terça-feira, 26 de abril de 2016

Fanfic: "Uma luz no meu caminho" (+18) - CONTINUAÇÃO


CONTINUAÇÃO DOS CAPÍTULOS POR PROBLEMAS NO OUTRO POST






Capítulo 38

Michael


      Por mais que eu tentasse expurgar Joy da minha mente, eu não parava de pensar um minuto sequer em toda merda que ela fez comigo. Eu virei um verdadeiro moribundo nessas últimas semanas e tudo isso por culpa dessa mulher.
Eu só me sentiria aliviado se visse ela sofrer na pele a humilhação que passei. E foi por esse motivo que decidi procurá-la. Eu ainda não disse tudo que está entalado na minha garganta e ela vai ouvir.

-Surpresa em me ver, Maria da Luz? - cerrei os punhos, controlando o misto de sentimentos que me atormentavam

-Michael.. - ela sorriu como se estivesse aliviada com a minha visita - Você decidiu me ouvir! Olha, eu sei que é difícil, mas..

-Quem disse que eu quero ouvir suas mentiras? - Joy piscou os olhos, sem entender

-Você veio fazer o que então? Me insultar mais?

-Não, pelo contrário. Eu vim te presentear. - falei ao estender para ela o envelope de papel

Estranhando minha atitude, Joy pegou o envelope e o abriu. A princípio ela pareceu assustada, retirando do envelope o maço de notas de dólares.

-Pra que está me dando isso?

-Digamos que é seu prêmio ou pagamento, chame como quiser.

-Como é? - riu, fingindo não entender onde quero chegar

-Bom, como você não conseguiu me manipular, acabou perdendo a chance de se casar comigo, me empurrar essa criança e torrar meu dinheiro. Não é justo todo esse esforço pra nada, não acha? - Joy continuou apática, então prossegui - Fique com esse dinheiro, não era isso que você queria? Gaste a vontade com seu namoradinho ou caso queira resolver seu "problema". - disse, me referindo à sua gravidez

       Assim que terminei, Joy respirou fundo, fechou os olhos e secou uma lágrima que havia rolado em seu rosto. Ela retirou o restante das notas, me devolveu o envelope e fez algo que me surpreendeu. Rasgou nota por nota em uma paciência absurda. 
     Atento ao seu gesto, senti um terrível nó na garganta, admitindo forçadamente que fui longe demais com a minha ideia fútil de me vingar de Joy.

-Sabe, Michael, eu posso não ter nada na vida, mas eu tenho algo precioso. Algo que você provavelmente nunca vai conhecer. O amor de mãe e filho. Eu não tenho estudo, uma casa luxuosa ou dinheiro para gastar a vontade. Mas graças a Deus eu tenho a única coisa que realmente me importa. E pra mim não falta mais nada. E você, Michael? Viverá para sempre carregando o peso da frustração do seu noivado, você é e sempre será um amargurado que compra amor com dinheiro. E se eu fui uma prostituta pra você é porque está acostumado a lidar com esse tipo de pessoa. Eu não vou te xingar, ofender ou mandá-lo para o inferno. O que eu sinto nesse momento por você é o pior dos sentimentos. Pena. Eu tenho pena de você, do fundo do meu coração, porque eu sei que se continuar sendo esse ser desprezível, jamais conhecerá a felicidade.

     As palavras de Joy me cortaram como uma faca afiada. Mas o pior de tudo é saber que ela está certa. Eu sou o pior tipo de ser humano e foi mais que merecido levar esse rasteira da vida.
Eu não tinha argumentos ou cara para olhar para ela. Olhei para o chão repleto de notas picotadas e em seguida, para Joy. Seus olhos estavam tomados de lágrimas, ordenadas a não caírem. Neste momento enxerguei a mesma menina machucada e desamparada que eu levei para a minha casa naquela noite chuvosa.

-Não precisa se alterar. - consegui dizer após pigarrear - Estou indo embora e..

-E eu espero que não tenha que por meus olhos em você nunca mais. - completou, me cortando

     Só o que consegui fazer foi assentir para poder sair dali o mais depressa possível. Vim até aqui com a intenção de machucá-la, para que ela sentisse pelo menos o terço do que eu sofri no fatídico dia que descobri sua gravidez.
       Mas o que aconteceu foi o que eu mais temi. Além do amargo arrependimento de tê-la humilhado, ouvir a verdade também me doeu profundamente. Se antes eu estava destroçado, agora não tenho nem mesmo denominação para o que estou sentindo.
      Com toda a certeza eu não conseguiria trabalhar no estado em que estou. Decidi então ir direto pra casa, beber até perder os sentidos e dormir o dia todo. Só assim para conseguir esquecer meus problemas.
      Agradeci por ver a casa vazia. Dei folga para todos os funcionários, pois agora mais do que nunca preciso do meu recolhimento. Remy recusou me deixar sozinho, mas depois de muito insistir ela aceitou ir visitar seus parentes.
Me jogo no sofá da sala, na intenção de fechar os olhos e dormir um pouco, já que me mantive acordado a noite toda. Ouço passos na escada e me surpreendo ao ver minha mãe.

-Mãe, o que faz aqui? - pergunto ao me levantar

-Acha mesmo que pode esconder alguma coisa de mim, meu filho?

-O que é que você já sabe?

-Tudo. Sei que você e Joy estavam apaixonados e sei também que romperam..

-Já que sabe tudo isso, deve saber também que fui feito de trouxa mais uma vez! - respondi, voltando a me jogar no sofá. Kate se sentou ao meu lado, atenta ao meu gesto

-Não acho que Joy teve essa intenção.

-Como é?

-Michael, eu sou mãe também. E uma mãe faz qualquer coisa para proteger seu filho.

-Eu entendo, mãe. Mas ela não devia ter mentido pra mim! Ela me usou todo esse tempo!

-Michael, não diga besteiras! - me repreendeu - Se Joy tivesse essa intenção teria te seduzido na primeira oportunidade! No fundo você sabe que ela é decente. Seu erro foi ter sido inocente e inexperiente demais para encarar seus problemas.

-Você tem noção de como doeu saber que ela está grávida do homem que ela amava? Eu me senti um idiota, um intruso no conto de fadas dela!

-Então esse é o seu medo.. - Kate riu - Você acha que por causa do filho ela nunca vai esquecer o ex, não é? - permaneci calado. Por mais que eu tentasse evitar, esse é sim um fato que me atormenta

-Se ela tivesse sido sincera comigo tudo seria diferente. Mas agora não adianta pensar no "se". Nunca mais sofrerei por Joy ou qualquer outra mulher. Você vai ver, mãe. Eu vou dar a volta por cima mais uma vez!

     Garanti, decidido a tirar Joy dos meus pensamentos e do meu coração. Sei que será difícil esquecer do seu sorriso, da sua inocência, dos nossos momentos de carinho, das nossas noites de amor.. Eu preciso ser forte, preciso controlar a vontade de ir atrás dela e esquecer tudo o que aconteceu, mas sei que de agora em diante, Joy será parte do meu passado.
Semanas Depois


     Meus dias têm se tornado monótonos e entediantes. Passo a maior parte do meu tempo trabalhando e bebendo em um bar qualquer. De nada adiantou os conselhos e o apoio de minha mãe. E por mais que eu sentisse sua falta, achei melhor ela voltar para Moscou. Não queria que ela assistisse seu filho se definhar pouco a pouco.

(...)

     Depois de mais um desgastante dia enfurnado no Tribunal, finalmente fui liberado. Para o meu infortúnio tive que aturar as perguntas de Helena, que insistia em saber como estava minha relação com Joy. Ignorei sua inconveniência e segui para a boate mais próxima do meu trabalho.

-Logo eu que sempre odiei esse tipo de lugar.. - falo ao bebericar o copo de dry martini

     Nem as luzes pirotécnicas, o som ensurdecedor ou a multidão me chamavam a atenção. Me sentei em um canto qualquer, bebendo até a última gota do meu primeiro copo. 
Fui obrigado a me levantar à procura de uma garçonete. Já estava arrependido de ter vindo neste lugar, então minha ideia era tomar mais um drink e sumir deste inferno. 
      A garçonete estava de costas para mim, dificultando meu acesso à ela. Algum outro cliente lhe chamou e dessa vez ela o escutou, virando-se para o balcão. 
O copo caiu da minha mão quando reconheci Joy como a garçonete. É quase surreal vê-la em um lugar que definitivamente não é para ela. Não tenho ideia do motivo dela estar aqui, mas é óbvio que não permitirei que ela trabalhe em um ambiente sujo e imoral como este. 
E eu não sairei daqui enquanto Joy não vier comigo!

Capítulo 39

Michael


        Eu estava pronto para chamar sua atenção e repreendê-la, mas meu subconsciente falou mais alto e eu me controlei. Joy e eu não temos mais nenhuma relação, logo sua vida não me diz mais respeito.
      Me sentei novamente na cadeira que estava sentado, mas sem tirar os olhos de Joy. Só o que me pergunto é o porquê dela estar trabalhando num lugar como este que além do mais, fica longe do seu bairro. 
      Minha intenção era ir embora o mais depressa possível, mas algo me ordenava a continuar ali, que não deixasse Joy sozinha, como se ela precisasse da minha proteção.
Enquanto eu travava essa luta dentro de mim, uma cena me chamou atenção. Um homem, o qual reconheci ser o dono da boate, puxou Joy pelo braço, e ao meu parecer foi de maneira agressiva. Me levantei imediatamente e os segui até o interior da boate. 
Me escondi atrás do painel e pude ter uma boa visão dos dois.

-Eu já estou de saco cheio de você, Joy! - gritou enfurecido, ainda apertando o seu braço miúdo

-Qual é, David? Que eu saiba estou fazendo o meu trabalho! - rebateu, com sua costumeire rebeldia

-Não é de hoje que venho te observando. Todo cara que aproxima você se esquiva, dá um jeito de se afastar. Que merda pensa que está fazendo?

-Vem cá, eu fui contratada para ser garçonete e não uma garota de programa!

-Não senhora! O nosso trato era outro. Você prometeu que seria minha dançarina, mas até agora nada! Ou na verdade você está me enrolando? - Joy encarou o chão, típico gesto de quando esconde alguma coisa - Eu estou falando com você, sua vadia!

-Tire suas mãos dela, agora! - vociferei

     Quando ele segurou seus braços com mais força, eu não consegui mais me controlar. Ele estava prestes a agredi-la quando eu o empurrei para longe de Joy. E antes que ele pudesse revidar, distribuí uma série de socos, esmurrando seu rosto sem um pingo de piedade.

-Sai da minha frente! - retrucou com a boca ensanguentada

-Gosta de bater em mulher, não é? E gosta disso também? - perguntei, metendo outro soco próximo ao nariz

-Michael, você vai matá-lo! - a única coisa que foi capaz de me fazer parar foi o apelo desesperado de Joy

Me levantei do chão, respirei fundo e limpei minhas mãos na calça. Olhei para David novamente, me controlando para não socá-lo novamente.

-Escute bem o que vou dizer. Se chegar perto da Joy novamente eu te coloco na cadeia! Ouviu bem? - ele murmurou um "sim", assentindo a cabeça

    Rolei meus olhos pela sala e encontrei Joy paralisada, ainda assustada pela cena que presenciou. Tudo que eu mais quero no momento é tomá-la em meus braços, abraçá-la com força e dizer que estou ao seu lado. Mas preciso controlar mais este impulso, para o nosso próprio bem.

-Vem comigo. - peguei na sua mão, levando-a para fora da boate

Assim que chegamos do lado de fora, Joy se soltou da minha mão e andou a passos largos para longe de mim

-Hey! Qual é a sua? - gritei sem entender sua reação

-Eu é que pergunto! O que estava fazendo aqui e por que se meteu onde não é chamado? - cruzou os braços, esperando uma explicação

-Primeiro, eu jamais poderia imaginar que estava trabalhando aqui e segundo, é assim que me agradece por salvar sua vida? E tem mais! Que merda deu na sua cabeça de aceitar emprego num lugar como esse?

-Que eu saiba minha vida não é mais da sua conta. Foi você mesmo que disse isso, esqueceu? Você me mandou para o inferno, então deve ser por isso que estou aqui. - respondeu com seu deboche que me tira do sério

-Esse lugar não é pra você, entende isso! Já parou pra pensar o que teria te acontecido se eu não tivesse lá naquela hora? - Joy suspirou

-Quer uma mensagem de agradecimento, querido? Obrigada por seu meu anjo da guarda! Satisfeito? - ela sorriu e virou as costas novamente

-Joy, para.. - pedi, segurando seu braço delicadamente - Tem noção de como me senti quando vi aquele homem prestes a te agredir?

-Te garanto que não teria sido mais humilhante do que o nosso último encontro. - preferi me calar, afinal ela tem toda razão. O que eu fiz naquele dia foi cruel e desumano

-Por que está trabalhando aqui? Este lugar não é pra você, Joy..

-Pessoas como eu não podem perder tempo escolhendo emprego. Se não sabe, em breve terei um filho para sustentar, mas agora perdi mais um emprego graças à você!

-Sinto muito, querida, mas aqui você não volta nunca mais! Agora vamos.

-Pera aí, pra onde cê tá me levando, hein?

-Pra sua casa ou acha mesmo que vou deixá-la sozinha na rua à essa hora?

-Da minha vida cuido eu, ok? Vá embora e me deixe em paz!

-Joy não me obrigue a te colocar no meu carro a força! - Joy proferiu um palavrão e por fim entrou no carro

O caminho foi terrivelmente silencioso. Joy em momento algum olhava para outra direção que não fosse a janela. Eu também não sabia o que dizer. Só o que eu fiz foi mentalizar que essa será meu último contato com ela.

- Não é aí que estou morando. - avisou quando eu ia estacionar o carro na porta do salão de dança - É na rua de trás.

-Por que se mudou? Está morando sozinha?

-Não te interessa. - respondeu na lata

Mal parei o carro e Joy rapidamente saltou para fora. Corri para alcançá-la, pressionando-a contra a porta do veículo.

-Obrigada pela carona. Mais alguma coisa?

-Eu só quero saber como está se virando, caramba!

-Muito bem às minhas custas. Agora tchau! - Joy tentou inutilmente me empurrar

-Você está mentindo, eu te conheço!

-Oh jura me conhece? - riu - Ah cala a boca e vê se me erra.. Não temos elo nenhum, ok? Todo aquele sentimento que pensei que existia, acabou para os dois!

-Você não sabe nada. De nada.. - murmurei, inclinando-me para mais perto

     Nossos rostos estavam a poucos centímetros de distância, e pelo silêncio, facilmente podíamos escutar nossos batimentos agitados. Joy estremeceu em meus braços quando toquei meus lábios nos seus.
       De início ela tentou recuar, mas logo nosso beijo ganhou mais sintonia, movimento e intensidade. Chupei seus lábios macios e tão doces, quase que desmanchando-se sob os meus. Envolvi minha mão na sua nuca, trazendo-a para mais perto de mim, explorando sua boca com gana.
     Joy também se entregou à mim, enlaçando os braços em torno do meu pescoço. Minhas mãos percorriam pelo seu corpo e era cada vez mais difícil parar de beijá-la. 
Levei minha mão esquerda até sua cintura, que para minha surpresa, estava saliente. Deslizei meus dedos pelo seu ventre pude comprovar o que imaginava. Sua barriga está um pouco avantajada  e redondinha.

-Joy.. - murmurei sem fôlego, sorrindo completamente bobo e emocionado com o que vi e senti - Sua barriga.. - balbuciei ainda pasmo, sem tirar minha mão do seu ventre

    Eu nunca, nunca pensei que esse toque fosse mexer tanto comigo. Tem um bebezinho crescendo em seu ventre, e eu ali tão perto, tão próximo dessa criatura. Não pude acreditar que meus olhos lacrimejaram, mas não de raiva ou decepção, e sim de alegria.
    Como é possível que eu tenha tal reação sendo que essa criança foi responsável pelo nosso rompimento? Como eu posso s um sentir afeto com um ser que não tem nenhuma ligação sanguínea comigo?

Capítulo 40

Joy


-Nunca mais encoste em mim! - gritei após transferir um tapa em seu rosto. Michael, assustado com a minha atitude, recuou

-Eu não devia ter te beijado, me desculpe.. Você está.. está de quantos meses? - perguntou visivelmente atordoado

-Quatro. Agora vá embora. Minha gestação não é da sua conta. Vá e trate de não me importunar mais. Você morreu para mim! - despejei, atropelando as lágrimas que insistiam em cair

-Tudo bem. - pigarreou - Não faz sentido nenhum eu permanecer aqui. Assim como você, eu também não quero ter o desprazer de te encontrar. Passar bem, Joy. - encerrou, seguindo para o carro

     Não esperei vê-lo pisar no acelerador e sumir da minha visão. Por mais que seu gesto tenha me surpreendido e me emocionado, eu não consigo e nem posso esquecer das ofensas e humilhações que Michael me fez passar.
    Mesmo que a dor seja insuportável, terei que esquecê-lo definitivamente e focar apenas no meu filho. Provei, pela segunda vez, que o amor nada mais é que uma ilusão, pois quando ele é posto em prova, reprova-se no primeiro obstáculo. E daqui para frente, meu coração estará aberto apenas para o meu filho.

Três meses depois


     Meu Deus! Cada vez que me olho no espelho noto minha barriga ainda maior. Acabo de completar sete meses de gestação e em breve caminharei para a reta final da gravidez. Estou tão ansiosa para ver o rostinho do meu menino.. 
    No quarto mês descobri o sexo do bebê. Estou esperando um garotão, que segundo a doutora, está crescendo forte e saudável. Quando Rodrick soube, fui obrigada a zoá-lo, já que ele tinha certeza que seria uma menina. Mas ele também ficou muito feliz e empolgado, e na mesma semana em que vencemos um concurso de dança, ele fez questão de usar todo o dinheiro para o enxoval de Arthur.
       Graças aos meus bons amigos, estou recebendo doações de fraldas, roupinhas e até mesmo um carrinho. Eu não tenho vergonha nenhuma de aceitar essa ajuda, pois sei que meu filho será muito agraciado. Também sei que minha situação financeira é precária, ainda mais agora que terei que parar de trabalhar no salão. Por conta disso, no fim do mês terei que deixar o apê que estou morando. 
Ainda não sei como vou me virar, mas eu não posso entrar em desespero. Minha gravidez é de risco e qualquer estresse pode prejudicar meu bebê. O que eu faço é ter fé e ousar ser feliz a todo instante.

-Eu não vejo a hora do meu afilhado chegar! - Rodrick tagarelava ao meu lado enquanto a obstetra terminava com o ultrassom

-Ainda faltam dois meses, Ro.. Vai com calma!

-Eu sei!! Mas estou morrendo de ansiedade! - a doutora me estendeu o papel toalha, indicando onde limpar

-Pode se vestir, querida.

(...)

-E então, tá tudo certo né? - perguntei ao me sentar na cadeira

-Com o bebê sim. - garantiu, terminando de anotar algo em seu bloco de notas - Mas você inspira atenção.

-Mas por que? Eu me sinto bem na maior parte do tempo.

-Joy, sua pressão se eleva com muita facilidade e não é só isso que me preocupa. Está abaixo do peso ideal de uma gestante que se encaminha para o final da gravidez. Também percebo que não pratica exercícios físicos, está cada dia mais abatida e pálida. Se continuar assim, terá que ser internada.

-Dr. Brenda, eu prometo que Joy vai se cuidar. Como sabe, infelizmente não vivemos em condições melhores.. Mas me diga, o que eu posso fazer para ajudar minha amiga?

-Eu compreendo a situação de vocês.. - suspirou, sendo cordial como de costume - Uma das minhas recomendações é que você pare de exercer qualquer atividade que te sobrecarrega.

-Até mesmo a dança? - perguntei

-Infelizmente. Seu organismo não produz energia suficiente para te dar fôlego e disposição. Sugiro que faça atividades leves como uma caminhada, hidroginástica.. E claro, se alimentar bem. Escrevi neste papel as vitaminas que deve tomar. Qualquer sintoma anormal me procure imediatamente!

-Obrigada, doutora! Vou fazer o possível para que meu filho nasça saudável - afirmei, enchendo-me de uma mínima esperança

(...)

O caminho de volta ao salão foi angustiante. Não pude deixar de me preocupar com as observações da médica. Minha saúde está debilitada e tudo que eu peço à Deus é que eu resista pelo menos até o momento do parto.

-Joy, não fique assim.. - Rodrick me acalentou - Muitas mulheres passam por isso durante a gravidez e conseguem se recuperar. Vamos seguir todas as recomendações da Dr. Brenda, ok?

-Mas como, Rodrick? Eu não posso parar de trabalhar! O que eu vou fazer sem dinheiro, me diz?

-De fome vocês não morrerão! Amiga, você não pode se preocupar tanto assim! Tudo vai se ajeitar, confie em mim.

Deitei minha cabeça em seu ombro, me sentindo ainda mais derrotada. Não imaginei que as coisas fossem se complicar tanto como agora, ainda por cima quando não tenho nem mesmo fibra para lutar.
Michael

     Chego em casa após mais um dia interminável de trabalho. Tem sido assim nos últimos três meses. Por mais que eu tenha prometido não pensar mais em Joy, foi humanamente impossível prosseguir com essa ideia.
       Depois de mais uma atormentada noite, quando a saudade e a solidão doíam ao ponto de machucar, decidi engolir o orgulho e, mais uma vez fui atrás de Joy. Naquela noite, fui ao salão de dança e permaneci escondido, apenas em observação.A imagem de Joy ficou gravada em minha mente. Estava radiante ao redor dos amigos, onde sua enorme barriga era o centro das atenções. Admito com toda sinceridade que ela é a grávida mais linda que já vi em toda minha vida. 
       Naquele momento, desejei mais do que nunca fazer parte de sua vida. Eu deveria estar ao seu lado; acompanhando-a nas consultas, comprando o enxoval e compartilhando a ansiedade de receber nosso filho. 
     A quem eu quero enganar? Está mais do que óbvio o amor que sinto por essa criança. Não um amor amigável ou caridoso, mas sim um amor paternal. Por vezes me pego sonhando acordado, nos vendo correr por todo esse rancho, ensinando-o a dar seus primeiros passos, vibrando a cada conquista sua. 
     Eu sou e quero ser o pai dessa criança. Quero amá-lo como um verdadeiro pai amaria, independente se em suas veias corre o sangue de outro homem. E mais que isso, quero a mãe dele de volta. Percebi que não existe vida sem ela, não existe Michael sem Joy. 
A única coisa que não sei é como correr atrás do tempo perdido, como recuperar as duas pessoas mais importantes da minha vida.

-Posso entrar? - me despertei dos pensamentos ao ouvir a voz de Remy

Mais uma vez eu estou no quarto de Joy, deitado em sua cama e abraçado ao travesseiro que, não sei se por força psicológica, ainda trazia o seu perfume.

-Claro.. Está precisando de alguma coisa?

-Eu não. Quem está precisando é você.

-Não entendi.. - sorri fraco - Do que estou precisando, afinal?

-Levantar dessa cama e ir atrás da mulher que ama. Já passou da hora de fazer isso, Michael!

-E você acha que ela vai me aceitar? Se bobear ela já deve ter me esquecido, com todo o direito!

-Eu duvido muito.. - riu - Mas, se quer uma prova, procure-a. Perdoe-lhe pelo erro que ela cometeu e peça perdão pelo seu.

-Ela já está perdoada, Remy.. Por mais que eu tente sentir raiva e ódio, meu amor cresce com ainda mais força.

-Então o que está esperando? Qual o ditado mais usado pelos advogados? Você mesmo vive repetindo! 

-"O direito não socorre aqueles que dormem.."

-Pois então não perca mais tempo!

-Quer saber de uma coisa? Você está certa! - respondi, me levantando de imediato - Vou atrás de Joy e farei de tudo para que ela me perdoe e volte pra mim! Não quero nunca mais viver a experiência de não tê-la ao meu lado..


Capítulo 41

Michael


      Assim que tomei a decisão de ir atrás de Joy, não esperei um segundo a mais para pensar. Tenho a plena certeza do que quero pra minha vida. Sei que será uma conversa difícil, mas em hipótese alguma irei desistir. 
     Ainda não havia anoitecido, então corri para chegar a tempo antes que o salão de dança fosse aberto ao público. Ouço vozes animadas ao entrar e constato que se tratava de uma festa particular em homenagem à Joy. Era uma espécie de chá de bebê, pelo que pude perceber.
Joy estava sentada em uma cadeira, entretida com alguns itens infantis em sua mão. Eu fiquei tão hipnotizado por ela que não percebi o silêncio se instalar e os olhares voltarem-se para mim.

-O que faz aqui? - me desarmo ao ouvir a pergunta direta vinda de Joy

-Eu.. - pigarreei - Será que podemos nos falar a sós?

-Pessoal, que tal irmos para o camarim, sim? Está quase na hora de nos aprontarmos. - disse Rodrick, compreendendo meu pedido

   Assim que todos se foram, deixando-me a sós com Joy, me senti acuado e inseguro. Na minha cabeça eu tinha os diálogos prontos, na ponta da língua, mas agora sob seu olhar condenador eu não tenho ideia de por onde começar.

-Desembucha, Michael! - Joy aumentou o tom de voz, mas rapidamente perdeu o fôlego, respirando fundo para prosseguir

-Acho que palavras não serão suficientes para dizer o quanto me sinto arrependido de todas as coisas que eu disse e fiz contra você. Eu fui leviano, cego.. Deixei a ignorância falar mais alto e te expulsei da minha vida sem ao menos te deixar explicar. - Joy piscou os olhos, evitando chorar

-E o que te fez mudar de ideia? Remorso? Se for isso não se preocupe, suas palavras já não me machucam mais.

-Não é questão de remorso, e sim de ouvir o coração. Eu confesso que tentei lutar contra os meus sentimentos, mas o passar dos meses e essa maldita distância só comprovaram que eu não posso e nem quero viver sem você. Meu amor por você é tão grande, tão forte que não cabe dentro de mim.

-Tão forte a ponto de aceitar o filho de outro homem?

-Forte ao ponto de aceitar o seu filho. - lhe corrigi - O nosso filho. - seus olhos encheram-se de lágrimas nesse instante. Joy se levantou, pondo-se de frente a mim

-Michael, o que você realmente quer de mim? Perdão? Está perdoado, até porque eu também deveria pedir perdão no momento que você ainda tinha o poder da razão.

-Você não tem que me pedir perdão. Hoje eu compreendo seus motivos para ter escondido algo tão importante como sua gravidez. Eu não fui capaz de me colocar no seu lugar, de sentir na pele tudo que você teve que sofrer sozinha sem o apoio de ninguém. Eu fui egoísta de pensar só em mim, fui orgulhoso, vaidoso..

-Para, por favor.. - pediu com a voz embargada - Não sabe como eu teria ficado feliz em ouvir isso antes do encanto ter se quebrado.

-Encanto? Como, como assim? O que quer dizer com isso? Joy, por acaso você.. deixou de me amar?

-Sim, Michael. - afirmou sendo direta, golpeando com força o meu coração - Tudo que aconteceu só serviu para mostrar que nós dois não combinamos em nada. Eu não digo pela nossa idade ou classe social, e sim sobre nossos caminhos. Você é um homem maravilhoso, livre e desempedido para amar, construir sua família e ser feliz. Eu já tô em outra, Michael.. Meu coração não tem lugar para mais ninguém que não seja meu filho.

-Eu não acredito! - bradei - Não acredito que o amor tenha acabado tão rápido. Fale a verdade, Joy.. Por favor! - implorei, sacudindo levemente seus ombros

-Michael essa é a verdade! Agora que conseguimos ter uma conversa civilizada, estamos livres para enterrar nossa breve história.

-Não aceito sua decisão, porque sei que está mentindo. Do que você tem medo, meu amor?

-Não é medo, é a realidade! - confessou, virando-se pra mim novamente - Quer saber mesmo o porquê de eu não te querer mais?

-Mas é claro que quero! Diga logo o que nos impede de sermos felizes!

-Você jamais aceitará o meu filho! - afirmou com todas as letras

-Acha mesmo que estou disposto a me casar com você se não quisesse essa criança? Não seja absurda, Joy!

-Absurda? Foi você mesmo que jogou na minha cara diversas vezes que não aceitaria um filho bastardo! Que ele é nada mais que um objeto para te arrancar dinheiro. Estou refrescando sua memória?

-Joy, eu estava nervoso.. Eu falei sem pensar, minha intenção era te machucar da mesma forma que eu estava machucado!

-Não mesmo! Você disse o que estava entalado na sua garganta, tanto que voltou dias depois com a proposta absurda e nojenta de me oferecer dinheiro! Ainda quer que depois de tudo isso eu acredite que você me aceitaria numa boa com um filho a tira-colo?

-É você que está usando isso como empecilho! Qual prova você quer que eu dê de que estou sendo sincero?  
De que amo essa criança como meu filho, porque pai é quem cria, não tem absolutamente nada a ver com sangue!

-Não tente reverter a situação. - murmurou - Olha, Michael eu não tô mesmo afim de continuar essa conversa. Eu não quero me estressar e piorar nossa situação. Apenas faça o que estou pedindo. Vá embora e siga sua vida.

-É realmente isso que você quer? - perguntei, desejando com todas as minhas forças que Joy mude de ideia e aceite, ao menos, me dar uma nova oportunidade

-Sim, Michael. É tudo que eu mais quero. Jamais terei como te agradecer por tudo que fez por mim e, indiretamente, ao meu menino também.

-É um menino? - minha mente apagou tudo que ouvi até agora no momento em que Joy revelou a notícia

-Sim. Se chamará Arthur. - foi impossível não sorrir ou chorar de felicidade ao saber de mais detalhes. Eu queria tanto abraçá-la, tocar sua barriga e sentir nosso bebê cada vez mais perto de vir ao mundo

-Eu posso tocar..? - me referi ao seu ventre

-Michael, pra que prolongar isso? Você não precisa e não tem obrigação nenhuma com a gente. Agora vá, por favor..

-Tudo bem. - sequei minhas lágrimas, tentando por um fim a tanto sofrimento. Me virei para a saída, mas antes lhe dei um aviso -Respeito sua decisão, Joy. Mas isso não quer dizer que eu vá desistir. Da mesma forma que eu voltei atrás, farei de tudo para que você também me perdoe e me aceite na vida de vocês..

    Joy fechou os olhos, tentando ignorar minha promessa. Eu sei que ela ainda está muito magoada comigo, mas também é nítido que está mexida com as minhas palavras. Dessa vez eu não entregarei os pontos como sempre fiz em toda minha vida. Joy será minha esposa e mãe dos meus filhos, independente de serem biológicos ou não. E é isso que importa pra mim, tê-los ao meu lado como uma família, mesmo que de forma inesperada.

                                           Capítulo 42

Joy

Semanas depois    


     Após a última visita de Michael, não tivemos mais contato. Ele simplesmente sumiu do mapa, o que me força acreditar que ele acatou meu pedido e me deixou em paz. Em partes isso me deixa aliviada, porque sei o peso que eu seria na vida de Michael. Por conta disso, fui obrigada a negar meu amor, de modo que ele entendesse meu motivo de não o querer mais em minha vida.
       Mas é claro que estou sofrendo. Eu o amo e quero ele em minha vida, mas não posso ser egoísta e empurrar meu filho para ele sustentar. Sinto uma certa insegurança, pois sempre me lembrarei das ofensas que ele jogou contra mim. 
       Mas agora Michael é página virada. Espero sinceramente que ele seja feliz, pois esse é o verdadeiro significado do amor. Desejar o bem da pessoa independente de estar junto ou não de você.
Estava entretida com as roupinhas de Arthur quando ouço o telefone tocar. Geralmente são os alunos querendo marcar aulas, então já que eu estou atoa, tenho atendido as ligações e anotado os recados.

-Boa tarde! No que posso ajudar?

-Boa tarde .. Eu poderia falar com a Joy? - reconheci a voz imediato

-Remy? É a Joy que está falando!

-Oh que bom que te encontrei! Procurei o número desse salão por horas.. Eu preciso muito falar com você. - suspirou pesadamente

-Pode falar, Remy. O que houve?

-Michael. - senti um estranho arrepio na minha pele - Ele está doente e se recusa a sair daquele maldito quarto!

-Como assim doente?? O que ele tem?

-As crises de gastrite estão cada vez piores. E bebendo como está piora a situação. Ele não toma os remédios, não come e não faz absolutamente nada que não seja beber. Agora está de cama, se recusando em ir ao hospital.

-Mas ele enlouqueceu? - bradei furiosa - Michael não tem mais idade pra dar uma de criança birrenta!

-Joy, não o repreenda assim.. Michael está sofrendo muito, assim como eu sei que você está sofrendo. Só que você tem seu filho para se preocupar, tem para quem dar esse amor. Mas Michael não, Joy. Já tem duas semanas que ele não sai de casa, não fala com ninguém.. Ele não tem amigo fiel, nem com a própria mãe ele consegue se abrir.

    Ok. Não tem como eu continuar bancando a indiferente. Seria egoísmo da minha parte me manter frívola sabendo que o homem da minha vida está se definhando e, possivelmente, por minha causa.

-Quer saber? Tô chegando aí. - Remy me agradeceu por quase cinco minutos, elucidando sua gratidão

     Como Rodrick não estava no salão, deixei um bilhete no balcão e saí, tomando o primeiro táxi que surgiu. Tenho que estar perto do Michael, cuidar dele, assim como ele fez comigo quando eu precisei. 
     Felizmente o caminho pareceu mais rápido do que imaginei. Pisar neste rancho novamente me desestabilizou. Me lembrei de todos os momentos bons e ruins que vivi aqui. Claro, mais bons do que qualquer outra coisa.
    Dissipei as lembranças e ordenei minha mente a focar apenas na minha missão, que é tentar tirar Michael dessa deprê.

-Oh meu Deus, Joy! - Remy me recebeu calorosamente, boquiaberta com o tamanho da minha barriga - Você está tão linda...

-Obrigada, Remy. Senti tanto sua falta!

-Eu também, querida. Fico feliz por estar aqui, mesmo não sendo em uma boa ocasião.. - lamentou, referindo ao estado de Michael

-Onde ele está?

-No quarto. Consegue subir? Se quiser eu informo à ele que você está aqui..

-Não, não! - adiantei-me em dizer - Eu estou bem. Qualquer coisa chamo você. - sorri

-Certo. Estarei aqui esperando.

      Mesmo com o coração na mão e ansiosa em vê-lo, me enchi de coragem e dei duas batidas na porta. Como não recebi nenhum sinal, respirei fundo e abri a porta.
Seu quarto parecia um mausoléu. As cortinas estritamente fechadas e uma escuridão tornavam o clima e o ambiente ainda mais sombrios. 
    Partiu meu coração ver seu estado. Michael estava encolhido debaixo das cobertas, gemendo baixinho de dor. Me aproximei do seu leito, podendo agora enxergar com clareza seu rosto. Suas feições estão magras e abatidas, profundas olheiras e barba para fazer. Nem de longe se parece com o homem vaidoso que conheci.
     Antes de qualquer outra coisa, tratei de abrir as cortinas para permitir que o sol de fim de tarde adentrasse ao quarto. Michael resmungou algo inaudível, enterrando a cabeça debaixo do travesseiro. Me sentei novamente, disposta à despertá-lo.

-Michael, olhe para mim.. - pedi, tocando em seu ombro nu e quente, na certa desencadeado por uma febre

-Joy, é você, meu amor? - murmurou, delirando

-Sim, sou eu.. Abra os olhos, Mike.. - Michael assim fez, assustando em seguida ao ver que não se tratava de um sonho

-Joy? - sussurrou com a voz enfraquecida, apertando minha mão - Você está mesmo aqui?

-Uhum.. Não podia deixar você se ferrar desse jeito. Michael, o que você tem na cabeça?

-Não me dê sermão, por favor.. - choramingou como uma legítima criança manhosa

-Eu não vou dar sermão, vou é dar um jeito em você. - estendi para Michael os comprimidos que Remy me deu - Vai tomar um de cada vez.

-Não me venha com essas porcarias.

-Porra, Michael! Para de ser escroto! - ele se espantou com a minha reação, voltando seu olhar para mim - Você é um homem de quarenta anos, já passou da idade de aprontar. Fica por aí enchendo a cara, sem se alimentar, recusando a tomar seus remédios.. Quer me punir, é isso? - respirei fundo, secando minhas lágrimas

-Se preocupou comigo?

-Você acha que estou aqui por que senti falta da sua casa? - bufei - Tome logo os remédios. - Michael assentiu, finalmente se dando por vencido

-Não sabe como estou feliz em te ver aqui.. - afirmou, sorrindo pela primeira vez

-Você tem que chamar um médico. - comentei, mudando de assunto

-Não é preciso. A dor logo vai passar.. - Michael gemeu novamente, me deixando ainda mais comovida

-Vem aqui.. - acomodei Michael em meu colo

A cena que se desenrolou foi adorável. Sua cabeça está encostada na montanha que é minha barriga e sua mão colada no meu ventre.

-Ótimo, meu barrigão virou travesseiro.. - murmurei

-O que disse?

-Nada.. - ri - Descanse. Logo sentirá sono por conta da medicação..

-Você não vai sair daqui, né?

-Não. Só vou embora quando você estiver bem. - respondi.

Involuntariamente, meus dedos acariciavam seu rosto. Michael sorriu, satisfeito com a minha resposta. Permanecemos em silêncio, até um fato nos surpreender.

-Joy, o bebê chutou? - os olhos de Michael brilharam, reascendendo sua energia

-Eu acho que sim.. - murmurei com a voz totalmente embargada

 Meu bebê o sentiu! Eu li em um livro que quando o bebê está feliz ou confortável, ele demonstra dessa forma. Como é possível eles terem essa ligação sendo que ambos não são nada um do outro?

-Oh caramba.. - Michael sorria como uma criança; com a orelha colada na minha barriga

    Ele tagarelava sem parar com o bebê, como se ele estivesse bem ali ao seu lado. Eu percebi que suas expressões mudaram gradativamente e dessa vez eu não o censurei. Eu sonhei tanto em viver esse momento que agora irei aproveitar, nem que seja brevemente.

Capítulo 43

Michael


     Eu já estava tão descrente de tudo que ver Joy ali, na minha cabeça, não se passava de uma miragem. Mas para minha surpresa era ela mesmo, de carne e osso, provavelmente sentindo pena do moribundo que me tornei.
    Abro os olhos com um pouco de dificuldade e percebo que ainda estou abraçado à ela. Me sento cuidadosamente na cama e só falto babar ao vê-la dormindo. Ela continuou ao meu lado, cumprindo a promessa de que cuidaria de mim.
     Eu já estava me sentindo um pouco melhor. Claro, com Joy aqui era mais que certo disso acontecer. Aproveito o momento para dar um trato na minha aparência. Tomei um banho caprichado, fiz a barba e me livrei das garrafas de bebida espalhadas pelo quarto. 
Quando volto novamente, a encontro na mesma posição, em um sono profundo. Dizem que essa é a fase mais cansativa da gravidez em que os hormônios estão a flor da pele. Mas uma coisa é certa, Joy está cada dia mais linda e eu, cada vez mais apaixonado por ela. 
      Observo a chuva fortalecer gradativamente na noite gélida que se aproxima. Ouço Joy murmurar, se remexendo na cama e despertando.

-Nossa, eu nem vi o tempo passar... - justifica, coçando os olhos adoravelmente - Me desculpe, eu acabei caindo no sono.

-Quem tem que se desculpar sou eu por estar te dando trabalho. - afirmo, sentando-me ao seu lado

-É... Pelo que vejo você está melhor... - comenta, passeando os olhos pelo meu corpo

-Sim, sim. - sorrio - O pior já passou, graças a você.

-Fico feliz por te ver reagindo. Só não faça mais isso, ok? Preocupou todo mundo! - informa, tentando se levantar da cama

-Onde você vai?

-Pra minha casa, ué. Você já está melhor, não precisa mais de mim aqui.

-Sempre precisarei... - friso - Não sei se percebeu, mas já anoiteceu.

-E daí? - indaga, me lançando um olhar indiferente

-E daí que está caindo uma tempestade e eu não permitirei que você saia daqui. - Joy suspira descontente

-Michael, já está tarde. Não posso continuar aqui, Rodrick já deve estar preocupado!

-Sem problemas, eu ligo pra ele. - respondo tranquilamente

-Michael, eu tenho que ir pra casa! Já são quase onze da noite!

-Você já está na sua casa. - corrijo, despertando sua fúria

-Pare com essas gracinhas, ok? Não tem cabimento eu dormir aqui.

-Tem sim. E se não quiser dormir comigo, você pode ir para o seu quarto... - Joy parte pra cima de mim, nervosa com a minha piada

     Aperto seus punhos delicadamente, puxando-a para mim e antes que ela pudesse me empurrar, colo minha boca na sua e um beijo urgente surge, nos desarmando por completo.
    Levei minhas mãos até sua cintura, sentindo suas unhas cravarem minha nuca. Joy gemeu baixinho quando penetrei minha língua, explorando sua boca lentamente. Continuamos a nos beijar até que ela desfaleceu em meus braços, sem fôlego. 
    Ela se afastou de mim e com as mãos escondeu a boca avermelhada. Eu sei que ela gostou, não adianta tentar disfarçar. Joy respirou fundo e me olhou novamente.

-Amanhã antes mesmo do sol nascer eu já estarei longe daqui. E outra, só ficarei pelo meu filho. Não quero fazer mal à ele. - avisou, dando as costas e saindo do quarto

(...)

    Com toda certeza eu dormi muito mais feliz em saber que Joy está aqui, mesmo que seja do outro lado da parede. Novamente me encho de esperanças e volto a sonhar com uma reconciliação.
     Antes de sair do quarto, tomo um banho e me arrumo rapidamente para poder estar pronto antes de Joy acordar, mas para minha infelicidade, ela já havia partido.

-Por que você não a impediu? - questiono Remy

-O que queria que eu fizesse, Michael? Eu não podia trancá-la nessa casa. - justifica

-Pelo menos sabe como ela foi embora? Bill a levou?

-Ela foi de táxi. Não quis dar trabalho, já que saiu daqui ao raiar do dia.

-Ah Remy... - suspiro desanimado - Ao mesmo tempo que eu crio esperanças eu sinto que vou perdê-la de vez.

-Eu não estou te reconhecendo, filho. Se Joy não quisesse voltar pra você nem teria aparecido aqui ontem.

-Você acha?

-Mas é claro que sim! Ela te ama, só está magoada. Você vai ver que logo logo ela voltará pra cá.

-É tudo que eu mais quero...
Joy


    Como Michael já havia informado à Rodrick que eu passaria a noite na sua casa, achei melhor procurá-lo mais tarde e ir direto pro meu apê. Em breve vou ter que sair daqui e eu preciso adiantar minha mudança. 
    Me sentei para descansar e então as lembranças da noite passada vieram na minha mente. Foi impossível não sorrir apaixonada ao me lembrar da cena de Michael conversando com Arthur. Está cada vez mais difícil me manter afastada desse homem.

-Rodrick... - deduzo ao ouvir a campainha tocar

     Me levanto e caminho lentamente pela sala. Suspiro, abro a porta e a pessoa com quem me deparo me causa um terrível enjoo. Meu coração acelerou, minhas pernas bambearam e eu senti como se o chão tivesse aberto sob meus pés.

-Kevin? - gaguejo ao pronunciar seu nome

-Ainda se lembra de mim, amor? - abre um sorriso malicioso, deixando claro que suas intenções não são nada boas...

Capítulo 44

Joy


    Kevin continuava a me fitar, captando todas as minhas reações, ou melhor, as poucas reações, já que permaneço paralisada, ainda sem acreditar que o homem que desgraçou minha vida está bem na minha frente.

-O gato comeu sua língua, princesa? Qual é, esse deveria ser um reencontro emocionante! - exclamou em pura ironia

-Como você me achou? - murmurei ao escolher uma das diversas perguntas que estavam entaladas na minha garganta

-Eu sei de tudo, meu amor. Soube que se deu muito bem dando um golpe em um ricasso.

-Cala a boca! - gritei - Por que está aqui? Já não basta tudo que fez comigo?

-Ah, não banque a coitadinha, Joy! Você é muito mais esperta do que imaginei... Mas agora está na hora de dividir os lucros, você não acha?

-Eu quero você fora daqui! - tentei gritar a plenos pulmões, mas minha voz saía em um torturante sussurro

-Nem pense nisso, amor. Nós temos muito o que acertar...

-Fala logo o que quer de mim! Não entendo o que faz aqui, sendo que você mesmo nos expulsou da sua vida!

-Sim, mas eu não imaginava o quanto você era esperta... Fisgou o maior peixe graças a mim e agora você tem que me pagar. É mais que justo, baby! - sua frieza e ironia me deixavam enojada. Como ele pode voltar a me infernizar depois de tudo que passei nas mãos dele?

-Pagar? Bom, já que você soube tanta coisa ao meu respeito, deve saber que estou sozinha e passando um perrengue danado pra pagar as contas. Não tem nada pra você aqui, cai fora!

-Acha que eu sou idiota, Joy? - cruzou os braços, me analisando minuciosamente - Sei muito bem que passou a noite com o promotor!

-Como sabe disso?

-Já tem meses que estou na sua cola, querida! Não só na sua como também na cola do coroa que só falta rastejar aos seus pés. Já sei que ele se acha o fodão, e ontem a noite conheci a mansão que ele mora. Olha, Joy, você se deu muito bem!

-Não admito que coloque o Michael nessa confusão! Eu e ele não temos mais nada um com outro!

-Ai ai, você acha que eu nasci ontem né? - riu, deixando claro que nada que eu disser vai mudar suas intenções - Agora chega de enrolação. Você vai fazer tudo que eu mandar, ouviu? - avisou, apertando meu braço de forma agressiva

-O que você quer que eu faça?

-Primeiro, você vai atrás do seu namoradinho pedir uma boa grana.

-Você enlouqueceu? Eu nunca vou fazer isso, desista! Já disse que não vou permitir que envolva o Michael em nenhuma picaretagem!

-Ele já está mais que envolvido, princesa! Quem mandou mexer com mulher de bandido? Agora aguenta!

-Com ele não! Sou capaz de chamar a polícia pra você!

-Então chama! Mas é melhor se preparar, porque no dia seguinte você não vai nem reconhecer seu amorzinho...

-O que quer dizer com isso?

-Tô dizendo que eu vou mandar quebrar em pedacinhos aquele filho da puta que se acha por estar pegando uma novinha como você. E tem mais, além de acabar com ele ainda levo esse muleque comigo! - ameaçou, apontando para minha barriga

-Você não teria coragem... - murmurei - Kevin, por favor, você não precisa disso! Vá viver sua vida...

-É isso que eu quero, benzinho. Mas tô devendo uns caras aí e preciso dessa grana pra ontem. Então é melhor você fazer o que eu estou mandando! Um telefonema e o seu namoradinho roda!

-Tudo bem, tudo bem! Eu faço tudo que você quiser!

-Boa menina... - riu - Agora você vai ligar pro promotor e marcar um encontro.

     Fiz exatamente o que Kevin ordenou. Preciso manter a calma ou posso por tudo a perder. Ainda não sei como vou sair dessa, preciso por a cabeça em ordem e raciocinar direito.
A primeira coisa que fiz foi telefonar para a casa de Michael. Para minha sorte, Remy explicou que ele já havia ido ao escritório, mas para Kevin isso não era problema. E agora estamos dentro do seu carro, na porta do escritório de Michael.

-Vamos. - avisou, destravando a porta 

-Como assim "vamos"? - me assustei, pois na minha cabeça eu subiria sozinha

-Vamos nós dois, querida. Enquanto você pega o dinheiro eu espero do lado de fora. Você é esperta demais, Joy e eu não posso por tudo a perder.

-E qual a quantia?

-300 mil dólares. Pra começar.

-Isso é loucura, Kevin! É muito dinheiro, pelo amor de Deus!

-Ah conta outra, Joy! Esse cara tem dinheiro de sobra. Agora vai logo que eu já tô perdendo a paciência com você! - disse, em seguida saltando do carro e abrindo a porta para mim

(...)

- Ele já vai recebê-la. - informou sua secretária

Minhas pernas estavam trêmulas, assim como minha voz. Ainda não sei com que cara vou olhar pra ele e pior, que desculpa vou dar pra pedir tanto dinheiro. Eu só peço a Deus que me ajude a encontrar uma solução para esse tormento.

-Pode entrar! - informou. Antes que eu pudesse me levantar, Kevin apertou meu punho

-Pense bem no que vai fazer. - ameaçou. Respirei fundo e segui para a sala de Michael

    Meu coração bateu acelerado quando bati meus olhos nele. Michael estava de pé, ostentando um sorriso iluminado nos lábios. Desejei me jogar em seus braços e me sentir protegida como em todas as vezes que eu estava desamparada. Mas dessa vez nem Michael pode me ajudar.

-Eu fiquei surpreso quando Lucy disse que você queria me ver. Surpreso e feliz.

-É... Nós podemos conversar? - decidi ir direto ao ponto antes que eu perdesse a coragem

-Claro! Aconteceu alguma coisa? Você e o Arthur estão bem? - perguntou visivelmente preocupado

-Eu preciso de grana. E rápido. - Michael estreitou os olhos, provavelmente surpreso com meu pedido

-De quanto você precisa? Pode falar, Joy. Eu dou o que você quiser! - afirmou, solícito como sempre fora

-Eu... - suspirei, forçando minha voz a sair - Quero 300 mil. - percebi que Michael engoliu seco ao ouvir o valor exorbitante que cantei

-300 mil? E pra que você precisa de tanto dinheiro? Está passando necessidade? Me deixe te ajudar, Joy!

-Então me empresta esse dinheiro!

-Eu disse que darei o que você quiser, mas eu preciso saber o que está acontecendo!

-Vai me dar ou não? - indaguei, tentando soar dura - Olha, se não quer me dar, ok. Arrumo um jeito de conseguir...

-Não! - me cortou - Vou fazer um cheque, ok?

-Eu quero o dinheiro vivo. Sabe muito bem que não sei mexer com essas coisas.

-Mas eu não tenho esse dinheiro aqui. Eu tenho que ir no banco fazer o saque. - explicou

-E isso demora muito?

-Não muito. Por que não vem comigo? No caminho você me explica o que está acontecendo, ok?

-Não, eu não vou com você. Quando você tiver com a grana me chama que eu venho aqui.

-Meu amor, você está me assustando... - Michael tentou se aproximar, mas me esquivei

-Eu tenho que ir embora. Aqui está meu número. - estendi o número do celular que Kevin me deu

-Você não vai sair enquanto...

-Dr. Jackson, seu cliente chegou. - por sorte sua secretária nos interrompeu. Aproveitei este breve momento para sair dali e poder fugir do seu interrogatório

(...)

-Cadê a porra do dinheiro? - perguntou assim que entramos no carro

-Ele vai me dar, ok? Acha mesmo que ele anda com 300 mil na carteira?

-E que merda vocês resolveram?

-Ele vai me ligar assim que tiver com o dinheiro. Não se preocupe, ele vai fazer o que eu pedi.

-Espero que seja verdade, porque se eu perceber que estão armando pra mim os três vão rodar! - ameaçou, pisando no acelerador e arrancando com o carro

Capítulo 45

Michael



     Até agora estou sem entender o que deu na cabeça dessa menina de vir aqui tão afobada, me pedindo esse dinheiro. É claro que daria sem hesitar se meu subconsciente não tivesse me alertado de que algo errado está acontecendo.

-Mandou me chamar, Sr. Jackson? - Wayne, meu segurança e amigo, veio ao meu chamado

-Sim, Wayne. Quero que me acompanhe ao Banco.

-Sim, senhor. - assentiu

-Sem formalidades, estamos só nós dois aqui. Sente-se. Preciso que me aconselhe.

-Claro, aconteceu alguma coisa?

-Você deve ter visto quando a Joy entrou no escritório, certo?

-Sim, sim. Ela e um rapaz. Por que?

-Como assim ela e um rapaz? - me alterei. Se antes eu já estava desconfiado, agora estou muito mais

-Ué, pensei que soubesse. Ele subiu até aqui com ela e foram embora juntos. E antes que me pergunte, ele não se parece nada com o amigo que ia visitá-la no Rancho.

-Se não é o Rodrick, quem será? Eu vou descobrir agora mesmo!

-O que pretende fazer? Acha que a moça está tentando lhe extorquir?

-Joy jamais faria isso. Você sabe o quanto ela é orgulhosa. Mas tudo bem. Darei o dinheiro que ela pediu e aí sim vamos saber o que está acontecendo.

(...)

   Já com o dinheiro em mãos, decidi ligar para Joy. Não fiz nenhum questionamento, até porque sei que se ela está me escondendo algo tão sério, jamais me revelará.
Tentei ligar por duas vezes até ela finalmente me atender. Percebi sua inquietação apenas pelo tom de voz.

-Alô, quem é?

-Sou eu, Joy. Michael. Liguei para dizer que já estou com o dinheiro que me pediu. Você quer que eu vá até sua casa?

-Não! - se prontificou a dizer - Eu mesma posso ir aí, se não for incômodo.

-Você nunca me incomoda, Joy... - ela se calou, suspirando demoradamente - Vou pedir o Bill para te buscar.

-Não precisa. Eu arrumo um jeito de chegar aí. Até mais, Michael. - desligou, sem ao menos despedir

- Ouça, Wayne. Quero que fique de olho, ok? Assim que ela chegar você me avisa, e também quero que esteja pronto para quando ela for embora.

-Você quer que eu a siga?

-Nós vamos. É o único jeito de descobrir o que ela está me escondendo...

(...)

    Em um prazo de pouco menos de uma hora, Wayne telefonou, informando que ela acabara de chegar. Segundo ele, o tal rapaz continuou no carro enquanto Joy seguiu para a portaria do prédio.          Em pouco tempo Lucy avisa sobre sua chegada.Ela parecia ainda mais retraída desde sua visita hoje de manhã. Não me olha nos olhos e o tempo todo verifica as horas no relógio.

-Sente-se. Creio que não seja bom que fique tanto tempo em pé. - peço educadamente. Mesmo estando tão preocupado, ainda me desmancho ao olhar para sua barriga cada vez maior

-Não precisa, eu não vou demorar. - rapidamente respondeu

-Tudo bem. Quer uma água, café?

-Não, obrigada. - sua tensão é nítida e tento pela última vez fazer com que ela se abra para mim

-A gestação está quase no fim, certo? - opto por deixá-la mais tranquila, puxando um assunto na tentativa de confortá-la

-Sim. Acabo de completar oito meses. - sorri, pela primeira vez, passeando as mãos pelo ventre

Decido me aproximar dela, levando minhas mãos ao seu rosto. Joy fecha os olhos com o contato, permitindo-me acariciar sua pele tão delicada.

-Me conte o que está acontecendo. Por Deus, Joy... - envolvo meus braços ao seu redor e ela me abraça forte, repetindo o gesto que em inúmeras vezes fez quando eu lhe consolava

-Eu não posso... - murmura - Me deixe ir embora, por favor. - pede, desvencilhando-se de mim

-Tudo bem. Aqui está o dinheiro. Te garanto que os trezentos mil estão aí conforme me pediu. - digo, estendendo a maleta para ela

-Obrigada. Ainda não sei como, mas prometo te devolver centavo por centavo. Adeus, Michael. - Joy segura firme a maleta e sai apressada para fora da minha sala

    Aguardo alguns segundos para ir atrás dela. Ao lhe ver entrar no elevador, rapidamente chamo o próximo. Não posso em hipótese alguma perdê-la de vista.
Wayne me aguardava próximo ao parque que fica em frente ao prédio. O carro em que Joy está já havia partido. Minha vontade era de segui-los neste instante, mas não podemos levantar suspeitas.

-Anotou a placa do carro? - pergunto ao entrar no carro

-Está aqui. Tem alguma ideia de onde eles possam ir?

-Se minha intuição não estiver errada, acredito que estão indo para a casa dela.

-Como assim intuição? Já sabe quem é esse cara?

-Não. Mas tenho quase certeza que esse homem é o Kevin. - concluo depois de tanto refletir

     Felizmente, ainda possuo o mesmo faro da época de defensor público. Consigo captar com precisão o que acontece à minha volta e reúno as peças do quebra-cabeça. 
     Joy não tem relações com nenhum homem que não seja eu ou Rodrick, e a única pessoa que possa estar por trás disso é justamente seu ex-namorado. Olhando por esse prisma, a estória ganha sentido. Tenho certeza que o dinheiro está nas mãos desse canalha e agora mesmo vou descobrir sua verdadeira intenção.

(...)

-O senhor estava certo. - Wayne afirma - O carro está mesmo parado na porta da casa dela.

-Eu sabia! Droga, se eu soubesse quem é esse desgraçado eu entraria agora mesmo lá!

-Michael, segura sua onda. Você mesmo disse que isso pode ser uma hipótese. O melhor que podemos fazer é esperar. Uma hora ele vai sair.

-Você tem razão. - cerro os punhos, irritado por me sentir tão impotente diante do que está acontecendo

Pouco mais de vinte minutos depois vejo o rapaz sair da casa, levando consigo a maleta que dei à Joy. Assim que ele entra no carro, não espero nem mais um segundo para cobrar explicações dela.

-Quer que eu entre com você?

-É melhor ficar aqui. Pretendo tirar Joy dessa casa e levá-la comigo para o rancho. Provavelmente ele não deve voltar, com certeza vai torrar o meu dinheiro. Qualquer coisa você me liga.

-Sim senhor.

Tomo uma lufada de ar e caminho até a porta da sua casa, tocando a campainha insistentemente. A porta se abre e Joy empalidece ao me ver.

-Não adianta mais mentir pra mim. É o Kevin que acabou de sair, não é?

     Joy leva as mãos à boca, abafando as grossas lágrimas que rolam pelo seu rosto. Sinto meu coração apertar no peito só de imaginar o que esse desgraçado possa estar fazendo com a minha garota.
    Ela me puxa para dentro da casa, fechando a porta em seguida, provavelmente para que Kevin não me veja aqui.

-Você não devia ter vindo. É melhor ir embora, por favor!

-De jeito nenhum! Acha mesmo que vou te deixar sozinha sem que me diga o que está acontecendo? Não tente negar, pois vejo nos seus olhos que está amedrontada!

-Eu só peço que me perdoe... - murmura, chorando novamente - Eu não queria te envolver nos meus problemas...

-Meu amor... - trago Joy para os meus braços, envolvendo-a com a minha proteção, com o meu amor. Ela se agarra à mim com força, demonstrando claramente o quanto precisa de mim.

Penúltimo Capítulo

Michael



-Está tudo bem, não precisa chorar... - peço, aflito em ver o estado emocional de Joy - Agora me diga, por favor, o que esse desgraçado fez com você?

-Mas que cena mais linda! - Joy se sobressalta em meus braços ao ver Kevin descer as escadas. Nem mesmo eu sei como ele entrou aqui

-Kevin... - ela tenta dizer

-O que? Acha que eu sou tão idiota que não saquei que o promotor viria atrás de você? Tive que arrumar um outro jeito de entrar aqui.

-Não interessa como entrou, só lhe aviso que você nunca mais chegará perto da Joy! - Kevin olhou para mim, disparando-se rir em seguida

-Você é engraçado... Não vê que está sobrando aqui, promotor? Não se meta entra minha mulher e eu!

-Joy não é sua e nunca será! Pegue a porra do meu dinheiro e suma das nossas vidas! - grito, atiçando sua fúria. Kevin saca um revólver, apontando-o para nós dois

-É você que vai sumir daqui! Estamos feliz, você não vê? Temos um filho que está a caminho...

-Cala a boca! - Joy pede com a voz trêmula

-Olha como fala... Agora vem aqui!

-Ela não vai a lugar nenhum com você! - afirmo, segurando o braço de Joy

-Se não fizer o que eu estou mandando eu atiro direto na barriga! - ameaça - A escolha é sua, promotor...

-Deixa, Michael... - Joy murmura - Não podemos irritá-lo...

Sinto meu coração apertar ao ver Joy se afastar de mim e se aproximar de Kevin. Ele a abraça, encostando o cano do revólver na sua cabeça.

-Agora se afaste com as mãos para cima. - me instrui, ainda pressionando o revólver em sua cabeça

-O que vai fazer com ela?

-Nós vamos para um lugar mais reservado. Certo, amor? Aqui já tem gente demais se metendo na nossa vida! - Kevin continuava com a arma apontada para Joy - Olha só um cão de guarda à nossa espera.. - comenta ao notar a presença de Wayne no outro lado da rua

-Ele é só meu motorista. - tento explicar

-É mesmo? Quero que saia daqui agora e se você ou esse cara chegar perto eu atiro! - ameaça mais uma vez

-Quero ter certeza que não vai fazer nada com a Joy!

-Acha mesmo que está em condição de exigir alguma coisa? - um silêncio se instala na sala quando percebemos a sirene da polícia ecoar - Mas que merda é essa?

    Kevin se aproxima da porta para certificar de que realmente há uma viatura da polícia se aproximando. Antes que eu mesmo tentasse aproveitar sua distração, Joy comete a loucura de tentar tirar o revólver de sua mão.

-Desgraçada! - grunhiu ao receber uma unhada no rosto

     Assim que Joy se desvencilha de Kevin, consigo tomá-la em meus braços antes que ela se desequilibrasse e viesse ao chão. As cenas se desenrolam tão rápido que logo vejo Kevin tomar posse da arma novamente, prestes a apertar o gatilho. 
    Ele mira estrategicamente na barriga de Joy e, por muito mais que um simples impulso, me coloco na sua frente. O disparo é dado e não demora muito para eu sentir una ardência, bem parecida com a dor de uma queimadura. 
    Ainda em transe consigo ver os policiais imobilizarem Kevin, levando-o, algemado. Percebo também que, por muita sorte, o tiro foi apenas de raspão.

-Michael!! - Joy grita desesperada por me imaginar ferido - Mike, fala comigo, por favor!!

-Michael, aguenta aí, já chamei a ambulância! - Wayne avisa - Desculpe por ter me metido, mas eu tinha que chamar a polícia.

-Você fez bem... - digo com certa dificuldade, pois a dor é insuportável - Meu amor, se acalme. Eu estou bem! - tento tranquilizá-la

-Você está sangrando... Não, não pode me deixar! - suplica apertando com força a minha mão

-Te prometo que vou ficar bem, ok? Mas agora você tem que se acalmar! 

-Aii... Minha barriga... - geme, levando as mãos ao seu ventre

-Joy, o que você tem?

-As dores estão muito fortes! Aii!!

-Arthur vai nascer... - penso, em voz alta, deixando Joy ainda mais assustada

-O que? Ele não pode nascer agora... Oh meu Deus! - aperta os olhos, soltando um gemido gutural

-A emergência chegou! - Wayne informa - Vocês dois têm que ser levados agora mesmo!

-Estou bem. Quem precisa de socorro é a Joy e o meu filho!

    Neste momento eu já não conseguia mais pensar em Kevin ou no meu ferimento. Estou desesperado, me sentindo mais uma vez impotente. 
Assim que Joy foi colocada na ambulância, outra equipe de paramédicos me deram assistência, garantindo que meu ferimento é superficial e que só precisa de alguns pontos no local.

(...)

-Já faz duas horas que ela está la dentro... - digo ao olhar para o relógio mais uma vez

Para minha sorte, Remy e Rodrick estão aqui, pois do jeito que estou nervoso, poderia sofrer um infarte a qualquer momento.

-Você ouviu o que o médico disse. O parto além de ser prematuro, será feito por meio da cesária. Fique calmo, querido. Logo ele virá com notícias. - Remy diz para me tranquilizar.

Suspiro aliviado ao ver o médico se aproximando.

-Sr. Jackson, como se sente?

-Nervoso! Quero notícias da minha... da Maria da Luz! Meu filho já nasceu?

-Sim, ele acaba de vir ao mundo e já está no centro de terapia intensiva.

-Mas por que? O que ele tem?

-Não precisa se desesperar, Sr. Jackson. Esse procedimento é comum para os bebês que nascem adiantados. Ele completou apenas 34 semanas de gestação, por isso precisa ficar internado na encubadora para continuar a desenvolver os órgãos.

-Mas isso não é grave né?

-Ainda não sabemos. Mas assim que ele apresentar melhoras e não necessitar mais dos cuidados médicos ele receberá alta.

-Viu, querido? Arthur vai ficar bem... Ele é forte assim como a Joy!

-Tenho certeza que sim, Remy. - sorrio, esperançoso - Falando nela, como está a Joy?

-Descansando. O parto foi complicado, por isso ela também deve continuar internada. Mas volto a dizer, eles estão fora de perigo. Bom, tenho que visitar outros pacientes. Qualquer notícia, veio até vocês. Licença!

-Obrigado... É, doutor? Eu posso vê-la?

-Por enquanto não. Ela ainda está no pós-operatório. Mas se quiser ver seu filho, tem minha permissão.

-Oh meu Deus, sério? Eu, eu já posso vê-lo?

-Sim, é claro! Mas apenas pelo lado de fora do CTI.

-Tudo bem. Obrigado, doutor! - aperto sua mão, sentindo-me agradecido pelo seu feito

Graças à Deus e à ele os amores da minha vida estão bem. Respiro mais aliviado ao me dar conta de que o pesadelo finalmente chegou ao fim. 

    A vida é mesmo surpreendente. Essa criança foi o motivo de Joy entrar e sair da minha vida. E agora, novamente ela está nos unindo em um elo eterno de amor. À poucas horas atrás eu cheguei a pensar que provavelmente nunca mais os veria, e agora estou neste hospital me sentindo o homem mais feliz e afortunado desse mundo.
    Meu filho acaba de nascer e só Deus sabe como o amo. Um amor tão grande, inexplicável e imensurável. Um sentimento tão forte como o que sinto por sua mãe. Hoje mais do que nunca tive a certeza que o amor verdadeiro existe. Estive disposto a dar minha vida pelas pessoas que amo e quer saber? Se fosse pra viver tudo isso novamente, eu viveria sim. Só para ter a oportunidade de experimentar e vivenciar o sentimento mais nobre que existe.

Último Capítulo

Michael



      Se nesse mundo existe um pai mais apaixonado e babão, ele acaba de perder esse posto para mim. Já faz quase uma hora que estou debruçado nesta vidraça, vidrado em cada gesto de Arthur, desde seus dedinhos inquietos à sua respiração calminha. Deus sabe como tenho vontade de pegá-lo no colo, de sentir seu cheirinho... Acho que vou ter um ataque quando esse momento chegar.

-Michael, temos que ir pra casa. - Remy diz - Você precisa descansar.

-Mas eu tenho que ficar aqui com eles, Remy!

-Meu querido, o doutor disse que já está tudo bem. E não se esqueça que você está ferido.

-Tudo bem... Pra ser sincero eu estou morto de cansaço. Mas amanhã cedo estarei aqui! - olho pela última vez para Arthur, soprando um beijo no ar - Fica com Deus, meu anjo. Papai ama você...
Dias Depois


    Hoje se completam dez dias que Arthur e Joy estão no hospital. Meu filho ainda está na encubadora, mas sua saúde está cada dia melhor; Joy sofreu hemorragia durante o parto, e somado com a pressão arterial elevada, seu quadro havia se agravado. O médico disse que era necessário a internação, mas garantiu que ela ficará bem.
     Nos poucos momentos que a vi, não podíamos conversar muito. Ela passa boa parte do tempo sob efeito dos remédios, que graças a Deus foram suspensos hoje. Em breve poderei finalmente me acertar com Joy e claro, levá-la para minha casa. 
     Nesses dez dias, visito Arthur religiosamente. Com sua melhora, já posso entrar no berçário e a única coisa que posso fazer é tocar na sua mão. Pra mim isso já é um grande avanço, e sim, eu chorei igual uma criança quando ele sorriu para mim. E hoje estou aqui para mais um dia de visita, mas não sei por qual razão meu coração parece pular de alegria dentro do peito.

-Bom dia, Dr. Raimond! Como está o meu filho hoje?

-Michael, você não vai acreditar! - se sua voz não tivesse soado tão empolgada, eu teria me preocupado - Fizemos mais uma bateria de exames no Arthur. Seu organismo está cada dia mais saudável e hoje retiramos o máscara de oxigênio.

-Então ele já pode respirar normalmente e ir pra casa, certo?

-Estamos o observando. Ainda é cedo para dar alta, mas garanto que em breve ele poderá ir pra casa.

-Acho que nunca pedi tanto a Deus que isso aconteça. Posso ir vê-lo?

-Claro. Vou pedir a enfermeira pra te dar a roupa apropriada.

    Imaginei que mais uma vez me sentaria ao lado da encubadora, mas para a minha surpresa, Arthur está no berçário. Seus batimentos cardíacos ainda estão sendo monitorados, mas só de poder vê-lo respirar normalmente, me encho de felicidade.

-Você quer pegá-lo? - a enfermeira me pergunta

-Cla...claro! Mas eu tenho medo... Nunca peguei um bebê no colo. - tento explicar meu despreparo

-Não se preocupe. Todos os papais de primeira viagem passam por isso. Vai se dar bem! - ela pega Arthur delicadamente e me instrui sobre como devo agir - Segure bem firme e cuidado com a cabeça.

-Certo... - minhas mão estão trêmulas, mas assim que o recebo em meus braços, reúno uma força incomum

   Parece um sonho ter meu filho tão perto de mim. Desejei tanto esse dia e ele finalmente chegou. Arthur parece muito confortável, nem abriu a boca pra chorar ou resmungar. Delicadamente, entrelaço nossos dedos, quer dizer, os dedinhos dele sumiram diante dos meus.

-E aí filhão... Abra os olhos para gravar bem o rosto do seu pai. Eu não sou muito bonito, mas você se acostuma... - provavelmente estou esboçando um largo sorriso. Estou irrefutavelmente apaixonado pelo meu filho

-Michael, me desculpe atrapalhar o momento de vocês dois, mas... - Rodrick sorri, me deixando curioso

-Alguma notícia da Joy? - pergunto, sem encará-lo, pois Arthur está puxando o meu cabelo - Você vai me deixar careca, garotão! Ah, pode falar, Rodrick.

-Como eu dizia... Joy está acordada e... Quer te ver.

-Me... Me ver? Ela quer falar comigo?

-Sim. Está ansiosa.

-Nossa! - sorrio, sentindo meu coração bater forte. Olho para Arthur, que continua a me observar - O papai volta logo, ok? Eu amo você... - deposito um beijo em sua testa e lhe faço o sinal da cruz

     Com um buquê de flores em mão e um envelope noutra, adentro ao seu quarto, ainda cabisbaixo. Rolo meus olhos pelo local e vejo dezenas de vasos de flores que eu trouxe durante todos esses dias. Meu olhar acaba se encontrando com o seu, e vê-la sorrindo para mim alivia meu coração. Ainda não conversamos depois de tudo o que aconteceu, então não sei o que esperar.

-Como se sente? - pergunto quase em um sussurro

-Bem. Chegue mais perto, não consigo te escutar. - pigarreio, respiro fundo e lhe obedeço

-São para você. - me refiro às flores - Já deve estar cansada de ver tantos buquês...

-Pelo contrário. Me faz sentir como se estivesse no jardim do seu rancho, ou como naquele dia que encheu meu quarto de flores. - ela sorri, relembrando do meu gesto quase que desesperado para que ela me perdoasse

-Elas gostam de você, por isso amo vê-las ao seu lado. - ela estende a mão e recebe o buquê. Leva-o ao rosto e inala o aroma das peônias

-Obrigada, de verdade. - Joy o coloca ao seu lado e sem eu notar, ela encosta sua mão na minha - Na verdade, tenho que te agradecer por tantas coisas...

-Joy...

-Me deixe falar. Eu preciso que saiba o que eu sinto. Mas antes, venha aqui. - me inclino para mais perto e sou surpreendido com um abraço apertado. Joy chora, emocionada, com o rosto enterrado no meu pescoço - Nunca esquecerei o que fez por nós. Nunca serei grata o bastante por você ter salvo o nosso filho.

Fico completamente sem falas após ouvir isso. Meus olhos enchem-se de lágrimas tamanha a emoção que estou sentindo em ouvi-la, pela primeira vez, se referir à Arthur como nosso filho.

-Meu amor... Não sabe como me sinto ao ouvir isso vindo de você. - Joy se afasta para me encarar e seca minhas lágrimas

-Eu só disse a verdade. Você fez o que somente um verdadeiro pai faria. E eu sinto aqui dentro do meu coração e vejo nos seus olhos o quanto ama o Arthur.

-Amo com todas as minhas forças. É um amor tão inexplicável, entende?

-Claro que sim. Eu sinto a mesma coisa. Agradeço tanto à Deus por meu filho ter a sorte de ter o seu amor.

-Eu que tenho sorte de ser pai de um molequinho tão lindo! Você precisa ver, amor. Ele está cada dia mais forte e saudável, e o doutor disse que em breve ele vai pra casa!

-É claro que ele está melhorando. Ele tem você ao seu lado dando carinho e amor.

-Olha, eu não queria te causar inveja não, mas eu acabo de tê-lo em meus braços.

-Você pegou ele no colo? - pergunta, admirada

-Sim! E ele adorou! Ficou quietinho, parecia um anjo...

-Queria tanto ver meu filho. Poder abraçá-lo, beijá-lo...

-E você vai, querida. Pensa que o pior já passou.

-Michael, falando nisso, eu acho que lhe devo explicações. - me sento ao seu lado, lhe ouvindo pacientemente - Me sinto muito envergonhada pelo que aconteceu. Me perdoe por ter te metido naquela confusão, por ter pedido aquela grana, mas eu não podia deixar que o Kevin fizesse mal à você e ao nosso filho...

-Espera, você fez isso por mim?

-Eu não podia permitir que ele fizesse mal às pessoas que eu amo. Mesmo nós estando separados eu odiaria te causar mais sofrimento. Só quero que saiba que minha intenção não foi machucá-lo...

-Shii... Não diga mais nada. Em momento algum acreditei que você simplesmente queria meu dinheiro. E agora sabendo que quis me proteger, eu me sinto honrado e, se me permite dizer... Me sinto amado também. - Joy desliza os dedos pelo dorso da minha mão

-E tem que se sentir mesmo. - afirma com a voz trêmula - Eu te amo, Michael. Não teve um momento em que eu duvidasse disso.

-Minha linda... Eu te amo tanto, tanto! - repito, beijando todo seu rosto - Te imploro mais uma vez que me deixe fazer parte da vida de vocês...

-Não precisa nem pedir. Sei que meu lugar é ao seu lado. Foi assim desde o início, não é? - ri, secando as lágrimas com as costas da mão

-E sempre será! - afirmo. Não espero mais para realizar meu maior desejo 

    Invado sua boca com urgência, voltando depois de tanto tempo, a provar o gosto do seu beijo. Joy corresponde, permitindo que minha língua penetre sua boca. Acaricio cada cantinho e sugo seus lábios com desejo. Nossas línguas estão duelando, nos beijamos com mais gana, intensidade e paixão. Eu poderia passar as próximas horas lhe beijando, matando toda essa saudade acumulada, mas eu tinha mais duas coisas para fazer.

-O que foi? - pergunta ao me ver afastar

-Já estava me esquecendo das surpresas.

-Como assim? Tem mais? - pergunta, curiosa ao me ver pegar o envelope

-Claro que tem! Abra. - Joy me olha desconfiada, mas concorda em abri-lo

-Mich... - sua voz some ao ler o que está escrito no papel. Ela se segura para não chorar e tenta prosseguir - É a certidão de nascimento do Arthur... E, e tem seu nome como pai. Meu Deus, você...

-Eu fiz o que qualquer pai deve fazer, ora! Dei meu nome à ele.

-Arthur García Jackson. Michael, eu não sei nem o que dizer... - seco suas lágrimas com um beijo terno

-Nosso filho já tem a certidão. Agora só falta uma nova pra você.

-Pra mim? Mas por que? Eu já tenho uma! - ela ri, sem entender minha intenção

-Está faltando a certidão de casamento, futura Sra. Jackson. - Joy continuou paralisada e eu aproveito para retirar do bolso da calça uma caixa de veludo - Quero que saia desse hospital como minha noiva. Aceita se casar comigo, Joy?

-Nossa! - ela chora e ri ao mesmo tempo. Estou segurando as alianças, nervoso e ansioso pela resposta - É claro que eu aceito. Seria uma tola se negasse!

-Viu como você é inteligente? Agora me dê sua mão.

Joy a estende e eu, mesmo trêmulo, consigo encaixar a aliança em seu dedo. Ela repete o gesto em mim, beijando minha mão em seguida.

-E agora, o que acontece? - pergunta, depois de trocarmos mais um beijo apaixonado

-Agora? Hmm agora a senhorita vai tratar de ficar boa logo para se casar comigo. Promete?

-Prometo. - Joy se aconchega em meu colo, acariciando meu peito -Pra ser sua mulher eu faço qualquer coisa.

-Eu sou muito sortudo, não é? Acabo de ganhar um filho e uma esposa. Eu devo ser um cara muito foda pra Deus gostar tanto de mim!

-Seu bobo! Já parou pra pensar que na verdade eu que estou sendo a sortuda da estória? É felicidade demais pra uma pessoa só.

-Minha Bela... - digo, me lembrando da história que Joy tanto me contava

E não é que a vida imita a ficção? Eu era uma verdadeira Fera, um Ogro, e graças à essa garotinha, me tornei um "príncipe" bobo e apaixonado. Bobo, apaixonado e futuramente casado.


Epílogo

Oito anos depois



      Não há uma pessoa que não se sinta contagiada com a felicidade da Família Jackson. Os últimos anos só provam como o amor de Michael e Joy se fortalece, seja com o pequeno Arthur, ou agora com a presença de Annie, filha caçula do casal de apenas dois anos. A pequena veio apenas somar a alegria do casal, que pensava já estar completa com o primogênito.

-Joy, vai demorar quanto tempo mais, hein? - Michael está impaciente com a demora da esposa. Ela abre a porta do quarto, irritada, prestes a lhe dar uma bronca

-Michael, a formatura é minha e eu demoro o tempo que eu quiser!

   Ele, apesar de estar enchendo a cabeça de Joy, ao vê-la de toalha, decide mudar de ideia. Afinal, eles não estavam tão atrasados assim. Uns minutinhos a mais não fariam diferença...

-O que tanto me olha...? - pergunta, risonha, ao olhar a expressão safada no rosto de Michael

-Você está linda, sabia?

-Deixa de ser mentiroso, eu nem estou arrumada! - Michael devagarzinho entra de vez no quarto, trancando a porta em seguida

-Mas está gostosa pra cacete. - afirma, puxando de uma só vez sua toalha, revelando o corpo nu e curvelíneo de Joy

-Michael, você está louco? - ri da prepotência do marido

-Eu sou louco. Louco por você. Agora por que não damos um jeito nisso aqui? - aponta para o volume notório do seu membro

    Joy lambe os lábios, excitada de imediato. Ela caminha até ele novamente, levando os dedos ao zíper da calça. Se ajoelha e Michael sente o coração bater mais forte, imaginando o que irá acontecer. Ela rapidamente o ajuda a se livrar da calça e da boxer. Seu membro, agora liberto, se mostra ainda mais duro, grosso e molhado. 
    De início, ela deposita um beijo na glande e com as mãos, massageia os testículos, levando Michael à insanidade. Joy dá uma lambida por toda a extensão do membro.

-Você gosta de brincar com fogo, não é? - sua voz sai com dificuldade

Joy sorri, e em resposta, abocanha o sexo de Michael. Ele afunda os dedos em seu cabelo, ditando os movimentos da sua cabeça. Seu membro está lambuzado pela saliva e muito, muito gostoso de se chupar.

-Ooh... Isso, você faz tão bem... Eu vou gozar e vai ser na sua boca, ok? 

-Então goza, amor. Quero sentir o seu gosto. - incita, voltando a chupá-lo incessantemente

    Michael não demora a chegar ao ápice do prazer, se derramando diretamente na boca de Joy. Ela lança um sorriso de aprovação após se deliciar com o prazer de Michael. Ele não espera muito para possuí-la. Deseja estar enterrado nela, fodendo forte e duro, do jeito que ela gosta.

-Agora é minha vez de ver essa bocetinha linda gozar bem gostoso no meu pau.

    Michael a joga sob a cama, abre bem suas pernas e sente seu próprio membro ereto novamente ao ver a intimidade molhada de Joy, pronta para recebê-lo. Ele se posiciona em cima dela e enterra de uma só vez. Os gritos e gemidos de Joy o excitam ainda mais. As estocadas são fortes e profundas. Ela treme em seus braços, o arranha com força e esfrega a pélvis freneticamente. Os dois gozam juntos, se entregando a um orgasmo intenso e maravilhoso.

(...)

    Depois de recuperados, eles tomam um banho juntos, namoram um pouco mais e compreendem que estão mais que atrasados. Michael sabe que a mulher vai demorar um pouco mais, então decide esperá-la na sala de estar.

-Nós não vamos mais sair, papai? - Arthur surpreende Michael, se jogando ao seu lado no sofá

-E aí, pestinha? É claro que vamos! Olha só como está bonito... Desse jeito as colegas de turma da sua mãe vão se apaixonar por você! - brinca, bagunçando os cabelos do menino

-Nem me fale disso, pai! - Arthur arqueia as sobrancelhas, encostando-se no colo de Michael

-Hmm que voz é essa? Pode falar pro seu velho o que tá pegando.

-Tipo... É uma garota lá da minha sala. Eu acho que estou gostando dela só que eu não sei se ela sente o mesmo.

-Hmm... - Michael o escuta atentamente - Sei bem o que está passando.

-Pai, como você e a mamãe ficaram juntos? Também foi assim?

-Olha, foi uma luta, viu? - ri, relembrando a verdadeira novela que foi e é sua relação com Joy - Eu também tive medo, pois na minha cabeça, sua mãe gostava de mim só como amigo.

-E o que você fez? - Michael suspira

-Bom, eu criei coragem e me declarei à ela. E sabe do que mais?

-O que?

-Ela também sentia o mesmo. E eu só soube disso porque arrisquei!

-Não ficou com medo de levar toco?

-E como! - ele ri - Mas se ela tivesse me dado um toco eu teria feito de tudo para conquistá-la e olha que eu tive que fazer isso muitas vezes...

-Eu sei! Já reparei que toda vez que mamãe está brava você chega com um buquê de flores.

-Espertinho você, hein? Mas estamos falando de mim! - brinca

-Então o que eu faço? Me ajuda aí, pai!

-Tente conquistá-la, mas nada de se jogar aos pés dela. Tem que ser firme. Foi assim que conquistei sua mãe!

-Como é? - ambos se sobressaltam ao ouvir a voz de Joy. Ela sabia que era conversa de pai e filho, mas só queria mesmo brincar com os dois

-Na-nada, mãe! Tava só falando do jogo novo que vamos comprar amanhã, não é pai? - Michael ainda está com os olhos vidrados em Joy

-É, é verdade sim! Filho, pegue sua irmã e nos encontre lá no carro, ok?

-Pode deixar! - Joy passa Annie para o colo de Arthur. Ele sai com a irmã, deixando os pais a sós

-Como consegue ser tão linda?

-Não exagera, tá? Estou tão nervosa!

-Fica tranquila, amor. A partir de hoje você é a advogada mais linda desse mundo! Não sabe como estou orgulhoso de você...

-Fico muito feliz em saber. Você me fez apaixonar pelo direito e se hoje estou me formando é graças ao seu apoio incondicional.

-E à sua força de vontade e dedicação. Vamos formar uma bela dupla juntos, quer dizer, já somos.

-Claro que somos! - afirma, beijando-o carinhosamente

(...)

      Michael não cabe em si de tanta felicidade. Com a pequena Annie no colo e Arthur ao seu lado, ele prestigia a esposa, agora formada em direito. Sua menina cresceu. Olhando-a agora vestida de beca, ele relembra do dia que a conheceu.Era apenas uma garotinha teimosa, vestida de jeans e regata surrada, com um vocabulário nada formal. Ele a viu se transformar numa mulher madura, forte e determinada. Mas apesar de todas essas mudanças, ela nunca deixará de ser a doce menina que roubou seu coração. 


       Em cima do palco, ela recebe seu diploma. Faz pose para fotos junto com os professores e amigos. Faz um pequeno discurso em agradecimento, mas não cita seu nome. E não é preciso, afinal a troca de olhares entre eles já responde qualquer dúvida.
     Ela finaliza o discurso, é aplaudida de pé por seus amigos e familiares, mas só quem Joy realmente enxerga são os donos do seu coração; seu marido e seus filhos. 
       E enquanto caminha em direção à eles, um filme passa em sua cabeça. Relembra o conturbado dia em que o conheceu naquele acidente de trânsito; das birras intermináveis e principalmente, dos momentos difíceis em que Michael esteve ao seu lado, protegendo e a amando com todo seu coração. 


     Ela fecha os olhos,faz uma prece silenciosa e sorri, agradecendo a Deus pelo simples fato de respirar. Por ter a oportunidade de viver em mundo que exista Michael Jackson. O homem - ou anjo, como costuma chamar - que entrou em seu caminho obscuro e o reacendeu da forma mais singela. O presente que sua madrinha lhe prometera está agora bem diante dos seus olhos, apertando sua mão e repetindo mais uma vez...

                                    Eu amo você...


Fim.

57 comentários:

  1. Bom dia, meninas!!
    Como o tópico original está com problemas, tive que abrir outro para continuar as postagens.
    Deixarei aqui o link dos capitulos anteriores.
    Muuuito obrigada pelo carinho, de verdade!!
    Até quinta! Beijos!!

    http://mjjfanfictions.blogspot.com.br/2016/02/uma-luz-no-meu-caminho-18.html

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    1. Aaawwwnnn...Esse romance é mesmo divertido e encatador!Marcia Jackson,parabéns para vc sua linda!Eu ja estou viciada na sua fic,e nao perco um capitulo♥

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    2. Aaawwwnnn...Esse romance é mesmo divertido e encatador!Marcia Jackson,parabéns para vc sua linda!Eu ja estou viciada na sua fic,e nao perco um capitulo♥

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Que coisa mais fofa! Será que Michael vai amar esse bebê? Ele ficou todo emocionado♡

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  4. Que dias você posta?
    Aguardando ansiosa novos capítulos :3

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  5. Bom dia, amores!! Chegando com mais capítulos.
    Bom, já devo avisar que estamos na reta final...
    Obrigada pelos comentários e até sábado.
    Beijos!!!!

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  6. O amor deles pode superar esse desafio. Na verdade minha filosofia de vida é que o amor cura qualquer escara, ele nos fortalece, é um sentimento transformador.

    Joy e Michael precisam se conceder uma nova chance. Agora eles podem recomeçar do zero, foram transparentes um com o outro e isso é o que importa!

    Estou em um caso sério de amor com esse casal. Fic maravilhosa! <3

    Beijos amore

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Ah,que garota dificil! Eu a entendo, mas tbm ele foi sincero e humilde.
    Continua, por favor.

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  9. Joy pela mor de Deus deixa o orgulho de lado e aceita Michael de volta ou nunca mais será feliz, pf não complique mais as coisas, aceita logo, continuaa tô amando.

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  10. Mesmo querendo que eles fiquem juntos, tô admirando a atitude da joy, porque Michael foi super injusto com ela, fez umas maldades que doeram muito, mas espero que o amor seja mais forte e eles voltem♡ nem acredito que já está no fim, já estou chorando antes da hora kkk

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  11. Vc quer me matar? E isso?

    Que capítulos maravilhosos foi esse mulher?! Vc está de parabéns.

    Minha menina Joy amadureceu que coisa mais linda. E o MJ finalmente caiu na leal.

    Continua Marília Jackson estou ansiosa para o próximo capítulo e aguardo ansiosamente a segunda temporada de " Como não se apaixonar?"

    Bjus

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  12. Pfv não deixa a joy morrer se não vai perder a graça e vai deixa nós triste ! Aguente ai joy , continua to amandoo <3

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    1. Ah e deixa o michael tocar a barriga dela se n a criança nasce e o coitado n vai sentir o bebe mexer vai michaellll conquista a joy !

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  13. Estou amando cada dia mais essa fic.
    Tem um capitulo extra amanhã? rsrs

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  14. Boa Tarde, meninas!
    Hoje trouxe só um capítulo para o bônus, já que estamos nos capítulos finais.
    Segunda volto com mais!
    Muito Obrigada pelos comentários e até mais!! Beeijos!!!

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  15. Que coisa mais linda, Michael todo encantado com o bebê, apaixonada por este capítulo <3

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  16. Capítulo emocionante! Que lindo! Gostei muito. continua, por favor.

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  17. Vocês tem algum grupo do whattsap do Michael? se tiver me adicione por favor ...(77 9903-2951)
    Mal espero para conhecer pessoas que partilham do mesmo gosto que eu!
    😍🙉

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  18. se tiver me adiciona
    também 71 88300994

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  19. Parabéns você é uma maravilhosa escritora

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  20. Vocês tem algum grupo do whattsap do Michael? se tiver me adicione por favor ...(77 9903-2951)
    Mal espero para conhecer pessoas que partilham do mesmo gosto que eu!
    😍🙉

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  21. Obrigada pelo bônus amei esse reencontro de Mike e Joy, agora eles se acertam.

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  22. Bom dia, meninas!!
    Chegando com mais dois capítulos! Quinta trago o penúltimo capítulo, ok?
    Um beijão e muito obrigada novamente por todo o carinho! Beeijos!
    obs: Meninas, não tenho participado de nenhum grupo, mas se quiserem fazer, fiquem a vontade! Beijão!!

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  23. Ai que raiva desse Kevin, tinha que aparecer logo agora? Será que Michele vai odiar ela, tô muito ansiosaaaaa

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  24. Esse cara tinha que aparecer agora, que droga!

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  25. pela mor de Deus faz alguma coisa, esse cara tem que morrer, Joy pela mor de Deus conte a verdade pro Michael, senão o que vai ser de vcs? mds esse cara tem que morrer e Joy, confie em Michael e conte a ele pf, continuaaa

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  26. Esse Kevin tinha que aparecer justo agora, Aff ! Acaba com ele na fic...rsrs to brincando,sei que Joy saira dessa ela é esperta.

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  27. Bom dia, amores!! Como prometido, trouxe o penúltimo capítulo.
    Finalmente Kevin os deixou em paz. Arthur nasceu em meio a tanta confusão, mas o que importa é que deu tudo certo! kkk
    Segunda-feira volto com o último capítulo + epílogo.
    Meninas, sinceramente, quero agradecer a todo o carinho que tenho recebido de vocês. Espero que gostem dos momentos finais <3
    Beeijos!!!

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  28. Amei o capítulo doida pra ler o esse final tô vendo vo chorar horrores nega adorei a fic e agradeço pela sua atenção e dedicação pela história que é belíssima i love you S2 doida para ler o final e triste por ser o final

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  29. Amei! Nossa que lindo! Joy encontrou, finalmente o amor verdadeiro. Michael a ama e nunca pensou que ela fosse uma pessoa desonesta. Estou torcendo para que eles vivam em paz. Continua, por favor.

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  30. Aaaaaaaaaa que lindooooo! Continua amore

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  31. Linnnnnnnnnndddddaaaaa está fic tem começo meio e fim adorei, Boa sorte em td na sua vida.bjs Nani Jackson.

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  32. Linnnnnnnnnndddddaaaaa está fic tem começo meio e fim adorei, Boa sorte em td na sua vida.bjs Nani Jackson.

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  33. Espero que ela de muitos filhos pra ele ele merece Parabéns

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  34. Espero que ela de muitos filhos pra ele ele merece Parabéns

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  35. Bom, aí estão os capítulos finais.
    Antes de qualquer coisa, quero deixar aqui os meus mais sinceros agradecimentos a cada uma de vocês que durante todos esses meses tiraram um tempinho para ler esse romance.
    Foi graças à vocês que me senti inspirada a escrever Michael e Joy.
    Espero de coração que tenham entendido a mensagem da Fic. O amor não escolhe idade ou classe social, ele não procura se encaixar nos padrões e foi isso que tentei mostrar. Laços de amor são muito mais nobres que laços sanguíneos. Espero que eu tenha conseguido demonstrar essa mensagem.
    Mais uma vez, obrigada por todo o carinho. Nos vemos em breve. Beeeijão!!!

    By: Marícia Jackson
    L.O.V.E ♥

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  36. OBS: Para as leitoras que forem acompanhar Como não se apaixonar? Parte 2, alterei o tópico com a data de estreia. Beeeijos!!!

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  37. Parabéns, Marícia! O final ficou sensacional! Essa foi uma das fanfic que amei acompanhar. Bjs.

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  38. CHORANDO!!! Parabéns por ter escrito uma fic tão linda, realmente o amor não escolhe as pessoas, vou sentir muita falta desses dois, awn eles são muito lindos juntos, e os bebês deles? Amei tudo ♡♡♡♡

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  39. Parabéns, linda esta fic com certeza a próxima fic vai ser o tão linda qto está bjs e boa sorte. Nani Jackson.

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  40. Parabéns Maricia! Ficou simplesmente demais! Muito emocionada com cada capítulo!

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  41. Historia lindissima!! Sensacional! Arrasou como sempreeeeee!!! Parabens!!! Mega amei <3 <3 <3 :-D

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  42. Devia ter a segunda temporada :(#fazsegunda

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  43. Com certeza, essa é uma das fanfics mais lindas que eu já li. Parabéns, Marícia!!! ❤

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  44. Com certeza, essa é uma das fanfics mais lindas que eu já li. Parabéns, Marícia!!! ❤

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  45. OII, sua historia é tão linda e viciante, que terminei em dois dia.
    Parabéns!
    mas... me diz quem são as personagens "Helena" e "Joy", porque elas são linda por demais. Me diz por favor? obrigado e mais uma vez PARABÉNS !

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