terça-feira, 19 de maio de 2015

FanFic: "Dividida" (+18)

Autoras: Anne Santos e Larissa Rabelo 


Dividida entre dois homens. Dois lados. Dois irmãos!

Jenna se tornou uma refém de seus sentimentos reprimidos. Lutar por seus sonhos de menina ou se entregar a um novo amor? Recomeçar ou revirar seu passado?

Ela não sabe ao certo o caminho que seguirá, tampouco onde sua busca pelo verdadeiro amor a levará. Mas será que ela seguirá seus instintos racionais ou deixará a voz do coração falar mais alto?

Nem sempre a razão nos guia rumo à felicidade, e Jenna entenderá que deixar àquilo que nos machuca ir, pode ser ainda mais doloroso do que viver de incertezas. 

Elenco

Jenna Carter


Jenna Carter, uma mulher linda, meiga, determinada e disposta a dar uma nova chance para o amor... Apesar de toda sua convicção de que Sebastian é o homem certo, desvanece quando sua antiga paixão de infância retorna para balançar sua vida aparentemente perfeita...


 Sebastian Jackson


Um homem dono de si, dedicado aos negócios e a sua bela namorada Jenna Carter, pela qual é completamente apaixonado e deseja fervorosamente tornar sua esposa.



Michael Jackson
 

O irmão mais velho de Sebastian. Ao contrário do irmão é sensível e compenetrado em suas causas humanitárias. Irá despertar a dúvida no coração de Jenna, que jamais esqueceu seu amor de infância,no caso em questão é Michael Jackson...





Prólogo

A garota de lindos cabelos castanhos que lhe desciam até a cintura ,corria em companhia de seu fiel amigo e namorado pelo parque belíssimo ladeado por um vasto jardim. Michael e Jenna se conheceram na escola, e daí em diante se tornaram inseparáveis. Havia um vínculo que os uniam, talvez fossem almas afins, ou quem sabe se conhecessem de outras vidas. Bem, eles simplesmente estavam ligados pelo sublime amor que tomou seus corações.

— Michael não aguento mais. — Resmungou Jenna, parando de correr para retomar o fôlego escasso nos pulmões. 

— Hey Jenna, não seja tão preguiçosa. Preciso te levar em um lugar. — Capturou as mãos dela e a arrastou em meio às frondosas árvores que ladeavam o jardim. Jenna nunca negaria um pedido dele, não quando ele a pedia daquele jeito meigo e terno que fazia seu coração bater desenfreadamente. Michael era dono de seus desejos mais secretos, era seu sol, sua lua, seu mundo.

— É essa aqui. — Michael apontou para uma árvore de galhos retorcidos. 

— Não estou te entendendo cabeça de maçã. — Arregalou os olhos confusos.

— É nessa árvore da sorte que faremos nosso pacto, anjo. — Explicou, segurando a mão de Jenna. — Iremos gravar nossos nomes aqui, e quando nos casarmos, voltaremos para selar nossa promessa. — Os olhos cor de mel de Jenna brilharam ao cruzarem a sinceridade no olhar do garoto de cabelos grandes e negros e de traços perfeitamente esculpidos.

— E de qual promessa você se refere, Michael? Nós temos tantas. — Jenna brincou.

— A de que iremos fazer amor sob a luz do luar, e debaixo dessa árvore. — Michael respondeu e Jenna sorriu, timidamente.

Michael pegou um graveto que estava jogado ao chão e cumpriu com sua palavra, escrevendo os nomes deles no tronco da árvore.

— Agora estamos ligados para sempre? — Jenna perguntou retoricamente, com o cenho franzido, mas com um pequeno sorriso despontado no seu rosto.

Michael estreitou seus olhos expressivos nos de Jenna, fixando-os no tom mais profundo. Ele não queria dizer o que estava prestes, mas seu coração o obrigava. Então ele segurou no queixo de Jenna e levantou a sua cabeça, obrigando-a a fitá-lo.

— Aconteça o que acontecer, você sempre estará aqui. — Pegou a mão de Jenna e levou até o seu peito, no lado onde se encontra o coração. 
— Por que está dizendo isso, Michael? — A voz de Jenna soou preocupada.

— Eu não sei, — Michael largou o graveto no chão e levou sua mão até o rosto delicado de dela, acariciando-o. — apenas quero que saiba. — Concluiu terno e com a voz baixa.

— Michael, eu amo você. — Jenna confessou com um sorriso tímido brincando em seus lábios naturalmente avermelhados.

— Eu te amo mais meu anjo. — Estendeu sua mão para ela, e saíram correndo com o dote da esperança iluminando seus corações.

O vento tocava em seus rostos e os cabelos escuros de Jenna se esvoaçavam de um jeito adorável. E selaram naquela amena tarde de outono, onde o crepúsculo se aproximava, o amor puro que os acompanhariam pelo resto de seus dias, por toda a eternidade.

(...)


Dois meses depois...


Michael estava sentado no gramado do mesmo parque onde fez um pacto de amor com sua amada Jenna, e ela deitada, com a cabeça apoiada no seu colo. 

Os dois pares de olhos ofuscados estavam mirados no céu. Ambos constataram que até a própria lua tinha perdido o seu esplendor, após ficarem sabendo da pior notícia que acabou deixando-os consternados, sentindo já saudades um do outro.

— Por que logo você, Michael? Por que tem que ir? — Jenna indagou pela milésima vez, em seguida levantou-se e olhou para o rosto de Michael, com os olhos lacrimejados.

— Jenna... — Michael suspirou — Eu já te disse o motivo. Eu também não queria ir, mas eu não posso contrariar o meu pai. — A tristeza também era bastante nítida no semblante de Michael.

— E porque não o seu irmão? — Jenna indagou mais uma vez. Michael maneou a cabeça e fechou os olhos, lamentando.

— Eu já estou no último ano do ensino médio, Jenna. O Sebastian não. — Michael começou a explicar, mas para Jenna, não faria à diferença, pois sabia que iria ficar longe de Michael por muito tempo. — Era só isso que o meu pai estava esperando para me mandar para o exterior. Ele quer que eu termine esse último ano na Inglaterra, e — hesitou um pouco em concluir, mas não podia mentir para Jenna, tinha que ser o mais sincero com ela. — ele também quer que eu curse medicina por lá. — Ela esbugalhou seus olhos com o que Michael falara. Passar um ano longe dele seria um martírio, mas esperá-lo concluir a faculdade, seria um castigo por um pecado que ela ainda nem cometera.

— Não Michael... — Jenna começou a chorar — E... E o nosso pacto de amor? — Riu sem humor, e abaixou a cabeça.

— Heiii? — Michael levantou com delicadeza o rosto dela. — Eu te amo garota. Eu sou o seu primeiro amor, e pretendo ser o último. Ok? — Jenna nada falou, apenas assentiu, com as lágrimas já cessando.

— Eu vou morrer de saudades de você. — Murmurou, e na pura inocência passou a língua entre os lábios, sentindo o gosto salgado de suas próprias lágrimas. Nesse exato momento, Michael já estava com os olhos fixos nos lábios dela, e um desejo súbito de beijá-la tomou conta de si. Esse era o momento propício para fazer tal ato pela primeira vez, com Jenna. Sim, apesar dos sentimentos que havia entre eles serem verdadeiros, nunca encostaram os lábios. Jenna era uma garota pura e inocente no início da adolescência, e Michael já um pouco mais maduro, respeitava-a com toda a vontade.

— Posso beijá-la? — Perguntou brandamente, sendo o mais solícito possível, para não assustá-la. Jenna levantou a cabeça em um ato rápido e fitou-o, sentindo seu coração disparando após ouvi tal pedido vindo do seu amor.

— Eu... Adoraria. — Balbuciou. Seu corpo começou a gelar quando Michael aproximou-se após seu consentimento, tocou no seu rosto angelical e com muito amor pousou seus lábios pela primeira vez sobre os dela, logo pedindo passagem para beijá-la de vez, e claro que, com todo o gosto Jenna lhe cedeu, recebendo o mais puro e o mais gostoso beijo apaixonado. E ali selaram mais uma vez seus votos de amor, jurando um para o outro que o amor entre eles seria para todo o sempre.


Capítulo 1

Alguns anos depois...

Eu estava apreensiva naquela manhã. Minha vontade era de sair correndo da cidade após ter escutado uma notícia que abalou o meu mundo. Eu sabia que isso poderia, ou melhor, iria acontecer, mas mesmo assim decidi me envolver com Sebastian,após ter me cansado de esperar pelo o garoto que prometera voltar e selar o nosso pacto de amor.

Sorri sem humor ao me olhar no espelho do banheiro da casa de Sebastian, rindo de mim mesma. Provavelmente aquilo não passou de uma coisa infantil, eu era mesmo uma ingênua em me apegar nas juras românticas de um adolescente. Ainda bem que acordei logo para a realidade, já que eu acabei me apaixonando pelo o irmão do garoto que agora já era um homem. Não, eu não podia sentir mais nada por Michael, já que agora o dono do meu coração é exclusivamente Sebastian. Ele me conquistou de uma maneira imprevisível. Esteve comigo nos momentos que mais precisei, me ofereceu todo o seu apoio e carinho. Sem falar que ele era lindo. Cabelos grandes, olhos negros, traços finos no seu rosto entalhado assim como o do... Seu irmão mais velho. Infelizmente Sebastian é a cópia fiel do seu irmão, e isso às vezes fazia-me lembrar do Michael.

Ainda em frente ao espelho e com as mãos apoiadas na pia, abri a torneira e molhei meu rosto, no intuito de tirar todo aquele nervosismo estampado na minha cara. Seguido disto, voltei para o quarto, onde Sebastian estava deitado na cama, com o telefone ainda no ouvido. Aproximei-me e deitei ao seu lado, por cima do edredom. Parecia estar no final da conversa,ao menos pelas palavras que ouvi foi o que me pareceu. 

—... Te pego amanhã no aeroporto, irmão... Sim, pode deixar... Até amanhã. — Se despediu e desligou o telefone.

Ainda estava descrente de que estava vivendo aquilo. Michael voltando? Não...

— Jenna, anda tão distante. Algum problema amor? — A voz preocupada de Sebastian soou como um choque de realidade nos meus ouvidos, me tirando do devaneio chamado Michael Jackson. Droga! Por que diabos essas lembranças do passado voltaram a me atormentar? 

Michael Jackson permanecia sendo meu eterno fascínio ? Bem, eu nunca esqueci o pacto que selamos aos meus 15 anos de idade enquanto Michael era bem mais velho.
Sei que isso pode soar como uma ilusão, mas não consegui evitar tal pensamento. Será que eu ainda o amava?

— Em nada Sebastian. Estou apenas cansada. — Sorri sem vontade, tentando me livrar das perguntas incômodas do meu namorado.

— Então posso lhe comunicar que amanhã comunicarei nosso noivado. — Disse hesitante.

Amanhã? Tinha que ser no dia da volta do irmão dele? — Meu subconsciente gritou.

— Vo... Você jamais falou sobre isso! — Gaguejei. Sentindo-me prestes a ir à forca. 

Definitivamente me casar com Sebastian não fazia parte dos meus planos, — não naquele momento — sim, eu me apaixonei por ele, mas não achava nosso relacionamento sólido o bastante para assumir um compromisso tão sério.

— Por que está tão nervosa? — Estranhou minha reação.

— É que eu não esperava por isso. — Menti, lembrando das promessas de Michael.

— Devemos deixar a vida nos guiar. Também não planejei Jenna, apenas sinto que estou pronto para torná-la minha esposa. — Evidenciou sua segurança, e minhas incertezas sobre se de fato uma paixão seria o suficiente para manter um casamento esvanecerem...

— Se você está assim tão certo de que sou digna de tê-lo como marido, também estou convicta disso. — Assenti, e senti seus braços me acolherem em seu peito aconchegante.  
       
— Ah Jenna... Você é a melhor coisa que já me aconteceu. — Murmurou beijando minha testa.

— Obrigada por me passar segurança. Ao seu lado me sinto em plena paz. — Agradeci, me sentindo feliz e completamente afortunada de ter encontrado uma pessoa especial como o Sebastian. Ele era o meu futuro, e era no que ele tinha a me oferecer que eu deveria me concentrar, e não no seu irmão. Afinal, Michael era apenas passado, não é mesmo?

Sebastian afagava meus cabelos, mas ficou em um absurdo silêncio por alguns instantes, até voltar a falar.

— Jenna? — Clamou o meu nome. — Eu sei que isso pode ser um pouco constrangedor para conversamos, mas quero que saiba que amanhã buscarei o Michael no aeroporto. — Percebi que Sebastian esperava por alguma reação de minha parte, mas como eu já sabia, apenas assenti, balançando a cabeça. — Não vai falar nada? — Mesmo sem olhá-lo, constatei que estava de cenho franzido.

— Ah que maravilha amor. Agora vocês poderão matar a saudades um do outro. — Falei com o máximo de desdenho. Sebastian não poderia saber que aquela notícia me afetava. De jeito nenhum. Apesar de que ele tem consciência sobre o que eu e Michael tivemos no passado, e assim como eu, constatou ao passar dos anos que aquilo não passava de uma eterna ilusão. Tanto que após ter se formado em medicina, até o próprio Michael já havia noivado com uma loira esguia na Inglaterra. E isso foi o que eu precisava para ter a plena certeza das minhas concepções.

— Você está bem com isso? — Perguntou brando. Percebi que a pergunta saiu hesitante. Desencostei-me de seu peito e fitei-o.

— E porque não estaria? — Forcei um sorriso.

— Ah... Aquele lance de você e o Michael quando jovens...

— Sebastian? — Interrompi-o. — Aquilo foi bobagem. Sabemos disso. É com você que estou agora não é? — Arqueei minhas sobrancelhas em conjunto. Ele assentiu. — Eu sou apaixonada por você. — Frisei minhas palavras, uma por uma, não só para convencer meu namorado, mas a mim também.

— É... Eu sei sim. — Levou sua mão até as mechas de cabelos que estavam sobre o meu rosto, colocando-as atrás da minha orelha. — Me desculpe. — Sei lá, mas às vezes parecia que o Sebastian se sentia inseguro em relação aos meus sentimentos. Acho que assim como eu, ele também estava temeroso com a volta de Michael. Era óbvio.


De uma coisa eu tinha plena convicção. Aquele amor todo que parecia ser bastante recíproco entre eu e Michael poderia até não existir mais, mas eu sabia que quando estivéssemos sob o mesmo teto e sobre o mesmo chão, as placas tectônicas iriam se mover freneticamente sob nossos pés. Ah...se iam. 

Capítulo 2


Eu não sabia ao certo a forma que o retorno de Michael afetaria minha vida, meu noivado, e se de fato vê-lo novamente mudaria os sentimentos que aprendi a sentir por Sebastian. Posso dizer sem medo de estar sendo equivocada, que graças à persistência de Sebastian em não desistir de mim, construímos uma relação sólida e feliz!  Felicidade? Sempre busquei o verdadeiro sentido dessa palavra, mas depois de muito sofrer por criar expectativas, por fim dei-me conta que as pessoas nos decepcionam, porque ao amá-las nos esquecemos que também são humanas e cometem erros...

Michael se tornou apenas uma doce lembrança, talvez isso soe como um tremendo clichê, mas todas minhas certezas viraram pó no instante que aquele sorriso cativante dominou meus pensamentos. Será que era atração? Meu Deus...a quem eu estava querendo enganar? Éramos dois jovens sonhadores, pensávamos que conquistaríamos o mundo juntos.As pessoas mudam, amadurecem de acordo com os duros golpes da vida. Talvez tenha sido uma paixão devastadora, ou quem sabe somente um sonho bom de infância.

Isso só não deveria ser tão relevante, não quando estava noiva de um homem romântico, gentil, compreensivo, uma pessoa que lutou por mim e se mostrou merecedora do meu amor, e era a ele a quem eu devia ter devoção, a Sebastian que sempre esteve lá nos momentos de turbulência, mesmo quando pensei que meu mundo estivesse desmoronando. E eu não hesitaria em afastar-me de Michael, se necessário.

*** 


A voz doce e macia soou serena em meus ouvidos e me fez despertar. O sono ainda me consumia, e com muita dificuldade consegui abrir meus olhos para encarar o rosto tomado pela alegria de Sebastian.Provavelmente toda essa animação estava atribuída a chegada de Michael à Los Angeles.

- Amor_sussurrou,depositando um beijo casto em minha testa. Eu abri um sorriso tímido e  encostei-me na cabeceira da cama, ainda sonolenta.

- Bom dia ! Nossa...vejo que está resplandecendo felicidade, posso saber quais as novidades?_ri discretamente.Já sabendo que aquela era uma pergunta retórica, a qual eu já sabia a resposta.

- Michael já está aqui,Jenna, foi tão emocionante revê-lo...após tantos anos de afastamento. Conversamos sobre a vida, nossos planos para o futuro. Michael é acima de tudo um amigo para mim_o sorriso dele se alargou ainda mais, e aquele famoso incômodo me fez perder o chão novamente. Não poderia mais fugir ou adiar reencontrar meu antigo amor, tampouco conseguia disfarçar minha aflição.

- Hey,tudo bem? Parece pálida _Preocupou-se, acariciando meus cabelos em desalinho graças a longa noite de sono.

- Estou bem _Apressei-me em exclamar. – É só a euforia do casamento meu amor. _Respirei profundamente pulando da cama.

- Vou deixá-la se arrumar, tenho certeza que você e Michael serão grandes amigos de novo... _Disse sem se dar conta do meu olhar repreensivo, e saiu porta a fora.

Grandes amigos... Hum...!

Estava claro o quão aqueles dois irmãos eram unidos. Sebastian nunca escondeu o enorme apreço que tem pelo irmão. E eu não queria de forma alguma quebrar o encanto daquele momento com minhas incertezas estúpidas. Eu era noiva de Sebastian, iríamos nos casar, simples assim, segui meu caminho e Michael o dele. Ninguém estava de coração partido,não é mesmo ?

Fiz uma maquiagem leve e delicada e passei um gloss transparente nos lábios, apenas para amenizar a palidez. Suspirei pesadamente, deixando o quarto, me encaminhando para a sala, onde Michael e meu noivo certamente,aguardavam-me ansiosos. Finalmente aqueles hipnotizantes olhos negros se cruzariam aos meus, e não nego que um sorriso despontou dos meus lábios ao lembrar-me das tardes movidas a paixão e sonhos que eu e o lindo garoto de cabelos escuros compartilhamos quando jovens.

Uma mistura de sensações nostálgicas e indecifráveis me possuiu ao cruzar o carpete da sala e avistar Sebastian e Michael conversando aos risos, na sala de estar. A gargalhada de Michael ecoava em todo o ambiente, chegando aos meus ouvidos como o som do perigo! Todas as angústias de nosso caso de amor mal resolvido,estavam ali, presentes novamente. Mas mesmo sentindo mágoa não fui capaz de evitar arfar diante da beleza daquele homem. Michael estava diferente, tinha um ar de homem compenetrado, seguro, porém seu sorriso de menino travesso e seus olhos de um negro profundo persistiam moldando seu rosto de traços marcantes e perfeitamente esculpidos. Para agravar ainda mais minha tensão, o perfume abaunilhado e inebriante dele chegava em minhas narinas e fazia meu coração acelerar. Nenhuma palavra saia de minha boca, e isso parecia ter deixado Michael satisfeito. Ele se dirigiu com seu caminhar elegante rumo a minha direção, e eu dei uma tossidela,fingindo não ter notado sua presença.

- Jenna faz tanto tempo. Como você está?_um sorriso sapeca dançava em seus lábios convidativos, e sem que desse tempo de piscar, o dorso de minha mão foi agraciado com um beijo terno que me fez estremecer. Como ele podia reagir daquela forma? Ele estava tão tranquilo. Como se não desse importância ao passado.

- Eu... Eu estou bem. _ Balbuciei nervosa. – E você ?

- Eu também estou bem. _Respondeu com uma voz suave e encantadora. – Nossa... Você está ótima. Está diferente. _Concluiu. Senti meu rosto esquentar na mesma hora.

- É a vida é mesmo uma caixinha de surpresas. Bem,eu segui meu caminho, e acho que finalmente encontrei o homem certo._enfatizei, fixando meu olhar em Sebastian.Olhar dentro dos olhos de Michael seria um erro e eu sabia disso, então eu não iria arriscar. E sabe aquele silêncio sepulcral ? Ele se fez presente por alguns instantes nesse momento.

- Sebastian me contou sobre o noivado, ele é um homem de muita sorte em tê-la ao seu lado _Enalteceu com ironia, parecia que lia meus pensamentos, ou melhor, ele lia meus pensamentos.

 Michael é um bom conhecedor da alma feminina e percebeu meu nervosismo exacerbado.

- E acha que não sei disso ,Michael?_Manifestou-se meu futuro noivo, agarrando minha cintura com delicadeza.

– Olha irmão. ...Eu não sei o que você tinha na cabeça, mas essa mulher é o sonho em pessoa! _Agora sim, nesse momento Sebastian conseguiu me deixar mais enrubescida do que eu já estava. Eu nada proferi, apenas dei um pequeno sorriso tímido, e fitei o chão constrangida.

- É sim._Michael confirmou com um murmúrio de voz. Por que será que sentia que Michael me fitava nesse momento, mesmo eu estando  cabisbaixa? Por que ele estava isso era fato. Meus instintos me diziam.

- Eu sou um sortudo mesmo. _Sebastian exclamou, e girou minha cabeça para me dar um selinho demorado.Obviamente nesse instante eu não sabia onde enfiar a cara ou como disfarçar minha aflição.

Percebi Michael encarar os próprios pés, sem jeito.

- Cuide bem de sua mulher,muitos gostariam de estar em seu lugar_Franziu a testa, me analisando meticulosamente depois de Sebastian ter me soltado.

- Jenna é a dona de meu coração,a melhor coisa que já me aconteceu. Nunca a deixarei escapar_Assegurou,me fitando com ternura, e eu assenti com a cabeça explicitando que eu concordava com suas palavras.

Mas a verdade irrefutável era que minhas certezas haviam se esvanecido no momento que Michael Jackson sorriu para mim. Será que esse martírio nunca teria fim? No fundo eu me punia por me apegar as recordações de uma promessa que não se concretizou e jamais seria cumprida.

- Bem, eu vou deixá-los à sós. _Me pronunciei. Eu tinha que sair da presença de Michael e Sebastian urgente. Era absurdamente constrangedora a situação. – Acredito que tenham muitas coisas para pôr em dia. _Completei, já me prontificando a sair. Sebastian assentiu e Michael permaneceu me olhando com seus olhos estreitos e expressivos. Mesmo sentindo-me presa no olhar de Michael, eu consegui por fim sair da presença deles.




Capítulo 3


Quando a noite caiu, já estávamos diante da mesa de jantar. Menos Michael, que estava no jardim com o celular grudado na orelha conversando algo inaudível para meus ouvidos. O jantar já havia sido servido e todos degustaram da refeição fina. Sebastian e o Sr. Jackson conversavam algo que eu nem prestei atenção. Meus olhos por puro instinto estavam em Michael que se encontrava de costas para mim. Em alguns momentos ele balançava a perna, depois colocava a mão na cintura demonstrando estar entediado, gesticulava algumas coisas com as mãos, e no momento que ele passou a mão na cabeça, ele virou-se e seus olhos encontraram os meus, pegando-me no flagra. —  gelei imediatamente  — Ele desligou o celular e começou a caminhar em nossa direção, e eu claro que desviei meus olhos para o Sr. Jackson e Sebastian para tentar disfarçar.

— Me perdoem por fazê-los esperarem por mim. É que eu deixei algumas coisas pendentes em Londres. —Michael disse, olhando para nós três.

— Eu te disse que essa inglesa iria ser um problema pra você. — Sebastian comentou e Michael comprimiu os lábios, balançando a cabeça. Foi então que eu percebi que se tratava da loira esguia que Michael havia noivado na Inglaterra.

— Bash? Não implique com o seu irmão. — O Sr. Jackson repreendeu Sebastian, olhando-o. Michael balançou a cabeça, concordando com o pai. — Não é hora de passar a verdade na cara dele. — Todos riram, inclusive eu. Michael fitou o pai com reprovação e com um sorriso preso nos lábios após sua conclusão.

— Ah pai. — Sorriu, e por um instante olhou para mim.

— Já chega de conversa. É melhor eu falar logo o que eu tenho pra falar antes que o nosso pai tenha que voltar para o hospital e antes que você, Michael — Sebastian deu ênfase no nome do irmão — saia correndo para atender o celular. — Michael suspirou, e cruzou os braços.

— Então fale meu filho. — O Sr. Jackson incitou.

Sebastian levantou-se da cadeira e pegou a taça que ainda continha vinho dentro. Juro que nesse momento meu coração quase parou. Ele tinha deixado ciente de que nessa noite ele anunciaria o nosso noivado.

— Como todos sabem, — elevou as mãos em volta da mesa, brincando, pois só tinha eu, o pai dele e o irmão — eu e a Jenna já estamos há um bom tempo juntos. Tempo o suficiente para dizer que nos amamos. — engoli seco quando ele proferiu tais palavras, eu estava apaixonada por ele sim, mas eu sabia qual era a diferença entre paixão e amor. Talvez eu aprendesse a amá-lo de vez depois que estivéssemos casados.

Ainda com o olhar fixo no meu namorado, percebi que nesse momento Michael olhou pra mim.

— Então é com muito amor que diante das pessoas mais importantes da minha vida que peço você — olhou pra mim — em casamento, Jenna Cater. — Concluiu com o tom de voz firme.

Senti meu estomago revirar dentro de mim. Como eu já enfatizei, eu sabia que isso iria acontecer, mas não esperava que eu fosse ficar tão nervosa e tão estranha como eu estava me sentindo. Talvez fosse porque Michael estava presente, me fitando, deixando-me intimidada. Mas eu tinha que responder não é mesmo? Afinal, para que tanto nervosismo se eu estava apaixonada por Sebastian?  

— Eu... Eu aceito. — Consegui responder com dificuldade, mas forcei um sorriso no meu rosto.

— Parabéns meu filho. — Sr. Jackson levantou-se e se prontificou para abraçar o filho. Nesse momento olhei para Michael e me dei conta de que ele já estava com os olhos em cima de mim, com um semblante indecifrável. Mas ele não parecia surpreso.

— Parabéns irmão. — Michael saudou Sebastian desviando seus olhos dos meus. Levantou-se e sorriu antes de abraçar o Sebastian. — Desejo toda felicidade para você e Jenna.

— Obrigado Michael. É muito bom ter o apoio da minha família em um momento como esse. Espera, mas está faltando uma coisa. — Sebastian largou o irmão e tirou do bolso uma caixinha aveludada de cor vermelha. — Eu não posso fazer um pedido sem ter um anel, não é mesmo? — Todos riram, e ele estendeu a caixinha para mim.

Peguei a caixinha entre os dedos e abri. Um belíssimo anel de diamante havia dentro. Meu Deus, eu iria casar. Confesso que apesar te toda aquela tensão estranha, eu também estava feliz, feliz porque finalmente eu estava realizando o meu sonho de me casar e construir uma família. Passar o resto da minha vida com um cara honesto, romântico, lindo e que me amava. Querendo ou não era um sonho sendo realizado.

— É lindo Bash. — Exclamei admirada quando meu noivo pegou o anel e colocou no meu dedo. — Obrigada! — Agradeci olhando terno nos olhos doce do meu noivo. Ele segurou meu rosto com delicadeza e pousou seus lábios nos meus.

— Caham... — O Sr. Joe pigarreou chamando a nossa atenção. — Estamos aqui, certo? Deixem isso para mais tarde — Senti meu rosto sendo coberto pelo rubor com o comentário. Eu e Sebastian sorrimos minimamente.

— A festa de noivado será amanhã. Quero estar casado o mais rápido possível com essa mulher deslumbrante. — Fiquei incrédula porque ele não tinha me consultado. Parecia a mulher do relacionamento.

 Mas era bom, é muito raro achar um homem igual à Sebastian. Ele era meu herói, tinha se tornado meu porto seguro depois de tudo o que aconteceu na minha vida, se mostrava a cada dia mais um homem de compromisso sério e que sabia valorizar uma mulher.

Todos voltaram a sentar em volta a mesa de jantar. Sebastian começou a falar sobre os planos, o pai estava atencioso e se mostrava feliz com o nosso noivado, já Michael estava com o dedo sobre os lábios enquanto olhava pra mim e para Sebastian. E como eu sabia disso? Porque às vezes eu me pegava olhando pra ele também. Eu estava vacilando!

Michael se inquietou quando o seu celular começou a tocar chamando a atenção de todos.

— Pronto... Aposto que é a inglesa. — Sebastian referiu, Michael pegou o celular e franziu o cenho quando olhou para a tela.

— Ah, com licença. — Michael pigarreou, levantando-se e se direcionando para a varanda.
Sebastian e o pai continuaram a conversa que eu nem estava entendo sobre o que era.

—... Não é amor? — Senti Sebastian tocar no meu braço chamando minha atenção.

— O que? — Saí do meu estado de transe e o olhei.

— Você pode organizar nosso noivado? — Perguntou. Eu fiquei calada, acho que ainda estava em transe. — Você está bem? — Franziu o cenho.

— Es... Estou. — Me apressei em responder, balançando a cabeça positivamente.

— Então você pode organizar nosso noivado?

— Si... Sim... Posso sim.

— Obrigado anjo. — Me deu um beijo. — Se importa em ficar só por um momento? É que meu pai tem algumas coisas a tratar comigo.

— Ah não meu amor, poder ficar à vontade. Irei para a sala de estar.

— Ótimo. — Levantou-se e beijou minha cabeça. — Não demoro, eu prometo. — Dito isso, Sebastian e o pai saíram me deixando sozinha.

Então eu me levantei, e antes de fazer menção de sair, dei uma olhada pela enorme janela de vidro e vi Michael ainda falando no celular. Balancei minha cabeça antes de começar a pensar coisas que não queria e me virei para sair, mas parei quando ouvi duas batidas no vidro da janela, me chamando. Olhei e lá estava Michael olhando para mim. Franzi o cenho tentando decifrar o seu olhar e ele sorriu. — Àquilo acabou comigo. — Depois ele bateu mais uma vez no vidro e me chamou com um gesto de dedo.

Eu não queria ir, eu juro, mas se eu não o fizesse ficaria mais do que claro que eu queria evitá-lo. E ficaria a pergunta no ar: Por quê?

— Você está... Linda. — Michael murmurou assim que eu cheguei perto dele.

Mas por que esse elogio agora? — Estranhei.

— Obrigada! — Fora a única coisa que eu consegui proferir. Bem, ele também estava muito bonito. Bem vestido dentro daquele terno elegante, cabelos bem penteados e soltos, e com um cheiro embriagador. Mas claro que eu não iria comentar a respeito disso. Óbvio.

— Me acompanha? — Deus dois passos para frente, esperando que eu caminhasse com ele. Eu abri a boca procurando uma maneira de dizer um ‘não’, mas antes que eu pudesse responder ele  interferiu. — Só vamos pôr as coisas em dia. Nada demais. — Eu nada falei, apenas assenti com a cabeça, e assim começamos a caminhar lentamente pelo o jardim da casa.

— Nossa, faz tanto tempo, não é Jenna? — Pronunciou-se na tentativa de puxar assunto enquanto caminhávamos.

— Muito tempo. — Assenti, e ele sorriu.

— Lembra de que quando éramos dois jovens a gente...

— Sim, Michael. Eu lembro. — Interferi-o, e ele olhou para mim. Acho que ele percebeu que aquilo me incomodou.

— Soube que você era enfermeira em uma clinica pediátrica.  Mudou de assunto.

— É... Eu amo crianças. Acho que nasci para cuidar delas. — Elucidei.

— Acho que ainda temos esse amor em em comum. — Comentou. — Suponho que saiba que me formei em pediatria.

— Eu sei sim. Parabéns. Não foi pra isso que você, foi embora? — Dei ênfase despercebida na pergunta, e claro que quando percebi, me arrependi. — Quero dizer... É muito bom saber que você realizou seu sonho. — Michael ficou calado. Parecia estar pensando em algo.

— Sabe Jenna? Eu estive pensando... Como foi que deixamos isso acontecer?

— Isso o que?

— Isso... Eu... Você... Nós dois... — Murmurou.

— Michael... Por favor. — Interrompi-o, era praticamente uma súplica para que ele não tocasse na ferida — Éramos dois adolescentes e... Fizemos coisas de adolescentes. — Tentei demonstrar desdenho. Na verdade eu nem queria falar sobre aquilo, e nem sabia por que ele estava tocando no assunto.

— Eu sei, eu sei... Mas...

— Mas nada Michael. — Interrompi-o mais uma vez. — Àquilo é um passado onde as páginas já se desbotaram não é mesmo? — Sorri sem humor. — Sou apaixonada pelo Sebastian, iremos nos casar. Acredito que você também pretende se casar com a inglesa. E sendo assim todo mundo será feliz — Ressaltei.

Michael respirou fundo por longos instantes depois de tudo o que eu disse e fez um sinal em negação com a cabeça.

— Então você está mesmo apaixonada pelo o Bash? — Perguntou de cenho franzido. E eu não hesitei em responder.

— Estou sim. Ele é um cara incrível — Respondi com firmeza.

— Acredite, eu fico feliz em saber que meu irmão está sendo correspondido. — Atestou olhando bem no fundo dos meus olhos, e enquanto isso, o celular de Michael tocou, e antes de pegá-lo do bolso ele revirou os olhos, parecia que já sabia quem era que estava lhe ligando. E eu também.

— Acho que a sua noiva está ligando pra você. — Eu enfatizei  com uma pontada de sarcasmo, e com isso Michael soltou um suspiro de lamentação.

— Me desculpe.

— Não se desculpe, apenas atenda o celular. — Dei de ombros e saí do campo de visão dele, deixando-o sozinho no jardim. 




                                                          Capítulo 4

Resolvi que não ficaria mais na cama, queria sentir a brisa suave das primeiras horas do dia, o frescor daquela tranquila manhã, e foi o que fiz. Apressei-me a me arrumar, vestindo um vestido azul de chiffon leve, e passei um gloss para disfarçar a expressão de cansaço Aproveitei para dar uma volta aos arredores do jardim, contemplar a beleza singela das flores. Havia um banco de madeira próximo a algumas macieiras, sentei-me e me pus a observar a natureza ao meu redor. Apesar de ter jurado a mim mesma que não voltaria a fixar meus pensamentos em Michael aquilo se tornou impossível no instante que ele me fitou profundamente. Mas isso era totalmente irrelevante, Sebastian seria o homem com o qual iria compartilhar minha vida. Michael era uma lembrança de um sonho bom que infelizmente ou felizmente não se concretizou.


Pousei meus olhos sobre uma árvore alta com galhos retorcidos, e movida pela emoção automaticamente me encaminhei até ela. Quando tomei a devida coragem de deslizar minhas mãos pelo tronco da frondosa árvore senti o toque de duas mãos longas e macias em minhas costas. Girei meu corpo para encarar a figura de um homem de olhos absurdamente negros com um sorriso de canto doce, e constatei que Michael realmente estava obstinado a tirar meu sossego.


- Michael, mas o que... _Ponderei as palavras. E lá estava eu me portando como uma adolescente desorientada em seu primeiro encontro, minhas pernas estavam bambas e nem correr dali eu consegui.


- Bom dia, Jenna._Respondeu muito calmamente.


- Bom dia, Michael! Apreciando a paz da manhã também?_Ergui as sobrancelhas em conjunto e o fitei de soslaio.


- Confesso que trabalho demais, minha vida se resume a sacrifícios... Sabe,medicina é minha paixão, mas toma meu tempo em um período quase integral._Suspirou muito pausadamente.

- Entendo, mas seu dom com crianças permanece intacto. Pediatria é uma dádiva, Michael .A inocência da infância é algo fantástico_Enalteci com os olhos presos aos cachos bem moldados dele. Tão lindo... Deus o que eu estava fazendo? Eu era uma mulher comprometida.


- Tenho mais de 39 fundações espalhadas por todo o mundo... Elas cuidam de crianças órfãs. Em especial as portadoras de AIDS, câncer, deficiência física..._Explicou entusiasmado. Sempre soube que os gestos de Michael remetiam a um humanitário, mas me encantou ouvi-lo falar de suas conquistas com tanto amor.


- Francamente, não fazia ideia de que suas fundações haviam se expandido nessa proporção._Admiti ainda perplexa com as revelações dele.


- Jenna, esse era um dos meus grandes sonhos de infância, mas há outro que infelizmente,não se tornou realidade._Franziu o cenho e me analisou com um semblante triste.


- Michael, por favor, vamos apenas mudar de assunto_Sussurrei,relutante em prosseguir com aquela conversa, e ele pousou seu dedo indicador nos meus lábios me fazendo arfar.


- Deixe-me falar _Pediu com a voz afável. Consenti um pouco hesitante, mas disposta a ouvir o que ele tinha a me dizer. – Nem sempre as coisas ocorrem como o planejado, é eu sei que isso é um clichê._Mordeu os lábios e ambos caímos na risada diante da situação. desconfortável. – Mesmo assim eu sou um homem insistente e não me dou por vencido! Bem,você talvez se lembre vagamente olhando para uma dessas árvores do jardim do pacto que fizemos._Disse retoricamente.


- Essa história deve ser esquecida, não passou de uma ilusão de dois jovens_Rebati ríspida, a última coisa que eu precisava era de que ele me lembrasse daqueles tempos felizes.


- Nunca esqueci a promessa que lhe fiz Jenna, esteve sempre em meu coração. Te vendo assim hoje tão madura, determinada, ainda consigo encontrar um resquício da garota tímida e de olhos meigos com a qual selei um pacto de amor naquela tarde de outono._Pôs uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.


- Aquela menina morreu, Michael._Gritei em alto e bom som, colocando toda mágoa que sentia por aquele homem para fora naquela frase.


- Não, ela está diante dos meus olhos, talvez em certo ponto ela tenha se desiludido e desacreditado nas pessoas, mas sua essência não se perdeu._Afirmou convicto. Seus olhos estavam marejados e aquilo fez meu coração disparar dentro do peito.


- Você me conhece como ninguém, é eu não vou negar...._Ergui os braços em um sinal de rendição.


- Pode apostar que sim bela garota._Deu uma piscadela e eu soltei uma risada curta.


- Sebastian me disse outro dia que você estava para transferir uma clinica aqui,para Los Angeles. Veio em virtude disso?_Questionei confusa.


- Também Jenna, aliás,eu gostaria de lhe fazer uma proposta._Anunciou atento as minhas reações. – Soube recentemente que se formou em enfermagem,o que acha de ser uma voluntária na clínica "Children Peace”?_Propôs, deixando-me lisonjeada e extremamente feliz.


- Meu Deus.... obrigada pelo voto de confiança, Michael _Agradeci e me joguei nos braços dele emocionada. Aquele abraço carinhoso e sincero. Senti tantas saudades de ser envolvida por ele daquela forma. Droga! Eu não podia evitar, ele estava impossivelmente bonito com uma camisa vermelha e seu sorriso largo cafajeste.


- Então vá contar a novidade ao meu pai e ao seu noivo, porque já estamos de saída ._Avisou, me fitando com ternura.


- Estou certa de que isso dará um novo sentido a minha vida._Salientei e saí correndo em direção a casa. Esperava do fundo do meu coração que Sebastian ficasse feliz por mim e me apoiasse, aí sim minha felicidade seria completa.



                                                                         Capítulo 5


- Sinceramente Sebastian, não esperava esse tipo de reação infantil de sua parte!_balancei a cabeça decepcionada. - Definitivamente eu nunca imaginei que meu noivo não me daria um voto de confiança._Bradei irritada.

- Jenna... está entendendo tudo errado! Não tenho nenhum receio a respeito de trabalhar com Michael. Só acho que o momento é inapropriado._Retrucou segurando meu braço para que eu não saísse dali, e sim era o que eu estava prestes a fazer.


- E por que esse não é um momento oportuno?_Revirei os olhos soltando-me dele, fazendo menção de sair de sua presença.


- Estamos vivendo uma fase especial amor, e além do mais precisa se focar nos preparativos do casamento. _Ressaltou,segurando minha mão com delicadeza.


- Não tenho vocação para ser uma madame superficial que faz compras dia e noite, Sebastian. Meus princípios não condizem com essas futilidades. Se enganou se achou que passaria meus dias gastando seu dinheiro.– Posso cuidar dos preparativos e trabalhar meio período. Ou por acaso pensa que abandonarei meus sonhos, quer que minha profissão se resuma a ser sua esposa?_Gargalhei sordidamente. Sebastian não iria interferir em minhas escolhas, se me amasse teria que me aceitar mesmo com todas minhas imperfeições.


- Tudo bem... Talvez eu tenha sido egoísta em lhe impor que desista desse projeto social.Que tal esquecermos isso? Odeio brigar com você princesa._Disse,me tomando em um beijo urgente. Eu correspondi às carícias dele e o beijei ferozmente, mas era como se não houvesse mais aquele fogo, foi frio, sem graça, nada comparável aos beijos que costumávamos compartilhar. Parecia que estava cumprindo uma obrigação.


- Tem razão... é besteira discutir por algo que já está resolvido._Desgrudei meus lábios dele retomando o fôlego.


- Vou apoiá-la sempre, Jenna, é que às vezes a insegurança fala mais alto. Sabemos a relação que teve com meu irmão foi no mínimo intensa e..._Arregalei meus olhos a ponto de proferir um insulto não muito agradável.Sebastian não confiava em mim. Isso me machucou brutalmente, jamais dei motivos para que ele desconfiasse de mim e recebo isso em troca.


- É inadmissível que sinta ciúmes de Michael. Escolhi você, e nos casaremos,seu irmão também tem uma pessoa. Agora pare com essa maldita desconfiança!_Repreendi austera, não iria tolerar as insinuações sem fundamentos dele.


- Perdoe-me, sou mesmo um idiota, isso faz tanto tempo.Vocês eram jovens e impetuosos,uma grande bobagem minha pensar que ainda existem sentimentos._Tentou redimir-se, mas eu não estava com paciência de ouvir seus discursos e dei-lhe as costas indo ao encontro de Michael. Ele me levaria a clínica e obviamente eu não perderia a chance de ajudar crianças inocentes e adoráveis. Amava fazer os outros felizes e mais ainda a companhia de Michael.

(...) 

- Então... É aqui?_Meus olhos vislumbraram uma construção moderna e imponente.


- Sim,chegamos, Jenna_assentiu saindo do carro e dando a volta para abrir a porta da BMW para mim.

Michael sempre se portou como um verdadeiro cavalheiro, portanto não me surpreendeu com tal gentileza.


Andamos até o opulento prédio até uma recepção onde fomos muito bem atendidos por uma secretária extremamente educada e bonita. Os olhares de cobiça da loira de belos olhos azuis lançados a Michael me desagradaram. Não isso não era ciúme, ou era? Prefiro dizer que foi constrangedor presenciar aquele flerte patético.


Para minha sorte, rapidamente uma senhora veio em nossa direção e disse a Michael que as crianças estavam loucas para vê-lo. A simpática idosa nos guiou até um dos quartos que haviam no extenso corredor. Michael abriu a porta e adentrou o local sem nenhuma cerimônia, e antes que eu pudesse piscar uma centena de crianças correram ao encontro dele. Eles tinham os olhos brilhando, e Michael se prontificou de abraçar cada um deles.


- Hey, tio Michael,essa moça ela é sua namorada? _Um garotinho de meio metro de altura apontou para mim. Imediatamente escondi o rosto entre as mãos. Certamente deveria estar vermelha e com uma cara que denunciava minha vergonha.


- Não Mark, ela se chama Jenna,é uma velha amiga_Esclareceu com um sorriso safado. Ao meu ver Michael havia adorado o questionamento do garoto.
 

- Ela é muito bonita._Uma menina de olhos escuros e longos cabelos negros pronunciou-se e eu achei aquilo tão adorável que a abracei.


- Qual é seu nome boneca? Você também é linda._Fiz um carinho no rosto dela e percebi que Michael nos observava embasbacado.


- Sou Luna, moça._Respondeu me fitando um pouco assustada. Aquela menina me tocou com sua ingenuidade, e Deus ela tinha um olhar tão triste. Minha vontade era de levá-la para casa e a cuidar.


- Luna é uma das meninas mais inteligentes e lindas que temos aqui _Michael elogiou,feliz por termos nos entendido.


- Já tive o privilégio de constatar, Michael_Pisquei para ele e saí porta a fora com lágrimas nos olhos.

Encostei-me no hall da porta e desabei em lágrimas. Michael não tardou a ir a minha procura.


- Hey baby, o que aconteceu?_levantou meu rosto com seus longos dedos. – Foi algo que eu fiz? Se foi me desculpe._Murmurou entrando em desespero.


- Não Michael... eu só senti meu coração apertar quando enxerguei dor nos olhos daquele anjo._Balbuciei com a voz trêmula.


- Luna contraiu o vírus da HIV de seu pai, ela foi violentada, Jenna. Tem apresentado uma boa resposta a medicação. Sou sensitivo a dor dessas crianças, dou meu sangue para salvá-las, eu as amo._Enfatizou com um sorriso cativante brincando nos lábios.


- Nem quero imaginar o que Luna sofreu nas mãos de um abusador maldito._Bradei sentindo o choro me atingir em cheio. Talvez eu pudesse sentir a dor dela, porque um dia estive no lugar dessa menina. E naqueles dias obscuros e sem esperança até respirar doía tudo que eu desejava era a morte.Não,eu não podia fechar meus olhos perante as necessidades daquela garotinha, precisava oferecer afeto a Luna,sabia que ela só gostaria de se sentir amada.



Capítulo 6

Flash Back:

“— Jenna querida, você não pode ficar assim. — A voz de Mark, o padrasto de Jenna ecoou pelo o quarto da adolescente, tirando-a das lembranças de sua mãe.

Ele caminhou até a sua cama e sentou-se.

— Eu estou bem. — Jenna sentou-se na cama e cruzou as pernas. — Eu só estava lembrando um pouco da minha mãe.

— Já faz quatro meses que ela se foi. — Mark ressaltou. — Eu sinto muita saudade dela Jenna. — Nesse momento ele falou fixando seus olhos nos de Jenna e em seguida desviando para o corpo dela, que estava apenas com uma camisola de seda realçando suas sinuosas curvas.

Jenna se sentiu desconfortável com o olhar do seu padrasto, e logo tratou de ajeitar a barra da camisola.

— Eu também sinto muita saudade dela. — Jenna disse para tentar disfarçar o desconforto do momento. 

— Você parece tanto com ela. — Disse ele com uma voz meio pervertida e levou uma de suas mãos até a perna dela, tocando-a primeiro no joelho e subindo aos poucos pela sua coxa.”

Fim de Flash Back


— Jenna? Jenna? — Ouvi a voz de Michael me chamar, tirando-me das memórias nada agradáveis — Ainda está chorando! Você está bem?

— Estou. — Respondi vaga. — Michael, por favor leve-me até a Luna. — Supliquei.

— Claro. — Ele assentiu me olhando confuso. Pegou na minha mão e me levou de volta até a sala onde estavam às crianças, e quando olhei em volta, vi Luna sentada no chão, brincando com uma boneca.

Soltei a mão de Michael e comecei a caminhar em direção a ela, quando cheguei perto da mesma, ajoelhei-me e fiquei olhando-a com carinho. Quando ela me olhou seu rostinho estava confuso.

— A senhora está bem? — Perguntou com sua vozinha doce de criança inocente.

— Estou boneca. E você? — Perguntei afável.

— Eu não sei moça. Eu me sinto bem sabe?  Mas às vezes eu ouço as enfermeiras falarem que eu estou doente. — Aquilo partiu meu coração, tanto que senti as lágrimas encherem meus olhos.

Levantei-me rapidamente, e sem me despedir da menina, saí porta afora com Michael me seguindo.

— Jenna? — Senti sua mão novamente na minha. — O que aconteceu agora?

— Só me leve para casa, por favor. —  Foi a única coisa que consegui falar. Michael apenas assentiu, concordando em me tirar daquele lugar.

(...)

Assim que eu e Michael chegamos e entramos na casa, Sebastian estava sentado no enorme sofá com a cara de poucos amigos. Levantou-se assim que percebeu meu semblante triste e choroso.

— Jenna, o que aconteceu? — perguntou ele preocupado. Eu nada respondi, apenas abaixei a cabeça e subi as escadas correndo. — O que você fez com ela? — Ainda o ouvi perguntar austero a Michael.

— Eu não sei o que houve, apenas... — A partir daí não consegui ouvir mais nada. Pois entrei no quarto e fechei a porta. Instantes depois ouvi a mesma ser aberta e Sebastian entrar.

— Jenna? — Ele se aproximou de mim, e eu corri para abraçá-lo com toda a minha força.

— Me abraça Bash, me abraça. — implorei e ele mesmo sem entender o motivo daquelas lágrimas  sentou-me na cama e me abraçou carinhosamente.

Ficamos assim por alguns minutos.Sebastian afagava meus cabelos, e percebi que ele estava ponderando muito para proferir alguma palavra reconfortante.

Ele desgrudou nossos corpos e ficou estudando o meu rosto. Passou o polegar abaixo dos meus olhos para enxugar o resquício das lágrimas e depois colocou as mechas dos meus cabelos atrás das minhas duas orelhas.

— Michael me disse que você ficou assim depois que conversou com uma menina lá na clínica. — Suas palavras saíram hesitantes. — Eu pedi que você não fosse e...

— Bash... — Interrompi-o. — Ela foi abusada pelo o pai. — Expliquei para mostrar-lhe o porquê eu estava daquele jeito.

— Ah... Jenna... — desviou seu olhar para outro canto do quarto. — E isso te fez lembrar...

— Isso mesmo Bash. — Abaixei a cabeça e depois voltei a fitá-lo. — Quando olhei nos olhos daquela garotinha, num lampejo de compreensão eu entendi o que ela sofreu no momento em que estava sendo... — Limitei-me a concluir.

— Olha aqui Jenna. — Ele segurou meu rosto com as duas mãos. — Eu não quero que pense mais naquilo. Eu sei que não é nada fácil evitar tais pensamentos, mas quando perceber que está pensando nisso, lembre-se de mim. Certo? — Disse afável. Eu assenti apertando os lábios e balançando a cabeça.

Sebastian sabia que ele era o meu porto seguro, por isso sempre me aconselhava a pensar nele todas as vezes que as más lembranças ameaçavam em se aproximar da minha mente.

— Me desculpe não ter ficado para planejar nosso jantar de noivado. — Lamentei olhando serena nos olhos dele.

— Tudo bem. Talvez possamos marcar para outra noite.         

— Não... Eu posso ligar e contratar um buffet e...

— Olha só pra você... Não está bem. Não quero que se sinta pressionada para o nosso noivado.

— Mas eu não estou.

— Está sim. Olha, amanhã eu sairei para resolver umas pendências na agência de turismo bem cedo e só voltarei a noite. Quando voltar conversaremos sobre isso. Certo?

— Você vai passar o dia todo fora?

— Sim. Um grupo de turistas quer conhecer o centro da cidade.

— E porque você não manda um dos seus funcionários?

— Você sabe que eu gosto de fazer isso,não é?

— É, eu sei sim. — Revirei os olhos. Pois é, mesmo  Sebastian sendo dono da própria empresa, ele gostava de fazer o mesmo trabalho que seus funcionários.

Ele era dono de uma agência de turismo e também amava a profissão. Está aí uma diferença entre ele e o irmão. Michael puxou ao pai, dedicado e apaixonado pela medicina, já o Sebastian era mais esportivo, acho que isso poderia ser da mãe deles, já que não cheguei a conhecê-la.

— Você vai ficar bem? — Indagou acariciando minha bochecha.

— Eu vou sim. Passarei o dia no meu apartamento então. — Eu não iria passar o dia naquela enorme casa sozinha.

— Como quiser meu amor. — Disse e pousou seus lábios sobre os meus.

Naquele dia eu não vi mais o Michael. O Sr. Joe passava o dia enfiado no hospital, então foi só eu e Sebastian no resto do dia.

Confesso que foi muito bom ter ficado sozinha o resto do dia com ele, pois se não eu ainda estaria naquele estado. Só ele me passava segurança e me fazia esquecer o que passei.Só ele conhecia bem o meu martírio e só ele conseguia me acalmar. 


Capítulo 7

Flash Back:


A bela jovem de cabelos negros estava deitada entre as pernas de seu namorado, eles se acariciavam e trocavam selinhos, os olhos do casal brilhavam e reluziam a mais plena felicidade. Michael havia retornado aos Estados Unidos após concluir o último ano do ensino médio na Inglaterra e cumprir com o desejo de seu pai.Ambos estavam cada vez mais unidos, não se desgrudavam e compartilharam ao longo de 3 meses passeios românticos maravilhosos.


Conforme tinham combinado de retornar ao jardim onde fizeram o pacto, resolveram passar aquela amena tarde de primavera no lugar onde o amor inabalável deles nasceu. Michael deslizava suas mãos pelo rosto delicado de Jenna,ele transbordava paixão. O silêncio já os incomodava a tal ponto que Michael decidiu rompê-lo.


- Amor..._respirou profundamente como se precisasse tocar em um assunto sério e não encontrasse as palavras adequadas. - Estou preocupado com você, parece diferente, às vezes sinto que está tão distante, com a cabeça nas nuvens. Tem certeza que as coisas correram bem enquanto estive ausente? Sabe que pode confiar em mim Jenna_Levantou delicadamente o rosto dela, queria olhar dentro dos olhos de Jenna e constatar que ela mentia.


- Michael, por favor,não faça tantas perguntas. Você voltou,está aqui ao meu lado...isso é a única coisa que importa _Ressaltou como em uma súplica desesperada para que ele não a obrigasse a lhe dar respostas que ela não poderia dar.


- Tudo bem princesa, como quiser._Concordou com uma expressão de alívio, mas no fundo ainda sentia seu coração pesado. A mudança do comportamento de Jenna o intimidava.


- Michael..._Limitou-se a dizer e mordeu os lábios nervosa. Jenna tinha certeza do que queria, era ele o homem perfeito. Mas o medo de não saber o que fazer  deixava-a paralisada e consequente nervosa. – Faça amor comigo._Sussurrou levando as mãos ao zíper da jaqueta de couro dele.


- Jenna eu não... _Murmurou aturdido,um sorriso largo brotou em seus lábios,mas ainda assim aquilo o surpreendeu. – Não quero que se sinta pressionada, temos tempo e... _Jenna o interrompeu e colou seus lábios nos dele. Michael a princípio hesitou, mas acabou deixando fluir naturalmente. Amava aquela garota,ela era sua menina,a mulher que o encantou com sua doçura. Eles necessitavam fundir seus corpos, se tornarem um só, e o fizeram carinhosamente. 


Michael foi extremamente atencioso e romântico,na percepção dele aquele momento deveria ser inesquecível para Jenna. Porém, suas ilusões de que seria o primeiro e único na vida dela se esvaneceram ao perceber que sua namorada não era mais virgem. Todos seus sonhos foram destruídos naquele momento. Apesar de ter sentido mais prazer do seria capaz de imaginar, e o amor dele por ela ter se multiplicado por mil após terem feito amor, o fato dela ter mentido para ele,o traído deixou-lhe completamente desolado.


Michael se apressou a vestir-se e Jenna o observou fazê-lo,evitando  insistentemente o contato visual com ela.Sentia que ele estava irritado,e no instante que seus olhos cruzaram aquele mar negro enxergou claramente o ódio no olhar de seu namorado.


- Michael, por que está me ignorando?_Perguntou se vestindo apressadamente.Ele apenas coçou a cabeça e a fitou triste. 

- Jenna... como teve coragem?_Bradou segurando o braço dela. 


- Do... que está falando?_Balbuciou sentindo suas pernas bambearem.


- Não passa de uma vagabunda! Me diga com quantos homens já se deitou?_Ordenou aos berros a sacudindo violentamente.


- Eu o amo, se quiser me insultar,matar... Vamos o faça, mas para mim fazer amor com você foi mágico._Retrucou com os olhos inundados pelas lágrimas.


- Como deve ter sido com os outros,não é?_Estreitou o cenho irado. – Mulheres como você dizem o mesmo para todos, aliás, iria para cama com qualquer um que tivesse uma conta bancária como a minha!


- Seu cretino!_Descontrolou-se, desferindo um tapa no rosto dele.Michael puxou o braço dela com mais força e se pôs a analisar os olhos amedrontados dela.


Imediatamente ele  soltou-a e deu-se conta que seus impulsos o fizeram ir longe demais.Suas palavras haviam a ferido. Mas Michael também tinha sido machucado.Para ele Jenna era pura, e se tornaria mulher em seus braços,só de pensá-la fazendo amor com outro seu coração afundava dentro do peito.


- Vamos... vou levá-la para casa.Nunca mais quero olhar na sua cara._Exaltou-se novamente sentindo seu sangue ferver nas veias.


- Nem eu Mike,deixe-me em paz,siga seu caminho. A vadia aqui pegará um táxi._Disse saindo correndo como se quisesse desaparecer e chorar em paz, e foi exatamente o que fez ao entrar em um táxi.

Fim de Flash Back


- Jenna,hey, eu posso entrar?_A voz macia me fez sobressaltar. Respondi um automático "sim" enxugando as lágrimas.

- Quero saber se irá à clínica hoje?_ Quis confirmar. Eu ainda estava deitada em minha cama e vestida de uma forma um tanto inapropriada. Me apressei a cobrir minhas pernas com um lençol.

- Não será possível, Michael._Fiz uma careta, na verdade queria acompanhá-lo e me livrar da série de chatices que me aguardavam.

- E por que não?_Tirou os olhos das minhas pernas constrangido com a situação.

- Estou atolada com os preparativos do casamento._Suspirei e revirei os olhos. Era tedioso ter que passar o dia escolhendo as cores dos vestidos das damas,o recheio do bolo, as flores... Enfim, detestava esses detalhes em específico de uma cerimônia de casamento.

- Oh,sendo assim lhe desejo boa sorte. _Sorriu daquele jeito sacana,bem Michael sabia o quão desanimada eu estava com tudo aquilo. – Ah... e antes que eu me esqueça está incrivelmente sexy com essa camisola minúscula, meu irmão é um sortudo filho da mãe. _Piscou para mim,saindo logo em seguida de minha presença.

Deus... aquele homem me tirava do sério! Não, eu não podia me deixar abalar,Michael sempre teve aquele charme que desestabiliza as mulheres.

Era atraente, divertido, gentil e tinha aquele sorriso torto de cafajeste. Não havia como permanecer imune a sedução de Michael Jackson. Não interessava o quanto você se esforçasse,tinha um tipo de magia nele. Era como se ele o atraísse e o prendesse ao seu mundo sublime somente com sua presença. Mas às vezes temos sempre que renunciar um pedacinho dos nossos sonhos. Dizer sim para um lado e não para o outro. E eu escolhi o amor, não importam as consequências, escolhi sorrir para o horizonte das oportunidades. E Bash representava isso para mim,um recomeço,meu porto seguro. É ele que eu amo, talvez de um jeito estranho, mas o amo.


Capítulo 8


Já era por volta das 14 horas e eu estava no meu apartamento fazendo algumas ligações e organizando algumas coisas em mente para o noivado e o casamento com Sebastian, quando de repente ouvi a campainha tocar. Era estranho, pois quase ninguém iria a meu apartamento já sabendo que eu não estaria, e que eu dormia mais na casa de Sebastian.

Olhei-me no espelho rapidamente para ajeitar os meus cabelos que estavam desgrenhados e dei um nó neles bem no alto.

Quando abri a porta tive aquela tremenda surpresa quando vi Michael e a pequena Luna na minha porta.

— Mi... Michael? — Olhei para garotinha sorridente. — Luna?

— Ela queria te ver e eu... A trouxe. — Todo aquele meu susto sumiu quando Michael proferiu tal frase. Olhei para Luna e sorri docemente para ela. Aquela linda menina me transmitia paz

— Queria me ver boneca? — Baguncei os cabelos dela e hesitei retornar minha atenção para Michael

— Sim. O tio Michael disse que a senhora não poderia ir  hoje lá na clinica e eu insisti que ele me levasse até a sua casa. — Não pude deixar de olhar para Michael nesse momento e sorri de felicidade ao ouvir aquelas palavras.

— Então sendo assim... Seja bem-vinda. Quer dizer, sejam bem-vindos. — Abri espaço para eles entrarem no meu apartamento.

Eu achei tão doce Luna querer me ver. Deus eu estava com o coração acelerado, me sentindo a mais afortunada das mulheres com aquela visita inesperada.

— Sua casa é tão bonita. — Eu sorri com a carinha dela de encantada. Na verdade meu apartamento era pequeno, não tinha aqueles móveis requintados como os da casa de Sebastian, mas realmente era bem bonito e organizado.

— Por que você se mudou? — Michael perguntou baixinho quando olhou pra mim. — Por que saiu da outra casa?

— É uma longa história. — Respondi. Eu não podia dizer o porquê que a casa antiga me trazia más lembranças.

— Eu tenho tempo. — Deu de ombros.

— Melhor não Michael.  Olha só para a Luna, ela veio aqui para me ver e não para ficar olhando a gente conversar. — Repreendi mudando o rumo da conversa.

— Isso é verdade tio Michael. — Luna protestou olhando para nós. Rimos da carinha de tédio dela.

— Tá bem. — Michael levantou as mãos em sinal de rendição.

— Tia, porque a senhora não quis ir à clínica hoje? — Luna indagou e Michael cruzou os braços olhando para mim.

— É, porque a senhorita não quis ir? — Michael também indagou imitando a voz doce de Luna.

— Querida, a tia tem algumas coisas para organizar na vida dela. — Expliquei com rosto ruborizado. Eu e a minha maldita timidez.

— Tipo o que?

— Ãm... — Fiquei ponderando a resposta, mas parece que Michael estava querendo pôr palavras em minha boca.

— Um noivado, um casamento. — Disse olhando para menina. Luna olhou para Michael e esbugalhou os olhos.

— Mas o senhor disse que ela era só a sua amiga. — A pobrezinha estava entendendo tudo errado. — Vocês vão casar quando? — Michael sorriu com a pergunta enquanto meu rosto estava sendo coberto simulando perfeitamente a cor púrpura. Queria sumir dali, sair correndo, mas tomei coragem de encarar a situação delicada.

— Não meu anjo. — Michael ainda sorria. Parecia estar satisfeito com os questionamentos inocentes dela. — Ela vai se casar com o meu irmão. Portanto ela é a minha cunhada. — Explicou e vi a ironia dominar seu rosto.

— Sério? — Luna parecia perplexa com a revelação — Vocês parecem um casal e não esse negocio aí que o senhor disse. — Rimos do comentário inocente da linda garotinha.

— Está vendo a confusão que você fez Michael? — Fiz uma careta de poucos amigos.

— Eu? — Michael levou a mão até o peito fingindo estar atônito.

De repente Luna começou a passar os olhos pelo apartamento a procura de algo.

— Tia, a senhora tem uma TV? — Perguntou. Franzi o cenho e olhei para Michael  de soslaio.

— Tenho sim.

— Posso assistir? — Voltei a olhar para Michael novamente.

— Claro boneca. Naquele quarto tem uma. — Apontei o quarto e ela apressou-se em correr deixando eu e Michael a sós na sala do meu apartamento.

— Nossa, ela agora agiu como se no hospital não tivesse uma TV. — Michael frisou um pouco sem graça.

— Ela é uma criança Michael. Sabemos que crianças gostam de assistir desenhos.

— Tem razão. — Ficamos em silêncios por alguns instantes.

Estávamos sentados no sofá e Michael não parava de olhar para mim. Aquilo de certo modo estava me deixando desconcertada.  E só ressaltando, nesse momento ele não me olhava com desejo ou más intenções, mas sim um olhar indecifrável, parecia está pensando em algo muito importante, ou até estar maquinando alguma pergunta.

— Algum problema Michael? — Indaguei. Estava agoniada com aquele olhar profundo dele.

— Nenhum — Mentiu, eu percebi isso pelo tom áspero da voz dele.

— Tem certeza? — Quis confirmar, estava desconfiada ao extremo.

— Não. — Balançou a cabeça,esfregando as mãos no meu colo.

— Como? — Como assim ele não tinha certeza?!

— Por que ele, Jenna?! — Exclamou,irritado sem fazer mais rodeios

— Não entendi? — Franzi o cenho confusa.

— Por que logo o Sebastian? Por que tinha que ficar com ele?

Eu não estava entendendo Michael. Aonde ele queria chegar com aquilo? Tocar em outra ferida que meu coração parecia ter cicatrizado com o tempo. Ele mesmo tinha me abandonado por conta das suas próprias conclusões em relação a minha virtude, me acusou de ter sido de outros, me insultou cruelmente, nem se deu ao trabalho de perceber que eu estava mal durante aqueles malditos dias de martírio que só cessavam quando eu estava ao lado dele. 

Levantei para desvencilhar-me dos seus olhos, ficando de costas para ele.

— Por quê? — Senti suas mãos enlaçarem minha cintura.

— Michael... — Murmurei. 

— Por quê? — Indagou com autoridade.

Virei-me ficando de frente para ele.

— Por que eu o amo. — Respondi tentando convencer a mim mesma daquilo.

Michael soltou minha cintura aos poucos e estreitou bem seus olhos nos meus.

— Não. — Riu sem graça. — Você não o ama. Eu vejo isso nos seus olhos.

— Pois você precisa de um óculos. Está enxergando muito mal. — Revirei os olhos. — Michael, por que veio aqui?

Comecei a desconfiar de que ele não havia levado Luna apenas para ela me ver, ele tinha ido porque queria me ver, havia algum propósito oculto naquela visita.


Capítulo 9


— Se soubesse o quanto eu me arrependi de não ter parado para te ouvir naquele dia Jenna, deveria ter sido mais compreensivo... — começou a sussurrar carinhosamente,enquanto analisava o meu rosto. — Agora estaria prestes a se casar comigo e não com o meu irmão.

Sinceramente,eu ainda não estava compreendendo o lado do Michael, parecia ter segundas intenções e isso me deixou temerosa. Ele parecia ser um bom irmão para o Bash e agora estava dando em cima da noiva dele.

— Michael, eu vou casar com o Sebastian. Ele é seu irmão. O que você está fazendo? Àquilo foi passado. — Reforcei desviando meu olhar para um ponto qualquer da sala.

— Eu sei, mas... — Ele parou um pouco e ficou ponderando por uns instantes. — Foi ele? Foi o Sebastian que chegou primeiro que eu? — Perguntou muito hesitante e eu fiquei chocada com o tamanho descabimento.

Era um absurdo eu responder a pergunta que me foi feita. De onde ele tirou que eu tinha ficado com o irmão dele enquanto namorávamos? Eu seria incapaz de traí-lo, só ele não percebeu isso naquele dia. E em questão de Sebastian, depois de pensar muito eu também entendi por um momento ele ter ficado desconfiado, afinal eu tinha ficado com o irmão dele depois de tudo o que aconteceu, e sim, era estranho para qualquer um entender sem saber o verdadeiro motivo de eu ter criado um apego, um amor, uma paixão por Sebastian da forma instantânea que isso aconteceu.

— Você está maluco. — Tentei dizer com o máximo de desdenho. — O Sebastian é o meu porto seguro.

— Porto seguro? —Pôs dois de seus dedos debaixo do queixo.

— Você não entende.

— Então me explique. — Exigiu irritado.

— Não é tão fácil quanto pensa. — Suspirei,contendo o choro que se apossava de minha garganta.

— Você quem está tornando isso difícil. — Passou a mão na nuca, nervoso. — Olha eu amo muito o meu irmão, não quero chegar a magoá-lo nunca, isso não fez parte dos meus planos, mas sabemos que não é ele quem você ama. — Disse insinuativo.

— Isso é ridículo. — Dei de ombros com um sorriso sem humor. — Você faz amor comigo, tira suas próprias conclusões sem ao menos me deixar lhe dar uma explicação, vai embora, volta, me pega feliz e satisfeita ao lado de um homem bom e agora quer me atormentar? Qual é o seu problema Michael? — Perguntei já enfurecida. E olha que era difícil alguém me tirar do sério e me fazer perder o controle.

— Já acabou? — Arqueou as sobrancelhas. Eu nem respondi.

Eu precisava sair de perto, estávamos próximos demais, tanto que conseguia senti o seu cheiro, o mesmo de sempre, aroma abaunilhado embriagante.

Michael me deixou sem saída e contra a parede naquele momento. Talvez fosse esse o problema. Nossa aproximação. Então eu tomei a decisão de dizer a ele que nunca mais chegasse perto de mim para evitar situações do tipo.

— Michael você precisa ir... — Fui interrompida quando Michael segurou minha mão e me puxou para perto. Eu arfei pelo o ímpeto da batida dos nossos corpos.

— Eu acho que vou te beijar agora. — Murmurou tranquilamente,soltando o nó do meu cabelo, fazendo-o cair sobre meus ombros. Meu coração quase parou quando ele deixou saliente o que estava a fim de fazer.

Eu não falei nada, fiquei olhando-o muito nervosa. Eu poderia ter evitado aquilo, mas parecia que minhas pernas estavam presas no chão,impedindo-me de recuar. 

Foi então quando Michael aproximou seu rosto do meu, eu fechei meus olhos por puro instinto e finalmente após tantos anos senti seus lábios pousarem sobre os meus de uma forma tão doce e delicada. No princípio eu tentei manter meus lábios fechados, mas não consegui resistir à insistência de Michael ao pedir passagem para explorar a minha boca. Meu corpo parecia estar entrando em erupção....eu não queria, não conseguia e tentei impedi-lo de prosseguir.

Michael segurou no meu cabelo e forçou mais a minha cabeça de encontro a dele intensificando mais o beijo. Parecia tão certo a forma que nossas línguas duelavam para dominar o ritmo, que descargas elétricas atravessavam meu corpo quando senti suas mãos enormes e delicadas descerem pelas minhas curvas, deixando-me quase fora de orbita.

Por fim quando eu me dei conta do que estava fazendo já era tarde demais, mas só porque era tarde eu não iria continuar aos beijos com o meu cunhado. Então com muita força eu o empurrei para bem longe de mim.

— Jenna... — Ele estava ofegante, e eu também.

— Não fale nada. — Levei minha mão até meus lábios e constatei estarem inchados. 

— Meu Deus, isso foi um erro. Um erro tem que ser esquecido. — Eu bradei desnorteada com minha atitude impulsiva.

— Tia,eu não quero mais ver... — Luna entrou na sala e quando nos viu naquele clima tenso franziu a testa. — Vocês estão bem? — Por sorte ele não tinha nos pegado no flagra.

— Estamos sim,Luna. — Respondi, mas ela continuou de cenho franzido.

— Tem certeza?

— Sim,querida. — Fui até ela e a abracei. Afaguei os cabelos dela e lhe dei um beijo na cabeça.

— Luna querida, temos que ir. — Olhei para Michael com um olhar de pura reprovação. Ele estava fazendo aquilo propositalmente.

— Mas por que tio Michael? — Luna fez uma carinha de triste.

— Por que parece que o tio Michael cometeu um erro que a tia Jenna não gostou muito meu anjo. — Ele estava usando a menina como arma. Era isso mesmo?

— Ah... — Luna choramingou e me abraçou mais forte. Ali sim, nos braços daquela garotinha eu também pude me sentir segura, não me pergunte o porquê, mas era assim que eu me sentia. Como se a conhecesse por uma vida toda, era revigorante a ter por perto, tão ingênua, mas ainda assim inteligente e adorável.

— Vamos Luna. — Michael se prontificou para sair do meu apartamento. Seu semblante não estava irritado nem tão pouco arrependido, mas estava tranquilo, como se aquele beijo não tivesse sido um erro grave.

— Luna querida, eu prometo que irei até na clínica vê-la, certo boneca? — Segurei no rostinho dela com as mãos e dei-lhe um beijo na bochecha. Ela assentiu e retribuiu o beijo, e seguido disso foi de encontro a Michael, saindo porta afora do meu apartamento.

Arrependimento: essa era a palavra certa para o que estava sentindo naquele momento. Sim, eu estava sim, pois eu acabara de beijar o meu cunhado e isso era traição, a pior. Não queria nem imaginar se Sebastian descobrisse sobre esse erro. Não queria perdê-lo e muito menos machucá-lo.

Depois de muito tempo sentada no sofá pensado no que acontecera, eu tomei uma decisão. Era o certo a se fazer. Peguei o celular e mandei uma mensagem para o Sebastian que dizia:

“Amor, estou arrumando tudo para que nosso
noivado seja amanhã à noite. Espero que concorde!
Beijos”
  
Fiquei esperando uns 2 minutos no máximo, até que recebi uma resposta.

“Nossa amor, que bom. Fico feliz que esteja se sentindo pronta
para se tornar para sempre minha. E sim, concordo para amanhã.
Pode organizar um jantar minha linda. À noite quando estivermos
Juntos conversaremos. 
Beijos futura Sra. Jackson ”

Agora era só noivar com o Sebastian, depois me casar e Michael iria para o espaço definitivamente. Viraria passado, eu rasgaria essa página da minha vida. Eu afastaria meus pensamentos de Michael e manteria os pés no chão. Sebastian era o cara certo, foi ele que eu tinha escolhido para compartilhar minha vida e era assim que tinha que ser.

E só ressaltando: está aí mais uma lição, que em momentos de fraqueza a gente se entope de chocolate; compra muitas besteiras, mas não beija o seu cunhado. NÃO BEIJA! 





Capítulo 10

Nervosa, tensa, ao ponto de ter um ataque de nervos e jogar meu auto controle as favas. Era exatamente assim que eu estava. Após mirar minha imagem no espelho pela enésima vez ainda não me sentia preparada para o jantar de noivado. O vestido azul de seda com uma fenda que se abria no início de minha coxa parecia ideal para a ocasião, a maquiagem leve em tons nudez, a carteira de mão adornada por cristais faziam jus a elegância que a noite exigia e completavam o visual.

Eu não era do tipo de mulher que se via como uma deusa da beleza, pois aprendi a me aceitar como era, e a tentar consertar minhas falhas. Sempre quis ser mais sexy, ter aquele ar de imponência, segurança, para ser mais exata ter mais sensualidade em meus modos de me portar.

Penteei meu cabelo e borrifei um pouco do meu perfume floral favorito, rezando para que Michael não se tornasse um problema entre mim e Bash.

*** 

Meus olhos atravessaram o belíssimo jardim na expectativa de ver as pessoas que amavam festejando aquele momento singular. Meu sogro havia se encarregado de planejar os últimos detalhes como a iluminação e os arranjos que enfeitariam as mesas, e não falhou com a promessa e o jardim estava deslumbrante, meticulosamente decorado.


Respirei fundo e analisei a movimentação do ambiente. Sebastian conversava desinibidamente com seus velhos amigos Jack Willian e Robert Pitty, ambos renomados no ramo do turismo. Joe, o pai de Michael e meu noivo estavam em companhia de uma amiga da família, Callie Jabour, uma francesa lindíssima e extremamente influente no mundo da medicina, graças ao seu trabalho reconhecido mundialmente em cirurgia cardiotoráxica. Mas o que me deixou serena o bastante para aturar o restante da noite foi Celeste, minha irmã de coração, confidente e amiga, ela sempre esteve lá para mim mesmo em meu sofrimento, para me confortar e enxugar minhas lágrimas. Segui em direção a ela ansiosa por revê-la e dei uma discreta tossidela no intuito de chamar sua atenção. 


- Jenna, oh meu Deus... mulher está tão linda!_Exclamou daquele jeito extravagante que só ela possuía e ambas rimos com o exagero dela. 

- Hey, senti saudades Cel, deveria me ligar mais vezes, sua amiga ingrata._Brinquei a abraçando demoradamente.

- Você é que vive ocupada honey, fico hesitante em visitá-la e acabar incomodando._Argumentou num tom brincalhão. 

- Nem pense em arranjar desculpas, por favor, dê notícias. _Protestei.- E então, está apreciando a festa?_Mudei de assunto com os olhos fixos em Bash, ele sorria para mim de uma maneira tão doce, parecia resplandecer felicidade. 

- Andei avaliando seu noivo, e pelo visto não fica atrás do irmão. Ele é um pecado de homem._Deu um tapa no meu ombro para logo em seguida dar um gole na champagne que carregava nas mãos em uma refinada taça de cristal.

- Por favor, sem comparações, Bash é bem mais determinado e forte que Michael, é o cara certo._Rebati,tentando repetir a mim mesma que Sebastian faria de mim uma mulher realizada. 

- Jenna veja, é ele o gostoso, quero dizer, Michael Jackson seu cunhado._Corrigiu-se e apontou na direção de Michael que chegou impecavelmente vestido em trajes militares e com um grande sorriso no rosto. Porém,como nada é perfeito, uma mulher de longos cabelos loiros e formidáveis olhos verdes estava dependurada no pescoço dele, sim era linda, mas vulgar e possessiva.

Não, é claro que não senti ciúmes, com certeza aquela deveria ser a inglesa dona do coração dele. E quem era eu mesmo? Ah,sim a garota que fez um pacto com ele aos 15 anos de idade e jurou amor eterno, a menina ingênua o bastante para acreditar em promessas de um jovem inconsequente, uma maldita iludida que construiu sonhos,baseada em palavras sem importância. 


- Amiga, oi... Está... Aí?_ Perguntou Celeste,me trazendo de volta de meus devaneios.

- Sim Cel, desculpe, preciso ir cumprimentá-los, faço questão de saudar Michael e sua bela noiva._Argumentei com cinismo,me dirigindo até a mesa em que o casal aparentemente feliz havia se acomodado.

- Olá,boa noite! Sejam bem vindos, não vai me apresentar sua acompanhante Michael?_Enfatizei sorrindo com hipocrisia. Deveria ter pulado no pescoço da loira siliconada. – Céus, olha só no que eu estava pensando!

- Jenna,essa é Ava minha noiva, querida essa é a futura esposa do meu irmão._Apresentou-nos e eu percebi a tal Ava me analisar de cima a baixo como se eu representasse perigo eminente. E eu representava mesmo.

- Prazer conhecê-la, Michel me contou que foram "amigos" de infância._Destacou com sua voz anasalada insuportável, sabia que aquilo era um tipo de provocação indireta, queria esfregar em minha cara que estava com Michael a qualquer custo.

- Não exatamente, poderia lhe dizer que fomos amigos "íntimos"._Ironizei, desbancando a mulherzinha arrogante com a qual Michael resolveu se enroscar. 

- Jenna quis dizer que éramos bastante próximos, ela era minha confidente, essas coisas inocentes de crianças._Explicou e naquele momento senti como se uma espada atravessasse meu coração, até então tinha a plena convicção que Michael tinha sido sincero ao dizer que nunca se esqueceu de nosso pacto. 

Queria correr dali, gritar, e exteriorizar a dor cruciante que aquelas palavras duras provocaram. E foi o que fiz parcialmente. Dei as costas a eles e fui até onde o lugar que deveria estar,ao lado de meu noivo. Meus olhos estavam marejados e meu coração partido, mas isso não estragaria meu noivado. Não daria esse gostinho a Michael. 

- Amor, que tal anteciparmos o brinde? Mal vejo à hora de estar sozinho com você._Bash sussurrou baixinho em meu ouvido e eu assenti já mais contida. 

- Senhoras e Senhores, _Chamou atenção de todos que logo nos olharam. – não sou bom com discursos, e em demonstrar sentimentos com palavras, mas essa mulher linda e meiga que estão vendo diante de seus olhos é a garota que sempre sonhei, e é com ela que quero passar o resto de meus dias. Jenna Carter eu te amo, e prometo honrá-la e a tornar a mulher mais feliz desse planeta. Aceita ser para sempre minha?_Sebastian refez o pedido com os olhos banhados pelas lágrimas e todos ao nosso redor aplaudiram as palavras sinceras dele. Michael observava a cena inquieto, àquilo estava o deixando perturbado. Não parecia torcer por nossa felicidade, isso estava estampado em seu semblante sério. 

- Sim,Sebastian Jackson, eu já sou sua, somente sua e assim será por toda eternidade._Jurei, reforçando meus votos de amor e fidelidade,sentindo Bash me tomar em seus braços e me beijar suavemente. Era com ele que me casaria, aprenderia a amá-lo, me permitiria embarcar nessa união de corpo e alma.

- Estou,tão feliz... _Enalteci, quando nossos lábios se desgrudaram, o fôlego me era escasso e precisei de alguns segundos para me recuperar.

- Parabéns meu filho, serão muito felizes, não tenho dúvidas de que Jenna é uma mulher maravilhosa! _ O Sr. Jackson nos prestigiou com suas gentis felicitações, nos desejando felicidades, e eu apertei sua mão com firmeza.

- Sim papai, absolutamente, serão um daqueles casais invejados, e sorridentes._Michael se aproximou de mãos dadas com sua inglesa enjoada, e eu bufei de raiva. 

Era incrível meu comportamento interno. Eu queria enforcar aquela loira siliconada  que se amostrava pelos cantos com o Michael. Droga, eu não era assim. 

- Michael,não me disse que sua noiva viria para o noivado de seu irmão._Meu sogro disse estranhando a presença de Ava.

- Senhor eu decidi de última hora, nem contei a Michael que viria, queria lhe fazer uma surpresa._A noiva de Michael pronunciou-se. 

- É muito bem vinda em nossa casa, sinta-se a vontade._Sorriu,sendo o mais gentil possível.

- Jenna não vai me dar um abraço?_Michael ressaltou e eu fui obrigada a acatar o pedido dele e o abracei. 

- Desejo-lhe muita sorte nessa nova fase de sua vida. Espero vê-la sempre sorrindo._Enfatizou afável. Senti sinceridade de sua parte, porém uma pitada de ressentimento e ciúmes também eram notórios.

- Obrigada Michael,  desejo-lhe tudo em dobro._Murmurei, mantendo a classe. Bash percebeu o clima nada amistoso entre nós e se apressou em se despedir do irmão e sair comigo da festa. E ele fez bem, porque mais um minuto perto de Michael Jackson me levariam a perder a sanidade por completo. 




Capítulo 11


Eu estava sentada na cama enorme de Sebastian, e ele estava de pé, de costas para mim enquanto tirava o seu paletó. Não tínhamos proferido sequer uma palavra quando entramos no quarto e aquilo já estava me incomodando. Ele rodeou a cama, sentou-se na beirada ainda de costas para mim e inclinou um pouco o corpo para tirar os seus sapatos.

Rolei os olhos já tendo uma noção do porque de todo aquele silêncio insuportável. Então eu fui para o meio da cama e delicadamente abracei-o por trás. Ele não reagiu, mas eu iria tirar a prova das minhas dúvidas já que praticamente ele me arrastou da festa deixando todos os convidados.

— Por que está tão calado? — Indaguei espalhando beijos por seu pescoço. — Não gostou da festa?

Ouvi ele arfar com o efeito dos meus beijos, mas logo um suspiro pesado e carregado de ciúmes saiu de seu nariz.

— Eu gostei da festa, era tudo o que queria. — Respondeu um pouco ríspido, mas eu simplesmente ignorei a carranca do meu noivo.

— Então por que está com essa cara de bravo comigo? — Comecei a passar minhas mãos por seu peito e abdômen. — Hum?

Ele virou-se para mim e me encarou com aquele par de olhos negros parecido com os do seu irmão mais velho. Droga, isso não estava ajudando em nada.

— Olha Jenna, isso pode até parecer ridículo, mas eu não gostei da forma que o Michael estava olhando pra você durante toda a festa. — Confessou, e ali eu tive a certeza de que ele estava com ciúmes do Michael, e isso não era nada bom. Eu não queria ser o motivo de desentendimento entre eles, eu não era assim. Então tratei logo de resolver essa situação.

— Está com ciúmes do seu irmão, Sebastian Jackson?

— Não Jenna, eu estou com ciúmes de você. — Retrucou ainda com seriedade no seu semblante. Eu sorri com calma. 

— Bash? Ele é o seu irmão. Não tem que ter ciúmes. — Salientei, e peguei na sua nuca trazendo sua boca de encontro a minha para um beijo calmo.

— Mas... — Tentou protestar, mas eu interferi-o aprofundando o beijo, deitando sobre a cama e trazendo-o junto comigo, por cima de mim.

— Deixe de ser bobo, é com você que eu estou, eu já disse. — Murmurei entre os beijos.

A verdade é que naquele momento a imagem do Michael obstinava-se em permanecer na minha mente e eu tinha que fazer alguma coisa para afastá-la. E não, eu não estava usando o Sebastian para isso, afinal ele era o meu noivo e me proporcionava um prazer imenso, indescritível, então juntando as duas coisas, aquele era sim um momento propício para fazer amor com o meu noivo.

Sebastian cedeu as minhas investidas e logo começou a corresponder as minhas caricias.

Minutos depois quando já estávamos completamente nus, Sebastian levantou-se da cama e abriu a gaveta do criado mudo, e depois voltou a deitar por cima de mim, já protegido.

Ele foi me penetrando com muita lentidão, provocando-me sensações incríveis. Ele me encarava com seus olhos negros enquanto mantinha o ritmo das suas penetrações dentro de mim. Ondas elétricas percorriam meu corpo, fazendo-me gemer o seu nome, e uma sensação maravilhosa crescia dentro do meu ventre enquanto o orgasmo aproximava-se e... Eu me derramei sentindo o meu corpo todo relaxar em cima da cama, e não tardou muito para que Sebastian também entrasse no mesmo estado que o meu, se contorcendo, gemendo meu nome e jogando todo o peso do seu corpo por cima do meu.

Após um sexo romântico e não nego,prazeroso como sempre, eu e Sebastian caímos em um sono profundo e nos esquecemos completamente dos convidados da festa.

(...)

Acordei ouvindo o som do silêncio ecoar por todo o quarto. Não sabia ao certo quais eram às horas, mas deduzi ser duas ou três da manhã.

Sentei-me na cama e olhei para o outro lado, Sebastian estava apenas com o cobertor cobrindo a metade das suas nádegas enquanto todo o resto do seu corpo estava exposto. Sem contar que dormia feito uma pedra.

Levantei-me com cuidado para não acordá-lo, cobri meu corpo nu com um robe de cor rosa bebê e me direcionei para a cozinha, pois estava com muita sede após a noite exaustiva de sexo que tive com o meu noivo.

Assim que atravessei a porta da cozinha e acendi a luz quase morri de susto. Michael estava sentado em uma cadeira ao redor da mesa, mas nem sequer fez menção de levantar a cabeça quando a luz foi acesa por mim. Meu coração ainda batia forte por conta do susto, e eu fiquei esperando por alguns instantes ele proferi alguma coisa, mas ele continuou parado, olhando para o vidro da mesa, como se estivesse desdenhando a minha presença. Talvez estivesse mesmo.

Apertei mais o nó do meu robe pelo o nervosismo e passei por ele, indo até a geladeira e abrindo a mesma.

— Não deveria andar pela casa apenas com um robe, cunhada. — Realçou o cunhada em forma de ironia. Nesse momento a garrafa de água que eu estava segurando quase foi de encontro ao chão.

Respirei fundo antes de respondê-lo.

— Eu não sabia que encontraria alguém. — Minha voz saiu baixa e um pouco falha.

Michael ainda continuava de cabeça baixa e prosseguiu com o silêncio. Nesse momento peguei um copo, bebi um pouco de água e quando estava prestes a sair da cozinha, ouvi sua respiração forte, a cadeira sendo arrastada com rispidez e sua mão segurar no meu braço com brutalidade.

Fechei meus olhos sentindo aquele aperto bruto no meu braço, mas não porque estava sentindo dor, mas sim porque me fez lembrar do maldito homem que me deixou em dias de tormento quando cometeu uma das maiores crueldades que um ser humano pode cometer.

—... Responde Jenna! — Ouvi Michael exigir, tirando-me do meu mar negro de devaneio.

Olhei para o meu braço e logo senti ele me soltar com cuidado, percebendo a tamanha violência que estava na sua mão ao me segurar. Em toda a minha vida eu nunca tinha o visto daquele jeito. Nos seus olhos estreitos e no seu semblante havia uma mistura de revolta, decepção e arrependimento ao mesmo tempo.

— Me desculpe! — Redimiu-se.

— Qual é o seu problema? — Balancei a cabeça em negação.

— Eu já pedi desculpa! — Disse baixo e pondo as mãos na minha cintura. Ele olhou para mim e franziu o cenho.

— Não toque em mim! — Bradei entre dentes e o empurrei. — Me diga... Por que você teve que voltar?!

— E por que você está agindo assim? — Foi à vez dele de indagar, deixando-me sem resposta. — Você ainda me ama.

— Amava!  — Corrigi, mas logo me controlei para não dar mais sequer um grito, se não iria acordar todos. — Amava! Não amo mais. Eu amo o Sebastian, aceite isso. — Menti.

Ele sorriu minimamente sabendo que aquelas palavras não eram verdadeiras.

— Não sei por que você insiste em mentir. Eu vi seu olhar ciumento quando me viu com a Ava.

— Viu foi? — Sorri com deboche. — Você viu o que pensa que viu Michael. E por falar nela... Por que não vai fazer companhia a sua noiva? — Dei ênfase na palavra noiva, e isso fez ele sorrir vitorioso.

— Está vendo? Você sentiu ciúmes dela. — Disse convicto da sua afirmação.

— Não, eu não senti. — Apressei-me a responder. — Eu só sinto ciúmes do Sebastian, a quem eu amo. — Voltei a fixar meus olhos nos seus. — E você Michael? Ama a sua noiva? — Inquiri, e o sorriso malicioso que estava nos seus lábios se desfez na mesma hora. É parece que era a minha vez.

— Eu... — Respirou fundo e afastou-se de mim. — Eu... — Passou a mão nos cabelos.

— Foi o que eu pensei. — Confirmei minha dúvida. Virei-me mais uma vez pronta pra sair e Michael voltou a me segurar pela cintura, colando meu corpo junto ao dele.

— Não faça isso comigo Jenna Carter. — Nossos rostos estavam quase colados, sentia seu hálito esquentando minha face e uma vontade miserável de beijá-lo se apossou de mim, mas eu tinha que me controlar.

Tentei me desvencilhar de seus braços, mas ele começou a me apertar quando o fazia, me impedindo.

— Michael me solte. — Supliquei entre murmúrios.

— Não posso. — Sussurrou. — Não consigo. Continuo louco por você. — Alegou e mordeu o lábio inferior.

— Sebastian... Ava... Alguém pode aparecer e...

— Eu não ligo. — Sussurrou roçando seu nariz na minha bochecha. Fechei meus olhos ao ouvi sua respiração descompassada, e uma vontade de virar o rosto e beijá-lo estava quase me obrigando a fazer isso. 

Eu não podia, eu não podia, eu não podia... 

— Mas eu ligo. — Empurrei-o com toda a minha força. Estávamos arfando. — Eu não quero magoar Sebastian.

— Eu também não quero. — Murmurou.

— Então pare de me atormentar. — Retruquei,cerrando os dentes. — Volte para a sua noiva e finja está feliz pelo o noivado do seu irmão, até pelo menos estarmos casados.

Nesse momento ele comprimiu os lábios formando uma linha nos mesmos e franziu a testa.

— Se quer saber, eu estou dormindo sozinho. — Franzi o cenho desentendida. — Ava foi embora assim que a você e o Sebastian sumiram, antes da festa acabar.

Um sorriso quis brotar-se em meus lábios, mas obriguei-o a ficar quieto. Queria soltar fogos de artifício na verdade, aquela mulher insuportável tinha ido embora mais rápido do que eu pensei, e isso era motivo de alegria pra mim.

— Ah... Sinto muito então. — Tentei mostrar desdenho a ausência da sua noiva. — Então finja estar feliz para as paredes. — Concluí e saí da cozinha, pronta para voltar para o quarto.

Comecei a subir as escadas com um sorriso no canto dos lábios, mas antes de concluir com o percurso parei quando ouvi a voz do Michael se dirigir a mim.

— Você pode até gostar do Sebastian — desfiz o sorriso, virei-me e estreitei meus olhos nos dele — Mas eu sou o dono do seu coração. Você ainda me ama. — Abri minha boca para me defender da tal acusação, mas ele não me permitiu. — Não fique dividida, Jenna. — Sorriu sem mostrar os dentes e sumiu pelos cômodos do andar de baixo da casa.

Fiquei parada no alto da escada ainda digerindo o que Michael havia falado pra mim. Por fim me dei conta de que ele poderia está certo em relação aos meus sentimentos. Eu estava dividida entre ele e o irmão. Uma paixão, um amor. Sebastian minha paixão protetora e Michael meu amor de adolescência.

E agora? O que eu iria fazer? Com essas palavras, Michael deixou que eu me afogasse em um mar de sentimentos divididos entre um e o outro. Droga! 

Saí do meu estado de transe e corri para o quarto de Sebastian, fechando a porta do mesmo com cuidado para não acordá-lo.

Ao deitar ao seu lado, fiquei observando-o dormir.

Por que eu não conseguia amá-lo da mesma forma que amei o Michael? — Meu consciente indagava enquanto eu passava a mão nos seus cabelos macios e compridos, afagando-os. Eu só queria amá-lo de vez por todas e esquecer Michael definitivamente, mas parece que o destino não estava de acordo com isso.

Inclinei-me e dei um beijo tímido no seu ombro. Ele se mexeu um pouco e murmurou alguma coisa que eu não pude ouvir por causa da sua voz sonolenta. Eu gostava dele — como já enfatizei antes —, mas talvez precisássemos criar um vínculo entre nós dois, um filho para que eu me sentisse mais segura. E eu já tinha uma coisa em mente, não exatamente um filho se sangue, mas sim a garotinha Luna que havia roubado meu coração. Seria uma boa ideia adotá-la com o Sebastian. E era isso o que eu iria fazer, mas só tinha um problema. Eu iria ter que falar com o Michael sobre isso. Afinal, Luna era uma das pacientes da clínica dele, então é um sacrifício necessário...

Voltei a apoiar minha cabeça no travesseiro e para não ficar pensando nas coisas que Michael havia me dito, me obriguei a dormir. 




Capítulo 12




Despertei obstinada a conversar com Michael e explicar a ele que entraria com um processo legal de adoção, e adotaria Luna. Não havia criado coragem para tocar no assunto com ele. Talvez não tivesse tido a oportunidade de exteriorizar meus sentimentos e deixar claro o quão encantada pela garotinha eu estava.

O sol acabara de apontar no céu, e eu sabia que Michael acordava cedo, então me apressei a fazer minha higiene matinal e rumei para o quarto dele,sendo discreta para que ninguém me avistasse entrando na suíte do meu "cunhado".

***

Bati na porta e aguardei uma resposta dele. Não obtive êxito e quando estava prestes a virar as costas e sair dali, o estrondo da porta se fez audível e Michael apareceu com um de seus sorrisos sacanas escancarado nos lábios.

- Jenna, a que devo a honra de sua visita em pleno amanhecer?_Perguntou ainda sonolento,me fitando com uma ironia absurda.

- Pulemos a parte das provocações, preciso falar com você a respeito de um assunto sério._Frisei e ele abriu passagem para mim e logo depois que entrei trancou a porta.

- Vamos lá cunhada, no que lhe posso ser útil?_Insistiu em continuar com suas insinuações peculiares.

- Michael, momentaneamente pode não entender minha decisão, mas sou uma mulher independente e madura, o bastante para fazer minhas escolhas sozinha. _Michael cruzou os braços e franziu o cenho enquanto eu falava. – Quero adotar Luna._Concluí,desviando rapidamente o olhar dos olhos espantados dele.

- O que? _Sua voz soou atônita.

- É isso mesmo que você ou viu, Michael.  Bem, eu sei que é muito cedo para querer adotá-la, mas eu já refleti o suficiente,seguirei em frente _Michael  calou-se, mediante aos meus argumentos e comprimiu os lábios ,demonstrando estar ainda um pouco surpreso . – Fale alguma coisa! _Exigi, rolando os olhos pelo chão.

- Jenna, não sei o que lhe dizer. Estou surpreso e... Feliz por Luna ter encontrado uma pessoa disposta a oferecer afeto e um lar a ela._Admitiu, erguendo as sobrancelhas totalmente perplexo.

- Está falando sério? _ Indagou,querendo sorrir, mas detive minha vontade involuntária de fazê-lo.

- Sim. Confesso que ainda estou um pouco surpreso com essa sua decisão tão repentina. Só não entendo. _Voltou a franzir o cenho. Eu acho.

- Só sinto que ela precisa de uma mãe. Há algo espiritual que nos liga, você nunca irá compreender._Suspirei,detendo as lágrimas que estavam prestes a rolar pelo meu rosto.

- Sabe... Eu realmente não a entendo Jenna. Detesto ter que revirar o passado, mas durante todos esses anos uma coisa tem me tirado o sono. Como foi capaz de me trair? Eu entreguei-me de corpo e alma a você e no nosso primeiro afastamento se deitou com outro?_Alterou o tom de voz e pude sentir mágoa em suas palavras.

Pronto, lá vinha ele com essa história novamente! Dizia que não se importava com o passado, mas não era o que parecia. Só sabia tocar nas malditas feridas. E além do mais eu não tinha o procurado para falar sobre àquilo.

- Jamais o traí, talvez um dia a verdade apareça._Murmurei, sentindo aquela famosa sensação de tristeza me possuir.

- Sempre me pareceu pura, a garota mais doce e delicada que já conheci. Para mim é incapaz de mentir, mas por outro lado me decepcionou muito. Enlouqueci e perdi a razão quando descobri que não era mais virgem._Semicerrou os olhos,explicitando o quão era duro para ele revirar as cicatrizes do passado.

- Acredite, nada nessa história é o que aparenta ser. Jamais quis o machucar ou banquei a vagabunda que pensa que fui. _Retruquei ríspida.

Michael não tinha culpa do inferno que vivi naqueles malditos anos que procederam à morte de minha mãe. Porém,não me deu um voto de confiança tampouco se dispôs a ouvir minha explicação.É ele foi insensível e totalmente egocêntrico.

- Espero que um dia me apresente à verdade. Apesar de não poder reparar os erros daquele dia infeliz, posso lhe garantir que agi com a cabeça quente e me arrependi de ter a julgado e maltratado._Salientou.Ah, mas agora é muito tarde para vencer o orgulho ferido.

- Claro, agora a vagabunda aqui deve aceitar seu pedido de desculpas e ser sua amiga?_Ri sordidamente,me preparando para dar as costas e desaparecer daquele quarto, mas as mãos grandes de Michael envolveram minha cintura e ele me virou para encará-lo de frente.

- Já tentei me redimir baby, não agi bem. Mas porra... qual homem no meu lugar não se excederia? Sim, eu fui longe demais, e deixei o orgulho falar mais alto, mesmo assim ainda dói pensar que não fui o primeiro._Reforçou, hesitando continuar com os comentários sobre nossa trágica noite de amor.

- O passado se fosse bom era presente Michael, não guardo nenhum ressentimento por você, então apenas vamos tentar viver em paz._Propus aborrecida com toda aquela tensão. Afinal,eu iria ser parte da família dele e queria selar um acordo de trégua.

- Tem razão, não vale à pena continuar remoendo águas passadas._Concordou,me fitando intensamente. – Afinal, você não me procurou por isso. _Assenti com a cabeça.

- Então voltando ao assunto de Luna, acha que consigo adotá-la com facilidade ou todo o processo é demorado?_Questionei ansiosa por dar andamento à adoção e contar a novidade a Bash.

- Jenna, não é uma tarefa fácil adotar uma criança, precisa ter paciência. O fato de Luna e você terem essa ligação materna ajudará o juiz a lhe ceder a guarda dela._Ressaltou,me encarando com admiração. Michael realmente apoiava minha decisão, era um exemplo de cidadão humanitário que deveria ser seguido. Eu tinha que reconhecer isso.

- Isso é ótimo, irá agilizar as coisas. Sabe estou extasiada com a ideia de oferecer meu amor incondicional àquela menina tão inteligente e doce. Me vejo em Luna, já tive os mesmos medos que ela._Destaquei, sentindo um nó se apossar de minha garganta. Ao ouvir minhas palavras, Michael deu um passo à frente, meneou a cabeça, franziu o cenho e ficou me encarando como se estivesse à procura de respostas. Merda, eu havia falado de mais!

- Jenna, está me deixando preocupado. Como assim? Está afirmando que já sofreu os mesmo abusos que ela? _Isso não foi uma pergunta qualquer, praticamente ele estava exigindo que eu respondesse. 

Havia falado de mais, um dia não muito distante pretendia contar a verdade a Michael, mas não naquele momento.

- Quero dizer que já me senti abandonada, sem amor ou ninguém que se importasse comigo. Em um certo ponto de minha vida, especificamente quando você me deixou perdi o rumo, o sentido de sorrir. _Confessei o quão devastada sua partida me deixou.

Ouvi Michael suspirar aliviado por eu não ter confirmado a resposta de sua pergunta. Mas mesmo assim sua expressão de lamentação era nítida.

- Ah! Baby, me feri brutalmente pensar que te decepcionei, e a fiz sofrer _Sussurrou,se atrevendo a tocar meu queixo.

Novamente míseros milímetros separavam nossos corpos de se unirem. O perfume delicioso de Michael preenchia o ambiente,me fazendo perder o pouco juízo que me restava. Suas mãos grandes mudaram de meu rosto para minha cintura e passaram a deslizar sensualmente por minhas curvas. Os olhos dele brilhavam de uma forma que nunca os vi brilhar, estavam cintilando.Deus...havia doçura neles. Surpreendentemente,não tive receio de prosseguir com aquela loucura, nem mesmo minha gratidão e respeito por Sebastian  deixaram-me hesitante.

Michael sorriu de um jeito travesso adorável e uniu nossos lábios em um beijo lento e carinhoso. Seus lábios se chocavam contra os meus com maestria, e eu parecia estar derretendo nos braços dele. Ele sabia muito bem o que estava fazendo, sua experiência em enlouquecer uma mulher me parecia aguçada. Por mais que quisesse correr dali e o repreender sua língua dançando com a minha na plena sintonia do amor, me dava coragem para continuar me deleitando naquele beijo espetacular ,degustando a avidez dos lábios convidativos e macios da minha paixão de adolescência.

De repente a sanidade voltou a me tomar e o ar começou a se fazer escasso, afastei-me abruptamente de Michael e comecei a andar de um lado para o outro no quarto desesperada.Sim,eu simplesmente correspondi as investidas de Michael.Cheguei a um ponto deplorável,estava excitada,confusa e louca para me entregar a luxúria,aos meus anseios sexuais por Michael Jackson.

- Hey, não foi bom, princesa? Por acaso se arrependeu?_ Acariciou minhas bochechas,com um semblante sério, completamente  aturdido e indignado com meu nervosismo fora do comum.

- Não, é claro que não Michael, mas nós dois sabemos que isso já está ultrapassando os limites. _Repreendi,temendo não conseguir resistir as investidas dele por muito tempo.

- A última coisa que quero no mundo é magoar Sebastian, acontece que não suporto vê-la sem poder tocá-la, beijar..._Disse com firmeza e eu balancei a cabeça em negativo, saindo bufando porta afora.

(...)

Sebastian parecia nada satisfeito com o meu pedido, ou melhor, com a minha decisão. Eu esperava que a reação dele fosse a melhor, possível.Doce engano pensar que ele diria coisas do tipo ‘Que bom amor’, ‘Eu estarei ao seu lado te apoiando’, ou um pelo menos ‘estou feliz por você’, não foi exatamente assim que aconteceu.

 - Bash precisa dar sua opinião, Luna fará parte de sua vida também._Pedi com docilidade, estranhando a atitude fria dele.

- Amor, escute. _Pegou minha mão e me induziu a sentar na cama junto com ele. – Entendo que tenha motivos mais que suficientes para se apegar a essa garotinha e tomar as dores dela para você. Luna é como se fosse seu reflexo no espelho naqueles maus tempos._Presumiu que era assim que me sentia em relação à Luna.

- Não seja ridículo._Bradei ao me levantar da cama, e ele fez o mesmo.

- Então está dizendo que não quer adotar a menina para cuidar dela, e oferecer a ela o apoio que nunca teve de sua família?_Riu,perdendo por completo a paciência.,

Por que ele não agiu como Michael e foi compreensivo? Talvez,porque essa sim fosse a diferença entre os irmãos Jackson. Sebastian sempre foi um homem integro, mas jamais foi de se importar com os outros, às vezes o achava um pouco frívolo e sim, egoísta em certos pontos. Já o Michael lutava diariamente por crianças menos favorecidas, e isso me encantava,fazendo-me refletir sobre o quão seria mais fácil adotar Luna ao lado dele.

- Claro que a história dela me tocou também por esse detalhe, mas é mais que isso. Sinto-me ligada a ela, como um vínculo que não sou capaz de explicar._Esclareci,me sentindo em paz apenas ao falar de Luna.

- Eu quero ter filhos nossos, que carreguem meu sangue e o sobrenome do avô.,

- Mas Bash... _Tentei fazê-lo reconsiderar sua opinião, mas não adiantou nada.

- Chega dessa discussão, não aceito que adote essa órfã ou qualquer outra criança._Revoltou-se,demonstrando que não estava de acordo com a adoção e que repudiava minhas intenções.

Balancei a cabeça em negação,olhando com desdém para ele.

- Pois então,seguirei em frente sem seu apoio. Não preciso de seu consentimento, se não tem sensibilidade para entender que Luna ganhou meu coração e quero oferecer à ela uma oportunidade de crescer em um lar, dane-se Bash!_Gritei,saindo dali e batendo a porta com força.

- Jenna! Jenna! _Ainda pude ouvi-lo atrás de mim, me chamando, mas não quis saber. Desci as escadas rapidamente de dois em dois graus até está no andar de baixo, atravessei a enorme porta da entrada principal da casa e alcancei o portão. De lá eu vi o carro de Michael se preparado para sair, mas quando me viu ficou parado, o vidro da janela abaixou e ele me encarou por alguns instantes. Eu fiz o mesmo, só que uma série de lembranças invadiu minha cabeça nesse momento.




Flash Back

- Amiga tem mesmo certeza que não irá contar à Michael? Ele tem o direito de saber que será pai._Alertou Celeste,relutante quanto à decisão de Jenna de esconder a gravidez do ex-namorado. 

- Michael acha que sou uma vadia, ele mesmo fez questão de me humilhar e jogar isso na minha cara. Nunca irá assumir a responsabilidade de um filho indesejado, talvez até diga que engravidei para lhe dar um golpe._Disse temerosa,mas determinada a seguir adiante com o que estava prestes a fazer. 

- Tem certeza que a criança é dele? Digo por quê... E se for do monstro do... – Jenna imediatamente se enfureceu e rebateu as insinuações da amiga. 

- Depois que fiz amor com Michael, ele não me tocou mais. Na verdade não teve a chance de me infernizar, morreu de ataque cardíaco._Revelou,sentindo-se aliviada com àquilo. 

- Nossa... Jenna,eu não sabia, mas quer saber? Foi o melhor para você, Deus a livrou do infeliz. _Exteriorizou sua repulsa pelo padrasto de Jenna e aproveitou para abraçar a amiga. 

- Penso dessa forma, não chorei uma lágrima e nem deveria ter o feito. Aquele maldito deve estar no inferno, que é onde merece estar._Vociferou com um ódio descomunal,era inevitável não sentir rancor,aquele homem a fez muito mal,destruiu as esperanças dela de viver em paz seu romance com  Michael.

- Pretende ir à clínica clandestina e abortar?Meu Deus... Isso é perigoso Jenna. Pode lhe custar a vida, procure um hospital de confiança,é melhor não se arriscar _repreendeu Celeste preocupada com as pretensões da amiga. Jenna estava no torpor do desespero, sozinha no mundo, sem dinheiro e emprego. 

- Sim, tenho certeza absoluta. E tem mais Cel, Michael Jackson nunca saberá da existência dessa gravidez. Somente vou fazer o que qualquer garota sem esperanças e recursos financeiros faria, privar essa criança de uma vida miserável._Assegurou,sentindo seu coração sangrar por seu filho,afinal uma criança inocente não tem culpa dos erros que os pais cometem. 


Jenna,só tinha Michael, ele era o único com o qual ela podia contar,mas ele também havia lhe virado as costas. Por sorte,começou uma amizade com Sebastian o irmão de Michael que lhe ofereceu amizade e um trabalho em sua agência de turismo. Mesmo assim,ela não tinha condições psicológicas e financeiras de dar uma vida decente àquela criança, nem sequer de educá-la, sem contar que ela ainda estava prestes a entrar para faculdade e precisava trabalhar para pagar seus estudos. Além do mais Jenna não recorreria a Michael Jackson,dele era só queria distância,ele foi mais uma infeliz decepção em sua vida.Alguém que lhe virou as costas, partiu seu coração portanto se humilhar para aquele homem que tanto a fez mal,isso Jenna jamais faria.

No fundo,Jenna sempre se imaginou sendo imensamente feliz ao lado do homem que amava, em uma casa aconchegante adornada por um belo jardim e crianças correndo ao redor dela pedindo para que ela brincasse com elas e ensinasse a fazer a lição de casa. Seus sonhos haviam sido destruídos no momento que Michael a abandonou, e Jenna não podia lidar sozinha com aquilo. Sabia que não teria nada a oferecer a outro ser humano. A voz do rancor e do medo falava mais alto e ela faria o que julgava ser a única saída. 


Fim de Flash Back

 

Capítulo 13


Eu ainda estava parada na frente do portão da casa dos Jackson, mas saí da minha recordação quando ouvi a buzina do carro doer nos meus ouvidos. Olhei para a janela do primeiro andar da casa exatamente para a do quarto de Sebastian e o vi parado, olhando pra mim com a cara de poucos amigos. Voltei a observar o veículo e seguido disso corri em direção do mesmo, abri a porta e me enfiei no banco carona do veículo.

Michael olhou para mim pelo o retrovisor interno e perguntou:

— Está fugindo?

— Está indo para a clínica? — Indaguei com pressa, ignorando sua pergunta objetiva.

— Estou. — Respondeu, ainda me analisando pelo o retrovisor.

Eu voltei a direcionar minha atenção para a janela e Sebastian ainda estava lá, logo em seguida olhando para Michael através do retrovisor.

— Eu vou com você. — Isso não foi um pedido, foi um demando.

Michael não hesitou e muito menos questionou a minha reação, não pelo menos até  estarmos a quilômetros de distância da casa.

Durante a metade do caminho Michael não parava de me olhar intensamente pelo o retrovisor e o sorriso torto nos seus lábios não se desfazia de jeito nenhum.

— Porque me olha tanto assim? — Perguntei sem olhá-lo. Minha vista estava pela cidade, por cada canto que passávamos,mas mesmo assim podia sentir que seus olhos expressivos e proporcionalmente belos não se desgrudavam de mim.

— Espero que essa pergunta seja retórica. — Respondeu com ironia ,revezando seu olhar entre eu e a estrada.

Rolei os olhos e respirei fundo.

— Sebastian não concordou com a adoção. — Murmurei.

Michael continuou dirigindo, mas dessa vez não se pronunciou . Não parecia surpreso com o que eu disse.

— Sinto muito. — Lamentou.

— Não sinta. — Dei de ombros, ainda olhando pela janela.

— E o que pretende fazer?

Respirei fundo antes de respondê-lo.

— Eu falei algumas coisas pra ele antes de sair, mas na verdade eu não faço a mínima ideia do que irei fazer. Mas eu tenho que cuidar de Luna. — Reforcei obstinada a seguir com meu propósito.

Michael não manifestou opinião, apenas continuou dirigindo até chegarmos na 
clínica.

Entramos na construção aconchegante e logo a mesma senhora que eu vi no primeiro dia que estive na clínica,aproximou-se para nos cumprimentar. Michael perguntou sobre as crianças e em especial dessa vez sobre Luna e onde ela estava.

Seguimos para o quarto e entramos sorrateiramente, haviam algumas crianças brincando, e claro que novamente eles correram para abraçar o tio Michael. Creio que eles faziam isso sempre que o viam.

— Tio Michael... — Um garotinho muito pequenininho correu e agarrou nas suas pernas. Michael sorriu e o pegou nos braços.

— Olá garotão. — Michael bagunçou os cabelos cor de ouro dele. — Como está se sentindo?

— Melhor tio. — O garotinho respondeu triunfante.

— Que bom. Continue...

Enquanto Michael conversava com o garotinho, eu passei minha vista por toda a sala a procura de Luna e  avistei-a sentada de costas, brincando com um quebra cabeça. Sorri ao vê-la e caminhei em sua direção, me abaixei e com cuidado para não assustá-la, tampei seus olhos com as minhas mãos.

— Adivinha quem é minha linda? — Eu perguntei brincalhona, tentando imitar outra voz. Ela largou uma peça do brinquedo e tocou em minhas mãos.

— É a Dora. — Arriscou e eu neguei. — Nani? — Neguei mais uma vez. — Eu não sei quem é. — Confessou triste.

Eu destampei seus olhos e ela virou a cabeça para me olhar. Um sorriso enorme despontou nos  lábios do meu pequeno anjo assim que o fez.

— Tia... — Gritou de alegria. — Que bom que veio, tia. — Levantou e me abraçou com uma força absurda. Mas aquele abraço representou que eu não poderia desistir, como um sinal dos céus.

— Eu disse que viria, não foi? — Sorri e a acolhi com mais firmeza em meus braços. — Olha só, que castelo lindo. Posso terminar com você? — Sugeri, me referindo ao quebra cabeça que ela estava montando.

— Claro tia. — Um sorriso enorme despontou nos lábios daquele pequeno anjinho ao voltar a se sentar no chão. Eu também sentei na sua frente e comecei a ajudá-la a terminar de montar o quebra-cabeça.

Enquanto eu estava lá com Luna, sem querer o inevitável aconteceu, olhei para a direção de Michael e estava olhando fixamente praa mim, era como se nossos olhares estivessem conectados um no outro e... De repente Michael teve que quebrar essa ligação ao colocar a mão no bolso e tirar o celular para atendê-lo. Deduzi logo quem era quando ele franziu o cenho e rolou os olhos antes de atender. E confesso que um ciúme tomou conta de mim só ao supor, que era a sua noiva soberba e magricela no outro lado da linha.

Abaixei a cabeça assim que Michael virou as costas para atender sua noiva e quando a ergui novamente tive uma surpresa que eu não fazia a mínima ideia se era boa ou ruim. Sebastian atravessou a porta daquela sala e parou um instante para me procurar, quando me viu sentada no chão com Luna direcionou-se até a mim com passos largos, no mesmo instante eu me levantei com medo do que ele pudesse fazer ou até mesmo falar. Ele tinha se recusado em adotar uma criança, então o que estaria fazendo ali?

— Sebastian? — Minha voz saiu temerosa.

— Jenna eu... — Abaixou os olhos e depois voltou a me fitar — Quero reconsiderar tudo o que eu disse. — murmurou hesitante. Não posso negar que aquilo me surpreendeu. Sebastian estava disposto a aceitar a adotar Luna junto comigo e a dar seu nome a ela? Era isso mesmo?

— Está falando sério?

— Mais do que você pensa. — Balbuciou.

Quando olhei profundamente nos seus olhos negros não pude deixar de sorrir contidamente, ao perceber através deles que Sebastian estava se esforçando. Era um bom começo, não é mesmo?

— Essa é a menina? — Ele sorriu olhando sutilmente para Luna. Eu assenti com um maneio de cabeça.

— Tia, não quer mais brincar comigo? — Luna puxou a barra do meu vestido para chamar a minha atenção.

— Oh, sim querida. — Respondi para ela ainda olhando encantada por Sebastian está ali. — Mas antes quero que você conheça uma pessoa. — Ressaltei, pegando na sua mãozinha, ajudando-a a se levantar.

Ela me olhou estranhando tudo àquilo e principalmente o homem a sua frente.

— Oi? — Sebastian a cumprimentou e Luna encarou-me nitidamente confusa.

— Quem é ele? — Sussurrou. Eu e Sebastian sorrimos discretamente.

— Esse é o Sebastian Jackson. O irmão do Michael e o meu noivo. — Expliquei para ela o que Bash significava em minha vida.

Os olhos meigos dela atravessaram meu noivo com um semblante muito sério que aos poucos foi se desfazendo e tornando-se em um amigável.

— Nossa... Como você parece com o tio, Michael. — Ela se espantou com a semelhança física dos irmãos.

Sebastian sorriu e se abaixou para que ela pudesse vê-lo melhor.

— Você me acha parecido com o Michael? — Perguntou surpreso. — Olha bem para mim. Tem que ter alguma coisa diferente entre nós. — Brincou com ela.

— Não tem não, moço. Olha aí, até o cabelo grande como ele o senhor tem. — Apontou para os cabelos longos dele. Agora foi a minha vez de rir. Foi tão satisfatório ver Sebastian ali comigo, isso era um sinal de que ele realmente estava disposto a retirar tudo o que havia me falado antes e compartilhar sua vida e sonhos comigo. E o mais importante em tais circunstâncias, pelo o que eu estava presenciando, eles tinham se dado muito bem, o que seria fundamental para dar prosseguimento à adoção

Notei Michael nos fitando profundamente, enquanto ainda conversava com a sua noiva siliconada pelo o celular. Ele definitivamente, não estava contente com nossa reconciliação


Capítulo 14


Estávamos do lado de fora da clínica quando eu expliquei a real situação de Luna a Sebastian.

— Mas o que? Ela tem o vírus HIV? — Sebastian indagou atônito, após descobrir a verdade sobre o estado de saúde de Luna.

— Shiiiii. — Sibilei para ele se acalmar. — Você prometeu. — Lembrei-o do porque ele estava ali.

— Eu sei, mas Jenna... —  Interferiu,olhando diretamente  dentro dos olhos. — Ela tem HIV. — Enfatizou o vírus.

— Mas ela continua sendo uma criança, Bash! — Me manifestei tomando as dores da menina. — Ela foi abusada pelo o próprio pai e contraiu o vírus. Você está sendo preconceituoso. — Rosnei.

— Não. Isso se chama juízo, não percebe a loucura que está prestes a cometer? Seu problema é ser movida pela emoção. — Retrucou.

Balancei a cabeça em negação, desacreditando no que eu estava ouvindo. Sebastian estava com medo de se contaminar. Era isso.

— Você está com medo!  — Aleguei, enxergando claramente repulsa em sua expressão. — Está com medo de se contaminar —Bradei.

— Isso não faz sentido. — Sorriu sem humor. — Eu... Eu só não quero que você se apegue tanto a essa menina condenada a morte. Imagina quando o caso chegar a se agravar. Hum? — Tocou nos meus ombros.

— Ela está correspondendo bem aos medicamentos e...

— Mas mesmo assim Jenna. — Alterou um pouco a voz, e quando percebeu que havia chamado a atenção de algumas pessoas que estavam passando no momento, voltou a se manter calmo. — É melhor termos os nossos próprios filhos.

— Acontece que eu não quero! — O contrariei tirando suas mãos dos meus braços. — Eu quero 
a Luna. — Protestei, semicerrando os olhos, e ele fechou o semblante.

— Eu não entendo o motivo de não querer me dar um filho.  — Balançou a cabeça indignado.

— Ultimamente eu que não estou reconhecendo você, Sebastian. — Retruquei, e ele virou as costas. — Pra onde você vai? 

— Vou para a empresa. — Começou a andar na direção oposta do estacionamento.

— Então vai ser assim mesmo? Vai desistir? — Parou de andar e me olhou friamente.

— Eu não posso aceitar isso Jenna. Não posso e não quero. — Salientou e entrou no seu carro, dando partida com o mesmo.

Eu não podia aceitar de bom grado a impugnação da parte de Sebastian. E nem queria aceitar esse seu lado tão insensível em relação a Luna. Logo ele que esteve ao meu lado e viu o inferno que eu enfrentei, logo ele que pensei que fosse a única pessoa que me entendia nesse mundo, mas acho que sempre estive enganada. Será que eu estive cega durante tanto tempo ao ponto de não enxergar esse lado dele? Talvez, Bash não fosse o cara certo, tampouco meu porto seguro.

— Jenna? — Ouvi a voz macia de Michael chegar em meus ouvidos. — Onde está meu irmão? — Perguntou de cenho franzido, analisando o amplo estacionamento e algumas pessoas andando ao nosso redor em busca de Bash.

— Ele foi embora. — Respirei fundo, demonstrando minha completa decepção.

— Hey, o que aconteceu? — Tocou meu rosto delicadamente. Michael era extraordinariamente sensível a dor dos outros e isso o tornava um ser ainda mais especial.

— Ele não quer mais compactuar com a adoção de Luna. — Expliquei, sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Michael suspirou com pesar e me abraçou.

— Por favor, não chore. — Passou a mão nos meus cabelos. — Ele lhe disse isso?

— Sim, com todas as letras. — Assenti em voz baixa.

— Mas por quê?

— Quando eu contei para ele sobre o estado de Luna ele se comportou de jeito tão volúvel que... — Não consegui completar o que dizia.

— Que idiota. — Michael resmungou. — Ele está agindo feito um infeliz preconceituoso. — Afirmou ríspido, era notória a indignação dele.

— E agora Michael? — Ainda com ele me abraçando, levantei a cabeça para olhá-lo. — Como vou conseguir adotá-la sozinha?

Michael prendeu seu lábio inferior entre os dentes e espremeu seus olhos. Ele estava pensando em algo. Me largou e segurou apenas nos meus ombros.

— Você quer mesmo adotar Luna, Jenna? — Fixou seu par de olhos fantasticamente escuros e penetrantes nos meus.

— É tudo o que eu mais quero. — Assenti. Ele pegou na minha mão e começou a me puxar junto com ele em direção a sua BMW luxuosa.

— Mas o que você está fazendo? — Arregalei os olhos perdida, Michael sorria largamente e aquilo me fez sair completamente de órbita.

— Vou te levar a um lugar. — Continuou me puxando.

— Para onde? — Apertei com firmeza suas longas mãos


— É surpresa. — Me fez entrar no carro e fez o mesmo colocando o veículo em movimento rapidamente. Não sabia para onde aquele homem lindo, dono de um coração enorme e que fazia minhas pernas ficarem bambas me levaria, mas estava pronta para ir com ele aonde quer que fosse.  


Capítulo 15

A paisagem primaveril passava diante dos meus olhos como vultos embaçados. Michael se mantinha sereno, com aquele sorriso sapeca escancarado em seus lábios e eu dispersa em meio as minhas incertezas e receios. Apesar de não reconhecer aquela estrada adornada por uma vegetação estonteante e absurdamente verde aquele caminho não me era de todo estranho.

- Pronto princesa, olhe ao seu redor._Anunciou eufórico, estacionando sua BMW em um parque belíssimo ladeado por um vasto jardim.

- Lembra-se de quando estivemos aqui pela primeira vez? _Perguntou, deslizando suas mãos por minhas costas. Senti cada pelo do meu corpo se arrepiar com o toque ousado dele. Michael destravou a porta do carro e eu me apressei a me livrar do cinto de segurança. Antes que eu pudesse observar minuciosamente o lugar formidável que estávamos ele saiu do automóvel e deu a volta para me ajudar a descer, sendo o mesmo cavalheiro de sempre.

- Meu Deus... _Murmurei, sentindo uma camada de lágrimas se formar em meus olhos. Meus batimentos cardíacos estavam acelerados e minhas pernas não obedeciam mais aos meus comandos. Era ali o paraíso, ao menos para mim, estava muito próxima do céu, flutuando. A magia ainda se fazia presente naquele jardim como quando fizemos aquele pacto esperançosos de que nossos desejos de infância se tornassem realidade.

- Ainda parece tão real Jenna, todas aquelas palavras estão gravadas em minha memória. Nunca esqueci da promessa que a fiz._Pegou minha mão direita e a levou ao lado esquerdo de seu peito. – Sente isso? A cada batida do meu coração sinto que vivo e respiro em função da mesma garotinha meiga e doce que me jurou amor eterno._Exclamou, me arrastando com ele por entre as flores que cresciam no ritmo da primavera.

Era revigorante. Parecíamos os mesmos adolescentes de tempos atrás, ambos sorrindo feito bobos apaixonados. Aquela sensação de liberdade que busquei durante tantos anos ao lado de Bash me consumia apenas ao sentir Michael segurando minha mão e direcionando seu sorriso largo inteiramente a mim.

- Hey, estou cansada. Que tal pararmos um pouco? _Choraminguei ofegante.

- E novamente se mostra uma preguiçosa Jenna Carter._Gargalhou gostosamente e eu acabei fazendo o mesmo.

- Tudo bem, você venceu, vamos continuar._ergui os braços em sinal de rendição e voltei a correr tentando acompanhar Michael.

- Estamos perto, olhe a sua frente _Apontou em direção a uma frondosa árvore, e de imediato eu me familiarizei com o ambiente. Realmente só míseros metros nos separavam do nosso destino. Sim o destino que havia se encarregado de nos separar e agora estava fazendo o oposto.

- Eu amo você._Confessou com os olhos brilhando.

- Michael eu...

- Não precisa responder nada agora, apenas se deixe contagiar pela beleza deslumbrante da natureza._Pediu arqueando suas sobrancelhas bem delineadas.

- Quem disse que não estou preparada para exteriorizar meus sentimentos mocinho? _colei minha testa na dele me permitindo ser guiada pela voz de meu coração. - Eu tentei me enganar Michael, e sabe perdi tempo demais me negando admitir que eu pertenço a você de corpo e alma. Amo você! _Gritei sorrindo aliviada, pondo enfim para fora toda aquela angústia reprimida.

- Jenna, eu te amo mais._Reforçou,tocando meu queixo e pousando seus dedos sobre os meus.

- Shh... _Sussurrou, enlaçando minha cintura e me puxando na direção de nossa árvore da sorte.

 Nossos olhares se cruzaram naquele instante singular e eu levei minha mão até o mesmo tronco retorcido no qual selamos nosso amor. Michael fez o mesmo e me fitou com lágrimas nos olhos.

- Nem parece que o tempo passou, continua tão linda._Vangloriou e vi o desejo dominar suas órbitas negras e um sorriso torto dançar em seus lábios.

- Obrigada, você também continua muito bonito._Retribui o elogio e senti duas mãos grandes percorrerem meus quadris e nossos corpos se chocarem novamente.

- Preciso amar você Jenna, me deixe fazer o que quero._Suplicou, atrevendo-se a pressionar com mais força minha cintura. Já estava rendida, não havia como voltar atrás, e eu não queria o impedir de me fazer sua. Michael já tinha me marcado como sua há anos atrás, quando fizemos amor pela primeira e até então última vez.

- Então o faça Michael, eu também quero você._Sorri e ele pôs um braço em minha cintura e o outro em minha perna me erguendo, e comigo em seu colo deitou-me na grama.

- Esse perfume, oh... como eu amo seu cheiro._Depositou o peso de corpo sobre mim e eu arfei ao sentir sua ereção roçar minha barriga. Michael deslizou meu vestido até meus tornozelos e me despiu em uma fração de segundos.Não me senti envergonhada, claro que os olhares lascivos que ele me lançava me deixavam um pouco intimidada, mas nada que não pudesse conter.

- Você tem noção do quanto esperei por isso? _Murmurou roucamente, pressionando meus seios.

- Pode apostar que eu também. _Ri timidamente,tomando coragem de levar minhas mãos trêmulas a jaqueta militar que ele vestia e o ajudando a se livrar de suas vestes.

Aquele homem seminu era a personificação de um Deus grego, magro, porém com músculos definidos e a pele alva macia. Eu o desejava compulsivamente, tanto que minha intimidade pulsava e clamava por tê-lo me preenchendo.

Michael terminou de eliminar as roupas e eu me limitei apenas a observá-lo fazê-lo.

- Dessa vez não vou deixá-la escapar._Brincou,tocando meu nariz e se posicionou entre minhas pernas.

- Não terá que me impedir de ir embora, porque é exatamente aqui ao seu lado que eu ficarei._assegurei,vidrando meus olhos nos dele e entrelaçando minhas pernas em seu quadril.

Michael acariciou meu rosto e impulsionou sua glande lentamente para dentro de mim. Senti-lo me possuindo, me alargando, me fazia ter a confirmação de que meu amor por ele persistia intacto. Ele foi deslizando seu membro para dentro de mim até me atingir em meu nervo mais sensível, onde só ele era capaz de chegar. Gemi mordendo meus lábios graças ao incomodo que aquilo gerou. Sim,ele foi extremamente delicado, mas era enorme e dificilmente não sentiria uma leve dor.

- Você está bem princesa? _Beijou minha testa  com ternura,e parou de me penetrar.

- Nunca estive tão feliz, continue. _Exigi,mudando minhas mãos inquietas para os ombros largos dele.

Michael deu um sorriso de canto sutil e começou a me estocar com investidas cadenciadas. Parecia que eu era uma boneca frágil de porcelana e que facilmente poderia se quebrar, tamanho o cuidado dele comigo.


- Mais rápido._Incentivei com os olhos fechados.Deus... Jamais em toda minha vida um homem conseguiu me proporcionar tanto prazer. Meu corpo parecia estar entrando em erupção, principalmente quando Michael beijava meus lábios avidamente e apertava cada carne minha ininterruptamente.

- Tem certeza princesa? _Franziu o cenho suado,querendo saber se deveria mesmo aumentar o ritmo.

- Absoluta._Respondi sem hesitar.

Ele consentiu com meu pedido e intensificou gradativamente a velocidade das estocadas. Quanto mais ele se movia mais eu gemia e suplicava por mais, Michael já não se controlava e arremetia contra mim freneticamente, indo rápido e cada vez mais fundo, fazendo-me delirar.

- Oh, oh baby como é apertada. Amo tanto você, eu sempre amei._Ressaltou sôfrego,afundando sua cabeça em meu pescoço enquanto me penetrava ferozmente, sem deixar de distribuir selinhos por todo meu corpo.


- Não pare, estou quase lá._Avisei,me concentrando a sentir cada toque dele. Sua respiração pesada, as gotículas de suor na testa dele, queria apreciar cada um desses detalhes que o deixavam ainda mais belo.

- Venha comigo princesa, goze!_Grunhiu, me estocando com mais precisão e me arrastando junto a ele ao abismo delicioso e sublime do orgasmo. Ambos urrávamos possuídos pelo prazer. Michael gozou jorrando seu líquido dentro de mim e soltando um gemido longo, e eu fiz o mesmo clamando por seu nome e cravando minhas unhas em suas costas,enquanto uma corrente elétrica perpassava cada poro de meu corpo. Michael desabou satisfeito ao meu lado com um daqueles sorrisos cativantes dele que iluminava tudo ao seu redor e eu repousei meu rosto sobre seu peito arfante. Nossas respirações se normalizaram e aproveitei que o torpor da luxuria havia passado para unir nossas mãos. Michael se inclinou para olhar dentro de meus olhos e pude notar a felicidade resplandecer em sua face, o brilho em nossos olhos explicitava o quão felizes estávamos.

- Isso foi mesmo incrível, Jenna._Rompeu o silêncio e me apertou mais contra seus braços.

- Sem dúvida, foi tudo perfeito, fabuloso. Não trocaria esse momento por nada nesse mundo._Frisei, sorrindo feito uma idiota.

- Você é tão quente, experiente e delicada. Sério, Jenna, foi fantástico._Elogiou ainda se recuperando do orgasmo avassalador.

- E você foi maravilhoso, sabia? _Pisquei me apoiando no cotovelo para ver as reações dele.

- Bem, eu tenho conhecimento de minhas habilidades, mocinha._Riu sonoramente. – Agora temos que ir embora, já está anoitecendo e darão por nossa falta._Disse desanimado,a expressão de desapontamento era nítida no rosto dele.

- Tem razão. Preciso resolver minha situação com Bash, me dê um tempo Michael._Expliquei entristecida,me pondo de pé e procurando meu vestido.

- Sim, você tem que fazer isso Jenna. Mesmo que ame meu irmão e não queira gerar discórdia, não estou disposto a abrir mão de você nunca mais. _Afirmou sério,pegando suas roupas e as vestindo. Eu fiz o mesmo e percorremos o trajeto até o carro calados, evitando o mínimo o contato visual.

Palavras se faziam desnecessárias e eu realmente estava em um fogo cruzado. Sebastian sairia machucado em tudo isso e eu tinha uma gratidão enorme por ele, de certa forma aquilo não seria menos doloroso para nenhum de nós, mas era necessário. Se eu me casasse com Bash cometeria um erro que mais cedo ou mais tarde traria infelicidade a todos. Talvez ganhasse o ódio de um dos irmãos, mas para alguns serem felizes outros têm que sofrer não é mesmo?




Capítulo 16


“Nossas escolhas não podem apenas serem intuitivas, elas tem que refletir o que somos. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar o caminho, ninguém é o mesmo para sempre. Mas de qualquer forma, um novo dia sempre chega, quer queiramos ou não. A questão é o destino.Você irá controlá-lo ou ele irá controlar você? Eis a questão.”

Sei que prometi a Michael que iria resolver a minha situação com Sebastian o mais rápido possível, mas agora que já estávamos longe um do outro, era como se aquilo fosse da boca pra fora, não exatamente, mas era como se eu falara aquilo movida pela emoção do momento. E confesso que isso me deixou muita aflita.

Assim que eu e Michael chegamos em casa, cada um foi pro seu lado disfarçadamente, e eu suplicava mentalmente que ninguém nos visse chegando juntos, e parece que esse pedido foi acatado com sucesso. Pois assim que entrei no quarto de Sebastian ele tinha acabado de sair do banho. Estava com os cabelos soltos e molhados, descalço e com uma toalha enrolada no quadril.

Assim que ele me viu parou e ficou me olhando de soslaio por um instante, parecia estar com medo de proferir alguma palavra ou até mesmo ter percebido uma diferença em meu comportamento.

Será que ele estava sentindo que eu e Michael o traímos? Santo Deus, como isso passou a doer agora.

— Onde você estava, posso saber, Jenna? — Sebastian perguntou enquanto abria o closet, pegando uma boxer e uma calça azul marinho de moletom.

Caminhei calada indo em direção a cama, sentando na beirada da mesma. Eu queria conversar com ele, dizer o que tinha acontecido entre eu e o Michael naquela tarde e até mesmo romper com o nosso noivado. Mas não sabia se iria consegui fazer isso sem hesitar.

— Precisamos conversar. — Murmurei sem encará-lo cabisbaixa, fitando o chão.

Alguns segundos se passaram até que ele se postou na minha frente e tocou no meu cabelo com carinho.

— Você estava com ele, não foi? — Hesitei muito, mas acabei balançando a cabeça em positivo. Ouvi um suspiro pesado sair de seu nariz.

— Sebastian eu... — Comecei a murmurar.

Ele sentou-se na cama ao meu lado e me fez virar para ficar de frente para ele.

— Olha Jenna, eu sei que eu não sou igual ao Michael, humanitário, benévolo, mas seja lá o que você tenha feito, quero que saiba que eu a amo muito. — Declarou-se para mim, e meu coração pareceu se apertar, e um nó formou-se na minha garganta, me impedindo de falar sobre o que tinha acontecido naquela tarde. Eu sabia o quanto Sebastian me amava e isso estava refletido em seus olhos. Sabe à tarde que pareceu uma dádiva? Aquele momento estava tornando-se um verdadeiro martírio, o arrependimento se apossou de mim e me fez ver que talvez tivesse sido impulsiva em tê-lo traído.

— Eu só estava na clínica. — Menti. Pois nesse momento não tive coragem de dizer nada a ele. Seus olhos permaneceram brilhantes e isso de certa forma me prendia ainda mais a ele. Deus, isso dilacerou meu coração. Percebi que eu não poderia dizer que fiz amor com o irmão dele, justamente por representar mais do que uma traição, é uma deslealdade sem tamanho a um homem que me ajudou a superar tantas coisas e sempre se dispôs a me ajudar... Não, decidi que não iria contar nada a ele.

— Só isso? —Indagou  em um murmúrio de voz e temeroso com a resposta.

Olhei diretamente nos seus olhos e mordi os lábios com força. Mentir já é uma penúria, pior ainda é quando você fica se sentindo culpado, e isso o corróiUm receio miserável, uma incerteza acompanhada de angústia, a respeito do resultado das consequências do seu erro, como no meu caso e o do Michael começou a me dominar.

Sim, eu o amava.Naquela tarde eu tive a plena certeza disso, só que  frente a frente com Sebastian um choque de realidade me possuiu e eu via claramente que tudo não passou de uma traição suja.

Droga, e com isso mais uma vez eu estava dividida entre os dois irmãos. 

— Só estava com a... Luna. — Voltei a mentir. Sebastian soltou um suspiro demasiadamente longo, talvez de alivio.

— Por falar nisso, eu quero pedir desculpas pelo o meu comportamento e...

— Não se desculpe, Sebastian. — Protestei, me levantando da cama. — Você já deixou claro a sua decisão.

— Jenna, eu só...

— Eu só quero tomar um banho agora, Bash. — Entrei no banheiro sem deixar que ele concluísse o que iria falar. Minutos depois quando saí, Sebastian ainda estava sentado na cama na mesma posição de antes.   

Fui até o closet, peguei uma roupa e vesti a mesma em silêncio. Até que por fim, ele decidiu quebrar o clima tenso.

— Jenna? — Clamou meu nome, e eu o olhei sem falar nada. — Eu estive pensando, sabe? Talvez, adotar a garota seja... — Relutou muito em concluir. — Bom pra você,sei o quanto isso é importante...— Concluiu em voz baixa.

Esbugalhei meus olhos com o que ele disse e caminhei lentamente até ele, ficando à sua frente.

— O que você disse? — Perguntei automaticamente, para ter a certeza de que não estava ouvindo coisas. Ele levantou a cabeça e me olhou.

— Enquanto você tomava banho, eu estive pensando muito. Pra falar a verdade estou pensando nisso desde que saí da clinica.  — Retraiu o cenho. — Fui insensível em relação a Luna, e quero reconsiderar isso.

— Mas você já reconsiderou uma vez, Sebastian.

— Mas agora é diferente. — Levantou-se e segurou no meu ombro. — Eu gostei muito daquela garota, acredite. — Olhei nos seus olhos e num lampejo vi a sua sinceridade ao falar que gostou de Luna. — Eu só...

— Está com medo. — Concluí por ele com as sobrancelhas erguidas.

— Sim, estou com medo, — confirmou — mas é de você se apegar a ela e depois acabar sofrendo, e eu também. — Confessou com seus olhos exprimidos nos meus. — Eu prometo que vai ser diferente, se é importante para você também é para mim. Acho que podemos fazer isso!

Fiquei admirada com a atitude nobre dele. Estava sendo sincero eu senti isso em seu tom de voz. Mas o que também me afligia era o fato dele agora querer voltar a adotar Luna junto comigo e isso era genuíno, maravilhoso.

O abracei bem forte demonstrando a minha alegria, e ele me acolheu bem nos seus braços e deu um beijo na minha cabeça.

— Tudo isso é por você. — Murmurou.


— Eu gosto muito de você Bash. — Limitei-me a dizer constrangida. Claro que nutria por ele uma grande admiração, um carinho, mas meu coração esse Michael já tinha arrematado.

— Preciso ir resolver uns assuntos de trabalho. — Lamentou ,caminhando em direção a porta. Nos vemos mais tarde. — acenou para mim e saiu da minha presença.



Capítulo 17


Definitivamente, isso não estava sendo fácil de se lidar. Eu amava Michael, mas não queria magoar Sebastian. A questão é que não podia continuar em um relacionamento de fachada, ainda estando totalmente entregue a outro homem. O casamento seria um erro terrível, porém romper o compromisso também acarretaria um serie de desgraças e poderia destruir a família Jackson. E longe de mim querer ser o motivo disso. 


Resistir a tentação se tornava cada dia mais árduo. Michael como um sedutor nato fazia questão de me cercar e jogar suas indiretas indecentes a cada vez que estávamos sozinhos. Mas o mais tenso eram as cobranças excessivas dele quanto a minha promessa de terminar com
Sebastian. No fundo nunca estive preparada para ferir alguém ainda mais essa pessoa se tratando de meu "noivo".

Bom, enquanto a Ava, sua noiva magrela, ele disse que se resolveria com ela assim que eu me resolvesse com Sebastian, o que estava se tornando um sacrifício. E como sempre, ela não parava de ligar para ele, parecia que adivinhava quando estávamos juntos. E isso me irritava muito, não, na verdade me deixava com muito ciúmes. 

***


Novamente Michael tinha me arrastado contra minha vontade para seu quarto para descontar sua revolta sobre mim. 


- Jenna, me diga. Pretende mesmo continuar enganando seu noivo?_Arqueou as sobrancelhas me encarando soberbo. 


- Michael já disse um milhão de vezes que preciso de um tempo, as coisas não se resolvem de um dia para a noite._Argumentei vendo o sorriso presunçoso dele se alargar mais. 


- Não me fará de palhaço Jenna Carter, é bom que entenda isso._Bradou, segurando meu braço sem a mínima delicadeza.

- Solte-me Michael! _Ordenei e ele acatou minha ordem. – Como exige isso de mim se você ainda continua com a inglesa?


- Mas eu já te expliquei... Claro que irei resolver isso também, mas não por telefone. – Respirou fundo. – Droga! Eu amo você e não quero dividi-la com meu irmão._Frisou já mais brando.


- Meu coração é seu._Rebati, sentindo minhas pálpebras arderem em virtude das lágrimas.


- Hey, por favor, não fique assim princesa._abraçou-me apertado, no intuito de me reconfortar. 


- Não sei lidar com essa situação, me dê um tempo. _Pedi, afundando meu rosto em seu peito, ele apenas sorriu de leve e afagou meus cabelos.


- Esqueça o que falei, às vezes falo besteiras. Mas é tudo por amá-la, Jenna, você é meu dia, minha noite, meu mundo. Seus olhos cintilam mais que as estrelas em noites frias _Murmurou dócil, fazendo-me suspirar e esmorecer de amor por ele.


- Michael..._ergui minha cabeça para olhar dentro de seus olhos negros. – Isso é a coisa mais linda que já ouvi, você é um príncipe._Toquei o nariz dele rindo de seus acessos românticos adoráveis. 


- Amo você, amo você, amo você..._Gritou de um jeito dramático que me fez rir. 

- Não acredito que ainda consiga me manter longe de você. _Confessei, me sentindo uma covarde.
- Em breve ficaremos juntos e terá que me aturar por toda eternidade _Brincou roçando seus lábios nos meus e me beijou urgentemente. Ah... Aquele beijo, os lábios macios e cheios, o poder que ele exerce sobre mim. O que dizer? Michael me deixa sem palavras, flutuando, perdida nas mais sublimes sensações do amor. E eu só queria poder parar o tempo e beijá-lo até esquecer quem eu sou.

Suas mãos enormes desenhavam as curvas do meu corpo enquanto nossos lábios se cruzavam cada vez com mais fervor. Já me sentia excitada, louca para fazer amor com ele até a exaustão, mas a razão falou mais alto e eu desfiz o beijo. 

- Bem, por hoje já teve muito de mim. _Disse ainda sôfrega e com as pernas bambas.


- Jenna fica comigo essa noite, Bash está viajando e... 

- Nem pensar Michael, é muito arriscado _Aleguei ajeitando meus cabelos desgrenhados. 


- Então vai continuar fugindo de mim?_Esbravejou, cerrando os dentes.

- Não estou fugindo de você. _Revidei seca. 


- Ah, e por que está se recusando a passar a noite ao meu lado?_Indagou irônico como se não compreendesse meus motivos.


- Sebastian pode nos pegar, ou o seu pai. Se esqueceu que essa casa está rodeada por empregados?_Alertei preocupada com o perigo eminente que corria. 


- Claro, sempre é assim. Foda-se o mundo, eu quero amar você até o amanhecer._exclamou, enlaçando minha cintura novamente e me imprensando contra a parede. 


- Sebastian é um homem íntegro e me ama, não quero ser infiel a ele. Só para constar ele concordou com a adoção de Luna _Cuspi as palavras em cima dele, fazendo questão de defender Sebastian. 


- E acha mesmo que ele irá cumprir com essa promessa? Está na cara que ele está fazendo isso para agradá-la. Quem garante que depois que estiverem casados continuará a favor da adoção de Luna?_Sugeriu com uma pontada de cinismo.


- Me deixe ir _Exigi, reclamando,e ele voltou a colar nossos corpos. – Por acaso é surdo?_Exaltei-me o empurrando para longe de mim e correndo dali antes que cometesse um erro grave.

(...) 

- Celeste nem acredito que está aqui._disse feliz em ter alguém com quem desabafar. 


- Aqui em seu quarto podemos conversar sem sermos interrompidas amiga?_Indagou, percorrendo os olhos rapidamente pelo quarto luxuoso e de uma decoração de extremo bom gosto. 


- Sim. Cel a situação está cada dia mais triste. Amo Michael, mas não posso decepcionar Bash. _Expliquei, sabendo que isso soa como contraditório.


- Jenna alguém nessa história sairá machucado, precisa encarar a realidade. É a Michael que ama e deve tentar dizer isso a seu noivo sem ser muito sugestiva._Aconselhou preocupada com minha indecisão.


- Não consigo Cel, Sebastian é um cara incrível. Como vou destruir os sonhos dele?


- Precisa ser forte amiga!_Reforçou. 


- Eu sei disso. _Suspirei pesadamente, sentando-me em uma poltrona confortável que havia próxima a enorme cama. 


- Mas não está pondo em prática._Deu de ombros. 

- Exato, há também o fantasma de meu passado. Michael me odiaria se soubesse o quão fraca fui _disse sentindo meu coração afundar no peito apenas com a hipótese de ganhar o ódio de Michael.


- Deveria contar a ele. _ Sugeriu.


- Não, eu não posso. _ Repreendi-a.


- E por que não? Ele tem o direito de saber sobre a criança. _Cel murmurou. 


- E o que eu iria dizer? Olha Michael, eu engravidei de você, aí você foi embora, então fiquei triste e abortei nosso filho sem me importar com seus sentimentos? _Questionei triste, mas ainda com uma portada de ironia. 


- Eu só acho que... _Cel parou de falar quando ouvimos o estrondo absurdo que preencheu o ambiente, a porta tinha sido aberta e a figura chorosa, triste, desesperada, irada e incrédula me condenava apenas com o olhar. 


- Mi... Michael... _Pigarreei com o meu par de olhos esbugalhados em cima dele.

A raiva animalesca de Michael transparecia de dentro para fora. e isso foi o bastante para me causar, uma dor cruciante, novamente meu conto de fadas chegava ao fim. Dessa vez iria ser definitivo, ele iria me punir e me julgar duramente e tinha todo o direito de fazê-lo. Eu matei uma criança inocente, por mais que estivesse perturbada e perdida no mundo, deveria ter lhe pedido apoio ou dado a luz e entregado o bebê a ele. Tomei uma decisão no torpor do sofrimento e aqui estou prestes a colher os frutos de minha impetuosidade.
Capítulo 18


Pedi que Celeste nos deixasse a sós. Michael ainda me olhava com muita fúria refletida no negro dos seus olhos, e eu nunca senti tanto medo em toda minha vida.

— Michael eu posso explicar.

— Espero que eu tenha ouvido errado, Jenna, porque se você realmente...

— Aconteceu Michael. — Interrompi-o.

— O que? — riu sem graça. — Está dizendo que abortou um filho... Um filho meu? — Gritou.

— Não grite, por favor. Alguém pode...

— Grito sim, e foda-se todo mundo. — Se exasperou. — Eu só quero saber que história é essa de aborto.

— Michael, por favor, me escuta. — Implorei e tentei tocá-lo, mas ele desvencilhou-se de mim. — Eu me senti perdida. — Contestei já com as lágrimas escorrendo sobre o meu rosto.

— Quanto tempo de gestação, Jenna? — Murmurou olhando sério nos meus olhos.

— Quase três meses. — Respondi com medo dele se exaltar ainda mais. Ele respirou fundo tentando controlar a sua raiva, apertou os olhos e depois os abriu.

— Deveria ter me contado. — Bradou balançando a cabeça. — Não acredito que você, logo você teve a coragem de fazer isso. — Seu semblante era de pura decepção, e isso doía em mim.

— Eu já disse, eu me senti perdida e...

— Perdida? — Berrou em tom de sarcasmo absoluto. — Se sentiu perdida, Jenna? Deveria ter me contado! — Posicionou as mãos na cabeça. — Meu Deus, eu iria ter um filho. — Reforçou com a voz embargada, olhando para um canto qualquer do quarto, depois voltou a me fitar com asco e apontou  o dedo indicador diretamente em meu rosto. — Você não tinha esse direito. — Sussurrou entre dentes. As lágrimas começaram a escorrer mais grossas pelo seu rosto, seus olhos raivosos me fuzilando e seu maxilar travado me dizia o quanto ele iria passar a me odiar agora.

— Eu era jovem... Brigamos... Você foi embora e eu fiquei apavorada. — comecei a explicar enquanto ele andava de um lado para o outro dentro do quarto. — Não tinha condições financeiras de criar um bebê e... Eu abortei por medo e...

— Porra Jenna, — me interrompeu rosnando. — Não me venha com essa. O que você fez não tem perdão. — Isso doeu na alma. — Abortar é a mesma coisa que matar, e você matou uma criança inocente, matou meu filho. — Bateu a mão no peito.

— Michael, por favor, não me odeie por isso... Eu estava passando por uma situação onde a única coisa que eu queria era morrer.

— Não existe explicação pelo o que você fez, Jenna! — Ele encostou a cabeça na parede e fechou os olhos. — O Sebastian sabe disso? — Perguntou com em uma entonação baixa.

— Não. — Manteve-se em silêncio por uns instantes ainda na mesma posição, e logo começou a murmurar.

— Você não tinha esse direito... Você não tinha esse direito... — vociferou repetindo isso bem baixinho e começou a bater a cabeça fortemente na parede, como se quisesse se punir e responsabilizar-se pelo aborto.

— Michael, por favor, não faz isso. — Implorei para que ele não continuasse se machucando. Até me aproximei dele, hesitei muito, mas não ousei tocá-lo. — Me desculpa, você foi embora e eu fiquei com medo. — Ele parou de bater e virou-se para mim.

— Pelo o amor de Deus, Jenna... Medo? Medo de que? — Meneou a cabeça. — Tenha a certeza de se tivesse me contado, eu teria largado tudo só para cuidar de você e da criança. — Parou e ficou me olhando desconfiado. — A não ser que... É claro! — sorriu sem humor. — O filho não era meu. — Deduziu me olhando com mais raiva do que antes.

— O que? O que você está dizendo, Michael? — Não estava acreditando que ele falara aquilo para mim.

— É a única explicação, Jenna. Você nem era virgem quando transamos e quem garante que esse filho era meu?

Eu sei que eu fui egoísta em esconder minha gravidez dele, sei que o que eu fiz não tinha perdão e muito menos motivos, eu matei um ser inocente porque não consegui ser forte na época, mas ouvi da boca do homem que sempre amei que engravidei de outro homem foi a coisa mais dolorosa do mundo. Me senti ofendida, desrespeitada, e a raiva que me deu nesse momento foi a causa de eu ter lhe dado um tapa no rosto, fazendo-o cambalear para o lado pelo o impacto.

Michael virou para mim com a mão rosto, o mesmo lado que eu tinha lhe desferido o tapa e seus olhos ardiam de ódio, mas ao mesmo tempo surpreso.

— Eu sei que eu errei, mas não me acuse de ter te traído, Michael. Eu o amava o suficiente para nem sequer pensar nisso. Há muitas coisas que você ainda precisa saber, mas não irei te contar, pois se você realmente me amasse não teria desconfiado de mim e muito menos me acusado de traição. — Rebati estridente recuperando o fôlego.

Ele não se mostrou nem um pouco receoso depois de tudo que eu falei. Deu dois passos à minha frente, inclinou seu corpo e nossos rostos ficaram a centímetros. Seus olhos voltaram a transbordar uma mistura de ódio, nojo e rancor.

— Eu não acredito em você. Não mais. — Rugiu com uma frieza assustadora. Seu hálito bateu no meu rosto e eu fechei os olhos por um instante.

— Saia daqui, Michael. — Ordenei ainda de olhos fechados.

— Pode crer que eu vou sair. — Ainda sentia o calor do seu corpo e seu hálito. — Mas antes quero dizer uma coisa. Sinto nojo de você! Espero que seja feliz com o Sebastian. — Elucidou o que quis dizer com isso. Continuei de olhos fechados, só pude ouvir o barulho da maçaneta sendo aberta e depois a porta sendo batida com uma violência absurda que fez meu corpo todo estremecer.

Quando finalmente abri os olhos, todas as forças que eu tinha na frente do Michael para permanecer de pé desvaneceram, fazendo-me cair no chão e entrar em um choro profundo. 

— Por Deus, a Srta. está bem? — Uma das poucas funcionárias da casa entrou no quarto e correu para me ajudar a levantar. Com certeza eles ouviram toda aquela gritaria entre eu e Michael.

— Não, eu não estou. — Respondi ainda entre as lágrimas que não cessavam.

— O que aconteceu Srta? — Ela estava preocupada. Mas eu nem respondi, só fazia chorar. — Quer que eu ligue para o Sr. Sebastian?

— Não. — Respondi rápido. — Não fale nada pra ele do que aconteceu aqui, por favor. — Implorei e ela assentiu com um semblante assustado.

— Está bem Srta. — Gaguejou. — Quer pelo menos um calmante, uma água...

— Não. — Recusei enxugando as lágrimas com o dorso das minhas mãos. — Só quero que chame a Celeste, por favor.

A porta foi aberta e Celeste entrou muito preocupada.

— Não precisa Jenna, estou aqui. — Andou rápido, sentou-se na cama e me abraçou.

— Pode deixar que eu cuido dela. — Ouvi Celeste dizer e a funcionária da casa saiu do quarto. — Está tudo bem, amiga. Shiii... — Ela alisou meus cabelos.

— Ele disse que o filho não era dele, Cel. — Murmurei entre os soluços.

— Calma, Jenna... Ele está com raiva. — Tentou me confortar.

— Não, Cel, ele está com ódio de mim. — Soltei-me de seus braços. — Ele  disse que espera que eu seja feliz com Sebastian... Ele não me quer mais, Cel. — Caí novamente no choro.

— Jenna... — Ela voltou a me abraçar.

— Por que Cel? Por que eu tive que amar o irmão errado? — Divaguei — Talvez o meu destino seja mesmo o Sebastian. Michael não me ama e isso ele deixou claro hoje quando me acusou de traição.

— Ele te ama, Jenna... Ele só está de cabeça quente. Imagina o que ele deve está sentindo agora sabendo que poderia ser pai?

— Não, — repreendi-a — quem ama confia, ele deveria ter confiado em mim. — Me soltei dos seus braços e comecei a enxugar as lágrimas novamente. — É isso, Cel, talvez meu destino seja ao lado do Sebastian mesmo. Esquecerei Michael e aprenderei a amar de verdade o meu noivo. 


Capítulo 19




Michael não poderia estar sendo mais cruel e frio comigo. A palavra "assassina" ecoava em minha cabeça como a sentença de minha culpa. Deus! Ele tinha razão, eu cometi um erro irreparável, joguei minhas frustrações em cima de uma criança, agi como uma verdadeira egoísta. Enxerguei somente o meu lado, o sofrimento que passei, em momento algum pensei que apesar dos pesares meu filho teria um pai presente e com condições financeiras de lhe oferecer ensino de qualidade. A família de Michael era milionária, poderia ter dito a verdade a ele e entregado o bebê quando nascesse para o pai cuidar. Mas ao invés de uma atitude sensata optei pelo caminho mais fácil, e aí estão as consequências. Michael tinha o direito de me tratar como se fosse uma estranha, estava coberto de razão de se recusar a olhar na minha cara, eu não merecia a mínima consideração. Eu o perdi, jamais teria o perdão do homem que amava. Novamente sentia a felicidade escorrer por entre meus dedos e dessa vez graças ao meu orgulho ferido. E por mais que tivesse a plena convicção dos meus sentimentos por Michael meu destino agora era o Sebastian, era a ele que devia amar e respeitar. Minhas pretensões para o futuro incluiam Bash, a decisão estava tomada, me casaria com ele e me esforçaria para fazê-lo feliz.

Claro que tinha sido constrangedor me deparar com Michael todos os dias, mas ele morava na casa de seu irmão e seu pai agora, precisava me acostumar com a presença constante dele, mas os olhares mortíferos isso não consigo ignorar.

(...) 

Resolvi saí do quarto um pouco para tomar um ar puro, ficar presa em uma suíte pensando em Michael e me punindo pelo meu passado não estava ajudando absolutamente em nenhum aspecto.
Quando cruzei a sala de estar ouvi os risos de Bash e Michael, deduzi que se fosse discreta e não manifestasse minha presença, conseguiria passar despercebida por eles. Doce engano, antes que conseguisse dar dois passos fui repreendida por Sebastian. 

- Hey amor, aonde está indo? Por acaso ia sair sem me dar o meu beijo. _Resmungou e eu caminhei até ele me sentando em seu colo. Admito, minha intenção foi provocar Michael.

- Bash, eu não queria interromper vocês, pensei que estivessem falando de assuntos pessoais._Expliquei arrumando a primeira desculpa esfarrapada que me veio em mente.

- Cunhada, você nunca atrapalha._Exclamou Michael num tom de ironia absurdo. Fixei meus olhos nos dele por um instante e encontrei um resquício de ciúmes. 

- Michael tem razão, você em breve será minha esposa. Portanto precisa se adaptar a ser a dona da casa também._Murmurou meu noivo com as mãos descendo e subindo por minhas costas em uma carícia delicada.

- Se é assim que deseja que eu aja, prometo me esforçar amor._Jurei sorrindo forçado.

- É uma pena eu estar retornando a Inglaterra _Michael se pronunciou quebrando o meu contato com Bash. 

Eu escutei direito? Ele iria embora dos Estados Unidos? Meu coração se afundou dentro do peito apenas em levantar a hipótese de perdê-lo. Eu amava esse homem, não podia deter meus sentimentos. 

Michael iria me deixar novamente e isso me deixaria desolada.

- Michael, então pretende mesmo voltar para Londres? _Indaguei tentando ser frívola o que obviamente não funcionou. 

Bastava observar minha expressão de perplexidade para entender de onde vinha tanta tristeza.

- Sim Jenna, pego o voo amanhã mesmo._Respondeu seco e aquilo me deixou ainda mais desapontada.

- Bem, pedi a ele para esperar o casamento, mas conhece Michael quando enfia uma coisa na cabeça..._Bash fez uma careta de lamentação e dirigiu sua atenção a mim. 

- Não se preocupem, irei me esforçar para vir ao casamento. Não vou querer perder isso!_Gargalhou com uma sordidez que soou como uma indireta a mim. 

- Fico feliz que compareça ao nosso casamento, é importante para Bash._Enfatizei sabendo que na verdade essa é uma maldita mentira. 

- Posso imaginar Jenna, sei que faço falta!_Frisou mordendo o lábio inferior.

- Ah, Michael... É claro que sentirei sua falta._ressaltou Sebastian inconformado com a viagem repentina do irmão. 

- Bom, me dêem licença quero aproveitar a manhã._dei um beijo na bochecha de Bash e me levantei do colo dele rumando até o jardim.

****
Imersa em um mar de sensações, era assim que me sentia, havia tanta dor em meu passado e agora em meu presente. A vontade que tinha era de fugir de todo esse inferno, mas isso não resolveria o problema ou arrancaria as cicatrizes da minha alma. Preferia ficar aqui sentada embaixo a uma árvore frondosa, rodeada pelas flores e os encantos na natureza no jardim da mansão, refletindo sobre a vida ao invés de decepcionar Bash e jogar meus problemas em cima dele.

- Finalmente encontrei você!_A voz conhecida clamou e eu levantei meu rosto para encarar a última pessoa da face da terra que queria ver.

- Michael, mas o que faz aqui ? _Questionei indignada com o atrevimento dele em me perseguir.

- Escute Jenna, precisamos conversar!_sentou-se na grama ao meu lado e restabeleci o contato visual.

- O que quer de mim? Você já deixou bem claro suas palavras, Michael.

- A verdade _Sibilou.

- Já lhe disse a verdade._Retruquei seca.

- Não, não mesmo. _Me contrariou balançando a cabeça. Exijo que me diga! 

- Eu já expliquei, Michael, engravidei de você. Sabe, depois que fizemos amor, ninguém tocou em mim. De quem mais poderia ser aquele filho? _Reforcei, sentindo uma lágrima se formar em meus olhos.

- Eu acredito, não deveria, mas vejo em seu olhar que está sendo sincera._Ressaltou de um jeito afável que não presenciava há dias.

- Por que vai para Londres justo agora? Já sei, é hora de selar os laços do matrimônio com sua inglesa._Revirei os olhos e Michael retribuiu a provocação com uma risada gostosa. 

- Claro que não é por esse motivo, na verdade talvez coloque um ponto final nesse noivado._Confessou sério e instantaneamente um sorriso despontou dos meus lábios.

- Isso é sério? _Perguntei desconfiada.,

- Sim Jenna, não amo Ava. Nem sei porque estou com ela até hoje, talvez por comodidade. Quando a conheci estava arrasado pelo nosso termino, não conseguia me entregar de corpo e alma a uma relação, continuava louco por você._Virou seu rosto para me encarar e eu correspondi ao seu gesto fazendo o mesmo.

- Me explique, como se envolveu com essa...a..loira inglesa._Limitei-me a dizer.
Adoraria proferir alguns insultos a magricela, mas não era um bom momento.,

- Não sei... Apenas me deixei levar. Acho que para não ficar sozinho, quem sabe na tentativa inútil de esquecer você na busca pela paz interior._Suspirou deixando nítido o quanto sofreu com nosso afastamento.

- Também sofri Michael, eu amo você!_Gritei e ele arregalou os olhos. 

- Jenna, sou completamente louco por você, mas preciso de um tempo. Me feriu muito, descobrir que foi capaz de abortar um filho meu._Confidenciou com a voz embargada e eu toquei o rosto dele.

- Não quero que vá embora!_Sussurrei enterrando minha mão nos cabelos dele.

- Tente se colocar no meu lugar, você me decepcionou. Destruiu meus sonhos de adolescência e não sei se algum dia conseguirei perdoá-la._Afirmou de cenho franzido. 

- Tem o direito de me julgar, eu fui uma inconsequente. E nunca vou me perdoar pela besteira sem tamanho que fiz._Balancei a cabeça voltando a me punir por ter abortado.

- Não Jenna, as pessoas cometem erros._Bradou. – Eu perdoei sua traição e poderia perdoar qualquer outro ato desleal de sua parte. Mas isso é assassinato, estamos falando de abortar uma criança sem que o pai nem tenha tido conhecimento de sua existência. 

- Eu já disse que não o traí. _ Repreendi-o, mas não iria entrar em uma discussão por isso. – Acha que não sei disso? Entendo Michael, se nem eu consegui me perdoar como você o fará? _Ri sem humor.

- Vejo crianças órfãs lutando pela vida todos os dias, a maioria delas estão condenadas pelo câncer, AIDS e você tirou a vida de seu próprio filho sem dó nem piedade. Como teve coragem? _Questionou horrorizado com minha atitude.

- Não tenho essa resposta, se fosse hoje eu jamais teria tomado uma decisão tão extremista._Destaquei cabisbaixa.

- Naquela época era diferente por que Jenna? _Segurou meu braço exigindo uma explicação.

- O desespero impera sequelas em uma pessoa, Michael. E era exatamente assim que eu estava desesperada. _Disse detendo o choro. 

- Nunca irei compreender o que a levou a agir como uma maldita desalmada, mas saiba que não desejo nada além do melhor para você e Bash._Soltou meu braço e levantou da grama se pondo a caminhar a passos cadenciados e firmes pelo belíssimo jardim. 

A cada passo dele as lágrimas cresciam em minha face. Sabia que aquele era o fim, não havia mais volta. Tudo o que dissemos e fizéssemos nos levou a terminar dessa forma. Nos perdemos um do outro no momento que aquele adolescente que prometeu estar ao meu lado pela eternidade partiu há anos atrás levando consigo metade do meu coração. 


Capítulo 20


- Jenna você está linda, deslumbrante amiga!_Celeste já estava aos prantos apenas ao me observar experimentando o vestido de noiva pela última vez antes da cerimônia. Gostaria de estar em puro êxtase ou ao menos entusiasmada com o casamento. Mas parece que estou indo direto a forca.

- Obrigada Cel, sempre exagerada. _Brinquei e caímos na risada. 

- Só falta pôr um sorriso lindo nesse rostinho, olha para você parece estar prestes a ir para o calvário._Repreendeu preocupada com meu desanimo. 

- Srta. terminamos aqui. _A costureira anunciou que havia concluído seu trabalho e os ajustes do vestido estavam finalizados. Agradeci a ela cordialmente, e fiz um sinal de positivo com a cabeça dispensando-a.

Assim que a costureira mandada por Bash deixou nossa presença, Celeste começou a me analisar com um semblante sério. 

- Jenna, não quer se casar com Bash! Estou vendo em seus olhos, é Michael que queria que estivesse a esperando em um altar, não é? _Perguntou retoricamente. 

- Exato Cel, é isso mesmo! Não amo Sebastian, sou grata a ele, tenho carinho e só! Michael é o homem da minha vida. _Exteriorizei meus sentimentos sem receio algum de ser repreendida.

- Então termine com Bash, isso é maluquice. Se casar amando o irmão dele..._Aconselhou, temendo a desgraça que isso pode gerar. - Cel, Michael sente repulsa por mim. Preciso reconstruir minha vida, além do mais para entrar com o processo de adoção de Luna tenho que estar casada._expliquei mirando minha imagem no espelho. 

- Isso não acabará bem amiga, e se Michael voltar? 

- Torço para que quando isso aconteça já seja a esposa de Sebastian, porque perto dele não confio em mim._Murmurei, sendo sincera quanto ao meu desejo indomável por Michael.

- Se ele voltasse e tentasse algum contato mais íntimo, você cairia nos braços dele, não é? _Estreitou o cenho, me encarando incrédula. 

- Com certeza eu não resistiria Cel._Assenti sem ressalvas. 

- Desista desse casamento, é um erro!_Semicerrou os olhos. 

- Nem pensar, não há como voltar atrás, me caso em uma semana._Apoiei minha mão na penteadeira e me afastei dali, me negando a continuar me olhando no espelho. 

- Você quem sabe Jenna, mas esteja ciente das consequências._Alertou, ajudando-me a me livrar do desconfortável vestido branco. 

- Estou pronta Cel, irei mergulhar nesse relacionamento e dar o meu melhor._Sorri sem vontade, seguindo até o closet a procura de algo leve para vestir.,

- Jenna, infelizmente tenho que ir. Fiquei de pegar meu vestido de madrinha no estilista hoje. Adorei a ideia do Bash de ceder o estilista da noiva para as madrinhas._Comemorou eufórica.

- Tudo bem, é melhor ir, senão irá se atrasar._Abracei-a e logo depois ela deixou minha presença.

(...) 

Sempre apreciei ficar sozinha às vezes, principalmente em meu apartamento. Sempre prezei por privacidade e sabia que dali para frente isso iria mudar, sendo casada teria que seguir padrões sociais e os limites impostos por meu marido.

- Droga!_ Resmunguei ao escutar o soar da campainha, já imaginado ser Cel que esqueceu alguma coisa. 

Me dirigi a porta revirando os olhos e no momento que destravei a fechadura tive a maior surpresa da minha vida.

- Michael._Arregalei os olhos e gelei ao me deparar com meu "cunhado", impecavelmente vestido em um de seus ternos de grife. 

- Bom dia para você também, Jenna._Saudou com um sorriso de canto sacana. Abri passagem para que ele entrasse e depois fechei a porta. 

- Como andam as coisas? _Sentou-se no meu sofá tranquilamente como se nada tivesse acontecido nos meses anteriores. 

- Ótimas, melhores impossível!_Ironizei, me sentado ao lado dele.

- Jenna, eu mudei de ideia. Quero que confie em mim e me conte o que aconteceu em minha ausência e o que a levou a abortar._Ordenou autoritário.

- Sério que você veio falar sobre isso? _Ergui as sobrancelhas, me fazendo de desentendida com um sorriso sem humor.

- Mais do que sério. _Respondeu com seriedade.

- Michael, não quero falar sobre isso. _Rebati hesitando, prosseguir com a conversa. 

- Sei que mentiu, está me ocultando algo muito sério._Protestou. 

- Sim acertou, há muita tristeza em meu passado, mas você não poderia ter me salvado.

- Sabe o que me deixa mais furioso, Jenna? _Mordi os lábios – É o fato de saber que esconde algo de mim
.
- E o que isso mudaria agora, Michael, se eu te contasse? _Indaguei – Nada. Passado é passado, e o que foi não volta mais.

- Mas eu preciso saber, isso está me infernizando, Jenna, você não vê? _Realmente, pude ver no lampejo do seu olhar que ele precisava saber daquilo, necessitava, e talvez essa fosse a hora de contar logo tudo pra ele antes que voltasse a me acusar injustamente de traição. 

Comprimi os olhos e respirei fundo, tendo a certeza absoluta de que naquela hora eu me lembraria de tudo de ruim o que vivenciei enquanto estivesse contando para ele sobre o meu inferno particular.O passado retornaria com força total e junto a ele as lembranças amargas.

- Me deixe entender, preciso saber o que aconteceu. _Suplicou com um olhar doce, não o via sendo tão meigo há tanto tempo e isso me desestabilizou.

- Sabe, não aguento mais guardar isso só para mim._Murmurei com os olhos marejados, e me sentei em uma poltrona ao lado. Tive que abaixar a cabeça, pois não teria coragem de contar isso olhando nos seus olhos. Era vergonhoso e constrangedor. – Michael, quando minha mãe morreu só restou eu e o meu padrasto dentro daquela casa. Nós passamos muito tempo sofrendo com a morte dela, bom, pelo menos eu sofri de verdade e...

- Como assim? — Michael me interrompeu, sua voz soava confusa, mas ainda permanecia muito atento. Continuei calada ainda sem fitá--lo diretamente nos olhos por alguns instantes

- Meu padrasto com o tempo se tornou um alcoólatra viciado. Mark era violento, agressivo e eu comecei a ficar assustada, por um momento pensei que ele tinha se transformado naquilo por causa da morte da minha mãe, mas ele começou com certas atitudes, indiretas.Chegou um ponto que apenas a sua voz me provocava ânsia de vômitos. _Enquanto eu falava, meu rosto começou a se enrugar de nojo. – Ele começou a me olhar de uma forma diferente, como um homem que deseja uma mulher, suas atitudes eram repugnantes, passou a tentar me tocar, as indiretas tornaram-se diretas e as investidas constantes... Eu tentei me livrar dele, mas como eu não cedi, em um certo ponto ele optou em usar a força física e... _Parei um pouco sentindo vergonha em dizer o que estava prestes, mas já que começara a falar iria até o fim – ele passou a me violentar. _Concluí em um murmúrio, sentindo as lágrimas escorrendo sobre minha face. -Os abusos começaram quando você foi para a Inglaterra concluir o ensino médio. Por isso não era mais virgem naquela época, nunca o traí._ Completei as revelações e fechei os olhos, me livrando por fim daquele segredo, quando voltei a abri-los, passei o dorso das minhas mãos, enxugando as lágrimas que escorreram. Finalmente de uma forma estranha me sentia em paz. Levantei a minha cabeça e seus olhos ainda transbordavam incredulidade e ao mesmo tempo lamentação. 

- Meu Deus, Jenna. Aquele desgraçado abusou de você!_Vociferou fechando os punhos. -Não posso acreditar que esse desgraçado machucou-a... Eu não fazia ideia... Como eu ia imaginar? _Michael começou a andar de um lado para o outro no apartamento com as mãos na cabeça.Parecia fora de si, transtornado e completamente incorformado.

- A culpa não é sua, Michael. O importante é que passou._Respirei fundo, caminhando até ele e entrelaçando nossas mãos. Michael ergueu as sobrancelhas e me fitou com os olhos tomados por lágrimas.

- Não posso aceitar o fato de que não fiz nada para impedir que um filho da puta violentasse a mulher da minha vida._Berrou tomado por um ódio descomunal.

- Pare de achar que poderia ter me salvado! As coisas foram como deveriam ser, me deixou marcas, mas agora sou uma mulher independente e livre._Bradei, fazendo-o  perceber que havia superado esse trauma. 

- E onde está aquele desgraçado? Vou matá-lo. _Seu maxilar travado mostrava mais ainda o tamanho da sua raiva.

- Michael, ele morreu. _Franziu o cenho e soltou o ar antes preso nos pulmões. – Michael na tarde que fizemos amor e você me abandonou, cheguei em casa e Mark estava estirado no chão da cozinha. Ele teve um infarto fulminante, aquilo foi como um alívio. Poucas semanas depois do ocorrido descobri que estava esperando um filho, sem rumo, sozinha no mundo acabei agindo pela amargura e abortando nosso filho._Confessei despejando toda a verdade em cima dele.

- Queria ter te protegido de todo o mal, faria qualquer coisa para voltar no tempo. _Puxou meu queixo com delicadeza, fazendo-me ficar a centímetros de distância de seu rosto. 

Michael me fitou profundamente por alguns segundos e me apertou contra seus braços me oferecendo conforto. Afundei minha cabeça no peito dele e me permiti sentir o seu amor, o perfume inebriante que me tirou do sério tantas vezes ainda era para mim o cheiro dos deuses. 

- Jenna, _Michael segurou no meu rosto com um olhar desesperador – deixe-me consertar tudo, fica comigo e esqueça essa ideia maluca de casar com o meu irmão. Pode me perdoar por ter sido um completo idiota? _Suas palavras saíram quase como uma súplica desesperada.

- Eu não posso fazer isso com o seu irmão, sinto muito._Desvencilhei-me do abraço dele.

- Mas você não o ama e...

- Acontece que eu não posso. _repreendi-o – Eu... Eu devo muita coisa ao Sebastian, tudo na verdade. 

- Espera! _fitou-me desapontado –Bash sabia, não é mesmo? _Não respondi a indagação ríspida dele, e isso bastou para ele tirar suas próprias conclusões. – Mas é claro, como eu não percebi isso antes?! _sorriu sem graça e balançou a cabeça. – Por isso toda aquela história de porto seguro e tudo mais que você falava... 

- Sebastian apareceu no momento que mais precisei. As coisas aconteceram tão rápido que eu nem me dei conta de que tinha contado a ele, só precisei de um ombro amigo e Bash estava lá, ele enxugou minhas lágrimas, me reconfortou._Reforçei.

- Não acredito! Você teve coragem de contar ao Bash, mas não confiou o suficiente em mim não é Jenna?

- Ele me entendia, me deu o carinho que eu precisava, atenção e... Eu confiei nele.

- E quanto a mim, que era seu amor de infância a quem jurou amor eterno, acha que não tinha o direito de saber? _Perguntou se sentindo ofendido.

- Você me julgou e não confiou em mim. Foi logo me condenando. Michael, eu estava sensível, e a última coisa que eu estava precisando era de injurias. _Argumentei, e estava com a razão. Se Michael tivesse parado para conversar comigo assim como o Sebastian fez, tivesse insistido, eu teria lhe contado, mas não, ele foi logo me acusando.

- Eu me senti traído e... _ Admitiu entristecido, mas não permiti que ele concluísse.

- Eu também me senti traída, traída pela a sua confiança. Sinto muito, mas certas coisas não têm conserto. 

- Jenna, não. _Tentou me tocar, mas eu me afastei abruptamente. – Por favor... Jenna Carter eu quero outra chance no amor! Pode me perdoar por todas as imbecilidades que cometi? _Sorriu com docilidade. -Eu te amo princesa, e embora seja um completo idiota não desistirei de você._Beijou minha testa e eu arfei diante da genuína declaração de amor dele. 

- Eu não posso fazer isso com Bash, sinto muito._Desvencilhei-me do abraço dele. -Você me julgou e não confiou em mim, como irei dispensar um bom homem para ficar com alguém tão insensível? _Divaguei e o sorriso dele foi se fechando.

- Respeito sua decisão, mas não estou disposto a lhe perder._Avisou de cenho franzido.

- Volte para a Inglaterra, Michael. _Eu não queria dizer isso, mas era necessário. –Volte para a sua noiva. _Ele rolou os olhos pelo chão. 

- Eu não quero ir a lugar algum. E tem mais, eu não estou mais com a Ava, terminei definitivamente com ela. _Confessou, e não posso negar que por um momento me senti feliz por àquilo, mas logo voltei a realidade lembrando-me de que meu futuro era Sebastian e ponto. — Entendeu? Eu quero você.

- Não insista, Michael. Eu serei a Sra. Jackson por parte do Sebastian. _Conduzi-o até a porta e abri a mesma indicando que saísse. Michael ainda gesticulou com a mão demonstrando que queria proferir algo, sabia que ele intenções de acrescentar alguma coisa, mas desistiu quando me viu abrir mais a porta. 

- Respeito sua decisão, mas fique sabendo que eu não aceito, nunca desistirei de você._Esclareceu dócil, e franziu o cenho. Conhecia Michael o suficiente para saber que aprontaria alguma.

Ele não disse mais nada ou deu um de seus acessos de nervos, apenas se direcionou até a porta, mas antes de pôr o pé fora do meu apartamento, ele parou e me olhou por alguns instantes, viu que eu não mudaria de ideia e saiu porta afora. Se eu não amasse Michael Jackson com toda minha alma, seria nesse momento uma mulher plenamente feliz ao lado de um homem maravilhoso chamado Sebastian, todavia a realidade era que pertencia a Michael. Deus, como me casaria com Bash transbordando de amor por seu irmão? Definitivamente isso era insano, mas eu o faria mesmo que pagasse o preço da infelicidade.



Capítulo 21


Com os olhos arregalados me encarava pela última vez no espelho enorme, dentro de um vestido tomara que caia branco, e um véu na cabeça. Minhas mãos estavam tremulas e transpirando, tinha vontade de desistir de tudo e sair correndo. Olhei para a Cel e apesar dela não concordar com o meu casamento com o irmão errado, — assim como ele disse — ainda sim um sorriso estampava a sua face.

Vamos dizer que eu não estava de todo triste e nem plenamente feliz, confusa poderia ser a palavra apropriada para tudo isso. Eu estava prestes a me casar com um homem maravilhoso, mas que mesmo sendo incrível e íntegro eu não o amava e esse era o meu medo. Estava entregando definitivamente minha vida a ele, mas o que eu faria depois de um mês de casamento? Quando começasse a encontrar Michael por aí? Com que cara eu iria ficar? E meu medo não era de me arrepender, porque isso era uma possibilidade certa, mas sim que com isso eu acabasse machucando o Sebastian.
Me encarei novamente no espelho e engoli em seco fechando meus olhos, e deixando uma única lágrima escorrer pela minha bochecha.
— Oh não, Jenna! — Celeste gritou. — A maquiagem. — Correu e passou de leve o dedo na minha bochecha enxugando a lágrima. Franziu o cenho quando olhou nos meus olhos e percebeu minha angustia. — Você está na dúvida, não é mesmo?

— Eu estou com medo. — Confessei com a voz baixinha.

— Eu sei que está com medo. — Respirou fundo e me abraçou forte.

— O que vai acontecer depois que estiver casada com o Sebastian, Cel?

— Irá descobrir quando estiver no altar. — Respondeu e me soltou. — Você sabe o que eu penso sobre esse casamento não sabe? — Assenti com a cabeça. — Mas eu sei que o Sebastian é um homem muito bom e fará de tudo para te fazer feliz.

— Mas esse é o meu medo. É de ser feliz enquanto machuco-o.

— Não sinta medo, Jenna. Você é a mulher mais corajosa que eu conheço. Você já passou por tantas coisas e ainda sim continua sempre com esse seu jeito doce e esse sorriso no rosto. Se você acha que deve se casar com o Sebastian, case-se, o que vier você resolve depois.  Agora vamos que já está na hora. — Concluiu passando as mãos de leve no meu vestido e me entregando o buquê de rosas vermelhas.

(...)

A limousine foi estacionada em frente a igreja, e agora sim posso dizer que senti algo estranho revirando  meu estômago. Celeste havia descido entrar antes para pegar o seu lugar de madrinha, e eu fiquei apenas com o pai de Sebastian, obviamente isso foi meio constrangedor. Sim, ele quem iria me levar até o altar.

— Está pronta, Jenna? — O meu sogro perguntou gentilmente olhando emocionado para mim.

— Acho que sim. — Pigarreei. Ele saiu do carro, fez à volta em torno do veículo e abriu a porta para que eu pudesse descer.

Aos poucos começamos a subir os degraus da igreja, enquanto isso tentava me convencer de que daria tudo certo e que seria uma vida nova. 

As portas da igreja se abriram e eu pude ouvir os primeiros acordes serem tocados e também o barulho intrigante das pessoas se levantando, o que me deixou mais nervosa. Será que Michael estava entre elas? Essa pergunta me perturbava e me deixava aflita.

Adentrei a igreja acompanhada pelo Sr. Jackson, e Sebastian estava no altar. Seu sorriso se alargou ao me ver sendo guiada por seu pai em sua direção e sua boca se abriu balbuciando um “maravilhosa”. Enchi meus pulmões de ar, soltando lentamente entre meus lábios, enquanto sentia meu coração pulsar forte. E de repente minha visão começou a ficar turva pelas lágrimas que se alojaram nos meus olhos. Mas não, eu não podia chorar e obriguei-as a voltarem.

Meus passos eram lentos enquanto eu voltava meus olhos por toda àquelas pessoas procurando algum vestígio de Michael. Tinha a certeza de que ele não estava lá.

Assim que finalmente cheguei ao altar, o Sr. Jackson beijou o topo da minha testa, e as mesmas lágrimas que eu não tinha permitido, dessa vez desceram pelo o meu rosto.

O Sr. Jackson deu um abraço no filho e tomou o seu lugar. Sebastian olhou para mim, estendeu sua mão e sorriu, ele estava muito feliz eu via isso nos seus olhos.

— Oh.... Você está tão linda, deslumbrante. — Bash moveu os lábios me analisando com os olhos brilhando.

— Obrigada. Você também. — Sorri sem jeito, e de repente novamente a vontade súbita de sair correndo dali tomou conta de mim.

Viramos para o padre, e o mesmo começou com o discurso matrimonial.

— Sebastian Jackson e Jenna Catter, viestes aqui para unir-vos em matrimônio. — Assentimos.

—...

— É de livre e espontânea vontade que o fazeis? Abraçando o matrimônio, ides prometer amor e fidelidade um ao outro. E por toda a vida que o prometeis? Estais dispostos a receber com amor os filhos que Deus vos confiar, educando-os na lei do Cristo e da igreja?

— Sim. — Respondemos juntos.

—...

Depois que o padre terminou todo o discurso, viramos um para o outro e demos as mãos. Sebastian apertou meus dedos demonstrando que tinha percebido meu nervosismo.

Sebastian Jackson, você aceita Jenna Carter como sua legitima esposa, para amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

— Aceito. — Ele respondeu sem tirar seus olhos dos meus. Meu Deus, estava chegando a minha parte e eu estava tremendo não só por fora, mas por dentro também.

— E você, Jenna Catter, aceita Sebastian Jackson como seu legitimo esposo, para amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe? — Nesse momento minha garganta pareceu se fechar, até por demais. Pisquei meus olhos sem saber o que falar. Por intuição olhei para as pessoas e de repente o inesperado aconteceu. Michael se levantou entre todos do lado esquerdo e olhou pra mim com cara de lamentação e uma tristeza refletida em seu olhar que abalou as placas tectônicas sob os meus pés. 

Por conta da minha demora para responder, os burburinhos começaram a ecoar por toda a igreja.

— Jenna? — Sebastian chamou a minha atenção impaciente e eu o fitei. — O que há? Responda! — Murmurou já preocupado, exigindo uma resposta, na verdade ordenando uma atitude minha. Voltei a percorrer o olhar pelo o salão e Michael continuava olhando para mim, deu um sorriso triste e virou-se, caminhando porta afora da igreja.

— Srta. Catter? — Foi a vez do padre chamar a minha atenção, estranhando minha reação atípica. — Estamos esperando a sua resposta.

— É, estamos esperando. — Sebastian ressaltou, abrindo mais os olhos em um aviso interno.

Voltei a olhar com uma aflição e uma dúvida miserável dentro de mim. Vê Michael ali foi tudo o que eu precisava para perceber de uma vez por todas que me casando com o Sebastian não estaria enganando só a ele, estaria enganando a mim mesmo, e tinha a certeza de que sofreria futuramente por isso. Eu não poderia me casar com Sebastian, pois o único homem com o qual eu queria estar no altar tinha acabado de saí decepcionado da igreja. E de todas as minhas escolhas, deixar Sebastian no altar seria a pior, seria uma humilhação, mas eu não tinha outra escolha e já estava lamentando por isso. Não tinha como voltar atrás. 

Abaixei o buquê de flores e olhei bem no fundo dos olhos de Sebastian. 

— Me perdoe, mas eu não posso. — Respondi seca e os burburinhos começaram a ficar ensurdecedores dentro da igreja. Sebastian me olhou com os olhos arregalados e mordiscou os lábios, nervoso.

— Jenna, o que você está fazendo? — Indagou incrédulo.

— Me desculpe, Bash, mas eu não posso. Espero que consiga me perdoar por isso um dia. — Foram as única palavras que eu consegui pronunciar antes de descer do altar e correr pelo opulento tapete vermelho em direção a porta da igreja com a calda do meu vestido arrastando no chão, deixando Sebastian inerte, decepcionado, e humilhado em cima do altar, diante de todas aquelas pessoas.

Assim que pus o pé fora da igreja, vi o carro de Michael começando a se movimentar. Segurei o meu vestido que estava atrapalhando e corri em sua direção, gritando feito uma louca.

— Michael! Pare! Michael... — O veiculo parou de andar, e assim que alcancei-o, abri a porta e me enfiei dentro.

— Jenna?! — Michael me olhou com seus olhos negros esbugalhados e um sorriso de canto despontando nos lábios. — Você... — Não deixei que ele desse continuidade, porque avancei pra cima dele e tomei seus lábios de uma forma abrupta, deixando-o sem reação.

— Me tira daqui, por favor. — Sussurrei entre o beijo. Michael segurou no meu rosto com as duas mãos e o afastou para olhar no fundo dos meus olhos.

— Você fugiu? — Eu fiquei calada, relutando em prosseguir, deixando uma lágrima escorrer sobre o meu rosto. — Você abandonou Bash no altar? — Ele parecia atônito, mas dava para perceber pela sua feição que ele estava feliz por isso e aliviado.

— Apenas me tire daqui! — Gritei, e ele me obedeceu arrancando o carro com toda a velocidade.


Capítulo 22


Assim quando entrei no quarto de hotel que Michael me levara, me livrei dos meus sapatos e da grinalda. Michael falava alguma coisa com a recepcionista pelo o interfone, acho que estava pedindo para que não fossemos incomodados. Assim quando terminou, ele encostou-se na mesinha e ficou olhando para mim que estava sentada na beira da cama. Eu tentava imaginar, ou até mesmo adivinhar o que estaria acontecendo nesse momento na igreja, como o Sebastian estava se sentindo com toda aquela humilhação. Confesso que eu estava arrasada por ter feito isso com ele, mas foi preciso. 

— Espero que não se arrependa do que fez. — Murmurou.

— Eu não vou. — Levantei mais a minha cabeça para encará-lo melhor. — Você tinha razão, Michael. Eu não podia me casar com o Bash, eu não o amo. — Frisei.

Michel mordeu o lábio inferior e depois sorriu, vindo em minha direção e se abaixando na minha frente. Segurou minhas mãos e deu um beijo no dorso de cada uma.

— As coisas poderiam ter sido diferentes. Eu queria que desistisse desse casamento, mas as coisas não tinham que ser desse jeito. — Lamuriou isso porque obviamente se sentiu triste em saber que o irmão foi abandonado no altar, e não era para menos, quem não se sentiria triste em saber que o irmão tinha sido tão humilhado diante de familiares e amigos?

— É... Eu sei, mas agora é tarde demais para se lamentar. Eu fiz o que tinha que ser feito. Era o certo a se fazer. — Michael apertou os lábios, meneando a cabeça.

— Por um momento cheguei a pensar que você gostava dele, sabe? Quando te vi no altar e prestes a dizer sim para ele. — Franziu o cenho. — Pensei que iria te perder pra sempre. Por isso saí dali, para não ver você responder.

— Michael... Eu... Eu já me apaixonei pelo o Sebastian uma vez, ou... Ou pelo menos pensei que sim. Mas eu encontrei meu caminho de volta a você. Aconteça o que acontecer será sempre você. Eu te amo.

— Eu também te amo, Jenna Carter. — Disse e se levantou, segurando minha mão e me puxando para fazer o mesmo. Michael ficou me encarando por uns instantes acariciando o meu rosto e depois colou nossos lábios em um beijo casto.

— Faz amor comigo. — Pedi ainda com meus lábios colados nos dele.

— Faço o que você quiser. — Sussurrou serenamente, e depois aprofundou mais o beijo, tornando-o um beijo sôfrego,urgente, carregado de paixão e desejo. Depois ele soltou meus lábios e me apertou nos seus braços, afastou-se para poder alcançar o zíper do meu vestido, o mesmo que ele abaixou quando o encontrou. — Esse vestido é lindo, mas que pena que terei que rasgá-lo. — Disse com a voz rouca, e depois rasgou o meu vestido pela abertura do zíper, deixando-me apenas de calcinha, a qual ele tratou de abaixar para que eu tirasse com as pernas. Suas mãos começaram a deslizar com delicadeza pelas curvas do meu corpo, enquanto ele passava seu nariz com sensualidade no meu pescoço, suspirando forte, e fazendo-me fechar os olhos e arquear a cabeça um pouco pela sensação de prazer que estava domando o meu corpo.

— Michael... — Gemi e ele levou uma de suas mãos até os meus seios, apertando-os com delicadeza.

Eu também toquei no seu corpo e empurrei seu terno pelos os ombros, ele me ajudou a tirar a peça formal, e logo em seguida a camisa também. Michael me deitou sobre a cama, e antes de deitar por cima de mim, ele livrou-se de seus sapatos, sua calça e sua box, e logo se colocou entra minhas pernas, beijando meu pescoço, mordendo e dando chupões. Podia sentir seu membro ereto roçando na minha intimidade,  deixando-me extraordinariamente excitada, com um desejo quase desesperador de senti-lo dentro de mim. Abri mais minhas pernas para recebê-lo e ele entendeu o recado. Esfregou sua glande na minha entrada e depois me penetrou com uma intensidade lenta e devoradora. Michael começou a se mover dentro de mim lentamente com a perícia de um mestre. Seu membro me preenchia totalmente, como se tivessemos o encaixe exato. Sentia-o me alargando enquanto minhas unhas fincavam suas costas. Meus seios foram abocanhados por sua boca que os sugavam com volúpia. Segurei nos seus braços, levantei minha cabeça e inclinei meu queixo, desfrutando da sensação plena de seu prazer. 

Michael mordeu meu queixo, enquanto se deslizava para dentro de mim com lentidão, tão doce, tão terno, seu corpo pressionando-me vagarosamente, me preenchendo em um ritmo dolorosamente lento, saboreando cada centímetro de mim, e gemendo o meu nome enquanto eu gemia o seu.

— Michael, por favor... Mais rápido. — Gemi enterrando meus dedos nos seus cabelos, puxando sua cabeça de encontro a mim, e enlaçando suas nádegas com minhas pernas querendo senti-lo ainda mais fundo. E Michael atendeu ao meu pedido, gemendo guturalmente e aumentando furiosamenteo ritmo das estocadas.

— Ah... Michael... — Gemi mais uma vez.

— Jenna... — Gemeu, e segurou nos meus cabelos. — Você é só minha. Só minha, escutou? — Afirmou com a voz rouca e possessiva.

— Só sua Michael. — Respondi e ele aumentou o impulso das investidas.

— Eu... Te amo. — Sussurrou, e sua boca tomou a minha em mais um beijo ávido, sua língua se enroscando a minha enquanto seus lábios me sugavam com fome. Sentia o orgasmo chegando, aquela sensação maravilhosa de formigamento me dominar, fazendo-me contorcer sob seu corpo. Sua boca se afastou da minha enquanto seus olhos se conectaram aos meus. — Olhe para mim e goza. Vai! — Ele pediu me estocando pela última vez.

Um gemido gutural e alto saiu de minha garganta. O gozo me tomou num espasmo vertiginoso. Senti meu corpo arquear contra o dele como se tivesse vida própria, e mergulhei num vórtice de sensações excruciantes, afastando-me anos luz da realidade e do bom senso. Pouco depois Michael arqueou sua cabeça para trás, sua boca abriu num gemido singular e seus músculos abdominais se contrairam devido aos espasmos intensos.  Após se saciar e chegar ao seu glorioso clímax ele desabou sobre meu corpo, exausto e suado. 

Michael saiu de dentro de mim e deitou ao meu lado soltando a respiração quente em meu pescoço com sua pele úmida pelo o suor, e meu corpo ainda em estado de êxtase pelo orgasmo.

— Nunca mais vou te deixar escapar. — Assegurou num tom de voz brando e baixo, que mais soou como um sussurro.

— Promete?

— Prometo. — Olhou fixamente pra mim. — Você nasceu pra mim e eu nasci pra você. — Eu sorri e dei-lhe um selinho.

Voltei a afundar minha cabeça no travesseiro e fiquei pensando por alguns minutos enquanto Michael me acarinhava.

— No que está pensando, amor? — Indagou quebrando o silêncio. Me sentei na cama e olhei para ele séria.

— O que será que deve estar acontecendo agora? — Ele retraiu o cenho e também sentou-se ao meu lado na cama. — Digo... O que será que está acontecendo na sua casa, se passando na cabeça do Bash... — Michael respirou fundo e tocou no meu cabelo.

— Provavelmente, ele deve estar me odiando agora. — Revelou colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Eu conheço meu irmão, com certeza está puto. — Claro que ele estava irado, não só com o Michael, mas comigo também. — Mas não se preocupe. — Acariciou minha bochecha.

— Me desculpe ter te colocado nessa situação. Minha intenção nunca foi jogá-los um contra o outro. — Abaixei minha cabeça. — Bash é um ótimo homem e...

— Hey? — Segurou no meu queixo com delicadeza — Eu sei que você nunca quis isso, e sim, o Bash é um cara legal, mas ele terá que entender que você não o ama. Eu conversarei com ele. Agora vem cá que eu quero te amar mais uma vez, até o amanhecer princesa. — Segurou minha cintura e me fez deitar novamente.

— Michael... — Sorri, e ele começou a beijar meu pescoço. Suas mãos passaram a acariciar meus seios e logo desceram aos poucos, parando na minha barriga.

— Que tal um... Mini-Michael no futuro? — Perguntou num sussurro muito hesitante. Paralisei e ele ergueu a cabeça para me olhar. — Case-se comigo, princesa. — Seus olhos brilhavam em uma serenidade. Eu não sabia se sorria ou se chorava. — Quero cumprir com a minha promessa de te fazer feliz pelo resto das nossas vidas. Quero ter um filho com você e...

— E...? — Arqueei as sobrancelhas.

— Adotar Luna com você. — Michael me pedir em casamento bem no dia que o meu era bem irônico, mas mesmo assim aquilo foi a coisa mais maravilhosa que ouvi. E Deus, ele queria mesmo adotar Luna junto comigo e me dar um filho. — O que me diz?

— Oh, Michael. — Sorri e enlacei seu pescoço. — Claro que, sim meu amor. — Levantei minha cabeça para beijá-lo.

Com nossos corpos ardentes misturados, mais uma vez seguimos incansáveis rumo ao nosso apogeu, e nesse momento tudo era perfeito e não existia nada que nos causasse angústia e nem mesmo culpa por sermos imensamente felizes. 






Capítulo 23






Embora não quisesse tocar no assunto com Michael, precisava me certificar que ele realmente rompeu com a magricela. siliconada Ava podia ser uma perua fútil e insuportável, mas mesmo assim não queria fazer parte de mais uma traição suja.


Michael parecia um anjo dormindo, quem o visse assim tão em paz ressonando em um sono tão pesado jamais imaginaria que ele tinha energia de sobra e que fizemos amor a noite toda. Para ser sincera é claro que estava resplandecendo felicidade, após horas a fio sendo amada pelo meu homem não poderia ser diferente. Mais do que nunca tinha a absoluta certeza sobre meus sentimentos por Michael, eu o amava e não podia abdicar desse sentimento para assumir uma vida de aparências como a que pretendia construir com Sebastian.


- Hey amor, já acordada! Mas é ainda tão cedo._Resmungou Michael se espreguiçando e logo em seguida se inclinando na cama. 

- Desculpe se te acordei, não consegui ficar na cama._Expliquei, suspirando profundamente.

- Tudo bem princesa, mas por que essa carinha tristinha?_Perguntou cismado com minha expressão de melancolia.

- Não é nada, estava apenas refletindo sobre o que aconteceu ontem._Respondi, tentando parecer despreocupada.

- Jenna, sei que devem passar milhões de besteiras pela sua cabecinha._Sorriu e passou a me encarar de soslaio.

- Não imagina o quanto me sinto cruel em ter deixado seu irmão naquele altar._Confessei, abaixando a cabeça.

- Também me sinto um verdadeiro traidor, mas a questão é que nos amamos._Enfatizou de cenho franzido.

- Então você e Ava terminaram mesmo? Quero dizer, rompeu o noivado com ela ?_Indaguei diretamente.

- Exato, quanto a isso não tem com o que se preocupar, não existe mais nada entre mim e Ava. Tivemos uma longa conversa e eu admiti a ela que meu coração já tem dona._Esclareceu comprimindo os lábios contra seus dentes perfeitamente alinhados e claros.

- Ao menos isso já foi resolvido._Comemorei abraçando Michael e ele retribui o gesto de bom grado acariciando meus cabelos.

- Precisamos falar com Sebastian._Desconversou, demonstrando estar incomodado com a situação.

- Está receoso, não é?_Questionei analisando os olhos negros dele vagarem pela suíte e retornarem a mim.

- Não é isso, mas não queria que as coisas tivessem chegado à um ponto tão trágico._Murmurou com um pesar absurdo.

- Nem eu Michael, mas agora já está feito e temos que encarar a situação._Dei de ombros. 
 
- Vou tomar um banho e me arrumar princesa._Beijou minha testa e levantou-se da cama.

- Só não lhe faço companhia porque se fizesse, ficaríamos a manhã inteira trancados no banheiro fazendo amor._Dei uma piscadela discreta para Michael e ele riu da minha sinceridade, entrando no toalete e passando a chave na fechadura.

**** 

- Mas eu quero ir com você Michael, tenho a obrigação de olhar dentro dos olhos de Bash e me desculpar._Bradei indignada.

- Jenna não faltarão oportunidades para esse confronto, mas não hoje, precisa acalmar os ânimos primeiro._Aconselhou e eu cruzei os braços bufando de raiva.

- Escute bem, você não manda em mim!_Vociferei.

- Precisa entender que não quero ser um noivo controlador, somente preciso evitar que saia machucada de toda essa merda!_Protestou num tom de voz severo.

- Acontece que todas as partes envolvidas estão magoadas, e não há como mudarmos os últimos acontecimentos._Rebati convicta. 

- Jenna não seja infantil, eu traí meu irmão. Deveria ter sido honesto com ele desde o início e lhe dito que ainda sou apaixonado por você._Lamentou-se. 

- Só que agora é tarde para tentar procurar um culpado._Murmurei e antes que pudesse concluir minha linha de raciocínio um estrondo violento preencheu o ambiente e a porta da suíte foi arrombada.

Arregalei os olhos ao me deparar com a figura perturbada de Sebastian, ele invadiu a suíte e assim que me avistou com o irmção lançou um olhar mortífero a mim e a Michael, para depois aproximar-se de nós. 

- Vejam só os pombinhos. Aqui estão vocês._Gargalhou nos fitando com asco. 

- Precisamos conversar como pessoas civilizadas._Michael se pronunciou.

- Claro, você rouba a minha mulher, passa a noite num hotel de luxo com ela e o corno aqui tem que ser gentil._Ironizou. 

- Bash, por favor, apenas nos escute._Implorei, sentindo um nó se formar em minha garganta.

- Cale a boca Jenna. — Berrou exasperado com as mãos na cabeça — Eu... Eu entreguei meu coração a você, te ajudei, te dei todo o meu amor e olha o que fez? Me abandonou na frente todos pra ficar com esse imbecil. Você é uma vagabunda._Gritou tempestuoso. 

- Não, Bash... Eu sinto muito. Sou eternamente grata por tudo o que fez por mim, mas...

- Mas nada. Você é uma vagabunda!_Rosnou com desdenho. Eu nunca pensei que Bash tomaria uma atitude tão extrema quando descobrisse a verdade, e vê-lo dessa forma me assustou muitíssimo, nunca tinha o visto assim. Mas também não era pra menos.

- Respeite a Jenna, não admito que fale assim dela. Vamos nos casar e terá que aceitar que nos amamos, Sebastian._Retrucou Michael, perdendo o bom senso.

- Nem se passarem por cima do meu cadáver esse casamento acontecerá._Ameaçou revoltado, prestes à partir para cima de Michael.

- Parem com isso! São irmãos não se ataquem dessa forma._Implorei me equilibrando nos ombros de Michael. 

- Quem plantou a discórdia em nossa família foi você sua vadia!_Insultou-me sem dó nem piedade e percebi que os músculos de Michael se retesaram pelo ódio que sentiu ao ouvir as calúnias do irmão. 

- Suma daqui Sebastian, aprenda a respeitar uma mulher e aí conversamos._Bradou e foi surpreendido pelo punho do irmão que se fechou e atingiu o rosto de Michael violentamente. O soco brutal arrancou sangue do nariz do meu homem e eu fiquei perplexa com a agressão do meu ex-noivo.

- Bash, sempre o admirei e fui grata por ter me oferecido seu apoio. Mas agora vejo que me enganei quanto ao seu caráter, está agindo como um animal primitivo._Frisei, tocando o rosto ensanguentado de Michael.

- Isso é muito pouco, foi apenas por honra._Destacou com os olhos vidrados em mim.

- Tem sorte de Jenna estar aqui, porque senão ia te arrancar bem mais que um pouco de sangue._Michael retribuiu a agressão com elegência, alisando sua face machucada e dolorida.

- Nos deixe em paz Bash. Saia daqui!_Ordenei autoritária. 

- Ah... Me desculpem, a puta aí tem que terminar o servicinho._Riu sordidamente e dessa vez não hesitei em desferir um tapa no rosto dele. Meus olhos estavam marejados por presenciar a cena de Sebastian me depreciando cruelmente, eu tinha que descontar a dor e angústia de meu coração em alguém e foi o que fiz.

- Sugiro que desapareça das minhas vistas, e nunca mais ouse ofender Jenna ou não respondo por mim Sebastian._Alertou e Bash nada respondeu, somente ergueu as mãos e nos deu as costas saindo bufando porta afora.

- Hey, você está bem amor?_Michael tocou meu queixo delicadamente e enxugou uma lágrima que rolou pelo meu rosto com a ponta de seu dedo indicador.

- Eu vou superar, o seu amor vai curar as feridas da minha alma._Enfatizei, tendo a plena convicção que seremos muito felizes.

- Será que algum dia meu irmão irá me perdoar?_Respirou fundo e me encarou preocupado.

- Sebastian é um bom homem,justo, apesar de todas as injúrias que proferiu a nós ele irá se dar conta do equivoco que está cometendo._Disse confiante. 

- Tem razão, ele precisa de um tempo,assim como nós._Mordeu o lábio inferior e um sorriso safado despontou de seus lábios. Ah, aquele sorriso sacana era o meu ponto fraco.

- Deus! O que está aprontando?_Perguntei desconfiada.

- Que tal irmos visitar Luna e contar a novidade a ela?_Arqueou as sobrancelhas. 

- Michael você é genial, eu ia adorar. Acho que chegou o momento de conversarmos com ela sobre a adoção._Conclui notoriamente nervosa.

- Nada de se emocionar princesa, e não se preocupe Luna adora você, ela ficará extasiada com a notícia._Ressaltou.

- Chega de perde tempo!_Exclamei entuasiamada.

- Vou sair para comprar algumas roupas para você vestir e nos encontramos mais tarde._Apertou-me contra seus braços em um abraço gostoso e beijou minhas bochechas.

- É acho que um vestido de noiva rasgado não é algo apropriado para se vestir no dia a dia._Debochei e Michael balançou a cabeça em negativo.

- Não mesmo._Consentiu rumando a  passos firmes até a porta e deixando a suíte.






Capítulo 24





Meus sentimentos permaneciam tão conflitantes dentro de mim, mas não restaram mais dúvidas, pertencia a Michael Jackson e não estava mais dividida. Só esperava que Bash fosse capaz de me perdoar e compreender que amava Michael e nada do que ele fizesse mudaria isso.

(...) 

Minha visão turva graças as lágrimas foi preenchida pela construção moderna e grandiosa com uma placa dourada contendo os dizeres "Children peace".

- Jenna tem certeza que está pronta?_Michael afagou meus cabelos e eu assenti entrelaçando nossas mãos. 

Seguimos em silêncio em direção a sala dos brinquedos onde as crianças se divertiam após as aulas. A fundação era extremamente bem organizada e como a maioria das crianças eram doentes terminais e não tinham condições de frequentar uma escola tradicional, Michael contratou professores para alfabetizar os pequenos anjinhos.

Quando Michael abriu a porta e me guiou para dentro da sala de brinquedos da fundação meus olhos pousaram de imediato em Luna. Ela estava como de costume segurando sua boneca e no instante que notou minha presença correu para me abraçar.

- Como está boneca?_Perguntei sorrindo feito idiota tamanha a satisfação de vê-la me receber de braços abertos. 

- Muito bem tia, e a Sra.?_Pôs uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e eu me derreti perante o olhar ingênuo dela.

- Também estou feliz, mais do que nunca _Afirmei olhando fixamente para Michael. 

- Tio Michael parece feliz também._Disse inocentemente.

- Sabe o que é Luna, é que eu e a tia Jenna vamos nos casar._Revelou e pude notar um brilho sublime tomar os olhos da linda garotinha que inexplicavelmente eu amava.

- É sério? Eu sabia, vocês são como almas gêmeas, eu li isso num livro outro dia._Divagou contente com a revelação.

- Mas você é mesmo muito inteligente Luna, estou orgulhosa._Ajoelhei-me para ficar na altura dela e Michael sorriu de leve ao observar meu incrível afeto a menina.

- Sou sim tia! 

- E é por isso que gostaria de lhe oferecer um lar boneca. O que acha de vir morar comigo e o tio Michael? Queremos adotá-la._Segurei as mãozinhas delicadas dela e percebi que ficou surpresa com o questionamento. 

- Puxa tia, é tudo que mais quero, ter uma mamãe e um papai como todas as outras meninas da minha idade. _Murmurou com um sorriso grande estampado em seu rosto angelical.

- Eu sempre disse para acreditar em seus sonhos. Pois veja eles estão se tornando realidade._Michael se ajoelhou para se juntar a nós e eu fiquei encantada com a atitude dele.

- Verdade, tem razão sonhos podem se tornar realidade._Sorri e Michael fez o mesmo.

- Seremos uma família Luna._Sussurrei, contendo o choro e toda a emoção que tomou conta do meu ser. Jamais em toda minha vida me imaginei tão feliz, tampouco ao lado do homem que amo. Michael Jackson é a melhor coisa que já me aconteceu e eu moveria céus e terra se necessário para me tornar a mulher dele...


Meses depois...

- Michael eu não sei, ainda tenho receio de encarar Bash._Sibilei. 

- Jenna não podemos fugir a vida toda, meu pai nos convidou para almoçar com ele, além do mais aquela mansão não é só de Sebastian._Reforçou, obstinado a aceitar o convite do meu sogro. 

- Por um lado está coberto de razão, pelo outro...

- Amor, há meses evitamos esse encontro com meu irmão, mas é impossível continuar nos escondendo._Suspirou pausadamente querendo enfatizar seus argumentos. 

- Você venceu, eu vou ao tal almoço._Concordei ainda hesitante.

- É assim que se fala, Sebastian tem que aceitar que estamos juntos._Impôs irritado.

- E ele vai compreender Michael, talvez isso demore um tempo, mas vai chegar o dia que ele terá que entender que nos amamos._argumentei desanimada e Michael percebeu o quão esse assunto era desconfortável para mim. Afinal eu era a mulher que estava entre dois irmãos e gerou todo esse ódio na família Jackson.

- Não tem que se culpar desse jeito Jenna, chega de se torturar por me amar, pare meu amor!_Balançou a cabeça negativamente e visualizei preocupação refletida em seus olhos expressivos.

- Esqueça essa história ao menos por hoje, vamos nesse almoço e não se fala mais nisso._Consenti revirando os olhos. 

- Jenna, estou pensando em comprar uma casa em Los Angeles. Não que não esteja gostando de morar aqui em seu apartamento, mas como havia dito isso é provisório. Assim que nos casarmos e entrarmos com o processo de adoção fecharei o negócio. Luna precisa de um lugar espaçoso para brincar._Salientou. 

- É verdade Michael, tem meu consentimento. Mas quero ir com você visitar as propriedades._Pisquei para ele e me atrevi a sentar em seu colo. Como estávamos no sofá da minha sala em meu apartamento, poderíamos ter qualquer tipo de intimidade sem medo de passar por algum tipo de constrangimento. 

- Não me provoque princesa, sabe muito bem que não resisto._Murmurou num tom de voz lascivo que me deixou completamente excitada e impaciente para fundir nossos corpos em um só.

- Eu faço questão de te enlouquecer._Grunhi insinuativa no pé ouvido dele, colando nossos lábios e iniciando um beijo libertino exatamente como meu corpo necessitava. Michael foi atacando meus lábios com volúpia e acabamos fazendo amor ferozmente na sala. Era quase que um ritual diário para nós, o tempo que ficamos separados serviu para aguçar nossos desejos sexuais, e a cada dia me sentia mais apaixonada por meu futuro marido.



Capítulo 25


Estávamos todos em volta da mesa. O clima estava tenso e só o que se fazia audível era o barulho dos talheres nas louças. Eu muito mal tocava na comida esperando alguém proferir alguma palavra. Sebastian estava calado olhando para o prato e comendo, ignorando a minha presença e a do seu irmão. Esperava que o Sr. Jackson começasse a me injuriar por ter colocado seus filhos em uma rivalidade de certa forma, mas não foi bem isso o que aconteceu. Ele me recebeu super bem e fez questão de não tocar no assunto enquanto estávamos na mesa.

Confesso que ainda me sentia horrível pelo o que aconteceu, mas como já tinha ressaltado anteriormente, eu fiz o que tinha que ser feito. Só lamento por ter feito-o sofrer.

O Sr. Jackson pigarreou para quebrar toda a tensão e colocou a taça de vinho que segurava sobre a mesa.

— Filho? Como vai a clínica daqui? — Perguntou ele. Michael levantou a cabeça e o olhou receoso.

— Vai bem pai. Obrigado por perguntar. — Sorriu e continuou comendo a sobremesa.

— E as outras?

— Também estão indo bem. O senhor sabe como funciona. Tenho algumas pessoas nas quais posso confiar para cuidar do lugar enquanto eu estou fora.

— Ah sim... — Meu sogro suspirou.

Continuamos calados por mais alguns instantes. 

— E você, Bash? Como anda a sua empresa? — Indagou seu pai rompendo novamente o silêncio. Pensei que ele não iria responder pela demora.

— Vai bem. — Disse seco, e essa fora a única coisa que ele proferiu, sem olhar para o pai. Toda essa tensão estava me deixando desconfortável.

— E você Jenna? — Me pegou de surpresa. Eu e Michael nos entreolhamos.

— Ah... Eu... — Comecei a gaguejar — Eu estou trabalhando... ajudando o Michael lá na clinica.  

— Que bom. Desde que a conheço sei que sempre teve um sonho de trabalhar com crianças. — Balancei a cabeça confirmando.

— Hurum...

— Quais são seus planos? — Questionou mais uma vez.

— Na verdade eu não tenho planos individuais — olhei para Michael e toquei na sua mão —  estamos tomando algumas decisões. — sorri olhando para o homem que amava o qual retribuíu de bom grado meu gesto.

— Conte-nos. — Ah não, isso não seria uma boa ideia.

— Ah... Temos muitos.

— Ah... Qual é? Você não vai deixar seu sogro curioso? — Ergueu as sobrancelhas. Será que ele estava esquecendo que Sebastian estava presente?

— Bom... Isso não é mais hesitante, estamos obstinados a adotar uma garotinha que vive lá na clínica. — Murmurei. Nesse momento Sebastian jogou o guardanapo sobre a mesa com grosseria e arrastou a cadeira com tudo demonstrando seu ciúme e sua raiva ao ouvir isso, e sem nos olhar saiu pisando duro para fora da sala de jantar.

Eu fiquei feito uma estátua toda reta na cadeira, Michael tocou na minha perna e o Sr. Jackson apoiou os cotovelos em cima da mesa.

— Eu sinto muito.

— Não... Eu que sinto. Não deveria ter tocado nesse assunto. — Lamentei. — Tenho que falar com ele. — Me levantei e Michael fez o mesmo.

— Não... Eu vou falar com ele.

— Não Michael, ele está magoado e é comigo que ele precisa falar, ninguém pode fazer isso por mim. — Frisei obstinada a ter coragem para confrontar Bash.

— Tudo bem. — Michael assentiu e voltou a sentar-se. — Cuidado, qualquer coisa grite por mim.

— Michael, ele é o seu irmão. Eu ficarei bem. — Sim, eu ainda confiava em Sebastian o suficiente para saber que ele não seria capaz de machucar uma mulher mesmo estando cego de raiva. Ele não era assim.

Procurei-o e o encontrei no jardim sentado em um banco olhando para o nada. Caminhei em sua direção e me postei à sua frente. Ele respirou fundo e virou-se para o outro lado. Ele ainda parecia muito magoado comigo e isso era óbvio. Quem não ficaria?

— Posso sentar? — Perguntei com cautela. Ele não me respondeu, mas mesmo assim eu sentei-me ao seu lado. — Queria conversar com você. — continuou calado e eu fiquei esperando ele romper o silêncio. Acho que até um insulto seria bom para o início de uma conversa com ele. Mas não, Bash permaneceu calado, o que fez uma certa angústia crescer dentro do meu peito.

— Bash... Eu sei que o que fiz é de deixar qualquer um irado... — ele deu uma leve risada debochada balançado a cabeça — Bash... Fale alguma coisa, por favor! — Supliquei e fiquei esperando ele se manifestar.

— O que você quer que eu fale? — murmurou — Não tem mais nada a ser dito. — Pelo menos ele abriu a boca.

— Não... Tem sim...

— Ah é? Então fale! — agora sim ele se manifestou, olhando nos meus olhos diretamente, enfim expressando todo sua mágoa. Nesse momento minhas desculpas e todo o resto que eu tinha que falar para ele  se aglomeraram na minha garganta formando um nó.

— Eu... Eu... — Pigarreei.

— Se for para pedir desculpas, não se dê ao trabalho. Eu sei como funcionam essas coisas. — Ressaltou com sarcasmo.

— Bash... — Toquei no seu braço e ele olhou para mim — Eu... Eu... Tá bom. Confesso que planejei ter essa conversa com você durante todos esses meses que ficamos sem nos encontrarmos, mas agora que você está na minha frente parece que tudo perdeu o sentido e a única coisa que eu te peço é que me perdoe e... O seu irmão também. — Ele esticou os lábios para o lado e balançou a cabeça.                                                                                                               
— Qual é Jenna? Você consegue mais do que isso. — Ironizou. E ele tinha razão. 

— É Bash, você tem razão. Eu sei que pode até doer, mas você precisa ouvir isso. — ele ficou bem atento me olhando — eu não poderia me casar com você, dizer que o amava sem amá-lo de verdade. Sim, eu sei que não foi à maneira correta de desfazer nosso casamento, mas aquela era a minha única opção no momento e... E se eu tivesse dito sim eu não estaria sendo honesta com você e viveria uma mentira ao seu lado.

Sebastian voltou a olhar para frente e ficou balançando a cabeça.

— Era só ter tido não quando lhe propus...

— Bash...

— Era só ter dito que ainda o amava. — Sua voz agora saiu um pouco embargada, e percebi que ele fez de tudo para não chorar. Segurei suas mãos e ele relutou para não me encarar, mas eu persisti.

— Eu sinto muito... De verdade... E sim... Eu amo o Michael, sempre amei e não posso negar isso a você. Mas eu também te amo, Sebastian... Mas é um amor diferente e não como você imaginou. Carinho, gratidão...

— Por que eu sempre fiquei ao seu lado quando você mais precisou não é isso? Você se sentiu no dever de ficar comigo porque te ajudei a passar por àquilo?

— Não! Não Bash... — Repreendi-o, e fiquei procurando à maneira melhor de prosseguir com a conversa, mas não havia outro jeito. Respirei fundo tomando a coragem. — Eu... Eu me apaixonei por você — ele virou o rosto para o outro lado — é verdade, eu me apaixonei por você, mas não foi da forma que uma mulher se apaixona por um homem... Pena que só percebi isso depois e... Você sabe que era e que sempre será o seu irmão. — Murmurei a última frase com cautela esperando uma reação da parte dele.

Silêncio, novamente eu me via perdida, falando sozinha. 

Ele passou a mão no cabelo e murmurou um palavrão.

— Eu acho que sempre soube sim. — Balbuciou, mas sua voz ainda demonstrava rancor.

— Então? — Dei de ombros com um pequeno sorriso nos lábios na expectativa dele olhar para mim e dizer que iria superar. Ele virou a cabeça devagar e me fitou.

— Você o ama muito, não é? — Me assustei com essa pergunta. Por que ele a fez mulher de "verdade"? Assenti balançando a cabeça.

— Hurum... — Ele franziu o cenho e também balançou a cabeça, parecia pensar em algo.

— Sabe Jenna? Quando você me abandonou no altar eu fiquei muito puto. — riu sem humor — Eu sabia que você tinha feito àquilo pra ficar com ele...

— Sebastian...

— Não Jenna... Deixe eu terminar. — Assenti ficando calada. Ele continuou. — Nossa cara... Como eu fiquei puto. Eu cheguei a nem me reconhecer mais, me tornei um homem amargurado...

— Bash... Por favor, não faz isso. — Implorei enfaticamente. Seria uma tortura ficar ouvindo isso. Mas mesmo assim ele prosseguiu.

— Lembra de quando nos conhecemos? Quer dizer... De quando você apareceu lá na agência atrás de um emprego? — Eu não sabia onde ele queria chegar com essa história, mas mesmo assim assenti.

— Lembro. Como eu poderia me esquecer?

Flash Back...

— Sr. Jackson? — Margaret, a secretária de Sebastian Jackson o chamou após abrir a porta e pôr a cabeça na mesma para olhá-lo. Ele que estava sentado na sua poltrona olhando alguns papéis relacionados às últimas excussões turísticas parou de imediato e direcionou sua atenção para Margaret.

— Sim, Margaret. — Pronunciou ele.

— Desculpe incomodá-lo senhor, mas há uma moça interessada em ocupar a vaga de segunda secretária da diretoria.

Sua carreira ainda estava no início quando ele começou a administrar a empresa de turismo, e estava precisando de uma segunda secretária. Ele já tivera feito 
algumas entrevistas antes, mas ainda não tinha encontrado a mais qualificada. 

Talvez essa fosse a pessoa que ele procurava.

— Ah é? Que bom. E onde está essa moça? — Perguntou Sebastian.

— Está na sala de espera, senhor.

— Nossa Margaret... Espero que essa se encaixe nos padrões que eu procuro. — Enfatizou ele, na expectativa. — Mande-a entrar, por favor. — Deu a ordem e 
Margaret saiu de onde estava para cumpri-la.

Fim de Flash Back...

Definitivamente, eu não fazia à mínima ideia do porque o Sebastian estava tocando nesse assunto. Já fazia tanto tempo isso.

— Eu me lembro de tudo, Bash. — Comentei.

— Eu sei... Eu também me lembro. Sabe Jenna... Quando você entrou na minha sala pela primeira vez eu não apenas sentia que ganhara uma secretária nova, mas sim também uma mulher na minha vida...

Voltando ao Fash Back...

A porta do escritório de Sebastian foi aberta e uma moça adentrou no mesmo com passos tímidos. Seus cabelos castanhos escuros estavam soltos descendo pela cintura e seus olhos cor de mel transbordavam uma doçura incomparável que chamara a atenção de Sebastian assim quando ele ergueu sua cabeça para encará-la.

— A senhora disse que eu podia entrar. — A moça pigarreou olhando para Sebastian que não tirava os olhos de cima dela, sem sequer piscar os olhos. Aquela mulher, aqueles olhos lhe eram familiares, aquele jeito doce no tom da sua voz o fez se lembrar de que a conhecia.

— Jenna? — Sebastian franziu o cenho e se levantou, caminhando em direção a ela.
— Jenna... É você? — Sorriu analisando o rosto dela, e ela ergueu mais a cabeça para olhá-lo.

— Imaginei que me reconheceria. — Disse com um murmúrio de voz. Sebastian sorriu.

— Menina... Como você... Como você está diferente. — Ele comentou com um pequeno sorriso despontado nos lábios. — Está mais... É... Bonita. — O rosto de Jenna enrubesceu no mesmo instante.

— Obrigada Sr. Jackson. — Abaixou a cabeça.

— Oh não... Só Sebastian, por favor. — Pediu ele. — Mas venha. Sente-se aqui. — Ele a guiou até a cadeira em frente à sua mesa, e Jenna sentou-se. Ele deu a volta na mesa e sentou-se na dele com os olhos fixos nos de Jenna.

Quando Jenna namorava seu irmão mais velho, Michael Jackson, raramente eles se viram, mas Michael falava muito dela para Sebastian. E agora estava ela lá na sua frente, a mulher que seu irmão abandonara.

Fim de Flash Back

Eu e Sebastian continuávamos a nos lembrar de como nos aproximamos. E isso agora não estava mais me incomodando. Ele falava de uma forma tão boa que não demonstrava mais a sua raiva.

— Se você soubesse como você estava me intimidando naquele dia... — Sorri e ele me acompanhou.

— Você estava tão linda... Parecia tão frágil na minha frente... E... E foi aí que tudo começou. — Suspirou.

Eu fiquei calada pensando em cada momento que passei ao lado de Sebastian. Foram bons eu confesso, ele me fazia bem.

— Lembra quando viajamos a trabalho e você quase gritou a madrugada inteira tendo pesadelos e eu entrei no seu quarto para ver o que estava acontecendo? — Indagou ele.

— Quando fomos à Los Angeles? — Ele assentiu com a cabeça. Senti um certo incômodo no meu peito. Foi à noite em que eu em plenas as lembranças e soluços me desabafei com o Sebastian sobre o que havia acontecido comigo. Sobre os abusos do meu padrasto.

— Quando você me contou sua história eu tive uma vontade enorme de matar o seu padrasto por isso... Mas como eu iria cuidar de você preso por assassinato? E além do mais o infeliz teve o que mereceu, ele morreu e não foi por minhas mãos. Eu estava completamente apaixonado por você e a única coisa que eu pensava era em como te conquistar, porque eu sabia que você ainda era apaixonado pelo filho da mãe do Michael. — Sorriu sem mostrar os dentes. — Sabe... Eu me senti no dever de cuidar de você... Fiz isso por muito tempo. — deu uma pausa e desviou seus olhos para frente. — Acho que agora o seu verdadeiro amor pode continuar de onde eu parei, não é? — Murmurou.

— Sebastian... Não fale assim...

— Não Jenna... Você não está entendendo. Eu estou magoado sim, mas porque ainda amo você. Porém você fez a sua escolha e eu tenho que aceitar isso, não é mesmo? — não respondi — Sabe... Eu detesto fazer isso, mas... Eu sempre soube que o Michael ainda te amava. Não se compete com um amor de infância. — Disse pausadamente e engoliu em seco.

Ficamos em um silêncio absurdo, até que ouvimos uns passos se aproximarem da gente. Sebastian ficou na mesma posição, mas eu olhei para ver que era.

— Posso me juntar a vocês? — Michael estava agora parado com as mãos no bolso. Sebastian ficou calado, sabia que ele não iria responder mesmo.

— Obrigada por me ouvir. — Murmurei e dei um beijo na bochecha de Sebastian. 
Me levantei e fui em direção ao Michael me colocando na ponta dos pés para sussurrar no seu ouvido.

— Vocês precisam conversar sozinhos. — Frisei e saí deixando-os a sós. Eles precisavam ter uma conversa de irmão para irmão e se entenderem de vez. Só assim eu me sentiria em plena paz.

(...)

Eu e o Sr. Jackson já estávamos angustiados na sala de estar da família. Não sabíamos o que Michael e Sebastian estavam conversando. Já havia se passado quase uma hora desde que eu os deixara sozinhos no jardim. Será que eles acabariam se entendendo por fim?

De repente a porta principal foi aberta e as vozes e risadas dos irmãos Jackson chegaram aos nossos ouvidos, fazendo eu e o Sr. Jackson nos entreolharmos.


Capítulo 26


Michael e Sebastian atravessaram a sala conversando, estavam cada um com um braço esticado sobre o ombro do outro em um afeto de irmão.

Confesso que me assustei no mesmo instante. Eu queria que eles se entendessem, mas vê-los assim tão próximos foi revigorante ao extremo e bom demais para ser verdade. Tive que me certificar de que não estava sonhando. E não, eu não estava. Pelo o que parecia eles tinham mesmo se entendido e isso era maravilhoso.

— Você se lembra quando eu roubei sua namorada na 3ª série? — Sebastian perguntou a Michael em meio aos risos. Eles estavam falando sobre a infância deles.

— Como esquecer? Eu fiquei com muita raiva. Éramos muito bobos. — riram e de repente pararam quando perceberam que eu e o pai deles estávamos inertes, observando-os.

Eles se entreolharam e gargalhando baixinho.

— Algum problema, pai? — Michael indagou sério.

— O que? — o pai deles apressou-se em falar. — Não, não, não... Nenhum problema. Está tudo em seu perfeito lugar. — Concluiu olhando sutilmente para mim. — Não é mesmo Jenna?

— É... — Pigarreei analisando os dois que sorriam abertamente na nossa cara.

— Tá bom, chega dessas caras de quem nunca tinham visto dois irmãos se reconciliando. Estão nos constrangendo!— Exclamou Sebastian se desvencilhando de Michael. Todos nós acabamos caindo na risada.

— Então... Está tudo bem entre você dois? — Meu sogro perguntou com cautela. Os dois suspiraram e murmuraram em uníssono.

— É... — Um sorriso se alargou no rosto do Sr. Jackson. Sebastian revirou os olhos.

— Ah pai... Qual é? O Michael é o meu irmão mais velho. O senhor sabia que não passaríamos muito tempo sem nos falarmos, é impossível ter raiva desse cara.

— Eu sabia mesmo. Falo isso por experiência própria. — Sorrimos.

— A cara, vem cá. — Michael puxou o irmão e o abraçou. Finalmente eles tinha se entendido e foi maravilhoso presenciar os dois irmãos se abraçando, unidos novamente, como deve ser.

(...)

 Uma semana depois...

Durante a semana eu estava organizando tudo para o meu casamento com Michael. Ele teve uma ideia incrível, disse que nós poderíamos realizar nosso casamento sob àquela árvore, a mesma que fizemos um pacto quando éramos jovens. Eu achei tão fofo.Era um ambiente propício para trocarmos os votos...

Celeste estava eufórica com o casamento e ainda mais quando lhe contei que seu par como padrinho seria Sebastian. Sim, Michael fez questão que o irmão fosse seu padrinho e argumentou que não queria outra pessoa se não fosse ele. Como Michael tem um poder de persuasão incrível, acabou que Sebastian se rendeu ao pedido do irmão.

Com toda essa correria ainda sim eu estive visitando Luna, lhe contava histórias, brincava... Ela sempre me perguntava quando nós iríamos morar juntos, mas eu não podia dizer um dia exato, porque Michael disse que ainda iria entrar com o processo de adoção e isso era um método um pouco demorado. Eu não entendia, pois praticamente ele sempre foi o responsável por ela.

Enquanto estava no meu apartamento organizando os últimos detalhes do casamento já que só restavam 2 dias para organizar a decoração do parque, Michael entrou.

— Oi amor. — Eu saudei e fiz um biquinho charmoso.

— Olá baby — Ele se aproximou e me deu um beijo gentil na testa. Seu olhar estava diferente, iluminado... Estava com um brilho nunca visto antes.

— Você está tão... O que você está aprontando? — Inquiri.

Ele franziu o cenho e cruzou os braços.

— Como assim o que estou aprontando?

— Michael... Eu sei que você está aprontando. Seus olhos estão brilhando._Enfatizei intrigada.

— Ah, só porque meus olhos estão brilhando significa que eu estou aprontando? — Perguntou como se estivesse magoado, mas na verdade só quis se fazer de desentendido.

— Eu te conheço Michael. — Ele sorriu e revirou os olhos.

— Tá bom, eu confesso. — Se rendeu.

— Eu sabia que você estava aprontando.

— Calma princesa ansiosa, eu não estava exatamente aprontando. — Eu me levantei, peguei suas mãos e as envolvi na minha cintura.

— Então o que você estava fazendo? — Sussurrei e lhe dei um beijo sexy.

— Hum... — ele arfou — Sabe, daqui há dois dias é o nosso casamento — dizia enquanto espalhava um beijo ávido no meu pescoço, fazendo todo meu corpo inteiro eriçar. — Então eu decidi presenteá-la antes do casamento.

— Acho que já sei qual é o presente. — Voltei a sussurrar — Sinto ele me tocando nesse exato momento. — eu disse com lascívia e ele sorriu gostosamente, me encarando com uma expressão safada adorável, tenho fraco por esse jeito travesso dele, preciso admitir.

— Eu adoraria te dar esse presente agora, amor, mas por incrível que pareça não é esse o presente.

— Então o que é? — Passei a mão pelos seus cabelos analisando seu rosto.

Ele tirou uma das mãos da minha cintura, enfiou-a no seu bolso do terno e tirou um envelope. Ele me entregou e sorriu.

— O que é isso? — Franzi o cenho, estranhando um envelope como presente.

— Seu presente. Abra. — Olhei para ele e fiz o que eu ele me pediu.

Passei meus olhos por cada linha, descrente do que estava escrito. Michael havia entrado com o pedido de adoção de Luna e estava me presenteando com isso. Ele sabia o quanto isso era importante para mim.

Meus olhos começaram a ficar marejados e eu não consegui segurar por muito tempo enquanto ainda lia.

— Michael isso é...

— Seu presente. — Ergueu meu queixo delicadamente, me agraciando com um de seus sorrisos largos. — Eu sei o quanto você ama a Luna e ela também te ama. Então quis logo entrar com o pedido para que a nossa filha — abriu bem os olhos em ênfase — esteja presente no casamento dos pais.

— Oh, Michael... — Eu não tinha nem palavras para agradecê-lo. Soluçava toda vez que tentava proferir uma palavra, queria lhe agradecer por ter me dado o presente mais genuíno do mundo, mas eu não conseguia.

Michael me abraçou também comovido com minha reação apenas beijou meus cabelos com carinho.




Capítulo 27






- Hey Jenna você está pronta?_Perguntou Celeste pela milésima vez e eu apenas voltei a mirar minha imagem no espelho. Estava perfeitamente maquiada, trajando um vestido branco clássico, adornado por uma belíssima renda inglesa, e sem dúvidas aparentava ser uma noiva radiante.

- Sim, minha amiga._Respondi emocionada, contendo o choro.

- Nem pense em chorar, senão vai borrar a maquiagem._Repreendeu, já adivinhando minhas intenções.

- Eu prometo tentar me controlar._Ergui as mãos em sinal de redenção. 

- Olha lá hein garota, não vá me fugir dessa vez._Brincou e rimos da ameaça sem argumentos dela.

 Quando iria proferir algo a Cel a porta da suíte foi aberta revelando a presença de Sebastian.

- Bash, mas o que...

- Vim dar uma palavra com essa bela noiva, posso?_Sorriu  serenenamente e se aproximou de mim e de Celeste.

- Claro que ela pode, vou deixá-los conversar a vontade._Cel piscou discretamente para mim e deixou o quarto.

- E então... Feliz?_Indagou retoricamente. 

- Nunca estive tão feliz._Respondi com convicção.

- Desejo que Michael lhe faça a mulher mais feliz do mundo Jenna, torço por vocês, merecem o melhor._Destacou me fitando profundamente.

- Sempre serei grata por tudo que fez por mim, ainda me lembro de quando viajamos juntos pela primeira vez e nossa história teve início...

Voltando ao flash back...
 

Jenna conseguira a vaga de secretária na agência de turismo do Sebastian Jackson e já trabalhava para ele há mais de cinco meses. 

— Jenna querida, quero que venha à minha sala, por favor. — Disse Sebastian ao passar por Jenna e adentrar no seu escritório. Jenna o seguiu e fez o mesmo, fechando a porta trás de si.

—Algum problema, Sr. Jack... — Sebastian olhou para ela com um olhar de repreensão. — Desculpe. Sebastian. — Disse e sorriu. — Nenhum Jenna. Pelo o contrário. — Sorriu largo para ela que não estava entendendo nada. — Estarei viajando amanhã e quero que venha comigo. 

Jenna esbugalhou os olhos.

- Por mim tudo bem Sr._Assentiu.

- Ótimo arrume as malas, que viajaremos pela manhã._Reforçou. 

- Sem problemas, ficarei pronta._Jenna enfatizou, estranhando a necessidade da companhia dela nessa viagem, mas não achou sensato questionar seu patrão.

Dias depois...


Jenna e Sebastian compartilhavam mais uma de suas longas conversas sobre a vida, o trabalho, planos para o futuro... 

Estavam sentados na beira da piscina do hotel que se hospedaram, e naquele momento Sebastian se sentiu preparado para se declarar para ela.

- Jenna... Tenho pensado em uma maneira de lhe dizer isso, mas como não sou bom com as palavras, vou direto ao ponto. Eu te amo! Me apaixonei por você.

- Bash... Eu não sei o que dizer._Jenna arregalou os olhos completamente surpresa com as palavras dele e ambos se entreolharam.

- Não diga nada... Shhh _Sussurrou acariciando o rosto dela e unindo seus lábios aos dela. A princípio Jenna sentiu-se constrangida, mas depois deixou-se levar e correspondeu ao beijo ardente de Sebastian, se permitindo a chance de dar uma nova chance ao amor...

Fim de flash back


- Também me lembro daqueles tempos, só vamos esquecer o passado. Se concentre no homem apaixonado que te espera no altar ansioso._Aconselhou e eu suspirei. 

- Soube que encontrou um novo amor, Cel me contou que irão ao casamento juntos._Arqueei as sobrancelhas.

- Pois é, Celeste anda me fazendo perder a cabeça. Ela é linda, sincera, inteligente, enfim, tem todas as qualidades que busco em uma mulher._Admitiu deixando que um sorriso largo despontasse dos seus lábios.

- Boa sorte para vocês! Ah... E não faça minha amiga sofrer._dei um tapa no ombro deles e acabamos gargalhando. 

- Pode deixar, agora chega de conversa. A noiva não deve se atrasar muito, venha, vou levá-la até a limusine que a aguarda antes que meu irmão surte de preocupação, você conhece Michael já deve estar enlouquecendo._Entrelaçou nossos braços e me deixei ser guiada por meu grande amigo até o carro de luxo que me levaria ao meu "destino", Michael Jackson.

(...) 

Sempre acreditei que os sonhos podem se tornar realidade, mas estando caminhando em direção ao homem o qual entreguei minha vida é uma sensação indescritível e tão sublime que me faltam as palavras. Luna nos pediu para ser uma das damas e eu e Michael acabamos cedendo a vontade de nossa pequena. O processo de adoção procedeu rapidamente e ela já era oficialmente nossa filha. É, nada poderia ser mais perfeito do que ver os olhos de minha menina brilhando enquanto o seu pai me aguardava no altar que foi arquitetado exclusivamente para nosso casamento.

Por fim o percurso rumo ao altar que mais parecia uma eternidade terminou e meu sogro que tinha os braços presos aos meus entregou a noiva a Michael, que fez questão de beijar minha testa castamente e sorrir lindamente para mim. Ah... E como um simples toque desse homem é capaz de me deixar extasiada pensei contemplando a beleza de Michael naquele terno de corte fino. Nos entreolhamos discretamente e o juiz de paz deu prosseguimento a cerimônia...

****
Passamos grande parte de nossas vidas buscando a tão sonhada felicidade, só que muitas das vezes não a encontramos porque procuramos longe demais. Tive que deixar que o amor me dominasse por inteiro para enxergar que minha felicidade está com Michael. Distante dele jamais conseguiria me realizar e me sentir em paz.

Olhando assim para meu marido enquanto uma leve valsa embala nossos corpos em uma dança majestosa, nem parece que enfrentamos tantos desafios para enfim selar nosso pacto de infância.

Michael me surpreendeu ao parar de girar meu corpo contra o seu e se pôr de frente a fim dando um de seus típicos sorrisos tortos. 

- No que está pensando Sra. Jackson? _Franziu o cenho esperando que eu me manifestasse.

- Humm, no quão sexy está nesse terno Sr. Jackson, na nossa noite de núpcias para ser mais exata._Insinuei ajeitando o colarinho amassado de Michael.

- Como ousa provocar seu homem?_Divagou e mordeu os lábios.

- Estou apenas exteriorizando meus pensamentos._Murmurei calmamente.

- Tenho uma surpresa para você, mas infelizmente só a mostrarei quando todos os convidados forem embora._Voltou a me guiar pela pista de dança que havia sido instalada para a ocasião e eu fiz um beicinho de emburrada.

- Espero que valha a pena esperar._Mordi o lóbulo da orelha dela e senti suas mãos pousarem sobre minha cintura me fazendo arrepiar. 

- Pode apostar que valerá o sacrifício._Afirmou antes de Luna correr em nossa direção e eu abrir meus braços para acolher nossa princesinha em um abraço carinhoso. Agora posso dizer que somos uma verdadeira família.

Epílogo

Os dois pares de olhos reluzentes estavam mirados no céu desanuviado. As estrelas estavam tão nítidas e dessa vez a lua refletia o seu esplendor demasiado. Fora do comum. 

A lua refletia o brilho  dos olhos apaixonados, e a àquela noite parecia que nunca teria fim. 
Mas quem disse que eles queriam que tivesse? 

Michael e Jenna pareciam dois amantes da noite sob a luz do luar e da árvore onde Michael lhe fizera juras de amor, cumprindo com uma de suas promessas de anos atrás onde disse que eles iriam fazer amor debaixo daqueles galhos que o ímpeto do vento faziam balançar. 

As mãos dele passeavam pelo o corpo dela com maestria enquanto ele a penetrava com uma lentidão que chegava a ser insuportável. Jenna mexia seus quadris no mesmo ritmo que Michael a penetrava, ele a beijava e ela correspondia com o mesmo fervor e paixão. 

Seus corpos estavam suados, eles arquejavam entre os beijos e gemidos de prazer. Jenna fincava as unhas nos ombros de Michael e isso o fazia sentir mais prazer e continuar com as investidas dentro de Jenna. Ele beijou o pescoço dela descendo até os seios, os mordiscou, apertou-os com vontade enquanto a excitação corria dentro do corpo de ambos. 

Jenna começou a pender a cabeça para trás, deixando que Michael fizesse o que quisesse com ela. O puxava mais para si, pedindo que dessa vez aumentasse o ritmo das investidas, sem pudor algum. Ele entendeu o recado.

Michael começou a se movimentar com mais velocidade enquanto Jenna agora apertava sua nuca com força, puxando seus cabelos sedosos, fazendo as ondas de prazer que ela sentia  atravessarem cada célula nervosa de seu corpo a cada estocada voraz dele. 

— Oh Jenna... — Michael gemeu no ouvido de Jenna e soltou um suspiro. — Eu te amo tanto. — Sussurrou baixinho selando ali seus votos de amor por aquela mulher.

— Eu também te amo. — Jenna ofegou com dificuldade, e em seguida gemeu alto sentindo o clímax aproximando-se. 

Michael apertou a cintura dela e deu mais algumas investidas antes de começar a se contorcer sobre o seu corpo, derramando-se dentro ela. 

E naquela noite ainda sob a luz da lua, eles se amaram mais uma vez até a exaustão permitindo que seus corpos se unissem na plena sintonia do amor e se tornassem um só...

(...)

No alvorecer do dia...


Jenna estava deitava no peito de seu marido enquanto o mesmo lhe acariciava e afava seus longos cabelos. Ela deitou-se ao lado dele e cravou seus olhos no céu muito pensativa.Eles estavam no jardim da mansão que Michael comprara após se unirem em matrimônio.

Michael virou-se de lado para encará-la de soslaio e percebeu que sua esposa estava estranha. Escondendo-lhe algo. 

— O que foi amor? — Perguntou de cenho franzido e acariciou o queixo dela. 

— Nada. — Tentou desconversar e sentou-se. Michael fez o mesmo.

— Qual é o problema? — Ele indagou tocando no ombro dela e virando sua cabeça para olhar nos seus olhos. — O que há de errado? 

— Michael, O que você procura quando me olha? — Michael estranhou a pergunta. 

— O que você está escondendo de mim? Hum? — Pegou a mão dela e começou a beijar os dedos, a palma, o dorso...

— Nada. Nada. — Jenna pegou a mão dele e levou-a até sua barriga, deixando evidente que ela estava grávida.

Michael esbugalhou os olhos e um sorriso despontou-se nos seus lábios aos pouco. Ele estava incrédulo.

— Não pode ser... quero dizer é o que estou pensando?— Murmurou ele surpreso.

— Sim, pode apostar — Jenna reforçou. O sorriso dele alargou-se mais ainda.

— Entaõ?

— Hurum... — Jenna balançou a cabeça .

Michael não sabia que atitude tomar, se sorria ou se chorava. Mas estava imensamente feliz.

— Parabéns amor... Quer dizer, parabéns para nós dois porque eu ajudei-a nessa tarefa, suei a camisa. — Ele riu gostosamente e abraçou-a bem forte, beijando-a em todas as partes do seu rosto. Seus lábios se fundiram, mas Jenna agora parecia mais incrédula do que ele. — Está tudo bem? 

— Está, eu só não consigo acreditar que... — ergueu a cabeça e fitou-o — Eu estou grávida, Michael. Eu vou ser mãe. — Um sorriso bobo surgiu nos lábios dela. A vida estava dando mais uma chance a Jenna de realizar esse sonho que toda mulher tem, de criar um fruto do seu amor. 

Agora sim ela teria o que sempre sonhou. Sua casa dos sonhos, o homem da sua vida e um filho dele. E ah. E ainda de quebra a pequena Luna que o destino fez questão de colocar na vida do casal.

Cada minuto na vida você tem a liberdade e a responsabilidade de escolher. Pode ser entre duas peças de roupas, de sapatos, ficar dividida em comer doce ou salgado... Entre dois irmãos... Assim como a Jenna ficou. Mas tudo na vida tem um preço não importa que seja bom ou ruim. O fato é que o preço que ela pagou, foi ganhar o amor da sua vida, uma filha linda e um bebê a caminho que já estava sendo muito amado antes mesmo de seu nascimento. 

(...)Três anos depois...

Ao decorrer dos anos, a família Jackson ia crescendo. O bebê de Jenna e Michael já estava com dois anos e se chamava Prince Michael Jackson. Sim era um menino lindo, com a cor da pele da mãe e com os cabelos e os olhos negros idênticos aos do pai. Luna mantinha o seu quadro de saúde cada dia mais estabilizado, respondendo perfeitamente bem aos medicamentos. Estava cada vez mais adaptada com a nova família e era muito amada. Até se acostou a chamar Jenna de mãe e Michael de pai. O Sr. Jackson de avô e Sebastian de tio Bash. 

Enquanto isso, Sebastian e Celeste assumiram um relacionamento sério, e até ela agora estava esperando um bebê dele. O que deixou a família exultante.

Nunca mais tocariam no passado, aquele momento era bom genuíno e raro para ser ofuscado por um passado carregado de mágoas e angústias. 

E dizer que eles viveram felizes para sempre é muita hipocrisia, até porque o para sempre não existe. Mas ressaltar que se amaram até os últimos dias de sua vida soa menos clichê do que o felizes para sempre e ainda assim define a verdadeira percepção de amar,a eternidade,seja ela o tempo que dure...


*Fim




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