sábado, 20 de agosto de 2016

Fanfic: "Como não se apaixonar? O preço - Parte 2" **NOVA CONTINUAÇÃO**



Autora: Marícia Jackson

OBS: Meninas, mais uma vez o blog deu problema e eu não consigo postar mais no antigo tópico, por isso abri esse para continuar postando a partir dos capítulos 67 e 68. Abaixo, link do tópico anterior.



Capítulo 67



Mercedes




Assim que recebi alta, Michael fez questão de me deixar em casa. Como já estava cansada e com sono por conta do efeito dos remédios, aceitei sem discutir. Não trocamos nem meia dúzia de palavras, falamos apenas sobre as recomendações que Maysa me passou. Nos despedimos friamente e vê-lo ir embora sem me dar ao menos um beijo partiu meu coração.



(...)



O dia logo chegou e com ele, o momento da minha partida para a mansão, que agora pertence à mim. Provavelmente Leon já saiu de lá, assim espero, pois não quero ter que olhar na cara daquele assassino.



-Então você realmente vai se mudar pra mansão? - Dorothy questiona ao se sentar para tomar café comigo



-Por pouco tempo, mas sim. Eu vou. Não posso perder essa oportunidade. Você vem comigo, não é?



-É claro que vou, minha linda! Jamais vou te abandonar. - ela sorri - Mas só peço que me espere voltar de Londres.



-Obrigada, mas eu não posso esperar. Hoje mesmo me mudarei. E vou terminar de me arrumar para ir até lá.



-Mas já? Querida, você saiu do hospital ontem. Não acha que é cedo demais pra sair perambulando por aí? Além do mais não quero que fique sozinha lá.



-Dorothy, eu estou ótima. E mais cedo ou mais tarde terei que fazer isso e é melhor que seja agora que a gravidez não está avançada. Vá viajar tranquila e não se preocupe comigo. Leve o tempo que quiser para resolver seus assuntos.



-Farei isso correndo! Não quero te deixar sozinha...



-Eu não estou sozinha, Srta. Dorothy! - brinco - Agora tenho um companheiro aqui comigo...



(...)



Após me despedir de Dorothy, sigo para a mansão. Assim que deixo o carro na garagem, avisto Maysa sair da casa, levando uma pequena mala em sua mão. Os seguranças levam o restante para o seu carro. 

Me aproximo dela e não posso deixar de me sentir envergonhada. Apesar de tudo, ela não tem culpa de ser filha do Leon e não merece ser prejudicada.



-Meu pai já deixou a casa... - diz, visivelmente desconcertada - Ele foi de ambulância para o meu apartamento. É mais confortável para ele.


-Maysa, sei que não deve estar aprovando minha atitude, o que é compreensível...


-Mercedes, eu não vou opinar. Eu sei que seu problema com meu pai vem de anos afinco e sabendo de todas as maldades que ele te fez, acho que você foi até bondosa. - ela esconde as lágrimas e eu me penalizo. Não é fácil admitir para si mesma que seu pai é um monstro



-Mesmo assim. Sei que esse meu ato de certa forma está lhe prejudicando, afinal eu tirei os bens da sua família.



-Honestamente, isso não me afeta. Desde nova eu aprendi a andar com as minhas pernas. Eu só lamento pelo meu pai. A Construtora sempre foi sua obsessão e perder assim por culpa dele mesmo não deve estar sendo fácil.



-Você vai me desculpar, mas isso é pouco pra ele. Seu pai merecia sofrer muito mais, mas não será eu a encarregada disso. Esse destino só ele poderá traçar.



-Você tem razão... Meu pai precisa aprender a viver, embora eu ache que ele não tem mais conserto.



-Eu duvido muito que tenha... Bem, para onde você vai levá-lo?



-Por enquanto vai morar comigo. Ele não pode ficar sozinho e por mais que eu o despreze, ele é meu pai e está doente. Não posso jogá-lo ao vento. Corine também vem comigo e vai me ajudar a cuidar dele.



-Eu entendo... Espero que consiga resolver isso, e mais uma vez me desculpe pelo que fiz. Juro que minha intenção não é prejudicar você e Michael.



-Não tem que se desculpar. Na verdade eu é quem peço desculpas por tudo que meu pai fez contra você e seus amigos. É vergonhoso para mim.



-Esqueça, Maysa... Porque é isso que estou fazendo, ou pelo menos tentando. - sorrio e lhe abraço - Obrigada por tudo.



-Imagina... Se cuida! E por favor, qualquer coisa me ligue. Até mais.



-Até...



Entrar nessa casa vazia me trás uma ideia de como eu estou no momento: vazia e sozinha. Por mais que eu me alegre em saber que tenho um bebê no ventre, eu ainda não posso tocá-lo, não posso abraçá-lo, nem sentir seu carinho. Na verdade me sinto extremamente solitária e por vezes sinto vontade de largar tudo e sumir no mundo com o meu bebê.



Subo os longos degraus da escada, arrastando-me pelo corrimão. Já não preciso me esforçar à chorar, pois isso vem naturalmente. Entro na penumbra do corredor e sigo até o quarto que foi de Michael. Abro seu armário e me deparo com várias peças de roupas e objetos seus que ele ainda não buscou. 

Remexo as gavetas e encontro uma caixa pequena. Pego-a e a levo até a cama. Ao abrir não consigo conter minha emoção. Encontro fotos nossas, cartas com a caligrafia de Michael e o que mais me chama atenção, diversas composições feitas por ele. Me lembrei do nosso último dia juntos em que ele confessou em cima daquele palco que durante todos esses anos continuou compondo músicas para mim. 

Não posso deixar de me emocionar lendo todas esses versos tão apaixonados, que certamente faria cair o queixo de qualquer garotinha apaixonada.



-Michael... Queria tanto que estivesse aqui comigo... Eu preciso de você, meu amor... - me abraço à sua foto e choro copiosamente - Estou tão arrependida... Por culpa minha nós rachamos nosso laço e nada vai poder uni-lo novamente. Eu só queria voltar no tempo e fazer tudo diferente... - me deito no chão, abraçada ao urso que lhe dei no dia que fomos ao parque. Um dos melhores dias da minha vida




(...)



Passei tanto tempo chorando baixinho que acabei adormecendo nesta posição. Me levanto do chão, arranco meus sapatos e caminho novamente pela casa que será minha pelos próximos meses.

Desço novamente as escadas e, agora que escureceu, a casa está em um completo breu. Acendo os abajures da sala e observo a penumbra do local. Abraço meu corpo, tentando me proteger do frio. O silêncio é torturante e eu me lembro de uma frase de Nipsey Russell muito sugestiva para esse momento: Nada grita mais alto que o som do silêncio.



-Não posso continuar assim. - respiro fundo e seco meu rosto - Amanhã será um novo dia. Eu vou me levantar e fazer o meu papel...



(...)



Acordo um pouco mais animada se comparado ao estado em que eu me encontrava ontem. Foi impossível dormir bem nesta casa enorme e vazia. Meu único alívio foi acordar e ver a empregada servindo o café.



-Ah, bom dia Dona Mercedes. - ela diz, visivelmente desconcertada - Eu só preparei o café e já estou indo embora.



-Por que? Por que vai embora? - me desespero



-Bem... Meus patrões não moram mais aqui, então acredito que a senhora vai me dispensar também.



-Não, é claro que não! Qual o seu nome?



-Nancy.



-Certo, Nancy. Nada vai mudar, ok? Você vai continuar com o seu emprego e eu espero que aceite ficar. Eu preciso de você... - ela me olha assustada, na certa sem entender a minha carência



-Nossa, eu fico até surpresa. - ela sorri aliviada - Muito obrigada, Dona Mercedes!



-Só Mercedes. Me chame apenas assim. Estou tão cansada de posar de ditadora... Não quero que veja em mim o Leon Jackson. - ela ri



-Com certeza vocês são muito diferentes! Aquele homem é o demônio! No fundo eu tô é feliz dele ter ido embora. - dou uma risada descontraída



-É... pelo menos pra você eu fiz algo de bom! Eu vou pra empresa e não devo almoçar, ok?



-A senhora não vai tomar café?



-Acordei um pouco enjoada... - olho para a mesa tão bonita e caprichada que sinto até pena de desperdiçar seu esforço - Faça o seguinte. Chame o porteiro lá fora, sentem-se aqui e tomam o café.



-Imagina, Dona... Quer dizer, Mercedes! A gente toma na cozinha mesmo!



-Nada disso! Se a mesa já está feita, é só se sentar! - lhe dou um sorriso afável e me levanto



-Obrigada... Mercedes. - sorrio novamente e saio rumo à empresa



Entro na minha sala e vou direto à minha mesa telefonar para algum secretário trazer algo para eu comer. Já estou farta das mudanças repentinas do meu estômago. Ora sinto enjoo, ora sinto uma fome descontrolada.



-Bom dia, aqui é a Sra. Navarro. Estou sem secretária, poderia me fazer um favor?



-Eu posso fazer. - ouço a voz de Michael e imediatamente largo o telefone



-Michael... O que faz aqui? - ele sorri e se levanta do sofá



-Como o que eu faço aqui? Vim para o meu primeiro dia de trabalho. Já vi que está precisando dos meus serviços.



Não consigo fazer outra coisa que não seja rir. Michael é inacreditável, pois eu jurava que essa história de trabalhar pra mim era apenas um blefe, mas pelo que vejo ele realmente está falando sério. E o que me resta fazer é aceitar sua presença aqui.






Capítulo 68



Michael




Nem mesmo eu acreditei na proposta que fiz à Mercedes. Em outros tempos eu jamais me humilharia dessa forma, mas por essa mulher eu sou capaz de tudo. Sei que não vamos reatar da noite para o dia, e apesar de me sentir desanimado, no fundo eu tenho esperança de que essa ideia de ser seu empregado servirá como uma forma de aproximação entre nós, principalmente agora que ela espera um filho meu.

Abro a porta da sua sala, alternando as mãos para não deixar a bandeja cair. Acontece que a primeira ordem de Mercedes foi que eu trouxesse uma cesta de café da manhã reforçado com guloseimas e outras esquisitices. Eu teria ficado irritado por fazer esse tipo de mandado se não tivesse achado fofo.



-Até que enfim você chegou! - comemora ao me ver entrar na sala





-Não tenho culpa se você não se alimentou direito. Inclusive vou contar isso pra Maysa.





-É sério que vai ficar me regulando? - ela faz uma careta



-Sim, eu vou. Antes de ser seu assistente, sou pai do seu filho e você tem que se cuidar.



-É por isso que só escolheu coisa natureba? Iogurte natural, frutas secas, granola... Michael, que **** é essa?



-São os alimentos que a Maysa disse que você tem que comer. Esqueceu da lista que ela te passou?



-Me passou? Você a tirou da minha mão e nem me deixou ver! Olha aqui, eu não vou comer isso. Pode devolver pro lugar onde você tirou.



-Mercedes, você não pode ficar sem comer nada!



-Então traga uma comida decente! Quero bolo, sobremesa, vitamina, qualquer coisa que tenha açúcar! - continuo irredutível, mas Mercedes acaba me amolecendo com seu charme - Por favor, Michael... Você faz ideia de como andam meus hormônios? Preciso aliviar um pouco...



-Ok ok... Vou trazer o que me pediu, mas não se acostume. Vou ficar de olho em você.



-Obrigada. - ela me lança um sorriso sapeca que me ganha por completo



(...)



Depois de finalmente encontrar as guloseimas de Mercedes, volto para sua sala. A porta está entreaberta e antes de entrar, ouço ela falando com alguém no telefone. Eu não pretendia ficar escutando, mas minha curiosidade foi maior.



-Então o cheque já foi descontado? Não, não se preocupe. Entendo que um saque de dez milhões é de se estranhar, mas foi eu mesma quem a dei... Agora está esclarecido, certo? Por nada... Eu que agradeço a atenção! - ela encerra a ligação e eu espero alguns segundos para entrar - Hm... Senti o cheiro de longe...



-Está com o faro apurado! - coloco a bandeja sob sua mesa e por mais que eu tente, não consigo parar de pensar nessa ligação. Para quem Mercedes deu tanto dinheiro?



-Michael, estou falando com você! - ela grita, chamando minha atenção



-Ah, desculpe, eu estava distraído...



-Aconteceu alguma coisa? - pergunta, visivelmente preocupada



-Não, nada... É que acabo de lembrar que Agnes vai sair cedo da escola hoje.



-Oh, se quiser pode ir buscá-la. Falando nisso, onde estão morando?



-Em um hotel aqui perto. Nós íamos ficar com a Maysa, mas meu pai, quer dizer, o Leon está com ela e eu não quero ficar perto desse homem.



-Bom, se quiser vocês podem ir para a mansão... - ela murmura tão baixo que quase não escuto



-Como é?



-Ora, lá é enorme e além do mais é a sua casa e a Agnes está acostumada.



-Eu te agradeço, Merche... Mas é melhor não. Não tenho lembranças muito agradáveis de lá e eu não quero que a minha filha cresça com um luxo que não terá mais. Sabe, até que estamos nos saindo bem morando juntos. - rimos



-Fico feliz por isso, de verdade. Ah, a Maysa me contou que você fez o teste de paternidade. Fiquei aliviada quando ela disse sobre o resultado. Imagino que pra você não teve diferença nenhuma.



-É, meu amor por Agnes nunca mudaria. Mas confesso que fiquei bastante aliviado. Quando Milles disse que era o pai da Agnes, mil e uma coisas passaram pela minha cabeça. Até mesmo a cor do cabelo da minha filha me causou calafrios!



-Eu confesso que quando a conheci também notei essa observação. Não tem explicação para a ruivisse dela?



-Pior que tenho. - rio - Depois que o resultado saiu eu puxei a árvore genealógica dela. A família materna de Dominique é toda ruiva e Agnes acabou puxando também. Olha como são as coisas... Uma bobagem dessa me deixou aterrorizado!



-Eu te entendo... Quando estamos inseguros qualquer gota d'água vira um dilúvio. Mas fico feliz por tudo ter dado certo e por estarem juntos, ainda mais agora que a Dominique foi embora do país.



-Como sabe disso? - Mercedes engasga com o suco e gagueja



-Ah... É... A Maysa comentou comigo. - ela abre um sorriso sem graça, me deixando ainda mais grilado



-Ah sim, a Maysa... Bem, vou deixar você tomar seu café. Qualquer coisa me chama.



-Obrigada, Michael. Seu filho agradece! - ela sorri e eu fico todo abobalhado só de pensar no nosso bebê



(...)



A única pessoa que pode me falar sobre os atos de Mercedes é Judith, já que há tempos é seu braço direito. Algo me diz que esse assunto tem a ver comigo e só esclarecendo essa dúvida para saber.



-Posso entrar, Judith?



-Claro, Sr. Jackson! Entre! - entro na sua sala e fecho a porta em seguida



-Não precisa me chamar mais de Sr. Jackson, afinal não sou mais seu patrão, esqueceu? - ela ri



-Me desculpe, é o costume... E mesmo não sendo mais o Presidente, todos continuam o respeitando. No que posso ajudar? - me sento na cadeira e inclino a cabeça para poder sussurrar



-Judith, você e Mercedes são bem amigas, certo? Ela parece que confia bastante em você...



-É... nós nos damos muito bem sim. Ela é uma pessoa maravilhosa e uma ótima patroa! Mas o que isso tem a ver?



-Judith, eu vou ser bem direto. Pra quem Mercedes deu dez milhões de dólares? - a mulher empalidece



-Eu, eu não entendi, Sr. Jackson...



-Por favor, Judith! Você faz tudo pra ela e é você quem cuida das finanças da Mercedes. Por favor, é muito importante pra mim!



-Sr. Jackson, eu não posso fazer isso. É um assunto sigiloso pra Dona Mercedes e eu não vou faltar com a minha palavra.



-Eu não vou prejudicá-la, juro pra você! Só quero esclarecer uma dúvida e pronto. Por favor, Judith...



-Ai... Tá bom! Eu espero mesmo que não faça nada contra a Merche! - ela suspira e finalmente fala - Ela deu esse dinheiro para Dominique Collins.



-Eu sabia, eu sabia! - me levanto abruptamente e caminho de um lado para o outro - Por que ela fez isso, hum?



-Eu não sei, Sr. Jackson! Só descobri que era para sua esposa porque o Banco ligou para fazer a confirmação do saque. Ai meu Deus, por que eu fui contar?



-Não se preocupe. Eu não vou fazer nada... Obrigado, Judith.



Saio da sua sala completamente atormentado e até penso em falar com Mercedes, mas certamente no estado de nervo que estou, vamos acabar discutindo. A única pessoa que pode me ajudar é Maysa.



-Irmão, aconteceu alguma coisa? - ela se assusta ao me ver entrar nervoso em seu consultório



-Agora eu sei porque Dominique abriu mão tão facilmente de Agnes. Mercedes pagou pela minha filha!



-Calma, Michael... Me explique melhor isso.



-Acabo de saber que Mercedes lhe deu dez milhões. Agora ligue os pontos! Dominique logo depois me deu a guarda definitiva e foi embora! Tenho certeza que Mercedes fez um acordo com ela! Eu não acredito que ela comprou a minha filha como se fosse uma mercadoria!



-Michael, espera aí... Você está nervoso e não consegue pensar direito. Eu não acho que Mercedes tenha feito isso por mal, na verdade eu penso que isso foi bem nobre da parte dela!



-Nobre? Ela fez exatamente o que meu pai sempre faz. Comprar as pessoas com dinheiro!



-Você está sendo injusto! - ela grita, me assustando - Percebe o que está dizendo? Mercedes só quis te ajudar, não vê isso? Eu não sei porque ela fez isso, mas tenho certeza que foi para te ajudar. Dominique estava prestes a ir embora do país e você acha mesmo que ela teria deixado Agnes se Mercedes não tivesse entrado no meio? Sua própria filha me disse que a Dominique horas antes de se despedir pediu para ela também arrumar as malas. Ela ia levar sua filha para sabe Deus onde! Pensa, meu irmão... Mercedes não pagou pela sua filha. Ela poderia ter tentado outra tática, mas não pensou direito. Converse com ela, escute o que ela tem pra dizer...



As palavras de Maysa até que conseguiram mexer comigo. Me colocando no lugar de Merche, provavelmente eu também faria qualquer coisa para ter minha filha comigo. E por mais que sua atitude e sua omissão não tenham me agradado, eu tenho que escutá-la olhando nos seus olhos para poder tomar alguma decisão.



-Você tem razão, eu vou falar com ela. E não se preocupe, eu não vou brigar...



-Eu espero. Não fique assim, meu irmão...



-Eu tenho tanto medo, Maysa. Cada hora é uma coisa que acontece, um segredo que vem a tona... Até quando vamos viver assim no meio de tantas mentiras e omissões?



-Até tudo ser definitivamente esclarecido. Vocês deveriam saber que nada mudaria da noite pro dia. E se o amor que sentem for realmente forte, ele vai superar os obstáculos.



-Eu não sei de mais nada... Não quero perder a esperança. Não quero perdê-la, Maysa.


Capítulo 69

Mercedes


  Logo é a hora de ir pra casa e Michael até agora não voltou. Será que aconteceu alguma coisa com Agnes ou ele desistiu de trabalhar comigo? Pego o celular e penso se telefono ou não para ele, mas Michael entra na sala e eu me alivio.

-Me desculpe a demora... - murmura

-Aconteceu alguma coisa? Você saiu de manhã e volta só agora...

-Precisamos conversar. - diz sem rodeios. Pela sua cara já sei que vamos discutir novamente e eu me preparo para isso

-O que houve dessa vez?

-Mercedes, seja sincera comigo. Ainda há alguma coisa que não me contou? Estou disposto a por todas as cartas na mesa e só poderemos enterrar o passado se tudo for esclarecido, independente de estarmos juntos ou não.
   
   Não faço ideia do porquê Michael estar falando isso, mas ele tem toda razão. Já faz tempo que aprendi que a mentira é a principal causadora do nosso sofrimento. Vasculho minha mente e me lembro do meu trato com Dominique. Será que Michael já sabe? Será que ela contou a verdade? Bom, é óbvio que isso aconteceu e será inútil esconder por mais tempo.

-Está falando da Dominique, não é? - Michael suspira em confirmação

-Depende. Tem algo para me contar? - me levanto da cadeira e me aproximo de Michael

-Tenho. Na verdade você já deve saber o que é e não espere de mim um pedido de desculpas. Sei que já fiz muitas coisas erradas, mas pela primeira vez eu não me arrependo. Faria quantas vezes fosse necessário.

-Sabe, antes de falar com a Maysa eu estava com ódio de você, mas depois de tanto pensar e refletir... Sei que devo lhe agradecer pelo que fez, afinal se minha filha está comigo foi graças à você, ao seu dinheiro. - enfatiza

-Não pense que minha intenção foi de comprar sua filha. Eu só quis encontrar um jeito de reparar meu erro. Por mais que você tenha dito que a culpa não era minha por ter revelado que éramos amantes, eu sabia que tinha culpa sim! E também eu fiz isso porque não queria te afastar da Agnes, assim como não não gostaria de ficar longe dela. Eu realmente... amo essa menina. Hoje tenho um bebê no meu ventre eu sei o que é amor de mãe. E é isso que sinto por ela e eu sei que se Agnes fosse minha filha eu teria feito de tudo para que não tirassem ela de mim.

-Eu te entendo, Mercedes. E fico até emocionado em ouvir isso porque... bem, minha filha nunca teve uma mãe presente, uma verdadeira leoa que é capaz de tudo para defender seu filhote. E você fez isso por ela. Nunca vou me esquecer do nosso reencontro, no qual você salvou minha filha. Se lembra?

-Jamais vou me esquecer... - sorrio - Desde aquele dia eu criei um sentimento inexplicável por ela. Senti que dessa vez eu também devia me intrometer.

-Só não entendo por que mentiu pra mim. Por que não me contou, Mercedes?

-Como queria que eu te contasse? Você estava com ódio de mim porque acreditava que eu tinha armado aquela situação. Eu tinha certeza que depois daquilo nós nunca mais ficaríamos juntos e como eu já estava tão ferrada, uma coisa a mais ou a menos não faria diferença. Eu só queria te poupar de mais sofrimentos. Queria que fosse feliz. - Michael acaricia meu rosto e eu fecho meus olhos, completamente desorientada com o seu toque

-Eu nunca serei totalmente feliz sem você, Mercedes. - meu coração bate desenfreado e eu sei que se eu não me afastar, não conseguirei resistir - Me prometa uma coisa?

-O que...?

-Que não vai mais esconder nada de mim? Por favor, Mercedes. Estou cansado de tantas brigas...

-Entende agora porque não podemos ficar juntos? Nunca vamos conseguir esquecer o passado, as mágoas, os erros...

-Se tentarmos, nós...

-Já tentamos. - lhe corto - Já tentamos e não deu certo, Michael. Vamos esquecer isso, por favor. Nós não podemos ser felizes juntos, entenda! - deixo a sala aos prantos, sentindo uma dor insuportável no peito

Eu juro que queria me jogar em seus braços, mas eu não posso, eu não posso...

Três meses depois


  Saio do banho enrolada na toalha e paro frente ao espelho ao passar por ele. Então tiro a toalha e observo as mudanças no meu corpo. Minha barriga está cada vez mais redondinha e eu, claro, fico babando por ela.
   Estou no sexto mês de gestação e finalmente hoje vou saber o sexo do bebê. Eu queria deixar para descobrir mais tarde, mas Michael me pressiona tanto que já estou ficando irritada. 
Bem, nossa relação continua a mesma... De fato, não brigamos mais pelos velhos problemas, mas nós sabemos como é um assunto delicado e doloroso. Falamos apenas o necessário. Ora sobre a construtora, ora sobre o nosso filho ou filha - a única razão para convivermos em paz. 

-Querida, você está linda!! - Dorothy diz, emocionada ao me ver pronta para ir ao consultório

-Obrigada... - sorrio - Daqui há três meses nem esse vestido vai entrar em mim.

-Isso não será problema nenhum, querida! Compraremos vestidos mais larguinhos e você ficará ainda mais linda!

-Só você para me animar... - me sento no sofá para recuperar o fôlego. Só de descer os degraus me senti terrivelmente cansada

-Como se sente, meu bem? Passou mal a noite toda...

-São só enjoos, Dorothy. - tento lhe tranquilizar - Estou bem, olha pra mim! Vou comentar com a Maysa e ela vai me passar umas vitaminas.

-Vou acreditar em você... Ah, me diga... O Michael também vai?

-Não sei... - sorrio - Eu não falei com ele.

-O que? Mercedes, ele vai ficar irado!

-Não vai, relaxa... Eu contei pra Agnes e é claro que ela vai falar pro Michael.

-Você é mais esperta que eu imaginei! - dou um risada

-Foi a forma que eu encontrei de falar pra ele. Estava super sem graça de contar, então usei a Agnes como pombo correio.

-E como ela reagiu quando soube? Imagino que tenha ficado surpresa.

-Eu é que fiquei surpresa! No fundo eu tinha medo da reação dela, mas essa menina é especial demais, Dorothy. Nós conversamos e ela entendeu perfeitamente e está feliz com a chegada do irmão.

-Viu? Tudo está ao favor de vocês, mas continuam com essa teimosia...

-Eu não vou mesmo discutir isso enquanto estou prestes a saber o que tem aqui dentro! - digo, dando uns tapinhas na barriga

-Então vamos! Vou te levar até o consultório, mas não vou entrar, porque sei que é um momento de vocês... - ela ri

-Quer parar de me provocar?

(...)

Me sento no sofá e fico à espera para ser chamada por Maysa. Estou nervosa, ansiosa e tudo que eu mais queria era que Michael estivesse aqui. Já era para ele ter vindo, mas até agora nada...

-Srta. Mercedes, pode entrar! - a secretária diz

-Obrigada. - me levanto, olho mais uma vez para o corredor e nem sinal do Michael - Ele não vem... - murmuro. Pego minha bolsa e me viro para entrar, mas ouço passos apressados atrás de mim

-Hey, espera! - Michael grita. Giro a cabeça e o vejo vir correndo pelo corredor. Sorrio largamente, aliviada em vê-lo

-Michael...

-Pensou que eu não viria? - trocamos um olhar de cumplicidade e um sorriso afável

-Vamos logo... - digo, tentando esconder meu sorriso. Michael enlaça minha cintura e sussurra no meu ouvido

-Bela tática sua de usar a Agnes... - ele morde o lábio, deixando claro que entendeu minha estratégia

Capítulo 70

Michael


Finalmente hoje vamos saber o sexo do nosso bebê. Já faz tempo que insisto com Mercedes e agora parece que ela vai realizar meu pedido. Bem, eu só soube do exame por Agnes, pois foi ela quem me avisou. Claro que isso foi um plano de Mercedes, ela jamais me convidaria para ir com ela. Mas o que importa é que vamos viver esse momento juntos.

-Preparada, Merche? - Maysa lhe pergunta. Ela parece estar mais empolgada que nós dois e eu não sei exatamente se é só pelo nosso bebê

-Mais ou menos... Estou ansiosa. - ela responde. Ajudo Mercedes a se deitar na cama e me sento ao seu lado - Vem cá, Maysa... Por que essa cara de felicidade, hein?

-O que? Que cara, Mercedes? Eu tô normal... - ela responde, visivelmente desconcertada

-Pois não parece. - digo - Eu te conheço, maninha... E você está escondendo alguma coisa da gente...

-Querem descobrir o sexo da criança ou não? - pergunta, irritada

-Quero. - Merche responde - Depois de saber o porque desse sorrisinho no seu rosto! - Maysa revira os olhos e acaba entregando

-Fui pedida em casamento pelo Dereck, tá legal?

-Como assim pedida em casamento? - pergunto - Vocês namoram a pouco tempo e já querem casar?

-Michael, não se mete! - Merche me repreende - Então, Maysa, aceitou ou não?

-Estou pensando... - ela sorri - Até o fim do mês eu dou uma resposta. E Michael, não venha dar uma de irmão ciumento porque sou mais velha que você! Agora vamos focar no ultrassom, por favor?

-Claro, você é quem manda... - Merche levanta as mãos em sinal de rendição

Ficamos em silêncio enquanto Maysa passa o gel pela barriga de Mercedes. Logo ela pega o aparelhinho e começa a passear pela barriga e eu no impulso, aperto a mão de Mercedes, que retribui, apertando forte.

-E aí, Maysa... Está tudo bem com o bebê? - não entendo o porquê do tom de voz preocupado de Mercedes. Maysa olha para nós e tenta mostrar tranquilidade

-Sim, ele está crescendo forte. - ela dá ênfase no "ele" e logo imagino o que ela quis dizer

-Mana, quando você diz "ele"...?

-É isso mesmo que ouviu, Mike. É um menino!

-Oh caramba! - levo minhas mão à cabeça e olho diretamente pra Mercedes, que ainda está em choque - Ouviu isso, amor? É um menino! - estou tão afobado que nem me dou conta do que acabo de dizer. Merche começa a chorar e rir ao mesmo tempo, emocionada assim como eu

-Vocês tiveram sorte! O garotão custou para abrir as perninhas.

-Ele é tímido que nem o pai... - Merche brinca - Deus, ele é tão miudinho...

-É sim! E daqui pra frente ele vai crescer mais ainda! Pode se limpar, Merche. Espero vocês na sala.

Mercedes se senta na cama e eu lhe ajudo a se limpar. Em seguida beijo sua barriga e acaricio, arrancando risadas dela.

-Obrigado, Merche. Não sabe como me faz feliz... Caramba, eu vou ser pai de um menino! Sempre foi meu sonho e você acaba de realizá-lo.

-Bom, eu só consegui porque você fez comigo. - ela ri, enxugando as lágrimas - Eu não costumo prever o futuro, mas tenho certeza que ele será muito amado por nós.

-Ele já é amado por nós dois e vai trazer toda a felicidade que merecemos. - nos abraçamos forte e demoradamente, e um beijo seria a cereja do bolo, mas infelizmente não aconteceu. Ainda...

(...)

-Pode se sentar, Mercedes. Só farei mais alguns exames para checar sua pressão.

-E está tudo bem com nosso filho, né? - pergunto. Maysa faz cara de preocupação e depois de um longo suspiro, ela me responde

-Me desculpe, Mercedes, mas como médica não posso continuar escondendo a verdade do Michael, afinal ele é o pai desta criança.

-Como assim? O que estão me escondendo? - Mercedes permanece em silêncio, sem olhar pra mim

-A gravidez é de risco, Michael. Sugiro que Mercedes pare de trabalhar até o fim do mês para ficar em repouso absoluto e se mesmo assim eu não ver melhoras, ela terá que se internar para aguentar pelo menos até o sétimo ou oitavo mês de gestação.

-Mas por que isso? Será que pode me explicar o que de fato está acontecendo?

-Eu te falei que quando sofri o aborto o médico disse que eu não poderia engravidar mais... - Merche diz, com os olhos marejados

-Eu vou tentar explicar de forma clara, Michael. Quando a Mercedes sofreu o aborto, foi preciso fazer a curetagem, que é um procedimento um tanto quanto invasivo, ainda mais se levar em conta o aborto agressivo que ela sofreu. A curetagem pode acabar lesionando o útero, causando infertilidade ou maior dificuldade para engravidar. No caso da Mercedes, ela deixou cicatrizes no útero, o que fez ela desenvolver a Placenta Prévia.

-O que significa isso?

- É uma complicação da gravidez causada pelo posicionamento da placenta, que com o passar dos meses acaba cobrindo parcial ou totalmente o colo do útero. Conforme a parte inferior do útero estica, na segunda metade da gravidez, a placenta pode se descolar, provocando uma hemorragia e isso é arriscado tanto para a mãe quanto para o bebê. Mercedes já vem apresentando pequenos sangramentos e se não começar a ser monitorada, ela ainda corre risco de perder o bebê.

-E o que eu posso fazer? - pergunto desesperado - Não posso ficar de braços cruzados esperando pelo pior!

-Michael, eu já estou fazendo o possível... - Mercedes diz - Te juro que me esforço todos os dias para aguentar até o fim e é isso que eu vou fazer.

-Todos nós estamos ajudando, Michael. A existência desses riscos não significa que ela irá sofrê-los. Entrar em desespero só vai piorar a situação. Vão pra a casa, descansem e cuidem desse garotão! - ela sorri, e por mais que tente me tranquilizar, eu não consigo deixar de me sentir arrasado

(...)

Voltamos pra casa em silêncio. Mercedes tenta se mostrar calma, ou pelo menos conformada, mas eu sei que ela está desesperada assim como eu. E mesmo que eu esteja desolado, farei de tudo para lhe transmitir segurança.

-Obrigada por me trazer. Quer entrar?

-Claro, vou te levar até o quarto. Você parece cansada. - pego sua mão e a conduzo para dentro de casa

-Pode me deixar na sala mesmo. É bom que não preciso descer a escada. - ela ri. Sento-me ao seu lado e ela continua segurando minha mão - Era para ser um dia alegre, né? Foi por isso que pedi segredo pra Maysa. Não queria que ficasse assim.

-E como eu não ficaria? Acabo de descobrir que vocês correm risco de morrer e eu não posso fazer absolutamente nada! A culpa é minha... Se não tivesse sofrido o aborto isso não estaria acontecendo.

-E como você pode saber? Michael, você não me jogou na frente daquele carro. Eu fiz isso por vontade própria. E quer saber, não foi só o aborto que me causou esse dano. Meu modo de vida me prejudicou bastante. Cigarro, bebidas, drogas... Tudo isso contribuiu. Eu deveria imaginar que não sairia ilesa... - ela ri

-Do que está falando?

-Olha o que eu me tornei, Michael. Virei uma pessoa que jurei nunca ser. Por mais que eu esteja arrependida, isso não é o bastante. Eu estou sofrendo e tudo isso graças à mim. Às escolhas que eu fiz... - as lágrimas rolam pelo seu rosto e meu coração aperta - Só não quero que nosso filho pague pelos meus erros. Ele não merece!

-Nós costumamos ter a ideia fixa de que o erro é eterno. Eu não acredito mais nisso. Eu também errei muito por ser ganancioso, covarde... Se eu fosse passar o resto da vida me culpando, poderia desistir de tudo e me entregar ao fracasso. O erro só nos torna mais sábios, mais espertos. A todo momento temos a oportunidade de mudar, é só querer.

-Deste quando aprendeu a ser filósofo? - ela sorri





-Eu sou um artista, esqueceu? Tenho filosofia no meu sangue. E quer saber? Não vamos ficar aqui sofrendo por antecipação. Eu prometo que vou me dedicar a proteger vocês dois e nada de ruim vai acontecer.





-E o que pretende fazer? - ela encosta a cabeça no meu ombro e sorri

-Pra começar, você não vai trabalhar mais. Considere-se de licença maternidade.

-Hmm... Ok, será uma honra não ter que ir pra Construtora.

-Sério que concordou? Jurava que você ia teimar comigo!

-Só tenho uma condição. Você vai ter que assumir a presidência.

-Merche...

-Nem vem, Michael. Poxa, você quer me ajudar, não quer? Então. Cuide de tudo pra mim enquanto eu cuido do seu filho.

-Ótimo argumento... - ela ri - Ok, eu topo. Ainda não é dessa vez que me livro deste fardo...


Capítulo 71

Mercedes


   Já estou há uma semana de molho em casa e meus nervos estão a flor da pele. Sei que tenho que manter a calma, mas eu não suporto ficar parada. Qualquer coisa que eu faço me cansa ou provoca enjoos e quando isso acontece, sou obrigada a ouvir sermão de Michael.
Hoje em especial estou mais irritada, pois é o jantar de noivado de Maysa e eu nessas condições achei melhor não ir para evitar dar trabalho para ela e Michael.

-Posso entrar? - Michael dá dois toques na porta

-Só um minuto! - rapidamente visto meu roupão e permito sua entrada - Oi...

-Tudo bem? Desculpe aparecer aqui no seu quarto, mas quis evitar que você descesse a escada.

-Muito gentil da sua parte. - sorrio, agradecida e volto a me sentar na cama -E então, o que foi que te trouxe aqui?

-Sei que já deve estar sabendo, mas vim pessoalmente te convidar para vir comigo ao jantar da Maysa. E então?

-Eu te agradeço imensamente, mas é melhor eu não ir. Vou acabar dando trabalho...

-Merche, eu sei que está chateada por não poder fazer nada, mas eu me preocupo com você aqui sozinha.

-Não fica grilado, a Dorothy me ajuda muito.

-Mas ela tem a família em Londres e está sempre viajando.

-Sim, é verdade. Mas eu não ligo de ficar sozinha. Passo o dia comendo, vendo televisão, comendo, dormindo e comendo de novo... - ele ri - E claro, tenho a companhia da Agnes quando ela vem me visitar. Falando nisso, ela vai no jantar?

-Hmm não estou querendo levá-la. Só vai ter adulto e você sabe que essas festas acabam tarde.

-Eu sei... Então deixa ela aqui comigo. Assim eu cuido dela e ainda ganho uma companhia.

-Tem certeza?

-Qual é, Michael? Acha que eu não sei cuidar da pirralha? - brinco

-Você é uma das poucas pessoas que eu confio para cuidar da Agnes. Mas ela não vai te atrapalhar não? As vezes posso demorar e você provavelmente vai querer descansar.

-É claro que não vai me atrapalhar, pelo contrário! Vá pra casa, se arrume e traga a Agnes. Depois você vem buscá-la.

-Ok... Você venceu. Vou contar a surpresa pra baixinha. Tenho certeza que ela vai adorar! Até mais tarde, Merche.

-Até mais e mande um abraço pra Maysa... - ele me dá um demorado beijo na bochecha e eu me esforço muito para não roubar -lhe um beijo na boca

(...)

   É incrível como o tempo voa quando estou com Agnes. Michael lhe deixou aqui ao entardecer e já anoiteceu e nem percebemos. Passamos o dia comendo, vendo filmes, brincamos e nos esbaldamos no Karaokê. É certo que exagerei na animação, mas é impossível não se contagiar com o espírito sapeca dessa garotinha.
Nos deitamos na minha cama depois de tomarmos banho. Estou esgotada e Agnes é totalmente o oposto de mim.

-Quando meu irmãozinho vai nascer, tia Merche? - ela pergunta ao se sentar na cama. Levanto minha blusa e observo a montanha que está virando minha barriga

-Daqui uns dois meses, eu acho...

-Mas os bebês não nascem de nove meses?

-Sim, mas seu irmão é um pouco adiantado. Ele quer vir logo para conhecer a irmã mais linda desse mundo! - ela dá uma risada, toda orgulhosa com o que eu disse


-E você vai se casar com o meu pai? - confesso que fui pega de surpresa com a sua pergunta

-Acho que não, princesa... - respondo, sem conseguir esconder minha decepção

-Mas por que não? A tia Maysa disse que vocês se amam, e agora você vai ser mãe do meu irmão. Por que não querem ficar juntos?

-Porque... eu e seu pai somos amigos e é assim que vamos viver.

-Mas e o meu irmão? Ele não vai morar com a gente?

-Querida, eu nunca vou te afastar do seu irmão. Mesmo que eu não me case com o seu pai isso não quer dizer que vamos deixar de nos ver... - ela continua tristinha e isso parte meu coração - Por que essa carinha, hein?

-Eu queria que você morasse com a gente. Queria que você também fosse minha mãe assim como é para o meu irmão. - dói reconhecer como a falta de amor materno afetou Agnes. Ela vê em mim a mãe que nunca teve e não existe emoção maior que essa

-Oh, minha linda... - deito sua cabecinha em meu peito e lhe abraço apertado - Você sabia que eu te amo muito? Você e seu irmãozinho moram no meu coração e ocupam o mesmo lugar. Amo muito você, pirralha! - grito, lhe atacando com cócegas

-Eu também te amo, tia Merche! - diz entre as risadas - Quando você se casar com o papai, eu paro de te chamar de tia! - fico de cara com a esperteza dessa menina. Tudo que me resta é rir da sua imaginação fértil

-Acho que você acordou seu irmão. Ele não para de chutar!

-Você está sentindo? - pergunta com os olhos arregalados

-Aham... Põe a mão aqui pra você sentir também.

-Tive uma ideia! Vou fazer igual a tia Maysa. - Agnes pega o vidro de creme hidratante e o espalha na minha barriga

-Hm... Já vi que teremos outra médica na família... - ela lambuza as mãozinhas com o creme fazendo uma verdadeira meleca

-Papai! - me assusto ao me dar conta de que Michael está nos observando. Ela corre para abraçá-lo e acaba sujando seu terno também

-Nossa... O que você fez com a Merche?

-Estava fazendo o... como diz mesmo?

-Ultrassom? - Michael diz

-Isso! Meu irmão estava chutando, pai! Você tinha que ver...

-Sério? Vou ver isso agora! Querida vá lavar suas mãos e me espere na la sala, ok? Já vamos pra casa.

-Ah pai... eu não quero ir embora. Quero ficar com a tia Merche!

-Querida, já abusamos demais e a Merche tem que descansar.

-Michael, tudo bem... Eu adoro a presença da Agnes. Deixe ela ver mais um filme lá na sala.

-Ok... Só mais um pouco! Vai lá... - ela sai saltitando pelo quarto, nos deixando a sós - Desculpe por essa bagunça. - se explica enquanto me ajuda a limpar a barriga - Agnes é fogo!

-Nos divertimos muito, relaxa... Obrigada por deixar ela aqui comigo. Eu simplesmente adorei!

-Bem, farei isso mais vezes...

-E eu tenho cara de babá? - brinco - E então, como foi o jantar?

-Foi ótimo... Eu vim embora antes, mas parece que deu tudo certo. Pelo menos Maysa está muito feliz.

-Ela merece... - ficamos por um tempo nos olhando fixamente, mas Michael logo quebra o clima

-Vou chamar a Agnes para se despedir...

-Pode deixar que eu vou. Agora que meu quarto é aqui em baixo, posso andar pra lá e pra cá!

Quando chego na sala, encontro Agnes dormindo em um sono profundo. Também pudera, brincou o dia todo e quando finalmente sossegou, o sono acabou lhe derrubando.

-Vamos, filha...

-Shii... Ela está dormindo. - sussurro

-Coitadinha... Aposto que gastou toda a energia hoje. - Michael ri baixinho - Vou tentar levá-la no meu colo

-Por que não dormem aqui? - tanto Michael quanto eu nos assustamos com a minha súbita ideia - Quer dizer, já está tarde e Agnes deve estar no décimo sono.

-Não vai te incomodar? - pergunta, fazendo um certo charme

-Pelo amor de Deus, Michael, essa casa é sua. Além do mais ela é enorme, é óbvio que não vai me incomodar.

-Sendo assim eu aceito. Vou levar a Agnes para o antigo quarto dela e se não importa, eu vou tomar um banho, pode ser?

-Claro, fique a vontade! Eu... eu vou dormir então. Você vai ficar no seu antigo quarto?

-Não, eu vou dormir na sala.

-Michael, pra que isso?

-Quero ficar por perto, assim se você sentir alguma coisa é só me chamar. Ou é isso ou eu vou embora com a Agnes.

-Ok ok... Você venceu! Boa noite, Michael...

-Boa noite, Mercedes. E obrigado pela hospitalidade. - ele sorri, agradecido e sobe com Agnes no colo

Aproveito sua ausência para arrumar o sofá para Michael. Jogo alguns travesseiros e cobertas e o ajeito delicadamente para que ele se sinta confortável.
Não sei se fiz certo em convidá-lo para dormir aqui. Se eu agi por impulso, imagino como será passar uma noite inteira tão perto dele...

Capítulo 72

Michael


 Me remexo de um lado para o outro e não consigo pregar o olho de jeito nenhum. Fico inquieto só de saber que Mercedes está a poucos metros de mim, tão perto e ao mesmo tempo tão longe. 
Tiro a camisa para tentar aplacar o calor que sinto e não satisfeito, decido ir à cozinha para tomar um copo de água gelada. Mas para a minha surpresa, uma luz fraca está acesa e logo vejo a silhueta curvelínea de Mercedes transitar pela cozinha. Ela segura um copo de suco nas mãos e assim como eu também fica sem ação.

-Perdeu o sono? - pergunto ao ver que ela não vai puxar assunto

-É... Eu senti fome como sempre e pra não me entupir de comida decidi tomar um suco. E você...? - Mercedes arfa, com os olhos fixos no meu corpo desnudo quando me aproximo dela

-Não consigo dormir...

-É o sofá...? - pergunta, se esforçando ao máximo para não perder o foco

-O sofá é o menor dos meus problemas, Srta. Navarro... - colo meu corpo contra o seu e percebo como sua pele está quente, assim como a minha

   Mercedes deixa o copo na mesa e toca meus ombros com as mãos delicadas e trêmulas. Elas passeiam pelo meu peito, me provocando arrepios e espasmos. Estamos em silêncio, o que deixa mais nítido nossos batimentos acelerados.

-Você está quente... - ela diz - Posso jurar que está com febre.

-Não é febre, e sim um desejo louco e torturante de tê-la em meus braços... - encosto meu nariz no seu pescoço e inalo seu perfume adocidado - De sentir seu cheiro... Tocar sua pele... Te beijar...

-Então me beija... - ela fecha os olhos e por iniciativa própria aproxima seu rosto para mais perto do meu

  Ela mordisca meu lábio inferior, puxa e o suga em seguida. Perco todo meu controle e invado sua boca rápido e urgente. Minha língua acaricia a sua, envolvidas em um duelo calmo e ao mesmo tempo intenso. Merche geme baixinho e eu exploro toda sua boca, chupando seus lábios com precisão. Estamos em perfeita sincronia e nem um pouco afim de interromper o beijo, muito pelo contrário.
  Mercedes envolve as mãos em torno do meu pescoço, e as minhas vão parar no seu quadril avantajado. Ela geme quando lhe aperto com força e, excitada, se esfrega em mim, me levando a loucura. Continuamos nos beijando intensamente, mas o ar se torna escasso e somos obrigados a nos afastar.
  Seus lábios estão vermelhos e inchados e ela, assim como eu, respira sem fôlego. Mercedes parece envergonhada, mas não vejo sinal de arrependimento.

-Eu... Eu tenho que voltar pro quarto. - diz ao afastar meus braços do seu corpo - Tente dormir, Michael.

-Merche, espera! - tento alcançá-la, mas desisto. É óbvio que ela não vai querer conversar agora, principalmente depois de deixar claro que ainda é louca por mim

(...)

  Depois daquele beijo na cozinha, até que consegui pegar no sono. O problema é que sonhei a noite toda com nossos momentos juntos, os beijos, as carícias... Se Mercedes não estivesse com a gravidez tão avançada, acredito que teríamos feito amor ontem a noite.
   Tomo um banho e acordo Agnes para fazer o mesmo. Por mais que seja sábado, não quero abusar mais de Mercedes, por isso acordei bem cedo. 
Me arrumo, pego meu celulare certifico as notificações. Leio a mensagem do meu advogado, que desejaria apagar da minha mente.

-Edgar está livre... Desgraçado! Como podem permitir que esse sujeito responda em liberdade?

-Está tudo bem, Sr. Jackson?

-Oh Nancy, me desculpe... Eu, eu estou falando sozinho. Sabe onde está a Mercedes?

-Sim, está no jardim. Quer que eu a chame?

-Não, não precisa. É... quando a Agnes descer você pode servir o café da manhã pra ela, por favor?

-Claro, Sr. Jackson! Deixa comigo.

-Obrigado...

  Enquanto sigo para o jardim, penso na melhor forma de contar a novidade para Mercedes e chego a conclusão de que o melhor que posso fazer no momento é não permitir que ela saiba. Mercedes está frágil e qualquer emoção forte pode lhe prejudicar. Só não sei se conseguirei esconder minha preocupação. Agora que Edgar está solto, tenho certeza que virá atrás dela.
  Tento parecer tranquilo assim que a vejo sentada na grama. Na verdade eu realmente consigo esquecer Edgar por um momento ao vê-la tão concentrada praticando Yoga. Me sento ao seu lado tomando o maior cuidado para não atrapalhá-la.

-Antes que me chame de louca, saiba que a Yoga é um ótimo exercício para acalmar o bebê. - diz ainda de olhos fechados - Acalma tanto os nervos da mãe quanto da criança. Bom dia, Michael...

-É... realmente a gravidez está te transformando... - rio - Como soube que era eu?

-Escutei sua respiração e reconheci seu perfume. - ela inspira e respira demoradamente e por fim abre os olhos - O que você tem? Parece tenso...

-Não, não é nada. É só impressão sua...


-Foi por ontem, não é? - antes que eu pudesse responder, Agnes nos interrompe

-Já estou pronta, papai! Bom dia, Merche! - Agnes lhe dá um beijo carinhoso e em seguida faz o mesmo comigo

-Bom dia, gatinha! Dormiu bem?

-Dormi. Mas queria dormir mais...

-Você dorme quando chegarmos, querida. Agora a gente tem que deixar a Merche descansar. E não se esqueça que já combinou de ir ao clube com as suas amigas. A mãe da Lily vai passar lá no hotel para te buscar.

-E você vai, né papai? Não se esqueça que prometeu pra Dona Evelyn que ia fazer companhia pra ela! - Mercedes arqueia a sobrancelha e olha diretamente pra mim

-E quem é Evelyn? - pergunta ao cruzar os braços sob a barriga

-É a mãe da minha amiga! Ela nos convidou para ir na piscina e chamou o papai pra...

-Filha, por que não pega sua mochila, hum? - Agnes me olha sem entender, mas acaba me obedecendo 

-Se... se você pudesse sair eu até que te convidada pra ir com a gente. - explico, meio sem jeito. Mercedes coça o queixo e continua com o interrogatório

-E por que essa tal de Evelyn não chama o marido dela para fazer companhia?

-Ah não, ela é divorciada...

-Ah é? - me xingo mentalmente ao me dar conta do que disse - Bom, então divirtam-se!

-Pera aí, você está com ciúmes?

-Ciúmes? Oh não... claro que não! Por que? Eu deveria sentir?

-Hmm não... Até por que somos livres, não é?

-Totalmente livres. - rebate

-Então beleza... Mais tarde ligo para saber como está. - me levanto, beijo sua testa e sigo para o carro, deixando para trás uma Mercedes extremamente irritada e possessa. E eu claro, adorei saber que desperto ciúmes nessa mulher

Antes de ir embora, chamo Boris, nosso segurança de longa data, para conversar. Ainda não sei o que fazer em relação à Edgar, mas tenho que tomar algumas providências.

-Boris, quero que reúna uma equipe maior de seguranças. Quero essa casa monitorada vinte quatro horas por dia e qualquer estranho que aparecer você comunique à Mercedes.

-Sim, Sr. Jackson! Mas há algo em especial que queira me pedir?

-Na verdade sim. Não permita em hipótese alguma que meu irmão Edgar entre na propriedade. E por favor, se notar qualquer coisa estranha ou fora do normal, você avise apenas para mim, ok?

-Deixa comigo, Michael. Redobrarei as atenções.

-Obrigado, Boris. Conto com você!

Ainda não me sinto totalmente seguro em deixar Mercedes aqui sozinha, só que se eu pedir para ela sair daqui, com certeza ficará desconfiada de que algo está acontecendo. Não sei se vou conseguir esconder por muito tempo, mas vou tentar pelo menos a ter certeza do paradeiro de Edgar.



Capítulo 73

Mercedes


   Depois que Michael foi embora me deixando completamente irritada, decidi que não ia ficar parada enquanto ele sai para se divertir com outra. É claro que estou morrendo de ciúmes. Queria que ele estivesse aqui comigo, mas o que eu posso reclamar, se a culpa é toda minha? Eu sei que estou o afastando de mim, mas eu tenho medo de machucá-lo outra vez. Toda vez que me aproximo de Michael, algo de ruim lhe acontece, como se fosse uma maldição. 
Mas por mais que eu saiba que a culpa é minha, ele não tem nada que ostentar sua liberdade por aí, principalmente agora que estou feia, gorda e inutilizável.

-Vai sair, dona Mercedes? - Nancy pergunta ao me ver amarrando o tênis

-Vou dar uma volta pelo condomínio, ir até a pracinha... Estou cansada de ficar presa aqui dentro enquanto outras pessoas perambulam para baixo e pra cima com... Ah, deixa... Você não merece ouvir isso. Já volto, ok?

-Mas o Sr. Jackson disse que a senhorita tem que ficar de repouso.

-E desde quando eu o obedeço? Ai dele se tentar me contrariar no estado de nervo que estou!

   Levo uma garrafa de água, um óculos e depois de muito pensar, levo também o celular, pois sei que se Michael ligar, ficará zangado. Isso se lembrar, já que deve ficar ocupado pelo resto do dia. 
    Como me sinto bem disposta, decido sair do condomínio e ir até a praça que fica a duas quadras daqui. O movimento da rua está tranquilo e eu aproveito para atravessar despreocupadamente. Não sei quando exatamente aconteceu, mas avisto um carro preto vindo na minha direção em alta velocidade no momento que eu atravesso. 
   Minhas pernas travam e eu não consigo me mover. Fecho meus olhos e a cena de doze anos atrás passa como um filme na minha cabeça. De repente escuto a freada do carro e quando abro os olhos, vejo o dar a ré e se afastar rapidamente, mas mesmo em meio a estado de choque, consigo ver o motorista. E o que mais me aterroriza é perceber a semelhança absurda com Edgar.

-Meu Deus... Não pode ser...

-Moça, você está bem? - um senhor corre até mim e me ampara

-Não muito... Pode me ajudar a sentar? - ele concorda e cuidadosamente me senta em um banco. Assim que ele se afasta, após me oferecer uma garrafa de água, procuro meu celular no bolso da calça e ligo imediatamente para Michael

-Oi Merche... Está tudo bem?

-Michael, preciso de você! - digo, praticamente gritando

-Mercedes, que voz é essa? O que aconteceu?

-Eu vi ele, eu... eu acho que vi! Vem me buscar, por favor!

-Como assim? Me fala onde você está, hum?

-Na pracinha perto do condomínio...

-Ok. O clube é bem perto daí. Se acalme e me espere!

Meu coração parece que vai sair pela boca. Tenho certeza que aquele homem fez de propósito e o que mais me apavora é a fisionomia do homem. Não pode ser coisa da minha cabeça... Era o Edgar e ele fez questão que eu o visse.

-Merche! - Michael pula para fora do carro e corre até onde estou sentada - O que aconteceu? Você está bem?

-Ele quis me atropelar... Ele ia fazer isso!

-Por favor se acalme, você está muito nervosa! Mas... por que está aqui? Eu não disse que tinha que ficar em casa?

-Eu só queria dar uma volta... - começo a chorar como uma criança, me lembrando a todo momento do terror que acabo de viver

Michael me envolve em seus braços e beija minha testa. Abraço-lhe apertado, começando finalmente a me sentir mais calma e protegida.

-Vamos pra casa, ok? Está tudo bem agora...

(...)

-Beba. É água com açúcar. - Michael me estende o copo e eu o pego com as mãos trêmulas

-Obrigada...

-Agora me conte o que aconteceu.

-Eu estava atravessando a rua e de repente o carro veio para cima de mim. Eu não conseguia me mexer... Tinha certeza que ele ia me atropelar, mas o carrou freou e eu pude ver claramente o motorista.

-Você viu quem era?

-Eu não sei... Tenho certeza que era o Edgar, mas ele está preso! Acho que estou atormentada... - Michael abaixa a cabeça, mudando totalmente o seu semblante - Michael?

-Merche, o Edgar está solto. Acabo de saber nesta manhã que ele vai responder em liberdade. - pela primeira vez me sinto acuada por Edgar. Agora tenho certeza absoluta que era ele o motorista desgovernado

-Por que não me contou, Michael?

-Não queria que se preocupasse. Mas como eu poderia imaginar que você ia sair de casa?

-E o que quer que eu faça? Quer que eu me tranque aqui dentro? E agora o que eu faço...?

-Merche, eu prometi que vou proteger vocês e é isso que eu vou fazer. Não quero que se preocupe com nada!

-Eu só quero esse louco longe do nosso filho.

-Ele não vai chegar perto de você. Não vou deixar! Agora tente se acalmar... Quer que eu chame a Maysa pra checar sua pressão?

-Não precisa, eu já estou melhor. Me desculpe te atrapalhar no seu dia de folga. - ele ri

-Acho que foi a coisa mais certa que você fez em toda a sua vida. Por você eu faço qualquer coisa, nunca se esqueça disso. - ele aproxima lentamente seu rosto e meu coração começa a disparar, imaginando sua intenção. Mas infelizmente somos interrompidos pelo seu celular

-É... é melhor atender. - Michael se afasta e atende a ligação

-Oi, May... Estou com a Merche, por quê? - Michael empalidece - Quando foi isso...? Ele quer o que? - ele olha pra mim e imagino que eu esteja no meio do assunto - Eu... Eu vou falar com ela. Até mais, Maysa.

-O que aconteceu?


-Meu pai piorou, Merche. Sentiu fortes dores no peito nessa madrugada e se recusa ir ao hospital.


-Nossa... E como ele está agora?

-Continua fraco. Acho que dessa vez meu pai não vai aguentar... - uno nossas mãos e lhe acaricio de leve

-Por que diz isso?

-Mercedes, meu pai quer ver nós dois.

-O que?

-Meu pai sabe que não vai aguentar muito tempo. Tenho certeza que esse é o motivo para querer conversar com a gente. - sinto em seu toque como Michael está nervoso e amedrontado, só que dessa vez eu não faço ideia de como ajudá-lo

-Bom, só vamos saber o que ele quer se formos falar com ele.

-Você vem mesmo comigo?

-Sim. Se ele quer falar com nós dois deve ser algo importante... - digo, mesmo sem ter noção do que Leon Jackson está tramando dessa vez

-Maysa disse que ele quer falar a sós com nós dois a noite. Mas não acho uma boa ideia que você vá. Não quero que fique nervosa.

-Tenho certeza que não vou ficar. Agora tente não ficar ansioso. Estarei ao seu lado... - ele sorri agradecido e me beija na bochecha

Assim que ele vai embora, fico pensando nesse súbito e estranho pedido de Leon. Será que ele realmente está nas últimas? Analisando meu sentimento por ele agora chega a ser de certa forma inacreditável. Não consigo mais sentir aquele ódio visceral que envenenou meu coração. Sinto por ele o mesmo que passei a sentir por Dominique e Edgar: pena e indiferença. Hoje percebo que a única prejudicada com todo esse rancor fui eu e agora que Deus me deu uma nova chance, vou enterrar todos esses fantasmas e finalmente me libertar de um passado tão sombrio, ainda que ele continue trazendo consequências para nossas vidas.

Capítulo 74

Michael


  O pedido de Leon me deixou extremamente nervoso e com o aproximar das horas, minha ansiedade cresce, mas saber que Mercedes estará ao meu lado, me tranquiliza involuntariamente. 
   Desço do carro e vou buscar Mercedes. Pra ser sincero, eu não queria que ela fosse, mas é impossível persuadi-la, ainda mais geniosa como é. Olho para o relógio e percebo que cheguei cedo. Pra falar a verdade, tenho tentado aproveitar ao máximo meus momentos ao seu lado.

-Merche?

-Tô aqui, Michael! - ouço sua voz vinda da sala

-O que está fazendo? - fico chocado ao ver Mercedes sentada em um sofá repleto de roupinhas de bebê

-Por favor, me ajuda... - ela choraminga. Arrasto as roupas e me sento ao seu lado

-Onde arrumou tanta parafernália, garota?

-Tudo coisa da sua irmã! - ela revira os olhos - Tive a infeliz ideia de dizer que não havia feito o enxoval do bebê e ela me deu o maior sermão...

-Imagino... Então isso tudo aqui é dela?

-Aham. Ela sabe que não posso sair para fazer compras. - Mercedes tenta desfarçar seu desapontamento

-Eu tive uma ideia.

-Que ideia?

-Que tal eu e você irmos amanhã no shopping? Creio que ainda não fez o quarto do nosso filho.

-Ainda não... Mas eu não posso sair.

-Não pode sair sozinha. - lhe corrijo - Estarei com você, então não se preocupe. Além do mais será bom para nos distrair. Sei que está pensando no Edgar...

-Eu bem que tento não pensar... - ela ri - E é por isso que abri todas as sacolas de roupas... Olha isso aqui, Michael! - ela me estende um par de sapatinhos - Como vai caber na criança? É pequeno demais! - dou risada de sua inocência

-É claro que cabe, Merche. Se bobear até sobra. Quando a Agnes nasceu eu também me assustei com a pequenez dela.

-Como foi, Mike? Digo... Como se sentiu quando ela nasceu? Você teve medo? - suspiro demoradamente e decido abrir meu coração

-Sabe, Merche... Eu costumo dizer que Agnes veio ao mundo pra me salvar, pra me tirar da solidão. Como Dominique nunca lhe deu atenção, eu fiz o papel de pai e mãe. Tive muito medo sim. - rio - Principalmente quando ela adoecia. Aos poucos eu fui me acostumando, pegando o jeito... Mas pra ser sincero, eu nunca...

-Nunca o que? Fala, Michael...

-Não estou dizendo que Agnes não me enchia de felicidade, mas é que... eu sempre imaginava ela como nossa filha. Por vezes eu sonhava com você lhe amamentando, embalando o sono dela... Eu pensava em como a vida estava sendo injusta comigo. Eu nunca vivi isso aqui, sabe? Dominique não me permitia acompanhá-la nas consultas, nas compras e nem deixava eu ter esse contato que temos agora. Então pra mim também é como se fosse a primeira vez. - acabo de desabafar e vejo Marcedes com os olhos marejados

-Eu estou feliz por estar aqui comigo. Nós estamos felizes. - Merche levanta sua blusa e acaricia a barriga. Inclino minha cabeça e encosto o ouvido em seu ventre

-Eu amo você, garotão... Se comporte aí, porque... nós precisamos da sua mãe. - Mercedes acaricia meu rosto e sorri

-Nossa! Escuta... ele chutou. - encosto minha cabeça novamente e é impossível não me emocionar com esse fato

-Ele é bem agitado... - rio - Puxou você nesse quesito. - Mercedes enxuga minhas lágrimas e ergue minha cabeça

-Não é só nisso que ele me puxou. Ele também te ama com todo o coração. - me sento novamente e nossos rostos ficam a poucos centímetros de distância. Colo meu nariz no seu e faço um leve carinho

-Pois saiba que esse amor é recíproco. Tanto pra ele... quanto pra você. - Mercedes entreabre os lábios e eu encaro como um convite.

  Ela fecha os olhos e eu mais que depressa colo minha boca na sua. Chupo seu lábio inferior, dou uma leve mordiscada e a puxo contra mim, sugando seus lábios e sua língua aveludada. Merche acompanha meu ritmo, mas parece entorpecida, pois deixa eu mesmo conduzir nosso beijo. Mas bem no ápice do momento, meu celular toca e somos obrigados a nos afastar.

-Alô? - digo, sem tirar meus olhos de Mercedes, que me olha ruborizada

-Michael, estou indo para o plantão. Você já está vindo?

-Sim... Sim, nós já vamos pra aí.

-Então venham, porque meu pai me obrigou a dispensar a enfermeira e eu quero que ela volte assim que vocês terminarem. Você sabe que ele não pode ficar sozinho...
-É, eu sei... Não esquenta, nós já estamos chegando. Até logo.

-Temos que ir, né?

-Temos... Ainda há tempo de desistir. Você não é obrigada a passar por isso.

-Eu vou. Pra ser sincera eu preciso disso. Pra encerrar esse ciclo de uma vez. Me ajuda?

-Claro... - sorrio. Ajudo-lhe a se levantar e abraçados, seguimos para o meu carro

(...)

-Ok, vamos lá... - respiro fundo e abro a porta do apartamento de Maysa. Ela se despede de nós e nos deixa sozinhos para falar com Leon - Se quiser eu entro primeiro... - sussurro

-Não, nós vamos juntos. - ela aperta minha mão e abre a porta do quarto

Me dói ver o estado que meu pai se encontra. Ele retira a máscara de oxigênio do rosto e espera que nos aproximemos.

-Então vieram mesmo... - diz, quase em um sussurro

-Você nos chamou, Leon. - digo - Imaginei que fosse importante.

-Olha como são as coisas... Sempre fui dono de mim, independente, impetuoso... E agora olha só onde estou. A beira da morte.

-Leon, Mercedes não pode ficar muito tempo fora de casa. Te agradeceria se pudesse ser mais específico.

- Vão ser pais, não né? Finalmente essa relação deu fruto. - ele ri, após tossir - Já pensou no nome, Mercedes? - ela treme ao ser citada

-Não... Não tivemos tempo de decidir. - murmura

-Mesmo se tivesse, creio que não me contaria...

-O que quer de nós, Leon? - pergunta, visivelmente nervosa

-Estou com os dias contados, mocinha. Finalmente irei para o lugar que você sempre me mandou ir desde novinha. O inferno.

-O inferno não existe, Sr. Jackson. E se existe, ele é aqui mesmo.

-Eu sei... Ele está me avisando já faz um tempo.

-Ele quem, pai?

-O demônio.

-Pare de falar besteiras. - me enfureço - De onde tira essas coisas?

-Do meu mais profundo remorso. Da minha culpa. Tem momentos que, em silêncio, ouço gritos, ouço o estalo do fogo transformando tudo em carvão... - Mercedes abaixa a cabeça e eu temo pela sua saúde - Sonho com você, Mercedes. - ela esconde o rosto por trás do meu ombro - Sonho com você me sentenciando...

-Leon, para... - peço

-Sonho com você me jogando à fogueira; para o mesmo lugar que sua amiga está.

-Me dê licença! - Merche tenta se afastar, mas ele a impede

-Não saia! Não saia antes de dizer que você venceu. Você conseguiu me derrotar.

-Eu não precisei fazer nada, Leon. Porque hoje eu aprendi que não sou eu que dito a sentença, como você mesmo disse. Somos nós mesmos o nosso próprio algoz, o juiz da nossa vida. E sinceramente, não desejo que morra assim entrevado numa cama. Seria humilhante pra você.

-Humilhante é pedir arrego para a minha maior inimiga. De reconhecer que fui um monstro e que no final não cumpri a promessa de derrotá-la. E mais que isso, reconhecer que eu mesmo provoquei todas as minhas desgraças. Desde minha derrocada à traição da sua mãe, Michael. Nunca fui digno do amor dela e por isso ela se apaixonou por outro. Por isso ela lhe amava mais que qualquer outra coisa. E eu? Eu te reneguei... Eu abri mão de ser seu pai porque eu via o meu amigo em você. O seu pai.

-Por que está falando isso agora? - controlo minhas emoções e me esforço para não chorar

-Porque hoje eu reconheço em você o filho que sempre desejei ter. - percebo algumas lágrimas molharem seu travesseiro - Eu... - Leon fecha os olhos e parece se esforçar com fervor - Eu me orgulho de você. Me orgulho do homem que se transformou. Na verdade sempre me orgulhei e é por isso que sentia tanta raiva de você. Porque eu encarava você como um inimigo, como alguém que estaria sempre competindo comigo. E nos fim das contas eu nunca te vi como... como meu filho. - o aparelho que monitora seus batimentos começa a apitar deliberadamente

-Leon, não se esforce...

-Não, me deixe. Me deixe dizer tudo que está preso aqui dentro. - ele suspira - Sabe, Michael. Eu nunca tive uma relação harmônica com o meu pai. Desde pequeno só o que eu ouvia dele era: "Seja um visionário, não permita que ninguém passe por cima de você." "Não seja sentimental, porque isso é coisa de homem frouxo." " Alcance o poder e não messa esforços para obter o que quer." Só que... o que eu pensei que queria, na verdade era o que ele sempre quis pra mim. Eu tentei fazer o mesmo com você e pensei que repetiria a história. Mas foi justamente o contrário. Você nunca seria como eu, e não digo por conta do sangue, mas sim porque nunca permitiu que eu envenenasse seu coração, assim como fiz com Edgar. - ele cerra os punhos e trava o maxilar - Não imagina como eu desejaria hoje que ele fosse como você.

-E você não imagina como eu gostaria de ter ouvido isso antes, pai... Nos momentos em que eu mais precisei. - digo, agora sem controlar mais as lágrimas. Leon seca o rosto e dá sua costumeira risada disfarçada de ironia

-Mas não podemos mudar o passado. Vocês dois mais do que ninguém sabem. Pra mim já não tem mais jeito, na verdade seria até tolo. Agora... vocês sim podem remendar os trilhos. Era só isso que eu queria dizer, ou melhor... que eu queria que soubessem.

-Vamos, Michael... Não pode continuar assim. - Merche sussurra, tentanto me acalentar

-Eu... Eu espero do fundo do meu coração, pai... Que Deus lhe dê uma nova chance. Afinal todos merecem...

-Não clame à Deus misericórdia por mim. Peça agora pelo seu filho. Seja para ele o que eu não pude ser para você e seus irmãos. Porque... tenho que reconhecer que não há defeitos em você quanto à paternidade. Deve ter puxado da sua mãe ou do seu pai...

-Adeus, Leon... - é só o que consigo dizer até me virar de costas e sair do quarto com Mercedes

(...)

-Jamais poderia imaginar que viveria para ver isso. - quebro o silêncio. Estamos encostados no carro, mas Mercedes permanece pensativa

-Nem eu... Mas acho que pra você foi bom ouvir isso. Em linhas completamente tortas ele quis dizer que te ama.

-Você tem razão. Sei que nunca teremos qualquer tipo de relação, mas parece que tirei um peso das costas. Um peso que carreguei a vida toda... E você? Como se sente depois de tudo que ele lhe disse? - ela suspira, ainda sem tirar os olhos do chão

-Não sei... talvez choque... É isso.

-Vem, vou te levar pra casa...

-Espera! Tenho que subir.

-Por que?

-Não encontro meu celular. Acho que deixei em cima daquele balcão.

-Eu pego, pode deixar.

-Não precisa! - ela se adianta - Não vai te fazer bem voltar lá. Deixe que eu mesma pego. Me espere aqui. 

-Mas, Merche...

-Michael, eu estou mais forte que você hoje. Eu não demoro. - ela abre um sorriso inseguro e se afasta, entrando no edifício novamente

Alguns minutos depois, Mercedes retorna. Eu já estava quase indo atrás dela, tamanha a demora.

-Por que demorou tanto? Fiquei preocupado...

-É a droga do elevador. Algum filho da puta estava fazendo hora. -responde, parecendo bem irritada

-Mas achou o celular?

-Sim, sim! Estava lá mesmo... Vamos embora?

-Vamos...




Capítulo 75

Mercedes

  No dia seguinte, Michael me ligou bem cedo para combinar de irmos ao shopping. Eu vibrei quando escutei sua voz e fiquei feliz por vê-lo mais animado depois de ontem. Pois é... passei a noite toda pensando nas coisas que Leon disse e o que mais me surpreende é o fato dele ter sido sincero, deu para ver em seus olhos.
Hoje eu não lhe desejo mais aquele mal que só sabia me tirar a paz. Leon é dono do seu nariz e só cabe à ele e à Deus resolver suas pendencias. Sei que a dor que vivi não se apagará da noite para o dia, mas pela primeira vez vou permitir que minha mente e meu coração se libertem de toda essa mágoa.

Me olho no espelho após trocar de roupa pela décima vez. Estou quase chegando aos sete meses de gestação e a minha barriga parece que vai explodir, assim como meus seios. Roupa nenhuma fica bem em mim. Ora me deixa desconfortável, ora pareço um balão.

-Mercedes, o Sr. Jackson já está na sala te esperando - Nancy me avisa

-Fala sério, esse vestido está horrível, né?

-Imagina, Mercedes! Você está linda! E o vestido realçou sua barriguinha.

-Barrigão né? Ah... eu desisto! Deixe eu ir antes que ele venha aqui me buscar...

Michael me pega de surpresa quando lhe vejo em pé, segurando um buquê de rosas. Ele abre um lindo sorriso e vem ao meu encontro.

-São pra você... Certa vez você me disse que não via graça nenhuma nas flores, mas tive a remota esperança de que a gravidez lhe deixaria mais sensível.

-E acertou. Elas são lindas... - pego o buquê das suas mãos e inalo demoradamente o perfume - Obrigada... Vou pedir para Nancy colocar em um vaso.

-Não tem de quê. Dormiu bem?

-Não muito... Não tenho posição para dormir, isso está me matando! - Michael ri - E você? Como passou a noite? Já falou com a Maysa?

-Ainda não. O plantão dela termina 10:30 e ainda são 8:00 horas. Não quis atrapalhar... Mas respondendo sua pergunta... Por incrível que pareça, eu consegui dormir. O dia ontem foi emocionante para mim...

-Faço ideia... Quer tomar café ou ir de uma vez?

-Já tomei, obrigado. É melhor irmos agora que o shopping está vazio. Sei que detesta tumulto.

-Tem toda razão! - me viro para pegar a bolsa, mas noto que Michael continua me olhando

-A propósito, você está linda hoje... Quer dizer, está cada vez mais linda.

-Não precisa mentir. Sei que estou parecendo uma orca! - Michael gargalha

-Você diz cada coisa...

(...)

Assim que chegamos no shopping, fomos direto para a loja de móveis escolher o berço do bebê. Deixei essa tarefa para Michael, já que ele tem certa experiência. Pra falar a verdade eu deixei tudo por conta dele. Só dei pitaco mesmo em relação à decoração do quarto, na qual entramos em discussão e eu acabei vencendo.

-Ainda acho que a decoração tinha que ser mais neutra, meiga... - diz pela milésima vez

-Já disse que isso não combina com a criança. Qual a parte que você não entendeu?

-Não combina com nosso filho ou com você?

-Ele está na barriga de quem? - Michael se cala, vencido pelos meus argumentos. Ouço ele bufar logo atrás de mim e começo a rir - Admita, eu te ganhei nessa.

-Vamos ver se continuará com essa pose quando ele escolher o time de basebol do pai dele.

-Até lá eu irei persuadi-lo. - me sento na cadeira e corro meus olhos pelo cardápio da lanchonete - Hm... Vamos pedir pizza?

-Às 10:00 horas da manhã?

-Qual é... Eu estou com desejo. Por favor, divide comigo...

-Ok, madame... Vamos pedir pizza! - sorrimos um para o outro, e como sempre o celular tem que nos interromper - Oi Maysa... Que voz é essa? Calma, fala devagar... Onde você está? Ok, vou agora mesmo pra aí. - Michael guarda o celular e se levanta rapidamente

-O que aconteceu?

-Eu não sei... Ela não soube explicar. Maysa está descontrolada e me pediu para ir ao hospital agora.

-Então vamos! - cato minha bolsa e Michael, as sacolas. Tenho a sensação que algo de trágico aconteceu ou está prestes a acontecer

(...)

Ao chegarmos no hospital, já é possível notar um certo tumulto, o que deixa Michael ainda mais nervoso. Conseguimos um elevador disponível e seguimos direto para o andar que Maysa se encontra.
Assim que pegamos o corredor, avistamos o noivo de Maysa que parece estar à nossa espera. Ele também está inquieto, o que aumenta o clima de suspense.

-Dereck, onde está a minha irmã? - Michael pergunta, aflito

-Na sala... Michael, você precisa se acalmar... - ele pede, mas Michael lhe ignora e entra apressado na sala

Nos deparamos com Maysa, Corine e algumas pessoas reunidas em grupo. As duas estão inconsoláveis e por um momento, imagino que se trata de Leon. Será que ele piorou de ontem para hoje?

-Maysa... - Michael caminha até ela e logo se abraçam forte. Ela chora em seus braços e eu começo a crer na minha teoria - Não me diga que o nosso pai...

-Ele foi assassinado... Nosso pai foi assassinado! - tanto eu quanto Michael paralisamos imediatamente





-O que? - ele pergunta, absorto - Que brincadeira é essa?






-Infelizmente não é, Michael. - Corine diz - Quando chegamos em casa hoje pela manhã encontramos seu pai baleado...

-Mataram ele, Michael! Mataram o nosso pai com um tiro no peito! - ela grita descontrolada

As pernas de Michael fraquejam e eu corro para apoiá-lo em meus ombros. Corine me ajuda a sentá-lo no sofá e eu logo busco um copo de água para dá-lo.

-Michael, olha pra mim. - peço - Consegue me ouvir? - ele apenas concorda com a cabeça. Ajudo-lhe a beber a água e aos poucos ele começa a acordar do choque

-Como... Como isso foi acontecer? - ele pergunta com a voz trêmula - Ele suicidou...?

-A polícia está investigando. Assim que eu cheguei em casa e vi aquela cena, eu tentei reanimá-lo, mas foi em vão...

-Meu Deus, isso é um pesadelo!

-Calma, Michael... - digo, me sentando ao seu lado - Logo a polícia vai dar as informações e você precisa estar bem para isso.

-Pessoal, o delegado esta aí. - Dereck avisa. Michael se levanta e fica ao lado de Maysa

-Bom dia. - o delegado diz ao entrar - O legista acaba de finalizar a autópsia e me deu algumas informações.

-E o que ele disse? Foi mesmo suicídio? - Michael pergunta

-Não, não foi suicídio. Uma porque não encontramos nenhum revólver no local, e também não há vestígio de pólvora no corpo. Levando em conta que não houve arrombamento e a opção de assalto foi descartada... Sinto em dizer, mas o pai de vocês foi assassinado.

Abro a boca e não consigo emitir nenhum som. Olho para Michael e a sua expressão é de choque assim como a minha.

-Não pode ser... - Maysa diz, inconformada

-A partir de agora a investigação será mais minuciosa. Já mandei checar as filmagens das câmeras de segurança de ontem à noite e colherei depoimentos.

-Mas por que de ontem a noite? - pergunto - Já sabem quando ocorreu o crime?

-Pela temperatura do corpo, estipulamos uma margem de 14 horas atrás. Provavelmente ocorreu às nove, nove e meia da noite.

-Vocês estavam lá esse horário. - Maysa diz - Não viram nada suspeito?

-Espera, vocês estavam no local do crime? - o delegado pergunta, demonstrando interesse

-Sim... - Michael responde - Fomos conversar com meu pai e assim que terminamos fomos embora... - Michael me olha e eu não entendo seu olhar confuso sob mim

-Certo. Bom, eu aconselho irem para a delegacia para eu colher seus depoimentos.

-Claro, nós iremos... - Michael garante

-Não demorem a comparecer. - ele pede e antes de sair nos olha mais uma vez

Algo em meu coração me dá a sensação de que o pior ainda não passou. Eu sei que os depoimentos são de praxe, mas me sinto insegura. Extremamente insegura...



Capítulo 76

Michael


   Sinto que a qualquer momento vou desabar com toda essa tempestade em nossa vida. Acabo de saber que meu pai foi assassinado e ao invés de poder ficar ao lado de Maysa, tive que vir para a delegacia com Mercedes. Ela parece nervosa e inquieta e eu temo pelo seu estado avançado da gravidez. 
    Por mais que eu tente encontrar uma resposta para o que aconteceu, não consigo entender em que momento esse crime ocorreu. Ao mesmo tempo me vem na cabeça a ida de Mercedes até o apartamento. 
   Por Deus, não desconfio dela! Mas é certo que esse fato vai comprometê-la. Minha cabeça está tão confusa que ainda não tive a oportunidade de falar com ela. Pelo menos para entender o que está havendo. 
Assim que chegamos na delegacia, o delegado me conduz até sua sala. Olho para Mercedes pela última vez, respiro fundo e entro.

-Sente-se, Sr. Jackson.

-Obrigado. Pode me chamar de Michael, Sr. Robert. - ele se senta de frente para mim e inicia seu interrogatório

-Certo, Michael. Me diga... Como era sua relação com Leon Jackson? Eram próximos?

-Não. - respondo com sinceridade - Eu e meu pai nunca fomos próximos, mas justamente ontem foi a primeira vez que abrimos o coração um para o outro.

-Não notou nada de diferente no ambiente? Até mesmo em seu pai.

-Ele estava fraco por conta da doença, mas não vi nenhuma anormalidade.

-A que horas chegou no apartamento?

-Por volta das 20:50... Não demoramos por lá. Às 21:20 mais ou menos já tínhamos saído. - penso em relatar o fato de Mercedes retornar ao apartamento, mas prefiro guardar para mim

-Há mais alguma observação que queira relatar?

-Não senhor.

-Sabe quem teria interesse em matar seu pai? - novamente uma onda de confusão penetra minha mente. O delegado parece perceber minha inquietude - Sr. Jackson, sei que está abalado, mas é muito importante suas informações para montarmos as peças, entende?

-Claro, claro... Mas respondendo sua pergunta... Meu pai nunca teve boa índole. Ao longo dos anos ele contraiu inimizades até mesmo ao ponto de ser assassinado.

-Então sabe quem poderia ter atentado contra a vida de seu pai? - ao me fazer essa pergunta, penso involuntariamente em Mercedes. Mas não, ela jamais faria isso...

-Me desculpe, delegado... Eu estou confuso. Juro que farei de tudo para contribuir nas investigações, mas no momento é difícil para mim.

-Eu compreendo... Me diga, a mulher que estava com você no apartamento... É sua esposa?

-Não, mas já nos relacionamos. Inclusive vamos ter um filho.

-Certo... E qual a razão dela ter ido com você ver seu pai? Pelo que me disse foi uma conversa íntima. - respiro fundo e depois de muito pensar decido ser franco

-Meu pai e Mercedes nunca se deram bem, até mesmo antes de eu conhecê-la. Te digo que a relação deles ainda era pior que a nossa. Ele nunca aprovou nosso relacionamento, mas ontem ele se mostrou condescendente.

-Então está me dizendo que Mercedes Navarro pode ser considerada como uma "inimiga" de seu pai?

-Mas isso foi antes! - me adianto a dizer - Eles já tiveram momentos críticos, mas te garanto que essa fase passou.

-Sr. Jackson, não lhe farei mais perguntas, até porque você não pode responder por ela. Está liberado.

-Mercedes vai depor agora?

-Sim. Preciso desse depoimento o mais depressa possível. Obrigado pela sua ajuda, Sr. Jackson

Deixo sua sala temendo por Mercedes. Não sei se fiz certo em contar sobre sua relação com meu pai, mas cedo ou tarde ele descobriria. Tenho certeza que Mercedes se sairá bem, afinal ela não tem nada que temer.

Mercedes


  Assim que Michael sai da sala, o guarda me chama. Respiro fundo, me levanto e vou ao encontro de Michael. Ele está nervoso e não me olha nos olhos.

-Vai dar tudo certo. - sussurra ao passar por mim. Apenas aceno com a cabeça e entro na sala

-Sente-se, senhorita. Sei que está com a gravidez avançada e eu prometo não demorar. Se sente bem?

-Sim. Pode começar...

-Bem, me diga... Qual seu grau de parentesco com Leon Jackson?

-Não temos nenhum laço um com outro. Quer dizer, eu e Michael já fomos casados e agora vamos ter um filho.

-E você já conhecia Leon antes de se relacionar com o filho, certo?

-Sim...

-Pode me explicar melhor, senhorita?

-Claro. - suspiro - Quando tinha 18 anos, eu e meus amigos morávamos no Brooklyn e tínhamos posse de um galpão. Leon como um empresário astuto sempre tentou tomá-lo de nós, mas travávamos uma árdua luta. Só que o destino fez com que eu me apaixonasse justamente pelo filho dele.

-Imagino que isso tenha piorado a convivência entre vocês...

-Não imagina como... Leon fez de tudo até conseguir me distruir.

-Por que diz isso? - fico em dúvida se conto sobre o incêndio, mas como advogada sei que detalhe nenhum deve ser omitido

-Seria inútil falar disso, mas é algo que não deixa de ser importante. Há doze anos atrás esse mesmo galpão foi incendiado criminalmente por Leon Jackson e seu filho Edgar, que inclusive estava preso até pouco tempo. - o delegado arqueia a sobrancelha e eu me arrependo amargamente por ter contado esse fato

-É uma acusação muito séria, Srta. Navarro. Você tem provas?

-Não, apenas a confissão de ambos. E... o testemunho de Michael. Leon também confessou seu crime diante dele.

-Pelo que vejo a richa de vocês dois é mais séria que pensei.

-Espera... o senhor acha que eu matei Leon?

-Eu não acho nada, Srta. Navarro. Estou apenas fazendo o meu trabalho. Bem, voltando ao dia do crime... Ah que horas deixou o apartamento?

-Por volta das nove e vinte. - me lembro do momento que tive que retornar ao apartamento para buscar meu celular

-Algum problema, senhorita?

-Bem, eu... Eu tive que voltar ao apartamento, depois que Michael e eu descemos.

-E por qual motivo?

-Havia esquecido meu celular.

-E demorou quanto tempo?

-Não muito... - respondo, confusa - Não sei responder com precisão.

-Sem problemas, as filmagens me darão a resposta. Está liberada, Srta. Mercedes. Sugiro que não deixe a cidade em hipótese alguma e esteja a disposição, pois a qualquer momento poderá voltar aqui. Tenha um bom dia. - me levanto um pouco zonza, entendendo claramente as insinuações do delegado

Não estou preocupada, afinal eu não fiz nada de errado e as câmeras de segurança do corredor vão confirmar minha versão. Agora é respirar fundo e esperar paciente pelo fim desse pesadelo.



Capítulo 77

Michael


 Tentei esperar por Mercedes, mas infelizmente eu tinha que voltar para o hospital. Maysa precisa de mim mais do que nunca e eu também preciso dela. Temos que esperar a liberação do corpo para fazermos um enterro digno.

-E aí, meu irmão. Como foi na delegacia? - Maysa sorri fraco ao me ver

-Tenso... Acho que prejudiquei Mercedes.

-Por que diz isso? - ela se recosta no sofá e me encara

-Maysa... Eu não sei como proceder... - respiro fundo - Tudo aponta para a Mercedes.

-Como é? Acha que ela matou nosso pai?

-Não, eu não acho nada! É que... ela foi a última a deixar o apartamento e esse fato lhe compromete. Estou atormentado e não sei o que pensar.

-É certo que Mercedes sempre odiou nosso pai e prometeu destruí-lo. Mas não acho que ela teria coragem. Você acha?

-Não... Mercedes não é uma assassina... - afirmo, sem tirar meus olhos do chão

-Vocês conversaram depois de darem os depoimentos?

-Não... Judith ficou lá lhe esperando e eu vim pra cá. Mas eu vou falar com ela.

-Faça isso...

-E quanto ao corpo? Quando vão poder liberar?

-Em breve. Os legistas estão lhe examinando e como se trata de um homicídio, leva tempo...

- E o Edgar? Já tem notícias dele?

-Ainda não. Mas acredito que ao saber da morte do papai ele virá.

-Desde que não fique no meu caminho... Ah, Maysa peça a Corine para ficar com a Agnes. Vou até a casa da Mercedes.

-Claro. Se cuida.

-Você tambêm... - trocamos um abraço carinhoso e eu lhe beijo na testa

(...)

 Assim que Mercedes abriu a porta, senti um alívio instantâneo ao vê-la. Merche tem o dom de me acalmar nos meus momentos mais turbulentos. Mas apesar disso, sinto um certo bloqueio entre nós.

-Como se sente? - ela pergunta ao me abraçar

-Chocado... Ainda não consigo acreditar que essa tragédia aconteceu. E você, está bem? Me desculpe não te esperar, mas você sabe a loucura que estamos vivendo.

-Não se preocupe...

-Como foi seu depoimento? - noto-a desconfortável, o que aperta ainda mais meu coração

-Pra ser sincera, não foi nada bom. Mas isso é normal. Quando estagiei na faculdade acompanhei alguns processos...

-Entendo. E você contou toda a verdade? - ela semicerra os olhos

-Aonde quer chegar, Michael? Eu contei o que aconteceu, oras!

-Não precisa se exaltar, Mercedes. Só te fiz uma pergunta. - ela retoma em seu rosto a expressão serena

-Me desculpe. Acho que estamos estressados. É muita informação na nossa cabeça. Eu... eu vou pedir a Nancy pra fazer um chá pra gente. Já volto. - ela se levanta e a vejo olhar para a sua bolsa na cômoda. Percebo que ela tem vontade de pegá-la, mas ao olhar pra mim, ela desiste e segue para a cozinha

  Me despojo no sofá e fecho os olhos, respirando profundamente. Abro os olhos novamente e avisto a bolsa de Mercedes. Não sei por que razão esse objeto me chamou atenção, ou se foi pela sua reação.
 Levanto-me e olho ao redor para saber se Mercedes vem. Com a negativa, caminho até a cômoda e abro sua bolsa. Eu não queria xeretar, mas fui traído pela curiosidade.
 Eu já estava prestes a fechá-la quando algo me chama atenção. Pego o objeto que está embrulhado em uma espécie de capa protetora e o abro. Meu coração falha ao ver que se trata de um revólver. Ouço a voz de Mercedes e rapidamente o escondo em meu paletó, me recompondo em seguida.

-Pode me dar uma ajudinha? - ela pede, trazendo uma bandeja nos braços

-Claro! Mas que ideia de trazer isso sozinha! Não esqueça que está quase de sete meses! - termino de dar a bronca e ao servir o chá com a mão trêmula, acabo derrubando o líquido quente sob minha pele - Que droga!

-Hey, calma... Parece nervoso, Michael. - não consigo disfarçar meu choque - Está ardendo? - apenas aceno com a cabeça - Eu tenho uma pomada que vai aliviar. Maysa me deu quando a Dominique me queimou. Está na minha bolsa, só um momento. - Merche se levanta e vai até a cômoda. Ela revira a bolsa e paralisa ao dar pela falta do revólver

-Procurando alguma coisa? - Merche ergue a cabeça e se vira para mim. Deixo claro em meu jeito de olhar sobre o que eu estou me referindo

-Do que está falando? - retiro o revólver do meu paletó e lhe mostro

-O que isto estava fazendo na sua bolsa? Pelo amor de Deus, me responda! - ela cruza os braços e me olha apática

-Não lhe devo nenhuma explicação, mas se quer, tudo bem. Eu tenho esse revólver há oito anos, inclusive ele é registrado. Depois que soube que Edgar estava livre e que anda me perseguindo, eu resolvi deixar na minha bolsa. Você não está pensando que... Ah meu Deus... - Merche cobre a boca com as mãos e anda de um lado para o outro - Você acha que eu matei seu pai!

-Não seja absurda! Não coloque palavras na minha boca!

-E o que foi isso então? Agora entendo porque está me olhando assim!

-Mercedes, para! Eu só te fiz uma pergunta!

-Não, você me interrogou! Meu Deus, não posso acreditar...

-Mercedes, eu não desconfio de você! Mas você há de entender que pra qualquer um isso tudo seria suspeito!

-Inclusive pra você. - rebate, com os olhos marejados

-Merche, eu tô atormentado... Acabei de saber que meu pai foi assassinado, tive que ir direto pra a delegacia... Minha cabeça está a mil!

-Eu esperava isso de qualquer um, Michael... Vai me punir até quando?

-Mercedes, me entenda! Meu bem, eu sei que você jamais mataria alguém, mas eu estou preocupado com você!

-Vá embora. - pede calmamente, virando-se de costas para que eu não a veja chorar

-Merche...

-Vá, Michael! Eu nunca precisei de você. Saberei me virar sozinha. Vá!

 Não me resta a fazer mais nada que não seja ir embora.

-Deixe a arma onde estava. - ela pede

-Desculpe, mas isso eu não farei. Vou me livrar disso agora mesmo!

-Você não vai fazer nada! Eu não tenho nada a esconder e agora pouco me importa se isso vai piorar minha situação. Eu sou a principal suspeita, não é isso? - ela ri - Devolva a minha arma e suma daqui.

-Ok... - jogo o revolver no sofá  assim como ela pediu - Eu espero que quando estiver mais calma você perceba que a maior culpada pelo nosso afastamento é você. - ela fecha os olhos e grossas lágrimas rolam pelo seu rosto

 Enxugo meu rosto, que também está banhado de lágrimas, e me viro para ir embora. Eu nunca acreditei que um coração pudesse aguentar tanta dor como o meu. E eu não sei se vou suportar mais essa.


Capítulo 78

Mercedes


Uma semana depois


  Me encolho na minha cama e continuo a chorar baixinho. Sinto tanta dor no peito que só extravasar as lágrimas não é o suficiente para me aliviar. Não acredito que todo esse pesadelo está acontecendo de novo. Parece que o sofrimento nunca tem fim!

(...)

 Depois de tomar um calmante, o sono me dominou e eu só acordei agora com o toque do meu celular. Tem sido assim durante todos esses dias.
  Olho para o visor e vejo o nome de Maysa.

-Merche? Graças a Deus atendeu! Passei a semana tentando ligar pra você. Como está?

-Bem... - murmuro - Aconteceu alguma coisa?

-Não, só queria mesmo falar com você. Michael contou sobre a conversa que tiveram...

-Assim como ele você acha que matei seu pai?

-Mercedes, Michael nunca pensou nisso. Ele está preocupado porque tem medo que o crime recaia sobre você.

-Eu não quero discutir isso, Maysa. - digo, encerrando o assunto

-Tudo bem... O corpo do meu pai foi liberado agora de manhã. Vamos enterrá-lo à tarde. Você... vai?

-Me desculpe, Maysa. Mas é melhor eu não ir. Seria falso da minha parte velar o corpo do homem que acabou com a minha vida.

-Eu entendo... Bem, o enterro será às duas da tarde no mesmo cemitério que mamãe está enterrada. Se mudar de ideia... Nesse momento Michael precisa de você.

-E eu preciso de quem, Maysa? - ela fica em silêncio - Preciso desligar. Até mais e... sinceramente, eu sinto muito pelo o que está passando.

-Eu sei que sim, Merche. Obrigada...

(...)

 Retiro os óculos e de longe avisto o cortejo de Leon. Depois de muito bater cabeça decidi assistir ao funeral, claro, sem que me vejam. Por mais que eu tenha dito que seria falso da minha parte, eu vim por Michael. Sei o quanto ele está sofrendo e de alguma forma, quero lhe passar minha proteção, embora eu esteja magoada. 
  Me dói ver a expressão de dor estampada em sua face abatida. Maysa está abraçada à ele e tudo que eu mais queria era poder estar ao seu lado também. 
 O momento mais difícil foi quando os coveiros prepararam o caixão para ser enterrado. Por ter sido um funeral restrito para a familia, não demorou muito para ser concluído. 






 Assim que Leon é enterrado, Michael joga uma rosa branca e se afasta, sendo amparado por Maysa e Corine. Eu já estava decidida à ir até ele e lhe abraçar, mas meu celular toca e eu sou obrigada a atender.






-Falo com Mercedes Navarro? - a voz de um homem surge na linha

-Sim. Quem é?

-Sou o Delegado Robert. Minha equipe foi até sua casa, mas não lhe encontramos. Está na cidade?

-Sim, senhor. - reviro os olhos

-Ótimo. A senhorita tem condições de vir até aqui?

-Claro. Algum problema?

-Tratemos disso pessoalmente. Estou à sua espera, senhorita.

 Encerro a ligação e sinto um frio na espinha. Pela voz do delegado, minha situação não é nada boa e está na hora de chamar Dr. Clinton para me ajudar.

(...)

-Mercedes, você tinha que ter me chamado no momento que deu o depoimento! - diz Clinton, enquanto esperamos ser chamados

-Mas era só um depoimento! Como eu iria imaginar que ele desconfiaria de mim?

-E o que foi que você disse?

-A verdade. Eu não fiz nada, Clinton! Não tem porquê eu estar aqui!

-Mercedes, se acalme. Pense no seu filho.

-Você está certo... - respiro fundo e tento me acalmar

-Srta. Mercedes, pode entrar. - avisa o guarda

-Bem vinda novamente, Srta. Navarro. - Dr. Robert aperta minha mão e a de Clinton - Como vejo veio preparada.

-É o aconselhável a se fazer em qualquer caso, doutor delegado. - Clinton explica

-E... por que eu fui chamada de novo?

-Srta. Mercedes, serei bem franco. Estamos com um problemão.

-Como assim?

-Já verificamos as filmagens e... há um erro. As gravações do momento em que a senhorita entra no apartamento em diante foi apagada. 

-E o que a minha cliente tem com isso? O fato das filmagens terem sido apagadas não quer dizer que Mercedes tenha assassinado Leon Jackson.

-Mas é estranho, não acha, Doutor?  Já investiguei a vida da sua cliente e  todos com quem eu falei garantiram que ela e Leon eram inimigos fortes. Ou melhor, era sua principal inimiga. E não é só isso. Sei que tem  posse de um revólver calibre 38. Coincidentemente o mesmo calibre usado para matar Leon, mas no caso, foi utilizado um silenciador.

 Meu coração acelera e pela primeira vez sinto que estou perdendo o controle da situação. Todas as evidências apontam para mim.

-Isso não quer dizer nada! - digo, insegura - Tenho sim um revólver registrado. Por acaso é crime?

-Senhorita, cá entre nós... Não acha que são coincidências demais? Leon era seu maior inimigo e há relatos de que a senhorita prometia se vingar dele.

-Sim e isso nunca foi segredo. Disse diversas vezes isso para qualquer um que cruzasse meu caminho!

-Mercedes, não piore as coisas! - Clinton pede - Delegado, poderia ser mais claro nas suas insinuações?

-Não são apenas insinuações, mas tudo bem... A senhorita vai até o apartamento acompanhada de Michael Jackson, saem juntos, retorna para assassinar Leon e ao se aproximar o momento da morte ser revelada, a senhorita  consegue fazer com que essas filmagens sejam apagadas.

-Eu não fiz nada disso!

-Senhorita, você foi a única a deixar o apartamento! Não há outra explicação! - ele suspira - Tenho um mandado de busca para o seu revólver ser periciado. E levando em conta seu histórico policial, providencio prisão preventiva.

-O que? - grito aterrorizada

-Recorro prontamente! - diz Clinton - Mercedes deve responder em liberdade, além do mais ela tem uma gravidez de risco, não pode ficar presa! - ele pensa por um tempo e volta a dizer

-Tudo bem... Deixarei a senhorita livre até periciarmos seu revólver. Caso seja confirmada minha suspeita, serei obrigada a prendê-la e terá que aguardar o julgamento. Está liberada, senhorita.

 Não consigo escutar ou assimilar nada ao meu redor. Estou sendo acusada de matar Leon e eu não tenho como provar minha inocência. Clinton me leva amparada em seus ombros e me senta no banco. O guarda me oferece uma água, mas não consigo beber, pois sinto um nó na garganta.

-Eu vou te levar para o hospital agora!

-Não, eu estou bem... Só quero ir pra casa, por favor... Não suporto este lugar!

-Se assim deseja... - me sentindo um pouco melhor, consigo me levantar. Clinton me apoia em seus ombros e finalmente me tira dali

(...)

-O oficial de justiça acaba de levar o revólver. - Clinton avisa. Estou deitada na minha cama, sentindo um forte enjoo 

-Estou perdida, não é?

-Claro que não, Mercedes! Assim que a perícia ficar pronta será confirmado que a arma não nunca utilizada. Você mesma disse que comprou e nunca usou.

-Nunca... Mesmo assim, Clinton. Eu tenho tanto medo... Não sei mais o que fazer! - fecho meus olhos após mais uma onda de tontura

-Confie em mim! Já estou trabalhando nisso. Mercedes, agora é o momento que você mais precisa para ser forte.

-Eu não aguento mais... Juro que se não fosse meu filho, eu desistiria de tudo!

-Você não vai fazer isso. Não tem nada a temer, ok?

-Michael já deve estar sabendo das novidades, não é?

-Provavelmente...

-Agora sim ele terá motivos para suspeitar de mim... - em meio ao choro, começo a rir

-O que você tem?

-É engraçado o destino, né? Tudo que eu fiz de errado durante toda a minha vida está voltando para mim. Ele é implacável...

-Mercedes, isso não é castigo nenhum.

-É sim! Estou pagando por tudo que fiz. Estou sozinha, grávida e correndo o risco de perder meu filho. E agora, posso passar o resto da minha vida na cadeia por ser acusada de matar justamente Leon Jackson!

-Tome o seu calmante, está delirando! Vou telefonar para a Dorothy. O avião já deve ter aterrizado. Estarei na sala, ok? Qualquer coisa me chama. - ele beija minha testa e se levanta

 Não consigo nem mais chorar. Acho que minhas lágrimas secaram. Estou me enterrando numa cova que eu mesma me enfiei e agora ninguém pode me puxar. O que eu vou fazer para acordar desse pesadelo?



Capítulo 79

Michael


   Estou apático após a notícia que recebi do delegado. Ao que parece tudo indica que Mercedes matou meu pai, mas eu sei que isso não é verdade. Eu confesso que quando achei o revólver na sua bolsa, eu fiquei espantado, mas juro pela vida dos meus filhos que em momento algum duvidei de Mercedes. Sei que deixei transparecer isso e é mais que justo ela estar magoada, mas eu também estou sofrendo. Ela deveria entender isso.

-Já está sabendo das novidades? - Maysa pergunta

-Sim... Eu queria tanto vê-la, dizer que acredito nela e que tem meu apoio. Mas Mercedes proibiu minha entrada e não atende meus telefonemas... Nem ao menos sei como está meu filho!

-Michael, dê um tempo... Ela está preocupada com toda a confusão que está acontecendo e pelo que disse no telefone, ela está bem magoada com você.

-Eu deixei minhas inseguranças falarem mais alto e agora ela pensa que eu duvido dela. Mas mesmo que não me queira por perto, farei de tudo para provar a inocência dela!

-Michael, não há nada que possamos fazer. Tudo depende de tempo. A polícia já pediu a restauração das filmagens e isso leva tempo para ficar pronto, assim como a perícia no revólver da Merche.

-E a enfermeira do papai? Ela disse quando volta da viagem?

-Não... Ela disse que a saúde do sogro dela está precária e não sabe quando volta.

-Merche, você não acha estranho? Justamente na noite que Leon é morto ela tem que viajar às pressas?

-Acha que ela está fugindo de alguém?

-Quer saber? Eu acho sim... - me levanto do sofá, sabendo exatamente o que devo fazer

-Aonde vai, Michael?

-Vou falar com o delegado. Contarei sobre minha suspeita e ele será obrigado a intimá-la. Se ela esconde algo, nós vamos saber.

(...)

-Boa tarde, Sr. Jackson. - cumprimento formalmente o delegado - Estou surpreso com a sua visita. Veio saber novidades sobre o caso do seu pai?

-Não. Na verdade eu vim trazer uma informação e creio que você possa me ajudar.

-No que se refere?

-Há uma pessoa que pode ser testemunha do que realmente aconteceu no dia da morte do meu pai. Sua enfermeira, Alana Smith.

-Mas sua irmã disse em depoimento que ela não estava no apartamento.

-Sim, mas ela deveria ter voltado assim que eu e Mercedes fomos embora. Mas então ela ligou para a Maysa e disse que tinha uma emergência na cidade da família dela.

-O que o senhor quer dizer com isso?

-Agora que estou colocando minha cabeça em ordem, consigo raciocinar. Acho muito estranho essa coincidência. Suspeito que ela saiba o que aconteceu e fugiu por medo. - Robert imediatamente disca os números no telefone

-Randy, venha até a minha sala.

-O que pretende fazer, delegado?

-Vamos contatar essa mulher e intimá-la a depor.

-O senhor poderia me avisar quando ela vier? Dr. Robert, se Alana está acuada, não vai dizer nada. Me deixe falar com ela antes. Ela trabalha conosco há bastante tempo e acho que posso ajudar se eu passar segurança à ela.

-Não pode coagir a testemunha, Sr. Jackson.

-Não vou coagir ninguém, eu só quero a verdade! Tenho direito de saber quem tirou a vida do meu pai!

-Tudo bem, eu entendo. Avisarei assim que entrarmos em contato com ela. Agradeço pela sua colaboração, Sr. Jackson. Creio que em breve poderemos concluir a investigação.

(...)

Semanas depois


    Toda essa lerdeza no processo de investigação me deixa atordoado. Robert ainda não conseguiu achar o paradeiro de Alana e os demais resultados da perícia estão para ficar pronto essa semana.
   Meu único momento de calma é quando estou com Agnes. Ela percebe que o clima está pesado e com sua sensibilidade, consegue me tranquilizar.
Quanto à Mercedes, bem... não falo com ela desde o dia que me enxotou da sua casa. As únicas notícias que tenho dela vem por Agnes e Maysa, que a leva para vistá-la. Segundo minha irmã, Mercedes não está em seu juízo perfeito. Não conversa, não se levanta da cama e não esboça nenhuma reação quanto à tudo que está acontecendo.
   A boa notícia é que Mercedes será obrigada a sair de casa hoje para fazer o pré-natal. Ela já chegou aos sete meses e meio e essa fase, para o seu quadro, é crucial. Eu só não lhe procurei antes por medo de mexer com seus nervos e prejudicá-la. Mas hoje ela terá que me ouvir.
Maysa permitiu que eu ficasse escondido no consultório com a promessa de que eu teria que ficar quieto o tempo todo. Logo escuto a voz de Mercedes e tento me manter calmo.

-Calma, deixe que eu te ajudo... - Maysa diz, ajudando-lhe a se sentar - Como tem se sentido agora que está caminhando para a reta final?

-Muito cansada... Maysa, ontem tive um novo sangramento. Não foi muito, mas mesmo assim estou preocupada.

-Infelizmente no seu caso esses sangramentos serão corriqueiros. - diz com a voz preocupada - Vista-se para eu fazer o ultrassom, ok?

(...)

-E então, Maysa? Está tudo bem com ele?

-Merche, o bebê já está posicionado. Não vai demorar muito para nascer... Eu te aconselho que se interne nesse final de semana.

-Já? - pergunta apavorada - Mas, Maysa é cedo! - a minha vontade era de correr até Mercedes e segurar sua mão, de mostrar que estou ao seu lado. Mas eu tive que me controlar

-Merche, se não fizer isso vai prejudicar o bebê. Você será internada apenas para fazermos o monitoramento. Assim quando ele estiver pronto para nascer, teremos tudo sob controle. Confie em mim, Mercedes.

-É que eu tenho medo... Mas você está certa. Sei que estou em boas mãos... Espera aí, que barulho é esse? - ouço Maysa rir

-É o coraçãozinho do baby. Falando nisso, meu sobrinho já tem nome?

-Bom... Eu tenho um nome em mente faz um tempo, mas eu estava esperando para pedir a opinião do Michael, mas... - ela se cala

-E que nome seria?

-Prince Michael. Acha muito brega? - nesse momento não consigo segurar as lágrimas e desisto de continuar me mantendo escondido

-É o nome mais lindo que já ouvi em toda minha vida, principalmente o "Michael". - Merche olha pra mim e mesmo surpresa em me ver, ela não resiste e sorri

-Bem, vou deixar você se limpar. Te espero na sala. - Maysa nos deixa a sós e um silêncio angustiante povoa o ambiente

-O que está fazendo aqui? Deixei bem claro que não queria te ver mais.

-Era a única forma de falar com você. Não aguento mais essa distância, Mercedes. Isso não se faz!

-Michael, eu não quero me estressar, você sabe que eu não posso. Além do mais, não há mais nada para falarmos ou discutirmos. - ela se levanta com dificuldade e me impede de aproximar - Me deixe sozinha, por favor.

-É realmente isso que você quer?

-Exatamente.

-Tudo bem, Mercedes. Quer saber? Eu tentei. Tentei entender seu lado, tentei fazer com que me entendesse e mais que isso, tentei superar essa montanha que nos separa. Mas agora eu cansei! Cansei de lutar por uma causa perdida. Faça o que você quiser, não irei mais insistir. Mas lembre-se, tudo que está nos acontecendo é culpa sua! - termino de despejar meu desabafo e saio sem olhar para trás e dessa vez não me arrependo de nada que eu disse

(...)

  Assim que saio do hospital, recebo uma ligação do delegado Robert. Alana finalmente voltou para NY e foi levada imediatamente para a delegacia. Além disso, Robert disse que tem mais novidades sobre a investigação.
   Assim como eu havia pedido, o delegado permitiu que eu falasse com Alana primeiramente. O guarda me conduz até a sala de espera onde Alana aguarda para ser chamada.
Ela está amedrontada e acanhada, e eu peço a Deus para que consiga convencê-la a dizer a verdade.

-Como vai, Alana? - ela treme ao ouvir minha voz

-Sr. Jackson? Por que fui chamada? - me sento de frente à ela

-Porque você sabe o que aconteceu na noite que meu pai foi morto. Sabe e não quer contar.

-Sr. Jackson, eu já disse que não estava lá! Eu precisei viajar e... - seu próprio descontrole lhe denuncia

-Alana, por favor você tem que nos ajudar! Preciso saber o que realmente aconteceu. Sei que tem receio por algum motivo, mas eu te garanto que nada vai lhe acontecer. Você não será presa, muito menos prejudicada. Vamos, me conte o que viu! - ela enxuga as lágrimas e respira fundo

-Quando eu estava chegando no apartamento... Atravessando o corredor, eu vi uma pessoa saindo lá de dentro... Ele disse que eu não precisava ficar lá, que estava tudo sob controle... Eu insisti, mas ele ordenou que eu fosse embora e disse que se eu relatasse para alguém sobre a nossa conversa, eu iria me dar mal... Agora entende, Sr. Jackson? Depois que a notícia da morte do Seu Leon saiu, eu fiquei aterrorizada e tive medo de acabar igual à ele se falasse alguma coisa.

-Eu sabia que era isso... Mas agora você tem que dizer quem era essa pessoa. Você disse... "ele"... Ele quem, Alana?

-Um homem. Ele usava uma roupa preta, boné e óculos escuros. Só que... eu o reconheci. Era o seu irmão... Tenho certeza que era o Edgar.

Meu sangue gela e parece não circular mais. Estou em um estado de inércia e não sei nem o que pensar ou o que dizer. Não posso acreditar no que acabo de ouvir. Edgar não seria capaz de matar o próprio pai, isso não...

-Senhora Alana Smith, o delegado lhe espera na sala dele. - ela se levanta e antes de deixar a sala, eu acordo do transe

-Por favor, Alana... Faça o que é certo. Eu te imploro... - ela se compadece com a minha dor e assente com a cabeça

   Agora sozinho, abro meu coração e liberto as lágrimas que estavam presas. Não posso acreditar que meu irmão, o garotinho que vi crescer se tornou um monstro, um psicopata. Em que momento não nos demos conta do que lhe acontecia? Por que não percebemos isso? Edgar se tornou um criminoso, um assassino sem escrúpulos e agora sim não me surpreendo com mais nada que venha dele.



Capítulo 80

Michael


A espera por notícias é angustiante. Assim que Alana entrou para depor, liguei para Maysa e pedi que ela viesse até a delegacia. Ainda não tive coragem de dizer o que Alana me contou, pois lá no fundo do meu coração eu acredito que ela esteja enganada.

-Você está tão estranho, mano... Tem certeza que não aconteceu nada?

-É só ansiedade, Maysa. - por sorte somos interrompidos pela saída de Alana da sala. Ela está assustada e pela cara do delegado, tenho certeza que ela contou o mesmo que me disse

-Podem entrar, por favor?- pergunta para nós. Maysa e eu nos levantamos e seguimos para sua sala

-O que ela disse, delegado? - Maysa pergunta - Ela falou o porque de viajar tão rápido?

-Sim senhora. Alana me contou o que viu, na verdade, só confirmou nossas suspeitas.

-Como assim? - pergunto. Robert vira o monitor do computador para nossa direção e começa a narrar os acontecimentos

-Hoje cedo recebemos as fitas restauradas das câmeras de segurança. Após analisarmos, podemos ver claramente o momento que Mercedes deixa o apartamento e espera pelo elevador. Dois minutos após ela descer, este homem entra no apartamento, conseguem ver?

-Sim... Mas quem é ele? - Maysa pergunta, ainda sem compreender

-Já vou te responder. - ele continua - O suspeito entra, demora menos de cinco minutos e em seguida sai apressado, trombando com Alana. Eles conversam por poucos segundos e ambos vão embora. Ela pelo elevador, e ele pega a direção da escada. Após isso não temos mais registros dele, já que algumas câmeras não funcionavam no momento.

-Então foi ele! - grita Maysa - Foi esse homem que matou nosso pai, Michael! Vocês tem que descobrir quem foi!

-Nós já sabemos, senhorita. Com base no depoimento da enfermeira e a ampliação da imagem do homem, nós chegamos a conclusão que é...

-Diga, delegado! - aperto a mão de Maysa e ela me olha sem entender - Michael...?

-Foi o Ed, Maysa... Nosso irmão é o assassino.

-Não... - ela nega com a cabeça - Edgar pode ser tudo, mas não um assassino!

-Ele é sim! Não esqueça que ele mandou incendiar o galpão que Mercedes tinha. Por culpa dele todas aquelas pessoas foram prejudicadas, inclusive a Gina! Só que... eu jamais poderia imaginar que ele fosse tão desumano a ponto de tirar a vida do nosso pai...

-Eu sinto muito. - o delegado diz - Sei que é doloroso para vocês, mas estamos falando de um assassino perigoso. Já mandei minhas viaturas vasculharem qualquer vestígio dele. A partir de agora, Edgar Jackson é um foragido procurado pela polícia.

-Isso é um pesadelo... - Maysa chora e eu lhe abraço forte, tentando acalmá-la

-Senhorita, sei que está abalada... Mas como irmã dele, você tem ideia de onde ele possa estar?

-Não... Eu não sei de nada... Meu Deus, eu não vou aguentar!

-Dr. Robert, minha irmã não está nada bem. Me deixe levá-la...

-Claro, é melhor tirá-la daqui. Também entrarei em contato com o advogado de Mercedes.

-Para que?

-A perícia em seu revólver foi feita. Ele nunca foi usado e está carregado de munição, o que descarta com mais veemência o envolvimento de Mercedes. Pedirei para ele que busque o revólver.

-Certo. Vamos, Maysa... Vou te levar para o hospital.

(...)

Achei melhor dar um calmante para Maysa descansar. Ela está muito abalada com a notícia de Edgar e eu imagino o quanto seu coração deve estar destruído.
Mas apesar de estar preocupado com a minha irmã, não sei porque Mercedes não sai da minha cabeça. Acho que estou ansioso para lhe dizer que está livre da acusação e é isso que farei agora.

Mercedes


   Eu não queria voltar pra casa de jeito nenhum, mas eu não tive outra opção. Depois da conversa que tive com Michael, tudo que eu mais queria era sumir e esquecer tudo que me prende à esse lugar. Cansada de rodar pela cidade, pedi ao meu motorista que me levasse de volta pra casa.

-Nancy? Cheguei... - ouço um lamúrio baixinho vindo da sala - Nancy? - o ruído aumenta a medida em que eu caminho pela sala - Nancy! - grito ao vê-la sentada no chão, com braços, pernas e boca amarrada

-Bom dia, amor... - sinto um forte calafrio assim que escuto a voz de Edgar






Me viro lentamente em direção a sua voz. Ele está parado em um degrau da escada, sorrindo de orelha a orelha. Pisco novamente, desejando ter visto uma miragem.

-O que, já esqueceu de mim, querida? A gravidez afetou sua memória também?






-O que faz aqui? Eu proibi a entrada de qualquer um na minha casa!

-Mas eu não sou qualquer um, baby. - ele ri - Você e essa mania de tentar me subestimar... Eu sou mais esperto que você imagina.

-O que quer de mim? Fala logo! Acabe com esse jogo de gato e rato!

-Olha como fala... Nunca vai perder essa arrogância, não é? Mas tudo bem, não vamos contrariar a mamãe do ano. - Edgar desce os degraus e vem até mim lentamente. Ando para trás a medida que o vejo se aproximar - O que foi? Está com medo?

-Saia daqui, Edgar... Saia senão eu grito!

-Grita! Grita que eu estouro os miolos dessa garota na mesma hora! - ameaça, sacando a arma em direção a Nancy

-Edgar, para! Por favor, não faça nenhuma besteira... Deixe a Nancy ir embora, ela não tem nada com isso!

-Sempre bondosa, né Mercedes? Eu ficaria emocionado se não soubesse que você é uma vaca desgraçada! - grita ao puxar meus cabelos e me empurrar contra a parede






-Edgar, por favor... - choramingo. Ele dá outra risada

- É assim mesmo que quero te ver... Implorando aos meus pés... Ajoelhe-se!

-Edgar, eu não posso...

-Eu mandei se ajoelhar! - ordena - Ele puxa meu cabelo e me empurra, forçando-me a ficar ajoelhada. Nesse momento, escutamos o barulho da porta se abrindo

-Merche... - Michael paralisa ao ver a cena que se desenrola na sala

-Olha só... Chegou quem estava faltando... Finalmente a família está completa! Gostou do presentinho que te dei? Afinal, você odiava o papai né?

-Do que ele está falando? - pergunto para Michael. Aproveito que Edgar dá mais uma gargalhada escandalosa e corro para ficar perto de Michael

-Foi ele que matou Leon... - ele sussurra no meu ouvido

-É isso aí, irmão. Ainda quer mais provas de que não deveria ter se metido comigo, Mercedes Navarro?

-Você é um monstro...

-Nós somos. - ele diz - Somos iguaizinhos e teremos o mesmo fim!

-Não ouse se comparar à Mercedes! - Michael rebate, enfurecido - Você vai apodrecer na cadeia, porque lá é o seu lugar! Como teve coragem de matar nosso pai?

-Meu pai. Não se esqueça que você é um bastardo. Aquele desgraçado me traiu, assim como essa maldita! - grita, apontando o revólver para mim - Ele sempre me menosprezou, sempre preferiu você, Michael! Ele sempre me considerou fraco, inofensivo... Mas eu mostrei pra ele quem eu sou. Assim como vou mostrar pra vocês!

-Edgar, não vê que está destruindo a sua vida? Desista, não há nada que você possa fazer pra mudar as coisas! - Michael lhe aconselha inutilmente

-Eu posso mudar sim! Começando com vocês. Eu deveria ter te tirado do meu caminho há muito tempo, Michael Jackson! Você me roubou tudo, inclusive a Mercedes!

-Você é louco, eu nunca fui sua! Naquela época você sabia que eu era apaixonada pelo Michael e mesmo assim continuou insistindo!

-Mas eu fiz de tudo pra você me notar... Mas mesmo assim você preferiu ser feita de gato e sapato pelo Michael. Ele nunca te mereceu! Mas não se preocupe, tá amor? - ele enxuga as lágrimas e começa a rir - Ele vai nos deixar em paz!

Edgar ergue o braço novamente e quando aperta o gatilho, percebo imediatamente que ele cumprirá com sua palavra.

- Não, Edgar!


   Não pensei em mais nada que não fosse me por na frente de Michael. E então sinto uma ardência próxima ao meu peito, e mesmo enxergando tudo à minha frente, não consigo ouvir nada, não consigo nem mesmo sentir o peso do meu corpo. Aos poucos as imagens vão perdendo a cor e ficando cada vez mais distantes, como se eu não estivesse mais ali. 
A última imagem que consegui captar é a de Edgar completamente apavorado. Fecho meus olhos lentamente sendo vencida pelo sono e permito-me adormecer.


Capítulo 81

Michael


-Mercedes, Mercedes fala comigo! Vamos, amor, acorda!! - deito Mercedes sob minhas pernas e tento de tudo para me acalmar - O que você fez, Edgar?






-Eu matei ela, eu matei a Merche... - diz, desorientado, andando de um lado para o outro

  Por ter usado o silenciador, foi impossível dos seguranças saberem o que acabara de acontecer. Mas agora nada tem importância para mim, e sim a mulher da minha vida, que desacordada, sangra em meus braços.

-Meu amor, fala comigo... - apanho meu celular do bolso e disco o número da emergência e peço por uma ambulância imediatamente

Quando dou por mim, não vejo mais sinal de Edgar, que certamente fugiu. Reparo também em Nancy encolhida no chão com braços e pernas amarrados. Corro até ela e lhe ajudo a se soltar das cordas.

-Nancy, vá chamar ajuda. Peça para os seguranças vasculharem toda a propriedade a procura de Edgar!

-Sim, senhor! - corro de volta a Mercedes e lhe acomodo no meu colo

-Vai ficar tudo bem, tá? Por favor, aguente firme, querida... - repito incessantemente, pressionando minha mão em seu peito ensanguentado

Depois de mais alguns minutos de agonia, os paramédicos entram na sala e preparam os equipamentos. Eles deitam Mercedes na maca e checam seus batimentos cardíacos.

-Removam o corpo com cuidado. - um dos paramédicos diz e sua forma de falar me apavora por completo

-O que? Mas ela está viva! Ela está viva, não está? - berro - Alguém me responda!

-Senhor, se acalme. Estamos fazendo nosso trabalho. - eles levam Mercedes para a ambulância sem me dar nenhuma informação

-Eu vou com ela! - afirmo decidido

-Infelizmente o senhor não pode ir. Pode prejudicar a vítima. Tente colaborar, por favor! - acabo sendo obrigado a concordar, mas assim que a ambulância sai, corro para o meu carro e faço o trajeto para o hospital

(...)

  Olho para as minhas mãos ensanguentadas e ainda não consigo acreditar na tragédia que aconteceu. Era eu quem deveria estar ali, não Mercedes. E se ela morrer eu não tenho noção do que será de mim.

-Michael! Como está a Mercedes? Como está a minha menina? - Dorothy se desespera e eu no estado que estou, só consigo lhe abraçar e chorar meu pranto

-A culpa foi minha... - digo, entre soluços

-Por que está falando isso?

-Porque o Edgar ia atirar em mim e a Mercedes entrou na frente. Ela levou o tiro no meu lugar!

-Meu Deus... Onde ela está? Onde está minha menina? Me diga que ela está bem...

-Eu não sei! Eles levaram ela e até agora ninguém me deu notícias. Não sei nem mesmo se ela está... - me calo, pois só de pensar na possibilidade de Mercedes estar morta meu coração vai a boca

-Michael, acabei de saber o que aconteceu! - Maysa vem até mim e me abraça

-Maysa, me ajuda! Preciso saber como ela está, por favor!

-Calma, meu irmão... Se continuar nesse estado vai infartar! Já procurei saber dela.

-Ela está viva, não está? Por favor me diga que sim!

-Até onde sei ela chegou com vida e foi levada para a sala de cirurgia. Infelizmente não sei de mais nada...

-Tente por favor! Não posso ficar nessa agonia esperando por notícias...

-Michael, nós temos que esperar! Só vamos ter notícias quando o médico sair de lá. Olha, eu vou procurar saber de alguma coisa, ok? Mas tem que me prometer que vai se acalmar! - Dorothy me estende um copo de água com açúcar

-Beba, Michael. Precisamos ter fé, meu filho... - Dorothy tenta me acalentar, mas absolutamente nada é capaz de frear essa aflição

(...)

  Quase uma hora já se passou e ninguém foi capaz de trazer informação. Tive que tomar um calmante ou senão estaria internado nesse momento. Todos nós estamos orando silenciosamente tanto por Merche quanto pelo meu filho.

-Michael, o doutor está vindo! - Maysa avisa. Antes mesmo que eu pudesse perguntar, ele me adianta

-Por favor, se acalmem.

-Não me peça isso, doutor... - digo - Como eles estão? Por favor, me diga!

-Foi muito complicado... - ele suspira, exaurido - Mas conseguimos realizar o parto de cesariana. O bebê foi levado diretamente para o CTI.

-Mas por que? - pergunta Maysa - Está tudo bem com ele?

-O parto foi muito antecipado, o que acabou comprometendo seus órgãos respiratórios. O procedimento que adotamos é normal em crianças prematuras. Ele está sendo bem monitorado pela nossa equipe, não se preocupem.

-E a Mercedes? Me fale sobre ela! - exijo

-Assim que fizemos o parto, a jovem entrou em um quadro de hemorragia. Ela perdeu muito sangue, somado ao tiro. A bala atingiu o tórax e felizmente conseguimos removê-la, mas isso acarretou outra hemorragia. No momento ela se encontra em coma induzido, necessitando de transfusão sanguínea. Eu preciso ser sincero... Não acho que ela conseguirá se recuperar, mas garanto que faremos o possível.

Nesse momento não consigo ouvir mais nada. Minha visão fica turva e minhas pernas fraquejam.

-Michael, você está bem? - Maysa e Corine me seguram e me ajudam a sentar - Vem, vou te levar para ser medicado.

-Não! Eu quero ficar aqui! Não vou sair de perto da minha mulher!

-Meu irmão, olha pra mim. Se você quer ajudar a Mercedes e seu filho, você tem que estar forte! Olha o seu estado, Mike... Se você adoecer só vai complicar as coisas.

-Ouça sua irmã, meu filho. - Corine diz - Estamos todos em prece e pra você também ajudá-la, precisa ter força. Fique calmo, por favor...

-Doutor, me deixe vê-la... Eu imploro...

-Eu sinto muito. Estamos transferindo-a para o CTI e lá é proibido visitas. O quadro dela é estável, infelizmente não podemos fazer nada por hora. Bem, eu vou ver se a paciente já foi transferida. Assim que eu tiver qualquer nova notícia venho lhes avisar.

-Obrigada, Dr. Emett. - Maysa lhe agradece - Mike, vá pra casa.

-Não, isso não! Eu juro que vou tentar me manter calmo, mas se eu for pra casa não terei paz. Por favor, Maysa...

-Tudo bem, mas nada de madrugar aqui. Agora me conta, o que foi que aconteceu?

-Quando eu cheguei na casa, me deparei com o Edgar mantendo Mercedes e Nancy reféns. Ele estava louco... E em uma de suas loucuras, ele tentou me balear, mas... - as lágrimas me impedem de continuar

-O tiro acertou na Merche...

-Ela se colocou na minha frente. Mercedes deu sua vida por mim, Maysa... E agora eu corro risco de perder ela e o nosso filho!

-Não, você não vai perder eles! Michael, você já viu pessoa mais forte e teimosa que Mercedes? - mesmo em prantos, acabo rindo

-Ela é incrível... Foram raras as vezes que a vi fraquejar...

-Está vendo? Mercedes já passou por coisa muito pior e venceu. Dessa vez será a mesma coisa, e o melhor, ela tem todos nós ao lado dela. Ela vai ficar bem. Ela e o bebê.

-É tudo que eu peço à Deus... Maysa, será que eu posso vê-lo?

-Infelizmente não... Mas logo será possível. Agora descanse, meu irmão... Feche os olhos e confie em Deus...




Capítulo 82

Michael

Uma semana depois


  Uma semana em que passei totalmente parado no tempo. Não tenho mais vida fora desse hospital. Minha rotina é passar todo o tempo possível aqui e ir para casa ficar com Agnes. Decidi também abandonar a empresa em definitivo. 
Agora mais do que nunca, não vejo sentido nenhum em continuar alimentando esse círculo infernal. Sei que tenho que procurar emprego, mas não tenho cabeça pra isso e acho que tão cedo não terei.

-Passou a noite aqui, não foi? - me desperto da sonolência ao ouvir a voz de Maysa - Beba o café...

-Não quero. Nada passa pela minha garganta.

-Eu já percebi. Michael, você me prometeu que ia se esforçar, mas cada dia está mais fraco e abatido. Precisa reagir!

-Como, Maysa? A situação da Mercedes e do meu filho continuam a mesma, nada de melhoras!

-Eu vim justamente para dizer o contrário. - ela sorri

-Como assim? Mercedes acordou? - sorrio, criando uma mísera esperança em meu coração

-Não, ainda não. Mas seu filho saiu do CTI. Ele foi pra UTI e continua respirando por aparelhos, mas ele vem dando melhoras consideráveis.

-Graças a Deus! Pedi tanto para Ele deixar meu filho viver...

-E ele vai, Michael. Você vai ver, daqui a dois meses eu garanto que ele sairá do hospital.

-Isso tudo? Maysa, é tempo demais!

-Mike, ele nasceu de sete meses. Não deu tempo de desenvolver corretamente todos os órgãos, por isso ele vai continuar internado. São procedimentos normais.

-E eu não posso ao menos vê-lo?

-Pode, Michael. - ela ri da minha empolgação - Mas só do lado de fora da UTI. Vem, vou te levar até lá.

  Não consigo parar de sorrir um minuto sequer desde a hora que grudei minhas mãos no vidro do quarto. A encubadora está bem perto da janela e eu posso vê-lo com nitidez. Apesar de ser tão pequeno e ter diversos fios colados em seu corpinho, meu filho é a criança mais linda desse mundo. Deus sabe o quanto daria para poder estar ao seu lado, pegá-lo no colo e enchê-lo de beijos.

-Ele é lindo, Maysa... - afirmo, babando praticamente - Mesmo sendo tão miudinho ele parece um anjo.

-Nosso novo membro da família! E aí, decidiu qual vai ser o nome dele? Até agora não sabemos.

- Durante essa semana eu tive esperanças da Merche acordar, voltar à vida e juntos daríamos o nome... Mas já que ela não pode fazer isso, vou realizar o desejo dela. - volto a olhar para o meu bebê que dorme serenamente - Seja bem vindo ao mundo, Prince Michael...

Pouco mais de um mês depois


   Infelizmente somos obrigados a nos acostumar com a realidade. Chega uma hora em que temos que seguir em frente e aceitar os fatos como eles são. O tempo não para e se eu continuasse naquele martírio, provavelmente teria morrido de tristeza.
   O tempo passa e com ele vem as mudanças. Nesses quarenta dias, muita coisa mudou na minha vida. Assim que me desliguei da empresa, comecei a procurar emprego. Eu poderia muito bem levar meu currículo para uma empresa de grande porte, mas então eu me lembrei da época que me casei com Mercedes. Eu havia lhe prometido que faria minhas próprias escolhas, no entanto, eu quis continuar mantendo o padrão de vida que eu tinha, e assim, esquecendo da minha personalidade.
   Sei que já não sou mais aquele jovem de 22 anos, mas nunca é tarde para realizarmos nossos sonhos. Eu quero e vou ser músico, nem que eu passe por sufoco realizarei meu desejo. Como minha vida está uma loucura, não tenho certeza ainda de como prosseguir.
    Mas mesmo assim, continuei procurando emprego e consegui descolar um trampo de garçom. Eu só aceitei porque o dono do restaurante deixou que eu tocasse à noite, e o melhor, também vou ganhar pra isso. 
    Eu e Agnes nos mudamos para um Flat bem perto do restaurante. A única coisa que não abri   mão foi do meu carro, pois é de necessidade. Meus demais bens foram tomados pelo Banco, pois tudo estava em nome da empresa. Exceto um item que futuramente espero precisar dele. 
Apesar da correria que vivo, não deixo de faltar um dia no hospital para ver Merche e Prince.      Ele cada dia se recupera um pouco mais. Está ganhando peso e crescendo saudável. Já com Mercedes o progresso é lento. Aos poucos seus sinais vitais se fortalecem gradativamente, mas os médicos preferem não gerar expectativas. 
   Mas eu acredito que Mercedes vai nos surpreender como sempre faz. Ela não é de se entregar fácil, é valente e eu sei que ela vai voltar pra mim.

-Papai, não vamos ver meu irmão hoje? - Agnes não cansa de perguntar enquanto lhe ajudo a se vestir

-Hoje não, querida. O papai vai trabalhar o dia todo e a noite também. Mas prometo que amanhã nós vamos.

-Pai... a Merche não vai acordar nunca mais? - seus olhos cheios de lágrimas são o reflexo do que eu sinto a cada segundo

-É claro que vai, princesa. Em breve ela vai voltar pra gente. Ela só precisa de mais um tempo.

-Você sente saudades dela, não é?

-Muita... - Agnes enxuga minhas lágrimas e beija minha bochecha

-Não fica assim não, papai. Quando a Merche melhorar ela vem morar com a gente. Ela e o Prince!

- Obrigado, viu? Eu tenho mesmo muita sorte de ter você, e Prince também tem muita sorte de ter você como irmã. Você promete que vai me ajudar a cuidar dele?

-Eu prometo! - lhe dou um forte abraço e deposito ali minhas esperanças para o futuro

Narradora


    Ela entreabre os olhos e os fecha rapidamente devido à claridade que forçam suas retinas. Faz mais uma tentativa e os abre novamente, dessa vez enxergando o teto branco, embaçado. Pisca algumas vezes e finalmente firma sua visão. 
   Olha ao seu redor, tentando identificar o lugar que está. É um quarto de hospital. Aos poucos as recordações vêm à sua cabeça. Se lembra dos últimos acontecimentos como se fossem flashes. E então vem o desespero. O medo. A angústia. 
Os batimentos cardíacos descontrolados denunciam seu desespero, a confusão que está em sua mente. Ela deixa uma lágrima cair ao fechar os olhos e se lembrar de um fato que tem certeza que não foi um sonho

" Ela sente um aroma diferente no ambiente. Acostumada com o cheiro de álcool, comum em hospitais, sentir o frescor do seu perfume é como estar em um campo florido. 
Um toque em sua mão lhe arrepia dos pés à cabeça. É ele, disso não lhe restam dúvidas. Ela jamais esqueceria da textura da sua pele macia. Dos seus longos dedos magros e esguios.

-Bom dia, querida... - ela escuta sua voz afável bem próxima ao seu ouvido - Hoje vim mais cedo porque começo meu primeiro dia no trabalho. Você se lembra que eu comentei com você, né? Pois é... Me chamaram ontem. Não é lá essas coisas não, mas estou feliz...

Escutar sua risada gostosa acalmava seu coração. Ela não podia demonstrar sua emoção de outra forma que não fosse pelos seus batimentos acelerados.

-... Nosso filho está cada dia mais forte. Ele é lindo... Ainda não posso pegá-lo no colo, então não precisa ter ciúmes. - ele ri - E você, hein? Do jeito que é espevitada deve estar louca por ficar parada por tanto tempo! Mas isso é passageiro. Lute mais um pouquinho, ok? - Michael retira sua máscara de oxigênio e contempla a beleza da sua amada

Ela sente um novo arrepio ao ter seus lábios unidos aos de Michael. Ele lhe beija devagar, com carinho e paixão. Faz uma leve carícia em seu rosto e antes de colocar a máscara no lugar, lhe beija mais uma vez. Ela queria correspondê-lo, queria beijá-lo com mais intensidade, mas seu corpo não correspondia às ordens do cérebro.

-... Eu te amarei para sempre e vou te esperar o tempo que for. - se declara, usando o dorso da mão dela para enxugar suas lágrimas - Sua família está a sua espera, amorzinho. Minha boneca... Volte pra mim, por favor... "


Era difícil segurar as lágrimas. Mercedes queria se levantar, queria correr até ele, mas isso seria impossível. Ela sente uma nova tontura e novamente é vencida pelo cansaço. E mesmo em estado de transe, ela chora, chamando por ele em um sussurro desesperado.

-Mich... Michael... 




Capítulo 83

Michael


  Assim que deixei Agnes na escola, segui para o restaurante. Quero terminar meu serviço rápido para poder ir ao hospital. Estou cada vez mais ansioso pela melhoras de Prince e Merche e eu tenho certeza que a minha presença vai ajudá-los.

-Michael, preciso de um favor seu. - o gerente diz

-Claro, Nick. Do que precisa?






-Josh não vai poder vir hoje e eu preciso de alguém para buscar as bebidas em Houston. Pode ir pra mim?

-Posso... - confirmo por obrigação - E tem que ser hoje?

-Agora. A mercadoria tem que estar aqui ainda essa semana.

-E quanto tempo vou demorar pra trazê-la?

-Alguns dias. Você sabe, Houston não é tão perto e de carro demora mais. Mas não se preocupe, seus gastos serão pagos por nós. Quebra esse galho aí, Mike. Se o Sr. Geller fica sabendo disso ele me mata!

-Relaxa, eu vou buscar. Só deixe eu ligar pra minha família, ok?

-Valeu, irmão. Te devo essa!

Era só o que faltava! Sou obrigado a sair da cidade justamente agora que Mercedes mais precisa de mim, mas se eu recusasse, com certeza pegaria mal. Mas tudo bem, farei o meu trabalho e voltarei o mais depressa possível.

(...)

-Então é isso, Corine. Cuide da Agnes e qualquer notícia sobre Mercedes e meu filho, peça para Maysa me ligar na hora! - aviso, enquanto arrumo uma pequena mala.

-Deixa comigo, Michael. Sabe quantos dias vai passar fora?

-Dois ou três, no máximo. Eu vou tentar voltar rapidamente, mas enquanto isso fique de olho em tudo pra mim. Avise a Maysa. Tentei ligar pra ela, mas está na caixa postal.

-Tudo bem, eu vou avisar. Se cuida, ok? Eu te amo.

-Também te amo, Cori. Fique com Deus.

Termino de catar meus pertences e antes de partir, peço que Deus continue ao lado dos meus amores, rezando para que esse sofrimento acabe logo.

Mercedes


   É difícil me acostumar com a claridade. Na verdade é difícil me acostumar com tudo. Sinto-me anestesiada e ao mesmo tempo que me lembro vagamente de algumas coisas, não consigo tirar da cabeça a cena que vi naquela sala. 
   Eu preciso que alguém me diga o que aconteceu e o porquê de eu estar aqui. Estou sozinha e o medo é a minha única companhia. Eu quero gritar e chamar por alguém, mas meu cérebro não me obedece.

-Vou deixar o medicamento da paciente e te ligo... - vejo uma enfermeira entrar, falando ao celular. Assim que ela me vê, ela desliga o aparelho e corre até mim

-Oh meu Deus! Quando foi que isso aconteceu? - ela checa todos os aparelhos que me monitoram e continua a comemorar - Consegue dizer alguma coisa, querida?

-Mich... - tento gaguejar, mas minha voz não sai

-Fique calminha, ok? Eu vou chamar a Maysa... - ela deixa a sala e novamente me sinto atordoada. Que diabos aconteceu comigo?

-Mercedes! - finalmente consigo me tranquilizar ao ver Maysa. Ela parece emocionada e mais uma vez eu me sinto confusa - Eu pedi tanto a Deus que você reagisse... - ela beija minha testa e me abraça forte - Sei que ainda está em transe, mas tente falar alguma coisa. Qualquer coisa!

-É tão estranho... - consigo dizer em um breve e vago sussurro - O que eu faço aqui? Aconteceu mesmo?





-Você está confusa, mas logo vai passar. - ela sorri - Realmente tudo foi real. Você acabou sendo baleada pelo Edgar.

  Quando ela termina de dizer, uma avalanche de lembraças invadem minha mente. E então eu me lembro de tudo com riquezas de detalhes. Edgar havia me encurralado e naquele momento Michael apareceu. Estava prestes a matá-lo e a última coisa que me lembro foi de entrar na frente de Michael e depois apagar.

-Merche, tudo bem?

-Meu filho... Meu filho... Cadê? Cadê ele? - repito desesperada ao me dar conta do que realmente aconteceu

Não sei exatamente o que passei, nem o que faço nesse quarto de hospital ou quanto tempo estou aqui. O que mais me desespera é olhar para o meu ventre e vê-lo completamente liso.

-Mercedes, está tudo bem! Não precisa se desesperar... Prince está cada dia melhor, mais saudável e forte... - deixo algumas lágrimas de alívio e felicidade rolarem pelo meu rosto - Mas agora o principal é você. Como está se sentindo?

-Não sei descrever... Parece que eu estava distante... Bem longe... Ao mesmo tempo eu estava aqui, mas era como se eu não estivesse mais... Minha cabeça parece estar embaralhada.

-Isso é bem normal para quem ficou em coma por mais de um mês.

-Coma? Mas... por que? O que aconteceu comigo?

-Você teve complicações após o parto, sem conta no ferimento da bala. Foram duas hemorragias seguidas e bem... - ela soluça, tentando não chorar

-Pensaram que eu fosse morrer?

-Não vou mentir... Seu caso era extremamente delicado. Nenhum médico criou expectativas... Mas tem uma pessoa que em momento algum deixou de acreditar...

 Automaticamente penso em Michael. Eu me lembro perfeitamente de ouvir sua voz várias vezes implorando para que eu lutasse, para que voltasse para ele; que estava à minha espera com todo o seu amor. E foi isso que me deu combustível para não desistir.

-Onde ele está...? - pergunto

-Merche, muitas coisas aconteceram durante esse tempo que você passou em coma...

-Por que diz isso? Cadê o Michael?

-Calma! Ele não foi embora, se é isso que está pensando... - ela ri - Michael arrumou emprego em um restaurante.

-O que?

-Pra você ver... Ele decidiu virar essa página de uma vez por todas. Não quer mais nenhum vínculo com o passado. Pela primeira vez, meu irmão está ouvindo o coração...

Ouvir o que Maysa disse me fez refletir. Michael conseguiu se libertar das amargas lembranças do passado, está decidido a recomeçar do zero. Isso me faz questionar se eu também estou incluída nisso.

-Então ele quer seguir em frente sem nada que lembre o passado, não é? - minha voz embarga e é inevitável segurar o choro

-O que se passa nessa cabecinha, hein? Acha mesmo que meu irmão esqueceu você? Nunca! Se visse o estado que ele ficou durante todo esse tempo, jamais pensaria isso. Eu vou ligar pra ele agora! Corine acabou de avisar que ele viajou, mas tenho certeza que ele virá correndo!

-Maysa, não! Não o chame. - ela me olha incrédula

-Como é? Merche eu não acredito que vai continuar mantendo ele afastado de você!

-Não é nada disso! Maysa esse reencontro será definitivo para nós dois. Ou é agora que ficamos juntos, ou nunca mais.

-Então me explica, porque eu não entendi.

-Da mesma forma que Michael deu um novo rumo para sua vida, eu também darei. Eu quero voltar para ele sendo a Mercedes que ele conheceu e se apaixonou, e não essa mulher rancorosa que eu me tornei. Eu só vou falar com ele quando eu me sentir inteiramente pronta; quando eu me olhar no espelho e enxergar a doce garota rebelde que fui um dia. - rimos - A Sra. Mercedes Navarro morreu naquela sala com um tiro no peito. E a nova, ou velha Mercedes, sairá desse hospital renovada.

-Não sabe como me deixa feliz, Mercedes! Finalmente o passado morreu junto com todas as mágoas.

-Eu não quero enterrá-lo, Maysa. Porque assim como uma cova, ele pode ser violado novamente. O passado simplesmente se desfez, virou pó. E dele eu só quero as boas lembranças.




Capítulo 84

Mercedes


 Já faz dois dias que acordei do maldito coma e desde então estou tentando me adaptar com minhas limitações. Maysa fez diversos exames para saber se estou bem, e graças a Deus minha saúde está cada vez melhor. Por isso, mais uma vez vou tentar convencer Maysa de me dar alta.

-Bom dia, Merche... Preparada para ver seu filho?

-Nunca estive tão preparada! - Maysa me ajuda a terminar de me arrumar e empurra a cadeira de rodas, levando-me  até o berçário

 Assim que chegamos na ala já sinto meu coração bater mais forte. Estou prestes a conhecer meu filho, de vê-lo pela primeira vez. Deus sabe o quanto desejei que esse dia chegasse, como rezei para que Ele me desse a oportunidade de ver seu rostinho nem que fosse uma única vez.

-Aqui está ele... - Maysa aponta para a encubadora - Prince Michael Navarro Jackson. O elo eterno entre você e Michael...

-Oh caramba... - aproximo a cadeira de rodas e consigo ficar bem perto dele

 Deus, meu filho é um príncipe! Agora vejo que não errei em dar esse nome à ele. Prince dorme serenamente e nem nota minha presença ali.

-Ele é um guerreiro, Merche. Enfrentou tantas lutas e agora olha pra ele. Já respira por conta própria! - enxugo minhas lágrimas e tento chorar baixinho para não acordá-lo

-Como é possível sentir um amor tão grande por essa coisinha linda? Meu coração parece que vai explodir!

-Isso é o amor de mãe triplicado, Merche! E pode ter certeza que ele sente o mesmo por você...

-Eu queria tanto pegá-lo...

-Você vai... Prince receberá alta em breve! Graças a Deus ele não precisa mais ficar internado.

-Ouviu, meu amor? Você vai pra casa com a mamãe... Maysa, eu vou também né?

-Eu não acho prudente. Você acabou de sair de um coma, ainda está fraca...

-Mas eu posso me recuperar em casa! - insisto - Maysa, tem muitas coisas que eu devo fazer e não posso ficar parada. Por favor, me deixe ir pra casa com meu bebê... Eu prometo que vamos nos cuidar!

-Merche, eu não sei se isso é viável...

-É claro que é! Você sabe que me manter presa aqui não vai me ajudar em nada, pelo contrário! - ela respira fundo e me analisa

-Vamos para o quarto. Até lá eu penso no que fazer...

(...)

- E então? Você já leu e releu esses exames uma par de vezes. Pode me dar alta ou não?

-O correto seria você ficar em observação por pelo menos uma semana. Mas é impossível te manter quieta! Tudo bem, eu assino sua alta, mas vai ter que me prometer que vai se cuidar e vai seguir todas as minhas recomendações! - abro um largo sorriso de vitória e lhe abraço apertado.

-Obrigada, Maysa!!! Eu prometo que vou me cuidar direitinho, você vai ver!

-Acho bom! Mas se você se sentir mal, vai ter que voltar, entendeu?

-Sim senhora! - ela sorri, desfazendo a carranca

-Vou ligar pra Dorothy e avisar que você vai pra casa. Agora me dê licença. Vou assinar sua alta e a do Prince também. Se cuida!

Não posso acreditar que finalmente a vida está sorrindo pra mim. Meu filho está vivo e saudável e eu me sinto forte o bastante para cuidar dele. Mas agora eu preciso sair daqui e dar um novo passo, um recomeço para Michael e eu.

(...)

 Dorothy me ajuda a fechar o vestido e finaliza minha maquiagem. Estou tão empolgada em sair daqui que não paro quieta um segundo.

-Merche, se continuar assim vou pedir que Maysa lhe dê um calmante! - brinca

-E como você quer que eu fique? Estou indo pra casa e ainda vou levar meu filho comigo!

-Só quero ver a cara do Michael quando souber que você foi pra casa e escondeu dele!

-Até ele se dar conta eu já estarei pronta para ir atrás dele. Agora vamos. Ah, você ligou pro Dr. Collins?

-Sim, ele já está a sua espera no apartamento. Mas pra que pediu para ele ir pra lá sendo que você mora na mansão?

-Eu não moro mais lá, Dorothy. Nada disso me pertence mais... Bem, logo você vai entender. Agora me deixe buscar o Prince. Faço questão de buscá-lo no berçário!

A minha vontade era de correr até lá, mas por ainda estar fraca e desnutrida, tive que me policiar e ser cautelosa. Não posso de forma alguma demonstrar fraqueza e assim, ter que continuar internada aqui.
  Me aproximo lentamente da encubadora e dessa vez, Prince está acordado. Enquanto espero pela enfermeira, fico vidrada nele, babando por cada movimento que ele faz. Seus olhos estão bem abertos e eu identifico a cor deles. São os olhos do Michael...





-Com licença, senhorita. - a simpática enfermeira abre a encubadora e delicadamente retira Prince de dentro dela. Ele resmunga baixinho e eu claro, me desmancho - Pronta para pegá-lo?

-Ah, eu... Eu tenho medo de deixá-lo cair... - respondo, insegura

-Não se preocupe, eu vou te ajudar. Abra os braços e assim que eu colocá-lo neles você segura firme.

-Ok... - ela o encaixa no meu colo e só depois de eu me sentir segura, ela o solta

 Seguro meu pequeno embrulho com toda força e proteção que carrego dentro de mim. Tive medo dele me estranhar, mas foi justamente o contrário. Prince até sorriu, me encarando com seus enormes olhos negros.

-Oi, meu amor... Eu sou sua mãe. Espero que não se assuste... - sorrio, abobalhada - Você é tão lindo quanto o seu pai... - balanço ele no meu colo e ele logo fecha os olhinhos ao ser ninado por mim

-Estão prontos? - Maysa pergunta baixinho, vindo até nós

-Estamos... Acho que ele gostou de mim... - digo, toda orgulhosa

-É claro que gostou! Olha como ele ficou calminho... Todas as enfermeiras dizem o quanto ele é chorão!

-Não é nada, né meu filho? - brinco - Ele só estava sentindo falta de mim, do meu corpo... Agora nada vai nos separar! Você vem com a gente?

-Claro! Quero te dar todas as instruções pra você se cuidar!

-Então vamos para o meu apê. Até porque quero conversar com você um assunto sério.

-Tudo bem, mas... Você não vai voltar pra sua casa?

-Você já vai saber...


Capítulo 85

Michael


 Finalmente estou de volta à NY. Deus sabe como tive que me controlar para não abandonar tudo e vir correndo pra cá. Mas felizmente cumpri com meu dever e agora estou de volta.

-Papai!! Que saudade! - Agnes se levanta do sofá em um pulo e vem me receber com um abraço apertado

-Boneca!!! Sentiu falta do papai?

-Muita! - afirma, balançando a cabeça

-Fez boa viagem, querido? - Core pergunta após me saudar também com um abraço

-Até que fiz, mas a ansiedade em voltar estava me matando! E vocês, se comportaram?

-Claro... Essa mocinha é muito comportada!

-Ouviu o que a tia Core disse, pai?

-Eu ouvi sim... - dou uma risada - Meu bem, vai lá na minha mala e veja o que eu trouxe pra você.

-Oba!!! - ela sai correndo pelo flat e eu acabo rindo da sua empolgação

-E então, Core? Está tudo bem com a Merche e o Prince?

-Sim... Eles estão bem... - ela fala sem me olhar nos olhos, gerando em mim uma preocupação

-Não sei porque, mas acho que está me escondendo algo... Mas tudo bem, vou tomar um banho e ir pra lá.

-Michael, eles não estão mais no hospital. - paro no meio do caminho, surpreso com a notícia

-Como não?

-Maysa me disse que deu alta para eles nessa manhã. Já faz dois dias que Mercedes acordou do coma e acabou convencendo sua irmã de lhe dar alta. Tanto a Merche quanto o bebê já estão em casa.

-Por que ela não me disse nada? Eu pedi para que ela me ligasse caso tivesse novidades!

-Acho que a decisão veio da Mercedes, meu bem...

-Quer me dizer que a Mercedes escondeu isso de mim para que eu não a procurasse? - não consigo disfarçar minha decepção





 Na minha cabeça eu tinha certeza que quando todo esse pesadelo acabasse, nós dois finalmente poderíamos nos acertar. Pensei que eu estaria ao lado dela quando esse momento chegasse, mas o que realmente vejo é que tudo continuará sendo o que era antes, e sinceramente, eu cansei. Não vou mais insistir em algo que não dará certo nunca.

-Às vezes ela só precisa de um tempo, meu filho... Ela quase morreu e ainda está tudo confuso pra ela.

-Deve ser... - rio, sem graça - Core, eu vou tomar um banho e ir pro trabalho. Só passei mesmo pra ver a Agnes.

-Michael, não tente mentir pra mim. Sei que está magoado, querido...

-Vai passar, Core... Vai passar...

Mercedes


 Desde que chegamos em casa não conseguimos fazer outra coisa além de paparicar o Prince. Eu, Maysa, Dorothy, Nancy e Dr. Collins estamos babando pelas gracinhas que meu bebê faz para nos agradar. 

-Ele é tão quietinho... Nem parece que é seu filho! -  Dorothy brinca, nos fazendo rir

-Ele deve ter puxado o gênio do pai... - digo






-Com certeza! - Maysa completa - Lembro muito bem de quando Michael nasceu. Ele era bem quietinho na maior parte do tempo... Mas quando estava com a pá virada...

-Eu sei bem como é! - rimos - Dorothy, fique com ele um pouquinho. Tenho um assunto para tratar com a Maysa e o Dr. Collins.

-Claro, me dê ele aqui! - dou um beijinho na sua cabeça e o passo para o colo de Dorothy

(...)

-Confesso que estou um pouco assustada, Merche... - Maysa diz assim que entramos no escritório

-Não se preocupe, não é nada grave. - lhe asseguro - Maysa  quando eu descobri que minha gravidez era de risco eu corri até meu advogado e fiz meu testamento. E tem algo que você ainda não sabe.

-Do que está falando?

-Maysa, quando eu paguei pela dívida do Leon eu não tomei posse dos seus bens. Você e Michael não assinaram a transferência, e sim se tornaram beneficiários da herança. Pra falar a verdade, eu não queria tomar o que era de vocês, e sim dar uma lição em Leon.

-Espera... Quer dizer que tudo continua sendo nosso?

-Sim. Nessa procuração que eu fiz, o prazo para que eu usufruísse dos bens seria durante toda minha gestação. Agora que já dei a luz tudo volta para o seu nome e o de Michael.

-Nossa... Eu nunca imaginei isso... - ela sorri, confusa - Mas eu não acho que o Michael vai querer isso, na verdade acho que nem eu quero... Todo o sofrimento da nossa família foi causado por esse maldito império que meu pai era obcecado.

-Eu entendo... Mas só vocês podem decidir o que fazer. Eu não tenho mais nada com isso. Outra coisa, Maysa... Nesse testamento eu abri mão de todos os meus bens. Já está tudo repartido e com firma reconhecida. Não é, Collins?

-Sim, Merche. Hoje mesmo já levei ao cartório. Provavelmente amanhã já esteja tudo em nome dos novos herdeiros.

-Ótimo! - suspiro aliviada

-Pera aí, deixa eu ver se ouvi bem. - Maysa diz - Mercedes, você abriu mão da sua fortuna, é isso mesmo?

-Sim... Já tomei essa decisão há muito tempo e te garanto, nunca me senti tão feliz. Eu te disse que ia voltar a ser a garota que eu fui um dia. Para qualquer um isso que fiz pode ser ridículo e surreal, mas eu não me importo com a opinião de ninguém. Vou ter o suficiente para realizar meu sonho e finalmente viver do jeito que sempre quis.

-Você é inacreditável! - diz, emocionada - Parece que estou olhando para a Mercedes que eu conheci há quase treze anos atrás.

-Essa é a intenção... - suspiro - Bem, era isso que eu precisava dizer. A partir de agora você e Michael voltam a ser donos de tudo e eu, eu volto a ser a pobretona de nariz em pé que eu sempre fui! - ela ri

- E mais que isso, Merche, você vai ser feliz plenamente. Disso não me restam dúvidas.

-Bom, isso só terei certeza se Michael me aceitar... - somos interrompidas pelo celular de Maysa - Algum problema?

-É uma mensagem da Corine. - suspira - Michael voltou e já sabe que dei alta para vocês... Ele deve estar se sentindo traído por mim...

-Não se preocupe. Te agradeço por não ter contado nada para ele. Agora deixe o resto comigo...

-Boa sorte! Apesar de saber que você não vai precisar... - ela ri

-Assim espero...

(...)

 Depois que amamentei Prince pela primeira vez e o fiz dormir, fiquei pensando em toda minha história com Michael, desde o primeiro dia que o conheci. E pela primeira vez, apenas os bons momentos vem à minha mente como se fosse uma confirmação de que o passado ficou para trás.
 Me olho no espelho após preparar a tintura. Já passou da hora de tirar essa carcaça, de me livrar da máscara que usei durante doze anos. 




 Assim que termino, vou direto ao espelho e aprovo o que vejo. Agora sim tenho certeza que mudei tanto por dentro quanto por fora. E enquanto termino de me vestir, mantenho meus olhos fixos no cartão do restaurante que Michael trabalha, gravando na cabeça seu endereço. 
   Não sei qual será minha reação ao vê-lo, por isso não ensaiei nada e nem estou planejando. Eu vou abrir meu coração por completo, agora sem mágoa, rancor, mentiras e omissões. Agora é apenas Michael e eu.



Capítulo 86

Michael


 Estou tentando de todas as formas possíveis manter minha cabeça ocupada, evitando pensar em tudo que Corine me disse. Mas eu tenho que cair na real e aceitar que as coisas não vão mudar. Essa é a realidade. Ainda não sei como vou olhar para Mercedes, mas é fato que teremos que conviver por causa do nosso filho. 
 Termino de vestir o avental, pego o bloco de pedidos e começo a fazer meu horário. Para minha sorte o restaurante está lotado agora que se aproxima o horário do almoço. Assim me manterei ocupado o bastante para não me afogar nos meus pensamentos.
 Pauso minhas funções por um momento e sem querer avisto uma mulher sentada de costas para mim. Ao ver os outros garçons ocupados, sou obrigado a atendê-la. Me aproximo da sua mesa, sem tirar meus olhos do bloquinho de papel.

-Já quer fazer seu pedido, senhorita? - pergunto, sem dar muita atenção à cliente. Ela assente - O que deseja?

-Pode ser você? - pergunta, ao tirar o cardápio da frente do rosto

 Deixo o bloquinho e a caneta caírem das minhas mãos assim que vejo quem é a mulher. Não pode ser real... Provavelmente estou delirando e vendo Mercedes em qualquer mulher, assim como costumava acontecer.
 Ela se levanta e para ao meu lado, bem próxima à mim. Sentir sua respiração tão perto e seu perfume natural adentrando minhas narinas me faz ter a certeza de que é real. É a minha eterna Mercedes que está bem aqui na minha frente.

-Mer... Mercedes...? - ela sorri

-Sou eu mesma, Michael. Tem um tempo pra mim?


-Cla-claro... Vamos entrar... - mesmo com as pernas bambas, consigo levá-la até o quartinho de estoque do restaurante




 Ainda estamos em silêncio, na verdade eu não sei nem o que dizer. Mercedes mais uma vez fez a proeza de me deixar sem falas e como de costume, levar meu coração à boca.

-Espero que eu não esteja te atrapalhando... - diz, retraída

-Imagina. Você nunca atrapalha... - raspo a garganta - Fico muito, muito feliz em te ver tão bem... Fico feliz por você e pelo nosso filho. Já sei que foram pra casa...

-Pois é... Deus parece que gosta mesmo de mim. - ela ri, mas eu continuo travado - Algum problema, Michael?

-Não, não! É que... você está tão diferente... Parece que voltei no tempo...

-É essa a minha intenção. - ela respira fundo e me olha novamente  com os olhos marejados - Pensou que eu não queria te ver mais?

-Pra ser sincero sim. Na verdade eu não estou te entendendo. Se não queria me ver, por que está aqui?

-Bem... - ela suspira - Não queria que me visse daquele jeito. Não queria que me visse como aquela Mercedes. 

-Não entendo...

-Me deixe falar, por favor. - ela me corta - Dessa vez vou dizer tudo que está preso no meu coração. É obrigação minha. Michael, não é segredo nenhum que ambos machucamos um ao outro. Nós chegamos a ser felizes, sofremos e passamos pelas piores provações. E toda vez que pensei que daria certo, algo acontecia para nos afastar novamente. Isso se dava ao fato de sempre haver um empecilho entre nós. Mas agora eu sinto aqui dentro do meu coração que nos libertamos do passado. Tanto eu quanto você. E... - ela soluça, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto - Tudo que eu mais desejo nessa vida é recomeçar de onde paramos. Quero iniciar um novo rumo pra minha vida e eu quero que seja ao seu lado. Por isso eu vim aqui me apresentar pra você. - ela enxuga as lágrimas, sorri e estende sua mão - Meu nome é Mercedes Chavez. Eu tenho 30 anos, sou mãe solteira, desempregada, não tenho onde cair morta, e o mais importante, estou desejando profundamente que o homem da minha vida volte pra mim.

 Mesmo incalculavelmente emocionado e baqueado pela sua declaração, consegui manter a calma e permitir ser levado por suas palavras.
 Estendo também a minha mão e aperto a sua, como duas pessoas que se cumprimentam pela primeira vez.

-Meu nome é Michael Jackson. Eu tenho 34 anos, sou pai solteiro pela segunda vez, trabalho como garçom e também não tenho um tostão sequer. E por último e não menos importante, eu sou completamente apaixonado pela mãe do meu filho, e tudo que eu mais desejo nessa vida é tê-la em meus braços pela eternidade.

 A mão de Mercedes amolece unida à minha, está gelada e sua frio. Puxo ela delicadamente para mais perto e tanto eu quanto Merche deixamos as lágrimas rolarem. Nos olhamos fixamente e eu não demoro nem um segundo a mais para tomá-la em meus braços e lhe abraçar com toda a minha força.
  Mercedes chora de soluçar e eu também não consigo falar nada, apenas afago seus cabelos e silenciosamente agradeço a Deus por me presentear dessa forma.

-Amor, olha pra mim... - peço, tentando acalmá-la - Não precisa chorar... Você é linda demais para esconder um sorriso...

-É que eu tive tanto medo de nunca mais ter você assim... - Merche desliza os dedos lentamente pelo meu rosto - Eu amo tanto você... tanto...

-Eu te amo muito mais, boneca... Não sabe como pedi a Deus para te devolver para mim... E não precisa nem dizer que me ama porque eu sinto isso. Eu vi a força desse amor no dia que você deu sua vida por mim.


-Eu faria quantas vezes fosse necessário! Eu não existo sem você, jamais conseguiria viver sem sentir você, sem poder te tocar... Sem poder te amar... Me promete que nunca mais vamos nos afastar?

-Eu prometo, lindinha... Eu prometo!

 Sem Merche esperar, lhe tomo em meus braços e invado sua boca, unindo nossos lábios rapidamente. A saudade é tanta que não conseguimos nos controlar. O beijo se torna indelicado, intenso e desesperado. Nossas línguas se embolam, nos sugamos, nos chupamos e gememos completamente entorpecidos. 
 A medida em que aprofundamos o beijo, encaixo Mercedes no meu colo e a deito no sofá, que graças a Deus estava aqui à nossa espera. Desço meus beijos pelo seu pescoço, deixando o rastro da minha saliva por toda sua pele, que se arrepia a cada sugada que lhe dou.

-Oh Michael... Senti tanto sua falta... Por favor, mate o meu desejo... - ela pede, sôfrega

-Você leu meus pensamentos, baby... - ela sorri e eu, satisfeito, volto a beijar seus lábios inchados

 Coloco Mercedes sentada no meu colo e começo a acariciar seus seios ainda por cima da roupa. Aos poucos, levanto sua blusa, deixando sua barriga e as bordas dos seios à mostra.
 Ela está muito excitada e já começa a dar uns gemidos abafados. Sua respiração está ofegante, o coração batendo a mil por hora.

-Isso... Suas carícias me enlouquecem... - diz, sussurrando

   Levanto mais sua blusa e os seios dela pulam pra fora, ficando totalmente expostos para mim. Mercedes rebola no meu colo, se esfregando no meu pau totalmente ereto e volumoso. Puxo sua blusa  pra cima e ela levanta os braços para que a blusa saia pela cabeça. 
 Desço minha mão e entro com ela por debaixo da sua saia, chegando até sua intimidade que mesmo por baixo da calcinha, já se mostra úmida.

-Já está pronta pra mim, lindinha? - ela assente com os olhos fechados - Assim que eu gosto...

 Estou cada vez mais excitado e meu  membro já chega a doer preso pelo tecido da calça. Merche notando meu desconforto, abre o zíper da calça e liberta meu pau para fora dela. Ela leva sua mão até ele e começa a acariciá-lo lentamente, provocando espasmos no meu corpo. 

- Não vai abrir os olhos? - ela pergunta - Veja como me sinto segurando essa delícia que você tem...

-Não me provoque, menina...

Mercedes se levanta, tira o restante da sua roupa, ficando totalmente nua. Aproveito também para me livrar das minhas roupas e assim que termino, agarro Mercedes pela cintura e lhe faço sentar no meu colo novamente.

-Senti tanta falta do seu corpo, amor... - ela diz, beijando meu peitoral, ombros e pescoço

-Ele agora é todo seu. Divirta-se! - brinco. Ela volta a me tocar agora mais rápido, mais intenso

  Estou explodindo de tesão, segurando para não gozar. Meu membro lateja nas suas mãos pequenas, bombeando a cada pressionada que ela dá.

-Eu vou gozar, amor... É melhor parar... - aviso, sussurrando

-Goza aqui dentro! - ela pede

-Agora não... Ainda quero te ver louquinha...

 Deito Mercedes no sofá e distribuo beijos pelo seu corpo até chegar no baixo ventre. Lambo os lábios e abocanho sua intimidade, dando uma chupada gostosa em seu clítoris. Merche geme alto e sua respiração se torna desenfreada. Ela abre as pernas para que eu penetre minha língua mais fundo e assim o faço.

- Que delícia, amor... Eu vou gozar a qualquer momento, então por favor, não pare... - agora introduzo meu dedo na sua intimidade, sem deixar de chupá-la. Foi o que Merche precisava para atingir seu clímax

-Você é tão gostosa... - digo, saboreando-me com seu prazer - Eu poderia passar o resto da vida sentindo seu gosto, mas agora eu preciso de você!

-Eu também, querido... Quero você dentro de mim!

 Enquanto nos beijamos carinhosamente, aproveito para encaixá-la no meu colo novamente, agora deslizando meu membro na sua entrada. Ambos gememos alto, e ela mais ainda ao sentir meu pau lhe tocando bem fundo. Começo a estocar rápido na sua intimidade faminta, tendo uma visão irresistível dos seus seios firmes balançarem a medida que ela vai quicando. Levo minhas mãos até eles, os aperto, massageio e caio de boca, beijando-os e os sugando com gana. 
 Mercedes cavalga gostoso em cima de mim, gemendo palavras desconexas no meu ouvido. Ela crava as unhas nas minhas costas e eu aperto sua cintura, lhe conduzindo no vai e vem.

-Rebola, amor... Você é muito gostosa... Oh meu Deus! - meu pênis é engolido por sua intimidade e eu sinto que meu orgasmo está próximo

 Continuamos a nos movimentar freneticamente, loucos para dar prazer ao outro. Já estamos suados, desfeitos e cada vez mais excitados.

-Isso, Mike... Não para, não para! Ooh... Que delícia... - nos abraçamos forte e juntos alcançamos mais um orgasmo

 Agora rebolamos lentamente, aproveitando até a última gota do nosso prazer. Nos beijamos carinhosamente e entre carícias, sorrimos um para o outro.

Capítulo 87

Mercedes


 Ainda estou acomodada em seu colo, nua assim como Michael. Estamos em um silêncio agradável, acariciando um ao outro e nos beijando carinhosamente. Ainda não acredito que estou em seus braços, finalmente estamos juntos.

-Tenho tanto o que dizer, mas nada vem à minha cabeça... - ele diz - Olha o que você faz comigo! Esqueci até onde estamos! - rio do seu desespero ao se dar conta de que estamos no quarto de estoque

-Está com medo de nos pegarem aqui, é?

-Não, porque fui inteligente o bastante para trancar a porta. Mas com certeza já deram falta de mim e é bem capaz de eu ser demitido!

-E daí? Você não vai trabalhar aqui mesmo... - Michael dá uma risada, não me levando a sério

-Está louca? Acabei de falar que não tenho um tostão e... Pera aí, agora estou caindo em si... O que quis dizer quando falou que não tem onde cair morta? - termino de me vestir e volto minha atenção à ele

-É isso mesmo que ouviu. Sei que não vai concordar com o que fiz, mas preciso te contar.

-Pode falar, amor. O que aprontou agora? - ele ri

-Michael, eu não tomei posse dos bens do seu pai. Na verdade você e Maysa assinaram uma procuração me deixando usufruir deles durante minha gestação. Agora tudo voltou a ser de vocês... Além disso, eu me desfiz da minha herança. Fiz um testamento repartindo cada quota para os herdeiros.

-Espera... Deixe eu ver se entendi. Você não tomou os bens do Leon?

-Não. Continua sendo de vocês.

-Merche, eu nunca poderia imaginar... Pra mim você tinha cumprido com sua vingança.

-Eu realmente quis, mas sabia que não me traria felicidade. Eu só queria dar uma lição no Leon, mostrar que o dinheiro não o torna poderoso. Ao mesmo tempo isso serviu para mim também.

-É por isso que desfez dos seus bens? Merche, não precisava ter feito isso! Era herança do seu pai, direito seu... Eu não deixaria de ficar com você por causa disso.

-Eu fiz por mim, Mike... Por vezes meu pai confessou que nunca foi feliz mesmo sendo tão rico. Esse dinheiro nunca me fez feliz, pelo contrário. Eu sei que dinheiro faz falta, mas o mais importante e gratificante é se esforçar para tê-lo. Pela primeira vez estou feliz com a decisão que tomei. Eu voltei a ser a garota que eu era quando me conheceu.

-Tenho tanto orgulho de você... Eu sempre soube que a minha Mercedes continuava aí dentro... Isso só me faz te amar ainda mais! E eu prometo que vamos lutar juntos, assim como eu deveria ter feito no passado.

-Eu sei que vai... Por isso quero que peça demissão.

-Merche, eu não posso fazer isso! - ele ri - Voltamos a ser pobres esqueceu? Porque com toda certeza eu não quero nada com os bens do Leon! Preciso desse trampo mais do que nunca!

-Quer me deixar falar? Michael, eu também não fui burra de me livrar de toda a grana e ficar a pão e laranja. Eu guardei um pouco para fazer uma coisa que, com toda certeza, precisarei de você.

-Como assim? - ele se recosta no sofá, me acomodando em seu colo novamente

-Lembra que tínhamos um sonho em comum?

-Claro que lembro! Planejávamos montar uma escola de música e... Merche, é o que eu estou pensando? 

-Uhum! - sorrio, concordando - Quero realizar nosso sonho e finalmente vamos trabalhar com o que amamos, a música. - os olhos de Michael brilham e eu vejo o quanto ele está emocionado

-Amor, eu nem sei o que dizer...

-Diz que aceita! Diz que vai estar nessa comigo...

-Com toda certeza sim! É tudo que mais quero na vida estar ao seu lado em todas as situações! - ele me dá vários beijos no rosto, finalizando com um selinho - Pode contar comigo pra tudo, amor...

-Eu sabia que ia aceitar... Então vamos pra casa! Inventa alguma coisa pro seu patrão, quer dizer, ex...

-Você quem manda, gata... - Michael me puxa contra si e me abraça - Hoje está sendo o dia mais feliz da minha vida...

-E ainda não acabou. Tem uma pessoinha que quer te rever...

(...)

-Devagar, Michael... Ele está dormindo... - sussurro, ao entrarmos no quarto de Prince

-Ele é tão lindo... Olha só pra esse rostinho, Merche!

-Quer pegá-lo? - acomodo Prince em meu colo delicadamente, tomando cuidado para ele não acordar

-Claro! Mas me ajude, não quero deixá-lo cair... - passo Prince para os braços de Michael. Ele abre os olhinhos e fita o pai, como se estivesse gravando seus traços na memória

-Ele é a sua cara, Michael. Tem seus olhos e o seu nariz fino... - ele ri

-Mas a boquinha pequena é sua. - ele volta a olhar para Prince, sorrindo de orelha à orelha - Oi meu anjinho... Lembra de mim? Nos vimos muito no hospital, né? Mas agora estamos todos juntos... Eu, você, Agnes e sua mãe... - diz, agora me olhando apaixonadamente

-Meus príncipes... - beijo a testa de Prince e em seguida também beijo os lábios de Michael

-Obrigado, Merche. Se eu já era feliz sendo pai da Agnes, agora essa felicidade está completa!

-Eu que te agradeço por me dar esse presente... Falando nisso, onde está a piralha?

-Na escola. Vou buscá-la daqui a pouco. Quer ir comigo?

-Claro! Estou morrendo de saudades dela... Eu vou tomar um banho e já volto. Pode ficar com ele?

-Precisa nem perguntar... Vou ficar aqui curtindo meu garotão... - Michael se senta na poltrona e deita Prince em seu colo, com a cabecinha dele no seu pescoço. É difícil segurar as lágrimas de emoção e felicidade que sinto

(...)

 Após deixar Prince sob os cuidados de Dorothy, Michael me leva para a escola de Agnes, mas eu estranho suas intenções por dois motivos. Uma, que ainda é cedo para Agnes sair da escola, e outra, pelo percurso diferente que Michael está fazendo.

-Para onde estamos indo? - pergunto pela décima vez. Michael novamente ri, respondendo a mesma coisa também pela décima vez

-Você já vai saber... Merche, abra o porta-luvas. - faço o que Michael me pede e me assusto ao ver uma venda preta

-Que diabos é isso?

-Uma venda para você vendar seus olhos. Digamos que eu quero fazer uma surpresinha pra você... - mesmo desconfiada e extremamente curiosa, vendo meus olhos e decido confiar plenamente em Michael.

 Ouço ele desligar o motor do carro, em seguida sua porta abre e depois a minha. Ele pega na minha mão e me conduz a descer do veículo. Não tenho ideia de onde estamos, mas sei que esse lugar venta muito.

-Cuidado com o pé... Agora pode vir. Se quiser pode tirar a sandália. - sigo seu conselho e me livro das sandálias

 Quando toco meus pés no chão, sinto que estou pisando na grama, ou algo parecido. Começo a pensar em todos os lugares possíveis e começo a acreditar que estamos em um velho e inesquecível local...

-Michael, posso tirar a venda?

-Pode. Deixe eu te ajudar. - lentamente ele retira a venda e eu tento me acostumar com a claridade

 Assim que firmo minha visão, reconheço imediatamente o lugar que estamos. É a cachoeira que Michael e eu costumávamos vir. Me lembrei de todos os nossos momentos e principalmente do natal que passamos aqui pulando lá de cima do penhasco e fazendo amor em seguida.

-Michael... - murmuro baixinho sendo tomada pela emoção. Ele me abraça pela cintura e encosta a cabeça no meu pescoço

-Lembra desse lugar? Nosso pequeno paraíso...

-É claro que me lembro... Era o nosso refúgio. Por que me trouxe aqui? Quer me desmanchar, é isso? - Michael ri

-Só quero mostrar que pra mim tudo voltou a ser como era antes, até melhor. Vem cá... - ele pega na minha mão e me leva para  debaixo de uma árvore

 Nos deitamos um ao lado do outro e encaramos o céu azul em silêncio. Logo sinto o toque dos seus dedos passeando pelo meu corpo e o peso da sua cabeça em cima da minha barriga.

-Até um dia desse isso aqui era uma montanha!  - ele brinca - E agora o nosso bebê já está aí forte e cada vez mais lindo...

-É o milagre da vida... Nunca pensei que ser mãe fosse tão bom. Estou amando cada momento! Mas agora pare de me enrolar. Sei que não me trouxe aqui atoa...

-Você é bem astuta mesmo... - diz, me fazendo rir. Ele se senta e eu faço o mesmo - Bem, hoje você me fez uma proposta, certo?

-Certo. E você aceitou! - lembro-lhe

-Sim e agora é a minha vez de fazer uma proposta... Pela terceira vez.

-Como assim?

-Eu já te fiz essa pergunta há treze anos atrás e você aceitou. Fiz novamente há quase dez meses  e você me enrolou e agora farei novamente e dessa vez será definitivo. - Michael adentra sua mão no bolso e retira duas caixinhas pretas de dentro dele - Elas estão no meu bolso há meses e finalmente hoje serão abertas.

-Michael... - ele abre a primeira caixinha e eu me deparo com um lindo anel de brilhantes

-Antes de fazer a tão sonhada pergunta, quero que abra essa aqui. - ele coloca a outra caixinha na palma da minha mão e eu, com as mãos trêmulas, abro - Espero que reconheça...

 Assim que olho para o par de alianças, meu coração pulsa mais rápido. Retiro um dos anéis e procuro por um sinal que confirmasse minha suspeita. E lá está minha certeza...

-" M e M... Oito de maio de 2004..." Oh meu Deus... - minhas lágrimas descem tão grossas como a cascata dessa cachoeira

-Quando você apareceu naquela igreja e jogou sua aliança contra mim... - ele pára para soluçar - Eu aproveitei para guardá-la no meu bolso. Eu guardei junto com a minha e durante todos os dias da minha vida eu abria essa caixa e pedia a Deus para me dar mais uma oportunidade de colocá-la em seu dedo novamente. Então eu te pergunto, Mercedes. Você quer ser dona desse anel mais uma vez? - tento controlar meu choro e respiro fundo

-Não só quero ser dona dele como também do homem que um dia a colocou no meu dedo... É claro que aceito, Michael. Tudo que mais desejo é ser sua esposa. - ele também chora e ri ao mesmo tempo, emocionado assim como eu

 Nossas mãos estão trêmulas, mas mesmo assim ele consegue colocar o anel de noivado no meu dedo. Ele o beija assim que o coloca e em seguida, une nossos lábios.

-Então agora eu vou guardar as alianças para colocá-la novamente eu seu dedo diante do padre e do juiz de paz. Dessa vez nosso casamento será com tudo que temos direito. Você será minha mulher diante da sociedade e principalmente, diante de Deus.

-E esse será o dia mais feliz da minha vida, meu anjo... O dia em que serei sua de uma vez por todas!



Capítulo 88

Mercedes


-Eu vou me casar... Vou me casar com o homem mais lindo do universo! - repito, olhando admirada para o meu anel de noivado

-Hmm então acho que esse homem não sou eu... - ele brinca. Estou deitada em seu colo, sendo paparicada com seus beijos

-Bobo... Caramba, eu vou me vestir de noiva pela terceira vez! Promete que será nosso último casamento?

-Prometo! É o que eu mais quero... Esse também será meu terceiro casamento. E você por favor, nem me lembre da sua ideia de casar com o Edgar! Só de pensar nisso eu sinto calafrios...

-Nem eu gosto de me lembrar... Amor, falando nisso... O que aconteceu com ele? Até agora ninguém me disse nada...

-Merche, ele fugiu. Na verdade a culpa foi minha. Eu devia ter o imobilizado, mas quando te vi desacordada eu não pensei em mais nada.

-A culpa não foi sua... Nós é que sempre o subestimamos. E de qualquer forma, você me protegeu.

-E prometo protegê-la pelo resto da minha vida. E não quero que se preocupe com ele. A polícia está toda em alerta.

-Eu não tenho medo dele, Mike. Antes eu não podia me defender porque estava frágil pela gestação. Mas agora eu voltei a ativa e ele vai ter que ser muito homem para se atrever a mexer com a minha família.

-Hmm que noiva brava eu tenho... - diz em tom de brincadeira, atacando minha barriga com cócegas

-Você sabe que eu sou! Amor, vem comigo! - me levanto e começo a me despir

-Mercedes, o que está fazendo?

-Quero tomar banho nessa água gostosa... Vem, Mike!

-Mas sem roupa? Você enlouqueceu? - abro o zíper do meu short e o deixo cair pelas minhas pernas juntamente com a minha calcinha

-Olhe a sua volta. Só há nos dois aqui, seu idiota! - Michael ri e por fim acaba cedendo

-Ok, você me convenceu... Só não sei se vou me controlar, ouviu bem?

Acabo de me despir e corro para a água, seguida por Michael. Ele está retraído e eu simplesmente amo sua timidez. Ele logo cola seu corpo no meu e me abraça.

-Você tinha razão, essa água está uma delícia... Mas não tanto quanto você... - Michael começa a me beijar o rosto e vai descendo pelo meu pescoço

-Uuul... Bem animadinho... - comento sobre sua ereção. Michael cora e ao mesmo tempo me lança um olhar safado

-Eu te avisei... - ele me pressiona mais forte e eu sinto seu membro rígido tocar meu ventre

Não demorou muito para nos entregarmos um ao outro. E entre beijos e amassos, acabamos fazendo amor ali mesmo de um jeito calmo, carinhoso e intenso. Deus sabe como senti falta de ter essa conexão novamente, uma magia entre nós que nunca se quebrou.

(...)

  Termino meu banho e dou uma passadinha no quarto de Prince. Eles estão quietos demais e com certeza aprontaram alguma. Mas então eu me encosto na soleira da porta e vejo uma cena que derreteu meu coração. Michael está deitado na cama com Agnes e Prince em seu colo. Ele está lendo um livro, tão empolgado que não percebeu que ambos já estão dormindo.

-Quer um lencinho para enxugar as lágrimas? - Dorothy pergunta ao se aproximar de mim

-Olha pra ele, Dorothy... Michael nasceu para ser pai... Eu o amo tanto!

-Minha linda... - ela me abraça, encostando sua cabeça no meu ombro - Não sabe como me emociona vendo-a tão feliz... Pedi tanto a Deus que lhe devolvesse esse brilho nos olhos... E agora vocês merecem todas as recompensas.

-Nisso eu devo concordar. Ué, Dorothy, que bolsa é essa?

-Eu estou indo pro hotel. Agora você não está mais sozinha e eu fico mais tranquila.

-Dorothy, não precisa ir. Aqui tem espaço pra todo mundo...

-Meu bem, esse momento é todo de vocês! Estou em um hotel perto daqui. Agora aproveite o seu noivo e não o solte mais! - ela beija meu rosto e eu a levo até a porta

- Eles já dormiram... - Michael diz assim que eu fecho a porta - Deixei Agnes no quarto com Prince, tudo bem?

-Claro, amor. Mas é por pouco tempo! Assim que nos casarmos vamos comprar uma casa maior e eu quero que Agnes tenha um quarto só pra ela. Eu sei que ela vai adorar!



-Oh meu Deus, você vai transformá-la numa "Mini Mercedes"! - diz fazendo drama. Me arrasto até ele e enlaço meus braços em seu pescoço

-Deixa de ser implicante... Nossa... - respiro fundo ao sentir uma tontura

-Merche, o que você tem?

-Já passou... Não se preocupe, isso é normal...

-Normal nada! Eu vou ligar pra Maysa.

-Não faça isso! Ela vai me obrigar a voltar pro hospital. Mike, eu ainda estou fraca e pra quem acabou de sair de um hospital eu fiz coisa demais hoje. Foi por isso que me senti mal...

-Por que não me contou antes? Teria te freado, principalmente quando fizemos amor... - ele sorri maliciosamente

-É por isso que que eu fiquei quieta... Muda essa cara, vai... Eu vou ficar boa se você cuidar de mim.

-Agora mais do que nunca eu farei isso. Aposto que não comeu nada depois do almoço, não é?

-Acho que esqueci... - murmuro

-Eu deveria é ligar pra Maysa! Mas tudo bem, vou ficar no seu pé de tal forma que vai desejar voltar para o hospital! - ele ameaça e eu caio na risada

-Pior que isso é verdade...

-Agora sente aqui e me espere. Vou fazer um lanche pra você. - Michael me ajuda a sentar no sofá e corre para a cozinha

Eu pretendia esperá-lo, mas foi só deitar no sofá que senti as vistas pesarem e um soneira tomar conta de mim. Depois que fechei os olhos, só me lembro de estar no colo de Michael e ser levada para o quarto.



Capítulo 89

Michael

Duas semanas depois


   Termino de preparar a bandeja do café da manhã de Mercedes e a levo para o nosso quarto, mas antes, mais uma vez olho para o calendário. Hoje é a véspera do nosso casamento e só Deus sabe como estou ansioso.
   Nessas duas semanas aproveitamos para marcar a data do casamento e junto com Maysa, Corine e Dorothy, a organização da festa está praticamente pronta. Aproveitamos também para visitar galpões que futuramente poderão servir como local para a nossa escola, só que eu já tenho uma ideia em mente do que fazer, e só contarei para Merche na nossa lua de mel.

-Merche... Já está na hora de acordar... - ela se remexe na cama e cobre a cabeça com a coberta

-Tá cedo, Michael... Vem cá dormir mais um pouquinho...

-Mercedes, o Prince está esgoelando e não se acalma de jeito nenhum! - ela se senta rapidamente na cama, pronta para correr até o quarto dele

-Já estou indo, meu bem! - começo a rir escandalosamente, denunciando minha mentira

-Eu tô brincando... Era só pra você acordar! - ela joga o travesseiro contra mim e eu esquivo

-Idiota! Já é a terceira vez essa semana que você faz isso!

-Quem manda ser preguiçosa?

-Eu não tenho culpa se você passa a noite toda madrugando e acorda com as galinhas!

-Hmm você fica linda quando está brava! Olha só, eu preparei seu café da manhã. Estou perdoado?

-Só se comer comigo... - ela finalmente sorri e se senta novamente, puxando-me para ficar ao seu lado - Como se sente no seu último dia como solteiro?

-Ansioso e empolgado. Acho que não existe nenhum noivo tão contente como eu!

-Que sorte a minha! - Merche me abraça e beija minha bochecha - Sabe do que eu estava me lembrando? Do nosso casamento... A gente teve a ajuda da Maysa, da sua mãe e da Gina...

-Bons tempos, né? Eu estava tão feliz... - é impossível não ficar mexido ao me lembrar da minha mãe

-Sente falta dela, não é?

-Muita... E você da Gina...

-Sabe, eu tenho certeza que elas estão ao nosso lado a todo momento e estão muito felizes por nós.

-É claro que estão. Foram elas que juntaram os pauzinhos para nos unir novamente. Não duvido disso...

-Nem eu... - Merche se levanta em silêncio e vai para o banheiro

-Aonde você vai?

-Tenho que fazer umas coisas, e... fazer a última prova do vestido. Já volto!

Mercedes


   Escolho o arranjo de flores mais bonito da floricultura. Apesar de eu não gostar de flores, Gina era o oposto de mim. Ela simplesmente era apaixonada!
Respiro fundo e sorrio ao chegar perto do seu túmulo. Passo os dedos na sua fotografia para tirar o excesso de poeira e retiro também as flores secas que eu tenho certeza que foram colocadas aqui por Tommy. Coloco meu buquê sobre seu túmulo e me ajoelho diante dele.





-Oi, maninha... Faz tempo que eu não venho aqui te ver, não é? Mas você sabe que eu estava passando por um perrengue. Eu sempre passo. - rio - Você não tem ideia de como gostaria que você estivesse aqui... Queria que você conhecesse o Prince, você ia ficar apaixonada nele! - fico em silêncio por alguns minutos, chorando baixinho - Eu sei que você nunca me abandonou. Sei que todas as coisas maravilhosas que estão acontecendo comigo tem dedo seu. E não se preocupe, eu não vou mais te dar trabalho. - rio - Agora eu tenho o Michael ao meu lado e eu não preciso de mais nada...

-E eu prometo que vou cuidar da sua amiga até o último dia da minha vida. - viro minha cabeça ao escutar a voz de Michael. Ele se senta ao meu lado e me abraça - Vou fazê-la feliz, vou protegê-la e amá-la com toda minha alma...






-Ela sabe disso... - me encolho em seus braços, sentindo-me aquecida com a sua proteção - Como me achou?

-Eu sabia que você viria aqui... Aproveitei que Dorothy chegou lá em casa e vim ficar com você. Não queria te atrapalhar, mas senti que também precisava agradecê-la por ter cuidado de você mesmo estando longe.

-Eu queria tanto que ela estivesse aqui...

-Eu sei... Não fique triste, meu amor. Ela continua ao seu lado, acredite nisso.

-Eu acredito. E não, eu não estou triste. Eu tenho que aceitar a realidade... E eu não estou sozinha. Tenho você.

-Sempre... Quer ficar mais um pouco?

-Não. - suspiro - Já fiz eu que tinha que fazer. Você quer ver o Leon?

-É melhor não. Não quero forçar as coisas, entende? Eu sempre amarei Leon pelo respeito que eu sentia, mas é melhor seguirmos com a nossa vida.

-Como quiser... Vamos? - abraçados um ao outro, saímos do cemitério

Nos despedimos carinhosamente e Michael volta pra casa, enquanto eu vou buscar Agnes na escola para irmos até o ateliê experimentar nosso vestido. Michael bem que tentou me persuadir para ir junto, mas logo o cortei.

(...)

-Merche, você parecia uma princesa! Eu amei seu vestido! - Agnes não para de comentar sobre meu vestido. Ela ficou encantada e eu fiz questão que seu vestido fosse igual ao meu

-Ele é lindo, né? Você também ficou maravilhosa! Vamos arrasar amanhã! - abro a porta de casa e já sentimos o cheirinho da comida que Michael fez

-Boa noite, garotas! Pensei que passariam a noite fora... - ele segura Prince com um braço e arruma a mesa com o outro

-Jamais lhe abandonaríamos! - digo. Trocamos um beijo carinhoso e para ajudá-lo, pego Prince no colo - O que fez pra gente? Estamos com fome!

-Está quase pronto... Fiz minha famosa lasanha. Agnes conhece...

-Merche, a lasanha que o papai faz é uma delícia!

-É mesmo? Então eu vou experimentar. Agora, querida, vá tomar seu banho para jantar.

-Ok... - ela revira os olhos e corre para o seu quarto. Prince começa a chorar, fazendo manha

-O que foi, meu amor? Por que está chorando, hum?

-Não é de agora que ele está abrindo o berreiro. Tentei distraí-lo e ele nem me deu bola.

-Hmm... Eu sei qual é o problema. Ele está com fome. - deito Prince em meu colo e dou meu peito para ele. Prince gruda as mãozinhas no meu seio e o suga, faminto

-O que um par de seios não faz... - Michael brinca

-Isso vale para os dois, não é? - rimos - Como foi seu dia?

-Foi tranquilo... Além de sentir sua falta, fui buscar meu terno.

-E cadê ele? Me deixe ver!

-Não senhora! Assim como não quer me mostrar o vestido, também não mostrarei meu terno. A superstição vale para os dois!

-Eu te odeio... Por causa disso também não vou te dar o presentinho...

-Que história é essa?

-Bom, eu queria te mostrar como seria nossa lua de mel, mas você não está merecendo.

-Oh não... Tenha piedade mim...

-Vou colocar o Prince no berço. Até lá penso no que vou fazer com você...

(...)

Depois do jantar, Michael ficou para lavar as louças e eu aproveitei para tomar um banho e vestir minha nova lingerie. Essa é a nossa última noite como namorados e eu quero que seja inesquecível.

-Amor, já acabei e... - ele para assim que me vê deixando a suíte - Nossa...

-Gostou? - tiro a camisola e dou uma voltinha para ele analisar a minha lingerie

-Se eu gostei? - Michael tranca a porta e vem até mim com os olhos sedentos de desejo - Você é maravilhosa... - ele me pega no colo e começa a distribuir beijos pelo meu pescoço

-Sei que temos que acordar cedo amanhã, mas eu estou afim de fazer amor a noite toda...

-Amanhã a gente se vira. Agora vamos ao que interessa!



Capítulo 90

Mercedes


  Daqui há poucas horas estarei oficialmente casada com Michael. Deus sabe como estou nervosa com o aproximar das horas. Esperei tanto por esse dia que pensei que nunca aconteceria, mas agora me vendo vestida de noiva, percebo que tudo é real. Eu realmente terei um final feliz.

-Merche, está na hora de fazer a maquiagem! - Maysa vem me avisar. Enxugo as tímidas lágrimas com a ponta dos dedos e me viro para ela

-Então vamos... - Maysa pega na minha mão e sorri

-Chegou o grande dia, minha amiga! Preciso nem perguntar como se sente, não é?

-Meu coração não para de bater acelerado, Maysa... Nunca fui tão feliz em toda minha vida!

-Você merece... Eu tenho certeza que você e Michael serão muito felizes. Agora vamos, estamos atrasadas!

-Ah meu Deus, Michael vai acabar infartando!

-Então corre antes que você fique sem noivo!

Optamos por fazer a cerimônia em uma fazenda afastada da cidade. Essa será a futura casa de Maysa quando se casar com Dereck, o melhor amigo de Michael. Eu concordei porque realmente esse lugar é lindo e estar perto da natureza faz com que o clima fique ainda mais agradável.
Dorothy termina de colocar o véu na minha cabeça e para finalizar, ela envolve um terço de pérolas no meu pulso. Já estou pronta para me juntar a Michael e agora mais do que nunca, me sinto nervosa.

-É agora, Mercedes. Está pronta? - respiro fundo e tento controlar meus nervos

-Estou, Dorothy. Obrigada por tudo! Eu te amo...

-Eu também te amo, minha linda... E não chore! Vai borrar toda a maquiagem. Agora vá... Os músicos já começaram a tocar a música.

  Ajeito minha postura, suspiro mais uma vez e abro meus olhos. Seguro firme meu buquê, tomando cuidado para que ele não caia da minha mão. A música começa e eu dou o primeiro passo. Os convidados se levantam e olham na minha direção, mas eu só tenho olhos para Michael. Ele está inquieto e assim que me vê, paralisa. 

   Continuo caminhando pelo tapete de rosas brancas e a cada passo, o caminho até Michael se torna cada vez menor. A minha vontade é de correr até ele, mas minhas pernas não me obedecem. Agnes caminha na minha frente, carregando consigo nossas alianças. Assim que ela se aproxima de Michael, ele ajoelha e lhe abraça.
E finalmente chega o momento de estarmos juntos. Ele estende sua mão e eu a aperto, sentindo minha corrente sanguínea se eletrizar.

-Você está linda... - ele sussurra no meu ouvido

-Você também está lindo, meu amor... - nos ajoelhamos diante do padre, que inicia a sua função

No meio do seu discurso, somos interrompidos pelo chorinho de Prince, que vai aumentando gradativamente. Maysa o pega no colo para tentar acalmá-lo, mas sem sucesso.

-O que ele tem? - Michael pergunta

-Só pode ser fome. Maysa, eu deixei uma garrafinha com leite na bolsa. Dê a ele.

-Ele não aceita, Merche. Acho que ele só vai tomar se for de você.

-Nós podemos esperar... - o padre gentilmente diz

Ele começa a rir, assim como nossos convidados e o que me resta é me levantar e sentar em uma cadeira para amamentá-lo. Milagrosamente Prince para de chorar e começa a mamar com vontade.

-Que danadinho... Fez todo esse auê só para poder mamar. - Michael diz, sentando-se ao meu lado

-Esse gosta de atrair a atenção todinha pra ele. - Prince nega meu peito, mostrando-se satisfeito - Agora você já está alimentado e vai deixar a mamãe casar, não é? - ele fecha os olhinhos e é beijado por Michael e eu

Pego uma toalhinha para me limpar, me recomponho e estou pronta para prosseguir com o casamento. Prince volta pro colo de Maysa e eu me uno à Michael novamente.

-Podemos continuar! - aviso - Mas por favor, pule para a parte principal. Não aguento mais essa ansiedade! - Michael ri

-Pois bem... É de livre e espontânea vontade que vocês, Michael e Mercedes aceitam se unir em matrimônio diante de Deus e dos homens, na promessa de se amarem e se respeitarem em todas as circunstâncias que possam enfrentar? - Michael e eu nos entreolhamos e juntos respondemos ao mesmo tempo

-Sim! - apertamos nossas mãos entrelaçadas e sorrimos com cumplicidade

-Sendo assim, podem assinar o livro e trocar as alianças.

Deixamos nossa assinatura no livro do juiz de paz, que nos parabeniza em seguida. Agora, Michael pega as alianças com Agnes e delicadamente, estica minha mão.






-Merche, não é primeira vez que vivemos isso. Eu já tive a oportunidade de colocar esse anel no seu dedo, mas não fui merecedor do seu amor. Hoje, depois de vivermos tantas coisas... De termos amadurecido e provado que o nosso amor é pra valer, eu novamente volto a colocá-lo no seu dedo e dessa vez, honrarei esse gesto por toda nossa vida. Eu te amo e sempre vou amar você. - Michael coloca o anel no meu dedo, beija-lhe em seguida e seca meu rosto molhado






-Faço minha suas palavras. - digo ao repetir o mesmo gesto que ele fez - Naquela época eu pensava que era a mulher mais feliz do mundo todo e acreditava que aquilo era o ápice. Mas agora olhando pra você e para a família que construímos, eu digo com toda certeza que sou muito mais feliz que imaginei ser um dia. Obrigada por fazer parte da minha vida, por lutar por nós dois e nunca desistir de mim. Eu te amo! - encaixo a aliança em seu dedo e beijo o dorso da sua mão

Michael me abraça pela cintura e nossos lábios se encontram. Enquanto somos aplaudidos, continuamos a nos beijar com amor e carinho, demonstrando a enorme felicidade que estamos sentindo.
Com os braços entrelaçados, caminhamos pelo tapete, recebendo uma chuva de arroz. Michael tenta me proteger dos "ataques", mas acabamos rindo da situação.

(...)

Recebemos os abraços de todos os nossos amigos, principalmente da nossa família. A festa está agitada e eu acredito que Michael e eu nunca dançamos tanto na nossa vida como hoje. 
Depois que partimos o bolo, fizemos o brinde e escutamos os discursos em nossa homenagem, finalmente conseguimos uma brecha para ficarmos a sós. Michael me leva até um lugar afastado e assim que chegamos até lá, ele me puxa para um abraço apertado.

-Diz pra mim... Você está feliz? - ele pergunta com os olhos marejados

-Sim, sim e sim!!! Eu sou a mulher mais feliz do mundo e é graças a você, meu amor...

-Minha esposa... Acho que agora eu posso morrer em paz, porque sei que será minha além da vida.

-Além da vida... Gostei disso. - ele ri - Mas você não vai morrer tão cedo. Agora que sou sua esposa, você terá que me aguentar pelo resto da sua vida!

-Com prazer... - Michael fecha os olhos e vem se aproximando de mim

Nossos lábios se unem lentamente e aos poucos nosso beijo se intensifica. Sua língua quente acaricia a minha e eu me desmancho em seus braços, gemendo na sua boca. Michael me pressiona contra a árvore e se eu não o freasse, acabaríamos fazendo amor a luz da lua, que agora ao entardecer, se mostra cada vez mais brilhante.

-Você me enlouquece... Mal posso esperar pela nossa noite de núpcias.

-Que tal a gente se despedir do pessoal agora? Temos só três dias de lua de mel e eu quero aproveitar ao máximo!

-Seu pedido é uma ordem... Vou te dar a melhor lua de mel da sua vida!

Ele promete, mas isso nem era preciso, pois sei que onde quer que estejamos será especial. Sempre será especial. Tudo com Michael sempre será mágico e inesquecível.



Capítulo 91

Michael


   Foi difícil pra gente se despedir de Agnes e Prince. Por mais que seja só um final de semana, Merche ficou insegura em deixar Prince para trás. Mas Maysa, Corine e Dorothy garantiram que as crianças ficarão bem sob os cuidados delas. 
Por não ser uma viagem longa, pegamos estrada logo após irmos embora da festa. Mercedes ainda não sabe para onde vamos, mas agora que estamos perto de chegar, ela começa a desconfiar.

-Michael, me responda!!! Estamos indo pra onde eu acho que vamos?

-Não sei o que você acha... - brinco, provocando sua ira. Merche belisca meu braço como resposta

-Au! Agora também não conto. - Mercedes faz uma cara emburrada, mas ao avistar o mar no horizonte, ela logo se empolga

-Estamos em Long Island?!

-Sim... Escolhi esse lugar por uma série de motivos, entre eles o fato de ser o local da nossa primeira lua de mel e o mais importante, será um novo passo para a nossa vida.

-Como assim, amor?

-Logo vai saber, mocinha... - rio

-Você é mesmo muito esperto. Pediu para eu colocar biquínis na mala e eu nem saquei nada...

-Lógico! Você estava tão empolgada que não duvido nada você ter esquecido de tudo que falei.

-Bobo... Falta muito pra gente chegar? - pergunta, parecendo uma criança curiosa

-Alguns minutos... Sossega! Desse jeito vai dormir assim que chegarmos.

-Acha mesmo que eu vou dormir na nossa noite de núpcias? - Merche se esfrega em mim, mordiscando minha orelha e passeando sua mão boba pela minha coxa

-Merche... Desse jeito não vou conseguir dirigir... - digo com dificuldade, mas adorando sua insinuação

(...)

Estaciono o carro na garagem da casa. Merche imediatamente reconhece como sendo a mesma casa que nos hospedamos quando viemos aqui.

-Michael, você é incrível! - ela grita, correndo pela casa - Como conseguiu alugá-la depois de tanto tempo? Sua mãe disse que ia vendê-la e eu jurava que já tinha sido vendida. Até reformada ela está!

-Você tem razão, ela foi vendida pouco depois que nos separamos...

-Ah é? E como encontrou o dono? Você deve ter chamado o FBI! - ela ri

-Não foi preciso, até porque eu conheço o dono. E você também. - ela me olha sem entender

-Como assim, Michael? Quem é o dono afinal?

-Seu marido, querida... - revelo, balançando a chave entre meus dedos. Mercedes empalidece e abre um sorriso enorme

-Como assim? Michael, que história é essa?

-Quando eu me casei com a Dominique, eu tive a certeza de que nunca mais você voltaria pra mim. Então eu decidi guardar pra mim tudo que me lembrava você. Por isso eu comprei essa casa e durante todos esses anos eu a conservei. Foi o único bem que não nos foi tomado e agora ele é nosso, meu amor. Nossa história está aqui.

-Oh Michael... - ela chora, me abraçando apertado - Quando eu entrei aqui pela primeira vez eu sabia que era o tipo de ambiente que eu queria viver com você...

-Ótimo você me pensar assim. Será importante para a minha próxima proposta.

-Do que está falando?

-Depois, amor... Agora vamos para o que interessa, hum?

-Adorei! Eu vou tomar meu banho, ok?

-Vamos juntos, amor. Sabe que eu amo tomar banho com você... - Merche se solta de mim, impedindo-me de aproximar

-Nada disso! Quero que me veja linda pra você na cama. Tome banho no outro banheiro.

-Já que eu não tenho opção...

(...)

   Termino meu banho, me enrolo na toalha e subo a escada para o segundo andar, onde fica a nossa suíte. Estou ansioso para ver Mercedes, para amá-la pela primeira vez como minha esposa.
Encontro ela debruçada na sacada da varanda, observando a lua cheia. Ela veste um hobby de seda preto e assim que escuta meus passos, se vira para mim. 
Arfo demoradamente ao ver a produção que ela preparou para mim. Mercedes é a perfeição em forma de mulher. A lingerie preta contrasta com sua pele branquinha e eu já imagino ela toda rasgada pelo chão.

-Aprovada, Sr. Jackson? - ela provoca, atiçando o meu desejo

-Aprovadíssima, Sra. Jackson... - Mercedes deixa o hobby cair no chão e lentamente caminha até mim

   Não demoro nem um segundo para agarrá-la, tomá-la em meus braços e roubar um beijo ardente e sensual. Mercedes corresponde na mesma intensidade, explorando meus lábios, sugando minha língua que duela com a sua. Logo sinto meu membro enrijecer e Mercedes, ao perceber, solta minha toalha e fita meu ***, lambendo os lábios.
   Sem me avisar, ela se ajoelha e com as mãos começa a tocar toda a extensão do meu sexo, fazendo um vai e vem gostoso com a mão. Meu membro pulsa cada vez mais rápido e eu preciso me controlar para minhas pernas não fraquejarem.
Mercedes expõe a cabecinha do meu *** e dá uma longa lambida no local, arrancando de mim um gemido sôfrego. Agora, ela o abocanha, enfiando o máximo que consegue na boca.

-Oh Merche, que delícia... Chupe ele todinho... Você é excelente nisso... - puxo seu cabelo em um rabo de cavalo e conduzo sua cabeça com rapidez, fodendo sua boca com meu ***

  Mercedes se mostra faminta, engolindo todo meu membro com vontade, com gana. Ela suga com maestria e usa a outra mão para tocar meus testículos. Sinto meu orgasmo cada vez mais próximo e antes que eu pudesse gozar na sua boca, levanto Mercedes e os jatos de sêmen atingem seus seios. Ela surpreendentemente os enxuga com os dedos e chupa em seguida, fazendo cara de prazer. Isso foi o que bastava para me excitar novamente em tempo recorde.

-Não devia ter me provocado, garota...

-Isso é uma ameaça? - pergunta, me desafiando

-Você vai ver agora! - empurro Mercedes contra a cama e ela geme pelo movimento brusco

  Levo meus olhos para cada parte do seu corpo e eu não consigo manter a calma. Desejo Mercedes com toda a minha alma e nunca, nunca haverá outra mulher que mexa com a minha sanidade como ela.



Capítulo 92

Mercedes


  Michael me joga na cama e chega mais perto, engatinhando até se sentar. Ainda com os olhos grudados em mim, ele acena para eu também me sentar. Ele me encaixa no seu colo, abaixa a cabeça e começa a dar beijinhos na minha barriga, subindo devagar até chegar nos meus seios. Ele os livra do sutiã e sorri satisfeito.

-Você é tão linda... - Michael distribui beijos por entre os seios e quando sinto sua língua pincelar meu mamilo, me desmancho em seus braços

   A sensação é simplesmente maravilhosa. Ele lambe bem devagar e eu arqueio o busto cada vez mais para frente, expondo meus seios para Michael. Envolvo minhas mãos no seu pescoço e o puxo para mais perto, querendo que ele engula meus seios. Ele vai alternando entre os dois, ora chupando um, ora o outro, e eu cada vez mais entregue até que ele me puxa e me fez sentar com as pernas abertas sobre a suas coxas. 
   Michael continua a chupar os meus seios e agora sua mão passeia por minhas coxas, chegando até a barra da minha calcinha.

-Oh Michael... Preciso sentir você, amor... - sussurro

 Ele ergue minha cabeça e me olha profundamente. Agora nossos lábios estão bem próximos e eu aproveito para beijá-lo sensualmente, com extrema urgência. Seu membro roça  sob minha intimidade ainda escondida pelo tecido e sentir o contato dos nossos sexos, me faz perder a sanidade. Michael se deita na cama, puxando meu corpo junto com ele. Por extinto,  começo a me esfregar no seu pau e vou aumentando as investidas a cada gemido que ele emite. Sinto minha intimidade cada vez mais ensopada, quase gozando apenas pela fricção.

-Desse jeito não vou aguentar, amor... - ele diz entredentes

 Michael rasga as laterais da minha calcinha e eu chego a ficar sem ação com sua atitude selvagem. Ele mais que depressa  ergue a cabeça e abocanha meus seios e então,  começo novamente a ir pra frente e pra trás. Aos poucos a calcinha vai descendo e finalmente toco minha intimidade no seu membro teso. Volto a me esfregar quase que com violência sob seu membro.
 Michael que também já não está mais aguentando, leva os dedos à minha entrada e, massageando, entreabre ao máximo meus lábios e enterra seu membro.

-Que gostoso, Michael.... Oh... - seu membro desliza fácil e fica mais gostoso quando ele começa a estocar com força

-Gostosa é você, garota! Eu vou te comer a noite toda... Vai amor, rebola!

 Começo então a por e tirar bem devagarinho a glande de dentro da minha intimidade, deixando Michael louco. Sem ele esperar, me sento no seu colo com vontade, deixando seu pau me tocar bem fundo. Ambos gritamos e gememos de prazer. Começo a cavalgar gostoso no seu colo e Michael me acompanha em um ritmo cada vez mais alucinante. Cravo minhas unhas no seu peitoral e mordo os lábios, sentindo o clímax se aproximar. Bastou mais algumas estocadas para chegarmos ao nosso orgasmo. Nos abraçamos bem forte e entre beijos demorados, gozamos juntos. 
 Me deito ao seu lado, sorrindo de orelha a orelha. Michael me fita, encantado e eu me sinto a mulher mais amada do universo.

-Eu te amo... - ele diz. Deslizo meu dedo pelo seu lábio carnudo, desejando beijá-lo novamente

-Eu sei que me ama. - respondo, orgulhosa

- Então vem comigo. - Michael se levanta e me puxa para ir com ele - Quero amar você de todas as formas possíveis!

(...)

A água quente do chuveiro parece aumentar o calor do nosso corpo. Michael fez questão de me ensaboar e eu fiz o mesmo com ele. Percorro a esponja pelo seu corpo, mas quando chego no meu membro, substituo pela minha mão.

-Isso... Oh Merche... - ele geme, vendo seu pau cada vez mais ereto - Vira de costas, vai! - Michael me encosta no vidro do box e pede que eu empine o bumbum

 Aos poucos sinto seu membro molhado me invadir. Ele começa a rebolar gostoso, me preenchendo por completo. Com uma mão ele brinca com meu clítoris e com a outra, estimula meu mamilo. Com tantas carícias ousadas, fecho os olhos, me sentindo fora de órbita. 
 Sem nem perceber, Michael me vira de frente e se enterra novamente, me tocando meu fundo. Ele me pega no colo, aperta minhas coxas e volta a estocar rápido e forte.

-Oh... Mais rápido, Mike... Mais rápido! - peço, praticamente gritando

 Ele atende meu pedido e mete cada vez mais rápido. A água que jorra do chuveiro cai sob nossos corpos e essa mistura deliciosa nos leva ao ápice do nosso prazer.

(...)

 Acordo sentindo a claridade do sol invadir nosso quarto. Olho para o lado e vejo Michael dormindo preguiçosamente. Também pudera, fizemos amor praticamente a noite toda. Ao olhar para minha aliança, sorrio ao perceber que foi tudo real. Michael é meu marido e dessa vez é para sempre.
 Assim que termino de preparar nosso café da manhã, vou até a varanda e observo o amanhecer. O dia está lindo e minha vontade é de correr pela praia e entrar nessa água que parece estar deliciosa, mas para isso, Michael tem que vir comigo.
 Deixo a bandeja em cima da mesa e subo na cama. Distribuo beijos nas suas costas e eu o vejo se arrepiar instantaneamente. Beijo sua nuca, pescoço e orelha.

-Acorda, amorzinho... Já amanheceu faz tempo... - Michael nada responde, apenas vira pro lado - Amor, acorda!

-Já estou acordado, sua chatinha... - ele resmunga - O que você quer? Duvido que me acordou tão carinhosa atoa...

-Eu não sou interesseira, mas dessa vez tenho que concordar com você. - Michael se vira pra mim e ri

-Não falei? Mas diga, o que a minha esposa quer?

-Sua esposa quer aproveitar o sol lindo que está lá fora! Vamos, amor. Estou louca para entrar no mar!

-A pobreza não saiu de você, né? - ele brinca - Até hoje acha que o mar é coisa de outro mundo?

-Se quer saber, eu não entro no mar faz treze anos! - Michael arregala os olhos, incrédulo

-É o que?

-Isso mesmo que ouviu. A última vez que entrei foi na nossa lua de mel. Eu nunca mais quis ir a praia depois disso. Uma porque eu tinha medo e outra... eu sempre lembrava de você...

-Oh amor...

-Será que agora depois de ouvir minha triste estorinha você aceita ir comigo na praia?

-Hm... deixa eu pensar... - ele provoca

-Pensar nada! Você só tem que sair de casa para pisar na areia! Vamos, amor...

-Tá bom, você venceu! Me deixe tomar um banho que eu desço com você, criançona!

-Ótimo! Vou escolher o biquíni...

-Como assim escolher? - deixo Michael falando sozinho e pego a bolsa com os biquínis

  Realmente eu estou pior que uma criança. Amo tanto esse lugar que poderia passar o resto da vida aqui e pra ficar perfeito, só falta ter nossos filhos conosco.



Capítulo 93

Mercedes


 Termino de vestir o biquíni e me olho no espelho. Felizmente estou ganhando peso e voltando ao corpo que eu tinha antes da gravidez. Respiro aliviada, pois vestir um biquíni e se exibir na praia pra mim é uma tarefa difícil, mas até que caiu bem.  
 Vejo Michael pelo reflexo do espelho, entrar no quarto. Ele termina de abotoar os botões da camisa e parece não me notar.

-E aí, amor? Fiquei bonita? - me viro para ele e o vejo me olhar com desejo e reprovação

-Lindíssima... Mas para ficar aqui nesse quarto, não para desfilar por aí...

-Desde quando ficou chato assim? Michael,  o biquíni é lindo! Eu é que não vou deixar você ir lá pra fora vestindo calça e camisa de botão!

-Qual o problema? Pelo menos eu estou mais vestido que você!

-Michael, deixa de ser careta. Essa praia faz parte de uma ilha, é praticamente deserta! Vai lá fora, vê se tem alguém pegando sol? - Michael entorta a boca, se sentindo contrariado

-Ok, você venceu... - ele dá um sorrisinho - É que vestida assim eu fico louco...

-Ótimo, é melhor assim... Agora troca essa roupa, Michael. Veste uma bermuda, tira essa camisa e vem comigo.

-Mas você sabe que o sol irrita a minha pele.

-Sem desculpas, querido... Estou te esperando lá fora!

-Tá, mas coloca um vestido pelo menos. Por favor, amor...

-Ok... Como quiser! - reviro os olhos e a contra gosto visto a saída de praia

(...)

 Me deito na areia, coloco meu óculos e aproveito o solzinho da manhã. Apesar do vento frio, o sol está quentinho e eu mal vejo a hora de entrar no mar. Percebo Michael se sentar ao meu lado e eu logo abro os olhos para analisá-lo. Ele veste apenas uma bermuda preta, está com os cabelos rebeldes e usa um óculos escuro. Faz tempo que não o vejo tão despojado assim.

-Pode passar em mim, docinho? - ele pede ao me estender o protetor solar para mim

-Hmm é claro que posso! - me sento atrás dele e espalho o protetor solar nas suas costas branquinha. Passo também no seu peitoral, braços e finalizo no seu rosto - Coisa linda... - ele ri, envergonhado 

-Você está feliz aqui, não é?

-Muito! Mas minha felicidade estaria completa se nossos filhos estivessem aqui. Acha que eles estão bem?

-Claro que estão. Enquanto eu me trocava liguei pra Maysa e até conversei com a Agnes. Eles estão ótimos, não se preocupe.

-Graças a Deus... - me deito no seu colo e sou abraçada por Michael - Amor, ontem você disse que tinha uma proposta pra mim. Do que estava falando?

-Oh... Você não esqueceu... - ele ri - Ok, eu vou contar. Mas é só uma sugestão, não precisa aceitar se não quiser.

-Está me deixando curiosa. Fala, Mike!

-O que acha de morarmos aqui nessa casa? - ele fala com o tom de voz sério, deixando claro que não é uma piada

-Tá falando sério ou isso é uma brincadeira?

-É claro que estou falando sério! Mercedes, eu quero começar do zero com você. Quero que tudo seja diferente e pra isso temos que arriscar. Você mesma vivia me dizendo isso! Eu amo esse lugar e você também. Tenho certeza que nossos filhos vão amar crescer aqui.

-Mike, eu também acho a ideia incrível, mas como vamos viver no meio do nada? Se fosse só eu e você, tudo bem, mas...

-É óbvio que eu pensei nisso, amor. Long Island tem conexão direta com o Brooklyn ou o Queens. Chegar até esses lugares não demora nada. Fora que essa ilha cresceu muito. Vamos continuar trabalhando na cidade, mas vamos morar aqui. E pensa quantos projetos podemos criar nesse lugar?

-Até que você tem razão... - sorrio, começando a me empolgar

-A casa nós já temos, amor. E isso é o principal. Estamos em um verdadeiro paraíso e sinceramente, não consigo imaginar nós dois vivendo em outro lugar que não seja aqui.

-Nossa... Eu nem sei o que dizer!

-Só diz que aceita e que vai confiar em mim. Nunca fizemos o tipo de casal convencional, mesmo. - ele ri

-Quer saber de uma coisa? Eu topo. É aqui que vamos criar nossos filhos... - Michael me abraça e me enche de beijos

-É por isso que eu amo você. Sempre me apoia em tudo...

-Esse é o dever de uma esposa e melhor amiga... E quanto à nossa galeria?

-Não se preocupe, já está resolvido. Eu encontrei dois terrenos disponíveis. Um no Queens e outro no Brooklyn. A decisão é sua.

-Apesar de eu amar o Brooklyn e ter crescido nesse lugar, não creio que vou me sentir bem lá. Mesmo deixando o passado para trás, me dói lembrar do que vivi. Além do mais, ele já tem uma galeria.

-Do que está falando?

-Eu procurei o Tommy e ofereci capital para ele finalmente dar andamento ao galpão. E pela Gina ele aceitou. O pessoal de lá merece essa nova chance.

-E é graças a você, meu amor!

-Só fiz o que é certo. - suspiro - Bom, então vamos ter que ir até o Queens, certo?

-Quando você quiser! Mas agora não vamos pensar nisso e sim na nossa lua de mel!

-Você tem toda razão! Vem, vamos pra água... - Michael me pega no colo e corre comigo para o mar

 Brincamos como duas crianças e aproveitamos também para namorar. As ondas do mar passam por nós lentamente, como se não quisessem nos interromper. E pela primeira vez eu vejo que tudo está conspirando a nosso favor e pela primeira vez também passo a acreditar que o tempo é o senhor do universo, e é ele quem dita o nosso destino.



Capítulo 94

Michael

Semanas depois


   Nosso fim de semana havia sido tão bom que passou em um piscar de olhos. Mas saber que aqui será nosso futuro lar me consola, pois aí sim poderemos viver em uma eterna lua de mel.
   Desde que voltamos para NY, tratamos de preparar tudo para nossa mudança. Já compramos o galpão e a construção da galeria já começou. Só não nos mudamos ainda porque vamos esperar pelo casamento de Maysa, que será hoje. Acho que estou mais ansioso que ela, afinal não é todo dia que sua irmã se casa com seu melhor amigo!

-Vou falar pela última vez, Dereck. Se vacilar com a minha irmã, tu vai se ver comigo! - ameaço, em tom de brincadeira enquanto lhe ajudo a se vestir

-Meu amigo, pode ficar tranquilo. Vou ser o melhor marido do universo que até sua esposa vai ter inveja! - dou uma longa risada da sua ilusão

-Que idiota! Agora vamos pro altar. Daqui a pouco Maysa chega e se não estivermos lá, Mercedes vem te buscar pessoalmente.

-Credo! Não quero problemas com aquela tinhosa não!

-É melhor não provocar mesmo. Conheço essa mulher como a palma da minha mão! - rimos - Vamos...

(...)

-Está pronta, maninha? - pergunto ao ver que está na hora de pisarmos no altar

-Acho que sim, mas estou tão nervosa... Nunca imaginei que fosse me casar um dia!

-Não sei porque. Você é linda, encantadora e a mulher mais nobre que conheço. E o mais importante, merece toda a felicidade desse mundo! Se hoje eu sou feliz, é graças a todo apoio que deu para mim e pra Merche.

-Vocês mereciam, ou melhor, nós merecemos, Michael... Eu te amo muito!

-Eu te amo mais, bobona. Agora pare de chorar, vai se borrar toda! - lhe ajudo a secar as lágrimas e enlaço seu braço no meu

A melodia começa a ser executada, e nós nos preparamos para caminhar para o altar. Assim que entrego sua mão à Dereck, lhe dou um carinhoso beijo na testa e sussurro no seu ouvido o quanto a amo. 
Tomo meu lugar de padrinho ao lado de Merche, que hoje em especial está belíssima. Prince agora está em meu colo e Mercedes entrelaçamos nossas mãos. Nesse momento um filme passa na minha cabeça. E então me lembro de cada momento que vivemos. Em especial, do nosso reencontro depois de doze anos. Naquele momento acreditei veemente que nossa história não teria mais continuidade, que ali era o final de tudo. Agora estamos aqui, juntos como deveria ter sido por todo esse tempo.

-O que você tem, hum? - ela sussurra no meu ouvido ao me notar distante






-Nada... - sorrio - É só minha mente que está viajando... As vezes isso tudo que estamos vivendo parece surreal. - ela sorri tranquilamente






-Eu entendo você. Mas agora olhe para o seu dedo. Essa aliança é a prova de que tudo é real, meu amor.

-Amo você.

-Te amo também, benzinho. - ela ri

(...)

Após o padre discursar, Maysa e Dereck trocam as alianças e se tornam oficialmente marido e mulher. Depois de parabenizá-los, a festa começa. Merche e eu dançamos na pista, bebemos e trocamos beijos apaixonados.

-Esses saltos estão me matando! - ela reclama ao tirar os sapatos -Vem amor, vamos dançar mais!

-Eu já vou, senhorita festeira! Me deixe só terminar de beber esse drink e então serei todo seu!

-Então eu vou lá no quarto ver o Prince. Coitadinho, acabou dormindo no colo da Dorothy... Pedi que ela o colocasse no berço portátil.

-Que bom que viemos preparados! Mas deixa que eu vou lá, seus pés estão inchados, amor. Eu volto já.

-Obrigada, lindinho. - trocamos um selinho e eu sigo para o interior da casa

Entro no quarto que Prince está dormindo e vou direto ao berço, mas me surpreendo ao vê-lo vazio. Penso que provavelmente Dorothy ou Corine já vieram buscá-lo, mas então me lembro de me esbarrar com elas sem Prince. Antes que minha mente me deixasse ainda mais confuso, ouço uma voz conhecida soar em meus ouvidos.

-Procurando alguma coisa, irmãozinho? - viro-me em direção a voz. Me petrifico ao ver Edgar com Prince nos braços - Saudades de mim? Nosso último encontro foi meio conturbado, concorda? - ele debocha abertamente

-Edgar, por tudo que há de mais sagrado, me dê meu filho! Não acha que aprontou demais? Cara, você matou nosso pai e quase levou Mercedes nessa loucura!

-Eu até os deixaria em paz. Mas acontece que eu continuo incomodado... - ele ri - Você como sempre estragando meus planos... Era para a Merche estar aqui! Iríamos embora juntos! Até essa coisa eu deixaria vir com a gente!

-Essa coisa é meu filho e você não vai encostar um dedo nele! - grito e acabo assustando Prince, que começa a chorar

-Viu o que você fez? Chamou atenção de todo mundo! - ele berra, completamente descontrolado

-Edgar, vamos resolver entre nós. Mas por favor, deixe meu filho e a Merche em paz... Eles quase morreram por culpa sua!

-Pois é... Infelizmente eu falhei... Eu até tinha me importado com ela, eu chorei pela Mercedes! Mas depois que a vi me traindo ao se casar com você, não sabe como meu ódio triplicou! Eu estava disposto a perdoá-la, mas agora acabou! Minha maior vingança é tirar dela tudo o que mais ama!

-O que vai fazer, Edgar? - ele saca o revólver, mirando em mim

-Você vai fazer tudo que eu mandar, ouviu bem? Agora vamos.

-Vamos pra onde? Você enlouqueceu?

-Ainda não... - ele dá uma gargalhada - Vamos só fazer um passeio, maninho... Relembrar os tempos da adolescência... Agora segura esse moleque e o faça parar de chorar! - ele me entrega Prince e eu o abraço com toda minha força, acalmando-o pouco a pouco - Quero você andando devagar na minha frente e qualquer gracinha eu atiro nos dois!

-Edgar, a fazenda está cheia de gente. Vão nos ver de qualquer jeito!

-Eu não sou burro, maninho. Vamos pelos fundos e reze para não trombarmos com ninguém, porque a coisa pode ficar crítica pro seu lado. Agora chega desse falatório e anda! Nosso dia só está começando...



Capítulo 95

Mercedes


A demora de Michael já está me irritando. Aposto que ele está babando pelo Prince e acabou esquecendo do tempo. Decido então, ir atrás dele.

-Michael? - chamo pelo seu nome ao entrar no quarto silencioso - Michael...? Ué... - não encontro sinal de Michael ou Prince

Só podem estar lá fora, penso. Volto para o jardim à procura deles, mas não consigo os avistar em nenhum lugar. Não estão perto de Maysa ou dos demais convidados e nem nas áreas mais reservadas.

-Que cara é essa, minha linda? - Dorothy pergunta ao me ver com o semblante preocupado

-Dorothy, você viu o Michael? Já faz um tempão que ele foi ver o Prince e quando cheguei no quarto não encontrei nenhum dos dois!

-Ele deve estar dando uma volta pela fazenda...

-Mas eu já rodei essa fazenda de ponta cabeça e nada! - minha voz denota o quanto estou aflita e o que mais me preocupa, é o aperto que estou sentindo no peito

-Querida, se acalme! Por que está nervosa por isso?

-Não sei... O fato de saber que Edgar ainda está livre me preocupa, entende? Mas não vou me descontrolar, você deve estar certa. Michael só está passeando por aí com o nosso filho.

-Isso, querida... Vamos fazer assim, eu vou procurá-lo e quando o achar, vou pedir para ir atrás de você, ok?

-Está bem. Eu vou continuar procurando...

Enquanto caminho apreensiva pela propriedade, vejo Maysa vir na minha direção. Seu olhar é preocupante e ela está visivelmente assustada, e eu já começo a imaginar o pior.

-Merche, que bom que te achei! Estava procurando você e Michael... Tenho uma notícia para dar.

-O que? O que aconteceu, Maysa?

-Viram o Edgar aqui. Um dos convidados comentou com o Dereck que parece ter visto um homem bem parecido rondar a fazenda. - nesse momento não me restam mais dúvidas. Edgar fez alguma coisa com Michael

-Então foi ele... - balbucio - Foi ele, Maysa!

-Ele o que? Do que está falando?

-Eu não acho Michael e Prince em lugar nenhum! Já procuramos por toda a propriedade e nada! Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido, eu senti!

-Merche, se acalma, ok? Já pedi para os seguranças rondarem toda a fazenda atrás do Edgar. Você já tentou ligar pro Michael?

-Já e só dá fora de área! Ai, Maysa eu não vou aguentar... - Maysa me segura antes que caísse no chão

-Merche, olha pra mim! O que está sentindo?

-Eu estou tonta... Meu coração parece que vai sair pela boca...

-Você tem que ir pro hospital agora!

-Não, eu quero ver o Michael! - desisto de protestar ao sentir minhas vistas escurecerem e eu apagar de vez

Michael


-Vai devagar, Edgar! Vamos acabar sofrendo um acidente.

-Eu mandei você abrir a boca? - ele grita, fazendo Prince abrir a boca novamente - Faz esse garoto ficar quieto antes que eu o jogue pela janela! - aperto Prince em meus braços, tentando acalmá-lo desesperadamente

Olho pelo retrovisor e avisto uma viatura nos seguindo. É óbvio que sua forma descontrolada de dirigir acabaria chamando atenção da polícia. Edgar ao também notar a viatura, fica ainda mais nervoso.

-Que merda é essa? Quem chamou a polícia?

-Como quem chamou a polícia? Eu te avisei pra dirigir devagar! - Edgar me ignora e pisa no acelerador, mudando para a outra pista. O pneu canta alto e eu começo a me apavorar

-Edgar, o que você está fazendo?

-Não vou me entregar tão facilmente. E se eu me ferrar, vai todo mundo comigo!

O limite de velocidade vai ao ápice e a sirene da polícia começa a tocar incansavelmente. Embrulho Prince com meu paletó e o aperto com mais força em meus braços. Edgar está tomado pela loucura. Ele voa nas pistas sem se importar com nada a sua frente. Na tentativa de driblar a polícia, ele pega uma estrada que leva à saída da cidade.

-Edgar, não adianta fugir... A polícia está na nossa cola!

-Eu já falei pra você ficar quieto! Mas que droga! - percebo que estamos nos aproximando do precipício e eu só peço a Deus para que ele não cometa nenhuma besteira

-Para onde está indo?

-Me desculpe, maninho. Mas vou ter que te levar comigo. É fim da linha pra nós dois! - nesse momento minha ficha cai. Edgar vai mesmo nos levar para a morte

Ele acelera novamente em direção ao precipício. Em vez de ficar parado e em estado de choque, decido fazer alguma coisa para eu e meu filho escaparmos com vida.

-Edgar, por favor não faz isso! Eu imploro! - ele chora e gargalha, mostrando o quão perturbado está

   Algo parece tocar no meu coração e automaticamente sinto uma força escomunal nascer dentro de mim. Forço a trava da porta incessantemente e assim que a vejo destravada, aperto Prince com força e me jogo para fora do carro. Meu corpo sai rolando pelo chão e para proteger Prince, machuco gravemente meus braços, mas na tensão do momento, nem dor consigo sentir, apenas um forte estalo nas costas por ter caído no chão. 
Olho para Prince e me certifico de que ele está bem. Respiro aliviado ao vê-lo consciente. Ele chora, mas pelo susto, e tem apenas alguns arranhões nos bracinhos.

-Está tudo bem, meu amor... Está tudo bem... - procuro pelo carro de Edgar, mas já é tarde. Ele já caiu no precipício

Enquanto tento me recuperar do choque, ouço as sirenes das viaturas. Os policiais vêm até nós e nos ajuda a levantar.

-O senhor está bem? - um dos policiais tiram Prince do meu colo para prestar os primeiros socorros - Vamos levá-lo para o hospital agora! - diz ao notar meu braço ensanguentado

-Edgar... - balbucio ainda em completo estado de choque. Não posso crer que acabo de perder também meu irmão de uma forma tão dolorosa e trágica como essa...



Penúltimo Capítulo

Michael


   Após todo o pesadelo que vivemos, a ambulância veio nos socorrer e nos levar para o hospital. Em meio ao trajeto, tive que esclarecer o que estava realmente estava acontecendo e eu fui obrigado a contar sobre mais essa loucura de Edgar. 
Assim que chegamos, Prince foi levado imediatamente para a ala da pediatria e eu apesar de estar todo ferido, só consigo pensar no meu filho e no trágico fim de Edgar.

-Michael, o delegado acabou de ligar para nós! - Maysa entra no quarto, desesperada

-Calma, está tudo bem agora... Como vieram tão rápido?

-Já estávamos aqui. Mercedes passou mal com toda essa aflição e eu a trouxe imediatamente.

-Ah meu Deus... Onde ela está? - tento me levantar da cama, mas Maysa me impede

-Michael, espera! Você ainda não está bem... O médico que te atendeu acabou de me dar seu diagnóstico. Está com o braço e duas costelas quebradas, e escoriações no rosto. Precisa ficar de repouso.

-Isso não importa agora. Como está o Prince?

-Ele está bem, só tem alguns arranhões. O que você fez muito corajoso. Salvou a vida do seu filho.

-Eu não poderia deixar Edgar nos arrastar para a morte com ele... Deus, ainda não consigo assimilar o que aconteceu...

-Nem eu... Nunca imaginei que ele fosse chegar tão longe. Edgar tinha tudo para se tornar um bom homem, mas olha tudo que ele fez? Apesar de ter o meu sangue e de eu estar profundamente desolada com a sua morte, infelizmente teremos paz agora...

-Então ele não pulou como eu? Ele morreu mesmo?

-Sim. E ironicamente, morreu da mesma forma que a Gina, carbonizado. Os bombeiros conseguiram remover o que restou... - sinto meu estômago contrair e o coração apertar. Apesar da nossa rivalidade de anos a fio, eu jamais desejaria a morte do meu próprio irmão

-A gente colhe o que planta, Maysa. Infelizmente é a lei de Deus. A única coisa que nos resta fazer é rezar pela alma dele... - ela assente, também desolada assim como eu - E a Merche? Ela já sabe o que aconteceu? Sabe que estamos aqui?

-Acredito que a Dorothy tenha dito, mas de qualquer forma ela deve estar louca para ver você e o filho.

-Me leve até ela, por favor. Nesse momento nós precisamos um do outro mais do que nunca.

-Claro...

(...)

  Maysa me deixa no quarto que Merche está e eu a vejo velando o sono de Prince, que está dormindo em um berço. Me aproximo devagar e toco seus ombros. Ela se arrepia e vira para mim rapidamente, sem acreditar que sou eu mesmo ali.

-Michael? - sussurra com a voz trêmula

-Está tudo bem, meu amor... - abraço Mercedes e ela chora, aliviada, me apertando contra si

-Graças a Deus! Eu tive tanto medo... Quando vi que vocês não estavam em lugar algum e que Edgar estava na fazenda, eu me apavorei.

-Shhh... Mas agora passou. Todo esse inferno acabou, minha vida. Edgar nunca mais vai nos fazer mal.

-Como se sente em relação à isso?

-Eu não sei explicar... É o mesmo que senti quando Leon morreu. - sorrio fraco - Nossa família se definhou pouco a pouco... Primeiro a mamãe, depois o Leon e agora Edgar. Só sobrou eu e a May, Merche.

-Mas você tem a Corine, a Dorothy, seus filhos e... eu.

-Que é a rainha do meu coração... - ela sorri, e eu lhe abraço novamente - Eu te amo tanto, Merche... Foi por você que lutei até o fim para nos salvar da loucura do Edgar.

-Nunca vou poder te agradecer o bastante pelo que fez. Se nosso filho está sã e salvo foi graças a você...

-Somos uma família, Merche. E uma família de verdade demonstra seu amor em cada gesto.

-E eu vou demonstrar o meu cuidando de você, desses ferimentos... Tem certeza que está bem? - rio da sua preocupação exagerada

-Tenho sim. Só quebrei o braço, algumas costelas e machuquei o rosto, por isso tenho que usar essa máscara... Eu só preciso descansar agora...

-O pediatra disse que Prince já pode ir pra casa. Vamos?

-É tudo que eu mais quero...

(...)

-Ele dormiu... - Merche avisa ao entrar no quarto. Ela trás em suas mãos uma maleta de curativos

-E a Agnes? Acha que ela desconfiou de alguma coisa?





-Eu conversei com ela. Disse que vocês sofreram um pequeno acidente, mas que já está tudo bem... Você tem que ver o carinho que ela tem com o irmão. Ficou o tempo todo ao lado dele.





-Ela é muito especial... Au! - gemo ao tentar vestir meu pijama

-Eu te disse para me esperar, mas você é teimoso e quis tomar banho sozinho...

-Não quis te dar trabalho, amor. Você não parou para descansar desde que chegamos.

-Eu não me importo, você sabe. Cuidar de vocês é a melhor coisa do mundo! Agora me deixe refazer o curativo. - Mercedes passa a pomada sob meu peito e seus toques involuntariamente me deixam "aceso" - O que tanto me olha, Sr. Jackson?

-Você é linda, sabia? E é maravilhosa em tudo que faz.

-Está querendo alguma coisa, não é? Eu te conheço...

-Sabe, eu estou adoentado e... acho que você deveria satisfazer meus desejos.

-E o que você quer? - ela sorri

-Fazer amor com você.

-Michael, você está todo quebrado. Eu não quero ser responsável por outro acidente.

-Eu estou ótimo! Por favor, amor... A gente faz bem devagarinho, hum? Nós precisamos relaxar depois desse dia tão agitado que tivemos.

-Nisso você tem razão...

-Então vem cá. - arrasto a maleta para o lado e faço um gesto para ela se sentar no meu colo - Isso, princesa...

-Tem certeza que não vou te machucar?

-Absoluta. Agora me beija... - Merche ri e logo encosta sua boca na minha, me beijando com calma e delicadeza

-Eu te amo... Te amo... - declara, distribuindo beijinhos pelo meu pescoço e ombros

-Eu te amo mais a cada dia que passa... - voltamos a nos beijar e dessa vez com mais paixão, com mais intensidade

Finalmente podemos nos entregar tranquilamente, sem temer nada ou ninguém. Agora sim, depois de tantos obstáculos, podemos viver nosso amor livremente.



Último Capítulo

Meses depois

Mercedes


  Observo Michael deixar um ramalhete de flores sob o túmulo de Edgar, Leon e Mírian. Ele fecha os olhos, faz uma prece silenciosa e se levanta, vindo até mim. Enxuga as lágrimas que deixou cair e por fim sorri, apertando a minha mão.

-Podemos ir. - ele diz

-Você fez muito bem em vir aqui hoje. Como está se sentindo?

-Aliviado... É claro que visitar minha família em um cemitério dói, mas eu tinha que vir. Hoje faz seis meses do falecimento do Edgar...

-Do fundo do meu coração eu espero que ele esteja em paz assim como seu pai e sua mãe.

-Eu também... Apesar de saber que eles estão de certa forma pagando pelos seus erros onde quer que estejam. Mas sabe o que realmente importa? Eu os perdoei, Merche. Meu coração está livre de ódio, raiva, mágoas... Graças a Deus ele está preenchido com muito amor. - ele sorri, me enlaçando com um abraço apertado

-Eu sinto a mesma coisa. Você me faz feliz a cada dia que passa, amor.

-Eu te amo, princesa. - trocamos um beijo carinhoso e juntos, montamos na minha nova moto e seguimos viagem para Long Island

(...)

  Termino de vestir Prince e ajudo Agnes com o cabelo para finalmente estarmos prontos para irmos à festa de inauguração da nossa escola de música. Depois de tantos meses, finalmente está tudo pronto e Michael e eu não cabemos em si de tanta felicidade.

-Nossa, achei que iriam sair do quarto só a noite! - Michael brinca, implicando com a nossa demora

-Nem vem, pai! Estávamos nos arrumando para ficar bonitas, não é Merche?

-Isso mesmo, boneca! Mas não liga não, seu pai que é um chato! - passo Prince para o seu colo, já que ele praticamente implora por Michael

-Não sou chato... - ele se defende - E quer saber, vocês nem precisavam demorar tanto. Já são lindas!

-Hmm que romântico! - dou um beijinho em Michael, que sorri de orelha à orelha - Então vamos. O pessoal já deve estar a nossa espera.

Ver mais um sonho meu sendo concretizado é uma emoção sem fim. Desde bem nova eu sempre esperei por esse dia e depois de tantas tempestades na minha vida, é quase inacreditável ver que tudo voltou a ser como era antes.

-Está feliz, amor? - Michael pergunta ao me ver observar tudo admirada





-Você não imagina como! Fizemos um excelente trabalho, Michael. Nem acredito que nossa escola está pronta.






-Pois pode acreditar. É uma nova fase na nossa vida e daqui pra frente vai ser só felicidade. Vamos ter muito trabalho, claro. Mas tendo você ao meu lado tudo valerá a pena... - me aconchego em seus braços, com Prince em meu colo.

   Logo somos interrompidos por Maysa, nos avisando que está na hora de inaugurar a escola. Olhando ao meu redor, vejo como este salão está lotado. A maioria dos jovens e crianças do Queens e de Long Island estão aqui, ansiosos para começar a fazerem parte da escola. Elas chamam Michael de professor, já que ele dará aulas de violão, guitarra e canto. Até uma banda eles vão formar. 
   Ver a felicidade estampada no rosto de Michael não tem preço. Finalmente ele vai viver do que gosta, vai trabalhar com a sua arte. Michael tem um dom fora do normal pela música e não há dúvidas de que terá um futuro brilhante, e eu estarei ao seu lado, orgulhosa por cada conquista sua.

-Merche? - me surpreendo ao escutar uma voz conhecida

-Tommy? Você veio mesmo! - ele sorri e me puxa para um abraço. Em seguida faz um leve carinho na cabeça de Prince

-É claro que eu vim! Jamais perderia esse momento tão especial pra você e pro Michael. E esse garotão aqui? Ele é lindo Merche, parabéns!

-Obrigada... Te agradeço de coração por ter vindo. Você faz parte da minha história e é uma honra tê-lo aqui.

-O que vocês estão fazendo é incrível. Ah, e eu jamais vou conseguir agradecer pela sua ajuda em reconstruir nosso galpão no Brooklyn e pela homenagem que está fazendo pela Gina hoje.

-Eu tinha que fazer isso. Ela sempre nos encorajou a lutar pelo nosso direito. Ela literalmente lutou até o fim e graças à ela, hoje estamos inaugurando essa escola. É mais que justo batizar esse projeto com o nome dela.

Percebo que Tommy está emocionado assim como eu. Por mais que tenham se passado treze anos, a dor da saudade nunca vai acabar totalmente. Mas esse é um dia para comemorar e agradecer a Gina por ser nosso anjo.

-Sabe... Eu tenho certeza que ela está aqui com a gente. E te garanto, ela está orgulhosa de você!

-De nós dois, Tommy. Ela está orgulhosa por nós dois. - Tommy enxuga minhas lágrimas e beija carinhosamente minha bochecha

-Eu te amo, Merche. E desejo toda a felicidade desse mundo pra ti e pro Mike.

-Eu também te desejo muitas felicidades. Eu te amo muito!

Trocamos um abraço apertado assim como costumávamos fazer em grupo. Eu, Gina, Tommy e todos os nossos amigos. Lembranças que jamais se apagarão da minha memória

-Está na hora, amor. Você vem comigo? - Michael pergunta ao se aproximar de nós

-Hm... Vai você, amor. Quero te ver naquele palco representando não só a mim, mas sim todos os nossos sonhos e principalmente... ela... - ele sorri ao saber do que me refiro

Michael então sob ao palco, ajusta o microfone e se prepara para dizer suas palavras.






-Bem... É com muita emoção que Merche e eu agradecemos a presença de todos vocês. Muitos que estão aqui acompanharam nossa luta por mais de uma década, principalmente a da minha esposa que lutou tanto para erguer aquele galpão junto com seus amigos. E hoje ver essa escola de pé nos dá a sensação de dever cumprido. Eu não posso explicar a felicidade que estou sentindo. Felicidade e orgulho por você, Mercedes. Desde que a conheci, eu sabia da mulher especial, determinada e corajosa que você é. Enfrentou tudo e todos para ocupar seu lugar no mundo e nunca, nunca teve um momento em que pudesse fraquejar. Se hoje estamos aqui é graças a sua força, à sua vontade de realizar nosso sonho. Eu te agradeço por ter mudado minha vida; por ter me incentivado a ser quem sou, por ter me dado uma família perfeita, e principalmente, por ser minha melhor amiga antes de qualquer coisa. E eu prometo que vou lhe retribuir por cada feito que você causou na minha existência. - Michael enxuga uma tímida lágrima enquanto é aplaudido por todos - E por fim, devo agradecer a todos que lutaram por nós e conosco. Jamais esqueceremos de vocês. E em especial, em meu nome e em nome da minha esposa, agradecemos à Regina Sanders por ser um verdadeiro anjo em nossas vidas e por nunca ter nos abandonado. E é por você, Gina, que declaro inaugurada nossa "Escola de Música Regina Sanders"!

   Michael corta o laço da fita, oficializando a abertura. Enquanto todos aplaudem em polvorosa, só o que consigo fazer é chorar, mas não de tristeza e sim de emoção, de alegria. Cada palavra que Michael pronunciou tocou meu coração profundamente e eu jamais esquecerei do que foi dito.

-Aí está, Senhora Jackson... - ele sussurra em meu ouvido - Preparada para o que virá daqui pra frente?

-Com você? Estou mais que preparada. - sorrio - Eu já disse o quanto você é especial pra mim?

-Já, mas nunca é demais repetir...

-Repito quantas vezes for. Eu te amo, Michael. Te amo com toda minha alma.

-Saiba que é recíproco, baby. Eu te amo, pequena...




Epílogo

Seis anos depois

Michael


    Deixar Prince sob os cuidados de Maysa nessa época do ano nos deixa de coração apertado. Ele adora, pois na casa da tia ele tem passe livre pra fazer o que quiser. Acontece que é temporada de férias escolares e virou tradição nossa aproveitar o descanso à nossa maneira. Prince sempre fica com Maysa, já Agnes passa as férias com Dominique e sua família em Madri.
   Pois é, depois de quase um ano da sua partida, ela retornou para ver a filha. Foi uma surpresa para nós, principalmente por perceber que milagrosamente sua intenção era de se aproximar da filha. Pra ser sincero, eu fiquei feliz com sua decisão. Mesmo Merche sendo uma mãe maravilhosa, no fundo Agnes sentia falta da mãe. A relação delas não é maravilhosa, mas elas tentam a cada dia que passa. Estão sempre telefonando, trocando emails e nas férias, permito que ela passe um tempo com Dominique, ainda mais agora que ela acaba de dar um irmão para Agnes.
   A relação de Mercedes, eu e Dominique até que é pacífica. É bom saber que tudo ficou para trás e que estamos reconstruindo nossas vidas. O que importa é que somos felizes. Agnes é a mais sortuda, pois tem duas mães. Com o tempo ela passou a chamar Mercedes de mãe e esse momento com certeza jamais esqueceremos.
    Esses seis anos foram extremamente produtivos tanto na nossa família quanto na nossa escola de música. Ela simplesmente é um sucesso e não poderíamos estar mais felizes. Estamos até pensando em expandir nosso projeto e construir outra escola.
   Mas o melhor de tudo é a minha relação com Mercedes. Não serei hipócrita de dizer que vivemos em um mar de rosas 24 horas por dia, pois estaria mentindo. Nós brigamos sim, e muito! Mas aprendemos que tudo isso faz parte da vida de um casal e o importante é lutar junto ao lado do outro e não temer as dificuldades. Apesar de sermos um casal que tem filhos e responsabilidades, não abandonamos nosso lado aventureiro, tanto que agora, mais uma vez, estamos saindo de viagem. Colocamos a mochila nas costas, montamos na moto de Merche e saímos estrada a fora sem rumo fixo. E hoje estamos prontos para mais uma aventura.

-Pronto, já abasteci a máquina. Está faltando mais alguma coisa? - pergunto. Merche termina de calças as botas de couro e se vira para mim

-Está tudo certo, campeão. Podemos seguir viagem! - ela sorri, demonstrando claramente sua ansiedade

-Adoro ver você assim parecendo uma criança. Não vai mudar nunca, não é?

-Claro que não! Porque é você que me deixa assim. Agora vamos, porque antes de irmos, temos que passar em um lugar.

(...)

Merche estaciona a moto próxima ao penhasco, que é bem conhecido por nós. Ela abre a mochila e retira uma faca e uma caixa.

-Não acredito... - rio ao me dar conta do que ela pretende fazer

-Vem, me ajuda aqui. - Merche se ajoelha sob a terra e eu faço o mesmo

Logo começamos a cavar um pequeno espaço na terra para enterrarmos a caixa. Assim que termino, Merche a abre e começa a colocar alguns objetos dentro dela.

-Sempre tive vontade de fazer isso de novo. - ela diz - Significa muito pra mim. Quer começar?

-Tudo bem, mas dessa vez eu não vou colocar nada além disso aqui. - tiro uma fotografia do bolso da minha calça e coloco dentro da caixa. Merche, curiosa, abre para ver

-Mike, o que é isso? - pergunta abismada ao abrir o papel e ver nossa foto, tendo um "Eu amo você" escrito atrás

-Você dizia que essa caixa era para guardar nossos sonhos e planos para o futuro. Eu já tenho tudo que quero, Merche. E a única coisa que desejo é ter você ao meu lado até o fim dos meus dias.

-Pois você leu meus pensamentos... - ela diz com a voz embargada - Eu também vou colocar apenas uma coisa. - ela tira do dedo o anel de noivado que lhe dei e o beija - Jamais me esquecei daquela tarde ensolarada na cachoeira em que você me pediu em casamento. Pra mim esse anel é o simbolismo do nosso elo eterno. - ela o coloca na caixa junto com a nossa foto - Eu também não quero mais nada além do seu amor. - Mercedes enxuga as lágrimas e sorri, fechando a caixa em seguida

Embalamos ela em um saco plástico e a colocamos na pequena cova. Enterramos- lhe sob a terra com nossas próprias mãos e ali fazemos um novo juramento.

-Vamos prometer que daqui há dez anos voltaremos aqui, ok? - Merche estende o mão e eu a aperto

-Prometo. Voltaremos aqui nesse mesmo dia para percebermos como nosso amor só aumentou. Estaremos um pouco mais maduros, mas manteremos o mesmo espírito daqueles jovens adolescentes que éramos quando viemos aqui pela primeira vez.

   Merche engatinha até chegar bem perto de mim e se senta no meu colo. Ela me lança um olhar travesso e apaixonado e eu retribuo, mas sem tirar os olhos dos seus lábios rosados. Não demorou muito para estarmos unidos em um beijo ardente e cada vez mais apaixonado. Dessa vez não foi nem preciso repetir o quanto nos amamos. Sempre pensei que os sentimentos não são para serem ditos e sim demonstrados; que palavras bonitas só elucidam o momento, mas são os atos que os tornam eternos.
   Nos olhamos mais uma vez e eu novamente me vejo enfeitiçado pelo seu par de olhos azuis. É bom olhar para aqueles que amamos como se fosse a primeira vez sempre que possível, para nos lembrarmos de como somos sortudos em ter essas pessoas em nossas vidas.

FIM...



70 comentários:

  1. Boa tarde, meninas!
    Atualizado os capítulos. Até segunda!
    Bjooos!

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  2. Maricia vc é a melhor! Parabéns pela linda e digníssima homenagem prestada ao nosso eterno e amado Rei do pop Michael Jackson! Ass: Ana Lúcia

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  3. Vc é muito boa! Sério, cara. Obrigada por ter escrito uma das minhas fanfic favoritas.
    Espero que eles não brigue e continua, por favor.

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  4. Nossa... Fanfic perfeita... Estou amando!!

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  5. Bom dia, meninas!! Chegando com mais!
    Falta pouco agora, mas ainda tem uma bomba pra explodir hhahaha
    Não posso me esquecer de agradecer a cada uma de vocês pelas mensagens de carinho. Muito obrigada, de verdade.
    Amo escrever essa fic e são vocês que me ajudam a continuar.
    Um grande beijo e até quarta!

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  6. Nada de ser assistente!

    Ass: Ana Lúcia

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  7. Que bom que ele compreendeu a Merche e vai ajudar na construtora.
    Quando eu li a palavra "bomba" meu coração deu uma pontada. Sério? Ai, meu Deus! Essa fanfic é teste para cardíaco. Até quarta ! Bj.

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  8. Awn, que fofinhos! Não vejo a hora de voltarem e ficarem firmes...

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  9. Bom dia, amores! Chegando com mais!
    Pois é, Edgar voltou e agora Mercedes que se cuida...
    UM beijão meninas e muito obrigada pelo carinho!
    Até mais!

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  10. Edgar voltou e, é claro, que vai querer vingança. Tadinha da Merche!
    Esse dois não vão aguentar ficar separados por muito tempo.Eles se amam!
    Tomara que Michael não fique interessado nessa mãe da amiga da Agnes.Ele é da Merche!Continua, por favor!

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  11. Boa tarde, meninas! Chegando com capítulos bônus... Momentos tensos, mas o pior virá no próximo capítulo kkkk
    Até segunda, beeijos!!

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  12. Ah, Marícia Jackson que suspense é esse! Tenso, esse capítulo!
    O que será que realmente aconteceu? Bem, só na segunda. Fazer o quê? Bj.

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  13. N engoli essa história da Mercedes pegar o celular n viu,ela aprontou alguma coisa

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  14. Será que ela foi lá matar o Leon? Kkkkk

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  15. Bom dia, meninas!
    Chegando com os momentos finais... E agora? Será que vai sobrar pra Merche?
    Até mais, beeijos!!

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  16. Ai gente! Merche não pode pagar por esse crime! Suspeito do Edgard ter feito isso pra incriminar Mercedes

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  17. Eu tbm suspeito de Edgar, mas Leon tinha muitos inimigos. Deve ser alguém que a gente nem imagina.Vamos esperar. Só espero que Merche não fique presa.Com aquele barrigão? Tadinha. Só quarta agora.

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  18. Estória comprida.... e Mais essa agora.

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  19. Ela é gigaaante mesmo rssrs
    Mas calma, falta pouco pra vc se livrar dela!
    Beijuuus e obrigada por acompanhar ♥

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  20. Boa noite, meninas! Como amanhã terei o dia agitado, aproveitei para adiantar os capítulos agora.
    Pois bem, Edgar mais uma vez provou que não está para brincadeira, mas pelo menos Mercedes se livrou dessa culpa e agora falta quase nada para o casal se acertar de vez! \o/
    Muitíssimo obrigada pelos comentários e por estarem me acompanhando nessa há tantos meses. Obrigada de coração!
    Até sexta, bjuss!

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  21. Ai que alívio ��!

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  22. Boa tarde, meninas! Chegando com mais *-*
    Já estamos indo pro final, falta pouco...
    Beeijão!!!

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  23. Eu estou igual o Michael, "infartada" com tanta emoção!!Essa fanfic é teste para cardíaco! Aí, meus Deus será que a Merche morre?!? Ou o bebê?!? E o Edgar vai ser preso? E o Michael como ficará se perder a Merche e o filho?Héin???!! Só nos próximos capítulos é que saberei.Até lá,vou "morrendo" com a minha ansiedade ...

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  24. Que suspense! Vou morreeeeeeer. Kkkk

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  25. Boa tarde, meninas! Adiantei hoje os capítulos de amanhã.
    E agora? Como será o reencontro?
    beeeijos e até mais!

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  26. Que bom que ela acordou e o bebê estã salvo ! 😁
    Agora esse reencontro terá que ser "quente", hein!😊
    Bjs.😎

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  27. Este comentário foi removido pelo autor.

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  28. Aaaahhhhh.... eu vou morrer de tanta ansiedade por esse encontro... Meu Deus... Sem fôlego com tantas emoções

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  29. Boa tarde, meninas!! Chegando com mais!
    E agora... Como será o reencontro?
    Até mais, beeijos!!!

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  30. Nãoooo! Logo agora que ela vai ao restaurante? Aguenta, coração!😁

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  31. Nãoooo! Logo agora que ela vai ao restaurante? Aguenta, coração!😁

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  32. Awn Prince que fofinho! Amei que a Merche deixou tudo que não lhe pertencia, até mesmo sua fortuna para ser quem sempre amou ser! Quero logo essa família linda unida, amo muito esses dois juntos com seus bebês ♡

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  33. Eu quero saber como será o reencontro deles e vc para logo agora...aiaiai...não acredito...rsrs...continua flor mais não termine com eles pobres...kkkkk
    pobreza não tráz felicidades e sim dificuldades...kkkkk

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  34. Que linda fic Parabéns está na hora deles serem felizes

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  35. Que linda fic Parabéns está na hora deles serem felizes

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  36. Bom dia, meninas! Chegando com mais *-*
    Finalmente o casal se acertou e dessa vez é pra valer!
    Amores, estamos quase no final, quase... rsrsrsr
    Bjuuuus!

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  37. Ah, que lindos!😍
    Amei! Obrigada por a fic tão emocionante e maravilhosa. Já sinto saudades. 😭

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  38. Ah, que lindos!😍
    Amei! Obrigada por a fic tão emocionante e maravilhosa. Já sinto saudades. 😭

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  39. Boa tarde meninas! Chegando com mais *-*
    O casamento finalmente está chegando \o/
    Muito obrigada pela presença de vcs!
    Até segunda, bjuus!

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  40. Own,que fofos! O amor deles é emocionante!😍
    Espero que dê tudo certo neste casamento. Que não tenham nenhuma "surpresa" desagradável.😘

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  41. Tomara Deus que Edgard não apareça!

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  42. Parabéns está fic é maravilhosa, torço para que você mude de idéia e continue a escrever boa sorte na vida real.bjs Nani Jackson.

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  43. Aaaa sua malvada, para logo agora kkkk continua flor

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  44. Bom dia, meninas! Hoje trouxe três capítulos pra vcs!
    É que estamos chegando na reta final, falta pouco!
    Muito obrigada pela presença de vcs e até quarta!
    Bjoos!

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  45. Eles e eu estamos no divertindo! Minha imaginação vai longe com esses dois. Engraçado é que nunca fui de gostar de personagens como estes. Nunca gostei de ler MJ com outra( exceto Merche). Realmente, eles me conquistaram. Marícia, por favor não pare! Vou senti muitas saudades desses dois.Não sabe como sua história alegre meu coração e ameniza a saudade que sinto de MJ!

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    1. Maria muito obrigada pela sua presença mais uma vez. Fico muito feliz em ler isso e espero que o final seja especial assim como foi pra mim.
      Um beijãaao!!!

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  46. Bom dia, meninas! Chegando com mais *-*
    Então, esses nos capítulos finais. E lá em Edgar aprontando pela última vez hahaha
    Meninas, sexta feira volto com os penúltimos capítulos. Muito obrigada e até breve!
    Bjooos

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  47. Sério? Edgard de novo? Oh my God!

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  48. Sabia!! Estava muito bom para ser verdade. Esse traste do Edgar tinha que aparecer?! E agora? Será que ele matará Prince e Michael? Só nos próximos capítulos que saberemos. Oh OMG! Até sexta.

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  49. Vou sentir saudade!essa fic foi maravilhosa PARABÉNS! pena que vai acabar, já não temos mais quase fic para ler,muitas foram pausadas, outras retiradas espero que venham outras.

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    1. Muito obrigada, Bete!
      Se estiver afim de ler novas fics, te convido para fazer parte do fórum que eu participo. Tem várias Fanfics inéditas por lá!
      É só fazer login com seu email

      http://sonhoscommichael.foruns.com.pt/

      Beeijos!!

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    2. Se não conseguir acessar direto nesse link, é só copiar e colar no Google. :*

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  50. Esse maluco de novo!! Acho que só morrendo ele vai parar de infernizar... Mata ele Marícia kkkk

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  51. Esse maluco de novo!! Acho que só morrendo ele vai parar de infernizar... Mata ele Marícia kkkk

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  52. Bom dia, meninas! Chegando com mais!
    Infelizmente Edgar procurou esse fim trágico, mas agora parece que finalmente a paz vai reinar kk
    Meninas, domingo trago o último capítulo! Bjooos

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  53. Como se diz aqui na Bahia, Michael é mizere! Não libera Mercedes mesmo estando todo quebrado.

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  54. Que susto Marícia! Pensei que todos iriam morrer! Meu coração foi na boca. Edgar teve o castigo que mereceu. E MJ, hein? Que fogo é esse! Rs

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  55. Bom, meninas, chegou a hora de finalizar essa estória.
    É um sentimento de alegria e tristeza ao mesmo tempo, pois é difícil me despedir desse casal. Passei mais de um ano escrevendo e juntando inspirações para essa trama e hoje vendo que consegui passar todas as ideias pro papel, é mais que gratificante.
    Agradeço de coração pela companhia de vocês durante todo esse tempo, por todas as mensagens carinhosas, enfim... por todo o apoio.
    Espero que gostem do desfecho do casal, pois foi do jeitinho que imaginei desde o primeiro dia que comecei a escrever essa Fanfic.
    Obrigada por tudo. Jamais esquecerei do carinho que recebi de vocês durante todo esse tempo que estou no blog.
    Um beeeijo enorme pra vcs!!!
    By: Marícia Jackson
    L.O.V.E <3

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  56. Amei o desfecho dessa fic, foi tudo muito lindo veleu a pena esperar a segunda temporada da Mercedes...kkkkk
    continue com suas fic's elas são maravilhosas, parabéns!

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  57. PARABÉNS!!!!!! simplesmente linda! amei.beijão pra vc também.

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  58. Me segura Brasil!! Eu amo muito essa história,vou sentir saudades deles, um dos meus casais preferidos, eu amei muito porque se passaram 12 anos, e eles continuaram os mesmos de sempre, e no fim o amor venceu. Chorando aqui,mas pelo menos eles terminaram juntos e felizes. Nunca vou esquecer essa história, muito obrigada por ter escrito ela, por me deixar super curiosa a cada capítulo, chorar, rir, ficar chocada em alguns capítulos kkkkk, mas desde sempre sua escrita ser maravilhosa! Deus abençoe sua vida, você é uma diva menina! Vai muito longe, não conheço mas já amo kkkkk tudo de maravilhoso na sua vida, obrigada por ter nos proporcionado tantos momentos maravilhosos com essa fic! Te amamossss❤❤

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  59. Amei o final! E obrigada por nos brindar com uma história cheia de emoções.
    Parabéns e boa sorte!!

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  60. Parabéns você é uma escritora de primeira boa sorte e bjs.Nani Jackson.

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  61. História mega maravilhosa 😍😍😍😍😍 bem escrita!!!amei cada capítulo😍
    Marícia vc é uma excelente escritora!!!Que Deus lhe abençoe sempre!!! Beijocas😘😘😘😉

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