminto.


Capítulo 29

Penny


Encarei meus dois príncipes, que brincavam despreocupadamente. Nem notaram minha presença. Meu sorriso se ampliou quando Michael balbuciou uma de suas gracinhas para Prince e ele soltou uma gostosa gargalhada. Esses dois não se desgrudavam, pelo menos quando Michael estava por perto. Era nítido o quanto se amavam, e toda a insegurança que Michael sentiu durante a gravidez havia se dissipado a cada sorriso do Prince.


Já havia se passado seis meses desde o nascimento de Prince e esse garoto só veio encher de luz e trazer um pouco mais de harmonia a essa casa. Bem, claro que o Michael ainda tinha de viajar, mas isso havia diminuído consideravelmente. Nossas brigas constantes também haviam sido extintas e nem tive mais o desprazer de cruzar com Crystina.

Michael me pediu perdão um milhão de vezes por ter acreditado no boato daquela revista e até reconsiderou minha relação com Daniel. Ele chegou a convidá-lo para jantar em Neverland, mas Daniel recusou. Segundo ele, não aguentaria ficar perto do homem que agora era meu marido.

Bem, mesmo assim ele foi visitar a mim e ao Prince assim que chegamos do hospital, na ocasião o Michael não estava, então eles não se cruzaram. Depois disso o vi mais duas vezes e nos falamos mais uma dúzia de vezes. A questão é que eu amava aquele motoqueiro, e considerava demais nossa amizade. Infelizmente a quase dois meses ele teve de viajar à trabalho, mas me disse que voltaria muito em breve.

Callie tem me ligado todo santo dia, e me faz colocar Prince na linha para ele balbuciar coisas ininteligíveis pra ela. A boba se baba que é uma beleza. E prometeu vir nos ver assim que tiver férias.

- Você estava aí o tempo todo mamãe? – Saí do meu estado de torpor, sorrindo instantaneamente quando vi Michael e Prince em minha frente.

- Estava olhando meus tesouros – Comentei, inclinando-me para beijar Michael e pegar Prince de seus braços. – Sairá para algum estúdio hoje?

- Acho que não, qualquer coisa trabalharei no daqui. Quero curtir minha família – Prince agitou os bracinhos, parecendo muito ciente do que ouvira.

- Gostou da ideia do papai ficar, meu amor? – Perguntei rindo. Ele agitou os bracinhos mais uma vez.

- Que tal um piquenique, uma volta pelo zoo e depois que o Prince dormir – Ele se inclinou para sussurrar em meu ouvido - Podemos namorar bastante – Finalizou a frase com um beijo molhado em meu pescoço.

- Adorei a ideia... – Antes que eu pudesse concluir, o celular dele tocou, Michael pegou-o e franziu o cenho ao olhar para tela. Ele afastou-se um pouco para atender e eu fingi brincar com o Prince enquanto prestava atenção em sua conversa. Não deu para ouvir muita coisa, só que ele parecia irritado com a pessoa do outro lado da linha, mas a tal pessoa, que eu sabia muito bem quem era, o amansou rapidinho.

- Algum problema? – Perguntei sem encará-lo.

- Não, só que infelizmente terei de sair – Suspirei audivelmente.

A verdade era que estava tão cansada disso. De saber do que sei e fingir estar tudo bem. De não dividir esse fardo com ninguém. De aceitar e ser omissa.

- Certo – Assenti, balançando um Prince choroso em meus braços.

- Desculpe, prometo que volto logo e se der ainda termos nossas horas de namoro – Sorri, engolindo o choro. Michael beijou seu filho e me deu um beijo antes de sair... Sair para ela, para os braços dela.

A tristeza que sempre me acomete quando ele faz isso está começando a se somar com uma raiva que eu não costumava sentir e me conheço o suficiente para saber que isso não é um bom sinal.

Não sei a que horas eles voltou naquele dia, até por que dormi com o Prince, mas com certeza foi bem tarde.

Bem, isso serviu muito bem para que eu pensasse em minha vida e tomasse a decisão de que estava na hora de seguir em frente. Não, eu não ia deixar o Michael de mão beijada para aquela mulher, ele era MEU marido. Mas estava na hora de retomar minha carreira, fazer o que me faz feliz, por que cansei de recusar propostas por que o Michael não queria. Ele não pensa duas vezes antes de deixar sua família pra se deitar com aquela vadia, então também irei parar de ser tão condizente.

(...)

- Bom dia! – Michael disse alegremente.

- Bom dia – Respondi, com a atenção completamente voltada para a comidinha que dava ao Prince.

Ele beijou o filho e fez menção de beijar meus lábios, mas desviei.

- Ainda está brava por ontem, não é?

- Não vou começar a discutir isso com você – Limpei a boca de Prince e a babá aproximou-se para leva-lo para o banho de sol. – Já sei o que vai dizer e hoje não estou com minha costumeira paciência – Me levantei da cadeira – Se me der licença – Sai do lugar sem olhar para trás.

No escritório liguei para o último diretor que havia me ligado, marcando uma reunião com ele para analisar mais profundamente o papel que ele me oferecera em seu próximo filme, mas deixei bem claro que aceitaria gravar.

Assim que desliguei o telefone meu celular tocou.

- Daniel! – Respondi no primeiro toque.

- Minha pequena. Como tem passado, hum?

- Bem, na medida do possível.

- E o pequeno príncipe?

- Está lindo, você precisa ver... A propósito quando volta para L.A?

- Já estou aqui baby. Que tal matar a saudade dos velhos tempos e dar uma volta de moto comigo?

- Vou... – Hesitei, mas a raiva falou mais alto – Vou adorar. Nos encontramos na estada?

- Claro!

Me aprontei em menos de 20 minutos, desci para dar um beijo em Prince e enchi a babá de recomendações antes de sair de casa. Não perguntei por Michael e nem dei satisfações de onde eu iria. Agora era a minha vez de causar aqui!


Capítulo 30

Penny


Daniel voou com a moto pelas estradas quase desertas nos arredores de Neverland. Passamos por algumas trilhas e acabamos em Santa Bárbara. Lá paramos em um posto e Daniel comprou batata frita e refrigerante. Comemos no meio do nada, sentados em baixo de uma árvore na beira da estrada.

Ele me fez rir uma dúzia de vezes. Sentir o vento bater em meu rosto enquanto sua moto ziguezagueava na estrada me fazia sentir a maior sensação de liberdade que se pode ter. Eu me diverti demais, como a muito tempo não fazia... e naquelas horas eu esqueci dos meus problemas e até do que eu enfrentaria quando chegasse em casa.

A noite já estava caindo quando Daniel parou sua moto em frente a um portão lateral de Neverland. Não quis ir pelo da frente, pois poderia haver algum paparazzi.

- Muito obrigado pelo dia, Daniel, foi fantástico! – Comentei sorrindo. Me inclinei em sua direção e depositei um longo beijo em sua bochecha.

- Não precisa me agradecer... Na verdade fazê-la feliz me deixa feliz – Foi a vez dele sorrir, mostrando todos aqueles dentes brancos e perfeitos.

- Sinto que precisava disso – Suspirei – Não sabe o bem que me fez...

- Ora, será que agora eu finalmente consegui um cargo de príncipe no currículo? – Balançou as sobrancelhas me fazendo rir.

- De príncipe não, mas de herói, vá lá – Dei de ombros. – Agora tenho de entrar. Vai estar em Los Angeles?

- Sim, pretendo passar um bom tempo aqui. Até já comprei uma casa na cidade. Fica a uns 30 minutos daqui.

- Então trate de me convidar para conhecer sua casa viu – Ele assentiu e fitou-me intensamente. Me vi presa em seu olhar por breves segundos, até uma voz grave chamar-me.

- Senhora Jackson, está tudo bem por aqui? – Desviei meus olhos e vi um dos seguranças parado ao meu lado.

- Tudo bem – Pigarreei – Pode pedir pra trazerem um carrinho?

- Claro, senhora – O homem se afastou minimamente para falar em seu rádio.

- Até logo então – Daniel segurou minha mão e me puxou para um abraço.

- Até logo minha pequena – Seus lábios pousaram castamente em minha testa. Em seguida ele subiu na moto e saiu a toda velocidade.

(...)

A casa estava em completo silencio quando entrei. O único ruído que ouvi vinha da cozinha.

Sem querer fazer alardes subi as escadas indo direto para o quarto de Prince, encontrei ele dormindo e a babá cochilando na poltrona. Dei um beijinho em meu bebê e sai.

Diferentemente de toda a casa, o quarto estava iluminado e alguém fazia barulho lá dentro. Inspirei uma lufada de ar antes de finalmente abrir a porta, em seguida fechei-a e me livrei dos sapatos, só assim me virei e vi Michael parado a alguns centímetros de distância.

- Onde você estava? – Sua voz estava colérica.

- Por aí – Dei de ombros, passando por ele despreocupadamente.

- Por aí? – Riu nervosamente – Você enlouqueceu Penny? Saiu sem dizer onde ia e passou todo o dia fora. Já liguei para todas a pessoas que possa imaginar e você simplesmente não estava em lugar algum.

- Ligou para o Daniel? – Dei as costas para ele, descendo a calça jeans pelas pernas e jogando-a no meio do quarto, me livrando também da blusa. O silêncio que se seguiu foi tão absurdo que poderia ouvir-se um alfinete caindo no chão.

- O que você disse? – Michael finalmente perguntou, com um tom de incredulidade quase cômico. Escondi meu sorriso, enquanto tirava meu sutiã e soltava meus cabelos.

Eu queria provoca-lo de todas as maneiras humanamente possíveis.

- Que deveria ter ligado para o Daniel – Me virei, encarando-o firmemente – Eu saí com ele – Pretendia passar por ele direto para o banheiro, mas ele me segurou o braço firmemente antes de eu conseguir dar mais um passo.

- O que estava fazendo com aquele idiota? – Rugiu, apertando meu braço.

- Fui dar uma volta de moto com ele, precisava espairecer. Tenho estado presa demais aqui – Respondi calmamente.

- E você me diz isso assim? – Gritou novamente.

- E você quer que diga como, hum? – Foi a minha vez de se exaltar – Qual o problema de eu sair com um amigo? Já que vivo presa aqui.

- Qual o problema? Você quer que eu enumere? – Meneou a cabeça – Foram a um lugar público?

- Não, senhor Jackson – Debochei – Sua imagem está limpíssima. Afinal é só com ela que se importa. – Fiz força para me soltar do seu aperto, mas não consegui.

- Você é minha mulher, ouviu? Minha, e não quero mais aquele desgraçado te cercando. Se toda essa palhaçada foi para me provocar ciúmes, você conseguiu Penny, parabéns.

- Pense o que quiser – Desafiei.

- Vou te ensinar a não me desafiar mais – Seu rosto irado transformou-se em um misto de desejo e urgência e quando seus lábios tomaram os meus pude sentir exatamente isso.

Eu tentei afastá-lo inicialmente – Puro charme, confesso – Mas tudo que consegui foi tornar seu aperto ainda mais firme, sua boca ainda mais urgente. Quando parei de fingir que não queria ele finalmente me soltou e suas duas mãos voaram para meus seios apertando-os com força, enquanto seus lábios deixavam os meus e partiam para meu pescoço. Ele sugou o lugar, sem parar de massagear meus seios. Os primeiros gemidos começaram a ecoar pelo lugar.

Quando seus lábios desceram ainda mais, parando em um dos meus seios, segurei seus cabelos com força impedindo-o de se afastar de mim. Sua língua estimulou com maestria meus mamilos, deixando-os duros e doloridos, enquanto seus dedos hábeis livravam-me da calcinha. No segundo seguinte eu estava encostada à porta - E nem me perguntem por que não sei como andamos até aqui – Ele esfregou-se em mim com força, fazendo sua ereção roçar em minha barriga.

Seus dedos infiltraram-se nas minhas dobras molhadas e ele me penetrou com dois deles. Sua mão prendeu meu queixo, impedindo que eu movesse minha cabeça, enquanto seus dedos passaram a me estocar com força e rapidez.

- Isso, Michael – Gemi, agarrando seus braços. Minhas pernas estavam trêmulas.

- A quem você pertence, Penélope? Quem é o único que já fez você gozar? – Sussurrou contra meus lábios entreabertos.

- Só você... só você – Gemi, deixando meus olhos rolarem. Queria mover minha cabeça, mordê-lo, beijá-lo, mas Michael tinha o domínio e não me deixava fazer nada disso.

- E nenhum outro mais, jamais, ouviu? – Fitei seus olhos extremamente negros, seu rosto esculpido, agora coberto por uma leve camada de suor... tudo que pude fazer foi gritar enquanto minhas pernas bambeavam, tentando fechar-se, quando uma devastadora onda de desejo me engolfou.

Antes mesmo que eu pudesse me recuperar Michael virou-me de costas para ele e penetrou-me em um só golpe. Minhas mãos espalmaram a porta para me dar apoio, enquanto as dele envolveram mais uma vez meus seios em um aperto firme. Enquanto me estocava com a mesma rapidez que fizera com seus dedos, Michael sugava meu pescoço – Que com toda certeza ficaria marcado – Ele continuou, incansável. Podia sentir a quentura do seu corpo em minhas costas e ouvir o barulho de sua respiração pesada junto com os gemidos.

Uma de suas mãos desceu pela minha barriga parando em meu clitóris, e a massagem naquele nervo sensível junto com suas estocadas, me levaram a outro êxtase, esse ainda mais forte, que me fez gritar muito mais alto e arranhar a porta.

Michael ergueu minimamente meu corpo e colocou minhas mãos para trás, impedindo-me de segurar em algo, suas estocadas já impossivelmente rápidas aumentaram ainda mais, assim como seus gemidos e a força de sua mão em meus seios.

- Penny – Gemeu alto, no mesmo instante senti seu intimidade pulsar dentro de mim e enquanto ele gozava conseguiu me levar consigo para mais um êxtase.

Quando seu quadril parou de se chocar contra o meu, nossas respirações começaram a voltar ao normal. Estava tão exausta e sem força nas pernas que tinha certeza de que se ele me soltasse eu cairia de cara no chão. Michael saiu de dentro de mim e carregou-me no colo até a cama.

- Quero que tudo dê certo entre nós, Penny – Sussurrou acariciando meu rosto.

- Desculpa por hoje... Eu amo você – Balbuciei debilmente, quase caindo no sono.

- Eu também te amo... – Não sei se realmente ele disse isso ou meu subconsciente extremamente esperançoso criou as palavras. No segundo seguinte eu estava dormindo profundamente.

(...)


Michael


Não sei o que me aconteceu ontem, mas apenas pensar em Penny com aquele garoto cheio de tatuagens me dava nos nervos. Eu sei que sou a última pessoa que pode julgá-la, mas ontem foi mais forte que eu... Pensei que ela não voltaria pra nossa casa, e isso me aterrorizou mais do que deveria.

Penny tem se tornado cada vez mais importante em minha vida. Eu amo tê-la ao meu lado todas as noites, e vê-la acordado pela manhã com os cabelos bagunçados e a cara de sono é a coisa mais adorável desse mundo. Ainda tem Prince, que se tornou o amor da minha vida... e, bem, foi Penélope quem me deu esse presente.

Sim, ontem eu disse com todas as letras que a amo, e é verdade, só não consegui distinguir ainda se esse amor continua o mesmo de antes, e espero fortemente que continue. Eu não quero prender Penny a mim... Bem, sim, eu a quero perto de mim, mas ao mesmo tempo me sinto horrível por saber que nosso casamento foi realizado só para salvar minha carreira. Penso no quão jovem e linda ela é, que pode continuar com sua carreira e arrumar alguém da sua idade pra curtir a vida e ser feliz – Esse é só um lado meu que murmura todas essa coisas -. Por outro lado jamais quero vê-la com outro, só de imaginar me ponho louco. Também não quero mais que faça filmes, não sei se consigo vê-la contracenando aos beijos com outros homens. Não quero nem que ela saia muito de casa, tenho medo que descubra que errou em se casar comigo e decida se separar.

Enfim, estou agindo feito um idiota. Estou confuso e ao mesmo tempo cheio de certezas, mas não sei coloca-las em prática.

Outro medo que tem me acompanhado durante esses últimos dias é o de que Penny descubra meu caso com Crys, e droga, isso a machucaria demais. Mas não sei se também consigo me livrar de Crys, apesar de tudo ela é uma boa companheira, me faz rir, esquecer dos problemas... e agora deu pra dizer que me ama, que faria tudo por mim... Também não queria machuca-la.

Conseguem imaginar na situação maluca que me encontro? E talvez por todos os erros que plantei pelo caminho e que venho semeando, eu vá colher muito solidão no futuro.

- Ainda aqui, amor? – Penny entrou no escritório, carregando Prince nos braços.

- Estou só acabando de ler uns papéis – Tentei sorrir.

- O almoço está na mesa, vamos – Ela me estendeu sua pequena mão e eu segurei-a sem pensar duas vezes. Nossos olhos se encontraram e fixaram-se. Aquele olhar disse tantas coisas, nos conectou tão fortemente que o sentimento que nos rodeou naquele instante foi quase palpável. Me aproximei dela, por que simplesmente era tudo que meu corpo ordenava fazer e beijei seus lábios carinhosamente, Penny sorriu contra meus lábios.

- Amo você – Murmurei, sem me conter.

- Também te amo – Ela beijou-me mais uma vez, e teríamos continuado assim se Prince não tivesse começado a choramingar.

- Calma, garotão, tem Penny pra todo mundo – Ri, acariciando sua cabeça.

Meu celular tocou, e antes mesmo de pegá-lo sabia de quem se tratava. Afastei-me um pouco de Penny para atender.

- O que quer, Crys? – Perguntei impaciente.

- Como assim o que eu quero? – Gritou – Você havia combinado de almoçar comigo hoje e estou te esperando até agora.

- Eu não vou. Desculpe, mas tenho de ficar com a Penny e o Prince – Desliguei antes que ela pudesse soltar seus cachorros em cima de mim.

Joguei o celular na gaveta da escrivaninha e tranquei-a.

- Vamos almoçar, meu bem – Beijei a testa de Prince e segurei com firmeza a cintura de Penny, assim seguimos para a cozinha.


Capítulo 31

Penny


Alguns dias se passaram desde a nossa briga e aquela reconciliação maravilhosa, e desde então tudo tem estado mudado por aqui, e dessa vez pra melhor. Michael não sai mais todas as vezes que aquela mulher liga, tem estado muito mais tempo em casa e faz de tudo para trazer o trabalho para Neverland. Normalmente ele passa toda a manhã entre o escritório e o estúdio, e o deixo em paz nesse período. A tarde sempre damos uma volta pelo rancho e ele mima o Prince durante algumas horas e depois volta ao seu trabalho. Já a noite é toda nossa, e tenho que dizer que aproveitamos ela inteirinha.

Desisti de gravar o filme que havia aceitado anteriormente. Fui à reunião com o diretor e não gostei da proposta do filme, com certeza eu teria de fazer cenas muito fortes e não sei se o Michael levaria isso numa boa.

Infelizmente durante toda essa semana ele teve de trabalhar em um estúdio em Santa Bárbara e só temos nos visto muito tarde da noite.

- Camila, acabei de dar comida ao Prince e ele está cochilando. Vou sair e talvez só volte a noite, por favor não tire o olho do meu bebê e qualquer coisa me ligue, certo?

- Sim senhora – Ela assentiu, sorrindo.

Peguei minha bolsa, dei um longo beijo em Prince e saí, rumo ao carro, que já me esperava em frente à casa.

- Bom dia, senhora Jackson! Para onde?

- Bom dia, Charles! Vamos para o estúdio onde Bill levou Michael hoje mais cedo. Sabe onde fica?

- Claro, senhora – Ele virou-se, voltando sua atenção para o volante.

Cerca de 3 horas de viagem depois, estávamos estacionando na garagem do prédio. Charles me informou o andar onde Michael estaria e saí apressada para ir ao seu encontro. Estava morrendo de saudades do meu marido, mal nos vimos durante toda a semana, e tudo que queria era me jogar em seus braços e depois admirá-lo enquanto ele criava divinamente sua arte. Nem pense que por que me casei com o Michael deixei de ser sua fã número 1.

Estava andando apressadamente pelos corredores, procurando a porta a qual fui instruída a entrar, quando meu corpo trombou com de outra pessoa.

- Descu...- Me preparei para dizer, mas parei assim que vi de quem se tratava.

Meu sangue ferveu nas veias. Daria qualquer coisa para nunca mais ver a cara dessa mulher.

- Bom dia, queridinha de Hollywood – Ela sorriu, seu costumeiro sorriso de escárnio.

Eu tinha certeza absoluta que aquela mulher nojenta sabia que eu desconfiava do seu caso com Michael, e ela não fazia questão alguma de disfarçar.

- Bom dia, Crystina – Disse séria, encarando-a de cabeça erguida.

- Se veio ver o Michael, ele está ocupadíssimo trabalhando em uma melodia. Sugiro que não o atrapalhe e volte outra hora, ou o espere em casa, como costuma fazer – Seu sorriso de deboche aumentou. E minha vontade de estapeá-la também.

- Só que eu sou a ESPOSA dele – Frisei a palavra, elevando minha voz – Posso atrapalhar quando eu quiser, queridinha. E não estou afim de esperar até ele chegar para beijá-lo, posso fazer a hora que quiser, é minha prioridade – Pisquei um olho pra ela, e foi sua vez de mudar as feições.

- Você é ridícula – Soltou em meio a uma risada – Deveria prestar mais atenção na vida do seu marido... e no que ele anda fazendo.

- Você não vai me atingir com seu veneno – Sorri – Eu sou vacinada contra a raiva, principalmente contra uma espécie como você. Já disse uma vez e vou repetir, Michael é MEU marido, temos um filho juntos, declaramos nosso amor todos os dias, e não há veneno poderoso o suficiente para nos atingir. – Sem querer prolongar a discussão, dei as costas e saí de perto dela.

- Isso é o que você pensa, ratinha – Murmurou. Parei instantaneamente, respirei fundo e voltei a me aproximar dela. Minha mão ergueu-se e desferi um golpe seco em seu rosto. Ela segurou o rosto e me encarou em choque.

- Da próxima vez quebro sua cara, vadia – Ignorei seus protestos e voltei a caminhar rumo a sala onde Michael estava.

Agora eu estava muito irada e isso não era nem um pouco bom.

Entrei na sala feito um furacão. Além de Michael estava ali mais três pessoas. Assim que me viu ele levantou-se e veio me cumprimentar com um beijo.

- Que surpresa, amor – Comentou sorrindo. Não fiz o mesmo.

- Vocês podem nos dar licença – Pedi aos demais na sala e todos saíram.

- Algum problema? – Michael perguntou de cenho franzido.

- Você vai demitir aquela vagabunda a quem você chama de assessora hoje mesmo – Rugi. Ele, que ainda segurava minha cintura, soltou-a e afastou-se.

- O que foi dessa vez?

- Ela acabou de me destratar.

- Penny, isso não é motivo para eu demiti-la – Disse firme – Crys é uma ótima assessora, cumpre muito bem o que lhe é mandado, é de confiança... não é fácil arranjar alguém assim.

- Imagino mesmo que não seja – Ri, um ódio crescendo dentro de mim – Aquela maldita vagabunda acabou de me chamar de rata no meio desse corredor, e você que é meu marido, está me dizendo que não vai fazer nada a respeito?

- Darei uma bronca nela, mas não posso demiti-la por uma birra feminina, ela não fez nada no âmbito profissional para que justificasse sua demissão.

- Certo – Pigarreei. Engoli o choro e encarei-o firmemente – Estou cansada disso, estou chegando ao meu limite e você não vai gostar de me ver fora dele, Michael – Apontei o dedo em seu peito, empurrando-o.

- Que droga deu em você – Disse irritado, livrando-se do ataque do meu dedo – Você me aparece aqui, atrapalha o que estava fazendo, vem com queixas e ordens e ainda me empurra... Está agindo feito uma moleca, pelo visto o casamento e a maternidade não lhe amadureceram. – Arregalei os olhos e me afastei dele. Suas palavras me ferindo sobremaneira.

- Talvez mesmo me falte maturidade para encarar essa história como devo encarar, mas não se preocupe, a minha maturidade está florescendo, na mesma proporção que a minha idiotice está sumindo. Continue seu trabalho, aproveite e chame sua assessora pra ajudar – Dei as costas, mas antes de sair voltei a encará-lo – Não volte para casa hoje! – Abri a porta e fechei-a em um estrondo.

Eu não ia chorar, não mesmo. Estava cansada de lágrimas, brigas e toda essa merda.

(...)

Ele não voltou para casa durante dois dias e quando o fez passou um bom tempo com o filho, mas depois se trancou na biblioteca. Não fui atrás, e nem iria.

A tarde falei com Callie no telefone e depois com Daniel. Quando a noite já estava caindo ele entrou no quarto, desejando-me apenas boa noite, se trancou no banheiro e saiu de lá quase meia hora depois, vestido em uma calça preta, camisa de botões azul, fedora e muito perfumado. Sabia que iria sair, mas não perguntei nada, me mantive concentrada na TV.

- Estou indo para a inauguração do estúdio em Santa Bárbara, talvez durma lá hoje.

- Divirta-se.

Ele hesitou um pouco, ponderou falar mais alguma coisa, mas desistiu e saiu do quarto.

Enxuguei as lágrimas silenciosas que caíram, entrei no banheiro e sai de lá meia hora depois, completamente arrumada. Liguei para Daniel e ele disse vir me buscar em alguns minutos. Aproveitei esse tempo para ficar com Prince, colocando-o pra dormir.

O segurança ligou algum tempo depois, dizendo que Daniel estava me esperando no portão. Peguei um dos carrinhos de golfe e fui até o encontro dele.

- Nossa, como você tá gata – Sorri, agradecida pelo elogio.

- Obrigado, Daniel, você também está. Bem, será que se importaria de me levar a festa do estúdio com você?

- Mas é claro que não. Só não te chamei quando nos falamos ao telefone por que achei que fosse com seu marido. Ele não te convidou?

- Provavelmente estará com sua assessora – Comentei amarga – Agora vamos ou nos atrasaremos – Daniel entendeu meu estado de espírito, por isso não disse mais nada, apenas ajudou-me a entrar em seu carro e partimos para a tal festa.

- Problemas no casamento, não é? – Daniel perguntou, quebrando o silêncio. Apenas assenti – Espero do fundo do meu coração que se resolvam, posso ver o quanto está triste. Mesmo querendo muito você pra mim, não sei se seria capaz de fazê-la tão feliz quanto merece.

- Você é um amor, Daniel – Sorri. Ele fez uma careta pela escolha de minhas palavras.

- Procure não se estressar tanto com isso tá? E qualquer coisa eu estarei lá com você.

- Obrigada – Sorri. Ao olhar novamente ao redor vi que já estávamos na festa.

A estrutura do estúdio era gigante, e a festa pelo visto seria na mesma proporção já que havia muitos carros estacionados por perto e muitos fotógrafos na porta.

Eu sei a repercussão negativa que isso causará, mas estou pouco me lixando.

Desci do carro e segui ao lado de Daniel até o salão. Assim como eu esperava o lugar estava cheio, mas não demorou nem meio segundo para que meus olhos batessem nele... e nela... Estavam conversando alegremente com mais dois homens. Ela me notou primeiro, e assim que o fez me dirigiu seu sorriso de deboche, cutucando Michael em seguida. O sorriso dele morreu quando ele viu Daniel ao meu lado.


Capítulo 32

Penny


Desviei meus olhos só um segundo, para pegar uma taça de champanhe do garçom. Olhei de novo para ele, que continuava parado e de cara fechada, ergui minha taça e sorri despreocupadamente.

- Penny, você está cutucando onça com vara curta – Daniel sussurrou em meu ouvido, em tom divertido.

- Ele começou. E você sabe muito bem como posso ser extremamente teimosa quando quero.

- Se sei – Daniel sorriu.

Voltei a olhar em direção a Michael e o vi se aproximando. Daniel ficou em minha frente antes que ele me alcançasse.

- Mas o que significa isso? Saia da frente, seu moleque – Michael disse entre dentes, parecia estar se esforçando ao máximo para não se descontrolar.

- Não acho que a Penny queira falar com você, então dê o fora – Daniel disse despreocupadamente.

- Se você pensa que farei um escândalo aqui, está enganada Penélope – Se dirigiu à mim – Vamos para casa, você já fez estrago demais por hoje.

Completamente enfurecida, saí de trás de Daniel e me aproximei de Michael.

- Eu fiz merda? – Ri, sem humor algum – O único que tem feito isso o tempo todo é você. E ainda adora se passar de vítima, não é?

- Já te disse que não farei escândalo. Vamos – Ele segurou meu braço firmemente, me guiando para fora, ignorando totalmente meus protestos. Antes dele alcançar o corredor, que provavelmente daria na saída, Daniel nos alcançou e segurou o braço de Michael parando-o.

- Não pense você que deixarei leva-la assim, solte a Penny – Falou dois tons mais alto.

Olhei ao redor de olhos arregalados, e graças a Deus não havia ninguém no corredor.

Michael me soltou partiu pra cima de Daniel, empurrando-o e fazendo-o cambalear até a parede.
Meus olhos se arregalaram ainda mais, nunca vira o Michael se descontrolar dessa forma... e no final não era isso que eu queria.

- Parem com isso – Pedi, me pondo no meio dos dois, à tempo de impedir que Daniel revidasse.

- Eu vou quebrar sua cara se fizer algo com ela – Daniel ameaçou, apontando o dedo para Michael.

- Experimenta seu moleque... Ela é minha esposa, entendeu, minha – Gritou, tentando livrar-se do meu aperto.

- Por favor, parem! – Afastei Michael ainda mais – Daqui a pouco aparece alguém aqui... – Pedi chorosa.

- Tudo bem, Penny, não precisa ficar nervosa, estou indo nessa, mas qualquer coisa, qualquer que seja, me ligue, e eu apareço em 5 minutos – Assenti. Michael tentou passar novamente, mas impedi-o.

- Pare, você não é assim – Encarei-o.

Ele me fitou com uma seriedade assustadora.

- Vamos embora – Assenti, seguindo-o.

O carro já nos esperava na rua de trás do prédio, onde não havia movimentação alguma.

- Para o hotel – Michael disse, assim que entramos e nos acomodamos.

Ele não olhou em minha cara, nem proferiu uma única palavra nos primeiros 10 minutos. Estava começando a me arrepender de ter ido aquela festa. Não que tenha reconsiderado e me achado errada, mas deveria ter agido com mais maturidade... E nem queria pensar na repercussão que isso ia ter na mídia amanhã.

- Michael – Tentei falar.

- Nenhuma palavra até estarmos no hotel – Me cortou friamente, ainda sem me olhar.

O resto do curto percurso foi feito em um silêncio esmagador. Estava me sentindo sufocada naquele carro. E a indiferença de Michael estava começando a me deixar irritada novamente.

Eu queria coerência para conversarmos civilizadamente, mas ele não estava ajudando nem um pouco.

O carro parou em uma garagem subterrânea, Michael desceu sem me esperar e eu segui-o quase correndo. Assim que chegamos ao quarto ele fechou a porta e jogou a chave contra a parede.

- O que você tem na cabeça? – Gritou furioso. Todo o controle que demonstrou pelo caminho, sumindo.

- Bem, talvez tenha sido uma má ideia, mas estava com raiva e não pensei direito e...

- E você é uma maldita moleca imatura – Encarei-o, incrédula.

- Está começando a me ofender e acho que você é o último que pode me julgar nessa história.

- Tem razão – Sorriu de lado – Desde o começo o culpado fui eu, a idiotice foi minha em pensar que esse casamento algum dia poderia dar certo. Como, se eu me casei com uma mulher com atitudes infantis?

- Pare de bancar a vítima – Gritei, perdendo o controle – Desde sempre tenho aguentado tudo calada, seus sumiços, suas viagens, seus trabalhos, seu assessora, mas já chega. A única que paga de palhaça aqui sou eu - Engoli o choro e enxuguei duas lágrimas teimosas que desceram. – Você acha o que? Que eu nunca percebi nada? Mas não, eu sempre me calei... Por que te amei acima do meu orgulho, do meu amor próprio. Você tem noção do que foi ser humilhada por aquela mulher e depois ver meu marido dizer que não faria nada a respeito. Em que posição na sua vida eu estou? Hum, em última, não é? – Falei tudo que estava engasgado, a essa altura já não contendo mais o choro.

- Eu... eu sei que errei, mas você não poderia ter nos exposto assim hoje e...

- Dane-se – Gritei novamente.

E tudo dentro de mim se esclareceu, como se por todos esses meses eu tivesse estado em um escuro completo... Não daria certo, nunca daria. O Michael não estava disposto a mudar nada por mim. Eu tentei fazê-lo me amar, e apesar de hoje me dizer isso não sinto firmeza em suas palavras, muito menos verdade... Parece que nosso casamento lhe é conveniente, mas é só isso... e por Deus, não estou disposta a me ferir e me torturar mais do que já tenho feito durante todo esse tempo. Me doeria o resto dos meus dias o que eu diria a seguir, mas eu não via mais saída. E por mais que tudo em mim gritar para eu parar, para tentar mais uma vez, lutar... a razão gritou o certo.

Não foi um conto de fadas, não foi perfeito, mas foi a melhor coisa que me aconteceu... Talvez não tivesse mesmo de ser, e eu fui contra o destino com toda a minha teimosia.

Suspirei uma vez e encarei um ponto fixo na parede. Era como se naquele momento eu tivesse apontando uma arma para o meu coração e estivesse prestes a apertar o gatilho.

- Eu quero o divórcio – Murmurei tão baixo que nem pude ter certeza se havia mesmo dito. Minha voz estava irreconhecível até para mim mesma.

- O que? – Michael perguntou perplexo.

- Eu não aguento mais – Sussurrei, desabando no chão e caindo em um choro incontrolável.



Capítulo 33

Penny


Um silêncio absurdo se seguiu, dando-se para ouvir na sala apenas o barulho dos meus soluços. Achei que Michael tivesse saído, mas ele agachou-se ao meu lado e segurou meu queixo, fazendo-me olhá-lo.

- Eu sabia desde o início que iria machuca-la. E por mais que não pareça, eu sempre tentei protege-la até de mim mesmo... Mas, agora eu não consigo mais viver sem você, e por outro lado acho que você tem razão, que preciso deixa-la viver sua vida... – Ele suspirou e encostou sua testa na minha – Mas não consigo... me perdoe – Ele beijou minha testa delicadamente, levantou-se e saiu do quarto.

Nada entre nós ficou decidido. E se ele não conseguia viver sem mim, me digam como eu viveria sem ele? Sem aquele sorriso todos os dias? Sem ouvir aquela voz me dizer ‘bom dia’? Sem aquela boca me beijando?

Será que sou mesmo forte a esse ponto, ou assim que ele voltar eu irei implorar para que esqueça o que eu disse e fique comigo?


Michael


Eu estava desnorteado, completamente em choque. Eu sabia a instabilidade do meu casamento com Penny, mas jamais achei que fosse ouvir da boca dela que queria essa separação.

Isso começou errado, eu deixei que continuasse o erro e não tinha mesmo como acabar bem. Mas tudo que disse a ela momentos antes de sair era a mais pura verdade, eu não sei se consigo viver sem ela. E o que eu menos esperava acontecer quando casei com aquela garota aconteceu, eu me apaixonei perdidamente por Penélope.

Parei o carro na vaga já tão conhecida e desci do carro. Havia saído tão absorto que nem sequer chamei o motorista ou levei nenhum segurança. Para a minha sorte, consegui sair sem ser visto, apesar do inferno que estava na frente do hotel, com certeza por conta da palhaçada que Penny fez essa noite.

Mas como ela mesmo disse, quem sou eu para julgá-la? O cara que trai a mulher desde sempre! – Ri, sem humor algum – Talvez eu só estivesse colhendo o que plantei e semeei durante esse tempo.

Assim que toquei a campainha Crys abriu a porta, ainda vestida com seu vestido de festa.

- Você sumiu! Presumo que a causa tenha sido sua esposinha rebelde – Ela sorriu debochadamente, me dando espaço para entrar. – A ratinha se rebelou mesmo, não foi?

- Não estou no clima para brincadeiras – Encarei Crys seriamente – Ela me pediu o divórcio.

- O que? – Ela disse incrédula – A ratinha pirou de vez.

- Já disse para não chama-la assim – Bradei – Estraguei tudo, tudo – Murmurei, levando as mãos a cabeça.

- Isso é mesmo sério? – Apenas assenti – Que notícia maravilhosa. Você se livrou dela, não era isso que queria, amor? – Ela pulou em meu colo, beijando-me de surpresa. Afastei-a, levantando-me em seguida.

- Não é isso que eu quero – Disse firmemente – Vou convencê-la a permanecer no casamento.

- Para que? – Crys gritou – Para você continuar traindo ela? Esse casamento não tem mais sentido, você já recuperou sua carreira.

- Simplesmente não quero me divorciar e não vou – Caminhei em direção a porta, abrindo-a.

- Onde vai, Michael?

- Embora – Respondi, e saí batendo a porta.

(...)

Quando entrei novamente no quarto do hotel encontrei Penny deitada na espaçosa cama, ela estava abraçada a um travesseiro e falava com alguém, em meio ao choro e soluços, provavelmente era Callie e se ela contou tudo a amiga, aquela doida iria infernizar a minha vida.

- Penny – Chamei, assim que fechei a porta atrás de mim. Ela me olhou, enxugou o rosto e se despediu da pessoa do outro lado da linha.

- Achei que não viesse dormir aqui – Ela se levantou da cama, e fez menção de passar por mim, mas impedi-a, abraçando-a.

- Por favor, não me deixe – Inspirei seu cheiro, completamente certo de que precisaria dele para continuar bem – Eu sei todos os meus erros, e não me farei de vítima dessa vez. Eu errei, eu fui o culpado, eu não tinha direito de te falar aquelas coisas... Só me perdoa, e prometo pra você que eu irei mudar.

- Você já me fez essa promessa antes – Disse, sua voz abafada.

- Mas agora é de verdade – Larguei-a minimamente, segurando seu rosto com ambas as minhas mãos – Eu amo você, e estou te dizendo de todo o meu coração que você me faz o homem mais feliz do mundo, que meu filho é o maior presente que você poderia me dar, e que nunca, jamais, poderei me redimir o suficiente por tudo que já fiz passa-la... E nem estou dizendo que mudarei da água para o vinho, mas eu te prometo que vou mudar aos poucos... apenas me dê essa chance.

Segundos depois nossas bocas estavam unidas, e com o frenesi e o desejo nossas roupas foram ao chão em poucos minutos.

Quando deitei seu corpo nu naquela cama, prometi a mim mesmo que me controlaria e que faríamos amor tão docemente que não iria restar dúvidas de que ela me pertencia e de que eu queria pertencer unicamente a ela.

Beijos, carícias, apertos e amassos foram trocados, até eu estar completamente unido a ela. Ouvindo seus gemidos enquanto me movia com uma lentidão tão precisa que podia sentir cada musculo de sua intimidade apertando-se em torno de mim.

Vê-la gozar, enquanto gritava e se agarrava a mim, foi perfeito e me levou para meu limite no mesmo instante.

E agora, que seu corpo inerte descansava parcialmente em cima do meu, enquanto ela dormia profundamente, não me restava mais dúvidas, eu amava essa mulher e era hora de fazer as coisas da maneira certa.

(...)

Uma semana depois...

Tudo estava perfeito. Bem, quase perfeito, a imprensa tem me massacrado ultimamente por conta da ida de Penny a festa com o tal de Daniel. Mas, sinceramente, decidi não me importar com isso. Penny e eu mandamos um comunicado à imprensa desmentindo nosso divórcio, que foi distorcido, é claro... Mas ficou por isso, logo eles esqueceriam esse assunto e parariam de nos importunar. Por tanto, nessa última semana estamos presos em Neverland, o que não é nenhum castigo, pelo contrário, tem sido a semana mais maravilhosa da minha vida.

- Vem filhão – Chamei, incitando-o a engatinhar até mim. Prince deu uma de suas características gargalhadas e veio o mais rápido que pode até mim. Ele agarrou o brinquedinho que eu segurava e levou-o a boca, babando-o todo. – Que bagunceiro – Ri, acariciando sua cabeça. – Vou mostrar para a mamãe o que você fez na sala.

- Eu estou vendo. E não coloque a culpa no seu filho, Michael, o culpado é você – Virei-me e vi Penny parada atrás de mim, de braços cruzados e sorrindo. – Desde quando o Prince pode carregar a caixa de brinquedos? – Eu ri, pegando Prince do chão e levantando-me.

- Você está linda – Sussurrei, beijando seus lábios.

- Pare de jogar seu charme – Sorriu contra meus lábios – Você vai limpar essa bagunça.

- Hum hum, agora me dê mais um beijo – Colei nossos lábios novamente, e a pior parte do nosso beijo era ter de parar.

- Mah – Prince resmungou, esticando os bracinhos para a mãe.

- Esse garoto e seu ciúmes – Rimos. Penny pegou Prince.

- Frank está aí e quer falar com você – Assenti.

- Não demoro, prometo – Ela assentiu e antes de sair dei mais um beijo em sua testa e na cabecinha de Prince.

(...)

- Não acredito que ela fez isso!

- Pois fez, Michael. Essa mulher está feito louca ligando para mim, querendo saber por que você não a atende mais. E inclusive ameaçando de ir a imprensa e contar que seu casamento começou como uma farsa, só para salvar sua carreira.

- Crys está louca!

- Ela está apaixonada. E mulher apaixonada e abandonada é um perigo. Sempre te disse que não gostava dessa mulher, Michael. Não perca tempo, vá atrás dela e resolva essa situação.

- Pode deixar – Assenti decidido – É mesmo hora de colocar um ponto final na minha história com Crys, profissionalmente inclusive. Quero que lhe dê uma boa quantia em dinheiro, par que fique calada, e o resto deixe comigo. Falarei com ela ainda hoje.

- É o melhor a se fazer.

- Pode me dá uma carona até a casa dela? Peço para os seguranças me seguirem, já que sair com o meu carro ainda é difícil.

- Claro, vamos.

Deixei um recado com uma das funcionárias e saí com Jhon. Precisava por um ponto final e parar a descontrolada da Crys.


Capítulo 34

Michael


Assim que Jhon parou o carro na garagem subterrânea do prédio onde Crys morava, desci, decido a acabar com isso o mais depressa possível.

Assim que toquei a companhia Crys veio me atender, vestida em uma camisola preta que mal cobria sua calcinha.

- Michael – Gritou, em meio a um sorriso. Jogou-se em meus braços e tentou me beijar, mas afastei-a antes que fizesse.

- Podemos conversar? – Passei por ela, entrando no apartamento. Ouvi o barulho da porta sendo fechada e ela finalmente voltou a me olhar.

- Por que você sumiu? – Inquiriu, com as mãos na cintura e cara de poucos amigos.

- Precisava de um tempo para colocar tudo da minha vida em ordem – Respondi – E estou aqui para acertar mais um ponto – Respirei fundo – Crys, tudo entre nós acabou. Bem, foi maravilhoso enquanto durou, você foi uma companhia incrível, tanto profissionalmente quanto...

- Na sua cama – Ela completou, sem se abalar.

- Mas decidi que quero ficar com Penny. Eu a amo, e não consigo mais viver longe dela e do meu filho. Também prometi que não a enganaria mais... por isso, acho melhor cortarmos relações de vez. Jhon entrará em contato com você para acertar suas contas – Ela assentiu, sem mudar nem um milímetro da sua feição – Esqueça que eu existo, me deixe ser feliz com Penny.

- Claro – Ela sorriu, mas fora um sorriso estranho.

Me aproximei dela, beijando sua bochecha antes de me preparar para sair.

- Você vai ficar bem?

- E por que não ficaria? Volte para a sua família, Michael – Assenti.

- Adeus, Crys – Murmurei, antes de abrir a porta.

- Até breve, Michael – Me respondeu ainda de costas. Assim que fechei a porta ouvi o barulho de algo de vidro sendo quebrado lá dentro.

Talvez eu tenha a feito sofrer, mas ela sabia desde o começo que não tínhamos um futuro. Isso era necessário para acabar de vez com o ciclo de mentiras que rodeava meu casamento com Penny.

(...)

Crys


Idiota! Maldito!

Agarrei o porta-retratos que estava com sua foto e arremessei-o na parede. Michael ia me pagar muito caro pelo que acabara de fazer aqui.

Eu aguentei-o durante anos, dei tudo de mim, amei-o silenciosamente, aguentei calada enquanto ele me escondia e mostrava a todos suas namoradas... eu ajudei-o muitas vezes nos negócios, fui sua companheira na cama e em todos os lugares possíveis. E o que maldição eu recebi em troca?

Fui chutada da sua vida como um cão sarnento assim que descobriu que ama sua esposinha. Pelo amor de Deus, o que aquela rata tem de melhor do que eu? NADA!

Não passa de uma moleca desgraçada, que ficou o adulando de todas as formas possíveis até deixa-lo cego. E tudo só piorou quando aquele bastardo nasceu. O que?! Se o problema era um moleque, eu daria um a ele, mas antes disso tenho de tirar aquela rata maldita da vida dele, e já sei muito bem como fazer isso.

Michael Jackson nunca conhecera o lado perverso de Crystina, mas infelizmente ele conseguiu trazê-lo à tona, e agora ele que lidasse com as consequências disso.

Enxuguei as lágrimas que molhavam meu rosto, agarrei meu celular e disquei os números.

- Crystina – O homem do outro lado me cumprimentou.

- Ei, Charles, tenho uma bomba pra você.

- Bomba? De quem?

- Michael Jackson, querido. E você sabe como esse nome vende, não é?

- Se sei, mas quero saber... que tipo de bomba, provas, você tem?

- Um vídeo com ele transando comigo enquanto estava casado com a queridinha de Hollywood, serve?

- Ohh Deus – Ele gritou – Isso é sério?

- Muito sério. Te encontro no café do Shopping central, daqui a trinta minutos. Leva o teu notebook, por que quero esse vídeo no seu blog no mesmo instante.

- Pode deixar – Disse entusiasmado.

Vesti uma saia curtíssima, uma blusa decotada, me maquiei e penteei meus cabelos, antes de sair coloquei dentro da bolsa a cópia do DVD bombástico e me encaminhei para o café.

Encontrei Charles sentado em uma das mesas, assim eu me viu ele levantou-se sorridente.

- Você está a cada dia mais bela.

- Obrigada, querido – Sorri, retribuindo seu abraço. – Aqui está, baixe o vídeo para o seu blog e faça a matéria – Entreguei-o o DVD.

- Pedi um cappuccino para você, beba, enquanto espera que eu acabe a matéria. – Assenti, bebericando meu café calmamente.

Observei-o digitar freneticamente em seu notebook e alguns minutos depois ele me entregou o DVD e virou o computador para que eu lesse a matéria.

“Michael Jackson trai sua esposa com a assessora” – Sorri ao ler cada linha da matéria.

- Muito bom, que se espalhe agora – Guardei o DVD em minha bolsa e me levantei para sair, mas Charles segurou meu braço.

- Por que decidiu fazer isso com ele? Sabe que vai ferrá-lo, não é?

- Estou pouco me lixando. Quanto aos meus motivos – Inclinei-me ara beijar sua bochecha – Está querendo saber demais, queridinho. – Até logo.

- Obrigado por isso – Assenti, saindo do lugar em seguida.

Pedi um táxi, e no caminho fiz alguns telefonemas para conseguir entrar onde eu queria. Não foi difícil, e nem senti tédio durante as três horas de viagem que tive de fazer, estava com tanto ódio que me sentia alimentada por ele, forte e destrutiva... e era hora de usar esse poder para acabar com um certo casamento.

- Tem certeza de que isso não irá me prejudicar? – A jovem nervosa perguntou, olhando para os lados.

- Claro que não, idiota. Tome – Lhe entreguei o montante de dinheiro – Traga Penélope até aqui e depois suma – Ela assentiu e saiu quase correndo.

Olhei presunçosamente para a enorme sala de TV. Essa sala deveria ser minha, essa casa inteira, o dono dele e o bastardo, todos deveriam ser meus.

Sou excepcionalmente esperta. Dei uma graninha pra uma empregada pobre coitada e ela consegui me colocar para dentro da casa sem que ninguém visse, e agora cá estou eu, na sala de TV, em Neverland, pronta para mostrar a Penny meu vídeo com o marido dela, e claro, contar a farsa que esse casamente sempre foi.

Coloquei o DVD no aparelho e sorri satisfeita ao ouvir os primeiros gemidos meus e de Michael assim que o vídeo começou a ser mostrado na enorme TV.

- Vista panorâmica – Ri.

- Mas o que significa isso? – Uma voz gritou da porta. Estava tão entretida com o vídeo que nem havia me dado conta de que a espectadora principal havia chegado.

- Penélope – Sorri, caminhando até ela – Tinha que lhe fazer uma visita de amiga – Segurei sua mão, enquanto ela me olhava em choque e se deixava levar por mim.

- Me solte, sua desgraçada – Ela puxou a mão – O que está fazendo na minha casa, como conseguiu entrar aqui?

- Muitas perguntas tolas. A única coisa que realmente importa é que estou aqui para ajudá-la – Sorri amplamente.

- Você enlouqueceu, foi isso? – Gritou – Saia já da minha casa.

Um grito de prazer fez com que ela e eu olhássemos para a TV, nesse momento Michael estava entre as minhas pernas, me chupando enquanto eu agarrava seus cabelos e gemia loucamente.

- Mas... mas, o que?! – Parou abruptamente. A pobrezinha ficou pálida e teve de sentar-se no sofá.

- Olhe a data do vídeo – Instrui, aproximando-me do seu ouvido, pela parte de trás do sofá – Você tinha acabado de voltar da sua lua de mel, certo? – Ela continuou calada, parecendo atordoada demais para dizer qualquer coisa. Seu rosto já estava banhado de lágrimas.

- I.. isso pode ter acontecido só uma vez – Conseguiu falar em meio aos soluços. Eu ri, gargalhei mesmo.

- Você sabe que não foi. E ainda tem mais, muito mais – Rodeei o sofá para ficar em sua frente. A garota parecia tão chocada e sem reação que pensei que teria uma síncope ali mesmo. Ela me encarou com seus grandes olhos de menina assustada e quase tive pena... quase. – Seu marido só se casou com você para salvar a carreira dele. Frank o instruiu a casar para reconstruir a imagem dele. Vai me dizer que ele não foi sempre extremamente preocupado com a imagem? – Os olhos dela derramaram ainda mais lágrimas, e seus ombros balançaram com os soluços, que não escapavam por que sua mão estava tampando sua boca – Ele te usou, me usou, agora está usando seu filho e essa imagem de família feliz...

- Meu Deus – Ela sussurrou.

- Mas o que significa isso? – Michael entrou na sala gritando. Ele olhou de mim para a mulher e para a TV, de olhos arregalados – O que você fez? – Ele caminhou em minha direção, me pegando pelos dois braços. Eu apenas sorri.

Atordoado ele me soltou e correu até Penny, abraçando-a.

- O que aconteceu aqui, meu amor? – A garota continuou estática, olhando para a TV e chorando. – Desligue isso, sua desgraçada – Ele gritou desesperado, apertando a esposinha contra o peito para que ela não visse.

- Eu contei a verdade para ela, Michael. Diga a sua esposa que sempre a traiu, que disse um milhão de vezes que não a amava nem nunca amaria, que assim que pudesse se livraria dela. Conte que esse casamento só serviu para alavancar sua carreira, assuma, seja homem – Ele soltou-a e caminhou em minha direção novamente.

- Saia da minha casa, sua desgraçada – Ele me puxou pelo braço, arrastando-me da sala. Dois seguranças apareceram – Levem essa mulher daqui e se deixarem ela entrar aqui novamente despeço todos.

Os homens me seguraram e continuaram a me arrastar.

- Isso não acaba aqui, Michael! – Gritei, antes de ser arrastada para fora da casa.

Por enquanto estava satisfeita... Esse casamento teria fim ainda hoje.


Capítulo 35

Penny


Eu estava destroçada. Absolutamente quebrada por dentro. Ouvir todas aquelas coisas, ver essas cenas nojentas do homem que eu amo, que sempre acreditei ser um príncipe... Foi a pior sensação da minha vida.

Eu entrei em choque, chorei... Mas agora passou, não restou nada, foi como se um furacão tivesse me devastado e dentro do meu coração só restara escombros, que dificilmente seriam reconstruídos. Me sentia fria e vazia.

Enquanto ainda ouvia os gritos de Crys lá fora e os passos de Michael se aproximando, me levantei calmamente, enxuguei as lágrimas e retirei o DVD do aparelho, colocando-o na mesinha.

- Penny – Michael sussurrou e se aproximou de mim, abraçando-me – O que aquela mulher fez, meu amor? Por favor, não deixe ela estragar o que temos, não deixe.

Eu nada disse, esperei até ele me soltar, olhei bem dentro dos seus olhos e meneei a cabeça.

- Acabou – Sentenciei. Michael arregalou os olhos.

- Não. Olha, amor, você está em choque...

- Chega, Michael – Cortei-o – Eu aguentei além do meu limite.

- Você não pode deixar se levar pelas coisas que aquela mulher falou – Disse, aparentemente irritado. Eu ri.

- Aquela mulher é sua amante, a mulher que dormiu com você diversas vezes enquanto você era casado comigo, a mulher com a qual você trocou confidências, a mulher que riu da minha cara junto com você... Tudo que ela disse foram só verdades, Michael. Ou vai negar? Vai me dizer que não era você entre as pernas dela naquele vídeo, um dia depois de voltarmos da nossa lua de mel. Vai me dizer que esse casamento tão repentino não foi mesmo só para alavancar sua carreia... Meu Deus, todos estavam certos. A Callie me avisou, a minha mãe me avisou... mas confiei em você, confiei no meu amor... – Levei as mãos à cabeça, desesperada para acordar daquele pesadelo.

- Eu... eu... – Ele suspirou e baixou a cabeça – O casamento foi para melhorar minha imagem, sim, e pretendia me divorciar de você, mas tudo mudou... eu me apaixonei por você... eu te amo, Penny.

- Eu não acredito no seu amor, desculpe – Comentei sem emoção – Não acredito em mais nada que venha de você. Está tudo acabado entre nós. Agora com licença – Como se nada tivesse acontecido, passei por ele e subi para meu quarto, ouvindo seus gritos e passos logo atrás de mim.

Abri o closet e tirei de lá algumas peças de roupa, jogando-as na cama. Peguei também uma pequena mala.

- Penny, você não pode fazer isso – Michael entrou no quarto, vinha em minha direção, mas parou assim que viu a mala. – Onde você vai?

- Vou embora com meu filho – Joguei as roupas dentro da mala e fechei-a, pronta para ir ao quarto de Prince e pegar meu filho.

- Não... você não pode ir assim e me deixar aqui sozinho. Me perdoa, Penny, acredita em tudo que eu te disse. Eu a amo, não consigo mais viver longe de você. – Ergui a cabeça, coloquei a mala sobre o ombro e antes de sair do quarto disse.

- Aprenda a viver – Saí do quarto batendo a porta.

Michael não me seguiu. Apenas quando desci com Prince, mais uma malinha, e a babá foi que o vi parado em frente a porta de saída.

- Para onde você vai com o Prince a essa hora? – Seus olhos estavam vermelhos e sua expressão cansada, mas isso não abalou minha decisão nem um pouco. – Fique em Neverland, eu saio.

- Não. Obrigado pela gentileza, mas faço questão de sair. Não se preocupe, amanhã mesmo mando lhe avisarem onde seu filho está, tenho plena convicção que tem direitos e jamais quero afastar meu filho do pai – Disse firme. Minha voz não fraquejou, eu não senti vontade de chorar... Nada, era tudo que eu sentia.

- Eu sei que devo ter ferido você muito profundamente, mas vou fazer o possível e o impossível pra ter você de volta – Encarou-me firmemente enquanto dizia. Ele inclinou-se para beijar Prince, que estava adormecido em meus braços e senti seu cheiro assim tão de perto encheu meus olhos de lágrimas.

O fim de alguma coisa já é bastante ruim, mas acabar um casamento no qual você apostou a vida inteira, com o homem que sempre amou, é desolador. E não sei de onde me vem tanta força agora... Talvez seja da raiva.

- Arrumarei um advogado ainda amanhã e peço para ele entrar em contato com você. – Ele assentiu rigidamente, os lábios contraídos em uma linha fina e os olhos cheios de lágrimas. Não me comoveu.

- Até logo, garotão, o papai te ama – Ele beijou o filho mais uma vez – Até logo, amor. - Não o respondi.

- Vamos, Camila – A moça assentiu e seguiu-me.

Eu não olhei para trás quando o carro cruzou os portões de Neverland. Eu havia deixado ali tantas coisas, boas principalmente, mas agora que ia embora de vez o que deixei em Neverland me faria falta, eu deixei ali meu coração.

Assim que consegui me acomodar em um hotel, depois de três horas cansativas de viagem, tudo que eu queria era dormir... simplesmente para não pensar em nada, em ninguém.
Olhei Prince deitado na minha cama... Eu não iria me abater, me entregar a tristeza. Sempre fui do tipo que extrai as melhores coisas das piores situações. O meu casamento acabou, mas nós temos um filho juntos, um elo que inevitavelmente nos liga para sempre e melhor presente que esse eu não poderia ter.

Tomei um banho rápido, vesti uma coisa leve e assim que deitei na cama meu celular tocou, pensei em não atender, mas quando vi se tratar de Callie decidi que era melhor não ignorar.

- Meu Deus, Penny, o que inferno está acontecendo? Que espécie de vídeo absurdo é esse que está em todos os sites? – Suspirei. É lógico que aquela mulher baixa espalharia isso para o mundo.

- Bem, é exatamente o que viu.

- E você me diz isso assim? – Gritou – Onde está o idiota do seu marido? É verdade todos esses absurdos que estão dizendo?

- Não vi o que estão dizendo, Callie, e o Michael provavelmente está em casa. Acabamos de nos separar. – Callie ficou em silêncio por alguns instantes, e isso só acontecia quando ela estava muito tensa.

- Meu Deus, sinto muito, Penny.

- Não sinta, eu estou bem.

- Uma porra que está. Te conheço muito bem, e quando se tranca assim é por que está maquiando seus reais sentimentos... Bem, não vou ter essa conversa pelo telefone. Me diga onde está e amanhã mesmo estarei aí.

- Você não pode, Callie, e a faculdade?

- Peço despensa de uma semana, se não entenderem meus motivos, danem-se! Primeiro minha amiga – Sorri.

- Você não existe... é por isso que amo tanto você.

- Eu também te amo, amiga. Me envie o endereço de onde está por mensagem, agora vá dormir, por que sei que no momento é disso que precisa.

- Até amanhã então.

- Até e dê um beijo em meu afilhado por mim.

- Pode deixar – Desliguei o celular e deitei-me, mas antes mesmo de conseguir fechar os olhos ele voltou a tocar.

Bufei frustrada e peguei-o, dessa vez era Daniel.

- Acabei de saber e ver o vídeo... Você deve estar na merda, pequena.

- Estou bem – Garanti. Eu não sabia distinguir de verdade como eu estava. Não me sentia bem, muito menos me sentia mal... era só estranho... vazio.

- Não minta para mim, Penny. Onde você está?

- Em um hotel, em Santa Bárbara, mas realmente não sei o nome, entrei no primeiro hotel que vi.

- Estou indo até aí.

- É melhor não, Daniel... estou muito cansada, e tudo que quero agora é uma noite de sono. Pode vir amanhã, pois preciso da sua ajuda para achar um lugar para me instalar.

- Me desculpe, é claro que quer ficar sozinha nesse momento – Ele suspirou pesadamente – Assim que precisar de mim amanhã me ligue e eu irei até você em 15 minutos.

- Pode deixar. Obrigado desde já.

- Fique em paz, pequena. Beijo.

- Beijo – Desliguei o telefone e finalmente deitei e dormi.

(...)

1 mês depois...

A palavra que tenho para resumir esse último mês é caos, eu vivi um verdadeiro inferno durante todo o mês, e por diversas coisas. A imprensa estava em meu pé, especulando e falando absurdos sobre o vídeo, soube por Daniel que no dia seguinte o vídeo foi retirado da rede, mas o escândalo rendeu para o mês inteiro. Achei que Crys faria um escarcéu, iria em todos os jornais e TV’s para difamar o Michael, mas ela simplesmente sumiu do mapa.

Com a ajuda de Daniel e Callie, que como prometera veio para o hotel onde estava na tarde seguinte a da minha separação, consegui alugar uma casa em Santa Bárbara mesmo, um tanto quanto afastada do centro. E como era um casa relativamente pequena e simples, não chamei a atenção de ninguém, e desde que me mudei, a cerca de 15 dias atrás, a imprensa não me descobriu.

Callie foi embora a uma semana atrás, e tive que impedir a doida mais de uma vez de ir até o Michael para ‘arrancar suas bolas’, como ela disse que faria. Daniel tem sido ímpar, sempre ao meu lado, me ajudou em tudo que precisei nesses dias, e esteve comigo diariamente. Sempre arrumava um tempo para fazermos algo, qualquer coisa boba que fosse, jogar cartas, cuidar do jardim, arrumar alguns móveis... Coisas que foram muito importantes para deixarem minha cabeça ocupada. Eu não queria pensar no que aconteceu, não queria pensar em Michael. O advogado havia entrado com a ação de divórcio e os papéis tiveram andamento. Talvez dentro de mais alguns dias Michael e eu estaríamos definitivamente separados.

A única vez que o vi desde que acontecera tudo, foi quando veio até o hotel para ver o filho. Porém fiz questão de mandar Camila e Prince para outro quarto, assim só o vi de relance, quando entrou para ver o filho. Nos falamos pelo telefone duas outras vezes, mas fui o mais rápida e objetiva possível.

Não queria saber dele, não queria vê-lo... Ainda me sentia estranha e vazia por dentro e isso era o que me mantinha forte... Mas não sei se caso eu o visse isso continuaria assim. Esse vazia poderia se converter em perdão ou em ódio, e eu não queria nenhum dos dois sentimentos.

- Senhora, o senhor Jackson está na sala, disse que deseja ver o filho – Parei o que estava fazendo e me virei para olhar para Camila.

- Ele deveria ter avisado que viria. O Prince está dormindo?

- Não senhora.

- Então pode leva-lo até o pai, Camila – A moça assentiu e saiu.

Fiquei em um maldito empasse desde o segundo em que Camila fechou a porta. Sei que disse e pensei a alguns minutos atrás que não queria vê-lo, mas droga... eu estava com saudades. Talvez eu descesse para cumprimenta-lo. Mas tinha medo, medo de não me controlar.

Respirei fundo e levantei da cadeira, o mundo a minha volta girou e tive que voltar a sentar rapidamente. Isso já acontecera uma secessão de vezes nesse mês, e não era um bom sinal... Descartei a possibilidade louca de estar grávida novamente. Era só estresse!

Depois de muito divagar, decidi ser madura e descer para cumprimenta-lo, afinal não poderia ignorá-lo para sempre.

Assim que desci as escadas o vi sentado no chão com Prince, brincavam entretido em meio a um mundo de brinquedos.

- Atrapalho? – Perguntei.

Michael imediatamente parou o que fazia e me olhou. Seu olhar fora tão intenso que minhas pernas fraquejaram minimamente e meu coração acelerou.

- Penny – Sorrindo, ele levantou-se – Pensei que não viria até aqui – Ele me olhou da cabeça aos pés, fixando o olhar em meus lábios por alguns segundos – Como você está?

- Bem – Fui educada, porém fria.

- A ca... a casa é muito bonita – Elogiou, parecendo constrangido e desconfortável.

Prince levantou-se, agarrando-se nas perna de Michael.

- Papa – Gritou, exigindo sua atenção. Michael pegou-o no colo.

- Obrigado. Você está bem?

- Não – Disse firme. – Eu não poderei ficar bem nunca, se você e meu filho não estiverem do meu lado. – Eu suspirei e desviei meu olhar. – Cancele esse pedido de divórcio, Penny – Ele segurou minha mão e não consegui me livrar do seu toque – Se é um tempo que quer eu te dou, e respeitarei ele, mas não se separe definitivamente de mim... Tente, pelo menos tente me perdoar... e nunca duvide do amor que sinto por você... Eu tenho me sentido morto sem você.

- Pare com isso – Consegui fugir do seu olhar e do seu toque – Fique com o Prince o tempo que quiser, eu tenho que sair.

- Penny – Ouvi-o gritar, mas eu já havia atravessado a porta.

Entrei no meu carro e saí dali depressa, precisava de ar... e o mais importante, precisava ficar longe de Michael. Cheguei à conclusão que nunca conseguiria odiá-lo, então o perdão sempre estaria mais próximo do que qualquer outro sentimento, por isso deveria me manter longe.

Parei em uma pracinha e antes de descer do carro abri o porta-luvas para tirar dali meu óculos e um boné, não dava pra sair assim de cara limpa. Uma embalagem de absorvente caiu assim que abri o compartimento e como se uma luzinha tivesse clareado minha mente eu me lembrei.

- Não menstruei esse mês – Levei minhas mãos a boca, abafando um grito de horror.

Não poderia ser, não poderia!

Mas era só juntar dois mais dois. Eu tive tonturas durante o mês, meu apetite desapareceu, cheguei a enjoar dois dias, e minhas menstruação não veio... Exatamente os mesmos sintomas que tive no início da gravidez de Prince.

Deus, não! Em meio a todo esse caos uma criança só iria sofrer.

Desesperada, voltei a dirigir parando na primeira farmácia que encontrei, pedi um teste de gravidez e pedi a simpática atendente que me cedesse seu banheiro.

Os 5 minutos pareceram uma eternidade, mas quando peguei a paleta do teste, pintada com 2 listras rosa, quase cai para trás.

- Eu estou grávida – Espessas lágrimas desceram por meu rosto, enquanto um enorme sorriso se abria.



Capítulo 36

Penny


Eu saí da farmácia completamente aturdida. Não sabia ao certo distinguir como me sentia... O que já estava se tornando habitual para mim. Um lado meu festejava essa gravidez, afinal uma criança é sempre uma benção, mas por outro lado como farei para conciliar tudo?

Eu estou me separando do pai dessa criança, nosso nome está envolvido em um enorme escândalo e eu estou me escondendo da imprensa. Sem falar que o Prince mal completou um ano, precisa ainda de muita atenção... Eu tenho que voltar a trabalhar... Como, por Deus, vou dar conta de tudo isso completamente sozinha? Bem, nem tão sozinha assim, eu tenho Callie e Daniel, mas os dois tem suas vidas, não podem orbitar ao meu redor.

Havia um lado meu, cada vez mais forte, que pedia que eu desse uma chance a Daniel, que ele fora maravilhoso desde que voltara a minha vida... Mas não sei se devo dar esperanças a ele. Não sei se ainda vejo Daniel como mais que um amigo.

Mas eu tinha coisas muito mais complexas para me preocupar agora. Eu teria de contar ao Michael sobre a gravidez, e teria de ser imediatamente. Não faço a mínima ideia de como será sua reação, já que com Prince ele passou meses me evitando depois que contei.

Isso é o pior que pode acontecer, ele me evitar... E quanto a isso é o de menos, já que o que menos desejo no momento é ele em meu pé.

Estacionei em frente à casa, vejo que Michael ainda continua lá pois sua SUV e dois dos seus seguranças estão por perto. Antes de descer tomei uma grande lufada de ar. Precisava de coragem e calma.

Assim que adentrei em casa, vi Michael sentado no sofá. Ele segurava Prince em seus braços enquanto cantava uma música que até então nunca ouvira.

“You’re my daytime, my nightime, my word
You’re are my life...” – Cantarolou.

Meus olhos encheram-se de lágrimas, e por um minuto eu esqueci de tudo. Da traição, das mentiras... Era só o meu Michael ali novamente, o homem talentoso, encantador, doce, cavalheiro... o homem que sempre amei.

Não havia por que me por nervosa, Michael era um pai maravilhoso e por mais que estranhasse a notícia, como fizera quando contei na gravidez anterior, logo estaria apaixonado pelo filho e seria tão bom pai quanto é para Prince.

Enxuguei as lágrimas e sorri, me sentindo muito mais forte.

- Ele dormiu? – Perguntei, para que ele me notasse. Michael se sobressaltou, fitando-me ansiosamente.

- Sim – Ele se levantou para acomodar Prince em seu carrinho e caminhou até mim – Penny, quero pedir que me perdoe por ter feito você sair de sua casa assim correndo. É que estou ficando maluco com essa separação e não sei mais o que fazer para que me perdoe...

- Shhh – Silenciei-o – Eu tenho uma notícia para te dar – Minhas pernas tremeram, mas me mantive firme.

- Bem, espero que não seja ruim – Ele riu desanimado – Do jeito que as coisas andam.

- Eu estou grávida – Soltei, sem rodeios nenhum. Se enrolasse era bem capaz de perder a coragem de falar.

- O que? – Perguntou, ficando mais pálido do que de costume.

- Eu soube agora, acabei de fazer o teste de farmácia. Olha, não pense que foi planejado, eu não podia nem sonhar que estava grávida e uma criança em meio a esse caos era a última coisa que eu pleneja...

- Meu Deus, Penny – Sem que eu esperasse ele saiu do seu estado de choque e me abraçou, erguendo-me do chão. Dei um pequeno gritinho de surpresa – Estou tão feliz.

- Está?

- Mas é claro – Ele me colocou no chão e segurou minhas mãos, fitando-me – É mais um fruto do nosso amor... Não vê que essa criança surgiu para nos unir novamente? – Seus olhos brilhavam e ele sorria, mas eu não! Puxei minhas mãos das suas.

- Nada disso, Michael. Essa criança não muda nada.

- Como não muda? Ela muda tudo!

- Não, claro que não! Eu não vou adiar o divórcio, tudo vai seguir seu curso. Claro que essa criança será tão amada por nós quanto Prince, mas é só. Você continuará em sua casa e eu na minha.

- Mas, Penny... eu pensei que... – Ele suspirou derrotado.

- Pensou errado. Eu fico muito feliz que tenha gostado da notícia, pois também estou. Agora se me der licença, preciso descansar um pouco.

- Claro – Disse em um fio de voz.

Apesar da notícia maravilhosa e do rompante de alegria, Michael agora parecia ainda mais triste e abatido do que quando entrara aqui. Bem, eu me senti mal por isso, mas estava fazendo o que achava melhor.

Ele caminhou até onde Prince estava e abaixou-se para lhe dar um beijo. Voltou até mim.

- Você está precisando de alguma coisa... digo, financeiramente?

- Não, estou bem, obrigado. – Ele assentiu.

- Posso? – Perguntou apontando para a minha barriga. Assenti hesitante. Ele ajoelhou-se a minha frente e depositou um demorado beijo em minha barriga. Todo meu corpo se arrepiou e tive vontade de gemer. – Eu não estou desistindo, Penny, estou te dando o tempo eu precisa e merece... Mas não desistirei nunca.

Ele levantou-se, pegou seu chapéu e saiu.

Eu caí sobre o sofá, ainda embriagada nas sensações que ele me causava... E que eu teria de aprender a viver sem.

(...)

No dia seguinte liguei para Callie e lhe contei a novidade, ela gritou em meu ouvido por alguns segundos, logo depois chorou e riu feito uma doida. Acabou a conversa dizendo que estava muito feliz e que ia poupar Michael e suas bolas por conta da reação que ele teve quando contei sobre a gravidez.

- Senhora, o senhor Daniel está na sala.

- Obrigada, Camila – Ela assentiu e se retirou.

Desci e encontrei Daniel sentado no sofá.

- Ei, seu bon-vivant , não tem mais o que fazer da vida não? – Ele riu, levantando-se para me abraçar.

- O que posso fazer se não consigo passar mais do que dois dias sem vê-la. Como está?

- Em uma confusão, como sempre. – Sentei-me ao seu lado, segurando firme sua mão.

- Nem me impressiono mais.

- Mas irá se impressionar com o que lhe direi agora. – Me pus séria – Estou grávida.

- Puta que pariu - Disse boquiaberto – E o babaca já sabe?

- Contei ontem – Suspirei profundamente ao lembrar-me da sua reação.

- Ele recebeu bem a novidade?

- Melhor do que eu esperava.

- Então acho que minha missão por aqui acabou, não é? – Franzi o cenho.

- Não entendi, Daniel.

- Pequena, você sabe que ainda te amo, que sempre amei, e que todo esse tempo em que estive te rodeando é por que estou louco por uma chance, uma fresta que seja, para que voltássemos a ser um casal. Mas diante disso, dessa gravidez, acho que perco de vez tudo que conquistei e dou lugar novamente ao pai do seu filho. Voltará para ele, não é?

- Cla...claro que não – Me apressei em dizer – Nada mudou, Daniel. E não quero que você vá embora, tem sido muito importante para mim – Nos olhamos e de repente o clima mudou.

- Penny, eu amo tanto você... Só Deus sabe o esforço que tenho feito para me manter como seu amigo, para não avançar nenhum sinal – Seu rosto se aproximou lentamente do meu e eu não recuei, fechei os olhos e esperei – Dê uma nova chance a nós dois – Seu hálito soprou contra meus lábios, em seguida estávamos nos beijando. E tudo no beijo de Daniel ainda era como eu me lembrava, carinhoso, intenso, forte, desejoso... Mas não havia ali mais paixão... Eu me sentia errada, suja, por estar me permitindo ser beijada por outro homem.

Não havia jeito de eu ser de outro que não fosse Michael. Tudo em mim pertencia a ele, e por mais que eu lutasse para provar a mim mesma que não era assim, a luta era inútil. Talvez com o tempo eu me acostumasse e abrisse meu coração novamente, mas tudo estava muito recente e simplesmente não dava.

Afastei Daniel.

- Sinto muito, Daniel, mas não posso – Me levantei do sofá – Eu amo você, mas como um amigo muito querido.

- Porra – Ele fez uma careta – Isso é pior do que eu pensava.

- Sinto muito mesmo.

- Não é sua culpa – Ele levantou-se, e sorriu – Sei que ainda o ama, e mesmo amando-a e desejando que aquele babaca se foda, espero que o perdoe algum dia, por que acho que é com ele que está a sua felicidade – Ele se aproximou e beijou minha testa – Dê um beijo no moleque por mim, e me ligue se precisar de qualquer coisa. Só não estranhe se eu sumir por uns dias, preciso digerir essa merda toda – Assenti, sentindo um enorme nó formar-se em minha garganta – Se cuida, pequena.

- Você também, Daniel – Consegui dizer.

Ele pegou sua jaqueta e seu capacete e saiu sem olhar para trás.

Assim que a porta bateu eu desatei a chorar... Eu sou uma completa idiota, acabo de mandar embora o único homem que estivera ao meu lado em um momento tão difícil. Que foi compreensivo, carinhoso, amoroso até... e eu acabei com qualquer chance de mantê-lo em minha vida.

(...)

Michael


Sabe quando você está tão pra baixo que absolutamente nada te faz querer sorrir ou chorar?

Viver longe de Penny está sendo um martírio, que eu tenho que amargar todos os dias. Simplesmente não consigo mais dormir no mesmo quarto, por que seu cheiro parece pairar no lugar. Não consigo comer na mesa, por que me lembro das suas risadas enquanto alimentava Prince e conversava sobre seu dia comigo. Não consigo ir ao estúdio, por que me lembro do seu sorriso de admiração enquanto me observava criar... Eu não consigo fazer absolutamente nada. E ainda tenho que lidar com escarcéu que a mídia fez depois da liberação daquele maldito vídeo. Consegui que o retirassem da rede poucos minutos depois da liberação, mas o assunto rende até hoje... E quer saber, isso é o que me nos me importa agora. Quero que a mídia e minha imagem se danem!

Eu procurei pela desgraçada da Crys por vários dias depois do que fez, mas ela simplesmente sumiu do mapa. Ninguém sabe para onde foi. Ela não pegou voo em Los Angeles e não usou o carro par fugir. Melhor que sumisse mesmo, depois do estrago que fez não tinha muito o que pudesse fazer com ela, a não ser processá-la, o que a não a puniria por ter acabado com a minha vida, por que foi isso que ela fez. Se Penny não voltar para mim, não sei o que fazer.

Tudo que eu quero de volta é a minha família, a que fiz a idiotice de destruir, mas não desistirei deles, nunca. Ainda mais agora que sei que Penny carrega mais um filho nosso. Deus, quase não acreditei quando ela me contou. Minha vontade foi de abraça-lo e beijá-la por horas, mas infelizmente não pude fazer nada disso.

Eu me sinto tão incapaz, como se tudo estivesse escapando de minhas mãos... Minha mulher, meus filhos, minha felicidade. E é difícil para um homem ferido lutar. Só que eu sou duro na queda e não pretendo desistir. Eu vou amolecer o coração de Penny e tudo voltará a ser como antes. Não, tudo será muito melhor do que antes.


Capítulo 37 (Penúltimo capítulo)

Penny


4 meses depois...

Finalmente as coisas começaram a entrar nos eixos e minha vida se normalizou. Prince crescia forte e saudável, assim como sua irmãzinha na minha barriga – Sim, era uma menina! – Arrumei uma casa mais espaçosa, e também mais perto de Neverland, afinal não queria dificultar o contato de Michael com o filho. A mídia perdeu o interesse no assunto do vídeo, e a minha separação com Michael estava para ser assinada a qualquer momento. E até o momento não descobriram da minha gravidez. Minha barriga não é grande e quando saio uso roupas folgadas que disfarçam bem.

Bem, ele me disse um milhão de vez que não assinaria, mas estava decidida a convencê-lo. Se eu deixei de amá-lo? Claro que não. Se não pensei em desistir do divórcio? Milhares de vezes. Só que a cena daquele vídeo e as palavras de Crys sempre surgiam em minha mente e me faziam seguir em frente.

Daniel tem falado comigo pelo telefone frequentemente, mas saiu em turnê a quase 3 meses e desde então não o vejo. Callie e eu também nos comunicamos por telefone, ela está prestes a terminar o último semestre da faculdade e disse que viria passar um período comigo logo depois de sua formatura.

Michael... Bem, Michael tem sido um pai mais que presente. Quase todos os dias está aqui em casa, na maior parte das vezes durante a noite. Conversamos muito pouco, falamos do bebê e de Prince, e sempre que tenta avançar para outro assunto, eu o corto. Ele tem sido paciente, gentil e atencioso. Sempre traz flores, chocolates ou algum mimo para Prince... Não o vi reclamar mais da carreira, achei que o escândalo fosse afetar sua imagem, mas pelo que vi nos jornais depois ele ficou com fama de garanhão, pelo menos para algumas pessoas.

No fundo a imagem dele sempre veio em primeiro lugar, então esse vídeo lhe veio a calhar.

Sua presença mexe comigo mais do que eu possa admitir a mim mesma, por isso o evito o máximo que posso. Sei dos meus limites e resistência e sei que sou incapaz de lhe negar perdão por muito tempo. Sinto tanta falta dos seus abraços, beijos, das nossas conversas, das nossas risadas... das nossas noites de amor.

(...)

Mais uma noite insone... Já estava começando a me acostumar com elas. Ainda mais agora que a bebê começou a se mexer e adora fazer isso durante a noite.

Caminhei silenciosamente pela casa, desci até a cozinha e me servi de um copo de leite e uma generosa fatia de torta de chocolate. Se o Michael me visse fazer uma coisa dessas me trancaria em um quarto e só me permitiria comer verduras e frutas. Ele era um pouco paranoico com alimentação, e depois que se acostumou com a gravidez de Prince, pegava no meu pé toda vez que eu enfiava o pé na jaca. – Sorri ao me lembrar.

Bem que eu queria seus resmungos agora. Tudo era melhor do que esse silencio e essa solidão.
Bebi o resto do leite e joguei tudo sujo na pia, se eu ficasse remoendo o passado ali seria bem pior.

Antes de voltar para o quarto, passei no de Prince para lhe dar mais um beijo. Ao chegar novamente no meu silencioso, frio e solitário quarto vi que uma chuva fininha caia lá fora. Fui até a janela para fechá-la, mas vi que havia alguém parado lá em baixo, no meio da chuva.

Mas quem seria o louco que estava nessa chuva e nesse frio a essa hora da madrugada?

Estreitei os olhos para enxergar na penumbra e quase cai para trás quando vi quem era.

- Michael? – Chamei. Ele não me notou observando.

Desci as escadas novamente, pegando um guarda-chuva pelo caminho e saí.

- O que está fazendo aqui? – Perguntei um pouco mais alto. A chuva agora caia forte – Você vai morrer de frio.

Ele me encarou e vi a dor em seus olhos. Ele estava ensopado, tremendo e com os lábios roxos.

- Desculpe, não queria que me visse. Só não conseguia dormir e decidi vir até aqui.

- Pelo amor de Deus, Michael. Você enlouqueceu? Venha – Puxei-o para dentro da casa, quase o arrastando até estarmos abrigados da torrente que caia agora. – O que aconteceu?

- Aconteceu o de sempre – Deu de ombros – Por um caso você acha que estou de brincadeira, Penny. Que todas as vezes que digo que estou sofrendo feito um condenado é por que quero sua pena? – Seu tom de voz estava irritado.

Acho que depois de todos esses meses eu não havia realmente olhado para o Michael. Estava imersa demais em magoa para isso. Mas agora, olhando assim tão de perto, pude ver o quão abatido estava.

- Eu... eu... eu só.

- Faz horas que estou ali fora pensando em tudo que aconteceu durante todos esses meses. Entendi sua mágoa, tive toda paciência do mundo com você, pedi perdão um milhão de vezes, mas você nem sequer considerou que eu estivesse sendo sincero, que realmente eu estava sofrendo. Eu sei o tamanho do meu erro, sei que devo colher o que plantei, mas já chega! Se é o divórcio que quer, eu darei. Eu sei que lutei de todas as formas que pude, mas realmente parece ser o que você quer, por mais que me doa... Eu vou deixa-la em paz. – Ele suspirou – Foi isso que vim fazer aqui. Só não tive coragem durante toda a noite. Mas uma vez me perdoe por tudo. Pode mandar seu advogado me procurar amanhã – Ele deu as costas e rumou para a porta.

Eu sabia que agora seria definitivo, se eu o deixasse ir seria para sempre. Meu coração doeu com essa possibilidade... Eu não poderia deixar isso acontecer.

- Michael! – Chamei e ele se virou. – Não vá embora, meu amor – Corri até ele, agarrando a gola do seu casaco molhado e puxando-o para um beijo.

No primeiro momento ele pareceu tão em choque que nem retribuiu o beijo, coisa que mudou em dois segundos. Suas mãos me seguraram com firmeza, enquanto seus lábios moldavam os meus com um fome impressionante.

Descartei seu casaco molhado, enquanto ele tirava minha camisola. Ele me ergueu, fazendo-me enlaçar as pernas em sua cintura. Enquanto subia as escadas, e passava pelo corredor que levava ao meu quarto, não desgrudamos nossos lábios, nossas mãos urgentes tocavam um ao outro com necessidade.

Pensei que nem fôssemos chegar até o quarto, tamanha a necessidade que sentíamos.

Quando finalmente estávamos dentro do meu quarto, Michael encostou-me na porta e rapidamente livrou-me do sutiã, levando sus lábios ávidos até eles. Ele demorou-se ali, lambendo, sugando, mordiscando. A essa altura eu já gemia enlouquecida.

Michael desceu-me do seu colo para me livrar da calcinha, aproveitei para livra-lo da calça e cueca. E vê-lo novamente n diante de mim, foi a visão do paraíso. Estava prestes a cair de joelhos para tê-lo em minha boca... sentia desejo disso, chegava a salivar de vontade. Mas ele impediu-me.

- Não ia aguentar um minuto se fizesse isso – Sussurrou, prendendo um montante dos meus cabelos e fazendo minha cabeça inclinar ligeiramente para trás. Ele me beijou novamente, com tanto desejo e paixão que tudo em mim pulsou.

Ergui minha perna, friccionando meu sexo molhado no seu duro e teso.

- O quero dentro de mim... por favor – Implorei, esfregando-me nele.

Ele voltou a me erguer, encaixando a intimidade do seu intimidade em minha entrada.

- Está desconfortável assim? – Perguntou ofegante.

Bem, eu deveria estar, já que estou grávida 5 meses e a barriga já é bem proeminente, mas sinceramente? Nem me lembrava da barriga a essas alturas.

- Só enterre-se em mim... é tudo que quero – Remexi-me e ele finalmente me estocou, alcançando-me fundo. Meus olhos giraram e pendi a cabeça contra a porta. - Ohh, Deus, isso é tão bom – Gemi, enterrando minhas unhas em sua pele branca.

- Senti tanta saudades – Sussurrou contra a pele do meu pescoço, mordendo-o.

- Mais forte – Pedi.

Michael atendeu-me, enterrando-se em mim mais uma vez, logo depois se retirando para voltar com força total novamente, em seguida ele girava os quadris e arremetia com rapidez. Uma imitação perfeita do gingado dos seus quadris no palco. Ele repetiu os movimentos incontáveis vezes, até que me ver perdida em sensações.

Eu gritei, louca de tesão.

A porta atrás de nós começou a fazer um barulho de Bang bang bang a cada estocada, isso somado ao barulho dos nossos quadris impactando e nossos gritos e gemidos estava me levando a loucura.

- Goze, meu amor... – Michael mordeu-me mais uma vez e não foi preciso mais que isso para que eu me desfizesse em um êxtase enlouquecedor.

Estava tão submersa em meu desejo que só notei que Michael também estava gozando quando ele apertou minhas coxas com força – O que sem sombra de dúvidas deixaria marcas – Encarei-o, encantada enquanto sua boca formava um perfeito ‘O’ e ele se perdia em seu clímax.

Alguns segundos depois Michael me levou para a cama, deitando-se e me puxando para me aninhar em seu peito. Ficamos em completo silêncio enquanto nossas respirações normalizavam.

- Posso acreditar em uma nova chance? – Perguntou hesitante, enquanto seus dedos passeavam tranquilamente em minhas costas.

- A última delas, Michael. – Ele me apertou.

- Não vou decepcioná-la, eu prometo – Assenti, erguendo-me do seu peito para beijá-lo. – Eu amo você.

- Eu também te amo – Nós sorrimos um para o outro.

E não havia mais passado, nem mágoa, nem dor... o amor tem o poder de curar tudo. É claro que iremos com calma, mas tenho certeza que a separação serviu para nos deixar fortes e ainda mais unidos...

Apesar da noite perfeita e de estar nos braços do meu amado meu sono não foi tranquilo, eu sonhei com uma estrada, um carro, depois gritos, choro... e... um acidente terrível.

(...)

Havia se passado dois meses desde que Michael e eu reatamos. Eu e Prince voltamos para Neverland, minha barriga cresceu ainda mais. E infelizmente a imprensa nos flagrou saindo de uma clínica obstétrica na semana passada, eles juntaram as peças e agora voltamos a estampar todas as capas de revistas, tabloides e afins. “O casal encantado reata o casamento e um novo herdeiro vem por aí” – Essa foi uma das matérias que li e o título me fez sorrir, as desagradáveis nem me interessam.

- Bom dia, amor! – Michael sussurrou em meu ouvido, abraçando-me por trás e me dando um demorado beijo no pescoço.

- Bom dia, querido!

- Vai sair?

- Preciso ir até a casa antiga, ainda há uns livros que tenho que pegar antes que vendam a casa.

- Poderia deixar isso a cargo de um dos seguranças ou um funcionário.

- Faço questão de ir, sabe que tenho ciúmes dos meus livros – Virei-me, enlaçando seu pescoço – Cuide de Prince, eu não demoro – Ele assentiu meio hesitante. Afagou minha barriga e me deu mais um beijo.

- Leve um segurança.

- Michael, a casa é a 30 minutos daqui – Revirei os olhos.

- Por favor – Pediu, parecendo aflito.

- Tudo bem – Disse para tranquilizá-lo. – Agora tenho que ir – Beijei-o mais uma vez e saí porta a fora.

O dia estava chuvoso, frio... pensei em voltar assim que pus meus pés fora de casa, mas realmente precisava ir até a antiga casa.

Não encontrei nenhum dos seguranças pelo caminho e para não demorar, decidi ir sozinha mesmo. Voltaria rapidinho.

O carro trafegava tranquilamente pela estrada deserta, até que vi um carro preto seguindo-me. Talvez fosse o segurança, Michael adorava mandar me seguir... Ou até alguém da imprensa. Relaxei, continuando meu trajeto.

O carro ganhou velocidade e bateu de raspão na traseira do meu.

- Ei! – Gritei. Mas o motorista não reduziu a velocidade. O carro emparelhou com o meu e o motorista baixou a janela. – Crystina?! – Olhei freneticamente para ambos os lados da estrada. Dos dois lados tudo que havia eram barrancos. Me desesperei.

- Diga adeus a sua vidinha medíocre, ratinha – Ela sorriu, e bateu na lateral do meu carro com força, os pneus derraparam, mas consegui segurar o carro.

- Pare com isso, Crystina – Gritei, as lágrimas molharam meu rosto. Estava desesperada.

- Não adianta – Ela gargalhou – Você não irá ficar com tudo que deveria ser meu... Não vou deixar que coloque mais um bastardo no mundo – Parei de prestar atenção na sua conversa maluca e me concentrei na estrada, ganhando velocidade para me livrar do seu carro.

Ela conseguiu emparelhar novamente e depois disso tudo foi muito rápido... Meu carro derrapou para um lado e o dela para o outro e ambos caíram nos barrancos. Foram gritos, dor... muita dor... depois a escuridão.

Capítulo 38

Michael


Um mês se passara desde a minha volta com Penny, e sinceramente ainda não consigo acreditar. Naquele dia em que fui até a sua casa tive certeza absoluta de que não reataríamos mais, que era realmente o fim. E acreditem, me doeu mais que tudo nessa vida chegar a essa conclusão. Mas Penny fez o que achei que nunca mais faria, me pediu pra ficar, e agora aqui estamos, unidos novamente como a família linda e cheia de amor que somos, e ainda prestes a ganhar mais um anjinho.

Eu não poderia estar mais feliz, pleno... Essa é uma ótima palavra pra me definir no momento.

- Javon – Chamei o segurança e ele veio caminhando apressadamente em minha direção.

- Sim, senhor Jackson?

- Qual dos seguranças foi com Penny até a antiga casa dela? – Javon franziu o cenho.

- Nenhum de nós, senhor. Ela não nos contatou. – Suspirei profundamente. 

Penny era teimosa, já lhe disse milhares de vezes para não sair sozinha, ainda mais em dia assim chuvoso, e ainda por cima estando grávida.

Eu pedira a ela pra não fazer isso, especialmente hoje que algo sobre ela sair sozinha me incomodava. Não sei explicar, era um sentimento agoniante. Talvez o excesso de felicidade tenha começado a me deixar paranoico, pensando que algo possa acontecer para interromper isso.

- Mulher teimosa – Rugi – Prepare o carro, iremos atrás dela.

- Sim, senhor – O homem assentiu e saiu rumo a garagem.

Pouquíssimos minutos depois estávamos a caminho da casa. Estava estranhamente nervoso, e extremamente ansioso pra chegar até lá.

Quando já estávamos próximo da casa, notei uma movimentação estranha perto de uma bifurcação da estrada, onde havia dois barrancos bem perigosos. Lá estavam uma dúzia de curiosos, três carros da polícia, corpo de bombeiros e três ambulâncias.

Meu sangue gelou e por um instante tudo em minha frente ficou turvo.

- Senhor Jackson, houve um acidente mais a frente, por isso estamos estacionando. – Javon disse – Permaneça no carro e já estaremos seguindo em frente.

Nós não vamos seguir em frente! Algo parecia gritar isso em minha cabeça.

Antes mesmo que eu me desse conta, ou me preocupasse que alguém me reconheceria, eu desci do carro, minhas pernas pesavam toneladas, por isso tive que praticamente me arrastar até onde Javon e um policial conversavam.

- Ainda não chegamos até os feridos, mas sabemos se tratar de duas mulheres, em carros distintos... – Eu me recostei em um carro, incapaz de dar mais um passo.

- Pode me dizer a cor dos carros envolvidos no acidente? – Javon sussurrou apreensivo.

- Um carro era negro e o outro vermelho.

- Não – Sussurrei. Espessas lágrimas molharam meu rosto e uma dor forte assolou meu coração.

- Há possibilidade de uma das vítimas ser a... – Javon inspirou profundamente antes de continuar – A senhora Jackson...

- Não! – Dessa vez eu gritei, chamando a atenção de todos que estavam ali.

- Senhor Jackson – Javon correu em minha direção – Pedi que ficasse no carro...

- Policial, a vítima do carro preto está grávida. – Um homem aproximou-se, gritando.

- Nãoooo, não pode ser ela – Me soltei de Javon e corri até o homem – Por favor me diga que não é ela – Implorei, agarrando a sua camisa. O homem me olhava de olhos arregalados.

Deus, isso não poderia ser verdade. Eu não aguentaria perder Penny e nossa filha.

- Achamos os documentos das vítimas – Outro homem aproximou-se – No carro preto estava Crystina Themme Lancaster, no carro vermelho estava Penélope Ortega Jackson.

- Ela está viva? – Gritei, desesperado – Me diga.

- Ela foi levada para o hospital mais próximo, senhor – Foi tudo o que o homem me disse.

Tudo naquele momento pareceu sumir para mim, as pessoas, a paisagem, até a chuva fina que caia parecia um ilusão do meu cérebro... Eu não estava vivendo aquilo. Não passava de um maldito pesadelo, do qual eu acordaria muito em breve. Então descobriria que nada disso aconteceu, que eu não perdi minha mulher e minha filha, que eu nem sequer estive nessa estrada, que essa dor no meu peito não é de verdade...

- Senhor, Jackson – Alguém chamou-me, mas tudo parecia longe demais, irreal demais – Vamos acompanhar a ambulância, venha – Eu me senti caminhar e ser acomodado em algum lugar macio e quente. – O senhor está bem? – Alguém perguntou, eu apenas assenti. 

É claro que me sentia bem, isso tudo só era um pesadelo.

Se passaram minutos, horas, dias... Não sei precisar... Quando o cheiro característico de hospital entrou em minhas narinas, meu estado de choque e torpor se foi. Não era um sonho.

- Penny... – Sussurrei, caindo de joelhos em meio a recepção do hospital.


“- Ei, amor, agora é para sempre, certo? – Seu sorriso angelical iluminou seu rosto.
- Até ficarmos velhinhos... Muito, muito velhinhos, e um de nós morrer.
- Não quero nem pensar nessa palavra – Ela fez uma careta adorável – É estranho a forma que me sinto, como se viver dependesse que você também estivesse vivo... É como se meu coração tivesse se atrelado ao seu e...
- ... Batesse em um único ritmo. E sem seus batimentos, os meus também não existiriam. – Seus olhos negros e esperto encheram-se de lágrimas.
- Exatamente... Como sabia?
- Por que me sinto da mesma forma – Inclinei-me para beijar seus lábios rosados – O caminho até aqui foi difícil, não?
- Muito – Bufou adoravelmente – Foram incontáveis pedras nas quais tropecei, divisões que me deixaram confusa e sem saber qual caminho escolher... – Ela sorriu – Mas também houve sombra para eu descansar, lagos para me refrescar e apesar de tudo nunca faltou uma coisa.
- O que?
- Amor... Eu nunca achei que o caminho que escolhi me levaria a outra direção, por que eu era guiada pelo amor e ele pode tardar, te fazer sofrer, penas, mas ele não falha... o caminho que escolhi tinha que me levar até você.
Incapaz de me manter um segundo a mais sequer longe dos seus lábios, inclinei-me para beijá-la com todo amor que sinto por essa mulher”


Quando voltei à tona das minhas lembranças, estava sentado em uma cama.

- Penny – Sussurrei, pronto para me levantar e ir atrás dela, mas duas mãos firmes me detiveram. Ao olhar para o lado vi minha mãe.

- Graças a Deus sua mulher e sua filha estão salvas, querido – Mamãe me abraçou e deixei-me chorar em seus braços como uma criancinha.


Epílogo – Narradora -

5 anos depois...


Callie segurou a mão do seu namorado, noivo, quase marido. Completamente indignada. Estava se achando extremamente gorda naquele vestido azul, de mangas bufantes de saia rodada. Essa foi a ideia mais ridícula que Penélope Ortega já teve. Onde já se viu, fazer a madrinha e o padrinho de Paris também irem a festa de aniversário da menina vestidos como personagens da Disney. Ora essa, estava grávida de 6 meses, sentia-se uma orca e ainda era submetida a isso. Para conformar-se, disse a si mesma que só fazia aquilo por causa da amada afilhada Paris.

Depois daquele trágico acidente, onde Crys morreu e Penny e Paris quase vão para o mesmo caminho, Callie prometeu que se visse sua amiga e sua afilhada bem nunca negaria nada a elas.

- Já disse que você está linda, amor – Daniel sussurrou em seu ouvido, beijando-a castamente.

- Você só está querendo me agradar – Empurrou-o.

- Sabe que não é verdade, minha Branca de neve – Callie revirou os olhos.

- Você não tem nada de Príncipe encantado – Disse divertida. Olhando para Daniel, todo tatuado, cheio de piercings e com cara de motoqueiro, ele não lembrava em nada um príncipe, apesar de estar vestido a caráter.

Callie quase matou Daniel quando ele beijou-a a primeira vez. A verdade é que ela sempre teve uma quedinha pelo namorado da amiga, mas jamais iria se permitir ter algo com ele. Era completamente contra a ética da amizade. Mas depois de tantas investidas dele ela cedeu. Se martirizou com isso por meses, até ter coragem de contar a Penny, que simplesmente ficou radiante e encorajou-a a dar uma chance ao roqueiro. Agora cá estão eles, quase 4 anos juntos, firmes, fortes e prontos para serem pais.

- Madrinha! – Paris gritou – Padrinho! – Daniel pegou a garotinha em seu colo enquanto ambos enchiam a menina de beijos.

(...)

- Prince, você viu sua irmã? – Penny perguntou, preocupada. Havia muitas crianças correndo por todo os jardins de Neverland. Ouvia-se risos, gritos e a aura de felicidade era palpável ali.

- Ela está com a tia Callie e o tio Daniel – O garotinho respondeu rapidamente, voltando sua atenção para os amigos, que saíram correndo junto dele.

Penny sorriu observando seu filho.

Segurando a enorme saia do seu vestido de ‘Bela’, ela saiu a procura de seus amigos e sua filha. Encontrou-os poucos segundos depois.

- Mamãe, a senhora está linda! – Paris agarrou a mãe pelas pernas, abraçando-a.

- E você minha princesa, é a mais linda de todas – A garotinha sorriu.

- Vou brincar com minhas amigas – Ela saiu dali correndo.

- Como vão meus compadres? – Perguntou abraçando Daniel e logo depois Callie.

- Ótimos – Respondeu Daniel.

- Ele diz isso por que não é ele que está carregando uma barriga de 10 quilos e um vestido de 5. – Callie responde rabugenta. Penny riu.

- Sua mal humorada, pense que é por sua afilhada.

- Deixe estar, no aniversário do meu bebê vou fazer você se vestir de ostra. – Riram.

- Onde está o Michael? – Daniel perguntou.

- Deve estar descendo.

- Vamos pegar um docinho daquele amor – Callie puxou o marido pelo braço – Voltamos em um instante, Penny.

- Certo – Respondeu rindo.

Pelo que conhecia da amiga faminta eles demorariam um bom tempo na mesa de doces.

Penny voltou sua atenção para a festa e viu os dois filhos de mãos dadas, foi impossível não sorrir ao vê-los.


- São lindos como a mãe – Uma voz sussurrou em seu ouvido, fazendo-a arrepiar. 

Era impressionante como esse homem fazia isso apenas com a voz, desde que ela era uma menina.

Braços cingiram sua cintura e ele beijou seu pescoço.

- Você demorou meu Príncipe – Sorriram.

- Hoje eu sou a fera, esqueceu? – Penny virou-se de frente para ele, enlaçando seu pescoço. Deu uma boa olhada no marido e em seguida beijou-o.

- Você é e sempre foi meu príncipe... Te amo tanto.

- Eu te amo ainda mais – Sorriram e seus lábios e colaram mais uma vez.

“- Que história mais linda, vovó – A garotinha de olhos negros e espertos interrompeu a vó.
- É mesmo vovó Paris – O garotinho concordou.
- A princesa Penélope e o Príncipe Michael viveram felizes para sempre?
Paris sorriu, lembrando-se dos pais. Lembrava de cada sorriso que dedicaram uma ao outro. Lembrava-se do olhar apaixonado que o pai dedicava a sua mãe. Tinha certeza que eles brigavam, pois às vezes se olhavam de cara feia, mas nunca presenciou uma discussão sequer. Eles foram muito felizes, ali, na sua bolha de amor. Nunca esqueceria o dia em que soube da morte dos pais, há mais de 20 anos atrás, vinha-lhe lágrimas aos olhos ao rememorar a cena de sua mãe e seu pai de mãos dadas na cama, ambos falecidos. Eles morreram juntos. Se houve mágoas, brigas e tristezas no passado, eles não carregaram nada dia pela vida afora, tudo que ela vira foi muito amor e felicidade.
Paris voltou sua atenção para os netinhos, afirmando com a cabeça cheia de cabelos brancos.
- Eles viveram felizes para sempre.”


 


Fim.



133 comentários:

  1. OMG sinopse perfeita *--*
    Ansiosíssima pra ler <3

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  2. Paulinha sou eu paloma carvalho a garota que mandou voce escrever a fanfic com o meu nome e do michael! Paulinha mim diz que essa fic e a com meu nome e o do michael! Eu amei essa fic a partir da sinopse,e se ela for com meu nome e o do michael,eu irei morre de felicidade! Por favor paulinha diz que essa fanfic e a com meu nome e o do michael! E paulinha? E essa? Por favor paulinha responde essa minha pergunta e muito importante pra mim! Essa fanfic e a com meu nome e o do michael?
    Bjs! Ass: paloma carvalho ou paloma jackson,para sempre uma leitora desse blog maravilhoso! Por favor paulinha responde essa minha pregunta! Obrigada!

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    1. Olá flor. Então eu lhe disse que faria a fic com seu nome, mas também avisei que demoraria, por que eu estou com 4 fics em andamento e em todas elas as protagonistas já estão com nomes definidos. Mas não se preocupe, sua fic sairá.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Que perfeito !! Estou muito ansiosa ! <3

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  5. Nossa quando chegar esta data não vou parar de ler amo fanfic

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  6. Adoreii , quais os dias que voce vai postar ?? :3

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  7. Já chegou lacrando né Paulinha?! AMEI AMEI AMEI <333

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  8. "Ohh deuses das fãs apaixonadas, colabore comigo" kkk gostei
    Continua to amandooo <3 <3

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  9. perfeitooooooooooooooooo

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  10. Continua por favor !!!! :) :) :)

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  11. Opa... eu axo que a Crys começou a perder o Mike .... Só axo *-* kkkkk Vai Penny !!!

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  12. Aiiii OmG continua !!!!

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  13. No! No! No! Não pare agora kkkkk Michael vai atacar e... OMG !!!! Continua!

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  14. Ain que capitulo perfeitooo *♡* continuuaaa *-*

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  15. OMG♥OMG♥OMG♥ ☆-☆

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  16. ESSA MUSICA COM CERTEZA FOI PERFEITA PRO MOMENTO *O*
    FIQUEI OUVINDO A MUSICA, LENDO E IMAGINANDO A CENA <33

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  17. <3 Continua, Por Favor, Esse é Um Dos Melhores FanFics Que Já Lí Na Minha Vida, Parabéns, Anciosa :D CONTINUE!!! Querida Bjs de Sua Fã Anonima

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  18. Continua Flor, Bjs de Sua Fã Anonima

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  19. Que lindo... Por + q o Mike esteja " mentindo " no fundo ele já se apaixonou por ela só falta ele descobrir❤❤❤

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  20. Xiiiiiiiii lá vem confusão
    Continua please ������

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  21. Eita '-' tadinha da Penny ela não merece isso ... Concordo com vc Josiane, também acho que no fundo ele ja esta apaixonado por ela só falta ele descobri mesmo ... Continuaaaa Flor *---*

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  22. Este comentário foi removido pelo autor.

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  23. Casamento lindo *-*
    E essa bruxa da Crys!?!!
    Larga do pé do Mike! u.u E do resto do corpicho dele também u.u Ele é todo da Penny e da fãs tbm
    Continua ❤❤

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  24. Espero que o Michael não tenha que perder ela pra percebe que a ama né Stefany o.O

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    1. Ahan. Verdade Josi! Tadinha da Penny ela não merece isso ela o ama tanto... E essa Crys é uma bruxa mesmo.. Não gosto dessa lacraia -_-

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  25. :'( triste com esse capítulo... ""diria até selvagem, por que sei que está aí com muita má vontade. – Eu ri um pouco"" que cafajeste =-O Mas continuaaaa ta perfeita!!! Tbm não gosto dela Stefany ...

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  26. Essa Crys já já vai tomar um fora u.u
    Pq sei que daqui a pouquinho Michael vai descobrir que sente amor pela Penny
    Aguardando superrrr anciosa (^v^)
    (Pra não ficar no anonimato meu nome é Maddie) bjjj linda continua

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    1. Olá Maddie. Muito obrigado por estar por aqui, e sempre com um comentário carinhoso. Fico muito feliz que esteja gostando da história. Obg pelo carinho viu?!
      Você e todas as leitoras são a força que me fazem continuar escrevendo e sempre procurar melhorando. Bjs :*

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  27. Continua pleaseee...não para, adoro <3

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  28. Quê?? Putz ele não pode deixar ela :-( mas eu tenho certeza que o bebê vai amolecer o ❤ dele.... Continua ta perfeita ❤❤❤

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    1. Concordo com vc Josi ;-)
      É só esperar e vamos ver um feliz para sempre desses dois lindos ❤
      Continua pff
      (Pra não ficar no anonimato sou a maddie)

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  29. MDS ;-;
    EU CONFESSO QUE MEUS OLHOS ENCHERAM D'ÁGUA QUANDO O MIKE FALOU DAQUELE JEITO COM A PENNY! TO REVOLTADA AQUI, TADINHA CARA :((
    E ESSA CRYS??? QUE ÓDIO DESSA MULHER, MINHA VONTADE E DE DAR NA CARA DELA U_U KKK

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  30. Nossa... Michael não deveria ter falado daquele jeito com Penny :( to revoltada também
    Também tenho vontade de dar na cara dessa vagaba da Crys viu Lene kkkkkkk

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  31. Olá, amores, passando só para avisar que adiantei os capítulos de amanhã pois não terei tempo.
    Espero que todas estejam gostando dessa história de amor conturbada... e preparem-se, pois a Penny ainda irá sofrer um bocado =/
    Muito obg por todos os comentários, vocês são uns amores.
    Bjs amores :*

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  32. Poxa tadinha da Penny =/
    To amando Paulinha, continue flor ta top demais *♡*

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  33. *........* ai meu Deus sério ? Ela vai sofrer mais ?
    Essa Crys me da nos nervos (¬_¬)ノ

    Mais sem essa atrevida da crys não teríamos uma fanfic tão perfeita como essa !!!!
    Afinal toda fanfic tem que ter uma pessoa má se não ficaria sem emoção !!!
    Está perfeita (como sempre)
    Continuaaa ❤
    Beijinhos da Meddie

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  34. Ahh Paulinha não tem problema pode adiantar quantos capitulos quiser ;-) ❤❤
    Tadinha da Penny ... Ela tem q dar uma surra na Crys com a ajuda das irmãs Jackson hee hee :-D
    Continuaaaa!!! ❤

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  35. PAULINHA SE QUISER ADIANTAR 10 CAPÍTULOS EU DEIXO.
    SOFRO MUITO PELO FATO DE SÓ TER CAPÍTULOS NOVOS DUAS VEZES POR SEMANA ;-; KKK
    OH NÃÃÃÃÃÃÃO :((( PENNY VAI SOFRER MAIS? NÃO FAÇA ISSO COMIGO :///
    ESSA CRYS SABE SEM INSUPORTÁVEL CARA, VONTADE DE ESFREGAR A CARA DELA NO CHÃO e.e

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  36. continua...não demora pra atualizar não ta ?
    beijos (Bia Freitas)

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  37. Oi Paulinha, to amando a fic!!!!
    uma pena Michael está fazendo isso.... Penny vai sofrer mais.. que dó!
    Eu to doida pra ler os próximos capítulos!

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  38. Oi Paulinha, to amando a fic!!!!
    uma pena Michael está fazendo isso.... Penny vai sofrer mais.. que dó!
    Eu to doida pra ler os próximos capítulos!

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  39. MDS que perfeito.
    Desapega Crys, ele já é da Penny.
    Ta muito bom, continua.
    Beijinhos

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  40. Michael Jackson com Nutella kkkkkkk
    Cada dia amando essa fic
    Continuuuaaaa *------* <3

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  41. Q capitulo foi essa minha gente??? O.o
    Eu disse q o bebê amoleceria o Mike?! ;) Agora a Crys não tem mais chances! Aham aham bem feito p ela... Vai Penny! Continuaaaa!!! ❤❤

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  42. MEU DeUSSSS!!!!!!!!! CONTINUAAAAAAAA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  43. Ohh q cena fofa deles juntos com o bebê... Mas o q foi a Cris saindo do escritorio? Rumm Michael ...=-O :-\ por favor Penny faz algo coisa p acaba com aquela vaca!!!!
    Continua ta perfeita!!! ❤❤❤

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  44. Own nasceu <3
    Continua *-* cada dia amando essa fic ❤

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  45. NASCEU GENTEN *--------------*

    PENNY TOMA UMA ATITUDE MULER FAÇA ALGO PRA ACABAR COM A CRYS, E PELO AMOR DE DEUS SEJA MAIS DURA COM O MIKE.
    SOFRO POR VER VOCÊ AGUENTANDO AS COISAS CALADA :'(

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  46. ASSIM NÃO DÁ POW ¬_¬
    MICHAEL FICA AI FALANDO QUE NÃO QUER MAGOAR A PENNY MAS CONTINUA COM ESSA VAGABA DA CRYS. POR FAVOR NÉ!!!!
    ACHEI QUE A PENNY IRIA JOGAR NA CARA DELE QUE ELA SABIA DE TUDO, MAS ELA NÃO FEZ ;-;
    DEU ATÉ NERVOSO AQUI CARA.

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  47. Ai droga, essa Cris é uma vagaba!! Espero que esse "Eu te amo" do Michael tenha evoluido :3

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  48. Bem que a Penny podia continuar fazendo ciúmes né?! Só pra provoca um poquinho.... :D e concordo com vcs meninas essa vagava da Crys merece uma lição! ;) continua.... ❤❤

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  49. Own Mike disse que ama a Penny ❤
    Continuaaaa :D ❤

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  50. Gente Eu vou ter um ataque de raiva por causa dessa vagaba Da Crys...a Penny é. Forte, se fosse comigo era capaz de num tá mais nem vivo.

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  51. Vou chorar ;-;
    Orgulho da Penny MDS :')
    Agora o negócio ficou bom e.e hehe

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  52. Isso Penny dê ao Mike o castigo que ele merece!

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  53. Aeeee :):):):) Penny vai fundo e mostrar quem é a Sr Jackson! \o/\o/\o/ continua morrendooo de curiosidade!!! ❤❤❤

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  54. OMG continuuaaaa muito curiosa aquiiii ❤

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  55. Eitaaaaaaaaaa, vai rolar porrada entre o Daniel e o Michael...continua flor estou amando

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  56. Eita que as coisas estão esquentado por aqui em ?? Continua *-*

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  57. xiiii vai ter treta em público ? Legal *------* continua por favor Flor
    bjj da maddie

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  58. Este comentário foi removido pelo autor.

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  59. MDS :((
    PENNY FOI RADICAL AGORA!
    MICHAEL TAMBÉM NÉ, NÃO MUDA :'(
    EU JURO QUE NÃO ENTENDO O PORQUE DELE AINDA ESTAR COM ESSA CRYS.
    QUEM SABE AGORA ELE PARE DE BURRICE E DE VALOR A PENNY!
    MORTA AQUI...

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  60. Não pera :'( não acredito que chegou a esse ponto :'( Michael é o culpado ele devia largar aquela Crys e ter ficado só com a Penny que o ama de verdade e deu um presente lindo pra ele que é um filho ...
    Morta aqui também
    Continuuaaa ❤

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  61. Não deixa a Penny fazer essa burrada que é a separação, ela ama ele e eu sei que la no fundo ele também ama ela...agora o Mike falar daquele jeito com ela juro que cortou meu coração, a Penny ainda tem que aguentar a Mãe dela que nem da bola pra ela...sabe que o Mike esta com a Crys e não fez nada quando a Crys faltou com respeito com a Penny...continua flor amando

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  62. Pela primeira vez Peny agiu certo.Michael não a merece, nunca deu valor a ela.
    Tomara que ela retome sua carreira de atriz e faça o tal filme com as cenas quentes e que demore muito,mas muito mesmo para perdoa-lo ,porque só assim ele vai dar um chute definitivo na vadia da Crys !

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  63. É isso ai Penny!! Agora sim o Michael vai começar a te dar o seu tão merecido valor !! Continua se não eu morroney *-*

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  64. O.O what?..... Adorei! Seja forte Penny senão ele nunca vai mudar! Continua ❤

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  65. Essa tal de Crys me da nos nervos...essa mulher num tem mais o que fazer não porque ate aonde eu sei ela e uma funcionaria do Michael então ela deve ser tratada igual aos outros...enquanto o divorsio...pode ser uma decisão muito precipitada...ela deve esfriar a cabeça, de cabeça quente nada resolve.
    Continua amandooooo muito
    Beijos

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  66. Aiiii meu coração :( :( :(
    Não acredito que ela pediu divórcio

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  67. Coitada da Penny :( .... Maldita Crys odeio essa mulher ! E agora será mesmo o fim entre o Michael e a Penny :( ..... Continua

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    1. Mais o Michael também não foi santo...a Crys apenas mostrou tudo que estava escondido... por mais que não pareça a Crys foi uma especie de amiga para a Penny

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    2. Eu concordo em partes com vc Beatriz, ele não foi santo e agr é a hora da verdade aparecer, esta colhendo o q plantou mesmo, mas a Crys não deixa de ser baixa e falsa, esta fazendo isso por ela não pela Penny. Fic emocionante né? Bj flor :*

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  68. Por que????
    A Penny não merecia isso... não merecia :'(
    Quando terminei de ler eu estava com a mão na boca e chorando. Simplismente morta ;-;
    Me senti no lugar dela.

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  69. Mais capítulos Paulinha pfv :D ta show! Continuaaaaa

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  70. mds tadinha , ;-; chorando, a Penny não merecia isso de jeito nenhum , capitulo foda , continua u-u

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  71. Que desgraça de mulher!

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  72. Meu Deus :o tadinha da Penny ela não merecia isso :'( to de boca aberta esse capitulo foi muito triste :'(
    Continua Paulinha pfvr ❤

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  73. Desgraçada, cachorra, vaca, maldita
    filha da #$@*......aarrrr mais que ódio dessa Crys
    continua por favor Pah.....quero ver ela se ferrar logo
    please continua. .......
    bjjj da Meddie

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  74. Espero que ele consiga amolecer o coração da Penny!

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  75. Woont *-* esse Mike !! Fofo como sempre :3

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  76. Peny grávida de novo *........* estou dando pulos de alegria ...... É Michael VC vai ter que rebolar e feio meu querido para reconquistar o coração da nossa querida Peny !! Daniel cai fora , por mais que VC seja um cara legal a Peny pertence ao Michael !! Rhum.... Continua flor está maravilhosa a fics

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  77. Peny grávida de novo *........* estou dando pulos de alegria ...... É Michael VC vai ter que rebolar e feio meu querido para reconquistar o coração da nossa querida Peny !! Daniel cai fora , por mais que VC seja um cara legal a Peny pertence ao Michael !! Rhum.... Continua flor está maravilhosa a fics

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  78. Penny gravida novamente *----* #MeSentindoFeliz ... Me deu dó do Daniel, mas Penny pertence a Michael a muito tempo *--*
    Ain continua.. Acho que Mike ainda vai sofrer um pouquinho para reconquistar Penny :/

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  79. Chorando rios aki :') muito lindo... EEE vem mais um bebê aiee \0/\0/\0/ Michael faça ele ver que você mudou homem! Bj flor continua

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  80. Este comentário foi removido pelo autor.

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  81. Continua....<3 q bom q a Penny está grávida de novo, e q ela é o Michael esteja juntos novamente

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  82. Estou uma pilha de sentimentos
    alegre por Peny estar grávida *---* triste com a separação dos dois... com raiva por causa dessa cachorra da Crys e ansiosa pelo próximo capítulo
    por favor continua flor
    bjj meddie

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  83. Meu Deus :o mas uma vez essa vagaba da Crys aparece pra infernizar... Tadinha da Peny ela não pode morrer :'( e nem o bb que ela espera :'( espero que eles fique bem...
    Como assim é o penúltimo capitulo? Buuuaa não pode ser !! Essa fic maravilhosa não pode estar acabando :/

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  84. Que pena que ja vai acabar :'( mas eu estou amando muito *-*

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  85. Nãooooooo eu vou matar essa Crys ..... Tadinha da Penny ela não pode morrer e nem o bb!!! Não acredito que é o penúltimo capítulo ........ Mais eu sei que o final vai ser um sucesso

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  86. Mais essa demônia da Crys voltou? porque pessoas assim não morrem logo ?
    Tadinha da Peny...tadinha da BB......
    Pah sua diva
    continua......último capítulo gentyyy
    *maddie* bijinhos

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  87. Chegamos ao final de mais uma história, amores.
    O caminho até você tem um significado todo especial pra mim, pois adorei ter escrito uma 'mocinha' feito a Penny, ela foi diferente de todas as que já escrevi. Normalmente coloco protagonistas fortes, destemidas, que não levam desaforo pra casa, e a Penny era o oposto disso. Meiga, doidinha, e que estava disposta a passar por cima até de seu amor próprio pra ser feliz ao lado do homem que ela sempre amou. Custou, ela penou, mas enfim eles tiveram o 'felizes para sempre' que ela tanto sonhou.
    Espero que tenham gostado da história. Quero agradecer cada comentário. Muito obrigada mesmo, meninas, seus comentários são o combustível que me faz continuar a escrever.
    Aguardem que logo chegarei com "Filha da inocência, amante do pecado" - Espero vê-las todas por lá.
    Bjs amores :*

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  88. Aah naum acabou :'( eu amei essa fic ... Com certeza melhor fic e melhor final que eu ja li :') muito lindo ❤ parabéns Paulinha ❤ e que venha a próxima fic "Filha da inocência, amante do pecado" #Ja_Amei_O_Nome :3 #Aguardando_Ansiosamente!!

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  89. Parabéns O Final Foi Incrivel :D

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  90. L.I.N.D.O.!! Amei cada pedacinho dessa história. Como Penny foi forte Michael também....
    Esperando a próxima *-*

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  91. Otima história parabéns,
    Ansiosa pela a outra fanfics

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  92. Parabéns querida .. Ficou perfeito o final , eu amei a fic toda ( mentira menos o lado da Crys kkk aquela bruxa ) . Que venha mais fics amorosa como essa ... Continua com esse seu talento maravilhoso flor

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  93. Aíiiii meu coração @---@
    Chorei. ....Vou sentir saudades de Peny e Michael. ...vou sentir falta de seus amores e brigas
    foi bom em quanto durou....*-*
    obrigada por uma fic tão linda Pah
    bjjj Maddie ♥♥♥

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  94. A Fanfic me emocionou muito, desde o começo ao fim. Final ótimo, digno de uma boa escritora, parabéns! :')

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  95. A Fanfic me emocionou muito, desde o começo ao fim. Final ótimo, digno de uma boa escritora, parabéns! :')

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  96. A Fanfic me emocionou muito, desde o começo ao fim. Final ótimo, digno de uma boa escritora, parabéns! :')

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  97. história emocionante e lindíssima eu amei muitão 😉 parabéns amore 😘

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  98. Fanfic linda! Amei do início ao fim!

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